por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 2 de outubro de 2013

"Nosso" - José Nilton Mariano Saraiva


“Com o PROS a gente tem um partido que a gente pode chamar de NOSSO” (Zezinho Albuquerque, presidente da Assembléia Legislativa do Ceará, porta-voz e aliado de primeira hora dos Ferreira Gomes).

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A primorosa definição – inquestionavelmente perfeita e irretocável - é o retrato emblemático do que já havíamos exposto aqui, lá atrás: para o clã Ferreira Gomes, não existe essa “baboseira” de linha programática ou ideológica no que tange às agremiações partidárias. O importante e essencial é que se lhes apresentem como “moeda de troca” e, conseqüentemente, passíveis de serem disponibilizadas para uso (porquanto apenas um “ajuntamento” de figuras inexpressivas, dispostas à subordinação e caprichos de quem oferecer mais).

Sorte grande do fundador do desconhecido PROS, um simplório vereador da escondida cidade de Planaltina-GO, que certamente nunca antes imaginara que o “seu” partido (que tem como única bandeira lutar contra os impostos e cujo estatuto não impõe nenhuma restrição adesista a quem quer que seja, bastando se dispuser a participar), fosse se transformar em tão pouco tempo numa agremiação vitaminada e marombada pela chegada "de uma lapada só" de mais de trezentos integrantes, oriundos do distante estado do Ceará.

É que, como já houvera acontecido no PPS, quando o matreiro Roberto Freire pressentiu que a adesão dos Ferreira Gomes objetivava tomar de conta do partido e recusou-se a entregar-lhes o comando, os irmãos cearenses também foram literalmente expulsos  pelo presidente do PSB, Eduardo Campos, para onde haviam migrado; como no PDT a principal figura, Heitor Ferrer, é um ácido e costumaz crítico do Governador do Estado e irmãos, restou aos Ferreira Gomes “alugar” o PROS, transformando-o num... “partido que a gente pode chamar de nosso” (conforme magistralmente expresso pelo Zezinho Albuquerque).

Como se constata, um campo fértil e propício para que os Ferreira Gomes dentro de pouco tempo mandem e desmandem, casem e batizem, façam e desfaçam ao bel prazer, daí a pragmática escolha. 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Gol de Bicicleta



J. Flávio Vieira

                “Quando eu vejo um adulto em uma bicicleta,
eu não perco a esperança na raça humana.”
H.G. Wells

                               Desde as mais priscas eras o homem buscou, desesperadamente, maneiras de ampliar seus horizontes de mobilidade.  Um bípede perdia de goleada para as outras inúmeras espécies que com ele disputavam os alimentos. Além de tudo, num mundo tão hostil e sujeito às mais variadas alterações climáticas, o poder de deslocamento fazia-se diretamente proporcional às condições de sobrevivência. A invenção da roda levou o Homo sapiens a um pedestal até então inimaginado. E consta que há 2500 anos atrás, o chinês  Lu Ban inventou um dos meios de transporte mais populares da nossa história: A bicicleta. No ocidente , o Barão germânico Karl Von Drais, no início do Século XIX, montou o primeiro rudimento da Bicicleta moderna : o Celelífero que foi, pouco a pouco, sendo aperfeiçoado e já em 1829 se registrou a primeira Corrida de Bicicleta de que sem tem notícia. No Brasil , a novidade chegou no finalzinho do Século XIX , trazida pelos imigrantes europeus de Curitiba.  A paulistana Veridianada Silva  Prado construiu o primeiro velódromo do país, em São Paulo, na  Praça Rosevelt, na Consolação.  Até então, os veículos eram importados, na década de 40 , do século passado, no pós guerra, começamos , por aqui, a fabricação das nossas próprias bicicletas.
                                   Aqui noeram importados, or aqui, a fabricaçerio veleta de que sem tem notorizontes de mobilidade.  Crato,  observando as fotos antigas, não se percebe como freqüente a presença da bicicleta entre nossos hábitos cotidianos. Possivelmente, nossa geografia acidentada, com terrenos cheios de vales e depressões, não tenha propiciado uma disseminação maior desse meio de transporte, com exceção, talvez, dos moradores da Chapada do Araripe, mesmo assim com um uso mais utilitarista do que esportivo.  Após a nacionalização da produção,  já no pós-guerra , a acessibilidade da bicicleta possivelmente se tornou maior . Desde 1948 , temos a Prova Ciclística  de 21 de Junho aqui na nossa cidade. A informação é do nosso  Huberto Cabral. Se há dúvidas, amigos, se foi o Pedro Álvares  quem descobriu o Brasil, não resta qualquer discussão a respeito de uma outra verdade histórica: foi um outro Cabral, o Huberto, que descobriu e vem descobrindo o nosso Crato. Nos anos 60, houve um grande impulso no ciclismo entre os jovens de minha geração, aqui , possivelmente,  pela passagem de um famoso ciclista de Petrolina  – Souza Filho—que veio fazer uma prova de resistência na Praça da Sé, encantando e influenciando toda garotada.
                                   Nos últimos anos, tem se percebido uma grande população de ciclistas esportivos na nossa região. A Chapada do Araripe, nos fins de semana, se vê apinhada de um sem-número de esportistas das mais variadas camadas sociais, com  bicicletas e acessórios  modernos. Importante lembrar que esse novo pico  na disseminação da modalidade esportiva entre nós, começou por volta de 1986. Alguns jovens cratenses – Ernesto Saraiva, Hercílio Figueiredo, Rui Borges --  criaram   a atividade de “Moutain  Bike” , imantados de uma natural consciência ecológica. Preocupavam-se com a devastação da nossa Chapada e da necessidade de educar os caririenses quanto à necessidade diuturna de preservação. O movimento cresceu, ganhou adeptos e, em 1996, por fim,  já com o poder pensante de outros sócios beneméritos : Ricardo Borges, Ney Reny, Ildemário Júnior, Newton Machado, Ricardo Rocha, Alziane Diógenes, Cézar Bandeira, fundaram a “Eco-Biker´s”. A entidade tem, como logomarca , uma Flor de Pequi e, hoje, congrega em torno de 1300  esportistas. Eles mostram, com orgulho, os resultados de um trabalho espontâneo e profícuo : o Tricampeonato Cearense de Moutain Bike 1999/2000/2001 e o Bicampeonato  Nordestino 2002/2003. Atualmente,  a entidade luta pela implementação da Semana da Bicicleta em nosso município entre 16 a 22 de Setembro, culminando, pois, no Dia Mundial sem Carro; além da promulgação da Lei  2844/13 : a chamada Lei das Ciclovias.
                                   Como parece ter se tornado uma regra nesse mundo, as grandes iniciativas  partem, geralmente, de pessoas simples e visionárias. Sem os anteparos das convenções, dos liames políticos, das ganâncias de Mercado, elas conseguem ver adiante da linha do horizonte. O Crato é detentor de um imenso capital ecológico e teima em não entender esta riqueza. Pomo-nos a macaquerar os municípios vizinhos em busca de uma vocação, quando ela brilha  à nossa frente a todo momento na forma de Ecoturismo. A preservação da Chapada do Araripe é uma lástima. Nossas fontes viraram patrimônio particular; nossos rios tornaram-se  esgotos a céu aberto; caminhões carregam madeira todo  santo dia, ladeira abaixo; vende-se carvão em quase toda esquina; vans fazem da Serra do Araripe aterro sanitário. Não existe qualquer educação ambiental para os esportistas que se aventurem pela Chapada. Caberia ao menos uma mínima ação política no sentido de dar uma infraestrutura mínima a esta atividade. Medidas como: demarcar as trilhas , especificá-las e sinalizá-las;  estabelecer uma educação ambiental básica aos visitantes, segurança e primeiros socorros;  regulamentar um comércio mínimo de água, sucos, energéticos, frutas; alocar lixeiras em pontos estratégicos e fazer coleta regular do lixo; incentivar competições esportivas ; formar e educar  guias para os passeios; criar ciclovias; estabelecer parcerias com a URCA, a FLONA, o IBAMA, Fundação Araripe.
                                   O Crato, por inteira falta de foco, vem perdendo de goleada esse  jogo para as outras cidades do Cariri. A  Eco-Biker´s  vem mostrando, há quase vinte anos, que é possível virar esse placar ,  fazendo um gol de bicicleta.

O "playboy" e o poeta


domingo, 29 de setembro de 2013

“Xadrez” versus “Política” – José Nilton Mariano Saraiva

Atentem: independentemente do escopo programático-ideológico, não há qualquer escrúpulo do clã Ferreira Gomes em aderir a uma nova agremiação partidária, conquanto seus interesses sejam contemplados.

E aí vige a estratégia adotada por um experimentado jogador de xadrez: fria, calculista, amadurecida e, enfim, executada com determinação, a jogada da vez será sempre feita objetivando o ganho futuro (até mesmo no longo prazo), mesmo que momentaneamente seja necessário abdicar de, ou sacrificar algum “peão’.

Ainda agora, o governador do Estado e todo o seu séquito de vereadores, baba-ovos, prefeitos, puxa-sacos, deputados, áulicos, auxiliares e cães-de-guarda (fala-se em mais de 500 seguidores), tão “arribando” e, conseqüentemente, detonando o PSB, teoricamente por conta da decisão da cúpula do partido em lançar candidato próprio à Presidência da República (no próximo ano), contrastando com a intenção dos Ferreira Gomes em não participar da disputa e apoiar a atual presidenta Dilma Rousseff.

Se fosse só por isso, digno de encômios e merecedor de aplausos seria tal posicionamento. No entanto, trata-se de puro jogo de cena. Perfumaria barata... de quinta categoria. Pois, basta um “passar d’olhos” pelo histórico dos Ferreira Gomes pra se constatar  que seu  modus operandi é visceralmente contrário a todo e qualquer ato em que esteja em jogo o valor “lealdade” (e o ex-amigo Tasso Jereissati tá aí mesmo, “vivinho da silva”, como um fantasmagórico arquivo ambulante, a fim de  comprovar isso). 
 
A verdade é que os Ferreira Gomes irão aonde o poder estiver, mesmo que tenham que se sujeitar, temporariamente, a procurar abrigo num partido nanico (o tal Pros, por exemplo), mas que da base de sustentação do governo.

Que, aliás, provavelmente já deve ter sido preventivamente cobrado no tocante à divisão do bolo, lá na frente, tendo em vista a perspectiva real de Dilma Rousseff emplacar um segundo mandato (e o incrível é que o próprio PT, que os Ferreira Gomes sempre abominaram, já que um “reduto de imprestáveis”, também teria sido sondado para abrigá-los).

Fato é que, no dia-a-dia aqui da província (Estado do Ceará), Ciro Gomes já tomou de conta do governo do irmão Cid: primeiro, dando “pitacos” na área de Segurança, onde não foi bem sucedido; agora, ao exigir e conseguir a Secretaria de Saúde do Estado. E já encostou a Secretário da Fazenda na parede, ao anunciar que precisará de muito, muito dinheiro para resolver as pendengas da área. Alguém tem alguma dúvida que conseguirá ??? (de uma só “raquetada”, e ninguém sabe a que custo, já foram “compradas” vagas na rede hospitalar privada, a fim de acabar com o tal “piscinão” do Hospital Geral de Fortaleza, cujo prazo de validade de 90 dias foi estipulado pelo próprio). Por qual razão tal grana não foi disponibilizada para que o Secretário anterior resolvesse o problema, tai a incógnita.

Se conseguir fazer um bom trabalho, Ciro Gomes viabilizar-se-á para, lá na frente, com a provável reeleição da presidenta, aí sim, cobrar a conta pela “lealdade” de agora, exigindo o Ministério da Saúde, seu objeto de desejo de há muito (já tentou duas vezes e foi rejeitado).


Alguém quer pagar pra ver ???

sábado, 28 de setembro de 2013

Efeito "pedagógico" - José Nilton Mariano Saraiva

Partindo-se do pressuposto de que o Jornal do Cariri não cometeria a irresponsabilidade de trazer a público algo tão grave sem que seus responsáveis detenham em mãos os competentes documentos comprobatórios (e se não tiverem, que sejam sumariamente processados) afigura-se-nos por demais sérias e passíveis de rigorosa apuração as denúncias de que a Diocese do Crato se acha envolvida em atos de corrupção e malfeitos e o seu líder maior, Vossa Excelência Reverendíssima, Bispo Diocesano Dom Fernando Panico, acusado de estelionato e formação de quadrilha.

Afinal (segundo o jornal), quando nada menos que 52 (cinqüenta e dois) dos 54 (cinqüenta e quatro) padres vinculados à Diocese se reúnem com pauta definida e elaboram um abaixo-assinado (que já estaria circulando nas paróquias) pedindo a saída do “chefe”, é porque algo de muito sério ocorreu.

Assim é que, nos últimos 24 meses a Diocese teria emitido 35 cheques sem fundo, passado pelo vexame de enfrentar protestos de uma dezena de títulos, além do que existiria uma ordem judicial de busca e apreensão do carro em que o senhor Bispo circula.

Pra completar, o senhor Bispo estaria construindo uma mansão orçada em R$ 1,5 milhão, erigida num imenso terreno que teria sido adquirido à Diocese por um membro da própria Igreja Católica (monsenhor Dermival), por irrisórios R$ 60.000,00.

Ao comparecer à Delegacia de Polícia a fim de prestar esclarecimentos sobre (uma imagem constrangedoramente lamentável até para ateus, agnósticos e por aí vai), o senhor Bispo alegou “falha administrativa”, limitando-se a informar que a venda das casas já foi cancelada (como se isso o eximisse de culpa e apagasse o crime perpetrado) e que a tal mansão de R$ 1,5 milhão lhe teria sido “DOADA” pelo monsenhor Dermival (ainda segundo o jornal).

Agora, cá entre nós, vejam vocês o “efeito pedagógico” de atos e atitudes praticados por determinados líderes: a) uma das desculpas usadas pelos fiéis de Cícero Romão Batista a fim de justificar o extraordinário patrimônio por ele amealhado (sem que tivesse renda compatível ou herdado alguma riqueza), foi a de que tudo seria oriundo de “DOAÇÕES” (como se vê, o mesmo argumento de agora); e, b) como estratégia para tirar o Bispo do foco dos holofotes, uma das sugestões seria convencê-lo a requerer sua aposentadoria de imediato (método usado pelos maus políticos e integrantes do nosso Judiciário, depois de “aprontarem”).

Alfim: se há consistência (veracidade) no que foi divulgado - que a corrupção fez moradia na Diocese do Crato - nada como uma auditoria rigorosa para por os pingos nos devidos “is”; no entanto, se as denúncias são inconsistentes (inverídicas), está a Diocese do Crato na obrigação moral de processar seus detratores, exigindo-lhes retratação pública (a omissão seria desastrosa).


No mais, a divulgação de uma “requentada” reportagem sobre o esforço do Bispo em conseguir a “reabilitação” de Cícero Romão Batista mais atrapalha que ajuda, porquanto ficaria explicitada a tentativa de “desviar o foco” da questão substantiva: há ou não corrupção na Diocese do Crato ???

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

"Locador X Locatário" - José Nilton Mariano Saraiva

Os artigos 504 e 1.322 do Código Civil e o artigo 27 da Lei do Inquilinato, que tratam da relação “locador X locatário”, prevêem no item “preferência legal”, que quem aluga um imóvel tem o direito (preferência) de adquiri-lo quando for posto à venda e que, caso não queira ou não tenha condição de fazê-lo, lhe será dado um prazo para desocupá-lo, “mediante notificação judicial, extrajudicial ou outro meio de ciência inequívoca”.

Pois bem, o senhor Carlos Pedro Bacurau, presumivelmente cratense, locatário de há muito de um dos imóveis (são dezenas e dezenas) pertencentes à Diocese do Crato, concedeu entrevista à televisão Verdes Mares (veiculada hoje, 25.09.13), onde reclama da desobediência aos citados dispositivos legais por parte da cúpula da Diocese cratense, porquanto o imóvel (casa) aonde mora, foi transferido unilateralmente a um terceiro e, estranhamente, por um preço infinitamente inferior (R$ 60.000,00) àquele que ele teria oferecido à Diocese (acima de R$ 200.000,00).

Além do que, denunciou de forma enfática que mesmo o imóvel tendo sido vendido a um terceiro, seu aluguel continuou a ser cobrado pela Diocese e à Diocese mensalmente é creditado o valor respectivo.

Instado a pronunciar-se a respeito, o senhor Bispo Diocesano do Crato, Dom Fernando Panico reconheceu (também em entrevista à televisão) ter passado por cima da lei (no tocante ao “direito de preferência”) e simplesmente desculpou-se (sem antes tentar transferir a culpa para uma dessas imobiliárias da vida), ao tempo em que confirmou, também, que realmente o aluguel do imóvel (já vendido pela Diocese) era cobrado e embolsado pela própria (segundo ele, com autorização do novo proprietário).

Como, já há um certo tempo a Diocese do Crato se acha envolvida num cipoal de denúncias de corrupção e seja notícia das páginas e programas policiais, algumas indagações se fazem pertinentes: a) por qual razão o imóvel ocupado pelo senhor Bacurau foi vendido por um preço subfaturado (R$ 60.000,00) já que (segundo suas próprias palavras) ele havia ofertado um valor muito maior (acima de R$ 200.000,00) ???; b) que motivos levariam alguém a adquirir um imóvel e abdicar do seu aluguel, deixando que o antigo proprietário continue recebendo-o (o que foi confirmado pelo Bispo do Crato) ???; c) isso é ou não é jogar dinheiro fora ???; d) se existe uma imobiliária envolvida (como alegou o Bispo), quem foi o responsável pela sua contratação, que não a Diocese do Crato ???; e) algum diligente preposto terá passado por cima da autoridade diocesana ???; f) se afirmativo, já terá sido identificado ???; e, finalmente, g) ou existirá realmente algo de podre no “reino da Dinamarca” (no caso, a Diocese do Crato), como de há muito se comenta, aqui e alhures ???

terça-feira, 24 de setembro de 2013

"Isonomia" - José Nilton Mariano Saraiva

A rua Ana Bilhar, aqui em Fortaleza, localiza-se a duas quadras da Av. Beira Mar, área nobre da capital cearense, onde o preço do metro quadrado de terreno custa os olhos da cara, quase atingido  a estratosfera. Portanto, só mora naquela área quem tem “bala na agulha” (grana, muita grana).

Mas, além da grana, tudo indica que os que ali residem também gozam de certo prestígio junto às autoridades do município, talvez em função do “status” da moradia. Assim é que, estribados nessa condição privilegiada, POR CONTA PRÓPRIA resolveram criar na via pública uma “ciclofaixa” (via de transito para uso exclusivo de bicicletas), a fim de não correram nenhum risco de serem atropelados quando se exercitam pelas manhãs e à noite. Dito e feito: cotizaram-se e providenciaram a pintura de uma faixa, numa extensão de dois quilômetros, na lateral da citada rua.

Acionada por motoristas que por lá trafegam, e que se sentiram incomodados em razão da diminuição do espaço de manobra, a AMC (autarquia que cuida do trânsito na cidade) compareceu ao local e, num primeiro momento, face não ter havido nenhuma consulta ou autorização oficial, ameaçou obstar tal intento, apagando a tal faixa no asfalto.

Conversa vai conversa vem, a AMC resolveu por assumir a “maternidade” (já que uma instituição) do serviço feito pelos moradores, não só alargando a citada faixa, mas dando-lhe contornos definitivos e oficiais; além do que, proibiu os carros de estacionar durante os dois quilômetros sinalizados e, a partir de certa data, passará a cobrar uma multa salgada (R$ 574,00) do proprietário de carro que se aventurar a trafegar por ali, além de lhe “premiar” com 07 pontos na carteira (infração gravíssima).

Poderíamos entender isso tudo como uma vitória da cidadania, porquanto uma iniciativa dos moradores, posteriormente chancelada pela autoridade competente (e, pois, merecedora de aplausos). Mas, eis que, quando os moradores de uma rua do “miserável” Bom Jardim, bairro periférico da capital, resolveram criar uma ciclofaixa idêntica (espelhando-se no que fizeram os moradores da “nobre’ rua Ana Bilhar), a AMC logo logo pintou no pedaço e, de pronto, não só apagou a faixa pintada, como, também, ameaçou com represálias que ousasse tomar qualquer providência em contrário.


Quais as razões pra tamanha discriminação ??? Por que, não, um tratamento isonômico ??? Todos não são iguais perante a lei ??? Ou, aqui, os fracos não têm vez ???

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Pedras que "falam" - José Nilton Mariano Saraiva

Como até os paralelepípedos segredavam de há muito entre si, a escudaria italiana Ferrari resolveu dispensar o sofrível piloto brasileiro Felipe Massa e por uma razão que salta à vista, de tão cristalina: absoluta falta de resultados. É só observar que enquanto o espanhol Fernando Alonso, com carro idêntico, está sempre pontuando, e se constitui hoje na única ameaça real ao alemão Sebastian Vetel, o nosso representante se arrasta sofregamente pelas pistas do mundo, numa inoperância de dá dó (e depois do grave acidente da Hungria, ano passado, o pedal mais acionado pelo Massa passou a ser o freio, ao invés do acelerador).

Isso, evidentemente, causou certo rebuliço junto à emissora global que retransmite a Fórmula 1 para o Brasil, porquanto, sem a presença de um patrício entre os contendores, a tendência é que os patrocínios para a transmissão desapareçam e, conseqüentemente, se  inviabilize a existência da equipe automobilística no organograma global. Em outras palavras e bem sucintamente: desemprego à vista, em larga escala.

De outra parte, pressionado a arranjar uma escudaria que abrigue o Felipe Massa e, por tabela, o Brasil no círculo da Formula 1 no próximo ano, seu dirigente maior, Bernie Ecclestone, num recado direto à Rede Globo, foi incisivo e categórico:

“o maior problema para que o Brasil tenha um piloto experiente no ano que vem está na falta de patrocinadores. Se Felipe TROUXER PATROCINADORES tudo irá mudar e o Brasil deverá ter piloto no grid em 2014. Um país de economia forte como o Brasil tem totais condições de investir num piloto".

Pra quem não havia se mancado ainda, tai a senha: a Fórmula 1 de há muito deixou de ser um esporte competitivo, para transformar-se num rentável e milionário negócio; assim, se arranjar patrocinador tem lugar garantido (apesar de toda mediocridade); se não arranjar tá fora, até porque tem gente na fila esperando (os árabes estão à espreita). 

domingo, 22 de setembro de 2013

"Manuel Simplício" - José Nilton Mariano Saraiva

Abstraindo-se aquela máxima preconceituosa de que “homem que é homem não acha homem bonito” (porquanto corre o risco de ser tachado de veado, bicha, gay e por aí vai), a verdade é que o laureado ator francês Alain Delon, além do dom natural de representar com extrema competência, era, sim, um homem bonito e charmoso e que destroçou corações femininos mundo afora (tanto é que uma de suas esposas foi a atriz austríaca Romy Schneider, uma mulher belíssima, desejada e disputada por meio mundo de homens, e que se tornou famosa após o filme “Sissi, a Imperatriz”). Hoje, com quase 78 anos de idade, Alain Delon continua atuando (não mais em filmes), mas no teatro francês, esbanjando competência, charme e... destroçando corações femininos.

Pois bem, aqui em Fortaleza Alain Delon serviu de referência (ou modelo) para um “cabeça-chata” autêntico, oriundo lá dos grotões do interiozão brabo. De estatura elevada como o francês (quase dois metros), vasta cabeleira e esbelto, nosso conterrâneo, estimulado pelos irmãos mais novos (que sabiam da sua adoração pelo artista francês), meteu na cabeça que seria por essas bandas a cópia fiel do ídolo famoso, embora não tivesse nenhum pendor para a arte de representar. Só que o nome de batismo (onde estavam os pais quando escolheram um nome tão horroroso ???) não ajudava nem um pouco: Manuel Simplício.

Mas, eis que, não mais que de repente, Manuel Simplício conseguiu se engajar numa atividade que jamais imaginara e de grande visibilidade: integrar a equipe esportiva de um jornal da capital, onde ficou responsável por uma coluna diária. E então, mesmo que por linhas tortas, realizou o sonho da vida: em homenagem ao ídolo maior, adotou o pseudônimo  Alan Neto (sem o “i”, a fim de tornar-se mais “deglutível”).

Fato é que, hoje, Manuel Simplício, embora com uma barriga saliente, já nem se lembra do nome original (aquele escolhido com tanto esmero e carinho pelos pais), e só atende pelo pseudônimo com o qual homenageia e lembra o ídolo maior: Alan (Delon) Neto.


Manuel Simplício ??? Que diabo é isso ??? 

sábado, 21 de setembro de 2013



Eles cresceram, e eu não percebi.

São adultos, quarentões, mas ainda me parecem frágeis e carentes de colo.

Existe uma dor humana no coração materno. Uma ferida aberta que sorri e chora.

Paz e sobressalto. Olhar vigilante já despido de malícia. Se um filho não está OK, a gente se desconserta, e busca milagres ou respostas no brilho de estrelas, que talvez nem mais existam.

Vivemos por um fio...

 Aparo arestas e cantarolo, enquanto tempero o rango.

 Aumentei lugares na mesa. Somos muitos: família!

Quando marco ausências, me engasgo num soluço, e disfarço num olhar distante, até alcançar a utópica felicidade. Espremo gotas de alegria, mas elas parecem  cristalizadas, num ponto de saudade.

Craques do "crack" - José Nilton Mariano Saraiva

Pejorativamente, para eles somos todos uns “paraíbas”. Não importa que você tenha nascido no Ceará, Piauí, Pernambuco, Maranhão ou em qualquer um dos nove estados que compõem a Região Nordeste. De acordo com o decretado pelos “gênios-pedantes” moradores das regiões Sul-Sudeste do país, somos uma só raça, os “paraíbas”, e PT saudações (qualquer reclamação encaminhar ao Papa Chico).

Tal preconceito conta com um aliado importante para a sua consecução e propagação: as diversas redes de televisão, cujos núcleos centrais lá se localizam e que normalmente, quando se referem à Região Nordeste (em temas complexos ou não), o fazem de forma não muito lisonjeira ou até mesmo desrespeitosa (nas novelas, por exemplo, as falas e modos dos “artistas” que interpretam os “paraíbas” beiram ao deboche e ao ridículo; puro sarcasmo).

No entanto, contraditoriamente essa mesma televisão todos os dias É OBRIGADA a mostrar para todo o país o estado triste, abjeto e deplorável em que vivem determinados segmentos dos moradores daquelas regiões (Sul-Sudeste), que vivem sitiados em áreas conhecidas como “cracolândia”, onde o consumo de drogas pesadas é uma realidade que a todos envergonha.

Só que, quando é pra divulgar “estatísticas” fajutas a respeito da tragédia que se tornou o consumo de “crack” no país (com todos os seus malefícios), invariavelmente à Região Nordeste é creditado a maior parcela de culpa; aqui se localizaria o maior pólo consumidor da droga, aqui não existiria controle nenhum por parte das autoridades competentes, aqui o consumo seria por demais exacerbado porque só tem analfabetos, e por aí vai (pelo menos é isso o que consta da mais nova pesquisa lançada à praça).

No entanto, se tivessem um pouquinho de humildade, seriedade e uma nesga que fosse de clarividência, os institutos de pesquisa e televisões, examinando a questão com imparcialidade e à luz da realidade, facilmente  constatariam que é exatamente nas regiões Sul e Sudeste do país que se encontram, sim, os verdadeiros “craques do crack” (e que seleção imbatível).


São uns calhordas !!!   

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

"Auxílio-locomoção" - José Nilton Mariano Saraiva

A cidade de Aquiraz dista pouco mais de 20 quilômetros de Fortaleza (cerca de meia hora de carro), daí figurar como pertencente ao seu perímetro urbano. Possui praias belíssimas e conhecidas internacionalmente (Beach Park, Prainha, Iguape, Barro Preto e outras) que se constituem atrativo e chamariz àqueles que valorizam a tal “qualidade de vida”. Tanto é verdade que muita gente que trabalha em Fortaleza reside em Aquiraz, tal a facilidade de locomoção (a ampla CE-040 passa dentro da urbe).

Mas, também aqui, há pessoas que não valorizam muito essa tal “qualidade de vida”, daí que muitos dos funcionários lotados na Prefeitura de Aquiraz optaram por residir em Fortaleza. Nada demais, a não ser o fato de que, além do salário normal, a Prefeitura de Aquiraz premia 71 (setenta e um) dos seus servidores (que teoricamente moram na capital) com uma verba mensal extra (individual) de R$ 4.800,00 a título de “auxílio locomoção”; ou seja, a Prefeitura da pequena Aquiraz tem um gasto extraordinário mensal de R$ 340.800,00 – ou o correspondente a R$ 4.090.000,00 por ano.

Questionado sobre tão excessivo gasto, o cara-de-pau do prefeito da cidade alegou, sem o menor escrúpulo, que esse tal “auxílio locomoção”, além de absolutamente necessário, possuí uma certa elasticidade, porquanto não serviria apenas para o combustível, mas, sim, pra comprar pneus, peças, manutenção e - pasmem os senhores - até pra trocar o carro, se o servidor municipal assim o desejasse.

Como se vê, de novo eles (os políticos), continuam gozando com a cara do contribuinte, já que insensíveis e até estimuladores da farra com o dinheiro público; ou existe justificativa pra explicar tamanha excrescência ???
.

Agora, aqui pra nós: quantas escolas ou creches seriam construídas com esses R$ 4.090.000,00 que hoje são entregues de mão beijada a uns poucos, em detrimento da população carente ???    

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

"Soberania Nacional", sim senhor !!! - José Nilton Mariano Saraiva

E aconteceu o que jamais se imaginaria se, por exemplo, ocupando a Presidência da República Federativa do Brasil se encontrasse alguém da estirpe do “pavão” Fernando Henrique Cardoso, um entreguista de primeira hora: o Brasil, através de comunicado público da lavra da Presidenta da República, Dilma Rousseff, resolveu cancelar uma visita oficial de Estado em solo americano (agendada de há muito), com o todo poderoso presidente dos Estados Unidos, o simpaticíssimo “colored” Barack Obama.

A razão foi a falta de resposta convincente ao questionamento público da presidenta brasileira ao presidente americano, exigindo, sim, que se esclarecesse, também publicamente, quais as razões e finalidades que motivaram a espionagem por parte do serviço secreto americano de correspondências e escutas de instituições, cidadãos e empresas brasileiras (dentre as quais a própria Presidência da República e a estratégica Petrobrás).

Isso porque, como é do conhecimento daqueles que têm um mínimo de senso crítico, na “teoria” os Estados Unidos vivem a pregar a não intervenção em assuntos internos de países outros, mas, na “prática”, são os primeiros a se intrometer na vida de todo mundo, desde que estejam em jogo seus suspeitos interesses, conforme se pode constatar nas guerras “inventadas” (mas de efeitos reais) que patrocinam nos quatro quadrantes do planeta.

Partindo de tal pressuposto, a iniciativa da presidenta brasileira de cancelamento da viagem aos Estados Unidos se constitui, sim, um ato de afirmação da nossa soberania, conforme deixam claro as manchetes dos principais jornais de todo o mundo.


Assim, queiram ou não os estafetas do caos e entreguistas de plantão, mostramos que não mais estamos dispostos a se curvar aos humores “yanques”, ou dançar conforme o ritmo por eles orquestrado. 

Bastinha - Uma crítica bem humorada


Cordelista, professora e responsável pela inclusão da disciplina de Literatura Popular do Curso de Letras da Universidade Regional do Cariri, Bastinha Job vem desenvolvendo o seu trabalho poético desde a infância. Pertencendo a Academia dos Cordelistas do Crato,  ela destaca com orgulho que “É bastante dizer que ela  (Academia) revelou inúmeros poetas, atualmente com mais de mil títulos publicados e mais de um milhão de folhetos lançados, com temáticas abrangentes”.    


Alexandre Lucas – Quem é Bastinha?

Bastinha - Professora aposentada,
cordelista na ativa,
Assaré do Patativa
é minha terra amada;
Crato é a mãe idolatrada,
que me acolheu em seu seio,
aqui encontrei o veio
da joia da Educação,
da completa Formação
que me deu força e esteio.
Alexandre Lucas – Como se deu seu contato com a poesia?

Bastinha - Leio desde a meninice
Patativa e Aderaldo,
deslumbrei-me com Clarice,
no momento, leio Ubaldo,
Pompílio e Zé da Luz
estilo que me seduz;
E viajei com Lobato,
neles, vivi a magia
 setas da  minha  poesia
e guias do meu contato.
Alexandre Lucas – Fale da sua trajetória poética:
Bastinha - Minha trajetória começou desde criança quando fiz o curso de declamação na Escola de Arte de Sara Quixadá Felício Participei de muitos jograis que se apresentavam em grêmios escolares, comemorações. Continuamente, fiz o Curso Primário, o Pedagógico e cursei Letras na antiga Faculdade de Filosofia. (URCA) Ensinei Língua Portuguesa em quase todos os colégios do Crato. Durante muitos anos (até aposentar-me) na referida URCA . No ano de 1993 consegui um gol de placa: criei com dois colegas, a Cadeira de Literatura Popular sendo a primeira professora do mencionado Curso. Graças a Deus a Cadeira se mantém forte e firme descobrindo vários talentos.
Alexandre Lucas – O que representa a Academia dos Cordelistas do Crato para você?
Bastinha - A Academia dos Cordelistas do Crato,  fundada pelo saudoso Elói Teles de Morais, no ano de 1991, não é só um marco na minha vida; mas  para toda a Cultura Popular do Crato e do Nordeste. Através dela, me descobri cordelista. Ela também resgatou o cordel que estava agonizante, mascarado pelos meios de comunicação de grande  e monopolizador poder. E o melhor, foi  por causa dela ,que eu não medi esforços para fundar a Cadeira de Literatura Popular da URCA. A Academia., sim, merece um troféu!
Alexandre Lucas – Como você define a sua poesia?
Bastinha - Eu faço poesias críticas
com pitadas de humor
e alfinetadas políticas,
mas também falo de amor;
meu poetar é a arma
que incita ou que desarma,
que faz rir, que faz chorar;
em suma ela é catarse
autêntica e sem disfarce
um compromisso a se honrar!

Alexandre Lucas – Como ocorre o seu processo criativo para a poesia?

Bastinha - Não tenho um processo criativo específico. Sigo as minhas intuições inspiradas  pelos fatos do cotidiano, acontecimentos políticos, sociais, religiosos e, sobretudo, crítico humorísticos.

Alexandre Lucas – Como você avalia a produção literária na região do Cariri?

Bastinha - Nossa região é muito bem servida neste setor. Nossa Cultura é rica e diversificada. No tocante à literatura de cordel, principalmente, houve grandes impulsos, nessas duas últimas décadas,com a criação da Academia dos  Cordelistas do Crato (a qual pertenço). É bastante dizer que ela revelou inúmeros poetas, atualmente com mais de mil títulos publicados e mais de um milhão de folhetos lançados, com temáticas abrangentes. Nossa Academia transpôs fronteiras, e, só precisa  de apoio financeiro dos órgãos competentes.

Alexandre Lucas – Você acredita que a literatura é um instrumento político? 

Bastinha - É sim. A política é que não toma conhecimento de sua importância na literatura. Através da poesia, o poeta critica, louva, aplaude,orienta  e se engaja em qualquer setor: político, social, religiosa, histórico, onírico, etc, etc...

Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos? 

Bastinha - Diariamente os acontecimentos me fazem escrever sonetos, trovas e cordéis. Entretanto, estou compilando meus textos mais pertinentes a fim de escrever meu tão sonhado livro.