por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



terça-feira, 29 de maio de 2012

VEJA x MENDES: Rota de colisão ??? - José Nilton Mariano Saraiva

Sobre o senhor Gilmar Ferreira Mendes o que se sabe, porquanto vastamente divulgado pela mídia, é que, mesmo sem ter exercido a magistratura (nunca passou num concurso pra Juiz), foi guindado, por indicação do amigo e então Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, à condição de Ministro do Supremo Tribunal Federal, após rápida passagem pela Advocacia Geral da União.

Se tinha ou não condição “técnica” de dá de conta do recado, pairava uma certa desconfiança, exatamente porque um dos pre-requisitos para o exercício da função seria o “notório saber jurídico”, que nunca pode ser testado e comprovado (afinal, aquela “sabatina” modorrenta e cheia de conveniência no Congresso Nacional, pela qual passam todos os “indicados”, não passa mesmo de jogo de cartas marcadas).

Fato é que, após sentar no “trono”, sua excelência deu-se à prática de declarações extemporâneas, atos e decisões que até os próprios colegas do STF teriam dúvida em compatilhar, tanto no tocante à relação profissional quanto ao comportamento na vida particular.

Profissionalmente, por exemplo, dentre as “n” intervenções questionáveis do próprio, causou espécie e foi objeto de azedas críticas nas diversas áreas e instâncias jurídicas a sua decisão de, em atropelando como um trator desembestado os ritos processualísticos, “desmoralizar” publicamente toda a categoria e principalmente o Juiz Federal Fausto Martin de Sancttis, ao conceder num mesmo dia dois “hábeas-corpus” para tirar da prisão o banqueiro-bandido Daniel Dantas (a “trôco de quê”, é a pergunta que nunca foi respondida; ou alguém acredita mesmo que não existe algo por trás).

Já no campo privado, sua excelência é citado como sendo um dos proprietários do IBDP-Instituto Brasiliense de Direito Público, instituição educacional brasileira, fundada em Brasília em 1998 (governo FHC), que oferece cursos, presenciais e on-line, de pós-graduação, extensão e mestrado na área do Direito. Só que com um enorme diferencial em relação às demais escolas do gênero: entre os professores do IBDP estão mestres e doutores que atuam no cenário jurídico brasileiro, dentre os quais os seus colegas do Supremo Tribunal Fedeal: Eros Roberto Grau, Marco Aurélio Mendes de Faria Mello, Carlos Ayres Britto, Carlos Alberto Menezes Direito, Nelson Jobim e a senhora Cármen Lúcia Antunes Rocha; ou seja, alguns dos Ministros do Supremo também são funcionários, empregados, prestadores de serviço ou contratados, seja lá como possa ser definida legalmente a relação deles com o IBDP, do ex-Presidente do Supremo.
No mais, sabe-se que, íntimo do senador Demóstenes Torres, sua excelência teria, num passado não muito distante, viajado para a Alemanha em companhia do próprio, existindo a suspeita de que a farra/passeio tenha sido bancada pelo marginal-contraventor Carlos Cachoeira, que teria interesses a tratar com a dupla (longe do Brasil pra eliminar suspeitas).
Gilmar Ferreira Mendes parece ter esquecido (ou sua soberba e arrogância não o deixam enxergar) é que, na posição a que chegou “...não basta ser honesto, é preciso também parecer”. E, pelo andar da carruagem, aí ele não atenderia a nenhum dos requisitos.
Já no que se refere à acusação de que teria sofrido pressão do ex-presidente Lula da Silva sobre a conveniência de usar seu prestígio junto aos seus pares para postergar o julgamento do tal “mensalão” (formalmente desmentida por Nelson Jobim, presente à reunião), aí credite-se à má fé e a desonestidade do panfleto conhecido por Revista VEJA (tudo indica que o Gilmar Mendes não disse o que a VEJA disse que ele disse).     

Alguns escritos poéticos - Maio/20012


aconchego dos teus versos 
Como sustância do dia 
Injetei o sabor da tua melodia 
Nas veias borbulhantes que me destes 
Do riso que tirastes da face seca 
Fez tambor para batucar 
em olhinhos
Chuvosos de alegria
Cantoria de terreiro 
Brotando poesia 
Alumiando o destino guerreiro. 

Alexandre Lucas 

E o vento veio forte 
Como que quisesse me abraça a terra 
o sonho acelerou o medo 
disse que era Oxossi 
com a força da floresta 
nem sei o que é Oxossi 
mas sei que é diferente de oxe
no meio da madrugada tua voz foi minha água 
minha massagem de alma 
e a musica de ninar
que faz o sonho chegar. 

Alexandre Lucas 

Escolhi quebrar as estruturas 
E estourar as bolhas 
Nas quais eu me guardava 
Dançar com o fogo 
Para ressuscitar a alma 
Visitar os bosques 
Conhecer os cheiros 
E apreciar as estéticas florais 
Aprender com o toque que afaga 
E com a distância que aperta. 

Alexandre Lucas

Nega-índia 
Mestiça 
Misturada de saberes 
Mandingueira e caboclinha 
Meu rosário, cobertor e linha 
Frivião de carinhos 
Alimento de ternura 
Cultivo de culturas 
Alinhamentos
Que fazem ninhos. 

Alexandre Lucas 

Quando a saudade bate 
E o desejo sacode a alma 
Emendo a distância com a presença da lembrança 
E monto no lombo das palavras 
Para chegar de longe 
Como sino de capela 
Subtraio os dedos para encurtar os dias
Para nos fazemos jardim poesia. 

Alexandre Lucas

O café chegou cedinho 
Adoçado com doce de palavras
Com gosto de abraço quentinho 
Veio na ginga angolana 
com faca amolada 
para fechar o corpo 
e abrir a encruzilhada 

Alexandre Lucas 

Entre rios e mares
Somos águas
Que se fazem versos 
Para professar desejos 
Levamos pedras e desfazemos barreiras 
para recompomos o nosso itinerário
que deve ter o cheirinho do aconchego de criança 
e os batuques de um sonho libertário. 

Alexandre Lucas

O poema vida 
Embrulhou-se nos lençóis de sonhos
Fez vinda e ida 
Fez trincheira e guarita 
Saiu pedalando sobre as nuvens 
E dançando coco em cima do sol
O poema vida é assim mesmo 
Andarilho e guerreiro 
Traquino, inesperado
Que sai dobrando vidro 
e perfumando os caminhos com lavanda de primavera.

Alexandre Lucas

Que venha a guerrilheira com seus molotovs de ternura 
Com sua artilharia de revolução 
Com seu traquejo assanhado 
Com seu batuque afinado 
Para festejar o coração 
Que venha de Catirina
Para brincar no terreiro
E levantar purina
Que venha com asas libertárias
Para debulhar os céus
E cambalhotear 
Num mar e sacolejar os véus. 

Alexandre Lucas

O poeta joga a parede de concreto 
Cacos, traços e poeira se espalham 
E a alfaia anuncia a morte adulterada da verdade
E a poesia se refaz assanhada e doce
Inquieta e guardiã 
Nas brechas do asfalto do coração 
Brota cheiro, flor e canção 
Cumplicidade, lealdade e liberdade 
E um jarrinho de saudade
Esperando o calor do teu compasso 
E a água do teu abraço. 

Alexandre Lucas

Estou em dilúvio de ternura
Saciando  da maça de uma nova aurora
Compondo mistura
Num guisado instigado
De um tempero aprovado 
Com perfume encantado
Sigo alumiado
O rastro enfeitiçado
Que me embrulha para os teus braços.

Alexandre Lucas   

Rasgo-me de felicidade 
Quando tem tempestade de flores
E frutos de palavras doces 
Nado como golfinho 
Nos teus mares de prazer 
Trago o teu cheiro impregnado nos meus sonhos
e o teu olhar massageando o meu. 

Alexandre Lucas

Queria um buquê de mãos
Para cheirar e sentir 
A companhia catirina e companheira 
O gingado de olhos 
E o canto indecifrável de prazer
Depois queria o aconchego da luta, 
O carinho das palavras 
e um carrossel de sonhos. 

Alexandre Lucas

Teus versos
Engatilharam tiros
E dispararam sabores
E atrevido
Coloquei-me estendido
No centro do alvo
Intensamente aberto
Prazerosamente perfurável
E coloridamente florido
Para receber o alvejar das tuas balas
E o despertar de um coração adormecido.   

Alexandre Lucas

E as roupas se espalharam
Enquanto os  corpos se unificavam
E  mãos se transbordavam em tochas de prazer
Tecendo orações e ladainhas de desejos
Em louvor  de santa Eva
A bendita pecadora
Dos infinitos livramentos
 que com sua boca deliciosa
nos ensinou todos os  mandamentos.

Alexandre Lucas 

O meu tempero tem gostinho
De sabor irreconhecível
Tem cheiro de floresta
 e som de neblina, cantoria de trovão.
Tem feitiço, mandinga e revolução
Tem o preparo em panela de nuvens
Para ninar a alma com versinhos de céus.

Alexandre Lucas

O artista toca fogo no sol
Incendeia os mares 
Desenha uma maçã, pinta de azul e come
Veste um paletó de nudez 
E arregalas os olhos 
Escancara desesperadamente um sorriso
Faz cara de triste
Senta no vaso sanitário e canta alegremente 
Toma banho de chocolate 
Acorrenta-se com um rosário
e diz isso não é normal. 

Alexandre Lucas

Perseguirei os sonhos 
De jeito intenso 
Como os raios solares
Buscarei atingir a lua 
E o brilho caleidoscópico das estrelas 
Hoje sou fábrica de desejos
Fabrico a vida 
Com o toque dos nossos sonhos

Alexandre Lucas

Queria um buquê de mãos
Para cheirar e sentir 
A companhia catirina e companheira 
O gingado de olhos 
E o canto indecifrável de prazer
Depois queria o aconchego da luta, 
O carinho das palavras 
e um carrossel de sonhos. 

Alexandre Lucas

Nega dos maracás e das alfaias 
dos tambores encantados 
que benze meus desejos 
com teus acalentos sonoros 
meu som avexado 
e meu canto de ninar
Mulher dos toques e batuques
Que faz meu pensamento dançar... 

Alexandre Lucas
  

Gilmar Incendeia Sentimentos? - José do Vale Pinheiro Feitosa

Menos pessoal. Menos. Não precisa odiar o Lula só por ele ter levado pobres para as gôndolas dos supermercados. Por não ter mais aquela mão-de-obra por um prato de comida ou uma camisa de segunda. Não precisa achar que o PT é o último ato da política e que depois dele só uma nova ditadura.
A democracia é para todos e mesmo que coloquemos as opiniões individuais sobre o conjunto da sociedade, não precisa se tornar uma falange perseguindo quem pensa diferente. O vírus do golpe e da violência está aninhado em alguns corações. É a minoria, mas é preciso reconhecer que ela existe.

Por exemplo, hoje há um discurso hegemônico nos editorais das grandes corporações de comunicação, mas simultaneamente nas redes sociais e nos blogs o debate flui de modo plural. Alguns com muito desrespeito e mais virulência do que ideias, mas o conteúdo maior é a pluralidade.

Então vou dar uma opinião. Quem puder que leia a íntegra da entrevista dada ontem em Manaus pelo Ministro Gilmar Mendes do STF. Em momento algum ele afirma ter Lula o chantageado e pedido o adiamento do Mensalão como saiu na reportagem da Veja. Ao contar a ocorrência das conversas com Lula a versão dele é muito mais de conclusões próprias do teor das conversas do que propriamente um fala do ex-presidente.

Fica evidente na reportagem da revista Veja que Gilmar Mendes estava convicto que alguma ameaça recaia sobre ele por conta da sua proximidade com Cachoeira a partir da relação dele com Demóstenes. O teor da Veja é um surto persecutório do Ministro e a entrevista de ontem uma fabulação sobre a conversa que teve com Lula.

Ainda não dei opinião, mas agora vou. O Gilmar Mendes será um Ministro impedido no julgamento do Mensalão. Ele já anunciou o seu voto na matéria da Veja e na entrevista. Ele até editorou o julgamento que dará. Se existe alguém de bom senso entre os processados vai entrar com esta questão no STF.  
   
Por último sobre o Estado Policial que ele denuncia. Ele pode até citar procedimentos incorretos e pedir punição para quem os pratica. Não pode é negar a investigação para subsidiar o julgamento do Poder Judiciário quando apresenta ilações sem qualificar os eventos. Por exemplo, a magistratura não invalidou a Operação Sathiagraha que decorreu de uma investigação? Muitos brasileiros não gostaram desta decisão, mas continua valendo, comprovando que estamos num Estado de Direito Democrático.

Sem investigação policial estamos retornando ao Estado Monárquico em que o juiz é a mesmo tempo senhor do antes, do agora e do depois.   



Porque acho que não devo fazer exercícios físicos – por José Almino Pinheiro

 Há pouco tempo precisei fazer a renovação da carteira de habilitação. Além dos exames de saúde em geral, como os de vista, pressão sanguínea, me deparei com a exigência de fazer um exame estranho: o da bicicleta ergométrica! Me recusei a fazer tal disparate e, claro, seria reprovado. O cardiologista, curioso, provocou-me, queria saber as razões da minha recusa já que pagaria preço tão alto, ficando impedido de dirigir carros. Afirmei que o motivo era simples, queria viver muito! Minha família é de longevos, nenhum deles atleta. Disse também que acreditava em Darwin, e nas leis de Deus, já que foi o criador da natureza. Leis que por sinal ainda não foram revogadas, não ia desobedecê-las, não ia pôr em risco essa oportunidade hereditária. Lembrei que os próprios médicos prescrevem repouso e não exercícios para doentes. A internet está cheia de argumentos sérios e brincadeiras a respeito do assunto. Disse que acreditava e considerava os mais sensatos. Comentei que animais em geral não fazem exercícios, apenas no começo da vida treinam e exercitam movimentos e técnicas necessárias à sua sobrevivência.

Na natureza, excluindo seus predadores, o esforço físico que os animais realizam, desprendendo enorme quantidade de energia na obtenção de alimentos, faz com que, geralmente, vivam pouco em relação aos mesmos similares nos zoológicos. Os animais que vivem nos zoos de primeira linha, não precisam se preocupar com alimentos. Desfrutam de alimentação adequadamente balanceada por especialistas e possuem planos de saúde integral, vivem em média o dobro dos seus irmãos que se exercitam livremente nas florestas. Nunca ouvi falar, nem nunca vi, animais fazendo algo parecido com malhação, Cooper ou outro tipo de correria ou andanças, ao contrário, quando comem bem vão dormir. Não são loucos de gastar energia a toda hora a troco de nada. É uma das leis básicas da natureza em ação: a lei da conservação da energia. Lei apresentada pela primeira vez, em 1842, pelo Dr. Julius Robert Mayer que disse o seguinte: "Quando uma quantidade de energia de qualquer natureza desaparece numa transformação, então se produz uma quantidade igual em grandeza de uma energia de outra natureza”. O físico Max Planck em 1887 demonstrou o conceito de forma mais compreensível: “A energia total (mecânica e não mecânica) de um sistema isolado, um sistema que não troca matéria e/ou energia com o exterior, mantém-se constante”. O problema é que o nosso corpo não é um sistema fechado, portanto a energia duramente adquirida nos processos digestivos é liberada principalmente pelo calor gerado pela necessidade de nos manter vivos. A liberação dessa energia afeta diretamente a massa envolvida. O balanço energético dos seres vivos é negativo. Se o corpo libera energia e dejetos, não é um sistema fechado, significa que a massa do corpo e seus mecanismos vão para o beleléu.

Na Bíblia quase não há referências diretas a exercícios físicos, talvez a mais famosa passagem seja a de Timóteo 1 4:8 que nos informa: “Pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser”. Não condena, apenas desqualifica, o que nos faz pensar que, dito por Paulo e citado na Bíblia, passa a ser uma grande negativa ao exercício físico. Claro que naquela época todo mundo caminhava muito, o que pode ser enquadrado como parte da necessidade de sobrevivência. Nos escritos antigos as referências que encontrei a exercícios físicos, quase sempre fica para lutadores, gladiadores ou artistas de circo, esses além de minorias, morriam cedo. Os soldados comuns dos exércitos da antiguidade, geralmente eram agricultores convocados  na zona rural. Porque então essa loucura de malhação, corridas, academias? Fico admirado em ver multidões fantasiadas de atletas, suando nas academias e correndo por ai. Mas logo depois se enchem de picanhas, sanduíches e pizzas tais. As multinacionais de equipamento esportivo agradecem. Nunca dizem o óbvio: só se engorda ou emagrece pela boca.

No final, recebi o diagnóstico com restrições e severo acompanhamento da pressão arterial, e com ele a carteira de habilitação renovada.  

Recife, 23 de maio de 2012 




segunda-feira, 28 de maio de 2012

A República Arde - José do Vale Pinheiro Feitosa

Nesse final de semana o incêndio entre oposição e situação entrou em labaredas francas. A composição da oposição tem um ator principal formado pelos grupos Abril da revista Veja, o Estado de São Paulo, o grupo Folha e o sistema Globo de Comunicação e alguns atores secundário como o PSDB e o DEM. A situação tem a enorme força do Governo e de uma Presidenta com apoio popular, o PT e um grupo fluido de partidos que se alinham a qualquer governo. 

Ora isso na democracia é assim mesmo, um grupo ataca, o outro contra-ataque, o debate acontece, a sociedade se mobiliza e em boa situação de temperatura e pressão o debate evolui para um patamar superior. Isso tem sido a principal mecânica das democracias modernas e é tudo que ela oferece de superior a qualquer outro regime. 

Aqui no Brasil a mecânica não tem sido diferente só que as posições estão se acirrando. O que antes seria o jogo entre oposição e situação mudou de tom com as declarações de Gilmar Mendes, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, para a revista Veja nesse fim de semana. Lula hoje é um cidadão comum não tem cargo nenhum a perder, mas tem uma posição política sui generis no país e até mesmo no cenário mundial. É um dos líderes mundiais desta década. 

Não sei como vocês tomaram conhecimento do assunto, mas até onde cheguei parecia que o encontro entre Lula e Gilmar Mendes tinha acabado de acontecer e ele de tão indignado correu para páginas oposicionistas. Mas que nada. O fato se deu há um mês passado, está posto em cheque pois a testemunha do encontro, Nelson Jobim nega o que Gilmar disse. 

Realmente os grupos de mídia oposicionistas falam muito mal da situação da Venezuela, mas passaram para um patamar de conflito unilateral uma vez que por aqui não tem nenhuma liderança como Chávez provocando em resposta e se dirigindo diretamente ao povo. A posição unilateral da mídia, ocupando o espaço político dos partidos, ao invés de tratar da notícia, levou o debate político necessariamente para ela. 

A revista Veja está sob observação da CPMI, assim com a revista Época da Globo e atiram em resposta com toda virulência que extraíram da unilateralidade política do seu comportamento. Ao invés de discutir a sociedade, a politica, o governo e a economia querem liderar uma visão de mundo que sirva aos seus próprios interesses. Se afastando do ambiente público se tornam parte da disputa. Espera-se que a CPMI radicalize suas posições de ambos os lados nesta semana. 

Não se sabe ainda onde vai parar, mas já ficou nítido nesta semana que o tais grupos de comunicação pretendem criar uma barafunda pública a ponto de melar a CPMI. Isso comprova que a verdade fática parece se encontrar na investigação da Polícia Federal sobre o caso Cachoeira. E esta verdade é que os grupos de comunicação ultrapassaram todas as regras da conveniência política e pública. Sujaram a democracia.

domingo, 27 de maio de 2012

Por que mudou ??? Mudou por quê ??? - José Nilton Mariano Saraiva

"NÃO HÁ COMO DAR PERDÃO A CACHOEIRA PORQUE A LEI EXIGE QUE O RÉU, PARA QUEM SE PROPÕE O PERDÃO, TENHA COLABORADO NO DESVENDAMENTO DA CAUSA” (Márcio Thomaz Bastos, em 2004, quando ministro da Justiça, no escândalo Waldomiro Diniz).
*******************
Hoje, o Márcio Thomaz Bastos figura como o principal defensor do Cachoeira, de quem receberá “apenas” 18 (dezoito) milhões de reais(dinheiro da contravenção, não nos esqueçamos). Prá você, aí do outro lado da telinha, quem mudou: o Cachoeira ou mudou o Thomaz Bastos ??? Todo homem tem mesmo seu preço ???

Onde vamos parar ??? - José Nilton Mariano Saraiva

Se alguém tinha dúvida a respeito da "periculosidade" do tal Cachoeira, taí mais uma denúncia (abaixo) - seríssima - de alguém da credibilidade de um Luis Nassif. E, agora, revelando sem nenhum receio, a participação desassombrada, no "esquema" criminoso, de ninguem menos que um ministro do Supremo Tribunal Federal, o arrogante Gilmar Mendes. 
Agora, reflitam sobre o perigo que nos rondou(a): uma revista de circulaçao nacional (VEJA), a principal rede de televisão do país (GLOBO), um jornal com uma certa tiragem (Folha de São Paulo), um ministro do STF (Gilmar Mendes), um senador da república (Demóstenes Torres), todos a serviço e comandados por um marginal abusado (Carlos Cachoeira) disposto a pagar qualquer preço (com dinheiro da contravenção) a fim de derrubar um governo democraticamente constituído,  a fim de colocar os integrantes da sua quadrilha em postos chaves da nação (lembremo-nos que ao Demóstenes Torres já estava prometido uma vaga no Supremo). E agora um reforço de peso foi contratado a peso de ouro, com o dinheiro da contravenção: o ex-ministro do governo - Marcio Thomaz Bastoso. 
E o pior é que, quando chamados a depor numa CPI, os "coitadinhos" se valem e se escudam na própria Constituição Federal, a fim de se manterem calados. 
A quem recorrer, se até o Poder Judiciário já mostrou se achar contaminado ??? Onde vamos parar ???

José Nilton Mariano Saraiva 



À medida em que as peças do quebra-cabeça Cachoeira vão se juntando, vislumbra-se um quadro inédito na história do país. Tão inédito que ainda não caiu a ficha de parte relevante da opinião pública e, especialmente, do Judiciário. O desenho que se monta é uma conspiração contra o Estado brasileiro (não contra o governo Lula, especificamente), através de três vértices principais.
Havia o chefe de quadrilha Carlinhos Cachoeira. Sua principal arma era a capacidade de plantar matérias e escândalos, falsos ou verdadeiros, na revista Veja – o outro elo da corrente.
Durante algum tempo, graças ao Ministro Gilmar Mendes, seu principal operador – o araponga Jairo Martins – monitorou o sistema de telefonia do Supremo. E Cachoeira dispunha da revista Veja para escandalizar qualquer conversa, fuzilar qualquer reputação.
Essa é a conclusão objetiva dos fatos revelados até agora.
O que não se sabe é a extensão das gravações. Veja demonstrou em várias matérias – especialmente no caso Opportunity – seu poder de atacar magistrados que votavam contra as causas bancadas pela revista.
A falta de discernimento das denúncias, o fato da revista escandalizar qualquer conversa, a perspectiva de virar capa em uma nova denúncia da revista, seria capaz de intimidar o magistrado mais sólido.
A dúvida que fica: qual a extensão das conversas do STF monitoradas e gravadas por Jairo? Que Ministros podem ter sido submetidos a ameaças de denúncia e/ou constrangimento?
Gilmar colocou a mais alta Corte do país ao alcance de um bicheiro.

Um som guardado/quebrado


Uma linha na mão
Um traço no chão
Caminhar e prosseguir
Depois de tanto cair
Um sonho a viver
E por fim morrer
Se a flor não desabrochou
É porque algo faltou
Ferimento por dentro
Irá cicatrizar em um novo momento
Rosemary Borges Xavier

Tristeza do Zé – Zé Miguel Wisnik / Luiz Tatit


Tristeza do Zé – Zé Miguel Wisnik / Luiz Tatit

"Melodia de inspiração sertaneja que eu passei para o Luiz Tatit já com os dois versos iniciais e com o título, brincando com a 'Tristeza do Jeca' de Angelino de Oliveira. A letra foi sendo feita num diálogo entre partes de um e partes de outro." (Zé Miguel Wisnik)

 ‘té que foi tão bom fugir e te esquecer
não saber mais nem notícia de você
com a tristeza consegui me entender
com a saudade conviver
e com a dor não me doer

mas aos poucos tive que reconhecer
que a tristeza não parava de crescer
tomou conta da cidade e do país
tudo que é melancolia
dizem que fui eu que fiz

é só chorar
em palmas, teresina ou jequié
já vão avisar
que a origem é a tristeza lá do zé

já não quero nem lembrar que te esqueci
não sabia que a tristeza era assim
que ela segue seu caminho até sem mim
não tem pouso nem tem fim
se deixar vai invadir

evitar de se espalhar bem que tentei
mas também não é só comigo, eu reparei
a tristeza é todo mundo e é de ninguém
a tristeza ‘tá no fundo
da tristeza eu sou o rei

chorar chorar
no crato, em cachoeiro e macaé
já vão avisar
que a origem é a tristeza lá do zé

já não quero nem lembrar que te esqueci
não sabia que a tristeza era assim
que ela segue seu caminho até sem mim
não tem pouso nem tem fim
se deixar vai invadir

evitar de se espalhar bem que tentei
mas também não é só comigo, eu reparei
a tristeza é todo mundo e é de ninguém
a tristeza ‘tá no fundo
da tristeza eu sou o rei

então valeu
brasília diamantina e taubaté
canção leva eu
vem nas asas da tristeza quem quiser
matão belém
são paulo maringá chuí bagé
canção leva eu
vem nas asas da tristeza quem quiser
vem nas asas da tristeza quem quiser
vem nas asas da tristeza azul do zé

Zé Miguel Wisnik / Luiz Tatit

sábado, 26 de maio de 2012

Recordações- por Ignês Olivieri



Estava eu sem fazer nada em casa nessas férias e então resolvi visitar com alma de saudosista o bairro onde passamos parte da nossa infância, o Engenho de Dentro.

Peguei o ônibus 606 e como não pago passagem fica mais "prazeiroso" o passeio. Desci em frente ao Super Mercado Guanabara que eu não conhecia ainda e fiz algumas comprinhas leves (mulher adora supermercados). Como fica quase no começo da Rua Adolfo Bergamini, perto da linha do trem, resolvi voltar a pé para recordar um pouco e voltar a ver a casa onde morávamos, número 275.

Há alguns anos estive lá como já lhe contei e ela era uma escolinha. Entrei e visitei a casa onde alguns cômodos, como os quartos, eram salas de aula. Era tudo bem conservado, quase sem modificações, até a ampla cozinha, onde mamãe passava a maior parte do tempo estava lá daquele mesmo jeitinho com a janela aberta para o quintal cheio de árvores e então me transportei para o passado durante alguns minutos.

Hoje quando passei em frente ao 275 fiquei triste. A casa me parece abandonada ou com moradores sem capricho. Não é mais uma escolinha.

O que mais me chamou a atenção foram os portões que são os mesmos de quando morávamos lá. há + ou - 60 anos. Estão enferrujados e pixados por vândalos, mas são os mesmo. Sabe Rogério, acho que até a corrente é a mesma com cadeado e os elos grossos e pesados, os mesmos elos que faziam barulho quando você "fugia"...
O tempo também a deixou toda enferrujada e acho que se o portão ainda é o mesmo, a corrente também pode ser a mesma.

A varanda continua lá com alguns poucos azulejos portugueses originais. O piso mudou, passaram uma espécie de vermelhão por cima do piso português, imagina!

A entrada de carro, está diferente como se vê na foto. À direita da entrada, mamãe tinha um jardinzinho perto do muro em toda extensão.Sumiu com a camada de cimento.

Não pude entrar dessa vez mas já fiquei satisfeita vendo um pedacinho da nossa história de vida mesmo com as marcas do tempo evidentes.
Mas nós também estamos marcados pelo tempo...


Ignez.

Dadá - José do Vale Pinheiro Feitosa


Acabo de chegar da rua onde encontrei uma situação humorística. Vinha pela Rua João Pessoa, quase em frente à Siqueira Campos e encontrei meu amigo Mitonho quase que discursando para o grupo com quem conversava. Com voz de amplificadora ele repetiu muitas vezes o seu desejo: Eu quero mesmo é ser o Dadá!

Fiquei tonto. Mitonho estava com curto circuito no juízo. Há quanto tempo não se ouve falar no Dadá Maravilha. O Peito de Aço que desapareceu nas brumas do tempo e do esquecimento relâmpago da mídia.

Qual o quê? O Dadá era outro. Soube pela voz tonitruante do próprio Mitonho.

Dadá, o Idalberto Matias Araújo, o “grampeiro” mor da lama brasiliense. Dizia Mitonho: “O homem é pau para toda falcatrua. Descobriria até o Segredo de Fátima. Serviu ao SNI, à polícia, a político de “a” a “z”, bicheiro, trambiqueiro. O homem tem um prestígio danado! Ele é como um camaleão: é espião, grava grampos, ele mesmo distribui, é repórter das revistas e televisões mais importantes do Brasil, participa de complôs e de tanta coisa por dinheiro que até o pai eterno duvida.

Eu de boca aberta por Mitonho saber tanta coisa assim de um personagem que nós aqui no Crato nem fixamos o nome. Mas Mitonho continuou com seu palavrório em metralha: Dadá serviu ao Amaury Junior para descobrir as falcatruas contra a Campanha da Dilma e era o primeirão na ocasião de derrubar ministro. Dadá este homem de tantos patrões e tantos serviços é a pessoa mais importante do Brasil.

Menos Mitonho. Menos! Tem coisa muito pior. Quando se descobre um bueiro de esgoto e o cheiro toma conta do ambiente, esse não é o cheiro pior, tem odores muito mais penetrantes e fétidos. Você viu esse Amaury Junior? Leu o livro dele sobre a Privataria das estatais. Rapaz pense num cheiro de queimar a alma.

Pode ficar calado! – Mitonho está com a macaca mesmo – Eu sei de toda a sacanagem dos paraísos fiscais, das empresas fantasmas e da lavagem de dinheiro. Sou eu quem tem o quê dizer. Você pode confiar em mais alguém? Não! Desde os tempos da bíblia os trinta dinheiros arrebata até a alma do sujeito. Veja este Dr. Tomás Bastos,  que foi ministro da Justiça, pode? Que coisa mais sem medidas: agora aparecer ganhando um mar de dinheiro defendendo o sujeito que fu* com o Estado. Ameaçou autoridades, roubou, enriqueceu e não pagou nada de imposto de renda. A renda anual declarada pelo Cachoeira é menor do que a tua: 23 mil reais. Menos de dois mil por mês. E o doutor salta do mister da Justiça do Estado para ajudar a quem desmoralizou o Estado? Será que vai trabalhar de graça para este pobre que merecia a defensoria pública? Sinceramente eu olho para as coisas do mundo e só me vem as imagens terríveis das aves de rapina ou dos animais carniceiros!

Olhei de lado e vi a placa da Linea Office: qualidade e bom gosto que você merece. Taí uma rápida escapadela da radiadora de Mitonho.       

Convite!


domingo
08:00

Praça Cristo Rei / Francisco Sá / Praça da RFFSA / Praça dos Pombos
A partir das 8h da manhã

Haverá permuta e venda de máquinas de escrever, discos de cera e vinil, vitrolas, câmeras fotográficas analógicas, eletrodomésticos de época, móveis do tempo da vovó, cartazes de filmes e livros antigos.

Abrilhantando a primeira edição da Feira, ocorrerá a EXPOSIÇÃO DE AUTOMÓVEIS e de RÁDIOS ANTIGOS pertencentes a colecionadores da Região.

Vale também trazer aquele disco velho do fundo do baú e
outros objetos empoeirados e esquecidos no quarto dos fundos.


"Você que curte o retrô e o vintage poderá agora desfrutar de um
novo espaço no Cariri para apreciar e negociar artigos, obras e
peças antigas.

Será lançada no próximo domingo, 27 de maio, a Feira de
Antiguidades O RELICÁRIO, a partir das 8 horas, na praça Francisco
Sá (Pça dos Pombos, “Cristo Rei”) sob a sombra de árvores centenárias.

Haverá permuta e venda de máquinas de escrever, discos de cera e
vinil, vitrolas, câmeras fotográficas analógicas, eletrodomésticos de
época, móveis do tempo da vovó, cartazes de filmes e livros antigos.

Abrilhantando a primeira edição da Feira, ocorrerá a EXPOSIÇÃO DE
AUTOMÓVEIS e de RÁDIOS ANTIGOS pertencentes a colecionadores da
Região. Vale também trazer aquele disco velho do fundo do baú e
outros objetos empoeirados e esquecidos no quarto dos fundos.

Sabe o disco com lado A e lado B que você nunca mais ouviu na
vitrola, com aquele chiado característico? Pois, vai rolar um disc
jockey das antigas para você degustar o melhor da música de todos
os tempos. Traga também seu LP predileto para animar o domingo.

Imperdível! Venha e participe desse encontro retrô na praça. Convide
seus familiares e amigos.


FEIRA DE ANTIGUIDADES – “O RELICÁRIO”
Onde: Pça Francisco Sá (Cristo Rei), em frente à RFFSA, Crato-CE
Quando: 27-maio-2012 (domingo), a partir das 8 h da manhã
Realização: Antiquarius do Kariry / Prefeitura Municipal do Crato
Produção: Cláudio Reis
Apoio: Livraria Sebo Kariri / Secretaria de Meio Ambiente e Controle Urbano do
Município do Crato
Mais informações: claudioreis_@hotmail.com – (88)9939.5377


https://www.facebook.com/profile.php?id=100002164438800
Claudio Reis

...Depois, lá em casa


 




Existia um pedaço de lua no copo de cada um
Existia o violão de Abidoral
E o sax de Nicodemos
Existia a vontade de escutar, cantar, lembrar...
Noite de sexta
Colar de amigos
-Festa do improviso...
Tudo perfeito!

Ontem, na praça...

Salatiel, Zé Flávio, Fabiana,Jorge e Rogério

Festa de Aniversário do "Rapadura Cultural". Fim de tarde com amigos unidos pela música e alegria. Escutar Hildelito Parente ,Abidoral Jamacaru, Salatiel, Nicodemos, Batista, e tantos outros- foi demais!!!
Parabéns, Jorge!
Você é acendedor da nossa luz cultural!

1964: Golpe Militar a serviço do Golpe de Classe Leonardo Boff- Colaboração de Altina Siebra



Teólogo, filósofo e escritor
Fonte: Adital, 22/05/12

O objeto da Comissão da Verdade deve sim, tratar dos crimes e dos desaparecimentos perpetrados pelos agentes do Estado ditatorial. É sua tarefa precípua e estatutária. Mas não pode se reduzir a estes fatos. Há o risco de os juízos serem pontuais. Precisa-se analisar o contexto maior que permite entender a lógica da violência estatal e que explica a sistemática produção de vítimas. Mais ainda, deixa claro o trauma nacional que significou viver sob suspeitas, denúncias, espionagem e medo paralisador.
Neste sentido, vítimas não foram apenas os que sentiram em seus corpos e nas suas mentes a truculência dos agentes do Estado. Vítimas foram todos os cidadãos. Foi toda a nação brasileira. Para que a missão da Comissão da Verdade seja completa e satisfatória, caberia a ela fazer um juízo ético-político sobre todo o período do regime militar.
Importa assinalar claramente que o assalto ao poder foi um crime contra a constituição. Configurou uma ocupação violenta de todos os aparelhos de Estado para, a partir deles, montar uma ordem regida por atos institucionais, pela repressão e pelo estado de terror.
Bastava a suspeita de alguém ser subversivo para ser tratado como tal. Mesmo detidos e sequestrados por engano como inocentes camponeses, para logo serem seviciados e torturados. Muitos não resistiram e sua morte equivale a um assassinato. Não devemos deixar passar ao largo, os esquecidos dos esquecidos que foram os 246 camponeses mortos ou desaparecidos entre 1964-1979.
O que os militares cometeram foi um crime lesa-pátria. Alegam que se tratava de uma guerra civil, um lado querendo impor o comunismo e o outro defendendo a ordem democrática. Esta alegação não se sustenta. O comunismo nunca representou entre nós uma ameaça real. Na histeria do tempo da guerra-fria, todos os que queriam reformas na perspectiva dos historicamente condenados e ofendidos –as grandes maiorias operárias e camponesas– eram logo acusados de comunistas e de marxistas, mesmo que fossem bispos como o insuspeito Dom Helder Câmara. Contra eles não cabia apenas a vigilância, mas para muitos a perseguição, a prisão, o interrogatório aviltante, o pau-de-arara feroz, os afogamentos desesperadores. Os alegados "suicídios” camuflavam apenas o puro e simples assassinato. Em nome do combate ao perigo comunista, se assumiu a prática comunista-estalinista da brutalização dos detidos. Em alguns casos se incorporou o método nazista de incinerar cadáveres como admitiu o ex-agente do Dops de São Paulo, Cláudio Guerra.
O grande perigo para o Brasil sempre foi o capitalismo selvagem. Usando palavras de Capistrano de Abreu, nosso historiador mulato, "capou e recapou, sangrou e ressangrou” as grandes maiorias de nosso povo.
O Estado ditatorial militar, por mais obras que tenha realizado, fez regredir política e culturalmente o Brasil. Expulsou ou obrigou ao exílio nossas inteligências e nossos artistas mais brilhantes. Afogou lideranças políticas e ensejou o surgimento de súcubos que, oportunistas e destituídos de ética e de brasilidade, se venderam ao poder ditatorial em troca benesses que vão de estações de rádio a canais de televisão.
Os que deram o golpe de Estado devem ser responsabilizados moralmente por esse crime coletivo contra o povo brasileiro.
Os militares já fora do poder garantiram sua impunidade e intangibilidade graças à forjada anistia geral e irrestrita para ambos os lados. Em nome deste status, resistem e fazem ameaças, como se tivessem algum poder de intervenção que, na verdade é inexistente e vazio. A melhor resposta é o silêncio e o desdém nacional para a vergonha internacional deles.
Os militares que deram o golpe se imaginam que foram eles os principais protagonistas desta façanha nada gloriosa. Na sua indigência analítica, mal suspeitam que foram, de fato, usados por forças muito maiores que as deles.
René Armand Dreifuss escreveu em 1980 sua tese de doutorado na Universidade de Glasgow com o título: 1964: A conquista do Estado, ação política, poder e golpe de classe (Vozes 1981). Trata-se de um livro com 814 páginas das quais 326 de documentos originais. Por estes documentos fica demonstrado: o que houve no Brasil não foi um golpe militar, mas um golpe de classe com uso da força militar.
A partir dos anos 60 do século passado, se formou o complexo IPES/IBAD/GLC. Explico: o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) e o Grupo de Levantamento de Conjuntura (GLC). Compunham uma rede nacional que disseminava ideias golpistas, composta por grandes empresários multinacionais, nacionais, alguns generais, banqueiros, órgãos de imprensa, jornalistas, intelectuais, a maioria listados no livro de Dreifuss. O que os unificava, diz o autor "eram suas relações econômicas multinacionais e associadas, o seu posicionamento anticomunista e a sua ambição de readequar e reformular o Estado”(p.163) para que fosse funcional a seus interesses corporativos. O inspirador deste grupo era o General Golbery de Couto e Silva que já em "em 1962 preparava um trabalho estratégico sobre o assalto ao poder” (p.186).
A conspiração, pois estava em marcha, há bastante tempo. Aproveitando-se da confusão política criada ao redor do Presidente João Goulart, tido como o portador do projeto comunista, este grupo viu a ocasião apropriada para realizar seu projeto. Chamou os militares para darem o golpe e tomarem de assalto o Estado. Foi, portanto, um golpe da classe dominante, nacional e multinacional, usando o poder militar.
Conclui Dreifuss: "O ocorrido em 31 de março de 1964 não foi um mero golpe militar; foi um movimento civil-militar; o complexo IPES/IBAD e oficiais da ESG (Escola Superior de Guerra) organizaram a tomada do poder do aparelho de Estado” (p. 397). Especificamente afirma: "A história do bloco de poder multinacional e associados começou a 1º de abril de 1964, quando os novos interesses realmente tornaram-se Estado, readequando o regime e o sistema político e reformulando a economia a serviço de seus objetivos” (p.489). Todo o aparato de controle e repressão era acionado em nome da Segurança Nacional que, na verdade, significava a Segurança do Capital.
Os militares inteligentes e nacionalistas de hoje deveriam dar-se conta de como foram usados por aquelas elites oligárquicas que não buscavam realizar os interesses gerais do Brasil; mas, sim, alimentar sua voracidade particular de acumulação, sob a proteção do regime autoritário dos militares.
A Comissão da Verdade prestaria esclarecedor serviço ao país se trouxesse à luz esta trama. Ela simplesmente cumpriria sua missão de ser Comissão da Verdade. Não apenas da verdade de fatos individualizados; mas, da verdade do fato maior da dominação de uma classe poderosa, nacional, associada à multinacional, para, sob a égide do poder discricionário dos militares, tranquilamente, realizar seus propósitos corporativos de acumulação.
Isso nos custou 21 anos de privação da liberdade, muitos mortos e desaparecidos e de muito padecimento coletivo.

[Leonardo Boff é teólogo, filósofo, membro da Iniciativa Internacional da Carta da Terra e escritor].
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Dorival da Silva Almeida
fones:81 34292773,81 34392730