por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sexta-feira, 18 de julho de 2014

Aninhar-se

Entender as mulheres
Não é tão aventuroso.

Risco de hospício
Ou jardinagem.

Basta-nos ouvi-las
(Escutá-las)

E abraçá-las
Naquelas noites
Em que as suas marés
E suas luas partem sem elas.

As mulheres até sobrevivem
Sem os seus amados, mas
Das suas luas e marés

Nem em sonhos
Podem viver
Distantes.


KAIKA, CONVIDA!

 
Amanhã a noite promete ser muito especial. A banda Os Águias de Barbalha promete fazer uma festa inesquecível, assim como são inesquecíveis o que de bom já passamos e ainda vamos passar nos salões do Crato Tênis Clube. Será uma noite onde rever amigos, fotografar, abraçar, dançar e amar será a tônica da festa. Vamos abraçar esse momento de uma forma bem especial. Vamos curtir e viver a alegria de estarmos juntos nesse momento tão bacana. Esperamos você lá para, juntos, "Dançar a noite inteira sem parar".
Foto de Kaika Luiz.



 
 

quinta-feira, 17 de julho de 2014

A "contundência" dos números - José Nilton Mariano Saraiva

Aqueles que, meses atrás, ensandecidos e apopléticos, pregavam que “não vai ter Copa” ou que, se houvesse iríamos passar vergonha ante o mundo todo durante sua realização (o tal Ronaldo “Gordo” Nazário, por exemplo), a esta hora devem estar “bufando de raiva” com o sucesso da Copa das Copas, a maior de todas as Copas, a Copa do Mundo do Brasil.

Tal constatação pode ser observada nos números da pesquisa do Instituto Data-Folha, relativos à avaliação feita por 2.209 estrangeiros de mais de 60 países nos aeroportos de São Paulo, Rio, Brasília, Belo Horizonte, Salvador e Fortaleza, entre os dias 1º e 11 de julho.

São números contundentes e irrecorríveis, a saber: 

a) 95,0% dos turistas estrangeiros avaliaram a recepção propiciada pelos brasileiros como ÓTIMA ou BOA, daí estarem dispostos a voltar mais à frente, para um período mais longo (férias); b) 61,0% estiveram no país pela primeira vez nesta Copa do Mundo; c) 92,0 % dos visitantes elogiaram o CONFORTO E A SEGURANÇA dos estádios da Copa; d) 84,0% dos entrevistados avaliaram a organização da Copa como ÓTIMA ou BOA (12% a consideraram regular); e) 84,0% dos que nos visitaram rotularam de ÕTIMA ou BOA as atrações turísticas: f) 83,0% dos estrangeiros se disseram POSITIVAMENTE SURPRESOS com o Brasil;  g) 76,0% dos “gringos” aprovaram a qualidade do transporte aéreo e dos aeroportos; h) 73,0% consideraram ÓTIMA ou BOA a qualidade do transporte até as arenas;  i) 69,0% dos visitantes disseram que gostariam de morar no Brasil; j) 46,0% dos visitantes avaliaram a mobilidade urbana melhor do que o esperado; k) 41,0% aprovaram os sistemas de comunicação (aqui, precisamos  melhorar); l) 98,0% acharam os brasileiros simpáticos; m) 84,0% rotularam o brasileiro de honesto;  n) 92,5 foi a nota data pela FIFA para a “nossa” Copa do Mundo. 
       
Tão "contundentes" números nos fazem lembrar que, faltando apenas um mês para o início da Copa do Mundo, boa parte da imprensa internacional, tendo por base relatos de segmentos desonestos da mídia brasileira (a tal da VEJA, por exemplo), publicou matérias depreciativas em relação ao nosso país, duvidando que tivéssemos condições de patrocinar um evento internacional de porte como uma Copa do Mundo; particularmente emblemática foi a principal revista alemã “Der Spiegel”, que publicou uma edição que trazia na capa uma “bola de futebol” pegando fogo e cruzando o céu da Baía de Guanabara, como que alertando sobre os riscos que rondavam a Copa do Mundo; ou seja, quem se arriscasse a vir pra cá teria que ter muito cuidado, senão, não voltaria pra casa. A nossa Copa, diziam, estaria fadada ao fracasso e seria um iminente perigo em termos de segurança.
Mas, como nada é melhor que um dia atrás do outro (com uma noite no meio, evidentemente), hoje, ante a realidade de uma Copa do Mundo exemplar em termos de organização, segurança, mobilidade, recepção carinhosa do nosso povo e da infra-estrutura que encontraram no país, esses mesmos veículos tiveram a DIGNIDADE de se desculpar (em primeira página), ao tempo em que enalteciam o Brasil como uma grande, potente e bonita nação, habitada por um povo alegre e simpático.
Pra desespero dos “bufões ensandecidos”.


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Como entender um mistério? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Certa vez, eu e Magali, minha querida mulher e companheira por essas estradas da vida, fomos convidados para falar para um grupo de jovens casais que se preparavam para o casamento. É claro que além da nossa experiência pessoal, consultamos alguns livros. Num deles, vi algo que muito me emocionou e me transportou para quando eu me preparava para fazer a minha primeira comunhão, com as aulas de catecismo da minha querida e saudosa tia Esmeraldina. De repente, minha memória me fez ouvir a voz dela perguntando sobre o mistério da Santíssima Trindade: "O Pai é Deus?" "O Filho é Deus?" "O Espírito Santo é Deus?" A cada uma dessas perguntas eu respondia sim, sem nada entender. E acredito que ninguém ainda hoje entenda tais mistérios. Mas lendo o livro “Os Sacramentos” de Dom Hilário Moser*, encontrei uma definição de Deus que satisfaz a quem pensa como eu, em aceitar a existência desse mistério principal da nossa fé. Abaixo, tomo a liberdade de compartilhar com aqueles que se deram ao trabalho de ler este singelo texto, a mesma emoção que eu senti ao ler as palavras de Dom Hilário.      
 
“O nosso Deus não é um Deus solitário, é um Deus-Família. Ele é Pai que tem um Filho. E o amor que vai do Pai ao Filho e do Filho ao Pai é tão perfeito que é uma Pessoa, o Espírito Santo. Assim, em Deus há uma contínua corrente de amor entre as três Pessoas divinas. O Pai está todo voltado para o Filho, o Filho está todo voltado para o Pai, e o Espírito Santo mantém Pai e Filho voltados um para o outro. Este é o grande mistério da Santíssima Trindade. É difícil para nós, criaturas, entender esse mistério, mas assim é o nosso Deus e é assim que a Bíblia nos fala de Deus.”

Descobrimos que essas sábias palavras têm tudo a ver com a formação de uma família, onde o amor deve fluir entre o casal e os filhos, da mesma forma que circula na suprema divindade. O amor do marido para a mulher, o amor da mulher para o marido deve ser tão intenso quanto o amor dos pais para com os filhos e dos filhos para com os pais. Isto nada mais é que o reflexo do amor de Deus atuando sobre a família. Se todas as famílias do mundo colocassem esse mistério em suas vidas, vivendo sob o influxo do Espírito Santo, certamente não existiria tantas agressões entre os seres humanos, não haveria guerras, exploração do homem pelo homem e a pobreza; não somente a pobreza material, mas principalmente a pobreza moral, a maior de todas as misérias.   

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

* (Dom Hilário Moser é bispo emérito de Tubarão SC)

terça-feira, 15 de julho de 2014

A "presença da ausência" - José Nilton Mariano Saraiva

Claro que, em razão da Copa do Mundo de realizar “NO” Brasil, tinha que ser “DO” Brasil, principalmente em razão do nosso “pedigree” na matéria; claro que, mesmo e apesar das limitações do nosso time, num jogo normal e incentivados por uma torcida numerosa e vibrante, tínhamos, sim, absoluta e plena condição de bater a seleção da Alemanha e seguir em frente; claro que tal não aconteceu em razão da escolha de uma opção tática pra lá de equivocada da nossa experimentada comissão técnica (que, sabe-se agora, lamentavelmente não envelheceu só biologicamente) e pisou feio na bola (e isso em plena semifinal de uma Copa do Mundo) já que oferecendo “de bandeja” o meio campo aos alemães, onde eles sempre são mais fortes e trafegam com extrema facilidade; claro que, ao contrário dos alemães (como era previsível) quem tremeu foram alguns dos nossos (Fernandinho e Bernard, por exemplo) e isso comprometeu o desempenho do time como um todo; claro que um placar desmoralizante e imoral desses (7 x 1) é algo improvável e atípico em um jogo de duas seleções poderosas, principalmente em uma disputa de Copa do Mundo e dificilmente (ou jamais) repetir-se-á (mas será lembrado, ad eternum, exatamente pela atipicidade);  enfim, foi uma partida desastrada, surreal mesmo, tanto que os próprios alemães (demonstrando um “respeitoso constrangimento”), se abstiveram de comemorar como mereciam (e trataram de enfatizar isso, pós-jogo), porquanto claramente diminuíram o ritmo durante o segundo tempo (poderiam, sim, ter feito 10 ou mais gols, se continuassem com o mesmo vigor, tal a pasmaceira que tomou de conta dos nossos jogadores e seu comando-caduco).

No mais (e nisso parece ser proibido falar), tivemos também a derrota da mídia brasileira. É que, antes de se preocupar com os adversários do Brasil propriamente, a atenção maior foi, antes e durante a Copa (e até agora, após) tentar incutir da mente dos torcedores que a seleção tinha um novo “líder” capaz de guiá-la ao “olímpo”, levá-la aos píncaros da glória, guindá-la ao panteão dos heróis imortais: o tal Neimar (cai, cai) que, no nosso entendimento, é apenas um bom jogador e não esse fenômeno que propagam.

Ora, amigos, “liderança” não se encontra disponível nas prateleiras das bodegas do interior, ou nas gôndolas dos grandes supermercados das capitais ou nas bancas das feiras-livres da periferia; “liderança” não se compra, não se impõe, não se transfere e nem se atribui via decreto, bilhete, norma, portaria ou coisa que o valha. “Liderança” é algo de berço, natural, carismática, única, personalíssima. E disso o tal Neimar é desprovido, do dedão do pé à cabeleira moicana-tingida.

Assim, nada mais hipócrita que a recorrente imagem da TV mostrando no túnel de acesso ao gramado o tal Neimar abraçando um a um os colegas, antes de cada partida, ao tempo em que o narrador global destacava sua forte “liderança” ante os demais; nada mais cafona do que a imagem dos jogadores entrando em campo para uma semifinal de Copa do Mundo usando “bonés” personalizados, saudando o tal Neimar (fora do jogo, por contusão); nada mais ridículo que exibir, durante o canto do Hino Nacional, a camisa do tal Neimar, como se fora ele um “herói” já falecido, a quem todos devêssemos reverência (passa longe disso).

E talvez por isso mesmo, por se preocuparem demasiadamente com um “ausente”, foi que os jogadores da seleção brasileira literalmente não se fizeram “presente” no jogo decisivo. Burra e irrestrita solidariedade ???

Ainda por cima, nada mais inapropriado e extemporâneo que trazê-lo de volta da boa vida que desfrutava na praia (para a concentração), depois de tê-lo dispensado (já que contundido), objetivando “liderar” os colegas na batalha pelo terceiro lugar do torneio (aí, a emenda saiu pior que o soneto, porquanto o “distinto” se sentiu à vontade para, do banco, desrespeitosamente “assumir” o lugar do Felipão, no tocante à orientação dos que estavam em campo (e você já parou pra pensar num time “orientado” pelo tal Neimar ???). Deu no que deu.

Vida que segue.

A lamentar, que a menininha que “...não tava nem na barriga da minha mãe quando o Brasil foi campeão”, vá ter que esperar por um pouco mais de tempo pra ver isso (ou, quem sabe, seja a sua futura filha que terá o privilégio).


O Sensacionalismo da Imprensa - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Os nossos meios de comunicação, além de defenderem os interesses de seus donos, vivem de notícias. E quanto mais catastróficas e violentas elas são, maior é a sensação que seus repórteres experimentam ao darem a noticia. Eis um belo exemplo:

Em um domingo à noite de maio de 1971, eu voltava de uma sessão de cinema, quando a um quarteirão do prédio onde morava, uma chuva inesperada irrompeu com toda impetuosidade sobre a cidade de Salvador. E choveu sem parar durante três noites e três dias, como eu nunca havia visto antes. A chuva finalmente parou ao final da tarde da quarta-feira. Foram 850mm de chuva em menos de 72 horas, um dilúvio para o qual nenhuma cidade brasileira está preparada. As conseqüências, como se era de esperar foram deslizamentos das encostas desprotegidas, desabamento de residências, vidas humanas ceifadas, crateras abertas nas ruas por onde antes havia rede pluvial de esgotos. E a adutora para abastecimento d'água da cidade foi deslocada de seu curso, interrompendo o fornecimento por alguns dias.

Por uma singular coincidência, nosso professor da disciplina de hidrologia era um diretor da companhia de abastecimento d'água. Ao ser entrevistado por repórteres dos jornais, rádios e televisão ele explicou que uma chuva daquelas somente ocorreria de cem em cem anos, conforme a lei de recorrência das estatísticas hidrológicas. Para nossa surpresa, eis as manchetes dos jornais no dia seguinte ao da entrevista:
"Engenheiro confirma: choveu por cem anos em Salvador!"

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O "legado intangível" - José Nilton Mariano Saraiva

Silentes, omissos, protegidos pelo manto da escuridão (e torcendo fervorosamente contra, durante todo o desenrolar da competição), agora que o Brasil perdeu a Copa do Mundo mais fácil da história, os “engenheiros de obras prontas” de repente rompem o casulo e já tratam de culpar o governo pelo desastre do Mineirão, prenunciando que o resultado se refletirá nas próximas eleições presidenciais. Veremos.

Sabem, mas fingem ignorar: 1) que a CBF é uma instituição privada e, portanto, o Governo não tem ingerência ou como interferir nas decisões e falcatruas dos seus dirigentes corruptos, eleitos pelas também corruptas federações estaduais (exemplo: ainda hoje o tal Ricardo Teixeira, seu ex-presidente exilado em Miami, recebe uma gorda mesada mensal de dezenas de milhares de reais da CBF (dizem que mais de 100 mil reais), ninguém sabe a título de quê; e 2) que a Copa do Mundo do Brasil foi um sucesso, foi a Copa das Copas, a maior de todas as Copas, sim, e isso em razão da intervenção do governo brasileiro que, após concorrer e vencer a eleição da FIFA objetivando patrociná-la, dotou o país da infra-estrutura necessária a que todo corresse sobre os trilhos.  Ou alguém já esqueceu que meses antes era voz corrente (dos “eternamente do contra”) que os nossos aeroportos não iam ter condição de atender à demanda, que a mobilidade urbana inexistiria, que os turistas não encontrariam nenhuma segurança nas ruas e estariam entregues à sanha dos marginais, que os nossos estádios (ou arenas) não estariam prontos antes de 2038 (segundo a VEJA) ???

Pois é, pra desespero de todos eles tudo correu às mil maravilhas, não houve nada fora do normal e o nosso povo fez a sua parte tratando todos os visitantes com simpatia, distinção e cortesia (no que foram recepcionados).

Por isso, de uma coisa não tenham dúvidas: após a Copa das Copas a imagem do Brasil lá fora é uma outra, totalmente favorável, e isso se refletirá a médio prazo no aumento do fluxo de turistas e na conseqüente chegada de mais divisas. É o que poderíamos denominar de “legado intangível” (devido à eficiente e poderosa propaganda “boca-a-boca”).

E isso simplesmente porque os “gringos” (alemães, belgas, americanos, argentinos, africanos e por aí vai) adoraram o Brasil e literalmente redescobriram-no (só que mais moderno, mais aprazível, mais agradável, mais bonito e, enfim, com um povo extremamente agradável e solícito).


E os frustrados “bananas da vida” teimam em não reconhecer o óbvio.  

domingo, 13 de julho de 2014

SARAU LÍRICO/POÉTICO - poemas de José Augusto Siebra e de Stela Siebra



MEU ECUMENISMO - por José Almino Pinheiro


Minhas noções de ecumenismo começaram bem antes de ter ouvido falar nessa palavra e muito menos saber o que significava. Lá em casa, quando eu era acometido por alguma doença, um parente médico era chamado. Logo após a saída do médico, atendendo ao chamado de umas das funcionárias da casa, chegava a Comadre Chiquinha com seus galhos de pinhão roxo e água de arruda, e com muita reza realizava os trabalhos de afastamento e cura, que infalivelmente expulsava todos os malefícios, feitiços e maus olhados, que com toda certeza tinha sido vítima. Tratamento válido para todos os menores da casa, já para os adultos o trabalho era feito à revelia, longe das vistas deles.  Tudo isso sob o olhar tolerante de minha mãe e tias, católicas praticantes que, por não serem fundamentalistas, respeitavam as crenças dos outros. Afinal, na família tinha de não crentes a crentes de vários credos, todos aceitos sem censuras, além de que, por via das dúvidas era melhor não arriscar com as forças ocultas.  
Já adolescente, por várias vezes na companhia da “tia” responsável pelo afastamento dos maus olhados, visitava um Terreiro de Umbanda que existia no Alto do Seminário, no Crato. Não acreditava muito naquilo tudo. Achava muito confuso, muitos deuses, santos e orixás juntos, sincretismo complicado. Preferia acreditar nos evangelhos. Mas, confesso que gostava do ritual do terreiro, música, dança, muita cachaça, nenhum ensaio, cada um se manifestando como queria, espíritos “baixando” para  dar  algumas ordens, pedir coisas e adivinhar passado e até mesmo o futuro, como  por  exemplo que “breve iria chover ou que breve algum figurão morreria”.
Fomos alfabetizados no Instituto São Vicente Ferrer, escola pertencente à Paróquia do mesmo santo. O pároco, padre Frederico Nierhoff,  estava  alguns anos à frente do fundamentalismo religioso de muitos cratenses, que entre outras coisas discriminavam as famílias protestantes que começavam a se estabelecer na região. Com a maioria das escolas primárias particulares ligadas à igreja católica e dirigidas por religiosas quase beatas, ficava quase impossível matricular filhos dessas famílias. Mas, para o padre Frederico, matricular filhos de famílias protestante era um ato, talvez de caridade, não era pecado nem impedimento religioso.
Nos anos 70 do século passado, em Praga, saindo da faculdade depois de uma prova considerada difícil, rumo à estação do metro e passando em frente à Igreja Ortodoxa dedicada aos Santos Cirilo e Metódio, um colega do Iraque me chamou para entrar e orar para agradecer a Deus. Ponderei, já subindo os degraus, que talvez fosse falta de respeito já que eu era católico e ele muçulmano, ao que ele me respondeu: mas o Deus é o mesmo. 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O Mímico - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Participávamos eu e Magali de uma Reunião Festiva do Rotary Clube de Mauriti, por ocasião da visita do Governador do Rotary do Distrito 4490, o saudoso companheiro Agerson Tabosa, em setembro de 1984. Ao final da reunião, foram apresentados aos convidados diversos números artísticos de jovens da comunidade local. O que mais nos marcou foi a apresentação de um jovem mímico. O número por ele apresentado representava um faxineiro limpando uma fictícia parede de vidro, com uma perfeição tão grande, que parecia real.

Após a apresentação, o presidente do Rotary Clube de Mauriti apresentou aquele jovem artista ao Professor Agerson Tabosa, solicitando que o Rotary interferisse para conseguir uma Bolsa de Estudos na França para que aquele jovem artista tivesse um aperfeiçoamento. E o governador simplesmente respondeu que ele me procurasse na Coelce, em Juazeiro. A principio, pensei que fosse me dar algumas instruções sobre o andamento daquele merecido pleito. Mas ele voltou para Fortaleza sem nada me orientar.

Dois ou três dias depois, quatro jovens de Mauriti me procuraram na Coelce. Um deles era o mímico. Tentei um contato telefônico com o companheiro Agerson, sem obter êxito. Então dei a eles o telefone do Governador do Rotary e que o procurassem em Fortaleza. A coisa ficou mais difícil, pois eles desejavam ir os quatro para Fortaleza, não tinham a passagem e nem dinheiro para tal viagem. Alguém sugeriu uma apresentação dele em Juazeiro, mas eu não sabia como fazer isso. Então me lembrei de Divani Cabral, contei toda essa história a ela e pedi que os recebesse, pois eles gostariam de fazer uma apresentação no Crato. Para minha surpresa, na volta para casa  na noite daquele mesmo dia, ao passar pelo Teatro Rachel de Queiroz vi uma movimentação de pessoas e alguns cartazes anunciando o espetáculo. Se não me engano houve duas ou três apresentações que infelizmente não pude assistir por conta do meu trabalho à noite.
Em janeiro de 1990, fui transferido para Fortaleza. Aqui, pela televisão víamos os anúncios dos espetáculos de humor com novos artistas que surgiam àquela época: Meirinha, Rossicléa; Adamastor Pitaco, Falcão, Lailtinho Brega e um certo Zé Modesto, que eu imaginava ser aquele mímico de Mauriti. Mas somente, quando ele fez parte da "Escolinha do Professor Raimundo" é que fiquei sabendo que o personagem "Zé Modesto" era uma criação de João Neto, o mímico, para quem eu não pude dar uma ajuda mais substancial. Jamais soube se ele conseguiu a bolsa de estudo que sonhava. Mas em todo caso foi mais um cearense vitorioso. 

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Perder, Ganhar, Viver- Carlos Drumond de Andrade

(Após desclassificação da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1982)

Vi gente chorando na rua, quando o juiz apitou o final do jogo perdido; vi homens e mulheres pisando com ódio os plásticos verde-amarelos que até minutos antes eram sagrados; vi bêbados inconsoláveis que já não sabiam por que não achavam consolo na bebida; vi rapazes e moças festejando a derrota para não deixarem de festejar qualquer coisa, pois seus corações estavam programados para a alegria; vi o técnico incansável e teimoso da Seleção xingado de bandido e queimado vivo sob a aparência de um boneco, enquanto o jogador que errara muitas vezes ao chutar em gol era declarado o último dos traidores da pátria; vi a notícia do suicida do Ceará e dos mortos do coração por motivo do fracasso esportivo; vi a dor dissolvida em uísque escocês da classe média alta e o surdo clamor de desespero dos pequeninos, pela mesma causa; vi o garotão mudar o gênero das palavras, acusando a mina de pé-fria; vi a decepção controlada do presidente, que se preparava, como torcedor número um do país, para viver o seu grande momento de euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões de governo; vi os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhes roubava um trunfo poderoso para a campanha eleitoral; vi as oposições divididas, unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo a se desencantar de tudo, inclusive das eleições; vi a aflição dos produtores e vendedores de bandeirinhas, flâmulas e símbolos diversos do esperado e exigido título de campeões do mundo pela quarta vez, e já agora destinados à ironia do lixo; vi a tristeza dos varredores da limpeza pública e dos faxineiros de edifícios, removendo os destroços da esperança; vi tanta coisa, senti tanta coisa nas almas…

Chego à conclusão de que a derrota, para a qual nunca estamos preparados, de tanto não a desejarmos nem a admitirmos previamente, é afinal instrumento de renovação da vida. Tanto quanto a vitória estabelece o jogo dialético que constitui o próprio modo de estar no mundo. Se uma sucessão de derrotas é arrasadora, também a sucessão constante de vitórias traz consigo o germe de apodrecimento das vontades, a languidez dos estados pós-voluptuosos, que inutiliza o indivíduo e a comunidade atuantes. Perder implica remoção de detritos: começar de novo.

Certamente, fizemos tudo para ganhar esta caprichosa Copa do Mundo. Mas será suficiente fazer tudo, e exigir da sorte um resultado infalível? Não é mais sensato atribuir ao acaso, ao imponderável, até mesmo ao absurdo, um poder de transformação das coisas, capaz de anular os cálculos mais científicos? Se a Seleção fosse à Espanha, terra de castelos míticos, apenas para pegar o caneco e trazê-lo na mala, como propriedade exclusiva e inalienável do Brasil, que mérito haveria nisso? Na realidade, nós fomos lá pelo gosto do incerto, do difícil, da fantasia e do risco, e não para recolher um objeto roubado. A verdade é que não voltamos de mãos vazias porque não trouxemos a taça. Trouxemos alguma coisa boa e palpável, conquista do espírito de competição. Suplantamos quatro seleções igualmente ambiciosas e perdemos para a quinta. A Itália não tinha obrigação de perder para o nosso gênio futebolístico. Em peleja de igual para igual, a sorte não nos contemplou. Paciência, não vamos transformar em desastre nacional o que foi apenas uma experiência, como tantas outras, da volubilidade das coisas.

Perdendo, após o emocionalismo das lágrimas, readquirimos ou adquirimos, na maioria das cabeças, o senso da moderação, do real contraditório, mas rico de possibilidades, a verdadeira dimensão da vida. Não somos invencíveis. Também não somos uns pobres diabos que jamais atingirão a grandeza, este valor tão relativo, com tendência a evaporar-se. Eu gostaria de passar a mão na cabeça de Telê Santana e de seus jogadores, reservas e reservas de reservas, como Roberto Dinamite, o viajante não utilizado, e dizer-lhes, com esse gesto, o que em palavras seria enfático e meio bobo. Mas o gesto vale por tudo, e bem o compreendemos em sua doçura solidária. Ora, o Telê! Ora, os atletas! Ora, a sorte! A Copa do Mundo de 82 acabou para nós, mas o mundo não acabou. Nem o Brasil, com suas dores e bens. E há um lindo sol lá fora, o sol de nós todos.
E agora, amigos torcedores, que tal a gente começar a trabalhar, que o ano já está na segunda metade?

Não vamos À FINAL - José Nilton Mariano Saraiva

UMA SÓ PALAVRA DEFINE A RIDÍCULA ATUAÇÃO DO BRASIL, ONTEM:

V E R G O N H A
V E R G O N H A
V E R G O N H A
V E R G O N H A

V E R G O N H A
V E R G O N H A 
V E R G O N H A  

terça-feira, 8 de julho de 2014

A Força dos Meios de Comunicação - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

No inicio do ano de 1965, um comentarista esportivo de uma emissora de rádio de Salvador, conhecido por Cléo Meireles, torcedor fanático do Bahia e por isso mesmo critico feroz do rival Vitória, foi violentamente surrado, segundo "diz que me diz", por ordem de dirigentes do Vitória. O fato gerou uma crise no futebol baiano, com a proibição de jogos de clubes locais pela Conselho Nacional de Desportes até a apuração dos fatos. Entretanto os clubes baianos estavam autorizados a realizarem partidas amistosas. Mas houve uma unânime omissão de toda crônica esportiva, que nada noticiava sobre os amistosos que os clubes baianos realizavam, nem mesmo sobre o campeonato estadual, quando esse foi reiniciado.

A atitude tomada pela crônica esportiva gerou um esvaziamento das arquibancadas. Mas colocava em risco o emprego de muitos que dependiam do futebol para continuarem no rádio e jornal. Não tardou que uma saída honrosa fosse encontrada. Promoção semanal de jogos com equipes do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre, todas às quintas-feiras, seguida de um bingo, cujo premio era um automóvel fusca zero km.  

Naquela época, eu cursava o 2° ano do Curso Científico no Colégio Central da Bahia, distante do Estádio da Fonte Nova pouco mais de um quilômetro e meio, quando muito. Morava com uma tia, que comprava os cartões dos bingos e pedia que eu fosse marcar.  Graças a isso, mesmo tendo que marcar o bingo após as partidas até duas horas da madrugada, pude assistir a jogos do Santos, São Paulo, Vasco da Gama, Flamengo, Botafogo, Fluminense, Cruzeiro, Palmeiras, Grêmio, Portuguesa de Desportos, enfim, somente times de ponta. Oportunidade que tive de ver jogar os consagrados campeões Pelé, Belinni, Mauro, Tostão, Piazza, Raul, Jairzinho, Gerson, e tantos outros craques. O jogo que mais me impressionou foi a partida Santos X Cruzeiro. Havia chovido e o campo estava muito molhado. Dava gosto ver a tabelinha de Pelé e Coutinho, sempre municiados pelo jogador de meio campo Mengálvio, alto, magro e muito elegante. O restante dos jogadores dos Santos estavam com as camisas todas encharcadas de lama. Somente Mengálvio estava impecavelmente limpo.

A promoção executada pelos profissionais da imprensa esportiva quase falia os clubes baiano. Mas foi um grande exemplo como os meios de comunicação usam a enorme força de que são possuidores,  força essa que pode ser construtiva, mas muitas vezes destrutiva. A Rede Globo sabe bem como usar essa força, eleger quem ela quer e derrubar num golpe qualquer presidente. O exemplo de Fernando Collor de Melo jamais deverá  ser esquecido.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Vamos à "FINAL", sim !!! - José Nilton Mariano Saraiva

Contestar que a Alemanha tem um time forte, duro de bater e bem treinado, quem há de ??? Negar a excelência de alguns dos seus craques, como ??? Inadmitir que em termos de estratégia-planejamento extra-campo eles são exemplo, pra que ???

Entretanto, a perspectiva de bater de frente com o Brasil no meio do caminho, nessa fase - não prevista no pragmatismo alemão objetivando disputar a final da Copa do Mundo - acabou por acontecer. E, em acontecendo, acabou por abalar seus fundamentos, balançar com a sua estrutura (inclusive e principalmente psíquica).

Assim, os alemães terão que obliterar tal pretensão, porquanto se defrontarão (antes da final) com uma seleção que lhes provoca calafrios e temores. Tanto que, em 21 confrontos (aqui ou lá fora, inclusive em Copa do Mundo) vencemos 12, empatamos 05 e deixamos de ganhar apenas 04. Portanto, o favoritismo é nosso, sim senhor. Para eles, reservado se acha o terceiro lugar no pódio.

O fato do tal Neimar não jogar, que os pessimistas de plantão tentam transformar numa monumental tragédia, verdadeiro fim de mundo, ao contrário, só nos beneficia e favorece. É que o time, agora não dependente (ou não centralizando todas as jogadas) numa só peça, tenderá a render mais em termos coletivos. E, historicamente, em qualquer ramo de atividade quando a individualidade é olvidada o conjunto tende à superação, ao crescimento.

No mais, como já expressamos numa postagem anterior, um evento milionário e do porte de uma Copa do Mundo de Futebol tem, nos bastidores, interesses inconfessáveis. E é, pois, digno de registro, o depoimento e a atitude extremamente corajosa do chefe da Departamento Médico da seleção, Doutor Runco, ao garantir, em horário nobre, ao vivo a a cores, num dos programas da emissora global, que o tal Neimar não tem a mínima condição de jogar as partidas restantes e, definitivamente, não será escalado, tá fora.

A importância de tal registro é vital, porquanto a própria mídia já começa a ventilar com insistência tal possibilidade, numa “forçação de barra” sem precedentes, evidentemente que “dirigida e pautada” pelos patrocinadores (por motivos óbvios); além do que, inflado pelo “disse-me-disse”, pela possibilidade de transformar-se numa espécie de “salvador-da-pátria”, o próprio jogador já manifestou sua intenção de entrar em campo, sim, de qualquer maneira (mesmo que de muletas e empacotado em coletes ortopédicos). Não escalaram o Ronaldo-Gordo, por imposição do patrocinador, na final da Copa de 1998, sem a mínima condição de jogo ???

Particularmente, desacreditamos que, em passando pela Alemanha (como o faremos) Felipão e sua comissão técnica se vergarão à pressão descomunal da torcida e ao rolo compressor de uma mídia desonesta e hipócrita (inclusive internacional) escalando o tal Neimar. E por uma razão objetiva: seria aético e uma “desmoralização pública” e sem precedentes dos integrantes do Departamento Médico da seleção, chefiado pelo Dr. Runco. E o perfil do comandante-técnico da seleção não nos encaminha nessa direção.

Alfim, uma pertinente indagação: será que o uso do uniforme “genérico-prostituto-rubro-negro-alemão” (igual ao do Flamengo) de alguma forma atiçará a fome de gols do “carente” atacante Fred, useiro e vezeiro em balançar as redes de tal time, nos jogos do Fluminense ???


Quem sabe... Torçamos para que sim.

domingo, 6 de julho de 2014

Será armação? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Primeiramente houve o tal "Não vai ter copa", campanha de cunho aparentemente fascista, promovida sabe-se lá por quem. Iniciada a Copa, ela somente tem recebido elogios, segundo a própria imprensa nacional e internacional. Até o Secretário Geral da Fifa, Jerôme Volcke, aquele que reclamava dos atrasos nas obras prometendo chute no traseiro dos brasileiros, declarou ser essa "a melhor Copa de todos os tempos".

Com a bola rolando, tenho cá minhas suspeitas, que espero sejam infundadas. A violenta contusão sofrida pelo atleta Neymar, nada mais foi que outra campanha articulada por aqueles cuja miopia política, fazem-no acreditar que a conquista dessa Copa influenciará nas eleições do corrente ano. E principalmente suspeito dos interesses publicitários das empresas patrocinadores do evento.  

Desde o inicio da Copa, tenho assistido pela televisão a todos os jogos. E sinceramente não vi nenhuma falta violenta cometida contra os jogadores de outras seleções, como os extraordinários Robben da Holanda e Lionel Messi da Argentina, para citar apenas dois exemplos de jogadores fora de série como Neymar. Pois se observarem as reprises dos lances de jogos anteriores, verificarão que os melhores jogadores da Holanda, Alemanha, França  e Argentina, entre outros, não tiveram sobre eles nenhuma falta desleal, como as que foram cometidas contra Neymar, desde as partidas contra a Croácia, México, Camarões, Chile e Colômbia. Observei pelas repetições, que houve um lance no qual um jogador chileno cometeu uma falta quase idêntica àquela do colombiano, só que o chileno foi mais incompetente, atingiu somente a coxa do jogador, enquanto o colombiano seguiu à risca as supostas instruções recebidas sem nenhuma preocupação de deixar o outro sem condições de algum dia voltar a praticar futebol. Nesse aspecto, a mordida do jogador uruguaio no italiano foi menos danosa, pois não causou nenhuma lesão.

Acredito firmemente que o resultado dessa Copa, qualquer que seja ele, não influenciará na eleição de quem quer que seja. Em 1950, numa Copa do Mundo também realizada no Brasil, quando a seleção brasileira foi derrotada na partida final pelo Uruguai, não houve nenhuma influência no resultados das eleições daquele ano.

Deus permita que minhas suposições sejam falsas. Mas até a atuação dos juízes se voltam contra o Brasil. Gostaria que alguém me convencesse do contrário.

Esperamos que todos os brasileiros unidos, formem uma corrente positiva  e possamos comemorar mais um título. Um grande abraço!              

Por Carlos Eduardo Esmeraldo 

sábado, 5 de julho de 2014

"NO" BRASIL e "DO" BRASIL - José Nilton Mariano Saraiva

A rigor, nas duas últimas partidas (contra Chile e Colômbia), embora com 11 jogadores em campo o time do Brasil jogou com 10, tal a omissão do jogador Neimar (que, aliás, já houvera atuado apenas razoavelmente nos três jogos anteriores). É que, segundo a filosofia reinante no meio futebolístico, mesmo não jogando nada, aquele que é considerado o “craque” do time não pode ser sacado, na perspectiva de que num átimo de segundo decida o jogo (ou não é isso que o Messi vem fazendo na Argentina, na atual Copa ???). Assim, centralizando todas as manobras do time em um só jogador, temos que torcer para que ele não “amarele” (o que aconteceu).

E foi pensando nisso, que já havíamos aludido, aqui mesmo, que a perigosa “depen(neimar)dência” da nossa seleção poderia causar-nos preocupações futuras, como agora, quando o jogador, lesionado, não poderá entrar em campo para a semifinal contra a poderosa seleção alemã.

Mas, como há males que vêm pra o bem, paradoxalmente o time do Brasil vai realizar contra a Alemanha uma de suas melhores partidas (até agora não o fez), classificando-se para a partida final. E por razões simplórias: a) porque agora o time não atuará em função apenas e tão somente de um só jogador, em detrimento do conjunto (que, assim, será privilegiado); b) porque o “espírito de superação” se fará presente, com todos se doando ao máximo pelo objetivo comum; c) porque temos um técnico com ascendência sobre os atletas e capaz de motivá-los ao máximo; e d) porque, mesmo quando no auge da sua forma, os jogadores alemães “tremem” quando têm o Brasil pela frente. Definitivamente, como dois mais dois são quatro.

Há que se atentar, entretanto, que existem interesses inconfessos por trás de um evento portentoso e de cifras milionárias, como o é uma Copa do Mundo de Futebol. Assim, o perigo é: 1) que o(s) “patrocinador(es)” da seleção (e até o do atleta) exija(m) sua presença em campo na partida final, mesmo que de muletas, isso, claro, após passarmos sem ele pelos alemães (exemplo emblemático de tal situação foi a final da Copa da França, em 1998, quando o Brasil jogou todo o tempo com 10 atletas, tendo em vista que o tal Ronaldo-Gordo, após um ataque epiléptico momentos antes do jogo, sem a mínima condição de atuar foi irresponsavelmente escalado pelo patrocinador, com o aval do comando da CBF. Tanto que o jogador Edmundo, cujo nome já constava da súmula, foi “deletado”. Deu no que deu: França 3 x 0 Brasil, fácil fácil); 2) assim, por mais esdrúxulo e imoral que possa parecer, não nos surpreendamos se um outro laudo médico for emitido nos próximos dias atestando que a lesão não foi tão grave quanto anunciada anteriormente e que, em razão de se tratar de um atleta jovem, livre de vícios e blábláblá, estará habilitado a participar da partida final (mesmo que “entupido” de analgésicos e “empacotado” por diversos coletes ortopédicos); e é aí que mora o perigo. Urge, pois, não olvidar o passado.

No mais, como a Copa é “NO BRASIL”, vai ser “DO BRASIL”. Com ou sem choro, ninguém nos tira.


O resto... é perfumaria barata, de quinta categoria.

"NO" BRASIL e "DO" BRASIL - José Nilton Mariano Saraiva

A rigor, nas duas últimas partidas (contra Chile e Colômbia), embora com 11 jogadores em campo o time do Brasil jogou com 10, tal a omissão do jogador Neimar (que, aliás, já houvera atuado apenas razoavelmente nos três jogos anteriores). É que, segundo a filosofia reinante no meio futebolístico, mesmo não jogando nada, aquele que é considerado o “craque” do time não pode ser sacado, na perspectiva de que num átimo de segundo decida o jogo (ou não é isso que o Messi vem fazendo na Argentina, na atual Copa ???). Assim, centralizando todas as manobras do time em um só jogador, temos que torcer para que ele não “amarele” (o que aconteceu).

E foi pensando nisso, que já havíamos aludido, aqui mesmo, que a perigosa “depen(neimar)dência” da nossa seleção poderia causar-nos preocupações futuras, como agora, quando o jogador, lesionado, não poderá entrar em campo para a semifinal contra a poderosa seleção alemã.

Mas, como há males que vêm pra o bem, paradoxalmente o time do Brasil vai realizar contra a Alemanha uma de suas melhores partidas (até agora não o fez), classificando-se para a partida final. E por razões simplórias: a) porque agora o time não atuará em função apenas e tão somente de um só jogador, em detrimento do conjunto (que, assim, será privilegiado); b) porque o “espírito de superação” se fará presente, com todos se doando ao máximo pelo objetivo comum; c) porque temos um técnico com ascendência sobre os atletas e capaz de motivá-los ao máximo; e d) porque, mesmo quando no auge da sua forma, os jogadores alemães “tremem” quando têm o Brasil pela frente. Definitivamente, como dois mais dois são quatro.

Há que se atentar, entretanto, que existem interesses inconfessos por trás de um evento portentoso e de cifras milionárias, como o é uma Copa do Mundo de Futebol. Assim, o perigo é: 1) que o(s) “patrocinador(es)” da seleção (e até o do atleta) exija(m) sua presença em campo na partida final, mesmo que de muletas, isso, claro, após passarmos sem ele pelos alemães (exemplo emblemático de tal situação foi a final da Copa da França, em 1998, quando o Brasil jogou todo o tempo com 10 atletas, tendo em vista que o tal Ronaldo-Gordo, após um ataque epiléptico momentos antes do jogo, sem a mínima condição de atuar foi irresponsavelmente escalado pelo patrocinador, com o aval do comando da CBF. Tanto que o jogador Edmundo, cujo nome já constava da súmula, foi “deletado”. Deu no que deu: França 3 x 0 Brasil, fácil fácil); 2) assim, por mais esdrúxulo e imoral que possa parecer, não nos surpreendamos se um outro laudo médico for emitido nos próximos dias atestando que a lesão não foi tão grave quanto anunciada anteriormente e que, em razão de se tratar de um atleta jovem, livre de vícios e blábláblá, estará habilitado a participar da partida final (mesmo que “entupido” de analgésicos e “empacotado” por diversos coletes ortopédicos); e é aí que mora o perigo. Urge, pois, não olvidar o passado.

No mais, como a Copa é “NO BRASIL”, vai ser “DO BRASIL”. Com ou sem choro, ninguém nos tira.

O resto... é perfumaria barata, de quinta categoria.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Marxismo cultural é um paradoxo - cuidado com quem evoca este termo por Gary North

sexta-feira, 4 de julho de 2014



Na década de 1960, os marxistas da URSS tratavam o movimento conhecido como 'marxismo cultural' com o mesmo grau de ceticismo que os cristãos seguidores da Bíblia tratam o modernismo teológico.  Em outras palavras, eles negavam veementemente que aquilo representava o marxismo.
Quando você abandona os princípios fundamentais de uma determinada ideologia, mas ainda tenta manter o nome dessa ideologia — porque há muitos seguidores dela —, você será tratado pelos defensores da ideologia original como um invasor.

O marxismo cultural está para o marxismo assim como o modernismo está para o cristianismo.  Qualquer indivíduo que considere que marxismo cultural é marxismo não entende nada de marxismo.  No entanto, tal postura é muito comum em círculos conservadores.  Trata-se de um grande erro estratégico porque representa, acima de tudo, um erro conceitual.

O coração, a mente e a alma do socialismo marxista ortodoxo é um só: o conceito de determinismo econômico.  Marx argumentou que o socialismo é historicamente inevitável porque haverá uma inevitável transformação do modo de produção da sociedade.  Ele argumentou que o modo de produção é a subestrutura de uma sociedade, e que a cultura geral é a superestrutura.  Segundo ele, as pessoas se apegam a uma visão específica das leis, da ética e da política de uma sociedade somente por causa de seu comprometimento a um modo específico de produção.  Se esse modo de produção for alterado, o apego das pessoas às leis, à ética e à política será alterado. 

Em 1850, o modo dominante de produção era o capitalismo.  Marx assim rotulou esse modo de produção.  O nome pegou, ainda que o marxismo original esteja culturalmente morto.

Essa posição de Marx ganhou vários defensores exatamente porque ela era puramente econômica/materialista.  Marx criou uma teoria que descartava a necessidade de qualquer explicação histórica; no fundo, era uma teoria que se baseava na ideia de que ideias não são fundamentais para a transformação da sociedade.  Marx acreditava que a arena decisiva da luta de classes é o modo de produção, e não a batalha das ideias.  Ele via as ideias como um desdobramento secundário do modo de produção.  Sua visão era essa: ideias não têm consequências significativas.  Retire esse postulado do marxismo, e o que sobra não mais será marxismo.

É por isso que sempre me espanto quando vejo analistas conservadores aceitando a ideia de marxismo cultural.  Eles recorrem aos escritos da Escola de Frankfurt para pegar notas de rodapé que dêem sustento a essa ideia.  Os analistas mais sagazes recorrem aos escritos de Antonio Gramsci feitos dentro de uma prisão na década de 1930.  Gramsci oficialmente era um comunista.  Ele era italiano.  Ele passou uma temporada na União Soviética durante a década de 1920 e voltou de lá acreditando que a tradição leninista estava incorreta.  O Ocidente havia demonstrado não ser um terreno fértil para o comunismo precisamente porque o Ocidente era cristão.  Gramsci entendeu claramente que, enquanto o cristianismo não fosse destruído e permanecesse uma tradição precípua no Ocidente, não haveria nenhuma revolução proletária aqui.  A história certamente o comprovou correto.  A revolução proletária jamais veio.

Gramsci argumentou, e a Escola de Frankfurt seguiu seu caminho, que a maneira de os marxistas transformarem o Ocidente era por meio da revolução cultural: daí surgiu a ideia do relativismo cultural.  Esse argumento está correto, mas o argumento não era e nem nunca foi marxista.  O argumento era hegeliano.  Tal argumentou virava o marxismo do avesso, assim como Marx havia virado do avesso as ideias de Hegel.  Em seus primórdios, toda a ideia do marxismo era baseada na rejeição do lado espiritual do hegelianismo.  O marxismo original estabelecia que o modo de produção deveria ser o núcleo da análise da cultura capitalista.

Em 1968, no auge do movimento contra-cultural, escrevi um livro sobre Marx intitulado Marx e sua religião de revolução.  Já era claro para mim, em 1968, que o marxismo era uma religião de revolução, uma visão que remetia aos festivais de Cronos, na Grécia antiga.  O marxismo não era uma análise científica da sociedade, e nem de sua economia.  Para escrever esse livro, não perdi tempo com o marxismo cultural.  No entanto, teria sido muito mais fácil mostrar o lado religioso do marxismo recorrendo aos marxistas culturais.  Eles claramente haviam entendido que, na cultura ocidental — a qual é um desdobramento do cristianismo —, todas as questões culturais envolviam religião.  Mas isso acabaria com o propósito do meu livro.  Meu objetivo era mostrar que o marxismo original era em si uma religião própria.  Invocar o marxismo cultural iria desviar o foco dos leitores.  Marxistas culturais teriam sido alvos mais fáceis, mas discuti-los enfraqueceria o argumento do meu livro.

Os marxistas culturais dividiram o campo marxista.  Seus ataques à cultura podem ser interpretados como uma tática, mas eram mais do que uma tática: eram uma estratégia.  Eram uma estratégia baseada no abandono do marxismo original.

Podemos discutir essa cisão no marxismo em termos de uma família específica.  O mais proeminente defensor intelectual do stalinismo nos EUA durante as décadas de 1940 e 1950 era Herbert Aptheker.  Sua filha Bettina era uma das líderes do Movimento da Liberdade de Expressão, o qual havia começado no segundo semestre de 1964 na Universidade da Califórnia, Berkeley.  Ela se tornou bem mais famosa que seu pai stalinista.  Foi aquele evento no campus que lançou a rebelião estudantil e o movimento contra-cultural.  Mas o próprio termo "contra-cultura" é um indicativo do fato de que tal conceito nunca foi marxista.  Era sim uma tentativa de derrubar a cultura dominante, mas Marx jamais teria perdido tempo com tal conceito.  Marx não era um hegeliano.  Ele era um marxista.

Bettina e seu pai romperam relações em 1968, quando a URSS invadiu a Tchecoslováquia.  Bettina foi contra a invasão.  O Partido Comunista dos EUA, onde seu pai era uma figura proeminente, foi a favor e defendeu a URSS.

Anos depois, Bettina revelou que seu pai havia lhe abusado sexualmente dos 3 aos 13 anos de idade.  No fundo, na visão de mundo de seu pai, ele estava apenas conduzindo sua própria agenda gramsciana; ele estava atacando a cultura ocidental desde dentro de sua própria casa.  Mas isso não afetou seu marxismo ortodoxo.  Afetou o de sua filha.

Bettina Aptheker é hoje professora da Universidade da Califórnia, e leciona estudos culturais: feminismo.  O movimento que ela lançou em Berkeley morreu no início da década de 1970.  Ela ainda é uma crítica fervorosa do capitalismo, mas suas críticas não se baseiam nos escritos de Karl Marx.  A contra-cultura também não baseou em Marx.

A contra-cultura

Sejamos claros e diretos: Marx estava errado e Gramsci estava certo.  O marxismo ortodoxo não foi a causa primária da contra-cultura.  A contra-cultura era um movimento progressista que visava a atacar as bases fundamentais da cultura ocidental.  Já o marxismo estava comprometido em alterar o modo de produção.  Com efeito, ele também queria alterar a cultura, mas queria fazer isso por meio de alterações profundas nos modos de produção. 

Eis o problema: os conservadores de hoje levam excessivamente a sério as declarações dos marxistas culturais da Escola de Frankfurt, que na realidade não eram marxistas.  Eles eram basicamente progressistas e socialistas. Mais ainda: eles facilmente teriam sido alvos de Marx em 1850.  Marx passou a maior parte de sua carreira atacando pessoas assim, e praticamente não gastou tempo nenhum atacando Adam Smith ou os economistas clássicos.  Ele jamais respondeu aos economistas neoclássicos e aos economistas da Escola Austríaca que surgiram no início dos anos 1870.  Marx teve muito tempo para responder a essas pessoas, mas ele nunca o fez.  Ele passou a maior parte de sua vida atacando indivíduos que hoje seriam rotulados de marxistas culturais.  Marx os considerava inimigos infiltrados no campo socialista.  Marx os atacava porque eles, quando atacavam o capitalismo, não fundamentavam seus ataques utilizando a teoria do socialismo científico de Marx, a qual era toda baseada no modo de produção.

Na década de 1920, Gramsci havia entendido claramente que, se ele permanecesse da União Soviética, ele acabaria sendo mandado a um campo de concentração.  Ele poderia até ser executado.  Ele havia percebido que Stalin provavelmente teria mandado matá-lo.  Portanto, ele voltou para a Itália sabendo perfeitamente bem que também acabaria sendo enviado a um campo de concentração italiano, o que de fato ocorreu.  Mas os fascistas o deixavam ler e o deixavam escrever.  Ao permitir isso, eles solaparam o comunismo marxista.

É difícil rastrear a influência histórica da Escola de Frankfurt.  Sair de uma ínfima seita e alcançar toda a cultura geral é algo que requer um estudo de causalidade complexa.  O movimento básico rumo ao relativismo cultural começou no final dos anos 1880, e os principais marcos disso foram o modernismo teológico e o movimento progressista.  A psicologia freudiana já fazia parte disso em 1925.  Freud fornecia a justificativa para o relativismo; a Escola de Frankfurt só veio depois.  Só que o modernismo teológico ganhou muito mais adeptos do que a Escola de Frankfurt jamais sonhou ganhar.

A contra-cultura que começou após o assassinato de Kennedy era muito mais um produto dos Rolling Stones do que da Escola de Frankfurt.  O sexo, drogas e rock 'n roll em meadas da década de 1960 substituiu o sexo, cerveja e rock 'n roll do final da década de 1950.  Era uma mistura mais poderosa.  Não tente rastrear a contra-cultura à Escola de Frankfurt.  É melhor rastreá-la à Primeira Guerra Mundial, que arrancou pela raiz as instituições do Ocidente.  O que ocorria nos bancos traseiros dos automóveis após 1918 tinha mais a ver com a contra-cultura do que com os escritos da Escola de Frankfurt.

Conclusão

O Ocidente jamais chegou perto de uma revolução proletária.  No entanto, quando o Ocidente decidiu que "não roubarás" deveria ser reescrito como "não roubarás, exceto por votação majoritária", a visão de mundo keynesiana havia nascido.  Essa visão é dominante hoje.

O marxismo está morto.  O marxismo cultural também.  Estamos na época do keynesianismo social-democrata.

Para vencer essa batalha é necessário persuadir as pessoas de que "não roubarás" significa exatamente isso: é imoral roubar, com ou sem voto majoritário.

E isso não tem nada a ver com o modo de produção.


Gary North , ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Equício

J. Flávio Vieira

                          Equício vivia encafifado com aquele mistério quase que kafkiniano. Estava ali , como um Sócrates moderno,  tentando entender os destinos do mundo. Ou como  um Hamlet , reencarnado, com seu tablet erguido em feitio de caveira,   e sua dúvida remasterizada :
    
-- Ter ou não ter, eis a questão!
 Como teria sido possível, remói o nosso Equício, a humanidade ter sobrevivido por tanto e tanto tempo, sem o Smartphone ?  Houve vida neste planeta antes da Internet ? Para que serviam os dedos e as mãos se não podiam deslizar nas telas de LED ? Houve uma época em que as pessoas precisavam ainda falar, se encontrar, se locomover para terem qualquer atividade social! Já se imaginou uma loucura dessas? Hoje essa maquininha faz tudo isso por nós! O livro que gostaria de ter está aqui dentro, a musiquinha que quero ouvir está à distância de um toque, o filme , a voz da namorada, a pizza, as compras , tudo está perfeitamente ao alcance de Equício, com um simples deslizar de tela. A coisa ficou fácil, prática e sobra tempo e mais tempo para a gente curtir esta viagem leve e  curta chamada de vida. Nossos avós, pensa Equício, precisavam se desdobrar para conseguir a caça, para descolar o alimento, para sobreviver em meio às enfermidades, às guerras. As mulheres tinham, biblicamente, os filhos com dor, não existia energia elétrica, rádio, TV, cinema. Já pensou na loucura do  mundo sem shopping? Do almoço sem Mac Donald´s ?  De ter que fazer a própria comida? E o deslocamento em lombo de burro? Um mundo sem carro, sem moto, sem trem bala e sem avião ?  
            -- Como eram infelizes nossos avós !
            Equício  tem essa revelação na fila do ônibus, onde aguarda , pacientemente, a volta para casa. Tudo depois de um longo dia de trabalho, como office-boy num escritório de advocacia.  Com sorte chegará umas dez horas da noite e às quatro terá que recomeçar de novo o trabalho de Sísifo.  Aproveita e manda um SMS para a namorada que já não vê há uns dez dias. Pelo  WhatsApp  conversa com alguns amigos que lhe mandaram mensagens e vídeos.  Lembra que precisa organizar um fim de semana para visitar os pais. Internos   num abrigo de idosos , depois que se foram se transformando num estorvo para a família ( infelizmente ainda não existe, nesses casos a tecla “Deletar”) , ele já não os contacta há uns três meses.       
                          Quando o ônibus , por fim, sai em meio ao congestionamento, Equício  vai observando, hipnotizado, as luzes dos teatros, dos cinemas, dos museus da cidade grande. Quantas opções de divertimento nós temos!  Um fim de semana desses, vou tirar para visitá-los!  Chegando à parada, desce, veloz, na velocidade típica dos novos tempos : a número cinco do créu. Olha para um lado e para outro, temendo o trombadinha.  Nem percebe, no céu, uma lua cheia argêntea,  esplendorosa, totalmente supérflua nos dias de hoje, ao alcance de um simples olhar.  Nem sabe que , a despeito de tudo, as Cataratas do Iguaçu continuam caindo com clamor e sem chips; o mar persiste quebrando suas ondas, ritmicamente, em Paraty, sem nenhum App; o Amazonas corta a floresta sob a música  dos pássaros e o mergulho incontrolável dos peixes. Equício   pega, por fim, seu Santo Graal, o aparelho pequenino que lhe dá poder, magia e  segurança e que lhe serve como filtro do mundo.  Pronto !  Eis o  admirável mundo novo : A solidão está perfeitamente atingível a um simples toque !


Crato, 03 de Julho de 2014

"Duelos de Titãs" - José Nilton Mariano Saraiva

A priori, não há o que temer. Agora, a briga é de “cachorro-grande”. E a Colômbia nunca o foi (como não o é, atualmente). Assim, no lucro e com a certeza do dever cumprido, os esforçados jogadores colombianos voltarão pra casa cantando o “amor febril”. Ganharemos, e o faremos com relativa tranqüilidade, apesar da desconfiança de muitos, mas com o time finalmente se estabelecendo em campo (atentem para o Fred).

Já quem não deve ter tanta tranqüilidade, mas certamente seguirá na competição, será a poderosa Alemanha (cujo jogo realizar-se-á antes do embate do Brasil). É que o esquadrão da França, embora pratique um bom e vistoso futebol, não é dos mais competitivos. Portanto, Brasil e Alemanha defrontar-se-ão numa estupenda semifinal. E aí eles tremerão, porque o nosso time já terá engatado e a nossa camisa impõe respeito.

Do outro lado, um embate de arrepiar, verdadeiro teste pra cardíacos: Argentina e Bélgica têm tudo pra patrocinar um dos grandes jogos dessa “Copa de todas as copas” e de tantos grandes jogos. Se jogar o que jogou contra os americanos, os belgas têm tudo pra despachar “los hermanos” (que vêm ganhando, mas sem convencer).

E, finalmente, já sabendo do vencedor do jogo Bélgica versus Argentina, a Holanda entregará o bilhete de volta com uma singela dedicatória de agradecimento à “zebra” Costa Rica, que ficará pelo meio do caminho, sem perdão. Assim, a Holanda fará uma semifinal portentosa com o vencedor do jogo acima.

Enfim, após alguns memoráveis “duelos de titãs”, daqui a exatos 10 dias teremos oportunidade de presenciar um Maracanã (em azul e amarelo) “transbordando” de gente pra acompanhar um mui provável Brasil x Holanda (ou Brasil x Argentina ou um inédito Brasil x Bélgica), quando teremos oportunidade de acabar de vez com essa frescura de “maracanazo”.


Lembram da frase escrita no ônibus da seleção - “Prepare-se. O HEXA está chegando” ??? Pois é, tão feliz profecia há de materializar-se. E por uma razão simplória: porque o povo brasileiro se fez merecedor - e até os “gringos” hão de reconhecer isso, a posteriori.