por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



terça-feira, 14 de abril de 2015

Vou colar do mesmo modo que encontrei num blog este texto de Albert Einstein traduzido do inglês tecendo considerações sobre as origens e o métodos para combater o fascismo. Considero que vem a propósito das manifestações conservadoras que democraticamente se expressam nas ruas das grandes cidades. Aliás manifestações bem diferentes das ocorridas na Europa submetida a programas de austeridade governamental. E tão diferentes que permitem setores se infiltrarem a pedir ditadura, golpes e truculência. 

Sei que os conservadores de natureza democrática não concordam com a ditadura que no primeiro ato proibiriam tais manifestações. A não ser que sejam a favor do ditador de plantão. Confesso que a vantagem desta postagem é ter sido escrita por uma unanimidade da categoria de gênio no século XX. Neste momento da "SOCIEDADE PERFORMÁTICA" nada como um texto de alta personalidade para aluir o zinabre de alguns espíritos empedernidos que acreditam na liberdade de conquista individual por sobre a derrota da maioria.

Por Albert Einstein
O New York Times convidou-me a exprimir-me brevemente sobre o perigo fascista. Em resposta a esse convite envio as linhas que se seguem. Pretendendo ser breve, exprimir-me-ia de um modo categórico e dogmático que poderia dar uma impressão de imodéstia. Pedirei, portanto, aos leitores o favor de serem indulgentes para com a forma das minhas considerações e de não se interessarem senão pelo seu conteúdo.
Quase toda a gente neste país considera o regime e o modo de vida fascistas um mal contra o qual nos devemos defender por todos os meios disponíveis. É reconfortante ver os espíritos concordarem nesse ponto. Mas uma tal unanimidade não existe nem acerca da natureza desse perigo nem sobre os meios a mobilizar para o afastar. Exprimirei o meu ponto de vista sobra este assunto nas linhas que se seguem.

Eu tive oportunidade de observar a propagação da epidemia na Alemanha. Não é sem dificuldades nem reticências que o homem renuncia às suas liberdades e aos seus direitos. Mas basta que um povo se veja, em grande parte, confrontado com uma situação insuportável para que se torne incapaz de um julgamento são e se deixe abusar voluntariamente por falsos profetas. "Desemprego" é a palavra terrível que designa essa situação. Também o recear do desemprego é igualmente lancinante.

A ausência constante de segurança económica engendra uma tensão que as pessoas são incapazes de suportar a longo termo. Essa situação será ali pior do que aqui porque, num país fortemente povoado e dispondo de recursos naturais extremamente limitados, as flutuações económicas fazem-se sentir com ainda maior dureza.

Existe também aqui uma situação semelhante; o progresso tecnológico e a centralização da produção provocaram um desemprego crónico e uma parte muito considerável da população em idade de trabalhar luta em vão para se integrar no processo económico. Sobreveio desde então que tanto aqui como lá os demagogos encontraram algum sucesso provisório mas, graças à existência neste país de uma mais forte e mais avançada tradição política, eles não duraram muito tempo.

Estou convencido de que só medidas eficazes contra o desemprego e a insegurança económica do indivíduo poderão realmente afastar o perigo fascista. Por certo é necessário contrariar a propaganda fascista levada a cabo do exterior. Mas é preciso abandonar a ideia errónea e perigosa de que alcançaremos o fim do perigo fascista através de medidas puramente políticas. Tudo se passa, pelo contrário, como quando existe uma ameaça de contágio pela tuberculose. É certamente bom que existam medidas de higiene impeditivas logo que entremos em contacto com os germes da doença, mas uma boa alimentação é ainda mais importante, dado que ela reforça as defesas naturais do indivíduo contra a infecção.

Todos os que se interessam pela salvaguarda dos direitos cívicos neste pais devem, por conseguinte, estar disponíveis também a procurar de forma sincera uma solução para o problema do desemprego, tal como devem prestar-se aos sacrifícios necessários para a alcançar. É preciso então perguntar se não é justificado sacrificar uma parte da liberdade económica se isso permitir em contrapartida garantir a segurança do indivíduo e da comunidade política. Não é preciso considerar estas questões de um ponto de vista sectário, pois trata-se de nos defendermos contra um perigo que a todos diz respeito [1] .

O desempregado não sofre somente por estar privado de bens de primeira necessidade. Ele sente-se ainda excluído da comunidade humana. Ele vê recusada a possibilidade de colaborar no bem-estar geral; não goza de nenhuma consideração, sendo mesmo percebido como um fardo. É absolutamente natural que ele tenha o sentimento de que nós procedemos incorrectamente perante ele e que, procurando desembaraçar-se por si mesmo, tenha pouco a pouco recorrido a meios ilegais, a actos criminosos.

Mas, se um dentre eles consegue mesmo assim encontrar um emprego, após um período mais ou menos longo de desemprego, ele não é mesmo assim um homem livre, porque é inevitável que receie encontrar-se, em breve, de novo no desemprego. Esse estado de tensão bem real dos que têm um emprego, junto ao desemprego bem real daqueles que perderam o seu, torna as pessoas amargas. Na busca de uma saída, eles concedem sem discernimento a sua confiança ao primeiro que chegue a prometer-lhes uma melhoria da sua situação. É aí que reside o perigo político do desemprego. O perigo de ver o desemprego ameaçar a democracia é particularmente elevado quando são jovens aqueles que devem suportar essas amargas decepções; eles preferem não importa que combate à resignação e a sua falta de experiência torna-os cegos aos perigos e aos riscos que comporta uma acção irreflectida.

É interessante constatar a que grau a atitude dos homens face ao trabalho se modificou ao longo do tempo. Quando Adão foi punido, escutou: "Ganharás o teu pão com o suor do teu rosto" [2] . O trabalho foi-lhe imposto como castigo e foi por isso considerado como uma maldição. O castigo do Adão moderno é o de ser desocupado e privado do seu trabalho. Aquele que tem um trabalho suscita a inveja. Se considerarmos o progresso económico da humanidade deste ponto de vista lá se acaba essa bela altivez tanto dá a impressão de termos, ao longo dos séculos, evoluído.

O desemprego é particularmente cruel em período de crise económica. Muitas pessoas têm por isso tendência a crer que uma vez ultrapassadas as crises, o desemprego tenderá também a desaparecer. Isto parece-me, no entanto, incorrecto. Mesmo em períodos de prosperity [3] , o desemprego é significativo. É por isso que penso que podemos, sem riscos de errarmos, abstrair-nos do fenómeno das flutuações quando reflectimos nas causas do desemprego.

Parece-me que a maneira mais convincente de elucidarmos a questão será recorrer a um modelo simplificado ao extremo. Imaginemos uma ilha isolada do resto do mundo, na qual a terra possui um rendimento suficiente para nutrir os seus 300 habitantes. Supondo que existem 100 campos nessa ilha e que 100 habitantes possuem um campo cada um, com a condição de que todos os cultivem produz-se mesmo à justa para sustentar os trezentos habitantes.

Para que todo este sistema funcione de maneira satisfatória aqui está o que deve passar-se: cada camponês cultiva o seu campo com dois empregados, a quem paga para o ajudarem. Com o seu salário estes compram aquilo de que têm necessidade para viver. Deste modo, tudo está em ordem.

É então que um dos camponeses inventa uma ferramenta de trabalho particularmente eficaz que lhe permite obter do seu campo o rendimento habitual com a ajuda de um só empregado. Resultado: temos um desempregado e um camponês para o qual o lucro é mais importante que aqueles seus colegas, porque este último pode vender os seus produtos mais baratos dado que tem que desembolsar menos em salários.

A satisfação é de curta duração. Ele faz, de facto, aos outros camponeses uma concorrência desmesurada. Estes vêem-se, deste modo, constrangidos a utilizar por seu turno a nova ferramenta que ele inventou, o que lhes permitirá também obter doravante com um só empregado o mesmo rendimento do costume.

Mas algo de grave se passou entretanto. Cem homens são forçados ao desemprego e os camponeses não mais chegam a desfazer-se de um terço da sua colheita, tanto mais que não existe mercado exterior. Produzir do mesmo modo de futuro não tem mais sentido algum. Não existe "procura" correspondente àquilo de que cem homens têm necessidade para viver. Pode-se, entretanto, produzir quanto muito um pouco mais que dois terços da quantidade normal a fim de evitar que os 100 desempregados morram de fome e se revoltem.

Eis que vejo os meus sensatos leitores torcerem o nariz de desdém e dizerem que nada percebo de economia. Esses cem desempregados, pensam, acabarão na realidade por descobrir na sua miséria um meio de fazer frutificar o seu trabalho utilmente e de receber em troca dinheiro e pão. Eles poderão, por exemplo, tornar-se cabeleireiros, actores, enfermeiros, etc., e dessa forma suavizar a vida da comunidade. Eis o que é perfeitamente verdadeiro. Mas que este processo não logra, contudo, compensar o facto de que a necessidade de mão-de-obra baixou em virtude do aperfeiçoamento do processo, eu o vejo revelar-se na nossa economia de verdade e não neste exemplo um pouco simplista que escolhi para clarificar a ideia.

Voltemos ainda ao nosso exemplo! Os nossos trezentos insulares quebraram a cabeça para encontrar uma forma de se desenvencilharem do desemprego de modo a recriarem o seu paraíso perdido. Para começar, é evidente que um só camponês não pode contratar duas pessoas e dividir o tempo de trabalho por dois. Isto porque lhe seria necessário gastar tanto dinheiro com os salários destes dois empregados que se tornava impossível a ele sustentar a concorrência dos outros camponeses.

De facto, sozinho um camponês não pode resolver o problema! Mas, todos juntos poderiam consegui-lo, e eis o que eles determinaram: cada um deles contrataria duas pessoas a meio tempo, mas com salário completo. A bem dizer, não era indispensável exigir um salário normal, porque se as pessoas passassem a receber um salário reduzido a metade os preços dos cereais teriam forçosamente que baixar, eles também, para metade, e seria oportuno evitar este choc [4] no mundo dos negócios.

Se estas pessoas tivessem podido dispor, como nós, de um vocabulário erudito elas teriam qualificado essa solução de "economia planificada" no quadro de uma sociedade capitalista. No caso da nossa estrutura económica actual, que é eminentemente complexa, o problema é muito mais complicado; [ainda assim] ele não permanece [por isso], no essencial, menos o mesmo. Como as pessoas da nossa ilha estavam longe de serem tão instruídas quanto o somos hoje em dia, não se encontrará pessoa alguma para combater essa proposição sob o pretexto de que se trata aqui de um entrave ao direito do cidadão de agir livremente, tal como o está garantido pela constituição; e, por outro lado, à falta de um Supreme Cour [5] , uma tal diligência não teria, por assim dizer, nenhum sentido.

Indiquei, no que precede, o que é preciso, quanto a mim, procurar o único remédio contra o perigo fascista. Impormo-nos voluntariamente limites em favor de uma ordem cuja necessidade reconhecemos é na verdade, em geral, o meio mais eficaz para chegar ao mais alto grau possível de liberdade e de segurança, inclusive no domínio da política internacional.

Notas
1- No seu manuscrito, Einstein riscou vinte e quatro linhas, dentre as quais as seguinte: "Hoje em dia não há ninguém que negue que as concessões da França e da Inglaterra a Munique desenvolveram a arrogância e a agressividade [da Alemanha e da Itália]."
2- No Génesis, 3, 19.
3- A palavra, em inglês no original, é assim, ao mesmo tempo, uma alusão ao passado compreendido entre a Primeira Guerra Mundial e a crise de 1929, nos Estados Unidos da América.
4- Em francês no texto.
5- O Supremo Tribunal dos EUA.

[*] Artigo publicado no número especial (para a Feira internacional) do New York Herald, de 30/Abril/1939.   Einstein intitulou primeiramente a sua contribuição de "O perigo fascista e os meios de o combater".   Tradução de Bruno Monteiro.

domingo, 5 de abril de 2015

"RATIFICAÇÃO" - José Nilton Mariano Saraiva

Na edição de hoje da “Folha de São Paulo” o competente jornalista Jânio de Freitas RATIFICA - à sua maneira; evidentemente - aquilo que já havíamos comentado ontem na postagem "A Petrobras e o Pragmatismo Chinês" no tocante ao sucesso do pré-sal; à campanha negativa contra a Petrobras por parte de maus brasileiros e; paradoxalmente; o apoio e estímulo incondicionais por parte dos “pragmáticos” chineses. Confira abaixo.
(Obs: estamos sem a vírgula; daí o uso do ponto e vírgula)

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De olho no óleo, por Janio de Freitas - (Folha de São Paulo – 05.04.15)

A pressão para que seja retirada da Petrobras a exclusividade como operadora dos poços no pré-sal começa a aumentar e, em breve, deverá ser muito forte. Interesses estraula)ngeiros e brasileiros convergem nesse sentido, excitados pela simultânea comprovação de êxito na exploração do pré-sal e enfraquecimento da empresa, com perda de força política e de apoio público. Mas o objetivo final da ofensiva é que a Petrobras deixe de ter participação societária (mínima de 30%) nas concessionárias dos poços por ela operados.
Como o repórter Pedro Soares já relatou na Folha, a Petrobras está extraindo muito mais do que os 15 mil barris diários por poço, previstos nos estudos de 2010. A média da produção diária é de 25 mil barris em cada um dos 17 poços nos campos Lula e Sapinhoá, na Bacia de Santos (de São Paulo ao Espírito Santos). Perto de 70% mais.
Não é à toa que, se a Petrobras perde a confiança de brasileiros, ganha a da China, que a meio da semana concedeu-lhe US$ 3,5 bilhões em empréstimo com as estimulantes condições do seu Banco de Desenvolvimento.

Por Norma Hauer

MOREIRA DA SILVA ... E O PRIMEIRO DE ABRIL
Ele gostava sempre de dizer que nascera em um primeiro de abril, mas que não era de mentira. Esse primeiro de abril foi no ano de 1902.
Assim, todos os anos, nessa data, desfilava em carro aberto pela Rua da Carioca comemorando seu aniversário, para mostrar que estava vivo.
Seu nome : Antônio Moreira da Silva, que se tornou conhecido como MOREIRA DA SILVA – O Tal, cognome que lhe deu César Ladeira ao levá-lo para a Rádio Mayrink Veiga, em 1937, depois de descobri-lo no Cassino Atlântico.
Antes de ingressar no rádio, cantava música romântica em bares e bailes, o que hoje parece impossível ter acontecido com o sambista que incentivou sua carreira cantando sambas de breque. Não foi o criador desse estilo de cantar (Luiz Barbosa, também da Mayrink, já o fazia, mas com pequenas frases.)
Foi no Teatro Méier, interpretando o samba “Jogo Proibido” que interrompeu a música e “desfilou” seus breques, entusiasmando a platéia e fazendo-o adotar o estilo até o fim de suas apresentações aos 96 anos , em 1998.
Não foi o cantor que mais gravou, mas foi o que cantou durante mais tempo. Afinal, viveu 98 anos , lúcido até o fim.
Sua primeira gravação foram dois pontos de macumba: “Ererê” e “Rei da Macumba”, em 1931, na Odeon. Mas seu primeiro sucesso foi o samba “Arrasta a Sandália”, em 1932.
Em 1935 outro grande sucesso:”Implorar”,de Kide Pepe e Germano Augusto.
Já sendo um nome conhecido, em 1938 foi a Portugal, ali tomando parte em um filme de nome “A Varanda dos Rouxinóis”, de Leitão de Barros.
Regressando ao Brasil no mesmo ano, voltou à Mayrink, indo depois para a Rádio Tupi.
Em 1940 e 1941 dois sambas “estouraram”:
“Etelvina, acertei no milhar
Ganhei quinhentos contos,
Não vou mais trabalhar...
Você dê toda nossa roupa aos pobres
E a mobília, podemos quebrar (isso é pra já)
Etelvina, vai ter outra Lua de mel
Você vai ser madame, vai morar num grande hotel
E telefone para o Mané do armazém
Porque não quero ficar devendo nada a ninguém
Eu vou comprar um avião azul
Para percorrer a América do Sul
Até que enfim agora sou feliz
Vou percorrer a Europa toda, até Paris...
E os nossos filhos, oh, que inferno,
Eu vou pô-los no colégio interno...
Mas de repente, mas de repente...
Etelvina me chamou, está na hora do “batente”
Mas de repente...
Etelvina me chamou...
Foi um sonho, minha gente.
“e O “Amigo Urso “
"Amigo Urso, saudações polares,
Ao leres esta, hás de te lembrares"
Ele a regravou, corrigindo o “português” assim:
"Amigo Urso,saudação polar
Ao leres esta, hás de te lembrar"
Daquela“ grana” que eu te emprestei,
Quando estavas mal de vida e nunca te cobrei,,,”
A primeira gravação foi recolhida e, quem a adquiriu, ficou com uma raridade.
Dois sambas foram sua marca em 1952: “Olhe o Padilha” e “Na Subida do Morro”.
Padilha era um delegado “durão” que não admitia certas “intimidades” na rua e mandava prender quem as cometesse.
Morengueira, brincalhão, gravou o samba que “estourou” como um dos maiores sucessos daquele ano.
Seu primeiro LP, já nos anos 60, recebeu o nome de “O Último dos Malandros” e em 1963 gravou uma série de composições de Miguel Gustavo, lançados em um LP, aberto com “O Último dos Malandros”.
Em outros LPs gravou Noel Rosa com “Conversa de Botequim”; regravou “Acertei no Milhar”, alterando sua letra para “ 500 cruzeiros” ao invés de 500 contos e regravou, ainda, “Na Subida do Morro”.
Em 1979, convidado por Chico Buarque, fez parte de um LP com o nome de “A Ópera do Malandro” na qual, em dueto com Chico, gravou “Meus 12 Anos”.
Em 1980, viajou pelo Brasil com o “Projeto Pixinguinha”; em 1989 lançou um LP denominado “ 50 Anos de Samba de Breque” e, em 1992, foi homenageado pela Escola de Samba “Unidos de Manguinhos” com o samba-enredo “Moreira da Silva-90 Anos de Samba”.
Com Dicró, e Bezerra da Silva gravou um LP de nome “Três Malandros in concert”, numa sátira aos “Três Cantores in concert”, com Pavarotti e Cia.
Ainda, em 1995 teve fôlego para se apresentar no Projeto Seis e Meia do Teatro João Caetano.
E em 1998 num LP de nome “Brasil são Outros 500”. encerrou sua carreira com “Amigo Urso”.
Ele dizia que viveria 100 anos, mas a morte o levou em 6 de junho de 2000, aos 98.

sábado, 4 de abril de 2015



A PETROBRAS E O "PRAGMATISMO CHINÊS" - José Nilton Mariano Saraiva

Sábios, pacientes e pragmáticos, os chineses não dão murro em ponta de faca e nem admitem marola com coisa séria. E por serem muito criterioso em tudo o que fazem, é que atingiram a condição de maior potencia do mundo, da atualidade. Não entram em aventuras que venham a lhes causar problemas futuro, daí só investirem quando o retorno é certo e onde haja a garantia de manutenção das regras por parte de um governo institucionalmente estável. Especialmente em termos econômico-financeiros, o rigor na “seletividade” dos parceiros é sua marca maior, beirando ao extremismo. Em assim procedendo, o chinês não se deixa ludibriar por qualquer canto de sereia e não desembarca em nenhum desses portos chinfrins da vida.

Por isso, e embora a desonesta mídia brasileira haja adotado um silencio sepulcral sobre, é gratificante tomar conhecimento, e tratar de difundir aqui e alhures, que o “pragmatismo chinês” prevaleceu mais uma vez, porquanto, mesmo com o vendaval de denúncias e a posterior confirmação de malfeitos perpetrados por alguns aloprados na Petrobras (sem a participação do chefe do poder executivo), resolveram investir pesado na empresa, concedendo-lhe um empréstimo de estratosféricos U$ 3.500.000.000,00 (três bilhões e quinhentos milhões de dólares) além de acenarem com a perspectiva da concessão, mais adiante, de novos e portentosos investimentos.

E isso, repita-se, apesar de toda a campanha negativista e malévola encetada contra aquela estatal e seus funcionários por uma oposição raivosa e sectária (ainda lambendo as feridas do inconformismo por ter perdido uma eleição que considerava certa) e difundida com estardalhaço por uma mídia corrupta e desonesta, que também fracassou em sua tentativa de eleger o representante da “gringarada” (o playboy do Leblon, Aécio Neves) por essas bandas.
 
E os chineses fizeram tal opção por uma razão simplória e objetiva, mas que alguns maus brasileiros (incensados por políticos corruptos e irresponsáveis), teimam em querer manter à sombra: é que, independentemente das dificuldades momentâneas que atravessa, a Petrobras é, sim, uma das maiores empresas do mundo em termos de prospecção e extração de petróleo em águas profundas (em face da sofisticada tecnologia de ponta que desenvolveu ao longo dos anos) e que lhe permitiu descobrir as fabulosas e até então virgens jazidas do pré-sal a 7.000 metros de profundidade e a milhares de quilômetros de distância da costa brasileira (um feito inigualável).

Além do que, o que se comenta entre especialistas (e os chineses devem tomado conhecimento, evidentemente) é que hoje a Petrobras estaria até “economizando” em investimento pelo fato de os poços do pré-sal serem mais produtivos que o esperado. Por exemplo: num poço em que se previa produzir 15 mil barris-dia, em média, produz, hoje, 25 mil barris a cada 24 horas. E isso, queiram ou não admitir os “eternamente do contra” (sempre de plantão) é uma monstruosidade, em qualquer idioma, tendo em vista que no Mar do Norte a média é 15 mil barris de petróleo por poço/dia e, no Golfo do México, são 10 mil barris de petróleo por poço/dia. Pois bem, no campo de Lula, um só poço produz tanto quanto um do Mar do Norte e outro do Golfo do México, SOMADOS. E mais: alguns dos poços do pré-sal chegam a produzir, entre óleo e gás, 45 mil barris-dia de média e na produção do poço de Libra espera-se rendimento de 50 mil barris diários.

Assim, a alvissareira perspectiva é que, como o faz hoje a pragmática China no mundo sempre haverá alguém para “negociar-conceder” créditos a uma empresa detentora de um capital intangível insuspeito e que literalmente se acha fincada sobre as maiores jazidas de petróleo recentemente descobertas. Portanto; a tendência é que depois da casa arrumada novos e potenciais parceiros deverão aportar por essas bandas em breve.

Conclusão: mesmo ante a ação criminosa naquela estatal de meia dúzia de bandido-engravatados (de alta periculosidade), de par com mafiosos políticos e empresários inescrupulosos – cujo objetivo maior sempre foi, é e será entregar o pré-sal à “gringarada” – tal não ocorrerá. Isso porque, detentora de tantos predicados, a Petrobrás impor-se-á sobre o vendável de falcatruas de que foi vítima – apesar da recorrente e desesperada tentativa da “tucanalhada” de enxovalhá-la e denegri-la dia a dia.

No mais, aprendida a lição (mesmo que de forma traumática e dolorosa), a partir de então é tratar de blindá-la hermeticamente, visando obstar qualquer outra "investida-bandida", principalmente da abjeta e desprezível classe política brasileira.



quinta-feira, 2 de abril de 2015

Os elos de uma só cadeia

J. Flávio Vieira

“Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!
No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."

Castro Alves ( “Navio Negreiro”)

                                               O lenga –lenga parece cantiga de grilo : não tem fim. Desde os anos 90 roda,  no Congresso,   Projeto de Emenda Constitucional que busca reduzir a Maioridade Penal no Brasil. Em meio ao tiroteio interminável da nossa violência urbana, com frequentes casos de menores envolvidos em delitos, a grande Mídia – reflexo das classes mais privilegiadas do país que lhe patrocina—tem levado a maior parte da população ( mais de 80%)  a crer nesta medida como fundamental para a atenuação da nossa violência urbana. Recentemente a Comissão de Constituição e Justiça apreciou a PEC 171/93, apresentada pela Frente Parlamentar de Segurança Pública, vulgarmente conhecida como  Bancada da Bala, e a proposta foi aprovada por mais de 70% dos votos. Deve agora seguir os trâmites legais e ir, depois, à  votação  na Câmara e no Senado.
                            Nado contra a maré mais uma vez.  Acredito que a Emenda, se aprovada, não só não atenuará o problema, como tende a piorá-lo. Continuaremos  matando algumas formigas na boca do formigueiro, imaginando que assim solucionaremos o problema da saúva no milharal. E as razões que me levam a pensar assim são transparentes. Primeiro , as estatísticas mostram que apenas uma fatia mínima dos jovens , algo em torno de 0,5%, comete delitos. Estes, na sua maioria , são pobres, pouco alfabetizados, negros e residem em áreas em que o Estado sempre se mostrou profundamente omisso. Eles são , na verdade, vítimas do sistema perverso onde estão metidos e não agentes da violência das ruas.  Punir apenas, isenta totalmente o Estado da sua culpabilidade e estaremos, mais uma vez,  mexendo apenas nos efeitos e colocando no baú as causas.  Além de tudo, se resolvesse cadeia para criança, o problema estaria , de longe, resolvido. Temos uma Pena de Morte tácita nas ruas para os menores infratores. Nos últimos vinte anos,  os homicídios de crianças e adolescentes cresceram 350%,  só em 2010, foram assassinadas 24 crianças e adolescentes a cada dia.  
                            Aplicada a nova Maioridade Penal, os presídios,  já perversamente abarrotados, se encherão , agora, de crianças, sujeitas a todo tipo de agressão. Já possuímos a quarta maior população carcerária do mundo.  Delinquentes menores se matricularão, automaticamente, em verdadeiras universidades do crime . Os presídios brasileiros têm uma vergonhosa taxa de reincidência de 70% e a do sistema socioeducativo aplicado, com toda falha desse mundo, não chega a reincidência a 20%. Aprovada a PEC, feriremos , de morte, o Estatuto da Criança e do Adolescente e mais : a Emenda parece de todo inconstitucional. Além de tudo, para nós que nos preocupamos tanto  com a imagem do país no exterior, estaremos agredindo acordos internacionais importantes como  a Convenção sobre os Direitos da Criança e do Adolescente da Organização das Nações Unidas (ONU) e a Declaração Internacional dos Direitos da Criança compromissos assinados pelo Brasil. Por outro lado, a elite brasileira que tanto se preocupa em copiar modelos estrangeiros precisa saber que das 57 Legislações internacionais existentes sobre Maioridade Penal, apenas 17 preconizam maioridade abaixo de 18 anos, ou seja a minoria de tão-somente 29%. Os índices de delitos entre jovens no Brasil de 10%, por outro lado, estão abaixo da média mundial  que é de 11,6%.
                            A aprovação da PEC 171/93, assim, não é só inócua, como perigosa e irresponsável. A chave para minorar a delinquência juvenil no país está na Educação e não na punibilidade. O Estado precisa  olhar para todos e não tratar alguns como filhinhos do papai e os outros como enteados. É preciso , sim, continuar na luta contra a desigualdade social. As vozes que hoje se levantam  a favor da diminuição da Maioridade Penal  são a reencarnação daquelas mesmas que um dia se puseram contra o fim da Escravidão e  a favor do genocídio de Canudos e do bombardeio do Caldeirão.  Elas continuam hasteando os mastros dos seus Navios Negreiros e reerguendo seus Pelourinhos pelas praças deste país.


Crato, 02 de Abril de 2015

segunda-feira, 30 de março de 2015

Noite mágica! Lançamento do livro de Geraldo Urano

O Ferrolho do Abismo e Prato de Estrelas

Evento que reuniu pessoas que eu gosto e admiro.
Depoimentos belíssimos de  Zé Flávio, Abidoral Jamacaru, Pachelly, Claúdia Rejane,João do Crato ,Calazans Calou,Rafael, , Salatiel., Emerson Monteiro...


 poeta Bebeto




Família!


O bolo da festa.Lindo!

Músico: Calazans Calou




Vera e Roberta




POETA!


Justíssima homenagem ao grande poeta cratense.



" um homem caminha na tarde do brasil
uma laranja cai do pé
uma boca azul como a terra beija o sol
são três da tarde
olhem pra mim
não sou uma gracinha?
desci da nave com minha roupa brilhante
e tomei uma Coca-Cola na esquina"


Escolha aleatória de um dos seus poemas.
Pensei que iria ler , Geraldo Urano ,de uma  só vez...mas  não !
O livro  é de  cabeceira.




 

sexta-feira, 27 de março de 2015

Harar - José do Vale Pinheiro Feitosa



Um dia tomamos conhecimento de um lugar. Diferente. De tudo que temos como realidade. Assim como os contos das mil e uma noites. Chegando até nós pelos arcos dos palácios, entre as alamedas dos jardins internos, esgueirando-se através dos muros e saindo pelas amplas trilhas dos desertos.

Muitas noites em torno de brasas a fazer chá. Muitos sóis queimando todo o movimento das possibilidades, reduzindo-as a um silêncio introspectivo das caravanas abrasadas. Através o ermo até chegar ao destino com sua preciosa mercadoria.

A mercadoria da história. Chegando à porta daquele lugar, que agora sabemos ser Harar a capital muçulmana. A quarta mais importante cidade do Islã, após Meca, Medina e Jerusalém. E escolhido um entre cinco dos seus portões que representam as virtudes do Islã.

Escolhido e penetrado no burburinho do mercado interno. Contemplando suas mesquitas. As madraçais onde as crianças aprendem sobre as trilhas da terra e dos céus.  Deixado suas novidades nos depósitos, ido até Alá e prestar-lhe conta de seus atos perante o mundo.

Amar. Os belos olhos que penetram meu peito não para bisbilhotar meus segredos, mas para cevar nas suas entranhas um ramo que perfume, que irriga os desertos como um jardim, colore os céus como suas roupas e faz do lago um imenso cristal habitado por flamingos, patos e peixes a pular na superfície.


Harar chegou até meu conhecimento como um lugar. Um lugar para penetrar seus muros, vender as mercadorias e extrair da vida toda a promessa de felicidade que o mundo guarda para aqueles que a buscam. 

quinta-feira, 26 de março de 2015

Imagens do Povo da Etiópia - José do Vale Pinheiro Feitosa

Nossos valores, especialmente aqueles pelos quais somos capazes de arrastar a babá do bebê, vestida de branco como convém à dignidade de classe média, para tirar um selfie com bebê e tudo em plena passeata do “bate panela”. Completando a informação.

Nossos valores refletem a possibilidades de acesso ao mundo material dos modelos de civilização. O que ela nos oferece se torna cultura que é outra maneira de falar de tais valores.

O nosso ideal é ter um carro. Nunca um “bate panela” irá, com convicção, a uma passeata em prol do transporte em bicicleta. O carro é seu “fetiche” cultural, sem ele não existe representação social.

Isso é verdade para os motociclistas. Converse com qualquer neurocirurgião sobre o que pensam desta epidemia de lesões decorrentes do enorme trânsito de motocicletas na sociedade brasileira. Mas vá dizer isso a quem tem uma e a usa.

Mas o meu assunto é a Etiópia. E tenho alguma pressa pois logo o blog estará aliviado, por um tempo, das minhas incursões. E hoje é sobre isso mesmo. Como numa determinada região de Etiópia (Gonder, Bahir Dar e Lalibela) vimos o povo a pé em longa tiradas à beira da estrada.

Com suas vestimentas típicas. Mantos para se abrigar do frio e do sol, saia coloridas e compridas. Cores intensas e primárias. Os homens desde da fase de transição entre criança e ser adulto, avançando na idade usam cajados de madeira.

É costume vê-los com o cajado cruzado nos ombros e com os braços descansando sobre ele. Já na região mais muçulmana, entre Dire Dawa e Harar, onde existe um comércio de chat (uma planta usada como estimulante) e várias cidades intermediárias, o povo andava em vans e no chamado tuc-tuc uma cabine para três pessoas montada sobre a estrutura de um triciclo.

A cidade de Lalibela impressiona pela religiosidade cristã. Um cristianismo primitivo. Ortodoxo. Vindo de era distante. O rei Lalibela construiu igrejas impressionantes em rochas abaixo do nível do chão. Como os cristãos da Etiópia tinham dificuldade para fazer peregrinações a Jerusalém (é isso mesmo ainda no século XI eles iam da Etiópia ao Oriente Médio) em razão do domínio mouro, Lalibela transformou a cidade, que passou a usar seu nome, numa verdadeira Jerusalém.

A um riacho denominou Rio Jordão e monte das Oliveiras a outra formação na proximidade. E são onze igrejas em monólito com túneis ligando-as, sistema de abastecimento de água e escadas para se descer até elas.

Existe um local para feira. Só que ali não existe moeda intermediando. São trocas no estilo escambo. O povo vem das elevadas montanhas, com mais de 3 mil metros de altura, com seus produtos, trocam e voltam a subir em destino de suas casas.

Um rio Jordão, um Monte das Oliveiras, igrejas em pedra, a visão que se tem do povo com os sacos de produtos nas costas é de um tempo bíblico. De um povo bíblico em plena África. O vídeo abaixo mostra isso.




A paisagem da Etiópia é belíssima. E o Tucum a habitação mais típica de toda a região. O vídeo abaixo vai mostrar isso mesmo.  


quarta-feira, 25 de março de 2015

"INJERA" - José do Vale Pinheiro Feitosa

Feita da farinha do “teff” fermentada, com a troca de três águas, a “injera” é na prática assada numa grande e redonda forma de cerâmica sobre o fogo e tampada a maior parte da cocção. A matéria prima do fogo pode ser o carvão, lenha, gravetos ou fezes seca de gado.

Nos restaurantes populares e no sofisticado Yod Abissinica de Adis Abeba a injera é servida à moda tradicional, com porções de carnes, legumes, cereais, molhos, pãezinhos feitos com a farinha do teff. Come-se com as mãos, pegando pedaços da injera junto com porções de suas coberturas. Se você é uma pessoa de consideração para o anfitrião, ele pode até pegar uma porção e servi-la em sua boca.

Na velocidade do asfalto deslizado o Sami traduziu todas as lembranças dos já vividos e os desejos dos desconhecidos. Estancou a bota de sete léguas bem no centro de uma vila. Onde o povo vivia como é de cada dia. Sem teatro, apenas o discurso de sua história e tradição.

Do outro lado da pista, entre as casas de taipa uma fumaça com gente em volta. Sami nos transportou para a intimidade da vila. Onde se assava a injera. Todos os seus passos, toda a sua arte, seu modo paciente e andante, lento desnovelar processo de ser. Uma vila da Etiópia. Mesmo que à beira do asfalto.

E aquelas máquinas de filmar. Fotografar. Aquela pele, aquela cor de cabelos, aquelas roupas, a curiosidade em forma de uma gente estranha entrou na roda da injera sendo assada. Parte importante da vila veio para conhecer aqueles modos, aquelas maneiras de se apresentar, olhando-os repetidamente através das lentes de vidro de máquinas silenciosas.

Com alguma interação por certo. De curiosidade recíproca. De um lado é possível que tenham sobrado algumas conversas, comentários e vagas e fugidias lembranças. Do outro lado ficaram gravadas estas imagens. As imagens que podemos repetir milhares de vezes.


Fazer um eco duradouro até não se sabe quando, mas por certo duradouro, daquele breve momento onde toda a força de um povo se comprovou como forma de imagens em movimento e instantâneas. Talvez tão duradoura sejam quanto a certeza de assar outras injeras e junto aos seus fazer uma refeição coletiva. 


Lançamento das Poesias Completas de Geraldo Urano

Imperdível !
Domingo
Dia 29 de Março - 19:30 H
Instituto Cultural do Cariri


terça-feira, 24 de março de 2015


"TEFF" - José do Vale Pinheiro Feitosa

Três razões para se ir à Etiópia: geografia, história e onde se notificou o último caso da única doença já erradicada pela humanidade (varíola). Amigos lembrando a pobreza, a violência africana e a insurreição islâmica, que apesar motivam mais que os circuitos do consumo e das fotos no “face”.

A geografia da Etiópia é belíssima, um platô elevado, montanhoso, cheio de vales, incluindo o famoso Vale do Rift (fenda geológica vindo da Península Arábica e penetra a África até a região dos lagos) e muitos lagos que dispersam, generosamente, águas para os países vizinhos.

Ao mesmo que tem um semideserto (Ogaden) de terras baixas, aí a depressão de Afar dos primeiros seres humanos. Vulcões extintos, alguns que espirram, lagos em crateras, vegetação de estepe, florestas em terras altas e nas encostas onde o café surgiu, grande evento cultural (falaremos a respeito).

Existe a belíssima fauna e flora africana. A fauna com elefantes, leões, jacarés, hipopótamos, girafas, monos. Tudo que é África. E a flora das estepes e florestas, das zonas semidesérticas arbustivas e acácias, de espinhos longos e agudos, produtora de tanino, que só as girafas tornam comida.

A história da Etiópia é a antiguidade. Especialmente pela proximidade do Mar Vermelho e do Oceano Indico, como métrica das rotas de navegação para a Índia, Península Arábica, Oriente Médio, Egito e Roma. Sobre a mirra e o incenso, pense na Etiópia e sua vizinha Eritréia. No comércio do golfo de Aden e as trocas com as riquezas das terras altas.

A mitologia que envolve a formação imperial e de antigas civilizações é outro eixo africano qual foi o Egito. Vamos a outra exclusividade, não exportável qual aconteceu com o café. O grão de “teff”: o menor cereal do mundo, quase do tamanho do alpiste. A sua farinha é um alimento riquíssimo em minerais, especialmente ferro e nos aminoácidos formadores da vida.


O teff é a base da alimentação do povo da Etiópia. Como “injera”, o principal prato feito com o “teff”. Ali se domesticou o “teff” há milhares de ano com um dos principais produtos de sua agricultura. No vídeo vê-se um resumo desta história, inclusive como a alimentação feito a “injera”.  Mas veremos como o “teff” começa a ser “apropriado” pelo “experto” nutricionismo de “famosos” como a panaceia de mais um milagre alimentar a secar gorduras e muscular as exposições narcísicas. 




Não veio de fábrica? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Quem ainda ao comprar um carro em qualquer concessionária não foi abordado por vendedores insistentes oferecendo gel protetor dos assentos, liquido que conserva a pintura, presilhas de plásticos com refletores de luz para sinalização das portas e tantas outras coisas a mais, todas elas desnecessárias? Não sei se hipnotizado pela boa conversa do vendedor, ou muitas vezes para se livrar dele, caímos na tolice de comprar, mesmo sabendo que estamos com o saldo bancário zerado pela comprar de porte que realizamos, com pagamento à vista ou cheios de prestações que podem durar até vinte e quatro meses.

Pois vou passar uma receita que aprendi com o meu saudoso sogro, o Dr. Aníbal Figueiredo. Se ao sermos abordado por qualquer vendedor, do mais requintado, daqueles que o sujeito pede uma caixa de absorvente e o vendedor termina vendendo até barco a motor, aos mais simples vendedores de óculos escuros tirando nosso sossego na praia.

Basta fazer a pergunta acima. "Veio de fábrica"?  A resposta geralmente é negativa. "Então não é necessário", emendamos imediatamente. Ao aplicar essa salvadora pergunta o vendedor vai embora de fininho. Já consegui desarmar os argumentos de todos os vendedores que me procuraram no momento de fechar qualquer compra, até nas lojas e grandes magazines.

Boas compras e apliquem a sugestão acima. 
  

segunda-feira, 23 de março de 2015

O SOM DO SILÊNCIO

 
                           Uma bela canção que atravessa décadas sempre nos emocionando.

sexta-feira, 20 de março de 2015



Marconi Perrilo dá rumos na política - José do Vale Pinheiro Feitosa

O movimento das ruas no domingo passado abriu uma agenda de confrontos que se desdobram dia-a-dia. A previsão é difícil e funciona como adivinhação, o mais preciso é observar como os desdobramentos acontecem. Como, por exemplo, o comportamento do Governador de Goiás, Marconi Perillo, num palanque ontem junto à Presidente Dilma. Marconi falou como um quadro do PSDB e é por ai que devemos entender. Sem nada a respeito, mas coincidentemente no mesmo dia em que vazou um vídeo do "Doleiro dos Políticos" a acusar Aécio Neves de receber dinheiro de "tenebrosas transações" em Furnas. 

E o que diz Perillo: "É indispensável dizer que recebi muitos conselhos, Presidenta, para não estar aqui. Eu disse que se eu, em todos os momentos, jamais concordei com a intolerância e com as injustiças em relação à Presidente, se eu sempre a recebi aqui respeitosamente, não vou temer comparecer a algum evento em que, eventualmente, alguma claque pode me hostilizar. Venho aqui como governador legitimamente reeleito do Estado de Goiás para receber uma Presidente da República que foi legitimamente reeleita e que tem o meu apoio à sua governabilidade. O Brasil não pode ser vítima da intolerância, do desrespeito...ser vítima de minorias que não querem uma democracia onde o republicanismo possa prevalecer. Nunca ninguém ouviu aqui em Goiás uma palavra minha que não fosse de respeito e de reconhecimento ao trabalho de Vossa Excelência."

"Não me importo com minorias que muitas vezes atuam tão somente com o objetivo de desrespeitar as pessoas. Não à intolerância, pela democracia no Brasil, pelo republicanismo e pelas muitas parcerias que temos hoje e ainda haveremos de ter daqui pra frente."

A verdade é que crises como estas além de poderem descambar para a negação da democrai como efetivamente querem alguns, também abre a oportunidade para o exercício da política e neste momento surgem muitas lideranças que marcam rumos. Não é possível adivinhar, mas as evidências apontam que a prática política de Aécio Neves não tem futuro maior. Serra é infinitamente mais experto (falando de lideranças mais proeminentes).








EM BUSCA DE NÓS MESMOS
 
Quatro universos se abraçam.
Dois corpos fundindo seus limites,
e o espaço transformando-se sempre;
em dois: o que o passou e o que se passa.
 
(José do Vale Pinheiro Feitosa)

"BICUDOS NÃO SE BEIJAM" - José Nilton Mariano Saraiva

Farinha do mesmo saco, só que até então momentaneamente no exercício de um cargo superior no Poder Executivo, o senhor Cid Gomes bem que tentou tergiversar, enrolar de alguma forma, fugir do confronto, quando do seu depoimento aos “colegas-políticos” do Poder Legislativo Federal (Câmara dos Deputados) no momento em que ali compareceu a fim de explicar-se sobre a alcunha de “achacadores” que houvera impingido à maioria deles (de 300 a 400 - indistintamente), dias antes.

Ex-parlamentar e tendo ascendido à Governadoria do Estado do Ceará por obra e graça de acordos não tão republicanos nos bastidores, ao longo do tempo o senhor Cid Gomes acostumou-se a lidar com os “amestrados cordeirinhos” da Assembléia Legislativa do Ceará, vergonhosamente pródigos em satisfazer seus caprichos e vontades (vide a nebulosa questão da construção do tal Aquário e/ou a indicação da cunhada Patrícia Gomes para o cargo vitalício de conselheira do Tribunal de Contas do Estado, sem que tenha a mínima qualificação técnica); pois bem, mal acostumado  imaginou que com o papo furado que lhe é peculiar poderia sair incólume da refrega.

Assim, num primeiro momento insistiu que o encontro que tivera com estudantes da Universidade do Pará (onde se pronunciara sobre) se dera em ambiente fechado, que a gravação da conversa por parte de alguém não autorizado nada valia e, portanto, ilegal seria, que quem ali se pronunciara fora a “pessoa física” e não a figura institucional do Ministro de Estado (quanta babaquice) e, enfim, que tinha o maior respeito pelo Legislativo, porquanto um ex-integrante, a nível estadual.  

De nada adiantou, porém. Sabedores da sua recorrente instabilidade emocional quando sob pressão, do seu pavio curto quando questionado duramente, da sua pouca paciência para o debate (já que acostumado a mandar e desmandar), os mafiosos e desacreditados parlamentares federais foram astuciosamente atraindo-o para a armadilha, paulatinamente minando-o psicologicamente, até que deu-se a explosão.

Assim, e como “bicudos não se beijam”, quando instado a nominar os “achacadores” e ato seguinte rotulado contundentemente de “palhaço” por parte de um dos seus inquisidores, Cid Gomes, ao invés de humilhar-se num pedido de desculpas (como sugerido pelos deputados-bandidos), resolveu abruptamente abandonar o recinto, sem que antes haja jogado sobre eles e principalmente sobre os ombros dos componentes da base aliada do governo, a pecha de achacadores, porquanto desleais para com a Presidenta da República, desde sempre.

Aqui, um parêntesis para esclarecimento: a respeito dos políticos com assento no Congresso Nacional, em nossa última postagem abordando a questão da Petrobras afirmamos peremptoriamente que...  “dentre os diversos senadores e deputados a serem investigados, os presidentes das duas casas legislativas – Senado e Câmara Federal – encabeçam a lista, numa prova inconteste de que o principal antro de safadezas, corrupção e falcatruas ali se encontra; particularmente, entendemos que não são apenas 300 ou 400 picaretas; do total de 594 parlamentares (513 deputados e 81 senadores) com muito, mas muito esforço poderíamos livrar a cara de 10% e olhe lá. Chega de hipocrisia. Há que se achar uma reforma política que obste toda essa cafajestice”.

Portanto, apesar de nunca termos sufragado os Ferreira Gomes e Jereissatis da vida, não temos nenhum constrangimento em admitir que o senhor Cid Gomes conseguiu verbalizar – e num ambiente superlativo e repleto de holofotes - tudo aquilo que boa parte da  população brasileira pensa a respeito dos políticos: não passam de pessoas sem escrúpulos, que legislam em causa própria. Só que acrescentaríamos: inclusive os Ferreira Gomes.

E se alguém tem alguma dúvida sobre a barafunda e desonestidade que caracteriza seu modus operandi, basta atentar para o multifacetado histórico partidário e/ou consultar professores, médicos, militares e funcionalismo público do Ceará sobre o que acham dos Ferreira Gomes.

Portanto, causa espécie que queiram agora transformar o senhor Cid Gomes numa espécie de herói nacional, autentico paladino da moralidade em razão de ter se estranhado com colegas da mesma estirpe e que rezam o mesmo credo. E de uma coisa tenhamos certeza: com a hiper divulgação do imbróglio, espertamente os Ferreira Gomes tentarão usá-lo para creditar-se a vôos mais altos num futuro. Esperem para confirmar. 
   

Em busca de nós mesmos - José do Vale Pinheiro Feitosa

Abaixo você poderá assistir a um vídeo em baixa resolução cuja história é contatada num texto. Ao assistir no blog que tive dificuldades pois o programa lê trechos e não todo o vídeo. Mas na verdade o vídeo todo tem mais de 13 minutos. Quem conseguir vai acompanhar toda a história.

Como o texto fica em letras muito pequenas, dificultando a leitura e se o vídeo for posto em tela cheia a qualidade da imagem não é boa, publico abaixo o texto completo do vídeo para quem desejar ler por completo.

EM BUSCA DE NÓS MESMOS
Primeira Foto
Quatro universos se abraçam.
Dois corpos fundindo seus limites,
e o espaço transformando-se sempre;
em dois: o que o passou e o que se passa.

Primeira filmagem (5530)

Este vidro empoeirado para se ver o presente
na contraluz da reversão ao tempo fugidio,
no qual andares soterram o planisfério da lembrança,
estranhando estas ruas de rastros já deixados. 

Terceira filmagem (trechos mudos e falados da 4255 e 4202)

Este espaço seguro que sobe e desce
entre a memória e a voz,
ora desce como uma saudade de tantas notas perdidas,
ora sobe como alegria de saber-se narrativa
de ações vividas.
Em tudo este sobe e desce são como as ladeiras
de Araraquara e Cantagalo.

Sequência de fotos do interior do apartamento, do prédio e o filme 4751

Um ninho construído nos galhos
de uma enorme planta.
Embora resfriado das munições de traçados mortais,
há no derredor uma força transformadora
descomunal.
Apesar dos silvos, trovejadas e relâmpagos,
garrancho a garrancho fez-se
um ninho à posteridade.

Onde alegrias suaves como plumas,
deitavam os amigos, parentes, o pai,
a mãe e....

Filme 4028 – trecho da Kabedesh

Assim como a dança do trancelim
que mistura fitas coloridas,
no mastro onde se trançava, um lar e Kabedesh,
a eritreia com voz feminina de arrastar as ruas,
e acalmar os sóis na companhia de Anneta,
Margarita e o pessoal das embaixadas.


Filme fotos deles curtindo o jardim, recebendo os amigos e o filme 4255 e 5118

Este norte gregário que exercita
a comunhão entre tantos,
é estimulante porque evidencia outras formas
de agir e pensar,
enquanto deposita tantas porções distintas
sobre a mesma base,
de uma enorme injera vinda
deste teff fermentado em água.

Um clube assim como um trancelim,
 uma injera diante da fome.
Onde se festeja cada movimento
da inspiração destes ares das terras altas,
como as águias da Etiópia em rasante
sobre os abismos,
pois aos abismos nos acostumamos,
quanto mais a uma piscina vazia.

O último filme (5614)

O Leão de Judá foi abatido
em sua própria jaula.
Um tempo que emperra
desdenta a engrenagem que move o regime,
e tudo de acelera,
se destrói,
se constrói no lugar,
onde os da primeira jornada não estarão.

Mesmo assim,
soterrados pelo sedimento do tempo,
retorna feito uma pedra,
cuja natureza surpreende
as inteligências dos que se julgam únicos proprietários
do presente diante da estante de Lucy.

Mas não retornarão como um imperador,
agora parte do todo.
E vêm trazendo em seus colos
os filhotes das horas agora badaladas.

Leõezinhos que crescem com o mesmo sentido caçador.
Caçar o tempo nas savanas da África.

A África que fertilizou as Américas.

Assim como nós

Por Rosa Guerrera

REFLETINDO..........

 Todos os dias eu envelheço mais um pouco , e se fosse calcular quantas folhinhas já arranquei no meu calendário de vida , por certo daria um livro com um bom número de páginas.
Abrimos e fechamos cortinas com paisagens diferentes , recebemos vaias e aplausos nos palcos da vida ,conhecemos o frio da solidão ,o renascer de esperanças, e os ponteiros do relógio vão caminhando sempre mais e mais para a frente.
Caminhei muitas estradas, plantei muitas flore...s ,chorei muitas despedidas , criei atalhos, ultrapassei muitos obstáculos, e fui também derrotada em muitas batalhas que a vida me presenteou.
Muitas histórias eu teria hoje para contar...mas o tempo urge e eu preciso continuar .
Joguei todos os jogos que a vida me convidou a participar sem jamais me vestir em glórias quando saía vencedora .
Arquitetei sonhos que se desmoronaram no primeiro impacto de uma decepção .
Quantas e quantas pessoas passaram na minha vida , e em quantas vidas eu também passei !
Quantas partiram sem um adeus ,e quantas vezes saí também sem me despedir !
Cada ruga hoje no meu rosto parece carregar uma história ou uma saudade...Todo dia, é verdade que envelheço mais um pouco , mas sei que ainda possuo no meu livro de vida , algumas páginas em branco , e certamente antes de encerrá-lo, muitas outras histórias eu ainda terei tempo para viver e contar . (R.G.)






quinta-feira, 19 de março de 2015

Em Busca de Nós Mesmos - José do Vale Pinheiro Feitosa



Este casal morou na Etiópia entre 1976 e 1980. Para eles foi como a duração de uma vida toda. O país estava acossados por guerrilhas (como toda a África foi a época das libertações incluindo Angola, Moçambique e a luta contra o Apartheid). Aconteceu uma guerra verdadeira entre a Somália e a Etiópia na disputa do exército do Ogaden. A Etiópia foi salva pela União Soviética e com a ajuda de tropas cubanas. 

Eles moravam um conjunto de prédios, cercado e com segurança absoluta. Lá vivia o pessoal das embaixadas e dos organismos internacionais. Mas ao mesmo tempo era uma vida de juventude, com tantas culturas se encontrando, gente do mundo todo, frequentando a piscina e um clube que havia por lá. Além de irem aos finais de semana para uma cidade metropolitana cheia de lagos em crateras de vulcões extintos. 

Em Adis Abeba fomos procurar este conjunto no meio de transformações enormes em todo o desenho urbano. Mas por referências terminamos encontrando. E foi esse encontro com o passado que gerou este filme. Aqui em baixa resolução por causa da internet. 

Fim de caso

por Vera Barbosa




"Esquece o nosso amor,  vê se esquece. Vai sofrer, vai chorar, e você não merece. Mas isso acontece." Cartola, elegantemente, disse à moça que acabou. Mas, nem sempre, há sutileza. Normalmente, o fim é conturbado, em alguns casos agressivo e, se bobear, violento. E vem a perguntinha básica de quem sofre de amor: como é que alguém que me fez tão feliz, de repente, pode me fazer tão triste? Porque no amor é assim, quando começa e quando acaba. Ou não. Há quem saiba enfrentar o fim de uma maneira, digamos, mais... madura? Não sei. Equilíbrio, maturidade, inteligência emocional, chamem como quiser. O fato é que, quase sempre, dói. E dói muito. E a gente se vê meio perdida, sem rumo, como se nada mais pudesse ser bom. Entretanto, procure observar o comportamento das pessoas, a fim de aproveitar as lições diversas do desamor. Porque há quem saiba fazer do fim uma grande brincadeira, mesmo quando tudo está ruindo. Dizem que quem ama consegue absorver o impacto do golpe e deixar ir, ficando consigo mesma o tempo necessário para se recompor. Será? Não sei. Apenas torço para que, no fim, reste alguma poesia. Ainda que haja saudade, muita saudade.

O PMDB APOSTA NA CRISE - José do Vale Pinheiro Feitosa

Façamos o seguinte: retiremos toda a visão estadual de Cid Gomes e o coloquemos no cenário da política nacional nos termos desta crise que efetivamente se encontra em curso.

A meu ver ontem a crise política mudou de tom e evidenciou mais alguns rumos do PMDB. Considere que o PMDB vem deste o Governo Sarney (que deveria ser Tancredo) funcionando como uma força de centro que viabiliza projetos de governo no Congresso Nacional e nos governos estaduais e municipais. No que seria o seu próprio governo (Sarney afinal virou PMDB) Ulysses Guimarães montou uma espécie de meio parlamentarismo pois no Congresso Nacional quem mandava era ele.

Nos governos do PSDB ele foi central para integridade do projeto de Reforma do Estado (venda de estatais, redução de órgãos, de direitos sociais etc.) e para o próprio projeto de poder com a aprovação da Reeleição. Nos governos do PT foi a força que sustentou no Congresso Nacional as medidas populares de redistribuição de renda e de fortalecimento do papel do Estado ao mesmo tempo sustentou politicamente o governo diante da pressão oriunda da luta de classe e do papel oposicionista da mídia.

Ondem com a saída de Cid Gomes o PMDB deu um passo no aprofundamento da crise política do Governo Dilma. E isso não foi como a imprensa mostra, uma decorrência do destempero de Cid ou de inapropriada fala deste. Três dias após grandes manifestações da classe média, misturada a segmentos do fascismo e do fundamentalismo religioso, quando a grande mídia, especialmente a Rede Globo de Televisão, avançou o sinal em todos os sentidos, o PMDB aprofundou a crise.

Enfim o PMDB aposta na crise. Seja para tomar uma fatia maior do governo, seja para implantar um meio parlamentarismo à moda Ulysses. Nisso se estabelece uma crise institucional de grandes dimensões, pois a dinâmica do Estado é presidencialista. Some-se este quadro à crise econômica e às  tensões internacionais e estaremos numa turbulência de longa duração.

Nesta altura fica claro que o PMDB (ou setores dele) até se imagina estimulado pelos golpistas do impeachment da Dilma. Que consideremos gerará um grande problema. Com certeza não é a mesma experiência do Collor. Agora tem uma direita furiosa, fascista nas ruas pronta para agredir e os partidos de esquerda são muito mais fortes do que naquela época. Enfim um caldo quente de conflitos políticos e sociais no horizonte.

Qualquer governo do PMDB, mesmo com apoio do PSDB e outros interessados na crise, será um governo autoritário, cassando mandatos (podem perfeitamente usar as operações da justiça: Lava Jato, Castelo de Areia etc.) seletivamente para o projeto de governabilidade sem limite e sem fim. Perseguirá partidos políticos, sindicatos e movimentos sociais. E claro vai proibir manifestações na rua.

Manifestações que como bem lembraram alguns: é um paradoxo. Os manifestantes pedem a ditadura e a volta dos militares cuja primeira medida é calar os próprios sejam maconheiros ou não.