por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Para Rosa maria



Eu sempre adorei férias em cidades de interior, menores do que o Crato. Oscilava entre Mauriti e Várzea-Alegre. A última marcou mais, pelos amores lindos, lá vividos. Não foram tantos (exagerei), mas foram significativos. Um é pouco... Dois é ótimo!
Amores que o tempo aprontou reencontros, e se definiram, sem a mágoa do esquecimento... Muito pelo contrário, confirmou-se na escolha adolescente, o sabor da maturidade.
Naquele ano de 63, o destino foi Recife. Cidade já velha conhecida, uma vez que fora residência dos meus pais.
Nos domingos o programa era ir á praia de Boa Viagem. Catar conchinhas, e mergulhar com medo, nas ondas mais altas. Elas me arrastavam, e o desafio era sobreviver, e voltar pra segurança das areias. Passávamos duas noites com pasta d’água, depois nos “descapelávamos”, mas valia à pena. Durante a semana um cineminha entre O São Luiz, Moderno, Trianon, Polyteama, e até em alguns de bairro. Na Manoel Borba tinha um deles( o Cine Boa Vista).
Na Manoel Borba tinha uma jornalista, amiga da casa dos meus tios, cuja entrada cotidiana, animava o ambiente. Meu Tio Luiz adorava suas conversas e sua alegria. Em poucos dias, tornei-me próxima, e comecei a freqüentar a casa da vizinha. Era tudo de bom! Depois de subir as escadinhas, instalava-me na varanda, e começava a consumir tudo de bom que a aquela casa oferecia: revistas, livros, música, lanche, e o melhor: o papo de Rosa Maria, a voz e o violão.
Os episódios da sua vida... Viagem de navio para a Itália (ida e volta); a vida, na cidade eterna, pontos turísticos, e os amores lá vividos (pelo menos um).
Mostrava-me fotos, antes da cirurgia no nariz, e alertava-me: “Não faça plástica no rosto. A gente melhora o nariz, e piora a boca”. Mas Rosa tinha um rosto muito belo e expressivo.
Foi Rosa, que me fez desejar um beijo na boca... E aconteceu, depois daquelas férias. A danada tinha razão: eita, coisa boa!
Esses encontros repetiram-se, nas férias seguintes. Presenteou-me com o seu livro de poesias que li até decorar. E aí, a vida nos desagregou. Perdi o destino dos romances da Rosa.
- Eu já vivia os meus!
Depois de mais de 40 anos, a gente se reencontra na net. Podem entender a alegria? Pois foi!

Um abraço, Rosa Maria, a moça amiga, que me apresentou à vida com poesia!

Ser passarinho...

.
Já não mergulho em águas azuis

Prefiro a transparência da chuva

que desfaz a tempestade

Prefiro a partida

sem apelo ou despedida

-Alçar voos , além do arcoíris


A máxima do amor é

quando ele perde a cara,

mistura-se na luz e

enche o coração do mundo


Acorda meu sol

Mostra minha face invisível ,

presa no prazer do dia

Já não procuro a sarna...


Lembranças -trajetória finita


Nós se desatam

quando o tempo passa

e a gente fica.


A saudade carrega um samba no pé

A vida pode durar um verso,

que se imortaliza


Enquanto existir pedra no caminho

a vontade multiplica a força

É bom soltar florzinhas

Ser vento

Ser passarinho


Se você chegasse ...

Eu nem me despedia !

Silêncio



.A cantiga da chuva começa a ficar monótona.
Saudades dos meus óculos de sol.
O retiro que se indefine, encharca-se de uma preguiça nostálgica. As distâncias vão instalando valas ... Os abismos aprofundam-se. Nossas próprias águas avoluma-se , e nos asfixiam.
Olho para o céu ... Esse tempo nublado me deixa careta, e desapaixonada.
Meu amor platônico auto-deletou-se !
Meu amor virtual dorme antes e depois de mim.
Meus afetos reais ocupam-se dos seus dramas pessoais ...Não tocam... Se entocam !
A casa de janelas abertas ferrolha a sua porta. A vida consome-se lenta e corrosivamente. O tempo arranca meu velho papel de parede, num vendaval insubmisso. Pesam-me os pensamentos, e essa virada do tempo.
Caras desmotivadas e assaltadas por todas as angústias do mundo, impostam-me máscaras. Alegria sem eco...Tristeza sonora, como um disco arranhado ...Pinga em gotas...Conta-gotas ...Lágrimas da Terra.
Sinto que o os mensageiros de todas as novas estão a caminho. As mudanças aleatórias virão ! Esse aperto no peito explodirá um jeito verde de enxergar a vida .

Casa silenciosa , abandonada pelas baratas, pessoas e paixão. Meus tamancos zuadam pela escada interna .Passeiam nos recantos selados e desmemoriados. Lá fora a cidade corre. Meus templos são as calçadas ... Empoçadas , espelham um céu e um momento gris.
Vou e volto para os algodões ( verde - água) dos meus lençóis desarrumados pelo tormento dos sonhos. Pernas cruzadas, olhar .
Quando a minha energia voltar vou inverter a posição das telas do meu quarto, polir as lembranças;inocentá-las de todas as dores... Retirar essa energia senil .
É confortável o silêncio do corpo. O meu silêncio só abre a boca, quando encara a vida , e sente-se feliz !


É normal esse desalento ?
Essa incapacidade de salpicar
estrelas,nos meus escuros ?

Aprendizado :
processo e tempo
Quando o estágio finda
ficamos soltos e livres
Donos do destino !
Elos físicos
são frágeis laços de fita
Elos espirituais
são fios invisíveis
Conjugam no infinitivo
Amam no infinito

Chama violeta
transmuta a dor da saudade
Faz da falta que ela faz
doce momento de paz

O fogo purifica
Resta o nada...
O ponto búdico que aspiro !

Novelesca



É claro que assisti ao penúltimo capítulo de Caminho das Índias. A cena na Estudantina com Bibi Ferreira cantando "Minha palhoça" de J. Cascata foi impagável.
Esse povo que não assiste novela , mas gosta do que é bom, nem sabe o que perdeu.
A gente que mora no Cariri perde Bibi , em tantos atos...! Perde Bibi , e ganha a vista da Chapada, e um rítmo de vida leve ...de vez em quando, a voz do Abidoral , o violão de Pachelly , e outros tantos astros que clareiam a nossa esfera. Mas, falando sério, se eu pudesse, eu veria Bibi Ferreira, mais vezes !
Lembro que , quando chegou televisão por aqui, ela tinha um programa semanal, na TV Tupi, nos dias de segunda-feira. Ficou tão íntima nossa, que deu trabalho esquecer que ela é do palco, que é do Rio de Janeiro. Algumas vezes a vi por lá : em Gota D'água, em Piaf... Maravilhosa ! Hoje eu a vi, num pedacinho da novela , e o capítulo cresceu tanto, que a cena engoliu a trama.
Ah, tinha razão um amigo, quando me dizia : " Mulher, para de se emocionar com os dramas da ficção. Vive a tua emoção. 

O homem é a caneta

a natureza é a tinta

o papel é o guarda - poesia

As vezes ele solta um verso

As vezes prende o soluço,

ou se borra em lágrimas.

Quem não tem papel

cola na tela

Já não se faz papel almaço,

como antigamente

Ele acatava conceitos

aprovava e nos reprovava

Pachelly é nota dez

Olhar , e o resto dos sentidos

Só desconheço , o seu prato preferido

Mas a Socorro pode segredar ...

Aqui nesse Crato quente

de refrescante nascentes

-Um sorvete de cajá

para te agradar !
Eu não chego a envolver-me , depois dos meus tantos janeiros, mas não nego que me ligo na telinha, principalmente , em se tratando dos últimos capítulos de novela, quando tudo enfim, se concretiza , se esclarece, e vive o final feliz .
Acabei de dar uma espiada no céu . Cantarolei "Minha Palhoça" , numa interpretação tímida e silenciosa.
Bom é Moreira da Silva ou Bibi Ferreira !

Amores de internautas


Escrevemos sobre fatos da infância e adolescência , e pulamos para o presente .
Entre os meus 25 e 50 anos tenho histórias de tórridas paixões , que a lua do tempo esfriou. A paixão é tão cansativa e corrosiva , que deixa seus registro cansado, esvaziado...E mesmo as paixões poéticas , elas se perdem , nos novelos das rimas.
Os amores que vivi são personagens de novela , com finais definidos, bem resolvidos.
Praticamente não vivi nenhuma paixão neste século. Estive aberta, mas não rolou. Meu coração não é esperto , mas é amadurecido , e se encanta na dose certa. Meus encantos se expandiram, deixaram de fixarem-se num só ponto, abstraíram-se , num amor amigo.
Benditos os que só viveram o calor de uma única paixão, transformada no amor /destino.
Se uma cigana tivesse me dito , que eu terminaria a vida com grandes amores, e sozinha, eu teria enlouquecido de desgosto. Hoje esse amores identificados ou não é a taça da minha vitória afetiva.
Imagino como a internet mexeu com as emoções humanas.
Em 1997 , adentrei no mundo virtual, e com toda vulnerabilidade, vivi pelo menos duas paixões . As nossas ilusões e fantasias ganham pano, agulha e linha. Em pouco tempo , entendemos que a nossa alma ficou nua , e que o outro fotografou a nossa essência , sob todos os ângulos. A arte copiando a vida, e vice-versa. Depois da segunda experiência, e última , o jogo de sedução virtual perde o encanto, e a gente recupera as próprias rédeas. Agora, nem se a gente quisesse !
Muitos como eu viveram essa experiência, na realidade, de um amor simbiótico com o próprio ego. Não chamaria o processo de insane, mas quase o considero !
O primeiro morava no Canadá , algo um tanto irreal. Cheguei a tirar passaporte para conhecê-lo. Ainda bem que o sonho foi desfeito.
O outro era um poeta carioca , com quem troquei milhas de versos.No final, restou-nos um livro poético. Essa história valeu a pena , mas é tão irreal quanto àquela.
Agora estamos na era dos blogues. Ressuscitando o passado, e de pés no chão, vivendo o presente, sem as teias dos sentimentos ilusórios.
Viva a amizade , que prescinde da fantasia , mas é generosa no carinho.
O internauta é navegador cósmico.Um tanto viciado nas teclas , mas objetiva construções reais, possíveis e felizes como a expansão dos seus domínios de informações , e o exercício humano do afeto.

José do Vale Pinheiro Feitosa disse...
Socorro,

Tocas num ponto em se resolve uma subjetividade entre o infinitamente grande e o infinitamente pequeno. Afinal estes sinais que vão surgindo, inclusive esta tela desenhada com fundo branco é um eco de natureza diferente. O eco é o retorno do som que se provocou, enquanto este tipo de eco que falo é aquele que ao contrário viaja adiante, como uma reverberação. Então estamos falando através do mundo do infinitamente pequeno (da natureza particular da matéria). E fazemos isso porquanto o internauta substituiu por absoluta falta de conquista o astronauta do tempos de Barbarela, de 2001 uma Odisséia no Espaço. Este é um ponto.

Mas tem outro ponto que agora lembro: tendo a achar que o engano é algo que tende cada vez mais para uma mera referência da eficiência capitalista. O quê é um erro nestas circunstâncias extremamamente pragmáticas? Fica cada vez mais uma simples medida. Não vejo engano na ilusão, na fantasia, no desejo, na famosa "viagem na maionese". Apenas sinto como um pós realizado como muitas outras coisas que nem são de qualquer destas naturezas.
23 de agosto de 2009 22:32

Socorro Moreira disse...
Zé do vale,

O pós realizado, se incompleto, no mínimo nos capacita para o bom entndimento da vida. Chega o novo, e tudo recomeça !
No infinitamente pequeno , a gente descobre a máxima que nos prende...Provavelmente , a mesma que nos solta... !

Dobras no papel




Há um lugar ao longe
onde a terra e o céu se dobram,
como folhas de papel
Há um lugar ao longe,
onde fica a juventude
Tarde e distante...
Queria-te no futuro!

Bemol ou sustenido
saudade e solidão
Nos fazemos nos silêncios,
nas ruas sem esquinas,
nos poemas e pensamentos!

Estação do Silêncio

Plataforma escura, silenciosa angústia
Meu coração já se apinhou de gente

chegando, e partindo
Já chorou, se descabelou...
Já dormiu em pé, já sonhou dormindo

“Café com pão
bolacha não
café com pão... "

-Olha a tapioca, olha a mariola...
(Tudo tão depressa, tudo já sumindo...)

-Corre menina, senão você perde o trem!
-Desce menino, o trem não espera por ninguém!

Naquele sacolejar...
Vi a roça, vi a rosa, puxei prosa
Vi a lua crescer, e a madrugada passar.

Queimei o braço no sol
Queimei o olhar, noutro olhar!

Viagens curtas e amorosas.
Outras desencarquilhadas,
impacientes, nauseantes...

E o apito, ainda soa em meu ouvido!
Encontros marcados
Trem atrasado,
que um dia deixou de chegar.

Pessoas também,
quebram-se nos trilhos da vida
Fragmentam-se,
viram pó de estrelas...
Perdem o trem!

A vontade do coração 

Sobra umn canto na mesa
um lugarzinho na rede
um sonho, e uma valsa

Falta um livro aberto
voz contando casos
olhar atônito
enxergando o poema,
e criando a canção.


Nos meandros do coração
existem águas claras
que banham e unificam
corações em vibrações

Almas nascem de uma força única
em tons diferentes ...
- A minha é castanha .( Serei do caju ?)
Só o coração consegue entender a correta expressão da vontade !

Socorro Moreira

Dó em versos



Depois da segunda idade,os namoros nada esperam .
Namorados são os encantados .Com eles vivemos momentos eternos .
A alma decidiu-se pela colagem de muitas pernas, muito olhar entre si.
O telefone tocou na madrugada
Não foi engano
Foram tragos
Travos da saudade.
E foram tantos...!
Quem gemeu,
no contraponto do meu pranto?

Empresta-me teus olhos de arte ?
Eu só tenho o meu sonho de Alice.
Ele faz do caos um ponto de luz.
Eu sou mariposa - vadio no brilho.

Mesmo belas
são heras
tudo na mistura
heranças nuas
flores do mato
parceira das trevas
cheiros diversos
evolaram da terra
boca no corpo
língua da noite
São elos...

Divagando na tarde


Entardeceu. O dia e eu. Acordei da sesta de todos os dias com a sensação de que os meus sonhos foram pequenos , ligeiros...Nem lembro quantos. Artigos de toialete, uns doces que eu não posso, e caras que eu não vejo, mas gosto !
Acordei e vim pra cá. Espiar quem chegou , quem deixou, e quem levou. Sou vigia de mim mesma.
Zé do Vale foi lá em Potengi , e já voltou pra janela do seu Corcovado. Fiquei conhecendo as tias : Rosa, Maria e Raimunda , que já dispensam o rosário. Essas mulheres de agora , quando não falam em novela, se viciam nos teclados. Sou uma delas , cansei de sofrer por ela ( a vida). Aposentei as janelas , mas nas minhas recaídas, ainda caço um nesga de sol, e um pedaço de azul pra costurar um novo sonho ou remendar um sonho roto.
Hora de comprar o pão quentinho , fazer o café( detesto) , e somar as contas de Agosto. Os trocados que não sobram , eu jogo no cofre das almas , que do céu e de toda parte, acompanham os meus passos. Um dia seremos juntas. Preparo minhas asas pra voar em bando.
E se o sono for eterno ?
Lembrei-me de Dona Rute, mãe de Ana Cecília : " E se o céu existir ?"
- Melhor é não pensar no assunto , e viver a ética do sentir !

Dia do Sorvete !




A luz de Paulo Afonso chegou ao Crato nos anos 60. Até então a geladeira doméstica era a querosene. Tínhamos três pontos principais de degustação do sorvete: bar social, Bantim e Joaquim Patrício, depois a sorveteria cariri. Em casa, as nossas mães não nos deixavam faltar o sorvete. Não usavam creme de leite, nem leite condensado. Faziam um mingau ralo do leite com a maisena e a ele agregavam a fruta ou a essência (baunilha, chocolate). Aos últimos elas incorporavam gema de ovo e uma colherzinha de manteiga. A regra era não pingar uma gota sequer de água (a água tirava a cremosidade). O sorvete de goiaba, por exemplo, era feito da massa da goiaba. Eram fervidas numa calda de açúcar, e passadas na peneira, acrescentava-se o mingau de leite e maisena, e pronto. Tinha um gosto especial, jamais encontrado em sorvete algum.
O primeiro sorvete de baunilha que provei na minha vida (desses caseiros) foi na casa de Francíria Alencar; o primeiro sorvete de chocolate foi na casa de Magali Figueiredo. Pedi logo as receitas, mas não consegui fazer igual. A especialidade da minha mãe era o sorvete de goiaba e ameixa, coco, manga e abacate. Todo mundo pegava um copo de alumínio, uma colher, e traçava aqueles cubinhos preciosos. Quando começamos a viajar trouxemos outras novidades para incrementar: farofa de castanha, banana, Waters, caldas de ameixa, caramelo e a calda de chocolate, e passamos a usar belas taças. O sorvete tricolor foi o ponto auge, inaugurando o uso generalizado do leite condensado e do creme de leite.

- uma camada de creme de baunilha; (leite condensado; três gemas; a mesma medida de leite de gado; uma colher de maisena; baunilha em gotas ou em pau)
-Uma camada de creme de chocolate; (a mesma receita acima, substituindo a baunilha pelo chocolate em pó)
-Uma camada de chantilly (as claras batidas. Para cada clara uma colher de açúcar; gotas de limão e creme de leite sem soro).
Mas, o bom do sorvete é o passeio; a companhia; a prosa depois do sorvete... Lugar de tomar sorvete é na sorveteria!

"Est(r)ilo Nico"


Lente e mente
.... Coração quente
..............não mente
.................... fria mente

Des(compasso)
............ o samba
........................canção
............................. dos meus ou
...........................................vi(n)dos
.................................................. de alguém.

.................... Vibra (a)ções
.........------------.......Sons e tons

............................................ Peito agoniza
........................................................amor tecido

....................................................................... Hospeda,
................................................................................a(dona) sentidos

Nós



Desiste
Salta do peito, a dor
Nunca somos,
quando colados
formamos nós.

Tudo nos separa
mas uma ponte invisível
sempre unirá
a tua e a minha saudade
.
Você vive protegido
Que tecido é esse?
quero um fio
pra entrar em tua teia

.
Sua tela escureceu
Sua energia escapou de mim
(a sensação de desconexão
abriu windows da saudade)
.
Não sou daqui nem de lá
sou silhueta escondida
nos muros da cidade.

.
Sinto falta da minha companhia
aquela que insiste em ficar contigo

.
Você me encontra
Sempre antes de mim ...
.

Futebol de salão - Crato




Quebrando as limitações da vida social dos anos 60, principalmente para quem não tinha ainda 15 anos (e só queria ser adulto), o Crato teve a sua fase áurea, no Futsal, entre os anos 64 e 68.

O dia da inauguração da Quadra Bicentenário foi marcado como um evento espetacular.

As famílias já haviam adquirido suas cadeiras cativas, e os times já se achavam organizados (Votoran, AABB, Tênis e Wolks). Em pouco tempo virou mania geral. Velhos e meninos viciados, torcendo pelo seu time de predileção. Meu pai não perdia um jogo, e não se incomodava de levar-nos (eu e as minhas irmãs) à tiracolo. Lotava. Os melhores dias configuravam-se, nas quartas e aos sábados.
Aos domingos tínhamos a Praça Siqueira Campos; na segunda um cineminha, no Moderno. E assim encontrávamos quem queríamos, em muitas oportunidades.

Lembro quando o América do Rio veio jogar no Crato. Foram três dias de jogos com o campeão brasileiro de futebol de salão. Não estou lembrada dos placares de resultados, mas sei que acabamos todos muito roucos de tanto gritar e torcer.

Quando os meninos que faziam os times começaram a viajar para estudar fora, ocorreu o esvaziamento e extinção do nosso entretenimento esportivo.

Nunca os colégios tiveram tantos times de vôlei, futebol e basquete. Nunca gostamos tanto de esportes.

O movimento na quadra foi retomado, na década de 70 com os acontecimentos dos festivais de música. Tempo em que eu já estava ausente das brincadeiras.

* Estive uma noite , na Expo Crato, e uma figura conhecida abordou-me para entregar essa imagem da inauguração da Quadra Bicentenário. Falou-me: olha, acho que é do teu interesse porque vejo teu pai, tua mãe e você. A qualidade é péssima , mas dá pra identificar várias figuras da época.

 Lembro de muitos atletas ligados à epoca : Paulo César, Zé César, Gledson, Zé Vicente, Careca, Manga, Carlindo, Freire, Dau, Bosco, Chico Pão, Gledson, Miguel, Gilton , Danja, Hibernon, Ítalo, Pernambuco,Assis ...!
-Convoco a memória de vocês para recompor em detalhes esse nosso tempo.

( Impressionante como não existem registros oficiais. Pelo menos não os encontrei).

Para uma estrela


Fantástico !
Sabe aquele riso feliz?
Não pela tua solidão( tão minha...) mas pela arte expressa, bem dita !

Às vezes brinco com elas, me vejo nelas, arquétipos , onde sou mais cinderela , sem final feliz. Minhas esperas adormecem uma vida, e acordam , sem as chegadas prometidas.
Ísis sem Osiris, esperando um plano eterno de refazimento, já que a alma não se aparta do amor que é terno !
Assim caminha a humanidade... Num labirinto de paixão , num clima de guerra e paz, ao som da melodia imortal, com música e lágrima . Em casa blanca, a gente espera o último pôr-do-sol, que o poderoso chefão , nos prepara e guarda ! Só faltou falar num raio de sol , que entra na minha varanda , e me acorda. Acaricia meu dia, e me faz acreditar que a liberdade é azul, que os brutos também amam, e que estamos a um passo da eternidade... E, se o vento levou meu amor, quando setembro chegar, um outro amor chegará, nem que seja de aldilá,porque o céu que nos protege , há de nos acobertar!
Pronto.Arrumei uns títulos de filmes pra animar esse encontro nos bastidores... O chão está cheio de pipocas. Só tá faltando a cajuína do Ceará !

Abraços, Stela, amiga !

Desapego



Pego o coação e arranco do peito ?
Encontro meu eixo
Deleto o cheiro
Escureço o sol que me iluminou ?
.
Saiu devagar
como se fosse natural
a despedida em silêncio
Coração puro
Coração menino
Só quem se torna seu dono
Pode entender seu destino
.
Fim de amor
Final de tarde
Parecem música de bar ...
Sentimentos dissolvidos no ar
Na boca , como algodão doce...
.
- Acabou !

Datilografado



E se eu te pegar com os meus olhos

Trazer-te para dentro de mim ?

Mostro o luminoso e o assombroso

que a Pandora soltou em mim.


E se eu te tocar com todas as minhas letras

e com elas compor nova sinfonia ?

E, na hora "h", descobrir no "g" do meu "x",

que és o "z" da minha vida ?


"Vês" ? Meu "c" que é céu é teu

Eu te aprendi, nos "erres" da minha língua.

Lucidez?



A primeira vez que eu fui a Várzea Alegre eu era menina de braços. Lembranças vagas.
A segunda vez, eu estava com 14 anos, terminara o ginásio, e fui passar as férias , na casa de Seu Mundim Tibúrcio com Ana Maria ( minha prima), Vilany e Maria Nilce.
Cheguei de tardinha, depois de muitas horas de viagem pela Serra de S.Pedro. De noite fui dar umas voltas na praça , querendo conhecer os meninos dos quais já tinha a ficha completa. Mas a praça estava vazia. Todos tinham ido para um forró, no Sanharol.
Quando o dia amanheceu, depois da primeira noite naquela cidade, fui pra calçada, apreciar o movimento. Míope, não enxergava o povo à distância. E, lá se vem, uma moça enfeitadíssima, de salto alto, colares, pulseiras e roupas vistosas... Parecia uma cigana !
Perguntei pra Maria Nilce : Vixe, quem é aquela tão pronta, que vem chegando , já com um sorriso imenso, na boca de batom vermelho ?
Ela riu muito, e deixou que a figura se aproximasse, e eu tirasse as minhas conclusões.
Era Francisca. Gostamos uma da outra de cara ( as doidas se atraem?). Aí foi logo se lamentando:
" Tenho um monte de apelidos... O povo daqui é gozador, sabia?
E, já que está chegando, se quiser minha amizade, não tome os meus namorados...O nome do atual é Rubens Diniz."
Eu pensei até em registrar tudo que Chica falava, nos 30 dias que passei em Várzea Alegre. A história de uma cidade contada pelas falas da Chica seria um livro de Filosofia !
Chica é uma, entre mil e umas , saudades minhas !
Eu só não nasci em Várzea Alegre porque nasci foi no Crato. Mas se tivesse sido ao contrário , eu também seria feliz !

Cheiro de infância


Carência e medo
Tempestade, trovão
Almas penadas, aparição
Pavor de espelhos, aconchego
Colchão e amônia
Cabelos embrenhados, rabo de cavalo
Balões, bonecas de pano
Bilas, birros, bambolês
Chão de mosaicos, sujo de infância.

Night and day




Certas estratégias românticas, além de inocentes são burras. Já nos desculpamos, mas não nos esquecemos dos inúmeros títulos conquistados, coroados com faixa e cetro do nosso discernimento. A ficha caía, mas não voltava para o cofrinho da aprendizagem. De repente até desprezo esse “cofre”. Prefiro-me no tempo em que eu era louca e burra, exatamente porque esse tempo não tem volta. Vivem-se outros episódios.
Lembro de uma amiga, colega de destemperos- a Gilda! Quando se tratava de paixão caía de boca. Declarava logo o que sentia, escrevendo um bilhete anônimo ou expressando-se com seu olhar deslumbrado. Quebrava o mistério, dissolvia as boas perspectivas de construção e ia para os finalmente: hora do beijo e da declaração de amor, como nas revistas, novelas e no cinema. Essa pressa gerava atos impensados e despropositais. Queria porque queria uma conversa aberta com o Júlio. Um caso mais ou menos ilícito (eu acho). Marcaram um encontro, num lugar distante e compraram passagem no mesmo ônibus. Precavidamente deixou o carro partir, ouvindo Night and Day, naquelas vitrolinhas portáteis da Phillips. Olhou o relógio e pensou: Já perdi o transporte. Tá na hora de pegá-lo, na estrada. Mandou o taxi correr, enquanto o taxímetro corria também. A noite também corria gelada de estrelas. Enfim, num ponto de beira de estrada, o ônibus parou para um café. Foi quando o carro encostou. Recuperou seu lugar. Ele na frente. Gilda lá atrás. Estavam enfim ,não a sós, mas no mesmo espaço público e em nada protegidos. O ônibus chegou ao destino, e cada qual seguiu seu caminho.
Tão frustrante, que ela apagou o projeto do encontro, pra todos os sonhos adiante. Tem história que não faz história. Muito caro o preço de uma aventura vazia. Só lembro que ela ,quando me contou , ouviu naquela noite, Night and Day, cem vezes.

àguas passadas movem os meus moinhos


Águas passadas movem os meus moinhos

Eu tinha um amigo que adorava mulheres das pernas tortas, e dizia isso com toda razão:
- Imagine o enrosco dessas pernas no meu corpo. Encaixe perfeito!
- E as minhas panturrilhas humildemente, se encolhiam.
Estávamos no Amazonas. Os meninos tomavam cerveja em latinhas, salpicadas de sal e limão. Claro que eu ia de "Baré", e o tira gosto era Tucunaré. Tempo infernal e celestial. Chuvas diárias nas tardes, banhos nas calçadas, no meio do mundo - um mambembe coletivo, atiçado e resfriado. Terra aonde a lepra se espalhava.
- Cuidado menino, com beijo de língua; com mordiscadas na orelha... (Cuidado para não engolir coisas alheias).
E o tempo quebrava o relógio. A estrada era selva, e o rio navegável. Exuberância, nos passeios de lancha (50 HP). De uma margem para outra, nem se tivesse olhar de lince, ou pescoço de girafa, a gente vislumbrava a margem do outro lado... Só se via água e céu, um mar nublado, sem ondas, sem turmalina, mas tinha a beleza das garças.
Nas noites, imperava o carimbó ou um violão mineiro.
Num grupo de dez, eu era apenas só!
Cansados das caças, fretamos um avião para gastar dinheiro, no "Selton" de Porto Velho. Os meninos esticaram o vôo até Letícia, na Colômbia, atrás de Old Parr e "Saco Roxo", e eu fiquei num salão de beleza, pintando os cabelos de vermelho.
Naquela noite, nos banqueteamos depois de três meses, com filés ao molho madeira.
Digestiva foi a Discoteca. Sons de Tina Turner - Dancing Days. Uns remelexos soltos, e ao mesmo tempo presos, nas meias de lamê.
Benditas diárias, que nos davam chuva, rio, peixe, castanhas e algumas mordomias.
Ontem assisti ao filme "Ensaio sobre a Cegueira”, baseado no livro de Saramago, e :

Evoquei todas as águas,
nas quais já me molhei.
Bendisse a vida.
Umedeci a pele,
folha seca da cegueira.
Agora posso fechar os olhos
Viver o que deixei passar.
Posso na vida
também adiantar o olhar.
Buscar-me, buscar-te
Entregar alma em mãos...
Confiar!

Bievenido Granda



Em 31 de maio de 1964 , Bievenido Granda esteve no Crato, e fez um show no auditório da Rádio Educadora.

O Crato em peso compareceu. Quem é do meu tempo, confirma !
Os cratenses sempre gostaram de um bolero . Com ele aprendíamos a dançar , sem colar o rosto. O repertório de Bievenido, mesmo nos anos da Jovem Guarda , estava internalizado na gente de todas as idades. Eu mesma o conhecia por inteiro, e gostava !
Mas o que mais marcou aquele show foi o início de namoro entre Ana Maria ( minha prima) e Heron Aquino( nosso grande radialista). Justo nesse show eu também comecei a namorar pela primeira vez.
Elegemos uma música comum, "Oracion Caribe" , que Heron acabou levando para as paradas de sucesso, tendo em vista a infinidade de pedidos para que fosse tocada em seu programa.
Meses e meses, e Oracion Caribe mantinha-se campeã ( música mais solicitada de todos os dias !)
O meu namoro não deu em nada , mas o namoro da minha prima virou noivado, casamento , e vai completar bodas de ouro, porque o amor permitirá !

Quem lembra desse evento ?
Foi esse o repertório :

ANGUSTIA, CALLA ,EM LA ORILLA DEL MAR ,ESPERAME , HIPÓCRITA ,
LA ÚLTIMA NOCHE ,MORENA ,NO ME DIGAS NADA,NOSTALGIA ,
PERCAL,PERFUME DE GARDENIA ,SOÑAR CONTIGO ,
TRES PALABRAS,TU PRECIO e ORACION CARIBE .

Boêmia



Coração não é relógio de cordas

com ponteiros e valsa de despedida


O que se fala no boteco,

morre,

quando a noite finda.


Um tango de Gardel,

bolero de Ravel,

cheiro de sarro,

amendoim torrrado


Cio no olhar

chope derramado

quebra de taças

poemas molhados


Madrugada, calçada

lua em vigília

rajada de vento

cheiro de dama ...

E o céu cuspindo neblina.

Aos meus amigos , mensagem na madrugada .


Acabo de chegar de uma breve comemoração, e encontro essa festa surpresa. Meus amigos – presente e alegria de vida! Sou um tanto arisca, quando se trata de festas em minha homenagem. Comemoro a vida, em cada minuto de todos os dias. Mas hoje fui surpreendida pela minha alegria.
Eu sei da importância que todos têm pra mim, e não preciso checar a reciprocidade. O sentimento que a gente recebe é o sentimento que a gente sente, no retorno da energia.
Havia combinado com o filho mais velho, que passaríamos esse dia em Várzea Alegre, mas depois dessa emoção, mudei de planos. Vou passá-lo com a mulher que me pôs no mundo para que eu tivesse a felicidade dos encontros.
Não se preocupem os que não conseguem postar uma mensagem... Estou recebendo recados telepáticos de vários lados. Sintam-se todos abraçados, no meu agradecimento.
Em traje de cabra cega, parto esse bolo. .. A primeira fatia será dada no escuro. Não existe mais nem menos, no meu coração... Existem vocês!

-Um dia de paz e luz para todos nós !

Perdas


As pessoas partem

a paisagem fica

Perdem-se os aneis

os dedos afinam-se

Mudamos de cidade

o poço fica

Perdemos um amor

o vazio fica


Em todas as perdas

ganha-se algo de mais valia

O amor não envelhece

Fica sábio,

preguiçoso, mais pacato


Incondicional é o amor

que não desiste.

Anema e core




Existimos desde o "Muro de Planck".
Se estivemos dispersos no universo,
obedecíamos a uma ordem inteligente.

Teu sinal,
seja o mais sutil...
é um big bang
do amor contido.

"A nostalgia dos céus me domina”.

Tudo é mistério,
ou quase assim
Não sei o tom
mas escuto o som
nota por nota ...
Tudo o que diz, e
o que não diz!

Piscadelas, pautas falsas
Cumplicidade...
(por acaso e por um caso)
Felicidade é saber, e intuir
Gozar da plenitude
sem ter,
nem possuir!

Somos juntos
na efêmera realidade
Somos unos,
na longínqua eternidade!

Alternâncias



Solidão , romance

Romance na solidão

Solidão no romance

Tudo intenso !


O morno do amor

É melodia baixinha

É perfume suave

É doce harmonia.


O que é bom dura sempre

O tédio é de quem o sente

Rasga esboços da felicidade...

-Ela em trapos, se recompôe !


Amor marginal

se descoberto sob mantas

nas esquinas, nos muros pichados

Deixe a declaração

Não assine !

Bida


Da rua da Penha para a rua José Carvalho são dois quarteirões. Tão fácil achá-lo , tocá-lo, abraçá-lo... Esse doce de pessoa , um dos maiores artistas do Crato!
O Brasil todo o conhece , e nas suas músicas, a sua alma.
Outro dia, recente, nos encontramos e ele perguntou-me sobre o Cariricaturas. Eu disse que o blogue tem vitalidade, e oxalá vida longa.
Vitalidade mesmo, quem tem é você, meu amigo Abidoral, numa vida de disciplina sem forçar a barra: alma livre, ego serenado, inspirador do amor , respirador da arte !
E a gente busca o tempo todo , algo que nos preencha , um exemplo, um entretenimento, quando você é tudo isso, e mais ainda !
Em todas as suas fases , em todas as suas composições, em todas as suas caminhadas, em todo olhar amigo ( compreensivo), você nos ensina, um poema de amor à vida.
Reluto em falar sobre ti. Não sei falar de seres como você,São Francisco, Deus, duendes, Merlin, Zé Flávio, magos de luz... Só sei ficar muda ou dizer o insuficiente, tal e qual a minha condição terrena.
Hoje quero começar o dia , ouvindo Abidoral Jamacaru , em companhia de uma legião de fãs, que desejam ser anjos como ele.


Colando versos



Céu queimado de sol
Bicas cheias não pingam
Aguardo o presente do tempo
que prepara um papel
pra enrolar minha vida

Meu sonho rasgado pede costura
Meu coração pede sangue,
correndo feito criança,
na veia do desejo
.
-Volta, gota da minha folha !
.
Devolve a nuvem rosada
que enchia meus olhos
quando eu te avistava

Águas da vida



Riacho lácteo
de seixos, de seios
colo lavanda
balança no leito

Pedras limadas
jogadas na beira
Iaras, ninfetas
no rio se ajeitam
no espelho das águas
arrumam os cabelos
Com fitas e rosas
esperam Narciso...
Que tarda, e não chega!

Rio navegável
enluarado de loucos
nele se atiram
meus sonhos de moço
esperam o feitiço
da flor do enguiço

Rio sereno
águas turmalinas
acolhe o pescado
oferta uma isca
salga com choros
o veio que salta
nos mares bravios.

Rio cansado
das águas paradas
reduto esquecido
na orla florida
perfuma o gemido
dos ais afogados
de todos os sonhos
que encontram o destino!

Quando o Cariricaturas completou um mês

A Socorro que socorre com réstias do tempo. - José do Vale Pinheiro Feitosa
Socorro Moreira tem feito aqui no Cariricaturas uma coisa que parece óbvia, mas não é tão simplesmente realizável. Refiro-me a esta coisa de quem já viveu, conheceu personagens do mundo e por assim ter experimentado tende a achar que todos também sabem o mesmo. Não é bem assim, especialmente em relação às novas gerações.

Ao fazer breves biografias de personagens da cultura, das artes e da política, ela estimula e enriquece a formação das pessoas. Eu sempre vi os MP3 da vida como algo muito positivo para a cultura. Os CDs já haviam demonstrado isso ao trazer do Fundo dos Baus tanta coisa que seriam esquecidas entre colecionadores. Como já havia um grande esforço de digitalização, herdamos um acervo fantástico de músicos e músicas fazendo com que as novas gerações possam realizar outras escolhas. E certamente ainda ouviremos a revisita destas coisas maravilhosas numa outra escala igualmente maravilhosa do curso desta civilização.

Quando vejo uma pessoa de mais idade rejeitando a priori a música atual, com um asco irracional ao novo forró ou ao Funk, por exemplo; sempre me abate um remorso de gritar para alertá-las. O mundo não é tão desprovido de movimento para que nos escudemos na preguiça que não instiga. Do mesmo modo assim desejo gritar quando um jovem não consegue entrar nos meandros do acervo da cultura já agora histórica. Na verdade o mundo nem tem esta separação entre o velho e o novo, nós é que assim procedemos para operacionalizar melhor certos detalhes.

A rigor todos estamos no toque dos segundos entre a escala dos percebidos fatos e dos ainda não percebidos mas já acontecendo. Esta aura de incerteza colore o nosso espírito ao ímpeto à materialidade que ao mesmo tempo que realiza apreende o tempo como nossos.

Gente da minha terra, pegue estas réstias da Socorro Moreira e façam delas um clarão. Um claro de vida.

Finalmente um recado a todos: não durma sem antes dizer o que há para dizer. E o Cariricaturas completa um mês.

por José do Vale Pinheiro Feitosa

Saudade


Botei o pé na estrada e

entreguei-me ao destino.

Pensamentos em linhas cruzadas

movimento contínuo.

No conforto do silêncio,

letras sem compromissos.

Compro créditos,

e aguardo um som amigo.



Uma viagem não tem tamanho

É sempre feto

A volta é parto

Dói no coração

sonhos compridos

Dói na lembrança

encontros cumpridos.

Se eu pudesse voltar ...


Cheguei no ponto final :
Cariri avarandado !

Insisti em caminhar
Voei à esmo
Me perdi de mim mesma.
Se eu pudesse voltar,
Recife seria a minha !

Fui passageira constante
Transportes intinerantes
Acidentes contornei
Ilhada , sempre fiquei
Mesmo livre , me enterrei
Se eu pudesse voltar
não iria mais adiante !

Tuas pontes,
carreguei entre os meus rios
mesmo secos, mesmo cheios
não perdi de ti o vício.
Se eu pudesse voltar,
eu juro...
Nunca teria vindo !

Mas já que nada é possível
Se voltar é precipício,
fico no Crato querido
com todo aquele juízo,
que perdi ao te deixar
Se eu pudesse voltar ...
Não sei bem o que eu faria !


Corto as unhas do carinho
pra tocar no amor.
Amor expansivo,
que corre livre no tempo,
ao encontro do destino.