por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sábado, 18 de outubro de 2014

O Cabra da Peste

               A década de 1860 foi trágica para todo o Cariri. Iniciou-se, por aqui, a terrível epidemia de Cólera que ceifou incontáveis vidas. Só  no primeiro ano da tragédia, 1862, mais de duas mil almas  sucumbiram em Crato, Milagres, Barbalha, Jardim, Missão Velha, Santana. A região entrou em pânico, pessoas abastadas fugiram, o Exu bloqueou, com fogo de artilharia,  a entrada de pessoas vindas do Cariri, temendo contaminação. Um padre negou-se a dar extrema unção ao Padre Marrocos , um seu irmão em Cristo, e outro escafedeu-se para outras paragens. Segundo o Jornal “O Araripe, o delegado de Crato Francisco José de Pontes Simões, abandonou seu cargo,  temendo a peste, só voltando “gordo e rechonchudo” quando os casos começaram a rarear, dois anos depois. Como em toda grande epidemia, não houve respeito a classes sociais, a sexo ou  poderio econômico. A população terminou dizimada igualmente. Imaginem uma hecatombe dessas no Cariri, em tempos em que quase não havia profissionais de saúde, em que inexistiam hospitais, em que nada se sabia sobre a causa e tratamento da doença. Aqui em Crato foi preciso construir um novo Cemitério, ali nas imediações da Igreja de São Miguel, a fim de acolher as incontáveis perdas. Estabelecida a histeria coletiva, não tão diferente do que acontece hoje com o Ebola, muitos foram inumados ainda vivos, igualzinho  à Peste Negra, na Idade Média.

                                   Designado a vir combater a epidemia  no Cariri , aqui chegou, em 1861, o médico militar Dr. Antonio Manoel Medeiros.  Chefiou, na região, uma equipe que incluía os Drs. Pedro Théberge  de Icó , Cristovão Holanda Cavalcanti e Manuel Marrocos . Trabalhou incessantemente até 1864 , visitando todas as cidades acometidas da moléstia e , com os parcos recursos disponíveis, buscou minimizar as mortes e lenir o sofrimento. Dr. Medeiros era natural de Aracati, onde nascera em 1820 , formara-se na Bahia e a ele devemos a primeira cirurgia realizada no Sul do Ceará. O ato aconteceu em 29 de Novembro de 1861, uma amputação, registrada no Jornal “O Araripe”. O paciente foi cloroformizado , esta sendo também a primeira anestesia registrada nestas plagas. Um avanço formidável para a época, uma vez que o Clorofórmio passou a ser utilizado apenas a partir de 1846, na Inglaterra.
                                   A vida de Dr. Antonio Manoel de Medeiros  foi épica. Poderia fazer parte da Ilíada caririense. Tão logo deixou o Cariri, foi designado , como voluntário, para a Guerra do Paraguai, onde prestou serviços valiosos como Diretor em  hospital de Montevideo.  Terminou condecorado comas Ordens de São Bento de Aviz, da Rosa e de São Gregório Magno em Roma. Exerceu, a partir de 1872, o cargo de Delegado do Cirurgião-Mor do Estado do Ceará. Logo depois, enfurnado no interior do estado, no combate a várias epidemias de Varíola e  Febres, adoeceu , em viagem de Icó a Fortaleza,  e veio a falecer em Limoeiro, em 1879, aos 52 anos. Faltou-lhe, nos últimos instantes,  a assistência médica que durante toda a existência proporcionou a  grande número de cearenses pobres e famintos.  Numa vida tão breve, imersa numa Arte tão longa, além dos estudos, das viagens seguidas, do combate incessante às epidemias, do trabalho no campo de batalha, o que lhe terá sobrado para dedicar à sua vida pessoal e à sua família ?  
                                   O certo é que o Dr. Medeiros  ofereceu-se quase à imolação no altar da Ciência. Deu-nos o melhor da sua arte e o melhor dos seus dias. Lutou, palmo a palmo, contra um inimigo terrível e desconhecido, enquanto tantos escapavam pela tangente. O Cariri nada lhe ofertou em troca, nem o mais simplório reconhecimento. Sequer o nome de uma rua, de um hospital, de um edifício. Nem mesmo uma citação honrosa. Nada ! Cento e cinquenta anos depois, neste dia dos médicos, lhe ofereço este texto , simples, descolorido, cru. Mas percebo , claramente, que é por conta de pessoas despojadas e corajosas como o Dr. Antonio Manoel de Medeiros que ainda vale a pena exercer a Medicina não como técnica , mas como vocação, fatalismo  e arte. São artistas como ele que impulsionam os movimentos de rotação e translação da terra.

Crato, 17/10/14 
Falta de piedade. Preocupação com o outro. Egocentrismo. "Passando bem, eu e meu cavalo..." "Eu quero é que se exploda..." E por aí vai. Mas serei mais generoso. Foi puro filhinho de papai perto de algum parente se vangloriando por ter batido em mulher.

Marina Silva, após o debate no SBT, ligou para Valter Feldmann (principal assessor de Marina). Este passou o telefone para Aécio que estava ao lado. Marina perguntou pelo tom duro do debate no SBT.

Aécio, satisfeito, diz: "optou por esse caminho...!" E vangloriou-se: " Deu o desespero. Viu que ela passou mal?"

Enquanto isso um médico intensivista do Rio Grande do Sul se recusaria a atender a Presidente passando mal. Ambos, Aécio e o médico, estão na mesma escala do descompasso ético.

A NOVA DIREITA BRASILEIRA: IDEOLOGIA, IDEÓLOGOS E INSTRUMENTOS - José do Vale Pinheiro Feitosa

Patrícia Campos Mello na Coluna Ilustríssima do jornal Folha de S. Paulo publicou uma matéria com o título: Estado mínimo, o discurso da nova direita. O que se encontra no texto? Aqui uma forma didática de apresentar o texto da jornalista:

Ação - Uma tentativa de unir os fragmentos das diferentes linhas de pensamento em torno do Estado Mínimo.

Instrumentos – instituições de ensino, organizações privadas e partidos nascentes. Quem são: Instituto Ludwig von Mises Brasil; Instituto Millenium, Instituto Liberal, Instituto de Formação de Líderes, Instituto de Estudos Empresariais, Estudantes pela Liberdade (franquia do Students for Liberty ligado ao Cato Institute financiado pelos irmãos Koch patrocinador da direita americana), Movimento Endireita Brasil, Site Spotniks, Partido Novo,

Ideólogos – Adam Smith, Margaret Thatcher, Ron Paul (ex-deputado americano); Ayan Rand (russo); Olavo de Carvalho; Carlos Alberto Montaner (exilado cubano escreveu o famoso livro da direita latino americana: Manual do Perfeito Idiota Latino Americano), Eduardo Gianneti da Fonseca

Ativistas destacados: Reinaldo Azevedo (Veja), Rodrigo Constantino, (Veja), Hélio Beltrão (filho de velho burocrata da direita), Gustavo Franco (em Banco Central FHC), Paulo Guedes, Daniel Feffer (Grupo Suzano), Fábio Barbosa, João Roberto Marinho (Globo), Bernardo Santoro (diretor do Instituto Liberal), Salim Mattar (dono da Localiza), Ricardo Salles (secretário do Governador Geraldo Alckmin) , Paulo Batista (candidato a deputado por São Paulo, PRP-SP que fez a propaganda usando um raio privatizador).

Propaganda – trocar assistencialismo por empreendedorismo.

O discurso de fachada – como toda parte minoritária de um todo, é preciso que se busquem conceitos que pareçam comuns a todos. O caso da nova direita é “LIBERDADE”. A palavra comum a todos, engana. Quem é contra a liberdade? Ninguém! Mesmo que seja, no limite, a liberdade de destruir o outro. Mas em seguida quando vêm os verdadeiros valores as diferenças como minoria se revela por inteiro.

Valores do discurso dos nossos: Ron Paul um neoliberal radical americano, do Partido Republicano, disputou três vezes a indicação do cargo de Presidente, palestrou para a nova direita paulista e resume sobre o único papel do Estado: “O único papel do governo é proteger nossas liberdades.” Não explica quem são os nossos: conglomerados, grandes bancos, máfias, o cidadão comum, o trabalhador assalariado, os desempregados, os homeless, os sem planos de saúde, etc. (minha avaliação)

Valores do discurso no centro: liberdade de negócios, legalização do comércio de órgãos, fim do Bolsa Família, privatização ampla e radical e privatização das Universidades,

O discurso radicalizado: legalização integral das drogas, fim do Banco Central, privatização da Polícia e da Saúde; casamento gay e outras posições que no espectro mais radical termina por se chocar com o conservadorismo religioso e nos costumes.

E Patrícia Campos Mello encerra a reportagem dela assim: “Enquanto o mundo debate maneiras de reduzir a desigualdade, na esteira do best-seller do francês Thomas Picketty, “O Capital do Século 21”, Paul Ron é taxativo: Distribuição de é sempre forçada, é como se o governo apontasse uma arma e tirasse dinheiro de um para dar ao outro; isso é autoritarismo”, afirmou à Folha.

Enfim este deve ser um roteiro básico do locus operandi da nova direita brasileira. E fica claro que a matriz desta direita são os EUA e todo tipo escuso de financiamento e estímulos como aconteceu via Embaixada Americana às vésperas do golpe de 64. Mesmo quando se apegam ideologicamente a escola liberal como austríaco, o filão a ser explorado são instrumentos americanos.

Em síntese. Agora tem uma novidade. A direita não tem como acusar a esquerda de pertencer a outro lado e ter entregue seu destino a outra nação (União Soviética). A esquerda brasileira no máximo se orienta por pensamentos universais, não atrelados a nenhum comando estrangeiro.

Por este vício na origina é que a direita dos EUA, Latino Americana e Brasileira não consegue avançar além do velho discurso da guerra fria. Os EUA, mesmo numa crise tremenda parecem uma terra onde corre o mel e o leite.




sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Pseudos "VESTAIS" - José Nilton Mariano Saraiva

Quando do “vazamento seletivo” em que marginal Paulo Roberto Costa reportou-se às propinas distribuídas com integrantes do PP, PT e PMDB, de pronto os vinculados ao PSDB não tiveram nenhuma dúvida de se assumirem e se autoproclamarem autênticos “vestais” (pessoas que apregoam ou desejam parecer muito honestas) porquanto isentos a coisas da espécie; verdadeiros ”paladinos” da moralidade, da ética e da lisura.
Assim, a partir daquele momento e até hoje, ad nauseam a questão envolvendo a Petrobrás foi posta à nossa mesa no café, no almoço, no jantar e antes de dormir, porquanto um atestado inconteste de que o PT e seus aliados eram os únicos a trafegarem no perigoso e malcheiroso pântano da corrupção.
Mas... como nada melhor que um dia atrás do outro com uma noite no meio, eis que hoje tomamos conhecimento que o Paulo Roberto Costa confirmou que o à época presidente nacional do PSDB, o “austero” senador pernambucano Sérgio Guerra (já morto) também foi agraciado com uma “comissãozinha” de “dez milhões de reais” (R$ 10 milhões) a fim de barrar uma CPI da Petrobrás,  de interesse de uma certa empreiteira. E assim foi feito.
E mais: Paulo Roberto Costa também incluiu na “mutreta” o então governador de Pernambuco (também já morto), Eduardo Campos (PSB), como beneficiário de um “agradozinho” de vinte milhões de reais (R$ 20 milhões) quando da campanha da sua reeleição.
Pergunta-se: 1) será que tem mais partidos envolvidos na maracutaia ??? 2) será que agora, que com o rabo preso, o candidato do PSDB Aécio Neves vai continuar insistindo com a baixaria sem limites exibida até hoje, ou vai finalmente entender que o que queremos são debates propositivos ???
Enquanto isso, não custa cobrar do PSDB:
Onde estão os “TUCANOS” envolvidos com o rumoroso CASO SIVAM ? Todos soltos.
Os estão os “TUCANOS” envolvidos com a COMPRA DE VOTOS PARA A REELEIÇÃO (FHC à frente)? Todos soltos.
Onde estão os “TUCANOS” envolvidos com a PASTA COR DE ROSA ? Todos soltos.
Os estão os “TUCANOS” envolvidos com o CARTEL DO METRÔ E TRENS DE SÃO PAULO ? Todos soltos. 
Os estão os “TUCANOS” envolvidos no caso do MENSALÃO TUCANO MINEIRO ? Todos soltos. 
Onde estão os “TUCANOS” envolvidos com a PRIVATARIA TUCANA (aquela, do LIMITE DA IRRESPONSABILIDADE, do tempo de FHC). Todos soltos.

PENSE NISSO !!!

AÉCIO NEVES NÃO PODE USAR O BAFÔMETRO POIS ESQUECERA DE ESCOVAR OS DENTES - José do Vale Pinheiro Feitosa

Por acaso dirigia pelas estradas de Minhas Gerais e fui parado pela Polícia Rodoviária Federal, num posto da corporação. Era perto de São Lourenço. Ia a com mulher e as crianças. Acontece que a minha carteira estava vencida há mais de dois meses. Naquela época a renovação era um mero exame de vista. Fui multado e A mulher continuou a viagem com a carteira de motorista em dia.

Esta história tem um paralelo com as explicações do Candidato Aécio Neves ao se referir a uma questão de recusa de usar o bafômetro numa madruga no bairro do Leblon aqui no Rio. Assim como ele eu havia me descuidado e não me ative aos prazos da carteira. Que fica no bolso e só é vista quando alguma autoridade pede.

Aécio Neves, por dirigir com habilitação vencida, para não ter a viatura apreendida, pagou a um taxista para conduzir seu carro até o prédio. Pagou multa gravíssima. Mas como era a ocasião das “noitadas” cariocas foi solicitado a Aécio que fizesse o teste do bafômetro. O “doutor-senador” se recusou e recebeu uma multa.

No dia seguinte deu uma nota à imprensa que relatava a questão da carteira vencida e afirmava que o teste do bafômetro não fora realizado. O que um cidadão comum entende? As autoridades de trânsito resolveram o problema da carteira e não realizaram o exame. No entanto, existem duas explicações para uma nota vaga como esta: o teste não ter sido solicitado pela autoridade ou ter sido recusado pelo condutor do veículo. Mas Aécio joga com a possibilidade que o cidadão entenda como a primeira hipótese.  

Mas aí as autoridades do Estado do Rio esclareceram: “Aécio Neves preferiu não fazer o teste do bafômetro.” Ou seja, recusou-se a fazer. E recebeu outra multa em sua carteira.

Quando o governo do Rio explicou a verdade, o “malandro” deu outra nota: “Tendo em vista que um outro motorista iria assumir a condução do veículo, ele julgou não ser necessário a realização do teste.”

Mas viram como é o jogo dele? O tempo todo fez isso no debate de ontem! Ele é quem fazia leis no parlamento e desconhecia o assunto? Ele votou, como deputado neste código e desconhecia o assunto? E alguém acredita que o agente de trânsito seria capaz de multar um Senador da República sem explicar-lhe que a recusa era punida em lei com uma multa?


A cabeça dele é igual a um filhinho de papai. É pego fazendo “m.” e toca disfarçar, desviar do assunto, inventar falsas explicações. E por aí vai.

CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA SOB FOCO - José do Vale Pinheiro Feitosa

Vamos começar com os nomes de algumas pessoas: Adolf Hitler, Mussolini, Stalin, Mao, Marquês de Sade, Togo, Eichmann e por aí vocês entenderam o espírito. Agora ponha diante deles um médico. Qualquer um desta lista e mais quem que você imaginar, inclusive Aécio Neves, tendo um problema repentino de saúde.

Este médico para confiança ética absoluta tem que atender a qualquer um com toda a humanidade possível e usando com segurança o conhecimento técnico mais adequado até porque para existir como profissional é submetido ao controle ético que compreende decisões corretas segundo os parâmetros científicos.

Agora sintam degeneração ética e moral do Dr. Milton Simon Pires (CRM – 20958 –RS) postando no seu facebook: “Tá se sentido mal! A pressão baixou??? Chama um médico cubano sua grande filha da puta!” Por isso o CRM do Rio Grande do Sul tem que tomar uma posição clara para segurança de pessoas atendidas por médico.

Este Milton Pires é médico intensivista, ou seja aquele de CTI, tem dois empregos no SUS, onde as pessoas de quem discorda estão em risco de vida. Imagina um sujeito com este tipo de manifestação cuidando de um desafeto. Não respeitou nem a Presidenta da República.

E isso faz parte do incentivo fascista onde o contraditório é alvo de forças que se organizam porque afinal o Brasil ainda é um país muito dividido. O Milton Pires faz uma grande movimentação contra o Programa Mais Saúde, escreve, é apoiado pelo Instituto Liberal, é acusado de bater em mulher, debocha da mulher, recebe apoio de setores da classe médica.


Esse é o papel político desta turma que o PSDB na sua marcha à direita estimulou. Acontece que toda divisão é isso mesmo, há a agressão do outro lado. Mas uma coisa é certa: o ser humano apenas o é porque vive. E toda vez que desequilibrados tentam o controle da violência, logo a sociedade se protege e imuniza o ódio.  

quinta-feira, 16 de outubro de 2014


Para relaxar após verdades apresentadas cara-a-cara. Um samba para ouvir de novo.

TUAS SEDE É A SECA DO NEGÓCIO ARRASADOR ÁGUA - José do Vale Pinheiro Feitosa

E aquela história da falta de água em São Paulo? A chuva é o de menos. Água virou bem de consumo. Quem tem grana pode desperdiçar a jusante e quem lucra com o negócio o faz a montante. Como a vazão a jusante é grande e o acúmulo de lucro a montante também o é. Temos a seca paulista.

Eu sei. Não és abestado. Água e dinheiro apenas se relacionam como negócio. Como um bem de consumo. O resto, água é sede e sede é vida. Sem água não acontecerá a micção do poema do amanhecer.   

Acontece que privatizaram a água. Tem doutor juiz fechando as torneiras do “consumidor” por não ter pago a conta. E o cara mora na cidade. Onde a única água que corre é das chuvas eventuais, na quitinete não tem caixa acumuladora e não existe nem uma poça para se servir.

Já existem multinacionais da água privatizada e como todo espírito capitalista forma conglomerados. Assim como as “irmãs-do-petróleo” existem as “seis-irmãs-hidrocontroladoras”: Suez, Veolia, Thames, American Water, Bechtel e Dow Chimical (citado por Sérgio Augusto no Sul 21).  

Não por acaso a SABESP, a fornecedora de água para São Paulo, privatizada, tem ações na Bolsa de Valores de Nova York. O governador eleito por grande maioria de votos já enviou uma nota, a depender do Conselho da empresa, para que ela ofereça bônus aos paulistas que passarem mais sede. Quando menos água consumir, maior o desconto na conta.

Aliás uma política de uso racional da água é sempre necessária. Não agora que as pessoas estão passando sede. E para não sofrerem mais terminam indo ao “mercado-negro” para comprar o que necessita.

Além do bônus, Geraldo precisa fazer um balanço Geral na política de água de São Paulo. Precisa apresentar planos para o futuro. Depois de 18 anos de PSDB em São Paulo e do Geraldo ter cumprido 8 anos. Em dois mandatos diferentes e agora vai para 12 anos.

Sim a oposição federal quer alternância de poder.

Mas vamos a um exemplo. Na cidade de Paraipaba, no litoral do Ceará, em razão da abundância da irrigação se desenvolveu um projeto de agronegócio de cana e outro de implantação de pequenas propriedades para criação de algumas reses e produção agrícola.


O governo afrouxou o projeto e os pequenos foram vendendo suas terras para “empresários” do coco. Resultado, a produção de coco de Paraipaba está numa crise danada com estas estiagens e secas que nos atingem. Vender coco na praia é vender água. A água que um dia irrigou a plantação dele. 

ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA DEFENDE MENOR VERBA PARA A SAÚDE - José do Vale Pinheiro Feitosa

Peguemos duas notícias de hoje, uma diz ter a Associação Médica Brasileira (AMB) declarado apoio a Aécio Neves e a outra diz que a Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que proximamente se atingirá a marca entre 5 a 10 mil casos novos por semana da doença provocada pelo Ebola.

A carta de apoio da AMB termina assim: “Conclamamos todos a votar em Aécio Neves (45) para presidente do Brasil, a fim de que possamos trabalhar juntos, orgulhosos e confiantes, podendo proporcionar melhor saúde e assistência aos nossos pacientes.” Em nota o chefe da missão da ONU que se dedica ao combate da doença declara: “Ou paramos o ebola agora ou enfrentaremos uma situação sem precedentes e para a qual não temos um plano.”

Onde as duas notícias se aproximam e onde se distanciam. Aproximam-se por ter como tema comum a saúde. Ambos são manifestos políticos tentando mobilizar corações e mentes. Ambos supostamente foram refletidos por profissionais da saúde.

Distanciam-se pelos interesses manifestos atrás das palavras. A AMB é uma entidade de classe, corporativa, que luta essencialmente pelo controle corporativo das especialidades médicas através das associações de especialidades. São as velhas guildas da idade média que controlavam os números e o perfil aceito aos artesãos. Só um exemplo de como funcionam para revelar qual interesse têm na saúde coletiva: todo beneficiário de Plano de Saúde tem que pagar por fora aos anestesistas. Eles se organizaram de tal modo que a sociedade mesmo pagando os tubos por um Plano de Saúde, tem que pagar o pedágio a eles. E simbolicamente tem um detalhe: eles, pelos anestésicos, levam você à linha tênue entre a vida e a morte.

A OMS, mesmo que sujeita à pressão das grandes indústrias de tecnologia de saúde, continua sendo o órgão universal dos interesses de toda a humanidade. O chefe da missão diz que é preciso tratar 70% dos casos e enterrar 70% das pessoas de maneira segura ou, então, a epidemia foge ao controle. E pode chegar a outros países distantes. Os exemplos americanos e espanhóis são evidentes para que acreditemos na OMS.   

A dinâmica da AMB e suas associações, por outro lado, não consegue fugir mais do suprimento do Complexo Industrial da Saúde, este que, artificialmente, lança mão de todos os mecanismos para criar e manter especialidades médicas. Os Congressos de Especialidades se tornaram um balcão de anúncios e os painéis e conferências magnas, a voz do produtor de tecnologia. Por isso no mundo todo surgem instituições de Avaliação de Tecnologia, que pretendem operar de modo independente, para que se separe onde se encontra a eficiência verdadeira e a negociação do uso intensivo no interesse da contabilidade do Complexo.

O surto do Ebola não é a mesma coisa de combater os islamitas com aviões e drones nos desertos do Iraque e da Síria. Ele tem o potencial de se tornar uma nova peste. Diante da falta de recursos terapêuticos, de um mundo em convulsão que gera milhares de desabrigados e concentrações em lugares precários, do rápido deslocamento por avião, há que se pensar na solidariedade na ação coletiva e humana como uma necessidade. Que se pensar uma política de saúde universal, independente de dinheiro para comprar a vida ao invés da morte.

Entre a AMB e a OMS há uma vala enorme de separação. Uma vala onde ardem os interesses do Complexo Industrial da Saúde e seus agentes de campo. A vala onde o interesse individual suplanta o interesse da sociedade. Onde a liberalidade é sinônimo de bem remunerado serviço por uma boa imagem de marketing.

Um marketing que todo profissional de saúde sente pela traição dos “colegas” a desqualifica-lo por uma melhor posição no “mercado.” Uma dinâmica para criar dúvidas nos seus “consumidores” em relação aos “produtos” do mesmo associado à AMB. E sintam que num enorme ato falho eles terminam dizendo: proporcionar melhor saúde e assistência aos nossos pacientes.

São eles, os mágicos, quem controlam a oferta, aqueles que proporcionam. Eles são os sujeitos os outros os pacientes. Malandros põem saúde no meio para disfarçar o que realmente fazem: assistência. Neste discurso a complexidade das relações saúde e doença, com seus componentes sociais, econômicos e políticos não existem. Existe apenas a assistência. Mas corrijo: existe a política.

O apoio a um candidato que desviou recursos da saúde. Não aplicou sequer os recursos previstos na Constituição que Minas Gerais deveria ter feito.


É AMB ficou difícil. Como argumentar no futuro por mais verbas para o SUS? E quando a Agência Nacional de Saúde privilegiar mais os interesses das “operadoras de Plano Privados de Saúde” do que dos “prestadores de serviços de saúde?”

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

"Mar de lama" - Rodrigo Viana

QUA, 15/10/2014 - 15:28
ATUALIZADO EM 15/10/2014 - 16:30
Por Rodrigo Vianna, na Revista Fórum
Se Dilma ganhar, essa eleição vai significar também a vingança de Getúlio Vargas contra  o lacerdismo”.
Sei que o tempo presente nos chama. Mas um pouco de História vai bem. Na verdade, vou falar de um passado que é  presente… Vocês sabem que Carlos Lacerda (foto ao lado) foi o governador do Rio (e jornalista, e dono de jornal) que fazia oposição violenta contra Getúlio Vargas e o trabalhismo – isso tudo lá nos anos 1950 e 1960. Chamado de “O Corvo” pelos getulistas, Lacerda era bancado pelos EUA. E tinha apoio de uma classe média furiosa com os direitos trabalhistas, com a criação da Petrobrás e com a entrada em cena da “ralé” (que passava a definir eleições – votando em Vargas ou nos candidatos apoiados por ele). Qual era o discurso de Lacerda? Vargas seria um “corrupto”, um “bandido comandando uma quadrilha”.  Isso lembra alguma coisa a vocês?
Em 1954, o cerco se apertou. A imprensa passou a falar em “Mar de Lama” no governo. Vargas foi cercado no palácio. E num gesto dramático (esse papo de que no Brasil não há conflitos, e de que tudo se resolve “na boa”, é balela!) o presidente meteu uma bala no peito. Ali, Vargas virou o jogo. O povão que começava a ser influenciado pela campanha midiática anti-Vargas, ficou do lado do morto. Não preciso dizer que “O Globo” e quase toda a imprensa estavam ao lado de Lacerda contra Vargas. O povão queimou carros e gráfica da família Marinho em 1954 – pra se vingar.
Pois bem, o conservadorismo brasileiro é tão pouco criativo que nem disfarça. Saltemos ao século XXI… Em 2006 (quando o PSDB imaginava que Lula seria derrotado fragorosamente graças ao “Mensalão”), FHC lamentava “a falta que faz um Carlos Lacerda para tocar fogo no palheiro” (leia aqui). Na falta de um Lacerda de verdade, o PSDB terceirizou (eles são bons nisso): surgiram dezenas de lacerdinhas nos jornais, rádios, TVs e na revista da marginal. São blogueiros e jornalistas que fazem a agitação verbal para o PSDB – reproduzindo o mesmo discurso que hoje escutamos nas ruas: “o PT é uma quadrilha que precisa ser escorraçada”.
Na campanha de 2014, Aécio Neves surfa nessa onda. Aproveita também os erros do PT e – sem programa que não seja arrocho e desemprego – Aécio tenta ganhar a eleição no grito: “Fora, PT”, “abaixo a corrupção”. No debate da Band, qual foi a grande “sacada’ de Aécio? Dizer que o Brasil vive um “Mar de Lama”. Hehe… É a mesma palavra de ordem dos que levaram Vargas ao suicídio em 1954. A direita é a mesma. Só que Dilma não vai meter bala no coração. Não. Dilma disparou de volta, na testa de Aécio.
O rapaz mineiro (que fala em meritocracia, mas vive do que herdou da família) ficou atônito quando Dilma falou nos casos de corrupção do PSDB, e falou no episódio do aeroporto construído dentro da fazenda de um tio de Aécio. Falou também dos casos de nepotismo (Aécio empregou meia dúzia de parentes no governo de Minas). O rapaz perdeu o rebolado.
Se Aécio fosse um monge budista, ainda assim esse discurso moralista de que “todo o problema do Brasil é a corrupção” não faria sentido (e a desigualdade? e o racismo? e a violência policial? e o poder do sistema financeiro? e o poder da Globo? Nada disso importa, né…).
Mas pior: Aécio não tem moral pra falar em corrupção. Nem em bons costumes. Ele é o típico falso moralista – acusado até de bater na mulher. Aécio foi desmascarado por Dilma no debate da Band.
Verdade que o “Mar de Lama” de Aécio foi parar na capa do “Estadão”. O combalido diário paulistano vibrou: a Família Mesquita (dona do jornal, apesar de endividada) deve ter achado que voltaram os bons tempos: uma manchete com cheiro de anos 50 - lembrou-me @pedrozm / Pedro Malavolta via twitter (a mensagem dele foi a inspiração para esse textos).
Com seu “Mar de Lama”, Aécio cheira (ôps) a naftalina. É o passado que volta à cena, com um terno bonitinho e sotaque mineiro. E o passado precisa ser derrotado de vez. Dilma, como venho dizendo desde 2010, significa o (re) encontro do PT com o varguismo. Dilma traz a herança  brizolista, trabalhista, foi do velho PDT. Ela se formou nessa tradição. Se Dilma ganhar (e tem toda as condições pra isso, numa batalha que será duríssima), será a vitória de Vargas contra Lacerda. Só que dessa vez o tiro será disparado contra o outro lado. Um tiro no lacerdismo rastaquera de Aécio, com seus aeroportos feitos em fazendas da família, com seus parentes no governo, com sua irmãzinha que tenta calar a imprensa. Lacerda ainda tinha estilo. Aécio só tem a Globo, a Veja e seus lacerdinhas amestrados.


Sobre o DE(em)BATE presidencial - José Nilton Mariano Saraiva

Bem que, antes de começar o programa, quando entrevistada, a presidente Dilma Rousseff manifestou a esperança de que fosse um debate "propositivo" (sério, com apresentação de propostas) para o qual se achava preparada. Como, quando começou, previsivelmente o Aécio Neves partiu pra baixaria, com destaque para a corrupção na Petrobrás, o DEBATE acabou melancolicamente em EMBATE. 

Isso porque, evidentemente, Dilma Rousseff não ia ficar calada e passiva ante a saraivada desferida pela metralhadora giratória do oponente; assim, a cada agressão sofrida respondia com fatos reais e acontecidos num passado não tão distante. Como quando, aproveitando o gancho da corrupção da Petrobras, olhando olho no olho, perguntou ao senhor Aécio Neves: "Candidato, onde estão os envolvidos com o CASO SIVAM ? Todos soltos. Os envolvidos com a COMPRA DE VOTOS DA REELEIÇÃO ? Todos soltos. Os envolvidos na PASTA COR DE ROSA ? Todos soltos. Os envolvidos no CARTEL DOS METRÔS E TRENS DE SÃO PAULO ? Todos soltos. Os envolvidos no caso do MENSALÃO TUCANO MINEIRO ? Todos soltos. Eu não acho isso moral e nem ético.". E concluiu, contundentemente: O que eu não quero é isso, candidato. Eu quero todos aqueles culpados presos. É essa a minha indignação, que o senhor não enxerga. 
Como o Aécio tergiversou, ao afirmar que “A senhora busca comparar outras coisas, muito diferentes, não queira nos igualar”, Dilma Rousseff foi absolutamente cirúrgica: “Candidato, gostaria muito que o senhor explicasse aqui para o telespectador por que isso tudo que eu listei é outra coisa. É outra coisa porque não foi investigado nem punido.” Aécio Neves emudeceu.
Num outro instante, quando foi questionado por Dilma Rousseff sobre a construção do aeroporto na cidade de Cláudio, em terras da família Aécio Neves afirmou que “o Ministério Público Federal atestou a regularidade dessa obra” Dilma Rousseff simplesmente lhe lembrou que: “O Ministério Público não aceitou a ação criminal, candidato. Mas mandou investigar a obra do aeroporto de Cláudio no que se refere a IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA”; e aí fez questão de didaticamente indagar a quem assistia: “Sabem o que é improbidade administrativa? É MAU USO DO DINHEIRO PÚBLICO.”
Alfim, uma novidade que decerto surpreendeu o tucano deu-se quando a Presidenta colocou o “nepotismo” no cardápio e de forma incisiva, sacou: “Hoje, no Brasil, é proibido o nepotismo, candidato. E o senhor tem: uma irmã, um tio, três primos e três primas no governo de Minas Gerais. Agora, pode olhar o governo federal. Não vai achar um parente meu.”
Enfim, o formato do programa da Band permitiu que os candidatos se lançassem à jugular do adversário com incrível disposição e avidez e se agredissem mutuamente. 

Daí o DEBATE ter-se transformado em EMBATE e de certa forma decepcionado o público em geral (conforme manifestações posteriores), porquanto todos esperavam a apresentação de propostas objetivas do que pretendem fazer pelo Brasil. 



Deus sabe como andamos necessitados de manhãs, talvez de apenas uma manhã. Basta uma. JOÃO CABRAL DE MELO NETO nos diz como tecê-la.


Tecendo a manhã
"Um galo sozinho não tece uma manhã:...
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos
Se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão."
(João Cabral de melo Neto)
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terça-feira, 14 de outubro de 2014

Ao Carlos Eduardo Esmeraldo - José do Vale Pinheiro Feitosa

Eu li o seu comentário naquela postagem por você referida. Suas argumentações foram tão simétricas ao que penso de modo que nada mais tinha a acrescentar. A questão é esta mesmo: temos dois projetos de nação em disputa nesta eleição de modo que é legítimo que analisemos as duas posições e que nos posicionemos de modo a participar dela. 

Ontem mesmo um conterrâneo nosso, o Xico Sá, uma das grandes referências do jornalismo brasileiro, foi vítima da interdição de sua posição na coluna que escrevia no Jornal a Folha de São Paulo. Através de matérias e nas próprias colunas da Folha a opção por Aécio é a marca. Até o famoso antipetista Reinaldo Azevedo, que é da Veja, escreve e faz das deles. Mas o Xico não pôde se posicionar favoravelmente à Dilma. 

Aliás precisamos falar do Xico Sá em nossos blogs.

Hoje vi um texto muito interessante e fundamentado sobre a manipulação das mídias e o alvo social mais sensível a ela. Por incrível que pareça não são os mal informados do FHC, mas exatamente quem tem maior capacidade intelectual, estudou mais e tem mais recursos. Eles vão lendo a Veja, assistindo ao Jornal Nacional com seus projetos editoriais, tendenciosos, apuram o inimigo, protegem os amigos e criam um raio de extermínio sobre os adversário. Os mais afeitos à fórmulas intelectuais sofrem o efeito do raio porque são mais expostos a eles. Assim como os médicos radiologistas estão sujeitos aos efeitos da radiação. 

O que resultou do comportamento "militante" da mídia é uma escala de valor deturpada, que acirra posições por pretenderem incutir fórmulas acabadas numa mente que deveria estar aberta a contribuições. Por isso os comentários nos blogs se esvaziaram tanto. Com fórmulas acabadas as pessoas não debatem, elas se atacam. No Facebook e twitter há uma grande margem de pessoas quase de matando apenas porque alguém disse o que elas não gostam. Sem contar os preconceitos contra tudo e todos.  

O fenômeno não é de agora. Sempre existiram os provocadores que tentam desequilibrar debates, até mesmo acabando com ele. As provocações sempre buscam as pessoas e querem destruir sua imagem e deixá-las sem chances de defender o seu pensamento. Na internet o nome técnico é TROLL e o tal Batateira Original é isso. Um Troll.

Mas é um Troll nosso. Aqui dos nossos plagos. Escreve com seu nome original e posta. Há mais de cinco anos, ainda naquela primeira eleição do Obama, fiz um comentário sobre a linha conservadora da candidata Sarah Palin e para minha surpresa um dos nossos, usando o sobrenome feminino e se dizendo de Fortaleza veio com esta mesma atitude. Então, não é médico, é dos nossos, conhece algo a meu respeito e por isso usa a Batateira como senha. Se formos ler com calma o estilo e as imagens até dá para imaginar quem é. 

Com todo respeito a quem pensa diferente, é necessário testar nossas ideias na divergência. Agora não dar é para alimentar comentários daquele tipo. Este TROLL já fez comentários em postagens do Zé Flávio e minhas, desde que falei sobre a pintura de Picasso Guernica. 

Sobre comentários, hoje uma raridade nos blog's

ATENÇÃO JOSÉ DO VALE!
   
Em 08 de outubro corrente, o excelente e competente médico José do Vale Pinheiro Feitosa, um cratense radicado no Rio de Janeiro, mas desde criança  dedicado aos estudos, escreveu neste blog um texto tendo por título "O Rumo Norte é o nosso desatino." Nesse texto ele apresenta dados da política econômica  norte-americana e suas consequências por abraçar o liberalismo. Mostra índices sobre a educação norte-americana e outras considerações que vale a pena reler.
  
O texto mereceu dois comentários, abaixo transcritos, que acredito o Zé do Vale não tenha tomado conhecimento. Um é meu e o segundo de um cidadão que afirma ser médico formado nos Estados Unidos, mas não quis se identificar, valendo-se do anonimato através de um pseudônimo.
 
Preocupa-me ter médicos nesse país, que se vangloriam das muitas curas que executa. "devolvi a vista há muitos brasileiros...," 
   
Infelizmente há aqueles "que ficam olhando o cisco no olho do irmão, mas não presta atenção à trave que está em seu próprio olho." (Mt.7,3)
    
Caro Zé do Vale.
  
Excelente e muito oportuno comentário. Temos que construir o nosso próprio projeto de desenvolvimento e não importar políticas de exploração, como o "Estado Mínimo" e a desregulamentação do "Deus Mercado", como é o objetivo do PSDB, em contradição com o nome atribuído ao partido, que de "social democracia" nada possui, além do nome, erroneamente apropriado. Nesta eleição, o brasileiro corre o risco de tomar a decisão errada.
 
8 de outubro de 2014 19:29
  
Batateira Original disse...
    
O muro de Berlim caiu há muito tempo e o cara escrever isso só mostra a crosta irremovível que se impregnou na sua mente. Tudo que aprendi na Medicina foi nos USA, nunca tive emprego político, dedico as sextas-feiras para atender aos pobres. É um absurdo que um cara que é médico no Brasil vote em Dilma. Graças ao aperfeiçoamento nos USA devolvi a vista há muitos brasileiros...
As boas ações não têm partido, não têm nações, não têm ideologias...
Ser esquerdista burguês deixou de ser chique... Seja médico, só isso.

9 de outubro de 2014 18:20

A GINCANA REPUBLICANA DO MERITOSO CANDIDATO - José do Vale Pinheiro Feitosa

Ei você ai!

É!

Você mesmo!

Sabe tudo que você fez? Ralou no trabalho enquanto estudava. Pagou caro o curso superior. Virou noite para fazer uma “pós”?

Fez concurso com pesada concorrência? Foi aprovado e assumiu numa cidade diferente da que vivia? Que rala no trabalho, faz curso e tem muito cuidado com o seu papel e sua função? Inclusive aquela nomeação para um cargo de chefia?

Isso é meritocracia. Pelo menos no sentido funcional. Agora olhe a seguir a história de um garoto que como muitos “amava os Beatles e o Rolling Stones...”

Brincadeirinha. Nunca foi ao Vietnã. Viveu no conforto da família e por ela foi alçado ao “mérito”.
Papai virou deputado federal.

Lá em Brasília. Com 17 anos, o filhinho meritoso assumiu como secretário do gabinete parlamentar do papai. Papai fora eleito pela Arena. Lembram dela?

São quatro anos de mandato. O meritório, para ser meritocrata, precisava estudar.

E com muito sacrifício usava o teletransporte da Interprise para cumprir o expediente na Câmara em Brasília, enquanto fazia faculdade no Rio de Janeiro.

Menino aplicado terminou o curso.

Vovô é eleito Governador. Agora com um canudo na mão, aos 23 anos é nomeado como assessor do vovozinho. Nem a velha experiência de Vovô poderia dispensar os méritos do jovem netinho. 
  
Vovô é eleito, por eleição indireta, Presidente da República. Netinho carrega a pasta pesada de vovô, aparece na mídia e é uma das caras da morte precedente ao cargo para festa da mídia nacional. Antonio Brito, jornalista da Globo, suou para não perder a vez.  

O vice de vovô assume e num gesto de mérito nomeia o netinho, aos 25 anos, Diretor da Caixa Econômica Federal. E olhem que beleza de ato:

Ministério da Fazenda
Decreto de 14 de maio de 1985
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, de acordo com o artigo 11 do Estatuto da Caixa Econômica Federal, aprovado pelo Decreto nº 81.171, de 3.1.78, RESOLVE
NOMEAR o Dr. Aécio Neves da Cunha Diretor da Caixa Econômica Federal.
Brasília, 14 de maio de 1985, 164º da Independência e 97º da República.
                                                                                                           JOSÉ SARNEY
Francisco Neves Dornelles.

A segunda assinatura é do então Ministro da Fazenda do qual a Caixa Econômica se subordinava.

É priminho do netinho meritoso: AÉCIO NEVES DA CUNHA.    

O PAPA DESAPERTA PARAFUSOS ENFERRUJADOS - José do Vale Pinheiro Feitosa

Sem considerar a fobia tão comum aos que se agarram à conservação dos costumes e das doutrinas. Sem levantar a questão da infalibilidade da santidade. Um Papa além do atoleiro da história.

Deixa ao relento a histeria Malafaia que se agarra aos conservadores na política, eis que o Papa Francisco convoca os bispos para uma assembleia. E na assembleia levanta assuntos espinhosos para os mantos conservadores.

Um documento, que certamente é uma declaração prévia de que o assunto devA ser tratado pergunta ao sínodo dos bispos: “Os homossexuais têm dons e qualidades a oferecer à comunidade cristã: seremos capazes de acolher essas pessoas, garantindo a elas um espaço maior em nossas comunidades? Muitas elas desejam encontrar uma igreja que ofereça um lar acolhedor”.

E continua: “Serão nossas comunidades capazes de proporcionar isso, aceitando e valorizando sua orientação sexual, sem fazer concessões da doutrina católica sobre família e matrimônio?”

Começamos pela linguagem clara, e sem metáforas, da pergunta. Afirma o valor da família e matrimônio como uma doutrina a ser preservada, mas joga a contradição da homossexualidade com a primeira pergunta. Quem tem capacidade de fazer tais perguntas se encontra muito adiante de toda interdição do tipo.


Sem necessitar da resposta. Só a realização da pergunta começa a tirar o bolor inerte de um conservadorismo que se enrosca nas engrenagens das doutrinas e ali enferruja agarrada ao bloco férreo de certezas de pés de barro. O papa jogou um “antigripante” sobre estes parafusos enferrujados e agora eles podem ser desapertados para que a igreja funcione consoante as pessoas reais, que fazem os costumes e as doutrinas.
Um poema bem oportuno à circunstância, do recente livro do amigo e poeta Ronaldo Costa Fernandes, O difícil exercício das cinzas (7Letras, 2014).



Os dois passos do homem
O homem tem apenas dois passos:...
um passo à frente
e um passo atrás.
O passo que se dá à frente
é um passo doble,
o passo que se dá atrás
é um passo em falso.
Há passos que parecem ser à frente
e levam ao pé do cadafalso,
à ira dos materiais em erosão
que morrem ao se devorar.

SOLDADOS CONTRA O VÍRUS EBOLA - José do Vale Pinheiro Feitosa

Desde que se tomou conhecimento do primeiro surto do Vírus Ebola no Zaire e no sul do Sudão, em 1976, que de algumas coisas se tem conhecimento. Primeiro: é uma doença devastadora do ponto de vista clínico e dos cuidados necessários, com uma letalidade altíssima e um potencial de transmissão muito intenso (naquele surto um cientista inglês trabalhando em laboratório com material de pacientes foi contaminado). Segundo: os precários hospitais das missões religiosas foram uma fonte de disseminação da doença para toda a região. Terceiro: até hoje a melhor opção terapêutica continua a ser o soro hiperimune. Ou seja aquele que é retirado de pessoas infectados. Isso já fora usado em 1976 e depois os laboratórios com ações em bolsa de valores não se “interessaram.”

Agora estamos olhando que mesmo em países onde as técnicas dos profissionais de saúde são mais apuradas e que o material é abundante, casos estão ocorrendo entre profissionais de saúde. Na Espanha e no EUA. E agora é sabido que a contaminação da enfermeira do Texas decorre do despreparo dos profissionais de saúde para tratar com estes casos (85% dos profissionais não receberam treinamento).

A verdade é que os arbovírus são extremamente perigosos e que mais surtos virão pois o desmatamento, a mineração e o impacto ambiental tem aberto o acervo genético das florestas para o bem e para o mal. O próprio ressurgimento e a dificuldade de controlar o mosquito transmissor da febre amarela, o mesmo que transmite a Dengue, já diz algo de mudança climáticas e de mudança ambiental.

Já se passaram mais de 72 horas e o Centro de Controle de Doenças (CDC) não tem a menor ideia do que aconteceu com a enfermeira para que ela se contaminasse. Até agora não surgiu uma avaliação do caso espanhol. O CDC se encontrar neste nível de resposta diz muito bem dos efeitos das políticas neoliberais sobre instituições que já não conseguem responder às grandes questões.

Há pouco mais de uma semana soubemos que Cuba estaria enviando para os países africanos afetados um grande número de profissionais de saúde. Não se viu o mesmo dos EUA, mas eles mandaram três mil soldados. Mas qual o papel de soldados numa epidemia? Proteger patrimônio do interesse deles? Confinar populações inteiras? Servir de contenção para eventuais manifestações populares de insatisfações?


Enfim, se até os profissionais de saúde, em seus ricos e seguros países estão sendo infectados, que diabo pode fazer um soldado americano numa zona de transmissão ativa do vírus Ebola?  

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

BANCOS PÚBLICOS - José Nilton Mariano Saraiva

ATENÇÃO SENHORES FUNCIONÁRIOS DOS BANCOS ESTATAIS PARA A DECLARAÇÃO DE “VIVA VOZ” DO SENHOR ARMÍNIO FRAGA, "JÁ CONFIRMADO" FUTURO MINISTRO DA FAZENDA NUM PRETENSO GOVERNO AÉCIO NEVES:


O BRASIL TEM HOJE TRÊS GRANDES BANCOS PÚBLICOS QUE DETÊM MUITO PODER: O BNDES, O BANCO DO BRASIL E A CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. AÍ, TEMOS QUE FAZER AJUSTES E EU NÃO SEI O QUE VAI SOBRAR”. 

O execrável "VAZAMENTO SELETIVO" - José Nilton Mariano Saraiva

Quando compareceu à CPI do Congresso Nacional a fim de prestar esclarecimentos a respeito das supostas irregularidades acontecidas na Petrobrás, o ex-funcionário da empresa, senhor Paulo Roberto Costa,  exerceu na plenitude o seu direito constitucional de permanecer calado. Não soltou um pio.
Em off, entretanto, num átimo de surpreendente sinceridade, assegurou que assim procedia porque se abrisse a boca naquele momento (antes do primeiro turno) a eleição presidencial brasileira corria o risco de não se realizar (embora, àquela altura, já houvesse “aberto o bico” e contado tudo para a polícia federal paranaense).  
Nos bastidores, porém, já houvera vazado e a mídia divulgado com estardalhaço a informação que pessoas comuns, governadores e deputados vinculados a diversas agremiações partidárias (PSB, PT, PMDB e PP, dentre outras) estariam envolvidas no recebimento de polpudas propinas, via superfaturamento na Petrobrás. Dentre elas, os governadores de Pernambuco (o falecido Eduardo Campos-PSB), do Ceará (Cid Gomes-PROS) e do Maranhão (Roseana Sarney-PMDB).  
Eis que agora, às vésperas do segundo turno de uma decisão que tem tudo para ser das mais acirradas, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, resolve divulgar um vídeo de parte do depoimento do senhor Paulo Roberto Costa, onde são nominadas pessoas e partidos políticos supostamente beneficiadas com as tais propinas. Com um estranho e estarrecedor “detalhe”: os envolvidos, bem como os partidos políticos, todos são da base de apoio do governo federal.
Como o PSB (Eduardo Campos), que houvera sido citado lá atrás como um dos beneficiários do esquema, em razão da suposta “propina grossa” que grassou nas obras da Siderúrgica Abreu de Lima (em Pernambuco) agora no vídeo divulgado pelo juiz Sérgio Moro foi omitido ou não citado, conclui-se que teria havido uma espécie de “excesso de cuidado” ou “vazamento seletivo” visando influir no resultado da eleição (afinal, é bom repetir, só o pessoal e partidos da base governista foram citados). 
Seria a chamada “bala de prata”, tão ansiosamente aguardada pela oposição, mas ao mesmo tempo  a prova definitiva de que o Poder Judiciário brasileiro, aqui representado por um iluminado qualquer (dizem que vinculado ao DEM), contrariando o que dele todos esperam, resolveu pela parcialidade em seus julgamentos.
Triste e lamentável, que merece uma resposta do povo (afinal, queiram ou não os opositores do governo, o Brasil mudou e mudou muito, pra melhor, nos últimos doze anos).



Atualização de status
De Everardo Norões
Perguntas a um operário letrado

Bertold Brecht

Quem construiu Tebas,
a das Sete Portas?
Nos livros vêm os nomes dos reis,
mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilônia, tantas vezes destruída,
quem a reconstruiu?
Em que casas da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
foram seus pedreiros?
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo.
Quem os ergueu? Sobre quem
triunfaram os Césares?
Na tão cantada Bizâncio
todos os habitantes tinham palácios?
Até a legendária Atlântida
na noite em que o mar a engoliu
viu afogados gritarem por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Indias sózinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu dispor?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha chorou.
E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos Sete Anos.
Quem mais a ganhou?

Em cada página, uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década, um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias.
Quantas perguntas.
 
 

O Retorno - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

O senso comum afirma que o brasileiro tem memória curta. Confirmamos essa assertiva no desenrolar da presente campanha eleitoral. De repente, como que anestesiados pelas inserções sublimares da grande imprensa, tendo à frente a diabólica Rede Globo, grande parte do nosso povo passou a admirar o sociólogo, aquele mesmo que recentemente considerou o nordestino um povo ignorante e, que há pouco menos de duas décadas, trouxe-nos o caos quando aderiu ao "Consenso de Washington" e implantou políticas neoliberais em seu famigerado desgoverno. O que vimos, lembram-se? Arrocho salarial, fome, salário mínimo abaixo de cem dólares, menor do que o de países mais pobres, como o Paraguai, a dilapidação do patrimônio do estado brasileiro, quando todo nosso setor de distribuição de eletricidade, nosso precário sistema ferroviário, que no caso do Ceará simplesmente foi extinto, nossas siderúrgicas e mineradoras, e tantas outras empresas estatais foram vendidas na "bacia das almas", mas cujo resultado ninguém soube qual foi, além de altas tarifas e a descapitalização do nosso país. 

No final do desgoverno de FHC, no centro comercial de Fortaleza, inúmeras casas comerciais foram fechadas e transformadas em estacionamentos. Gigantes do comércio varejista, lojas tradicionais cujo capital era nacional, como a Mesbla, o Mapin, a Lobrás, a Eletroradiobrás, as Casas Pernambucanas, o Romcy e tantas outras sumiram para sempre do mercado. Lembram ainda delas? Muitos dos nossos jovens não as conheceram. As políticas neoliberais aplicadas no desgoverno tucano quebraram o país três vezes, tendo que ser socorrido pelo FMI, (Fundo Monetário Internacional).  

A Europa e os Estados Unidos vivem no presente uma grande crise econômica, justamente por ter abusado da aplicação do receituário neoliberal. Crise essa que de certa forma também nos atinge.

Agora esse grupo sediado em São Paulo, o mais nordestino dos estados brasileiro, pois até a seca já chegou por lá, com direito a falta d'água e muita sede de um povo satisfeito com seus atores, pois anestesiados pelas novelas globais, está querendo reassumir os destinos desse país, alardeando uma grande crise em que vivemos. Será por que os aviões saem lotados dos aeroportos? Ou por que as lojas estão cheias de gente comprando? Ou será por que o povo está comendo? Pelo menos três refeições diárias estão tendo e não mais vimos retirantes da seca estendendo a mão em nossas esquinas.

Pensem nisso! Libertem-se das paixões partidárias. Faço esse apelo porque em 2004 fui um dos responsáveis por ter colocado FHC no governo. Penitencio-me hoje. Minhas esperanças foram então frustradas e não desejo ver repetido o filme dos que não olham para o bem estar do nosso povo, mas apenas para os banqueiros e grandes empresários, priorizando o capital à frente do social. Pensemos no futuro dos nossos filhos e netos. Não desejemos para eles o desemprego e desesperanças.

domingo, 12 de outubro de 2014

“Lucros pessoais exagerados ou limitados a grupos cuja prosperidade se baseia na exploração da maioria.” - José do Vale Pinheiro Feitosa

Um governo para o nosso tempo é o que precisamos. Estamos no processo eleitoral e cada um é importante nessa definição. E que se tome por referência as práticas e o que acontece no mundo todo para se colocar como legítimo escrutinador do seu tempo. E não cabe exploração, juros altos, arrocho salarial, redução do crédito, combater os pobres e “menos informados”, manter privilégios de grupos e classes. Não cabe agora, como não cabia em 1940, quando efetivamente a guerra mundial tomou um corpo geral e esta guerra era fruto do liberalismo econômico que criara grandes tubarões a dizimar os peixes pequenos num aquário de iniquidades, fome, perseguições e morte.

No dia 11 de junho de 1940, a bordo da nau capitânia, da Marinha de Guerra do Brasil, o Encouraçado Minas Gerais, Getúlio Vargas pronuncia um discurso histórico. Os produtores rurais e industriais brasileiros estavam insatisfeitos com a queda das exportações e reclamavam pela mídia (mesmo sob impacto de uma ditadura). Getúlio diante do quadro internacional abre um discurso em que denuncia a choradeira e puxa as orelhas de quem quer ganhar muito sem fazer nada. Como esse pessoal hoje que tem o Armínio Fraga como guru: os beneficiários da bolsa juros do tesouro nacional. E o que diz o Getúlio:

“O que ficou perene, imortal, foi o lema: “O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever.” São as primeiras palavras de Getúlio ao recordar o patrono da Marinha de Guerra, Almirante Barroso. E vai ao cerne da questão:

“Atravessamos, nós, a humanidade inteira transpõe, um momento histórico de graves repercussões, resultantes de rápida e violenta mutação de valores. Marchamos para um futuro diverso de quanto conhecíamos em matéria de organização econômica, social, ou política, e sentimos que os velhos sistemas e fórmulas antiquadas entram em declínio. Não é, porém, como pretendem os pessimistas e os conservadores empedernidos, o fim da civilização, mas o início tumultuoso e fecundo de uma nova era.”

Getúlio chega ao ponto onde a mudança acontecerá com maior fecundidade: “A economia equilibrada não comporta mais o monopólio do conforto e dos benefícios da civilização por classes privilegiadas. A própria riqueza já não é, apenas, o provento de capitais sem energia criadora que os movimente; é trabalho construtor, erguendo monumentos imperecíveis, transformando os homens e as coisas, agigantando os objetivos da Humanidade, embora com sacrifício do indivíduo. Por isso mesmo, o Estado deve assumir a obrigação de organizar as forças produtoras, para dar ao povo tudo quanto seja necessário ao seu engrandecimento como coletividade. Não o poderia fazer, entretanto, com o objetivo de garantir lucros pessoais exagerados ou limitados a grupos cuja prosperidade se baseia na exploração da maioria.”

E Getúlio mais à frente continua: “À democracia política substitui a democracia econômica, em que o poder, emanado diretamente do povo e instituído em defesa do seu interesse, organiza o trabalho, fonte de engrandecimento nacional e não meio e caminho de fortunas privadas. Não há mais lugar para regimes fundados em privilégios e distinções; subsistem, somente, os que incorporam toda a Nação nos mesmos deveres e oferecem, equitativamente, justiça social e oportunidade na luta pela vida. A disciplina política tem de ser baseada na justiça social, amparando o trabalho e o trabalhador, para que este não se considere um valor negativo, um pária à margem da vida pública, hostil ou indiferente à sociedade em que vive.”  

Relendo este discurso de Getúlio Vargas fica claro onde se encontra o caminho político do trabalhismo. Onde se encontra a linha da história brasileira.

E fica mais claro do que nunca porque FERNANDO HENRIQUE CARDOSO DISSE QUE SERIA O FIM DA ERA VARGAS. Isso foi dito num discurso dele no Senado, em 1994, quando já fora eleito Presidente da República. A frase era o resumo do programa neoliberal: Estado Mínimo, economia de Mercado, atrelamento aos EUA, trabalhadores como consequência e não como causa da história.


Agora, então, com os preconceitos emitidos por ele, não tem como fugir de que FHC não mentiu quando mandou esquecer tudo que escreveu sobre a teoria da dependência. Por isso ele falava em Neobobos, em Vagabundos ao se referir a aposentados e se vangloriava de falar inglês.  
Um trecho da entrevista de Lula a Mino Carta:

"Porque há quem, neste momento eleitoral, fique brincando com Bolsa de Valores, especulando, ganhando dinheiro, comprando e vendendo. E é importante o povo ficar atento. Eu fui candidato muitas vezes, perdi eleições muitas vezes, sei das safadezas que eles fazem com a Bolsa. E quer saber de uma coisa, sem radicalismo? Eu nunca pedi voto para o mercado. Eu não sei quantos votos tem esse mercado, o que sei é que o povo tem voto, para ele que a gente tem de pedir voto. E eu quero voto do rico, da classe média, do profissional liberal, do sem-teto, do sem-terra, do com-terra, eu quero voto de todo mundo, porque todo mundo é brasileiro e tem de ser tratado com igualdade de condições. O que eu digo e a Dilma diz: nós governamos este País para todo mundo, agora o braço do Estado tem de estar mais atento às pessoas mais necessitadas. E este país que precisamos fortalecer, onde todo mundo seja tratado com igualdade de condições, onde a escola seja efetivamente de qualidade. Através da educação se estabelece a oportunidade de ascensão social."

"Mas há quem não queira, a possibilidade de ascensão oferecida a todo mundo."

"Uma vez, muito tempo atrás, almoçava com você (Mino Carta), o Weffort, que o secretário-geral do PT (saiu e se aliou a FHC), o Jacó Bittar (um dos fundadores do PT e prefeito de Campinas atualmente no PSB), e eu fui ao banheiro e, ao voltar à mesa, passei diante de duas senhoras e ouvi: “Ele diz que é pobre, mas está comendo aqui onde a gente come”. E o Jacó revidou: “E a senhora que vai pagar a conta dele? Sou eu que vou pagar a conta dele”."


"O sociólogo Fernando Henrique Cardoso, quando pronunciou sua frase infeliz, retratou um sentimento histórico da elite brasileira, algo que vem desde o tempo da Coroa."