Foto: Foto da Silhueta
Dihelson Mendonça
por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
segunda-feira, 15 de abril de 2013
“No futuro, não serão considerados analfabetos apenas aqueles que não souberem ler, mas também quem não entender o funcionamento de uma máquina fotográfica”
Escrita em 1936 pelo fotógrafo Húngaro László Moholy-Nagy
OFICINA DE INICIAÇÃO À FOTOGRAFIA... Por: Pachelly Jamacaru
Trata-se do ABC da Fotografia, para pessoas que são aficionados por esta Arte, mas que estão realmente iniciando!
Período: Mês: Maio, DIAS: 6,7, e 8
Horário: 19h às 21.30h
LOCAL: Centro do Crato – Rua José Carvalho 251
Inscrição: até o dia 25
Os pretendentes manifestem interesse deixando MSG aqui ou me procurando. Inscrições até o dia: 25 de Abil.
Foto: Foto da Silhueta
Dihelson Mendonça
Foto: Foto da Silhueta
Dihelson Mendonça
"Passaporte para matar" - José Nilton Mariano Saraiva
Até aqueles que, por descaso ou preguiça, não
querem nada com a vida, sabem que na terra “Brasilis” constitui-se privilégio
do Presidente da República e/ou os integrantes do Congresso Nacional o poder
de, através do instrumento conhecido por PEC (Proposta de Emenda Constitucional),
modificar de forma específica e pontual a Constituição Federal. E, como não se
muda uma Carta Magna por bel prazer, o ideal seria que prevalecessem razões consistentes
e relevantes para a materialização das mudanças reclamadas, em razão dos reflexos
espraiados pra toda a sociedade. Pelo menos esse é o espírito da coisa. E o
nosso Poder Legislativo (Congresso Nacional), estuário constitucional das
demandas sociais, deveria primar por sua aplicação.
Entretanto, como nem sempre prática e teoria formam
um casal perfeito, em determinadas ocasiões os inescrupulosos integrantes do
nosso Congresso Nacional (sempre eles, com as exceções de praxe) tratam de
avacalhar a questão, ao darem um jeito de legislar em causa própria, sem
maiores responsabilidades com a seriedade e a justeza da causa. Ou alguém já
esqueceu que, ao preço de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) por voto (conforme
declaração espontânea de um deles), os “nobres” representantes do povo não
titubearam em chancelar a ânsia de mais um ano no poder, manifestada pelo então
presidente José Sarney, aumentando-lhe o mandato (via PEC) e, por tabela, o
suplício de todos nós, vítimas indefesas de um presidente incompetente e venal.
Em outros casos e outras situações, o modus operandi repetiu-se, sempre
privilegiando os poderosos e penalizando os necessitados (os aposentados que o
digam, quando nos enfiaram goela abaixo o tal “fator previdenciário).
A reflexão acima é só pra lembrar um tema
realmente relevante (e atualíssimo) que já deveria ter sido objeto de estudos e
reflexão, mas que continua emperrado, lá nas instâncias superiores: referimo-nos
à necessidade de se rever a lei que define a tal da “maioridade penal”. Afinal,
não é de hoje que, graças a uma legislação caduca e a códigos de conduta arcaicos
e por demais benevolentes, os “menores-coitadinhos” do Brasil se escudam atrás
dessa verdadeira anomalia em nosso sistema jurídico, para insistirem, persistirem e nunca desistirem de usar
e abusar da impunidade lhes conferida, danando-se a cometer, diuturnamente, os
mais hediondos e abjetos crimes. E ainda temos que suportar o absurdo dos
absurdos: ao serem detidos ou se apresentarem voluntariamente (sem qualquer
temor), já chegam admitindo a autoria do crime bárbaro, mas, incontinente, ressalvam
para a autoridade constituída serem “menor de idade”. Como que cinicamente admitindo:
fiz, sim, mas você não pode fazer nada comigo.
O retrato emblemático de tal excrescência deu-se
agora em São Paulo, quando um jovem estudante, certamente que com um belo
futuro à frente, foi executado covarde e sumariamente por um desses “marginais-menores”
da vida, sem dó nem piedade. Embora que por linhas tortas, tal tragédia deveria
constituir-se uma ótima oportunidade para se pensar seriamente na promulgação
de uma Proposta de Emenda Constitucional que reduzisse a idade mínima para a
tal “maioridade penal”, ao tempo em que, numa tentativa de inibir tal
barbaridade, dar-se-ia um jeito de aumentar o castigo para os que cometessem
qualquer delito atentatório à vida. E mais: que se exigisse o cumprimento
integral da pena estabelecida, sem essa de afrouxar para esses “vermes” que
infelicitam muitas famílias envolvidas. Acabemos com essa história de progressão
de pena, de indulto natalino, banho de sol e coisas tais. Se foi condenado a
200 anos de detenção, que se cumpra os 200 anos e se possível em regime
fechado. Além do que, a imagem do bandido deveria ser veiculada, sim, em rede
nacional, para que todos o conhecêssemos.
Até em termos pedagógicos essa seria a hora para
que nossos políticos agissem em consonância com a sociedade, mostrassem que se
acham solidários com o perigo que nos ronda diuturnamente e, enfim, que são
dignos do nosso voto. Mas, aí, o que acontece ??? “Eles” (nosso políticos,
claro), navegando na contramão da história e relegando o bom senso, de pronto deitam
falação sobre a inconstitucionalidade de qualquer medida que vise reduzir a
maioridade penal, bradam em alto e bom som que tal medida só faria piorar as
coisas e por aí vai, sem que lembrem (convenientemente) que bastaria a aprovação
e promulgação de uma PEC específica, objetivando obstar tal aberração.
Fato é que, se medidas duras não foram tomadas, os
nossos “menores-coitadinhos” continuarão agindo impunemente e mais e mais
famílias serão infelicitadas por esse Brasil afora. Por uma razão simplória: o tal
livrinho, que versa sobre o “menor de idade”, transformou-se e constitui-se hoje
num autentico “passaporte para matar”.
&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&
Post Scriptun: 01) Agora, aqui prá nós: alguém
duvida que se alguém se dispusesse a “pagar” para que “eles” emendassem a
Constituição com esse objetivo, eles o fariam de pronto ??? 02) E se a vítima fosse um dos familiares deles (esposa,
filho, pai), será que se sensibilizariam ???
Tiago Araripe por José Flávio Vieira
Tiago Araripe
sempre foi a maior vocação literária da minha geração. Era o que
escrevia melhor entre todos nós. A música terminou roubando-o para suas
hostes. O show foi super legal. A banda ótima e as sonoridades de Tiago
continuam na vanguarda, molhadas
da Lira Paulistana. Sua poesia, no entanto, sempre me pareceu o ponto
mais alto das suas músicas ( como sou mais ligado à literatura, talvez
seja suspeito), poeta conciso, com um humor leve e fino, úmido do
concretismo que vivenciou bem em Sampa com Décio Pignatari e muitos
outros. Ave !
domingo, 14 de abril de 2013
Este texto e as fotos fazem parte de um vídeo preparado para um ex-pescador de Paracuru que hoje é dono de um dos melhores restaurantes de peixada da cidade. João do Sapuril sofreu um grave naufrágio quando comandava um barco de pesca de lagosta e isso o afastou definitivamente do mar. O apelido Sapuril se refere à piada mesmo e a um recanto que havia na Praia do Futuro em Fortaleza. O restaurante do João fica na Praia da Pedra Rachada em Paracuru.
Esses são meus cumprimentos por me encontrar novamente na companhia do povo da minha terra. Desta comunidade que por vezes se agasta com minhas idéias e até por certo espírito político combativo, mas o motor do mundo é mesmo a contradição. De qualquer modo é um imenso prazer está aqui neste blog com os lutadores de sempre, o Mariano, Zé Flávio, Carlos Esmeraldo, Stela, e tanta gente que não vou citar para não expor as falhas de memória no correr da pena. Em especial um grande abraço a este amor de pessoa que é a Socorro Moreira. O exercício do amor em forma de pessoa.
Cheguei.
José do Vale Pinheiro Feitosa
"Bãião de Nós"- Tiago Araripe
Auditório do SESC ficou lotado para assistir
Tiago Araripe, na noite de ontem. Rolou aplausos emocionados, na interação com
o trabalho bem cuidado de um artista, que tem raízes nas terras do Cariri,
notadamente do Crato, sua cidade natal.
Letras inteligentes, bela voz, musicalidade
contemporânea.
Pedimos bis, e escutamos prazerosamente,
"Gregório"!
-Um convite lúdico a uma vida mais
gregária!
A plateia entusiasmada viveu uma noite
inesquecível.
Fica o desejo da reprise, mesmo tendo em nossos
pertences um exemplar do CD .
Que Tiago Araripe possa voltar muito em breve
para o deleite do nosso povo.
Parabéns, Tiago!
Sucesso!!!
Nosso abraço carinhoso, pessoa querida!
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Pilates
Cristo? Todos responderam: Seja
crucificado!
O governador tornou a perguntar: Mas que mal
fez ele? E gritavam
ainda mais forte: Seja
crucificado!
Pilatos viu que nada adiantava,
mas que, ao contrário, o tumulto
crescia. Fez com que lhe
trouxessem água, lavou as mãos diante do
povo e disse: Sou inocente do
sangue deste homem. Isto é lá convosco!
Mateus 27: 22-24
François
não se abalou muito quando a notícia chegou subitamente à Delegacia , trazida
por um desses meganhas de plantão. Assumindo aquele cargo há mais de dez anos,
já se acostumara com o cheiro forte de sangue, correndo e fervendo pelo asfalto
quente, em feitio de chouriço. Se os homens carregavam consigo um anjo e um
demônio, ali , naquela seccional do inferno, não dava para perceber a face
angelical. Viera substituindo o delegado anterior , aquele que tivera uma
administração eivada de denúncias múltiplas : roubo, cumplicidade com o crime
organizado, tortura de prisioneiros, vistas grossas para prostituição de
menores, preconceito nas ações repressivas . Possivelmente fora escolhido não
pelo histórico favorável de pureza e lhaneza de trato. François carregava
consigo o mesmo pecado original : durão, não poucas vezes julgara pretensos
bandidos à pena de morte e executara a penalidade sem nenhum remorso. Comparava
sua função a de um urubu : “Temos que comer a
carniça e livrar a sociedade do mal cheiro! Mesmo assim todos vão ter
nojo de nós !” Nosso Delegado tinha uma qualidade que o fazia bastante
singular. Era tranqüilo, transparecia
uma aparente calma budista, educação e
segurança e possuía grande traquejo no trato com a mídia. Seus superiores
tinham, em mãos, o candidato ideal : um esgotador de fossa séptica que
conseguia não se imantar de qualquer cheiro pútrido.
A
chegada do samango, meio aflito, naquela tarde de sexta feira, não o tirou do
sério. Com palavras que quase se abalroavam umas nas outras, contou o ocorrido.
Estava havendo um grande B.O. , naquele momento, no centro da cidade. Um
adolescente furtara um celular de uma vitrine e saíra em desabalada carreira.
Várias pessoas presenciaram o ocorrido , firmaram trincheira e se puseram , na
perseguição do menor. Cercaram-no na praça principal da cidade. O soldado
tentara conter a turba, mas sozinho, corria o risco de entrar no pau, também.
Viera então pedir ajuda ao Delegado para juntar contingente e evitar o pior.
François
levantou-se sem atropelo. Estranhamente, chamou apenas o seu subordinado e
partiram céleres para praça, a apenas uns cem metros da Delegacia. Poderia ter
arregimentado outros soldados, mas preferiu enfrentar a questão sozinho. Em lá
chegando, deu de frente com os preparativos do massacre. No chão, um menino
todo ensangüentado, olhos injetados de terror. Ao derredor, a turba enfurecida , incontrolável, a
espezinhar e chutar seguidamente o rapazinho. François tomou a frente e pediu
calma que a justiça estava ali representada. A multidão, porém, como um estouro
da boiada , não lhe deu ouvidos. O delegado estava armado e ainda pensou em dar
um tiro para cima para amedrontar os circunstantes. Mas depois ponderou consigo
mesmo : tinha que respeitar a democracia, a maioria sempre tem razão, não é
mesmo ? Ademais, não existe crime possível cometido por tantas pessoas
ajuntadas. Ele, por outro lado, fizera já a sua parte, bem que tentara, mas não
conseguira evitar , né ? Nisso , um paralelepípedo
foi arremessada na cabeça do pobre infrator , como um golpe de misericórdia. O
sangue espirrou . Algumas gotas terminaram por tingir a roupa e os braços do
delegado. Ele saiu, calmamente, e lavou as mãos na fonte da praça. Saiu
conformado. Bem que tentara ! Alguma coisa porém travava o seu peito, como se
tivesse ali uma porta de ferro com tramela.
À tarde, deu uma esmola
de dez reais a um mendigo que o estendera a mão na rua. Saiu leve e reconfortado. Não fizera nada,
afinal ! Fora apenas um mero espectador. Sou uma pessoa simples e caridosa ,
pensou com seu cassetete, preenchendo um
silêncio esquisito que ecoava de dentro da alma. Entrou na academia e foi fazer
Pilates !
J. Flávio Vieira
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Justiça, ainda que tardia. - Por Carlos Eduardo Esmeraldo
A chamada PEC das domésticas, emenda constitucional que veio igualar essa categoria de empregados aos demais trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas, tem causado indignação à grande parcela das elites, justamente aqueles que não se livraram da pose de "senhores de engenho."
Alardeiam o aumento do desemprego da categoria, numa espécie de terror injustificável por parte de pessoas que possuem residência de praia ou casa de veraneio nas serras com adega repleta de whiski e outras bebidas importadas, anualmente trocam de carro, viajam à Europa, Estados Unidos, Argentina ou Chile.
Embora muitos empregadores domésticos há anos assinam as carteiras de trabalho, pagam os direitos trabalhistas: INSS, FGTS, Plano de Saúde (que infelizmente "esqueceram" de incluir na lei.), férias de 30 dias por ano, além de outras vantagens, a reação das elites é forte.
Mal a legislação foi aprovada, um deputado paulista do PSDB, entrou recentemente com uma proposta de regulamentação da lei, em que propõe zerar a multa do FGTS nas demissões sem justa causa e baixar de vinte para oito por cento a contribuição ao INSS. E esse deputado que se diz porta voz das domésticas teve a coragem de dizer que deseja evitar o desemprego em massa. Na realidade, está atuando em favor dos patrões, isto é; das elites, como sempre foi a prática do seu partido.
Fui criado numa família do meio rural, com muitos irmãos, onde não faltavam servidores domésticos, numa época sem nenhuma lei que protegesse esse pessoal. Mas logo percebi que deveria seguir a mesma legislação com a qual era tratado no meu emprego.
Finalmente fez-se justiça com a maior classe trabalhista brasileira, derrubando definitivamente a escravidão no nosso país.
Alardeiam o aumento do desemprego da categoria, numa espécie de terror injustificável por parte de pessoas que possuem residência de praia ou casa de veraneio nas serras com adega repleta de whiski e outras bebidas importadas, anualmente trocam de carro, viajam à Europa, Estados Unidos, Argentina ou Chile.
Embora muitos empregadores domésticos há anos assinam as carteiras de trabalho, pagam os direitos trabalhistas: INSS, FGTS, Plano de Saúde (que infelizmente "esqueceram" de incluir na lei.), férias de 30 dias por ano, além de outras vantagens, a reação das elites é forte.
Mal a legislação foi aprovada, um deputado paulista do PSDB, entrou recentemente com uma proposta de regulamentação da lei, em que propõe zerar a multa do FGTS nas demissões sem justa causa e baixar de vinte para oito por cento a contribuição ao INSS. E esse deputado que se diz porta voz das domésticas teve a coragem de dizer que deseja evitar o desemprego em massa. Na realidade, está atuando em favor dos patrões, isto é; das elites, como sempre foi a prática do seu partido.
Fui criado numa família do meio rural, com muitos irmãos, onde não faltavam servidores domésticos, numa época sem nenhuma lei que protegesse esse pessoal. Mas logo percebi que deveria seguir a mesma legislação com a qual era tratado no meu emprego.
Finalmente fez-se justiça com a maior classe trabalhista brasileira, derrubando definitivamente a escravidão no nosso país.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
"13 minutos" - José Nilton Mariano Saraiva
Todo mundo sabe que a
indústria cinematográfica americana adora transportar (com extrema competência)
para o cinema, aquelas ações do cotidiano que causam impacto à população
(terremotos, furacões, tsumanes, ataques terroristas e por aí vai), até porque
rende muita, mas muita grana mesmo. Mas,
em 2001, quando os árabes liderados por Osama Bin Laden impingiram à maior nação
do mundo a suprema humilhação da sua história, ao seqüestrarem aviões
americanos e os transformarem em bombas letais que derrubaram as Tôrres Gêmeas
de Nova Iorque e parte do Pentágono (sede do comando militar), o governo
americano teria reunido roteiristas, diretores e produtores do cinema americano
e terminantemente “proibido” que tais ocorrências fossem imortalizadas, via cinema
(embora a televisão tenha filmado e divulgado, ao vivo, parte do “show”). A exceção
foi o filme o “Voo 83”, que pretendeu transformar a tragédia numa espécie de
vitória americana, ao narrar que o quarto avião terrorista, que iria ser jogado
sobre a Casa Branca, sede presidencial, teria sido derrubado de forma até
heróica pelos passageiros, ao pressentirem para onde se dirigia e com qual
objetivo; assim, melhor que todos morressem (suprema glória) para salvar o presidente
da nação (no entanto, há a suspeita de que,
sem se importar com as dezenas de americanos
em seu interior, teria a força aérea yanque sido ordenada a derrubar o avião,
antes que conseguisse o seu desiderato).
Nos dias atuais, saíram
de cena os árabes e a “bola da vez” seria o exótico mandatário da longínqua Coréia
do Norte e seus militares, que, insatisfeita com os Estados Unidos, estaria
disposta a “bater de frente” com os americanos, inclusive com o uso de armas nucleares
de longo alcance. Se realmente possuem “bala na agulha” pra isso ninguém sabe,
mas o fato é que existe a ameaça diuturna e a conseqüente promessa de
retaliação, de pronto.
Coincidentemente, está
em cartaz nas telonas (cinema) o filme americano “Invasão à Casa Branca”, que
nos mostra a facilidade com que, numa ação violenta e fulminante, um grupo de
...norte-coreanos, toma de assalto a sede do poder central americano, fazendo
de refém o seu presidente e principais assessores para, a partir daí, se apossarem
do seu arsenal nuclear, através da
obtenção forçada de um código específico. E aí, pequenas falhas dos produtores
do filme: 01) no diálogo entre o chefe
terrorista e o presidente americano, aquele diz para este: “...sua segurança
gasta 15 minutos pra se deslocar até aqui; eu precisei de apenas 13 minutos pra
se apossar da sua Casa Branca” (será que é isso mesmo ???); 02) numa discussão
entre o Chefe do Estado Maior americano e o presidente em exercício, aquele diz
pra este que o presidente deve se achar no “bunker” existente no subsolo da
residência oficial, “...capaz de suportar até um ataque nuclear” (mais tarde, os
terroristas explodem o tal “bunker” com “quatro bombinhas” introduzidas com uma
furadeira mixuruca em uma das suas paredes laterais, saem com o presidente, usado como "escudo de proteção" e de lá se mandam; 03) por fim, o herói, um renegado ex-segurança
presidencial se redime de uma falha anterior (quando a esposa do presidente foi
morta), ao salvar o filho do presidente, abater todos os norte-coreanos (inclusive
o chefão) e sair ovacionado de uma destruída Casa Branca, abraçado ao chefão,
ambos feridos.
Ato final (e já
tradicional nos filmes americanos): já refeito,
o presidente fala para o mundo enaltecendo os valentes americanos que perderam
a vida na batalha, da certeza de que a América é indestrutível e, finalmente, como
bom católico que é, não esquece de agradecer a Deus pelo desfecho final.
Apesar dos “efeitos
especiais”, fraco o filme, mas que se destaca por ser lançado (coincidentemente
???) no momento em que, na vida real, Estados
Unidos e Coréia do Norte trocam “amabilidades”.
terça-feira, 9 de abril de 2013
Política - Cynara Menezes (Carta Capital)
O perfeito
imbecil politicamente incorreto
No
Brasil, é aquele sujeito que se sente no direito de ir contra as idéias mais
progressistas e civilizadas possíveis em nome de uma pretensa independência de
opinião. Saiba como reconhecê-lo.
Em
1996, três jornalistas –entre eles o filho do Nobel de Literatura Mario Vargas
Llosa, Álvaro –lançaram com estardalhaço o “Manual do Perfeito Idiota
Latino-Americano”. Com suas críticas às idéias de esquerda, o livro se tornaria
uma espécie de bíblia do pensamento conservador no continente. Vivia-se o auge
do deus mercado e a obra tinha como alvo o pensamento de esquerda, o
protecionismo econômico e a crença no Estado como agente da justiça social.
Quinze anos e duas crises econômicas mundiais depois, vemos quem de fato era o
perfeito idiota.
Mas, quem diria, apesar de derrotado pela história, o Manual continua sendo não só a única referência intelectual do conservadorismo latino-americano como gerou filhos. No Brasil, é aquele sujeito que se sente no direito de ir contra as idéias mais progressistas e civilizadas possíveis em nome de uma pretensa independência de opinião que, no fundo, disfarça sua real ideologia e as lacunas em sua formação. Como de fato a obra de Álvaro e companhia marcou época, até como homenagem vamos chamá-los de “perfeitos imbecis politicamente incorretos”. Eles se dividem em três grupos:
1. o “pensador” imbecil politicamente incorreto: ataca líderes LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trânsgeneros) e defende homofóbicos sob o pretexto de salvaguardar a liberdade de expressão. Ataca a política de cotas baseado na idéia que propaga de que não existe racismo no Brasil. Além disso, ações afirmativas seriam “privilégios” que não condizem com uma sociedade em que há “oportunidades iguais para todos”. Defende as posições da Igreja Católica contra a legalização do aborto e ignora as denúncias de pedofilia entre o clero. Adora chamar socialistas de “anacrônicos” e os guerrilheiros que lutaram contra a ditadura de “terroristas”, mas apoia golpes de Estado “constitucionais”. Um torturado? “Apenas um idiota que se deixou apanhar.” Foge do debate de idéias como o diabo da cruz, optando por ridicularizar os adversários com apelidos tolos. Seu mote favorito é o combate à corrupção, mas os corruptos sempre estão do lado oposto ao seu. Prega o voto nulo para ocultar seu direitismo atávico. Em vez de se ocupar em escrever livros elogiando os próprios ídolos, prefere a fórmula dos guias que detonam os ídolos alheios –os de esquerda, claro. Sua principal característica é confundir inteligência com escrever e falar corretamente o português.
2. o comediante imbecil politicamente incorreto: sua visão de humor é a do bullying. Para ele não existe o humor físico de um Charles Chaplin ou Buster Keaton, ou o humor nonsense do Monty Python: o único humor possível é o que ri do próximo. Por “próximo”, leia-se pobres, negros, feios, gays, desdentados, gordos, deficientes mentais, tudo em nome da “liberdade de fazer rir.” Prega que não há limites para o humor, mas é uma falácia. O limite para este tipo de comediante é o bolso: só é admoestado pelos empregadores quando incomoda quem tem dinheiro e pode processá-los. Não é à toa que seus personagens sempre estão no ônibus ou no metrô, nunca num 4X4. Ri do office-boy e da doméstica, jamais do patrão. Iguala a classe política por baixo e não tem nenhum respeito pelas instituições: o Congresso? “Melhor seria atear fogo”. Diz-se defensor da democracia, mas adora repetir a “piada” de que sente saudades da ditadura. Sua principal característica é não ser engraçado.
3. o cidadão imbecil politicamente incorreto: não se sabe se é a causa ou o resultados dos dois anteriores, mas é, sem dúvida, o que dá mais tristeza entre os três. Sua visão de mundo pode ser resumida na frase “primeiro eu”. Não lhe importa a desigualdade social desde que ele esteja bem. O pobre para o cidadão imbecil é, antes de tudo, um incompetente. Portanto, que mal haveria em rir dele? Com a mulher e o negro é a mesma coisa: quem ganha menos é porque não fez por merecer. Gordos e feios, então, era melhor que nem existissem. Hahaha. Considera normal contar piadas racistas, principalmente diante de “amigos” negros, e fazer gozação com os subordinados, porque, afinal, é tudo brincadeira. É radicalmente contra o bolsa-família porque estimula uma “preguiça” que, segundo ele, todo pobre (sobretudo se for nordestino) possui correndo em seu sangue. Também é contrário a qualquer tipo de ação afirmativa: se a pessoa não conseguiu chegar lá, problema dela, não é ele que tem de “pagar o prejuízo”. Sua principal característica é não possuir ideias além das que propagam os “pensadores” e os comediantes imbecis politicamente incorretos.
Mas, quem diria, apesar de derrotado pela história, o Manual continua sendo não só a única referência intelectual do conservadorismo latino-americano como gerou filhos. No Brasil, é aquele sujeito que se sente no direito de ir contra as idéias mais progressistas e civilizadas possíveis em nome de uma pretensa independência de opinião que, no fundo, disfarça sua real ideologia e as lacunas em sua formação. Como de fato a obra de Álvaro e companhia marcou época, até como homenagem vamos chamá-los de “perfeitos imbecis politicamente incorretos”. Eles se dividem em três grupos:
1. o “pensador” imbecil politicamente incorreto: ataca líderes LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trânsgeneros) e defende homofóbicos sob o pretexto de salvaguardar a liberdade de expressão. Ataca a política de cotas baseado na idéia que propaga de que não existe racismo no Brasil. Além disso, ações afirmativas seriam “privilégios” que não condizem com uma sociedade em que há “oportunidades iguais para todos”. Defende as posições da Igreja Católica contra a legalização do aborto e ignora as denúncias de pedofilia entre o clero. Adora chamar socialistas de “anacrônicos” e os guerrilheiros que lutaram contra a ditadura de “terroristas”, mas apoia golpes de Estado “constitucionais”. Um torturado? “Apenas um idiota que se deixou apanhar.” Foge do debate de idéias como o diabo da cruz, optando por ridicularizar os adversários com apelidos tolos. Seu mote favorito é o combate à corrupção, mas os corruptos sempre estão do lado oposto ao seu. Prega o voto nulo para ocultar seu direitismo atávico. Em vez de se ocupar em escrever livros elogiando os próprios ídolos, prefere a fórmula dos guias que detonam os ídolos alheios –os de esquerda, claro. Sua principal característica é confundir inteligência com escrever e falar corretamente o português.
2. o comediante imbecil politicamente incorreto: sua visão de humor é a do bullying. Para ele não existe o humor físico de um Charles Chaplin ou Buster Keaton, ou o humor nonsense do Monty Python: o único humor possível é o que ri do próximo. Por “próximo”, leia-se pobres, negros, feios, gays, desdentados, gordos, deficientes mentais, tudo em nome da “liberdade de fazer rir.” Prega que não há limites para o humor, mas é uma falácia. O limite para este tipo de comediante é o bolso: só é admoestado pelos empregadores quando incomoda quem tem dinheiro e pode processá-los. Não é à toa que seus personagens sempre estão no ônibus ou no metrô, nunca num 4X4. Ri do office-boy e da doméstica, jamais do patrão. Iguala a classe política por baixo e não tem nenhum respeito pelas instituições: o Congresso? “Melhor seria atear fogo”. Diz-se defensor da democracia, mas adora repetir a “piada” de que sente saudades da ditadura. Sua principal característica é não ser engraçado.
3. o cidadão imbecil politicamente incorreto: não se sabe se é a causa ou o resultados dos dois anteriores, mas é, sem dúvida, o que dá mais tristeza entre os três. Sua visão de mundo pode ser resumida na frase “primeiro eu”. Não lhe importa a desigualdade social desde que ele esteja bem. O pobre para o cidadão imbecil é, antes de tudo, um incompetente. Portanto, que mal haveria em rir dele? Com a mulher e o negro é a mesma coisa: quem ganha menos é porque não fez por merecer. Gordos e feios, então, era melhor que nem existissem. Hahaha. Considera normal contar piadas racistas, principalmente diante de “amigos” negros, e fazer gozação com os subordinados, porque, afinal, é tudo brincadeira. É radicalmente contra o bolsa-família porque estimula uma “preguiça” que, segundo ele, todo pobre (sobretudo se for nordestino) possui correndo em seu sangue. Também é contrário a qualquer tipo de ação afirmativa: se a pessoa não conseguiu chegar lá, problema dela, não é ele que tem de “pagar o prejuízo”. Sua principal característica é não possuir ideias além das que propagam os “pensadores” e os comediantes imbecis politicamente incorretos.
*********************************
OBS: Postagem original do Zé Flávio, no "Cariricult, que achamos por bem trazer pra cá, face à contundência embutida.
domingo, 7 de abril de 2013
sábado, 6 de abril de 2013
Previsível - José Nilton Mariano Saraiva
Depois do giro fracassado pela Europa, onde foi derrotada pela
Inglaterra (2x1) e empatou (com dificuldade) com a Itália (2x2) e Rússia (1x1),
dentro de alguns minutos a seleção do Felipão deverá obter sua primeira
vitória, e de forma convincente.
E o tal do Neymar deverá deitar e rolar, casar
e batizar pra cima dos esforçados jogadores da seleção boliviana, de forma que
as manchetes dos principais jornais do começo da semana o elevarão às alturas,
destacando que apesar da altitude o “craque” comandou o Brasil numa vitória
espetacular. Não se trata de palpite, mas algo bastante previsível (se não ganhar da Bolívia, ganhará de quem ???).
A reflexão acima é só pra lembrar que, no tempo do Botafogo de Garrincha
e do Santos de Pelé, nossa turma ia lá e enfiava extravagantes goleadas nos
adversários e nunca ninguém falou nessa tal de altitude.
É por essas e outras que o futebol nos dias atuais se acha tão
desgastado e sem credibilidade.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Por que não, D. Lúcia ?
Há uma grande polêmica no Brasil , atualmente, perceptível na
TV, nas ruas, nas Redes Sociais. Envolve o Deputado Federal, por São Paulo,
Marco Feliciano, do Partido Socialista
Cristão. Ele sempre foi combatido por posições retrógradas e eivadas de
preconceito, no que tange a assuntos
religiosos e morais. Vejamos, caros leitores,
algumas de suas pérolas, mesmo sob o risco de náuseas e de
engulhos: “A AIDS é o Câncer Gay !”; “A
podridão dos sentimentos homoafetivos , leva ao ódio, ao crime, à rejeição”
. Se o leitor ainda não vomitou, vão mais algumas para teste : “Os africanos descendem de um ancestral
amaldiçoado por Noé, isso é fato !” ;
“Depois da União Civil virá a adoção de crianças por parceiros Gays, a extinção
das palavras Pai e Mãe, a destruição da família “. Todas estas citações,
públicas, estão untadas de racismo e homofobia, inexplicáveis nos dias de hoje,
passíveis de pena nos tribunais , impensáveis de serem citadas por um louco
qualquer, muito menos por um representante do povo. Poderiam ter sido arrancadas
do “Mein Kampf” e correm o risco de
horrorizar o próprio Bolsanaro. Não bastasse esta idiotice particular , o
Congresso Nacional ( que tem dado seguidas demonstrações de incongruência e
fragilidade ) uniu-se à insanidade do seu membro e elegeu-o ( loucura das loucuras) : Presidente
da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara . Compara-se a eleger
Hitler como juiz no julgamento de Nuremberg. As minorias que se encontram em invejável nível de
organização nestes últimos dez anos, reagiram, como se deveria esperar, foram às ruas, invadiram reuniões da
Comissão e estabeleceu-se um impasse ainda sem solução no momento. Feliciano,
que é pastor evangélico, teve , de
início, apoio do segmento que o representa, mas –pouco a pouco – o desgaste
começa a corroer suas estruturas de sustentação. As críticas inicialmente
endereçadas a ele se espraiam para suas hostes religiosas e o incômodo passou a
ser nítido no setor evangélico. Feliciano resiste, mas não tem como se segurar
, a queda é previsível e dá-se como favas contadas.
Semana
passada, seguindo seu apostolado de insensatez, Feliciano confrontou , em Minas Gerais, um
protesto contra ele, com outra citação bombástica : "Essa manifestação toda se dá porque, pela primeira vez na
história desse Brasil, um pastor cheio de Espírito Santo conquistou o espaço
que até ontem era dominado por Satanás". O mal estar, desta vez, invadiu sua praia, havia vários
deputados de gestões anteriores e do setor evangélico na Comissão, e eles os
acusou de sócios de Belzebu. Desculpou-se , depois, dizendo que citara Satanás,
não como o Tinhoso, mas na acepção original do hebraico que , segundo ele,
significa “adversário”.
A
questão Feliciano suscita vários questionamentos. Acredito que não devemos ,
simplesmente, jogá-la na vala comum da questão meramente religiosa. O pensamento
dele representa, creio, um segmento expressivo dos evangélicos do Brasil, mas
não de todos. Corre-se o risco de iniciar, mais uma vez, uma Cruzada, sem
separar bem o joio do trigo. Há, a meu ver, duas vertentes interessantes para
se refletir, uma de ordem política e outra ligada à Laicidade do Estado.
Feliciano, amigos, foi eleito como o segundo mais votado em São Paulo. O Brasil
está agora correndo contra o prejuízo causado, mas vem a pergunta inevitável:
Por que elegemos um candidato com esse perfil ? Não teria sido mais fácil tê-lo
filtrado com a malha das urnas ? Faltou-nos amadurecimento político para tanto
ou , simplesmente, o seu pensamento retrógrado representa o de muitos nesse
país, transcendendo, inclusive, as fronteiras meramente religiosas ? Os que o
elegeram presidente da Comissão de Direitos Humanos foram, também, por sua vez,
igualmente eleitos por nós. Escolhemos bem ou será que assinamos um cheque em
branco e entregamos ao estelionatário e, agora, estamos reclamando porque o
saque foi muito alto ? É preciso compreender que fomos nós mesmos , brasileiros
mobilizados e nas ruas, que tentamos , agora, arrancar o microfone do insano,
mas permitimos, por outro lado, a
Feliciano o espaço para difundir suas idéias nazistas.
Fica
cada vez mais clara a importância da laicidade do Estado. A história demonstra
que os maiores crimes da humanidade foram cometidos sempre que se misturou de
forma incestuosa Política & Religião. Esta combinação é sempre explosiva.
Feliciano tem todo o direito de cuspir suas regras e suas sentenças para seus
fiéis, desde que não confronte o Estado de Direito. Cada um cuide do seu
rebanho ! Os Testemunhas de Jeová – com todo respeito que merecem-- têm o
sagrado direito de proibir a transfusão de sangue a seus seguidores , mas não
podem querer , por exemplo, influenciar o Congresso para criar uma lei
proibindo a hemoterapia em todo país. Cada macaco no seu galho ! As questões
atinentes , pois , ao Controle de Natalidade, ao Aborto, à Fertilização in
vitro, à Eutanásia, às Células Tronco, devem ser regulamentadas pelo Estado. Às
igrejas caberá a decisão de permitir ou não a utilização destes métodos( se
acessíveis pelo Estado) por seus fiéis e exclusivamente por eles.
Recentemente,
Feliciano revelou – em outra entrevista bombástica-- que D. Lúcia Maria, sua
mãe, era aborteira e que, ainda menino, “vira fetos serem arrancados, por ela, de dentro de mulheres”. Nem imaginou que , emitindo depois opiniões tão
preconceituosas, estava dando um grande argumento, indireto, a favor do aborto.
D. Lúcia bem que poderia ter procurado uma colega , devem estar pensando
algumas minorias... Em qualquer dos sentidos possíveis, no entanto, Feliciano terminou se tornando o grande Satanás
desse país.
J. Flávio Vieira
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