por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sábado, 12 de março de 2016

cegueira-socorro moreira

da noite pro dia
o céu fica nublado
uma rosa desabrocha
o coração fica confuso

lembranças embaralhadas
Puxo a primeira carta
e desisto de entender...
O amor inexplicável
começou a me esquecer

um dia quase acreditei...
as surpresas eram cotidianas
Hoje elas se escondem no tempo
Tenho que viajar pra ver

Lá estão pedaços de mim
esqueci quando parti
e sem caminho de volta
me resgato sem enxergar
o quanto deixei ficar.

socorro moreira

fumaça no olhar-socorro moreira

Chamei a saudade
invoquei o passado
Quis lembrar
e nada captei de um tempo
a não ser um vazio imenso
quis lembrar o dom de amar
a emoção de uma paixão
mas meu coração cansado
adormeceu pra sonhar
e assim a vida finda
sem acender um cigarro...
a fumaça do olhar
impede que eu te veja
na miragem que há no ar.
socorro moreira

sexta-feira, 11 de março de 2016


Maria Do Socorro Moreira
O dia custa a passar
Os anos ligeiro passam
amar sem buscar
achar sem notar
sentir com leveza
Perder sem mágoa
voltar a sorrir...
a vida não perde amor
o amor é sobra de vida.
e assim a vida passa
como um cometa sem volta
como uma estrela apagada
e ainda parece viva!

sábado, 5 de março de 2016

O "IMORTAL" - José Nílton Mariano Saraiva

Afirmação, peremptória e contundente, do “IMORTAL” da Academia 

Brasileira de Letras e colunista das Organizações Globo, MERVAL

PEREIRA, na sua página no facebook:


"não existe perseguição HA

Lula nem ao PT, EXISTE fatos

a serem investigados”?

E aí, é preciso desenhar ???


Uma "cagada" no mesmo texto, até que é desculpável; mas, duas, numa mesma frase e de um "imortal" ???

Essa nossa Academia…

O "ROTEIRO DO GOLPE" - José Nílton Mariano Saraiva

Atualmente operacionalizado pelo juiz Sérgio Moro e seus amestrados e obedientes colaboradores de Curitiba, o “roteiro do golpe”, que hoje assistimos atônitos, visando derrubar uma Presidente eleita democraticamente por quase 55 milhões de votos, está perfeitamente delineado em uma nossa postagem anterior, que denominamos “O Catecismo do Juiz Moro”.

Na verdade, trata-se da dissecação de um pormenorizado documento elaborado pelo próprio, no principiar de 2001, que se baseia “pari passu” no movimento ocorrido na Itália, em meados de 1992, que ficou conhecido por “Operação Mani Pulite” (Operação Mãos Limpas) e que, a pretexto do combate à corrupção, resultou em prisões arbitrárias, suicídios, quebradeira generalizada, mortes e a própria desestabilização sociopolítico-econômica do país.

Importante salientar que, naquela oportunidade (2001), o juiz Moro, como que a exteriorizar um recôndito desejo íntimo, assim se expressou, contundentemente; “No Brasil, encontram-se presentes várias das condições institucionais necessárias para a realização de ação judicial semelhante. Assim como na Itália, a classe política não goza de grande prestígio junto à população, sendo grande a frustração pelas promessas não-cumpridas após a restauração democrática”.

Para tanto, Moro ficou à espreita da oportunidade de pôr em prática os ditames do seu “catecismo”, independentemente das flagrantes arbitrariedades nele contidas; assim, a descoberta das falcatruas perpetradas na Petrobras constituiu-se uma espécie de “cereja no pudim”, que ele tanto aguardava.

De princípio, e contando com a criminosa e inestimável colaboração do próprio Supremo Tribunal Federal, que literalmente “sentou-se” sobre a ilegalidade de uma ação atinente a tal ato, Moro tratou de “centralizar” em sua Vara, em Curitiba, todos os processos que tratavam de corrupção, independentemente que ocorressem em Curitiba, no Acre, São Paulo ou no Piauí. Para aquele tipo de ação, ele era “o cara” e fim de papo. E assim, até hoje a ação questionadora sobre, continua dormindo em alguma gaveta de algum membro do Supremo (é, portanto, o Supremo, cúmplice das fanfarronices patrocinadas pelo Moro e não pode reclamar).

Num segundo momento, cooptar a imprensa, a fim que servisse de “caixa de ressonância” às suas peraltices, não foi difícil para Moro, porquanto todos sabemos do arraigado e profundo sentimento antipetista que viceja nas redações e TV tupiniquins. Por essa razão, adotou-se o sistema de “vazamentos seletivos” (já presentes na Itália, naquela época) de trechos das delações premiadas firmadas por bandidos confessos, só que numa via de mão única (os adversários do governo, embora citados, jamais foram importunados).


Vencida tal etapa, nada mais apropriado que “deslegitimar a classe política” e, se possível, exterminar os respectivos chefes que possam atrapalhar seus planos. Não é sem razão, pois, a tentativa de Moro de, neste momento, atribuir ao PT (e só ao PT, já que está no poder) a pecha de “quadrilha organizada” para surrupiar o erário, embora todos saibamos que são várias as agremiações envolvidas até a medula nos atuais esquemas de apropriação indébita. Na sua opinião, o processo de deslegitimação política é essencial para a continuidade da Operação Lava Jato.

O próximo passo foi, simplesmente, estuprar a própria Constituição Federal, indo de encontro ao que ali reza; assim, prisão sem provas tornou-se algo banal e corriqueiro, bem como a presunção de inocência virou letra morta; prende-se alguém, joga-se no fundo de uma cela e fica-se à espera de que a tortura psíquica finde por demolir qualquer resquício de resistência, dai as delações em profusão, certamente eivadas de mentiras. Quem não se submeter, que mofe na prisão (os advogados não podem advogar, já que lhes é negado o aceso aos processos).

Moro, entretanto, certamente que picado não pelo mosquito da dengue-zika, mas pela mosca azul, acaba de cometer um erro grosseiro e que poderá comprometer o festival de arbitrariedade da sua “querida” Operação Lava Jato: de forma sectária e prepotente, tentou reduzir o maior ícone do partido, o ex-Presidente da República, Lula da Silva, a “sulfato de merda”, atribuindo-lhe participação, até hoje não comprovada, em esquemas mafiosos. Para tanto, exorbitou, ao emitir uma ordem de “condução coercitiva” contra o ex-Presidente da República, sem que, antes, tivesse havido sequer alguma notificação e, consequentemente, recusa do próprio, princípio básico que até um aluno jejuno de Direito sabe de cor e decorado. Alertado, e à falta de argumento consistente, foi sarcástico e arrogante: a “coercitividade” visou garantir a segurança do “conduzido”. Quanta soberba !!!

As reações surgiram das mais diversas autoridades jurídicas, inclusive do Ministro do Supremo, Marcos Aurélio Melo, que ironizou Moro, ao afirmar que só falta ele construir um muro divisório na Praça dos Três Poderes, em Brasília; enquanto isso, nas ruas, os confrontos já se acirraram perigosamente, e teme-se que, se a “perseguição implacável” (já que sem provas) contra Lula da Silva continuar, corre sério risco a nossa incipiente democracia, abrindo um generoso espaço aos plantonistas do caos (Aécio Neves e seu séquito de bajuladores).


Será que Moro vai pagar pra ver ???  

terça-feira, 1 de março de 2016

CIDADÃO RESPEITÁVEL - Demóstenes Gonçalves Lima Ribeiro (*)

Apesar da homenagem recente no Clube Internacional, aonde fui condecorado “Homem do Ano”, sinto uma tristeza profunda e não consigo dormir. Não só a idéia da morte iminente me atormenta, mas o destino da minha alma, a visão do inferno. Não é justo que se reserve isso a um cidadão respeitável e com uma vida inteira dedicada ao Brasil.

Fiz o que todos fizeram. Desde criança, procurei refletir a imagem paterna e, usando de esperteza, cair nas graças do pai. Se havia algo errado, os castigos iam para os irmãos menores, embora quase sempre eu fosse o verdadeiro culpado. Ele sempre me perdoou, até mesmo quando comecei a bater carteira. Acredito que a criança é o pai do homem e nunca conheci o fracasso, o sucesso é mais importante que a amizade.

No colégio ou na universidade, atento ao rumo dos ventos, tornei-me conservador, direitista e defensor intransigente dos valores familiares. Fui contra o Jango, vibrei com o AI-5 e identifiquei vários comunistas disfarçados. Até hoje, não entendo como alguns colegas escaparam. Ao sair da universidade, abracei os negócios e sempre lutei pelo Brasil.

No tempo do milagre, entrei na política, fiz empréstimos, ganhei concorrências e construí um patrimônio razoável. Estávamos no rumo certo e não fosse o comunismo remanescente na Igreja, o país seria bem melhor. Fui generoso com quem participou da repressão e gostei de ver um guerrilheiro torturado. O castigo depura o pecador e tenho certeza de que ele saiu dali melhorado.

Tenho saudade dos militares. Não sei por que voltaram aos quartéis e os vermelhos estão mandando. O comunismo é indestrutível, à semelhança do mal e do pecado. Não existe PT nem PSDB, é tudo PCB, muda somente a embalagem. O príncipe das trevas é um cavalheiro, alguém já disse e nada mais verdade. Povo no poder, bolsa família, merenda escolar, direito trabalhista... Chega de assistencialismo e atraso! Outro dia, um empregado quis me perturbar. Para servir de exemplo, desapareceu. Nas minhas empresas não existe conflito entre capital e trabalho.

Quase esqueço, mas também sou banqueiro. Falam mal dos bancos, mas o acesso ao dinheiro traz progresso e felicidade. Obviamente, juros e taxas são indispensáveis. O problema é que as pessoas gastam mais do que podem. Uma vez, uma viúva estúpida, invadiu o meu gabinete chorando. Não tinha mais onde morar por que executei a hipoteca de sua casa. Outros que perturbam, são os aposentados. Fazem empréstimos irresponsáveis e querem que a gente os sustente. Sinto muito, capitalismo é isso aí. O banco faz a sua parte, empresta dinheiro e o Brasil vai pra frente. São as regras do mercado.

Agora, vou bater carteira na Beira-Mar. Talvez assim eu melhore. É um hábito antigo que Deus compreende. Veio da infância, como já contei. Nem o psiquiatra, nem o Colégio Militar conseguiram consertá-lo. O doutor falou que sou misantropo, homofóbico e misógino. Gostei muito e vou consultar o dicionário.

O que me angustia é o inferno e a morte. Mas, creio na justiça divina, tenho lugar garantido no céu. Hoje, saí novamente no jornal: locomotiva empresarial, segundo o colunista. Por que me preocupar com bobagem? Tenho a consciência tranqüila. Sou patriota e cidadão respeitável.

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(*) Demóstenes Gonçalves Lima Ribeiro, médico-cardiologista, natural de Missão Velha, atualmente residindo e exercendo o ofício em Fortaleza-CE