por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



terça-feira, 13 de novembro de 2012

CASHMERE BOUQUET- socorro moreira




Cheiro suave de mãe
Mão amiga
Plumas batidas
Satisfação!

A rua é um beco
Tem entrada, tem saída

Transeuntes passam anônimos
Carregando pães e sonhos.

O sol é rei
Cetro definitivo
Vento brando, momentâneo
Resfria a prosa do dia.

A lua  vigia a terra
Com aquele olhar dourado
O seu encanto é tamanho
 Que o céu parece um nada


O que se canta no repente
É de repente esquecido
Mas o coração sabe lembrar
Do passado adormecido

Passado... È cantiga de ninar
Presente é mimo!

Imagens se  dispersam
Retornam vivas ou desbotadas
Recompõem liames
Que estavam pertos
Que foram próximos

-Agora, identificados...


Mata a fome
Engana a sede do porvir
Com gotas de chuva
Que não caem

Tristeza tem passaporte
Vai e volta...
Esse sorriso que o espelho não vê
É resposta de um querer.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Não fique triste assim - José do Vale Pinheiro Feitosa


Como dizer suave,
Criando nuvens de talco,
Assim como o perfume desta pluma.

A rua fica solitária,
Eclipsando transeuntes,
Que amanhecem a todos os passos.

O sol domina o tempo,
Mas tramamos do conteúdo momentâneo,
Aquele que nasce com o sopro.

A lua separou-se da terra,
Num repente aviolado,
Gravitamos apesar da rotura.

As notas musicais deste repente,
Quando tudo parece mais real,
Menos é do que sons da vida.

Vida sem limites,
Mesmo sem pernas e braços,
Apesar da perda de alguns sentidos.

Os liames rompidos desta imagem,
Da juventude em retrocesso ao limite,
É a imagem rompida e nada mais.

Nem cercas,
Nem canais,

Continua a mesma enxurrada,
Com os choques,
Hematomas,
Sede,
Fome,

E a "pqp" desta tristeza,
Deste medo,
De deixar de ser triste assim. 

Porque hoje é segunda feira - José do Vale Pinheiro Feitosa


Hoje, segunda feira, 12 de novembro de 2012, o horário de verão disparado uma hora na frente doutra parte do Brasil, já cruzou o ponteiro no ponto das 19h30min. A panela da história, penso, já não coze em fogo brando. Uma onda de suicídio atravessou os moinhos de La Mancha em crise de dívida familiar. Os despejos determinados pela “justiça” em atenção aos bancos credores jogaram nas ruas os devedores e suas dívida. Os bancos, diante dos fatos tenebrosos, teriam recuado. Não se sabe se por amor humano consumido pelo susto da péssima imagem e se apenas por não ter o quê fazer com os cômodos despejados. Não tem quem os compre.

Samba de Verão - com Marcus Valle e composição dele mesmo. 
Para lembrar do horário e que as moças da Barbalha eram um azougue para mover-se nas estradas esburacados pelos flertes negados na Siqueira Campos

A internet e seus meios de participação como blogs e redes sociais promoveram um sobrenadante fétido de egos inflados, dotados de um ódio cego, uma diarreia de adjetivos e as piores práticas de confrontar ideias. Para esse sobrenadante o debate é algo como o muro de Berlim: quem atravessar é abatido. Agora, se acompanharam a notícia, o tal Diário de Classe de duas alunas de Florianópolis denunciando sua escola, já se tornou um caso de sobrenadante usado pela mídia formal e uma récua de acompanhantes sobe as íngremes ladeiras da Serra do Mar carregando a mercadoria do fascismo redivivo.  

O Caderno - Chico Buarque e composição de Toquinho e Vinícius de Moraes. Para lembrar os cadernos que são o evoluir da vida e não o dedo que aponta, julga e condena. 


O Oriente Médio vai em sua marcha célere para o conflito amplo onde se pode esperar um grande sangramento da história, não apenas local, mas mundial. Israel está mandando mísseis em direção à fronteira da Síria. A Turquia já fez o mesmo e os dois, nesse sentido, voltam a se aproximar. Israel, talvez fortalecido regionalmente, prepara um grande ataque à Faixa de Gaza. Pelo menos é que os observadores entendem dos recentes ataques.

Hava Naguila - canção folclórica hebraica, inspirada no folclore ucraniano e anterior ao Estado de Israel e muito antes da política agressiva de sua direita política e que tomaram as bandeiras territoriais do povo judeu que dizia alegremo-nos, cantemos, cantemos e sejamos felizes, despertai, despertai irmãos, despertais e fiquemos contentes.  

A Política Externa Americana e Europeia em relação a Cuba continua o mesmo bloqueio para asfixiar um povo e um governo. A Anistia Internacional acaba de publicar uma listagem imensa de violações aos direitos humanos em dezenas de países europeus, incluindo Alemanha, França, Inglaterra, Itália só para falar da face lustrosa da hipocrisia ocidental. O curioso é que nenhuma violação foi denunciada contra Cuba. Mas o bloqueio continua. Quando falarmos da violência dos nazistas alemães não nos esqueçam dos crimes coloniais de França, Bélgica, Holanda, Inglaterra, Portugal, Espanha e assim a nata criminosa continua a listagem para não cansá-los.

Canción con Todos - Mercedes de Sosa e composição dos argentino Armando Tejáda Gomez e Cesar Isella. Foi composta em 1969, dois anos após a morte de Guevara e fala da união dos países da América Latina assolados por elites truculentas sob a guarda do Império Americano. A canção foi tema da Rádio Havana durante onze anos. 

Veneza inunda-se. Nosso coração latino, renascentista, republicano fica encharcado de mágoas. Não apenas pelos seus canais, afinal eles são as bordas dos lindos edifícios que os contém, mas, sobretudo, por esta vontade de ter a perenidade que se sobressai até mesmo ao descascar do reboco dos seus edifícios e das águas que tomam a Praça de São Marcos. Veneza é o que a vida é: um edifício para significar a existência e um horizonte para fugir da Laguna, pela risca do horizonte, navegando pelas águas do Adriático em busca do Oriente e do Extremo Oriente.  

Que c´est triste venice - Charles Aznavour e composição dele mesmo

Os três principais executivos da BBC de Londres, incluindo o Diretor Geral,  tiveram que deixar os cargos que ocupavam. A razão é bem uma lição ampla de democracia e civilidade. A BBC lançou uma acusação de abuso sexual infantil contra um político inglês. Esta se mostrou mal apurada, irreal, mas mesmo assim a matéria foi divulgada.  Só que era uma falsa acusação e o pau que dar em Francisca também bate nas costas de Chico.  
  

Futebol, essa paixão - Por José de Arimatéa dos Santos

Afunila-se o campeonato brasileiro em todas as suas divisões e o papo que se ouve é quem cai para a segunda divisão. Digo isto por que o campeão é o Fluminense e os que vão disputar a Libertadores são Grêmio, Atlético Mineiro e São Paulo. A emoção agora é só para quem vai cair para a série B e o Palmeiras continua na sua "via crucis" precisando vencer todos os seus últimos jogos e torcer por tropeços de Bahia, Sport e Portuguesa. 
Os que estão na série A não querem de jeito nenhum ir para a série B e a luta pela permanência é dura e sofrida e fica a mancha na história dos grandes clubes o passeio pela segunda divisão. Quem já jogou pela série B sabe das dificuldades e o Palmeiras é sabedor disso, pois a dez anos atrás disputou a divisão de acesso do futebol nacional.
E enquanto alguns não querem de jeito nenhum participar da série B nacional o Fortaleza, com a faca e o queijo na mão, deixou escapar entre os dedos o acesso para a segunda divisão. Os deuses do futebol impediram que o Tricolor de Aço se juntasse ao Icasa e representasse também o futebol alencarino na série B do futebol do Brasil. No chamado "jogo do século" o Fortaleza foi derrotado pelo Oeste de São Paulo em pleno Estádio Presidente Vargas em Fortaleza. O time cearense estava a vários jogos invicto e a confiança no acesso era incrível. Lembrei até, tirando as devidas proporções, da derrota do Brasil na Copa de 50 para o Uruguai em pleno Maracanã no famoso e histórico "maracanazo". Não deixa de parecer essa derrota do tricolor cearense com a do escrete nacional na primeira copa que o Brasil sediou.
Esse é o futebol que muitos falam que é uma caixinha de surpresa e tudo pode acontecer. Uns choram e outros comemoram. A lição é que é apenas um jogo de futebol. E aquela máxima de onze contra onze, tudo igual vale para o consolo dos ditos mais fracos e que às vezes vencem o favorito e a zebra passeou e fez história no velho PV em Fortaleza. Ano que vem quem sabe o Fortaleza, meu eterno Tricolor de Aço, retorne a série B do campeonato brasileiro. Essa é a esperança.

É assim...- socorro moreira


Alexandre Lucas, inegavelmente, é um articulador incansável da cultura regional. Trabalha quase sozinho. A gente aplaude, ,se omite,assiste de camarote, às vezes, sua sempre postura ativista. A verdade é que pertencemos a uma geração já desencantada, e às voltas com problemas naturais, inerentes  ao nosso estágio de vida,
Aos pouco começamos a nos adequar a um ritmo de vida sem circo, trampolins, picadeiro. A lona parece abandonada num terreno baldio.
Falta sangue novo?
Falta engajamento da nossa tribo em atividades de retaguarda, com aplicações das lições de vida apreendidas?
Começo a desgostar de TV, fastia-me a net, perdi o interesse pelo próximo capítulo das novelas. A gente vai perdendo a graça, e ganhando tolerância, limitando açúcar, sal, gordura e o que delicia os sentidos.
Stela referiu-se, com propriedade, à magia que encerra as  pequenas coisas. Que elas nos salvem!
Reciclar os ânimos, no convívio infanto-juvenil, pode ser uma... Precisamos ser avós!?
O mais esquisito é quando perdemos o interesse em consumir cheiros, panos, brilhos, balangandãs... O Shopping é cansativo, ocasional, quando desistimos de deixar a panela chiar.
O dinheiro começa a esticar um pouco, sabendo que se transformará em cápsulas ou gotas amargas.
Precisamos de forças solidárias para mudar o encanto da casa, com novas cores e flores.
Neste início de mês sofremos perdas afetivas: a mãe de Nicodemos, o pai de Emerson, e outros conhecidos, ainda jovens, da nossa comunidade.
Estamos na fila da hora certa, tão incerta!
Minha voz desafina, no chuveiro, e interrompe a canção: “eu pensei em lhe falar/quase fui lhe procurar...”
É assim vida e melodia. Para de encantar e começa a ficar esquecida!

"Arvoredo"socorro moreira


O tempo tinge os nossos fios, enaltece as lembranças, pra depois arrefecê-las. Equilibra os arroubos sentimentais, como deixar de se apaixonar fosse um indicativo do amor perfeito. O ser humano são como flores, plantas... Se não for cuidado, seca, não frutifica, perde o viço, não verdeja... Morre, fica a semente, que perpetua a vida. Lembro a música de Paulinho da Viola, que fala um pouco disso...

"Pragmatismo" na "Governabilidade" - José Nilton Mariano Saraiva

Em sã consciência é difícil acreditar que as convenientes “composições políticas” hoje arquitetadas sejam do agrado de alguns que a elas sejam obrigados a recorrer (como os presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff). Assim, recomenda o bom-senso que deixemos de lado a hipocrisia e encaremos a coisa de frente, olho no olho, verbalizando-a em português claro e cristalino: no Brasil, enquanto as regras do jogo não forem radicalmente alteradas, não só a palavra “governabilidade”, mas, principalmente, sua “operacionalização” será sempre associada à pragmática e famigerada “composição”. Sim, porque o nosso arcaico e viciado sistema político assim o determina ao, literalmente, por de joelhos o Chefe do Poder Executivo (ninguém menos que o Presidente da República) ante os integrantes do Poder Legislativo (Deputados e Senadores com assento no Congresso Nacional), se quiser obter a tão almejada maioria de votos visando realizar alguma coisa em favor do povo. Portanto, por mais reprovável que se nos apresente tal prática (e é triste constatar isso), não entrar no “esquema”, envergar a camisa do bloco do eu sozinho, não se compor, comprar briga com essa raça de mafiosos que transformou a atividade política num desonesto e rendoso meio de vida, traz como conseqüência a imobilidade, a estagnação, o próprio caos, a ingovernabilidade. Querem um exemplo ??? Quem não lembra que, eleito Presidente da República (pelo minúsculo PMN), o “caçador de marajás” Fernando Affonso Collor de Mello “dançou solenemente” ao se “fechar em copas”, negando-se terminantemente a fazer qualquer tipo de composição com outras agremiações, sob a alegativa de que delas não precisaria pra governar. Deu no que deu: logo, ligeirinho, mais que depressa, arranjaram um “impeachment” para o homem (e até hoje não apareceram quaisquer provas dos supostos crimes praticados pelo distinto). A reflexão acima é só pra lembrar que muito se tem reclamado, com inteira razão, sobre o verdadeiro “absurdo” de certas “composições políticas” na quadra atual. Quem imaginaria, por exemplo, que um dia o outrora ético, puro e singelo PT fosse procurar um escroque como o Paulo Maluf com o objetivo (enfim alcançado) de desbancar o PSDB do comando da política na prefeitura de São Paulo e já de olho no governo do Estado mais poderoso na nação ??? Ou que esse mesmo PT se tornasse aliado, sob pena de não conseguir governar, de figuras asquerosas e repulsivas, da estirpe de um José Sarney, Renan Calheiros, Jáder Barbalho e outros menos votados, aos quais rotulava até outro dia, com inteira razão, de “desonestos” ??? O que dizer da atitude (aqui no Ceará) da família sobralense Ferreira Gomes (Ciro, Cid & Cia) que, alçados ao poder, às suas mordomias e aos holofotes pelo “amigo-irmão” (como o tratavam) Tasso Jereissati, findou por traí-lo miseravelmente, ao apoiar e ter papel determinante na eleição de um simplório “bancário” (José Pimentel) que com ele concorria para uma única vaga no Senado Federal ??? É tanto que, de tão decepcionado e apoplético com o ocorrido, o arrogante e prepotente ex-governador resolveu encerrar a carreira. Agora mesmo, na recente briga pela prefeitura de Fortaleza, a coisa chegou às raias do absurdo e do grotesco quando, objetivando prioritariamente derrotar o candidato do PT, sob o comando dos Ferreira Gomes (sempre eles) se acomodaram num verdadeiro “balaio de gatos” (não necessariamente todos pardos), os partidos: PSB, PMDB, DEM, PDT, PSDB, PPS, PPL, PRTB, PTdoB, PSD, PRP, PSB, PTC, PMN, PHS, PSDC, PSL, PTB, PP, PRB. Raciocinemos juntos: teria essa exótica e heterogênea miscelânea de siglas, no total de vinte (20) agremiações, alguma identidade programático/ideológica entre elas, capaz de alçá-las a um mesmo palanque, bradarem um mesmo discurso, entoarem um mesmo refrão, apoiarem um mesmo candidato ??? Claro que não. O que tem a ver, por exemplo, o PSB com os comunistas do PCdoB, ou o PSDB com o PPS, ou o PMDB com o DEM, ou o PDT com o PHS, e por aí vai ??? Qual o preço a ser pago a cada uma delas na viabilização de tão multifacetado condomínio-político ??? Diante de tão esdrúxulo acordo, cabe o questionamento: quem, afinal, dará as cartas na Prefeitura de Fortaleza, a partir de 2013 ??? (pra refrescar sua memória, um lembrete: faz tempo que o senhor Ciro Gomes de acha desempregado). Agora, como não se pode acabar com isso via medida provisória e/ou decreto-executivo, já que vivenciamos uma democracia plena, torna-se necessário que o próprio Congresso Nacional se disponha a mudar as leis atinentes. Terão os seus integrantes interesse em “matar a galinha dos ovos de ouro” ??? Fixemo-nos no PMDB, partido detentor da maior bancada em cargos proporcionais (Deputados, Senadores, Vereadores): por qual razão sua direção jamais manifestou qualquer preocupação em concorrer à chefia do Poder Executivo Federal (Presidência da República) ??? A resposta é simplória: do jeito que a coisa está, será sempre e sempre o PMDB o “fiel da balança” já que, independentemente de quem leve (ganhe a eleição), necessitará do seu apoio para exercer a tal “governabilidade”. Como se vê, o problema é mais sério do que se possa imaginar. E se partirmos para globalizar tal raciocínio, a coisa não muda muito de figura, não. Senão, vejamos que paradoxo: na atualidade, qual é o maior país “SOCIALISTA” do mundo ??? A República Popular da China. E qual é o maior país “CAPITALISTA” do mundo ??? A República Popular da China. Algum dia você havia imaginado que no futuro o socialismo e o capitalismo juntar-se-iam pragmaticamente pra conseguir resultados tão expressivos, apesar de todo o oceânico-antagonismo ideológico que os caracterizam (será mesmo que a validade de uma doutrina é determinado pelo seu bom êxito prático ???).

Sobre o "NIÓBIO"

domingo, 11 de novembro de 2012

Porque hoje é domingo...- socorro moreira


Para um aposentado a frase de Vinícius deixou de justificar a expectativa da noite mais livre da semana...
Para os boêmios, notadamente os músicos, a segunda-feira é à noite!
Quando a gente tem energia mudana todas as noites revelam mistérios. A música é trilha dos encontros. O "papo-cabeça" (veja que besteira) estimulava mais um copo, mais uma beliscada num petisco. O dia ir clareando, o mar se mostrando, o sol revelando a pintura já marcada por um cansaço inútil, em pele viçosa... Nada disso, que importa?
Passa a vontade de cair fora dos lençóis; conhecer pessoas novas, dançar ciranda com gente estranha... Cantar com todos... Sorrir do, e com o espirituoso.
Sinto saudades de todos os dias da semana...
Porque hoje é domingo, perdi a praça, e o filme no Cassino... Perdi a matinal do Tênis, e a macarronada da minha mãe; perdi o ressonar satisfeito do meu pai na sesta do almoço...
Assisti o Fluminense ser campeão, e fiquei feliz, ou quase...
Gosto tanto de Vinícius, que vou seguir a deixa.




sábado, 10 de novembro de 2012

Porque hoje é sábado - José do Vale Pinheiro Feitosa


Nas cidades praianas os dias ensolarados azougam a preguiça das manhãs. Mas aos sábados quando o sol começa a curvar-se no horizonte surge um desejo de sair. De acontecer algo fora da rotina. De sair de casa ao encontro de grandes acontecimentos. Grandes acontecimentos lúdicos.

Vinícius de Moraes em seu Dia da Criação dá ao sábado o sentido de ordenação do trabalho e de modo distinto dos judeus e cristãos sabatistas, ele é o sexto dia e o domingo o último. O seu famoso refrão “porque hoje é sábado” neste poema extrai todas as consequências do sábado ao sexto dia da criação quando Deus cria a humanidade. A humanidade é o redemoinho que gira o trabalho e por isso o sábado.

Todos os dias da semana são dias de encontro pelo estudo, pelo trabalho ou por necessidades culturais. Mas no dia de sábado é como se fosse a celebração de um encontro diferente das obrigações, das rotinas e rituais. Os sábados não apenas são um novo redivivo como é o cessar do mesmo cotidiano.

Atrair ou ser atraído para encontros. Para ouvir música. Ir ao Shopping. Dançar forró. Tomar umas e comer outras. Sair pelas estradas em busca do vizinho. Aos restaurantes de Juazeiro, reviver a tradição imperceptível de encontrar algo diferente nas moças de Barbalha.

Mesmo quando tudo que resta é um filme solitário no DVD ou um livro envolto em silêncio, mas saliente em mundos incrivelmente ruidosos. O sábado continua, mesmo que marginal, sendo o pano de fundo em que a cena da vida desenvolve o seu entrecho.

E o sábado é mais raiz quando a vida já repetiu mais de três mil destas criaturas do enredo da gênese. Os sábados da nossa cidade. O brilho das roupas de sábado, os penteados de sábado e aquele olhar indiferente só para demonstrar a diferença dele em relação aos outros.

Os sábados estrelados no firmamento e as luzes de ânimo das doses de Cuba Libre ou do fermento inebriante destas louras geladas. E nosso corpo, por efeito paradoxal toma-se de calor de tal modo abrasador que derrete todas as conveniências sociais. E como um ferreiro molda-se uma espada suplicante por uma bainha.

Ao som de um bolero. Um samba canção. Uma dor de cotovelo, no lado oculto da lua, aonde os olhares moralista nunca chegam, uma fusão quase total, uma vez suspensa neste quase por estes implacáveis tecidos de roupas. Mas os odores de ambos se misturam num silêncio anterior ao dia da criação.

A noite já passou da estação das 22 horas aí neste horário normal e das 23 horas aqui no horário de verão e tudo isso porque hoje é sábado. E amanhã é domingo.    

Dia da Criação - Vinícius de Moraes. 



Leilões

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Na novela “Gabriela”, recém reapresentada na TV brasileira, numa adaptação do Romance do nosso centenário Jorge Amado, há uma cena típica da época retratada : a Ilhéus dos anos 20.   Ina, uma quenga novinha, cheirando a cueiro, tem sua estréia de gala no Bataclã, quando sua virgindade é posta em leilão pela cafetina Maria Machadão, expondo-a aos esfaimados coronéis baianos do ciclo do cacau. Pareciam imagens típicas de um período pretérito, aqueles tempos em que o casamento era uma mera instituição burocrática, uma fábrica de fazer herdeiros e manter o patrimônio das famílias mais abastadas; sem nenhuma ligação com os prazeres de alcova, geralmente procurados pelos homens, nos cabarés,  junto às profissionais do ramo. Hímen, então, era apêndice de luxo, guardado e velado a sete chaves; passível de, roto, impelir pessoas aos crimes mais hediondos. A preservação quase que doentia desta película, inclusive, precede ao cristianismo e à pretensa virgindade de Maria. Gregos, Fenícios e Romanos  vigiavam as fronteiras sexuais das suas moças, mais que os muros dos seus castelos.
                                               Nas últimas décadas, no entanto, aparentemente, a virgindade viu esvair-se   sua importância. A iniciação sexual dos jovens tem começado cada dia mais precocemente e ninguém mais se preocupa com essa história de selo. Os meninos se queixam , inclusive, que é um saco, que dá trabalho, que atrapalha. E , mais, deixou de ser condição sine qua non no casamento, ninguém se encuca mais com a inauguração, com o invicto, com quem primeiro passou pela porta da loja, mas sim com o conteúdo do estabelecimento. Virgindade,  de virtude,  passou a ser démodé, brega, a cheirar a mofo e a cafonice.
                                               A  notícia que invadiu a imprensa, nos últimos meses, pois, parece , no mínimo, estranha.  Catarina Magliorine , uma linda catarinense de vinte anos, resolveu leiloar sua virgindade, na internet. Existe, inclusive, um site especializado neste leilão eletrônico e se chama “Virgins Wanted”. Na última quarta –feira , um japonês ( o Coronel Jesuíno do momento ) viu o martelo bater e arrematou a prenda por , nada mais-nada menos ,que um e meio milhões de reais. O Bataclã do Século XXI será instalado em um avião e a lua de mel acontecerá num vôo entre a Austrália e os Estados Unidos.
                                               Nesta semana, ainda, noticiou-se, Brasil a fora,  uma outra calamidade. No município de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, na fronteira com a Colômbia, a virgindade de meninas índias é comprada por um Celular, uma peça de roupa, uma caixa de chocolate ou por R$ 20,00. Existe todo um esquema criminoso envolvendo comerciantes locais, militares, motoristas  e até políticos no aliciamento de menores.
                                               Reflitamos um pouco sobre estas questões. Os casos do Amazonas não são tão diferentes do Bataclã do nosso Jorge Amado. Crianças são levadas à prostituição por mero instinto de sobrevivência . Já a nossa Catarina expõe-se, publicamente,  num leilão,  na busca desvairada pelo sangri-lá do consumo, inseto que já ferroou, inclusive, as nossas indiazinhas que se entregam , às vezes, por roupas de marca. A virgindade, talvez, pela raridade nos dias de hoje, volta a encantar . Se ontem mantinha seu infinito valor por conta da dificuldade em ser defenestrada, hoje reassume os valores de outrora, pouco a pouco, por vir se tornando um objeto em franco processo de extinção. O japonês e os meliantes do Amazonas compram-na , a preço de mercado, com a mesma sanha de um colecionador que adquire um Renoir para exibi-lo como parte da sua coleção. Nenhum dos dois tem qualquer amor à arte, fazem-no com a simples intenção de se mostrar para outros membros da sociedade, de pousar de bacana. Só. 
                               Como se vê, a história dos nossos costumes parece  andar em círculos. De repente, a virgindade volta a entrar em foco, a prostituição que se pensava seriamente ameaçada pela liberalidade sexual, reacende seu vigor; claro que com nuances e tonalidades diferentes. O imutável é apenas a Lei Internacional da Supremacia dos Poderosos sobre os Desafortunados. Continuamos numa mesma sociedade de castas, onde tudo está posto num balcão de negociação, tudo !  Dinheiro e poder compram tudo : amor verdadeiro, como dizia Nélson Rodrigues; beleza; santidade; reputação; saúde. Por enquanto,  apenas a morte ainda não entrou no processo de licitação, mas seu adiamento, sim.  A honra , neste mercado, vale alguma coisa entre o meio milhão de Catarina à caixa de chocolate das indiazinhas do Amazonas. 

J. Flávio Vieira

Apresento-lhes O SILÊNCIO DE DEUS em e-book!