por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Anna Pavlova


Anna Pavlova
Origem: Wikipédia


Anna Matveievna Pavlova foi uma bailarina russa, nascida em São Petersburgo, a 31 de janeiro (segundo o calendário juliano) ou a 12 de fevereiro (pelo calendário gregoriano) de 1881 e falecida na Haia, em 23 de janeiro de 1931. De talento e carisma excepcionais, fascinou o mundo da dança no fim do século XIX e na primeira metade do século XX. Seu extraordinário talento e suas interpretações extremamente pessoais deram um novo sentido ao balé clássico. Também era conhecida como Anna Pavlovna Pavlova.

João Ubaldo Ribeiro



João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro (Itaparica, 23 de janeiro de 1941) é um advogado, escritor, jornalista, roteirista e professor brasileiro, membro da Academia Brasileira de Letras. É ganhador do Prêmio Camões de 2008, maior premiação para autores de língua portuguesa. Ubaldo Ribeiro teve algumas obras adaptadas para a televisão e para o cinema, além de ter sido distinguido em outros países, como a Alemanha. É autor de romances como Sargento Getúlio, O Sorriso do Lagarto, A Casa dos Budas Ditosos, que causou polêmica e ficou proibido em alguns estabelecimentos, e Viva o Povo Brasileiro, tendo sido, esse último, destacado como samba-enredo pela escola de samba Império da Tijuca, no Carnaval de 1987.
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Estrada da Saudade
Gilton Della Cella

No meu coração cabe tanto amor e tanta saudade
Tanta solidão que o peito até parece um campo sem flor
Como um girassol no tempo que sobreviveu
Sobrevive a esperança de um amor que não morreu

Manhã de calor, tarde trovejou, noite de frio
São tantos caminhos que me levam pros braços do meu amor
A estrada da saudade está dentro de mim
Vai correndo feito um rio que parece não ter fim

Por onde for, quero levar
A certeza que esse nosso amor
Nunca vai se acabar
Na terra ou no mar
Nem que a luz do luar
Se apague no sertão
Esse amor, não se apaga
No meu coração

GILTON DELLA CELLA


Cantor e compositor de melodias arrojadas e letras inteligentes.


Detalhes do Artista
Nascido na cidade de Ubaíra-Ba, no verde vale do Jequiriçá, Gilton Della Cella, lançou-se ao público em 1984 no Festival dos Bancários da Bahia, onde arrebatou o 2º lugar com a música “Grande Circo Brasileiro”, ganhando também naquela noite,o prêmio de melhor letrista. Em 1997 voltou a vencer o mesmo festival desta vez com a música “Canto de Açoite”, interpretada por Anna Magdalla, aliás, nos festivais, Gilton Della Cella teve presença marcante, vencendo o Festival Disparada – 1984, promovido pelo Sistema Nordeste de Comunicação , com a música “Destino Lavrador” , de parceria com Kleber Ramos e Renato Fechine , festival de música de Itaberaba 1984 e 1985 com as músicas “Grande Circo Brasileiro” e “Canto de Açoite”, participante do projeto Banco de Talentos, promovido pela Febraban em 1994-1998-2000-2002-2004 e 2006, com apresentações no Memorial da América Latina, Tom Brasil e Citibank Hall –São Paulo, sob a batuta dos maestros Nelson Ayres e Marco Romera. Selecionado pelo projeto Circuito Cultural Banco do Brasil - 2003, dividiu o palco com Luiz Melodia. Classificado no festival da rádio Educadora da Bahia em 2004, 2005 e 2006 com as músicas “Brasis” e “Navegador de Sonhos” e "Solidão Pirata"; classificado no festival Canta Nordeste 1996; finalista dos festivais de Serra Negra-SP-2004, Toledo-PR –2004 e Tatuí-SP 2005, Seabra-Ba 2007, Ribeirão Preto-Sp 2007, Angra dos Reis-Sp 2007, Festival de samba paulista no Tuca-Sp 2007, Garanhuns-Pe 2007.
Já participou de eventos junto com Fagner, Ney Matogrosso, Zé Ramalho e Dominguinhos.


DEPOIMENTO DE JORGE PORTUGAL (consagrado compositor e intelectual baiano):
"Conheço Gilton há muito tempo e, desde lá, sou testemunha e admirador do seu talento. Dos
últimos festivais de música realizados na Bahia ele foi participante ativo, levando sempre a contribuição de sua destacada inteligência. Músico de melodias invulgares. Poeta de imagens arrebatadoras. Gilton sempre trilhou o caminho da coerência, não se deixando seduzir pelas vias fáceis das produções descartáveis.
Agora, nos apresenta este belíssimo CD, onde confirma, com suas canções, a condição de um dos melhores de sua geração. A atmosfera de sons nordestinos que perpassa o disco, o passeio que a poesia traz através das letras, atestam que é possível ser popular sem inclinar-se à vulgaridade e, quando se é autêntico intérprete do povo, pode-se captar toda a musicalidade essencial de sua gente e devolvê-la com lapidação de mestre.
Gilton é isso mesmo: um toque de mestre na alma das canções."

domingo, 22 de janeiro de 2012

LANÇAMENTO DO CLIPE DA BANDA NIGHTLIFE



Há 9 anos na estrada, a banda sul cearense NIGHTLIFE vem fazendo a diferença por onde tem andado. Tocando e encantando uma galera sem limites de idade, passeia pelo rock e pelo pop com um estilo único, transformando qualquer evento em uma verdadeira festa, onde a alegria e a descontração são a tônica.

Em sua mais recente fase, dessa vez em parceria com a Sertão Pop Produções, está preparando o seu primeiro disco de músicas autorais, e já vem com um grande sucesso que está fazendo a cabeça da moçada. "THE PASSION", é a música de trabalho do CD que promete estourar na região do Cariri e certamente por esse Brasil afora. Está sendo lançado também um clip com a música e outras mudanças para melhor estarão acontecendo ao longo dessa nova fase da banda.

link do nosso clip no youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=XNfOsPOmPOk

Em breve disponibilizaremos todo esse material aqui para vocês.

Nossos contatos:

SERTÃO POP PRODUÇÕES:
Rua Araripe 163 - Centro - Crato-Ceará. - CEP: 63.100-380
Telefones: (88) 3521.5398
9666.9666 - TIM
8824.2131 - OI
8102.4051 - VIVO
9231.0991 - CLARO
De: Sertão Pop Cariri

SEM VOCÊ - Marcos Barreto de Melo

Faz tanto tempo que eu não te vejo
Sinto crescer no meu peito
A saudade de você
Eu não esqueço daquela festinha
Noite fria, lua clara
E no salão nós forrozando

Naquela noite em que te conheci
Emoção forte bateu no meu peito
Senti que era uma grande paixão
Tomando conta do meu coração

Hoje distante na cidade grande
De mar azul a lhe emoldurar
Cheia de encantos e de tanta luz
Ando perdido na escuridão
A tua falta me deixa sem rumo
Sem o teu beijo me sinto sem prumo
Que nem menino vivo a chorar
Porque você não vem me amar

Leonel Brizola



Leonel de Moura Brizola (Carazinho, 22 de janeiro de 1922 — Rio de Janeiro, 21 de junho de 2004) foi um político brasileiro.

Lançado na vida pública por Getúlio Vargas, foi o único político eleito pelo povo para governar dois estados diferentes (Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro) em toda a História do Brasil. Exerceu também a presidência de honra da Internacional Socialista.

Nascido no vilarejo de Cruzinha, hoje interior de Carazinho, então pertencente ao município de Passo Fundo, era filho de camponeses migrados de Sorocaba. Batizado como Itagiba de Moura Brizola, cedo adotou o nome de um líder maragato da Revolução de 1923, Leonel Rocha.

Foi prefeito de Porto Alegre, deputado estadual e governador do Rio Grande do Sul, deputado federal pelo Rio Grande do Sul e pelo extinto estado da Guanabara, e duas vezes governador do Rio de Janeiro.

Sua influência política no Brasil durou aproximadamente cinquenta anos, inclusive enquanto exilado pelo Golpe de 1964, contra o qual foi um dos líderes da resistência.

Por duas vezes foi candidato a presidente do Brasil pelo PDT, partido que fundou em 1980, não conseguindo ser eleito. Morreu aos 82 anos de idade, vitimado por problemas cardíacos.

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Maysa


Maysa Figueira Monjardim, mais conhecida como Maysa Matarazzo ou simplesmente Maysa (São Paulo ou Rio de Janeiro, 6 de junho de 1936 — Niterói, 22 de janeiro de 1977), foi uma cantora, compositora e atriz brasileira. Ao longo da sua carreira imortalizou uma discografia com mais de 25 títulos. Cristalizou uma das mais sensíveis obras da Música Popular Brasileira.



sábado, 21 de janeiro de 2012


Voando solta - Socorro Moreira




Vivo a quietude dessa

Madrugada azul e fria

Estrelas escondidas

Namoram entre si


Cortinas cerradas

Parceiras encantadas

E eu aqui ...


Sustos, suspiros...

Amasso como folha

Esse sonhar

Despetalo a flor da noite

Voando solta

Voando solta

Voando solta ...

...E como num conto de fadas, que sejam felizes pra sempre!

Com imenso carinho, parabenizamos  a família de João Marni, pelo enlace matrimonial dos filhos: Diana e Leonardo!

Sombras e Sonhos - Socorro Moreira





Tenho pensado mal dos meus sonhos, mas não posso deles me queixar... Fotografam e revelam os meus desejos conscientes e inconscientes. A culpa é minha se eles são modestos ou mesquinhos.
Concentram-se em coisas realizáveis a qualquer tempo.
Os sonhos alcançam as nossas graças. São respostas às nossas dúvidas.
Sonhei encontrando todo mundo.
Eram duas salas. Na primeira eu via o povo, como era no passado. Percebo-me tímida, mas de olhar caçador e danado. Pronto! Cruzei meu olhar com um moço de sorriso zombeteiro. Por uma fração de segundos a gente se viu. Só que desta vez, eu congelei o fato.
Na segunda sala a gente apareceu com a roupa do futuro. Cabelos cansados, mas restaurados. Percebi novos rostos, adicionados pela vida.
Se os encontros se desencontram, não importa... Nos sonhos eles são perfeitos!
Hoje é sábado. Minha agenda está desobstruída dos trâmites gerais. Posso tudo, inclusive ficar de pernas para cima, e deixar a casa sem almoço.
Pra que é que serve ovos e sardinha? Também tenho os meus dias de farofa, banana, e doce de pacote.
Acordei sem lembrar o que sonhei, mas lembrando um passado remoto, e uma das minhas inúmeras mortes.
A vida reflete o sonho. Tenho parcos sonhos. Economizo distâncias, dinheiro, paixão, e até saúde. Sou tão injusta...! Só não economizo poesia. Por falta de sonhos ela chega de chinelos franciscanos, perambulando no frio fulgor das auroras.
Tenho tudo e deixo de querer o essencial. Estou presa a quatro paredes, e de janelas e portas abertas para o mundo virtual. Lá também não sonho, nem invento realidades. Não brinco de amar.
Não sou exatamente triste, nem exatamente romântica. Sou quase esquisita... Alegro-me com o brilho no olhar dos meus amigos. Absorvo e rejeito a tristeza. Choro-a em prantos, sem entender o meu luto contínuo... Coisas perdidas, ganhos em caixas vazias. Quando a morte chegar, de nada me separará... A não ser das manhãs e madrugadas, e dos irrespiráveis ares que insisto em tragar.
Eu resumi a vida, e ela teimosa se estica. Comprimi todas as músicas, no repertório de Nana Caymmi (nunca vou escrever sem dúvidas, o sobrenome Caymmi...). Não gosto do risível , nem do aterrador. Vivo as madrugadas que nascem e morrem em mim, num cotidiano repetitivo, desequilibrado com algumas surpresas.
Um desconto ou troco poético , que me roubam do tédio.
O contato com as palavras é recreativo. Tomo café com vogais, e faço sopas com todas as letras.
Faço turismo nos contos de alguns, catando arrepios e extraindo gotas de emoção para molhar a secura do coração. Não sei os motivos da arte. Ela foge de mim quando a procuro, e esconde-se nos meus porões.

MINIMAMENTE FELIZ- Colaboração de Altina Siebra



Mesmo para quem não crê em Homeopatia!!!

A felicidade é a soma das pequenas felicidades.

Li essa frase num outdoor em Paris e soube,
naquele momento, que meu conceito de felicidade
tinha acabado de mudar.

Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática,
distribuída em conta-gotas. Um pôr-de-sol aqui, um beijo ali, uma xícara de café recém-coado, um livro que a gente não consegue fechar,uma pessoa que nos faz sonhar, uma amiga que nos faz rir...

São situações e momentos que vamos empilhando com
o cuidado e a delicadeza que merecem alegrias de pequeno e médio porte e até grandes (ainda que fugazes) alegrias.

'Eu contabilizo tudo de bom que me aparece', sou adepta
da felicidade homeopática.

'Se o zíper daquele vestido que eu adoro volta a fechar
(ufa!) ou se pego um congestionamento muito menor do que eu esperava, tenho consciência de que são momentos de felicidade e vivo cada segundo.

Alguns crescem esperando a felicidade com letras maiúsculas e na primeira pessoa do plural, mas caros amigos, dá pra ser feliz no singular: ‘Quando estou na estrada dirigindo e ouvindo as músicas que eu amo, é um momento de pura felicidade.
Olho a paisagem, canto, sinto um bem-estar indescritível'.

Esperar para ser feliz, aliás, é um esporte que abandonei
há tempos. E faz parte da minha 'dieta de felicidade'
o uso moderadíssimo da palavra quando'.
Aquela história de 'quando eu ganhar na Mega Sena', 'quando eu me casar', 'quando tiver filhos', 'quando meus filhos crescerem', 'quando eu tiver um emprego fabuloso' ou 'quando encontrar um homem que me mereça', tudo isso serve apenas para nos distrair e nos fazer esquecer da felicidade de hoje.

Como tantos já disseram tantas vezes, aproveitem o momento, amigos. E quem for ruim de contas recorra à calculadora para ir somando as pequenas felicidades.
Podem até dizer que nos falta ambição, que essa soma de pequenas alegrias é uma operação matemática muito modesta para os nossos tempos.Que digam.

Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso de espera.

Leila Ferreira, jornalista


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O casamento de Diana e Leonardo Por João Marni

Agora sim, vencemos. Casa-se hoje o nosso filho caçula. O horizonte verticalizou-se e descortinou-se. Chegamos. O último dos nossos maravilhosos filhos não mais ficará sozinho.  Parabéns para nós dois, Fátima. Obrigado. Quer casar comigo novamente?
Queridos Leo e Diana, a vida em comum oferece momentos marcantes como na música _ ... “É pau é pedra”.../...“Quero a alegria de um barco voltando”..., ou na poesia _ ...” E agora,  José” ?...
A verdade é que vocês têm que ter a confiança do Andarilho sobre as águas e a entrega d ’ Ele ao Senhor, sempre. A vida não é um abismo. É apenas uma estrada, longa e tortuosa. Assim, em momentos de dissabores, façam como dedo de topada: sarado, pedra esquecida, estrada passada.
O casamento é a consagração de um chamado, eco dos sons de dois corações. Entre desejos, a paixão cede o lugar para o amor - eis o pomar que exige dedicação e renúncia. Todo homem (e toda mulher) que compreender isso o mais rapidamente, colherá frutos inigualáveis. Terão quebrado o relógio da solteirice e trocado-o  por uma aliança,  símbolo do compromisso firmado entre a terra e o céu. E não se deve desdenhar do que Deus abençoa, pois se um causar o adeus, certamente Ele não soltará a mão de nenhum.
Leonardo, você está vivendo a época de ouro da sua vida. Agora, é hora do homem  revelar-se maduro e dizer para o que veio. Procure jamais errar a porta da sua casa, lugar sagrado da família, palco das maiores alegrias e também das grandes preocupações. Pelo jeito e pressa terão, você e Diana, muitas: filhos!
Que a vida seja de renovações constantes entre juras e perdões, e entre abraços e beijos. Sejam desapegados pelo que for material, mas não a ponto de lhes faltarem. Usem sim, de forma generosa e até esbangem no dia a dia, das palavras segundo o conceito do médico e escritor Moacyr Scliar: “As palavras servem para estabelecer laços entre as pessoas e para criar beleza – Pelo que a elas devemos ser eternamente gratos”. Respeitem-se. Façam um milhão de amigos.
Querido Leonardo, valorize a atividade profissional da sua esposa Diana (por sinal a mesma da sua brilhante mãe, Fátima), e a incentive sempre, estimulando-a a prosperar. No mínimo, ela saberá cuidar das feridas, sobretudo as do coração...
Querida Diana, eis aqui mais um peito amigo. Não precisa esconder suas tristezas, porque saberei encontrá-la e acalentá-la.  Use a cozinha para fazer as mamadeiras dos filhos (passada a fase da amamentação, claro) ou um lanche rápido. Não se detenha por muito tempo diante do fogão, como o fez minha pobre e sofrida mãe. Por outro lado, faça como ela, não procurando colecionar o que não irá usar, pois muitas mulheres descalças e andrajosas estarão à espera de um gesto seu. A caridade é a chave para o Grande Portão. Procure manter essa simpatia cativante e não se distancie de si jamais. Sejam intolerantes com a injustiça, não a permitindo nunca. Deus irá admirá-los muito, por isso.
É bom sempre lembrar que o maior legado que Ele nos concedeu foi a própria vida, seja a telúrica, bela e efêmera, mas principalmente a prometida  ao Seu lado. Todos os sonhos acabam-se, à exceção desse, não é mesmo? Isso é unanimidade até entre os incréus à hora da morte!
Pois é, vencermos aqui todas as suas etapas é o grande desafio, mas a conclusão sempre será a mesma: papai e mamãe tinham razão! Tudo renova-se na união com amor.
Sejamos gratos a Nosso Senhor, o grande “corta-jaca” de vocês dois e que apadrinha a esta completude, há tanto esperada e desejada. Que bom, nossa família ficou bem maior e melhor.

Com nossas bênçãos, beijos e abraços,
João Marni, Fátima, Monalissa, David, Tassiana, Breno e Maria Alice.  

Crato, 21.01.2012

Utilidade providencial do trabalho - Emerson Monteiro

Ganhar este mundo com o suor do próprio rosto, quanto de sabedoria existe nisso. Esquecer a inutilidade através da identificação naquilo com que ocupar o tempo e a vida, no querer utilizar a riqueza das horas para elaboração das fortunas pessoais, a todo o momento. Quão poucos descobrem em essência esta lição magistral... Uns através da necessidade e da sobrevivência, outros por meio da vocação, dos talentos, dons, interesses...

Ouviu-se que em mente desocupada o Diabo faz tricô. Andar desocupado, aventurando a vida nos trapos de perversão, olhar em torno e fazer nada, que pouca imaginação representa. Vagar solto no vento, nem os pássaros, que a cada dia elabora a moldura dos lugares com sua alegria e volteios de beleza rara, entre nuvens e folhagens, à cata de onde adormecer e, ao despertar, tonificar de harmonia os mistérios da mãe Natureza.

Malandrar qual quem se perdeu as pernas no desespero da dor e da inutilidade, nos depois. Trabalhar jamais arrancou pedaço da alma da gente. Os acomodados, doentes de preguiça, dão notícia de possíveis fugas do compromisso das responsabilidades. Todavia sofrem desse torpor de olhar o alheio de lábios vazios. E felicidade rima com atividade, espinha dorsal das melhores aspirações. É tanto que, quando param as engrenagens do trabalho, pensamentos seguem funcionando, mostrando meios de planejar outras horas prósperas.

Isso de crescer sobre as bases sólidas do ritmo de trabalhar e sonhar, sonhar e trabalhar, representa o eterno movimento das ações e dos sistemas. Sociedades felizes nascem, pois, das festividades coletivas do trabalho, conhecimento da efetiva produção de novos elementos na soma dos antecedentes, dos valores armazenados no decorrer das histórias, nos grupos humanos.

Descobrir a importância facilitadora de trabalhar cresce a personalidade e os diversos instantes da jornada terrena, tesouro precioso das pessoas, fonte da paz realizadora.

Bem fácil revelar o primor desses pequenos gestos internos, experiência que, por vezes, só aprendemos no declinar das energias, e que tanta qualidade boa ocasionaria vinda no seio da rica juventude.

Há um conceito especial que ganhou campo nas escolas atuais que diz ser apenas nos dicionários onde a palavra sucesso vem antes de trabalho. Aplicar, em consequência, esta orientação significa norma de mais absoluta das verdades.

O Brasil e a Copa do Mundo - Por José de Arimatéa dos Santos

Esses dias o país só discutiu o dispensável BBB e uma jogada de marketing que muitos caíram feitos patos(Luíza) e os grandes problemas nacionais, estaduais e municipais como sempre jogados para debaixo do tapete. Futilidades dá audiência e como tal ao ligar a televisão só se fala em tais assuntos. E nas redes sociais Luíza quebra todos os recordes de audiência e comentários e mais comentários com o bordão e o jogo de marketing tão característico das grandes campanhas publicitárias. Engraçado que muita gente embarca nisso sem saber o significada disso tudo.
Mas o que a Copa do Mundo tem a ver com isso? A princípio, nada a ver. A visita do Secretário Geral da FIFA(entidade maior do futebol) Jérôme Valcke foi ofuscada por essas futilidades comentadas acima, mas a mesma se reveste de uma importância crucial na vida nacional. Além do governo brasileiro está a torrar o dinheiro de todos os brasileiros em estádios que somente uma elite desfrutará das maravilhosas jogadas na copa e depois com os donos dos estádios, pois para mantê-los acabarão privatizando-os e com ingressos caros o verdadeiro torcedor de futebol ficará a ver somente seu time pela tv.
A FIFA vem somente cobrar, cobrar e cobrar. E que se dane o país. Ela só quer auferir os lucros da festa. E agora quer derrubar leis importantes que o povo brasileiro demorou muitos anos para conseguir e funciona na prática. Ao menos dentro dos estádios a violência diminuiu depois que se proibiu a venda de bebida alcoólica e a meia entrada de estudantes e idosos querem limitar. A entidade do futebol quer garantias que se houver algum prejuízo com a Copa que o povo brasileiro pague a conta. São pontos que poderão ser contemplados na Lei Geral da Copa em tramitação no Congresso Nacional.
Vejo que roubada o Brasil entrou ao aceitar ser sede de uma Copa do Mundo. Sou aficcionado por futebol e vou torcer pelo Brasil, mas infelizmente não temos um time e nem mais aqueles jogadores como Rivelino, Zico, Sócrates, Romário, Ronaldo Nazário... Seleções como a Espanha, Holanda e Alemanha já estão praticamente prontas, pois já têm um time base. E agora é esperar que os deputados e senadores não se curvem diante da pressão da FIFA e que Mano consiga formar um time competitivo para não fazer feio em nosso território.

"Amor na tarde"


Audrey Hepburn



Audrey Hepburn (Ixelles, 4 de maio de 1929 — Tolochenaz, 20 de janeiro de 1993) foi uma atriz, modelo e humanista nascida na Bélgica e radicada entre Inglaterra e Países Baixos.[1]. É considerada um ícone de estilo e a terceira maior lenda feminina do cinema de acordo com o American Film Institute.

Audrey Hepburn se tornou um dos poucos artistas a conseguir ganhar as maiores honras de cada arte hollywoodiana: Tony (teatro), Oscar (cinema), Grammy (música) e Emmy (televisão).

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Nara, uma mulher de opinião


Nara, uma mulher de opinião

Cantora completaria 70 anos nesta quinta. Site lançado pela filha é "presente" para quem quer conhecer sua obra

Por: Vitor Nuzzi, Rede Brasil Atual



Chico Buarque e Nara dividiram durante alguns meses a apresentação do programa "Pra ver a banda passar", na Rede Record (Foto: Divulgação/ Site pessoal)

São Paulo – "Meu ilustre marechal/ dirigente da nação,/ não deixe, nem de brinquedo,/ que prendam Nara Leão.” Com versos assim, o poeta Carlos Drummond de Andrade saía em defesa da jovem Nara Leão, que lançou seu primeiro LP justamente no ano do golpe, em 1964, quando o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco iniciava o ciclo dos militares presidentes. Ainda naquele ano, em viagens pelo país, a moça de Copacabana – ficaram famosos os encontros musicais em seu apartamento – conhece os trabalhos de gente como Caetano Veloso e Maria Bethânia. Anuncia um rompimento com a Bossa Nova e lança o segundo disco, "Opinião de Nara", que vai inspirar o célebre espetáculo "Opinião", dirigido por Augusto Boal, que tem Nara ao lado de Zé Kéti e João do Vale. "Podem me prender/ Podem me bater/ Podem até deixar-me sem comer/ Que eu não mudo de opinião/ Daqui do morro eu não saio, não."

Nara Leão completaria 70 anos neste 19 de janeiro, mesmo dia em que se relembram os 30 anos da morte de Elis Regina. Não eram amigas, percorreram caminhos diferentes na música brasileira e, cada uma a seu modo, marcaram época. Capixaba que aos 2 anos foi para o Rio de Janeiro, Nara morreu em 1989, aos 47 anos, após uma longa batalha contra um câncer no cérebro. Para lembrar o aniversário da mãe, Isabel Diegues (filha de Nara e do cineasta Cacá Diegues), pôs no ar o site www.naraleao.com.br, com galeria de fotos, uma cronologia detalhada, a discografia (que pode ser ouvida) e documentos da cantora. "E esse é o meu presente: compartilhar sua obra para que todos possam se deliciar, ouvir e pesquisar à vontade", disse Isabel na rede social Facebook, há alguns dias.

Tinha voz suave, mas falava firme. Foi em 1966 que Nara concedeu uma entrevista que causou repercussão, ao criticar o governo dos militares. A manchete do Diário de Notícias foi: “Nara é de opinião: esse exército não vale nada”. E foi o ano da consagração popular, quando interpretou "A Banda", de Chico Buarque, no festival da TV Record, que causou agitação no país pela disputa com "Disparada" (de Geraldo Vandré e Theo de Barros), interpretada por Jair Rodrigues. No final, as duas composições foram declaradas vencedoras, por insistência de Chico. Ele e Nara dividiram durante alguns meses a apresentação do programa "Pra ver a banda passar", também na Record. Pelo comportamento diante das câmeras, chegaram a ser considerados "desanimadores" de televisão.

Em 1968, quando o regime radicalizaria com o AI-5, Nara participou das manifestações contra o governo, protestou publicamente contra a morte do estudante Edson Luís, no Rio de Janeiro, e fez parte do disco "Tropicália ou Panis et Circenses", cantando "Lindoneia", de Caetano. Era um período de radicalização até na música, com direito a passeata contra as guitarras elétricas na MPB (para alguns, mais um ardil publicitário do que uma manifestação de fato), movimento condenado por Nara Leão. No final de 1969, ela vai com Cacá Diegues para o auto-exílio, na França. O casal retorna ao Brasil em 1971.

Os problemas de saúde foram descobertos em 1979, Nara vai alternar momentos de saúde bons e instáveis durante os dez anos seguintes. O último show foi em Belém. Morreu no Rio, em 7 de junho de 1989.

A primeira faixa de seu primeiro LP foi "Marcha da Quarta-feira de Cinzas", de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes: "E no entanto é preciso cantar/ Mais que nunca é preciso cantar/ É preciso cantar e alegrar a cidade".

Confira a foto original pelo site: http://www.naraleao.com.br/index.php?p=galeria

Poema em ocre - por Socorro Moreira



A cor me transporta para a forma

Forma uma realidade nova

Uma nova pessoa

Que brinca de lembrar

E pinta o sete, nos sonhos de inverno

Acho que depois da chuva

Toda alegria se inunda...

As tristezas viram pó

E o eco, no deserto

Avisa que estamos sós!

Aurora - por Socorro Moreira



Todos os dias, ela me acorda
Perfume da manhã, inconfundível
Vento brando, som de passarinhos
Frescor de flor, se entreabrindo
Depois vem o sino...
Passos de gente na calçada
acordes de um violão vadio
assobio do boêmio...
Pavarotti, Ave - Maria!

Erotismo em Branco - Márcia Denser



A porta se abrirá lentamente e eu verei o que tem detrás.

Branca de Neve: O Conto de Fadas

Quando se fala em conto de fadas, fala-se, automaticamente, sobre crianças, sobre o espaço infantil. Segundo Noemi Paz:

O conto de fadas é uma alegoria da passagem iniciática na qual o herói representa a alma perdida no mundo a lutar contra os poderes inferiores de sua própria natureza e contra os enigmas que a vida lhe propõe, até encontrar, após aceitar e realizar as provas, os meios para a sua própria redenção. 1

Sabe-se que o conto de fadas provém do conto maravilhoso e, além de se constituir da literatura popular, manteve-se vivo e se propagou devido à tradição oral. "Branca de Neve"é um dos contos de fadas mais conhecidos e faz parte do imaginário infantil. Como todo conto de fadas, sofre variações conforme o tempo e o espaço.

Neste trabalho, utiliza-se, porém, apenas uma versão: a de Jacob e Wihlelm Grimm. Nessa versão, Branca de Neve é a concretização do desejo de sua mãe em ter uma criança bela. O conto inicia-se assim:


Era uma vez uma rainha. Um dia, no meio do inverno, quando flocos de neve grandes como plumas caíam do céu, ela estava sentada a costurar, junto de uma janela com uma moldura de ébano. Enquanto costurava, olhou para a neve e espetou o dedo com a agulha. Três gotas de sangue caíram sobre a neve. O vermelho pareceu tão bonito contra a neve branca que ela pensou: "Ah, se eu tivesse um filhinho branco como a neve, vermelho como o sangue e tão negro como a madeira da moldura da janela." Pouco tempo depois, deu à luz uma menininha que era branca como a neve, vermelha como o sangue e negra como o ébano. Chamaram-na Branca de Neve. A rainha morreu depois do nascimento da criança.2
Branca de Neve nasce conforme sua mãe desejou: com a tez alva, com as bochechas vermelhas tais qual a cor de uma maçã - fruto proibido, elemento simbólico do prazer, da perdição - e com os cabelos negros. Agrega em si um cromatismo sugestivo, pois o branco faz lembrar a pureza, a inocência; o vermelho, a paixão, a sexualidade e suas madeixas escuras remetem à noite, à escuridão, ao sofrimento.

Segundo Bruno Bettelheim, a história de Branca de Neve, aparentemente inocente e infantil, está carregada de símbolos relacionados à sexualidade, à sensualidade e ao erotismo. Diz ele sobre o referido conto:


Aqui a estória propõe os problemas a resolver: inocência sexual, brancura, contrastada com o desejo sexual, simbolizado pelo sangue vermelho. Os contos de fadas preparam a criança para aceitar um acontecimento que seria conturbador: o sangramento sexual, como na menstruação, e posteriormente na relação sexual quando o hímen é rompido. Ouvindo as primeiras frases de Branca de Neve a criança aprende que uma quantidade pequena de sangue - três gotas (sendo o número três o mais associado no inconsciente com o sexo). - é uma pré-condição para a concepção, porque a criança só nasce depois do sangramento. Aqui, então, o sangramento (sexual) está intimamente ligado ao acontecimento "feliz"; sem explicações detalhadas a criança aprende que nenhuma criança - nem mesmo ela - poderia nascer sem sangramento.3
Por intermédio do espelho - metáfora do voz da consciência feminina, narcísica, invejosa e vulgar - a madrasta da bela moça fica ciente da beleza insuperável da enteada e exige que um caçador mate-a, na floresta, e leve para ela seus pulmões e seu fígado, como prova de que a matou. O caçador, diante da beleza de Branca de Neve, em vez de cumprir as ordens dadas, deixa a moça fugir livre pela floresta julgando que essa não fosse resistir, por muito tempo, sozinha num lugar que mantém tantas ameaças.

A fim de enganar a mandante do crime, o caçador mata um javali que cruzou o seu caminho, arranca-lhe os pulmões e o fígado e os leva ao seu destino. A mulher come as peças, acreditando estar comendo a filha de seu marido. Esse ato canibalesco alude à sabedoria popular que a faz acreditar que, ingerindo partes de Branca de Neve, pode adquirir sua beleza, tornando-se, enfim, a mais bela das mulheres.

Ao contrário do esperado, Branca de Neve resiste e chega à casa dos sete anões. Ao avistarem a moça, a reação é de surpresa e contentamento: "Ó céus, ó céus!" todos exclamaram. ‘Que bela menina!’Os anões ficam tão encantados com aquela visão que resolveram não acordá-la, deixá-la continuar dormindo em sua caminha." (2004: 96). Diante de tamanha beleza, a acolhem sob a condição de ser responsável pelas tarefas domésticas. Os anões lhe dizem: "Se quiser cuidar da casa para nós, cozinhar, fazer as camas, lavar, costurar, tricotar e manter tudo limpo e arrumadinho, pode ficar conosco, e nada lhe faltará." (2004: 91).

Vale lembrar as próprias palavras do conto para observar o estado dos diminutos homens frente à imagem de Branca de Neve. Nesse primeiro momento, o campo lexical acolhe os vocábulos: "bela" e "encantados". Por ser a moça "bela", é capaz de deixar os homens à sua volta "encantados". Sobre esse natural poder de sedução da personagem da história infantil, Francesco Alberoni, em seu livro O Erotismo comenta:


Existem mesmo duas imagens arquetípicas da sedução feminina. A Bela Adormecida, Branca de Neve, Cinderela, onde o homem é atraído pela beleza. Apaixona-se e a mulher parte com ele. A segunda é a da feiticeira (Circe, Alcina) que prende o homem com um encanto. O mito nos diz que Branca de Neve ou a Bela Adormecida estão enamoradas do príncipe.4
Na verdade, na história infantil, os anões não "partem com ela". Esses homens, por serem pequenos, não representam perigo sexual tampouco despertam algum tipo de desejo na bela jovem. Eles a mantém "cativa" da forma que podem e ela responde à pergunta dos anfitriões: " ‘Sim quero ficar, não desejo outra coisa’, Branca de neve respondeu e ficou com eles." (2004: 97).

O enunciado ambíguo sugere algumas interpretações distintas daquelas pueris. Esse "desejo" de ficar pode, aqui e ali, comparar-se à vontade de ser mulher, adulta, objeto de desejo daqueles seres que a acolhem num momento tão difícil. Recorrendo a Bettelheim, pode-se perceber uma visão menos infantil dos anões:


Estes ‘homenzinhos’ de corpos atarracados e trabalhando na mineração - penetram habilidosamente em cavidades escuras - sugerem conotações fálicas. De certo não são homens em qualquer sentido sexual - seu modo de vida e o interesse em bens materiais sugerem uma existência pré-edípica.5
Bruno Bettelheim aponta também, ainda a respeito dos anões, que os conselhos que são dados à Branca de Neve para que não deixe ninguém entrar em casa, quando estiver sozinha, simbolizam, na verdade, o alerta de não deixar ninguém entrar, inclusive, nela. No entanto, tais conselhos são negligenciados, já que a jovem se deixa enganar três vezes pela madrasta disfarçada que bate à porta e anuncia: "Mercadorias bonitas a precinho camarada." (2004: 92).

Curiosamente, em todas as vezes é oferecido a jovem algo que mexa com sua vaidade ou com seu desejo mais secreto. Na primeira vez, a velha ofereceu cadarços multicoloridos, a velha colocou o cadarço tão apertado no pé da moça que ela ficou sem ar e caiu no chão como se estivesse morta; da segunda vez, o "obscuro objeto de desejo" da jovem foi um pente envenenado e - mesmo sendo advertida, outra vez, para não atender a ninguém - sob a fala da velha: "Agora vou pentear seu cabelo como ele merece." - deixou-se enganar, novamente, e, assim que o pente tocou seus cabelos, o veneno fez efeito e a moça caiu no chão. Nessas duas vezes, os anões retornam e conseguem ajudar Branca de Neve. Em contrapartida, na última investida da madrasta, o objeto oferecido foi uma maçã - elemento que faz parte do imaginário coletivo como símbolo do desejo, da paixão, mas também da perdição.

Como se vê, a jovem se deixa levar por seus impulsos e, num misto de ingenuidade e cobiça, cai em tentação. A partir desse último argumento simbólico (a maçã), a madrasta consegue deixar Branca de Neve semi-morta por um longo tempo, pois essa, envenenada, fica atravessada em sua garganta.

Um momento que instiga a imaginação do leitor "adulto" ocorre quando os anões chegam e encontram, pela terceira vez, a mocinha caída no chão. A fim de procurar algo que pudesse ser venenoso, os anões desatam seu corpete, penteiam seu cabelo e banham-na com água e vinho. Nossa! Se essa cena for narrada fora de contexto, pode, perfeitamente, sugerir uma bacanal feita por necrófilos: sete homens, intimamente, em volta de uma mulher morta que conserva ainda a beleza da vida.

Supondo estar a bela moça morta, os homenzinhos colocam-na num caixão de vidro e levam-na para o alto da montanha onde poderá ser sua beleza admirada e cobiçada para sempre, uma vez que, mesmo, aparentemente morta, exibe as bochechas vermelhas como se estivesse viva. Essa "exibição" e o fato de estarem ainda vermelhas as bochechas da moça evocam, mais uma vez, a cor da paixão, a cor da maçã, a cor das gotas de sangue. Não se pode perder de vista que a rainha dividiu a maçã com a Branca de Neve antes de ela morrer, aludindo assim à própria divisão da libido, da sensualidade.

Ao final, como a maioria dos contos de fadas, maniqueísta, o bem vence o mal. Branca de Neve é achada por um príncipe que por ela enamorou-se. Com o consentimento dos anões, resolve levá-la e num descuido de seus criados, ao transportar o caixão de Branca, um solavanco solta o pedaço de maçã envenenada que estava entalado na garganta da bela moça.

É certo que a madrasta recebe seu castigo. Ela é convidada para ir ao casamento da enteada e, mesmo com toda sua inveja e ciúme vai. Ao chegar lá:


Sapatos de ferro já haviam sido aquecidos para ela sobre um fogo de carvões. Foram levados com tenazes e postos bem na sua frente. Ela teve de calçar os sapatos de ferro incandescentes e dançar com eles até cair morta no chão.6
Sobre essa passagem Bettelheim aponta:


O ciúme de sexual incontrolável, que tenta arruinar os outros, se destrói a si mesmo - simbolizado não só pelos sapatos de ferro em brasa mas pela morte que causam, dançando com eles. Simbolicamente, a estória diz que a paixão descontrolada deve ser refreada ou será a ruína da própria pessoa. Só a morte da rainha ciumenta (a eliminação de toda turbulência interna e externa) pode contribuir para um mundo feliz.7
Dessa forma, percebe-se que, até um conto universalmente conhecido e, superficialmente, inocente, apresenta em seus implícitos uma série de sugestões sensuais e eróticas. É possível reconhecer, numa leitura mais ampla e direcionada, os vestígios de uma sociedade cristã, repressora e manipuladora da libido alheia.


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

BBB em Matozinho


Ciço de Quinô , dono da “Amplificadora Titela de Siriema” , em Matozinho, voltou da capital com a novidade. Tinha ido resolver algumas pendências e comprar alto-falantes novos para uma ampliação da rede da “Titela” e tinha assistido, por lá, a alguns programas de televisão , em busca de novas tendências no mercado de comunicações. Pois bem, chegou ansioso para lançar a novidade, temendo que algum forasteiro se antecipasse. Na volta, ainda na sopa de Duzentos, veio toda viagem matutando, pensando em como adaptar a sensação do momento, nas ainda precárias condições de mídia de Matozinho. E nem espalhou muito a conversa, com medo da concorrência. Podia dar bode! Pois bem, caro leitor, como os fatos aqui narrados aconteceram em tempo pretérito, Ciço, com certeza, não se sentirá prejudicado que aqui os contemos. Pois vamos lá ! O certo é que, na Capital, ele assistira ao BBB e ficara impressionado. Um magote de homem e mulher trancafiado numa casa, fazendo a maior putaria e o povo todo brechando? Onde já se viu isso, meu senhor ? E logo ele, que fora viciado em espiar as meninas tomando banho no Açude do Calango! Até que um pai mais vigilante acabara por tirar-lhe aquela mania feia , sob força de cipó de mufumbo no lombo ! E a gora tudo era permitido? Aquilo só podia dar dinheiro e audiência !
Chegado na Vila, encetou os preparativos para empreitada. Primeiro resolveu trocar o nome do Programa. Quem diabos lá sabia o que era bigue broda ? Depois de muito pensar, trocou por BBM : “Boa Brecha em Matozinho”. A outra grande questão disse respeito à escolha da casa. Ainda andou sondando pelas ruas principais da cidade, mas quando explicava a que se devia endereçar, todo mundo roía a corda. Aquela esculhambação terminaria por trazer problemas com o Padre Arcelino e a beataria da cidade: o pároco era mais ortodoxo que embalagem de sabonete Life Boy. Queimados os imóveis mais centrais, De Quinô viu-se diante da única possibilidade de manter de pé o negócio --- sem nenhum trocadilho--- na Rua do Caneco Amassado: a zona de baixo meretrício de Matozinho. Procurou uma Boate já em decadência -- a um dia famosa “ Paraíso do Prazer” ---e negociou com a cafetina local : D. Teodulina. Conversa vai, conversa vem e terminou-se acertando um aluguel em conta, por um mês. A partir daí, Ciço começou a procurar o financiamento imprescindível para o empreendimento, coisa complicada numa cidade pequena como aquela. O certo é que alguns comerciantes locais contribuíram sorrateiramente e o prefeito Sinderval Bandeira que tinha uma gambiarra nas redondezas, soltou verba, por baixo do pano, contando com a cumplicidade e o silêncio do boquirroto e midiático Ciço. Procedeu-se, então , às últimas providências: pintura da casa com cal, aposição de vários canos de PVC ao redor das inúmeras dependências para facilitar o brechamento oficial e pago por quem assim o interessasse. O preço da espiada variava dependendo da localização do cano : os da sala e do corredor eram mais baratos, os dos quartos bem mais caros e os dos banheiros, vip´s , eram caríssimos comparando-se com o PIB da Vila. “De Quinô” instalou ainda uma extensão da Amplificadora defronte à casa, com o fito de divulgar os acontecimentos indoor aos quatro cantos da vila. A partir daí começou a divulgação do evento e as regras. Seriam escolhidos três homens e três mulheres que ficariam enclausurados na Casa por um mês, teriam comida e bebida farta. A cada semana os brechadores votariam escolhendo a saída de um e , na última semana, apenas um seria escolhido para sair da casa entre os dois restantes. O vencedor tinha vultoso prêmio garantido : Dois meses de cana e tira-gosto grátis no Bar de Godô, dois meses de PF´s grátis no Café de D. Rirri , um ano de trânsito free na “Paraíso do Prazer” e ainda uma imagem do “ Menino de Jesus de Praga”.
O passo último foi a escolha dos convidados ao confinamento. Escreveram-se muitos desocupados e muitas quengas juramentadas, de maneira que deu um certo trabalho a escolha. Terminaram escolhidos : Jojó Fubuia, o pau-d´água da Vila, que se animou com a possibilidade de cana grátis; Judite Batata em Areia, uma das mais folotes mulheres dama de Matozinho; “Tião Terra de Cemitério” , um tarado contumaz de Bertioga; Juju Tira-Tira , tradicional dançarina do “Riso da Noite”; Zazá Assovio de Soim , um sujeitinho afeminado e que trabalhava na Rua do Caneco Amassado, como uma espécie de office-boy de rapariga; e, finalmente, Zuleika 44, a mais tradicional mulher-homem da redondeza, uma verdadeira máquina de triturar casamentos.
No dia da inauguração da Casa, foi feriado em Matozinho , com direito a discurso do Prefeito e presidente da Câmara. A Banda Cabaçal tocou como se fosse Festa da Padroeira Santa Genoveva. Confinados os participantes, Ciço manteve a platéia acesa durante os primeiros dias , com a “Titela de Siriema” berrando no meio da rua sem parar. A venda de ingressos angariou total sucesso. Passada a primeira semana, no entanto, em meio à clausura e à brecharia generalizada, começaram a aparecer os primeiros problemas. Jojó Fubuia sofreu uma surra homérica, quando tentou assediar Zuleika44, abrindo-se grande controvérsia se teria conseguido um intento até então inédito na Vila, apesar da pisa. Tião Terra de Cemitério apaixonou-se desesperadamente por Zazá Assovio de Soim que resistiu às investidas do garanhão com unhas e dentes, sabe-se lá como. Zazá protagonizou o mais grave crime cometido na Casa, quando, à noite, sob a sombra bruxuleante da lamparina diz-se que se aproveitou de Judite Batata em Areia , que ,de pileque , aparentemente desmaiara e , ciente que embriagadas essas coisas não têm dono, apropriou-se das terras devolutas de Judite. Zazá terminou expulso após a denúncia posterior de Batata em Areia que entrou com um processo de estupro e desfloramento contra Assovio de Soim. Tendo sido esse o primeiro caso jurídico de estupro e meximento de quenga já registrado no Fórum de Matozinho. Juju Tira-Tira comportou-se como pode, embora haja denúncias que madrugadinha, tinha umas escapadelas para a Amplificadora de Ciço, onde aparentemente amplificava também alguns atributos anatômicos do nosso midiático guru. Terminou eleita vencedora do primeiro BBM da vila pelos brechadores , possivelmente por conta da sua capacidade inédita de mostrar-se que , inclusive, já estava bem visível no seu sobrenome.
Ciço de Quinô encheu as burras de dinheiro , anda mais serelepe que caçote em dia de chuva. Já anunciou, com estardalhaço, o BBM 2. O velho Sinfrônio Arnaud já anunciou, publicamente, que não participará e o fez com justificativa bastante cabível:
--- Meus filhos, vou nada ! Eu num tenho virilha pra fuxico , não ! E quem tem cu tem medo !

J. Flávio Vieira


O mais tradicional carnaval realizado no sábado magro, o Carnaval da Saudade vem a cada ano se consolidando como patrimônio do Cariri. Este ano vai realizar um baile a fantasia com concurso de fantasia e com a presença da maravilhosa Orquestra Azes do Ritmo.

OBS: Este evento é produzido e realizado pela diretoria do Crato Tênis Clube.

Reflexão - Aloísio

Reflexão

De grão em grão
Moído, faz-se o pão


Tem alguém com fome?
Não sei o seu nome
Isso pouco importa
Se nos bate à porta
Ou encontro na rua
Pois a vida é crua
Tenho um pouco de siso
Mas ajudar é preciso.

Aloísio

NÓS QUEREMOS UMA VALSA- por Norma Hauer



Até a metade do século 20, as valsas eram um dos fortes de nossa música popular e Carlos Galhardo, com sua belíssima voz, gravou dezenas delas, daí ter sido designado o "Rei da Valsa", título que lhe foi dado por Blota Júnior, em São Paulo.

Pois não é que no carnaval de 1941 gravou uma valsa, da autoria de Nássara e Fazão. de nome "Nós Queremos Uma Valsa" e que obteve grande sucesso?

Antigamente uma valsa de roda

Era de fato requinte da moda...

Já não se dança uma valsa hoje em dia

Com o mesmo gosto ou com tanta alegria

Mas se a valsa morrer

Que saudade que a gente vai ter.



Nós queremos uma valsa

Uma valsa para dançar .

Uma valsa que fale de amores

Como aquela dos Patinadores.

“Vem meu amor,

Vem meu Amor”

Num passinho de valsa

Que vem e que vai.

Mamãe quer dançar com papai.




É de Frazão (Erastotenes Frazão) nascido em 17 de janeiro de 1901 que falarei hoje, lembrando inúmeros sucessos que ele alcançou em vários carnavais, sendo o primeiro gravado por Sílvio Caldas, também em parceria com Nássara, de nome "Coração Ingrato ", em 1934. Em 1939, ainda com Nássara, compôs "Florisbela", também gravada por Sílvio Caldas e que foi classificada em primeiro lugar pelo concurso então realizado pela Prefeitura do Distrito Federal, na Feira de Amostras, que todos os anos era montada na Esplanada do Castelo. Na época, o Castelo era um grande vazio., onde só existia o prédio da ACM (Associação Cristã de Moços), hoje na Rua da Lapa.

De Frazã\o, desta vez em parceria com Roberto Martins, tivemos um dos poucos sucessos de Albertinho Fortuna :"Marcha do Gafanhoto"

"Gafanhoto deu na minha roça,

Comeu, comeu, toda a minha plantação..."



Tamém com Roberto Martins compôs o"Cortdãodos Puxa-Sacos", gravado pelos Anjos do Inferno



"Lá vem o cordão dos puxa-sacos,

Dando vivas aos seius amiorais

Quem está na frente [e passdo p'ra trás

E o Corão dospuxa-sacos cada vez auimenta mais..."


. Em parceria com Benedito Lacerda compôs "Lero-=Lero", gravação de Orlando Silva e Dalva de Olioveira. e ainda com seu parceiro mais constante (Nássara) compôs:



"Acredite quem Quiser", gravação de Dircinha Batista



"Acredite quem quiser.

Não existe invenção mais bela.

O homem fala, fala, da mulher

Mas não pode passar sem ela..."



Em 1950, com Jorge Faraj e na voz de Nelson Gonçalves foi gravado o samba “A Beleza de Teus Olhos” e, por Camélia Alves, ainda com Roberto Martins, “Salve a Orquestra”..

Depois de 1955 passou a dedicar-se à UBC, em defesa dos direitos autorais e em 1969 fez seu depoimento para o Museu da Imagem e do Som.


Erastótenes Frazão faleceu em 17 de abril de 1977, aqui no Rio, aos 76 anos.




Histórias ...Histórias - por Rosa Guerrera




Vez em quando gosto de sair dirigindo sem rumo certo , à toa , no vagar irregular das estradas, minhas velhas companheiras. É como se todo o meu Eu precisasse desse parêntese , dessa libertação, de uma pausa diferente para o cotidiano tantas vezes antipático.
Paro numa praça, desço do carro, chuto pedrinhas nas calçadas, perco o relógio, passo em frente a uma Igreja , penso nas poucas crenças e nos muitos deuses, olho os bares cheios de homens vazios , dou um sorriso para um moleque que me observa ...e continuo andando .
Penso nas muitas histórias de vida que me contaram, nos amores que vivi, nas promessas escutadas,nas injúrias recebidas,e fico surpresa com a minha neutralidade.
Sento depois num banco de praça e acendo absorta um cigarro. Dou três ou quatro tragos e resolvo joga-lo fora , olhando distraída a fumaça que desaparece no vento.
Um edifício cresce a minha frente!
E parece me contar histórias de um monte de tijolos, pás, andaimes e cimento.
Amanhã moradores desse “ espigão” terão também outras histórias para contar .
Contrastes da vida ! Paradoxos sem explicações !
Uma canção chega aos meus ouvidos., vinda de um rádio distante : “Esse beijo molhado /escandalizado/ que você me deu/” ... ( até que alguns beijos a gente nunca esquece mesmo.)
Vinicius me vem a mente : “Porque foste na minha vida/a ultima esperança/e encontrar-te me fez criança “/... De onde será que Vinicius colheu a história dessa música ?
Vida, vida ....ponto irregular entre o tudo e talvez o nada!
Esse meu caminhar hoje à toa , essa mania infantil de procurar histórias nas ruas, essa paisagem diferente em forma de carro estacionado,cigarro jogado fora, relógio perdido , músicas, saudades , praças vazias ...
De repente alguém perturba o meu silêncio ou a minha história , colocando no mais alto volume no som de um velho Corcel parado defronte a um bar , um sambinha que eu não o escutava faz um tempão : “ Tire o seu sorriso do caminho/ que eu quero passar com a minha dor “/
Resolvo voltar para casa!
Ligo o carro e dirigindo bem devagar , vou cantarolando bem baixinho :
“Tire o seu sorriso do caminho / que eu quero passar /com a minha dor / hoje pra você eu sou espinho/ espinho não machuca a flor .....
Histórias ... histórias !
por rosa guerrera

Bolo de Maria - por socorro moreira


Ingredientes :

1 xi de fubá de milho
1 xi de aveia
1 xi de farinha de trigo
1/2 xi de ovomaltine
5 ovos
200 gr de manteiga
1 copo de leite
1 1/2 xi de açúcar
1 colher dee pó royal
ameixas picadas ( umas 8)
maças picadas.( duas ou 3)
canela para polvilhar.
 
Método
Bata o açúcar com os ovos e a manteiga. Adicione as farinhas alternando com o leite. Acrescente as frutas picadas. Coloque numa forma untada e polvilhada . Por último polvilhar canela e açúcar. Forno pré aquecido.
Obs: o pó royal deverá ser agregado às farinhas .