Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
Porque aquele órgão encantador mais embriagava a dose de
Cuba Libre. Entretanto tuas emanações inebriantes a todas as minhas fibras
tremiam na angústia da urgência. Aquele momento único não podia se perder.
E teu silêncio denso, como a mais dura rocha, deixava aquele
momento grave como o irrealizado que é renúncia. O pingo de perfume na ponta de
tua orelha, a fornalha que molda uma vontade no malho do ferreiro.
E aquele órgão se desdobrava em canção. Numa língua que eu
não traduzia, mas compreendia. O fervor do teu corpo era o enigma em
decifração. Jogava-me um feito único e
toda a iniciativa a mim cabia.
Na timidez ameaçada por um escândalo no salão. Um tapa na
cara que move todas as humilhações do mundo. E a tua rocha de silêncio era um
lajedo quente no pleno do meio dia.
E os dedos do organista ocupando todo os teclados implodiu o
silêncio. Nada mais se escutava, apenas nossos corpos quentes ligados por um
cabo rijo e um anteparo que promete o encaixe.
Mas nada havia entre nós. Uma fusão organista, uma
concentração no mesmo ponto de fusão. Um momento que não diz nada, mas revela
todo o universo. Eis o salto qualitativo do momento de urgência da timidez e do
sólido silêncio de espera.
A iniciativa fora disparada. Um pleno orgástico ao som do
órgão de A Whiter Sade of Pale.
Co-autores: Gary Brooker e Keit Reid, do grupo Procol Harum.
O arranjo de órgão é de Mathew Fisher. Reid numa festa ouviu um rapaz falando para uma moça: você
se tornou a mais branca máscara pálida. Uma exótica letra que traduz toda a
leitura da educação inglesa do letrista. Parece, no estilo rock progressivo,
traduzir a sedução a dois embriagados,
que termina numa relação sexual
A canção e o arranjo são derivados do Bach e isso traduz bem
a erudição e a tecnicidade dos músicos do rock progressivo. O órgão introduz,
reaparece ao final de cada estrofe e varia durante toda a canção.
No disco apenas estas duas primeiras estrofes foram
cantadas. As demais apareceram em DVD e performances do Grupo de Rock inglês
Procol Harum.
E foi por carregar uma criança de colo que caminharam longe
pelo deserto. Montados num jumento iam porque o assassinato dos diferentes era
a regra do governante.
Balançando no andar do muar, seguia aquele que explicitou
que todos somos iguais. Ao invés de uma coisa ou animal de trabalho, somos
humanos, pertencemos à mesma família, derivada de igual natalidade.
E aquele que seguia no deserto árido sabia que esta terra
estava lá como potência de fertilidade. Sabia que gosmas que se amoldam aos
contornos sólidos, lhes daria o beijo da traição.
Mas a questão não se encontra na gosma, nem nas rochas onde
se ergue a avareza que tudo deseja apenas para si. A questão se encontra na
humanidade traduzida em pessoas humanas que brilham num determinado natal com
todo o deserto à frente, pronto para se revelar um potencial fértil.
Mas há que somos iguais e tantos se corrompem na ilusão da
superioridade onde tudo que imaginam é um mérito a explorar os outros em
diferenças. Há aqueles que decoram sua história com frases da mensagem e sob
essa decoração luminosa, tentam ludibriar os demais com merecimentos que
dividem, discriminam.
Dois mil anos após, o deserto continua lá pronto para ser
entendido. Os chacais ainda o ronda em busca de corpos vivos. Os traficantes do
trabalho, em orações de maldita fé, continuam fazendo escravos. Os execráveis
continuam com suas vestes ornamentais a pregar anátemas aos demais, condenando-os
só para arrancar-lhes o alimento que faz humanos às suas vítimas.
O deserto é para ser atravessado, pois é nele que o relevado
se encontra. Ali onde os pilares das instituições nunca se ergueram, onde as
bibliotecas da avidez medieval e burguesa nunca foram impressas.
No deserto viverá suando junto ao suor dos demais. Sombras
para conservar os escusos que operam a ilusão do progresso não há. Assim como
não há a divisão da terra, os livros da mais avalia que acumula, os bytes que
fogem com a riqueza coletiva para entocá-las nas ruínas do livre mercado.
O deserto, dois mil anos após, diz tudo ao contrário destes alicerces
eclesiais sobre os quais se ergue a acumulação que desfaz a pessoa humana.
A pessoa humana, nós que somos iguais em natalidade.
Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar? sempre, e até de olhos vidrados, amar? Que pode, pergunto, o ser amoroso, sozinho, em rotação universal, senão rodar também, e amar? amar o que o mar traz à praia, o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha, é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia? Amar solenemente as palmas do deserto, o que é entrega ou adoração expectante, e amar o inóspito, o áspero, um vaso sem flor, um chão de ferro, e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina. Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na concha vazia do amor à procura medrosa, paciente, de mais e mais amor. Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa, amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
Um em Laranjeiras, outro na Lapa e o terceiro no Engenho de
Dentro. Três cariocas de origens sociais diferentes. Nasceram em anos próximos
e viveram o mundo desta civilização como ela é: necessária e ilusória.
E por primazia a necessidade se põe à frente das ilusões que
reconhecemos vãs. Porém quando se procura as coisas primeiras que são as essenciais,
imprescindíveis, indispensáveis ao final e ao cabo há um vazio preenchido pela
ilusão.
E ficamos em frente a écrans luminosos estimulados por
quimeras e devaneios. Uma maçã envenenada de doses sub-letais que me faz matar
por um mero objeto e me faz morrer pelo correr para pegar o bólido da
fugacidade.
Por isso o amor, mesmo reconhecido como uma grande ilusão me
faz querer a ilusão. Afinal Custódio Mesquita e Mário Lago, bem posicionados
socialmente, deram à voz de Orlando silva esta frase magistral: “Eu não quero e
não peço, para o meu coração, nada além de uma linda ilusão”.
Com o título “Apropriação Indébita”,
eis artigo do economista José Nilton Mariano Saraiva. Ele critica decisão
da Prefeitura de Fortaleza que, na reforma feita no Parque Parreão I, situado
no bairro de Fátima, deu sumiço na placa que registrava o local como obra do
prefeito falecido Juraci Magalhães. Confira:
“Nas
administrações Juraci Magalhães e Antônio Cambraia a cidade de Fortaleza
experimentou um surto de desenvolvimento inquestionável; e para corroborar
isso, à época a muito bem bolada propaganda oficial anunciava que para se
constatar o progresso vigente na cidade bastava “abrir a janela”; lá estavam
viadutos, parques, novas ruas, praças, etc.
Uma
dessas obras e de grande utilidade foi o Parque Parreão I, localizado no Bairro
de Fátima (vizinho à Rodoviária, entre as avenidas Borges de Melo e Eduardo
Girão), porquanto um local destinado a pratica de caminhadas, atividades
físicas, reencontro de amigos e por aí vai; enfim, um agradável e aprazível
local sócio-recreativo-esportivo para onde acorriam os moradores de diversos
bairros, principalmente nas manhãs e finais do dia.
Compreensivelmente,
a fim de registrar para a posteridade sua marca, a administração de então
fincou numa das laterais do parque um modesto pedestal encimado por uma placa
onde registrado estavam os nomes do prefeito e secretário responsável
(Juraci/Cambraia), data da inauguração (03 de Setembro de 1993) e outras
informações básicas.
De
lá para cá, entretanto, o Parque Parreão I, por descaso e falta de manutenção,
enfrentou um desgastante e corrosivo processo de degradação, com o consequente
afastamento daqueles que o frequentavam, tendo em vista a “invasão da área” por
parte de desocupados e marginais de alta periculosidade.
Eis
que, na atual administração da cidade, houve a “recuperação” do Parque Parreão
I, só que com um detalhe ESTARRECEDOR e de uma DESONESTIDADE a toda prova:
mantido o pedestal original, a placa com os nomes de Juraci Magalhães e Antônio
Cambraia foi substituída por uma outra onde os frequentadores tomam conhecimento
que o Parque Parreão I foi “INAUGURADO” em 16.setembro.2014, na administração
do prefeito Roberto Cláudio Rodrigues Bezerra, tendo como secretário da
prefeitura um tal Samuel Antônio Silva Dias e chefe da regional IV o senhor
Francisco Airton Morais Mourão.
Além
do desrespeito patente a um dos maiores prefeitos de Fortaleza (já falecido),
tal atitude simboliza uma irresponsável e abusada tentativa de APROPRIAÇÃO
INDÉBITA, porquanto os fortalezenses que usam o Parque Parreão I (já há
décadas) sabem que o próprio foi idealizado e inaugurado pela dupla Juraci
Magalhães/Antônio Cambraia (no dia 03 de Setembro de 1993, é necessário que se
repita).
Conclusão:
como do jeito que está temos configurada uma situação ilegal, imoral e amoral,
ou verdadeira excrescência, se restar uma nesga de honestidade ao atual
prefeito da cidade a placa original (com os dados corretos) será reposta e, ao
seu lado, aí sim, um outro pedestal e uma outra placa informarão da
REINAUGURAÇÃO (e não “INAUGURAÇÃO”) do Parque Parreão I, na atual
administração.
É o mínimo que se pode esperar de pessoas com um átimo de sensatez e
clarividência”.
Atrasado. Reconheço. Refiro-me às comemorações pelos 70 anos
do fim da Segunda Guerra Mundial. Seus mitos, mentiras e verdades.
Os mitos. O mito da Alemanha Nazista invencível.
Surpreendente, vingativa e dominadora. O mito que a ferocidade com uma boa base
de tecnologia, organização e disciplina vence a ordem o do mundo. Um mito
vencedor.
O mito dos Deuses Caídos. Derrotados. Até o roer os ossos
que deuses não deveriam ter. A enorme derrota da Alemanha Nazista e da Itália
Fascista. Onde Hitler (o covarde supremo) suicidou-se logo após estimular seus
soldados morrerem lutando. Onde Mussolini foi preso e morto tentando fugir para
a Suíça.
Mentiras sob os raios luminosos de feiticeiros do cinema. Onde
os EUA, Inglaterra e França se tornam OS ALIADOS e sozinhos vencem a guerra.
Mentiras para esconder vergonhas do amor a Hitler.
Onde nos EUA Chaplin foi perseguido por ridicularizar o
líder nazista. Onde os chanceleres Ingleses e Franceses operaram francamente para
jogar Hitler para cima da União Soviética. E vergonhosamente cederam os sudetos
num no acordo de Munique.
Onde os EUA, a Inglaterra e outros aliados atacaram os
alemães na África, mas não na Europa e deixaram a União Soviética lutar sozinha
até quase chegar às fronteiras da Alemanha ao mesmo tempo que ocupava todo o
Leste Europeu. Onde já com a Alemanha quase batida em seu próprio território
finalmente chegaram as cenas da Normandia cuja gloria é cantada em filmes e no
resgate do Soldado Ryan que presta loas a uma família de vítimas da guerra.
Mas não falam de 20 a 27 milhões de russos mortos na guerra.
Enquanto na Alemanha morreram 8 milhões, onde ingleses morreram menos,
franceses numa divisão de cooperação à Alemanha e guerra no final. Onde
italianos, brasileiros, holandeses e tantos morreram.
Onde os EUA fizeram enorme economia de vida e materiais para
no final, no campo esgotado da guerra, levar o botim e consolidar-se como um
Império diferente de todos os outros. Todos os demais eram saqueadores, mas
também civilizadores. Os EUA não têm contribuição original nenhuma, com
frequência até aprendem, mas saqueiam até a medula.
A verdade se encontra nas imagens tiradas em 2 de maio de
1945 pelos russos na Berlim arrasada, quando empunharam a bandeira Soviética no
alto do prédio do Reichstag. Verdade porque brotada do maior sentimento de
vitória sobre o povo que tanto lhes fizera sofrer e morrer.
Verdade porque mostra a miséria da guerra. Quando se examina
o ato heroico dos soviéticos no cimo do prédio semidestruído embaixo é tudo
terra arrasada. Fumaça. Lama. Morte. Soldados se matando. O povo perdido em
ruas que não são mais cidades, sem linhas de abastecimento e sem redes de
proteção.
Com os olhos marejados, nariz vermelho, a face de sofrimento
um jovem, aqui em Paracuru, levantava uma questão central para o futuro do
país. Uma questão que machuca mais do que nunca pois praticamente exonera o
compromisso social com a demanda da família do rapaz.
A sogra, em franca insuficiência cardíaca, precisava de
urgente troca de uma das válvulas do coração. Antes que imagine tudo de ruim,
mire-se na explicação mais adiante. Ela demandava o direito dela à saúde dentro
do Sistema Único de Saúde, de acesso universal, gratuito, igualitário e com
participação social.
Depois de um périplo de empurra-empurra, incompatível com o
conceito de sistema, era jogada de um lugar para outro que não resolvia e nem
encaminhava a solução. Finalmente chegou a um hospital conveniado com o SUS na
capital cearense.
Para espanto familiar, não havia quem recepcionasse a
paciente, ninguém chamava um profissional e, finalmente, uma supervisora por
pressão familiar descobriu que no andar dos médicos, nenhum sinal deles havia.
E mais ainda, quando alguém apareceu não cuidou de encaminhar o caso.
Simplesmente enrolou a família no seu desespero.
Como se tratava de gente com prestígio social e político um
amigo foi acionado, telefonou para o “colega” no hospital que então partiu para
a ação que até então enrolara.
Continue comigo.
Uma das figuras mais populares de Paracuru, aposentado como
diretor da Universidade Federal, grande músico, detentor de enorme poder de
comunicação tem igual problema numa válvula cardíaca. Aí pelos, também
credenciados, Planos de Saúde.
O que aconteceu?
Um caso de estenose foi diagnostico há cinco anos e o médico
simplesmente não operou e deixou o estreitamente evoluir até um estágio
extremamente perigoso, com grande possibilidade de morte súbita. Em seguida não
atendeu mais ao paciente, a secretária passou a avisar que ele estava em
formação no exterior.
Na última revisão de imagem da lesão da válvula, ele ouviu o
tal doutor trabalhando normalmente. Quando foi a um cirurgião mais consciente,
este ficou perplexo com a atitude do “colega”. Francamente explicou que o plano
paga pouco pelo procedimento e o cara havia fugido do problema. Mas no extremo
da covardia e o espírito de ave de rapina jamais deixou claro para o paciente
que procurasse outro profissional. Simplesmente deixou que ele evoluísse até o
risco de morte.
Fique mais um pouco.
O sogro do rapaz que, então, revelou todo o desespero do seu
choro, aconteceu aqui mesmo em Paracuru. Um cirurgião que serve à cidade
simplesmente adiou a extração de um câncer de pele (o tipo mais agressivo o
espino-celular) para quarenta dias. E não adiantou o pedido de outro colega,
pai do rapaz.
Qual, então, o denominador comum das três histórias. O SUS e
Planos de Saúde foram tomados por um conjunto de abutres que no limite só pensa
em negócio. Em ganhar rios de dinheiro numa fragmentação de procedimentos que
reduzem a efetividade de qualquer tratamento e aumenta os danos à saúde.
Enfim, o modelo liberal e capitalista de exercício da
medicina tem se mostrado perverso, tolhendo a liberdade, a segurança e o futuro
da humanidade. Ou nos voltamos aos fundamentos do Controle Social verdadeiro,
não chapa branca, que bebe suas lutas nas demandas da sociedade e que jamais se
torna um capacho a serviço de prefeitos e vereadores, ou este modelo só produz
choro e desespero.
Não precisamos entrar numa caça às bruxas e nem no andar
meramente punitivo, mas precisamos antes de tudo colocar o interesse de todos à
frente da exploração comercial da saúde pública. Não se trata apenas de
desonestos profissionais de saúde, mas de um modelo que os estimula a isso. Já
vimos isso no tempo do INAMPS e estamos novamente na linha deste comportamento.
Talvez não explique tudo, mas parte da revolta desses
profissionais com o mais Médico venha desta antiética prática do negócio com a
doença. Negócio que se alimenta nos doentes reduz a efetiva do tratamento e
causa mais danos à saúde de mortalidade por causas evitáveis.
Mãe toda vez que busco tua definição, apesar da maternidade
que sou eu, encontro na raiz a mulher que me abriu a luz deste mundo. Mesmo
matéria da fusão com a matriz linguística pater,
sei que matriz é a mesma coisa que se manifesta em ti.
Tu mulher. Mesmo que minha voz seja feminina é a tua
condição de gênero, nesta divisão do trabalho, da renda, dos bens, do acesso
aos parâmetros desta civilização, que posso dizer: eis aí uma civilização
desgraçada. Aquela que discrimina a ti, mulher.
E não adiante toda esta ternura, por um dia apenas, se do meu
amor não surgir uma forte ação permanente para superar o rebaixamento das
mulheres em relação aos homens. É disso que falamos no dia das mães. Da condição
relativamente discriminada.
E quando canto o amor por ti mãe, preciso ouvir o
acompanhamento da melodia, entender os ruídos que a cercam. De outro modo o
encanto musical me aliena da tua condição. A tua condição de mulher.
O que do teu corpo fazem como mercadoria de consumo erótico.
Como suporte para o fetiche de roupas, joias, cremes e produtos gourmet. Do teu
útero que alugam para fazer crescer os delírios genético das classes
endinheiradas.
Tu mulher, quanto mais pobre, mais discriminada, usada e
descartada. Vítima de abusos. Atacada por uma moral que dizem religiosa e que
parecem retornar às pedras lançadas sobre o corpo frágil de Madalena.
E por ti, mãe, que medra até mesmo nas pedras, eu sei que tudo
isso nada tem a ver com qualquer fragilidade inerente. Jamais, em momento
algum, tive o menor indício de que esta discriminação tenha a ver contigo. Por
um mínimo traço que seja do teu ser de mulher a justificar o que esta
civilização desgraçada faz de ti.
E sei, mãe, é da tua coragem que a revolução onde se diz
igualdade às mulheres nascerá. Da tua luta. Da tua denúncia. Da tua liberdade.
Onde nenhum padrão de consumo, de negócio ou moral patriarcal irá tracejar o
teu destino.
Minha mãe foi, com certeza, a mulher que mais profissões exerceu em toda sua longa vida, sem ter sequer concluído o curso fundamental.
Tudo que ela aprendeu foi nas primeiras quatro séries que cursou, quando criança. Contudo, era de uma sabedoria sem par.
Descobri que minha mãe era uma decoradora de grandes qualidades, à medida que eu crescia e observava que ela sempre tinha um local no melhor móvel da casa, para as pequenas coisas que fazíamos na escola, meu irmão e eu.
Em nossa casa, nunca faltou espaço para colocar os quadrinhos, os desenhos, os nossos ensaios de escultura em barro tosco.
Tudo, tudo ganhava um espaço privilegiado. E tudo ficava lindo, no lugar que ela colocava.
Descobri que minha mãe era uma diplomata, formada na melhor escola do mundo (nosso lar), todas as vezes que ela resolvia os pequenos conflitos entre meu irmão e eu.
Fosse a disputa pela bicicleta, pela bola, pelo último bocado de torta, de forma elegantemente diplomática ela conseguia resolver. E a solução, embora pudesse não agradar os dois, era sempre a mais viável, correta, honesta e ponderada.
Descobri que minha mãe era uma escritora de raro dom, quando eu precisava colocar no papel as ideias desencontradas de minha cabecinha infantil.
Ela me fazia dizer em voz alta as minhas ideias e depois ia me auxiliando a juntar as sílabas, compor as palavras, as frases, para que a redação saísse a contento.
Descobri que minha mãe era enfermeira, com menção honrosa, toda vez que meu irmão e eu nos machucávamos.
Ela lavava os joelhos ralados, as feridas abertas no roçar do arame farpado, no cair do muro, no estatelar-se no asfalto.
Depois, passava o produto antisséptico e sabia exatamente quando devia usar somente um pequeno band-aid, o curativo ou a faixa de gaze, o esparadrapo.
Descobri que minha mãe cursara a mais famosa Faculdade de Psicologia, quando ela conseguia, apenas com um olhar, descobrir a arte que tínhamos acabado de aprontar, o vaso que tínhamos quebrado.
E, depois, na adolescência, o namoro desatado, a frustração de um passeio que não deu certo, um desentendimento na escola.
Era uma analista perfeita. Sabia sentar-se e ouvir, ouvir e ouvir. Depois, buscava nos conduzir para um estado de espírito melhor, propondo algo que nos recompusesse o íntimo e refizesse o ânimo.
Era também pós-graduada em Teologia. Sua ciência a respeito de Deus transcendia o conteúdo de alguns livros existentes no mundo.
O seu era o ensino que nos mostrava a gota a cair da folha verde na manhã orvalhada e reconhecer no cristal puro, a presença de Deus.
Que nos apontava a fúria do temporal e dizia: Deus vela. Não se preocupem.
Que nos alertava a não arrancar as flores das campinas porque estávamos pisando no jardim de Deus. Um jardim que Ele nos cedera para nosso lazer, e que devíamos preservar.
Ah, sim. Ela era uma ecologista nata. E plantava flores e vegetais com o mesmo amor. Quando colhia as verduras para as nossas refeições, dizia: Não vamos recolher tudo. Deixemos um pouco para os passarinhos. Eles alegram o nosso dia e merecem o seu salário.
Também deixava uns morangos vermelhinhos bem à mostra no canteiro exuberante, para que eles pudessem saboreá-los.
Era sua forma de manifestar sua gratidão a Deus pelos Seus cuidados: alimentando as Suas criaturinhas.
Minha mãe, além de tudo, foi motorista particular. Não se cansava de ir e vir, várias vezes, de casa para a escola, para a biblioteca, para o dentista, para o médico, para o teatro e de volta para casa.
Também foi exímia cozinheira, arrumadeira, passadeira, babá. E tudo isto em tempo integral.
Como ela conseguia, eu não sei. Somente sei que agora ela está na Espiritualidade. E Deus, como recompensa, por tantas profissões desempenhadas na Terra, lhe deu uma missão muito, muito especial: a de anjo guardião dos filhos que ficaram na bendita escola terrena.
Dor de cotovelo, com estilo, é outro papo! Sofrer com elegância faz toda a diferença. Letras densas e doídas, com uma pitada de charme da voz que mais se gosta de ouvir na vida, são alento para a alma. E, quando arranjos se modernizam e têm o tom vibrante e a entrega da intérprete, a lágrima vira festa! Noutro momento, o palco transforma-se em cabaré e a vontade é rasgar-se todo por dentro, afogando-se num copo de cachaça. Aí, é quando a gente se sente lá, com Lupi, em um de seus momentos de profunda mágoa - e o choro é incontido. Vou brigar com ela! Vingança? Nunca, isso é Loucura! Gal Costa e músicos brindaram-nos com momentos de raro prazer, o prazer da dor de amor. E, nesse contraditório, é que a gente entende que a Felicidade é breve. Mas existe.
Ela disse-me assim Gal Costa canta Lupicinio Rodrigues HSBC São Paulo - 08/05/15
E toda a história começa assim: um líder operário tenta
conciliar as classes sociais num projeto de governo. Logo de cara encontra o
preconceito de madame, mas ele grava um samba enaltecendo o amor acima da luta
de classes.
Mas madame tem mais do que preconceito de cor. Ela tem medo
da proximidade dos pobres. Mas madame não sabe que os grandes líderes de sua
classe pensam assim nela e nas panelas: “Aqui
tem a chave do meu barracão, pode voltar quando quiser, as panelas já estão
reclamando a falta de uma mulher”.
E madame bate panela para mostrar que o som da sua
inoxidável é mais metálico que o da vizinha. Só que madame não conhece Kathy
Calvin, presidente e Chief Executive Officer da United Nations Foundation. Tal
fundação foi criada em 1998 por contribuição particular, especialmente de Ted
Turner (ex-marido de Jane Fonda) para apoiar causas e atividades da ONU. O
trabalho da fundação está focado em diminuir a mortalidade infantil, o
empoderamento das mulheres e meninas, criação de energia limpa.
E madame que vive no varandão do seu apartamento batendo
panela contra o PT e Lula não sabe que Kathy foi identificada em 2012 pela
Newsweek entre as 150 mulheres que balançam o mundo, isso sem falar nas referências
do New York Times em 2011. Bem Kathy não tem nem um fio de cabelo que possa
lembrar a madame que seja uma marxista, bolivariana, petista ou coisa
assemelhada. Antes da ONU ela foi presidente da AOL Time Warner Foundation,
Vice-Presidente Sênior e Diretora de Comunicações da America Online, Diretor
Gerente Sênior da Hil and Knowlton que é uma empresa global de relações públicas
e foram muitos os cargos desta americana típica.
Agora madame, que bate panela e quer um fora Dilma e que
leve o PT junto vai ficar perplexa. Olha o que a Kathy disse sobre o governo destes
corruptos do mensalão e do petróleo. Disse isso após uma visita à Presidente
Dilma:
“Estamos
particularmente felizes de ver e aprender sobre o progresso que o Brasil fez em
termos de reduzir a fome e a mortalidade materna, a mortalidade infantil,
melhorando a cobertura para meninos e meninas. Melhorando a equidade de gênero
e assegurando que há uma inclusão no trabalho que tem sido feito para cidadãos brasileiros.
”
A Kathy raspa o fundo da panela de madame:
“Estamos impressionados
com o trabalho que já vem sendo feito no País para garantir que você tenha um
futuro com energia sustentável. Isso é algo que poder ser compartilhado pelo
mundo e onde o Brasil é uma grande liderança. ”
Tenho
o costume de entrar no carro e ligar imediatamente o rádio. E o que
ouço? Músicas antigas dos decênios de 1950, 1960, 1970 e até 1980
regravadas por outros cantores que passam a anos luz de distância do
autores originais. Roberto Carlos é a principal vitima dos
aproveitadores. Possui o maior número de seguidores que nada tendo para
criar, usam a criatividade alheia. Até o cearense Belchior com seus
"galos, noites e quintais" já teve suas belas músicas regravadas por
outros cantores que preferem a comodidade de "nada criar e tudo
aproveitar", seguindo a máxima do grande sábio Lavoisier.* Tenho
feito solitárias observações com a certeza de não serem elas frutos de
alucinações. Acontece que nos dias atuais, eu vejo em tudo uma grande
falta de criatividade. Na arte, na música, na cultura, na economia e na
política. Se
abro um jornal de qualquer cidade, vejo cópias fieis dos grandes
jornais do Rio e São Paulo repetindo a mesma cantilena de mais de meio
século atrás. O medo do comunismo "ateu e comedor de criancinhas" está
timidamente sendo ressuscitado por alguns desavisados. Voltaram as
passeatas nas ruas, nos moldes da desnecessária e inócua "Marcha da
Família com Deus pela Liberdade" e há até aqueles que na falta de algo
mais original, clamam por uma imediata intervenção militar. Insensatos!
Jamais souberam o que é a vida debaixo do tacão de uma ditadura. Os
jovens que viveram nos 21 anos da última ditadura não puderam exercer e
desenvolver seu pensamento político. Foram reprimidos e muitos deles
exilados, quando não vítimas de cruel tortura e até morte. Saibam
que foi desse meio que surgiram nossos políticos atuais. Copiadores das
idéias reinantes na época do IBAD, da "Aliança para o Progresso" e
submissos aos interesses da grande nação do norte. Daí a grande
dificuldade de entenderem a democracia e respeitar a escolha da maioria.
Provavelmente o ódio reinante de parte a parte seja a principal crise
que é cantada e decantada em prosas, versos e reversos. Agora
o perigo é muito maior. O jogo dos interesses está mais forte, com o
aumento das grandes reservas energéticas do nosso país, principalmente o
petróleo sob nosso mar continental. Se não acordaram ainda, pensem na
razão do grande bombardeio para condenar a Petrobrás, quando o montante
ali desviado pela corrupção é bem inferior à perda de impostos pela
Receita Federal dos recursos clandestinamente enviados para a Suissa via
HSBC por destacados políticos, ricaços e alguns atores globais. No
Brasil, nossa imprensa está a serviço dos seus donos, que são
capitalistas, cujo amor à pátria já jogaram na lata do lixo desde quando
amealharam o primeiro tostão. E isso sim, é a criatividade que alimenta
a lucratividade deles. O resto que "exploda", como bem dizia o genial Chico Anísio na pele do locutor "Roberval Taylor".
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
*Antoine de Lavoisier *1743; +1794: ("Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.")
Não tem futuro uma humanidade que entende o progresso como
um faça-se você mesmo, de modo egoísta e com argumentos de uma meritocracia que
justifica a exclusão. Este bate panelas que apenas estão vazias porque as
empregadas domésticas já as lavaram e as guardaram.
Há uma fonte permanente de desastres e morte no sistema de
acumulação de riquezas que explora outros povos de modo colonial e imperial,
extraindo seus potenciais e deixando milhões na miséria. Que após o desespero
de verdadeiros campos de concentrações e desgraça, como acontece na África,
ainda deixa que se afoguem nas águas do Mediterrâneo.
E quando a humanidade é vítima deste vício destrutivo é
preciso a revolução. Uma revolução que separe, que divida, que não pregue a paz
quando a espada é necessária para superar o veneno que corre no braço que bate
na panela, antes cheia, como se batesse nos pobres.
E há uma oração, de uma fonte tão universal no pensamento
dos brasileiros que é preciso escutá-la para situar-se. Alguém já ouviu o que
segue?
Não julgueis que vim
trazer paz a Terra; não vim trazer-lhe paz, mas espada; porque vim separar o
homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; e os
inimigos do homem serão os seus mesmos domésticos.
Ou dito de outra maneira:
Eu vim trazer fogo à
Terra, e que que eu, senão que ele se acenda? Eu, pois, tenho de ser batizado
num batismo, e quão grande não é a minha angústia, até que ele se cumpra? Vós
cuidais, que eu vim trazer paz à Terra: Não, vos digo eu, mas separação; porque
de hoje em diante haverá, numa mesma casa, cinco pessoas divididas, três contra
duas e duas contra três. Estarão divididas: o pai contra o filho, e o filho
contra seu pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; sogra contra sua
nora, e a nora contra sua sogra.
Pois como já se deduz pelo estilo, quem não conhecia esta
oração logo sabe a origem. Jesus Cristo sabia que mudar os homens gera
resistência. Os privilegiados da ordem corrompida não querem mudanças, os
acostumados a que nada mude não acredita nela, os que sofrem a opressão temem
mais açoites.
Então Jesus sabia desde dois mil anos passados, que a
mudança virtuosa gera oposição e um enfrentamento inerente. Toda revolução,
enfim, busca a paz, mas intimida enquanto se realiza. E não resta qualquer dúvida que Jesus, na
qualidade judaica do Messias, aquele que redime, sabe que o saber é evolutivo e
que a sua negação é causa de corrupção humana. Em outras palavras redimir, é
usar o conhecimento da realidade das pessoas para oferecer-lhe uma nova ordem
social de paz, de justiça e liberdade.
Se você não pensa assim, mas se diz cristão, precisa mergulhar
em águas batismais. Leiam sobre estes dados:
Atualmente 3,3 bilhões de pessoas vivem em regiões com transmissão
ativa de Malária. Isso compreende as América, África, Ásia e Oceania. Países
mais ao sul e ao norte, incluindo a calha do Mediterrâneo não têm transmissão da
malária.
Em torno de 1,2 bilhões de pessoas vivem em territórios com
risco elevado de pegar malária. Existem países na África onde para cada mil
habitantes 100 têm malária.
Estima-se que 198 milhões de pessoas pegaram malária em 2013
e 584 mil pessoas morreram da doença. A concentração de casos e mortes se
verifica na África – 82% do total de casos mundiais e 93% das mortes.
E tem mais: quanto mais pobre é o país e sua população mais
alto é a incidência de malária. A população mais vulnerável à doença: pobres, crianças,
mulheres gestantes, pessoas infectadas pelo HIV. A malária se tornou a doença da
exploração colonial e do avanço do capitalismo.
Comecemos pela religiosidade. A maioria dos brasileiros se
declara religioso. A principal corrente é judaico-cristã. Portanto há um Deus
pai, onisciente, onipresente, onipotente cuja única exigência às suas criaturas
é que o compreendam.
Nesta visão o princípio de todas as coisas é Deus e ele se
manifesta pela bondade (sem fim acrescentou o poeta do sertão) a tudo que nos
faz e decide. E a bondade é necessariamente compreensível. Ou seja, Deus
explica a bondade e a compreendemos.
Agora vamos a um canal de Diálogo durante depoimento entre
um preso da Lava Jato e o Juiz Sérgio Moro:
Cerveró – “Eu estou
preso há cinco meses, sem nenhuma culpa provada. Nenhuma acusação que o senhor
fez foi provada. ”
Juiz Moro – “Eu não
fiz nenhuma acusação senhor Nestor, foi o Ministério Público. ”
Cerveró – “Mas o
senhor aceitou a denúncia, baseado em ilações do Ministério Público”.
Juiz Moro – “Não vou
discutir com o senhor aqui as provas, vou avalia-las na sentença”.
Cerveró – “Mas qual é
o sentido de eu estar cinco meses preso, por que eu não posso responder em liberdade
ou em prisão domiciliar? Isso não pode ser analisado antes?”
Juiz Moro – “Não, o
processo está encerrado, praticamente”.
Cerveró – “Mas já me
custou cinco meses de cadeia. Qual foi o critério que o senhor usou para me
colocar preso preventivamente”?
Juiz Moro – “Eu não vou ficar discutindo minhas decisões
judiciais com o senhor. O interrogado aqui é o senhor, e não o juízo”.
Para os espíritos exaltados que se encontram na primeira
fila do apedrejamento, não custa lembrar que se um Juiz não pode se explicar a
quem acusa ou penaliza, ele pode tudo. Inclusive contra os exaltados, seus
antepassados ou descendentes.
A base da violência institucional (ditadura, achaques, agressões,
tortura etc.), que normalmente esconde outras intenções, é o biombo de quem não
se explica escondendo suas decisões e atos. Se Generais tão estúpidos tivessem,
no combate aos adversários da Ditadura o cuidado de prestar contas ao menos institucional,
agentes não teriam cometido as barbaridades inclusive decorrentes da psicopatologia
do torturador.
Então num e noutro caso, as Forças Armadas então e o Juiz de
Direito agora, adicionam outro atributo
a Deus: prepotência.
Para quem ainda não assistiu Travesthriller, vá até o Crato neste sábado dia 09 de maio de 2015 e confira a Feira Cariri Criativo que reúne empreendedores criatívos, grupos e coletivos de cultura e arte e organizações ligadas ao tema da Economia Criativa no Cariri.
Local: RFFSA Rua Ratisbona, 63100-140 Crato-CE
Programação:
07/05 (quinta-feira): 19h - Show Arajazz (UFCA)
08/05 (sexta-feira): 19h - Show Cleivan Paiva 20h - Show Banda Nazirê
09/05 (sábado): 17h às 19h - Oficina de arranjos florais de fibra de bananeira, com Têca Sales 18h - Cine Arte Clube (exibição dos curtas "Amor" e "Travesthriller", seguido de bate papo com os realizadores) 19h - Show Geraldo Junior e Os Virtuais (Part de Beto Lemos e Dudé Casado)
terça-feira, 5 de maio de 2015
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Por acreditar no espelho narcísico do sucesso. Talvez por admirar os EUA e sua vasta capacidade de lucrar. Quem sabe por repetir apenas o que os aduladores dizem na mídia. Mas a verdade é que Bill Gates e Steve Jobs é o ícone de uma certa idiotice acrítica do mundo empresarial. Nada como um empresário para desnudar a falsidade. Ricardo Semler, empresário brasileiro, filiado ao PSDB, bem traduz os dois personagens da religiosidade empreendedora:
Acho difícil esperar que tenham uma posição altruísta ou idealista em relação ao resto da humanidade. Figuras como Steve Jobs ou Bill Gates, por exemplo, não são muito diferentes dos grandes empresários americanos do fim do século 19, que expandiram as redes de eletricidade e ferrovias do país. São monopolistas, tentam quebrar os concorrentes, têm um ego enorme.
Parabéns, Faby ! Você que nos tem dado o presente da sua presença e que nos tem preenchido a vida de luz, de rios e cachoeiras. Você é que tem transformado, dia a dia, o pálido nanquim das nossas vidas numa ofuscante aquarela. Por tudo isso te amamos tanto e nem conseguimos imaginar como seria a paisagem dessa existência sem teu sorriso e tua doçura. Beijão !