por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



terça-feira, 25 de outubro de 2011

Joaquim Pinheiro Bezerra de Menezes - José do Vale Pinheiro Feitosa

Joaquim Pinheiro Bezerra de Menezes, aniversariando hoje, não merece mais do que ninguém. Não merece adjetivações majestosas, loas de cítara e nem cantos heróicos de alguma harpa grega. Joaquim não merece mais do que ninguém.

Joaquim merece uma integridade humana. A integridade que não se verga ao alpinismo que acompanha as caudas do majestoso poder. A integridade de uma só face e das palavras ditas ontem e repetidas hoje. Joaquim merece não apenas a integridade moral e ética, mas a integridade física apesar do tempo que costuma modificar o incorruptível.

Quando me dei conta que havia este Joaquim no mundo, éramos muito pequenos e ele um ano menos. Éramos ambos os meninos no rural, ele mais nas franjas do urbano até virar integralmente um ser das ruas e das praças.

Depois, por uns quatro ou cinco anos foi andar em ruas nas quais eu não passava. Foi vivenciar o litoral enquanto eu me embrenhava mais ainda nos sertões. Eu fui me enchendo de mais rural e ele de mais urbanidade.

Havia eu chegado a um ponto de transição. A opção do que assumir na vida entre o rural e o urbano (diga-se eras históricas). O porte rural já contaminado pelo cinema e pelas paixões por alguma galeguinha da cidade deixava-me mais ainda inseguro.

Foi aí que Joaquim chegou-se ao seu passado e lá me encontrou na perigosa posição entre ser e não ser naquele mundo dos anos 60 entre as Reformas de Base e a Ditadura Conservadora. Eu pouco lia além de algumas revistas e era viciado em quadrinhos. Gostava de me expandir pelos cantos da zona rural.

Joaquim chegou, emprestou-me alguns livros e despertou meu gosto para um programa de rádio que pouco ouvia. E ouvia pouco por dois motivos: costumava dormir cedo e o programa era do tipo hora da saudade, com músicas dos anos 20 a 50.

E chegou num momento que não posso atribuir difícil apenas para mim, foi também para ele: perdi minha mãe e ele uma tia que gostava muito. Aí viramos efetivamente adolescentes. Fomos ousados, com jornais e teatro. Com festas, com bate papos e com política.

O divisor de águas se formou com as capitais nordestinas, eu para Fortaleza e ele em Recife e depois Brasília. Eu no Rio de Janeiro e ele veio para um curso de mestrado na Fundação Getúlio Vargas. Este foi o nosso último convívio mais à mão.

Hoje temos contatos mais raros e até agora acabei de perder o e-mail dele. O que eu tinha parece que já não vale mais, tem retornado. Mas nada supera este aniversário para eu dizer tudo isso.

Parabéns Quincas, com a força da Tereza, do Raul, Ruy, Sofia e Laura.

O "golpe do calendário" - José Nilton Mariano Saraiva

Não se trata de nenhuma descoberta da pólvora: pra que haja desenvolvimento, em qualquer cidade que se preze (ou numa comunidade minimamente organizada), a geração de emprego e renda é uma premissa básica, obrigatória; assim, se o seu gestor maior (prefeito, líder ou coisa que o valha) não conseguir atrair investidores particulares em potencial (através da oferta de certas facilidades – doação de um terreno, por exemplo - ou isenções tributário-fiscais para que se instalem no município), ou até mesmo cair na besteira de entrar em conflito com o governo do Estado, a tendência é que se processe um esvaziamento progressivo daquela localidade. Verdade ou mentira ??? Certo ou errado ???
E aí, o próprio poder municipal tende a, obrigatoriamente, funcionar como uma espécie de imenso guarda-chuva gerador de emprego e renda, através das suas diversas secretarias (cada uma com uma atividade específica, evidentemente), a fim de que o cidadão (munícipe/empregado) tenha condição de pelo menos fazer a “roda girar” (ou seja, “consumir”, a fim de que a economia não entre em colapso). Verdade ou mentira ?? Certo ou errado ???
Pois bem, meses atrás, exatamente nessa época do ano (vésperas do Natal/Ano Novo), sob a alegativa da premente necessidade de enxugar a máquina (ou podar seus custos), a prefeitura da cidade do Crato resolveu presentear quase trezentas (300) pessoas com um mimo inusitado: o “bilhete azul” ou demissão sumária, sem choro nem vela (assim, pais de família de repente ficaram sem condição de sequer comprar o presente de Natal da garotada, além do comprometimento do próprio ganha pão diário). Verdade ou mentira ??? Certo ou errado ???
Estranhamente, hoje, embora não se tenha notícia de que a prefeitura do Crato haja conseguido agregar novas fontes de renda (além das tradicionais dotações orçamentárias), a administração municipal do Crato anuncia a abertura de um concurso para preencher, coincidentemente, cerca de 300 vagas nos quadros da prefeitura.
Agora, observemos um “pequeno-grande detalhe” (mas de suma importância) em tudo isso: as inscrições para o tal concurso serão realizadas já nesse final de ano (nov-dez/2011); como, de praxe, as provas deverão se realizar três meses após as inscrições (aí pelo mês de março/2012); a terceira etapa, da divulgação do resultado, normalmente se dará entre 60/90 dias depois (final de junho/2012, aproximadamente); e então, a prefeitura estará apta a convocar os aprovados a tomarem posse (a partir de julho/2012).
E aí é que pinta no pedaço o tal do “golpe do calendário”: todo mundo tá careca de saber que em outubro/2012 se realizará a eleição pra escolha do sucessor do atual mandatário (após uma sofrível administração), que quebrará lanças pra eleger o respectivo afilhado. Convocando (ou dando emprego) às vésperas da eleição, a 300 pessoas, teoricamente o ungido se beneficiará de tal handicap (obterá mais votos), mesmo que ele mesmo não saiba como ou o que fazer pra arcar com os imensos custos futuros (e se o vencedor for um oposicionista, que se vire pra desativar essa autêntica “bomba-relógio”).
Como se vê, a desfaçatez e irresponsabilidade imperam na arena política: lá atrás, a prefeitura do Crato mandou para o olho da rua cerca de 300 pessoas e, agora, às vésperas de uma eleição, e na tentativa de se beneficiar eleitoralmente, abre concurso pra preencher exatamente as tais 300 vagas (mesmo que suas receitas não tenham tido nenhum acréscimo), desde que consiga que os desavisados sufraguem seu candidato. Quando o povo irá acordar ???

CUBA: a mosca na sopa do IMPÉRIO - José do Vale Pinheiro Feitosa

No século XX a “famosa democracia” americana, essencialmente de brancos europeus, evoluiu para o mais franco imperialismo. A famosa conquista do Oeste que se tornou a essência da alma americana, como bem disse o diretor de cinema John Ford, já era a conquista imperial de um território alheio. Não adianta os olhos rútilos de amor pelo expansionismo americano: está lá, em toda a costa da Califórnia, a presença secular das Missões Jesuíticas espanholas. Durante duzentos anos os espanhóis e depois os mexicanos criaram estruturas por lá. Não era um território abandonado, depois foi invadido pelos “pioneiros”.

O México, a América Central e a América do Sul se tornaram espécies de terreiros das instituições americanas, com estratégias de faxina prévia tipo a Fundação Rockfeller, depois os marines e boinas verdes, para consolidar as empresas americanas com governos dóceis aos desejos comerciais estrangeiros. John Gerassi ainda nos anos 60 traçou um perfil inquestionável do que chamou “A Invasão da América Latina.”

Os americanos estão comprovadamente por trás de todos os golpes efetuados na América Latina, inclusive a queda de João Goulart quando aproximaram navios da costa brasileira para dividir o país em vários territórios de domínio do império (haviam feito com a Coréia e o Vietnã). Recém falecido, o ex-ministro da saúde Wilson Fadul contava da arrogância do embaixador Lincoln Gordon com as autoridades brasileiras. Dr. Fadul descobriu uma enorme e ilegal remessa de lucros através de sobrefaturamento de medicamentos importados pelas filiais americanas da indústria farmacêutica. O ministro determinou a execução da prática de preços internacionais, por vezes dez a vinte vezes menos e o embaixador americano veio para cima dele querendo proteger a prática deletéria para o povo brasileiro. O Ministro não o recebeu, mas o embaixador esteve à frente do golpe contra Jango.

Os EUA treinaram torturadores, treinaram militares brasileiros e desviaram o Brasil de seu destino por mais de 30 anos apenas para exercer o controle sob o guarda chuvas da Guerra Fria. Cuba, uma ilha muito próxima da Flórida, com forte sangue Espanhol, especialmente galego, desde o final do século XIX que tinha um povo nacional que naturalmente brigou sob a liderança do poeta José Martí. O famoso Theodore Roosevelt, ainda hoje objeto de propaganda de culto à personalidade através de inúmeros filmes, voltados para a juventude, invadiu a Ilha e jogou-a sob o capricho do império em franca evolução.

Um império mercantil e industrial, do estilo capitalista, funciona com armas e domínio da produção e comercialização da mesma. E foi isso que ocorreu com Cuba. Viveu uma longa história na primeira metade do século XX sob o tacão da violência e golpes de estados financiados por empresas produtoras de frutas e da cana de açúcar e pasmem sob o controle da máfia americana.

O jornalista T.J. English acaba de publicar um livro, traduzido para o Brasil chamado “Noturno de Havana”. O assunto foi tratado em vários filmes, inclusive na trilogia do “Poderoso Chefão”. Trata-se da máfia americana sob a liderança de Lucky Luciano e Meyer Lansky querendo transformar Cuba numa Monte Carlo do jogo e da prostituição. Logo depois a ilha se tornou uma espécie de porta aviões fixo para o nascente comércio de drogas como a cocaína. Eles queriam tomar um país e subjugar um povo para os caprichos da indústria de entretenimento, bem ao largo do enorme império ávido por bacanais.

É preciso entender que o asco dos moralistas com este tipo de atividade não resolve a grande contradição que vaga em suas almas, tontas da ideologia da guerra fria. O cinema dos musicais, inclusive a nossa Carmem Miranda, o mundo da música como Frank Sinatra e da política como John Kennedy era comensais, protegidos e financiados pela máfia que pretendia dominar Cuba. Mas quando existe um povo, a história nem sempre atende aos interesses do poder dominador e o poder dominador cai. Mas isso é uma nova história para outro texto que pretendo escrever em breve.

Seminário pretende integrar novos membros no Coletivo Camaradas





O Coletivo Camaradas realizará neste sábado, dia 29, a partir das 8h00, na sala de vídeo da Universidade Regional do Cariri – URCA, o Seminário “Entendendo o Coletivo Camaradas”. O evento pretende abordar a trajetória do grupo que tem uma atuação tanto na região do cariri, como nacionalmente e a sua concepção de arte.






O Seminário visa integrar novos membros ao grupo. O Coletivo Camaradas foi criado em 2007 e é composto por artistas, professores, produtores culturais, pesquisadores e estudantes. O grupo desenvolve um trabalho que mistura arte, estética, educação, cultura e política.


As inscrições são gratuitas e poderão ser feitas no local do Seminário. O evento dos “Camaradas” é aberto à participação do público que queira ingressar no Coletivo.

Serviço:
Seminário “Entendendo o Coletivo Camaradas
Dia 29 de outubro de 2011
Horário 8h00 às 17h00
Local: Sala de Vídeo da URCA
Informações: 88260008

Foto de Nívia Uchôa


Para Joaquim Pinheiro


Hoje a festa é tua!



Feliz aniversário, Joaquim!
É grande o nosso carinho!
Receba o nosso abrço !

O verdadeiro verso - Por: Rosa Guerrera




ONDE O VERDADEIRO VERSO DO POETA ?
SERIA AQUELE QUE FALA DE AMOR ARDENTE,
DE SOFREGUIDÃO DE CORPOS ENLAÇADOS,
OU O QUE FALA DE SAUDADE PERSISTENTE?
ESTARIA ELE NUM SONHO NÃO VIVIDO,
NUM BEIJO NÃO DADO ,NUM DESEJO MORTO?
ONDE O VERDADEIRO VERSO DO POETA?
NA PALAVRA NÃO ESCRITA ?
NA VOZ DO SILÊNCIO,
NUM CAIS SEM ANCORADOURO,
OU NO RUÍDO DE UMA LÁGRIMA ?
O VERDADEIRO VERSO DO POETA
NADA MAIS É QUE O AVESSO DE
UMA ALMA QUE SOFRE,
NO CORREDOR ESTREITO DAS LEMBRANÇAS
E NA ANGUSTIA DA SOLIDÃO ...

PORQUE APENAS O POETA SABE ENTENDER
QUE EFÊMERO É O MOMENTO,
RÁPIDA DEMAIS A FELICIDADE,
CLANDESTINO O TEMPO ,

E AMARGO , MUITO AMARGO O MÊDO
DE SABER QUE UM DIA NÃO PODERÁ CANTAR
MAIS PARA O MUNDO
O GRANDE AMOR QUE LHE
EMOLDURA O CORAÇÃO !!!

Rosa Guerrera



Só no Crato
( Célia Dias e Xico Sá)
.
Só no Crato só
Esse teu jeito discreto
esse olhar de rapto quando estou por perto
Só no Crato só
e esse cheiro de mato
pelas frestas do quarto
nos trazendo a manhã, a manhã
Só no Crato só
o choro se fez bolero
de um drama barato virou amor sincero
Só no Crato só
um dia "inda te acho, viu"?
botei anúncio no rádio
sem pensar no amanhã, no amanhã, amanhã.
Só no Crato só
esse teu jeito discreto
quando estou por perto
nos trazendo a manhã , a manhã, a manhã
Só no Crato só
e esse cheiro de mato
e esse olhar de rapto
nos trazendo a manhã, amanhã
Só no Crato só
esse cheiro de mato
pelas frestas do quarto
nos trazendo a manhã, a manhã

Noite Chuvosa - Por Socorro Moreira




Noite de chuva. Crato suando, e respingando nas folhas do caju. Bendito fruto, bendita chuva. As mangueiras também agradecem. Receberam seiva, copularam a terra.
Saímos por aí, atrás de uma sopinha quente com torradas. A de casa é destemperada em certas horas, onde os ares vencem a disputa. Tudo em riba. Tudo na pauta das concretizações , prontos para os imprevistos sejam abacaxis ou sapotis.
Pensei nas chuvas de verão. A canção de Fernando Lobo anuncia um desfecho feliz.
Prospecta o novo amor, e fecha com chave de ouro um amor do passado; "podemos ser amigos, simplesmente..."
Que nada !
As coisas do amor ...Quão difíceis tornarem-se eternas ardências.. Mas o amor é um mar e um céu aberto, serenados pelo azul turquesa. A melhor parte da nossa alegria é descobrir o amor pulando no nosso coração, e suavizando os nódulos mal concebidos.
Proclamar o amor é deixá-lo livre dentre de nós. Como planta regada , protegida nas raiizes, enfeitando a nossa casa.
Tem cheiro bom nesta noite molhada.. Tem lua cheia brilhante , gorda de poesia, e oferecendo -nos uma das suas fatias.
Um raio, basta !
Ele chega em teu olhar, passeia no teu pensamento, e volta num recado.
Esse correio anonimado é a experiência mais nova dessa nossa velha vida.

Sinto um tilintar de alegria. Cansou-me a desesperança.Ela também ficou enjoada de mim. Vai parir outros sonhos... Sua feminilidade permite !

A poesia de Lupeu lacerda !

O coração é um móvel estranho que
não cabe na sala
Que se esconde
no peito
Que não posso pegar
na minha mão
Nem polir com uma
flanela amarela
Mas é ele quem dita meu
poema
E que manda minha mão
escrever
Minha derradeira carta
De amor

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

PARA VOVÔ ZEZINHO (EM MEMÓRIA)

Vovô Zezinho com 94 anos...  um sábio clarinetista que se foi sorrindo


CANÇÃO DE NINAR GENTE GRANDE
(Letra e Música: Ulisses Germano)

Logo assim que a gente nasce
Já começa a envelhecer
Pra resolver este impasse
O bom mesmo é esquecer
Vivendo cada momento
Sempre atento ao pensamento
Regente do proceder

O presente é um presente
Que a existência presenteia
Tenha sempre isto em mente
Meia volta volta e meia
O eterno não tem hora
A mentira não vigora
E a razão não se chateia

Se a mentira é bem bonita
Prefiro uma verdade feia
Tanto faz ser seda ou chita
Sendo assim quero que leia:
A casca da aparência
É que cobre a indecência
Do importar com a vida alheia

Crato-CE.

A Chuva e a Chapada. Por Liduina Belchior.



A noite toda nos braços, entre aconchego, murmúrios, risos e beijos... A alma e o espírito elevaram-se ao céu, ao infinito, no maior regozijo humano, que os seres podem experimentar. Foi materializado todo o potencial de uma paixão, com a chegada da chuva mansinha, fininha e depois quase torrencial. A Chapada do Araripe vestiu-se de branco gelo e transmitiu aos nossos olhos, a bela visão de deusa da natureza. Esta então, sorria feliz, com a chegada de uma inesperada e bem vinda chuva de outubro. Chuva fora de época?...Palmas para a meteorologia! Pois esta água vinda do céu, abraçou nossa madrugada, e esfriou nossa manhã de quarta-feira, melhorando o tórrido calor que assolava o nosso Cariri. Sem falar na melodia aprazível, causada aos ouvidos dos amantes-enamorados, que dormiram, sonharam e acordaram com a doce sinfonia do saltitar dessa água, no solo que rodeava o imenso casarão com vista para a simpática e receptiva "Montanha"do Araripe.

Tudo que é sólido continua se desmanchando no ar - José do Vale Pinheiro Feitosa

Se o universo é um movimento de transformação contínua (embora os profetas do princípio e do fim sejam fortes até na física das partículas) a vida humana, do ponto de vista dela que é o trabalho, é um processo neste movimento. Existe um amplo campo de transformações, seja ela dialógica ou dialética, seja ela ao acaso ou por necessidade, qual uma modernidade consumista ou uma pós-modernidade que a deseja sem mais história, a transformação continua no horizonte dos projetos prontos.

A tônica do movimento, até que alguém prove ao contrário, é aquele em que tudo que é sólido se desmancha no ar. Isso vem a respeito das hegemonias. A natureza intrínseca do movimento do capitalismo é a concentração de poder primeiro em classes e depois em corporações. Quando em classes havia uma correspondência social, antropológica e cultural mais palpável, com a corporação isso se perde, pois introduz a tecnoburocracia e os fundos sociais a maior parte formado entre trabalhadores.

De qualquer modo o processo capitalista necessita essencialmente do Estado como moderador da guerra de todos contra todos e ao necessitar deste, passa a ser ampliado pelo processo mais geral de quem não tem fundo social e nem por vezes emprego (veja não falo em trabalho este continua a ser a essência da vida, mas do emprego que é a capacidade de alguém pagar pelo seu trabalho de modo regular). O Estado nas sociedades urbanas mesmo privilegiando classes e corporações, continua a ser a instituição onde a política interfere.

Por isso mesmo o Estado que é a necessidade moderadora, é para a tecnoburocracia e para os grandes detentores de capitais das corporações ao mesmo tempo uma solução e um enorme problema. Isso especialmente após a segunda guerra mundial com os Estados Socialistas e a Social Democracia. O Estado de algum modo ao redistribuir riquezas, reduz a ferocidade do animal acumulativo das corporações.

O que aconteceu nos últimos 30 a 40 anos? Junto com a emergência dos direitos sociais e humanos, as corporações sem possibilidades de continuar no ritmo acumulativo de suas naturezas passaram a fazer um trabalho ideológico sistemático em relação ao poder redistributivo do próprio Estado. O autoritarismo foi uma das mais bem urdidas campanhas a tomar espaço político na sociedade de modo em geral. Assistindo à corrupção dos agentes, ao observar a violência policial, a perda de empregos, os desmandos de autoridades do Estado, ficou fácil para a sociedade ser levada ao conceito do Estado Mínimo do neoliberalismo a partir dos anos 80.

O Estado Mínimo passou a ser a “flexibilização” desejada pelas corporações e com excelentes estratégias da tecnoburocracia a acumulação disparou até o limite em que levou à fragilidade não apenas alguma corporação, mas a todo o sistema capitalista. Recente estudo do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, usando modelos matemáticos fez um painel do quem é quem nas corporações atuais em todo o mundo.

O mundo possui hoje 43.060 corporações transnacionais, mas apenas 1.318 destas corporações formam o núcleo central desta rede transnacional. Estas empresas possuem em média 20 conexões com outras corporações. Aí o estudo revelou algo mais surpreendente, embora este núcleo represente apenas 20% das receitas, ele controla as principais ações do tipo “blue chips” nos mercados de ações do mundo todo. Então a realidade nua e crua: este núcleo controla 60% de todas as vendas realizadas no mundo.

Prosseguindo o estudo chegou-se ao supremo da concentração: 147 transnacionais controlam 40% daquele núcleo central. Ora isso é politicamente muito pior do que apenas dizer que 1% das pessoas controla mais riquezas do que 50% das demais pessoas. Isso significa que com a inteligência da tecnoburocracia as riquezas do mundo são controladas por alguns agendes que combinam ações entre si. Então adeus democracia, estamos diante da pior das ditaduras. E o pior uma ditadura levando a humanidade ao desastre como já se verifica.

As empresas controlando o poder político é que nos apresenta este quadro. Mas sigamos que isso seja uma hipótese, é difícil imaginar uma direção política única quando existem 147 transnacionais disputando posições. Mas aí teremos que considerar duas evidências: um sistema desses tende à instabilidade, pois a acumulação de riquezas não é infinita e os recursos naturais são o seu limite e em segundo lugar, este núcleo efetivamente mantém o interesse comum de não mudar a própria rede.

Como as riquezas reais do mundo são aquelas que fazem o modelo atual de civilização consumista é aí que se entendem todas as “primaveras” do norte da África e todas rebeliões nas ruas de cidades em diversos continentes. Mesmo a evidente ação política de Estados nacionais com interesse no Petróleo como no Iraque e na Líbia, fica claro que o “custo” Iraque e Líbia irá aumentar pelo desejo de maior consumo daquele povo. Aí residirá a segunda onda de contradições no território destes países.

Mas afinal serão ondas nacionais e continentais, pois o centro mesmo da contradição é modelo “concentracionista” a que chegou o capitalismo global.




Indagações sobre a liberdade de ser poeta


O poeta é livre, onde vive a liberdade do poeta?
No pensamento aberto, planta-se a liberdade, criando toda sua arte.
Que leva a uma ação
Onde nasce uma canção
No pulsar do seu coração
Pelo afago das mãos
Por quais caminhos passa a liberdade do poeta?
Por todos os caminhos desde:
Um olhar sombrio
Naquele imenso vazio
Em um amor que se tornou tão frio
Dentro de um triste assobio
Como fazer esta liberdade parar?
Quiçá ele vá encontrar, nas profundezas do mar
Quando um pássaro se põe a cantar
Se houver outra forma de amar
Em sonhos que não possa realizar
Entretanto, ele (o poeta), sempre está pronto para outra liberdade alcançar.
Rosemary Borges Xavier

Rua de Pobre -(Vale a pena ler de novo!)- Marilita Pozzoli


Rua de pobre não carece asfalto:
pobre não tem automóvel...
Rua de pobre não carece luz:
pobre deita cedinho...
Não precisa também numeração:
não vem carteiro,
não vem telegrama,
não passa lixeiro.

Cada casa é indicada por um acidente:
aquele do tôco é do João Dorminhoco.
A da laje no terreiro,
é do Zuza Pedreiro.
Essa da gaiola,
é da Maria Paxola.
A da trepadeira
é da Luiza Peixeira.
Tem casa torta pra lá,
tem casa torta pra cá.
Casa inclinada pra frente,
casa empinada pra trás.
Parecem formar ballet,
parece que vão cair
mas continuam de pé...

Vem lá de dentro uns berros de mulher:
Pass pá dento Juaninha!!!
E Joaninha num berreiro:
"Mãe, furmiga tão me cumendo,
eu caí no furmigueiro!
"Do outro lado alarido
um cão que quebrou panela
e apanha como um danado!
E sai cada palavrão!...
Coitado do pobre cão!

Um papagaio se expande
numa algarávia maluca:
"O lelê carapeba é pêxe de má
Ô lele carapeba é pêxe de má.
Currupaco — papaco
Currupaco — papaco.
Lôro... Lôro..."

E tem menino sambudo
brincando na enxurrada
pra se esquecer da maleita...
Lá na esquina, um vadio
tira dois dedos de prosa
com a morena dengosa
que vai à venda comprar.
Bebe um trago de aguardente
e oferece pra toda gente
sem mesmo poder pagar:
— "Não são servido, mecês?
Ë entorna o copo de uma vez!

Vem gemido da vizinha
que está com dor de dente...
Vem canção de carnaval
lá no fundo do quintal...
"Tava jogando sinuca
uma negra maluca me apareceu.
Vinha com o filho no braço...

..............................................

Mas essa rua tem alma!
Tem alma e tem coração!
Hoje só há tristeza...
Morreu o João da Tereza,
— fogueteiro que enfeitava
as noites de São João.

Vão cantar a noite inteira
até o dia raiar.
Vão cantar as "inselença"
que é pro João se salvar.
"Uma inselença da Virge da Conceição
Deus num primitas que eu morra sem cunfissão.
Duas inselença da Virge da Conceição,
Deus num primitas que eu morra sem cunfissão.
Três inselença da Virge da Conceição
Deus num primitas
que eu morra sem cunfissão...
Quarta inselença"...
— São doze inselença
E não se pode parar
porque senão dá azar...

Mas quando é noite de lua
e uma viola soluça
esse abandono fatal,
como é bonita essa rua!...
Rua de pobre esquecida
do governo da cidade!
Sem água, sem luz, sem placa,
Sem carteiro e sem lixeiro
— rua que nem nome tem...
Só a lua é tua amiga,
só a lua te quer bem.

Rua de noites perdidas,
de dias estagnados
num bairro pobre qualquer...
Rua de cães vagabundos
pelos terrenos baldios,
de gatos pelos telhados...
teu nome devia ser:
Rua dos abandonados.

Bianca - 72 luas cheias !


IPÊS

"Quando tudo está seco eles teimam em florar!"

(Rubem Alves)

Por Rubem Alves- Colaboração de Ismênia Maia



GANHEI CORAGEM

Rubem Alves

... colunista da Folha de S. Paulo ...

mesmo que o mais corajoso entre nós só raramente
tem coragem para aquilo que ele realmente conhece",
observou Nietzsche.
É o meu caso.
Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo.
Por medo.
Alberto Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe
acerca da hora em que a coragem chega:
"Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos".
Tardiamente.
Na velhice.
Como estou velho, ganhei coragem.

Vou dizer aquilo sobre o que me calei:
"O povo unido jamais será vencido", é disso que eu tenho medo.

Em tempos passados, invocava-se o nome de Deus
como fundamento da ordem política.
Mas Deus foi exilado e o "povo" tomou o seu lugar:

a democracia é o governo do povo.
Não sei se foi bom negócio;
o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável,
é de uma imensa mediocridade.
Basta ver os programas de TV que o povo prefere.

A Teologia da Libertação sacralizou o povo
como instrumento de libertação histórica.
Nada mais distante dos textos bíblicos.
Na Bíblia, o povo e Deus andam sempre em direções opostas.
Bastou que Moisés, líder, se distraísse na montanha
para que o povo, na planície,
se entregasse à adoração de um bezerro de ouro.
Voltando das alturas, Moisés ficou tão furioso
que quebrou as tábuas com os Dez Mandamentos.

E a história do profeta Oséias, homem apaixonado!
Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava!
Mas ela tinha outras idéias.
Amava a prostituição.
Pulava de amante e amante enquanto o amor de Oséias
pulava de perdão a perdão.
Até que ela o abandonou.
Passado muito tempo, Oséias perambulava solitário
pelo mercado de escravos.
E o que foi que viu?
Viu a sua amada sendo vendida como escrava.
Oséias não teve dúvidas.
Comprou-a e disse:
"Agora você será minha para sempre.".
Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa
numa parábola do amor de Deus.

Deus era o amante apaixonado.
O povo era a prostituta.
Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável.
O povo preferia os falsos profetas aos verdadeiros,
porque os falsos profetas lhe contavam mentiras.
As mentiras são doces;
a verdade é amarga.

Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola
com pão e circo.
No tempo dos romanos, o circo eram os cristãos
sendo devorados pelos leões.
E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos!
As coisas mudaram.
Os cristãos, de comida para os leões,
se transformaram em donos do circo.

O circo cristão era diferente:
judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas.
As praças ficavam apinhadas com o povo em festa,
se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos.
Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro
"O Homem Moral e a Sociedade Imoral"
observa que os indivíduos, isolados, têm consciência.
São seres morais.
Sentem-se "responsáveis" por aquilo que fazem.
Mas quando passam a pertencer a um grupo,
a razão é silenciada pelas emoções coletivas.

Indivíduos que, isoladamente,
são incapazes de fazer mal a uma borboleta,
se incorporados a um grupo tornam-se capazes
dos atos mais cruéis.
Participam de linchamentos,
são capazes de pôr fogo num índio adormecido
e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival.
Indivíduos são seres morais.
Mas o povo não é moral.
O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.

Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional,
segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade.
É sobre esse pressuposto que se constrói a democracia.

Mas uma das características do povo
é a facilidade com que ele é enganado.
O povo é movido pelo poder das imagens
e não pelo poder da razão.
Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens.
Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista
que produz as imagens mais sedutoras.
O povo não pensa.
Somente os indivíduos pensam.
Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam
a ser assimilados à coletividade.
Uma coisa é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham.

Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo.
Jesus foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás.
Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung,
o povo queimava violinos em nome da verdade proletária.
Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar.

O nazismo era um movimento popular.
O povo alemão amava o Führer.

O povo, unido, jamais será vencido!

Tenho vários gostos que não são populares.
Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos.
Mas, que posso fazer?
Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche,
de Saramago, de silêncio;
não gosto de churrasco, não gosto de rock,
não gosto de música sertaneja,
não gosto de futebol.
Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo,
eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos
e a engolir sapos e a brincar de "boca-de-forno",
à semelhança do que aconteceu na China.

De vez em quando, raramente, o povo fica bonito.
Mas, para que esse acontecimento raro aconteça,
é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute:
"Caminhando e cantando e seguindo a canção.",
Isso é tarefa para os artistas e educadores.
O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança.

Rubem Alves


Reflexões minhas...Contestem-nas !- socorro moreira


Ninguém pode ser livre, sem promover a liberdade do outro.
Mas, o que fazer com a própria liberdade, em favor do outro?
-Respeitá-lo!

Ninguém se apaixona duas vezes pela mesma pessoa...
- O encanto permanece no inconsciente.

Aprender a ficar sozinho, nos protege de viver mal-acompanhado.

Tudo pela paz!
Recuar é estratégico da coragem.
O silêncio, no tempo, transforma a mágoa em bem-estar.

No filtro dos desejos, a essência do que merecemos.

domingo, 23 de outubro de 2011

Na Rádio Azul


PARA QUE SERVE A UTOPIA? - José do Vale Pinheiro Feitosa

Estou postando esta entrevista com Eduardo Galeano como uma consequência do texto que acabei de postar aqui nos blogs do cariri. Como forma de oferecer opções estou postando o vídeo da entrevista e também o texto com algumas modificações na tradução para o português.

“Se não me deixais sonhar, não os deixarei dormir.”


Para que serve a Utopia? A utopia está no horizonte. Eu sei muito bem que nunca a alcançarei. Se caminho dez passos em busca dela, ela se afastará mais dez passos. Quanto mais a busque, menos a encontrarei, por que ela vai se distanciando à proporção que me aproxime dela. Boa pergunta não? Para que serve. Pois a utopia serve para caminharmos.

“Que tal se deliramos por um momentinho. Que tal se fixarmos os olhos para além das infâmias para adivinhar outro mundo possível.

O ar estará limpo de todos os venenos que não provenham dos medos humanos e das humanas paixões. Nas ruas os automóveis serão esmagados pelos cachorros. A pessoa não será manejada pelos automóveis e nem será programada pelo computador, não será comprada pelo supermercado e nem será tampouco assistida pela televisão. A televisão deixará de ser o membro mais importante da família e será tratada como o ferro de passar ou máquina de lavar roupas.

Se incorporará aos códigos penais o delito de estupidez que cometem quem lhes vivem por ter ou por ganhar ao invés de viver por viver não mais como canta o pássaro sem saber que canta, como brinca a criança sem saber que brinca. Em nenhum país serão presos os jovens que se neguem a cumprir o serviço militar, se não os que queriam cumpri-los.

Ninguém viverá para trabalhar, mas todos trabalharão para viver. Os economistas não chamarão de vida para nível de consumo e nem chamará de qualidade de vida a quantidade de coisas. Os cozinheiros não acreditarão que as lagostas lhes encanta que lhas queiram fervidas. Os historiadores não acreditarão que aos países se lhes encanta serem invadidos. Os políticos não acreditarão que aos pobres se lhes encanta comer promessas. A solenidade deixará de crer que seja uma virtude.
E ninguém e ninguém tomará a sério alguém que não seja capaz fazer crítica a si mesmo. A morte e o dinheirão perderão seus mágicos poderes e nem por morte e nem por sorte se tornará o canalha em virtuoso cavalheiro.

A comida não será uma mercadoria e nem a comunicação será um negócio, por que a comida e a comunicação são direitos humanos. Ninguém morrerá de fome por que ninguém morrerá de indigestão.

As crianças da rua não serão tratadas como lixo por que não haverá crianças nas ruas. Os meninos ricos não serão tratados como se fossem dinheiro, por que não haverá meninos ricos. A educação não será privilégio de quem lhas possa pagar e a polícia não será maldição de quem não lha possa comprá-la. A justiça e a liberdade, irmãs siamesas, condenadas a viverem separadas, poderão se juntar, bem coladas, costa contra costa.

E na Argentina as Loucas da Praça de Maio serão um exemplo de saúde mental, por que elas se negaram a esquecer nos tempos da amnésia obrigatória. A Santa Madre Igreja corrigirá algumas erratas das tábuas de Moisés e o Sexto Mandamento mandará festejar ao corpo. A igreja mandará editar outro mandamento que se lhes havia esquecido Deus: amarás a natureza da qual fazes parte.

Serão reflorestados os desertos do mundo e os desertos da alma. Os desesperados serão esperados e os perdidos serão encontrados, por que eles se desesperaram de tanto esperar e eles se perderam por tanto buscar.

Seremos compatriotas e contemporâneos de todos os que tenham vontade de beleza e vontade de justiça. Tenham nascido quando hajam nascido e hajam vivido onde hajam vivido sem que lhes importe nem um pouquinho as fronteiras do mapa e do tempo.

Seremos imperfeitos por que perfeição continuará sendo o aborrecido privilégio dos Deuses. Porém neste mundo e neste mundo atrapalhado e fodido, seremos capazes de viver cada dia como se fosse o primeiro e cada noite como se fosse a última.

ENTREVISTA-DORES- por João Nicodemos


Os programas de entrevistas a que temos acesso pelos canais de TV seguem modelos já consagrados nas emissoras internacionais. São os chamados Talking Show, como os programas apresentados por Jô Soares e Marília Gabriela. Não tenho o hábito de assisti-los e quase não vejo TV, mas vez por outra presto atenção e, conforme percebo, a ânsia de comentar e demonstrar conhecimento sobre os assuntos apresentados, às vezes transformam os programas em debates de opiniões onde sempre vence o (a) entrevistador (a) “donos do campo e da bola”. Muito comum tratar um assunto sério como motivo de piadas pelo simples fato de não ser do interesse ou conhecimento dos entrevistadores, deixando grande parte da audiência desinformada ou inconformada com a condução do assunto, muitas vezes de interesse público.

Dia desses, numa entrevista com eminente psiquiatra onde eram tratados assuntos como saúde mental, violência e afins, o tema recorrente das drogas surgiu (neste ponto, muitos leitores e telespectadores “mudam de assunto”), e diante da pergunta “o que é que tem por trás de um simples baseado?” ficamos sem ouvir a resposta. A perguntadora atropelou a com um comentário pessoal e deixou os expectadores na expectativa. Mas isso me levou a continuar examinando este assunto, e procurar respostas para a tal pergunta: O que é que tem por trás de um simples baseado? (que pra quem não sabe é um cigarro de maconha). Cheguei a algumas possibilidades de resposta e passo a enumerá-las:

· Plantações ilegais da droga, trabalho semi-escravo e mortes;

· Tráfico e guerras de traficantes, balas perdidas (muitas vezes “encontradas” em inocentes);

· Crianças aliciadas para o consumo e o tráfico;

· Famílias desfeitas por mortes, prisões e violência doméstica;

· Corrupção para permitir todo o processo desde o cultivo até o consumo da droga;

· Jovens que perdem as oportunidades de estudo e trabalho.

· Doenças mentais que surgem devido ao uso constante da droga;

· Jovens desperdiçando os melhores anos de suas vidas, sua energia e inteligência;

· Permissividade da Sociedade, do Estado e da Família, por ignorância e conivência;

· Possibilidade de abrir o caminho para drogas mais perigosas e para o crime;

· Drogas que financiam o crime organizado e, em casos extremos chegam a substituir o Estado (de direito) determinando territórios e ditando leis próprias, espalhando o terror e cobrando por proteção;

· Associação do tráfico de drogas, com o tráfico internacional de escravos (para a prostituição), pedofilia;

· Criação de milícias que se colocam acima da Lei praticando todo tipo de crimes;

É possível enumerar tantos efeitos maléficos que fico assustado de pensar que algumas pessoas (do bem) ainda considerem “inofensivo um simples baseado”. Conheço inúmeros casos de pessoas que jogaram e jogam suas vidas no vazio subjugadas pelo vício, que começara com um hábito “inocente” de fumar só nos finais de semana, ou só “pra relaxar”.

Basta recorrer ao dicionário para se ter uma idéia de alguns dos significados de “relaxar”:

1.Tornar frouxo ou lasso; afrouxar.2.Moderar, abrandar.3.Corromper, depravar. 4.Debilitar, enfraquecer.5.Distender, descontrair.
Verbo intransitivo .6.Afrouxar, entibiar.7.Tornar-se menos tenso (2).Verbo pronominal. 8.Perder a força ou o vigor.9.Desmazelar-se. (mini Dicionário Aurélio, versão digital).

A idade da inocência, dizem os psicólogos, termina aos oito anos. Jean Paul Sartre, filósofo francês, escreveu uma trilogia onde um dos títulos é IDADE DA RAZÃO. Já pensei em escrever sobre a idade da Ilusão, que, no meu entendimento, situa-se entre a adolescência e os vinte e poucos anos (mas pode prolongar-se por longo tempo) e, finalmente, a idade da Desilusão, onde me encontro. Desilusão no melhor sentido da palavra,deixar de se iludir ou, recorrendo ao velho amigo “Aurélinho”: (verbo transitivo – Tirar ilusões, ou perdê-las; desenganar(-se). Este é um assunto profundo que pretendo tratar em outro texto, com melhor reflexão.

A Realidade, por mais dura que seja, é melhor que qualquer lapso de ilusão. É o que quero ver, sentir e perceber. E o que desejo a todos.

Sobre Cachorros Loucos - José do Vale Pinheiro Feitosa

Tem muitos cachorros loucos prontos a dar mordidas sem qualquer motivo da vítima, apenas por que viu na vítima o sítio preferido de suas mordidas. Esta frase imediatamente remete aos assassinatos em massa, aos linchadores, aos vingadores, aos cachorros loucos que reagem aos simples “xispa” do seu dono.

No primeiro parágrafo me referia aos cachorros loucos sem focinheira. Existem os cachorros loucos contidos e apenas instigados quando necessários e até aqueles cachorros loucos de madame, que mordem enquanto ela se horroriza com o sofrimento de algum personagem na novela das nove.

Os domadores de animais, especialmente de cachorros, não se cansam de dizer: não confundam a agressividade de um cachorro louco com a hidrofobia. A primeira é a projeção da insana e malvada consciência do dono sobre o animal e a segunda é uma doença natural que altera definitivamente a mente do cachorro.

Por isso quando um cachorro louco é morto a tiros, chutado, dando-lhe pauladas e depois de seu suplício é comemorado algo muito grave sempre acontecerá. O insano e malvado de consciência arbitrária que treinou o cachorro louco estará preservado neste ato. E a pior das desgraças: ele continuará a ameaçar os inconseqüentes que não conseguem olhar para a realidade além de seu próprio desvio em comemoração de tão nefasto engano para si.

Neste momento os vingadores se confundirão tanto com o cachorro louco que parecem fazer parte do mesmo canil que desencadeou a insensatez. Enquanto dão pauladas estas já estarão sob o ritmo do dono dos cachorros loucos.

O pior é que os donos destes cachorros loucos são capazes de soltá-los para que eles vigiem outros territórios do interesse do dono. E eles vigiarão, igual àqueles cachorros que controlam as ovelhas, mas se o cachorro fizer algo que contrarie a economia da lã e da carne, ele será abatido sem qualquer piedade. É a ontologia da manutenção do mal de origem.

E tem mais: os vingadores que provam o sangue do cachorro louco destroçado, logo apontam sua violência para outras vítimas. Eles querem mais. Muito mais do que a violência do momento lhes proporcionou. Outros “cachorros loucos”, não importam se reais ou não, desde que pareçam que sejam, logo estarão sob a mira vingativa dos linchadores.

É muito triste quando o humano se resume a este insano desejo de sair de série em série dando pauladas em cachorros loucos, especialmente se alguma revista diga “veja” este é mais um.



Domingo com Roberto Menescal !


"Roberto Batalha Menescal (Vitória, 25 de outubro de 1937) é um músico brasileiro. Foi um dos fundadores do movimento bossa nova.

Participava das reuniões no apartamento da cantora Nara Leão, na Avenida Atlântica, em Copacabana, onde o movimento começou. Menescal é um dos mais importantes compositores, ao lado de Tom Jobim, Carlos Lyra, Vinícius de Moraes. Criou canções que hoje são consideradas hinos do movimento e da própria música popular, como O barquinho, Você, Nós e o mar, Ah se eu pudesse, Rio, entre outras. Ronaldo Bôscoli é um de seus parceiros mais constantes.

Suas canções quase sempre apresentam o mar como temática. Atualmente, além de tocar violão e guitarra, dirige um selo musical e gerencia novos grupos e projetos musicais, como o Bossacucanova. Seu último trabalho foi produzir um documentário sobre bossa nova, chamado Coisa mais linda, em 2005, com seu velho amigo Carlos Lyra. "

Hoje, enquanto estradava rumo ao "Zabelê", ouvia Cris Delano e Roberto Menescal. A Cris, muito bem acompanhada! 
Quando escuto um bom repertório, penso logo ;se eu fosse cantora...Mas não fui! 
Destinei-me a gostar de ouvir quem sabe tocar, quem sabe cantar.
A comidinha do Zabelê continua deliciosa. Penso que, repetidamente, viajarei para lá ,nas manhãs de domingo.Tem verde, tem cheiro de eucaliptos, tem rede armada, suco feito na hora, doces caseiros, um atendimento legal, panelas de ágata, comida típica, considerando a pequisada, que é de dar água na boca. 
A volta é sempre muito feliz, pela plena satisfação da alma e dos sentidos. Confiram!
E antes que a noite termine, desejo-lhes um ótimo início de semana, colando uma canção  do Menescal.


A noite do meu bem - Por Norma Hauer





Não se pode pensar nela, sem pensar em uma das mais belas letras de nossa música popular. E quem é ela? Seu nome é Adiléia da Silva Rocha, um nome grande para uma pessoa que ficou conhecida apenas como DOLORES DURAN. Ela nasceu em 7 de junho de 1930 e faleceu em 24 de outubro de 1959.

Viveu pouco, não compôs muito, mas agradou a todos com sua ternura, não antiga, mas eterna.
Foi no bairro da Saúde(não muito saudável) que ela nasceu e ali mesmo, ainda pequena passou a tomar parte nas festas populares cantando como gente grande.

Impulsionada por um amigo, apresentou-se, ainda muito jovem, no Programa "Calouros em Desfile", que Ari Barroso mantinha na Rádio Tupi e onde era o "bicho-papão" dos calouro. Cantou e venceu com um bolero:"Vereda tropical", interpretando-o em português e espanhol. Agradou e recebeu nota 5, que Ari não dava a qualquer um.
Dai para a frente,passou a se apresentar em boates de Copacabana e, melhor ainda: tornou-se compositora e apresentava suas próprias músicas. Foi um sucesso só.

Era "Castigo"; "Fim de Caso"; "Manias"; Noite de Paz"; "Idéias Erradas"...Mas o que mais marcou sua carreira foi a belíssima "A Noite de Meu Bem"....na qual ela tudo queria para "enfeitar a noite de seu bem".
Viveu pouco, abusou de noitadas, de barbitúricos e de bebida, vindo a falecer em 24 de outubro de 1959, com apenas 29 anos.

Morreu Dolores, ficou sua fama. Enfeitou a noite de seu bem do outro lado da vida.

Norma Hauer





Quem sabe acionar o zoom
Enxerga sempre o que quer
No invisível o mar se agita
A terra treme na fé

O portal da alegria
Está sempre em sintonia
Com almas que se destinam
Num belo e terno querer

Já não cato folhas mortas
Mas sinto cheiro da terra
No céu azul vejo nuvens
Sinto a leveza que encerram

O domingo foi de tédio
Hoje é pura diversão
A poesia me confina
Numa doce compulsão.

Socorro Moreira

Colaboração de José Nilton Simões




INTERESSANTE!
Quando você acaba de beber um refrigerante

Prof. Dr. Carlos Alexandre Fett
Faculdade de Educação Física da UFMT
Mestrado da Nutrição da UFMT
Laboratório de Aptidão Física e Metabolismo - 3615 8836
Consultoria em Performance Humana e Estética
**O QUE ACONTECE QUANDO VOCÊ ACABA DE BEBER UMA LATA DE REFRIGERANTE**


Primeiros 10 minutos:
10 colheres de chá de açúcar batem no seu corpo, 100% do recomendado diariamente.
Você não vomita imediatamente pelo doce extremo, porque o ácido fosfórico corta o gosto.

20 minutos:
O nível de açúcar em seu sangue estoura, forçando um jorro de insulina.
O fígado responde transformando todo o açúcar que recebe em gordura (É muito para este momento em particular).

40 minutos:
A absorção de cafeína está completa. Suas pupilas dilatam, a pressão sanguínea sobe, o fígado responde bombeando mais açúcar na corrente. Os receptores de adenosina no cérebro são bloqueados para evitar tonteiras.

45 minutos:
O corpo aumenta a produção de dopamina, estimulando os centros de prazer do corpo. (Fisicamente, funciona como com a heroína..)

50 minutos:
O ácido fosfórico empurra cálcio, magnésio e zinco para o intestino grosso, aumentando o metabolismo.
As altas doses de açúcar e outros adoçantes aumentam a excreção de cálcio na urina, ou seja, está urinando seus ossos, uma das causas das OSTEOPOROSE.

60 minutos:
As propriedades diuréticas da cafeína entram em ação. Você urina.
Agora é garantido que porá para fora cálcio, magnésio e zinco, os quais seus ossos precisariam..
Conforme a onda abaixa você sofrerá um choque de açúcar.
Ficará irritadiço.
Você já terá posto para fora tudo que estava no refrigerante, mas não sem antes ter posto para fora, junto, coisas das quais farão falta ao seu organismo.

Pense nisso antes de beber refrigerantes.
Se não puder evitá-los, modere sua ingestão!
Prefira sucos naturais.
Seu corpo agradece

"As vezes, nossa vida é colocada de cabeça para baixo, para que possamos aprender a viver de cabeça para cima"

SÁBIOS ENSINAMENTOS !- Colaboração de Geraldo Ananias


 O Sucesso consiste em não fazer Inimigos
Max Gehringer

 Nas relações humanas no trabalho, existem apenas 3 regras:

 Regra número 1:

 Colegas passam, mas inimigos são para sempre. A chance de uma pessoa
 se lembrar de um favor que você fez a ela é muito grande. Mas a
 chance de alguém se lembrar de uma desfeita se mantém estável, não
 importa quanto tempo passe. Exemplo: Se você estendeu a mão para
 cumprimentar alguém em 1999 e a pessoa ignorou sua mão estendida, você
 ainda se lembra disso em 2009.

 Regra número 2:

 A importância de um favor diminui com o tempo, enquanto a importância
 de uma desfeita aumenta. Favor é como um investimento de curto prazo.
 Desfeita é como um empréstimo de longo prazo. Um dia, ele será
 cobrado, e com juros.

 Regra número 3:

 Um colega não é um amigo. Colega é aquela pessoa que, durante algum
 tempo,parece um amigo. Muitas vezes, até parece o melhor amigo. Ou
 quem sabe a amizade durará para sempre. Amigo é aquela pessoa que liga
 para perguntar se você está precisando de alguma coisa.

 Ex-colega que parecia amigo é aquela pessoa que você liga para pedir
 alguma coisa, e ela manda dizer que no momento não pode atender.

 Durante a carreira, uma pessoa normal deverá ter a impressão de que
 fez um milhão de amigos e apenas meia dúzia de inimigos.
 Estatisticamente, isso parece ótimo. Mas não é, Isto é PÉSSIMO!

 A 'Lei da Perversidade Profissional' diz que, no futuro, quando você
 precisar de ajuda, é provável que quem mais possa ajudá-lo é
 exatamente um daqueles poucos inimigos, e aí.... voce já dançou.



 Muito cuidado ao tentar prejudicar um colega de trabalho; Amanhã ou
depois você pode depender dele para alguma coisa!

 Portanto, profissionalmente falando, e "pensando a longo prazo, o
 sucesso consiste, principalmente, em evitar fazer inimigos. Porque,
 por uma infeliz coincidência biológica, os poucos inimigos são
 exatamente aqueles que têm "boa memória.

 Portanto amigo, seja: leal, simpático, educado, pontual, converse com
 todos sem distinção de cargos, competente sem passar por cima dos
 colegas e o mais importante faça o seu trabalho e procure ajudar os
 outros de maneira correta.


PARA RUBEM ALVES

O saber sabe o que sabe
O querer sabe o que quer
Antes que essa vida acabe
Vou viver com o que vier
Vendo o crepúsculo belo
Da cor do ipê amarelo
Que teima em ser o que é

  Fiz este poema para o Mestre Rubem Alves que gosta muito de apreciar os cachos dos ipês amarelos... "Quando tudo está seco eles teimam em florar!"

Colaboração de Edmar Cordeiro



Amor espiritual



Que teu coração voe nas asas da espiritualidade consciente, para que tudo

percebas a ternura invisível tocando o centro do teu ser eterno.

Que um suave vento te acompanhe, na terra ou no espaço e

por onde quer que a força do Amor leve o teu viver invisível.

Que o teu coração sinta a presença secreta do inexplicável.

Que os teus pensamentos, os teus amores, o teu viver, a tua passagem

pela vida sejam sempre abençoadas por aquele Amor que ama sem nome.

Aquele Amor que não se explica, só se sente.

Que esse Amor seja seu rumo secreto, viajando eternamente dentro do teu ser

Que esse Amor transforma os teus dramas em Luz, a tua tristeza em celebração,

e os teus passos cansados em alegres passos de danças renovadoras.

Que o teu viver seja pleno de Paz e Luz



Autor desconhecido.


Desejar é uma virtude
Que impulsiona o viver
Não importa a longitude
Tenho um zoom para te ver
U. Germano

Lembrando Francis Hime...




Carta
Francis Hime e Ruy Guerra

Nunca estive tão sozinho
nos caminhos da tristeza
nos campos de outra nobreza
nos lagos de tanto vinho
nunca estive tão sofrido
nos trilhos da solidão
nas carreiras da paixão
nas dentadas desse pão.

Nunca estive tão cansado
nas calmarias de um bar
nas paradas de um olhar
nas tatuagens de um fado
Nunca estive tão assim
tanta rama e tanta gana
tão maduro e tão sem cama
tão seguro e tão sem fim.
Composição: Francis Hime / Ruy Guerra

Palavras Cruzadas Francis Hime




Aqui no meu quarto, sozinho,
Ouvindo baixinho uma canção de amor.
Do alto na minha janela
O quadrado é uma tela de som, luz e cor.
Esqueço a retina parada,
Olhando pra nada e pra qualquer lugar.
Lá embaixo a visão se repete,
É uma grande maquete a se movimentar.


Me deito na cama, um momento,
O olhar desatento no telejornal.
A noite acende a cidade
Numa claridade artificial.
E como um papel solto ao vento,
Solto o pensamento a vagar por aí:
Da infância a um amor antigo,
Da mãe a um amigo que eu nunca mais vi.


Mas vem a lembrança recente
De um amor ausente a me torturar.
E esse vazio sem jeito,
Na cama e no peito, me faz relembrar
Quando ela fechou-me as saídas,
Levou minha vida sem olhar pra trás.
Dizendo, assim, se desculpando,
Baixinho, chorando: "Eu não te amo mais".


Revejo num canto, jogadas,
Palavras cruzadas de um velho jornal.
E em meio às notícias do dia,
Rio da ironia de uma vertical
Que diz: "sentimento profundo
Que ilumina o mundo com seu resplendor".
E aqui no meu quarto, sozinho, amigo da dor,
Eu ouço calado, baixinho, uma canção de amor.


Lua de Cetim


Lua de Cetim
Francis Hime


A7+/9 G#m7/4 G7/5-
Lua de cetim, tempo quente, amendoim,
D7+/9 D#º A7+ A6
Dia de vadiar, vagabundear
B7 B7/13 Bm7 E7/4 G7/9-
De tudo adiar, se deliciar
C7+ Em7/B Bb7+ Bº
Deito no capim, planto avencas num xaxim,
C7+ C#º
Samambaia e alguns jasmins,
F7+ Bb7/9 C7+ C6
Que preguiça de mim, ai ai que me dá
D7/4 D7 Dm7 E7/4 E7
Sei lá o que me dá, só sei que isso me encan...ta
A7+/9 E7/G# D/F# A7+/E Eb7/9+
Sapos no quintal, venta roupa no varal,
D7+/9 G7/13 A7+/E F#m7
Vai caindo um toró lá no Tororó
A/B B7/13 D/E G7/9
Cantou um curió, e eu fico tão só
C7+ G7/B F/A Fm/Ab
Sabe, meu amor, meu jardim tá todo em flor
Em/G Gb7/5-
Deu camélia e monsenhor,
F7+ Fm6/9 C6/9 Am7
Deu até beija-flor, não é que me deu
C/D D7/9 F/G D/E E7/9-
Vontade do meu menino que bem me ni...na
A7+/9 G#m7/4 G7/5-
Seja como flor, seja sempre o meu amor
C#m7/5- F#7/5+
Diga o quanto bem me quer
Bm7
Gira o sol, se bem me quer
Dm7
Se é bom viver em paz
A7+ A6
Não abra, meu rapaz
B7 B7/13
Não faça o que não quer
Bm7 E7/4 E7
Não faça o que se faz
A7+ E7/G# D/F# A7+/E Eb7/9
Lua de cetim, tempo quente, amendoim,
D7+/9 D#º A7+
Dia de vadiar, de vagabundear
A#º D7+/9 G7/13 A7+ Eb7/9
ABOBRINHAS POÉTICAS COM BASTINHA JOB
Se de amor vive o poeta
É porque ele assim é
Minha rima predileta
É rimar café com fé
O café nos deixa alerta
E a fé firme nos desperta
Alcançar o que a gente quer
Bastinha Job diz:
Ulisses Germano, veja / café não me satisfaz /o que me alegra demais/é uma boa cerveja!


Futebol e os pontos corridos - Por José de Arimatéa dos Santos

O futebol faz parte da cultura do povo brasileiro. A grande maioria dos brasileiros acompanham o futebol todos os dias. Basta ver o número de programas esportivos nas rádios e tvs do país. É grando o número de espectadores nos jogos amadores de todos os recantos desse país continental.
E o papo que ronda todos os campos de futebol é o sensacional campeonato brasileiro deste ano. Especialistas no assunto não arriscam quem vai ser campeão em 2011 devido a igualdade entre todos os times e as grandes surpresas que a cada rodada acontecem. 
Isso é bom por que o futebol "é uma caixinha de surpresas" e quem gosta do esporte vê e se delicia com os resultados das partidas que comprovam que essa coisa de time pequeno e grande não existe mais. A igualdade entre os clubes faz do campeonato brasileiro o mais equilibrado no mundo.
E pensar que os maiores críticos de campeonato por pontos corridos sumiram. Não se escutam mais essas vozes que diziam que campeonatos desse tipo não davam certo no Brasil. Dar certo. A disputa este ano é jogo a jogo e posso afirmar que toda partida é uma decisão. Tanto para quem está no topo da tabela como também para os que estão brigando para não cair para a divisão de acesso. Esse é o futebol brasileiro.

"Aditivo" - José Nilton Mariano Saraiva

Na nossa última postagem (“Irã, o próximo”), tentamos mostrar, da forma mais didática possível, os abusos cometidos (recorrentemente) pelos “xerifes” do mundo (os EE.UU.) quando resolve se impor “no peito e na marra”, visando atender suas necessidades imediatas, nem que para isso tenha que atropelar tratados internacionais, soberania de outros povos e por aí vai.
Alertamos, também, com enfase, para o risco que correrá o Brasil quando o nosso fabuloso “pré-sal” estiver produzindo a pleno vapor, já que os “gringos” (preventivamente???) já armaram sua tenda nas cercanias da Bolívia com a Colômbia.
Lamentavelmente, entretanto, andaram tentando desvirtuar o que colocamos, com a canhestra idéia de que estaríamos a defender ditadores sanguinários. Por essa razão, tomamos a liberdade de recolocar as coisas em seus devidos lugares, ao aditar (ou transcrever) o contido na coluna Concidadania, do jornalista Valdemar Menezes, publicada hoje no jornal O POVO, aqui de Fortaleza, e que tem tudo a ver com a nossa postagem (e antes que tentem jogar farofa no ventilador, saibam que os grifos são nossos).
O mais... é perfumaria barata, de quinta categoria.

José Nilton Mariano Saraiva

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QUEIMA DE ARQUIVO (Coluna Concidadania, Valdemar Menezes)
A execução de Muammar Kadhafi, segundo é corrente nos meios informados, foi uma operação planejada com muita antecedência. As potências ocidentais não queriam que ele tivesse uma tribuna de onde pudesse falar sobre acertos constrangedores, no passado, com seus atuais carrascos. Quando foram encontrados os arquivos secretos, no seu palácio, revelando as operações conjuntas com serviços de inteligência dos Estados Unidos e países europeus, sua sentença de morte teria sido definida. Não se deveria dar oportunidade para ele revelar tais segredos diante de um Tribunal Penal Internacional. Daí porque os aviões da Otan foram empregados para matá-lo, quando fugia do cerco de seus inimigos num comboio. Caso escapasse, os rebeldes se encarregariam de completar o serviço - como de fato aconteceu. SÓ QUE A AÇÃO DA OTAN FOI TOTALMENTE ILEGAL. ALIÁS, TODA A SUA INTERVENÇÃO, NOS MOLDES EM QUE SE DEU, VIOLOU OS LIMITES DO MANDATO RECEBIDO DO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU. O CINISMO E O DESCARAMENTO, JÁ OBSERVADOS NO IRAQUE, NO AFEGANISTÃO E NO PAQUISTÃO (VIDE A MORTE E O DESAPARECIMENTO DO CADÁVER DE OSAMA BIN LADEN) REPETIRAM-SE AGORA, NA JUSTIFICATIVA DA OPERAÇÃO CONTRA O DIRIGENTE LÍBIO.
Agora que Kadhafi foi acolhido (quer se queira ou não) no panteão dos mártires da causa árabe, se transformará, provavelmente, numa grande força simbólica a alimentar a luta dos que são movidos pela defesa do interesse nacional. MUITO PIOR (DO PONTO DE VISTA MORAL) DO QUE O PRIMITIVISMO DE SEU REGIME É O ESCÂNDALO DE SE FLAGRAR UM ESTADO QUE SE DIZ DEMOCRÁTICO E CIVILIZADO, COMO OS EUA, TORTURANDO PRISIONEIROS, INSTALANDO PRISÕES CLANDESTINAS, BOMBARDEANDO POPULAÇÕES CIVIS E LIBERANDO SEU SERVIÇO SECRETO PARA ASSASSINAR DESAFETOS (CHEFES DE ESTADO, LIDERANÇAS POLÍTICAS E COMUNITÁRIAS ESTRANGEIRAS) SEM QUE SEUS DIRIGENTES SEJAM JULGADOS POR CRIMES CONTRA A HUMANIDADE, COMO, ALIÁS, PEDE A ANISTIA INTERNACIONAL. POR QUE DEIXAR DE ACENTUAR TAMBÉM QUE A LÍBIA APRESENTAVA O MAIS ALTO IDH DA ÁFRICA (SEM QUE ISSO ABSOLVA OS CRIMES DO REGIME DERRUBADO)?

O MORTO ENTERRADO NO FUNDO DO QUINTAL


Ninguém canta para o morto enterrado no fundo do quintal.
Ningém canta para os insepultos
mortos ou
vivos. E todos pedem esmola,

a moeda
para os olhos demasiadamente abertos.
Os olhos vazios
como casas em ruínas. A hera cresce pelas paredes, as raízes

engordam
as paredes. É um ambiente de paz
e desolação. As mãos
pendem

pesadas. Os pés estão fincados no solo, com musgo
no calcanhar.
O que faremos da vida? O que faremos da morte? Perguntamos
e nos afastamos envergonhados.

Nada resta nos bolsos para trocar,
para tocar
com os dedos ensanguentados. Abandonamos a nossa imagem
no fogo

que tudo consome. Uma gaivota, o clarão
de uma gaivota e o cachorro ganindo solitário como um barco
de borco
sob a lua.

                        J. C. Brandão




Sentimentos - Por José de Arimatéa dos Santos

Pensamentos tão longe
E ao mesmo tempo vivo a realidade
Assim caminho
Nessa empreitada
Cheia de obstáculos
Nunca intransponíveis
Mas de muita felicidade
Por poder viver tão intensamente
A vida tão bela
Cheia de idas e vindas,
Normal
É a existência de qualquer ser humano
Certo de que o dia de amanhã
Será mais completo
E repleto de muita felicidade