por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



segunda-feira, 2 de julho de 2012

"Quem" ??? – José Nilton Mariano Saraiva

Da passagem dos "sobralenses" Ferreira Gomes pelo Crato a fim de participar da convenção do partido que definiria o candidato do PSB que concorrerá à prefeitura da cidade,  uma dúvida atroz “pintou no pedaço”: afinal, "quem" governa o glorioso Estado do Ceará ??? O irmão mais novo, Cid, que foi eleito democraticamente e tá lá sentado no trono, ou o irmão mais velho, Ciro, que já faz tempo se acha desempregado, porquanto reprovado pelo povo nas urnas ???  Ou teríamos um governador “oficial” e um outro “oficioso” ???
Fato é que, quando foi questionado sobre a “inoportunidade” da aplicação de uma montanha de dinheiro na construção do tal “aquário”, em Fortaleza, ao invés de priorizar a Educação (em estado pré-falimentar em todo o Estado), o Governador viu-se literalmente “atropelado” pelo irmão mais velho, que, de forma deseducada, descabida e atabalhoada, teria afirmado que a questão do “aquário” era com ele, que ele seria o responsável pela sua construção, não tinha satisfações a dá a ninguém e PT saudações; ato seguinte, possessivo e descontrolado, desceu do palanque e partiu pra cima dos estudantes da URCA, que no seu entendimento estariam perturbando o ambiente (naturalmente que só o fez sabendo-se cercado de um exército de parrudos seguranças, já que sozinho não teria coragem pra tal). Ou não é recorrente essa sua valentia sob tais condições ???
O que se espera é que a universitária da URCA, Jeani Matias Costa, que se disse agredida pelo senhor Ciro Gomes e registrou “Boletim de Ocorrências” a respeito, não abra mão do seu direito de defesa e, junto com o Sindicato da categoria, acompanhe “pari-passu” o desenrolar da questão, não permitindo que interferências de cunho político (e elas vão se fazer presente, sim) abortem o andamento do respectivo processo legal junto  à esfera competente (policial) acionando, se necessário, o próprio Ministério Público Federal.
Afinal, já passou da hora de se dá um basta nas bravatas dessa figura que os áulicos vivem a rotular de “valente e corajoso”, mas que, emocionalmente instável, rédea pequena e pavio curto, já mostrou, em diversas ocasiões, não ter condição de conviver democraticamente com os diferentes.
A propósito, não custa lembrar que, ao alvorecer do próximo mês de agosto Ciro Gomes deverá comparecer ao Fórum Clóvis Bevilaqua, aqui em Fortaleza, a fim de, diante das autoridades competentes, prestar esclarecimentos sobre sua afirmação pública de que os militares em greve não passavam de “MARGINAIS FARDADOS” e “BANDIDOS QUE NÃO HONRAVAM A FARDA”.
Tai, nunca votamos nos Ferreira Gomes nem no Tasso Jereissati (e disso nos orgulhamos), mas se referido senhor confirmar/reafirmar tudo o que disse não teremos a menor dúvida em sufragá-lo para qualquer cargo que se candidatar... ad eternum.    

  

Deus me vê- T. Lisieux Maia*



Estudei em um colégio que nos apresentava uma educação rígida e competente, ética e reflexiva, séria e afetuosa. No pátio do recreio no alto da parede havia escrito em letras graúdas, a frase: “Deus me vê”. Sempre que lia este aforismo ele me levava a refletir com toda minha imaturidade adolescente e me perguntava: como Deus me vê? Criativa, inteligente ou ingênua? Conhecedora das realidades ou aprendiz da vida? O incrível é que, ainda hoje, lembro desse pátio dominada pela certeza de que, seja qual for a situação, Deus me vê.
Lendo “A República” de Platão, obra que ultrapassa seu próprio tempo com sua grandeza e atualidade filosófica eu me deparo com a Lenda do Anel de Giges, sobre um pastor da região da Lídia na Grécia antiga. A narrativa de Platão nos conduz a uma reflexão sobre a questão do SER ou apenas PARECER uma pessoa justa e de caráter firme. A lenda nos conta que o jovem lídio ao pastorear seu rebanho de repente se encontra no meio de uma violenta tempestade seguida de um terremoto abrindo-se em consequência uma fenda enorme no solo. Curioso o pastor desceu ao fundo do precipício descobrindo com grande assombro um cavalo de bronze oco e com largas rachaduras em seu corpo deixando ver maravilhas no seu interior e ao lado um cadáver de tamanho incomum para um homem. Trazia na mão um anel de ouro do qual se apoderou partindo sem nada mais levar. Em seguida se encaminhou para a reunião dos pastores e lá, inadvertidamente, girou o engate do anel para a direita e depois para a esquerda percebendo após algumas repetições desse gesto que se tornava invisível ao olhar dos outros. Ciente disso usou esta prerrogativa para agir de modo torpe e cruel, em nada o diferenciando do mau.
Platão nos leva a pensar sobre ser justo e bom, ou simplesmente parecer justo e bom. Todo indivíduo acha que parecer injusto é mais vantajoso do que ser justo? A extrema injustiça para o filósofo grego consiste em parecer justo não o sendo, enquanto o justo, homem simples e generoso deseja, não parecer, mas ser justo e bom e se manter assim inabalável até a morte. Quem é o mais feliz dos dois? Deixemos com a consciência de cada um a resposta.
O que aprendi é que a firmeza de caráter deve ser formada desde a infância e com muito cuidado. Não apenas porque Deus me vê, mas porque a educação deve ser tingida de cor púrpura, bem preparada no tecido branco e na tinta para que o tempo não venha a desbotá-la em nenhuma circunstância. De posse do conhecimento, cada um deve fazer suas escolhas na hora da ação.
Ao não imprimir a marca da educação e agindo de modo a tentar enganar-se a si mesmo apenas parecendo bom, terá mais cedo ou tarde a certeza de que Deus nos vê a todos e em todo momento.
A firmeza do caráter que foi tingido com cuidado, forjado na educação das virtudes modela a alma com a marca indelével que o educador imprimiu.

Para Dona Ruth e Prof. José Newton

* T. Lisieux Maia é Mestra em Filosofia Contemporânea pela Universidade Federal do Ceará - UFC e Professora de Filosofia na Unifor. Publicou os livros “Metodologia Básica”, “Reminiscências de Sócrates”, “Que ë Filosofia? (ou ainda, filosofar?)”, “Metodologia Científica: produção de texto técnico” os artigos “Nietzsche: a fronteira entre o ateísmo e o agnosticismo” e “Antígona: o trágico da ação e o aprendizado de si”.



Sinhá
Chico Buarque

Se a dona se banhou
Eu não estava lá
Por Deus Nosso Senhor
Eu não olhei Sinhá
Estava lá na roça
Sou de olhar ninguém
Não tenho mais cobiça
Nem enxergo bem

Para que me pôr no tronco
Para que me aleijar
Eu juro a vosmecê
Que nunca vi Sinhá
Por que me faz tão mal
Com olhos tão azuis
Me benzo com o sinal
Da santa cruz

Eu só cheguei no açude
Atrás da sabiá
Olhava o arvoredo
Eu não olhei Sinhá
Se a dona se despiu
Eu já andava além
Estava na moenda
Estava para Xerém

Por que talhar meu corpo
Eu não olhei Sinhá
Para que que vosmincê
Meus olhos vai furar
Eu choro em iorubá
Mas oro por Jesus
Para que que vassuncê
Me tira a luz

E assim vai se encerrar
O conto de um cantor
Com voz do pelourinho
E ares de senhor
Cantor atormentado
Herdeiro sarará
Do nome e do renome
De um feroz senhor de engenho
E das mandingas de um escravo
Que no engenho enfeitiçou Sinhá


Se Eu Soubesse (part. Thais Gulin)
Chico Buarque

Ah, se eu soubesse não andava na rua
Perigos não corria
Não tinha amigos, não bebia, já não ria à toa
Não ia enfim
Cruzar contigo jamais

Ah, se eu pudesse te diria, na boa
Não sou mais uma das tais
Não vivo com a cabeça na lua
Nem cantarei: eu te amo demais
Casava com outro, se fosse capaz

Mas acontece que eu saí por aí
E aí, larari, lairiri

Ah, se eu soubesse nem olhava a lagoa
Não ia mais à praia
De noite não gingava a saia, não dormia nua
Pobre de mim
Sonhar contigo, jamais

Ah, se eu pudesse não caía na tua
Conversa mole, outra vez
Não dava mole à tua pessoa
Te abandonava prostrado a meus pés
Fugia nos braços de um outro rapaz

Mas acontece que eu sorri para ti
E aí, larari, lairiri
Pom, pom, pom..

Ah, se eu soubesse nem olhava a lagoa
Não ia mais à praia
De noite não gingava a saia, não dormia nua
Pobre de mim
Sonhar contigo, jamais

Ah, se eu pudesse não caía na tua
Conversa mole, outra vez
Não dava mole à tua pessoa
Te abandonava prostrado a meus pés
Fugia nos braços de um outro rapaz

Mas acontece que eu sorri para ti
E aí, larari, lairiri

Um filme interessante!





Música maravilhosa :Petite Fleur !

Por Chagas


parece uma coisa
parece uma coisa
mas toda vez que penso nela

o céu fica mais limpo
e as músicas que mais amei
voltam ao meu pensamento
tenho vontade de dançar
mas eu não sei

o mar do meu coração se acalma
dá pra sentir as águas mansas
roçando na areia
devagar devagar devagar
num beijo que nunca acaba
e se estende por uma vida e meia

as luzes da cidade dão o aviso
de que a noite vem vestida toda
com aquela aura de loucura
em que todos os desatinos se cometem
por aqueles que não se cansam
eu entre eles
e se perdem numa vã procura

parece uma coisa
mas toda vez que penso nela
brota uma flor do meu peito
e isso não tá direito...

Dialética - por Viniciíus de Moraes


É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...

domingo, 1 de julho de 2012

Final - Por José de Arimatéa dos Santos

Momentos a divagar,
Pensamentos ao longe
Num fantasiar
A vida de coragem

O passado e o presente
Confundem-se em vão
Numa conexão mormente
De pensamentos sem coloração

O caminho é incrogruente!
Essa é a vida, normal
De quem vive cada momento presente
Certo do beijo da mulher amada no final


"DILMA": depoimento pungente - José Nilton Mariano Saraiva

Três equipes de interrogatório se revezavam no DOI-Codi da rua Tutóia. Dilma caiu no turno do capitão BENONI DE ARRUDA ALBERNAZ (grifo nosso), citado 15 vezes como torturador no levantamento de processos em auditorias militares que deu base ao livro “Brasil: nunca mais”. A equipe do capitão ALBERNAZ era a mais temida pelos presos da Tutóia.
Uma única vez Dilma falou sobre as torturas que sofreu: no fim de 2003, quando o jornalista Luiz Maklouf  Carvalho a procurou para corrigir e atualizar seu livro “Mulheres que foram à luta armada”, publicado em 1998. Em 21 de junho de 1995, quando Lula a indicou para a Casa Civil, a Folha de São Paulo publicou trechos do que Dilma disse na ocasião ao autor do livro. Confira,  abaixo:
-Entrei no pátio da Operação Bandeirante e começaram a gritar “mata”, “tira a roupa”, “terrorista”, “filha da puta”, “deve ter matado muita gente” (...)  A pior coisa que tem na tortura é esperar, esperar para apanhar. Eu senti ali que a barra era pesada. E foi. Também estou lembrando muito bem do chão do banheiro, do azulejo branco. Porque vai formando crosta de sangue, sujeira, você fica com um cheiro...
POR ONDE A TORTURA COMEÇOU ?  - Palmatória, levei muita palmatória.
QUEM  TORTURAVA ?  - O ALBERNAZ e o substituto dele, que se chamava Tomás. Eu não sei se é nome de guerra. Quem mandava era o ALBERNAZ, quem interrogava era o ALBERNAZ. O ALBERNAZ batia e dava soco. Ele dava muito soco nas pessoas. Ele começava a te interrogar. Se não gostasse das respostas, ele te dava saco. Depois da palmatória eu fui pro pau de arara.                                                                                                                                                            
DÁ PRA RELEMBRAR ? - Mandaram eu tirar a roupa. Eu não tirei porque a primeira reação é não tirar, pô. Eles me arrancaram a parte de cima e me botaram com o resto no pau de arara. Aí começou a prender a circulação. Um outro xingou não sei quem, aí me tiraram a roupa toda. Daí, me botaram outra vez.
COM CHOQUES NAS PARTES GENITAIS, COMO ACONTECIA ? - Não, isso não fizeram. Mas fizeram choque, muito choque, mas muito choque. Eu lembro, nos primeiros dias, que eu tinha uma exaustão física, que eu queria desmaiar, não agüentava mais tanto choque. Eu comecei a ter hemorragia.
ONDE ERAM ESSES CHOQUES ? - Em tudo quanto é lugar. Nos pés, nas mãos, na parte interna das coxas, nas orelhas. Na cabeça é um horror. No bico do seio. Botavam uma coisa assim, no bico do seio, uma coisa que prendia, segurava. Aí cansavam de fazer isso porque tinha de ter um envoltório pra enrolar, e largavam. AÍ VOCÊ SE URINA,  VOCÊ SE CAGA TODO, VOCÊ...                                           
QUANTO TEMPO DEMORAVA UMA SESSÃO DESSAS ?  - Nos primeiros dias, muito tempo. A gente perde a noção. Você não sabe quanto tempo nem que tempo é. Sabe por quê ? Porque para, e quando para não melhora, porque ele fala o seguinte: “Agora você pensa um pouco”, Parava, me retiravam e me jogavam nesse lugar de ladrilho, que era um banheiro no primeiro andar do COI-Codi. Com sangue, com tudo. Te largam. Depois você treme muito, você tem muito frio. Você está nu, né ? É muito frio. Aí voltava.  Nesse dia foi muito tempo. Teve uma hora em que eu estava em posição fetal.
DÁ PRA PENSAR EM RESISTIR ? - A forma de resistir era dizer comigo mesma: “Daqui a pouco em vou contar tudo o que sei”. Falava pra mim mesma. Aí passava um pouquinho. Mais um pouco. E você vai indo. Você não pode imaginar que vai durar uma hora, duas. Só pode pensar no daqui a pouco. Não pode pensar na dor.
A SENHORA AGUENTOU ? - Eu agüentei. Não disse nem onde eu morava. Não disse quem era o Max (Carlos Araújo). Não entreguei o Breno (Carlos Alberto Freitas), porque tinha muito dó. Primeiro, eu não queira que meus companheiros estivessem numa situação daquelas. Segundo, eu tinha medo que alguns deles morressem.
PALMATÓRIA, PAU DE ARARA, CHOQUE, O QUE MAIS ? - Não comer. O frio. A noite. Eles te botam na sala e falam: “Daqui duas horas em volto pra te interrogar”. Ficar esperando a tortura. Tem um nível de dor que você apaga, em que você não agüenta mais. A dor tem que ser infligida com controle deles. Eles têm que demonstrar que têm o poder de controlar a tua dor.



As meninas sonhavam e sorriam tímidas
Para o mundo

As mulheres acordaram e descobriram
As dores e as alegrias
Do mundo.
E sorriram melhor.


"Excrescência" - José Nilton Mariano Saraiva

O “aval” parte de quem deveria dá o exemplo: os integrantes do Poder Judiciário brasileiro. Quando algum dos seus integrantes comete algum ilícito passível de demissão sumária ou coisa parecida (lembram do Juiz, lá de Sobral, que foi flagrado pelas câmaras de segurança de um supermercado “executando” um pobre vigilante à queima-roupa ???) ou mesmo quando há consistentes suspeitas sobre - e isso tem sido recorrente – de pronto o envolvido (hipocritamente tido como “suspeito”, mesmo o vídeo mostrando o “assassinato”) é simplesmente “aposentado compulsoriamente” e com rendimentos integrais. Ou seja, não paga pelo mal feito e ainda passará o resto da vida sem qualquer preocupação em conseguir outra atividade que lhe permita conseguir o ganha-pão diário, diferentemente de  qualquer mortal comum, que tem que “ralar” quando, por exemplo, vai pro olho da rua (perde o emprego).                                         
Pois bem, todos tomamos conhecimento que, após anos e anos de soberba e abusos à frente da CBF - Confederação Brasileira de Futebol, entidade privada que gere o futebol nacional, o arrogante e prepotente senhor Ricardo Teixeira, sucessor do sogro João Havelange, foi obrigado a abdicar do trono e se mandar às pressas (fugir) para os Estados Unidos (hoje mora em Miami) antes que fosse preso e trancafiado, em razão da descoberta da “farra” monumental patrocinada durante todo o seu reinado, com o dinheiro da entidade, a ponto de tornar-se um dos homens mais ricos do Brasil (corrupção, tráfico de influência, propinas e por aí vai).
O que poucos sabem é que, antes de sair, o referido senhor (que como presidente da entidade faturava R$ 98.000,00, afora as mordomias de praxe) conseguiu com o seu substituto, senhor José Maria Marin, ser contratado como “consultor” da CBF, para assuntos internacionais na área futebolística, percebendo a “esmola” de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) mensais, limpos.
Aliás, tal “excrescência” também se deu recentemente na arena política cearense, quando o Governador do Estado do Ceará e presidente regional do PSB, senhor Cid Gomes, “nomeou” o irmão-desempregado, Ciro Ferreira Gomes, “consultor” para assuntos políticos, certamente que com uma remuneração nada desprezível.
E  ainda têm a desfaçatez de falar em moral e ética.  




Conjugação Da Ausente
Vinicius de Moraes


Foram precisos mais dez anos e oito quilos
Muitas cãs e um princípio de abdômen
(Sem falar na Segunda Grande Guerra,
na descoberta da penicilina e na desagregação do átomo)
Foram precisos dois filhos e sete casas
(Em lugares como São Paulo, Londres, Cascais, lpanema e Hollywood)
Foram precisos três livros de poesia e uma operação de apendicite
Algumas prevaricações e um exequatur
Fora preciso a aquisição de uma consciência política
E de incontáveis garrafas;
fora preciso um desastre de avião
Foram precisas separações, tantas separações
Uma separação...
Tua graça caminha pela casa
Moves-te blindada em abstrações, como um T. Trazes
A cabeça enterrada nos ombros qual escura
Rosa sem haste. És tão profundamente
Que irrelevas as coisas, mesmo do pensamento.
A cadeira é cadeira e o quadro é quadro
Porque te participam. Fora, o jardim
Modesto como tu, murcha em antúrios
A tua ausência. As folhas te outonam, a grama te
Quer. És vegetal, amiga...Amiga! direi baixo o teu nome
Não ao rádio ou ao espelho, mas à porta
Que te emoldura, fatigada, e ao
Corredor que pára
Para te andar, adunca, inutilmente
Rápida. Vazia a casa
Raios, no entanto, desse olhar sobejo
Oblíquos cristalizam tua ausência.
Vejo-te em cada prisma, refletindo
Diagonalmente a múltipla esperança
E te amo, te venero, te idolatro
Numa perplexidade de criança.

Por Artur Gomes


como é possível encarnar o impossível?

diga-me grande deus/pessoa
como é possível encarnar o impossível?
a flauta toca as vértebras
vazando carnes e músculos
antes da chegada aos ossos
a água na pele são rajadas elétricas
como facões no escuro
luz da paixão d/entre o caos
estilhaços da alma sem dó
eu falo do que posso
mar estético mangue estático
e este desejo tântrico de não ser daqui
cacomanga era uma terra intacta
em seus milênios de solidão
cavalos pastam nas cocheiras
esporas na pele borboletas
eu tenho os nervos de nylon
cordões esticados na sala
a língua retesada pra fora
lâmpadas de gás me devoram
faíscas da dor no trovão
o poema vai nascendo outro
explode no ventre/palavras
em intestinos roucos
num temporal de letras
que nunca se completam
nesta cidade de morrer na praia.
Artur Gomes
http://artur-gomes.blogspot.com

sábado, 30 de junho de 2012


Tuas mãos...
Parte de ti que me ata
E  agora nada troco
Pelas frases delicadas
Que as tuas mãos me declaram.
(socorro moreira)

VALSA DOS BOGARIS (Ulisses Germano e Socorro Moreira)




(Ulisses Germano e Socorro Moreira)

Bogaris enfeitam a janela

Que dá para o jardim

Ai de mim!

Inebriado com o perfume

Que sai de ti!

Ah! o teu céu

Alegre canto

Desconcerta o coração

Canção encabulada

Como esta meu bem

Suspiros leves

Que balançam os bogaris

Nas cordas

Do meu bandolim calado

Impulsos rubros se enlaçam

Nas asas do desejo

Bibiana,

Cala esse momento

Sem segredo ele fala

De uma amor tão divinal

Como a flor do Bogari



sexta-feira, 29 de junho de 2012

Pérola da MPB

Pérola da MPB


Música e saudade

Rogério e Abidoral


Na Rádio Azul



Outra vez
Tom Jobim

Outra vez sem você
outra vez sem amor
Outra vez vou sofrer
vou chorar
até você voltar
Outra vez vou vagar
por aí pra esquecer
Outra vez vou falar mal do mundo
até você voltar
Todo mundo me pergunta
porque ando triste assim
Ninguém sabe o que é que eu sinto
com você longe de mim
Vejo o sol quando ele sai
vejo a chuva quando cai
Tudo agora é só tristeza
traz saudade de você
Outra vez sem você
outra vez sem amor




A boa música nos salva do ruído indesejado...
Parabenizo todos que possuem ouvido absoluto.
Cuidemos-nos pra nunca deixar de ouvir os passarinhos,
nem o tom amado,que se declara baixinho...

"Isonomia" - José Nilton Mariano Saraiva

Atenção “digníssimos e ilustríssimos” senhores políticos ladrões, corruptos, fraudadores, safados, desonestos e por aí vai, que estavam receosos de não mais poderem se candidatar objetivando o pleno exercício da sua “nobre” atividade; saiam da toca, mostrem a cara e recomecem seu estafante trabalho às claras, sem necessidade de subterfúgios, de artimanhas, de desculpas fajutas e, mais importante, sem medo de ser serem importunados daqui pra frente.
Sim, porque por maioria de votos dos seus membros, o nosso egrégio Tribunal Superior Eleitoral-TSE voltou atrás na decisão que houvera tomado dias atrás e decidiu que, com a simples apresentação das contas ao final de cada ano, independentemente de serem fraudadas ou não, vocês, os políticos “CONTAS-SUJAS”, têm o direito garantido de concorrer às eleições para qualquer cargo, já nas próximas eleições e, conseqüentemente, liberados se acham pra continuar roubando e fraudando impunemente, só que agora protegidos com a chancela oficial.
Agora, pra que haja “isonomia” e se evite futuras reclamações de “outras categorias” que se sintam abandonadas e atingidas de forma discriminatória, por qual razão não liberar geral, concedendo tal passaporte pra pedófilos, criminosos, estrupadores e a bandidagem em geral ???
E ainda reclamam e ameaçam quando pessoas honestas têm a coragem de manifestar sua indignação.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

"Pés de barro" - José Nilton Mariano Saraiva

Anos atrás, numa noite de quarta-feira (pós carnaval), em seqüência ao Campeonato Cearense de Futebol, o então imbatível time do Ceará Sporting Club enfrentou, no Estádio Presidente Vargas, a equipe do Calouros do Ar, lanterninha da competição. Final do jogo, para surpresa de todos, o Calouros do Ar aplicou sonoros 3 x 0 no Ceará, numa dessas zebras que pastam em campos de futebol de 200 em 200 anos. É que a farra carnavalesca tinha sido homérica e os jogadores do Ceará literalmente jaziam mortos dentro do uniforme. O detalhe é que todos os gols da partida foram feito por um desconhecido centroavante que entreava no time do Calouros do Ar (Cícero ???). Dia seguinte, lá estava ele nas primeiras páginas dos jornais da capital, enquanto que as emissoras de TV exibiam entrevistas feitas não só com o próprio, mas, também, com o pai, a mãe, a irmã, a avó, a tia, a cunhada, o cachorro, o gato, o papagaio e por aí vai. Foi um verdadeiro auê, autêntico carnaval fora de época na periferia onde residia; perguntaram-lhe sobre a sua origem humilde, a sua rotina diária, onde começara a jogar bola, se tinha namorada e, enfim – suprema glória - se não sonhava com a Seleção Brasileira. Fato é que a pressão foi tanta, a badalação tamanha, que o coitado sentiu-se um privilegiado “enviado dos deuses”. E aí, meteu a cara na cachaça, deixou-se levar pela glória efêmera e, tão rapidamente quanto subiu, submergiu. Nunca mais ninguém ouviu falar daquele “craque”. Tinha pés de barro, o coitado.
A reflexão acima tem tudo a ver com a irresponsável tentativa de endeusamento que a mídia esportiva brasileira promove quando um jogador desconhecido se sobressai num lance fortuito de um jogo de futebol, como o fez o tal do Romarinho, do Corinthians, autor do gol em cima dos argentinos do Boca Juniors. Sim, porque, a rigor, o citado, ao entrar em campo faltando oito minutos para o fim da partida, só pegou na bola uma única vez e fez o gol. Foi o bastante para alguns afoitos integrantes da mídia já o alçarem à condição de futuro jogador da seleção brasileira, jogador-solução pra todos os problemas enfrentados pelo futebol brasileiro e por aí vai.
Juntando-se a isso o espaço dedicado pela mídia e dirigentes bufões a rodados jogadores brasileiros que os profissionais clubes europeus não mais aceitam por conta do envolvimento em drogas pesadas, muita farra e confusões de toda ordem (mas que aqui são paparicados e idolatrados, como o Adriano e o Ronaldo Gaúcho, por exemplo), temos o retrato emblemático da decadência impressionante da seleção brasileira de futebol, outrora temida e admirada por todos e hoje saco de pancadas de qualquer timezinho de quinta categoria.
   

Crack, a dor de um prazer - Emerson Monteiro


Antes apenas um problema de saúde pública, no presente, uma dolorosa calamidade internacional, quando o crack domina as páginas policiais qual fator de metade dos homicídios ora praticados no País, instrumento nefasto da destruição dos nossos jovens. É ele subproduto da cocaína que transporta efeito cinco vezes mais intenso. Chega ao sistema nervoso central em menos de dez segundos, devido à absorção pulmonar. Os usuários viram dependentes logo nas primeiras experiências, sujeitando-se a graves crises de abstinências, justificativa dos desmandos criminais ocasionados. Devido a elevadas temperaturas que provoca no organismo, permite com facilidade acidentes vasculares cerebrais, intensifica a destruição dos neurônios e degenera a musculatura, forçando o envelhecimento precoce. Raros dependentes conseguem vencer a terrível substância química. Depois do uso, o dependente manifesta quadro de agressividade, primeiro, contra os familiares; em seguida, contra a sociedade.

Eis o preço do prazer que aflige os que utilizam essa droga modificada, ameaça e destruição, sobretudo de pessoas na flor da idade, na faixa de reposição da força de trabalho da grande sociedade. 

Gritos de alerta explodem de todo lado face à perda no domínio das criaturas, as quais, inadvertidamente, entregaram suas preciosas vidas aos riscos de tal escravidão moderna. Acossados pela dependência cruel, padecem os resultados psíquicos do vício e destroem a juventude, numa aventura das piores que pudessem defrontar. Raros, raríssimos, ainda vislumbrarão a possibilidade de cura, no sonho libertador.

Diante disso, a impertinência do prazer a qualquer preço indica o retrato da ingenuidade perdida naquilo de princípio admitido por caminho de procura da felicidade artificial. E a fera devoradora só constrange as classes sociais com drama avassalador, enquanto claudica a família, célula mãe. O Estado, ao seu modo, elabora leis punitivas, porém insuficientes a curar tamanha e galopante ferida. 

Este desafio pertence, pois, a todos nós, sem exceção, contudo os meios existentes parecem inúteis a reverter o quadro dantesco. Após caírem no cipoal da dependência, usuários viram peso morto e vagam nas ruas feitos zumbis, fantasmas de uma sociedade doente.

Em quanta dor, quando sofre desnorteado, se transformam os prazeres das vacilações desesperadas, frutos da imprevidência humana para utilizar a liberdade sob pretextos vários. Permanece, entretanto, a dura interrogação de como vencer a força deletéria do crack, droga mortal desses tempos sombrios.


Cris Delanno
 Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


 Cristiane Silva de Britto, mais conhecida como Cris Delanno (Texas, EUA, 18 de setembro de 1969), é uma cantora brasileira, de origem norte-americana.[1] Cris começou a cantar no Coral Infantil do Teatro Municipal do Rio de Janeiro aos 5 anos de idade, participando de óperas como La Boheme, Carmen e Tosca. Brasileira, nascida no Texas, absorveu muito do estilo da música americana, integrando, como solista, um coral tipicamente negro, o African American Unity Choir. Já dividiu o palco com Carlos Lyra, Roberto Menescal, Luiz Carlos Vinhas, Andy Summers (The Police), Oscar Castro Neves, BossaCucaNova, Ed Motta, Simoninha, Ivan Lins, entre outros. Dos shows que participou, destacam-se: Nara - Uma Senhora Opinião, Filha da Pátria, Bossa in Concert, Bossa Nova 50 Anos, Festa de Premiação do Grammy Latino, Roskilde Festival (Dinamarca), Ronnie Scott (renomado clube de jazz em Londres), North Sea (Holanda), Get’s Bossa Bova (Japão), BossaCabaret (Paris). Participou do documentário Coisa Mais Linda (Paulo Thiago), do DVD do show Bossa in Concert, do DVD do grupo Bossacucanova, do programa Som Brasil – Vinicius de Moraes (TV Globo) e Na Base da Bossa (Multishow).

Na Rádio Azul


O "milagre da ressurreição" - José Nilton Mariano Saraiva

Logo que tomou conhecimento pela mídia de que era um dos relacionados pela nossa eficiente Polícia Federal como suspeito de envolvimento no desvio de R$ 3,1 milhões destinados à construção de banheiros na zona rural da sua cidade, o ex-Deputado Estadual e atual Prefeito de Ipu-CE, senhor Sávio Pontes, tomou “doril” e... sumiu.
Passou uma semana “entocado”, ninguém sabe onde (embora em contato direto com o advogado), e por isso foi agraciado pela polícia com o status de “foragido” da Justiça; papo vai papo vem, foi convencido pelo causídico a se entregar a essa mesma Justiça e ficou detido no quartel do Corpo de Bombeiros.
Depois de seis dias privando das mordomias da tal “prisão especial”, descobriram que não tinha curso superior e teria que “descer”pra um presídio comum, onde habita a escória do submundo; aí, antevendo a “barra” que iria enfrentar,  o distinto “sentiu-se mal”, descobriu que era portador de problemas cardíacos e, como tem “bala na agulha” (dinheiro de origem duvidosa) arranjaram pra que ficasse acomodado numa das suítes de um luxuoso hospital particular, aqui em Fortaleza.
Nesse ínterim, seu bem remunerado advogado (pago com dinheiro de origem duvidosa, lembremo-nos) continuou a mexer com os pauzinhos, até conseguir “sensibilizar” (a troco mesmo de que, Excelência ???) o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Sebastião Reis Júnior, a conceder-lhe decisão liminar decretando sua soltura imediata, sob a alegativa de que não atrapalharia as investigações e não corria risco de fugir (não custa lembrar que o mesmo já fora considerado “fugitivo” da Justiça, lá atrás).
E aí se deu o "milagre da ressurreição": de pronto, como se tocado por uma varinha mágica de uma fada madrinha magnânima, sua saúde foi restabelecida, a conta do hospital quitada às pressas, de forma que Sua Excelência já se encontra na rua, livre, leve e solto. E aí, por puro sarcasmo ou pra gozar com a cara de todos nós - abestados morais mortais-comuns - já se prepara para reassumir sua cadeira de prefeito de Ipu-CE, ao tempo em que anunciou aos quatro ventos que comparecerá à convenção do partido, no final de semana, objetivando lançar seu nome à reeleição de Prefeito do município (mesmo não tendo explicado ainda onde foi parar a grana dos banheiros).
É em razão de tão suspeitas decisões de determinados Desembargadores dos nossos tribunais superiores que não dá pra deixar de imaginar que alguma generosa “recompensa” lhes é destinada. Agora... como provar ???
Bolo de limão - Colaboração de Fátima Figueiredo


 Massa do bolo:
1 massa para bolo de limão
 1 gelatina de limão
 1 copo de iorgute natural integral a mesma medida do copo de óleo
 4 ovos
 1 colher de chá de fermento em pó

 Cobertura: 1 limão 1 leite condensado

 Modo de Preparo A receita é muito simples . Liquidificar todos os ingredientes por 3 min, e levar ao forno. Cobertura : bater no liquidificador o suco do limão e o leite condensado durante 1 min.

FECHADO NUM ABRAÇO - DE SOCORRO MOREIRA E ULISSES GERMANO

FECHADO NUM ABRAÇO
(Xotis - Letra: Socorro Moreira; Música: Ulisses Germano)

(REFRÃO)
Tu, que vives só partindo
Tu, que chegas de mansinho
Pisa as flores dos meus sonhos
Se aconchega em meu carinho

**** ***** *****
Meu amor é tão intenso
Mas não perde a lucidez
Sabe esconder o desejo
Deixa passar sua vez

(REFRÃO)

Quando o fim se anuncia
A tristeza se aproxima
Quando as respostas calam
O meu silêncio se anima

(REFRÃO)

Tenho o olhar arrastado
No presente do passado
Se te vejo no caminho
Eu te fecho num abraço

Crato.CE.


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Eurocopa - Por José de Arimatéa dos Santos


Imagem: Google Images

Futebol de primeira qualidade nos campos da Ucrânia e Polônia em que os jogadores do velho continente mostram um futebol refinado. Chegam a dizer que a "Euro" é uma mini copa do mundo, pois só faltam a Argentina e Brasil para completar a verdadeira plêiade dos grandes do futebol mundial.
Até o momento a Espanha não mostrou aquele futebol de "encher os olhos" e quem brilhou individualmente foi o jogador de Portugal Cristiano Ronaldo. Inclusive já apostam que o mesmo desbancará Messi na escolha do melhor jogador de futebol de 2012. Já a Alemanha mostra um futebol que ouso dizer que é o mesmo que o Brasil apresentava em tempos passados. O time alemão joga no ataque e não deixa o adversário respirar ou "gostar do jogo".
Qualquer uma das seleções que estão nas finais da Eurocopa têm todas as condições para a conquista do "caneco" e certamente com Brasil, Argentina e Holanda são times favoritíssimos a conquista da Copa do Mundo no Brasil em 2014. 

Manuel Bezerra Neto – Educação para transformação da sociedade



Professor, Filosofo, pesquisador marxista, comunista e bom de papo, Manuel Bezerra Neto compreende que a educação deve servir para transformação da sociedade. Preparando o seu segundo livro, Bezerrinha como é carinhosamente conhecido apontar as contradições da educação numa sociedade antagônica como a capitalista.  
     
Alexandre Lucas - Quem é Manuel Bezerra Neto?

Manuel Bezerra Neto – Até recentemente fui  professor assistente do Departamento de Educação  da Universidade Regional do Cariri – URCA. Milito na Educação desde a década de 1970. Iniciei nas minhas atividades na Educação Básica do Estado na área de Ciências Exatas (matemática e física). A partir de 2000 ingressei no Ensino Superior da URCA, na área de Ciências Sociais (Filosofia e Sociologia). Durante esse período estive sempre engajado na luta política como dirigente municipal e estadual no Partido Comunista do Brasil - PCdoB.

Alexandre Lucas – Qual a importância das tendências pedagógicas no âmbito das políticas para a educação?

Manuel Bezerra Neto – É preciso lembrar que as políticas educacionais são estabelecidas sempre em função dos interesses do Estado, bem como dos objetivos mais permanentes da classe dominante. Em decorrência disso é que são levadas em conta aquelas tendências pedagógicas que mais são convenientes e mais se adéquam tanto aos objetivos do Estado, quanto aos interesses que estão postos  em determinadas circunstancias, do ponto de vista, é claro, das classes dominantes. Assim, não vamos alimentar ilusões a respeito da educação escolar, uma vez que seu primeiro papel, sob o estado capitalista é explicitamente funcional, ainda que devemos reconhecer, não obstante, que ela se constitui por natureza, uma atividade contraditória.

Alexandre Lucas - Como você avalia as políticas públicas para Educação no Ceará?

Manuel Bezerra Neto – É muito simples perceber-se que elas ainda continuam orientadas pelas diretrizes de caráter neoliberal. Educação ainda é encarada como despesas para o Estado. Assim, despesa pressupõe retorno compensador, do ponto de vista financeiro, e não um direito universal do individuo. Isso significa conceder a educação enquanto fator de desenvolvimento socioeconômico, segundo a Teoria do Capital Humano porquanto para as classes dominantes investir em educação é estabelecer os meios que devem favorecer apenas o desenvolvimento dos meios de produção capitalistas necessários ao processo de acumulação do capital.

Alexandre Lucas – Qual a contribuição do Marxismo para a compreensão e proposição das tendências pedagógicas de caráter progressista?

Manuel Bezerra Neto – Ainda que Marx não tenha proposto explicita e sistematicamente uma linha pedagógica escolar, no entanto, o programa de Gotha define uma concepção de pedagogia que vai além dos conceitos burgueses de progresso humano, uma vez que ele chama a atenção para a importância e o sentido que uma formação humana fundada na associação indispensável entre educação e trabalho, escola pública gratuita (não necessariamente estatal, mas laica). Ele sempre acreditou que a natureza do homem se forma e se desenvolve tendo como principio a atividade produtiva; isto é, o trabalho como principio pedagógico por excelência. É simples perceber-se isto quando sabemos que as classes burguesas nunca encararam o trabalho como atividade dignificante para o individuo que não precisa trabalhar uma vez que ele vive da exploração da força de trabalho daqueles que não tem a propriedade dos meios de produção. Em síntese, elas nunca imaginaram nem desejaram ver seus filhos frequentando a oficina onde o filho do trabalhador está aprendendo um oficio ou aperfeiçoando suas técnicas de produção de mais-valia.

Alexandre Lucas – Em seu livro “Escola – Pedagogia da Reprodução” você aborda o caráter ideológico da escola capitalista e propõe alternativa?

Manuel Bezerra Neto – Quando dei aquele título ao trabalho não estava, de modo algum, concordando inteiramente com a concepção reprodutivista da escola porque, enquanto, os “reprodutivistas” faziam a crítica exclusiva da pedagogia burguesa como aparelho ideológico por excelência do Estado capitalista, eu procuro mostrar que ao lado da critica é preciso propor uma opção – não dualista, obviamente – pedagógica que possa contemplar sem discriminação os interesses, os valores e as concepções de todos na sociedade, principalmente das classes submetidas ao regime de exploração do capital. Ao mesmo tempo compreendi que era necessário também, junto com a tarefa de propor uma escola universalizada cuidar dos problemas concretos e imediatos da sociedade brasileira do ponto de vista do seu desenvolvimento autônomo, tendo em mira a redução drástica das profundas desigualdades sociais engendradas pelo capitalismo brasileiro, e para os quais só uma concepção pedagógica revolucionária poderia apresentar soluções viáveis para sua superação.

Alexandre Lucas – Você prepara o segundo livro “Educação e Consciência de Classe", Qual a abordagem desse trabalho?

Manuel Bezerra Neto – A questão da consciência de classe não é muito simples de ser abordada. Muitas vezes, corremos o risco de ou vê-la idealisticamente, tendo-se a ilusão de que é algo inevitável para o sujeito, em vista de sua pertinência de classe; que dizer, inevitavelmente, o burguês teria que pensar, enquanto burguês, operário como operário, etc. é uma visão um pouco simplista e reducionista pela qual seria suficiente apenas olhamos a posição de classe, para então apreendemos a consciência dos indivíduos que a integram.

A consciência não pode ser também uma função psicológica que nos ajuda a fazer avaliações “corretas” ou de censura das situações vivenciais nem dos indivíduos nem da própria história uma vez que inevitavelmente  ela, de qualquer modo, não deixa de estar vinculada se não as forças motrizes que põem em movimento povos e classes inteiras, que acaba induzindo uma ação durável capaz de promover grandes transformações históricas.

No campo da educação ainda que a consciência se forme na relação direta com a realidade, mesmo que mediatizada pelo conhecimento não podemos subestimar o papel ideológico desse conhecimento na organização e projeção das condições materiais de existência. Assim, a proposta implícita é, sobretudo demonstrar a relação entre o papel ideológico da educação e o desenvolvimento da consciência do individuo.

Alexandre Lucas – Qual a relação entre educação e prática social?

Manuel Bezerra Neto – A relação é explicita, pois a própria educação constitui-se de uma prática social inerente e indispensável ao conjunto das múltiplas práticas convenientes e adequadas para a configuração de uma dada realidade social. Não podemos imaginar prática educativa dissociada da prática social.     

                          
         
         

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Grande oportunidade - José Nilton Mariano Saraiva

Na tentativa de mostrar que é valentão, brabo, não teme cara feira ou foge à luta, quando cercado por sua cambada de áulicos ele costuma disparar a metralhadora verborrágica em todas as direções, normalmente faltando com o respeito a quem esteja no entorno.
Assim se deu, por exemplo, quando fez uma analogia entre os “MÉDICOS” e o “SAL” nosso de cada dia, já que ambos, no seu entendimento, seriam baratos, brancos, e disponível em qualquer lugar; como não houve qualquer reação por parte da categoria, mais sua fama de valentão se solidificou.
Dias atrás, quando os policiais militares e civis cearenses encetaram uma greve objetivando salários mais dignos, lá vem ele de novo detonando toda a categoria, sem dó nem piedade, ao afirmar que não passavam de “MARGINAIS FARDADOS” e “BANDIDOS” QUE NÃO HONRAVAM A FARDA.
Mas foi aí que quebrou a cara, a “coisa” pegou e o “bicho” despertou: sentindo-se, com toda a razão, moralmente ofendidos, os policiais militares resolveram impetrar uma ação na Justiça objetivando fosse o valentão intimado a prestar esclarecimentos.
Aceita a justa reivindicação da classe ofendida, no princípio do mês de agosto ele terá a oportunidade de ratificar em juízo sua fama de valentão, de macho e de que não teme cara feira ou foge à luta. É só NÃO AFINAR e confirmar/reafirmar com todas as letras, pontos, acentos e vírgulas tudo que disse publicamente e que se acha registrado em áudio e vídeo: que os policiais militares do Ceará não passam de “MARGINAIS FARDADOS” e “BANDIDOS” QUE NÃO HONRAVAM A FARDA.
Só se espera que ele não venha com papo furado, com conversa mole, com a afirmação que a sua fala foi “descontextualizada” e por aí vai. Sim, porque aí está a grande oportunidade que o senhor CIRO GOMES terá pra não decepcionar seus adeptos e ganhar uma ruma de outros simpatizantes.
Particularmente, por conhecer os métodos e reações do referido senhor, não temos a menor sombra de dúvida: ele AFINARÁ.
Alguém duvida ???