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por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
domingo, 18 de janeiro de 2015
sábado, 17 de janeiro de 2015
Marchinhas ao Twitter - José do Vale Pinheiro Feitosa
Rei Zulu - Nássara e Antonio Almeida - BLECAUTE
REI ZULU
O pré-capitalismo da janela na chapa quente do capitalismo. Escutava
um mundo onde o capitalismo ainda não chegará.
O Rei Zulu. Nos limites das relações dele mesmo. Sem a
interveniência do dinheiro como seduzem, se amam, comem e dormem embaixo de um
teto.
E tem mais ele namora atrás do murundu.
Pai Adão - Antonio Soares, Hélio Nascimento, Agenor Madureira - ALCIDES GERARDI
Pai Adão
Nunca amou um compromisso. Um cartório com firma
reconhecida. Sem testemunhas e celebrantes.
Amou o corpo. Apenas ele. Não uma leva de parentes e
aderentes. A tornar grupal aquilo que apenas o desejo entre eles.
Pedreiro Valdemar - Roberto Martins e Wilson Batista - BLECAUTE
Pedreiro Valdemar
Você conhece? Ele levanta o céu e não tem indulgência para
entrar. Reza, esfola os joelhos, derrete velas, mas não se encontra entre os
escolhidos.
Ele construiu um puxado para os de pouca poupança purgar as
falhas da vida. E detendo tão pouca, no purgatório não pode entrar.
Ajudou nos alicerces do inferno, mas o negócio por lá é de
alto cacife e nem no inferno pode morar.
E agora?
É o pedreiro Valdemar que não tem onde morar.
A Lua é dos Namorados - Armando Cavalcanti, Klécius Caldas e Brasinha - ÂNGELA MARIA.
A lua é dos namorados
E foi quando na prateleira da mercearia se podia comprar Lua
a granel. Levar um eclipse por embrulho. Uma alça da espada de São Jorge para
sair da cidade pelos caminhos levando seu retalho.
A vitória do império foi a lua. A mesma lua dos namorados
agora tinha dono com bandeira fincada e tudo.
E cercaram a Lua para vender aos lotes.
Máscara Negra - Zé Keti e Armando Cavalcanti - DALVA DE OLIVEIRA
Máscara Negra
Por que a alegria se banha em lágrimas? Está fazendo um ano
foi no carnaval que passou. Eu quero matar a saudade. Deixe que hoje é
carnaval, beijar e não levar a mal.
O carnaval são estes encontros marcados, plenos de
desencontros. Cheio de marchas rancho para expor tal tristeza.
Até Quarta-Feira - Umberto Silva e Pedro Sete - DISCO DE MARCHINHAS
Até Quarta-Feira
Meu bem, meu querer, meu duplo, vamos brincar separados. Não
tem problema até se passarem três dias. Até quarta-feira.
E se o acaso nos encontrar não o transformaremos em
necessidade. Um pra lá e outro pra cá. Assim como se nunca nos houvesse criado
esta fantasia.
Pelo menos que seja até toda a tristeza desta canção chegar
ao fim.
Voltei! - OSVALDO NUNES
Voltei!
Voltei! Aqui é meu lugar. A saudade era maior e voltei para
ficar.
2015 reflexão nr.3- por socorro moreira
Fechando ciclos. A angústia se repete, seguida de um grande alívio. A gente vai perdendo o medo de viver, em consonância com a certeza de todas as perdas.
Os ganhos são antecipados ou nunca pagos?
A matemática brinca no conjunto das complexidades. Em qualquer fase da vida vivemos de alternâncias: sustos, alegrias, emoções, desesperança, e por fim,uma força maior, que vem não sei de onde...Ou sabemos?
Não chego a recuperar-me das baixas materiais. Todo dia, uma pessoa amiga viaja pro desconhecido, um plano espiritual que eu desejo que exista. Rejeitamos o luto, mas ele se faz necessário.. Tem permanência de eternidade, mas logo um sorriso volta a se espelhar.
Não é pra isso que nascemos? Porque só aceitamos a vida em margens plácidas?
A cabeça acorda do seu cochilo, e surgem algumas saídas. O peso da idade limita atitudes, mas fortalecem opções sensatas,.na balança do comportamento humano.A as dores são compreendidas, mas os fatos ainda provocam indignações ou rebeldias. A morte é paz! Ou a paz pode ser construída com tantas experiências de vida?
Fecham-se os ciclos. Muitos recomeços, mas algo fica, em expansão universal.
2015, transforma os erros em acertos. Implora pelo alinhamento e cumplicidade dos Planetas.
Presenteie os nossos amigos com notícias animadoras que provoquem felicidades.
Se a gente vai se encontrar noutros planos, que possamos nos harmonizar por aqui, para que o nosso destino não seja violentado.
Os ganhos são antecipados ou nunca pagos?
A matemática brinca no conjunto das complexidades. Em qualquer fase da vida vivemos de alternâncias: sustos, alegrias, emoções, desesperança, e por fim,uma força maior, que vem não sei de onde...Ou sabemos?
Não chego a recuperar-me das baixas materiais. Todo dia, uma pessoa amiga viaja pro desconhecido, um plano espiritual que eu desejo que exista. Rejeitamos o luto, mas ele se faz necessário.. Tem permanência de eternidade, mas logo um sorriso volta a se espelhar.
Não é pra isso que nascemos? Porque só aceitamos a vida em margens plácidas?
A cabeça acorda do seu cochilo, e surgem algumas saídas. O peso da idade limita atitudes, mas fortalecem opções sensatas,.na balança do comportamento humano.A as dores são compreendidas, mas os fatos ainda provocam indignações ou rebeldias. A morte é paz! Ou a paz pode ser construída com tantas experiências de vida?
Fecham-se os ciclos. Muitos recomeços, mas algo fica, em expansão universal.
2015, transforma os erros em acertos. Implora pelo alinhamento e cumplicidade dos Planetas.
Presenteie os nossos amigos com notícias animadoras que provoquem felicidades.
Se a gente vai se encontrar noutros planos, que possamos nos harmonizar por aqui, para que o nosso destino não seja violentado.
Compartilhando
- Os poetas dizem tudo e mais um pouco numa brevidade de tempo e espaço impressionante. Os poetas são artistas: verdadeiros filósofos, historiadores, cientistas, arautos, filhos legítimos dos deuses, benditos adivinhos...
O SOBREVIVENTE
A Cyro dos Anjos
...
O SOBREVIVENTE
A Cyro dos Anjos
...
"Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.
Impossível escrever um poema - uma linha que seja - de verdadeira poesia.
O último trovador morreu em 1914.
Tinha um nome de que ninguém se lembra mais
Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.
Se quer fumar um charuto aperte um botão.
Paletós abotoam-se por eletricidade.
Amor se faz pelo sem-fio.
Não precisa estômago para digestão.
Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta muito para atingirmos um nível
razoável de cultura.
Mas até lá, felizmente, estarei morto.
Os homens não melhoraram
e matam-se como percevejos.
Os percevejos heroicos renascem.
Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.
E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.
(Desconfio que escrevi um poema)"
(CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)
Ver maisImpossível escrever um poema - uma linha que seja - de verdadeira poesia.
O último trovador morreu em 1914.
Tinha um nome de que ninguém se lembra mais
Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.
Se quer fumar um charuto aperte um botão.
Paletós abotoam-se por eletricidade.
Amor se faz pelo sem-fio.
Não precisa estômago para digestão.
Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta muito para atingirmos um nível
razoável de cultura.
Mas até lá, felizmente, estarei morto.
Os homens não melhoraram
e matam-se como percevejos.
Os percevejos heroicos renascem.
Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.
E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.
(Desconfio que escrevi um poema)"
(CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Um Mantra de muitas palavras - José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a
proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este
movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa
porque esta proximidade tão diminuta entre os dois é a inesperada distância.
Viva e tente esperar que os padrões, as fórmulas e formas se
apresentem igualmente as conhece. E quando elas se apresentarem examine o quão diferente
são do que se esperava. É que nesta distância, mesmo que diminuta, uma grandeza
de eventos sempre acrescenta algo ao imediato anterior.
Por isso teus conhecimentos dogmáticos perdem os pontos
fundamentais pelo enxame de segundos que os transformam a partir de uma teia
capilar de erros e críticas. Nem apenas essas modificações negativas, mas
contribuições positivas que somam questões novas quando a soledade e a
monotonia já se insinuavam como verdade.
E creia a história não é aquela dos personagens ilustres.
Por isso toneis de elogios se esvaem no asfalto esburacado de uma classe dourando
seus privilégios de serem lembrados. Mas a lembrança está no povo. No coletivo.
Nesta imensa dimensão da proximidade que é distância universal.
Nem imagens coloridas em movimento, grandes e luminosas
edições em papel de alta qualidade conseguem superar a iniquidade da adulação
que permeia a narrativa estabelecida. Apenas toque a tela e verás a eminência
do povo, num desfile sintético, a carregar o corpo de mestre Antonio Aniceto.
Antonio Aniceto com uma enxada e uma flauta de taboca foi a
proximidade maior desta distância que existe para garantir a diversidade do
mundo. Mas uma diversidade que existe para se aproximar, se igualar onde a
terra para se plantar nunca seja por concessão.
Assim como as surpreendentes orações do Papa Francisco a
acabrunhar dogmas.
Então o que se dizer da mais recente declaração do Dalai
Lama: “O que diz respeito às crenças
sociopolíticas, considero-me um marxista. O marxismo é fundado em princípios morais,
enquanto o capitalismo é baseado apenas em ganância e interesse pessoal. O
marxismo está preocupado com as vítimas da exploração imposta por uma minoria.
O fracasso do regime soviético não foi o fracasso do marxismo, mas o fracasso
do totalitarismo.”
"ZERO" - José Nilton Mariano Saraiva
China e Coréia do Sul (lá
do outro lado do mundo) se nos apresentam como dois exemplos emblemáticos do
poder transformador da Educação rumo ao desenvolvimento de uma nação e,
conseqüentemente, da alavancagem de uma melhor condição de vida aos respectivos
povos.
E conseguiram alcançar
tal desiderato só recentemente (há menos de 50 anos), quando seus dirigentes
literalmente “viraram a mesa” ao optarem pela deflagração de uma autentica
revolução no seu dia-a-dia, via direcionamento de uma significativa parcela do
seu PIB (Produto Interno Bruto) para a área educacional. Tanto é que, hoje, são
reconhecidos como potencias mundial e exemplo para as demais nações do planeta.
Portanto diletos, bem-vindos e saudáveis filhos da era do conhecimento.
A reflexão é só para
lembrar que aqui no Brasil temos o Exame Nacional do Ensino Médio-ENEM, que
avalia o conhecimento adquirido dos alunos que concluíram ou estão a concluir o
Ensino Médio; serve como método de entrada em diversas universidades públicas
substituindo seus respectivos vestibulares, através do Sisu; e é utilizado como
critério de avaliação para oferta de bolsas de estudos pelo Governo Federal em
universidades particulares pelo Prouni.
Pois bem, na última
“seleção-prova” realizada pelo ENEM (dias atrás) dos 6.000.000 de candidatos
que participaram, nada menos que 529.000 conseguiram a inacreditável “proeza”
de zerar - tirar “nota 0”, sim senhor - na redação. Atestado inconteste da falência
do modelo que aí está. Uma vergonha, aqui, na China, Coréia do Sul ou qualquer
outra parte do mundo.
Convém ressaltar que
muito antes dessa situação calamitosa se materializar, o Governo Federal já
sinalizava sua preocupação para com o setor educacional, ao batalhar
incessantemente pela alocação dos recursos oriundos da exploração do pré-sal
para o Ministério da Educação.
Para que haja a mudança
desejada, no entanto, temos de partir do pressuposto de que a “chave do
sucesso” está numa varredura completa lá no “ensino médio”: reformando
currículos; investindo pesado na formação de professores; incentivando a
leitura e além do oferecimento de condições materiais que possam motivar a
todos.Trata-se de uma tarefa hercúlea, mas que perfeitamente atingível,
conforme já nos mostraram China e Coréia do Sul.
Só assim, a “tragédia”
ocorrida no exame do ENEM desse ano servirá do tão necessário empuxo para que a
nação ingresse de vez no seleto grupo de nações de primeiro mundo.
Claro que temos tudo
para chegar lá. É só seguir o caminho que China e Coréia do Sul nos apontaram: priorizar
a Educação.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015



FW: Enc: ENVELHECER
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
Estou no zero da reta numerada! - por socorro moreira
Estou num caminho novo. Desconheço tudo, engatinho num jardim de flores. Balbucio sons incompreensíveis. Estou aonde devo estar. Alguém mandou me chamar.
Aprendo novas lições. Memórias do passado voam com os pássaros. O futuro me surpreenderá. O presente são possibilidades...O que tiver pra fazer, farei já!
Farejo amores especiais. Amores que não se entregam porque já são unos com a humanidade.
Tenho leves medos, mas coragem para encará-los. Quero olhar nos teus olhos e expressar o inexplicável !
Aprendo novas lições. Memórias do passado voam com os pássaros. O futuro me surpreenderá. O presente são possibilidades...O que tiver pra fazer, farei já!
Farejo amores especiais. Amores que não se entregam porque já são unos com a humanidade.
Tenho leves medos, mas coragem para encará-los. Quero olhar nos teus olhos e expressar o inexplicável !
Je ne suis pas bourgeois - José do Vale Pinheiro Feitosa
Je ne suis pas Lula, Dilma, Cardoso, Serra, Bolsonaro, le
Pape, le Clergé, le Patriarcha, Le Imam, Le Dalai-Lama.
Como não sou a comissão de frente da multidão que marchou em
Paris contra o fuzilamento dos cartunistas e jornalistas do Charlie Hebdo.
Como não sou os apressados que retiraram as charges do
Charlie do contexto para tentar provar que eles eram ao contrário do que se
diziam.
Como, também, não fui leitor do Charlie, mas sei da linhagem
crítica que sua editoria representou para a denunciar a ordem burguesa no mundo
todo. Assim como sei que o Charlie tinha lado e o lado numa escrita crítica é
sempre polêmico.
Como sei que a crítica ao capitalismo e à ordem burguesa
teve, durante os séculos XIX e XX três linhas de ação diferentes. Uma
reformista e duas revolucionárias. A social democracia é a que mais adiante foi
por ser reformista e aceitável pelo sistema até que o neoliberalismo deu um
chega para lá nela. As outras duas são revolucionárias com críticas entre
ambas: a anarquista e a comunista.
Como sei que que as palavras anarquismo e comunismo estão
inteiramente contaminadas de conteúdo ideológico e de acepções que nada
representam de sua matriz. É assim que a luta ideológica se faz, tentando
estigmatizar o adversário.
No dicionário que a nossa mente carrega, anarquismo, por
exemplo, é quase apenas sinônimo de caos e agora são aqueles jovens vestidos de
preto, os black blocs atirando pedras. Ou são aqueles assassinos, sabotadores e
terroristas entre o final do século XIX e XX.
Come je ne suis pas les drones et les assassinats sélectif. Estes
que são praticados pelas estratégias e táticas do imperialismo e do
neo-colonialismo.
Come je ne suis pas le lois de la charia et les martyrs
musulmam, esta prática de questionar a ordem por formas isoladas em que se mata
mas não se muda nada.
Como denuncio a ação imperialista americana e francesa sobre
a Líbia, o Iraque, a Síria, o Afeganistão, o Paquistão, descarregando uma chaga
de destruição em que todos se matam sem evoluir em sentido algum, a não ser
encharcar o terreno de sangue.
Je suis la liberté, la igualité et les droit humain et la
protection sociale.
Como sou a crítica permanente da civilização e seu
desenvolvimento além do estágio atual.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Amor americano - Lo Jaivas - poesia de Pablo Neruda
Era a época em que jovens músicos clássicos migraram para o rock. E usando os recursos eletrônicos, especialmente dos sintetizadores, abriram a senda do rock progressivo. Algum tempo após tornara-me parte carioca, passo num dos primeiro shoppings da cidade e escuto um rock progressivo bastante diferente. Com instrumentos musicais andinos. Descobri o conjunto chileno Los Jaivas que ainda hoje está ativo. E eram jovens que faziam uma música nova no país que havia mergulhado na idade média. A era Pinochet não matou o novo. Foi só uma questão de tempo para tudo vir à tona. Esta música que ouviram de um poema de Pablo Neruda fiz uma tradução ao modo das possibilidades. Mesmo que uma ponte, sempre existem outras possibilidades. Afinal é poesia.
Suba comigo, amor
americano.
Beija comigo
as pedras secretas.
A prata
torrencial da Urubamba
faz voar o
pólen em sua copa amarela.
Voe o vazio
da trepadeira,
a planta
pétrea, a grinalda dura
sobre o
silêncio do costado serrano.
Vem,
minúscula vida, entre as alas
da terra,
enquanto – cristal e frio, ar golpeado –
apartando
esmeraldas combatidas,
oh água
selvagem, baixas da neve.
Amor, amor, até
a noite abrupta,
desde o
sonoro pedernal andino,
até a aurora
de joelhos rubros,
contempla o
filho cego da neve.
Oh,
Wilkamayu de sonoros fios,
quando
rompes teus trovões lineares,
em branca
espuma, como ferida neve,
quando teu
vendaval alcantilado
canta e
castiga despertando o céu
que idioma
traz ao ouvido apenas,
desarraigada
de tua espuma andina?
Quem apresou
o relâmpago ao frio
e o deixou
na altura encadeado
repartido em
suas lágrimas glaciais
sacudido em
suas rápidas espadas,
golpeando
seus estambres aguerridos
conduzido em
sua cama de guerreiro,
sobressaltado
em seu final de rocha?
Que dizem teus clarões acossados?
teu secreto relâmpago rebelde
antes viajou povoado de palavras?
Quem vai rompendo sílabas geladas,
idiomas negros, estandartes de ouro,
bocas profundas, gritos submetidos,
em tuas delgadas águas arteriais?
Quem vai cortando pálpebras florais
que vem a mirar desde a terra?
Quem precipita os racemos mortos
que baixam em tuas mãos de cascata
a debulhar sua noite debulhada
no carvão da geologia?
Quem despedra o ramo dos vínculos?
Quem outra vez sepulta os adeuses?
Amor, amor, não toques a fronteira,
nem adores a cabeça submergida:
deixa que o tempo cumpra sua estatura
no seu salão de mananciais rotos,
e, entre a água veloz e as muralhas,
recolhe o ar do desfiladeiro
as paralelas lâminas do vento,
o canal cego das cordilheiras,
o áspero cumprimento do orvalho,
e suba, flor a flor, pela espessura,
pisando a serpente despedrada.
Na escarpada zona, pedra e bosque,
pó de estrelas verdes, selva clara,
Mantur estala como um lago vivo
E como um novo piso do silêncio.
Vem ao meu próprio ser, a alvorada minha,
até as soledades coroadas.
O reino morto vive todavia.
E no relógio a sombra sanguinária
do condor cruza com uma nave negra.
diariodonordeste
Um dos mais importantes expoentes da cultura popular da região Metropolitana do Cariri, Mestre Antônio Aniceto faleceu por volta das 11 horas da manhã deste dia 12, no Hospital Regional do Cariri (HRC), onde estava internado desde o dia 24 de dezembro passado, vítima de um AVC isquêmico. #RIP #Cariri #Cultura #CulturaPopular #PífanoSeguir
domingo, 11 de janeiro de 2015
Wapi Yo - Lokua Kanza e Peter Maffay
Esta música belíssima de Lokua Kanza foi escrita na língua Lingala, ou Mangala, que é uma língua bantu (a mesma etnia que vive em Angola que veio para o Brasil) falada na bacia do Rio Congo, entre Lisala e Kinshasa. Wapi Yo, numa tradução para inglês é uma pergunta "onde você está?" Esta mesma que fazemos o tempo todo ao nosso interior. Pois ter um interior é ser parte do outro. Ser parte do exterior.
Desnovelando versos - José do Vale Pinheiro Feitosa
Pegar uma
ponta do fio
desnovelar toda
a sua extensão
expor a
outra ponta
escondida no
centro do novelo.
Então ligar as
extremidades
entre a
ponta do coração,
que se
encontra no planisfério,
e a cena
confusa à nossa frente.
Apenas assim
poderemos regar as raízes,
garantir que
os olhos acompanhem a escritura,
movimento
cadenciado com cifras e compassos.
O corpo que
marcha, remancha fronte ao caos,
mas evolui, liberto,
aos passos de dança,
sorri de
felicidade ao canto do rouxinol.
* - abrindo a caixa de segredos da Socorro Moreira.
por socorro moreira- reflexão 2015- nr.2
Em meio a tantos tumultos ,que inauguraram os primeiros dias de 2015, eu resisto em abrir a porta da poesia. Encontro o alívio de me sentir só, e desacompanhada. Anulo a vontade de cantar meus versos. Eles ficam enovelados, sem desejos, sem espaços. A zona de silêncio teima em ampliar seu tempo. O sono me chama e os sonhos se afastam. Mas tudo passa...Novas notícias nos surpreenderão. Novos sentimentos entrarão em nossas vidas pra abrasá-las, sem afetar a paz consolidada.
Não sei escrever a dor. Ela é silenciosa e gagueja demais pra ser compreendida.
Quero a luz de todos os sóis para clarear a negritude do mundo !
Meu vale é verde.Isso me deprime, e ao mesmo tempo me conforta.
O que fazer? Esperar o que?
Estou â disposição do universo!
Saudades das nossas alegrias!
Não sei escrever a dor. Ela é silenciosa e gagueja demais pra ser compreendida.
Quero a luz de todos os sóis para clarear a negritude do mundo !
Meu vale é verde.Isso me deprime, e ao mesmo tempo me conforta.
O que fazer? Esperar o que?
Estou â disposição do universo!
Saudades das nossas alegrias!
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