por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



terça-feira, 21 de outubro de 2014

A hora é de "AGRADECER" - José Nilton Mariano Saraiva

O senhor Arminio Fraga (brasileiro-americano) foi, durante muitos anos, um dos executivos do mega-especulador George Soros (húngaro-americano de 84 anos), que vive de fazer terrorismo no setor financeiro mundial (objetivando ganhos pessoais), tanto que ficou conhecido como o “destruidor de países” 
(hoje, tá podre de rico).

É natural, pois, que o referido senhor (Arminio Fraga) tenha absorvido os “ensinamentos” do patrão, daí a facilidade com que trafega no mundo dos especuladores e seja cortejado por gregos e troianos, porquanto com poder de “puxar brasa para a sua sardinha” (da comunidade financeira).

Uma “ajudazinha” que pode viabilizar-materializar tal desiderato (em termos de Brasil) seria conseguir “detonar” de vez com todos os grandes bancos públicos brasileiros (privatizando-os, extinguindo-os ou vendendo-os a preço de banana), a fim que o caminho fique livre para que os grandes bancos internacionais tomem de conta dos destinos da economia de um país candidato a potencia mundial, como o é o nosso amado Brasil.

E isso ficou bastante cristalino quando, ao ser recentemente questionado sobre o papel dos bancos públicos brasileiros, foi taxativo:

“Eu vejo esse campo hoje com a luz bem vermelha na área bancária. O Brasil tem três bancos públicos gigantes em atuação — BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica – que nós sabemos da nossa historia, mas da história universal dos bancos públicos que esse é um modelo que não é favorável ao crescimento e ao desenvolvimento com D maiúsculo. Ele tende a ser capturado por interesses públicos e privados, ele tende a alocar mal o capital e com freqüência acumular prejuízos enormes também. Eu acho que essa área precisa de uma correção de rumo. Não tô advogando aqui fechar o BNDES ou coisa do gênero, mas penso que os bancos públicos precisam ser administrados com padrões muito mais rígidos. PROVAVELMENTE VAI CHEGAR UM PONTO QUE VAI FICAR CLARO ATÉ QUE ELES TALVEZ NÃO TENHAM TANTAS FUNÇÕES. NÃO SEI O QUE VAI SOBRAR NO FINAL DA LINHA, TALVEZ NÃO MUITO".

Agora, e aqui pra nós, circunscrevendo-se a apenas UMA ÁREA de atuação, vejamos a utilidade desses bancos: o Banco do Brasil é o principal operador do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que oferece crédito ao agricultor familiar e tem como objetivo fortalecer suas atividades, integrando-o à cadeia do agronegócio e aumentando sua renda. Nos últimos 12 anos, o programa chegou a todo o Brasil e teve seu volume de crédito multiplicado em mais de dez vezes, saltando de R$ 2,2 bilhões em 2002/2003 para R$ 24,1 bilhões em 2014/2015.

O BNDES ao longo dos anos tem atuado eficientemente no financiamento dos portentosos projetos relacionados à infra-estrutura do país - portos, transposição do São Francisco, aeroportos, ferrovias, hidroelétricas, siderúrgicas e por aí vai, bem como às indústrias, de médio de grande porte, a juros prá lá de subsidiados.

Na Caixa Econômica, o programa “Minha Casa, Minha Vida” marcha célere para permitir que milhões e milhões de brasileiros se livrem do aluguel e realizem o acalentado sonho da casa própria, também com juros fortemente subsidiados pelo Governo.

Voltando ao fio da meada, fato é que, após a repercussão pra lá de negativa da fala (sincera) do senhor Arminio Fraga, o comitê de campanha do PSDB obrigou-o a vir a público desdizer tudo o que dissera e a – incrível – tecer loas (insinceramente) aos bancos públicos e dizer da  sua importância para o desenvolvimento do país.

Alfim, cabe indagar-lhe: você, eleitor brasileiro que se preocupa com o destino do nosso Brasil, vai subir nessa barca furada, ou vai dispensá-la e comovidamente “AGRADECER” de coração ao senhor Armínio Fraga por nos ter mostrado o perigo que será a eleição do playboy do Leblon, senhor Aécio Neves ???

PENSE NISSO (antes de depositar seu voto na urna) !!!

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Aqui no Rio e no eixo com São Paulo, noves fora o resto do país, existe um tipo de gente, alpinista social, de classe média que come salgadinho em festa de milionário. Este pessoal tem como padrão sair naquelas revistas de consultório, escritório e cabeleireiro, cheia de fotos dos tais viajando, sempre em lugares chiques mostrando uma vida rica e prazerosa. A maior parte das vezes em locações fora do país. Se for nos “states”, é a glória.

O padrão típico desse pessoal é ser global. Trabalhar na REDE GLOBO DE TELEVISÃO. Ditam moda. Arrasam o quarteirão. Mostram indignação seletiva e gostam de “barraco” quando nos eflúvios de emanações nascidas do pó, da fumaça ou de água que passarinho não bebe.  

Um destes garotos, nascidos entre os bem vindos da zona sul do Rio, teve a ousadia de declarar o voto em Dilma Roussef. É o Gregorio Duvivier (de filho da cantora Olivia Byington e do músico Edgar Duvivier). Humorista, com um texto divertidíssimo.

Bom aí o garoto foi jantar na noite carioca, quando um brutamonte, babando ódio espinafrou o garoto pela ousadia de ser liberto para votar em quem achar melhor.

Aí outra figura carimbada da “barracolândia”, envolvido em sopapos às companheiras, chamado Dado Dolabela, com sua sutileza de um brucutu na rede social partiu para cima do Gregorio Duvivier. E foi aí que o Gregorio fez este texto gozadíssimo e publicou na Folha de São Paulo.

Chupa, dado.
Democracia não é – ou não deveria ser – esse exercício do voto narcísico; ninguém está pensando no outro.

Fui uma criança tucana. Colava adesivo do Fernando Henrique na janela do meu quarto e na traseira do Chevette – era tucano “before it was cool”.

Imaginem minha euforia quando soube que o FHC, o próprio, viria lá em casa, numa festa cheia de bolinhas de queijo. Sim, o jantar de adesão da classe artística ao FHC foi lá em casa (chupa, Dado Dolabela!).

Adentrei a sala vestindo um terno de veludo cotelê e uma gravata borboleta, em pleno outono carioca – que não difere em nada do verão cariosa, que não difere em nada do verão do Zâmbia. Minha mãe me pediu para trocar de roupa: “As pessoas vão pensar que foi a gente que te vestiu assim. Tira esse terno?” Negociei, engolindo o choro: “Posso ficar com a gravata?” “Preferia que não”, respondeu minha mãe.

Descambei para o comunismo – ou o que eu pensava que fosse o comunismo.

Virei representante de sala. Graças a alianças espúrias, me elegi representante geral, algo como um presidente da Câmara (na minha cabeça). Minha primeira proposta foi a liberação gradativa para o recreio. Primeiro liberariam o quarto anda, dez segundos depois o terceiro andar, e assim por diante, para que todos chegassem ao térreo no mesmo exato segundo e tivessem as mesmas chances de ser o primeiro na fila da cantina – os rissoles, disputadíssimos, acabavam num piscar de olhos.

Fracassei retumbantemente. Os glutões do primeiro andar não queriam perder os privilégios, os CDFs do quarto andar diziam que liberação antecipada não era prêmio mas castigo, porque perderiam segundos preciosos de aula.

Sem base, sem alianças, sem aprovação popular, pichei o martelo e foice na parede da escola. Até hoje nunca tinha confessado. Fui eu, pessoal.

Na prática, o PT só piorou minha vida burguesa: o aumento do IOF para compras no exterior e a maldita tomada de três pinos me dão saudades enorme dos anos 90. Aécio seria um candidato infinitamente melhor para mim, homem-branco-heterossexual-que-viaja-para-fora-do-Brasil-uma-vez-por-ano-e-faz-a-festa-na-H-&-M. Mas democracia não é – ou não deveria ser – isso que virou, esse exercício do voto narcísico, em que pastor vota em pastor, policial vota em policial e carioca vota em bandido.

Talvez por isso a democracia representativa seja um desastre. Ninguém deveria representar os outros, porque ninguém está, de fato, pensando nos outros.

Confesso, que no meu tempo de representante, tanto à direita quanto à esquerda, só pensava no rissole.  

GREGÓRIO DUVIVIER   

Para contextualizar o clima, escutemos Olívia Byington, mãe do Gregório numa música belíssima do poeta Geraldo Carneiro e Nando Carneiro (isso foi entre os anos 70 e 80)


Ainda sobre a "VACINA PARA CAVALO" - José Nilton Mariano Saraiva

Globo acha relatório do TCE-MG que cita “vacina para cavalo” como investimento em saúde
Postado em 20 de outubro de 2014 às 6:27 am

No debate realizado neste domingo, 19 de outubro, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, leu uma frase que ela atribuiu a um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais: “Conselheiro do TCE diz que ‘é duro engolir que vacina para cavalo seja contabilizada como despesa com Saúde’”.

De acordo com relatório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, o conselheiro Sylo Costa, em reunião de conselheiros que analisou a distribuição de recursos para a saúde em Minas Gerais, realmente afirmou que: “Tenho de confessar que é duro engolir que vacina para cavalo seja contabilizada como despesa com Saúde. Entendo que despesa com Saúde tem de ser aquilo que é gasto com o SUS – Sistema Único de Saúde”

"VACINA PARA CAVALO" - José Nilton Mariano Saraiva

Um dos questionamentos recorrente nos debates entre os presidenciáveis tem sido o “gerir a coisa pública”. E aí, nesse item, a presidenta Dilma Rousseff faz questão de lembrar que quando Governador de Minas Gerais, o senhor Aécio Neves teria irresponsavelmente deixado de aplicar o mínimo constitucional nas áreas de saúde (R$ 7 milhões) e de educação (R$ 8 milhões). Tanto é que teria sido chamado pelo Ministério Público a assinar um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG), se comprometendo a aplicar naquelas duas áreas o que lhe era determinado por lei (o senhor Aécio Neves confirmou a assinatura do TAG, embora, inexplicavelmente, não aceite que haja cometido falhas sobre).

Especificamente, no tocante à saúde, no debate da Record, ontem, a novidade estarrecedora é que, no afã de “fechar a conta”, o governo mineiro teria incluso e contabilizado como despesa para saúde (da população) a compra de “VACINA PARA CAVALO”, o que teria levado um dos auditores do Tribunal de Contas de MG a manifestar-se nos seguintes termos: “É DURO ENGOLIR QUE VACINA PARA CAVALO SEJA CONTABILIZADA COMO DESPESA PARA A SAÚDE” (o senhor Aécio Neves ouviu atentamente a acusação da Presidente Dilma Roussef, mas preferiu nada comentar a respeito; por quê ???).

Esse tipo de procedimento – fraude contábil - caracterizaria o tal “choque de gestão”, sempre evocado pelo senhor Aécio Neves ???

Partidos totalitários em democracias constitucionais.

Escrito por José Antônio Giusti Tavares | 19 Outubro 2014


O fato de que o PT ou mesmo qualquer de seus próceres jamais tenha revisto formal e publicamente as concepções originárias do partido, tendo mesmo recusado a comprometer-se com o pacto constitucional de 1988, revela que lamentavelmente está ainda viva a estratégia revolucionária totalitária que fora enunciada naquele ano. 


Nas democracias constitucionais que funcionam com o sistema presidencial de governo, a representação política e o governo são constituídos por dois procedimentos senão diferentes pelo menos independentes entre si, ambos em eleições universais competitivas periódicas e regulares e com mandato por tempo determinado. Naquelas que funcionam com o sistema parlamentar de governo a representação política eleita pelo voto popular direto nomeia o governo que, diante dela responsável, exercita suas funções enquanto dela detém a confiança, contando, entretanto, com a faculdade contraposta de submetê-la a novas eleições. Nos dois casos são instituídos e funcionam efetivamente mecanismos de separação e de contenção recíproca entre os poderes constitucionais, bem como um Tribunal Constitucional, guardião supremo dos valores e dos preceitos constitucionais; e, em particular, no sistema parlamentar de governo institui-se a separação entre Chefia de Governo, responsável pela execução das políticas públicas, e a Chefia de Estado, responsável pelo equilíbrio da ordem constitucional. Enfim, na democracia constitucional toda autoridade pública é submetida, em princípio, a mecanismos de responsabilização pública; e os direitos individuais, incluído o direito à vida, à liberdade, à propriedade e à associação, são assegurados pela lei constitucional e pelo poder judiciário.

Os mecanismos institucionais da democracia constitucional são eficazes, sem serem invasivos ou ofensivos, para assegurar o equilíbrio da ordem política e, nela, a liberdade e os direitos fundamentais do ser humano, sem o que não há sequer justiça social. São eficazes, mas são desarmados: são fios de seda, como os denominou Guglielmo Ferrero, o notável jurista, cientista político e historiador liberal italiano da primeira metade do século precedente. Mas fios de seda não permitem atar o dragão da maldade.

Assim, em uma democracia constitucional e representativa, sobretudo quando erodida e fragilizada pela decadência de suas elites, bem como pela corrupção e pela desinformação políticas generalizadas, não só os partidos constitucionais, que se movem nos limites da ordem pública constitucional, mas aquela própria ordem, devem enfrentar o paradoxo de que se encontram com freqüência em inferioridade de condições frente aos partidos revolucionários totalitários que, participando da política institucional, não só não observam aqueles limites mas manifestamente, por suas proposições e por suas atitudes, atentam permanentemente contra aquela ordem.

O paradoxo descrito decorre de quatro fenômenos evidentes. 

Em primeiro lugar, a democracia constitucional é a mais complexa e delicada dentre as formas políticas e muito dificilmente pode competir pela preferência do homem comum com o totalitarismo, que recorre a uma simplificação brutal da realidade política, substituindo a informação e a análise racional pelo apelo direto ao inconsciente e à emocionalidade de indivíduos mergulhados em situação de massas. 

Em segundo lugar, ao participarem da ordem política constitucional os partidos totalitários beneficiam-se das prerrogativas e dos recursos que ela confere, sem obrigar-se aos valores, às regras e aos limites que ela impõe e, sobretudo, sem abrir mão do comportamento revolucionário, conspiratório, insurrecional e golpista.

Fora do governo mas, sobretudo, ao ocupá-lo, adotam simplesmente a estratégia leninista-trotskista da dualidade de poder, que consiste em conspirar pelo alto, do interior das instituições, e mobilizar de baixo, mobilizando camadas sociais disponíveis e receptivas e, enfim, gerando pressões societárias, inclusive armadas. Este é o caso exemplar, no Brasil, do Partido dos Trabalhadores e de seu braço armado, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, como revela a Circular do Diretório Nacional na qual aquele partido justificava a sua recusa inicial de obrigar-se à Constituição de 1988, que consagrava as normas e as instituições da ordem constitucional estabelecida: 

“O PT, como partido que almeja o socialismo, é por natureza um partido contrário à ordem burguesa, sustentáculo do capitalismo. (...) rejeita a imensa maioria das leis que constituem a institucionalidade que emana da ordem burguesa capitalista, ordem que o partido justamente procura destruir”.

Ainda em 1988, o atual governador petista do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, sustentou, com a sua conhecida competência doutrinária, na revista partidária Teoria e Debate (n°4,pp. 38-41), a estratégia leninista-trotskista da dualidade de poder:
“...o partido deve responder às exigências de uma longa disputa pela hegemonia (...) com a construção de uma cultura política e de uma ideologia socialista em bolsões altamente organizados daqueles setores revolucionários, em direção a uma ruptura com o Estado burguês... com respostas dentro e fora da ordem (...), sob pena de limitar-se aos enfrentamentos na esfera política das instituições da ordem, sendo inexoravelmente sugado por ela”. 

A noção gramsciana, ultra-leninista, de hegemonia, muito difundida na América Latina, significa poder monopólico e é, portanto, absolutamente incompatível com o pluralismo político essencial à democracia constitucional.

Alguém muito complacente poderia objetar às citações acima que elas pertencem ao ano de 1988 e que, entrementes, o partido e o político que as enunciaram podem ter alterado suas atitudes políticas. A objeção seria pueril mas respondê-la introduz a oportunidade de pontuar um princípio elementar.

Partidos e homens públicos têm a responsabilidade de publicar não só as suas concepções e estratégias políticas, mas as revisões ou mudanças que, quanto àquelas, tenham feito. Em 1959, no Congresso de Bad Godesberg, o Partido Social-Democrata Alemão declarou, em um documento formal amplamente divulgado, que a partir daquele momento renunciava a qualquer tipo de confessionalismo político e, em particular, à noção de partido portador de uma teoria, exorcizando, assim, o fantasma do marxismo. 

O fato de que o PT ou mesmo qualquer de seus próceres jamais tenha revisto formal e publicamente as concepções originárias do partido, tendo mesmo recusado a comprometer-se com o pacto constitucional de 1988, revela que lamentavelmente está ainda viva a estratégia revolucionária totalitária que fora enunciada naquele ano. Ademais, ao longo dos doze anos do governo petista, as tentativas sucessivamente frustradas de violar os princípios, as normas e as instituições da democracia constitucional e representativa – entre as quais o Programa Nacional de Direitos Humanos III, de 2009, e a Política Nacional de Participação Social, de 2014 – demonstram claramente que não há ambigüidade que consiga ocultar o empenho continuado e cada vez mais radical, por parte do neocomunismo petista, de destruir a democracia representativa e constitucional edificada com tanto esforço, substituindo-a por uma democracia plebiscitária e totalitária. 

Em terceiro lugar, os cidadãos comuns, que participam dos partidos constitucionais ou com eles se identificam, partilham a sua dedicação, as suas energias e a sua lealdade entre múltiplas atividades e associações, entre as quais a política e os partidos possuem uma importância limitada, ocupando mesmo um espaço menor. Não há nessa atitude nada de errado. Ao contrário, como já Aristóteles observara, a participação política moderada constitui requisito fundamental da democracia constitucional, que o filósofo denominava simplesmente politéia. Contudo, pertence à natureza e à lógica dos partidos totalitários apelar para a participação e para a mobilização políticas permanentes, para o profissionalismo e para o ativismo revolucionários de tempo integral e, enfim, para a politização da totalidade das esferas da existência, incluídas aquelas mais íntimas.

Enfim, em quarto lugar, a compreensão adequada dos valores sobre os quais está fundada a democracia constitucional e das normas e das instituições com as quais opera, bem como dos processos econômicos por referência aos quais se definem as políticas públicas e o comportamento dos partidos nas sociedades democráticas contemporâneas, exige dos indivíduos, em virtude de sua complexidade e sutileza, um nível muito elevado de discernimento intelectual, que se encontra normalmente fora do alcance da informação e do entendimento do homem comum. 

A rigor, a participação racional e responsável nas decisões democráticas exige do cidadão um nível relativamente elevado de informação factual, de saber contextual e de saber estrutural, que ele normalmente não possui. Sob tais condições, a democracia constitucional muito dificilmente pode competir pela preferência do homem comum com o totalitarismo, que recorre a uma simplificação brutal da realidade política e econômica, substituindo a informação e a análise racional pela ideologia, um “saber” de custo próximo de zero, que contém, por outro lado, um apelo direto à emocionalidade e ao inconsciente de indivíduos mergulhados em situação de massa. 

Enfim, o exercício da liberdade e da responsabilidade públicas, inerente à democracia constitucional, implica em assumir custos e riscos, requerendo dos indivíduos um grau pouco comum de segurança psicológica que lhes permita conviver com a incerteza. O recurso normal para reduzir a incerteza e os riscos é provido pela informação factual e pelos saberes contextual e estrutural, o que envolve custos imediatos e a médio e longo prazo, que os indivíduos que pertencem aos segmentos mais baixos da sociedade não podem assumir.

Assim, para a maioria das pessoas, pouco capazes de conviver com a incerteza e suportar os riscos inerentes à liberdade pessoal e pública, a ideologia totalitária proporciona uma explicação omnicompreensiva da realidade e da história, que lhes restaura magicamente e a baixo custo a segurança; e o partido ou o movimento totalitário, que a interpreta nos diferentes casos, provê uma autoridade externa onipotente que retira daquelas pessoas o inquietante peso da liberdade de decidir.

Diante desse desigual e insólito desafio as democracias constitucionais mais avançadas e sólidas armam-se com recursos previstos na lei constitucional, o mais importante dos quais é a proscrição de partidos políticos que promovem, estimulam ou apóiam processos conspiratoriais ou qualquer outra forma de violência política: a cláusula de constitucionalidade dos partidos, contida no art. 21, (2) da Constituição da República Federal da Alemanha e eficazmente aplicada pelo seu Tribunal Constitucional, é o exemplo de maior proeminência:

“Os partidos que por suas finalidades ou pelas atitudes de seus partidários tentam desvirtuar ou eliminar o regime fundamental de democracia e de liberdade, ou pôr em perigo a existência da República Federal, são inconstitucionais”.

É verdade que a Constituição Brasileira contém uma cláusula semelhante: o artigo 17 estatui, em seu caput, como requisito para a existência dos partidos políticos, a fidelidade ao “regime democrático”, ao “pluripartidarismo” e aos “direitos fundamentais da pessoa humana”, estabelecendo, no inciso II, “a proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes”; e, enfim, no § 4º, veda “a utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar”. Resta aplicá-lo. 

Se, entretanto, um supremo esforço de esclarecimento não conseguir persuadir o eleitor comum que a democracia constitucional, conquistada a duras penas mas perversamente disputada, deve ser preservada, quaisquer que sejam as suas vicissitudes – então, a manipulação populista de justos descontentamentos e o ilusionismo messiânico pavimentarão o caminho auto-destrutivo que, exaurido em Cuba, está sendo trilhado no continente sul-americano pela Venezuela, pelo Equador, pela Bolívia, pela Argentina e pelo Brasil.

Não tenhamos ilusão. Eleições universais geram legitimidade democrática, mas não legitimidade constitucional. Como profetizou com acerto Alexis de Tocqueville, na ausência de sólidas e vigorosas instituições de representação política e de separação dos poderes constitucionais, incluindo a separação entre Chefia de Estado e a Chefia do Governo, bem como um Tribunal Constitucional, eleições plebiscitárias provêm a ante-sala do bonapartismo e da democracia totalitária.

Enfim, eleições e reeleições plebiscitárias consecutivas provêm um claro e importante contributo a governos populistas totalitários empenhados em programas de redistribuição direta e ostensiva da renda nacional em benefício das populações pobres ou na linha da miséria. Aparentemente empenhados na eliminação da pobreza, esses governos têm clara consciência de que sua perpetuação no poder é alimentada pela pobreza e dela necessitam, do que decorre que, na realidade, empenham-se não em eliminar a miséria, mas em mantê-la estável e dependente, aguardando-a nas urnas. Sob tais condições é altamente improvável que eleições fortaleçam a democracia constitucional; ao contrário, há alta probabilidade de que contribuam poderosamente para destruí-la.

A experiência histórica registra importantes casos em que o totalitarismo ocupou o Estado pela via eleitoral, entre os quais o fascismo italiano e o nacional-socialismo alemão, nenhum dos dois foi debelado pela força da sociedade que aprisionara; ao contrário, ambos foram eliminados pela derrota militar infligida de fora, por nações invasoras.


José Antônio Giusti Tavares é professor de Ciência Política na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Pesquisador Associado no Centre d’Études et de Recherches Internationales, Fondation Nationale des Sciences Politiques, Paris, em 1985 e 1986. Guest Scholar em 1998, e Visiting Fellow, em 2002, do Helen Kellogg Institute for International Studies, Notre Dame University, Indiana, US.

A guerra é contra a REDUÇÃO DA DESIGUALDADE (por Weden)

Quando Getúlio Vargas, em maio de 1954, anunciou o aumento de 100% no salário mínimo, estava dando, sem perceber, o início à sua via crucis. Houve forte oposição midiática, partidária e de setores de empresariado, em consonância com a insatisfação da minúscula classe média da época, além de militares de alta patente (lembrar do Memorial dos Coronéis). Rapidamente, do "descalabro financeiro" que a medida "certamente representaria" até o "mar de lamas da corrupção" a retórica anti-getulista só precisaria de um pequeno salto. Três meses foram o suficiente para levá-lo ao suicídio.

Lição da história: a discussão moralista sobre o "mar de lamas" atribuída ao PT pela mídia e oposição - como se fosse maior que em outros períodos - é só a cortina de fumaça para o problema real que hoje mobiliza, principalmente, as classes A e B contra Dilma: ninguém nestes estratos sociais agüenta mais o processo de desconcentração de renda, iniciada com Lula (ver ao lado a diferença impressionante entre os índices de intenção de votos num e noutro candidato nestes segmentos).

Aumento do salário mínimo acima do crescimento do PIB, ganhos reais das classes mais baixas, profissionalização das empregadas domésticas, ascensão de grupos sociais das classes E para D e D para a C, políticas de transferência de renda, cotas para universidades, tudo isso produz um profundo incômodo nas classes A, B e, não podemos esquecer, a C tradicional.

Mais carros nas ruas significa que pobres desceram dos ônibus, atrapalhando o trânsito. Mais gente nos restaurantes significa que "terei" que procurar os mais caros - o mesmo nas escolas privadas. Em que momento da história, vimos as classes A e B preocupadas com a saúde no país? Nunca. Até que uma "cambada" começou a adquirir planos e obrigou aqueles poucos usuários a migrar para planos mais caros.

A guerra atual é econômica. Encontrar o porteiro em Nova York realmente, como diria Danuza Leão, é insuportável.
Por isso cai como uma luva o pronunciamento de Armínio Fraga, afirmando que o salário mínimo está muito alto. É bem diferente ter que pagar R$ 750, ainda que míseros, para uma empregada doméstica fora os encargos, ou poder remunerar, como disse Delfim Neto, este "animal doméstico" com uns R$300 ou menos, que foi o SM que Fraga deixou quando saiu do governo em 2002.

Ora, um salário de 300 para uma jornada diária de 8 horas, e ainda quem sabe poder dormir no trabalho - naquele nojento "quartinho de empregada" - significa direito a mucamas, herdeiras da escravidão. Não ter este "direito" é demais para as classes mais abastadas. Ainda mais quando se sabe que ser abastado no Brasil é ganhar mais de 4 ou 5 mil reais.

Numa sociedade que atravessou o século com heranças escravagistas (basta ver quanto usineiros pagavam aos seus lavradores, antes da regulamentação do trabalho rural, ou como a mídia conservadora esperneou quando a Previdência passou, no governo Lula, a garantir a aposentadoria para camponeses), a idéia de uma sociedade mais igualitária ou, para ser mais preciso, menos "diferenciada" economicamente é um acinte.

A subida do salário mínimo referencia vários serviços: cabeleireiras podem cobrar mais - que abusadas - o pedreiro passa a querer "um absurdo", o condomínio ficou mais caro, porque o salário do porteiro está "pela hora da morte", e o motorista ousa me deixar na mão porque conseguiu coisa melhor: "Imagina, virou taxista e autônomo!". Tudo isso é insuportável para um país acostumado à transferência de renda às avessas.

Isso porque esta nação teve o desplante de saltar do vergonhoso penúltimo lugar entre os mais desiguais, à época de FHC, para a posição atual de 17o. em desigualdade - em 170 nações do mundo. É o fim dos tempos!

Há hoje 153 em melhores condições de igualdade (o tal índice Gini). Portanto, continuamos nos envergonhando. Mesmo assim, o governo petista que se cuide, se, reeleito, conseguir reduzir ainda mais a desigualdade. O ódio de classe tende a se elevar a níveis quase nazistas nos próximos anos.

Pois a guerra é eminentemente econômica. As classes A e B e a C tradicional (principalmente na faixa intermediária) querem aquele mundo de volta. Assim que retiradas todas estas conquistas, o país voltaria à sua calmaria habitual. Uma calmaria de cada um em seu lugar. Uma calmaria covarde, mantida muitas vezes sob punhos fortes. Se necessário, a gente chama a PM para conter os rebeldes. Ou quem sabe reduz a idade penal, para trancafiá-los desde novos.

As velhas classes médias tinham orgulho da desigualdade. Afinal, a pobreza material do outro escondia, como um maquiador profissional, a própria pobreza moral de uma elite que parece ter, mesmo sem ter vivido, saudade da escravidão.

Em tempo: O complexo de vira-latas tem mesma idade da "Abolição". Ao ver aqueles pretos libertos "vadios" nas ruas, não se agüentava. Já não bastava o calor? "Que Paris é esta meu Deus?". Coincidentemente, ou não, é o mesmo complexo que vem servindo para a atual revolta das elites.


COMO ENTENDO QUE MIGUEL ARRAES JAMAIS VOTARIA EM AÉCIO NEVES - José do Vale Pinheiro Feitosa

Meu pai tinha o sobrenome. Eu, no entanto, não o tinha. Carregava com orgulho o sobrenome da minha mãe. Mas o sofrimento familiar, a começar pelos primos, pelos filhos de Célia e Miguel que foram crianças como eu no mesmo ambiente, pelos tios, pela ignomínia de ver nas "revisas semanais" da época Miguel Arraes preso em Fernando de Noronha. Aquele homem que nunca pegou em armas, nunca se escondeu atrás de nomes falsos (por mera covardia), tudo que fez em política foi pelo voto e com o povo de Pernambuco e muita simpatia do Brasil inteiro. 

Quando retornou ao Brasil, uma geração de políticos jovens tinha ocupado o espaço Pernambuco da oposição. Ele voltou como um herói nacional, mas teve que ralar pelas cidades do estado para se colocar em liderança novamente. Miguel Arraes não foi um dos maiores políticos do Brasil do século XX apenas porque tinha projeção, ele tinha projeção porque não pertencia à elite pernambucana, era um homem dos sertões e ao lado de um projeto nacional se pôs. 

Entre o projeto de governo do PT e de Miguel Arraes tinha muita integralidade estratégica e diferenças táticas, até pela matriz social de um e de outro. Miguel Arraes nunca se pôs ao lado de FHC, nunca chegou perto do PSDB e sempre se posicionou contra a política do Estado Mínimo e da prevalência dos interesses do Sistema Financeiro (neoliberalismo). 

Pela proximidade, foram quatro anos que ainda vivi no Crato, eu sei, lembro, tenho testemunhas, a família lembra, recorda, não se esquece do comportamento escuso, ausente, até covarde de uma gente que apoiava o Golpe Militar a partir de 1964. Isso não se esquece e sempre que argumentos se manifestam tentando confundir o passado para justificar as próprias posições no presente, a lembrança se manifesta viva como o voto que daremos no próximo dia 26 de outubro.  

Miguel Arraes foi atacado porque defendia um país igualitário, com uma sociedade de direitos humanos, um país soberano, amigo das nações, mas livre para definir o seu destino no interesse do seu povo. Miguel Arraes nunca foi aliado do agronegócio, sempre pensou no progresso do camponês, nunca jogou com o destino do povo, jamais vacilou, mesmo quando por ordem tática havia de fazer acordos políticos.

Miguel Arraes, o grande líder da esquerda nordestina e brasileira, era um nome de realce na esquerda mundial. O próprio exílio o colocou ao lado dos grandes movimentos libertários da África e da Ásia. Viveu ao lado de refugiados, torturados, banidos, expulsos por toda a América Latina e especialmente do Brasil. Miguel Arraes, foi perseguido pelos organismos do governo americano que fizeram ampla campanha e sabotagens contra ele. 

Miguel Arraes, a unidade, a união, nunca se poria ao lado de Aécio Neves por tudo que conhecemos dele. Por toda a história de Arraes no campo da ação política fica claro que ele é um guia até hoje. É, pela sua história e a herança que nos deixou, quem vai orientar o nosso voto. 

Não esqueçamos que esta velha política dos surfistas da corrupção é o principal argumento da direita brasileira desde a República Velha. Como não podem demonstrar as verdadeiras intensões de suas políticas, eles destroem, criam enredos e histórias, gritam a pleno ódio e geram torcidas violentas como as de futebol, tudo com a fumaça de que corrupto são os outros. 


Quando Miguel Arraes retornou ao Brasil esta mesma direita que vocifera no ombro do Aécio Neves, pôs cartazes dizendo que ele era o homem de seis milhões de dólares, a baixaria típica destes privilegiados que temem a cada minuto perder a mamata. E nunca esqueçam que tentaram arrastar Eduardo Campos, há muitos anos atrás, no famoso caso das Precatórias. E agora mesmo lançam na sala o Senador Guerra já morto, do PSDB, só para justificar o vazamento de nomes do PT.

domingo, 19 de outubro de 2014

VOTAREI EM DILMA POR ESTAS RAZÕES - José do Vale Pinheiro Feitosa

Hoje, domingo, dia 19 de outubro de 2014, horário de verão e os ponteiros do relógio sendo ajustados à novidade. Daqui a uma semana o povo Brasileiro escolherá a Presidenta Dilma ou o candidato Aécio Neves para quatro anos de mandato, renováveis por mais quatro, em eleições iguais a estas.

Não preciso nem dizer, quem já leu alguma coisa que escrevi nos últimos dias sabe que votarei em Dilma Roussef. Votarei na expectativa que o país avance em torno de uma sociedade democrática, onde a base real, material, moral e ética, é bem estar comum e a igualdade de condições custe o que custar em impostos diretos para os mais ricos.

Votarei contra o ódio. Às ideias que desigualdade e a pobreza é um atributo natural do mundo. Votarei a favor de que o bem estar é a distribuição das riquezas produzidas pelos trabalhadores segundo as necessidades de cada um. Votarei a favor de uma série de políticas públicas:

- De um Sistema Único de Saúde nos termos da Constituição Federal, com atenção básica, acesso à média e alta complexidade seja quem você for ou onde viver.

- Da Educação Pública, universal, com acesso garantido a todos os níveis de escolaridade, onde qualquer cidadão, independente de gênero, raça e situação econômica possa galgar qualquer estágio evolutivo do ensino e da pesquisa em ciência e tecnologia. 
  
- Da Segurança Pública voltada para a proteção da sociedade, independente de qual classe social pertença ou em que lugar habite. A Segurança Pública como sinônimo de um bem público, com controle social, e nunca voltada para perseguir segmentos específicos da sociedade e nem grupos especiais.

- Da Garantia que o Salário Mínimo seja o suficiente para comprar a cesta básica e que se combata todo tipo de ódio que pretende deixar os pobres na subserviência da esmola e da decisão privada dos privilegiados da economia.

- Da Garantia que toda família, todo cidadão, em situação de risco social e econômica seja imediatamente assistido pelas políticas públicas, onde elas vivem e como elas vivam, independentemente de qualquer preconceito religioso, moral e político.

- Das políticas públicas que redirecione as cidades para que cada vez mais se reduzam as longas distâncias entre emprego e moradia, como fator essencial de estímulo à mobilidade urbana e à qualidade de vida.

- Das políticas urbanas que regularizem o solo em benefício do conjunto, zoneando as áreas segundo suas vocações, não permita o estoque de áreas para especulação imobiliária, que amplie parques, áreas de lazer e convívio, proteja o curso e os reservatórios de água, universalize a oferta de água limpa, a retirada do lixo e o esgotamento sanitário, reduza o transporte por carros e estimule as bicicletas e o deslocamento a pé.

- Do controle estatal do Petróleo e sua exploração, de acordo com a luta dos brasileiros por esta via, não deixando jamais de pertencer ao comércio mundial, mas sem sujeitar-se a qualquer tipo de chantagem para permitir que jogos das grandes multinacionais subtraiam as riquezas do povo.

- Da inserção internacional independente do país, aprofundando o MERCOSUL, as instituições dos BRICs, o comércio com África, os Estados Unidos e a Europa. Isso significa acordo comercial regional (MERCOSUL), coparticipação em novos organismos (instituições do BRICs), liberdade de negócio internacional, parceria equilibrada com EUA e União Europeia.

- Da reforma política abrangente, extraída do debate da sociedade, que explicite melhor a democracia direta e de ofereça força à representação política especialmente nos municípios, regiões e estados.

- Da democratização dos meios de comunicação, dando maior relevância às expressões da cultura local e regional, ampliando o acesso aos instrumentos de mídia por segmentos da sociedade, desfazendo a concentração de mídias por uma única organização empresarial, estimulando a comunicação através das novas mídias. Garantindo a liberdade de expressão e regulamentando os conflitos inerentes a esta liberdade.

- Da ampla liberdade de manifestação e exercício das lutas sociais, das expressões sociais, políticas e partidárias, das religiões, das manifestações culturais, das opções sexuais, da liberdade de manifestar o contraditório.

Por tudo isso voto em Dilma Roussef, porque não acho que Aécio Neves possa atender a esta agenda política. Mesmo que críticas tenha aos governos do PT nos últimos anos, a melhor opção, agora e neste próximo domingo, ainda continua sendo Dilma, não porque apenas por ela mesmo ou porque o PT, mas por ser a porta onde em paz e com firmeza podemos avançar numa agenda tão complexa e tão necessária.  

  

sábado, 18 de outubro de 2014

E eis que é noite de sábado. A noite do "far niente" na praça, nas ruas, bares, boates, cinemas, shoppings, teatros e nas festas. Um movimento diferente, o prêmio da semana, cruzando os ponteiros entre as marcações rotineiras e a virada do horário de verão. Quando chegar a meia noite daremos um tropeço nas horas e só paramos a uma hora da madrugada.

Hoje como uma noite de originais, versões e plágios. Começando por esta canção folclórica italiana, "Viene sul Mare", cantada por Luciano Pavarotti.


Ao acompanhar a melodia. Algo de conhecido lhe veio. Mas não é plágio. É uma versão famosa, devidamente registrada, do cantor De Moraes, um mineiro que deixou Oh! Minas Gerais quase que como um hino do estado.


Esta é a minas verdadeira. Do mineirinho esperto. Desconfiado. Da elite matreira. É a mineiridade suspensa na música italiana. A mineiridade lá dos cantões do interior que não admira muito garotão de praia. Assim como um plágio da originalidade. E por falar em plágio saquem só esta canção, chamada Row, Row, Row, de 1910, lírica de William Jerome sobre uma antiga melodia  de Jimmie V. Monaco. Escutem só na voz de Joy Hodges:


Agora vamos a um plágio do famoso Lamartine Babo. Foi com este plágio que ele compôs o hino do América Futebol Clube do Rio de Janeiro. Nos anos setenta no Maracanã ainda vi o time jogando e sua torcida com o grito de guerra: Sangue, Sangue, Sangue. A camisa do time era vermelha.

Nos dias de campanha eleitoral nem dar para usar o grito da torcida. Pode degenerar em pedradas, tiros e pauladas.

 

O Cabra da Peste

               A década de 1860 foi trágica para todo o Cariri. Iniciou-se, por aqui, a terrível epidemia de Cólera que ceifou incontáveis vidas. Só  no primeiro ano da tragédia, 1862, mais de duas mil almas  sucumbiram em Crato, Milagres, Barbalha, Jardim, Missão Velha, Santana. A região entrou em pânico, pessoas abastadas fugiram, o Exu bloqueou, com fogo de artilharia,  a entrada de pessoas vindas do Cariri, temendo contaminação. Um padre negou-se a dar extrema unção ao Padre Marrocos , um seu irmão em Cristo, e outro escafedeu-se para outras paragens. Segundo o Jornal “O Araripe, o delegado de Crato Francisco José de Pontes Simões, abandonou seu cargo,  temendo a peste, só voltando “gordo e rechonchudo” quando os casos começaram a rarear, dois anos depois. Como em toda grande epidemia, não houve respeito a classes sociais, a sexo ou  poderio econômico. A população terminou dizimada igualmente. Imaginem uma hecatombe dessas no Cariri, em tempos em que quase não havia profissionais de saúde, em que inexistiam hospitais, em que nada se sabia sobre a causa e tratamento da doença. Aqui em Crato foi preciso construir um novo Cemitério, ali nas imediações da Igreja de São Miguel, a fim de acolher as incontáveis perdas. Estabelecida a histeria coletiva, não tão diferente do que acontece hoje com o Ebola, muitos foram inumados ainda vivos, igualzinho  à Peste Negra, na Idade Média.

                                   Designado a vir combater a epidemia  no Cariri , aqui chegou, em 1861, o médico militar Dr. Antonio Manoel Medeiros.  Chefiou, na região, uma equipe que incluía os Drs. Pedro Théberge  de Icó , Cristovão Holanda Cavalcanti e Manuel Marrocos . Trabalhou incessantemente até 1864 , visitando todas as cidades acometidas da moléstia e , com os parcos recursos disponíveis, buscou minimizar as mortes e lenir o sofrimento. Dr. Medeiros era natural de Aracati, onde nascera em 1820 , formara-se na Bahia e a ele devemos a primeira cirurgia realizada no Sul do Ceará. O ato aconteceu em 29 de Novembro de 1861, uma amputação, registrada no Jornal “O Araripe”. O paciente foi cloroformizado , esta sendo também a primeira anestesia registrada nestas plagas. Um avanço formidável para a época, uma vez que o Clorofórmio passou a ser utilizado apenas a partir de 1846, na Inglaterra.
                                   A vida de Dr. Antonio Manoel de Medeiros  foi épica. Poderia fazer parte da Ilíada caririense. Tão logo deixou o Cariri, foi designado , como voluntário, para a Guerra do Paraguai, onde prestou serviços valiosos como Diretor em  hospital de Montevideo.  Terminou condecorado comas Ordens de São Bento de Aviz, da Rosa e de São Gregório Magno em Roma. Exerceu, a partir de 1872, o cargo de Delegado do Cirurgião-Mor do Estado do Ceará. Logo depois, enfurnado no interior do estado, no combate a várias epidemias de Varíola e  Febres, adoeceu , em viagem de Icó a Fortaleza,  e veio a falecer em Limoeiro, em 1879, aos 52 anos. Faltou-lhe, nos últimos instantes,  a assistência médica que durante toda a existência proporcionou a  grande número de cearenses pobres e famintos.  Numa vida tão breve, imersa numa Arte tão longa, além dos estudos, das viagens seguidas, do combate incessante às epidemias, do trabalho no campo de batalha, o que lhe terá sobrado para dedicar à sua vida pessoal e à sua família ?  
                                   O certo é que o Dr. Medeiros  ofereceu-se quase à imolação no altar da Ciência. Deu-nos o melhor da sua arte e o melhor dos seus dias. Lutou, palmo a palmo, contra um inimigo terrível e desconhecido, enquanto tantos escapavam pela tangente. O Cariri nada lhe ofertou em troca, nem o mais simplório reconhecimento. Sequer o nome de uma rua, de um hospital, de um edifício. Nem mesmo uma citação honrosa. Nada ! Cento e cinquenta anos depois, neste dia dos médicos, lhe ofereço este texto , simples, descolorido, cru. Mas percebo , claramente, que é por conta de pessoas despojadas e corajosas como o Dr. Antonio Manoel de Medeiros que ainda vale a pena exercer a Medicina não como técnica , mas como vocação, fatalismo  e arte. São artistas como ele que impulsionam os movimentos de rotação e translação da terra.

Crato, 17/10/14 
Falta de piedade. Preocupação com o outro. Egocentrismo. "Passando bem, eu e meu cavalo..." "Eu quero é que se exploda..." E por aí vai. Mas serei mais generoso. Foi puro filhinho de papai perto de algum parente se vangloriando por ter batido em mulher.

Marina Silva, após o debate no SBT, ligou para Valter Feldmann (principal assessor de Marina). Este passou o telefone para Aécio que estava ao lado. Marina perguntou pelo tom duro do debate no SBT.

Aécio, satisfeito, diz: "optou por esse caminho...!" E vangloriou-se: " Deu o desespero. Viu que ela passou mal?"

Enquanto isso um médico intensivista do Rio Grande do Sul se recusaria a atender a Presidente passando mal. Ambos, Aécio e o médico, estão na mesma escala do descompasso ético.

A NOVA DIREITA BRASILEIRA: IDEOLOGIA, IDEÓLOGOS E INSTRUMENTOS - José do Vale Pinheiro Feitosa

Patrícia Campos Mello na Coluna Ilustríssima do jornal Folha de S. Paulo publicou uma matéria com o título: Estado mínimo, o discurso da nova direita. O que se encontra no texto? Aqui uma forma didática de apresentar o texto da jornalista:

Ação - Uma tentativa de unir os fragmentos das diferentes linhas de pensamento em torno do Estado Mínimo.

Instrumentos – instituições de ensino, organizações privadas e partidos nascentes. Quem são: Instituto Ludwig von Mises Brasil; Instituto Millenium, Instituto Liberal, Instituto de Formação de Líderes, Instituto de Estudos Empresariais, Estudantes pela Liberdade (franquia do Students for Liberty ligado ao Cato Institute financiado pelos irmãos Koch patrocinador da direita americana), Movimento Endireita Brasil, Site Spotniks, Partido Novo,

Ideólogos – Adam Smith, Margaret Thatcher, Ron Paul (ex-deputado americano); Ayan Rand (russo); Olavo de Carvalho; Carlos Alberto Montaner (exilado cubano escreveu o famoso livro da direita latino americana: Manual do Perfeito Idiota Latino Americano), Eduardo Gianneti da Fonseca

Ativistas destacados: Reinaldo Azevedo (Veja), Rodrigo Constantino, (Veja), Hélio Beltrão (filho de velho burocrata da direita), Gustavo Franco (em Banco Central FHC), Paulo Guedes, Daniel Feffer (Grupo Suzano), Fábio Barbosa, João Roberto Marinho (Globo), Bernardo Santoro (diretor do Instituto Liberal), Salim Mattar (dono da Localiza), Ricardo Salles (secretário do Governador Geraldo Alckmin) , Paulo Batista (candidato a deputado por São Paulo, PRP-SP que fez a propaganda usando um raio privatizador).

Propaganda – trocar assistencialismo por empreendedorismo.

O discurso de fachada – como toda parte minoritária de um todo, é preciso que se busquem conceitos que pareçam comuns a todos. O caso da nova direita é “LIBERDADE”. A palavra comum a todos, engana. Quem é contra a liberdade? Ninguém! Mesmo que seja, no limite, a liberdade de destruir o outro. Mas em seguida quando vêm os verdadeiros valores as diferenças como minoria se revela por inteiro.

Valores do discurso dos nossos: Ron Paul um neoliberal radical americano, do Partido Republicano, disputou três vezes a indicação do cargo de Presidente, palestrou para a nova direita paulista e resume sobre o único papel do Estado: “O único papel do governo é proteger nossas liberdades.” Não explica quem são os nossos: conglomerados, grandes bancos, máfias, o cidadão comum, o trabalhador assalariado, os desempregados, os homeless, os sem planos de saúde, etc. (minha avaliação)

Valores do discurso no centro: liberdade de negócios, legalização do comércio de órgãos, fim do Bolsa Família, privatização ampla e radical e privatização das Universidades,

O discurso radicalizado: legalização integral das drogas, fim do Banco Central, privatização da Polícia e da Saúde; casamento gay e outras posições que no espectro mais radical termina por se chocar com o conservadorismo religioso e nos costumes.

E Patrícia Campos Mello encerra a reportagem dela assim: “Enquanto o mundo debate maneiras de reduzir a desigualdade, na esteira do best-seller do francês Thomas Picketty, “O Capital do Século 21”, Paul Ron é taxativo: Distribuição de é sempre forçada, é como se o governo apontasse uma arma e tirasse dinheiro de um para dar ao outro; isso é autoritarismo”, afirmou à Folha.

Enfim este deve ser um roteiro básico do locus operandi da nova direita brasileira. E fica claro que a matriz desta direita são os EUA e todo tipo escuso de financiamento e estímulos como aconteceu via Embaixada Americana às vésperas do golpe de 64. Mesmo quando se apegam ideologicamente a escola liberal como austríaco, o filão a ser explorado são instrumentos americanos.

Em síntese. Agora tem uma novidade. A direita não tem como acusar a esquerda de pertencer a outro lado e ter entregue seu destino a outra nação (União Soviética). A esquerda brasileira no máximo se orienta por pensamentos universais, não atrelados a nenhum comando estrangeiro.

Por este vício na origina é que a direita dos EUA, Latino Americana e Brasileira não consegue avançar além do velho discurso da guerra fria. Os EUA, mesmo numa crise tremenda parecem uma terra onde corre o mel e o leite.




sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Pseudos "VESTAIS" - José Nilton Mariano Saraiva

Quando do “vazamento seletivo” em que marginal Paulo Roberto Costa reportou-se às propinas distribuídas com integrantes do PP, PT e PMDB, de pronto os vinculados ao PSDB não tiveram nenhuma dúvida de se assumirem e se autoproclamarem autênticos “vestais” (pessoas que apregoam ou desejam parecer muito honestas) porquanto isentos a coisas da espécie; verdadeiros ”paladinos” da moralidade, da ética e da lisura.
Assim, a partir daquele momento e até hoje, ad nauseam a questão envolvendo a Petrobrás foi posta à nossa mesa no café, no almoço, no jantar e antes de dormir, porquanto um atestado inconteste de que o PT e seus aliados eram os únicos a trafegarem no perigoso e malcheiroso pântano da corrupção.
Mas... como nada melhor que um dia atrás do outro com uma noite no meio, eis que hoje tomamos conhecimento que o Paulo Roberto Costa confirmou que o à época presidente nacional do PSDB, o “austero” senador pernambucano Sérgio Guerra (já morto) também foi agraciado com uma “comissãozinha” de “dez milhões de reais” (R$ 10 milhões) a fim de barrar uma CPI da Petrobrás,  de interesse de uma certa empreiteira. E assim foi feito.
E mais: Paulo Roberto Costa também incluiu na “mutreta” o então governador de Pernambuco (também já morto), Eduardo Campos (PSB), como beneficiário de um “agradozinho” de vinte milhões de reais (R$ 20 milhões) quando da campanha da sua reeleição.
Pergunta-se: 1) será que tem mais partidos envolvidos na maracutaia ??? 2) será que agora, que com o rabo preso, o candidato do PSDB Aécio Neves vai continuar insistindo com a baixaria sem limites exibida até hoje, ou vai finalmente entender que o que queremos são debates propositivos ???
Enquanto isso, não custa cobrar do PSDB:
Onde estão os “TUCANOS” envolvidos com o rumoroso CASO SIVAM ? Todos soltos.
Os estão os “TUCANOS” envolvidos com a COMPRA DE VOTOS PARA A REELEIÇÃO (FHC à frente)? Todos soltos.
Onde estão os “TUCANOS” envolvidos com a PASTA COR DE ROSA ? Todos soltos.
Os estão os “TUCANOS” envolvidos com o CARTEL DO METRÔ E TRENS DE SÃO PAULO ? Todos soltos. 
Os estão os “TUCANOS” envolvidos no caso do MENSALÃO TUCANO MINEIRO ? Todos soltos. 
Onde estão os “TUCANOS” envolvidos com a PRIVATARIA TUCANA (aquela, do LIMITE DA IRRESPONSABILIDADE, do tempo de FHC). Todos soltos.

PENSE NISSO !!!

AÉCIO NEVES NÃO PODE USAR O BAFÔMETRO POIS ESQUECERA DE ESCOVAR OS DENTES - José do Vale Pinheiro Feitosa

Por acaso dirigia pelas estradas de Minhas Gerais e fui parado pela Polícia Rodoviária Federal, num posto da corporação. Era perto de São Lourenço. Ia a com mulher e as crianças. Acontece que a minha carteira estava vencida há mais de dois meses. Naquela época a renovação era um mero exame de vista. Fui multado e A mulher continuou a viagem com a carteira de motorista em dia.

Esta história tem um paralelo com as explicações do Candidato Aécio Neves ao se referir a uma questão de recusa de usar o bafômetro numa madruga no bairro do Leblon aqui no Rio. Assim como ele eu havia me descuidado e não me ative aos prazos da carteira. Que fica no bolso e só é vista quando alguma autoridade pede.

Aécio Neves, por dirigir com habilitação vencida, para não ter a viatura apreendida, pagou a um taxista para conduzir seu carro até o prédio. Pagou multa gravíssima. Mas como era a ocasião das “noitadas” cariocas foi solicitado a Aécio que fizesse o teste do bafômetro. O “doutor-senador” se recusou e recebeu uma multa.

No dia seguinte deu uma nota à imprensa que relatava a questão da carteira vencida e afirmava que o teste do bafômetro não fora realizado. O que um cidadão comum entende? As autoridades de trânsito resolveram o problema da carteira e não realizaram o exame. No entanto, existem duas explicações para uma nota vaga como esta: o teste não ter sido solicitado pela autoridade ou ter sido recusado pelo condutor do veículo. Mas Aécio joga com a possibilidade que o cidadão entenda como a primeira hipótese.  

Mas aí as autoridades do Estado do Rio esclareceram: “Aécio Neves preferiu não fazer o teste do bafômetro.” Ou seja, recusou-se a fazer. E recebeu outra multa em sua carteira.

Quando o governo do Rio explicou a verdade, o “malandro” deu outra nota: “Tendo em vista que um outro motorista iria assumir a condução do veículo, ele julgou não ser necessário a realização do teste.”

Mas viram como é o jogo dele? O tempo todo fez isso no debate de ontem! Ele é quem fazia leis no parlamento e desconhecia o assunto? Ele votou, como deputado neste código e desconhecia o assunto? E alguém acredita que o agente de trânsito seria capaz de multar um Senador da República sem explicar-lhe que a recusa era punida em lei com uma multa?


A cabeça dele é igual a um filhinho de papai. É pego fazendo “m.” e toca disfarçar, desviar do assunto, inventar falsas explicações. E por aí vai.

CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA SOB FOCO - José do Vale Pinheiro Feitosa

Vamos começar com os nomes de algumas pessoas: Adolf Hitler, Mussolini, Stalin, Mao, Marquês de Sade, Togo, Eichmann e por aí vocês entenderam o espírito. Agora ponha diante deles um médico. Qualquer um desta lista e mais quem que você imaginar, inclusive Aécio Neves, tendo um problema repentino de saúde.

Este médico para confiança ética absoluta tem que atender a qualquer um com toda a humanidade possível e usando com segurança o conhecimento técnico mais adequado até porque para existir como profissional é submetido ao controle ético que compreende decisões corretas segundo os parâmetros científicos.

Agora sintam degeneração ética e moral do Dr. Milton Simon Pires (CRM – 20958 –RS) postando no seu facebook: “Tá se sentido mal! A pressão baixou??? Chama um médico cubano sua grande filha da puta!” Por isso o CRM do Rio Grande do Sul tem que tomar uma posição clara para segurança de pessoas atendidas por médico.

Este Milton Pires é médico intensivista, ou seja aquele de CTI, tem dois empregos no SUS, onde as pessoas de quem discorda estão em risco de vida. Imagina um sujeito com este tipo de manifestação cuidando de um desafeto. Não respeitou nem a Presidenta da República.

E isso faz parte do incentivo fascista onde o contraditório é alvo de forças que se organizam porque afinal o Brasil ainda é um país muito dividido. O Milton Pires faz uma grande movimentação contra o Programa Mais Saúde, escreve, é apoiado pelo Instituto Liberal, é acusado de bater em mulher, debocha da mulher, recebe apoio de setores da classe médica.


Esse é o papel político desta turma que o PSDB na sua marcha à direita estimulou. Acontece que toda divisão é isso mesmo, há a agressão do outro lado. Mas uma coisa é certa: o ser humano apenas o é porque vive. E toda vez que desequilibrados tentam o controle da violência, logo a sociedade se protege e imuniza o ódio.  

quinta-feira, 16 de outubro de 2014


Para relaxar após verdades apresentadas cara-a-cara. Um samba para ouvir de novo.

TUAS SEDE É A SECA DO NEGÓCIO ARRASADOR ÁGUA - José do Vale Pinheiro Feitosa

E aquela história da falta de água em São Paulo? A chuva é o de menos. Água virou bem de consumo. Quem tem grana pode desperdiçar a jusante e quem lucra com o negócio o faz a montante. Como a vazão a jusante é grande e o acúmulo de lucro a montante também o é. Temos a seca paulista.

Eu sei. Não és abestado. Água e dinheiro apenas se relacionam como negócio. Como um bem de consumo. O resto, água é sede e sede é vida. Sem água não acontecerá a micção do poema do amanhecer.   

Acontece que privatizaram a água. Tem doutor juiz fechando as torneiras do “consumidor” por não ter pago a conta. E o cara mora na cidade. Onde a única água que corre é das chuvas eventuais, na quitinete não tem caixa acumuladora e não existe nem uma poça para se servir.

Já existem multinacionais da água privatizada e como todo espírito capitalista forma conglomerados. Assim como as “irmãs-do-petróleo” existem as “seis-irmãs-hidrocontroladoras”: Suez, Veolia, Thames, American Water, Bechtel e Dow Chimical (citado por Sérgio Augusto no Sul 21).  

Não por acaso a SABESP, a fornecedora de água para São Paulo, privatizada, tem ações na Bolsa de Valores de Nova York. O governador eleito por grande maioria de votos já enviou uma nota, a depender do Conselho da empresa, para que ela ofereça bônus aos paulistas que passarem mais sede. Quando menos água consumir, maior o desconto na conta.

Aliás uma política de uso racional da água é sempre necessária. Não agora que as pessoas estão passando sede. E para não sofrerem mais terminam indo ao “mercado-negro” para comprar o que necessita.

Além do bônus, Geraldo precisa fazer um balanço Geral na política de água de São Paulo. Precisa apresentar planos para o futuro. Depois de 18 anos de PSDB em São Paulo e do Geraldo ter cumprido 8 anos. Em dois mandatos diferentes e agora vai para 12 anos.

Sim a oposição federal quer alternância de poder.

Mas vamos a um exemplo. Na cidade de Paraipaba, no litoral do Ceará, em razão da abundância da irrigação se desenvolveu um projeto de agronegócio de cana e outro de implantação de pequenas propriedades para criação de algumas reses e produção agrícola.


O governo afrouxou o projeto e os pequenos foram vendendo suas terras para “empresários” do coco. Resultado, a produção de coco de Paraipaba está numa crise danada com estas estiagens e secas que nos atingem. Vender coco na praia é vender água. A água que um dia irrigou a plantação dele.