por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Por Romar Rudolfo Beling - romarbeling@yahoo.com.br
Do Crato para o mundo
A vida e seus enredos,
mágicos enredos. A vida: a surpresa, a alegria e a riqueza de cada novo
instante. Por isso cumpre viver. Dia desses, aí no passado do blog,
postei um poema do livro A rua do padre inglês, do
poeta cearense Everardo Norões, radicado há muitos anos no Recife. A
forma como cheguei a esse autor e a esse exemplar se mistura nas brumas
de algum acaso: lembro de ter lido uma resenha desse volume em alguma
das revistas culturais de banca (e por isso mais ainda prezo e reforço a
importância de se frequentar e folhear revistas culturais). Foi na
Iluminura, disso lembro. Imediatamente providenciei a encomenda de um
exemplar com a equipe da livraria.
Até havia esquecido, na rotina das semanas seguintes, que havia solicitado esse livro. Mas o pessoal da Iluminura agiu a caráter e numa das minhas passagens por lá a Isabel me informou: chegou um dos livros que tu tinhas encomendado. Justamente o A rua do padre inglês, do Everardo Norões, pela 7Letras, autor do qual até então não tinha muitas informações biográficas. Bem, o fato é que abrir o simpático exemplar, num formato situado entre o pocket e o convencional 14x21; ler os primeiros versos e simpatizar instantaneamente com essa poesia foi inevitável.
Assim postei um dos textos aqui no Leituras de Mundo. Qual não foi minha surpresa que dias mais tarde o meu e-mail acusou a chegada de um contato do autor, que constatara ter sido mencionado no blog. Mais do que isso, ali pude saber que Norões estava com viagem programada para breve ao Rio Grande do Sul, a passeio.
Salto temporal. Pois ontem, quinta-feira, pude assim, por conta dessa manifestação de agrado e de empatia pela qualidade de sua poesia, conhecer pessoalmente o Everardo (da foto abaixo), acompanhado da esposa Sonia, em Porto Alegre. Ambos me concederam algumas das horas mais agradáveis de conversa de toda a minha vida. Pessoas vividas e com uma rara formação artística, humana e cultural, são dessas companhias que não nos propiciam, em um diálogo, saltar aenas alguns degraus em nossa caminhada de amadurecimento e de ampliação de nossa capacidade de ver o mundo com mais humanidade. Junto deles, em poucas horas de conversa e de troca cultural, acaba-se parando alguns andares acima nesse prédio do saber, tamanho é o fascínio que exercem.
Bendita a hora em que uma revista, de cujo nome sequer lembro, me mencionou o nome de Everardo. No caminho para encontrar-se com ambos, conforme previamente combinado, folheava ao acaso o exemplar da já indispensável antologia Poetas da América de canto castelhano, organizada e traduzida, reunindo um timaço de 120 poetas, pelo querido poeta amazonense Thiago de Mello para a editora Global. Qual não é o meu pasmo quando, na relação dos agradecimentos feitos por Thiago a colaboradores dessa sua empreitada, lá estava mencionado Everardo, pontualmente reconhecido pelo colega amazonense como um grande expoente da poesia brasileira. Eu já não precisava acrescentar mais nada para saber que estava diante de um raro homem de letras.
Nascido no Crato, bem no sul do Ceará, exatamente na divisa com Pernambuco, ainda jovem Everardo transferiu-se para Recife, onde encaminhou seus estudos e cumpriu a sua vida profissional, como economista, poeta, tradutor e crítico literário. Ali, como fiquei sabendo, conversa regularmente com outros nomes referenciais das artes e da literatura do Nordeste, dentre eles dois autores que, sem que os conheça igualmente, têm a minha predileção de leitor: o também poeta cearense Magela Collares, conterrâneo de Estado de Everardo e conterrâneo de cidade do Luciano Maia, ambos nascidos que são em Limoeiro do Norte; e o romancista cearense (este da já famosa Saboeiro) Ronaldo Correia de Brito, autor de Galileia, pelo qual ganhou o polpudo Prêmio São Paulo de Literatura de autor consolidado no mesmo ano em que o gaúcho Altair Martins, por seu A parede no escuro, mereceu o prêmio de autor estreante.
Em relação a Everardo, durante a ditadura ele acabou seguindo para o exílio, quando então viveu na França, na Argélia e em Moçambique. Poeta e tradutor, dedica-se a versar ao português autores latinoamericanos, caso da antologia El rio hablador/O rio que fala: antologia da poesia peruana, disponível pela 7Letras, em parceria com Pedro Americo de Farias. Na reta final de 2011 acabou de ser anunciado como vencedor do Prêmio Literário Cidade de Manaus, pelo livro O fabricante de histórias. Em 2010, lançara o volume Poeiras na réstia, e sua bibliografia compreende ainda, dentre outros, Retábulo de Jerônimo Bosch (2008), Nas entrelinhas do mundo (2002), com artigos, em parceria com Abelardo Baltar; e Poemas (1999). É, ainda, e cumpre mencionar com admiração, organizador da edição de Poesia completa e prosa de Joaquim Cardozo, pela Nova Aguilar (em coedição com a Massangana/Fundaj), poeta que, ao lado de João Cabral de Melo Neto, é, na apreciação de Everardo, um dos maiores da poesia nacional.
Eis, assim, mais uma dessas gratas dádivas da melhor literatura do Nordeste ao conjunto da literatura brasileira. É por nomes da grandeza de arte e cultura de Everardo Norões que o Brasil deve se dizer a cada dia mais rico.
* "Você já escutou Agustin Lara?"
Já leu Everardo Norões?
O Fabricante de Histórias, entre outros do autor, é fascinante!
Até havia esquecido, na rotina das semanas seguintes, que havia solicitado esse livro. Mas o pessoal da Iluminura agiu a caráter e numa das minhas passagens por lá a Isabel me informou: chegou um dos livros que tu tinhas encomendado. Justamente o A rua do padre inglês, do Everardo Norões, pela 7Letras, autor do qual até então não tinha muitas informações biográficas. Bem, o fato é que abrir o simpático exemplar, num formato situado entre o pocket e o convencional 14x21; ler os primeiros versos e simpatizar instantaneamente com essa poesia foi inevitável.
Assim postei um dos textos aqui no Leituras de Mundo. Qual não foi minha surpresa que dias mais tarde o meu e-mail acusou a chegada de um contato do autor, que constatara ter sido mencionado no blog. Mais do que isso, ali pude saber que Norões estava com viagem programada para breve ao Rio Grande do Sul, a passeio.
Salto temporal. Pois ontem, quinta-feira, pude assim, por conta dessa manifestação de agrado e de empatia pela qualidade de sua poesia, conhecer pessoalmente o Everardo (da foto abaixo), acompanhado da esposa Sonia, em Porto Alegre. Ambos me concederam algumas das horas mais agradáveis de conversa de toda a minha vida. Pessoas vividas e com uma rara formação artística, humana e cultural, são dessas companhias que não nos propiciam, em um diálogo, saltar aenas alguns degraus em nossa caminhada de amadurecimento e de ampliação de nossa capacidade de ver o mundo com mais humanidade. Junto deles, em poucas horas de conversa e de troca cultural, acaba-se parando alguns andares acima nesse prédio do saber, tamanho é o fascínio que exercem.
Bendita a hora em que uma revista, de cujo nome sequer lembro, me mencionou o nome de Everardo. No caminho para encontrar-se com ambos, conforme previamente combinado, folheava ao acaso o exemplar da já indispensável antologia Poetas da América de canto castelhano, organizada e traduzida, reunindo um timaço de 120 poetas, pelo querido poeta amazonense Thiago de Mello para a editora Global. Qual não é o meu pasmo quando, na relação dos agradecimentos feitos por Thiago a colaboradores dessa sua empreitada, lá estava mencionado Everardo, pontualmente reconhecido pelo colega amazonense como um grande expoente da poesia brasileira. Eu já não precisava acrescentar mais nada para saber que estava diante de um raro homem de letras.
Nascido no Crato, bem no sul do Ceará, exatamente na divisa com Pernambuco, ainda jovem Everardo transferiu-se para Recife, onde encaminhou seus estudos e cumpriu a sua vida profissional, como economista, poeta, tradutor e crítico literário. Ali, como fiquei sabendo, conversa regularmente com outros nomes referenciais das artes e da literatura do Nordeste, dentre eles dois autores que, sem que os conheça igualmente, têm a minha predileção de leitor: o também poeta cearense Magela Collares, conterrâneo de Estado de Everardo e conterrâneo de cidade do Luciano Maia, ambos nascidos que são em Limoeiro do Norte; e o romancista cearense (este da já famosa Saboeiro) Ronaldo Correia de Brito, autor de Galileia, pelo qual ganhou o polpudo Prêmio São Paulo de Literatura de autor consolidado no mesmo ano em que o gaúcho Altair Martins, por seu A parede no escuro, mereceu o prêmio de autor estreante.
Em relação a Everardo, durante a ditadura ele acabou seguindo para o exílio, quando então viveu na França, na Argélia e em Moçambique. Poeta e tradutor, dedica-se a versar ao português autores latinoamericanos, caso da antologia El rio hablador/O rio que fala: antologia da poesia peruana, disponível pela 7Letras, em parceria com Pedro Americo de Farias. Na reta final de 2011 acabou de ser anunciado como vencedor do Prêmio Literário Cidade de Manaus, pelo livro O fabricante de histórias. Em 2010, lançara o volume Poeiras na réstia, e sua bibliografia compreende ainda, dentre outros, Retábulo de Jerônimo Bosch (2008), Nas entrelinhas do mundo (2002), com artigos, em parceria com Abelardo Baltar; e Poemas (1999). É, ainda, e cumpre mencionar com admiração, organizador da edição de Poesia completa e prosa de Joaquim Cardozo, pela Nova Aguilar (em coedição com a Massangana/Fundaj), poeta que, ao lado de João Cabral de Melo Neto, é, na apreciação de Everardo, um dos maiores da poesia nacional.
Eis, assim, mais uma dessas gratas dádivas da melhor literatura do Nordeste ao conjunto da literatura brasileira. É por nomes da grandeza de arte e cultura de Everardo Norões que o Brasil deve se dizer a cada dia mais rico.
Romar Rudolfo Beling - romarbeling@yahoo.com.br
* "Você já escutou Agustin Lara?"
Já leu Everardo Norões?
O Fabricante de Histórias, entre outros do autor, é fascinante!
- Jornal do Commercio - PE
- 08.01.2013 - 08:30hs
Escrita
Necessidade de escutarDa Redação
"Você já escutou Agustín Lara?". A pergunta, ainda que só feita no último textos do livro de contos O fabricante de histórias, de Everardo Norões (Edições Muiraquitã), parece latejar na mente do leitor desde a primeira linha da obra. Não só porque parece marcar a urgência de se ouvir o compositor mexicano ou mesmo a necessidade de ao menos escutar alguma coisa, mas sim porque parece grifar o fato de que nunca nos colocarmos a ouvir direito, propriamente. "Deus seria surdo?", provoca o texto.O fabricante de histórias, vencedor do Prêmio Arthur Engrácio, de Manaus, tem momentos potentes como esse. O trato referencial - nem sempre fácil - é uma chave fundamental dessas narrativas de Everardo, sempre incutidas de citações a outros escritores, pensamentos estéticos e artistas. É como se na própria escolha por trazer a literatura para o protagonismo das histórias (e da vida) houvesse uma escolha intimamente política, uma vontade de mostrar a leitura (de certos autores, claro) como uma prática que tem consequência na vivência social. "Sabe que cada palavra habita um ser. E cada nome é prognóstico de um fado", diz um dos contos, como que propondo uma ética da linguagem.
Contos sem pressa
Depois de um 2012 marcado pelo lançamento de Estive lá fora, sua experiência mais rápida de escrita ("Não creio que exista um tempo definido para se escrever um bom livro", afirma), Ronaldo Correia de Brito começa a preparar, sem pressa, um livro de contos. "Preciso de silêncio, de ler e pensar muito", revela o autor.
Ronaldo em turnê
Em março, o escritor passa por quatro cidades alemãs (Berlim, Leipzig, Frankfurt, Munique), em uma prévia para a Feira de Frankfurt de 2013, com homenagem ao Brasil.
Traduções
Na Alemanha, sairão traduções de seus contos em coletâneas durante o ano. Ronaldo ainda escreveu uma narrativa especialmente para uma antologia.
Na França
Em maio, Ronaldo ainda participa do Festival em Deauville, quando lança a tradução francesa de Faca. A versão musicada do livro, feita por Márcio Meireles, também será apresentada.
Retratos femininos
Saiu pela Carpem Diem Mulheres encantadas, do artista Luiz Jasmin. No livro, ele fala de sua relação com figuras como Maria Bethânia, Nélida Piñon, Maysa, Barbara Heliodora e Clara Nunes.
O centenário
do mestre
das crônicas
Rubem Braga é tema da mesa Assim canta o sabiá no Instituto Moreira Salles, no Rio, esta sexta, com Ana Maria Machado.
Record terá
novas obras de
Rubem Braga
Saem em 2013 Retratos parisienses e o infantil O menino e o Tuim, além da reedição de Na cobertura de Rubem Braga, de José Castello.
Mamulengo
A atriz, bonequeira e dramaturga Carla Denise lança no Janeiro de Grandes Espetáculos o livro Babau. O evento acontece no dia 27, às 17h30, no Teatro Hermilo.
Mamulengo 2
Carla é integrante do grupo Mão Molenga Teatro de Bonecos, grupo com 27 anos de trajetória. O prefácio do livro é assinado por Ronaldo Correia de Brito.
Lançamento no JGE
Livro aborda a antropologia teatral
Apontado como um clássico da teoria teatral internacional, o livro A arte secreta do ator: Um dicionário de antropologia teatral, escrito por Eugenio Barba e Nicola Savarese, vai ganhar lançamento dentro da programação do Janeiro de Grandes Espetáculos. No dia 15, Patricia Furtado de Mendonça, tradutora dos textos, faz uma palestra sobre a obra.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Hoje, dia 21, o Conselho Municipal de Cultura fará o lançamento dos
prêmios literários em cerimônia que acontecerá no Les Artistes
Café-Teatro, a partir das 19hs. Na ocasião todos os vencedores receberão
uma cota com 100 livros, o que corresponde a 10% do total de impressos.
Os demais serão distribuídos nas bibliotecas municipais e instituições
dos segmentos cultural e educacional.
Os vencedores nas 14 categorias são escritores de todo o Brasil e da
região Norte, alguns deles revelados neste prêmio. O destaque vai para
as seis categorias regionais.
Na cerimônia de entrega dos livros dos Prêmios Literários Cidade de Manaus, também será lançado o livro “A Catedral Metropolitana de Manaus”, de Mário Ypiranga Monteiro. Esta 2ª edição vem revisada e aumentada pelo autor ainda em vida, mas com publicação articulada por sua filha Marita Monteiro, com o apoio da ManausCult.
O livro fala da Catedral de Manaus, desde sua inauguração oficial em 1878. Este importante ícone da cultura religiosa de nossa cidade é contado por Mário Ypiranga Monteiro com riqueza de detalhes.
O evento contará também com a presença do Arcebispo de Manaus Dom Luiz Soares Vieira, que assina o comentário da orelha do livro.
Abaixo, lista completa dos escritores premiados:
I – Prêmio Álvaro Maia, destinado ao melhor Romance ou Novela
José Humberto da Silva Henriques: A TRAVESSIA DAS ARARAS AZUIS
Categoria Regional
Edilson Ferreira de Souza: O VATICÍNIO – PROMESSA DE AMOR E TRAGÉDIA
II – Prêmio Arthur Engrácio, destinado ao melhor livro de Contos
José Everardo Arraes de Alencar Norões: O FABRICANTE DE HISTÓRIAS
(...)
Na cerimônia de entrega dos livros dos Prêmios Literários Cidade de Manaus, também será lançado o livro “A Catedral Metropolitana de Manaus”, de Mário Ypiranga Monteiro. Esta 2ª edição vem revisada e aumentada pelo autor ainda em vida, mas com publicação articulada por sua filha Marita Monteiro, com o apoio da ManausCult.
O livro fala da Catedral de Manaus, desde sua inauguração oficial em 1878. Este importante ícone da cultura religiosa de nossa cidade é contado por Mário Ypiranga Monteiro com riqueza de detalhes.
O evento contará também com a presença do Arcebispo de Manaus Dom Luiz Soares Vieira, que assina o comentário da orelha do livro.
Abaixo, lista completa dos escritores premiados:
I – Prêmio Álvaro Maia, destinado ao melhor Romance ou Novela
José Humberto da Silva Henriques: A TRAVESSIA DAS ARARAS AZUIS
Categoria Regional
Edilson Ferreira de Souza: O VATICÍNIO – PROMESSA DE AMOR E TRAGÉDIA
II – Prêmio Arthur Engrácio, destinado ao melhor livro de Contos
José Everardo Arraes de Alencar Norões: O FABRICANTE DE HISTÓRIAS
(...)
Everardo Norões!
Edição de - Literatura
O economista das letras
A literatura proporciona oxigênio valioso
para a vida, assegurando fôlego extra na quase inapreensível aventura
do existir. Como tal, nessa imensa floresta de livros e de autores pela
qual podemos transitar a fim de respirar com mais ânimo, alguns integram
bosques (estabilizados ou em formação); outros, os incomuns, configuram
maciços impressionantes, despontando no horizonte cultural como
araucárias, plátanos, sumaumeiras, sequoias, inspirados e inspiradores.
Sua condição, é de crer, decorre de sabedoria, persistência, virtuosismo
e maturidade. Afinal, uma árvore sólida, de raízes firmes, imponente,
jamais se formaria em alguns poucos anos, ou com poucas leituras e
parcas aprendizagens.
Na poesia, espécime dessa estirpe é o poeta cearense Everardo Norões, nascido em 1944, no Crato, sul do seu Estado, na divisa com o extremo Oeste de Pernambuco. Por conta dessas origens, para continuar os estudos Everardo radicou-se no Recife, onde, por sinal, segue residindo na atualidade, ao lado da esposa, a artista plástica Sônia. Na capital pernambucana, graduou-se em Economia. Em paralelo a essa atividade profissional, porém, nunca abdicou da percepção mais ampla da existência, através do apreço pela leitura e pelas artes.
A exemplo do que ocorreu com muitos intelectuais de sua geração, o recrudescimento da ditadura militar, nos anos 60, motivou a ida de Everardo e de Sônia para o exterior. No exílio, o poeta viveu na França, na Argélia e em Moçambique. A distância em relação às origens acentuou a análise crítica do ambiente político e social. Iluminou, igualmente, em seus escritos, o caráter de protesto diante do cerceamento à liberdade, das desigualdades, da violência.
Com privilegiada intuição estética, sua poesia, límpida e nobre, fala a um só tempo ao coração e ao intelecto. Os versos de Everardo requerem um leitor especialmente atento, determinado a apreender conteúdos e imagens embalados em fértil camada de referenciais. Exsuda, de sua obra, uma espécie de pátina suave, nostálgica, a cobrir tempos e espaços, que aquece a alma e nutre o devir. Fazendo jus a sua área de formação, Everardo é econômico, sóbrio, hábil nas metáforas e no manuseio dos infinitos recursos da linguagem poética.
INTERAÇÃO – A estreia de Everardo Norões ocorreu com Poemas argelinos, em 1981. Seguiram-se os volumes Poemas, em 2000; e Nas entrelinhas do mundo, em parceria com Abelardo Baltar, em 2002. A rua do padre inglês, de 2006, firmou sua chegada à carioca 7 Letras, com carinhosa e inspirada apresentação de Marco Lucchesi.
Seu impulso expressivo reapareceu, universal, em Retábulo de Jerônimo Bosch, de 2008, e em Poeiras na réstia, de 2010, ambos pela 7 Letras. Em paralelo, Everardo exercitou a crítica literária, com resenhas e ensaios de invejável mergulho intelectual, alguns dos quais compartilha em seu blog, www.retabulodejeronimobosch.blogspot.com. Nesse ambiente, empenha-se em divulgar a obra de seus pares, especialmente os do grupo do Recife ou do Nordeste, aproximando-os de outras regiões.
O fabricante de emoções
Everardo Norões dialoga de forma privilegiada com seus conterrâneos cearenses, entre eles o poeta Majela Colares e o romancista Ronaldo Correia de Brito, igualmente radicados no Recife. Com este último, assina em coautoria as peças Auto das portas do céu e Nascimento da bandeira.
Há que se mencionar ainda o Everardo tradutor, que contribuiu para a efetivação da antologia poética do mexicano Carlos Pellicer, lançada pela Ensol, em versão realizada ao lado de um time formado, entre outros, por Ivo Barroso e Thiago de Mello (Thiago, aliás, refere efusivamente Everardo em sua antologia Poetas da América de canto castelhado, lançada em 2011 pela Global).
Em favor da integração literária latinoamericana, ao lado de Diego Raphael, Norões concretizou a antologia El río hablador/O rio que fala (Ensol/7 Letras), com a tradução de poesia peruana da segunda metade do século XX. Em outra frente, revela conhecimento da literatura francesa, a exemplo de sua dissertação de mestrado em Letras, sobre a obra de Jean-Claude Pinson, apresentada à UFPE em 2009.
Em um gênero no qual ainda é menos conhecido, o dos contos, aparece em grande estilo, tendo sido anunciado vencedor, recentemente, do Prêmio Literário Cidade de Manaus, com o volume O fabricante de histórias, a ser lançado brevemente. E na próxima semana, por sinal, começa a ser distribuída a sua mais recente incursão pela poesia, o livro W.B. ou os dez caminhos da cruz.
Em toda essa fértil produção, com simpatia, simplicidade, engajamento e amizade, Everardo firma sua condição de autor diferenciado na literatura brasileira. Sereno e atencioso, paira muito acima da média na floresta das letras, como leitura inspiradora, que oxigena mentes e corações.
Na poesia, espécime dessa estirpe é o poeta cearense Everardo Norões, nascido em 1944, no Crato, sul do seu Estado, na divisa com o extremo Oeste de Pernambuco. Por conta dessas origens, para continuar os estudos Everardo radicou-se no Recife, onde, por sinal, segue residindo na atualidade, ao lado da esposa, a artista plástica Sônia. Na capital pernambucana, graduou-se em Economia. Em paralelo a essa atividade profissional, porém, nunca abdicou da percepção mais ampla da existência, através do apreço pela leitura e pelas artes.
A exemplo do que ocorreu com muitos intelectuais de sua geração, o recrudescimento da ditadura militar, nos anos 60, motivou a ida de Everardo e de Sônia para o exterior. No exílio, o poeta viveu na França, na Argélia e em Moçambique. A distância em relação às origens acentuou a análise crítica do ambiente político e social. Iluminou, igualmente, em seus escritos, o caráter de protesto diante do cerceamento à liberdade, das desigualdades, da violência.
Com privilegiada intuição estética, sua poesia, límpida e nobre, fala a um só tempo ao coração e ao intelecto. Os versos de Everardo requerem um leitor especialmente atento, determinado a apreender conteúdos e imagens embalados em fértil camada de referenciais. Exsuda, de sua obra, uma espécie de pátina suave, nostálgica, a cobrir tempos e espaços, que aquece a alma e nutre o devir. Fazendo jus a sua área de formação, Everardo é econômico, sóbrio, hábil nas metáforas e no manuseio dos infinitos recursos da linguagem poética.
INTERAÇÃO – A estreia de Everardo Norões ocorreu com Poemas argelinos, em 1981. Seguiram-se os volumes Poemas, em 2000; e Nas entrelinhas do mundo, em parceria com Abelardo Baltar, em 2002. A rua do padre inglês, de 2006, firmou sua chegada à carioca 7 Letras, com carinhosa e inspirada apresentação de Marco Lucchesi.
Seu impulso expressivo reapareceu, universal, em Retábulo de Jerônimo Bosch, de 2008, e em Poeiras na réstia, de 2010, ambos pela 7 Letras. Em paralelo, Everardo exercitou a crítica literária, com resenhas e ensaios de invejável mergulho intelectual, alguns dos quais compartilha em seu blog, www.retabulodejeronimobosch.blogspot.com. Nesse ambiente, empenha-se em divulgar a obra de seus pares, especialmente os do grupo do Recife ou do Nordeste, aproximando-os de outras regiões.
O fabricante de emoções
Everardo Norões dialoga de forma privilegiada com seus conterrâneos cearenses, entre eles o poeta Majela Colares e o romancista Ronaldo Correia de Brito, igualmente radicados no Recife. Com este último, assina em coautoria as peças Auto das portas do céu e Nascimento da bandeira.
Há que se mencionar ainda o Everardo tradutor, que contribuiu para a efetivação da antologia poética do mexicano Carlos Pellicer, lançada pela Ensol, em versão realizada ao lado de um time formado, entre outros, por Ivo Barroso e Thiago de Mello (Thiago, aliás, refere efusivamente Everardo em sua antologia Poetas da América de canto castelhado, lançada em 2011 pela Global).
Em favor da integração literária latinoamericana, ao lado de Diego Raphael, Norões concretizou a antologia El río hablador/O rio que fala (Ensol/7 Letras), com a tradução de poesia peruana da segunda metade do século XX. Em outra frente, revela conhecimento da literatura francesa, a exemplo de sua dissertação de mestrado em Letras, sobre a obra de Jean-Claude Pinson, apresentada à UFPE em 2009.
Em um gênero no qual ainda é menos conhecido, o dos contos, aparece em grande estilo, tendo sido anunciado vencedor, recentemente, do Prêmio Literário Cidade de Manaus, com o volume O fabricante de histórias, a ser lançado brevemente. E na próxima semana, por sinal, começa a ser distribuída a sua mais recente incursão pela poesia, o livro W.B. ou os dez caminhos da cruz.
Em toda essa fértil produção, com simpatia, simplicidade, engajamento e amizade, Everardo firma sua condição de autor diferenciado na literatura brasileira. Sereno e atencioso, paira muito acima da média na floresta das letras, como leitura inspiradora, que oxigena mentes e corações.
Hora Final - Léon Denis
“Quantas existências, quantos corpos, quantos séculos, quantos serviços, quantos triunfos, quantas mortes necessitamos ainda?” André Luiz
Que se passa no momento da morte e como se desprende o Espírito da sua prisão material? Que impressões ou sensações o esperam nessa ocasião temerosa? É isso o que interessa a todos conhecer, porque todos cumprem essa jornada. A vida foge-nos a todo instante: nenhum de nós escapará à morte.
As sensações que precedem e se seguem à morte são infinitamente variadas e dependentes, sobretudo do caráter, dos méritos, da elevação moral do Espírito que abandona a Terra. A separação é quase sempre lenta e o desprendimento da alma opera-se gradualmente. Começa, algumas vezes, muito tempo antes da morte e só se completa quando ficam rotos os últimos laços fluídicos que unem o perispírito ao corpo. A impressão sentida pela alma revela-se penosa e prolongada quando esses laços são mais fortes e numerosos. Causa permanente da sensação e da vida, a alma experimenta todas as comoções, todos os despedaçamentos do corpo material.
Dolorosa, cheia de angústias para uns, a morte não é, para outros, senão um sono agradável seguido de um despertar silencioso. O desprendimento é fácil para aquele que previamente se desligou das coisas deste mundo, para aquele que aspira aos bens espirituais e que cumpriu os seus deveres. Há, ao contrário, luta, agonia prolongada no Espírito preso à Terra, que só conheceu os gozos materiais e deixou de preparar-se para essa viagem.
Entretanto, em todos os casos, a separação da alma e do corpo é seguida de um tempo de perturbação, fugidio para o Espírito justo e bom, que desde cedo despertou ante todos os esplendores da vida celeste; muito longo, a ponto de abranger anos inteiros, para as almas culpadas, impregnadas de fluidos grosseiros. Grande número destas últimas crê permanecer na vida corpórea, muito tempo mesmo depois da morte. Para estas, o perispírito é um segundo corpo carnal, submetido aos mesmos hábitos e, algumas vezes, às mesmas sensações físicas como durante a vida terrena.
Outros Espíritos de ordem inferior se acham mergulhados em uma noite profunda, em um completo insulamento no seio das trevas. Sobre eles pesa a incerteza, o terror. Os criminosos são atormentados pela visão terrível e incessante das suas vítimas.
A hora da separação é cruel para o Espírito que só acredita no nada. Agarra-se como desesperado a esta vida que lhe foge; no supremo momento insinua-se-lhe a dúvida; vê um mundo temível abrir-se para abismá-lo e quer, então, retardar a queda. Daí, uma luta terrível entre a matéria, que se esvai, e a alma, que teima em reter o corpo miserável. Algumas vezes, ela fica presa até à decomposição completa, sentindo mesmo, segundo a expressão de um Espírito, “os vermes lhe corroerem as carnes”.
Pacífica, resignada, alegre mesmo, é a morte do justo, a partida da alma que, tendo muito lutado e sofrido, deixa a Terra confiante no futuro. Para esta, a morte é a libertação, o fim das provas. Os laços enfraquecidos que a ligam à matéria destacam-se docemente; sua perturbação não passa de leve entorpecimento, algo semelhante ao sono.
Deixando sua residência corpórea, o Espírito, purificado pela dor e pelo sofrimento, vê sua existência passada recuar, afastar-se pouco a pouco com seus amargores e ilusões; depois, dissipar-se como as brumas que a aurora encontra estendidas sobre o solo e que a claridade do dia faz desaparecer. O Espírito acha-se, então, como que suspenso entre duas sensações: a das coisas materiais que se apagam e a da vida nova que se lhe desenha à frente. Entrevê essa vida como através de um véu, cheia de encanto misterioso, temida e desejada ao mesmo tempo. Após, expande-se a luz, não mais a luz solar que nos é conhecida, porém uma luz espiritual, radiante, por toda parte disseminada. Pouco a pouco o inunda, penetra-o, e, com ela, um tanto de vigor, de remoçamento e de serenidade. O Espírito mergulha nesse banho reparador. Aí se despoja de suas incertezas e de seus temores. Depois, seu olhar destaca-se da Terra, dos seres lacrimosos que cercam seu leito mortuário, e dirige-se para as alturas. Divisa os céus imensos e outros seres amados, amigos de outrora, mais jovens, mais vivos, mais belos que vêm recebê-lo, guiá-lo no seio dos espaços. Com eles caminha e sobe às regiões etéreas que seu grau de depuração permite atingir. Cessa, então, sua perturbação, despertam faculdades novas, começa o seu destino feliz.
A entrada em uma vida nova traz impressões tão variadas quanto o permite a posição moral dos Espíritos. Aqueles – e o número é grande – cujas existências se desenrolam indecisas, sem faltas graves nem méritos assinalados, acham-se, a princípio, mergulhados em um estado de torpor, em um acabrunhamento profundo; depois, um choque vem sacudir-lhes o ser. O Espírito sai, lentamente, de seu invólucro: como uma espada da bainha; recobra a liberdade, porém, hesitante, tímido, não se atreve a utilizá-la ainda, ficando cerceado pelo temor e pelo hábito aos laços em que viveu. Continua a sofrer e a chorar com os entes que o estimaram em vida. Assim corre o tempo, sem ele o medir; depois de muito, outros Espíritos auxiliam-no com seus conselhos, ajudando a dissipar sua perturbação, a libertá-lo das últimas cadeias terrestres e a elevá-lo para ambientes menos obscuros.
Em geral, o desprendimento da alma é menos penoso depois de uma longa moléstia, pois o efeito desta é desligar pouco a pouco os laços carnais. As mortes súbitas, violentas, sobrevindo quando a vida orgânica está em sua plenitude, produzem sobre a alma um despedaçamento doloroso e lançam-na em prolongada perturbação. Os suicidas são vítimas de sensações horríveis. Experimentam, durante anos, as angústias do último momento e reconhecem, com espanto, que não trocaram seus sofrimentos terrestres senão por outros ainda mais vivazes.
O conhecimento do futuro espiritual e o estudo das leis que presidem a desencarnação são de grande importância como preparativos à morte. Podem suavizar os nossos últimos momentos e proporcionar-nos fácil desprendimento, permitindo mais depressa nos reconhecermos no mundo novo que se nos desvenda.
Texto retirado do livro “Depois da Morte” - Léon Denis
Um ato que se repete.
Começa no primeiro instante,
no corte umbilical
E com isso a vida diz :
aprende a conviver, amar e separar !
Um amigo especial está fora de mim
Com ele se foi a poesia
ou a poesia persiste em mim?
Os amores não se perdem
quando as pessoas de nós
se despedem
O amor se inaltera, e até cresce...
Mesmo no silêncio !
socorro moreira
Por Stela Siebra de Brito
Há 93 anos atrás, em 15 de Janeiro de 1919, era assassinada Rosa Luxemburgo e Karl Liebknetch. Rosa foi uma das inspirações para o nome da minha filha. O que mais me atrai em Rosa, uma das maiores revolucionárias marxi...stas, era que nela irradiava lirismo, amor, paixão as pessoas que a rodeavam e a natureza. Como fica claro nessa carta que ela escreveu a amiga Sonia Liebknecht:
“Dentro de mim sinto-me bem mais em casa num pequeno canto de jardim como aqui, ou no campo, sentada na grama, cercada de abelhas, que num congresso do partido. Posso dizer-lhe isto tranquilamente, você não vai desconfiar de que estou traindo o socialismo. Você sabe, espero, apesar de tudo, morrer no meu posto, numa batalha de rua ou nos trabalhos forçados. Mas o meu eu mais profundo pertence antes aos meus
passarinhos mais do que aos meus camaradas'” (02/05/1917)
tomei emprestado do meu amigo Antonio Paulo.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Chantilly Caseiro (Duas Versões)
Receita de Chantilly Caseiro (Duas Versões)
Duas opções de chantilly para suas receitas!

Chantilly
Ingredientes
Na batedeira, bata a manteiga, o açúcar e a essência até ficar um creme. Acrescente o creme de leite e o fermento e bata por mais 5 minutos. Leve à geladeira por no mínimo 30 minutos.
Ingredientes
Bata na batedeira em velocidade média até criar consistência. Mais ou menos 5 minutos.
Chantilly
Ingredientes
- 1 lata de creme de leite gelado e sem soro
- 3 colheres (de sopa) de açúcar
- 1 pitada de fermento em pó
- 100 gramas de manteiga
- ½ colher (café) de essência de baunilha
Na batedeira, bata a manteiga, o açúcar e a essência até ficar um creme. Acrescente o creme de leite e o fermento e bata por mais 5 minutos. Leve à geladeira por no mínimo 30 minutos.
2ª Versão
O legítimo chantilly (com creme de leite fresco)Ingredientes
- 500 gramas de creme de leite fresco bem gelado
- 4 colheres (de sopa) de açúcar
- Essência de sua preferência
Bata na batedeira em velocidade média até criar consistência. Mais ou menos 5 minutos.
POEMINHA SENTIMENTAL
O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega uma
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.
Mario QuintanaO meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega uma
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
POR QUE A REPUBLICA NO BRASIL - TEXTO I
A Proclamação da República
Brasileira foi um levante político-militar ocorrido em 15 de
novembro de 1889 que instaurou a forma republicana federativa
presidencialista de governo no Brasil, derrubando a monarquia
constitucional parlamentarista do Império do Brasil e, por
conseguinte, pondo fim à soberania do imperador Pedro II. Foi,
então, proclamada a República dos Estados Unidos do Brasil.
A proclamação ocorreu na Praça da Aclamação (atual Praça da República), na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, quando um grupo de militares do exército brasileiro, liderados pelo marechal Deodoro da Fonseca, destituiu o imperador e assumiu o poder no país.
Foi instituído, naquele mesmo dia 15, um governo provisório republicano. Faziam parte, desse governo, organizado na noite de 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca como presidente da república e chefe do Governo Provisório; o marechal Floriano Peixoto como vice-presidente; como ministros, Benjamin Constant Botelho de Magalhães, Quintino Bocaiuva, Rui Barbosa, Campos Sales, Aristides Lobo, Demétrio Ribeiro e o almirante Eduardo Wandenkolk, todos membros regulares da maçonaria brasileira.
A Situação Política do Brasil em 1889O governo imperial, através do 37º e último gabinete ministerial, empossado em 7 de junho de 1889, sob o comando do presidente do Conselho de Ministros do Império, Afonso Celso de Assis Figueiredo, o Visconde de Ouro Preto, do Partido Liberal, Proclamação da República do Brasil
A proclamação ocorreu na Praça da Aclamação (atual Praça da República), na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, quando um grupo de militares do exército brasileiro, liderados pelo marechal Deodoro da Fonseca, destituiu o imperador e assumiu o poder no país.
Foi instituído, naquele mesmo dia 15, um governo provisório republicano. Faziam parte, desse governo, organizado na noite de 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca como presidente da república e chefe do Governo Provisório; o marechal Floriano Peixoto como vice-presidente; como ministros, Benjamin Constant Botelho de Magalhães, Quintino Bocaiuva, Rui Barbosa, Campos Sales, Aristides Lobo, Demétrio Ribeiro e o almirante Eduardo Wandenkolk, todos membros regulares da maçonaria brasileira.
A Situação Política do Brasil em 1889O governo imperial, através do 37º e último gabinete ministerial, empossado em 7 de junho de 1889, sob o comando do presidente do Conselho de Ministros do Império, Afonso Celso de Assis Figueiredo, o Visconde de Ouro Preto, do Partido Liberal, Proclamação da República do Brasil
A Proclamação da República
Brasileira foi um levante político-militar ocorrido em 15 de
novembro de 1889 que instaurou a forma republicana federativa
presidencialista de governo no Brasil, derrubando a monarquia
constitucional parlamentarista do Império do Brasil e, por
conseguinte, pondo fim à soberania do imperador Pedro II. Foi,
então, proclamada a República dos Estados Unidos do Brasil.
A proclamação ocorreu na Praça da Aclamação (atual Praça da República), na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, quando um grupo de militares do exército brasileiro, liderados pelo marechal Deodoro da Fonseca, destituiu o imperador e assumiu o poder no país.
Foi instituído, naquele mesmo dia 15, um governo provisório republicano. Faziam parte, desse governo, organizado na noite de 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca como presidente da república e chefe do Governo Provisório; o marechal Floriano Peixoto como vice-presidente; como ministros, Benjamin Constant Botelho de Magalhães, Quintino Bocaiuva, Rui Barbosa, Campos Sales, Aristides Lobo, Demétrio Ribeiro e o almirante Eduardo Wandenkolk, todos membros regulares da maçonaria brasileira.
A Situação Política do Brasil em 1889O governo imperial, através do 37º e último gabinete ministerial, empossado em 7 de junho de 1889, sob o comando do presidente do Conselho de Ministros do Império, Afonso Celso de Assis Figueiredo, o Visconde de Ouro Preto, do Partido Liberal, percebendo a difícil situação política em que se encontrava, apresentou, em uma última e desesperada tentativa de salvar o império, à Câmara-Geral, atual câmara dos deputados, um programa de reformas políticas do qual constavam, entre outras, as medidas seguintes: maior autonomia administrativa para as províncias, liberdade de voto, liberdade de ensino, redução das prerrogativas do Conselho de Estado e mandatos não vitalícios para o Senado Federal. As propostas do Visconde de Ouro Preto visavam a preservar o regime monárquico no país, mas foram vetadas pela maioria dos deputados de tendência conservadora que controlava a Câmara Geral. No dia 15 de novembro de 1889, a república era proclamada.
A Perda de Prestígio da Monarquia Brasileira
Muitos foram os fatores que levaram o Império a perder o apoio de suas bases econômicas, militares e sociais. Da parte dos grupos conservadores pelos sérios atritos com a Igreja Católica (na "Questão Religiosa"); pela perda do apoio político dos grandes fazendeiros em virtude da abolição da escravatura, ocorrida em 1888, sem a indenização dos proprietários de escravos.
Da parte dos grupos progressistas, havia a crítica que a monarquia mantivera, até muito tarde, a escravidão no país. Os progressistas criticavam, também, a ausência de iniciativas com vistas ao desenvolvimento do país (fosse econômico]], político ou social), a manutenção de um regime político de castas e o voto censitário, isto é, com base na renda anual das pessoas, a ausência de um sistema de ensino universal, os altos índices de analfabetismo e de miséria e o afastamento político do Brasil em relação a todos demais países do continente, que eram republicanos.
Assim, ao mesmo tempo em que a legitimidade imperial decaía, a proposta republicana - percebida como significando o progresso social - ganhava espaço. Entretanto, é importante notar que a legitimidade do Imperador era distinta da do regime imperial: Enquanto, por um lado, a população, de modo geral, respeitava e gostava de dom Pedro II, por outro lado, tinha cada vez em menor conta o próprio império. Nesse sentido, era voz corrente, na época, que não haveria um terceiro reinado, ou seja, a monarquia não continuaria a existir após o falecimento de dom Pedro II, seja devido à falta de legitimidade do próprio regime monárquico, seja devido ao repúdio público ao príncipe consorte, marido da princesa Isabel, o francês Conde D'Eu).
Embora a frase de Aristides Lobo (jornalista e líder republicano paulista, depois feito ministro do governo provisório), "O povo assistiu bestializado" à proclamação da república, tenha entrado para a história, pesquisas históricas, mais recentes, têm dado outra versão à aceitação da república entre o povo brasileiro. É o caso da tese defendida por Maria Tereza Chaves de Mello (A República Consentida, Editora da FGV, EDUR, 2007), que indica que a república, antes e depois da proclamação, era vista popularmente como um regime político que traria o desenvolvimento, em sentido amplo, para o país.
Antecedentes da Proclamação da RepúblicaA partir da década de 1870, como consequência da Guerra do Paraguai (também chamada de Guerra da Tríplice Aliança) (1864-1870), foi tomando corpo a ideia de alguns setores da elite de alterar o regime político vigente. Fatores que influenciaram esse movimento:
• O imperador dom Pedro II não possuía filhos, apenas filhas. O trono seria ocupado, após a sua morte, por sua filha mais velha, a princesa Isabel, casada com um francês, Gastão de Orléans, Conde d'Eu, o que gerava o receio em parte da população de que o país fosse governado por um estrangeiro.
• O fato de os negros terem ajudado o exército na Guerra do Paraguai e, quando retornaram ao país, permaneceram como escravos, ou seja, não ganharam a alforria de seus donos.
A Crise Econômica
A crise econômica agravou-se em função das elevadas despesas financeiras geradas pela Guerra da Tríplice Aliança, cobertas por capitais externos. Os empréstimos brasileiros elevaram-se de 3 000 000 de libras esterlinas em 1871 para quase 20 000 000 em 1889, o que causou uma inflação da ordem de 1,75 por cento ao ano.
A Questão Abolicionista
A questão abolicionista impunha-se desde a abolição do tráfico negreiro em 1850, encontrando viva resistência entre as elites agrárias tradicionais do país. Diante das medidas adotadas pelo Império para a gradual extinção do regime escravista, devido a repercussão da experiência mal sucedida nos Estados Unidos de libertação geral dos escravos ter levado aquele país à guerra civil, essas elites reivindicavam do Estado indenizações proporcionais ao preço total que haviam pago pelos escravos a serem libertados por lei. Estas indenizações seriam pagas com empréstimo externo.
Com a decretação da Lei Áurea (1888), e ao deixar de indenizar esses grandes proprietários rurais, o império perdeu o seu último pilar de sustentação. Chamados de "republicanos de última hora", os ex-proprietários de escravos aderiram à causa republicana.
Na visão dos progressistas, o Império do Brasil mostrou-se bastante lento na solução da chamada "Questão Servil", o que, sem dúvida, minou sua legitimidade ao longo dos anos. Mesmo a adesão dos ex-proprietários de escravos, que não foram indenizados, à causa republicana, evidencia o quanto o regime imperial estava atrelado à escravatura.
Assim, logo após a princesa Isabel assinar a Lei Áurea, João Maurício Wanderley, Barão de Cotegipe, o único senador do império que votou contra o projeto de abolição da escravatura, profetizou:
"A senhora acabou de redimir uma raça e perder um trono!" (Barão de Cotegipe)
A Questão Religiosa
Desde o período colonial, a Igreja Católica, enquanto instituição, encontrava-se submetida ao estado. Isso se manteve após a independência e significava, entre outras coisas, que nenhuma ordem do Papa poderia vigorar no Brasil sem que fosse previamente aprovada pelo imperador (Beneplácito Régio). Ocorre que, em 1872, Vital Maria Gonçalves de Oliveira e Antônio de Macedo Costa, bispos de Olinda e Belém do Pará respectivamente, resolveram seguir, por conta própria, as ordens do Papa Pio IX, não ratificadas pelo imperador e pelos presidentes do Conselho de Ministros, punindo religiosos ligados à maçonaria.
D. Pedro II, aconselhado pelos maçons, decidiu intervir na questão, solicitando aos bispos que suspendessem as punições. Estes se recusaram a obedecer ao imperador, sendo condenados a quatro anos de trabalho braçal (quebrar pedras). Em 1875, graças à intervenção do maçom Duque de Caxias, os bispos receberam o perdão imperial e foram colocados em liberdade. Contudo, no episódio, a imagem do império desgastou-se junto à Igreja Católica.
A Questão Militar
Os militares do Exército Brasileiro estavam descontentes com a proibição, imposta pela monarquia, pela qual os seus oficiais não podiam manifestar-se na imprensa sem uma prévia autorização do Ministro da Guerra. Os militares não possuíam uma autonomia de tomada de decisão sobre a defesa do território, estando sujeitos às ordens do imperador e do Gabinete de Ministros, formado por civis, que se sobrepunham às ordens dos generais. Assim, no império, a maioria dos ministros da guerra eram civis.
Além disso, frequentemente os militares do Exército Brasileiro sentiam-se desprestigiados e desrespeitados. Por um lado, os dirigentes do império eram civis, cuja seleção era extremamente elitista e cuja formação era bacharelesca, mas que resultava em postos altamente remunerados e valorizados; por outro lado, os militares tinham uma seleção mais democrática e uma formação mais técnica, mas que não resultavam nem em valorização profissional nem em reconhecimento político, social ou econômico. As promoções na carreira militar eram difíceis de serem obtidas e eram baseadas em critérios personalistas em vez de promoções por mérito e antiguidade.
A Guerra do Paraguai, além de difundir os ideais republicanos, evidenciou aos militares essa desvalorização da carreira profissional, que se manteve e mesmo acentuou-se após o fim da guerra. O resultado foi a percepção, da parte dos militares, de que se sacrificavam por um regime que pouco os consideravam e que dava maior atenção à Marinha do Brasil.
A proclamação ocorreu na Praça da Aclamação (atual Praça da República), na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, quando um grupo de militares do exército brasileiro, liderados pelo marechal Deodoro da Fonseca, destituiu o imperador e assumiu o poder no país.
Foi instituído, naquele mesmo dia 15, um governo provisório republicano. Faziam parte, desse governo, organizado na noite de 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca como presidente da república e chefe do Governo Provisório; o marechal Floriano Peixoto como vice-presidente; como ministros, Benjamin Constant Botelho de Magalhães, Quintino Bocaiuva, Rui Barbosa, Campos Sales, Aristides Lobo, Demétrio Ribeiro e o almirante Eduardo Wandenkolk, todos membros regulares da maçonaria brasileira.
A Situação Política do Brasil em 1889O governo imperial, através do 37º e último gabinete ministerial, empossado em 7 de junho de 1889, sob o comando do presidente do Conselho de Ministros do Império, Afonso Celso de Assis Figueiredo, o Visconde de Ouro Preto, do Partido Liberal, percebendo a difícil situação política em que se encontrava, apresentou, em uma última e desesperada tentativa de salvar o império, à Câmara-Geral, atual câmara dos deputados, um programa de reformas políticas do qual constavam, entre outras, as medidas seguintes: maior autonomia administrativa para as províncias, liberdade de voto, liberdade de ensino, redução das prerrogativas do Conselho de Estado e mandatos não vitalícios para o Senado Federal. As propostas do Visconde de Ouro Preto visavam a preservar o regime monárquico no país, mas foram vetadas pela maioria dos deputados de tendência conservadora que controlava a Câmara Geral. No dia 15 de novembro de 1889, a república era proclamada.
A Perda de Prestígio da Monarquia Brasileira
Muitos foram os fatores que levaram o Império a perder o apoio de suas bases econômicas, militares e sociais. Da parte dos grupos conservadores pelos sérios atritos com a Igreja Católica (na "Questão Religiosa"); pela perda do apoio político dos grandes fazendeiros em virtude da abolição da escravatura, ocorrida em 1888, sem a indenização dos proprietários de escravos.
Da parte dos grupos progressistas, havia a crítica que a monarquia mantivera, até muito tarde, a escravidão no país. Os progressistas criticavam, também, a ausência de iniciativas com vistas ao desenvolvimento do país (fosse econômico]], político ou social), a manutenção de um regime político de castas e o voto censitário, isto é, com base na renda anual das pessoas, a ausência de um sistema de ensino universal, os altos índices de analfabetismo e de miséria e o afastamento político do Brasil em relação a todos demais países do continente, que eram republicanos.
Assim, ao mesmo tempo em que a legitimidade imperial decaía, a proposta republicana - percebida como significando o progresso social - ganhava espaço. Entretanto, é importante notar que a legitimidade do Imperador era distinta da do regime imperial: Enquanto, por um lado, a população, de modo geral, respeitava e gostava de dom Pedro II, por outro lado, tinha cada vez em menor conta o próprio império. Nesse sentido, era voz corrente, na época, que não haveria um terceiro reinado, ou seja, a monarquia não continuaria a existir após o falecimento de dom Pedro II, seja devido à falta de legitimidade do próprio regime monárquico, seja devido ao repúdio público ao príncipe consorte, marido da princesa Isabel, o francês Conde D'Eu).
Embora a frase de Aristides Lobo (jornalista e líder republicano paulista, depois feito ministro do governo provisório), "O povo assistiu bestializado" à proclamação da república, tenha entrado para a história, pesquisas históricas, mais recentes, têm dado outra versão à aceitação da república entre o povo brasileiro. É o caso da tese defendida por Maria Tereza Chaves de Mello (A República Consentida, Editora da FGV, EDUR, 2007), que indica que a república, antes e depois da proclamação, era vista popularmente como um regime político que traria o desenvolvimento, em sentido amplo, para o país.
Antecedentes da Proclamação da RepúblicaA partir da década de 1870, como consequência da Guerra do Paraguai (também chamada de Guerra da Tríplice Aliança) (1864-1870), foi tomando corpo a ideia de alguns setores da elite de alterar o regime político vigente. Fatores que influenciaram esse movimento:
• O imperador dom Pedro II não possuía filhos, apenas filhas. O trono seria ocupado, após a sua morte, por sua filha mais velha, a princesa Isabel, casada com um francês, Gastão de Orléans, Conde d'Eu, o que gerava o receio em parte da população de que o país fosse governado por um estrangeiro.
• O fato de os negros terem ajudado o exército na Guerra do Paraguai e, quando retornaram ao país, permaneceram como escravos, ou seja, não ganharam a alforria de seus donos.
A Crise Econômica
A crise econômica agravou-se em função das elevadas despesas financeiras geradas pela Guerra da Tríplice Aliança, cobertas por capitais externos. Os empréstimos brasileiros elevaram-se de 3 000 000 de libras esterlinas em 1871 para quase 20 000 000 em 1889, o que causou uma inflação da ordem de 1,75 por cento ao ano.
A Questão Abolicionista
A questão abolicionista impunha-se desde a abolição do tráfico negreiro em 1850, encontrando viva resistência entre as elites agrárias tradicionais do país. Diante das medidas adotadas pelo Império para a gradual extinção do regime escravista, devido a repercussão da experiência mal sucedida nos Estados Unidos de libertação geral dos escravos ter levado aquele país à guerra civil, essas elites reivindicavam do Estado indenizações proporcionais ao preço total que haviam pago pelos escravos a serem libertados por lei. Estas indenizações seriam pagas com empréstimo externo.
Com a decretação da Lei Áurea (1888), e ao deixar de indenizar esses grandes proprietários rurais, o império perdeu o seu último pilar de sustentação. Chamados de "republicanos de última hora", os ex-proprietários de escravos aderiram à causa republicana.
Na visão dos progressistas, o Império do Brasil mostrou-se bastante lento na solução da chamada "Questão Servil", o que, sem dúvida, minou sua legitimidade ao longo dos anos. Mesmo a adesão dos ex-proprietários de escravos, que não foram indenizados, à causa republicana, evidencia o quanto o regime imperial estava atrelado à escravatura.
Assim, logo após a princesa Isabel assinar a Lei Áurea, João Maurício Wanderley, Barão de Cotegipe, o único senador do império que votou contra o projeto de abolição da escravatura, profetizou:
"A senhora acabou de redimir uma raça e perder um trono!" (Barão de Cotegipe)
A Questão Religiosa
Desde o período colonial, a Igreja Católica, enquanto instituição, encontrava-se submetida ao estado. Isso se manteve após a independência e significava, entre outras coisas, que nenhuma ordem do Papa poderia vigorar no Brasil sem que fosse previamente aprovada pelo imperador (Beneplácito Régio). Ocorre que, em 1872, Vital Maria Gonçalves de Oliveira e Antônio de Macedo Costa, bispos de Olinda e Belém do Pará respectivamente, resolveram seguir, por conta própria, as ordens do Papa Pio IX, não ratificadas pelo imperador e pelos presidentes do Conselho de Ministros, punindo religiosos ligados à maçonaria.
D. Pedro II, aconselhado pelos maçons, decidiu intervir na questão, solicitando aos bispos que suspendessem as punições. Estes se recusaram a obedecer ao imperador, sendo condenados a quatro anos de trabalho braçal (quebrar pedras). Em 1875, graças à intervenção do maçom Duque de Caxias, os bispos receberam o perdão imperial e foram colocados em liberdade. Contudo, no episódio, a imagem do império desgastou-se junto à Igreja Católica.
A Questão Militar
Os militares do Exército Brasileiro estavam descontentes com a proibição, imposta pela monarquia, pela qual os seus oficiais não podiam manifestar-se na imprensa sem uma prévia autorização do Ministro da Guerra. Os militares não possuíam uma autonomia de tomada de decisão sobre a defesa do território, estando sujeitos às ordens do imperador e do Gabinete de Ministros, formado por civis, que se sobrepunham às ordens dos generais. Assim, no império, a maioria dos ministros da guerra eram civis.
Além disso, frequentemente os militares do Exército Brasileiro sentiam-se desprestigiados e desrespeitados. Por um lado, os dirigentes do império eram civis, cuja seleção era extremamente elitista e cuja formação era bacharelesca, mas que resultava em postos altamente remunerados e valorizados; por outro lado, os militares tinham uma seleção mais democrática e uma formação mais técnica, mas que não resultavam nem em valorização profissional nem em reconhecimento político, social ou econômico. As promoções na carreira militar eram difíceis de serem obtidas e eram baseadas em critérios personalistas em vez de promoções por mérito e antiguidade.
A Guerra do Paraguai, além de difundir os ideais republicanos, evidenciou aos militares essa desvalorização da carreira profissional, que se manteve e mesmo acentuou-se após o fim da guerra. O resultado foi a percepção, da parte dos militares, de que se sacrificavam por um regime que pouco os consideravam e que dava maior atenção à Marinha do Brasil.
Arquivo internet
Lupeu Lacerda
ainda olho borboleta voando
sol se pondo
primeira estrela.
ainda amo
sonho
acredito.
ainda espero quem partiu
a noite
a notícia de riso.
ainda abraço apertado
namorada
filhas
amigos do peito.
...
acho que ainda tenho jeito.
ainda olho borboleta voando
sol se pondo
primeira estrela.
ainda amo
sonho
acredito.
ainda espero quem partiu
a noite
a notícia de riso.
ainda abraço apertado
namorada
filhas
amigos do peito.
...
acho que ainda tenho jeito.
sol se pondo
primeira estrela.
ainda amo
sonho
acredito.
ainda espero quem partiu
a noite
a notícia de riso.
ainda abraço apertado
namorada
filhas
amigos do peito.
...
acho que ainda tenho jeito.
domingo, 13 de janeiro de 2013
Assinar:
Postagens (Atom)

