por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 19 de julho de 2012

Lições de Tsunamis e Maremotos


Diante de todas as críticas, ante tantos detratores, temos que concordar, amigos: a EXPO/Crato  tem demonstrado uma pujança impressionante nos seus mais de sessenta anos de existência. Encravada estrategicamente  nas férias de meio de ano, quando incontáveis filhos da terra acorrem com saudades do Cariri, a Exposição  tem se fortalecido ano a ano,  batendo todos recordes de público , se comparada com outros eventos do Sul Cearense. Falar mal da Expocrato já se tornou quase um divertimento por estas bandas , já faz parte do cotidiano da nossa cidade e, a história tem demonstrado, apesar do olho de seca pimenta dos nossos conterrâneos, a Expô só tem prosperado. Sendo assim, diante da imunidade absoluta aos impropérios da população, me sinto à cavaleiro para também pinicar o oratório da nossa mais tradicional festa. Sei que pouca coisa há de mudar, que a festividade continuará com um público invejável e que os organizadores estarão se lixando para minha visão pessoal e realista. Mas que jeito, né? De tanto gritar no deserto a gente termina por se acostumar ao monólogo  e  a perceber miragens de  um tempo mais bonito e menos caótico.Pois aí vão algumas elucubrações de um velho meio ranheta—a quem interessar possa -- e que nas duas últimas Exposições se recusou a participar da pantomima.
                                               Continuo visceralmente contrário às terceirizações dos shows do Palco Principal.  Parece-me de uma imensa preguiça política a terceirização. Sob o pretexto de baratear a programação ao Estado, se obriga a população a engolir shows de péssima qualidade e a preços abusivos . E mais, o  estado se imiscui da sua função básica  de promover Política Cultural. É possível sim, trabalhar com projetos e fazer uma grade gratuita de shows de ótima qualidade como o Festival de Inverno de Garanhuns vem fazendo há vários anos. O que há por traz das negociatas das terceirizações ?
                                               Não existe nenhuma justificativa plausível para a total exclusão dos artistas caririenses na programação principal da Exposição do Crato. Quem decide pela imolação de tantos valores ? Os mesmos que nos palanques enchem a boca chamando  “Cidade da Cultura ? Que homenageiam o grande Gonzagão com o Forró de Plástico: sem Dominguinhos, sem Flávio Leandro , sem Waldonis, sem Flávio José ?  
                                               A mais popular das festas caririenses loteia o Parque Estadual  a preços caríssimos e que termina sendo bancados pelo povo.  Houve shows em que os ingressos chegaram a ser vendidos a mais de cem reais. As barracas do Palco principal cobravam mesas a cinqüenta reais, fora o consumo normal, um pratinho de petiscos vendia-se a quarenta e cinco pilas. Alguns visitantes propunham inclusive  trocar o nome do evento para Explora/ Crato. Espaço público utilizado numa festa pública com tantos envolvimentos do setor privado, como é feita a prestação de contas ?
                                               É de  uma total irresponsabilidade a sujeira do Parque. Sem depósitos adequados e sem a educação necessária, o lixo é jogado no chão e vai se acumulando dia após dia. No sábado aquilo já parecia um grande Lixão. Por que não há coleta sistemática e diária? A higiene da maior parte das barracas era de fazer engulhar. Quem deu o alvará para o funcionamento? Quem fiscaliza o uso e manuseio dos alimentos a serem preparados?
                                               Ficou para mim mais que provado que o atual Parque de Exposição não tem mais estrutura nenhuma para abrigar um evento de tamanha magnitude. O trânsito ficou extremamente caótico, o fluxo no próprio local , no penúltimo dia, estava praticamente impossível e o som das bandas infernizou a vida de toda uma população circunvizinha. A cidade cresceu muito nos últimos sessenta anos, é preciso sim, repensar o espaço. Vamos construir um outro fora da Cidade e pensar em utilizá-lo durante todo o ano em outras atividades. O atual pode se transformar num parque florestal urbano para os deleites de lazer do nosso povo e continuará, sim, presente nas nossas vidas e nas nossas tradições.
                                               Sei perfeitamente que escrevo essas palavras  sobre as águas. Têm a força de um instante líquido e fugaz. Mas deixem-me sonhar que terão o poder de chegar aos tímpanos do tempo com lições de tsunamis e de maremotos.


J. Flávio Vieira

Colaboração de TL- Teka L Maia




A palavra "coisa" é um bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades. É aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma idéia. Coisas do português.

A natureza das coisas: gramaticalmente, "coisa" pode ser substantivo, adjetivo, advérbio. Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma "coisificar". E no Nordeste há "coisar": "Ô, seu coisinha, você já coisou aquela coisa que eu mandei você coisar?".

Coisar, em Portugal, equivale ao ato sexual, lembra Josué Machado. Já as "coisas" nordestinas são sinônimas dos órgãos genitais, registra o Aurélio. "E deixava-se possuir pelo amante, que lhe beijava os pés, as coisas, os seios" (Riacho Doce, José Lins do Rego). Na Paraíba e em Pernambuco, "coisa" também é cigarro de maconha.

Em Olinda, o bloco carnavalesco Segura a Coisa tem um baseado como símbolo em seu estandarte. Alceu Valença canta: "Segura a coisa com muito cuidado / Que eu chego já." E, como em Olinda sempre há bloco mirim equivalente ao de gente grande, há também o Segura a Coisinha.

Na literatura, a "coisa" é coisa antiga. Antiga, mas modernista: Oswald de Andrade escreveu a crônica O Coisa em 1943. A Coisa é título de romance de Stephen King. Simone de Beauvoir escreveu A Força das Coisas, e Michel Foucault, As Palavras e as Coisas.

Em Minas Gerais, todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que lá é chamado de "a coisa". A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: "Minha filha, pega os trem que lá vem a coisa!".

Devido lugar: "Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça (...)". A garota de Ipanema era coisa de fechar o Rio de Janeiro. "Mas se ela voltar, se ela voltar / Que coisa linda / Que coisa louca." Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas..

Sampa também tem dessas coisas (coisa de louco!), seja quando canta "Alguma coisa acontece no meu coração", de Caetano Veloso, ou quando vê o Show de Calouros, do Silvio Santos (que é coisa nossa).

Coisa não tem sexo: pode ser masculino ou feminino. Coisa-ruim é o capeta. Coisa boa é a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim!

Coisa de cinema! A Coisa virou nome de filme de Hollywood, que tinha o seu Coisa no recente Quarteto Fantástico. Extraído dos quadrinhos, na TV o personagem ganhou também desenho animado, nos anos 70. E no programa Casseta e Planeta, Urgente!, Marcelo Madureira faz o personagem "Coisinha de Jesus".

Coisa também não tem tamanho. Na boca dos exagerados, "coisa nenhuma" vira "coisíssima". Mas a "coisa" tem história na MPB. No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré ("Prepare seu coração / Pras coisas que eu vou contar"), e A Banda, de Chico Buarque ("Pra  ver a banda passar / Cantando coisas de amor"), que acabou de ser relançada num dos CDs triplos do compositor, que a Som Livre remasterizou.         Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda não tava
nem aí com as coisas: "Coisa linda / Coisa que eu adoro".

Cheio das coisas. As mesmas coisas, Coisa bonita, Coisas do coração, Coisas que não se esquece, Diga-me coisas bonitas, Tem coisas que a gente não tira do coração. Todas essas coisas são títulos de canções interpretadas por Roberto Carlos, o "rei" das coisas. Como ele, uma geração da MPB era preocupada com as coisas.

Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é uma questão de quantidade (afinal, "são tantas coisinhas miúdas"). Já para Beth Carvalho, é de carinho e intensidade ("ô coisinha tão bonitinha do pai"). Todas as Coisas e Eu é título de CD de Gal. "Esse papo já tá qualquer coisa...Já qualquer  coisa doida dentro mexe." Essa coisa doida é uma citação da música Qualquer Coisa, de Caetano, que canta também: "Alguma coisa está fora da ordem."

Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, pois uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. E tal coisa, e coisa e tal. O cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não-me-toques. O cheio das coisas, por sua vez, é o sujeito estribado. Gente fina é outra coisa.. Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário-mínimo não dá pra coisa nenhuma.

A coisa pública não funciona no Brasil. Desde os tempos de Cabral. Político quando está na oposição é uma coisa, mas, quando assume o poder, a coisa muda de figura. Quando se elege, o eleitor pensa: "Agora a coisa vai." Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma. Uma coisa é falar; outra é fazer. Coisa feia! O eleitor já está cheio dessas coisas!

Coisa à  toa. Se você aceita qualquer coisa, logo se torna um coisa qualquer, um coisa-à-toa. Numa crítica feroz a esse estado de coisas, no poema Eu, Etiqueta, Drummond radicaliza: "Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente." E, no verso do poeta, "coisa" vira "cousa".

Se as pessoas foram feitas para ser amadas e as coisas, para ser usadas, por que então nós amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas? Bote uma coisa na cabeça: as melhores coisas da vida não são coisas. Há coisas que o dinheiro não compra: paz, saúde, alegria e outras cositas más.

Mas, "deixemos de coisa, cuidemos da vida, senão chega a morte ou coisa parecida", em Canteiros, baseado no poema Marcha, de Cecília Meireles, uma coisa linda. Por isso, faça a coisa certa e não esqueça o grande mandamento: "amarás a Deus sobre todas as coisas".
ENTENDEU O ESPÍRITO DA" COISA"  ? 

(autor desconhecido)

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Carrossel - Emerson Monteiro

Há paz, paz definitiva, no olho do furacão, conceito de religiões orientais. Esta paz existe dentro de tudo, inclusive no coração das pessoas. Há inércia absoluta no centro dos eixos em circunvolução. O carrossel e o carrossel deste chão em movimento guardam em si a Paz.

Qual nos acontecimentos fervilhante dos dias, quem gira e passa são as coisas. As dez mil coisas, que vêm e vão rumo do monumental desconhecido. O tempo, esse ente abstrato, permanecerá indeclinável, eterno. O desejo da perpetuação mora, sim, nos objetos e nos sujeitos. Apelos em forma de vontade ainda para permanecer vive no âmago das peças que somos em atividade constante, que vagueiam pelos ares em torno dos eixos, dos centros, das ilusões lá de fora.

O Amor, por exemplo, equivale, com isso, à completa ausência do ódio, da antipatia. O Silêncio, à inexistência dos ruídos. Paz, à exclusão absoluta das guerras, dos conflitos, querelas, desavenças.
Esse mergulho ao fundo último da gente representa a ação que salvará o princípio original, continuação da espécie através da descoberta providencial do Eu verdadeiro. Envolvimentos outros com estilhaços que voam nos territórios em permanente queda livre arrastam a desfiladeiros mortos do passado.

A presença de tudo que se esvaia fala do prazer dos perdidos desesperos, conquanto o expresso da sequidão invade vales de solidão, ressacas, saudades imensas, doses que sucedem alegrias, nos instantes seguintes do gozo físico. 

Portanto o ritual da salvação significa o respeito das leis do firmamento, da Lei. Domar o touro bravo da fome de carregar cacarecos ao lombo, escolher o pólo inefável das emoções, do melhor para nós sempre. Conter o infinito em Si, a chave, a porta.

Pisar devagar, concentrar o pensamento e fustigar as alturas. Viajar ao País dos Mistérios através do longo tempo eterno, inevitável, que nos contém perpendicular, frontal, a escorrer cá bem dentro a subjetividade. E sair pelas vaidades, quando quiser abandonado aos ventos o calendário.

Assim, no foco quente do presente queima o carvão aceso do futuro e forma fogueiras de brasas apagadas no passado aqui junto dos pés, horas mal digeridas, inaproveitadas, matérias orgânicas em matérias inorgânicas dos ponteiros dos relógios que não param, oxigênio em carbono, todo tempo até os estertores da máquina da vida na carne; vidas que voam, que voam em busca de novas vidas.

Nessa lenda de que o tempo passa, quem passa são os objetos e as pessoas. Nem o piso onde pisa desliza, pois o palco do Universo habita o âmago do permanente no tudo com destino ao Nada finalmente.

Clementina de Jesus da Silva



Clementina de Jesus da Silva (Valença, 7 de fevereiro de 1901 — Rio de Janeiro, 19 de julho de 1987) foi uma cantora brasileira de samba. Também era conhecida como Tina ou Quelé.

Olinda é só para os olhos.- fotos de Stela Siebra !



O BRASIL AINDA TEM MAIS PÚBLICO DO QUE POVO!

       Em 2003 o Ceará era o terceiro Estado com maior número de analfabetos. Lembro que ao ler esta triste estatística fiquei muito triste, mas como não conseguia dimensionar o estrago que isso representava para o nosso Estado pensei, cá com meus botões: A conivência é para a corrupção, o que a compaixão é para o amor. Meu sendo prático-político hoje não mais aceita apontar culpados, embora a polêmica em torno da educação seja inevitável. Sei que não tenho tempo de vida suficiente, nem os responsáveis por essa bagaceira pedagógica, para um dia ver meus irmãos brasileiros lendo estampado nas manchetes de primeira página: AGORA TODOS OS BRASILIANOS SABEM LER E ENTENDER. Nossa utopia invalidará nossas ações? O cio de ensinar vencerá o cansaço? 
      O fato é que as estratégias neoliberais fracassaram. Foi uma ação inconscientemente intencional? Esse desprezo pelo pobre, pelo suburbano, pelo favelado, enfim, esse abandono total em relação as pessoas que vivem à margem e abaixo da linha da pobreza está documentado e evidenciado em outra estatística entristecedora: 8 milhões de analfabetos funcionais no Nordeste.
     Qual a estratégia de ação? Sim, pois agora vamos ter que repensar tudo! Bem que o governo federal poderia adotar o slogan: BRASIL, TUDO POR FAZER! Seria bem mais honesto com todos nós professores e educadores. Acho que nenhum professor deveria ter medo de falar. É preciso dar voz e vez para os educadores, já que o sujeito da educação é uma entidade coletiva, ou pelo menos deveria ser.
       Não quero mais falar sobre educação, o que já foi escrito sobre esse tema já é o suficiente para resolver uma boa parte dos problemas. O que cabe agora é agir! Mas como agir se tudo está fragmentado? A greve dos professores das universidades federais do Brasil inteiro está passando  completamente desapercebida pela mídia e boa parte da população sabe que o Corinthias é campeão e que um tal de Cachoeira é um corrupto convicto. Afora esses fatos corriqueiros, tudo continua seguindo o ritmo de Abrantes que as classes dominantes querem em relação as mudanças essenciais e pertinentes. A coisa é tão ridícula que hoje temos em no Ceará dois sindicatos de  professores. Existe atualmente um sindicato que é visivelmente ligado ao governo do Estado, e o outro atrelado a outra corrente dos gritos de protesto do tipo "o povo unido jamais será comido!". Tudo que é fragmentado se tranforma em uma anomalia.
       Parei! Não falarei mais desse assunto. Quando observo a paisagem política de meu país dá vontade de elouquecer. Paulo Freire morreu triste, Dom Helder morreu triste! Eu os vi e senti na pele o quanto foi pesaroso para os dois que tanto amavam nosso país e que tinham a exata medida de tudo o que se passou e se passava com a nossa gente que inventou o samba, o baião, o chorinho, o maxixe, enfim, essa gente humilde das peladas que reinventou o futebol.
       O certo é que temos que investir na nova geração para que ela não venha a ser corrompida. Só tenho fé na juventude. É preciso entender Paulo Freire e superar, como ele mesmo disse, a nossa raiva frustrando nossos inimigos na dominação que eles estabeleceram sobre nós.
        Mas como "frustrar nossos inimigos" diante de tanta corrupção institucionalizada? A solução que eu encontrei foi criar um partido político em que eu pudesse me filiar. Um partido político muito parecido com o espírito de nossa Padaria Espiritual, a Constituição Federal desconcertante de Capistrano de Abreu, o humor nordestino de Quintino Cunha misturado com Barão de Itararé, Henfil... Foi assim que surgiu em Fortaleza no ano de 1996 o PARTIDO DAS QUESTÕES PERTINENTES (P.Q.P). Um partido humorístico mais sério até hoje criado no Brasil. Um partido político que luta pela sua clandestinade, já que apoia publicamente o VOTO NULO como ação revolucionária para reverter este quadro absurdo que dá voz e vez a um Maluf, um Collor e tantos outros ícones de nossa falta de vergonha que eu não tenho como listar.  Um partido político que não tem filiados e sim engredientes, pessoas pensantes  numa composição para o preparo de nossas utopias. 
      O dia 9 de julho de 2012 na cidade do Crato-CE. (só no Crato, mesmo) aconteceu a primeira reunião não oficial do Partido das Questões Pertinentes que gerou esta ata fresquinha que segue abaixo.


“O BRASIL NÃO TEM POVO, O BRASIL TEM PÚBLICO”       Lima Barreto

            Aos dias nove de julho de 2012 DC, em Crato de Açúcar - Ceará, por volta de 15:38, lua minguante, a diretoria do Partido das Questões Pertinentes (P.Q.P.) sem atas, só com caqui, nós da confraria novo sol temos pressa, pouco como nós , matutamos as implicações jurídico constitucionais a cerca do voto nulo, que tem como estofo a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Escorçamos aqui a democracia como cerne da facultabilidade votal nos dando suporte para proclamarmos legitimamente o voto nulo.
            Em segundo momento dessa reunião ponderamos sobre as cores do símbolo maior do Partido das Questões Pertinentes (P.Q.P.). O fundo amarelo ovo representa, veementemente, os que estão nos acentos do Congresso brasileiro. O losango, ostentando a cor azul turquesa molhada, representa a fragilidade dos elementos vitais da subsistência humana. As letras que compõem a sigla do P.Q.P. tem como cor frontal o vermelho desbotado, representando a falácia ideológica, e nos seu contornado o verde musgo ressapiado, representando a não dimensão cuidante do homem com sua casa ou planeta Terra.  A úvula palatina representando o grito que deve ser gritado e a seu lado o siso careado representado a Antropofagia Banguela.  
            Sobre a confecção da camisa flâmula terá os seguintes destaques no seu anverso e verso. No anverso a bandeira do Partido das Questões Pertinentes, e no verso a citação do filósofo brasileiro Lima Barreto: “O Brasil não tem povo, o Brasil tem público”, e a nossa proposta da campanha eleitoral de 2012 – VOTE NULO.

Crato de Açúcar, 09 de Julho de 2012.

            Presentes nesta reunião Ulisses Germano Leite Rolim (Presidente Vitalino – Educaducador); Ezelita Girão de Menezes Magalhães (Professora BR.); Beethoven Simplício Duarte (Secretário de missões especiais do partido).


O BRASIL AINDA TEM MAIS PÚBLICO DO QUE POVO!

     
       Ulisses Germano


      
      

quarta-feira, 18 de julho de 2012

José Augusto Maropo- Grande músico - Ilustre visitante!






Jose Augusto Maropo
Professor, Médico, Músico!
Estudou na instituição de ensino Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
Mora em João Pessoa.
De Nova Olinda, Ceara Brasil!
Quanta gente boa ainda desconhecemos... Quanta coisa ruim, em termos musicais, nos são impostas pela mídia.
Quem explica?


Luar de julho !

Hugo Linard(acordeon), Maropo(EX Ases do Rítmo) na flauta transversal, bandolin e sax, o seu amigo de João Pessoa no vilão 7 e um outro grande músico de cavaquinho, de João Pessoa passando pelo Crato. 

Eles fizeram a festa  lembrando a brasilidade do "Chorinho".
Noite acontecida com muita boa sorte!
Presenças musicais (Peixoto, Abidoral...),artistas, amigos, iluminados pela noite cratense, e unidos pelo amor à Música!



...
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência, não pensar...

Fernando Pessoa

Pérola da MPB



Não há vagas

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

- porque o poema, senhores,
está fechado:
“não há vagas”

Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

O poema, senhores,
não fede
nem cheira

( Ferreira Gullar )

Folha de um diário- socorro moreira


Tenho escrito cada vez menos. A obra tem coerência com a vida? Quisera criar personagens isentas das minhas impressões sensoriais e espirituais. Mas quem escreve sem mentir é apenas um memoralista. Minha tentativa poética é a minha verdade interior. Tenho pudor de mexer nos sentimentos que apenas avalio no peito do outro. Quem seria o outro? Qualquer pessoa que admiro ou repudio. Estou na faze das transições... Entre o que fui e tudo que desejo ser e ainda me custa sê-lo. Um ser em evolução vive estas crises, em todos os sentidos.
Hoje meu menino confessou-me: to com tantos pensamentos ruins... Tristes, mórbidos, descoloridos... E eu respondi-lhe: só penso o que quero.Só desejo o luminoso.Quando uma notícia triste me surpreende ( e isso acontece sempre), inverto a energia e nem culpo a vida...Culpo a forma de entender a própria vida. Fico uns dias de molho, sem vontade de olhar as estrelas, depois pinto as unhas de vermelho e faço a sangria da minha própria alma para que a vida insista em ser viva. A morte é a perda do sangue nas veias, num rebuliço constante. Quando ela circula harmoniosamente o bem estar é a recompensa.
Escuto de longe Ferreira Goulart falando na TV. Adoro as suas falas. Ele me parece àquela pessoa que tudo já descobriu, mas continua insaciavelmente questionador.
Quero aprender a escrever sem me envolver. Quero ainda fazer poesias líricas acreditando no amor real, platônico, e até aquele inventado, que a gente espera materializar um dia.
Sinto falta dos poetas e escritores que movem minha gira poética, mesmo que seja uma ciranda triste.
Voltem meu povo!
Poesia é vida!

Essa é demais!






Não Tem Tradução
Noel Rosa

O cinema falado é o grande culpado da transformação
Dessa gente que sente que um barracão prende mais que o xadrez
Lá no morro, seu eu fizer uma falseta
A Risoleta desiste logo do francês e do Inglês
A gíria que o nosso morro criou
Bem cedo a cidade aceitou e usou
Mais tarde o malandro deixou de sambar, dando pinote
Na gafieira dançar o Fox-Trote
Essa gente hoje em dia que tem a mania da exibição
Não entende que o samba não tem tradução no idioma francês
Tudo aquilo que o malandro pronuncia
Com voz macia é brasileiro, já passou de português
Amor lá no morro é amor pra chuchu
As rimas do samba não são I love you
E esse negócio de alô, alô boy e alô Johnny
Só pode ser conversa de telefone..

CONVERSA DE BOTEQUIM!



Já estamos nos articulando para o show de Abidoral Jamacaru que homenageará Noel Rosa.

Dia 16 de agosto será apresentado no SESC CRATO ( um sempre grande parceiro!), e dia 18 de agosto no Terraçus (espaço maravilhoso comandado pelo mago das produções culturais: Kaika!)

Logo, logo vocês já poderão comprar ou reservar ingressos. A renda beneficiará os músicos participantes, e o tratamento ótico do nosso amigo e grande artista Abidoral Jamacaru.

O espetáculo trará de volta os clássicos de um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos.

Não percam!

CONVERSA DR BOTEQUIM!




Sonhos coloridos


Ontem chegou um pacote junto com o meu sono. Estava numa cidade de artistas e um mutirão organizava a casa de alguns. Lembro com nitidez as casas de Abidoral Jamacaru e João do Crato. Qualquer criança se deliciaria com os brinquedos em madeira, tecidos estampados e guloseimas nas prateleiras. Não sei onde meu subconsciente foi buscar tanta informação, detalhes...
A nossa cidade bem que podia ter um bairro de artistas com feira de artesanatos, palco, cafés.
Os convivas exigem tabaco, bebidas alcoólicas, mas elas nem deveriam existir. A arte tem o seu próprio êxtase!
Eu queria um mundo zen. A paz comporta o vazio que instiga o processo criativo. Vamos tomar chá e beliscar biscoitinhos integrais. Vamos cultuar um lugar sagrado onde a arte seja consumida, expandida, valorizada. Eu queria aquele sonho num pedaço de terra do Crato.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Gilberto Freyre



Gilberto de Mello Freyre (Recife, 15 de março de 1900 — Recife, 18 de julho de 1987) foi um sociólogo, antropólogo, historiador, escritor e pintor brasileiro, considerado um dos mais importantes sociólogos do século XX

Billie Holiday


Billie Holiday (Filadélfia, 7 de Abril de 1915 — Nova Iorque, 17 de Julho de 1959), por vezes, mais conhecida como Lady Day, é por muitos considerada a maior de todas as cantoras do jazz.



segunda-feira, 16 de julho de 2012

Colaboração deZélia Moreira





Para Woody Allen, com amor


MARTHA MEDEIROS

Tinham me dito que seu novo filme era meio bobinho, com piadas requentadas e que não acrescentava grande coisa à sua carreira. Querido cineasta, quem o julga com severidade o faz por amor também – admira tanto sua obra que não se contenta com menos do que um Match Point ou um Meia Noite em Paris –, porém ganharíamos mais se julgássemos você pelo seu estado de espírito, que tem sido transparente e inspirador. Espero não estar sendo pretensiosa, mas percebo que, depois de muitos anos procurando entender e diagnosticar as neuroses humanas – as suas, inclusive –, você deu o serviço como feito e agora está apenas se divertindo enquanto seu lobo não vem.

Não vejo maneira mais inteligente de envelhecer. Deixar de lado a obsessão por originalidade e dar seu recado com as ferramentas que domina é uma forma de se libertar, e a liberdade é um dom para poucos. Você sabe que um dos assuntos do seu novo filme, a de que as pessoas perderam a noção do ridículo ao valorizarem a vida íntima dos “famosos” (e os “famosos” mais ainda ao se deixarem seduzir por essa falácia), já está datado. No entanto, filmando em Roma, terra dos paparazzi, como não aproveitar a piada?

Acreditar-se especial nos torna patéticos. Somos todos uns pobres diabos tentando enfrentar a morte iminente com alguma ilusão tirada da cartola. Você é um homem talentoso com uma extensa folha de serviços prestados ao cinema mundial, mas o fato de se reconhecer comum o torna ainda maior.

Outro dia ouvi do grande Gilberto Gil, ao completar 70 anos: “Me dou cada vez menos importância”. Ah, que presente para si mesmo. Somos todos geniais cantando no chuveiro – quando passamos a acreditar seriamente que merecemos veneração, lá se vai um pouco da nossa essência.

Como diz o personagem de Alec Baldwin, maturidade talvez não seja sinônimo de sabedoria, e sim de exaustão. Quanto mais o tempo passa, mais se torna necessário simplificar a vida. O que não impede de estarmos abertos para algumas surpresas. Escutar mais do que falar, aprender mais do que ensinar, enxergar mais do que aparecer – não seria o ideal? Lutar contra o próprio ego não é fácil, mas é o único jeito de mantermos uma certa sanidade e paz de espírito.

Caro Woody, minha admiração segue gigantesca. Não só por todos os filmes brilhantes já realizados, mas também por você ter alcançado essa visão desestressada e zombeteira da vida maluca que levamos todos.

Por você conseguir, a despeito de todos os elogios e prêmios recebidos, ter a dimensão exata do seu tamanho no mundo. De não trocar seus prazeres pessoais pela ânsia de ter mais visibilidade. Por filmar em diferentes cidades do planeta, extraindo delas sua beleza genuína, mas sem deixar de unificar as fraquezas e grandezas humanas, que são iguais em qualquer lugar.

O resto é gordura desnecessária. Longa vida aos que conseguem se desapegar do ego e ver a graça da coisa.


Zero Hora
11/07/2012

Por Vera Barbosa




Minha intensidade lhe incomoda porque tem a medida exata da sua indiferença. O inverso das reações são razões diretamente proporcionais. A questão é que sou transparente e não demonstro apatia ao que me intriga nem ao que me incomoda; penso demais, gosto de profundidade, questiono; não sou do oba-oba, não conduzo minhas relações com desinteresse; e considero a superficialidade o grande mal das relações modernas.

Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és