por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



terça-feira, 14 de outubro de 2014

Um poema bem oportuno à circunstância, do recente livro do amigo e poeta Ronaldo Costa Fernandes, O difícil exercício das cinzas (7Letras, 2014).



Os dois passos do homem
O homem tem apenas dois passos:...
um passo à frente
e um passo atrás.
O passo que se dá à frente
é um passo doble,
o passo que se dá atrás
é um passo em falso.
Há passos que parecem ser à frente
e levam ao pé do cadafalso,
à ira dos materiais em erosão
que morrem ao se devorar.

SOLDADOS CONTRA O VÍRUS EBOLA - José do Vale Pinheiro Feitosa

Desde que se tomou conhecimento do primeiro surto do Vírus Ebola no Zaire e no sul do Sudão, em 1976, que de algumas coisas se tem conhecimento. Primeiro: é uma doença devastadora do ponto de vista clínico e dos cuidados necessários, com uma letalidade altíssima e um potencial de transmissão muito intenso (naquele surto um cientista inglês trabalhando em laboratório com material de pacientes foi contaminado). Segundo: os precários hospitais das missões religiosas foram uma fonte de disseminação da doença para toda a região. Terceiro: até hoje a melhor opção terapêutica continua a ser o soro hiperimune. Ou seja aquele que é retirado de pessoas infectados. Isso já fora usado em 1976 e depois os laboratórios com ações em bolsa de valores não se “interessaram.”

Agora estamos olhando que mesmo em países onde as técnicas dos profissionais de saúde são mais apuradas e que o material é abundante, casos estão ocorrendo entre profissionais de saúde. Na Espanha e no EUA. E agora é sabido que a contaminação da enfermeira do Texas decorre do despreparo dos profissionais de saúde para tratar com estes casos (85% dos profissionais não receberam treinamento).

A verdade é que os arbovírus são extremamente perigosos e que mais surtos virão pois o desmatamento, a mineração e o impacto ambiental tem aberto o acervo genético das florestas para o bem e para o mal. O próprio ressurgimento e a dificuldade de controlar o mosquito transmissor da febre amarela, o mesmo que transmite a Dengue, já diz algo de mudança climáticas e de mudança ambiental.

Já se passaram mais de 72 horas e o Centro de Controle de Doenças (CDC) não tem a menor ideia do que aconteceu com a enfermeira para que ela se contaminasse. Até agora não surgiu uma avaliação do caso espanhol. O CDC se encontrar neste nível de resposta diz muito bem dos efeitos das políticas neoliberais sobre instituições que já não conseguem responder às grandes questões.

Há pouco mais de uma semana soubemos que Cuba estaria enviando para os países africanos afetados um grande número de profissionais de saúde. Não se viu o mesmo dos EUA, mas eles mandaram três mil soldados. Mas qual o papel de soldados numa epidemia? Proteger patrimônio do interesse deles? Confinar populações inteiras? Servir de contenção para eventuais manifestações populares de insatisfações?


Enfim, se até os profissionais de saúde, em seus ricos e seguros países estão sendo infectados, que diabo pode fazer um soldado americano numa zona de transmissão ativa do vírus Ebola?  

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

BANCOS PÚBLICOS - José Nilton Mariano Saraiva

ATENÇÃO SENHORES FUNCIONÁRIOS DOS BANCOS ESTATAIS PARA A DECLARAÇÃO DE “VIVA VOZ” DO SENHOR ARMÍNIO FRAGA, "JÁ CONFIRMADO" FUTURO MINISTRO DA FAZENDA NUM PRETENSO GOVERNO AÉCIO NEVES:


O BRASIL TEM HOJE TRÊS GRANDES BANCOS PÚBLICOS QUE DETÊM MUITO PODER: O BNDES, O BANCO DO BRASIL E A CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. AÍ, TEMOS QUE FAZER AJUSTES E EU NÃO SEI O QUE VAI SOBRAR”. 

O execrável "VAZAMENTO SELETIVO" - José Nilton Mariano Saraiva

Quando compareceu à CPI do Congresso Nacional a fim de prestar esclarecimentos a respeito das supostas irregularidades acontecidas na Petrobrás, o ex-funcionário da empresa, senhor Paulo Roberto Costa,  exerceu na plenitude o seu direito constitucional de permanecer calado. Não soltou um pio.
Em off, entretanto, num átimo de surpreendente sinceridade, assegurou que assim procedia porque se abrisse a boca naquele momento (antes do primeiro turno) a eleição presidencial brasileira corria o risco de não se realizar (embora, àquela altura, já houvesse “aberto o bico” e contado tudo para a polícia federal paranaense).  
Nos bastidores, porém, já houvera vazado e a mídia divulgado com estardalhaço a informação que pessoas comuns, governadores e deputados vinculados a diversas agremiações partidárias (PSB, PT, PMDB e PP, dentre outras) estariam envolvidas no recebimento de polpudas propinas, via superfaturamento na Petrobrás. Dentre elas, os governadores de Pernambuco (o falecido Eduardo Campos-PSB), do Ceará (Cid Gomes-PROS) e do Maranhão (Roseana Sarney-PMDB).  
Eis que agora, às vésperas do segundo turno de uma decisão que tem tudo para ser das mais acirradas, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, resolve divulgar um vídeo de parte do depoimento do senhor Paulo Roberto Costa, onde são nominadas pessoas e partidos políticos supostamente beneficiadas com as tais propinas. Com um estranho e estarrecedor “detalhe”: os envolvidos, bem como os partidos políticos, todos são da base de apoio do governo federal.
Como o PSB (Eduardo Campos), que houvera sido citado lá atrás como um dos beneficiários do esquema, em razão da suposta “propina grossa” que grassou nas obras da Siderúrgica Abreu de Lima (em Pernambuco) agora no vídeo divulgado pelo juiz Sérgio Moro foi omitido ou não citado, conclui-se que teria havido uma espécie de “excesso de cuidado” ou “vazamento seletivo” visando influir no resultado da eleição (afinal, é bom repetir, só o pessoal e partidos da base governista foram citados). 
Seria a chamada “bala de prata”, tão ansiosamente aguardada pela oposição, mas ao mesmo tempo  a prova definitiva de que o Poder Judiciário brasileiro, aqui representado por um iluminado qualquer (dizem que vinculado ao DEM), contrariando o que dele todos esperam, resolveu pela parcialidade em seus julgamentos.
Triste e lamentável, que merece uma resposta do povo (afinal, queiram ou não os opositores do governo, o Brasil mudou e mudou muito, pra melhor, nos últimos doze anos).



Atualização de status
De Everardo Norões
Perguntas a um operário letrado

Bertold Brecht

Quem construiu Tebas,
a das Sete Portas?
Nos livros vêm os nomes dos reis,
mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilônia, tantas vezes destruída,
quem a reconstruiu?
Em que casas da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
foram seus pedreiros?
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo.
Quem os ergueu? Sobre quem
triunfaram os Césares?
Na tão cantada Bizâncio
todos os habitantes tinham palácios?
Até a legendária Atlântida
na noite em que o mar a engoliu
viu afogados gritarem por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Indias sózinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu dispor?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha chorou.
E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos Sete Anos.
Quem mais a ganhou?

Em cada página, uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década, um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias.
Quantas perguntas.
 
 

O Retorno - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

O senso comum afirma que o brasileiro tem memória curta. Confirmamos essa assertiva no desenrolar da presente campanha eleitoral. De repente, como que anestesiados pelas inserções sublimares da grande imprensa, tendo à frente a diabólica Rede Globo, grande parte do nosso povo passou a admirar o sociólogo, aquele mesmo que recentemente considerou o nordestino um povo ignorante e, que há pouco menos de duas décadas, trouxe-nos o caos quando aderiu ao "Consenso de Washington" e implantou políticas neoliberais em seu famigerado desgoverno. O que vimos, lembram-se? Arrocho salarial, fome, salário mínimo abaixo de cem dólares, menor do que o de países mais pobres, como o Paraguai, a dilapidação do patrimônio do estado brasileiro, quando todo nosso setor de distribuição de eletricidade, nosso precário sistema ferroviário, que no caso do Ceará simplesmente foi extinto, nossas siderúrgicas e mineradoras, e tantas outras empresas estatais foram vendidas na "bacia das almas", mas cujo resultado ninguém soube qual foi, além de altas tarifas e a descapitalização do nosso país. 

No final do desgoverno de FHC, no centro comercial de Fortaleza, inúmeras casas comerciais foram fechadas e transformadas em estacionamentos. Gigantes do comércio varejista, lojas tradicionais cujo capital era nacional, como a Mesbla, o Mapin, a Lobrás, a Eletroradiobrás, as Casas Pernambucanas, o Romcy e tantas outras sumiram para sempre do mercado. Lembram ainda delas? Muitos dos nossos jovens não as conheceram. As políticas neoliberais aplicadas no desgoverno tucano quebraram o país três vezes, tendo que ser socorrido pelo FMI, (Fundo Monetário Internacional).  

A Europa e os Estados Unidos vivem no presente uma grande crise econômica, justamente por ter abusado da aplicação do receituário neoliberal. Crise essa que de certa forma também nos atinge.

Agora esse grupo sediado em São Paulo, o mais nordestino dos estados brasileiro, pois até a seca já chegou por lá, com direito a falta d'água e muita sede de um povo satisfeito com seus atores, pois anestesiados pelas novelas globais, está querendo reassumir os destinos desse país, alardeando uma grande crise em que vivemos. Será por que os aviões saem lotados dos aeroportos? Ou por que as lojas estão cheias de gente comprando? Ou será por que o povo está comendo? Pelo menos três refeições diárias estão tendo e não mais vimos retirantes da seca estendendo a mão em nossas esquinas.

Pensem nisso! Libertem-se das paixões partidárias. Faço esse apelo porque em 2004 fui um dos responsáveis por ter colocado FHC no governo. Penitencio-me hoje. Minhas esperanças foram então frustradas e não desejo ver repetido o filme dos que não olham para o bem estar do nosso povo, mas apenas para os banqueiros e grandes empresários, priorizando o capital à frente do social. Pensemos no futuro dos nossos filhos e netos. Não desejemos para eles o desemprego e desesperanças.

domingo, 12 de outubro de 2014

“Lucros pessoais exagerados ou limitados a grupos cuja prosperidade se baseia na exploração da maioria.” - José do Vale Pinheiro Feitosa

Um governo para o nosso tempo é o que precisamos. Estamos no processo eleitoral e cada um é importante nessa definição. E que se tome por referência as práticas e o que acontece no mundo todo para se colocar como legítimo escrutinador do seu tempo. E não cabe exploração, juros altos, arrocho salarial, redução do crédito, combater os pobres e “menos informados”, manter privilégios de grupos e classes. Não cabe agora, como não cabia em 1940, quando efetivamente a guerra mundial tomou um corpo geral e esta guerra era fruto do liberalismo econômico que criara grandes tubarões a dizimar os peixes pequenos num aquário de iniquidades, fome, perseguições e morte.

No dia 11 de junho de 1940, a bordo da nau capitânia, da Marinha de Guerra do Brasil, o Encouraçado Minas Gerais, Getúlio Vargas pronuncia um discurso histórico. Os produtores rurais e industriais brasileiros estavam insatisfeitos com a queda das exportações e reclamavam pela mídia (mesmo sob impacto de uma ditadura). Getúlio diante do quadro internacional abre um discurso em que denuncia a choradeira e puxa as orelhas de quem quer ganhar muito sem fazer nada. Como esse pessoal hoje que tem o Armínio Fraga como guru: os beneficiários da bolsa juros do tesouro nacional. E o que diz o Getúlio:

“O que ficou perene, imortal, foi o lema: “O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever.” São as primeiras palavras de Getúlio ao recordar o patrono da Marinha de Guerra, Almirante Barroso. E vai ao cerne da questão:

“Atravessamos, nós, a humanidade inteira transpõe, um momento histórico de graves repercussões, resultantes de rápida e violenta mutação de valores. Marchamos para um futuro diverso de quanto conhecíamos em matéria de organização econômica, social, ou política, e sentimos que os velhos sistemas e fórmulas antiquadas entram em declínio. Não é, porém, como pretendem os pessimistas e os conservadores empedernidos, o fim da civilização, mas o início tumultuoso e fecundo de uma nova era.”

Getúlio chega ao ponto onde a mudança acontecerá com maior fecundidade: “A economia equilibrada não comporta mais o monopólio do conforto e dos benefícios da civilização por classes privilegiadas. A própria riqueza já não é, apenas, o provento de capitais sem energia criadora que os movimente; é trabalho construtor, erguendo monumentos imperecíveis, transformando os homens e as coisas, agigantando os objetivos da Humanidade, embora com sacrifício do indivíduo. Por isso mesmo, o Estado deve assumir a obrigação de organizar as forças produtoras, para dar ao povo tudo quanto seja necessário ao seu engrandecimento como coletividade. Não o poderia fazer, entretanto, com o objetivo de garantir lucros pessoais exagerados ou limitados a grupos cuja prosperidade se baseia na exploração da maioria.”

E Getúlio mais à frente continua: “À democracia política substitui a democracia econômica, em que o poder, emanado diretamente do povo e instituído em defesa do seu interesse, organiza o trabalho, fonte de engrandecimento nacional e não meio e caminho de fortunas privadas. Não há mais lugar para regimes fundados em privilégios e distinções; subsistem, somente, os que incorporam toda a Nação nos mesmos deveres e oferecem, equitativamente, justiça social e oportunidade na luta pela vida. A disciplina política tem de ser baseada na justiça social, amparando o trabalho e o trabalhador, para que este não se considere um valor negativo, um pária à margem da vida pública, hostil ou indiferente à sociedade em que vive.”  

Relendo este discurso de Getúlio Vargas fica claro onde se encontra o caminho político do trabalhismo. Onde se encontra a linha da história brasileira.

E fica mais claro do que nunca porque FERNANDO HENRIQUE CARDOSO DISSE QUE SERIA O FIM DA ERA VARGAS. Isso foi dito num discurso dele no Senado, em 1994, quando já fora eleito Presidente da República. A frase era o resumo do programa neoliberal: Estado Mínimo, economia de Mercado, atrelamento aos EUA, trabalhadores como consequência e não como causa da história.


Agora, então, com os preconceitos emitidos por ele, não tem como fugir de que FHC não mentiu quando mandou esquecer tudo que escreveu sobre a teoria da dependência. Por isso ele falava em Neobobos, em Vagabundos ao se referir a aposentados e se vangloriava de falar inglês.  
Um trecho da entrevista de Lula a Mino Carta:

"Porque há quem, neste momento eleitoral, fique brincando com Bolsa de Valores, especulando, ganhando dinheiro, comprando e vendendo. E é importante o povo ficar atento. Eu fui candidato muitas vezes, perdi eleições muitas vezes, sei das safadezas que eles fazem com a Bolsa. E quer saber de uma coisa, sem radicalismo? Eu nunca pedi voto para o mercado. Eu não sei quantos votos tem esse mercado, o que sei é que o povo tem voto, para ele que a gente tem de pedir voto. E eu quero voto do rico, da classe média, do profissional liberal, do sem-teto, do sem-terra, do com-terra, eu quero voto de todo mundo, porque todo mundo é brasileiro e tem de ser tratado com igualdade de condições. O que eu digo e a Dilma diz: nós governamos este País para todo mundo, agora o braço do Estado tem de estar mais atento às pessoas mais necessitadas. E este país que precisamos fortalecer, onde todo mundo seja tratado com igualdade de condições, onde a escola seja efetivamente de qualidade. Através da educação se estabelece a oportunidade de ascensão social."

"Mas há quem não queira, a possibilidade de ascensão oferecida a todo mundo."

"Uma vez, muito tempo atrás, almoçava com você (Mino Carta), o Weffort, que o secretário-geral do PT (saiu e se aliou a FHC), o Jacó Bittar (um dos fundadores do PT e prefeito de Campinas atualmente no PSB), e eu fui ao banheiro e, ao voltar à mesa, passei diante de duas senhoras e ouvi: “Ele diz que é pobre, mas está comendo aqui onde a gente come”. E o Jacó revidou: “E a senhora que vai pagar a conta dele? Sou eu que vou pagar a conta dele”."


"O sociólogo Fernando Henrique Cardoso, quando pronunciou sua frase infeliz, retratou um sentimento histórico da elite brasileira, algo que vem desde o tempo da Coroa."  

sábado, 11 de outubro de 2014

No "limite da irresponsabilidade" - José Nilton Mariano Saraiva

O termo “mensalão” não consta de qualquer dicionário e foi introduzido na arena política brasileira pelo deputado Roberto Jefferson (posteriormente condenado), a fim de designar um pretenso pagamento mensal a deputados corruptos, em troca de votos para aprovação de matérias de interesse de governos, estadual e federal.

Conhecidos, dois foram os “mensalões” da vida: o “mensalão-original”, o de Minas Gerais, cuja principal beneficiário foi o então governador do PSDB, Azeredo da Silveira e que até hoje não foi julgado; e, o “mensalão-genérico”, o de Brasília, que envolveu uma série de parlamentares da base aliada do governo, e que teve julgamento “vapt-vupt”, com os seus integrantes condenados e presos. Em ambos, uma similitude: o mesmo operador, o mineiro Marcos Valério.

O “porquê” do mensalão ocorrido posteriormente (o de Brasília) já ter sido julgado, em detrimento do que lhe precedeu (o de Minas) - que permanece perambulando de gaveta em gaveta no judiciário mineiro, é algo que causa curiosidade. Pois é exatamente aí que o senhor Aécio Neves, quando questionado sobre corrupção, se escora para escamotear a verdade: no seu “juízo de valor”, como o senhor Azeredo da Silveira ainda não foi julgado (embora todos saibam da “desenvoltura” com que agia na obtenção dos votos) , não se pode considerá-lo culpado. E PT saudações.

A reflexão é só pra lembrar que agora, quando um estranho “vazamento seletivo” da Justiça Federal do Paraná é divulgado, trazendo declarações de dois mafiosos que operavam junto a inúmeros políticos que se beneficiaram de polpudas “propinas” na Petrobrás, a mídia nacional, sem que sequer as investigações tenham começado, de pronto trata de condenar o governo federal.

Como estamos às vésperas de um segundo turno de uma eleição presidencial e o senhor Aécio Neves concorre diretamente com a atual Presidenta da República, Dilma Rousseff, eis que o seu “juízo de valor” a respeito da necessidade de julgamento para que haja uma condenação, metamorfoseia-se: assim, conforme deixou claro, também aqui (tal qual no julgamento do mensalão brasiliense), não há necessidade nenhuma prova comprobatória do possível crime. Basta a denúncia de dois reconhecidos bandidos para que se chegue à conclusão que o governo é corrupto, que o ocorrido na Petrobrás teve orientação do governo, que o governo comandava tudo. Só que qualquer brasileiro com um mínimo de discernimento e bom senso sabe que o presidente Lula da Silva e a Presidenta Dilma Rousseff nunca compactuaram e não compactuam com a corrupção.

No mais, é estranho que o senhor Aécio Neves, visando benefícios pessoais, oblitere propositadamente o ocorrido no governo do PSDB, comandado por FHC, quando: a) dezenas de parlamentares foram agraciados com R$ 200 mil (cada), a fim de aprovar a emenda da reeleição (aí, sim, a corrupção foi generosa); b) que, naqueles dias, a sala da presidência do BNDES serviu de “esconderijo” à quadrilha comandada por Mendonça Barros, que orientado por FHC (existe um até áudio, a respeito) entregou as principais empresas brasileiras a preço de banana em fim de feira, aos espertalhões da vida; c) que moedas podres e até empréstimos subsidiados pelo governo (pelo mesmo BNDES que hoje criticam) foram disponibilizados a quem quisesse se habilitar em tais leilões; d) que o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil  (a Previ), foi saqueado até o “limite da irresponsabilidade”, conforme declarou Roberto Sérgio, seu presidente, visando beneficiar o bandido Daniel Dantas, na compra do setor de telecomunicações.

Alfim, resta lembrar que a atuação desses aloprados dentro da Petrobrás foi descoberta pela Polícia Federal, que é subordinada ao Ministério da Justiça, que por sua vez deve obediência a Presidência da República. E que o funcionário envolvido foi sumariamente demitido pela presidenta Dilma Rousseff, quando esta tomou conhecimento da maracutaia.

Cabe agora ao Judiciário julgar e condenar os parlamentares e empresas que participaram desse assalto aos cofres públicos.

Márcio Valley (transcriçãof)

Como um intelectual (FHC) pode se unir à grita da corrupção generalizada petista assim, de forma tão leviana? Sem o adensamento das causas? Sem uma perspectiva histórica? Sem analisar o sistema legal que proporciona tais desvios? Sem uma análise comparativa? Sem qualquer pronunciamento sobre a existência ou não das ações de combate? 
A corrupção inexistia no Brasil pré-PT ou nasce a partir da assunção desse partido? A malfadada governabilidade no Brasil - e seus filhos diletos, o fisiologismo e o patrimonialismo - é uma pré-condição do exercício do poder ou somente foi e será praticada pelo PT, mas não por outros partidos que eventualmente venham a conquistar o governo? Em outras palavras, é possível a qualquer partido governar sem se render aos clamores e anseios de sua inexoravelmente necessária base de apoio?
UM DOS PRIMEIROS ATOS DE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO (PSDB) , ASSINADO SOMENTE DEZOITO DIAS DEPOIS DE TOMAR POSSE, ATRAVÉS DO DECRETO 1.276/1995, FOI EXTINGUIR A COMISSÃO PARA INVESTIGAR A CORRUPÇÃO, COMISSÃO QUE HAVIA SIDO CRIADA EM 1993, POR ITAMAR FRANCO. 
LULA, NO 1º DE JANEIRO DE 2003, PRIMEIRO DIA DO SEU GOVERNO, ASSINOU A MP n° 103/2003 (DEPOIS LEI 10.683/2003), CRIANDO A CONTROLADORIA GERAL DA UNIÃO, E ATRIBUINDO AO SEU TITULAR DENOMINAÇÃO DE MINISTRO DE ESTADO DO CONTROLE DA TRANSPARENCIA, O QUE IMPLICOU ELEVAR O STATUS ADMINISTRATIVO DA PASTA E SINALIZOU AOS SUBALTERNOS O NORTE A SER ORIENTADO.
Nos oito anos de governo do PSDB, com FHC, a Polícia Federal realizou um total de 48 (quarenta e oito) operações, ou seja, uma média de seis operações por ano. Nos doze anos de governo do PT, esse número saltou para cerca de duas mil e trezentas, o que dá uma média de mais de 190 (cento e noventa) por ano.
Ao assumir, o governo do PT encontrou cerca de cem varas federais. Agora já são mais de quinhentas. Como você sabe, ou deveria saber, são as operações da Polícia Federal e as varas da Justiça Federal que, no âmbito federal, investigam, combatem e julgam os crimes de corrupção. Durante o governo do PSDB, havia Geraldo Brindeiro, o “engavetador geral da república”.
Durante o governo do PT poderosos membros do governo em exercício foram investigados, denunciados pelo Procurador Geral da República (não mais um “engavetador”), julgados, condenados e presos por corrupção. Você pode não apreciar a famosa expressão do Lula, “nunca antes na história desse país”, mas, quanto a esse fato, é possível desmenti-la? Quando e em que circunstâncias isso, antes, ocorreu?
O que não dá é para alcunhar o PT de “dono espúrio de um Brasil que é de todos nós”, uma frase de efeito cujo único objetivo é o aplauso fácil. Ou de falar em “aparelhamento do Estado”, um mantra que pode ser considerado bonitinho para aqueles que ignoram as formas pelas quais se materializam os processos políticos, mas que se torna ridículo se proferido por um intelectual (FHC) ciente de que o aparelhamento do Estado faz parte do processo democrático, uma vez que todo partido que chega ao poder preenche os espaços de indicação política existentes no governo justamente como meio de oferecer aos eleitores a direção política que eles escolheram através da eleição livre. Ou você acha que o PSDB não “aparelhou” o governo federal, quando lá esteve, ou, atualmente, não nomeou todo e cada um dos cargos políticos de livre nomeação no Estado de São Paulo durante esses vinte anos de seu governo (algo a dizer sobre a “perpetuação no poder” em São Paulo?).


A LOUCURA BATEU DO LADO DE LÁ (CAPITÃO WÁGNER)

No dia 05 de outubro de 2014, após indicar um Poste e ver a dificuldade mesmo com o derramamento de dinheiro na candidatura do Camilo Banheiro Santana, o irmão do Governador, Secretário de Saúde (que não existe no nosso Estado) Ciro Gomes, PROVAVELMENTE APÓS TER INALADO ALGUMA SUBSTANCIA QUE LHE TIROU O JUÍZO e após verificar que eu fui eleito o Deputado Estadual mais votado da história política do Ceará, o dito criminoso se dirigiu a uma casa localizada na Rua José Vilar 335, em frente a residência oficial do Governador, subiu no muro da residência e com uma faca pinicou um banner que tinha minha propaganda eleitoral. A proprietária da casa ficou muito assustada em virtude dos gritos e facadas que o criminoso proferiu no material de propaganda eleitoral. O Secretário de Saúde (criminoso) ainda disse que se soubesse quem tinha colocado aquele banner no local daria um tiro na cara. A família se encontra apavorada e com medo de represálias por se tratar do irmão do Governador. QUERIA VER SE ESSE SECRETÁRIO DE SEGURANÇA DO ESTADO É HOMEM DE VERDADE E HONRA A SUA FUNÇÃO E MANDA ABRIR UM INQUÉRITO CONTRA O ACUSADO. Dia desses ele obrigou um Delegado a fazer um Inquérito contra mim por conta de uma postagem no facebook. Será que esta postagem ele vai ler? O próprio Governador agrediu durante a Copa do mundo um cidadão e nunca foi aberto um Inquérito para apurar o caso. Esse é o secretariado que temos no Estado do Ceará. Ah! Dr. Servilho se quiser abrir outro Inquérito contra mim e coagir os Delegados para me indiciarem: Fique a vontade!!!!!

Carta para além do muro (ou por que Dilma agora) - Jean Wyllis

Aécio representa uma coligação de partidos de ultradireita, com uma base ainda mais conservadora que a do governo Dilma no Parlamento.( Por Jean Wyllys)

O muro não é meu lugar, definitivamente. Nunca gostei de muros, nem dos reais nem dos imaginários ou metafóricos. Sempre preferi as pontes ou as portas e janelas abertas, reais ou imaginárias. Estas representam a comunicação e, logo, o entendimento. Mas quando, infelizmente, no lugar delas se ergue um muro, não posso tentar me equilibrar sobre ele. O certo é avaliar com discernimento e escolher o lado do muro que está mais de acordo com o que se espera da vida. O correto é tomar posição; posicionar-se mesmo que a posição tomada não seja a ideal, mas a mais próxima disso. Jamais lavar as mãos como Pilatos – o que custou a execução de Jesus – ou sugerir dividir o bebê disputado por duas mães ao meio. Sei que cada escolha é uma renúncia. E, por isso, estou preparado para os insultos e ataques dos que gostariam que eu fizesse escolha semelhante às suas. Por respeito à democracia interna do meu partido, aguardei a deliberação da direção nacional para dividir, com vocês, minha posição sobre o segundo turno. E agora que o PSOL já se expressou, eu também o faço.
Agora, no segundo turno, a eleição é entre os dois candidatos que a população escolheu: Dilma Rousseff e Aécio Neves. E eu não vou fugir dessa escolha porque, embora tenha fortes críticas a ambos, acredito que existam diferenças importantes entre eles.
A candidatura de Aécio Neves – com o provável apoio de Marina Silva (e o já declarado apoio dos fundamentalistas MAL-AFAIA e Pastor Everaldo; do ultrarreacionário Levy Fidélix; da quadrilha de difamadores fascistas que tem por sobrenome Bolsonaro e do PSB dos pastores obscurantistas Eurico e Isidoro) – representa um retrocesso: conservadorismo moral, política econômica ultraliberal, menos políticas sociais e de inclusão, mais criminalização dos movimentos sociais, mais corrupção (sim, ao contrário do que sugere parte da imprensa, o PT é um partido menos enredado em esquemas de corrupção que o PSDB), mais repressão à dissidência política e menos direitos civis.
Mesmo com todos as críticas que eu fiz, faço e continuarei fazendo aos governos do PT, a memória da época do tucanato me lembra o quanto tudo pode piorar. Por outro lado, Aécio representa uma coligação de partidos de ultradireita, com uma base ainda mais conservadora que a do governo Dilma no Parlamento. Esse alinhamento político-ideológico à direita entre Executivo e Legislativo é um perigo para a democracia.
Vocês, que acompanham meus posicionamentos no Congresso, na imprensa e aqui sabem o quanto eu fui crítico, durante esses quatro anos, das claudicações e recuos do governo Dilma e do tipo de governabilidade que o PT construiu. Mas sabem, também, que tenho horror a esse antipetismo de leitor da revista marrom, por seu conteúdo udenista, fundamentalista religioso, classista e ultraliberal em matéria econômico-social. Considero-o uma ameaça às conquistas já feitas, que não são todas as que eu desejo, mas existem e são importantes, principalmente para os mais pobres. As manifestações de racismo e classismo que vi nos últimos dias nas redes sociais contra o povo nordestino, do qual faço parte como baiano radicado no Rio, mais ainda me horrorizam.
Por isso, aderindo à posição da direção nacional do PSOL, que declarou "Nenhum voto em Aécio", eu declaro que, neste segundo turno das eleições, EU VOTO EM DILMA e a apoio, mesmo assegurando a vocês, desde já, que farei oposição à esquerda ao seu governo (logo, uma oposição pautada na justiça, na ética, nas minhas convicções e no republicanismo), apoiando aquilo que é coerente com as bandeiras que defendo e me opondo ao que considero contrário aos interesses da população em geral e daqueles que eu represento no Congresso, como sempre fiz.
Hoje, antes de dividir estas palavras com vocês, entrei em contato com a coordenação de campanha da presidenta Dilma para antecipar minha posição e cobrar, dela, um compromisso claro com agendas mínimas que são muito caras a mim e a todas as que me confiaram seu voto.
E a presidenta Dilma, após argumentar que pouco avançou na garantia de direitos humanos de minorias porque, no primeiro mandato, teve de levar em conta o equilíbrio de forças em sua base e priorizar as políticas sociais mais urgentes, garantiu que, desta vez, vai:
1. fazer todos os esforços que lhe cabem como presidenta para convencer sua base a criminalizar a homofobia em consonância com a defesa de um estado penal mínimo;
2. fazer todos os esforços que lhe cabem como presidenta para mobilizar sua base no Legislativo para legalizar algo que já é uma realidade jurídica: o casamento CIVIL igualitário (ela ressaltou, contudo, que vai tranquilizar os religiosos de que jamais fará qualquer ação no sentido de constranger igrejas a realizarem cerimônias de casamento; a presidenta deixou claro que seu compromisso é com a legalização do CASAMENTO CIVIL – aquele que pode ser dissolvido pelo divórcio – entre pessoas do mesmo sexo);
3. realizar maior investimento de recursos nas políticas de prevenção e tratamento das DSTs/Aids, levando em conta as populações mais vulneráveis à doença;
4. dar maior atenção às reivindicações dos povos indígenas, conciliando o atendimento a essas reivindicações com o desenvolvimento sustentável;
5. e implementar o Plano Nacional de Educação (PNE) de modo a assegurar a todos e todas uma educação inclusiva de qualidade, sem discriminações às pessoas com deficiências físicas e cognitivas, LGBTs e adeptos de religiões minoritárias, como as religiões de matriz africana.
Por tudo isso, sobretudo por causa desse compromisso, EU VOTO EM DILMA e apoio sua reeleição. Se ela não cumprir serei o primeiro a cobrar junto a vocês.


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

NEM OS MEGATONS E AS CASTRAÇÕES QUÍMICAS EXTERMINAM - José do Vale Pinheiro Feitosa


Eita povo das gerais. Sul da Bahia. Descambando para o São Francisco.
Eita povo que nem nóis. Que contorna os abrolhos só prá sentir os teus ói.
Eita povo deste meu Brasil, negro, branco e mulato, índio das raízes,
Eita povo dos sertões do Mato-Grosso, a fulô na espera do Cuitelinho,
Eita povo das segadas do café, neste São Paulo do tombo para ficar em pé,
Eita povo dos pampas, das montanhas, das dunas, das matas, das marés.
Eita povo que nem nóis. Aqui pru modi nóis a linguagem Catrumana.
A linguagem que nem castração química conseguirá acabar,
A linguagem que resiste à megatons de tanta besteira vinda do hemisfério norte.

Catrumano - a palavra vem de quadrúmano, que tem quatro mãos. Foi usada para se referir aos primatas que têm pés assemelhados às mãos. No dicionário existe a escrita variante quatrumano que deu origem à escrita da linguagem Catrumano. A linguagem especial do norte de Minas Gerais e do Sul da Bahia. Tem até dicionário, como foi feito o dicionário do cearensês. Mas escutem como as palavras são as mesmas usadas por nós.

Nós, viu gente boa, os nordestinos.

NÃO PEÇA AUMENTO E TENHA UM BOM CARMA - José do Vale Pinheiro Feitosa

Todo mundo sabe que patrão quer sempre ganhar nas costas dos trabalhadores. Que também é verdade que trabalhador quer ganhar mais e que as condições de trabalho melhorem.

Quando se organizaram em sindicatos, os trabalhadores sabiam que sem uma pressão coletiva não receberiam o salário justo. Patrão nenhum vai querer pagar o justo pois é da convenção econômica do capital que ele deve ganhar cada vez mais sobre o mesmo.

A verdade é que o ganho de produtividade, em que pese a era da informação, está sendo conseguido sobre o achatamento do ganho dos trabalhadores. Daí a enorme concentração de renda em toda a cadeia produtiva.

Agora leiam o que disse um executivo da Microsoft numa Celebração da Mulher na Computação. Antes uma explicação: a questão principal na Celebração era o fosso salarial das mulheres em relação aos homens em se tratando do mesmo serviço.

Se não é, deve ter origem Hindu, Satya Nadella, executivo da Microsoft: “Mulheres que não pedem aumentos salariais possuem “superpoderes” e aquelas que se submetem calada a um cenário de defasagem salarial para seus colegas homens têm “karma bom” e são dignas de confiança...”

Maria Klawe que mediava a mesa no momento da frase de Satya contou que quando trabalhava numa universidade descobriu que ganhava menos $50 mil por ano do que devia e dirigindo-se às mulheres na plateia disse: “Faça seu trabalho. Não seja estúpida como eu.


Satya Nadella caiu na arapuca que os arautos do Mercado trombeteiam a todos ouvidos. São estes os que querem voltar montados no cavalo alazão da corrupção. Dos outros, não a nossa de cada dia.  

PÃO, TERRA E LIBERDADE - José do Vale Pinheiro Feitosa

As semelhanças simbólicas são reais nos dias de hoje e nas decisões eleitorais que tomaremos nos próximos dias. E tomaremos tais decisões em relação a governadores e à Presidência da República. As semelhanças são com a dicotomia logo após a Revolução de Trinta que impregnava o debate político não apenas aqui no Brasil. Era o debate entre esquerda e direita.

Um debate agudizado por posições extremadas advindas de tempos difíceis que no desespero levavam a soluções autoritárias como na União Soviética e no Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Mas não excluamos o que acontecia de conservadorismo de direita exacerbada na Inglaterra (um rei que veio abdicar que era simpático a Hitler) e na França.

No debate agudo tudo se resumia a Fascismo e Comunismo. No entanto é preciso que ao descer ao íntimo dessas coisas perceba-se que aí vai encontrar forças políticas que jogam de um lado e outro nem sempre com arraigada convicção ideológica. E isso por que?

É que o sectarismo ideológico é músculo apenas, enquanto a realidade é inteligência e capacidade de construir algo mesmo diante de contradições. De qualquer modo o debate continua superando impregnações de modo que é sempre possível que se observe o campo das ideias como mais do que um cérebro ou um corpo. As ideias são construções de muitos e refletem como este coletivo sofre, interpreta e procura interagir com a realidade.

Há muito que saí da minha terra e do meu lugar. Aquele bairro que se formava virou uma grande aglomeração. Uma aglomeração muito diferente da que vivi, e vivi em cada casa, em cada rua, como se vive um lugar. A diferença deve ser muito grande em quantidade, mas a qualidade do povo e de suas necessidades continua uma questão a ser superada. Superada pela vontade deste povo e o seu primeiro passo é o voto. O voto no lado simbólico que lhe cabe.

Agora pegando o lema dos Integralistas naqueles tempos remotos: “Deus, Pátria e Família”. É o lado autoritário e conservador de ser: pensa em Deus não como o criador, mas o feitor, o capitão do mato de todos os trabalhadores. Pensa na Pátria não como a união de nordestinos a todas as regiões, mas como a República Piratininga que submete todos a sua vontade. Pensa na família não como nossas raízes afetivas e genéticas, pensa nas famílias poderosas que precisam se unir para controlar a gentinha sem hereditariedade ducal.


Pão, terra e liberdade. Pensa no Pão porque a fome é o primeiro passo a ser superado para que se tenha um tempo neste mundo. Pensa na terra porque é nela que se realiza a vida na sua unidade familiar, na duração histórica e na identidade cultural (eita nós, os nordestino). E pensa na Liberdade porque esta é a raiz de tudo, especialmente da juventude e sua capacidade de incomodar o banquete dos bem postos. 

Everardo Norões!

 
OS CINCO ELEMENTOS
Por que água?, perguntas.
Porque se insinua entre fendas,
brota entre pedras,
confunde as esferas,
toma a forma do Mundo.
Por que vento?
Esvai-se entre ramos,
desliza entre abismos,
canta a voz que cede.
Por que fogo? inquires.
Circunda o nome,
labareda a sombra,
desintegra a alma:
e tudo torna cinza.
Por que terra? interrogas.
Porque submete os passos,
e quando a olhamos,
do alto,
sabemos do pó
a humana condição.
Por que céu?
Um silêncio alisa tua pele:
entre folhas,
um sopro se desprende.
Fogo e água…


NAUSEA MATINAL
Restos de falas na mesa
e a náusea matinal.
O bule, a xícara, os copos.
A mão, submersa no sal,
da tarde, na planície,
tão clara, dessa mesa,
onde deslizam os repastos
da habitual tristeza
que cobre a toalha branca
de rendas. E essa fome,
bordada sobre a mesa
como as iniciais de um nome.
O jarro com flores e
as cinzas do outro dia,
fugindo aos arabescos
das rendas, tão frias,
como as coisas distantes
que nos aguardam à mesa:
o leite, o bule, o café,
o sono, a morte, a incerteza.

Na noite de ontem...

Palestra do  renomado escritor  RONALDO CORREIA DE BRITO .
Auditório  do SESCRATO, lotado, na noite de ontem.
Aplaudidíssimo!
Nos fez mergulhar no mar das histórias. Relevou a importância da Tradição Oral.
Estado do Araripe, Nação Cariri, cidade do Crato...Nossas memórias em movimento- Incentivo!




 

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Só para lembrar que somos nordestinos - José do Vale Pinheiro Feitosa

Só para recordar que somos todos nordestinos. Nascido em toda brecha que este chão inventou. Até em lajedo, nas rachaduras de seu espinhaço, nós somos mandacuru, xique-xique ou coroa-de-frade. Somos nordestino porque foi aqui que o Brasil começou. Foi daqui que todos nós amamos este imenso território, a linda amazônia onde desbravamos sua rede fluvial a cata de borracha. Ao extremo sul de onde recebemos todo o charque produzido nas charqueadas de Pelotas. Do Paraná onde abrimos a trilhas para a ocupação das terras roxas. Deste lindo e grande estado de São Paulo onde levantamos edifícios, criamos estradas, movimentamos as fábricas. Onde fomos ser sanitaristas e médicos especialistas da melhor ética que se pode imaginar a um profissional.

Só para lembrar que somos nordestinos, nos limites de Ponta Porã, no miolo do Centro-Oeste, somos este fazedor de riqueza. Somos esta ampulheta de inventar o futuro. Só para lembrar. 

Vamos cantar juntos! E junto vamos espantar estas carapanã que sugam nosso sangue.

TUDO QUE VOA CONTRA TUDO QUE SE MOVA - José do Vale Pinheiro Feitosa

Uma política de submissão aos EUA, como promete o candidato Aécio Neves é apenas isso. Submissão. O Brasil continua com grandes dificuldades, todas superáveis, e não precisa tirar os sapatos para passar nos controles da fronteira produtiva imperial.

Não precisa porque nossos problemas poderão ser superados. Seja pelo camponês, pelo empregado da indústria, pelo professor, pelo taxista, pelo profissional da atenção básica da saúde e até por especialistas bem formados em alguma universidade do exterior. Seja por qual longitude ou latitude habite neste grande país habite e lá tenha suas famílias.

Aliás ao contrário do que pensa FHC não somos nordestinos apenas porque estamos em alguma posição geográfica. Somos nordestinos porque temos descendência, temos história, temos vida e não precisamos tomar lições de quem quer que seja para compreendermos que o mundo é aqui e dessa maneira.

Que os EUA não sejam confiáveis como modelo para nós isso é pacífico. Não para Aécio Neves e para o empregado de George Soros, Armindo Fraga porque aí o negócio é outro. Não é bem sermos o que somos com nossas dificuldades e até nossas capacidades de superar.

Para sentirmos o modus operandi do Estado americano tomemos a estratégia adotada contra o Camboja supostamente uma rota de abastecimento dos vietcongues. Richard Nixon manda bombardear e Kissinger diz: “Tudo que voe, contra tudo que se mova”. Ou seja bombardeio massivo. E não esqueçamos que os bombardeios sobre as cidades alemães no final da Segunda Grande Guerra foram de uma violência equivalente aos da Luftwaffe.

Sobre uma zona rural atrasada do Camboja os EUA lançaram bombas equivalentes a cinco Hiroshima. Arrasaram tudo que ficava embaixo, destruíram vila a após vila, deixando cadáveres à mostra visto do alto das aeronaves. Iam até à base, reabasteciam, e voltavam para jogar mais bombas sobre ruinas e cadáveres. Aí o tal do Kmer Vermelho foi o efeito colateral. Basta comparar a história do Vietnã e do Camboja para compreender a diferença.


Não precisamos entregar nosso futuro a este modelo de civilização. Ao contrário temos que compreendê-lo muito bem para tomarmos as nossas próprias decisões. O ódio estimulado pela campanha de Aécio Neves contra nordestinos, que atingiu alguns siderados de jaleco branco é a imagem exata deste horror imperial pensando na “castração química dos nordestinos” ou em “jogar uma bomba atômica para que por lá não nasça nada por setenta anos.”


No dia do compositor....Salve, Pachelly Jamacaru!



No dia do compositor...,



No dia do compositor...



quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O acordo ou a corda

J. Flávio Vieira

Nas últimas semanas,  o Crato se viu assaltado por uma onda de seguidos suicídios. Alguns deles em pessoas jovens que deviam carregar nos olhos o dourado sonho da existência.  Este ato extremo, que leva pessoas a fugirem pela porta dos fundos, põem toda a cidade em polvorosa. Parentes e amigos jamais tirarão da mente um certo sentimento de culpa : -- Eu poderia ter pressentido os primeiros sintomas e , quem sabe, evitado a catástrofe ! Os conhecidos e transeuntes embebem-se num certo blues, como se perguntassem : o que há de errado neste mundo que ninguém o suporta sem algum tipo de anestesia ?
                                   Longe de ser um questão meramente doméstica, os suicídios alcançam, no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde, quase 900.000 mortes ao ano. Este valor numérico , pasmem vocês, ultrapassa as mortes por guerras, os homicídios e desastres naturais somados ! E, o pior de tudo, desde a década de 70, os suicídios cresceram mais de 60 % e, ultimamente, têm tomado um vulto totalmente inesperado. Acredita-se que a crise econômica global possa ter contribuído para o aumento. O desemprego, o arrocho salarial, principalmente em países europeus, a instabilidade da economia em nações outrora prósperas, impulsionam o desencanto junto à juventude. Acredita a OMS que a urbanização desenfreada , certamente, tem exposto a população às agruras e estresse das cidades e megalópoles. Desde 2010, pela primeira vez, a maior parte da humanidade vive em zonas urbanas e não nas rurais.  Deixamos o campo e sua plácida tranquilidade,’ para a violência da rua, do trânsito, a competição terrível no mercado de trabalho. E mais que tudo, perdemos a identidade e passamos, na cidade grande, a ser apenas um número, no meio da manada, com a clara sensação de que corremos em disparada para o abismo logo à frente.
                                   Estudos têm demostrado que os laços sociais são fortes aliados na prevenção dos suicídios. Amigos, namorados e namoradas, parentes,  esposas, maridos,  filhos, companheiros de trabalho  e  de farra são os liames imprescindíveis que nos prendem à vida e lhes dão algum significado. Estudos feitos nos EUA demonstram que quase metade dos adultos se consideram solitários e este preocupante percentual é exatamente o dobro da década de 80. Este isolamento proporcionado pela urbe , certamente,  estaria impulsionando os casos de depressão responsável esta  por mais da metade de todos os suicídios.
                                   Basta refletir sobre os destinos da modernidade , para se perceber que nós mesmos destilamos nossa própria cicuta. As pessoas fogem dos relacionamentos sérios, como o trombadinha da polícia. As relações passaram ser na sua maioria transitórias e eventuais : amizades coloridas, rolos, ficas. Mulher ou homem que consiga uma certa ascensão econômica prefere a cueca ou calcinha do parceiro na cadeira, nunca no guarda roupa. Casamentos se dissolvem como gelo em Teresina: a primeira cara feia, o primeiro bate-boca ou arranca –rabo é motivo para o divórcio. Já há incontáveis casais que simplesmente optam por não ter filhos, sob a alegação de que atrapalha demais e dá muita dor de cabeça. A explosão da comunidade global fez com que a comunicação ficasse, aparentemente,  mais fácil, mais rápida com o Smartphone, a Internet, o WhatZapp, as Redes Sociais. A tecnologia aproximou absurdamente os distantes, mas afastou terrivelmente os próximos. Nas rodas de bar , já não se conversa: se tecla. Passamos a ter incontáveis amigos virtuais, mas praticamente deletamos os amigos reais. O Curtir substituiu o bate papo, o olho no olho, o toque, o abraço. Não bastasse isso, a vida profissional se tornou um verdadeiro campo de guerra. Já não temos companheiros mas competidores. O objetivo de todos é o mesmo do Flamengo :  vencer, vencer, vencer. Como em toda maratona poucos vão ao pódio e muitos são os derrotados.  Viver é consumir e aí daqueles que ferirem esse mandamento básico. De repente, uma grande turba percebe-se só no mundo aniquilada : sem família, sem amigos, sem agregados, sem companheiros.  O parto atravessado da vida não se suporta sem anestesia: álcool, lexotan, tabagismo, cocaína, fanatismo, religião,  moralismo...  A solidão no meio da turba talvez seja a mais cruciante solidão. Vale a pena continuar a jornada ?
                                   Há algo errado na viagem, quando tantos desembarcam antes da estação final.  É preciso mudar o roteiro, aproximar o grupo de viajantes para que possam dividir a estafa do caminho e desfrutar juntos a paisagem que passa definitiva na janela. Como o trem   segue sempre  para o descarrilamento inevitável, o companheirismo, a solidariedade, a  amizade , no final, serão a única atração verdadeira do nosso roteiro turístico. Não dá para viver sozinho, nem existe felicidade individual. São as nossas relações interpessoais que nos atam ao vazio da existência. Só temos duas opções neste mundo : o acordo ou a corda.


Crato, 08/10/14 

O RUMO NORTE É O NOSSO DESATINO - José do Vale Pinheiro Feitosa

Quando nos apontam o rumo norte para o nosso destino, a morte abre as suas asas sobre o nosso desatino. Esta frase deveria ser um eco de razão a toda vez que um político, um líder ou um cidadão nos aponta os EUA como o nosso modelo de civilização.

Mesmo que o sonho do sucesso, a segunda chance, o mérito da conquista, o imenso prazer do consumir e pertencer a uma sociedade em que se agradece pelos empreendedores privados esteja a alavancar um desejo como compreensão da liberdade. Mesmo que seja isso, sempre imagine que o Brasil é grande, somos uma sociedade de mais de 200 milhões, temos uma cultura própria e capacidade de viver os nossos próprios sonhos e através da liberdade de nos realizarmos pelo nosso próprio conhecimento e arte.

Já temos problemas demais a enfrentar para desejarmos ser o gasoduto a alimentar a energia dos problemas dos outros. Os EUA formam um grande povo, a humanidade deve muito às suas instituições, à sua ciência e cultura. Mas o mundo tem sido vítima do imperialismo americano com suas agressões, golpes políticos, usurpação das riquezas, atraso e exploração dos povos e nem por isso os EUA têm a melhor sociedade. Nem muito inferior aos nossos problemas.

Os EUA inventaram, FHC e o PSDB embarcaram em seu ideário, a maneira mais soft de implantar seu “estilo” através do enriquecimento das suas empresas sobre a economia dos povos como o Brasil. As empresas vêm com toda a concorrência, mas com o estilo americano de ser (lobbys, holdings, oligopólio etc.) e para garantir um mercado fluído e sem conflito: inventaram as Agências Reguladoras. O papel delas é “controlar” o desejo dos consumidores por melhores serviços e menores preços. Dar um colchão de apoio ao “mercado”.

Leia o primor como os EUA defendem suas empresas através de trechos de um documento de empresas de fracking de gás de xisto para Ucrânia (aí toda briga com a Rússia): “Empresas norte-americanas podem investir diretamente na Ucrânia, levando com elas sua tecnologia. Empresas ucranianas podem contratar perfuradores norte-americanos com experiência, podem licenciar perfuradoras norte-americanas e empresas de tecnologia de sondagem sísmica por imagem, e podem importar equipamento norte-americano sofisticado de perfuração. O governo dos EUA pode estimular este desenvolvimento com programas patrocinados pelo Estado, como o Programa para Engajamento Técnico Não Convencional para Gás do Departamento de Estado.

É até óbvio, mas o Governo financia com impostos do povo dos Estados Unidos as suas empresas para que explorem as riquezas e a economia dos outros países. E fazem isso por cima de pau e pedra, por isso toda a briga na Ucrânia. Por isso eles bombardeiam países pelo mundo todo e acusam a Rússia pela anexação da Criméia como vestais numa noite sem lua. Na verdade toda esta guerra é que os EUA querem substituir o papel da Rússia como fornecedora de gás natural para a Europa,pela hegemonia da produção de gás de xisto por fracking.   

Nesta altura da nossa história a nossa principal reflexão, crítica e construção do futuro tem por base a nossa própria história. Não vamos seguir os passos de ninguém, os nossos problemas precisam ser resolvidos e não vamos adotar políticas que aumentem estes problemas ou então, retardem as suas soluções.
Os EUA não servem de espelho para nós os brasileiros. Vejam alguns dados do seu modelo de ser em alguns tópicos. A) Dois terços da população de Detroit não pode pagar as suas necessidades básicas e 46 milhões de americanos estão na pobreza; B) a taxa de mortalidade infantil dos EUA é a quarta mais alta entre 29 países mais desenvolvidos; C) a taxa de analfabetismo nos EUA entre adultos é de 14%, 21% dos americanos têm um nível de leitura inferior à 5ª série de estudo e 19% do diplomados do ensino médio não sabem ler; D) o sistema de saúde americano ocupa o último lugar em eficiência entre os 10 países mais desenvolvidos e tem o maior gasto per capita entre eles ($8.508).

Ora os EUA são um país bem sucedido e rico. Qual a sua questão? O modelo político, social e econômico com base puramente no liberalismo de mercado. Os números que lemos parecem até enganosos pois jamais imaginaríamos que eles fossem assim, mas são. São pelo excesso de individualismo, de exploração privada, de acesso por renda, de negócios lucrativos, de intermediações onerosas como advocacia, segurança e guerras geopolíticas.

Este modelo, por exemplo, transformou a educação numa mera fábrica de performance, sem preparar o ser humano e levando a que mães em desespero usem medicamentos nos filhos abaixo de 10 anos de idade apenas porque as professoras não encontram a performance que esperam. Isso sem contar a inúmeras fórmulas para atrair “consumidores”. E como consumidores os americanos ficam fora do ensino e tem tanta gente crítica ao governo brasileiro pelos nossos baixos níveis de educação.

O sistema de saúde americano, baseado em planos de saúde, é uma verdadeira esteira da era fordista, como as faculdades de medicina preparando especialistas, os laboratórios organizando o ensino, congressos e sociedades e as operadoras criando fundos que financiam a farra de médicos ultra-especializados. O grande problema, por exemplo, comparando-se com o sistema estatal inglês como gasto per capita de $3.405, é que não existem cuidados primário de saúde, não existe atenção básica, prevenção e promoção da saúde.

O Brasil precisa de um caminho próprio, especialmente longe de modelos que se mostram errados. Se não evoluímos para o modelo totalitário da União Soviética, igualmente, não precisamos adotar este capitalismo do Deus Mercado. Precisamos de uma união forte e de preparar lideranças que compreendam esta união e não se torne apenas meros empregas dos grandes negócios americanos.

Uma visão da política do governo Obama, dos presidentes de vários países por ai, incluindo ex-mandatários é de um salve-se quem puder onde todos se vendem para os grandes negócios e não atendem às verdadeiras decisões das sociedades. A posição dura da Polônia contra a Rússia na questão da Ucrânia é porque todo mundo estava “comprado” para empurrar o negócio do fracking de xisto. O filho de Joe Binden, vice-presidente dos EUA que lutou muito para a “democratização” da Ucrânia é diretor da principal empresa ucraniana de energia.


Esse é o mundo da decadência da sociedade de mercado.  

COMUNIDADE DE EXTERMÍNIO VESTINDO BRANCO - José do Vale Pinheiro Feitosa

Generais e líderes nazistas no tribunal internacional de Nuremberg foram condenados por suas ações de guerra e extermínio. Ultrapassaram qualquer marca de humanidade mesmo no papel que lhes cabe que é a guerra. O mesmo pode ser dito a militares brasileiros que participaram de tortura a presos (nem sempre políticos ou militantes de esquerda) durante a ditadura militar. Eram soldados, guerreiros treinados para matar, mas mesmo assim cometeram crimes pois matar e torturar não é a missão específica mesmo parecendo ser.

Agora peguem um médico, ou outro profissional de saúde e o ponha na mesma função de um Mengele ou de assistente de tortura nas selas dos porões dos quartéis para acompanhar o limite e atestar com laudos falsos as causas da morte. Este é criminoso contra a humanidade e fere essencialmente a função quase divina de sua razão de ser: que é curar.

Médicos como Mengele são piores que a perversidade do guerreiro. Eles são traidores da função, da humanidade e praticam um ato que ultrapassa qualquer apresentação digna que possa ter. A respeito de que isso tudo?

Uma comunidade no facebook, com mais de cem mil seguidores, chamada “Dignidade Médica” acumpliciou-se aos porões da ditadura e aos banheiros dos campos de extermínio com Auschwitz na manifestação de alguns dos seus. Ao Conselho Federal de Medicina não basta responder com notas condenatórias, precisa buscar autores e punir exemplarmente. O MPF precisa agir com o mandato do direito.

O que manifestaram nesta comunidade do Face? Postaram frases como: “70% de votos para Dilma no nordeste! Médicos do nordeste causem um holocausto por aí! Temos que mudar esta realidade.” “Meus amigos, infelizmente temos de ser terroristas e nos colocarmos no nível de conversa que pobre entende!” “Colegas que votaram em Marina nesse primeiro turno, podemos contar com o apoio dos senhores para o segundo turno votando no Aécio.”

No dia em que grupos médicos chegaram a termos como estes, a profissão com um todo foi enlameada no fosso do maior nível de desinformação, analfabetismo e absoluto desprendimento da realidade. Aí temos a prova que mesmo a formação científica superior não é suficiente a promover humanidades como já sabíamos desde a Alemanha Nazista.

   

terça-feira, 7 de outubro de 2014

DILMA DEVE PROMETER O BOLSA INFORMAÇÃO - José do Vale Pinheiro Feitosa

Fora um ou outro troll que frequenta os comentários, este blog tem opinião. Tem informação e, claro, pluralidade de pensamento. Nem sempre as pessoas se estapeiam porque pensam diferentes e isso pode estimular ainda mais o senso crítico de todo mundo.

Já nas denominadas “redes sociais” o pau come. As pessoas extravasam ódios, preconceitos e acusam nordestinos de não terem informação, serem pobres e comporem os bolsões de miséria que votam em que lhes dar esmola. Aí a questão central é o Programa Bolsa Família.

Junto com as malditas palavras de FHC, os jornais das famílias oligarcas também acusaram o nordeste e no resto um bando de paulistas idiotas diziam que trabalhavam enquanto os nordestinos passavam a vida deitados na rede só recebendo a grana para votar no PT.

Eis aqui alguns dados do Bolsa que não é a Bolsa que sobe e desce conforme as pesquisas eleitorais: o Estado de São Paulo (1,2 milhão) é o segundo estado em número de benefícios, perde para a Bahia (1,8 milhão) e está à frente de Minas, Pernambuco e Ceará cada um com 1,1 milhão. Outro dado: 49% dos benefícios são para pessoas com menos de 18 anos, portanto 42% tem menos de 16 anos e nem vota. Tira a criança do trabalho infantil.

E sobre receber a grana para manter a preguiça? 75% daqueles com mais de 18 anos trabalham e quem não trabalha é por falta de oportunidade. E tem mais, cara pálida: o valor médio do Bolsa Família é de R$ 168,00, isso qualquer preconceituoso gasta numa balada bebendo e comendo coisas caras. Isso não permite ninguém parar de trabalhar. R$ 5,6 por dia é ruim de viver sem outros ganhos.

Agora é preciso que se faça uma denúncia grave. É necessário, para uma boa condução do futuro do país, para que tenhamos um progresso verdadeiro, que o negligente governo Dilma crie um programa para melhorar o nível de informação de pessoas como FHC e toda a marola preconceituosa das “redes sociais”. Dos jornais das grandes famílias não é necessário a adesão ao programa, basta que eles paguem o imposto que devem ao país. 

Números em profusão - José Nilton Mariano Saraiva

Mesmo com a vitória insofismável da presidente Dilma Rousseff no primeiro turno (vantagem de 8.370.242 votos), os analistas globais já “decretaram” que os votos da candidata Marina Silva, no primeiro turno (22,1 milhões) deverão migrar para o candidato Aécio Neves e, assim a eleição será decidida a favor do tucano, no segundo turno (como se Marina Silva tivesse carisma ou poder de transferir tudo para quem decidir apoiar).

Se houvesse a preocupação de pelo menos analisar e comparar com imparcialidade os números atuais com as da eleição passada, veriam que naquela oportunidade os 19.6 milhões de votos da mesma Marina Silva não foram agregados na totalidade aos votos obtidos pelo candidato José Serra, no segundo turno, e que decidia a eleição com Dilma Rousseff.

Assim, enquanto Serra subiu de 33,1 milhões de votos para 43,7 milhões (10,6 milhões), quase que na mesma proporção a candidata Dilma Rousseff saltou de 47,6 milhões para 55,7 milhões (8,1 milhões), gerando uma diferença de 12,04 milhões para a candidata Dilma, ao final da contenda (ante os 14.5 milhões do primeiro turno).

Observa-se que a votação de Aécio, agora no primeiro turno (34,8 milhões ou 33,55%), praticamente se assemelha à votação de Serra naquela oportunidade (33,1 milhões ou 32,61%), embora caiba destacar que a votação de Dilma Rousseff, na época, foi de 47,6 milhões (46,1%) e, agora, tenha sido 43,2 milhões (41,59%), resultando que a diferença pró-Dilma no primeiro turno tenha oscilado negativamente de cerca de 14,5 milhões para 8,3 milhões, agora (em razão da votação paulistana).

No mais, Dilma Rousseff venceu em 15 estados da federação (inclusive na terra de Aécio Neves, Minas Gerais, no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul), Aécio Neves em 10 estados e Marina Silva em 02.

Há que se destacar, ainda, que tivemos a omissão de impressionantes 38.797.556 eleitores ou 29,03%, a saber: se abstiveram de votar (27.698.475 ou 19,39%), anularam o voto (6.678.592 ou 5,80%) ou o deixaram em branco (4.420.489 ou 3,84%). Segundo os famigerados institutos de pesquisa, aqui a candidata Dilma Roussef foi a mais prejudicada, e se houver um retorno de parte deles ela colherá dividendos.

Enfim, se não surgir alguma novidade capaz de produzir efeitos devastadores, nada que um ajuste bem dado e uma maior participação da militância (principalmente em São Paulo) garantirão a permanência da atual ocupante do Planalto. Afinal, no cara-a-cara (debate) entre os dois candidatos, não poderá ser olvidado a comparação entre os dois modelos de governo em confronto: o do desenvolvimento inclusivo, onde se prioriza a redistribuição de renda, via inclusão social e a remoção das desigualdades sociais (Dilma Rousseff) e aquele excludente, que entrega de mão beijada ao mercado, via capital financeiro, o gerir da economia (Aécio Neves).   

Restaria a pergunta: pelos grosseiros e clamorosos erros cometidos (inclusive na “boca de urna”), os diversos institutos de pesquisa (que já anunciam novos dados a partir de amanhã), merecerão alguma credibilidade ou capazes serão de induzir o voto do eleitorado, a partir de agora ???




segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Completando a postagem abaixo, reproduz uma postagem do jornalista Mário Magalhães em seu blog antes mesmo de FHC iniciar a campanha contra o marmiteiro

Um breve preâmbulo, sem intenção professoral: com o fim da ditadura do Estado Novo (1937-1945), sobreveio a eleição presidencial direta, em 2 de dezembro 1945. Os dois candidatos mais fortes eram altos oficiais das Forças Armadas: Eurico Dutra, do Exército, e Eduardo Gomes, da Aeronáutica. Deposto, o ditador Getulio Vargas apoiou Dutra. Sem traquejo político, o brigadeiro falou com desprezo da malta getulista que sufragaria o marechal. Um acólito de Vargas copidescou com malícia a declaração, espalhando que Eduardo Gomes zombara dos “marmiteiros''. Isto é, maldissera o povo simples, que levava comida em marmita para o trabalho.
A versão pegou, e ajudou Dutra a jantar Eduardo Gomes nas urnas.
Desde então, embora a expressão marmiteiros tenha caído no esquecimento, em todas as eleições os eleitores mais pobres são menosprezados como ignorantes que, como diria o Pelé, não sabem votar.
Isso vai acontecer de novo agora. Muitos sabichões tripudiarão sobre cidadãos _sem muitos direitos da cidadania, mas cidadãos_ como aqueles que ganham até dois salários mínimos, sejam eles eleitores da presidente Dilma Rousseff, que vai ganhar fácil o primeiro turno (mas provavelmente com menos de 50%), ou do governador Geraldo Alckmin, que em proporção terá ainda mais votos.
Para certos ditos bem esclarecidos, o povão inculto não sabe escolher.
Não imaginam esses demofóbicos, para empregar a sacada do jornalista Elio Gaspari, que os brasileiros mais pobres provavelmente têm mais consciência ao votar.
Porque da sua decisão pode depender um prato de comida, a escola para o filho e a chance de transformar em realidade o sonho de uma casa.
Nem o tempo apaga a intolerância: determinada intelligentsia vai continuar detonando os marmiteiros, que como sempre sabem o que fazem e querem ao digitar os números nas urnas.

FHC (Faculdade Harmônica de Confundir) - José do Vale Pinheiro Feitosa

A integridade é uma das coisas mais difíceis no ser humano. Falando em integridade como a capacidade até de mudar de opinião, mas tendo a capacidade de demonstrar que esta mudança faz parte da ordem geral e não do arranjo individual e oportunista.

Fernando Henrique Cardoso foi eleito Presidente da República por duas vezes em razão do plano de estabilização econômica do país. FHC foi eleito duas vezes no primeiro turno. Quem deu a vitória a ele foi o povão, o povo do nordeste, do norte, o povo das camadas sociais mais sofridas que se viam beneficiados com o fim a terrível inflação que corroía seus ganhos antes mesmo deles começarem a comprar as suas necessidades.

Mas FHC tem dois defeitos fatais. Um de personalidade: é um oportunista na raiz da medula. O outro é intelectual: pertence à cátedra do “paulistanismo” adversário mortal de um projeto nacional, preconceituoso, que tem horror a nordestino migrante e tudo que é crescimento e distribuição de renda é populismo. É a ideologia que defende a “meritocracia” e que voto em Aécio Neves cuja carreira é produto de sua família, incluindo o avô.

Como diz Carlos Orsi num jornal da Unicamp: “A Semana de Arte Moderna de 1922 foi, no plano ideológico, a iniciativa de uma “oligarquia racista, reacionária e ao mesmo tempo modernista”, para servir aos interesses de classe da elite cafeicultora e a um projeto de hegemonia paulista, que via o Brasil como uma colônia a ser explorada pela metrópole de Piratininga.”

Eis a declaração do prestidigitador no blog do Josias de Souza, portal do UOL: “O PT está fincado nos menos informados, que coincide de ser os mais pobres. Não é porque são mais pobres que apoiam o PT, é porque são menos informados.” De uma tacada só o Príncipe dos Sociólogos tenta separar o inseparável, uma vez que informação (midiática é o que ele quer dizer) é acesso e acesso é riqueza monetária.


Além de tentar uma frase que não irrite os pobres, ele também comete outro erro sociológico: informação não depende apenas do Jornal Nacional, da Folha ou do portal UOL. O povo do nordeste tem seus métodos para se informar, tem capacidade para analisar e sobretudo sente o imediato de suas vidas com mais agudeza do que a crônica de um sociólogo rico que ganha fortunas dando palestras a empresários com horror a uma ordem social que os comprometam além dos seus negócios.