por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sábado, 15 de janeiro de 2011

Mulheres que encantaram o mundo



No dia 9 de janeiro, nasceram três belíssimas mulheres.

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Em 1908, Simone de Beauvoir - filósofa, feminista e escritora francesa;

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Em 1941, Joan Baez – cantora “folk” dos EUA que participou ativamente do movimento contra a guerra do Vietnam;


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Em 1959, Rigoberta Menchú - precursora dos direitos humanos na Guatemala, ganhadora do Nobel da Paz (1992)

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Por Norma Hauer

JOSÉ GONÇALVES
Quem terá sido JOSÉ GONÇALVES?
Ele era, nada mais, nada menos, que o ZÉ DA ZILDA, nascido em 6 de janeiro de 1906, aqui no Rio de Janeiro.
Casado com Zilda Gonçalves, desde 1938, formou com ela uma dupla que começou a atuar na Rádio Transmissora, exatamente onde se conheceram e atuavam com o nome de “Dupla da Harmonia”.
Passando, nesse mesmo ano, para a Rádio Cruzeiro do Sul, a dupla foi ali “batizada” por Paulo Roberto de ZÉ E ZILDA. Assim, mantiveram-se juntos até que Zé faleceu, prematuramente, em 10 de outubro de 1954, aos 48 anos.

A partir de 1946, Jorge Veiga gravou, da autoria de ambos, “Caboclo Africano “; Emilinha Borba: “Nosso Amor”; Marlene , da co-autoria de Adelino Moreira e Zé, o samba “Quebra-Mar”; Orlando Silva, de Zé da Zilda e Marino Pinto fez grande sucesso com “Aos Pés da Cruz”.

Aos pés da Santa Cruz,
Você se ajoelhou
E em nome de Jesus
Um grande amor você jurou;
Jurou mas não cumpriu,
Fingiu e me enganou
P’ra mim você mentiu
P’ra Deus você pecou.

O coração tem razão,
Que a própria razão desconhece
Faz promessas e juras, depois esquece.
Seguindo esse princípio.
Você também prometeu.
Chegou até a jurar um grande amor,
Mas depois esqueceu.

O primeiro sucesso da dupla, como cantores, foi em 1954, no carnaval, com o samba “Ressaca”
“Tá todo mundo de ressaca,
Ressaca, ressaca, ressaca”...
Nesse mesmo ano, com o coro artístico da Odeon, fizeram outro sucesso:”Império do Samba”.
No ano seguinte, saiu a gravação de “As Águas Continuam”, embora ZÉ já houvesse falecido.
Com o falecimento de Zé, Zilda compôs em sua homenagem, o samba :”Vai, Que Depois Eu Vou” e “Meu Zé” .
Em 1958. outro samba:”Amor, Vem me Buscar”, dela com Ricardo Galeno.
Em 1961 gravou, de Paquito e Romeu Gentil, ainda em homenagem ao Zé, o samba “Vem Amor”.
Zilda não se conformou com a morte de Zé mostrando o grande amor que os uniu.
Isso é muito bonito, principalmente tratando-se de dois artistas unidos na vida e hoje na morte.

Norma
ALCIDES GONÇALVES
Ele faleceu em Porto Alegre a 9 de janeiro de 1987, mesma cidade onde nasceu em 1 de outubro de 1908.
E quem é ALCIDES GONÇALVES ? Músico e compositor, embora bastante conhecido em sua terra natal, viveu, durante alguns anos aqui no Rio de Janeiro onde fez parte da Orquestra da Rádio Nacional, para onde veio em 1939 e também da de Radamés Gnatalli, no Copacabana Palace.

Suas composições não foram em grande número, mas marcaram sucessos aqui no Rio, principalmente na voz de Francisco Alves, que gravou "Cadeira Vazia"
"entra meu amor, fica à vontade
e diz com sinceridade,
o que deseja de mim..."
ou ainda
"Quem há de dizer,
que quem vocês estão vendo
naquela mesa bebendo
é meu querido amor...;
ou mesmo
"Vocês estão vendo aquela mulher de cabelos brancos,
vestindo farrapos, calçando tamancos..."

Mas isso não é de Lupicínio Rodrigues? É !
Alcides Gonçalves foi para Lupicínio o que Vadico foi para Noel Rosa, Alberto Ribeiro para Braguinha, ou Octávio de Souza para Pixinguinha: O PARCEIRO NUNCA CITADO.
Mas estão lá, também são parte da história de algumas músicas daqueles compositores.

Com "Triste História", ao lado de Lupicínio, Alcides Gonçalves venceu um concurso realizado pela Prefeitura de Porto Alegre.
A primeira composição da dupla, entretanto, foi "Pergunta a Meus Tamancos", que não fez sucesso..

Depois de alguns anos aqui no Rio de Janeiro, regressou a sua terra natal (Porto Alegre) vindo a falecer ali em 9 de janeiro de 1987, aos 78 anos.

Norma
TREM DA ALEGRIA
Um dos mais importantes radialista e compositor de nosso meio radiofônico nasceu em um mês de janeiro, no dia 10, em 1904. Seu nome LAMARTINE DE AZEVEDO BABO.

LAMARTINE BABO, havendo perdido o pai muito cedo, cedo começou a trabalhar, sendo seu primeiro emprego na Light, onde não ficou muito tempo e,aprendendo o Código Morse, foi trabalhar nos Correios.
Mas seu destino era compor e elaborar programas radiofônicos e nisso ele foi um dos pioneiros.

Envolvendo-se com o "Bando dos Tangarás", em 1929, foi orientado por Almirante para ingressar no rádio, o que ele fez em 1929, na então Rádio Educadora do Brasil (PRB-7). Ali lançou os programas "Horas Lamartinescas","Radioletes e "Perfis e Perfídias".Apresentou, ainda um programa com o título de "Clube da Meia-Noite",não aceito pelos censores da época; Lamartine, perspicaz, mudou o nome para "Clube dos Fantasmas". Aí foi aceito.Ah, os censores!!!

Com a vinda de César Ladeira para a Rádio Mayrink Veiga, foi um dos primeiros a assinar contrato com a emissora, levando para lá seus programas e lançando a "Canção do Dia", onde comentava canções suas e de seus colegas. Foi um de seus programas de maior sucesso.

Como compositor, pode-se dizer que estreou com a marchinha para o carnaval de 1931, de nome "Com a Letra A",homenageando uma namorada de nome Alda, que não quis mais saber dele e,no mesmo ano compôs "Uma Andorinha Não Faz Verão". No ano seguinte,"estourou" com "O Teu Cabelo Não Nega",gravado por Castro Barbosa (aquele que depois fez sucesso ao lado de Lauro Borges na famosa "PRK-30).

compositores de Pernambuco, que entraram em ação contra a gravadora Victor Brasileira, por não haverem autorizado o aproveitamento de sua música. As segunda e terceira partes do samba são de autoria de Lamartine. Nas gravações posteriores a Victor foi obrigada a colocar o nome dos Irmãos Valença. E mais: acabou aceitando outras composições daqueles Irmãos, o que levou o então iniciante cantor Carlos Galhardo, a estrear em discos gravando um frevo da autoria dos compositores pernambucanos.

A partir daí o nome de Lamartine passou a figurar em um grande número de composições. A maioria representou sucessos, como "Marchinha do Grande Galo"(carnaval de 1934) "Ride Palhaço"(do mesmo ano) ;"Linda Morena” e "A Tua Vida é Um Segredo"(de 1933);"Na Virada da Montanha"; Hino dos Carnavais Brasileiros"(1938)...
Como compositor romântico, foi autor das letras de "Alma dos Violinos";"No Rancho Fundo";"Mais Uma Valsa...Mais Uma Saudade"; "Eu Sonhei que Tu Estavas Tão Linda";"Serra da Boa Esperança"...

Um cateretê, gravado por Lamartine, com Carmen Miranda, de nome "As Cinco Estações" foi uma brincadeira com os prefixos das primeiras emissoras nacionais.

Brincou, principalmente com a Rádio Sociedade, a mais antiga, dizendo que havia sido "parteira de Rio Branco"
Brincalhão como sempre foi, em seus programas gostava de contar que não podia sair de terno preto e gravata branca porque, magro e alto, poderiam confundi-lo com os postes de parada de bondes, que pretos, tinham uma faixa branca.
Havendo sido telegrafista, certa vez ingressou em uma agência dos correios e dois telegrafistas, vendo-o trocaram a seguinte mensagem: "feio, alto e magro..."; Lamartine, dedilhando sobre o balcão da Agência, respondeu :"feio, alto, magro e ex-telegrafista".

Talvez o mais falado e importante programa criado por LAMARTINE BABO tenha sido o "Trem da Alegria", que apresentava com Heber de Boscoli e Yara Sales, sendo os três cognominados o "Trio de Osso", parodiando o “Trio de Ouro”, formado por Herivelto Martins, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas.

O "Trem da Alegria" foi lançado na Rádio Mayrink Veiga, daí o trio ser assim denominado por César Ladeira.

Antes de o "Trem da Alegria" partir para a Rádio Nacional, passou a ser apresentado do Teatro João Caetano, tão grande era o público que freqüentava o auditório (pequeno da PRA-9.

Com a morte prematura de Heber de Boscoli, o trio se desfez e quando os ritmos de nossa música começaram a mudar, Lamartine, fazendo parte da União Brasileira de Compositores, dedicou-se mais ao órgão, afastando-se das atividades radiofônicas.

Em junho de 1963 estava sendo ensaiada uma peça em homenagem a Lamartine, com o nome de "O Teu Cabelo Não Nega" da autoria de Carlos Machado.

Convidado a assistir aos ensaios, ficou emocionado e, no dia 16 daquele mês, veio a falecer de ataque cardíaco, com apenas 59 anos.

TREM DA ALEGRIA DOS PARLAMENTARES
Talvez os próprios parlamentares atuais não saibam de onde vem o nome "Trem da Alegria" como é considerada a "marmelada" que eles "inventam" principalmente quando há um grande "benefício" aumentando seus popudos salários em 63 %

Essa denominação veio, exatamente do "Trem de Alegria", de Lamartine Babo e companhia.

É um verdadeiro "trem da alegria" no quial todos eles embarcam

Norma
ÚLTIMA INSPIRAÇÃO
Foi no dia 10 de janeiro de 1947 que ele partiu deixando uma grande lacuna em nossa música.
Seu nome: JOÃO PETRA DE BARROS

Nascido em 23 de junho de 1914, começou sua carreira de cantor ainda no início dos anos 30, tendo sido amigo de Noel Rosa, sendo o primeiro a gravar, de Noel, "Até Amanhã". Foi, também o primeiro a gravar "As Pastorinhas", ainda com Noel vivo e que não fez sucesso.

Naquela ocasião a música chamava-se "Linda Pequena" e alguns versos foram, posteriormente, modificados por Braguinha, que mudou o título de "Linda Pequena" para "As Pastorinhas", deu a Sílvio Caldas para gravar e é sucesso até hoje, sucesso que Noel não conheceu.

Petra de Barros foi também o primeiro a gravar "Última Inspiração", de Peterpan, que vinha a ser cunhado de Emilinha Borba..

De seu repertório constam, ainda: "Santo Antônio Amigo";"Bonequinha de Veludo";"Teatro de Revista";"Flor do Lodo";"Rosa de Veludo" e muitas outras.

Nos tempos dos bondes, dos quais temos saudades, mas que devemos recordar que não eram tão bons assim, acontecia que, quando não havia lugares em seus bancos, a "moçada" viajava nos estribos, expondo suas vidas.
E muitos morreram por causa disso.

João Petra de Barros, viajando no estribo de um bonde “Tijuca” (66), que transitava pela Rua da Carioca, rumo a seu ponto inicial na Praça 15, teve uma de suas pernas esmagada entre o bonde e um caminhão estacionado naquela rua.

Resultado: teve de amputá-la.

Nunca mais foi o mesmo.
Caiu em depressão e, em 10 de janeiro de 1947, com apenas 32 anos, amargurado, pôs fim à sua vida terrena.


Norma

Rosa de Luxemburgo



Rosa Luxemburgo, em polaco Róża Luksemburg (Zamość, 5 de março de 1871 — Berlim, 15 de janeiro de 1919), foi uma filósofa e economista marxista polaca-alemã, mais conhecida como militante revolucionária ligada à Social-Democracia do Reino da Polônia e Lituânia (SDKP), ao Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) e ao Partido Social-Democrata Independente da Alemanha (USPD). Participou da fundação do grupo de tendência marxista do SPD, que viria a se tornar mais tarde o Partido Comunista da Alemanha (KPD).
wikipédia

No meio das trevas, sorrio à vida, como se conhecesse a fórmula mágica que transforma o mal e a tristeza em claridade e em felicidade. Então, procuro uma razão para esta alegria, não a acho e não posso deixar de rir de mim mesma. Creio que a própria vida é o único segredo.
Rosa Luxemburgo

"Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem"
Rosa Luxemburgo

Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres
Rosa Luxemburgo

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Um filme, uma música !

Noite de paz

Inseguro é qualquer canto...



Quando apago a luz
Meus  filho dorme
O ventilador começa a zoar
e a cortina da janela  entra num balanço suave
A natureza parece quieta, inofensiva
Como os homens, com suas máscaras de santos
O coração fervilha e deseja quietude
A paz tão pretendida é aleatória,
como os desastres que marcam o fim de tudo.

Sonho, visite-me nesta noite  
Ainda existe um céu azul, estrelas, luar,
e corações pulantes que querem viver
o prazer de amar.

Nota de pesar

Chocada com o acontecido nas cidades serranas do Rio de Janeiro.
Morei naquela região, e  considerava-a paradisíaca.
Em 1994  com o coração apertado voltei pro Nordeste. O frio, as flores, as praças, a mata, deixaram em mim lembranças inesquecíveis.
Hoje senti a dor do fim. Mesmo que tudo se restaure, que  a vida volte ao normal, nada será como antes, inclusive as minhas lembranças.

Afinal... Resposta ao teu bilhete, Nicodemos ( foto de Emerson Monteiro)



O afinal é sucessivo.
As oportunidades de mudanças criam novos desafios.
Aprendo muito, quando arrumo e desarrumo minhas malas
Aprendo quando estou na rodoviária esperando a hora da chegada,
e às vezes da partida
Para o que ficam
deixo um pensamento humano :
que a vida lhes sorria!
Existem pessoas que eu boto no meu barco
Justo um, semelhante àquele que a minha mãe construiu
nos seus pensamnetos de união.
Intuitivamente sei quem pertence á tribo
dos que acreditam num destino luminoso e comum.
A criação de um novo espaço tem cheiro de tinta fresca
Redes na varanda
e café  coado no pano
Tem música baixinho
Silêncios e murmúrios de sorrisos.

Abraços aos chegantes.
Esta casa não tem Gerente
Usem os nossos  espaços com inspiração e ternura no coração.

Bilhete
Estou no camarote um,
caso queira me dirigir um
sorriso, um breve olhar...

assisto a tudo sem piscar
com o coração tranquilo
e com a esperança de sempre
no afinal
feliz

Pensamentos de Padre Fábio de Melo

 A maior prisão que podemos ter na vida é aquela quando a gente descobre que estamos sendo não aquilo que somos, mas o que o outro gostaria que fôssemos.
Geralmente quando a gente começa a viver muito em torno do que o outro gostaria que a gente fosse, é que a gente tá muito mais preocupado com o que o outro acha sobre nós, do que necessariamente nós sabemos sobre nós mesmos.
O que me seduz em Jesus é quando eu descubro que nEle havia uma capacidade imensa de olhar dentro dos olhos e fazer que aquele que era olhado reconhecer-se plenamente e olhar-se com sinceridade.
Durante muito tempo eu fiquei preocupado com o que os outros achavam ao meu respeito. Mas hoje, o que os outros acham de mim muito pouco me importa [a não ser que sejam pessoas que me amam], porque a minha salvação não depende do que os outros acham de mim, mas do que Deus sabe ao meu respeito.

Socorro,lembrei de vc
abraços
fatima

Irmã Maria Célia - por Joaquim Pinheiro















Em recente viagem ao Crato tive a satisfação de rever a minha prima Maria Célia Esmeraldo Pinheiro, freira da congregação missionárias de Jesus Crucificado, irmã da Madre Esmeraldo, falecida em 2007 e filha do meu Tio e Padrinho José Pinheiro Gonçalves (Zé Pinheiro do Belmonte). Fazia alguns anos que não a encontrava e a satisfação foi enorme ao vê-la alegre como sempre, vendendo saúde e com aparência de 60 anos apesar dos 80 bem vividos. Os 55 anos a serviços dos menos favorecido certamente rendeu-lhe a tranqüilidade típica dos que cumpriram sua missão e colhem os frutos das sementes plantadas. No descontraído papo no terraço da casa de minha mãe, ela relatou episódios que a minha memória havia perdido. Segundo ela, no dia em que foi para o convento, meu padrinho ficou muito triste, chegando às lágrimas. Do alto da descontração dos meus quatro anos, me ofereci para dormir como padrinho para ele não chorar de saudade. O gesto sensibilizou meu padrinho e certamente contribuiu para que me presenteasse com o mais incrementado velocípede da época. Era grande, vermelho, importado e passou vários dias exposto e chamando a atenção da criançada logo na entrada da loja FC Pierre, na Santos Dumont. Era meu sonho de consumo. Pouco antes havia pedido para meu pai comprar. Pedido recusado com o argumento do preço alto, “mais caro que um boi”.
O veículo fez o maior sucesso com os primos e colegas da vizinhança. E eu fiquei tão vaidoso que “Seu” Diomedes foi chamado para registrar a pose.


Apesar do sucesso, nos primeiros dias provocou mal estar. Sentindo-me o legítimo dono, não permitia que ninguém andasse no veículo, situação essa contornada pela habilidade de minha mãe. Ela organizou fila com as oito crianças do meu tope e estabeleceu a regra do uso. Cada coleguinha daria uma volta completa no terraço, e eu, como era o dono, tinha direito a dose dupla. Convenceu-me que era vantajoso para mim.
Na semana seguinte, meu padrinho foi na nossa casa e fui convidado a demonstrar minha habilidade ao “volante”. Para me exibir, pedalei em alta velocidade esquecido que o terraço tinha fim e que no final havia dois batentes. Passei “voando”, me estatelando no chão, parando quase na calçada da rua. A visita terminou na emergência do hospital S. Francisco, com passagem posterior na clínica do Dr. Dalmir Peixoto, para raio X em um dos braços. Lembro que chorei muito, menos pelas escoriações e dores generalizadas, mas pelo temor de ter quebrado o estimado velocípede.

Dia 14 de Janeiro

Meu PC apresentou problemas. Estou  num Cyber sem saber dirigir as teclas. Um texto de Joaquim Pinheiro chegou truncado , e eu preciso que ele seja reenviado.
Pediria a minha amiga Stela usar  um outro e-mail: ayloan@gmail.
Como puderam perceber todos os colaboladores são também administradores.Possuem plena permissão para convidar e autorizar novos participantes, inclusive  mudar as configurações : cores, letras, fotos, layout, etc.
Vou vivenciar um velho sonho : Liberdade incondicional , num blog de amigos. As primeiras postagens referem-se ao salvamento de textos assinados por mim, que estavam  noutros espaços. Eles entretanto não teem maior importância do que cada postagerm, de qualquer um de vocês.
Tentei fazer um blog pessoal, mas minha natureza coletiva  falou mais alto.

Um grande abraço em todos que já fazem parte da sala. Amigos queridos, de todas as minhas horas.

José de Alencar - Uma lição de vida

(Recebido por e-mail)


"A humildade não está na pobreza,
não está na indigência,
na penúria, na necessidade,
na nudez e nem na fome".

Na semana passada, o vice-presidente da República, José Alencar,
de 77 anos deu início a mais uma batalha contra o câncer.
É o 11º tratamento ao qual se submete.

*Desde quando o senhor sabe que, do ponto de vista médico,
sua doença é incurável?

JA - Os médicos chegaram a essa conclusão há uns dois anos
e logo me contaram.
E não poderia ser diferente,
pois sempre pedi para estar plenamente informado.
A informação me tranquiliza.
Ela me dá armas para lutar.
Sinto a obrigação de ser absolutamente transparente
quando me refiro à doença em público.
Ninguém tem nada a ver com o câncer do José Alencar,
mas com o câncer do vice-presidente, sim.
Um homem público com cargo eletivo não se pertence.

*O senhor costuma usar o futebol como metáfora
para explicar a sua luta contra a doença.
Certa vez, disse que estava ganhando de 1 a 0.
De outra, que estava empatado.
E, agora, qual é o placar?

JA - Olha, depois de todas as cirurgias pelas quais
passei nos últimos anos, agora me sinto debilitado
para viver o momento mais prazeroso de uma partida:
vibrar quando faço um gol.
Não tenho mais forças para subir no alambrado e festejar.

*Como a doença alterou a sua rotina?

JA - Mineiro costuma avaliar uma determinada situação dizendo que
"o trem está bom ou ruim".
O trem está ficando feio para o meu lado.
Minha vida começou a mudar nos últimos meses.
Ando cansado.
O tratamento que eu fiz nos Estados Unidos me deu essa canseira.
Ando um pouco e já me canso.
Outro fato que mudou drasticamente minha rotina foi a colostomia
(desvio do intestino para uma saída aberta na lateral da barriga,
onde são colocadas bolsas plásticas),
herança da última cirurgia, em julho.
Faço o máximo de esforço para trabalhar normalmente.
O trabalho me dá a sensação de cumprir com meu dever.
Mas, às vezes, preciso de ajuda.
Tenho a minha mulher, Mariza e a Jaciara
(enfermeira da Presidência da República)
para me auxiliarem com a colostomia.
Quando, por algum motivo, elas não podem me acompanhar,
recorro a outros dois enfermeiros, o Márcio e o Dirceu.
Sou atendido por eles no próprio gabinete.
Se estou em uma reunião, por exemplo, digo que vou ao banheiro,
chamo um deles e o que tem de ser feito é feito e pronto.
Sem drama nenhum.

*O senhor não passa por momentos de angústia?

JA - Você deveria me perguntar se eu sei o que é angústia.
Eu lhe responderia o seguinte:
desconheço esse sentimento.
Nunca tive isso.
Desde pequeno sou assim, e não é a doença que vai mudar isso.

*O agravamento da doença lhe trouxe algum tipo de reflexão?

JA - A doença me ensinou a ser mais humilde.
Especialmente, depois da colostomia.
A todo momento, peço a Deus para me conceder a graça da humildade.
E Ele tem sido generoso comigo.
Eu precisava disso em minha vida.
Sempre fui um atrevido.
Se não o fosse, não teria construído o que construí
e não teria entrado na política.

*É penoso para o senhor praticar a humildade?

JA - Não, porque a humildade se desenvolve naturalmente no sofrimento.
Sou obrigado a me adaptar a uma realidade em que dependo
de outras pessoas para executar tarefas básicas.
Pouco adianta eu ficar nervoso com determinadas limitações.
Uma das lições da humildade foi perceber que existem pessoas
muito mais elevadas do que eu,
como os profissionais de saúde que cuidam de mim.
Isso vale tanto para os médicos Paulo Hoff, Roberto Kalil,
Raul Cutait e Miguel Srougi
quanto para os enfermeiros e auxiliares de enfermagem
anônimos que me assistem.
Cheguei à conclusão de que o que eu faço profissionalmente
tem menos importância do que o que eles fazem.
Isso porque meu trabalho quase não tem efeito direto
sobre o próximo.
Pensando bem, o sofrimento é enriquecedor.

*Essa sua consideração não seria uma forma
de se preparar para a morte?

JA - Provavelmente, sim.
Quando eu era menino, tinha uma professora que repetia
a seguinte oração:
"Livrai-nos da morte repentina".
O que significa isso?
Significa que a morte consciente é melhor do que a repentina.
Ela nos dá a oportunidade de refletir.

*O senhor tem medo da morte?

JA - Estou preparado para a morte como nunca estive nos últimos tempos.
A morte para mim hoje seria um prêmio.
Tornei-me uma pessoa muito melhor.
Isso não significa que tenha desistido de lutar pela vida.
A luta é um princípio cristão, inclusive.
Vivo dia após dia de forma plena.
Até porque nem o melhor médico do mundo
é capaz de prever o dia da morte de seu paciente.
Isso cabe a Deus, exclusivamente.

*Se recebesse a notícia de que foi curado, o que faria primeiro?

JA - Abraçaria minha esposa, Mariza e diria:
"Muito obrigado por ter cuidado tão bem de mim".

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Uma parábola

UMA PARÁBOLA


Você sabe a diferença entre o filósofo e o teólogo? O primeiro é o homem cego num quarto escuro procurando um gato preto. O segundo é o homem cego no quarto escuro procurando um gato preto que não está lá.
Essa historinha foi um teólogo quem me contou. Como sou poeta, vou meter o bedelho e continuar. O terceiro é o poeta: o homem cego no quarto escuro procurando um gato preto que não está lá, com uma pedra em cada mão.
O filósofo não encontra o que procura, mas sabe que está lá. O teólogo também não encontra o que procura, mas sabe que existe. O poeta é cego como os outros, porque todo homem é cego, mas bate uma pedra contra a outra e vê a iluminação no escuro. Saber que existe essa iluminação lhe basta.



Anais Nin



Anaïs Nin (21 de fevereiro de 1903, Neuilly, perto de Paris — 14 de janeiro de 1977, Los Angeles) batizada Angela Anais Juana Antolina Rosa Edelmira Nin y Culmell, foi uma autora nascida na França, filha do compositor Joaquin Nin, cubano criado na Espanha e Rosa Culmell y Vigaraud,de origens cubana, francesa e dinamarquesa. Anaïs Nin tornou-se famosa pela publicação de diários pessoais, que medem um período de quarenta anos, começando quando tinha doze anos. Foi amante de Henry Miller e só permitiu que seus diários fossem publicados após a morte de seu marido Hugh Guiler.


Não vemos as coisas como são: vemos as coisas como somos.
Anais Nin

É monstruoso dizer-se que o artista não serve a humanidade. Ele foi os olhos, os ouvidos, a voz da humanidade. Sempre foi o transcendentalista que passava a raios X os nossos verdadeiros estados de alma.
Anais Nin

A vida contrai-se e expande-se proporcionalmente à coragem do indivíduo.
Anais Nin

O único transformador, o único alquimista que muda tudo em ouro, é o amor. O único antídoto contra a morte, a idade, a vida vulgar, é o amor.
Anais Nin

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Gaita

O amor não é fome
nem sede eterna.

Não é no outro
que se busca
a fonte.

É um estado
que começa
no fogo

(o coração queima
faz cinza do passado)

Embora ainda vazia
uma concha guarda
o encanto do mar.

Um ai sem nome.
Um suspiro perdido.

Não há saudade.
Lembranças.
Memória.

O amor não foge
quando se abriga
dentro do silêncio

(um trote de vento
sobre areia da praia)

Toda fábula
(destino, acaso)

são os devassos
que cantam a tristeza
no fúnebre brilho dos olhos.

Prepare-se para o amor:
enlouqueça.

E não dependa
do próximo.

Do olhar do outro.
Do humor do outro.

Enlouqueça sobretudo
aquele que se espanta.

ATÉ DEUS CHOROU Joao Marni


ATÉ DEUS CHOROU



Basta a visão de uma cachoeira ou da terra a partir do espaço, para imaginarmos um criador para tanta beleza. Aquele único olho azul no pano de fundo preto do firmamento, nos arrebata, nos encanta. O palco dos seres vivos, lugar privilegiado, talvez único em todo o universo. Não aconselho- nem  compactuo,- a quem quer que seja, atribuir a Deus as desgraças emanadas do próprio homem que, a exemplo de todos os viventes, encontra-se em evolução e, portanto, sujeito a imperfeições. Somos ainda capazes de realizarmos gestos e atitudes bipolares: ora extraordinariamente belos e agremiantes, solidários, ora brutais e desagregantes. Na nossa caminhada rumo à leitura do plano divino, acertamos e também erramos.
Recentemente, minha alma tumultuada passou por mais duas experiências marcantes: a primeira diz respeito ao resgate do garoto Kiki Joachin do terremoto do Haiti. Saiu dos escombros após dias soterrado, com um semblante de pura vitória da vida sobre a morte. Não havia medo em seus olhos, apenas alegria, euforia, apesar dos sinais da sede e da fome em seu corpinho frágil. Os gritos e as lágrimas dos bombeiros traduziram e transcreveram a correta interpretação dessa leitura do que Deus espera de todos nós. Foi tudo o que uma criança representou para humanidade, naquele momento: a solidariedade que deveria nos acordar todos os dias, sem que tivéssemos que passar por algum tipo de sofrimento ou provocação, pesadelo do nosso dia a dia.
O segundo episódio revela o quanto estamos longe na nossa busca. Alcides, jovem negro e filho de uma catadora de lixo no Recife, (ela teria outra condição se tivéssemos vergonha na cara e não elegêssemos quem não presta para nos governar), tirou o 1º. lugar na faculdade de biomedicina da Universidade Federal de Pernambuco, sem nunca haver visto um computador em sua escola pública. Amado por todos do campus da universidade, por ser símbolo de inclusão social e por seu largo sorriso e insuperável determinação. Era um resiliente. Mas foi abatido por assassinos, em sua casa pobre, comovendo todo o Brasil em pranto. Era ainda uma crisálida, deixando a humanidade órfã e envergonhada, sem saber das cores de suas asas em vôo por sobre os jardins da vida.
Quem sabe, um dia escreveremos que estas foram lembranças de um tempo pretérito, que já vai longe, e que a vida seja de fato tão bela como um sim, em meio a tantos nãos... Que não se configure só como um jogo de encontros aleatórios e improváveis, onde um fica com o maior pedaço, em detrimento do outro: como na fúrcula das aves (o osso da sorte), quando o disputamos. Que os vãos disfarces do homem, que tanto nos punge o coração, só ocorram em bailes de carnaval!
O homem é o único animal que chora. Talvez seja uma esperança. As minhas não costumo enxugar; deixo-as desabarem sobre o peito e depois que ganhem o chão. A vida nos foi dada para que a tornemos sempre mais bela e feliz para todos, pelo que precisamos urgentemente ser artífices e artistas deste projeto divino.

A força maior do Universo - Emerson Monteiro

Das proposições, a mais pretensiosa, querer definir em palavras o indefinível. Descrever o indescritível. Gerar das equações um resultado impossível de números inexistentes. Isso, de contar o que representa o sentimento mais elevado, a essência de tudo. Dizer o que significa o Amor em linguagem humana, tarefa das impossíveis, admissíveis, no entanto, à medida do furor das intenções.
A paixão consciente, isto seria o amor. A força maior do Universo, isto que aciona todos os movimentos que houver num dia e haverá no outro, nas curvas tortuosas dos sempres inextinguíveis. A luz de todos os nascentes, visão de todos os olhos existentes e inimagináveis. A unidade primeira das quantidades, avaliável ao Infinito das saturações. Voz de todas as falas, destino de todos os caminhos, próximos ou distantes, em qualquer território, no campo das probabilidades.
Quando nasce um filho, traz consigo a tônica do Verbo Divino, razão principal das existências, desde o fator original dos espécimes primeiros à partição milenária das multiplicações, em menor ou maiores quantidade. O Tudo e o Nada, em iguais proporções. A Força e o Poder, nas consequências inatingíveis de visões e sonhos. Maravilha das maravilhas, prazer fugidio nas seduções, linguagem dos becos e religião das religiões.
Amor, palavra e energia, concentração de pensamento, feixe de raios convergentes numa única direção e nelas todas, direções livres e sentido absoluto das linhas e dos pontos em batimento cardíaco permanente. Algo notável, ainda, porém, quimera de tantos e muitos. Valor infinitesimal. Volume descomunal. Transformação de água em vinho, chumbo em ouro, dos alquimistas e navegadores de substâncias sagradas. Cálice sagrado, pedra filosofal, fortaleza indevassável, vitória em batalhas siderais, vetor de mobilizações sociais, bandeira de palácios em festa, condição numeral dos pitagóricos; o drama e a solução dos conflitos, nexo das histórias misteriosas, linha melódica de danças e sinfonias, fusão de corpos e junção das luminosidades, em galáxias e superfícies, projetos e planos das populações espalhadas entre o oásis e as caravanas, busca desesperada dos tesouros e prospecção de minerais raros.
Instinto de procura e encontro, o amor fala nas ficções e canta nos poetas, conduz romancistas pelas sendas da civilização. Música das esferas, sabor dos elementos, quantia das moedas deste mundo. Razão principal das tradições, o amor dos animais e insetos vem nas flores e nos passarinhos, pigmento das cores oferecidas pela luz ao vigor das águas nos caudais das quedas livres; nos sóis, nas luas, nos ventos, raios e trovoadas, tempo máximo e pulsação da Eternidade.
Som nos naipes e nas elevações; o fervor das orações. O poder superior das preces silenciosas, senso e fé dos desejos virtuosos dos trabalhadores do Bem. O amor, a fala contundente dos corações enamorados. Amor, solidão dos mosteiros e conventos, vida, resistência e renúncia; emoção das emoções, estação final e princípio de jornadas espaciais; alegria das borboletas em nuvens, nas estradas desertas; trilho e meta dos viajores perdidos, jogados aos mares tempestuosos, saudades e abraços de boas vindas; perfume das rosas e tela dos gênios pintores; e sorriso aberto das crianças felizes. A volta ao recomeço...
O amor, das proposições, a mais pretensiosa, querer definir em palavras o indefinível. Descrever o indescritível.

Transparência





Manhã viúva do vento . Céu anil , nuvens esparsas .Mãos calejadas , unhas impregnadas de alho. Flores secas de uma festa inacabada . Olhos rasos d'água das cebolas cortadas... Corpo intoxicado de todos os amores e alimentos inadequados.

Um pedaço do Piauí chega no portão: petas , doce de buriti , cajuína , rapadura e até doce de limão. Remessa da Dona Valda. Picoense que um dia , sofreu por mim as dores do parto. E eu aqui , num ócio calculado e merecido , querendo comprar o caminho para o mar , já asfaltado , pelo trânsito de quem faz o percurso há muitos anos ... De lá pra cá , e daqui pra lá.

Na " vitrola" , Noel , interpretado por João Nogueira. "Gago Apaixonado "... é muito engraçado ! Minha nora , moça nova , gargalha e confessa : Nunca escutei essa música. Quem inventou existe ou existiu ? Pacientemente , e com ares de quem tudo sabe , respondo : Ele nem completou 30 anos. É justo da tua idade , e eterno no assunto !

O verdureiro passa , e eu fico com um cacho de bananas e um molho de cheiro verde pra perfumar o feijão. A carne já está cheirando... Aluguei o forno , que esquentadíssimo , doura o meu almoço.

No mais , escuto a polifonia ( ou cacofonia ?) da propaganda eleitoral. Sem candidato a Prefeito , aposto nos desígnios de Deus. O Emerson sendo vereador , cultura será direito !

Blogs silenciosos como o cemitério , nas manhãs em que o Anjo da Temperança está de folga. Que faz por aí , quando ninguém morre ?

o Jiló da vida




A expiação é jiló, sal amargo.
O homem , em seus lugares torturados.
O jardim desfolhado; o vestido que virou trapo
Os olhos perdidos , numa chuva que não passa
O silêncio de quem não sabe pedir
A fragilidade de quem não pode fazer
A displicência de quem não enxerga , o tudo a ver.
Tristeza no ar ...
Moitas nativas ,
rasgadas por um propósido descabido ...
Magoam com o olhar , o canto que amamos ...
Sorriso amarelo , no verde que aspiramos.
A natureza chora por nós...
Vale da madrugada ,
nem tudo está perdido !


Psiquê

Saia justa , me ajuda
Saltos sem acrobacias
Pronta para um tango ...
Uno ... Vamos ?
Olhos nos olhos ...
Suportas ?
Sou feliz !
Se esclarecer , apaga
Amor sem pé , nem cabeça ...
É retrato falado
de mim mesma !
Ele é joia rara ...
Diamante Negro
pros meus lábios.
Estúpido é o cupido
Psiquê pisou na bola
Flechas certeiras
lhe feriram !

Comentário que Luis não consegiu postar...

Socorro,

Vejo suas fotos, você menina e você hoje, madura. Claro que prefiro você agora. Se a encontrasse na foto antiga, só se fosse para “criá-la”, pois você me chamaria de “vô”... Eu refluiria, triste, “ (...) estou no filme errado (...)”, mas você hoje sei me chamará “você”, olhos nos olhos , coração no coração!! Gostei muito das – duas – fotos, e sei que você me dá hoje com a pureza e a energia demonstradas na sua foto de menina!!
Não tenho eu como lhe enviar fotografias, pois geralmente não tirei fotos na minha vida, ainda que tive alguma máquina nalgum momento, mas nunca me interessou assim... Tenho poucas fotos de toda minha vida. Da época do Ceará, por exemplo, 1978 a 1980, não tirei uma sequer, não tenho qualquer registro daquela época, apenas minha memória. O mais forte, que até hoje recordo, foi a primeira pessoa – você – que encontrei em Fortaleza, quando cheguei à cidade, outubro, que estava naquela pensão, procurando um amigo, que me dera tal endereço, mas ele não estava, e você chegou dourada, brilhante, solar! Fiquei impressionado, nenhum encontro foi para mim tão forte, até porque você naquele ofuscou tudo que veio a seguir... Ainda a vi no Anísio, mais tarde, no mesmo dia... Acompanhada, só o que pude fazer então foi prestar minha reverência natural! O próximo encontro nosso sei também que será único, porque temos objetivo pessoal comum definido, o que nunca tivemos antes, isto é, elaborado em comum!!
. o o .


Você falou de clareza e sinceridade em meu texto. Clareza decorre certamente de um domínio prático desenvolvido no trabalho de revisão textual, já desde 1994, mas em meu nascimento Vênus está em Gêmeos, na 3ª. casa astrológica. Isso me deixa com um sentimento externo intenso de comunicação, e interno igualmente intenso. – A 3ª. casa, de gêmeos, você sabe, é da natureza intelectual, não é isso? – Vênus é o amor, a beleza externa e interna, coesiva, da natureza! Onde temos Vênus em nosso mapa realizamos com a máxima competência amorosa! (Procurei agora, não consegui encontrar, o seu mapa natal, para comentar sobre Vênus em seu momento de nascimento, mas não o consegui encontrar, tão bem-guardado está... Depois vemos!!) – A sinceridade acho que vem da franqueza taurina, sutil como a de um tapinha de um elefante nas costas da gente... Todo taurino é franquíssimo!... O trabalho comunicacional acho o grande recurso que tenho, pois tão favorecido astrologicamente.


Quinta-feira, 13 de janeiro... – 2ª. parte

Querida, após escrever para você mais cedo, fui à televisão, a tragédia na região serrana do Rio de Janeiro. Convivemos lá. Não sei o que dizer. Espero que as pessoas se salvem, que sua vida seja recuperada. A mesma coisa acontece em São Paulo, em todos os lugares, em nosso país.

O atendimento público ‘não consegue’ prever as situações de calamidade, e as administra precariamente, quando acontecem. Falta a previsão. O que fazem tais pessoas, que ocupam as funções públicas? Como não reveem as situações passadas, no presente, de modo a preveni-las para o futuro? Sua vida se resume em ter altos salários e estabilidade? O mundo existe para atender aos seus caprichos? Não funcionam?!
Uma equipe que assume a governança praticamente desconhece o que a anterior fazia, não lhe dá continuidade ao que está em curso, muda as pessoas, começa tudo de novo, e novo ciclo de corrupção tantas vezes é (re)iniciado. É infelizmente o que mais temos visto, no Brasil.
Precisamos trabalhar juntos para prevenir as situações, no presente, ao revermos o passado, em todos os campos da nossa vida humana. Na atualidade, com a internet, podemos participar em todos os cantos do país, e do planeta. Imagino que a ONG que trabalharemos fará assim, ao tempo que nos preparamos colaboradores em capacitação para atuar em todos os sentidos. É preciso que estanquemos a sangria produzida pela incompetência estúpida, corrupção canalha e preconceito imbecil, em nosso país e no mundo.

Tudo o necessário é natural, existe à disposição comum. Com o pensamento e sua expressão, mais claro algum recurso material mínimo, que nós mesmos geraremos, é preciso agirmos logo, ou continuaremos a ver tragédias semelhantes às que nos têm acontecido diariamente, em todos os lugares. Elas sempre acontecem pela via da natureza, por causa da nossa atuação desrespeitosa, despreparada e alienada anterior, mas também pela nossa atuação de novo alienada despreparada e desrespeitosa atual mesmo. Por isso, convivemos com a violência e a droga, a prostituição e a doença, frutos da ignorância egoísta.

Porque falta a tantos condições dignas de sobrevivência, no curso de todo o tempo em que vivem, não acontece nada para lhes resolver os problemas, de fato, acabam por se enfileirar do lado da expropriação dos outros pela comercialização – igual faz o sistema com seus tentáculos originários da doença proprietária privada egoísta, administrada pelo estado executivo, legislativo e judiciário, resguardado pelas “forças armadas” – das drogas escravizantes e das armas semelhantes às que a Constituição permite aos poderes “republicanos” atuais.

O trabalho que temos é gigantesco, mas não mais do que nós unidos. É muito legal que utilizemos nossa arte para louvar a beleza, mas a devemos utilizar para transformar o status quo, na atualidade, por causa da imensa necessidade existente. Talvez no momento atual utilizemos a proporção de 99% de arte engajada para 1% de arte estética, de louvor à vida, por causa da dimensão de precisão de mudança. É preciso concitarmos a todos para o exercício criativo da realização de um mundo novo.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Encontro na horizontal



Está pra  acontecer
Logo, ou dentro de pouco tempo
Pra que duvidar  do que ficou guardado
Florata  na hora certa
Cumplicidade é trato 
Estamos ficando prontos 
pra viver o mesmo caminho
Sorrio pra você...
No assentimento de todos os planos
Tua voz no meu ouvido
Teus olhos  me enxergam na distância

Adentre a minha alma
Vamos correr  mundo
Nascemos com esse destino!

Niver de Nando Reis

12 de Janeiro de 2011

Catástrofes nas cidades serranas de Teresópolis, Friburgo e Petrópolis.
Ante penúltimo capítulo da novela Passione
Big Brother 11- segundo dia ( programa insuportável)
Passei a tarde no shoping. Vi o filme brasileiro : " De pernas pro  ar"- nada a comentar
Victor  foi assistir ao jogo Crato x Ferroviário, no Mirandão.Jogo empatado.
Recebi  e-mail  carinhoso de Eduardo
Passagem Bsb x Juazeiro está custando 350,00
Encontrei por acaso um casal no S Luiz . Ele é gente boa !
Não consegui comprar o livro "Hei de vencer"- está em falta na Nobel.
Comi doces passando da conta : sorvete, suspiros, chocolate com licor de cereja, chandelle com cassis... Abusei por todo o mês.
Não estou alegre nem triste. Um pouco mais relaxada com o bem estar do Victor. Ele amanheceu e anoiteceu com uma cara ótima !
A poesia resolveu  tirar férias ou folga... Por um dia? Por uns dias? 
O amanhã dirá !
Os amigos  genuínos permanecem no meu coração. Não tenho paciência pra conviver  com pessoas  inconfiáveis... 
Quero pensar com otimismo em dias  vindouros. Quero acreditar  nas boas possibilidades do amor , em todas as suas formas.

Valorizo o amigo das horas mais  sombrias...Nos dias de sol eles ganharão meus abraços !
E a noite corre...Quero estar esperta  e ter vitalidade, na construção do novo,.
Sou eremita, mas  sou pelo bem comum.
Trabalho o desapego, incansavelmente. Nada me escraviza.
Estou amando, e tenho fé na reciprocidade.

Desejos antigos e românticos


 
Eu sempre pensei em ter um retratinho do meu amor, na minha carteira de notas. Poucas vezes isso aconteceu.
Eu sempre desejei usar aliança com o nome do meu amado, na parte interna da joia. Muito pouco tempo ela permaneceu em meu dedo.
Eu sempre desejei um grande e único amor. Um amor até que a morte nos separe.,mas optei  em vivê-los  enquanto  transparente, e trouxesse  compreensão e alegrias.
Ora, depois de todas as desistências, volto a desejar  pequenas coisas que fazem a diferença.
Contigo eu quero um pouco de tudo, até o eternamente !
Pega esta fotinha , e pôe na tua carteira. É tua, com amor e carinho.

Ainda é tempo !




A vida traz de volta o incompleto
em cada giro
as reticências desaparecem
Um novo preenchimento de ações,
uma conferência de sentimentos ,
sem definições se apressam.
Não podem violentar o destino

Já vejo tua mala subindo as escadas
o chuveiro aberto indicando presença
teu olhar de espanto
guardando encanto

o desabrochar de uma nova era
o acontecer depois de uma grande espera
espera sem ócio
com dores solitárias
pagando o preço da felicidade
Anúncio mistério
Chegamos do outro lado do túnel
Num mesmo instante
rasgamos os nossos véus
somos um em pensamento
somos muitos em desejos
somos um par que aventura
obedecer a sina
de viver um conto
que jazia numa gaveta  do tempo
e agora escancara  por todos os ventos
a intenção mágica do amor...
E ainda é tempo !


Procurando no deserto


Aonde estão meus amores
de curta e tão viva aurora ?
Aonde estão meus projetos ,
cujo tempo não devolve ?

Aonde estou no caminho ?
Sinto cheiro de rosas
gorgeio de passarinhos
barulho de pedras
soluço das águas.

Aonde estou que não vejo
Nem cavalo , nem coelho...
Apenas um gato mia,
e me arranha no  verde !

Preta noite
branco sonho
Um vôo sobre o limbo
um aterrissar constante ...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O fruto do mandacaru



para aprender a desvendar
alguns dos teus mistérios

Um exercício complexo...
O revelar-se
O aprender com retoques
na miragem da calma .

E por falar em amor ...




Amor é perdão
É esquecimento da razão
É ternura na lembrança
É paz e doação
Amor é o brilho da vida
Estrelas nos olhos
Céu na canção
Amor é indefinido
É cheio de apelidos
bem,amigo,irmão...
Amor é também paixão
Daquelas que queimam devagar...
Não é fogueira de S.João
Amor é vibração
de fazer, restaurar,
reviver ...
Amor é ressurreição!
E por falar em amor...
Amor é saudade
que não passa
Amor é feitiço
que não desencanta
Amor é sempre o novo
na cara do passado,
e o futuro
na palma da mão !

Mato sem gato



Admiro a paciência da gatas
que esperam a ronda dos seus gatos
noutros telhados
São lânguidas, passivas
Mas sabem arranhar a vida

Não gosto dos gatos fugidios
Daqueles de olhar melado...


Prefiro a casa solitária
Com perfume de mato sem gato.

Crato x Mauriti



(Mauriti anos 50)


Desde menina faço esse percurso, e hoje aconteceu, como em tantas vezes: Crato, Barbalha, Missão Velha, Milagres, Rosário, e Mauriti.
Antes de chegar, o banho no poço dos Dantas, vacaria e engenho velho, quase dentro da cidade. Casas de amigos, que não foram reformadas, a praça, a igreja, e a casa de Tia Auri.

Como podemos deixar de conviver com tanta gente que fez parte de todas as fases da nossa vida? 90 anos, e mais de 90 amigos. Metade , quase da sua idade; a outra metade quase da minha... E umas crianças, que estão animando a casa.
Procurei o fogão de lenha, o pilão, o pé de siriguela... Abracei e conversei com rostos familiares, que apesar do tempo passado, ainda me reconheceram. Procurei os batentes da igreja, aonde uma turma de meninas se reunia pra ouvir histórias, contadas no giz. Minha prima confessou, que tem histórias escritas e guardadas, mas não pensa em publicá-las. Considerei o pendor natural, que ela sempre teve, e fiquei curiosa para ler as prosas. Quem sabe? Ela nem desconfia que agora vivo pescando contos pro nosso alimento diário.
Tia Auri é linda e lúcida! Foi professora primária de várias gerações, e nos acolheu na infância e adolescência, quando passávamos por lá as nossas férias escolares. Vi o álbum de família, meus pais bem jovens ainda, e muita gente que ficou para trás. Emocionei-me com o presente. Estávamos todos ali, rezando, cantando, e nos deliciando com ótimos quitutes.

Meu olhar buscou o que nunca mudou. Meu pensamento recordou momentos de festas. Flertes na pracinha, e os meus pares de dança.
Maria ainda estava lá. Perguntei-lhe se ela ainda era louca por samba. Disse-me que já se aquietara. Perguntei-lhe pelos tachos de doce de leite, de goiaba, de canjica... Disse-me que o povo da casa já não come doce.
Mas ela estava lá, a nossa morena Maria, lata d’água na cabeça , fibra das mulheres que não envelhecem, perdem apenas a faceirice, e a vontade de ganhar o mundo, num samba de pé de serra. Acho que era lá pros lados da Palestina...!
Eu e Zélia resolvemos amiudar as nossas visitas, daqui pra frente. Afinal, tia Auri é a nossa última tia viva. Merece todos os nossos dengos, e ainda é tempo!


Hoje foi seu aniversário de 90 anos !


O dia da estrela !
Hoje eu senti vontade de torcer o pescoço de um. Deixar no vinho d'alho, e prepará-lo para o almoço amanhã da nossa amiga Stella. Uma farofinha dos miúdos, um arroz com açafrão e pequi, uma macarronada caseira , um prato de verduras , e uma grande torta de sobremesa. Que acham ?
Amanhã ela decerto comemorá com a família e amigos, com maravilhosos quitutes, a exemplo do ano passado, quando pude abraçá-la pessoalmente. Foi uma festa inesquecível. Deliciosa !
Essa escorpiana amiga, que faz parte da minha vida há tantas décadas , que sabe ganhar a simpatia de todos, merece toda felicidade do mundo. Ela tem o dom da alegria. O dom do aprofundamento , até nas coisas mais pueris. O dom da transparência e sinceridade no que diz, no que faz, no que acha.
Stella, você tem a minha admiração incondicional . Ah, se eu soubesse fazer poesia... !
Mas, o que dizer para uma alma que é de fato poeta ?

Falar de singeleza
Das boas intenções
inscritas nas estrelas ?
Da responsabilidade de ser feliz e leal
como ser humano ...
- Esse eterno desconhecido,
que nos chega com tantas caras e tantos risos!
Stella sabe separar o joio do trigo
Sabe ser justa e solidária
Sabe enxugar minha lágrima
com o melhor dos seus sorrisos. .

Descaso


Uma noite enluarada dos anos 79.
Mara, cabelo cor-de-fogo.
"Imagem extasiante", disse o cara .
Olhares cruzados
Uma escola de samba no coração
De um, de dois... Acho!
O destino não conhece o descaso
Descaso é humano, personal.
O tempo passa
A impressão primeira prevalece
Aí tem coisa
Tem amor verde em folha
Tem paisagem pintada e repintada
Tem uma tela em branco
Clamando tinta e pincel
Tem um amor esperando deitado
Alguém chegará
Na corrida do vento
Cabelos se destrançarão
Ou não.
Um amor de palavras
Tem doçura nas letras
Tem vontade de viver
Uma frase inteira!

Inscrito

Curso natural
Certezas não esperam
A dúvida não é incógnita
Claros navegam em águas turvas
Espelhos...Vejo-nos
O tempo é quem dita
A gente copia, e às vezes cria
O acaso alberga insights
Eles chegam em hieróglifos
Viver é decifrar-nos.


Postado por socorro moreira às 22:27