por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sábado, 22 de outubro de 2011

UM EXCELENTE FIM DE SEMANA PARA TODOS!

mãe e filho

Sábado é dia de bater pernas na rua.
A curiosidade é geral: em quanto tempo o centro da cidade ficará restaurado?
Ele já perdeu sua personalidade física, mas ganhará uma aparência aceitável?
Dizem que sim!
Volto sempre com alguma coisinha, na sacola de aposentada, mas a verdade é que o deslocamento até Juazeiro, pra resolver a maioria das nossas necessidades, faz-se necessário.
Nostalgicamente fico procurando o meu Crato do passado.
Sensação de pós-guerra. Baixas no campo físico e afetivo.
Mas a vida continua. Chuva do caju, manga e pequi. Roupas molhadas no varal, som na caixa, tênue esperança de felicidade, prazer apanhado no ar da  vontade.

Ontem estivemos juntos (os sempre amigos). Institucionalizamos os saraus itinerantes.
Temos casas, incrustadas na Chapada,ou com cadeiras na calçada, onde a natureza ora é simplória, ora exuberante.
Estão de parabéns as organizadoras da noitada: Fabiana Teles e Polyanna Esmeraldo. Tudo na frescura da noite, e no aconchego do carinho.Benditas, meninas!
Eu fico desejando que o cotidiano seja aquela conversa engraçada, aquelas boas músicas, o bebericar e o beliscar natural.
A verdade é que estamos todos na parte externa dos bares, clubes, praças!
Bom demais escutar o canto latino de Salatiel; as mais novas composições do menestrel Abidoral, e as pulsações musicais da afinada Aucy Ventura.
Sempre acontecem momentos únicos, irrepetíveis !
Nestas noites, a vida volta a ser estrelada, enluarada... Esquecemo-nos, completamente, de ligar a TV, e sentir saudades de outros tempos. É quando de fato, o presente acontece, tal qual é sonhado, no azul índico da simples vida!

O que seria do homem , sem o convívio amigo?
Abraço esta realidade!



Cumbuca Azougada-Bastinha Job



18 de outubro, o dia
que ao médico é consagrado
gratidão e alegria
pretejam por todo lado;
UNIMED e clientela
fazem homenagem bela
àquele que em sua lida
com amor, dedicação
da verdadeira missão
curar e salvar a vida


mas algo aconteceu
e eu fiquei encucando;
colegas não entenderam
ficaram se perguntando:
será que essa roleta
fez burla e fez mutreta
num destino já selado?
ali não foi diferente
e antecipadamente
sabia-se o resultado


jogo de carta marcada
um ao outro se indangando
era a cumbuca azougada
e o chefe sair ganhando?
nosso médico sarará
é mesmo o melhor que há
passe arecita, então?
não saia pela tangente
conte logo para a gente
como azougou sua mão?


ninguém nunca ouviu falar
numa cumbuca azougada
então nós vamos brindar
com doce de marmelada:
na UNIMED, o sorteio
prêmio cheio de recheio
mas que foi um baita truque
Zé Flávio a mão meteu
sabe o que aconteceu?
um moderno NOTEBOOK!




um prêmio desses sair
logo para o diretor,
conversa pra boi dormir,
favas contadas, Doutor;
é sabido que o do "home"
o bicho vem e não come;
o contrário aconteceu
o bichinho da cumbuca
estrepada na arapuca
o homem foi quem comeu!

Pensamento para o Dia 22/10/2011


“Você fará rápido progresso no caminho espiritual se superar os obstáculos difíceis de raiva, orgulho, vaidade, da tendência para procurar defeitos nos outros, etc. Estes operam inconscientemente, como as correntes nas profundezas do oceano. Você deve ser vigilante para não perder a calma, mesmo nas pequenas coisas, pois isso obstruirá seu progresso. A raiva é a mãe de todo o comportamento errado e pode levar qualquer pessoa a maus caminhos, a qualquer momento e sob qualquer forma. Então, em primeiro lugar, sublime-a pelo esforço sistemático. Acolha alegremente qualquer um que aponte seus defeitos; seja grato a eles. Nunca nutra ódio por eles, pois isso é tão ruim quanto odiar o bom. Você deve amar o "bom" e rejeitar o "mau". Lembre-se, o "mau" não deve ser odiado, mas abandonado ou evitado. Cultive a humildade e o amor para com todos; hábitos indesejáveis desaparecerão de você.”
Sathya Sai Baba

Vereador inelegível jogando jogando gasolina no fogo dos políticos - José do Vale Pinheiro Feitosa

O vereador Rodson Lima do Partido Progressista de Taubaté tomou ao pé da letra e para si o progresso da sigla. “Eu descobri que o hotel é três estrelas, mas pra mim é como se fosse um palácio. Eu tô conversando com você na janela e tem uma piscina de 40 metros com cachoeira, é brincadeira? Vivo a vida de príncipe há 15 anos. Dois motoristas, assessores, celular, assessoria jurídica, gabinete com ar condicionado... Inclusive até postei assim: engenheiros que são formados por Harvard, Yale, Michigan não desfrutam disso que eu desfruto. É muita honra que o povo me dá. Eu sou eternamente agradecido” – assim expressou-se o progressista.

O Jornal Nacional chamou o ato do vereador de excesso de sinceridade. Mas tudo leva a crer que o vereador é muito articulado e provocador e não corresponde à humildade que parece demonstrar. O vereador, igual a este policial de Brasília que denunciou o esquema da ONGs no Ministério do Esporte por que foi cobrado das próprias falcatruas e atirou para cima, no caso o vereador mirou todos os políticos: vereadores, deputados, senadores e até conselheiros dos tribunais de conta.

Com a esperteza de alpinista social e econômico que Deus lhe deu ele bem sabe do sentimento popular, especialmente nas redes sociais da internet, com os políticos e uma vez estando proibido de ser reeleito o ano que vem, vai na jugular dos políticos e suas benesses. Até ao aparentemente se explicar para o povo ele ataca os políticos amplamente: “Hoje estou aqui, no meio de senadores, conselheiros do Tribunal de Contas. As autoridades me chamam de excelência. Foi isso que eu quis dizer. Passei de vassalo para uma vida de príncipe. Estou num hotel três estrelas, mas para mim, homem humilde, isso parece o Palácio de Buckingham. E devo isso ao povo. Agradeço muito. Claro. Tenho minha prole. Quero que eles ocupem meu lugar. Isso é tradição no Brasil, né? E eles querem trabalhar pelo povo. Um deles trabalha na ambulância que eu comprei. É o motorista."

Certamente que ao expressar a vontade dos filhos seguirem a “carreira de político” ele levanta outro “podre” da vida política, este nepotismo eletivo de pai para filho que acontece no processo eleitoral. Enfim estamos todos muito confusos. No Piauí um Juiz de Direito queria mil reais para liberar uma estrada para circularem estudantes da zona rural. Onde se encontra o verdadeiro sentido da vida honrada e solidária?

Não basta apenas trabalhar uma vez que a ética do trabalho não acoberta o sicário. É preciso realmente esclarecer esta confusão do cipoal de contradições. O processo eletivo está em julgo feroz e todos desejam a democracia, exatamente por isso, mas muitos criticam o processo eleitoral e a representação. Os gregos não gostam do seu parlamento com certeza e a troca de prisioneiros entre Israel e o Hamas teve que ser decretada pela Justiça, uma vez que o Knesset não foi suficiente.

A enorme concentração da renda, tornando apenas 1% da humanidade dona estratégica da riqueza mundial, acobertada pelos Estados Nacionais, é um bom exemplo da crise da representatividade na democracia ocidental. Aliás, toda a aparentemente insanável crise moral tem origem nesta concentração de renda e a brutal mercantilização da vida em todos os sentidos. Vai dos transplantes de órgãos ao filhós na segunda feira.

Há como uma bruma de mudanças violentas fruto deste cipoal de contradições não resolvidas, a pergunta é saber como ela se dissipará. Vidas se perderão até a clareza da visão e se perderão absolutamente por nada, apenas pela confusão que está em curso.

Casa do meu refúgio
Pintá-la, desejo!

Deslocar a cadeira da espera
Substituí-la pela acolhida do abraço

Casa de um corredor curto
Um fogão de lenha
Um crucifixo no leito
E uma goteira
Em cima da gente

Quero água na caneca ou
"na concha das tuas mãos"...
                               Um trinar de pássaros,
E um gato de olhos verdes

Recorto uma janela nas telhas
e deixo o céu me guardar!

Ah... Esqueci o papagaio,
que chama Maria de querida...

-Preciso arrancar
Um pé de cansanção
Do meu coração !


Socorro Moreira

Coqueiro Velho - por Socorro Moreira



Lembrei a canção que o Orlando Silva gravou. Uni-me ao compositor, e percebi a dor das folhas secas, abatidas pelo vento, envergadas por falta de viço, esperando o açoite dos ventos.
É como uma rosa seca, escondida nos livros do passado... Perdeu o cheiro, mas sabe contar histórias.
É como amores fenecidos, ainda misturados, a tantas coisas vivas, que merecem ser reintegrados ao útero de uma terra viva.
Que tudo se transforme em pó: as velhas palmeiras, pessoas, coisas... Que possam estrumar novos sentimentos !
Doeram-me aquelas palmas acanhadas e secas, sem o carinho e a dança do vento. Combinam com o final do dia, entre a rosa e o grafite.
A natureza na ausência do sol enluta-se. A lua, eterna viúva, numa fase de alegria, chega com o seu bando... Bando que pisca faísca, e assume seu posto, na festa da boemia.
Choram as flores, seus orvalhos... Nuvens também se dispersam ou se condensam, quando finda o dia.
O tempo esquentou. Troco meu costume, e na seda me aconchego, como num corpo do amante.
Corpos secos, roupas brancas, marfim... Como os velhos coqueiros, que agora vejo vestidos no terreiro, com a roupa do fim!

Lembranças de um tempo - Rosa Guerrera


Sou de um tempo em que a gente tinha tempo para tudo . Tinha tempo para passear sem temer dar de caras com um “trombadinha”, de ir a praia sem pensar que poderia acontecer um “arrastão”, de curtir sozinha um bom filme , sem ficar em alerta observando se ao nosso lado não se sentava um maníaco sexual, de namorar no portão sem se preocupar em sofrer um assalto , de curtir um barzinho na orla marítima sem ter a necessidade de ficar tocaiando se alguém não nos leva o carro ,de sair a noite para olhar as vitrines decoradas sem esbarrar com um assaltante , de absorver uma seresta até alta madrugada ...enfim : existiu realmente um tempo em que nem a palavra estresse era nossa conhecida . Hoje a gente já se levanta pensando que tem que caminhar a parada do ônibus e a qualquer momento , um embriagado num volante pode nos atropelar , ou ainda acontecer um desses assaltos violentos dentro do próprio transporte coletivo... Mulher elegante praticamente hoje não vemos nas nossas ruas, porque até a maneira de carregar uma bolsa mudou .Hoje a mulher carrega a bolsa debaixo do braço como fosse um pacote de pão, e o relógio no pulso foi comprado num camelô ( é descartável) , custou apenas 12 reais .Afinal se outro “dono aparecer” o prejuízo é pequeno. Eitha saudades daquele tempinho bom ! Até os namoros traziam na sua pureza toda a poesia da espera do primeiro beijo. Dificilmente se lia uma manchete de um crime hediondo num jornal. Os mais velhos eram respeitados e serviam de exemplos para a então juventude . Hoje os coitados são ridicularizados e chamados de museus ambulantes. E as músicas ? Poxa ... as músicas soavam divinas em frases românticas aos nossos ouvidos , enquanto hoje são as responsáveis pelas labirintites e pelos problemas de audição da nova geração. Também pudera ! O barulho é tão ensurdecedor que numa festinha qualquer , quem tenta manter um dialogo , no dia seguinte está sofrendo de uma estúpida faringite ou laringite .Isso sem falar nas letras das músicas que hoje prestam homenagens as ‘ eguinhas pocotós , as cachaças muié e gaia”. Que nome poderíamos hoje dar a esse tempo que não nos permite mais ter tempo para sonhar , fazer um poema a lua ,voar nas asas do romantismo,escorregar num arco íris, sentir um arrepio na pele com aquele beijo longo e molhado....?
Sinceramente , não sei ! Sei apenas que não posso fugir as inovações da própria vida nem diminuir os meus passos rumo ao futuro , mas de cátedra posso afirmar : “Eu tive o privilégio de conhecer um tempo , onde realmente a gente tinha tempo de sobra para amar e viver muito ... muito mais” !



Lua cheia - (Foto de Heládio Teles Duarte) - por Socorro Moreira


como aquelas noites que parecem dia
como aquele azul que parece um lençol de frio


como aquele brilho
convite à sedução ...
que tira os nossos  pés do chão


devemos-lhe natureza,
em forma de lua..
-esse círculo brilhante
que encanta olhares
e desperta sentimentos,
saudades...


se vivemos alucinados
se o coração palpita
por um bem amado
longe ou perto
te enxergamos


cruzam impressões ...
és bela nesta noite azul
és tinta natural,
festa mensal...
- a noite em que o coração
transborda no brilho
de uma lua especial.


(socorro moreira)

Mário Quintana


Carta

Eu queria trazer-te uma imagem qualquer
para os teus anos...
Oh! mas apenas este vazio doloroso
de uma sala de espera onde não está ninguém...
É que,
longe de ti, de tuas mãos milagrosas
de onde os meus versos voavam - pássaros de luz
a que deste vida com o teu calor -
é que longe de ti eu me sinto perdido
- sabes? -
desertamente perdido de mim!
Em vão procuro...
mas só vejo de bom, mas só vejo de puro
este céu que eu avisto da minha janela.
E assim querida,
eu te mando este céu, todo este céu de Porto Alegre
e aquela
nuvenzinha
que está sonhando, agora em pleno azul!

ASPECTOS SENTIMENTAIS DO SIGNO DE ESCORPIÃO- Graziella Marraccini


O signo de Escorpião é um signo de Água, governado pelo planeta Plutão e tendo como co-regente o planeta Marte.

Apesar da fama que este signo possui, ele é muito mal compreendido, talvez porque ele próprio não faça nada para melhorar a sua imagem. De fato, ele se esconde atrás de uma aparente frieza e desconfiança, levantando uma barreira quase intrasponível ao seu redor.

Escorpião, como todo o signo de Água, é muito sentimental e suas correntes emocionais são intensas e profundas. No entanto, ele se mostra sempre desconfiado, especialmente, no que diz respeito aos seus próprios sentimentos e detesta responder a qualquer tipo de pergunta íntima e direta. Por ter um conhecimento profundo dos mistérios e segredos que envolvem a natureza humana, ele está sempre esperando que o lado mais sombrio do outro apareça e por isto ele vive 'de tocaia', na espreita.

A natureza violenta de seus sentimentos e paixões não deixa margem a meios termos, a meias medidas. Ele ama ou odeia e... sabe odiar da forma mais fria e cruel possível!

O planeta Plutão, que rege o signo, é o mais frio do nosso sistema solar. Ele rege o domínio, a manipulação, o controle, o poder, o sexo e a morte. Ele rege também o mistério, e tudo o que é subjacente, o mundo de Hades e, por esta razão, os nativos deste signo são ótimos investigadores, pesquisadores, detetives e também psiquiatras, pesquisando a fundo a natureza humana.

Eu falei que o escorpião é manipulador, frio, calculista e controlador, e ele o é mesmo! Os homens mais poderosos do mundo possuem um Plutão muito forte em seus mapas, tenham certeza. Lembrem-se do ex-presidente Fernando Collor de Mello, que possuía o Sol em Leão em conjunção com o planeta Plutão. Que poder ele teve de manipular um país inteiro! Bem, eu acho que ele pensava ser o próprio Deus!

Ma Escorpião também tem seu lado bom, não é mesmo? Podemos citar a persistência, a paciência, a introspeção, e a capacidade de vencer qualquer obstáculo, removendo literalmente as montanhas para alcançar seu objetivo.

O Homem de Escorpião

Antes de mais nada o homem de escorpião é extremamente apaixonado e apaixonante, contanto que você o deixe manter o controle da situação... sempre! Ele pode se deixar levar por uma paixão avassaladora e será fiel a ela. Se não for correspondido, se mostrará frio e distante, mas se for magoado, desprezado, ou traído, então, espere a mais fria e cruel vingança.

As brigas são muito comuns nos relacionamentos com os homens de Escorpião, já que eles são extremamente ciumentos e você não poderá lhes esconder nada.... nada mesmo. Ele tentará abrir suas entranhas e examinar o seu interior para ter certeza que você não está mentindo. Ele é naturalmente desconfiado, portanto, não lhe dê razões para desconfianças. Ele abrirá sua bolsa, examinará sua agenda, e se achará em pleno direito de fazê-lo. No entanto, se ele se sentir seguro, poderá ser fiel e o relacionamento será então proveitoso e duradouro.

O ciúme que ele demostra (ele está sempre buscando os sinais de sua traição...) poderá se tornar patológico se ele for um escorpiano inseguro, já que para ele possuir o objeto amado é essencial quanto o ar que ele respira.

Portanto, se você conseguir conviver com o ciúme, a posse, a desconfiança, a manipulação, bem... vá fundo no relacionamento. Ele valerá a pena já que você terá um ótimo amante. Ele colocará em você uma etiqueta de "minha propriedade" e controlará todos os seus passos, mas lhe dará em troca um amor profundo, muito sexo (ele é extremamente erótico!) e devoção.

A Mulher de Escorpião

Assim como o homem, a mulher de Escorpião possui as mesmas características de possessividade, manipulação, intensidade de sentimentos e força de vontade. Ela é capaz de sentimentos profundos e não se contenta com relacionamentos superficiais. Sua motivação a leva a examinar as profundezas de seu ser, já que ela quer entender suas fraquezas e suas inseguranças, para melhor controlá-las. Ela não tem medo de examinar o seu lado mais obscuro, já que o faz com seus próprios sentimentos, mas não deixa nada ao azar.

Ela não suporta a hipocrisia e não aceita os joguinhos de meios sentimentos ou meios relacionamentos. Ela pode aceitar tudo, menos a fraqueza de caráter e irá esperar de seu parceiro uma devoção completa e total. Ela se entrega por completo num relacionamento, mas somente após ter longamente observado seu parceiro para conhecê-lo profundamente.

Ela tem um senso de justiça aguçado e será capaz de compreender e aceitar o seu ponto de vista, se ela o julgar justo e correto. Mas você sempre verá a desconfiança atrás de seu olhar misterioso e gélido, olhar que está como que a procurar a tempestade que se esconde por trás da calmaria. Aliás, ela não suporta calmaria. Eu costumo dizer que o Escorpião não é um signo de Água, mas sim de lava, lava vulcânica, que queima e reduz a cinzas tudo o que ela encontra no caminho. E assim como um vulcão, os nativos deste signo explodem de vez em quando, e então... sai de baixo!

Ela é capaz de grandes paixões e de grandes ódios, e irá esperar o tempo que for para se vingar, se se sentir traída. Ela não irá lhe oferecer a outra face se você lhe der um tapa. Não. Espere dela a mais fria e cruel vingança, leve o tempo que for. É verdade que ela tem uma memória de elefante, mas isto serve também para o bem. Ela não esquecerá um gesto de carinho, de afeto ou de amor de sua parte. E lhe será devota e fiel.

Escorpião e o Amor

Bem, me parece que já vimos com bastante detalhes a forma de amar deste signo. O Escorpião deve ser compreendido para ser aceito em sua totalidade. Não há meio termo, ou você o ama ou o odeia. Ele sabe amar como ninguém e sabe odiar como ninguém, sabe ferir como ninguém e compreender como ninguém.

Se você for sensível às suas críticas mordazes, se você se magoa facilmente, se você preferir um relacionamento terno e morno, calmo e tranqüilo, fique longe dos nativos deste signo. Eles podem ser fascinantes, mas a vida com eles será tudo menos monótona!

Não tente lhes esconder algo, mesmo os seus sentimentos mais íntimos serão autopsiados e examinados com o seu olhar gélido e desconfiado, que procurará sempre uma razão para dizer "Viu? Eu tinha razão! Você está me escondendo alguma coisa!"
Na realidade, esta é uma projeção de sua própria desconfiança quanto aos seus próprios sentimentos, tão perturbadores e intensos que não podem ser controlados ou mesmo compreendidos em sua totalidade.

Os relacionamentos com os nativos de Escorpião serão, no entanto, duradouros e profundos, se você lhes deixar a impressão que eles estão mantendo tudo sob controle.



AUSÊNCIA




Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


Carlos Drummond de Andrade

Irã, o próximo - José Nilton Mariano Saraiva

Como não encontra uma maneira de reduzir seu irresponsável e perdulário consumo, o colapsar da produção americana de petróleo dar-se-á em muito breve, devido à exaustão das suas reservas; para evitar esse verdadeiro caos, os “xerifes” do mundo inescrupulosamente radicalizam (e jogam sujo), sem nenhum constrangimento, ao “fabricarem” guerras sangrentas naqueles países que literalmente “nadam” (ou repousam) em reservatórios abarrotados do “ouro negro” (leia-se Golfo Pérsico).
Os pretextos são os mais estapafúrdios possíveis, começando pela desestabilização dos respectivos governos (via campanhas difamatórias intensas, onde só um lado da moeda é mostrado ao distinto público), normalmente pregando o iminente perigo de a humanidade ser dizimada por um ditador ensandecido (ou possuído pelo capeta); nessa toada, nada mais “natural” que “eliminar” de forma humilhante tal personagem, mesmo que ignorando os mais elementares princípios que regem os direitos humanos ou tratados internacionais de não agressão a países independentes; num segundo momento, há que se encontrar um motivo que justifique tal assassinato, a fim que a “coisa” não pareça o que realmente é: uma execução sumária, objetivando o “apoderar-se” de uma riqueza finita, mas que ainda hoje “move o mundo”.
Ou não foi assim no Iraque, invadido sem maiores cerimônias pelos “gringos”, sob a alegativa de ser fabricante de "armas químicas" com potencial de aniquilar meio-mundo, o que foi comprovado não ser verdade, isso depois do enforcamento de Saddam Hussein, mostrado pela televisão ao vivo e a cores ???
Hoje, na (“encharcada de petróleo”) Líbia, de Kadhafi, o script ou modus operandi foi o mesmo: satanização midiática do “ditador”, estímulo e militarização dos rebeldes, caça incessante ao mesmo e, enfim, a tomada do poder, após o assassiná-lo sem complacência, dó ou piedade (e tudo isso sob os holofotes magnânimos de uma mídia tanto orquestrada como corrupta).
Isto posto, você, aí do outro lado da telinha, tem alguma dúvida de que o Irã (do “abusado” Mahmoud Ahmadinejad), será o próximo ??? De que vão usar o mesmíssimo argumento usado no Iraque e na Líbia ??? De que irão assassiná-lo sem maiores cerimônias, vapt-vupt ???
Mas... e quando o nosso fabuloso “pré-sal” tiver a pleno valor, será que teremos o mesmo fatídico destino ??? Ou você já esqueceu de que os “xerifes” do mundo já montaram uma bem estruturada “base militar” na fronteira da Bolívia com a Colômbia, sob o pretexto de combaterem os terroristas das “Farc” (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) ???
Preventivamente ??? Esta é a pergunta que não quer calar.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Curimã


Zé Curimã, matuto do pé rachado, começou a sentir umas coisas estranhas quando ia para roça. Pelo olho direito via a imagem duplicada. No início, até brincava, apontando para o órgão defeituoso: “Este olho aqui é para cubar moça bonita e receber o apurado do patrão no fim de semana”. Com o passar dos dias, no entanto, começou a se preocupar: a vista começou a ficar meio borrada e depois de umas três topadas em bico do toco, no roçado, resolveu procurar ajuda. Morava nos canfundós do Judas, numa cidadezinha do Rio Grande do Norte, de nome poético e voluptuoso : Caiçara do Rio do Vento. Dirigiu-se ao boticário Filismino, homem versado nos mistérios das raízes de pau e contou suas queixas. O homem lhe receitou uma garrafada que englobava um sem número de meizinhas : malva, jalapa, boldo, carqueja, jurubeba,alecrim, alfavaca,arnica, babosa, capim santo, marcela, meio litro de aguardente, tudo isso colocado junto em uma garrafa e enterrado no chão por quatro dias. Depois de exumada a beberagem foi tomado parcimoniosamente em jejum: uma colherinha no primeiro dia, duas no segundo, três no terceiro, indo num crescendo até o nono dia, quando deveria fazer o movimento contrário pelo mesmo período, subtraindo uma medida do medicamento a cada tomada. Curimã assim o fez, mas ao final, sabe-se lá porque, não teve melhora. Valeu-se, então, de um sobrinho que trabalhava em Recife e para lá partiu, pegando carona em caminhões, até que, uns cinco dias depois, chegou à Veneza Brasileira. Quase não encontra a casa do parente que se escondia em Brasília Teimosa.

Valderedo, o sobrinho, já vivia há mais de dez anos por lá e era fiteiro com uma pequena banquinha próximo ao Mercado São José. Versado nos ínvios caminhos da pobreza, encaminhou Curimã ao Hospital Pedro II que , na época, era o hospital escola da Universidade Federal de Pernambuco. Zé , talvez por conta do estranho da sua doença, teve um atendimento muito humanizado. Os estudantes o internaram e começaram a fazer uma quantidade enorme de exames, até chegar ao diagnóstico. Um tumor benigno que comprimia o nervo óptico do lado direito e que precisava ser operado. Zé teve a sorte de ter como neurocirurgião a sumidade nordestina da época : Dr. Manoel Caetano de Barros. Recuperou-se bem e uns dois meses depois Valderedo o encaminhou de volta à sua Caiçara.

Lá chegou um pouco mais magro e mais falante, com o cocuruto ainda pelado, mas já empenando. Cidadezinha sem meios de comunicação, rapidamente Curimã se transformou na celebridade do lugar : uma espécie de Neymar na Vila Belmiro. Recolheu-se um pouco, fez mistério, mas à noite, não pode resistir à tietagem. Reuniu uma centena de curiosos no oitão da casa e começou a narrar sua peregrinação às terras de Manuel Bandeira. Botou um pouco de tempero na história, exagerou daqui, esticou dacolá. Às duas horas da manhã não tinha chegado nem em Recife ainda. A seção foi então suspensa e, no dia seguinte, reabriram-se os trabalhos, com a mesma audiência. Como não temos a intenção de fazer um romance, vamos resumir a história de Curimã, centrando no mais interessante do relato: os detalhes da investigação diagnóstica e do tratamento.

Curimã necessitou fazer vários exames especializados. Dentre eles, uma punção na coluna para recolher e estudar o líquido que por ali existe e que tem o nome complicado de Céfalo-Raquidiano. Assim descreveu Zé , suas agruras naquele dia, para uma platéia volumosa e boquiaberta.

--- Me botaram dobrado dentro de uma cumbuca. Aí chegou um carcará com uma suvela e começou a enfiar no meu cangote, sem pena, meu sinhô!Parecia que enviava a gaita em saco de milho. Vuco-vuco-vuco ! Só não caguei porque não tinha merda pronta! Quando ele parou, pensei que tinha acabado , mas nada ! Começou a chupar um negócio do meu Tum-tum, tanto, tanto que até os cabelos arrepiados se pentearam em procura do xunxo! Quando terminou parece que eu tinha botado Brilhantina Glostora na cabeleira !

No dia seguinte, Curimã foi encaminhado a uma Clínica Radiológica especializada em exames neurológicos. Fico na sala de espera, meio cabreiro, observando a clientela: um com a boca torta, outro com a banda morta, aquele cego, este mouco, aquele tresvariando. Pelo carrego dos companheiros imaginou que sua situação não era das melhores. Lá para as tantas, saiu uma mocinha numa maca, da sala de radiologia, toda se contorcendo, em plena crise convulsiva. Zé, espantado, fez a pergunta que lhe pareceu mais cabível naquelas horas:

--- Espere ! Todo que entra lá dentro, sai assim ?

Curimã teceu loas intermináveis ao Dr. Manoel Caetano. Aquilo sim é que era um médico ! Salvou minha vida, sem qualquer pagamento! Deus te dê fartura e felicidade e te livre do mal vizinho! Perguntado como estava pela multidão de curiosos, disse que estava muito bem, graças a Deus e ao Dr. Manoel Caetano. Precisava agora só pagar a promessa que havia feito com os Nove Reis Magros. Algum dos circunstantes achou aquilo estranho :

--- Ainda bem que você se recuperou, Zé ! Devia ser muito chato aquilo de tá vendo tudo duplicado. Mas você não tá enganado, rapaz ? Os Reis Magros são apenas três !

--- Três ? Mas rapazes , é mesmo ? Pois acho que foi isso! Eu tava vendo tudo dobrado, pois depois da cirurgia do Dr. Manoel Caetano , curei : comecei a ver tudo triplicado !

J. Flávio Vieira

Junto com Kadhafi quem mais morrerá? José do Vale Pinheiro Feitosa

De todas as conveniências e soluções que o assassinato de Muammar Kadhafi resultar, uma é inegável. Existe uma população armada pelas potências ocidentais, Europa, mais a Inglaterra e os EUA. A morte de Kadhafi foi uma ação de intervenção estrangeira na Líbia.

A intervenção estrangeira foi executada pelos povos mais envolvidos neste tipo de ação desde o século XV. A base do colonialismo é Européia e a estrutura do imperialismo é da junção pós-segunda guerra dos EUA com a Europa ocidental, até o fim da União Soviética.

A destruição física da Líbia promovida pela OTAN e com o armamento entregue aos rebeldes por ela não é um capítulo terminal de uma ditadura. Pelo contrário é o capítulo mais evidente do princípio de guerras em consequência da crise do capitalismo. Quem acompanhou o fim das colônias na África e os movimentos de libertação da Ásia bem sabe o quanto são processos destrutivos e pendulares. Situações políticas contraditórias se sucedem em hegemonia em questão de horas.

A morte de Kadhafi já deu o réquiem deste momento: o assassinato dos inimigos políticos do império. Só em 2011 os EUA e a Europa estiveram envolvidos em três grandes e evidentes assassinatos. Esta prática pode se ampliar de modo a tornar a política algo parecido com as máfias em luta. Nada impede, por exemplo, que um presidente americano ou europeu sofra atentado.

O outro lado é o cinismo que todo assassinato “mafioso” traz e o quanto afasta a sociedade da democracia e da construção de síntese nos ambientes contraditórios. Ora a morte comemorada do inimigo é a mesma comemorada pelo inimigo sobre nossos mortos. Quem não tem medida para evitar tais assassinatos, sabe disso tudo, resta-lhe o cinismo.

Querem observar algo cínico? A Arábia Saudita e o Marrocos, alguém tem visto alguma catilinária televisiva ou jornalista contra tais regimes? Está bem podem alegar que o povo não se encontra nas ruas, mas o Yemen? Qual a razão da sobrevivência do regime? Há uma aliança entre EUA e o regime, tai a morte eleitoral daquele líder da Al Qaeda. As imagens na televisão são absolutamente cínicas: a multidão na rua e o presidente restabelecido dos tiros levados, cercado por uma enorme assembléia de membros do regime.

Retornando ao efeito pendular e instável desta ordem. Como ficam os interesses da China, do Brasil e de muitos outros países que foram estimulados a investir na unidade territorial e produtiva da Líbia? Vão ter que pagar pedágio para Europeus e Americanos? E aí todo mundo vai aceitar barato tais medidas?

Quem acompanhou toda emergência do fim destes regimes fechados e a longo prazo, especialmente em populações ávidas por uma boa qualidade de consumo, sabe o quanto são instáveis. Existe em todo o norte da África, a rondar as forças em luta, a possibilidade que desta primavera logo surja um outono, com o crescimento de regimes religiosos fundamentalistas. A possibilidade de regimes autoritários de viés fascista aumenta muito nestes momentos. Além, é claro, uma desagregação nacional como ocorreu na Somália, por exemplo.

Começando um dia chuvoso...


François Truffaut



François Truffaut (Paris, 6 de Fevereiro de 1932 — Neuilly-sur-Seine, 21 de Outubro de 1984) foi um cineasta francês. Um dos fundadores do movimento cinematográfico conhecido como Nouvelle Vague[1] e um dos maiores ícones da história do cinema do século XX, em quase 25 anos de carreira como diretor Truffaut dirigiu 26 filmes, conseguindo conciliar um grande sucesso de público e de crítica na maior parte deles. Os temas principais de sua obra foram as mulheres, a paixão e a infância. Além da direção cinematográfica, ele foi também roteirista, produtor e ator.

Junto com Jean-Luc Godard, Truffaut foi uma das mais influentes figuras do novo cinema francês e inspirou cineastas como Steven Spielberg, Quentin Tarantino, Brian De Palma e Martin Scorsese.

[esco

Por motivos técnicos estive desconectada por muito tempo.
Surpreendi-me ,alegremente, com a beleza das novas últimas postagens.
Viva Lídia Batista, Nicodemos, Emerson, Rosemary Borges, Zé do Vale, Domingos Sávio, Ulisses, Liduína...!
- Vocês fizeram a festa , e os leitores também!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

CURTA REDUNDÂNCIA


Cada um é cada um
Na única unidade
Que somente cabe um

uLISSES


Farinhada na Serra dos Bois - José do Vale Pinheiro Feitosa

Sou Pataxó, sou Xavante, Cariri....José do Vale Pinheiro Feitosa

Melquíades Pinto Paiva - Emerson Monteiro


Neste dia 21 de outubro de 2011, sexta-feira, às 20h, será a vez do agrônomo cearense Melquíades Pinto Paiva preencher uma das cadeiras do Instituto Cultural do Cariri, em sessão solene que ocorrerá na sede da agremiação em Crato, de portas abertas ao público.

Natural de Lavras da Mangabeira, filho de José Rodrigues Tavares Paiva e Creusa Pinto Paiva, Melquíades nasceu em 06 de março de 1930. Pertence ao clã dos Augustos, núcleo familiar originário da matriarca sertaneja Fideralina Augusto Lima.

Nos anos 1957 e 1958, ele estagiou no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, especializando-se em Ictiologia. Cientista respeitado, obteve o título de doutor em Ciências, através do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. Na Universidade Federal do Ceará, foi o diretor-fundador do atual Instituto de Ciências do Mar (1961 a 1976) - Labomar, e o primeiro chefe do Departamento de Engenharia de Pesca (1973 a 1976), havendo contribuído para a implantação do curso de Engenharia de Pesca da UFC. Agora, é diretor-emérito do Instituto de Ciências do Mar (desde 2003).

Outros títulos de sua vida acadêmica: Professor visitante na Universidade Federal do Rio de Janeiro, lotado no Departamento de Biologia Marinha (1992 a 1998); pesquisador bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (1993 a 2003); e coordenador da equipe responsável pelo levantamento dos dados pretéritos referentes a recursos pesqueiros, estuarinos e marinhos do Brasil, junto ao Programa de Recursos Vivos da Zona Econômica Exclusiva, conduzido pelo Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal (1996). Permanece desenvolvendo atividades de natureza científica e técnica.

No ano de 1944, Melquíades Paiva estudou no Cariri, sendo aluno do então Ginásio Diocesano do Crato.

Intelectual e escritor de largo prestígio, são de sua autoria centenas de artigos científicos e obras quais: Nordeste do Brasil, Terra e Gente; Ecologia do Cangaço; Conservação da Fauna Brasileira; Administração Pesqueira do Brasil; Represas e os Peixes Nativos do Rio Grande; As Bacias do Paraná – Brasil; Breves Memórias do Espaço e do Tempo; A Contribuição Portuguesa para o Estudo das Ciências Naturais do Brasil Colonial; Fauna do Nordeste do Brasil; Grandes Represas do Brasil; Os Naturalistas e o Ceará; e Trabalhos Esparsos, Agora Reunidos; isto para citar apenas algumas das publicações desse autor destacado, que representou o País em 19 missões científicas internacionais e desempenhou importantes delegações junto a órgãos da comunidade mundial em nome da Ciência brasileira.

Melquíades Pinto Paiva ocupa cadeira também no Instituto do Ceará e na Academia Lavrense de Letras, dentre outras instituições culturais.
"PREOCUPAR-SE UNICAMENTE COM A PRÓPRIA FELICIDADE É EGOÍSMO. PREOCUPAR-SE APENAS COM A FELICIDADE DO OUTRO É HIPOCRISIA. A VERDADEIRA FELICIDADE É TORNAR-SE FELIZ JUNTO COM OS OUTROS."

"PORQUE HÁ SOFRIMENTO HÁ ALEGRIA. É IMPOSSÍVEL EXPERIMENTAR SOMENTE ALEGRIA NA VIDA"

NITIREN DAISHONIN


TRILHA 

Subindo a Chapada do Araripe
Na calada da boca do escuro
Perto da calmaria da lua da meia noite
O silêncio do piscar das estrelas
Cintilavam cores almejantes


O espírito da floresta, entre cigarras
E galhos, indicava a trilha sonora
De um filme de exibição instantânea...
...a água boa que jorra
Engarrafada pelos canos
Sem se importar com os danos
Dos donos que não são donos

Língua de Tamanduá
Na dança do acasamento
Informa que ali (o)corre
Um riacho de água doce

(...)

Do sopé ao joelho da serra
Até a cabeça da cruz mais alta
A cidade embaixo faz barulho
Não há como estabelcer
Uma "área de silêncio"...
O som se espalha feito água
Pegando carona no vento
E mostrando o advento
Da indústria cultural
(...)
Garrafas PET
Copos descartáveis
Presença do predador
(...)

Ulisses Germano

Por João Nicodemos


Sentimento Poético.


O mundo é como é ... mas como é o mundo?

O mundo é como Raimundo de Drummond...

vasto vasto mundo...

Que fazer? ”Nossas réguas são curtas...

nossos relógios são lentos...”

“Olhar o mundo com os olhos de borboleta”

Olhar o mundo com olhos de poeta

(Mais vasto será o mundo)

O poeta vê o mundo, a cada piscada, um novo mundo...

O poeta vê o mundo no futuro do futuro

(tempo verbal que só o poeta conjuga)

O poeta vê o mundo no tempo presente

Sempre presente...

e pressente o presente eterno (no futuro)

O poeta vê o mundo por uma janela

Que só ele conhece...

não vê pela vala comum da televisão...

A visão do poeta está no centro de uma esfera

E vê todos os pontos de sua superfície

E entre tais pontos, milhões de realidades possíveis

E não vê apenas uma superfície

Superposições de superfícies compõem

a esfera do poeta...

(que alguns chamam de mundo)

PS: bom lembrar (É permitido dar comida aos poetas).

DIA DO POETA Colaboração Lídia Maria Lima Batista







20 DE OUTUBRO

DIA DO POETA



Gosto muito, muito, de poesia. Admiro profundamente os poetas. Eles sabem intuir palavras que representam todo um sentir. A partir disso, compõem versos, as expressões articuladas são tecidas como a renda nos bilros das rendeiras. Precisão, beleza, habilidade, sobressaem-se causando encantamento e emoção.
Na vida, são tantos os percalços, Deus nos livre de um mundo sem poetas, não suportaríamos tamanha aridez!
Felizmente, sempre tivemos e continuamos a ter uma gama enorme de nomes que faz a arte poética; aqui, ali, acolá... Acredito na universalidade da poesia. Todos nós podemos ser agraciados, com os trabalhos mágicos desses tecelões de poemas.
Aqui, uma pequena amostra:


Robert Louis Stevenson

A minha cama é um veleiro;
nela me sinto seguro;
minha roupa de marinheiro,
vou navegando pelo escuro.
De noite embarco e sacudo a mão
para os amigos no cais;
fecho os olhos e pego o timão;
não ouço nem vejo mais.
Cauto marujo levo em segredo
para a cama uma fatia de bolo e também algum brinquedo,
pois é longa a travessia.
Corremos de noite o mundo inteiro;
mas quando chega a alvorada,
eis-me a salvo em meu quarto
e o veleiro de proa bem amarrada.


ALERTA
(Flávio Villa-Lobos)

Amortecidos pela rotina diária da vida,
meus cinco sentidos relaxam a prontidão.
Perdem vagarosamente a noção do perigo,
que aparece sempre de forma repentina.
De que me vale o intenso preparo,
o arsenal de armas sofisticadas,
as táticas de guerra planejadas,
se eu não estiver, de modo claro,
atento às mudanças do vento,
ao voo rasante das águias,
a alternância das marés,
ao som das tropas inimigas em movimento?
Eu preciso resgatar a vigilância máxima,
o total envolvimento físico na batalha
que se avizinha breve, mágica.
Em vão construirei trincheiras rasas
incapazes de conter um ataque sorrateiro:
teus olhos negros, surgindo na calada
da noite, mísseis teleguiados,
atingindo em cheio meu coração indefeso.


Epitáfio para o Séc. XX In: SANT'ANNA,
Affonso Romano de. A poesia possível. Rio de Janeiro: Rocco, 1987. Poema integrante da série Aprendizagem de História


1.Aqui jaz um século
onde houve duas ou três guerras
mundiais e milhares
de outras pequenas
e igualmente bestiais.

2. Aqui jaz um século
onde se acreditou
que estar à esquerda
ou à direita
eram questões centrais.

3. Aqui jaz um século
que quase se esvaiu
na nuvem atômica.
Salvaram-no o acaso
e os pacifistas
com sua homeopática atitude
— nux-vômica.

4. Aqui jaz o século
que um muro dividiu.
Um século de concreto
armado, canceroso,
drogado, empestado,
que enfim sobreviveu
às bactérias que pariu.

5. Aqui jaz um século
que se abismou
com as estrelas
nas telas
e que o suicídio
de supernovas
contemplou. Um século filmado
que o vento levou.

6.Aqui jaz um século
semiótico e despótico,
que se pensou dialético
foi patético e aidético. um século que decretou a morte de Deus,
a morte da história,
a morte do homem,
em que se pisou na Lua
e se morreu de fome.

7.Aqui jaz um século
que opondo classe a classe
quase se desclassificou.
Século cheio de anátemas
e antenas, sibérias e gestapos
e ideológicas safenas;
século tecnicolor
que tudo transplantou e o branco, do negro,
a custo aproximou.

8. Aqui jaz um século
que se deitou no divã.
Século narciso & esquizo,
que não pôde computar
seus neologismos.
Século vanguardista,
marxista, guerrilheiro,
terrorista, freudiano,
proustiano, joyciano,
borges-kafkiano.
Século de utopias e hippies
que caberiam num chip.

9. Aqui jaz um século
que se chamou moderno
e olhando presunçoso
o passsado e o futuro
julgou-se eterno;
século que de si
fez tanto alarde
e, no entanto,
— já vai tarde.


De Aroldo Pereira um recado para todos nós:

Poeta

Desmistifica o tédio...
escreve – constrói
arquiteta a vida
como quem entende.

Para um bom entendedor

Nem toda dor quer dizer amor
Nem toda ilusão está no coração
Nem todo aroma vem de uma flor
Nem todo bem trás um outro também
Nem tudo foi começado
Nem tudo está acabado
Rosemary Borges Xavier

05 de novembro!


Convite !


A2 CIA. DE DANÇA apresenta SANGUE PRATA - 21, 22 e 23/OUT - 20:30h
Teatro Raquel de Queirós-Crato(Ce)

Dia do Poeta. Liduina Vilar.

Dia 20 de outubro
Dia do humano Poeta
Eu curvo minha cabeça
e ergo uma estatueta.

Espécie humana da maior sensibilidade
Escreve sobre o belo, sobre a vida, sobre o amor
Fico eu enternecida, quando a existência
me põe de frente com este ser sonhador.

E para terminar minha homenagem
peço à Deus por todos eles
vida linda, longa sem clonagem...
Paz, iluminação e bênção àqueles.

Viva o dia de hoje, dedicado aos poetas.

Lançamento duplo de Assis Lima


O poeta cratense Assis Lima lança em São Paulo, de uma só fornada, dois livros: CHÃO E SONHO e MARCO MISTERIOSO. Poesia com "P" maiúsculo!

Marcadores: Assis Lima, Teatro Escola Brincante

Meu primeiro amor - Por : Rosa Guerrera



Para falar sobre o meu primeiro amor ...
precisaria existir ainda tanta coisa
dentro de mim !!!

Seria necessário
o encanto da aurora,
a pureza dos meus verdes anos,
o chilrear dos pássaros,
e a doce ternura
de um beijo roubado...

A culpa eu sei,
não é do vento ,nem do tempo,
nem da chuva...
É que a gente vai crescendo !
Aquela poesia aos poucos
morrendo,
e outros sonhos
tomando o seu lugar .

O meu primeiro amor
teve um gosto ameno,
sereno,meigo e angelical.
Teve a doçura dos brinquedos
das crianças...
Era eu menina de tranças
e ele um loirinho tímido
sem igual !

Era suave como o cair da noite
num céu estrelado...
Risonho , alegre,
despreocupado .
O meu primeiro amor
teve gosto de fruta,
teve aroma de flor !

Ah ! Meu primeiro amor !
Faz tanto tempo
que ele aconteceu ...
Que as vezes pensativa
me pergunto :
" Terá morrido ele
ou morrido eu ? "

ROS@

Waldemar Lopes - poeta pernambucano


Soneto da insônia


Na emanação da noite o leve peso
das sombras ancestrais. Vozes tardias
em vago marulhar, talvez desprezo
às turvas ambições, seiva dos dias.

E sobre o ser profundo, vivo-aceso,
o lume das vigílias. (Nas sombrias
urnas do tempo há de ficar defeso
o enigma das mortais mitologias

imunes à esperança.) Agora é essa
onipresença onírica, ou apenas
a ácida indiferença à vã promessa:

em seu ambíguo reino indefinido
a consciência noturna sofre as penas
da vida, o rude esforço sem sentido.

Por Socorro moreira


Tenho memória fotográfica .
Sinto saudades dos buracos,
e das sombras das árvores
Sinto a solidão das minhas mãos
nas andanças solitárias
Antigas ccompanhias criaram asas
voaram da rua, e de mim
Mas a rua permanece

Tem a mesma posição
quando a confiro com o céu.

Não consigo andar distraída...
Meu olhar rebusca , e pressente
as almas das muriçocas,
de vidas tão rejeitadas e breves

Cadê a moça da janela ?
Cadê o assobio do leiteiro?
O grito do verdureiro?
Tudo gravado , nos ares,
que eu ainda respiro.
Rua , ruas,
És as nossas passarelas !


Socorro Moreira

O rio e o mar- por Rosa Guerrera


Você foi para mim como um rio
que contornando obstáculos desaguou
no mar dos meus braços...
E juntos velejamos por entre
ondas plácidas na mistura de águas tão diferentes...
Sentimos juntos o calor do sol nas auroras de paixão ,
e nos espelhamos na luz do luar em promessas de ternura.
Nos embalamos em espumas brancas de paz
após tempestades de loucuras
no cansaço das nossas mãos entrelaçadas .
E não vimos que o marchar das águas de um rio
é um continuo seguir sem olhar para trás .

Hoje ,daquele encontro de águas apenas ondas de lágrimas
espalhadas nas areias de uma praia deserta...

Rosa Guerrera