por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



domingo, 20 de março de 2011

Fatinha Gomes - Cantora, Comunista e Educadora

Descente dos nativos desta terra, Maria de Fátima Gomes dos Santos, docemente chamada de Fatinha Gomes aprendeu desde cedo como muitas marias nesta vida a perceber o quanto é injusto o capitalismo. Cantora, comunista, educadora, poeta e feminista. Fatinha encontrou na arte uma forma de humanizar e de lutar. (foto: Allan Bastos)

Alexandre Lucas - Quem é Fatinha Gomes?

Fatinha Gomes - Sou Maria de Fátima, brasileira, tenho 30 anos, filha natural da Cidade do Crato, descendente indígena e espanhola. Militante política, cantora, estudante do Curso de Pedagogia da URCA e observadora de todas as linguagens artísticas que vivencio.

Pertenço a uma família que tem como matriarca uma linda sertaneja: Dona Inês.

Curto muito os movimentos sociais, adoro o espaço verde do Cariri, acredito convictamente numa força criadora que rege o universo, sou muito curiosa por assuntos transcendentais ligados a manifestações religiosas afro-descendente, orientais, e pesquisas voltadas para materialismo-histórico-dialético. Rsrsrs!!!

Tenho uma preocupação voltada para a infância, apoio instituições que trilham planos de ação que favoreçam a educação voltada para crianças e jovens, e que tenha como principio a liberdade e a emancipação do ser humano na sua mais plena realização.

Sou louca por povão, por muita gente (...). Identifico-me com pessoas de comunidades periféricas da minha região, aprecio o que é simples. Posso passar horas conversando sobre vários assuntos, fico muito feliz ao poder me comunicar.

Aprecio os conflitos saudáveis do dia-a-dia, aqueles que nos desmascaram, nos fazem mostrar quem realmente somos.

No mais eu vivo intensamente no campo subjetivo das emoções,sou demasiadamente viva,vivo plenamente e admiro a humanidade por sua diversidade cultural,étnica,geográfica,social,tudo enfim.
Sou perdidamente apaixonada por gente, alucinada por história de vida, por trajetórias pessoais dos amigos que me rodeiam.

Sou muito complexa, intensa, tensa, viva e densa!

Alexandre Lucas -
Quando teve inicio seus trabalhos artísticos?

Fatinha Gomes - Muito cedo. Eu tive uma infância muito difícil, ainda criança eu já gostava de cantar, interpretar e dançar, tudo isso para fugir um pouco da realidade em que vivia. Minha casa e a escola onde eu estudava eram os espaços onde manifestava as primeiras inclinações artísticas. Tive meu primeiro curso de dança na SCAC- Sociedade de Cultura Artística do Crato, com a professora Tia Edmar.Foi quando comecei a minha militância com artistas na UEC - União dos Estudantes do Crato onde pude me auto-afirmar através da música,da pintura,da poesia.Nesses primeiros passos pude contar com artistas como Cleivan Paiva,onde vivenciei minhas primeiras aulas de violão e foi com ele também que conheci o CHAMA.Paulinho Lacerda foi meu grande companheiro e incentivador na música.

Alexandre Lucas - Você vem da periferia, isso tem proporcionado um olhar diferente sobre arte?

Fatinha Gomes - Ainda sou de lá, faço parte de tudo o que diz respeito ao meu povo e minhas raízes. Vejo-me em cada um e em cada criança.

O meu olhar se subverteu muito, a arte é o nosso grande estandarte, creio que ela é um importante instrumento de emancipação para todos independente da nossa posição social. A arte pode promover empoderamento intelectual, a arte movimenta nossas possibilidades de sobrevivência e convivência humana. Costumo dizer que não era fácil no meu tempo, mas hoje, com os editais de políticas públicas voltados para arte e para a cultura algumas demandas foram viabilizadas e muitos podem ter na arte um instrumento muito educativo, um intermediador de luta e identidade de um povo.

A periferia é um espaço notável de talento, produção e inspiração artística.

Alexandre Lucas - Quais as suas influências artísticas?

Fatinha Gomes - Muitas. Em se tratando de música eu pude vivenciar do brega, passando pelo baião, jazz...

Hoje posso me deliciar do som da nossa cidade, e em se tratando disso tenho muita admiração pelos grupos populares, o som que vem dos pífanos, dos zabumbas, me remete a ancestralidade, bem como o som dos atabaques e timbres vocais. Tenho respeito por todos os grupos do Cariri, minha maior influência é a resistência de todos eles.

Artistas como você, Ibertson Nobre,João do Crato,Abidoral Jamacaru,Geraldo Júnior,Dihelson Mendonça,André Saraiva,Herdeiros do Rei,Paulinho Lacerda,Luiz Carlos Salatiel,Cleivan Paiva,Zabumbeiros Cariri,Ermano Morais ,Samuel Macedo ,Lifanco,Dr Raiz,Cantigar,Janinha Brito,Di Freitas,os diretores de teatro,os mestres da cultura,os grupos de tradição,os cantores de barzinhos,os artistas visuais como Karimai, Chrystian Marques,Ricardo Campos,Nivia Uchoa,Alan Bastos,os cineastas Franklin Lacerda,Rosemberg Cariri,Rayane,Alanny Brito,Samuel Gomes,Netinho,Diego,são minhas grandes influências e a vocês todo o meu respeito,foram vocês entre tantos outros artistas que me fizeram acreditar que a arte pode permanecer viva em qualquer lugar e pode também ser vivida por qualquer pessoa,desmistificando aqui a ideologia do dom e meu olhar.

Alexandre Lucas - Como você ver o cenário musical do Cariri?

Fatinha Gomes - Crescente, latente, fervoroso, tenho paixão por tudo isso, paixão doida, diga-se de passagem.

Vejo nosso cenário musical como um amplo portal, nosso grande ponto de partida para grandes conquistas. Sou uma sonhadora, vira e meche, eu ainda me vejo numa atmosfera encantadora de tudo isso aqui, custa nada sonhar e de vez em quando perder um pouco o peso das dificuldades que enfrentamos em qualquer que seja a profissão que exercemos. Acredito que a união ainda faz muita diferença em qualquer processo de construção histórica a esse grupo que interessa.

Todo dia eu me surpreendo com a quantidade de grupos musicais que surgem na nossa região, fico tão feliz quando vejo adolescentes montando suas bandas,ensaiando,participando de festivais, com suas mais variadas tendências musicais, com suas mensagens, para mim tudo isso merece uma atenção ainda mais especial do poder público. Seria interessante investir em espaços gratuitos para ensaios, criar grupos que facilite a aproximação entre os artistas, cantores e compositores.

Esse misto de artistas mais renomados com os da nova geração é muito atrativo, um vinculo que fortalece e muito nossa edificação histórica musical,o Cariri é tão respeitado e amado por essas características e eu me orgulho muito de ter nascido aqui e eu quero ainda estar viva para ver meu Cariri avançar ainda mais nesse contexto,sou uma grande entusiasta das causas musicais .

Alexandre Lucas - Seu contato com a política tem inicio no movimento estudantil. O que isso
significou?

Fatinha Gomes - Significou muito, pois só a partir daí eu pude entrar em contato com uma juventude estudantil aguerrida, de escola pública, disposta a compreender transformar uma realidade conjunta. Foi aqui também que me senti inserida, me sentia acolhida, esse foi um divisor de águas na minha vida, pois naquele momento era tudo o que eu queria encontrar; uma galera que estivesse a fim de discutir arte, política,educação e cultura numa perspectiva critica.Consegui adquirir percepções menos ingênuas ao iniciar minha leitura de mundo e da realidade através do movimento estudantil.

Tive a oportunidade de alimentar sonhos de entrar para uma universidade, pintar o sete e desenhar o oito. Experimentei no movimento estudantil a maior de concepção de liberdade que alimentava naquela época.Hoje quero dividir minha experiência com a juventude que consigo manter contato.Eu indico.

Não sei exatamente se adquiri um absoluto amadurecimento político, pois sou inacabada, todos os dias aprendo, ensino,reaprendo,construo e desconstruo algumas das minhas convicções, mesmo assim vou trilhando meu caminho sempre.

Alexandre Lucas - Como você ver relação entre arte e política?

Fatinha Gomes - Livremente ligadas, algum momento elas podem se distanciar, mas muito importante quando se trata de exercer uma arte engajada que contenha forma, conteúdo e, sobretudo desígnios de alteração. Nesse caso seria o antagônico da arte pela arte. Arte e política devem estar alinhadas no intuito de promover a livre expressão critica do artista. Nada que prenda ou que oprima mesmo que esteja ligada a o mais poderoso argumento denunciativo, subversivo ou questionador. Arte-politica e liberdade se fazem necessária. Não necessariamente nessa ordem. Exerça.

Alexandre Lucas - Você acredita que artista deve ter um posicionamento político para ter compreensão do seu papel enquanto artista?

Fatinha Gomes - Desde que essa seja uma escolha dele, ninguém pode ser violentado pelas escolhas que faz ou por aquilo que não escolheu. Todos devem ser respeitados por suas opções e partir para um embate dialético. Nesse momento eu defendo uma arte que politize o sujeito, que faça com que ele sinta a força de transformar o meio em que ele atue, que compartilhe estratégias de superação do processo de desumanização causado pelo sistema capitalista.

Alexandre Lucas - Você tem uma preocupação sobre a ocupação do espaço musical pelas mulheres?

Fatinha Gomes - Tenho. Defendo que essa não é uma guerra pelo poder onde um fica submisso ao outro para que as coisas fluam. Homem e mulher têm o mesmo direito de conquista de espaço, mas em se tratando da mulher, eu defendo primordialmente, pois os meninos tiveram sua vez em muitas iniciativas humanas,mas só a pouco tempo é que a nós afloramos esse desejo de atração de espaço,na música como em qualquer outra escolha, esse é um direito que deve ser respeitado,uma etapa histórica que não deve ser queimada e que sucessivamente nos encontremos num ideal de respeito e igualdade de gênero.Que seja breve.

Na música Cariri eu vejo uma chama constantemente acesa nesse sentido. Muitas cantoras como Elisa Moura,Alci Ventura e Janinha Brito,tiveram um papel revolucionário por fazerem parte de uma das primeiras levas de mulheres que começaram sua profissão em barzinhos da cidade do Crato,sem elas seria muito difícil acreditar numa aceitação atual,essas são mulheres que dizem muito por sua capacidade de ultrapassar limites e barreiras impostas durante tanto tempo por uma tradição que agora ruma a tomar um novo formato cultural.Foi observando elas que comecei a me reconhecer e dizer:Eu também quero,eu também posso.

Cantoras como elas,Amélia Coelho,Mestra Margarida,Mestra Zulene,Dona Maria do Horto,Mestra Edite, fazem parte desse grande “domínio feminino”,( só para provocar,rsrsrs), de guerreiras Cariri .Esse espaço é uma grande miscigenação de estilistas,fotográfas,lavadeiras,cordelistas, modelos,desenhistas,prostitutas,estudantes,políticas, rezadeiras,cineastas e artistas visuais denunciam uma gama de anseios e atenções.

Alexandre Lucas - Depois de muitos anos você tira as suas poesias do baú?

Fatinha Gomes - Pois é. Que baú? Rsrsrsrs! Há pouco mais de um ano que eu tenho vivido muitos momentos poéticos na minha vida, tudo acaba se transformando num implexo de palavras, algo que externalizo para verbalizar as minhas observações. O Cariri é meu grande palco, é aqui que eu vivencio essas experiências. Retiro do meu dia-a-dia, da conivência social todas as coisas que escrevo. Sempre tive esse desejo, mas só agora eu me permito escrevê-las e publicá-las .

Alexandre Lucas - Como você caracteriza sua poesia?

Fatinha Gomes - Híbrida,racional, politizada e romântica imperfeita.

Alexandre Lucas - O que representa o Coletivo Camaradas na sua experiência estética e
artística?

Fatinha Gomes - Representa o plano material das ações, retirar do plano mental um discurso e partir para o campo de batalha.Foi no Coletivo onde reencontrei o desejo de pôr em prática e viver muito do que eu acreditava e desejava que fosse uma arte exercida no campo conceitual.
Ousar iniciativas de trabalhar arte na periferia com o Coletivo Camaradas foi muito interessante, pois foi lá onde tive a oportunidade de trabalhar com crianças e jovens.

O Coletivo Camaradas é minha grande “ escola” artística e que me amplia os horizontes para realizações futuras.

O Coletivo Camaradas é a minha casa.

FÁBULA DE ISOPOR: A DÚVIDA DE UM NOME - por Ulisses Germano

A DÚVIDA DE UM NOME
Ulisses Germano

           No município de Jucás-CE. um homem simples, agricultor,  foi para o cartório de sua cidade  para fazer a certidão de nascimento de seu filho. No caminho  pairou uma dúvida sobre o nome que ele queria dar para o infante. Chegando no cartório perguntou para o escriturário:
          -Bom dia senhor. Vim aqui para fazer a certidão do meu filho. Acontece que eu estou com uma dúvida enorme. Minha esposa aconselhou que eu desse um nome que enchesse a boca. Assim, sabe? Um nome cheio de alegria! Assim como a fartura de uma boca cheia, entende? Que nome o senhor acha que eu devo dar para o meu filho?
         O escriturário, com ares de Quintino Cunha, respondeu de pronto:
          -Que tal  A M A N C E B A D O!

          A criança cresceu no roçado. Tempos depois teve um filho  com o nome de Abirobado, sugestão do mesmo escriturário que , malfadado, morreu entediado por se sentir um desalmado. 

MORAL DA HISTÓRIA 

NA DÚVIDA DE QUAL O NOME DEVA DAR PARA O SEU FILHO, JAMAIS PEÇA UMA SUGESTÃO DE UM ESCRITURÁRIO DESALMADO!

Fábula dedicada ao amigo Dr. José Flávio que sempre nos ensina como poeta, compositor, escritor e doutor que o bom humor é  a forma mais simples e natural  de evitar a dor e o  tumor.

(

POEMAS DE ISOPOR :TRAVA LÍNGUA - por Ulisses Germano

Na ligeireza da língua
O verso todo se enrola
Fale rápido e sem demora:

A JABUTICABA JABUTICOU NA JABUTICABEIRA

Na ligeireza da língua
Todo fonema amingua
Fale rápido, sem demora!

O BABAR DO JABÁ BABOU O BABABALORIXÁ


Colaboração de Geraldo Ananias


Fotógrafo profissional e jornalista científico, Laurent Laveder criou a série Moon Games, composta por diversas imagens que mostram pessoas interagindo com a Lua.

Capturando as cenas por um ângulo específico, o artista faz parecer que o satélite está realmente ao alcance das mãos dos homens e mulheres que, posando para as lentes do artista, brincam de jogá-lo para cima, ou pousá-lo na xícara de café.

Especializado em fotos do céu, Laveder faz parte do coletivo The World At Night, que reúne 30 dos
melhores astrofotógrafos do planeta.























Dia de domingo (tudo vai ficar por conta da emoção)

por Vera Barbosa


Sábado à noite, e decidi ficar em casa. Está frio, convidativo. Tomei um banho quente, vesti meu pijama, fiz um chazinho e vim para o computador por volta das 19 horas. Pouco depois, o bairro ficou sem energia elétrica, e minha única opção foi ouvir rádio. Sintonizei a Alpha FM no celular.  Estou acomodando (para não incomodar ninguém) os sentimentos, então, nada melhor que ouvir o próprio silêncio e divagar em canções tranquilas.

Entre tantos pensamentos vãos e descompromissados, viajei no porquê de eu preferir o sábado ao domingo. Dentre outras reflexões, lembrei-me de ter nascido num domingo à tarde, mais precisamente às 13h45, o que, provavelmente, deixa tal dia tão preguiçoso para mim. Afinal, domingo é dia de estar em família, esperando a famosa macarronada (ou aquela saladinha no caso de, como eu, você estar de dieta). É dia manso, morno, bom para quem está namorando ou estudando para uma longa semana de provas. Salvo raras exceções, os dois dias que o antecedem são bem mais movimentados e interessantes, ao menos, para a maioria.

Observe a fisionomia das pessoas numa sexta-feira à tarde/noite. É dia de happy hour, descontração, hora de esquecer o paletó e a gravata e todas as preocupações profissionais. É o anúncio do tão aguardado fim de semana, que promete um bate-papo em boa companhia, namoro no cinema ou sob o edredom, o futebol com os amigos, a baladinha com a galera, um churrasco no fundo do quintal. Na sexta-feira, as pessoas se reúnem para uma cervejinha e degustam seus prazeres em mesinhas nas calçadas. Entre um aperitivo e outro, elas discutem todos os problemas do planeta e encontram soluções para todos eles! Salve a democracia, a tolerância, a diversidade. Numa sexta à noite, não há lugar para combatentes, apenas para quem está a fim de relaxar. A palavra de ordem é alto-astral.

Sábado é dia de soltar os bichos e sacudir! Todo mundo quer estar bonito e atrair os olhares de todos que estão à sua volta. Você escolhe o melhor vestido, a camisa mais irada, modela os cabelos, pinta olhos e lábios, analisa cada perfume. É dia de ser fashion no seu estilo próprio, dançar, ousar, conhecer uma nova paquera, liberar suas mais íntimas fantasias ou, apenas, ficar bem consigo mesmo(a). No sábado à noite, tudo pode acontecer! Até porque sabe-se haver o dia seguinte para descansar e curar a ressaca ou, simplesmente, o cansaço semanal. É o momento de se permitir, extravasar, transgredir (sem agredir), se divertir e experimentar. É possível ser excêntrico, exótico, emo, dark, gótico!  E tudo de uma forma bem natural, sem rótulos. O único limite é o respeito à individualidade.

Domingo bom, para mim, é na cama: ver um filme, ouvir música, ler um bom livro ou uma de minhas revistas prediletas. Raramente, fico inspirada para sair de casa, embora aconteça algumas vezes. Gosto de sair à tarde, para ver a rua, tomar um sorvete... ou para ir à Livraria Cultura admirar meus mais adorados objetos de desejo enquanto tomo um café expresso. Um cineminha também pode me excitar, confesso, mas vencer a inércia domingueira é o grande desafio. Acordar cedo nem pensar! Só se for para ver algum evento esportivo muito aguardado. Porque domingo tem cara de preguiça e aconhego, tons e sons de quietude. Sobretudo, quando está chovendo e a gente está apaixonada. Porém, tudo muda se eu estiver na praia. Ali, tiro os pés do freio! Saio para caminhar, chutar água do mar, pegar umas conchinhas e uma cor enquanto espero o pôr do sol, que sempre me fascina.

Quando a noite cai, o encanto termina. É o silêncio que precede a segunda-feira, e tudo se transforma. Uma certa melancolia invade as casas, as pessoas entristecem. Hora de preparar a cama, escolher a roupa do dia seguinte, pensar naquela reunião com os superiores, fornecedores ou clientes; separar o material, reler a cola para a prova matinal, que será assustadora, e programar o despertador. Quando entra a trilha do Fantástico, então, todo mundo sabe que o fim de semana acabou, e o ciclo tenso recomeça. É hora de a irreverência dar lugar às responsabilidades.  Não gosto de domingo. Será que, se ele fosse no meio da semana, seria diferente?

sábado, 19 de março de 2011

Pintura Musicada - Aloísio

Pintura Musicada


Telas, quadros, partituras,
Notas, pautas misturados
Cores bemóis atonados
Em vermelho solfejados

Esta tela apareceu
Como uma clave de sol
Desenhando os arpejos
Pintada com ouro em pó

As tintas se transformando
Em harmonias musicais
Onde tudo vira som
Vibrando entre os cristais

Vendo a minha partitura
Usando meus instrumentos
Transformo em u’a pintura
Pintada neste momento

Expostas no cavalete
Nas músicas vejo pinturas
Nas pinturas ouço músicas
Resolvendo minhas agruras.


Aloísio

POEMAS DE ISOPOR: AMPULHETA - Ulisses Germano

                         

De grão em grão
A ampulheta 
Enche
A ampulheta
De grão em grão


Penas ao vento - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Por estes dias, não sem motivo algum, lembrei-me de uma pequena história que minha mãe me contou há muitos anos, quando eu era ainda uma criança.

Um mestre, que era muito sábio, possuía muitos discípulos. Certo dia, encontrou um dos seus discípulos numa animada roda de conversa com os amigos. Aproximou-se dele sem se fazer notar e, sem querer, escutou que ele falava mal de um dos seus amigos ausente, fazendo injúrias e o desqualificando com atributos dos quais aquele amigo não era possuidor. O mestre se aproximou do discípulo e lhe disse que estava na hora de receber a lição daquele dia.

Os dois andaram durante algum tempo em silêncio até chegarem defronte a uma torre muito alta. O mestre convidou o discípulo para juntos subirem até o mais alto daquela torre. Quando chegaram ao topo, havia alguns sacos desses que se colocam feijão para o transporte. Então o mestre ordenou ao discípulo que pegasse um daqueles sacos e jogasse todo seu conteúdo pela janela da torre ao chão. Este obedeceu, levantou o saco com as duas mãos, estranhando que seu peso fosse incrivelmente tão leve. Abriu o saco e viu que estava cheio de penas. Obedeceu à ordem do mestre e atirou fora todo o seu conteúdo. Ficou alguns minutos observando as penas voarem para longe, espalhando-se por toda a parte, ao sabor dos ventos. Depois que as penas voaram para os mais distantes lugares, sujando várias ruas e praças, o mestre ordenou: “Agora, meu filho, você vai descer e recolher todas aquelas penas e recolocá-las nesse saco.” “Mas mestre é impossível fazer isso! Não posso recolher todas aquelas penas, pois muitas voaram para longe.” E o mestre lhe disse: “Assim são as injúrias e calúnias que se faz contra um ser humano. Jamais poderão ser reparadas.”

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

O Colibri e a Rosa...

Colagem/Norões
***
Era dia de festa. E a noite parecia brilhar bem mais que o dia. Ali, as pessoas se aconchegavam e se dividiam. As conversas fluíam e se confundiam até aos mais atentos. Ainda era cedo. As pessoas chegavam e pouco a pouco iam se acomodando. Era uma bela noite. Os risos pareciam música; a música parecia risos de uma multidão; mas num coro lento e suave. O perfume inebriava aquela noite adocicada pelo belo colibri. Sempre quieto, mas atento aos mínimos movimentos e detalhes. Insistentemente aquele pássaro tão leve e doce pousava numa flor alimentando-se do seu néctar. Apenas numa única flor; a escolhida. Era à flor da noite. Era a única flor rendida aos encantos daquele pássaro. E o pássaro, num balé absurdamente silencioso e constante, sussurrava delicados sonetos. E voava..., e batia suas asas resplandecentes mostrando-se gentil. Era uma valsa entoada e apenas sentida pelo pássaro e aquela bela flor ainda no seu desabrochar. A madrugada caia mais quente que todas as outras anteriores; e mais quente ainda, se encontrava o pulsar do seu coração. O pulsar do coração de um belo pássaro, e de uma bela flor que entre encantos e sussurros, acordava do mais silencioso e profundo sono. Acordava lentamente... Suavemente...
Pouco a pouco...
***
Mara Thiers

Rifa-se um Coração - Ricardo labatt

Imagem/Internet
***
Rifa-se um coração
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado, meio calejado, muito machucado e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu...
“... não quero dinheiro, eu quero amor sincero, é isso que eu espero...".
Um idealista...
Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende. Que não endurece, e mantém sempre viva a esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas, mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para quem quer viver intensamente contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo, defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas: “O Senhor pode conferir”.
Eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer".
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo, mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda não foi adotado, provavelmente, por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais, por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que, mesmo estando fora do mercado, faz questão de não se modernizar, mas vez por outra, constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos e a ter a petulância de se aventurar como poeta...
***

Ricardo Labatt

*Nota: este texto é algumas vezes atribuido erroneamente a Clarice Lispector."

"That´s the question "


Janela aberta
Céu azul

Voar ou não voar
- Eis a questão !

Resta a dúvida:
O voo quer dizer
Coragem ou Covardia ?


( Corujinha Baiana - 30 de Setembro de 2009 )

Sobre o ABRAÇO. Liduina Belchior.


"Onde, afinal, é o melhor
lugar do mundo?
Dentro de um abraço".
(Martha Medeiros)
Comentando (Liduina) :
No calor dos braços
envoltos em abraços,
a temperatura dos corpos
unidos em laços,
o coração batendo forte,
sorrindo e feliz,
por estar sendo acariciado
na alma de sua raiz.

Da Rádio Azul



No Azul Sonhado- Coletânea em prosa e verso



Concluímos a primeira revisão.
Sequência operacional:
diagramação e capa;
segunda revisão;
edição;
revisão gráfica;
impressão;
lançamento.


Não temos a data de lançamento, mas apostamos na possibilidade de acontecer, na semana da ExpoCrato, ou seja, julho/2011.


Relação de autores:
1.Aloísio Paulo
2.Assis Lima
3.Bernardo Melgaço
4.Carlos Esmeraldo
5.Wilton Dedê
6.Domingos Barroso
7.Edmar Cordeiro
8.Francisco das Chagas
9.Geraldo Ananias
10.Geraldo Urano
11.Isabela Pinheiro
12.José Flávio Vieira
13.João Marni
14.João Nicodemos
15.Joaquim Pinheiro
16.Emerson Monteiro
17.José Carlos Brandão
18.José Nilton Mariano
19.Mara Thiers
20.Liduína Belchior
21.Luís Eduardo
22.José do Vale Feitosa
23.Lupeu Lacerda
24.Magali F.Esmeraldo
25.Manoel Severo
26.Marcos Barreto
27.Marcos Leonel
28.Tetê Barreto
29.Nilo Sérgio
30.Pachelly Jamacaru
31.Abidoral Jamacaru*
32.Roberto Jamacaru*
33.Pedro Esmeraldo
34.Rejane Gonçalves
35.Rosa Guerrera
36.Josenir Lacerda*
37.Stela Siebra
38.Tiago Araripe
39.Ulisses Germano
40.Vera Barbosa
41.Corujinha Baiana
42.Everardo Norões*
43.Cristina Diôgo
44.Telma Brilhante
45.Socorro Moreira

* Faltando release e fotografia.


- Dois textos p/cada autor;
500 exemplares, assim distribuídos:
225 (45 autores - 5 para cada);
25 p/divulgação;
250 para serem vendidos (se algum dos autores desejar comprá-los, faça a sua reserva pelo e-mail:
moreirasocorro757@gmail.com).


Ficha Técnica:
Prefácio: José Flávio Vieira
Orelha: José do Vale Feitosa
Dedicatória: Tiago Araripe (J. de Figueiredo Filho e Patativa do Assaré)
Contracapa: Emerson Monteiro
Foto da capa: Pachelly Jamacaru
Revisores: Stela Siebra e Luís Eduardo
Edição: Blog "No Azul Sonhado".

Como colorir campo e letras

Na edição de postagens  existe uma barra superior que determina as funções.
Entre elas o "A" , que permite uma cor diferente às letras do texto; a seguir,  um símbolo (parecido com um pincel) que permite dar um colorido (plano de fundo) ao texto.Basta selecionar tudo e aplicá-los.
*
A pedido da Mara Thiers, entendendo que outros autores/colaboradores  possam desejar a informação.

Abraços e um excelente sábado!

DAS FORMIGAS DE ASAS AOS CUPINS- Por José do Vale Pinheiro Feitosa



Mesmo sem atender à convocação, transitei o caminho duro das dúvidas entre a real natureza do ambiente e a ambiência de uma real necessidade. Afinal, mesmo não gostando da redução da real natureza do ambiente a um intento associado e dependente, me dei conta da real necessidade de manter a ambiência. Como uma formiga de asas e um cupim por evolução e transformação.

A formiga de asas se fez símbolo da liberdade. Saiu do sólido piso e ganhou os ares. Tudo mais rápido, elevado, acima da digestão da uma vida no tubo alimentar do predador. Por sobre a língua elástica do sapo, num voo errático, que se atrai com a luz e cai no solo como aparição num repente onde não existia.

A formiga de asas, então as perde e imprevidente se toma de uma cegueira ainda insuficiente que se perca. A formiga de asas se transforma num cupim ávido por celulose. Atravessa barreiras de alvenaria, forma túneis extensos numa ramificação de oportunidade e rói toda a celulose que se interponha na sua progressão.

O cupim derruba a arquitetura das estruturas de madeiras, tudo pelo que perdeu do seu voo de liberdade. Agora ele é intento sem freios de tornar pó aquele lenho rendilhado ou concêntrico que um dia um olhar se pôs. A liberdade de destruir o quê para si é apenas alimento.

Por José do Vale Feitosa

Foto de Pachelly Jamacaru


AUSÊNCIA - Por Marcos Barreto de Melo


A sua casa
O meu berço
A sua ausência
A minha dor

Pensamento para o Dia 19/03/2011


“Quando as coisas estão plácidas, calmas e serenas, as pessoas podem fundir-se à atmosfera da Suprema Consciência, que é o mais elevado que se pode alcançar. A paz interior (Shanti) que elas experimentam é mais sutil que o mais sutil. Eles devem ascender até ela através de um esforço guiado pela razão, através da meditação. Quando o deleite é total e completo, não é diferente do status Divino, o objetivo almejado da vida! As pessoas geralmente não se esforçam para isso, pois elas não sabem nada sobre sua atração suprema.”
Sathya Sai Baba

São José



"Casto esposo de Maria/ de Jesus, guarda-fiel..."

Fui embalada com esta canção.Ainda sei o hino, ainda tenho a minha mãe...Só perdi a infância!



José é um personagem célebre do Novo Testamento bíblico, marido da mãe de Jesus Cristo. Segundo a tradição cristã, nasceu em Belém da Judéia, no século I a.C., era pertencente à tribo de Judá e descendente do rei Davi de Israel. No catolicismo, ele é considerado um santo e chamado de São José.

Segundo a tradição, José foi designado por Deus para se casar com a jovem Maria, mãe de Jesus, que era uma das consagradas do Templo de Jerusalém, e passou a morar com ela e sua família em Nazaré, uma localidade da Galiléia. Segundo a Bíblia, era carpinteiro de profissão, ofício que teria ensinado seu filho.

São José é um dos santos mais populares da Igreja Católica, tendo sido proclamado "protetor da Igreja católica romana"; por seu ofício, "padroeiro dos trabalhadores" e, pela fidelidade a sua esposa, como "padroeiro das famílias", sendo também padroeiro de muitas igrejas e lugares do mundo.

wikopédia

POEMA DE ISOPOR: UTOPIA SUPREMA - Ulisses Germano

O impossível é apenas algo que ainda não aconteceu.
Quantas coisas impossível no passado
Hoje são possíveis, visíveis e palpável?
Antigamnte muitos achavam
Que era impossível
O homem voar.
Hoje ele voa
E faz piruetas
no ar!
Antigamente 
era impossível
Alguém ir para a lua.
Hoje a lua é um satélite
Que flutua, Mapeado.
Antigamnte era impossível
Fabricar uma arma
Capaz de dizimar
A população do Planeta.
Hoje vivemos
Num campo minado.
Ainda não é possível
Acabar de vez
Com a barganha
Do clube nuclear
A bomba suja
A bomba H.
Mas
Mantenho
Fime a utopia
De que a paz
Um dia
Será
Possível!
Quem sabe
Outras equações
Criadas por seres
De outras galáxias
Neutralize os efeitos
Da energia liberada na explosão 
seguida na equação 
de Einstein: E=mc²?
Ora, hoje é impossível!
Mas, amanhã, quem sabe?
Podemos começar 
Com o nosso quintal
Desativando definitivamente
Os elefantes brancos
Agra 1, 2....
Mas quem pensa nisso?
A Paz Mundial
Começa com a solução
dessa questão de
suprema pertinência!
É preciso delirar, matutar
Pensar até materializar
Uma ação que faça
Com que a humanidade
Não busque mais
O suicídio coletivo.
Impossível?
Mas, quem sabe?
Alguns vão dizer:
Santa ingenuidade!
Outros tantos,
imprescindíveis, dirão:
"Vamos tentar!
Eles podem até ganhar,
mas morremos tentando,
Não mais aguando
Os Cogumelos Atômicos"
É preferível uma morte morrida
Do que uma morte evaporada.

Ulisses Germano


sexta-feira, 18 de março de 2011

"Crepúsculo Urbano"


Nuances matinais,
agoniza a noite.
Na cidade,
cimento e aço.
-Amanhece!

Nuances vespertinas,
é o ocaso.
Na cidade,
cimento e aço.
-Anoitece!

É o "nascer"
e a "morte" da Estrela.

Aurora - é o início.
Crepúsculo - nem sempre é agonia.
Crepúsculo - uma nova noite.
Aurora - um novo dia.

- E a Vida recomeça!

( Corujinha Baiana - 28 de Setembro de 2009 )

Japão


A imagem que saltava da TV parecia familiar. Dir-se-iam vários meninos brincando com seus carrinhos e casinhas na beira da praia e, de repente, uma onda mais forte , engolia todos os brinquedos e os levava maré abaixo. As imagens, mostraram-se depois, perfeitamente reais, não fossem alguns detalhes: os objetos não se tratavam de miniaturas e , antes de tudo, aquilo não se enquadrava numa simples brincadeira infantil. Retratavam , na verdade, uma tragédia de proporções gigantescas, do outro lado do mundo; dessas que se têm tornado, estranhamente, tão corriqueiras nos últimos tempos. Um terremoto de intensidade recorde no Japão, acompanhado de um tsunami devastador que varreu o norte do país. Prejuízos incalculáveis, reatores nucleares emitindo radiação a céu aberto, mais de cinco mil mortes e milhares de desaparecidos.
Os grandes desastres trazem consigo a possibilidade de refletirmos sobre nossa pequenez diante da imensidão do universo. E as perguntas se sucedem e são inevitáveis. Por que nos últimos anos as grandes hecatombes têm se repetido com tamanha freqüência? Terremoto e tsunami destroçaram a Indonésia; um outro terremoto quase que aniquila o Haiti, depois o Chile e a Itália. Sem falar na tempestade de Nova Orleans , há poucos anos. E as chuvas devastadoras de Pernambuco na ano passado e este ano na região serrana do Rio e no Crato agora em Janeiro? Até que ponto estas catástrofes são mera coincidência; até quando são respostas à ação do próprio homem sobre o equilíbrio instável da natureza? Uma outra questão: as Usinas Nucleares, depois do acidente asiático, devem continuar sendo exploradas como uma forma segura de energia, em substituição ao petróleo e a outras formas mais limpas , como a hidroelétrica?
Quem acompanhou o noticiário da tragédia japonesa deve ter percebido algumas peculiaridades. A primeira delas é o quanto a organização e o trabalho preventivo são capazes de minimizar as baixas. Quando se computarem todas as mortes japonesas talvez alcancemos 30.000 perdas. No Haiti foram mais de 200.000 e na Indonésia mais de 300.000. Como o Japão conseguiu impactar de forma tão forte as suas mortes? Através da tecnologia e do treinamento do seu povo para as situações de calamidade. Esta parece ser uma das maiores lições que depreendemos do desastre japonês: é possível sim, com medidas preventivas, não evitar os fenômenos naturais,mas prevê-los com alguma antecedência e diminuir de forma significativa as perdas humanas.
O maior exemplo, no entanto, que arrancamos da gigantesca tragédia que já se abateu sobre o Japão é a maneira destemida, contida e resignada com que os japoneses enfrentaram a devastação. Sem choros convulsivos, sem atropelos, sem apelos dramáticos. Mesmo diante da fome , da perda e da morte o povo manteve-se controlado: nada de saques, de correrias, de salve-se-quem-puder. Entre nós latinos, afeitos às grandes manifestações sentimentais, á solidariedade de superfície, às lágrimas fáceis e aos apelos dramáticos, a reação japonesa parece-nos estranha e fria. Mas a sua resignação passa-nos a certeza absoluta que, tendo suportado tantas guerras, tantos desastres naturais e duas bombas atômicas; os japoneses forjaram sua alma no fogo e estão prontos a resistir a todas as intempéries. Calmamente se debruçam sobre os escombros e remontam , peça por peça, o quebra-cabeças da sua vida e da sua história. Como se nada houvesse acontecido, como se o tsunami tivesse vindo apenas fechar um ciclo e trouxesse consigo a anunciação de tempos menos turbulentos e mais felizes.


J. Flávio Vieira

LUNA GEMINE - por Stela Siebra




Tenho Lua em Gêmeos:
um dia sou Castor e no outro já sou Pólux
um dia sou matéria
outro dia sou espírito
um dia como carne
noutro dia bebo o sol

às vezes flutuo nas nuvens
os anjos beliscam minha bunda
outras vezes atolo-me no mangue
os caranguejos beliscam–me o calcanhar
que nem é de Aquiles

sou assim
cheia de fases
oscilante e dividida
entre o néctar dos deuses
e o feijão com arroz dos homens

mas...prefiro os dois.

ALCEBÍADES BARCELOS- Por Norma Hauer



Ele nasceu em Niterói no dia 25 de julho de 1902 e faleceu em 18 de março de 1975.

Já aos seis anos veio com sua família para o Rio indo residir no Estácio onde viveu a maior parte de sua vida.

Exerceu o ofício de sapateiro até incorporar-se aos sambistas do Estácio, dentre eles Ismael Silva, Brancura, Baiaco e, depois, Benedito Lacerda. À exceção de Benedito, os sambistas do Estácio fundaram, em 1928, a primeira escola de samba, dando-lhe o nome de "Deixa Falar".

Já nesse mesmo ano, teve sua primeira composição ("A Malandragem") gravada por Francisco Alves, que fez constar da etiqueta do disco apenas seu nome como autor, o que ele não era

. Francisco Alves procurava os compositores do morro, como Ismael Silva e, neste caso, Alcebíades Barcelos propondo gravar seus sambas, participando como co-autor. No caso de "A Malandragem" o nome de Alcebíades Barcelos só constou da partitura musical. Eles aceitavam porque Chico Alves já era um nome conhecido, com várias gravações, e o pessoal dos morros não teria oportunidade de gravar naquela época.

Em 1932 a "Deixa Falar" desfilou pela primeira vez no carnaval com suas músicas "O Meu Segredo" e "Rir para não chorar".
Em 1934 já existiam outras escolas e Alcebíades Barcelos passou a desfilar pela "Recreio de Ramos".

Foi nesse ano que sua primeira música com Armando Marçal, formando a dupla Bide-Marçal "estourou" no carnaval e ainda hoje é conhecida, tendo sido regravada por vários intérpretes: 'AGORA É CINZA".
Foi Alcebíades Barcelos quem "descobriu" Ataúlfo Alves, com ele compondo"Você não sabe, Amor", uma das primeiras gravações de Carlos Galhardo.

A dupla Bide e Marçal gravou com todos os cantores da fase de ouro do rádio, como Galhardo, Francisco Alves, Orlando Silva, Sílvio Caldas, Mário Reis...
Compôs, normalmente, até o início dos anos 60, quando se aposentou, afastando-se de suas atividades. Em 1967 deu um depoimento no Museu da Imagem e do Som, registrando sua passagem por nossa música.

AGORA É CINZA


Autores:Alcebíades Barcelos e Armando Marçal

Gravação original de Mário Reis.


Você partiu, saudade me deixou

Eu chorei.

O nosso amor foi uma chama

Que o sopro do passado desfaz,

Agora é cinza

Tudo acabado e nada mais.


Você partiu de madrugada

E não me disse nada

Isso não se faz.

Me deixou cheio de saudade e paixão

Eu me conformo com a sua ingratidão.


Agora, desfeito o nosso amor

Eu vou chorar de dor

Não posso esquecer.

Vou viver distante de seus olhos, oh querida

Não me deu um adeus por despedida.


Mais uma letra de Alcebíades Barcelos:


O PALHAÇO O QUE É?

Gravação de Carlos Galhardo para o carnaval de 1937


O palhaço está na rua e vem anunciar

Que o Rei Momo já chegou

E é hora de brincar

Este ano vamos ter variedade

Vai ser um barulho na cidade


Hoje tem marmelada?

Tem sim senhor.

Hoje tem goiabada?

Tem sim senhor.

O palhaço o que é?

É ladrão de mulher.


Apesar de ter conhecido grandes sucessos em sua carreira , em 1973 deixou o Estácio, vindo a falecer dois anos depois, no dia 18 de matço de 1975, cego e paralítico.


Norma

ANTONIO MARIA- Por Norma Hauer


Foi a 17 de março de 1921 que nasceu, em Recife, o cronista, locutor esportivo, produtor de rádio e compositor Antônio Maria Araújo de Morais, que se tornou conhecido como ANTÔNIO MARIA.,
Bem jovem, aos 17 anos, já fazia produções musicais na Rádio Clube de Pernambuco, mas aos 19 “pegou um ita no norte e veio ao Rio morar”, onde residiu em um conhecido edifício da Cinelândia, em que já moravam Fernando Lobo e Abelardo Barbosa (o Chacrinha).
Apesar dessa proximidade e de trabalhar como locutor esportivo da Rádio Ipanema, não se deu bem, passou necessidades e resolveu regressar a Recife, indo depois para Fortaleza, onde trabalhou na Rádio Clube do Ceará.
Ainda ali não se fixou, indo para Salvador trabalhar nas emissoras associadas , regressando, definitivamente ao Rio, para trabalhar na Rádio Tupi e depois na TV Tupi, quando de sua inauguração em janeiro de 1951. Na mesma época passou a fazer crônicas para o matutino “O Jornal”, onde permaneceu por 15 anos.
Em 1952 ingressou na Rádio Mayrink Veiga contratado com um alto salário, devido à influência do então Presidente Vargas, a quem ajudara na campanha política para seu regresso ao governo em 1951. Seria corrupção???
Mas foi de grande importância para a recuperação da emissora, que sofrera em 1948, com a ida de seus principais artistas para a Rádio Nacional, Carlos Galhardo, inclusive.
Na mesma época produziu alguns jingles” como aquele que dizia:
A criança acordou,
Dorme, dorme filhinha.
Tudo calmo ficou
Mamãe tem Aurissedina”

E se tornou bastante conhecido quando Nora Ney gravou “Ninguém me Ama” e “Menino Grande”. Depois surgiram “Valsa de Uma Cidade”; “Se eu Morresse Amanhã” e inúmeros outros quando fez parceria com Fernando Lobo, Zé da Zilda, Vinícius de Morais...
Antônio Maria tinha uma cardiopatia inata e, depois de um infarto fulminante, faleceu em 15 de outubro de 1964, com apenas 43 anos.

Norma

César Guerra-Peixe




César Guerra-Peixe (Petrópolis, 18 de março de 1914 — Rio de Janeiro, 26 de novembro de 1993) foi um compositor brasileiro, filho de imigrantes portugueses de origem cigana.

Bem-bolados




INGREDIENTES
120 g de manteiga derretida
225 g de açúcar refinado
2 ovos
1 ½ colher (chá) de essência de baunilha
170 ml de iogurte natural
210 g de farinha de trigo
2 ¼ colher (chá) de fermento em pó
Uma pitada de sal
150g de nozes moídas

1 lata de leite condensado cozido

MODO DE PREPARO
Cozinhe a lata de leite condensado por 40 minutos na panela de pressão. Retire e espere esfriar antes de abrir.
Pré-aqueça o forno a 180ºC e prepare as forminhas de muffin forrando-as com formas de papel. Numa tigela, peneire juntos o açúcar, a farinha de trigo, o fermento e uma pitada de sal, misturando bem. Junte as nozes moídas e reserve.
Numa outra tigela, misture bem a manteiga derretida, os 2 ovos batidos e o iogurte (use um fouet). Adicione a mistura líquida aos ingredientes secos, mexendo com um garfo apenas para incorporar. Deite a massa nas forminhas e asse por aproximadamente 25 minutos.
Depois de frios, recheie-os  com o doce de leite.

Cobertura


Receita de Fondant CaseiroIngredientes:

500 gramas de açúcar de confeiteiro
½ xícara de leite
1 colher (de chá) de manteiga sem sal
Adicionar, se gostar, gotas de Rum.

Modo de preparo:

Em um refratário, junte a manteiga e o leite e leve ao banho-maria, depois vá acrescentando o açúcar de confeiteiro e mexendo sempre, cozinhe por 10 minutos ou até que fique líquido. 
Cubra os bolinhos com a massa morna.

Dicas:

Guarde na geladeira por até 2 meses.
Na hora de usar, basta aquecer em banho-maria e cobrir os doces ou o bolo com a massa morna.
Depois de pronto, o fondant não pode ser aquecido em excesso; no máximo amornado o suficiente para ficar mole.

* Ontem, comi na casa de uma amiga , um bolinho como os bem-casados. Ela os trouxe da Argentina, e lá são feitos com uma massa especial: alfarroba.Cismei em experimentar fazer algo parecido, pesquisei  na net, vou utilizar esta combinação, e na sequência, outras mais, até chegar ao paladar  memorizado.
Gosto de fazer laborátorio na cozinha.
socorro moreira

Frigideira de Falso Siri- Colaboração de Dona Almina Arraes



Rala um repolho bem fininho e cozinha com água ,sal e fios de óleo.
Escorra.
Faça um refogado, no azeite, com cebola, pimentão,tomate(tudo bem picadinho) !
Depois do refogado coloca um xícara de coco ralado ( fino) e cheiro verde .
Unta um pirex, coloca o recheio, cubra com uma garrafinha de leite de coco.
Bata 2 claras em neve, uma pitada de sal, as gemas,  despeja por cima, e leva ao forno .
Decora com rodelas de pimentão, tomate e azeitonas.

( Receita da Irmã Gabriella)


Só pode ser uma delícia! 
Vantagem: alimento vegetariano.
Aposto no facultativo: adição de peixes, mariscos, crustáceos, etc.
Quem gosta de alimentos apimentados, pode usar a pimenta ,com ou sem moderação.
Ótima sugestão para  tempo da Quaresma.


A exemplo de Dona Almina, enviem-nos receitas simples e especiais. 
Dizem que não existe poeta de barriga cheia, mas que saco furado não fica em pé.
Eu  acrescento um dito:"Comer é a alegria do Zen"!
(socorro moreira)




Mutantes, nas metades...
Nos fixos, eternizados!

Estive pela bola sete:
O giz fugiu
A cerveja esquentou
Meu taco quebrou
Um tiro se ouviu...
Fogos de artifício?

(socorro moreira)

Versos desconectados- socorro moreira


Sou um cisco, no canal dos seus olhos.
Sopra-me ou incorpora-me?

Dia reflexivo.
Aí você chegou
quebrando o meu sigilo

Nada a lamentar
Fico onde estou...
Aceita um licor?

Tudo grave,
acaba despencando do céu
Não quero chuva de afetos...
Quero um pingo!



Todo plano é flexível
Sem vontades explícitas
É secreto o que brota,
em toda palavra dita .

- Labirintos  -
 Neles me perco, e
 acabo saindo pelos buracos de cima

(socorro moreira) 





Não quero a posse
Desejo apenas
Um cruzar dos olhos

Cruzar implica em bordar:
Perigo, pergaminho, linho...

(socorro moreira) 



 


Dono dos meus olhos- socorro moreira





Por que me escondes o olhar?


Um olhar que esconde,


Esconde algum...


Fica claro,


como o sol é forte.


E as luas?

- Sedutoras!

Nunca ofuscam...

Convivem com as estrelas

Embelezam um céu-

-Seus escuros!

Insônia poética- socorro moreira




Esperando o sono chegar...
Entro aqui, entro acolá.
Espio o mundo da varanda
Só um pedaço do céu
Me espreita de lá

E hoje?
Entrei ouvindo Fátima Guedes,
e me derreti toda,
com essa voz de quem comeu sapotis.

Vamos parar, no coreto da Praça?
Esperar a banda passar,
a boemia voltar ...
Hoje eu queria cantar.
Dançar com os olhos
Até madrugada chegar
Não trouxe café...
Faltou pó
Trouxe doce de buriti
Uma caneca, e quartinha.

Pensamento para o Dia 18/03/2011


“Quando falhas são encontradas em alguém, você concluirá que existem deficiências em seu comportamento, isso é tudo. Não conclua que não há um Atma Divino nele. Como resultado da companhia que ele preservou ou da ineficiência da sociedade na qual ele cresceu, as falhas surgiram nele. Elas não são nativas de sua natureza, que é do Atma. Você deve fornecer-lhe boa companhia e ambiente benéfico e persuadi-lo a associar-se a eles. Você não deveria, de nenhum modo, condená-lo como um incorrigível de nascença e mantê-lo afastado.”
Sathya Sai Baba

SIDERAL - por Stela Siebra

Os signos opostos se complementam

Na postagem que fiz ontem sobre signos, Socorro Moreira fez um comentário/pergunta sobre a complementariedade de Virgem e Peixes. Trago agora uma pequena reflexão, que poderei complementar com outra postagem sobre o tema, aprofundando um pouquinho mais.

Socorro:

Claro que existe uma conexão entre o signo de Virgem e o de Peixes, pois são opostos, portanto se complementam.
Virgem vê o detalhe; Peixes vê o todo.
Virgem trabalha; Peixes contempla.
Virgem analisa e critica; Peixes acolhe, absorve.
Virgem organiza e elabora; Peixes dança, pinta,compõe uma música.

Cada signo tem um signo oposto, que o complementa, são opostos que se abraçam.
E nós temos todos os signos no mapa astrológico de nascimento, alguns mais enfatizados e, portanto, mais reveladores de quem somos, das nossas possibilidades, dons, dificuldades a enfrentar e superar.
A Astrologia é um caminho de autoconhecimento.

Abraços estrelares
stela