por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Bastinha - Uma crítica bem humorada


Cordelista, professora e responsável pela inclusão da disciplina de Literatura Popular do Curso de Letras da Universidade Regional do Cariri, Bastinha Job vem desenvolvendo o seu trabalho poético desde a infância. Pertencendo a Academia dos Cordelistas do Crato,  ela destaca com orgulho que “É bastante dizer que ela  (Academia) revelou inúmeros poetas, atualmente com mais de mil títulos publicados e mais de um milhão de folhetos lançados, com temáticas abrangentes”.    


Alexandre Lucas – Quem é Bastinha?

Bastinha - Professora aposentada,
cordelista na ativa,
Assaré do Patativa
é minha terra amada;
Crato é a mãe idolatrada,
que me acolheu em seu seio,
aqui encontrei o veio
da joia da Educação,
da completa Formação
que me deu força e esteio.
Alexandre Lucas – Como se deu seu contato com a poesia?

Bastinha - Leio desde a meninice
Patativa e Aderaldo,
deslumbrei-me com Clarice,
no momento, leio Ubaldo,
Pompílio e Zé da Luz
estilo que me seduz;
E viajei com Lobato,
neles, vivi a magia
 setas da  minha  poesia
e guias do meu contato.
Alexandre Lucas – Fale da sua trajetória poética:
Bastinha - Minha trajetória começou desde criança quando fiz o curso de declamação na Escola de Arte de Sara Quixadá Felício Participei de muitos jograis que se apresentavam em grêmios escolares, comemorações. Continuamente, fiz o Curso Primário, o Pedagógico e cursei Letras na antiga Faculdade de Filosofia. (URCA) Ensinei Língua Portuguesa em quase todos os colégios do Crato. Durante muitos anos (até aposentar-me) na referida URCA . No ano de 1993 consegui um gol de placa: criei com dois colegas, a Cadeira de Literatura Popular sendo a primeira professora do mencionado Curso. Graças a Deus a Cadeira se mantém forte e firme descobrindo vários talentos.
Alexandre Lucas – O que representa a Academia dos Cordelistas do Crato para você?
Bastinha - A Academia dos Cordelistas do Crato,  fundada pelo saudoso Elói Teles de Morais, no ano de 1991, não é só um marco na minha vida; mas  para toda a Cultura Popular do Crato e do Nordeste. Através dela, me descobri cordelista. Ela também resgatou o cordel que estava agonizante, mascarado pelos meios de comunicação de grande  e monopolizador poder. E o melhor, foi  por causa dela ,que eu não medi esforços para fundar a Cadeira de Literatura Popular da URCA. A Academia., sim, merece um troféu!
Alexandre Lucas – Como você define a sua poesia?
Bastinha - Eu faço poesias críticas
com pitadas de humor
e alfinetadas políticas,
mas também falo de amor;
meu poetar é a arma
que incita ou que desarma,
que faz rir, que faz chorar;
em suma ela é catarse
autêntica e sem disfarce
um compromisso a se honrar!

Alexandre Lucas – Como ocorre o seu processo criativo para a poesia?

Bastinha - Não tenho um processo criativo específico. Sigo as minhas intuições inspiradas  pelos fatos do cotidiano, acontecimentos políticos, sociais, religiosos e, sobretudo, crítico humorísticos.

Alexandre Lucas – Como você avalia a produção literária na região do Cariri?

Bastinha - Nossa região é muito bem servida neste setor. Nossa Cultura é rica e diversificada. No tocante à literatura de cordel, principalmente, houve grandes impulsos, nessas duas últimas décadas,com a criação da Academia dos  Cordelistas do Crato (a qual pertenço). É bastante dizer que ela revelou inúmeros poetas, atualmente com mais de mil títulos publicados e mais de um milhão de folhetos lançados, com temáticas abrangentes. Nossa Academia transpôs fronteiras, e, só precisa  de apoio financeiro dos órgãos competentes.

Alexandre Lucas – Você acredita que a literatura é um instrumento político? 

Bastinha - É sim. A política é que não toma conhecimento de sua importância na literatura. Através da poesia, o poeta critica, louva, aplaude,orienta  e se engaja em qualquer setor: político, social, religiosa, histórico, onírico, etc, etc...

Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos? 

Bastinha - Diariamente os acontecimentos me fazem escrever sonetos, trovas e cordéis. Entretanto, estou compilando meus textos mais pertinentes a fim de escrever meu tão sonhado livro.




"Alô, torre de controle..." - José Nilton Mariano Saraiva

Quando um experiente e calejado comandante de um vôo internacional (da rota Brasil-Itália) resolve (lá das alturas) solicitar, via torre de controle, que a polícia (cá embaixo) se faça presente quando da aterrissagem da aeronave, a fim de abordar determinados passageiros que se portaram inadequadamente no interior da aeronave, não tenham dúvidas que a coisa é séria e merecedora de atenção.

Pois foi exatamente o que aconteceu no dia 03.09.2009, no aeroporto de Fiumicino, em Roma: no desembarque do vôo procedente do Brasil, a senhora Patrícia Sabóya Gomes (então Senadora da República Federativa do Brasil) e sua acompanhante (uma amiga brasileira, cujo nome foi omitido), foram detidas pela polícia de imigração italiana e chamadas para nova revista nas respectivas bagagens (à procura mesmo de quê ???).

Cercada por vários policiais (segundo a própria), ela tentou argumentar ser uma parlamentar brasileira. Como a conversa não surtiu o efeito desejado, tentou acionar a embaixada do Brasil. Debalde. Impaciente e achando que o problema não seria resolvido de imediato, armou o que ela mesma classificou como “um grande barraco", visando constranger os policiais. A estratégia (ainda segundo ela) deu certo, de sorte que ambas foram liberadas.

Posteriormente, instada a pronunciar-se a respeito, a “justificativa” da senadora foi que a sua acompanhante sofria de rinite alérgica e teria espirrado algumas vezes, daí um dos passageiros ter ficado incomodado e pedido para que ela fosse retirada da aeronave (como se isso fosse possível a 12.000 metros de altura).

Como só os que se encontravam no interior da aeronave podem narrar o que realmente aconteceu, as indagações que  ficam zanzando no ar, são: a) Mas, se foi só isso que se passou, por qual razão o tarimbado comandante do avião tomou a decisão tão radical de solicitar a presença da polícia de imigração italiana, no desembarque ??? Por que, mesmo, essa mesma polícia italiana resolveu revistar as bagagens das respectivas senhoras ??? c) Procuravam o quê ??? 

Tal fato, embora haja sido notícia no mundo todo, por aqui quase ninguém tomou conhecimento, porquanto a imprensa tupiniquim tratou e colocou em prática uma tal “operação abafa”, que se revelou por demais eficiente.

Agora, o mais incrível nisso tudo é que, hoje, a improdutiva parlamentar em questão está sendo cotada para ocupar o cargo vitalício de auditora do Tribunal de Contas do Estado do Ceará. 

Um “presente” do padrinho, o (cunhado) governador do Estado do Ceará, Cid Gomes.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

"Perguntas" da ciência (IV, V e VI)

IV. O que nos torna humanos?
Apenas olhando seu DNA, você não saberá -- o genoma humano é 99% idêntico ao de um chimpanzé e 50% ao de uma banana. No entanto, temos um cérebro maior que a maioria dos animais – não o maior, mas com três vezes mais neurônios que o de um gorila (86 bilhões para ser exato). Muitas coisas que antes considerávamos características nossas – a linguagem, o uso de ferramentas, reconhecer-se no espelho – são encontradas em outros animais. Talvez seja a nossa cultura – e suas conseqüências em nossos genes (e vice-versa) – que faça a diferença. Os cientistas acreditam que cozinhar e dominar o fogo podem ter nos ajudado a desenvolver cérebros maiores. Mas é possível que nossa capacidade de cooperação e troca de habilidades seja o que realmente faz da Terra um planeta de humanos, e não de macacos.
V. O que é a consciência?
Ainda não temos realmente certeza. Sabemos que tem a ver com diferentes regiões do cérebro ligadas em rede, mais que uma única parte do cérebro. Há uma teoria de que se descobrirmos que partes do cérebro estão envolvidas e como funciona o circuito neural, descobriremos como surge a consciência, algo em que a inteligência artificial e tentativas de construir um cérebro neurônio por neurônio poderão ajudar. A questão mais difícil e mais filosófica é por que alguma coisa deve ser consciente. Uma boa sugestão é que, ao integrar e processar muita informação, além de focalizar e bloquear, em vez de reagir aos estímulos sensoriais que nos bombardeiam, podemos distinguir entre o que é real e o que não é e imaginar diversos cenários futuros que nos ajudem a adaptar-nos e a sobreviver.
VI. Por que sonhamos?
Passamos cerca de um terço de nossas vidas dormindo. Considerando quanto tempo passamos fazendo isso, você poderia pensar que sabemos tudo a respeito. Mas os cientistas ainda buscam uma explicação completa de por que dormimos e sonhamos. Seguidores das opiniões de Sigmund Freud acreditavam que os sonhos são expressões de desejos não realizados – muitas vezes sexuais –, enquanto outros se perguntam se os sonhos são alguma coisa além de disparos aleatórios do cérebro adormecido. Estudos com animais e os progressos em imagens do cérebro nos levaram a uma compreensão mais complexa, que sugere que sonhar pode ter um papel na memória, no aprendizado e nas emoções. Os ratos, por exemplo, repetem em sonhos suas experiências da vigília, o que aparentemente os ajuda a solucionar tarefas complexas como percorrer labirintos.

Fontes: Carta Capital, The Observer

domingo, 15 de setembro de 2013

O "brinde" - José Nilton Mariano Saraiva

Quando chegou a Fortaleza, já lá se vão anos, a primeira loja da rede americana McDonald’s se constituía em autêntico objeto de desejo de meio mundo de gente. Na cultura popular, adentrá-la e lá permanecer, mesmo que por alguns instantes, era como que transpor a sonhada porta do céu (existe isso ???), já que não era pra qualquer um; consumir seus produtos, então, era motivo de regozijo para os que tinham tal privilégio e, certamente, objeto de conversas e mais conversas ao longo dos dias seguintes. 

Mas, aí, em face de receptividade de uma solitária loja, que rendia um transatlântico de grana, a rede cresceu os olhos e resolveu estender seus tentáculos pra todas as direções; assim, hoje qualquer bairro de Fortaleza tem uma McDonald’s estalando de nova, tal a agressividade mercadológica (até em cidades do interior já se encontram).

Pois foi exatamente na loja “pioneira”, instalada na borbulhante Av. Beira Mar, com seus turistas e nativos em profusão, que dias atrás se deu um fato inusitado: uma senhora, acompanhada do filho menor, que aniversariava, resolveu presenteá-lo levando-o para “deglutir um sanduba” conhecido por “quarteirão”, na McDonald’s; imenso, cheiroso e visualmente atraente, dizem que não há quem resista a um “quarteirão”.
Pois bem, tudo ia nos “trinques”, com mãe e filho se refestelando no consumo do “bichão” quando de repente ela, mais experiente, sentiu um gosto um tanto quanto esquisito na boca, já depois de ter “botado pra dentro” metade do “quarteirão”; curiosa, aproximou a outra metade do danado do seu campo de visão e aí seu deu conta de que haviam colocado um “brinde” dentro de um dos sandubas, talvez – quem sabe ? - para homenagear o filho aniversariante: assim, uma imensa “voadora” (barata), já pela metade, jazia inerte entre pão, queijo, hambúrguer, maionese, ovo, catchup e por aí vai. Ante aquela visão dantesca, o estômago de pronto revirou de uma maneira tal que, na frente do filho apavorado, ela quase bota os bofes pra fora, tal a intensidade do vômito (dizem que vomitava a metros de distância). Dali mesmo foi levada de imediato pra um hospital próximo, onde uma lavagem estomacal acabou por expelir a metade da barata “deglutida”.
Depois, já em casa, entendeu que o constrangimento dela e do filho só podiam ser reparados com uma atitude mais séria, via exercício da cidadania: entrou com uma ação na Justiça, que já lhe deu ganho de causa, de forma que a rede McDonald’s, deverá lhe indenizar com R$ 15.000,00 (quinze mil reais).
Como aí no Crato já houve problema com o “sushi” estragado do Mercadinho São Luiz, que levou um exército de consumidores aos hospitais, a impressão que fica é que os franqueadores das respectivas marcas não estão tendo o necessário cuidado em orientar quem prepara os quarteirões e suchis da vida, daí a progressiva perda de qualidade e conceito da mercadoria ofertada.
Apelar pra quem, pro argentino que se tornou o Papa Chico ???    
      

sábado, 14 de setembro de 2013

"Perguntas" da ciência (I, II e III)

I. De que é feito o universo?

Os astrônomos enfrentam um enigma embaraçoso: eles não sabem de que são feitos 95% do universo. Os átomos, que formam tudo o que vemos a nosso redor, respondem por ínfimos 5%. Nos últimos 80 anos ficou claro que a maior parte do resto é composta de duas entidades sombrias -- a matéria escura e a energia escura. A primeira, descoberta em 1933, age como uma cola invisível, ligando galáxias e aglomerados de galáxias. Revelada em 1998, a segunda empurra a expansão do universo a velocidades cada vez maiores. Os astrônomos estão se aproximando das verdadeiras identidades dessas intermediárias invisíveis.
II. Como a vida começou?
Há 4 bilhões de anos, alguma coisa começou a se mexer na sopa primordial (*). Algumas substâncias químicas simples se uniram e criaram a biologia – surgiram as primeiras moléculas capazes de se replicar. Nós, humanos, somos ligados pela evolução àquelas primeiras moléculas biológicas. Mas como as substâncias químicas básicas presentes na Terra primitiva se organizaram espontaneamente em algo semelhante à vida? Como obtivemos o DNA? Qual era a aparência das primeiras células? Mais de meio século depois que o químico Stanley Miller propôs sua teoria da "sopa primordial", ainda não chegamos a uma conclusão sobre o que aconteceu. Alguns dizem que a vida começou em poças quentes perto de vulcões; outros, que ela foi provocada por meteoritos que caíram no mar.
(*) Sopa primordial:  é uma mistura teórica de compostos orgânicos que podem ter dado origem à vida na Terra. O termo foi introduzido pelo biólogo soviético Aleksandr Oparin. Em 1924, ele propôs a teoria da origem da vida na Terra, através da transformação, durante a evolução química gradual de moléculas que contêm carbono na sopa primordial. Originalmente, a Terra não continha compostos orgânicos. As condições existentes então seriam muito diferentes das actuais. A atmosfera não continha oxigênio, sendo antes rica em nitrogênio, amônia, hidrogênio, metano e água. Através da ação de raios elétricos ou calor, estes elementos ter-se-iam combinado em aminoácidos. Estes aminoácidos iriam posteriormente juntar-se e propiciariam a formação de organismos. Apoio a esta teoria surgiria mais tarde em 1953, com a experiência de Miller e Urey).

III. Estamos sós no universo?
Talvez não. Os astrônomos vasculham o universo em busca de lugares onde mundos com água poderiam ter dado origem à vida, de Europa e Marte, em nosso sistema solar, a planetas a muitos anos-luz de distância. Os radiotelescópios têm vigiado o céu, e em 1977 ouviu-se um sinal com as características potenciais de uma mensagem alienígena. Hoje os astrônomos podem rastrear as atmosferas de mundos distantes em busca de oxigênio e água. As próximas décadas serão um momento excitante para ser um caçador de alienígenas, com até 60 bilhões de planetas potencialmente habitáveis só em nossa Via Láctea.
Fontes: Carta Capital, The Observer



Cariri Cangaço 2013, seja bem vindo !


O Cariri Cangaço 2013 tem sua noite de abertura marcada para a próxima terça-feira, dia 17 de setembro às 19 horas no Memorial Padre Cícero em Juazeiro do Norte com a Conferência da antropóloga, pesquisadora e escritora Luitgarde Cavalcanti Oliveira Barros, com o tema: Padre Cícero e o Tempo Contemporâneo.

O evento acontece até o dia 22, nos municípios de Crato, Juazeiro, Barbalha, Missão Velha, Aurora, Barro e Porteiras e reunirá mais de 4 mil pessoas em seus 6 dias de realizações, tendo a confirmação de mais de 150 pesquisadores de 17 estados do Brasil. Para Manoel Severo , curador do Cariri Cangaço, "vivemos a consolidação do Cariri Cangaço como o maior evento do gênero no Brasil e para nós do cariri é uma grande honra e alegria, mas também uma grande responsabilidade que está sendo assumida e compartilhada com muito talento e trabalho por uma valorosa equipe tanto do Cariri Cangaço como dos municípios anfitriões, a todos a nossa sincera gratidão."

O Cariri Cangaço é um  evento itinerante, sua abertura será em Juazeiro do Norte na noite do dia 17, mantendo rica e dinâmica programação nos municípios de Barro, dia 18, Porteiras, dia 19, Missão Velha e Aurora, dia 20, Barbalha dia 21 e grande encerramento em Crato na noite do dia 21, sábado. Não é necessário fazer inscrições e a entrada é franca, "é só acompanhar a Programação Oficial e participar deste grande evento que orgulha o nordeste e o Brasil", destaca a diretora do GECC, advogada Juliana Ischiara.


Para conhecer a Programação completa do Cariri Cangaço visite o site oficial do evento:


Cariri Cangaço 2103, onde o Brasil de Alma Nordestina se encontra
Um evento com o apoio do Blog do Crato

Por:Manoel Severo

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O CONSTRUTOR DE GENTE.




PADRE AGIO AUGUSTO MOREIRA.

 

Falar do Padre ágio não é nada difícil. Falar do Padre Àgio é falar de alguém que durante toda a sua vida assumiu o sacerdócio de construir gente, como diz a musicista Izaira Silvino. É falar em SONHOS POSSÍVEIS...

Padre Ágio, nasceu no distrito de Quixará - na época pertencente à cidade de Assaré – Ceará, hoje Farias Brito. Começou a formação religiosa, aos doze anos, em Campinas, São Paulo, junto com o seu irmão David Moreira. Os estudos continuaram no Seminário Diocesano da cidade de Crato - Ceará, onde teve o seu primeiro contato com o estudo teórico da música. Depois no  Seminário da Prainha, em Fortaleza, onde aprimorou os seus estudos em musica clássica e Canto Gregoriano.

Voltou ao Cariri depois de ordenado Padre, indo trabalhar num pequeno distrito/localidade chamado Goianinha (hoje Jamacarú), em Missão Velha (CE). Lá em foi surpreendido por um grupo de trabalhadores rurais, entoando os chamados “Cânticos de Trabalho”. Divididos em voz masculina e feminina, a duas vozes, dentro de uma harmonia e afinação quase perfeita. Alí surgiu a idéia de fundar uma escola de música para trabalhadores rurais. Pensou até que ponto música poderia se transformar num instrumento de crescimento e despertar individual e coletivo  para crescimento e o desenvolvimento humano.

Em Jamacarú, levou os trabalhadores para cantar na igreja durante as missas. Iniciou uma triangulação divina entre música, religião e trabalho. Mas foi no Crato que se concretizou o seu projeto.

Começou no Lameiro, ensinando solfejo, canto gregoriano e o manuseio de intrumentos musicais (acordeon, Violoncelo piano e violão). Seus primeiros alunos foram, José Nilton Figueiredo, José Moreira e outros dois que atendiam pelos apelidos de Pituxa, Frajola. Continuou o projeto no Belmonte por volta de 1965 com a Escola de Música Heitor Villa Lobos. Primeiro os cânticos na igreja, pois lá no Belmonte já não via mais os cânticos de colheita. A partir daí direcionava-os para as aulas teóricas de música.

Como não podiam deixar o trabalho, os alunos manuseavam instrumentos de trabalho(pás, enxadas, facões, arados, etc.), enquanto outros cuidavam de gado. E à noite trocavam seus instrumentos de trabalho por instrumentos musicais e se embrenhavam em partituras, solfejos e cantos. A música já era parte das suas vidas.

A comunidade aos poucos, foi agregando a escola às suas vidas, as crianças eram incentivadas pelos pais a irem estudar música, e o projeto tomou corpo. Aos poucos eles começaram a se apresentar na cidade. Depois vieram as doações de instrumentos, de dinheiro, vieram pessoas da cidade ajudar na administração da escola, o número de alunos cresceu e a comunidade agora era parte da escola assim como a escola era parte da vida deles.

Assim, já se vão mais de meio século de sonho realizado. A escola transformou-se em Sociedade Lírica do Belmonte. Possui hoje possui um auditório, uma escolinha de alfabetização para crianças, uma orquestra, coral (adulto e infantil,) palco, sala de ensaios, capela, banda de musicas, camerata, etc. Atende um contingente de cerca de 150 alunos. Possui uma orquestra formada por 65 músicos distribuídos em instrumentos de corda (violões, violinos, violoncelos e baixos), instrumentos de sopro (de madeira e de metal), teclados, além de instrumentos de percussão.

Muitos dos alunos, hoje são professores de música na escola. Outros se espalharam pelo Brasil abrilhantando orquestras sinfônicas com os seus talentos. Ex. Salvador, João Pessoa, Maceió, Fortaleza, Rio de Janeiro e, sempre que podem, retornam ao distrito de Belmonte para cursos intensivos aos alunos da Escola. Alguns optaram por permanecer na escola, cativos que são do gosto pela música, exemplados que são pela grandeza, humildade e perseverança do Padre Ágio. Hoje são dirigentes e professores da escola. Muitos deles hoje com formação acadêmica, são doutores encaminhados pelo crescimento pessoal promovido pela música. Um exemplo para o mundo.
(IMAGENS:Internet)
 

Kaika Luiz – Um produtor com a cara do Cariri contemporâneo

Começou a produzir eventos no tempo em que fazia  tertúlias na sua casa, Kaika Luiz desde cedo manteve contato com a diversidade da produção do Cariri e nos últimos vintes anos vem se destacando pelo seu trabalho de produção cultural, tendo sido responsável pela vinda para região de artistas como Moraes Moreira, Fagner, Kid Abelha, Lobão, Luiz Gonzaga e Bandas como Seu Chico (Recife), As Chicas (Rio de Janeiro), Black Dog (Rio de Janeiro), Blues Power (Rio de Janeiro), Cabruêra (João Pessoa), Os Transacionais (Fortaleza), Os Caetanos (Recife), Caco de Vidro (Fortaleza) e muitos outros, além de quase todas as bandas do Cariri. Kaika também  é um dos defensores da criação do percentual de 2% receita municipal ara cultura.  

Alexandre Lucas –  Quem é Kaika Luiz?

Kaika Luiz  - Existe uma música do Nilton César, das antigas, chamada EU SOU EU que acho me identifica bem, principalmente no trecho onde ele canta: “Eu sou eu, foi meu pai que me fez assim, quem quiser que me faça outro, se achar que eu sou ruim.” Ouvia muito essa música nos parques que vinham para o Crato fazer a festa da exposição e padroeira, principalmente o Parque Maia. Sempre achei que essa música diz um pouco de mim.

Alexandre Lucas –   O que é o Cariri para você?

Kaika Luiz  - Uma lindeza que tive a grande oportunidade de nascer. Certa vez ouvi da amiga Izaíra Silvino que “O cariri tem um artista em cada esquina”. Isso é o que vejo também: por onde você anda aqui no Cariri você esbarra com um artista. Então o Cariri é isso.  Arte pura.

Alexandre Lucas –   Como se deu seus primeiros contatos com a arte?

Kaika Luiz  - Dentro da minha própria casa, desde cedo. Tive várias influências culturais. Inicialmente com meu irmão mais velho Nacélio, conhecido por Veinho. Eu era criança e ele teve uma banda aqui no Crato. Era o THE TOPS que já tocava muita música bacana. Outro irmão, o Roncy, um pouco mais velho que eu, mas um grande apreciador de rock,  eu curtia junto. A banda Ases do Ritmo, outro grande ícone das décadas de 70/80 no Cariri. Tive o prazer de ver e ouvir muitas vezes essa moçada sob a batuta de Hugo Linard. Aí vem Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Beatles, etc. Na literatura veio do Colégio Diocesano, onde estudei todo o ensino básico. Lembro bem do meu primeiro livro que ganhei de presente da professora Almerinda Madeira no meu aniversário. Foi “As aventuras de Tom Sawer” de Mark Twain. Nunca esqueci esse presente. No cinema, desde cedo nós convivíamos com a arte do cinema aqui no Crato, pois como todos sabem, tínhamos três ótimas salas de exibição e eu garoto estava sempre antenado com o cinema. Então, eu convivi com algumas vertentes das artes desde cedo, música, teatro, cinema, literatura, pintura, tudo isso fez parte da minha vida infantil e continua até hoje.

Alexandre Lucas –  Fale da sua trajetória:

Kaika Luiz  - Nasci na Rua Teófilo Siqueira, esquina com a antiga Rua Pedro II (hoje é Rua Vicente Lemos). Ali onde hoje tem um prédio e funciona uma xerox. Minha primeira escola foi o grupo escolar Alexandre Arraes. Em seguida mudei para o Diocesano. Desde cedo já me interessava em ajudar o meu pai no seu comércio na inesquecível Cantina do Oliveira que, mais tarde, profissionalmente, comandei por 25 anos. Com o falecimento do meu pai em novembro de 2000, resolvemos fechar a empresa e a partir daí comecei a levar a minha profissão de produtor cultural com mais afinco. Na realidade eu já o fazia antes, mas só a partir do ano 2000 é que me voltei totalmente para a profissão. A minha produtora foi fundada desde 1996. Neste cenário também trabalhei e ainda trabalho com publicidade e turismo. Sou meio workaholic, sempre procurando me envolver com arte, cultura e turismo.

Alexandre Lucas –   Você tem contribuído para a produção cultural na região do Cariri. Fale desse trabalho:

Kaika Luiz  - Pois é, isso começou também muito cedo. Acho que nos tempos que fazia as “tertúlias” em minha casa. Minhas festinhas já eram conhecidas. Depois, quando fui trabalhar no comércio, fui convidado a integrar a diretoria do Crato Tênis Clube, o que fiz durante oito anos. Nesse período as festa da “Exposição do Crato” aconteciam nos salões do CTC. Minha profissão de produção se intensificou muito nesse período. Foi no Crato Tênis Clube, principalmente com alguns componentes da diretoria, principalmente o Ermano Américo, que a coisa detonou. Aí trouxemos pra tocar no clube artistas como Moraes Moreira, Fagner, Kid Abelha, Lobão, Luiz Caldas, Luiz Gonzaga, Beto Barbosa, e muitos outros. Em seguida fiz algumas produções locais com o artista Nonato Luiz, e uma mini turnê estadual com o Didi Moraes. Tenho conseguido ultimamente em parceria com a produtora Mônica Vitoriano, da MC2 Produções, realizar bons eventos aqui na região, sempre procurando buscar novas linguagens musicais em atividades em outras regiões, em sintonia com a produção local. Bandas como Seu Chico (Recife), As Chicas (Rio de Janeiro), Black Dog (Rio de Janeiro), Blues Power (Rio de Janeiro), Cabruêra (João Pessoa), Os Transacionais (Fortaleza), Os Caetanos (Recife), Caco de Vidro (Fortaleza) e muitos outros, além de quase todas as bandas do Cariri. Sempre procuramos colocar uma banda local nessas apresentações no sentido de haver uma interação entre os estilos e para o conhecimento entre artistas.

Alexandre Lucas –   Como você ver a produção cultural na região?

Kaika Luiz  - Apesar das dificuldades, sempre tem acontecido bons eventos na área cultural no nosso Cariri. Disso podemos nos orgulhar, porque não é fácil realizar esses trabalhos por conta da forte pressão que sofremos com a mídia de massa em eventos de gosto duvidoso, mas que arrasta multidões, infelizmente. Mas graças a Deus temos feito a diferença no Cariri e isso juntamente com outras produtoras, com o SESC, a Secretaria de Cultura do Crato, que sempre tem nos apoiado e a nossa luta na busca de patrocinadores que nos ajudam a viabilizar esse evento. O Centro Cultural do Banco do Nordeste também tem feito um trabalho belíssimo aqui no Cariri, o que nos dá ótimas oportunidades de ver trabalhos de grandes nomes do cenário cultural brasileiro. Em relação aos artistas, fica impossível citar a todos, mas o Cariri é destaque digo que até internacional, por conta de grandes nomes que estão produzindo trabalhos cada vez mais belos e originais.

Alexandre Lucas –   O que você propõe?

Kaika Luiz  - Além dos 2%, que a lei deveria funcionar, proponho uma maior interação entre os produtores, os artistas, o poder público e as empresas, seja comércio ou indústria, no sentido de conseguirmos parcerias fortes para a viabilização de eventos bacanas. Proponho  melhor organização da cadeia produtiva da produção cultural, a fundação de uma associação, sindicato, ou, enfim, que todos, juntos, procuremos nos organizar melhor para o nosso engrandecimento e maior participação de todos.

Alexandre Lucas –   Você também é poeta. Fale da sua poesia:

Kaika Luiz  - Pois é, a poesia também sempre fez parte da minha vida. Desde muito tempo que escrevo, mas como sou muito tímido, nunca as publiquei. De repente me deu vontade de fazer isso através das redes sociais, o que tem me dado um ótimo feedback das pessoas. Achei muito bom isso. A minha poesia é super simples, mas utilizo sempre uma linguagem bem direta e bastante forte. Às vezes utilizo da métrica, mas nem sempre. São vários temas, muitos deles de ordem pessoal, mas tem também a poesia absurda, fora de contexto e engraçada. Gosto de brincar com as palavras, as vezes uso travas-línguas, e outros recursos para torna-la única. Por conta disso algumas delas já viraram música: duas feitas pelo grande músico Pantico Rocha e outro pelo baixista Gustavo Portela de Fortaleza. Estou feliz por isso e pela repercussão do que tenho escrito.

Alexandre Lucas –   Tem planos de publicar um livro com essas poesias?

Kaika Luiz  - Tenho sim, inclusive já recebi um convite para fazer isso através da amiga Eliza Mariano, uma cratense que mora em Fortaleza, proprietária da livraria Lua Nova, um ótimo espaço cultural da nossa capital. Estou organizando tudo isso, inclusive à procura de patrocinadores para viabilizar a impressão.

Alexandre Lucas –   Quais os seus próximos trabalhos?

Kaika Luiz - Estou  organizando para este segundo semestre. Dia 5 de outubro estamos viabilizando a vinda do artista Nigroover de Fortaleza e estamos procurando apoios pra fazer novamente o Reveillo’n’roll, com bandas de rock. Tem também a realização do meu maior sonho que é o FICA – Festival de Inverno do Cariri que estou na luta pra realizar no próximo ano. O FICA já tem projeto há uns 4 anos, já está registrado, só falta o principal: apoio, mas estou sempre procurando e nunca vou me cansar disso.

O "seresteiro do Planalto" - José Nilton Mariano Saraiva

Como ninguém é de ferro, em determinadas ocasiões o então Presidente da República Lula da Silva reunia nos fins de semana alguns membros do governo, na Granja do Torto (uma das residências oficiais do Presidente da República), a fim de confraternizar e jogar conversa fora.

Evidentemente, predominava a informalidade (nada de agenda, assuntos sérios, paletó, gravata e por aí vai), até porque o objetivo era esquecer por algumas horas os grandes problemas da nação, a pressão diuturna e... se reoxigenar para a batalha da semana seguinte.

Alguns dos freqüentadores, entretanto, intimamente miravam mais à frente, porquanto já se falava abertamente, àquela altura, sobre a sucessão presidencial, vez que Lula da Silva se achava impossibilitado de concorrer mais uma vez (já houvera sido reeleito). E isso, claro, mexia com o ego e a vaidade de uns, que sonhavam ostentar o “passaporte” homologatório da candidatura sucessória das mãos do todo-poderoso chefe.

Para tentar viabilizar-se como tal (candidato indicado pelo presidente, sim senhor), alguns fugiam do lugar-comum e adotavam a heterodoxia plena, naturalmente partindo do pressuposto de que “não importam os meios empregados, conquanto o objeto de desejo seja alcançado” (nem que tivessem que se expor ao ridículo e à chacota de muitos, no decurso da engenharia política afeta).

Um dos freqüentadores assíduos de tais noitadas, Ciro Gomes (um megalomaníaco que se julgava uma espécie de “messias”) bolou um jeito todo peculiar de se chegar ao chefe ainda mais e agradá-lo mais que todos, na perspectiva de ser o escolhido: assim é que, sabedor da preferência musical do chefe, deu um jeito de colocar no “cardápio-noturno”, da Ganja do Torto, o “momento musical”: e aí, em plena madrugada do cerrado do planalto central, ecoava a sofrível voz do “seresteiro do planalto”, tanto melosa quanto interesseira.

O resto todo mundo já sabe: Lula da Silva não se deixou levar pela “puxação-de-saco”, preferindo privilegiar a competência, daí ter escolhido Dilma Rousseff para concorrer (com sucesso), à sua sucessão.

Cartas postas à mesa, Ciro Gomes, preterido e sentindo-se injustiçado, procurou as televisões para, em horário nobre, afirmar em alto e bom som que entre a candidata de Lula da Silva e a de José Serra (seu arquiinimigo), este seria muito mais preparado, porquanto, como ele, Ciro Gomes, já houvera sido governador, ministro e tal, enquanto Dilma Roussef não tinha nenhum atrativo em seu currículo.

Foi então que, orientada pelo mentor, Lula da Silva, a candidata a presidente ofereceu-lhe uma simples “coordenação de campanha”, no Nordeste. Foi o suficiente e bastante para emudecê-lo de vez. Tanto é que trocou de novo de posição: voltou com malas e bagagens para a candidatura Dilma Rousseff.


A pergunta, então, é: um cara desses, sem qualquer consistência programático-ideológica, é confiável ???