por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Enquanto o Baião esquenta pra ser servido

Amigos do Cariri,
Mais uma faixa do Baião de Nós pode ser entreouvida, neste miniclipe.
O vídeo é só uma prova, mas abaixo dou a ficha completa.



Click zap

(Paulo Costa/Tiago Araripe)

Muita mensagem não vale um click
muita notícia não resiste ao zap
ainda ontem eu estava triste
entrei no vupt e saí no vapt

Muita coisa não vai nem em zip
muita bomba não passa de traque
ainda há pouco escapei da gripe
que bom que é não viver no Iraque

Eu estou bem aqui no Recife
pra ser feliz eu não preciso claque
não adianta vir com dedo em riste
a sua raiva eu sei é de araque

Eu tenho dito
tenho dito, tenho dito
não é só com palavras
que a gente faz bonito

Eu tenho dito
tenho dito, tenho dito
não vem com blá-blá-blá
pensando que acredito

Sou campeão de deletar e-mail
e de pôr um freio no que me aborrece
porque a vida é o que acontece
enquanto a gente vê TV ou está na internet

Eu estou bem na Serra do Araripe
pra ser feliz eu não preciso claque
não adianta vir com dedo em riste
a sua raiva, eu sei, é de araque

Eu tenho dito...
___________________________

Voz: Tiago Araripe
Baixo: Fernando Nunes
Guitarras: Juliano Holanda
Bateria: Rafa B
Teclados: Esdras dos Anjos
Percussão: Gilu
Vocais: Clarissa Araripe e Paula Machado
Arranjo de base coletivo
Arranjo de metais: Ivan do Espírito Santo
Sax barítono: Ivan do Espírito Santo
Trumpete: Roque Netto
Trombone: Nilsinho Amarante

domingo, 7 de outubro de 2012

HOJE É UM DIA DE APAGAR O CÍRCULO DE GIZ QUE ILUSIONA A REALIDADE - José do Vale Pinheiro Feitosa


Eu não estranho quando meus conterrâneos, cheios da seiva ideológica, acreditam no liberalismo econômico e no liberalismo dos EUA. Acham que o Estado americano é o mais democrático que existe e que a sua sociedade é a mais livre. De modo frequente pensam que a maior pureza espiritual emana entre as paredes do Vaticano com as diatribes típica de uma corte absolutista e seus mordomo.

Não estranho alguns dos meus conterrâneos porque isso é propaganda ideológica que se espalha no mundo todo. Como a coca-cola adere ao gosto popular aquele sabor no mínimo estranho digamos assim: muito ruim. A manipulação da psicologia social foi uma das maiores práticas desde as revoluções burguesas associadas com a industrialização, o comércio mundial monopolista e o domínio do sistema financeiro.

Os EUA têm a maior população carcerária do planeta. Composta essencialmente de pobres, negros e chicanos. A essência das prisões é por dano ao patrimônio privado. Alguma coisa por comércio ilegal de drogas e uma miscelânea de coisas dispersas em vários crimes. Mas são crimes do ralo de malhas seletivas: nunca atinge os ricos e protege as categorias dominantes daquela atrasada sociedade: machos, brancos, cristãos, políticos, jogadores do sistema financeiro, vendedores de armas e assim por diante.

Recente reportagem do jornal americano Huffington Post expõem dois aspectos da sociedade americana que deixaria aflita a alma de alguns dos meus conterrâneos, embora já se saiba de pronto que os antolhos os protegerão dos horrores em volta que assim funcionou entre os velhos ortodoxos da União Soviética. Nos EUA uma em cada seis mulheres sofrem assédio sexual indevido ou são ostensivamente estupradas.

Uma sociedade que expõe este aspecto certamente não avançou na história que aponta a libertação da mulher e o domínio pleno de seu corpo, mente e vontade política. Chama a atenção que naquela cultura que foi sede de alguns movimentos pelo direito de voto da mulher, que defendeu liberdades civis em lutas sociais e políticas memoráveis e formulou bases teóricas e marchou por teses feministas tenha um comportamento machista tão vil desse modo.  

Nas forças armadas americanas a hierarquia militar entronizou a impunidade machista ao extremo. O risco de uma mulher de serviço nas forças armadas americanas ser estuprada por colegas machos é 180 maior do que ser morta em combate no Afeganistão ou no Iraque. A estimativa é que em apenas um ano 19 mil abusos sexuais contra mulheres tenham acontecido nas forças armadas da “democracia americana”. A média é que uma em cada três mulheres sofra de estupro ou outros abusos sexuais.

O pior de tudo isso é que dos 19 mil casos estimados, apenas 3,2 mil foram denunciados e se tornaram objeto de apuração interna. Isso por enormes dificuldades tais como: não lavar roupa suja fora dos quartéis, o próprio denunciado era o chefe que deveria apurar, vingança pessoal, acobertamento hierárquico e assim por diante com um pool de injustiças e violências legais contra as mulheres que denunciam. Das 3,2 mil denúncias que foram apuradas apenas 6% redundaram em condenação e a maior parte com pagamento de multas ou rebaixamento de posto.

Sempre humilhantes e arrasadores da integridade feminina essa é a democracia que não ousa se reformar e nem se criticar. Por isso neste dia de votar as mulheres em cada município devem ou deveriam ter pensado na situação de cada uma. Nós contamos é conosco mesmo para ser outra sociedade com melhores valores: mais solidária e mais igual.

Definitivamente não precisamos nos espelhar no que é ruim e precisamos olhar bem dentro do olho do furacão que semeia inquietudes no dia-a-dia das nossas cidades. Chega das amarras que existem para que não se mova. Tudo se move e tudo pode ser mudado. Apaguemos esse círculo de giz que tenta aprisionar a realidade com uma ilusão ideológica.  

É hoje - José Nilton Mariano Saraiva



Finalmente, o grande dia chegou.
Aquele dia em que o cidadão-comum, livre de amarras (ou democraticamente), vai ter o direito de exercer na plenitude sua cidadania, através da sua arma mais poderosa: o voto.
É o momento de escolha do futuro, daquilo que almejamos para os nossos descendentes; se uma cidade manietada e dominada por uma meia dúzia de aproveitadores (que transformaram a atividade política num rendoso e, às vezes, desonesto meio de vida) ou se legaremos a eles uma urbe dirigida por pessoas imbuídas pela defesa do social, que têm como prioridade o ser humano.
Como não somos filiados a qualquer agremiação política, nessa hora levamos em conta a pessoa, seu passado, suas preocupações com os semelhantes, seus propósitos com o social.   
Se no Crato votássemos, por exemplo, certamente cravaríamos Marcos Cunha, sem medo de errar, já que entendemos ser o mais preparado para o mister; afinal, o candidato do prefeito representa a continuidade do caos em que a cidade mergulhou há oito anos,com todas as suas nefastas conseqüências; o escolhido do governador representa um pequeno grupo que resolveu tomar de conta do estado, por cima de pau e pedra; votar num candidato (do PMDB) só porque na atividade privada conseguiu sucesso, sem nunca haver incursionado na vida pública, parece-nos uma temeridade, verdadeiro salto no escuro.
Particularmente, aqui em Fortaleza vamos de Heitor Ferrer (PDT) pra prefeito e João Alfredo (PSOL) para vereador, dois baluartes das causas sociais (num previsível confronto, no segundo turno, entre o candidato da Prefeita (Elmano-PT) e o candidato do Governador e do clã Ferreira Gomes (o elitista Roberto Cláudio), vamos optar pelo primeiro.

sábado, 6 de outubro de 2012

Coerência - Emerson Monteiro



Dentre as tantas histórias de Francisco Cândido Xavier, consta que, uma vez, o médium viajava de avião, na época dos resistentes DC-3, tradicionais bimotores a servir nas linhas aéreas do interior do Brasil, quando a aeronave resolveu falhar um dos motores em pleno vôo, para desespero dos que a ocupavam.

Mobilização geral na tripulação, por si só conformada, nessas horas difíceis. Os passageiros, todavia, entraram em pânico e desalento, tumultuando de incomum agitação os céus tranquilos de Minas Gerais.

Chico Xavier também não ficou de fora daquilo de emoções intensas nos momentos críticos. Entrou extremoso no clima que se configurava. Corre daqui, corre dali, braços aos ares, mãos a coçar a cabeça, gritos, aflição que tomava conta dos protagonistas, nas ensolaradas nuvens lá de cima.

Esse instante de gravidade fê-lo lembrar do seu guia espiritual, Emmanuel. Naquilo tudo, recolheu-se aos mais íntimos pensamentos e ainda conseguiu estabelecer contato e emitir pedido de urgência ao bom espírito, dada a situação vexatória por demais aonde padecia.

Naquele meio tempo, o comandante estabelecera providências e buscava aeroporto próximo, a fim de realizar o pouso forçado, quando Chico avistou, deslocando-se pelo intervalo das poltronas do avião, chegando na sua direção, a figura benfazeja de Emmanuel, motivo inigualável da mais pura felicidade do médium.

- Sim, Chico, me chamou? – indagou a princípio.

- Chamei, chamei – respondeu ofegante o sensitivo mineiro.

- Pois diga de lá o que com isso pretendeu.

- Ora, Emmanuel, não vê o que se passa comigo, no meio desse sufoco? Os acontecimentos a seguir como vão, e morreremos todos, sem qualquer apelo.

O espírito olhou em volta, prudente, reconhecendo a agitação que contagiava os ocupantes do vôo tumultuado. Outra vez fitou Cândido Xavier e disse:

- Sei, Chico, que ocorre tudo isso. Vejo o medo que invade os corações do grupo de que fazes parte, nesta hora – seguiu dizendo: - Contudo trate de adquirir a calma; se comporte à altura; controle seus nervos; dê exemplo de quem sabe das coisas do outro lado da vida.

- Mas, Emmanuel, o que espera para nos auxiliar a todos? Não observa que posso a qualquer momento desencarnar com a queda do aparelho? – e, quase a chorar, acrescentou: - Vou morrer sem ver os amigos, parentes...

- O que é que tem demais, Chico? Por isso mesmo, então, domine o desespero e morra com educação... No mínimo isso, morra com educação.

PARLENDA


















PARLENDA


Não temo a morte na floresta
não temo a morte na floresta
não temo a morte na floresta

Não temo a morte verde na floresta
não temo a morte do fogo na floresta
não temo a morte da água na floresta

Não temo a morte cinza na floresta
não temo a morte negra na floresta
não temo a morte branca na floresta

Eu vivo na cidade – não conheço a floresta
eu vivo na cidade – não temo a morte
não temo a morte na floresta – não temo a morte.