por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



terça-feira, 14 de outubro de 2014

Ao Carlos Eduardo Esmeraldo - José do Vale Pinheiro Feitosa

Eu li o seu comentário naquela postagem por você referida. Suas argumentações foram tão simétricas ao que penso de modo que nada mais tinha a acrescentar. A questão é esta mesmo: temos dois projetos de nação em disputa nesta eleição de modo que é legítimo que analisemos as duas posições e que nos posicionemos de modo a participar dela. 

Ontem mesmo um conterrâneo nosso, o Xico Sá, uma das grandes referências do jornalismo brasileiro, foi vítima da interdição de sua posição na coluna que escrevia no Jornal a Folha de São Paulo. Através de matérias e nas próprias colunas da Folha a opção por Aécio é a marca. Até o famoso antipetista Reinaldo Azevedo, que é da Veja, escreve e faz das deles. Mas o Xico não pôde se posicionar favoravelmente à Dilma. 

Aliás precisamos falar do Xico Sá em nossos blogs.

Hoje vi um texto muito interessante e fundamentado sobre a manipulação das mídias e o alvo social mais sensível a ela. Por incrível que pareça não são os mal informados do FHC, mas exatamente quem tem maior capacidade intelectual, estudou mais e tem mais recursos. Eles vão lendo a Veja, assistindo ao Jornal Nacional com seus projetos editoriais, tendenciosos, apuram o inimigo, protegem os amigos e criam um raio de extermínio sobre os adversário. Os mais afeitos à fórmulas intelectuais sofrem o efeito do raio porque são mais expostos a eles. Assim como os médicos radiologistas estão sujeitos aos efeitos da radiação. 

O que resultou do comportamento "militante" da mídia é uma escala de valor deturpada, que acirra posições por pretenderem incutir fórmulas acabadas numa mente que deveria estar aberta a contribuições. Por isso os comentários nos blogs se esvaziaram tanto. Com fórmulas acabadas as pessoas não debatem, elas se atacam. No Facebook e twitter há uma grande margem de pessoas quase de matando apenas porque alguém disse o que elas não gostam. Sem contar os preconceitos contra tudo e todos.  

O fenômeno não é de agora. Sempre existiram os provocadores que tentam desequilibrar debates, até mesmo acabando com ele. As provocações sempre buscam as pessoas e querem destruir sua imagem e deixá-las sem chances de defender o seu pensamento. Na internet o nome técnico é TROLL e o tal Batateira Original é isso. Um Troll.

Mas é um Troll nosso. Aqui dos nossos plagos. Escreve com seu nome original e posta. Há mais de cinco anos, ainda naquela primeira eleição do Obama, fiz um comentário sobre a linha conservadora da candidata Sarah Palin e para minha surpresa um dos nossos, usando o sobrenome feminino e se dizendo de Fortaleza veio com esta mesma atitude. Então, não é médico, é dos nossos, conhece algo a meu respeito e por isso usa a Batateira como senha. Se formos ler com calma o estilo e as imagens até dá para imaginar quem é. 

Com todo respeito a quem pensa diferente, é necessário testar nossas ideias na divergência. Agora não dar é para alimentar comentários daquele tipo. Este TROLL já fez comentários em postagens do Zé Flávio e minhas, desde que falei sobre a pintura de Picasso Guernica. 

Sobre comentários, hoje uma raridade nos blog's

ATENÇÃO JOSÉ DO VALE!
   
Em 08 de outubro corrente, o excelente e competente médico José do Vale Pinheiro Feitosa, um cratense radicado no Rio de Janeiro, mas desde criança  dedicado aos estudos, escreveu neste blog um texto tendo por título "O Rumo Norte é o nosso desatino." Nesse texto ele apresenta dados da política econômica  norte-americana e suas consequências por abraçar o liberalismo. Mostra índices sobre a educação norte-americana e outras considerações que vale a pena reler.
  
O texto mereceu dois comentários, abaixo transcritos, que acredito o Zé do Vale não tenha tomado conhecimento. Um é meu e o segundo de um cidadão que afirma ser médico formado nos Estados Unidos, mas não quis se identificar, valendo-se do anonimato através de um pseudônimo.
 
Preocupa-me ter médicos nesse país, que se vangloriam das muitas curas que executa. "devolvi a vista há muitos brasileiros...," 
   
Infelizmente há aqueles "que ficam olhando o cisco no olho do irmão, mas não presta atenção à trave que está em seu próprio olho." (Mt.7,3)
    
Caro Zé do Vale.
  
Excelente e muito oportuno comentário. Temos que construir o nosso próprio projeto de desenvolvimento e não importar políticas de exploração, como o "Estado Mínimo" e a desregulamentação do "Deus Mercado", como é o objetivo do PSDB, em contradição com o nome atribuído ao partido, que de "social democracia" nada possui, além do nome, erroneamente apropriado. Nesta eleição, o brasileiro corre o risco de tomar a decisão errada.
 
8 de outubro de 2014 19:29
  
Batateira Original disse...
    
O muro de Berlim caiu há muito tempo e o cara escrever isso só mostra a crosta irremovível que se impregnou na sua mente. Tudo que aprendi na Medicina foi nos USA, nunca tive emprego político, dedico as sextas-feiras para atender aos pobres. É um absurdo que um cara que é médico no Brasil vote em Dilma. Graças ao aperfeiçoamento nos USA devolvi a vista há muitos brasileiros...
As boas ações não têm partido, não têm nações, não têm ideologias...
Ser esquerdista burguês deixou de ser chique... Seja médico, só isso.

9 de outubro de 2014 18:20

A GINCANA REPUBLICANA DO MERITOSO CANDIDATO - José do Vale Pinheiro Feitosa

Ei você ai!

É!

Você mesmo!

Sabe tudo que você fez? Ralou no trabalho enquanto estudava. Pagou caro o curso superior. Virou noite para fazer uma “pós”?

Fez concurso com pesada concorrência? Foi aprovado e assumiu numa cidade diferente da que vivia? Que rala no trabalho, faz curso e tem muito cuidado com o seu papel e sua função? Inclusive aquela nomeação para um cargo de chefia?

Isso é meritocracia. Pelo menos no sentido funcional. Agora olhe a seguir a história de um garoto que como muitos “amava os Beatles e o Rolling Stones...”

Brincadeirinha. Nunca foi ao Vietnã. Viveu no conforto da família e por ela foi alçado ao “mérito”.
Papai virou deputado federal.

Lá em Brasília. Com 17 anos, o filhinho meritoso assumiu como secretário do gabinete parlamentar do papai. Papai fora eleito pela Arena. Lembram dela?

São quatro anos de mandato. O meritório, para ser meritocrata, precisava estudar.

E com muito sacrifício usava o teletransporte da Interprise para cumprir o expediente na Câmara em Brasília, enquanto fazia faculdade no Rio de Janeiro.

Menino aplicado terminou o curso.

Vovô é eleito Governador. Agora com um canudo na mão, aos 23 anos é nomeado como assessor do vovozinho. Nem a velha experiência de Vovô poderia dispensar os méritos do jovem netinho. 
  
Vovô é eleito, por eleição indireta, Presidente da República. Netinho carrega a pasta pesada de vovô, aparece na mídia e é uma das caras da morte precedente ao cargo para festa da mídia nacional. Antonio Brito, jornalista da Globo, suou para não perder a vez.  

O vice de vovô assume e num gesto de mérito nomeia o netinho, aos 25 anos, Diretor da Caixa Econômica Federal. E olhem que beleza de ato:

Ministério da Fazenda
Decreto de 14 de maio de 1985
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, de acordo com o artigo 11 do Estatuto da Caixa Econômica Federal, aprovado pelo Decreto nº 81.171, de 3.1.78, RESOLVE
NOMEAR o Dr. Aécio Neves da Cunha Diretor da Caixa Econômica Federal.
Brasília, 14 de maio de 1985, 164º da Independência e 97º da República.
                                                                                                           JOSÉ SARNEY
Francisco Neves Dornelles.

A segunda assinatura é do então Ministro da Fazenda do qual a Caixa Econômica se subordinava.

É priminho do netinho meritoso: AÉCIO NEVES DA CUNHA.    

O PAPA DESAPERTA PARAFUSOS ENFERRUJADOS - José do Vale Pinheiro Feitosa

Sem considerar a fobia tão comum aos que se agarram à conservação dos costumes e das doutrinas. Sem levantar a questão da infalibilidade da santidade. Um Papa além do atoleiro da história.

Deixa ao relento a histeria Malafaia que se agarra aos conservadores na política, eis que o Papa Francisco convoca os bispos para uma assembleia. E na assembleia levanta assuntos espinhosos para os mantos conservadores.

Um documento, que certamente é uma declaração prévia de que o assunto devA ser tratado pergunta ao sínodo dos bispos: “Os homossexuais têm dons e qualidades a oferecer à comunidade cristã: seremos capazes de acolher essas pessoas, garantindo a elas um espaço maior em nossas comunidades? Muitas elas desejam encontrar uma igreja que ofereça um lar acolhedor”.

E continua: “Serão nossas comunidades capazes de proporcionar isso, aceitando e valorizando sua orientação sexual, sem fazer concessões da doutrina católica sobre família e matrimônio?”

Começamos pela linguagem clara, e sem metáforas, da pergunta. Afirma o valor da família e matrimônio como uma doutrina a ser preservada, mas joga a contradição da homossexualidade com a primeira pergunta. Quem tem capacidade de fazer tais perguntas se encontra muito adiante de toda interdição do tipo.


Sem necessitar da resposta. Só a realização da pergunta começa a tirar o bolor inerte de um conservadorismo que se enrosca nas engrenagens das doutrinas e ali enferruja agarrada ao bloco férreo de certezas de pés de barro. O papa jogou um “antigripante” sobre estes parafusos enferrujados e agora eles podem ser desapertados para que a igreja funcione consoante as pessoas reais, que fazem os costumes e as doutrinas.
Um poema bem oportuno à circunstância, do recente livro do amigo e poeta Ronaldo Costa Fernandes, O difícil exercício das cinzas (7Letras, 2014).



Os dois passos do homem
O homem tem apenas dois passos:...
um passo à frente
e um passo atrás.
O passo que se dá à frente
é um passo doble,
o passo que se dá atrás
é um passo em falso.
Há passos que parecem ser à frente
e levam ao pé do cadafalso,
à ira dos materiais em erosão
que morrem ao se devorar.

SOLDADOS CONTRA O VÍRUS EBOLA - José do Vale Pinheiro Feitosa

Desde que se tomou conhecimento do primeiro surto do Vírus Ebola no Zaire e no sul do Sudão, em 1976, que de algumas coisas se tem conhecimento. Primeiro: é uma doença devastadora do ponto de vista clínico e dos cuidados necessários, com uma letalidade altíssima e um potencial de transmissão muito intenso (naquele surto um cientista inglês trabalhando em laboratório com material de pacientes foi contaminado). Segundo: os precários hospitais das missões religiosas foram uma fonte de disseminação da doença para toda a região. Terceiro: até hoje a melhor opção terapêutica continua a ser o soro hiperimune. Ou seja aquele que é retirado de pessoas infectados. Isso já fora usado em 1976 e depois os laboratórios com ações em bolsa de valores não se “interessaram.”

Agora estamos olhando que mesmo em países onde as técnicas dos profissionais de saúde são mais apuradas e que o material é abundante, casos estão ocorrendo entre profissionais de saúde. Na Espanha e no EUA. E agora é sabido que a contaminação da enfermeira do Texas decorre do despreparo dos profissionais de saúde para tratar com estes casos (85% dos profissionais não receberam treinamento).

A verdade é que os arbovírus são extremamente perigosos e que mais surtos virão pois o desmatamento, a mineração e o impacto ambiental tem aberto o acervo genético das florestas para o bem e para o mal. O próprio ressurgimento e a dificuldade de controlar o mosquito transmissor da febre amarela, o mesmo que transmite a Dengue, já diz algo de mudança climáticas e de mudança ambiental.

Já se passaram mais de 72 horas e o Centro de Controle de Doenças (CDC) não tem a menor ideia do que aconteceu com a enfermeira para que ela se contaminasse. Até agora não surgiu uma avaliação do caso espanhol. O CDC se encontrar neste nível de resposta diz muito bem dos efeitos das políticas neoliberais sobre instituições que já não conseguem responder às grandes questões.

Há pouco mais de uma semana soubemos que Cuba estaria enviando para os países africanos afetados um grande número de profissionais de saúde. Não se viu o mesmo dos EUA, mas eles mandaram três mil soldados. Mas qual o papel de soldados numa epidemia? Proteger patrimônio do interesse deles? Confinar populações inteiras? Servir de contenção para eventuais manifestações populares de insatisfações?


Enfim, se até os profissionais de saúde, em seus ricos e seguros países estão sendo infectados, que diabo pode fazer um soldado americano numa zona de transmissão ativa do vírus Ebola?  

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

BANCOS PÚBLICOS - José Nilton Mariano Saraiva

ATENÇÃO SENHORES FUNCIONÁRIOS DOS BANCOS ESTATAIS PARA A DECLARAÇÃO DE “VIVA VOZ” DO SENHOR ARMÍNIO FRAGA, "JÁ CONFIRMADO" FUTURO MINISTRO DA FAZENDA NUM PRETENSO GOVERNO AÉCIO NEVES:


O BRASIL TEM HOJE TRÊS GRANDES BANCOS PÚBLICOS QUE DETÊM MUITO PODER: O BNDES, O BANCO DO BRASIL E A CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. AÍ, TEMOS QUE FAZER AJUSTES E EU NÃO SEI O QUE VAI SOBRAR”. 

O execrável "VAZAMENTO SELETIVO" - José Nilton Mariano Saraiva

Quando compareceu à CPI do Congresso Nacional a fim de prestar esclarecimentos a respeito das supostas irregularidades acontecidas na Petrobrás, o ex-funcionário da empresa, senhor Paulo Roberto Costa,  exerceu na plenitude o seu direito constitucional de permanecer calado. Não soltou um pio.
Em off, entretanto, num átimo de surpreendente sinceridade, assegurou que assim procedia porque se abrisse a boca naquele momento (antes do primeiro turno) a eleição presidencial brasileira corria o risco de não se realizar (embora, àquela altura, já houvesse “aberto o bico” e contado tudo para a polícia federal paranaense).  
Nos bastidores, porém, já houvera vazado e a mídia divulgado com estardalhaço a informação que pessoas comuns, governadores e deputados vinculados a diversas agremiações partidárias (PSB, PT, PMDB e PP, dentre outras) estariam envolvidas no recebimento de polpudas propinas, via superfaturamento na Petrobrás. Dentre elas, os governadores de Pernambuco (o falecido Eduardo Campos-PSB), do Ceará (Cid Gomes-PROS) e do Maranhão (Roseana Sarney-PMDB).  
Eis que agora, às vésperas do segundo turno de uma decisão que tem tudo para ser das mais acirradas, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, resolve divulgar um vídeo de parte do depoimento do senhor Paulo Roberto Costa, onde são nominadas pessoas e partidos políticos supostamente beneficiadas com as tais propinas. Com um estranho e estarrecedor “detalhe”: os envolvidos, bem como os partidos políticos, todos são da base de apoio do governo federal.
Como o PSB (Eduardo Campos), que houvera sido citado lá atrás como um dos beneficiários do esquema, em razão da suposta “propina grossa” que grassou nas obras da Siderúrgica Abreu de Lima (em Pernambuco) agora no vídeo divulgado pelo juiz Sérgio Moro foi omitido ou não citado, conclui-se que teria havido uma espécie de “excesso de cuidado” ou “vazamento seletivo” visando influir no resultado da eleição (afinal, é bom repetir, só o pessoal e partidos da base governista foram citados). 
Seria a chamada “bala de prata”, tão ansiosamente aguardada pela oposição, mas ao mesmo tempo  a prova definitiva de que o Poder Judiciário brasileiro, aqui representado por um iluminado qualquer (dizem que vinculado ao DEM), contrariando o que dele todos esperam, resolveu pela parcialidade em seus julgamentos.
Triste e lamentável, que merece uma resposta do povo (afinal, queiram ou não os opositores do governo, o Brasil mudou e mudou muito, pra melhor, nos últimos doze anos).



Atualização de status
De Everardo Norões
Perguntas a um operário letrado

Bertold Brecht

Quem construiu Tebas,
a das Sete Portas?
Nos livros vêm os nomes dos reis,
mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilônia, tantas vezes destruída,
quem a reconstruiu?
Em que casas da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
foram seus pedreiros?
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo.
Quem os ergueu? Sobre quem
triunfaram os Césares?
Na tão cantada Bizâncio
todos os habitantes tinham palácios?
Até a legendária Atlântida
na noite em que o mar a engoliu
viu afogados gritarem por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Indias sózinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu dispor?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha chorou.
E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos Sete Anos.
Quem mais a ganhou?

Em cada página, uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década, um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias.
Quantas perguntas.
 
 

O Retorno - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

O senso comum afirma que o brasileiro tem memória curta. Confirmamos essa assertiva no desenrolar da presente campanha eleitoral. De repente, como que anestesiados pelas inserções sublimares da grande imprensa, tendo à frente a diabólica Rede Globo, grande parte do nosso povo passou a admirar o sociólogo, aquele mesmo que recentemente considerou o nordestino um povo ignorante e, que há pouco menos de duas décadas, trouxe-nos o caos quando aderiu ao "Consenso de Washington" e implantou políticas neoliberais em seu famigerado desgoverno. O que vimos, lembram-se? Arrocho salarial, fome, salário mínimo abaixo de cem dólares, menor do que o de países mais pobres, como o Paraguai, a dilapidação do patrimônio do estado brasileiro, quando todo nosso setor de distribuição de eletricidade, nosso precário sistema ferroviário, que no caso do Ceará simplesmente foi extinto, nossas siderúrgicas e mineradoras, e tantas outras empresas estatais foram vendidas na "bacia das almas", mas cujo resultado ninguém soube qual foi, além de altas tarifas e a descapitalização do nosso país. 

No final do desgoverno de FHC, no centro comercial de Fortaleza, inúmeras casas comerciais foram fechadas e transformadas em estacionamentos. Gigantes do comércio varejista, lojas tradicionais cujo capital era nacional, como a Mesbla, o Mapin, a Lobrás, a Eletroradiobrás, as Casas Pernambucanas, o Romcy e tantas outras sumiram para sempre do mercado. Lembram ainda delas? Muitos dos nossos jovens não as conheceram. As políticas neoliberais aplicadas no desgoverno tucano quebraram o país três vezes, tendo que ser socorrido pelo FMI, (Fundo Monetário Internacional).  

A Europa e os Estados Unidos vivem no presente uma grande crise econômica, justamente por ter abusado da aplicação do receituário neoliberal. Crise essa que de certa forma também nos atinge.

Agora esse grupo sediado em São Paulo, o mais nordestino dos estados brasileiro, pois até a seca já chegou por lá, com direito a falta d'água e muita sede de um povo satisfeito com seus atores, pois anestesiados pelas novelas globais, está querendo reassumir os destinos desse país, alardeando uma grande crise em que vivemos. Será por que os aviões saem lotados dos aeroportos? Ou por que as lojas estão cheias de gente comprando? Ou será por que o povo está comendo? Pelo menos três refeições diárias estão tendo e não mais vimos retirantes da seca estendendo a mão em nossas esquinas.

Pensem nisso! Libertem-se das paixões partidárias. Faço esse apelo porque em 2004 fui um dos responsáveis por ter colocado FHC no governo. Penitencio-me hoje. Minhas esperanças foram então frustradas e não desejo ver repetido o filme dos que não olham para o bem estar do nosso povo, mas apenas para os banqueiros e grandes empresários, priorizando o capital à frente do social. Pensemos no futuro dos nossos filhos e netos. Não desejemos para eles o desemprego e desesperanças.

domingo, 12 de outubro de 2014

“Lucros pessoais exagerados ou limitados a grupos cuja prosperidade se baseia na exploração da maioria.” - José do Vale Pinheiro Feitosa

Um governo para o nosso tempo é o que precisamos. Estamos no processo eleitoral e cada um é importante nessa definição. E que se tome por referência as práticas e o que acontece no mundo todo para se colocar como legítimo escrutinador do seu tempo. E não cabe exploração, juros altos, arrocho salarial, redução do crédito, combater os pobres e “menos informados”, manter privilégios de grupos e classes. Não cabe agora, como não cabia em 1940, quando efetivamente a guerra mundial tomou um corpo geral e esta guerra era fruto do liberalismo econômico que criara grandes tubarões a dizimar os peixes pequenos num aquário de iniquidades, fome, perseguições e morte.

No dia 11 de junho de 1940, a bordo da nau capitânia, da Marinha de Guerra do Brasil, o Encouraçado Minas Gerais, Getúlio Vargas pronuncia um discurso histórico. Os produtores rurais e industriais brasileiros estavam insatisfeitos com a queda das exportações e reclamavam pela mídia (mesmo sob impacto de uma ditadura). Getúlio diante do quadro internacional abre um discurso em que denuncia a choradeira e puxa as orelhas de quem quer ganhar muito sem fazer nada. Como esse pessoal hoje que tem o Armínio Fraga como guru: os beneficiários da bolsa juros do tesouro nacional. E o que diz o Getúlio:

“O que ficou perene, imortal, foi o lema: “O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever.” São as primeiras palavras de Getúlio ao recordar o patrono da Marinha de Guerra, Almirante Barroso. E vai ao cerne da questão:

“Atravessamos, nós, a humanidade inteira transpõe, um momento histórico de graves repercussões, resultantes de rápida e violenta mutação de valores. Marchamos para um futuro diverso de quanto conhecíamos em matéria de organização econômica, social, ou política, e sentimos que os velhos sistemas e fórmulas antiquadas entram em declínio. Não é, porém, como pretendem os pessimistas e os conservadores empedernidos, o fim da civilização, mas o início tumultuoso e fecundo de uma nova era.”

Getúlio chega ao ponto onde a mudança acontecerá com maior fecundidade: “A economia equilibrada não comporta mais o monopólio do conforto e dos benefícios da civilização por classes privilegiadas. A própria riqueza já não é, apenas, o provento de capitais sem energia criadora que os movimente; é trabalho construtor, erguendo monumentos imperecíveis, transformando os homens e as coisas, agigantando os objetivos da Humanidade, embora com sacrifício do indivíduo. Por isso mesmo, o Estado deve assumir a obrigação de organizar as forças produtoras, para dar ao povo tudo quanto seja necessário ao seu engrandecimento como coletividade. Não o poderia fazer, entretanto, com o objetivo de garantir lucros pessoais exagerados ou limitados a grupos cuja prosperidade se baseia na exploração da maioria.”

E Getúlio mais à frente continua: “À democracia política substitui a democracia econômica, em que o poder, emanado diretamente do povo e instituído em defesa do seu interesse, organiza o trabalho, fonte de engrandecimento nacional e não meio e caminho de fortunas privadas. Não há mais lugar para regimes fundados em privilégios e distinções; subsistem, somente, os que incorporam toda a Nação nos mesmos deveres e oferecem, equitativamente, justiça social e oportunidade na luta pela vida. A disciplina política tem de ser baseada na justiça social, amparando o trabalho e o trabalhador, para que este não se considere um valor negativo, um pária à margem da vida pública, hostil ou indiferente à sociedade em que vive.”  

Relendo este discurso de Getúlio Vargas fica claro onde se encontra o caminho político do trabalhismo. Onde se encontra a linha da história brasileira.

E fica mais claro do que nunca porque FERNANDO HENRIQUE CARDOSO DISSE QUE SERIA O FIM DA ERA VARGAS. Isso foi dito num discurso dele no Senado, em 1994, quando já fora eleito Presidente da República. A frase era o resumo do programa neoliberal: Estado Mínimo, economia de Mercado, atrelamento aos EUA, trabalhadores como consequência e não como causa da história.


Agora, então, com os preconceitos emitidos por ele, não tem como fugir de que FHC não mentiu quando mandou esquecer tudo que escreveu sobre a teoria da dependência. Por isso ele falava em Neobobos, em Vagabundos ao se referir a aposentados e se vangloriava de falar inglês.  
Um trecho da entrevista de Lula a Mino Carta:

"Porque há quem, neste momento eleitoral, fique brincando com Bolsa de Valores, especulando, ganhando dinheiro, comprando e vendendo. E é importante o povo ficar atento. Eu fui candidato muitas vezes, perdi eleições muitas vezes, sei das safadezas que eles fazem com a Bolsa. E quer saber de uma coisa, sem radicalismo? Eu nunca pedi voto para o mercado. Eu não sei quantos votos tem esse mercado, o que sei é que o povo tem voto, para ele que a gente tem de pedir voto. E eu quero voto do rico, da classe média, do profissional liberal, do sem-teto, do sem-terra, do com-terra, eu quero voto de todo mundo, porque todo mundo é brasileiro e tem de ser tratado com igualdade de condições. O que eu digo e a Dilma diz: nós governamos este País para todo mundo, agora o braço do Estado tem de estar mais atento às pessoas mais necessitadas. E este país que precisamos fortalecer, onde todo mundo seja tratado com igualdade de condições, onde a escola seja efetivamente de qualidade. Através da educação se estabelece a oportunidade de ascensão social."

"Mas há quem não queira, a possibilidade de ascensão oferecida a todo mundo."

"Uma vez, muito tempo atrás, almoçava com você (Mino Carta), o Weffort, que o secretário-geral do PT (saiu e se aliou a FHC), o Jacó Bittar (um dos fundadores do PT e prefeito de Campinas atualmente no PSB), e eu fui ao banheiro e, ao voltar à mesa, passei diante de duas senhoras e ouvi: “Ele diz que é pobre, mas está comendo aqui onde a gente come”. E o Jacó revidou: “E a senhora que vai pagar a conta dele? Sou eu que vou pagar a conta dele”."


"O sociólogo Fernando Henrique Cardoso, quando pronunciou sua frase infeliz, retratou um sentimento histórico da elite brasileira, algo que vem desde o tempo da Coroa."  

sábado, 11 de outubro de 2014

No "limite da irresponsabilidade" - José Nilton Mariano Saraiva

O termo “mensalão” não consta de qualquer dicionário e foi introduzido na arena política brasileira pelo deputado Roberto Jefferson (posteriormente condenado), a fim de designar um pretenso pagamento mensal a deputados corruptos, em troca de votos para aprovação de matérias de interesse de governos, estadual e federal.

Conhecidos, dois foram os “mensalões” da vida: o “mensalão-original”, o de Minas Gerais, cuja principal beneficiário foi o então governador do PSDB, Azeredo da Silveira e que até hoje não foi julgado; e, o “mensalão-genérico”, o de Brasília, que envolveu uma série de parlamentares da base aliada do governo, e que teve julgamento “vapt-vupt”, com os seus integrantes condenados e presos. Em ambos, uma similitude: o mesmo operador, o mineiro Marcos Valério.

O “porquê” do mensalão ocorrido posteriormente (o de Brasília) já ter sido julgado, em detrimento do que lhe precedeu (o de Minas) - que permanece perambulando de gaveta em gaveta no judiciário mineiro, é algo que causa curiosidade. Pois é exatamente aí que o senhor Aécio Neves, quando questionado sobre corrupção, se escora para escamotear a verdade: no seu “juízo de valor”, como o senhor Azeredo da Silveira ainda não foi julgado (embora todos saibam da “desenvoltura” com que agia na obtenção dos votos) , não se pode considerá-lo culpado. E PT saudações.

A reflexão é só pra lembrar que agora, quando um estranho “vazamento seletivo” da Justiça Federal do Paraná é divulgado, trazendo declarações de dois mafiosos que operavam junto a inúmeros políticos que se beneficiaram de polpudas “propinas” na Petrobrás, a mídia nacional, sem que sequer as investigações tenham começado, de pronto trata de condenar o governo federal.

Como estamos às vésperas de um segundo turno de uma eleição presidencial e o senhor Aécio Neves concorre diretamente com a atual Presidenta da República, Dilma Rousseff, eis que o seu “juízo de valor” a respeito da necessidade de julgamento para que haja uma condenação, metamorfoseia-se: assim, conforme deixou claro, também aqui (tal qual no julgamento do mensalão brasiliense), não há necessidade nenhuma prova comprobatória do possível crime. Basta a denúncia de dois reconhecidos bandidos para que se chegue à conclusão que o governo é corrupto, que o ocorrido na Petrobrás teve orientação do governo, que o governo comandava tudo. Só que qualquer brasileiro com um mínimo de discernimento e bom senso sabe que o presidente Lula da Silva e a Presidenta Dilma Rousseff nunca compactuaram e não compactuam com a corrupção.

No mais, é estranho que o senhor Aécio Neves, visando benefícios pessoais, oblitere propositadamente o ocorrido no governo do PSDB, comandado por FHC, quando: a) dezenas de parlamentares foram agraciados com R$ 200 mil (cada), a fim de aprovar a emenda da reeleição (aí, sim, a corrupção foi generosa); b) que, naqueles dias, a sala da presidência do BNDES serviu de “esconderijo” à quadrilha comandada por Mendonça Barros, que orientado por FHC (existe um até áudio, a respeito) entregou as principais empresas brasileiras a preço de banana em fim de feira, aos espertalhões da vida; c) que moedas podres e até empréstimos subsidiados pelo governo (pelo mesmo BNDES que hoje criticam) foram disponibilizados a quem quisesse se habilitar em tais leilões; d) que o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil  (a Previ), foi saqueado até o “limite da irresponsabilidade”, conforme declarou Roberto Sérgio, seu presidente, visando beneficiar o bandido Daniel Dantas, na compra do setor de telecomunicações.

Alfim, resta lembrar que a atuação desses aloprados dentro da Petrobrás foi descoberta pela Polícia Federal, que é subordinada ao Ministério da Justiça, que por sua vez deve obediência a Presidência da República. E que o funcionário envolvido foi sumariamente demitido pela presidenta Dilma Rousseff, quando esta tomou conhecimento da maracutaia.

Cabe agora ao Judiciário julgar e condenar os parlamentares e empresas que participaram desse assalto aos cofres públicos.

Márcio Valley (transcriçãof)

Como um intelectual (FHC) pode se unir à grita da corrupção generalizada petista assim, de forma tão leviana? Sem o adensamento das causas? Sem uma perspectiva histórica? Sem analisar o sistema legal que proporciona tais desvios? Sem uma análise comparativa? Sem qualquer pronunciamento sobre a existência ou não das ações de combate? 
A corrupção inexistia no Brasil pré-PT ou nasce a partir da assunção desse partido? A malfadada governabilidade no Brasil - e seus filhos diletos, o fisiologismo e o patrimonialismo - é uma pré-condição do exercício do poder ou somente foi e será praticada pelo PT, mas não por outros partidos que eventualmente venham a conquistar o governo? Em outras palavras, é possível a qualquer partido governar sem se render aos clamores e anseios de sua inexoravelmente necessária base de apoio?
UM DOS PRIMEIROS ATOS DE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO (PSDB) , ASSINADO SOMENTE DEZOITO DIAS DEPOIS DE TOMAR POSSE, ATRAVÉS DO DECRETO 1.276/1995, FOI EXTINGUIR A COMISSÃO PARA INVESTIGAR A CORRUPÇÃO, COMISSÃO QUE HAVIA SIDO CRIADA EM 1993, POR ITAMAR FRANCO. 
LULA, NO 1º DE JANEIRO DE 2003, PRIMEIRO DIA DO SEU GOVERNO, ASSINOU A MP n° 103/2003 (DEPOIS LEI 10.683/2003), CRIANDO A CONTROLADORIA GERAL DA UNIÃO, E ATRIBUINDO AO SEU TITULAR DENOMINAÇÃO DE MINISTRO DE ESTADO DO CONTROLE DA TRANSPARENCIA, O QUE IMPLICOU ELEVAR O STATUS ADMINISTRATIVO DA PASTA E SINALIZOU AOS SUBALTERNOS O NORTE A SER ORIENTADO.
Nos oito anos de governo do PSDB, com FHC, a Polícia Federal realizou um total de 48 (quarenta e oito) operações, ou seja, uma média de seis operações por ano. Nos doze anos de governo do PT, esse número saltou para cerca de duas mil e trezentas, o que dá uma média de mais de 190 (cento e noventa) por ano.
Ao assumir, o governo do PT encontrou cerca de cem varas federais. Agora já são mais de quinhentas. Como você sabe, ou deveria saber, são as operações da Polícia Federal e as varas da Justiça Federal que, no âmbito federal, investigam, combatem e julgam os crimes de corrupção. Durante o governo do PSDB, havia Geraldo Brindeiro, o “engavetador geral da república”.
Durante o governo do PT poderosos membros do governo em exercício foram investigados, denunciados pelo Procurador Geral da República (não mais um “engavetador”), julgados, condenados e presos por corrupção. Você pode não apreciar a famosa expressão do Lula, “nunca antes na história desse país”, mas, quanto a esse fato, é possível desmenti-la? Quando e em que circunstâncias isso, antes, ocorreu?
O que não dá é para alcunhar o PT de “dono espúrio de um Brasil que é de todos nós”, uma frase de efeito cujo único objetivo é o aplauso fácil. Ou de falar em “aparelhamento do Estado”, um mantra que pode ser considerado bonitinho para aqueles que ignoram as formas pelas quais se materializam os processos políticos, mas que se torna ridículo se proferido por um intelectual (FHC) ciente de que o aparelhamento do Estado faz parte do processo democrático, uma vez que todo partido que chega ao poder preenche os espaços de indicação política existentes no governo justamente como meio de oferecer aos eleitores a direção política que eles escolheram através da eleição livre. Ou você acha que o PSDB não “aparelhou” o governo federal, quando lá esteve, ou, atualmente, não nomeou todo e cada um dos cargos políticos de livre nomeação no Estado de São Paulo durante esses vinte anos de seu governo (algo a dizer sobre a “perpetuação no poder” em São Paulo?).


A LOUCURA BATEU DO LADO DE LÁ (CAPITÃO WÁGNER)

No dia 05 de outubro de 2014, após indicar um Poste e ver a dificuldade mesmo com o derramamento de dinheiro na candidatura do Camilo Banheiro Santana, o irmão do Governador, Secretário de Saúde (que não existe no nosso Estado) Ciro Gomes, PROVAVELMENTE APÓS TER INALADO ALGUMA SUBSTANCIA QUE LHE TIROU O JUÍZO e após verificar que eu fui eleito o Deputado Estadual mais votado da história política do Ceará, o dito criminoso se dirigiu a uma casa localizada na Rua José Vilar 335, em frente a residência oficial do Governador, subiu no muro da residência e com uma faca pinicou um banner que tinha minha propaganda eleitoral. A proprietária da casa ficou muito assustada em virtude dos gritos e facadas que o criminoso proferiu no material de propaganda eleitoral. O Secretário de Saúde (criminoso) ainda disse que se soubesse quem tinha colocado aquele banner no local daria um tiro na cara. A família se encontra apavorada e com medo de represálias por se tratar do irmão do Governador. QUERIA VER SE ESSE SECRETÁRIO DE SEGURANÇA DO ESTADO É HOMEM DE VERDADE E HONRA A SUA FUNÇÃO E MANDA ABRIR UM INQUÉRITO CONTRA O ACUSADO. Dia desses ele obrigou um Delegado a fazer um Inquérito contra mim por conta de uma postagem no facebook. Será que esta postagem ele vai ler? O próprio Governador agrediu durante a Copa do mundo um cidadão e nunca foi aberto um Inquérito para apurar o caso. Esse é o secretariado que temos no Estado do Ceará. Ah! Dr. Servilho se quiser abrir outro Inquérito contra mim e coagir os Delegados para me indiciarem: Fique a vontade!!!!!

Carta para além do muro (ou por que Dilma agora) - Jean Wyllis

Aécio representa uma coligação de partidos de ultradireita, com uma base ainda mais conservadora que a do governo Dilma no Parlamento.( Por Jean Wyllys)

O muro não é meu lugar, definitivamente. Nunca gostei de muros, nem dos reais nem dos imaginários ou metafóricos. Sempre preferi as pontes ou as portas e janelas abertas, reais ou imaginárias. Estas representam a comunicação e, logo, o entendimento. Mas quando, infelizmente, no lugar delas se ergue um muro, não posso tentar me equilibrar sobre ele. O certo é avaliar com discernimento e escolher o lado do muro que está mais de acordo com o que se espera da vida. O correto é tomar posição; posicionar-se mesmo que a posição tomada não seja a ideal, mas a mais próxima disso. Jamais lavar as mãos como Pilatos – o que custou a execução de Jesus – ou sugerir dividir o bebê disputado por duas mães ao meio. Sei que cada escolha é uma renúncia. E, por isso, estou preparado para os insultos e ataques dos que gostariam que eu fizesse escolha semelhante às suas. Por respeito à democracia interna do meu partido, aguardei a deliberação da direção nacional para dividir, com vocês, minha posição sobre o segundo turno. E agora que o PSOL já se expressou, eu também o faço.
Agora, no segundo turno, a eleição é entre os dois candidatos que a população escolheu: Dilma Rousseff e Aécio Neves. E eu não vou fugir dessa escolha porque, embora tenha fortes críticas a ambos, acredito que existam diferenças importantes entre eles.
A candidatura de Aécio Neves – com o provável apoio de Marina Silva (e o já declarado apoio dos fundamentalistas MAL-AFAIA e Pastor Everaldo; do ultrarreacionário Levy Fidélix; da quadrilha de difamadores fascistas que tem por sobrenome Bolsonaro e do PSB dos pastores obscurantistas Eurico e Isidoro) – representa um retrocesso: conservadorismo moral, política econômica ultraliberal, menos políticas sociais e de inclusão, mais criminalização dos movimentos sociais, mais corrupção (sim, ao contrário do que sugere parte da imprensa, o PT é um partido menos enredado em esquemas de corrupção que o PSDB), mais repressão à dissidência política e menos direitos civis.
Mesmo com todos as críticas que eu fiz, faço e continuarei fazendo aos governos do PT, a memória da época do tucanato me lembra o quanto tudo pode piorar. Por outro lado, Aécio representa uma coligação de partidos de ultradireita, com uma base ainda mais conservadora que a do governo Dilma no Parlamento. Esse alinhamento político-ideológico à direita entre Executivo e Legislativo é um perigo para a democracia.
Vocês, que acompanham meus posicionamentos no Congresso, na imprensa e aqui sabem o quanto eu fui crítico, durante esses quatro anos, das claudicações e recuos do governo Dilma e do tipo de governabilidade que o PT construiu. Mas sabem, também, que tenho horror a esse antipetismo de leitor da revista marrom, por seu conteúdo udenista, fundamentalista religioso, classista e ultraliberal em matéria econômico-social. Considero-o uma ameaça às conquistas já feitas, que não são todas as que eu desejo, mas existem e são importantes, principalmente para os mais pobres. As manifestações de racismo e classismo que vi nos últimos dias nas redes sociais contra o povo nordestino, do qual faço parte como baiano radicado no Rio, mais ainda me horrorizam.
Por isso, aderindo à posição da direção nacional do PSOL, que declarou "Nenhum voto em Aécio", eu declaro que, neste segundo turno das eleições, EU VOTO EM DILMA e a apoio, mesmo assegurando a vocês, desde já, que farei oposição à esquerda ao seu governo (logo, uma oposição pautada na justiça, na ética, nas minhas convicções e no republicanismo), apoiando aquilo que é coerente com as bandeiras que defendo e me opondo ao que considero contrário aos interesses da população em geral e daqueles que eu represento no Congresso, como sempre fiz.
Hoje, antes de dividir estas palavras com vocês, entrei em contato com a coordenação de campanha da presidenta Dilma para antecipar minha posição e cobrar, dela, um compromisso claro com agendas mínimas que são muito caras a mim e a todas as que me confiaram seu voto.
E a presidenta Dilma, após argumentar que pouco avançou na garantia de direitos humanos de minorias porque, no primeiro mandato, teve de levar em conta o equilíbrio de forças em sua base e priorizar as políticas sociais mais urgentes, garantiu que, desta vez, vai:
1. fazer todos os esforços que lhe cabem como presidenta para convencer sua base a criminalizar a homofobia em consonância com a defesa de um estado penal mínimo;
2. fazer todos os esforços que lhe cabem como presidenta para mobilizar sua base no Legislativo para legalizar algo que já é uma realidade jurídica: o casamento CIVIL igualitário (ela ressaltou, contudo, que vai tranquilizar os religiosos de que jamais fará qualquer ação no sentido de constranger igrejas a realizarem cerimônias de casamento; a presidenta deixou claro que seu compromisso é com a legalização do CASAMENTO CIVIL – aquele que pode ser dissolvido pelo divórcio – entre pessoas do mesmo sexo);
3. realizar maior investimento de recursos nas políticas de prevenção e tratamento das DSTs/Aids, levando em conta as populações mais vulneráveis à doença;
4. dar maior atenção às reivindicações dos povos indígenas, conciliando o atendimento a essas reivindicações com o desenvolvimento sustentável;
5. e implementar o Plano Nacional de Educação (PNE) de modo a assegurar a todos e todas uma educação inclusiva de qualidade, sem discriminações às pessoas com deficiências físicas e cognitivas, LGBTs e adeptos de religiões minoritárias, como as religiões de matriz africana.
Por tudo isso, sobretudo por causa desse compromisso, EU VOTO EM DILMA e apoio sua reeleição. Se ela não cumprir serei o primeiro a cobrar junto a vocês.


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

NEM OS MEGATONS E AS CASTRAÇÕES QUÍMICAS EXTERMINAM - José do Vale Pinheiro Feitosa


Eita povo das gerais. Sul da Bahia. Descambando para o São Francisco.
Eita povo que nem nóis. Que contorna os abrolhos só prá sentir os teus ói.
Eita povo deste meu Brasil, negro, branco e mulato, índio das raízes,
Eita povo dos sertões do Mato-Grosso, a fulô na espera do Cuitelinho,
Eita povo das segadas do café, neste São Paulo do tombo para ficar em pé,
Eita povo dos pampas, das montanhas, das dunas, das matas, das marés.
Eita povo que nem nóis. Aqui pru modi nóis a linguagem Catrumana.
A linguagem que nem castração química conseguirá acabar,
A linguagem que resiste à megatons de tanta besteira vinda do hemisfério norte.

Catrumano - a palavra vem de quadrúmano, que tem quatro mãos. Foi usada para se referir aos primatas que têm pés assemelhados às mãos. No dicionário existe a escrita variante quatrumano que deu origem à escrita da linguagem Catrumano. A linguagem especial do norte de Minas Gerais e do Sul da Bahia. Tem até dicionário, como foi feito o dicionário do cearensês. Mas escutem como as palavras são as mesmas usadas por nós.

Nós, viu gente boa, os nordestinos.

NÃO PEÇA AUMENTO E TENHA UM BOM CARMA - José do Vale Pinheiro Feitosa

Todo mundo sabe que patrão quer sempre ganhar nas costas dos trabalhadores. Que também é verdade que trabalhador quer ganhar mais e que as condições de trabalho melhorem.

Quando se organizaram em sindicatos, os trabalhadores sabiam que sem uma pressão coletiva não receberiam o salário justo. Patrão nenhum vai querer pagar o justo pois é da convenção econômica do capital que ele deve ganhar cada vez mais sobre o mesmo.

A verdade é que o ganho de produtividade, em que pese a era da informação, está sendo conseguido sobre o achatamento do ganho dos trabalhadores. Daí a enorme concentração de renda em toda a cadeia produtiva.

Agora leiam o que disse um executivo da Microsoft numa Celebração da Mulher na Computação. Antes uma explicação: a questão principal na Celebração era o fosso salarial das mulheres em relação aos homens em se tratando do mesmo serviço.

Se não é, deve ter origem Hindu, Satya Nadella, executivo da Microsoft: “Mulheres que não pedem aumentos salariais possuem “superpoderes” e aquelas que se submetem calada a um cenário de defasagem salarial para seus colegas homens têm “karma bom” e são dignas de confiança...”

Maria Klawe que mediava a mesa no momento da frase de Satya contou que quando trabalhava numa universidade descobriu que ganhava menos $50 mil por ano do que devia e dirigindo-se às mulheres na plateia disse: “Faça seu trabalho. Não seja estúpida como eu.


Satya Nadella caiu na arapuca que os arautos do Mercado trombeteiam a todos ouvidos. São estes os que querem voltar montados no cavalo alazão da corrupção. Dos outros, não a nossa de cada dia.  

PÃO, TERRA E LIBERDADE - José do Vale Pinheiro Feitosa

As semelhanças simbólicas são reais nos dias de hoje e nas decisões eleitorais que tomaremos nos próximos dias. E tomaremos tais decisões em relação a governadores e à Presidência da República. As semelhanças são com a dicotomia logo após a Revolução de Trinta que impregnava o debate político não apenas aqui no Brasil. Era o debate entre esquerda e direita.

Um debate agudizado por posições extremadas advindas de tempos difíceis que no desespero levavam a soluções autoritárias como na União Soviética e no Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Mas não excluamos o que acontecia de conservadorismo de direita exacerbada na Inglaterra (um rei que veio abdicar que era simpático a Hitler) e na França.

No debate agudo tudo se resumia a Fascismo e Comunismo. No entanto é preciso que ao descer ao íntimo dessas coisas perceba-se que aí vai encontrar forças políticas que jogam de um lado e outro nem sempre com arraigada convicção ideológica. E isso por que?

É que o sectarismo ideológico é músculo apenas, enquanto a realidade é inteligência e capacidade de construir algo mesmo diante de contradições. De qualquer modo o debate continua superando impregnações de modo que é sempre possível que se observe o campo das ideias como mais do que um cérebro ou um corpo. As ideias são construções de muitos e refletem como este coletivo sofre, interpreta e procura interagir com a realidade.

Há muito que saí da minha terra e do meu lugar. Aquele bairro que se formava virou uma grande aglomeração. Uma aglomeração muito diferente da que vivi, e vivi em cada casa, em cada rua, como se vive um lugar. A diferença deve ser muito grande em quantidade, mas a qualidade do povo e de suas necessidades continua uma questão a ser superada. Superada pela vontade deste povo e o seu primeiro passo é o voto. O voto no lado simbólico que lhe cabe.

Agora pegando o lema dos Integralistas naqueles tempos remotos: “Deus, Pátria e Família”. É o lado autoritário e conservador de ser: pensa em Deus não como o criador, mas o feitor, o capitão do mato de todos os trabalhadores. Pensa na Pátria não como a união de nordestinos a todas as regiões, mas como a República Piratininga que submete todos a sua vontade. Pensa na família não como nossas raízes afetivas e genéticas, pensa nas famílias poderosas que precisam se unir para controlar a gentinha sem hereditariedade ducal.


Pão, terra e liberdade. Pensa no Pão porque a fome é o primeiro passo a ser superado para que se tenha um tempo neste mundo. Pensa na terra porque é nela que se realiza a vida na sua unidade familiar, na duração histórica e na identidade cultural (eita nós, os nordestino). E pensa na Liberdade porque esta é a raiz de tudo, especialmente da juventude e sua capacidade de incomodar o banquete dos bem postos. 

Everardo Norões!

 
OS CINCO ELEMENTOS
Por que água?, perguntas.
Porque se insinua entre fendas,
brota entre pedras,
confunde as esferas,
toma a forma do Mundo.
Por que vento?
Esvai-se entre ramos,
desliza entre abismos,
canta a voz que cede.
Por que fogo? inquires.
Circunda o nome,
labareda a sombra,
desintegra a alma:
e tudo torna cinza.
Por que terra? interrogas.
Porque submete os passos,
e quando a olhamos,
do alto,
sabemos do pó
a humana condição.
Por que céu?
Um silêncio alisa tua pele:
entre folhas,
um sopro se desprende.
Fogo e água…


NAUSEA MATINAL
Restos de falas na mesa
e a náusea matinal.
O bule, a xícara, os copos.
A mão, submersa no sal,
da tarde, na planície,
tão clara, dessa mesa,
onde deslizam os repastos
da habitual tristeza
que cobre a toalha branca
de rendas. E essa fome,
bordada sobre a mesa
como as iniciais de um nome.
O jarro com flores e
as cinzas do outro dia,
fugindo aos arabescos
das rendas, tão frias,
como as coisas distantes
que nos aguardam à mesa:
o leite, o bule, o café,
o sono, a morte, a incerteza.