por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



terça-feira, 17 de março de 2015

 

Foto Histórica: Cine Cassino e o Café Crato, em foto atual, ambos pioneiros em suas atividades.
Vizinho ao Cassino passou a funcionar, em 1955, o Café Crato, primeiro café expresso da cidade e, provavelmente, do interior do Nordeste. O Sr. Orestes Costa, proprietário, homem dinâmico, deixou a marca da sua eficiência, organização e pioneirismo, possibilitando encontros e conversas, onde muitos fatos curiosos aconteceram.


Etiópia - José do Vale Pinheiro Feitosa

A Etiópia tem mais de 90 milhões de habitantes, é formada por várias etnias (reais, com territórios próprios, línguas independentes, crenças e costumes numa fermentação transformadora entre a tradição e a enorme pressão da globalização) e o país é dividido em dois: um de terras altas e outro de terras baixas.

Nas terras altas, acima de 1.100 metros e chegando a mais de 4.000 metros, se encontra a alma da Etiópia com suas civilizações antigas e cristã ortodoxa. Nas terras baixa, é o deserto (de Ogaden) e as encostas férteis das terras altas, composta essencialmente por Harar e Dire Dawa. Aí nesta região semidesértica predomina o Islã e toda a civilização decorrente de sua expansão.

Então a Etiópia resulta da expansão semita em fusão com os africanos em sua antiguidade e nos arranjos coloniais envolvendo franceses, italianos e ingleses e principalmente de uma forte liderança, pertencente ao povo Amhara mais organizado em termos civilizatórios, que foi Menelik II. Este imperador pertencia a lendária dinastia salomônica que se originaria de Menelik I, filho da Rainha de Sabá e do Rei Salomão de Israel. Portanto é uma dinastia patrilinear, mas profundamente mítica. 
  
O Século XX, inaugurado com o restabelecimento da tentativa de unidade da Etiópia, foi dramático para sua história. Como dizia seu último Imperador, Haile Salassié, a Etiópia tinha a aventurança e a desgraça de estar cercada pela Europa (especialmente o colonialismo) e por isso sofreu todas as consequências das duas Guerras Mundiais. E depois desta a Guerra Fria que na prática foram as dores do parto da universalização do capitalismo e da globalização financeira.

Por isso todo o Governo Salassié foi instável. No núcleo central dele a grande crise social surgida do efeito comparação entre desenvolvimento capitalista e atraso tradicional. Ao mesmo tempo a grande dificuldade de unir as várias etnias num governo central ou seja sob égide de um Estado Nacional. E no contexto internacional a disputa Estados Unidos da América e União das Repúblicas Soviética e a luta pela libertação dos povos colonizados na África.

No início dos anos sessenta, durante o Governo Juscelino aqui no Brasil, o Imperador Salassié nos visitava e no curso de sua estadia entre nós ele sofreu um Golpe de Estado preparado pela sua própria nobreza com aliança de alguns generais. Juscelino ajudou o monarca a retomar o poder emprestando-lhe dinheiro e avião. Daí em diante vieram secas que expuseram a grande fragilidade do sistema social etíope centrado na concentração dos recursos nas mãos de uma nobreza perdulária e ávida de privilégios. Resultou numa arrasadora fome.

E a fome em queda do regime por um golpe militar comandado essencialmente pelos jovens oficiais. A maioria dos quais formados na França e Inglaterra. Além disso um forte movimento guerrilheiro dividido em vários grupos como tendências esquerdistas vinculados à União Soviética e à China, e outros financiado pelos EUA.

O regime imperial teve fim em 1975 e 1977 um conflito entre os militares redundou na morte de um general e na assunção ao poder pelos jovens oficiais que “decretaram” uma revolução socialista e a implantação do socialismo na Etiópia. Isso num país disputado por vários movimentos armados e com a Somália querendo tomar o Ogaden, incluindo Harar e Dire Dawa.

Quando um avião pousa no Aeroporto Internacional de Bole e seus passageiros tomam as avenidas de Adis Abeba, vão encontrar um bairro em rápida transformação, num ritmo acelerado típico da expansão das classes médias globalizadas, funcionárias de multinacionais, do Estado, no comércio, serviços e indústria. O povão nas cidades vive do comércio da indústria chinesa (como aliás em quase todo o mundo) e no campo numa agricultura familiar tradicional fazendo escambo nos mercados.


Um país capitalista preparado por uma revolução com o carimbo de socialismo. O papel do socialismo foi efetivamente abrir a fechada elite que se resumia à nobreza de sangue. E desse modo criar um Estado mais “moderno” à feição da Europa e EUA. A feição em termos. Fica cada vez um país dividido entre muito pobres e uns abastados falando inglês e consumindo em pequenos lanches de final de tarde o que um pobre não consome (em termos de moeda) num mês.  

segunda-feira, 16 de março de 2015

As últimas escaramuças de Malvino Dié

Malvino Dié não podia ser considerado um típico  modelo de militar reformado. Calmo, tranquilo, pouco dado a arroubos e explosões, quase nunca se postando como senhor único da verdade, ele demonstrava ter convivido mais em mesquitas do  que em casernas. O quartel também não o modelara como um direitista convicto destes que defendem a pena de morte, que acreditam que bandido bom só se encontra nos campos santos, que comunista  é praga que existe em tudo quanto é biboca. Dié fazia parte de uma raríssima espécie de milicos com pensamento francamente esquerdista, renegava os Anos de Chumbo e tinha o Capitão Lamarca como seu ídolo maior. Sabiam muitos que tinha sido heroi de guerra, ex-combatente enfrentara nazistas e fascistas com um denodo infernal. Ali foi carregando não um patriotismo barato e imediatista, sabia que estava ajudando não ao seu país, mas livrando a humanidade de suas ervas daninhas. Mesmo assim, Major Malvino não contava vantagem, nem falava nunca  do alto dos seus galões e da sua patente. Talvez, por isso mesmo, fosse muito querido e respeitado em toda Matozinho.
                                   Após a aposentadoria, Dié resolveu retornar à sua terra. Rodara quase todo o Brasil no exercício da profissão. Cansara de tanto arrumar mala e decidiu terminar o sonho no mesmo lugar onde um dia o começou.  Para ajudar o tempo passar e , para não enferrujar definitivamente a garrucha, passou a ensinar Educação Física no Ginásio Espiridião Carqueja e a fazer frequentes corridas solitárias como fundista. Mesmo já adentrando os oitenta, costumava vencer garotos imberbes e viris,  nas competições.  Tudo isso fazia de Malvino um personagem  mítico na vila e, antes de tudo, uma espécie de conselheiro oficial de Matozinho. Quase todos admiravam sua educação, sua fineza de trato, seu passado glorioso e, também, sua franqueza incisiva e carrascante. Apesar da tranquilidade , da calma, Dié não tinha meias palavras : elas saíam lentamente da sua boca, mas com força de bala dum-dum.
                                   Eram muitas e muitas as histórias em Matozinho onde o Major fora chamado a dar sua opinião e o fizera com sapiência, encerrando ali discussões que se prolongavam às vezes por dias e meses. Consta nos anais da vila que, diante da crescente violência dos dias modernos, discutia-se, na praça, sobre as causas maiores desta realidade. Alguns teimavam que as religiões eram o maior motor das guerras, outros imputavam a violência às difíceis condições econômicas de boa parte da população, outros à pouca efetividade da polícia e da justiça. Dié  ia chegando na praça da matriz quando alguém da conferência em que se discutia esse assunto resolveu passar a pergunta ao Major:
                                   --- Major, se má pregunto, quais são as coisas nesse mundo que, na sua opinião,  mais terminam em  crimes, arranca-rabos  e confusões ?
                                   Malvino sem pestanejou:
                                   --- Dinheiro, rola, cu e priquito !
                                   Alguns dias atrás, Cunegundes Chinxorro, um antigo delegado de Matozinho, resolveu pedir a opinião do nosso Ouvidor Geral, sobre um problema que estava vivendo. Enviuvara há uns dois anos, vivia sozinho, com os filhos todos em São Paulo. Arranjara, ultimamente, uma noiva bem mais nova , comentava-se , à sorrelfa, que a paixão da mocinha tinha  menos a ver com Motel e mais com  Pensão. O certo é que o velho delegado criara alma nova, andava escamurçando , vestindo roupa da moda, pintando o bigode e o cabelo e , segundo se comentava, virara um nobre : tinha sangue azul de tanto tomar umas pílulas de botica que ressuscitavam até defunto mal cheiroso. O certo é que pessoas mais próximas alertaram Cunegundes do possível golpe, mas  ele, que já rejuvenescera mais de trinta anos, desde que conhecera a moça, não quis acreditar naquelas potocas. Estavam é com inveja do capim novo que o velho pangaré conseguira. De qualquer maneira, pelo sim-pelo-não , teve a ideia de consultar o amigo  Malvino, antigo colega do Tiro de Guerra. Procurou-o em casa e o pôs a par da situação e pediu seu sincero parecer sobre o caso. Como  sempre, Dié foi bastante objetivo:
                                   --- Cunegundes, quantos anos o amigo tem ?
                                   --- Interei 84 , mês passado ! Nós somos contemporâneos, Malvino !
                                   --- E a noiva, meu amigo ? Quantas primaveras já viu ?
                                   --- Dezesseis ! É uma florzinha de jasmim, meu amigo ! uma lindeza !
                                   Dié, então, pensou um pouco, olhos fixos na parede e fechou o relatório:
                                   --- Não vai dá certo , não ! Você, Cunegundes, vai botar um motor de uma Ferrari Fórmula I, num  Ford Bigode 1921 ! Vai ser caco de peça pra tudo quanto é lado, meu amigo !
                                   Cunegundes, meio desolado, tentou argumentar de lá. Tinha oitenta e quatro, mas não estava de se jogar às traças. Ainda estava bem conservado, não se trocava por um menino de quinze anos . Fora criado com cuscuz e caldo de mocotó e não com galinha de granja, como esses frangotes de hoje em dia. E por aí vai. O Conselheiro, por fim, pôs ponto final à discussão com uma de suas parábolas usuais:
                                   ---  Você é que sabe, Cunegundes ! A testa é sua ! Mas ,depois,  não diga que não avisei ! Ela dezesseis e você oitenta e quatro, sabe o que é isso , meu amigo ? Orelha de boi ! Orelha de boi !
                                   Chinxorro, com cara de menino abestalhado tentando entender a Teoria da Relatividade, mostrou-se confuso :
                                   --- Orelha de Boi ? Qué que isso qué dizer Malvino ?
                                   --- Você tá muito mais perto do chifre do que da virilha dela , entendeu , seu Cunegundes ?

J. Flávio Vieira


Crato, 16/03/2015

1.123.160 – SUSPEITA EXATIDÃO – José Nilton Mariano Saraiva

Realçando o clima pacífico do evento, há que se focar em constatações emblemáticas e representativas da essência das manifestações contra a corrupção, ocorridas ontem no país, dentre as quais poderíamos elencar:

01) a prova ou certeza de que a nossa democracia realmente já detém fundamentos sólidos e consistentes capazes de suportar pacificamente e sem maiores atropelos o contraditório ou o embate entre divergentes políticos;

02) a ignorância (pra não falar em má fé) de alguns que desfraldaram a bandeira do “impeachment” da presidenta Dilma Rousseff, insuflados pela “tucanalhada”, quando até uma criança de jardim de infância sabe que para se chegar a tão extremada atitude há que se ter os instrumentos jurídicos necessários, conforme reza a Constituição Federal; e todos sabemos que contra a presidenta Dilma Roussef nada consta (ao contrário do “playboy do Leblon” – Aécio Neves – que se auto-incriminou ao se considerar “homenageado” pelo Procurador da República com a retirada do seu nome dentre os a serem investigados);

03) a irresponsabilidade de alguns “filhotes de papai”, analfabetos e despreparados, que sem saber as conseqüências (porque não a vivenciaram) de uma intervenção militar - naquela de ouvir o galo cantar sem saber aonde - desfilavam com faixas pedindo a volta dos milicos, sem levar em conta a flagrante inconstitucionalidade da sua adoção;

04) a desonestidade da Rede Globo em superdimensionar e anunciar com visível satisfação dos seus repórteres o quantitativo de manifestantes presentes no ato paulista: num primeiro momento, seriam mais de um milhão de pessoas; posteriormente, no site da Revista Época (de propriedade da Globo) a coisa chegou às raias da desfaçatez, ao precisar que exatos 1.123.160 manifestantes se encontravam na Avenida Paulista (ou seja, para se chegar a tal precisão, teoricamente os manifestantes foram contados um a um, cabeça a cabeça); só que, com a “apuração científica” do DataFolha (metros X pessoas), a  mentira ficou às claras: foram cerca de 210 mil; e finalmente, 

05) a surpresa com o ocorrido em Brasília – a sede do Poder Central -  quando os participantes de forma consciente e espontânea decidiram protestar exatamente em frente ao Congresso Nacional, “habitat” dos políticos corruptos e mafiosos (e não em frente ao Palácio do Planalto ou Palácio do Alvorada, onde a Presidenta da República despacha e mora). Traduzindo: é no meio político que os brasilienses farejam e enxergam o suprassumo da velhacaria e da desonestidade institucionalizada.

A propósito dentre os diversos senadores e deputados a serem investigados, os presidentes das duas casas legislativas – Senado e Câmara Federal – encabeçam a lista, numa prova inconteste de que o principal antro de safadezas, corrupção e falcatruas ali se encontra; particularmente, entendemos que não são apenas 300 ou 400 picaretas; do total de 594 parlamentares (513 deputados e 81 senadores) com muito, mas muito esforço poderíamos livrar a cara de 10% e olhe lá (ou alguém desconhece por exemplo que nas tais “emendas parlamentares” liberadas para as bases, cada um deles embolsa  pelo menos 20% de cada uma; ou que praticamente em todas as eleições das quais participaram todos receberam dinheiro das empresas hoje envolvidas na operação Lava Jato).

Chega de hipocrisia. Há que se achar uma reforma política que obste toda essa cafajestice.


domingo, 15 de março de 2015

As bandeiras na Avenida Paulista - José do Vale Pinheiro Feitosa

Quando setores da classe média brasileira, especialmente de São Paulo, protestam como se carregassem todo o coração do povo eu fico a imaginar. Quem não viu, nos acontecendo do 2015 pouca gente é testemunha, mas no dia 23 de agosto de 1954 a fuzarca envolvendo a classe média brasileira, especialmente a “lacerdista” (como categoria política explicativa), a mídia nacional, os militares e setores do empresariado, a queda de Getúlio era uma unanimidade nacional.

No dia seguinte, uma multidão jamais vista nas ruas do Rio, furiosa, depredando jornais, querendo matar generais, era a revelação de que unanimidades podem ser forjadas. Getúlio havia dado um tiro no coração e o povo que se acuara diante da avalanche discursivo-mediática, explodiu em ódio aos algozes do presidente. Este povo aí que foi à Paulista hoje à tarde, não fala pelos corações dos brasileiros.

Mas é preciso reconhecer que há um processo discursivo-mediático operando e que continuará o exercício. E isso significa contra especificamente um partido, genericamente contra a esquerda e fundamentalmente com ódio de classe. Mesmo que o caldo da crise econômica, que as ações do imperialismo americano tenham interesses inconfessáveis no financiamento de tão bem articulada campanha, especialmente nas redes sociais e no WhatsSpp, a verdade é que há um “plus” operativo com núcleos bem identificados: empresários, setores financeiros, a rede Globo, as organizações Abril e, como sempre, as empresas de mídia com sede em São Paulo.  

Por isso é preciso que reconheçamos: a partir de hoje a política no Brasil será uma luta contínua visando um desfecho logicamente político. Todo mundo fará seus cálculos. O que acontecerá neste desfecho segundo os objetivos do programa político de cada partido e de setores da sociedade (incluindo empresários, sociedade civil etc.). Isso levará a todos a pensar no futuro dentro de uma lógica muito mais acelerada.

Outro fator a se revelar, especialmente em algumas manifestações de rua e nas redes sociais, é o surgimento de um sectarismo que rompe diálogos e favorece o porrete tanto no linguajar como de fato pelas mãos. Mas, mesmo este sectarismo costuma ser autodestrutivo e quando muito servir a propósitos mais bem organizados que depois os transformam em “milícias” a serviço de um projeto político de poder. Ensaios foram feitos na Paulista hoje quando uma faixa carregou o símbolo do nazismo.

De qualquer modo esta é a previsão do imediato. O que acontecerá daqui ao fim do ano e nos próximos anos é um exercício mais complexo que descamba para a adivinhação. Como a bandeira é o fora PT e o impeachment da Dilma, pode ser que surjam outras bandeiras nas ruas mais vantajosas para o país e que deem vazão ao futuro no qual a unidade da América Latina e um projeto popular de melhoria do povo brasileiro possa democraticamente seguir adiante.


Neste sentido é bom que tenham clareza nesta questão: todo avanço coletivo, portanto político, seja entre nações e relativo a uma nação é sempre um projeto de tensões. Depende apenas que o povo o compreenda.   


No dia da poesia!

Águas de Maio - Por João Nicodemos de Araújo Neto

(Imagem do Rio Apa-MS)

Águas de maio chegando em meus olhos
São águas que um rio me quer navegar
Águas de maio lavando as correntes
São águas de um rio sonhando com o mar

Águas serenas brotando da fonte
Num leito de pedras que vem renovar
São águas que lavam que levam lembranças
Em águas tranqüilas quero navegar

São águas de chuvas, são gotas de orvalho
Vertidas no tempo de tudo molhar
São águas que seguem, são águas que passam
Correndo da serra seguindo pro mar

Águas que banham que sonham sementes
Brotando nos campos, encantos de amar
São águas que cantam serenas, tranqüilas
Movendo montanhas pra outro lugar


Água clara, água fina. Água ensina a navegar
Água cura pura água. Água e Luz a clarear.


João Nicodemos

quinta-feira, 12 de março de 2015

A Besta-fera está solta! - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Como que de repente, a besta-fera, esse ser mítico que povoava o imaginário da nossa infância, está de volta. Agora com múltiplas cabeças, braços e pernas alongados, a colocar em risco a frágil democracia brasileira. Interesses internacionais poderosos insuflam o momento político. Nem a extinta UDN ousou chegar a tanto servilismo, quanto seus herdeiros de hoje, alinhados em grupos que representam as políticas delineadas e, quem sabe até financiadas pelo poderio bélico da grande nação imperialista do norte. 

Ser derrotado numa eleição, faz parte do jogo democrático. Mas desrespeitar um resultado, com a forma virulenta que vimos nos dias de hoje, onde impera antes de tudo o ódio, não é apenas um simples desconsolo de um mocinho mimado. Mas o desejo inadiável que tem esse grupo de atender às necessidades de seus chefes supremos do hemisfério norte. E quais são esses desejos? Qualquer pessoa com o mínimo senso de entendimento será capaz de responder que em primeiro lugar está a colossal reserva de petróleo escondida sob as águas do nosso mar territorial. Em seguida a dissolução dos BRICS, a aliança dos cinco países não alinhados, do qual faz parte o Brasil, aliança essa que coloca em xeque a liderança opressiva do Banco Mundial e marcha em busca da independência total desses cinco países.    

A besta-fera entra em nossos lares, destroem as famílias, a inocência das crianças, aliena nossos jovens e reduz a capacidade de discernimento dos adultos. A besta-fera, vagueia pelos ares, nos morros, nas dunas do nosso extenso litoral, na imensidão da floresta amazônica e nos mais escondidos socavões do nosso sertão. Sempre a serviço do capitalismo internacional, a besta-fera atende agora pelo nome de Rede Globo, os partidos políticos a ela pertencentes e todos os demais meios de comunicação que lhe copiam o script, e cujo objetivo principal é a tomada do poder, doa a quem doer.  

É com muita apreensão que vejo as duas manifestações marcadas para os próximos dias 13 e 15 desse final de semana. Bastará um grave acidente com algum manifestante para desencadear o golpe, já de longa data orquestrado. E o que virá depois? Naturalmente a repetição de uma ópera bufa já orquestrada pela UDN há cinqüenta anos, com a imediata ocupação do vácuo de poder pelos militares, principalmente aqueles com treinamento nas academias militares do governo americano. Será uma ditadura, cujo final, muitos da minha idade não conseguirão ver. É triste, mas é a mais pura e cristalina verdade. Quem conseguir viver, verá!

Por Carlos Eduardo Esmeraldo  

terça-feira, 10 de março de 2015

Evitemos o Desprezo da Cidade - Por Pedro Esmeraldo

Ultimamente, temos viajado ao município de Bodocó-PE. Causou-nos admiração e entusiasmo pela grandeza do seu empreendimento agropecuário. Com isso queremos dizer que os políticos daquela pequena extensão territorial têm por objetivo alumiar o povo com muita força de vontade e com intuito de acelerar o barco do crescimento econômico. Tornam-se rápido na movimentação pecuária. Livram o cidadão cair no fraco desempenho nas atividades rurais.

Empregam novas tecnologias favorecendo o aumento da produção bovina. Favorecem o efeito de crescimento econômico. Desenvolvem o cidadão campesino, dando emprego ao rurícola sem precisar deslocar-se aos grandes centros. Evitam assim a imigração do homem, prendendo-o a terra, pois não tem preparo intelectual e psicológico para enfrentar a luta desesperada das grandes cidades.

Orientam o cidadão para a prática do bom desempenho do manejo de gado vacum. Aqui e ali, surgem pequenas fabricas de queijo dando serviço, obrigando o homem a se dedicar com mais amor ao emprego das atividades rurais, já que fazem grandes melhoramentos para favorecer o crescimento econômico.
Aquela gente mostra raça e disposição de trabalho, visto que em terras adustas, “período seco” empregam métodos adequados para sobressaírem-se com bom desempenho na luta cotidiana. Procuram evitar o ócio estabelecido pela constante secas periódicas que afligem o grande sertão. Avantajam-se com preeminência, superando todas as dificuldades provocadas pela dureza dos caracteres rudimentares.

São possuidores de proveitosos desejos, procuram-se amoldar-se o homem ao meio sem se opor claramente aos efeitos positivos, tudo isso causado pelo trabalho eficaz.
Agora queremos lembrar ao cidadão cratense, principalmente o politico que mude de atitude e deixe de lado o trabalho inócuo e venham provocar melhores condições de trabalho ao homem do campo, pois temos condições favoráveis de criar aqui uma bacia leiteira nos tipos modernos, empregando aplicações de força a fim de alcançar o meio favorável ao desenvolvimento agrícola e econômica da cidade do Crato.
Tivemos visitando a secretaria de agricultura local e notamos que o nobre secretario da agricultura Sr. Henrile Pinheiro tem lutado por a boa aparência agrícola, mas, infelizmente falta apoio eficiente e avantajado para implantar aqui uma grande bacia leiteira que venha favorecer o desprezo da cidade que atualmente estamos passando, pela má conduta dos políticos superiores a cidade do Crato.
Não podemos nos conformar que cidade menos importante que o Crato foram contempladas com Faculdades de níveis superiores e o Crato fica na estagnação, entregue ao Deus dará.  Temos como objetivo que nós deveremos lutar contra esse desprezo e que o povo evite a mentalidade de piegas, pois veem acompanhando com pessimismo a desigualdade e a perseguição do outro município, inimigo número um do Crato.
Cratenses reajam, não deixem o Crato entregue às baratas, façam forças e queiram lutar pelo grande desenvolvimento do Crato. Não queremos ver o Crato estagnado. 

Por Pedro Esmeraldo

domingo, 8 de março de 2015

Homenageando um amigo!- Poesia de Fracilda Costa

 
 
Este é um poema que nossa amiga Francilda Costa fez para Francisco Ramiro (Miro)
LEMBRANDO MIRO
Ramiro que do pai não somente herdou o nobre nome espanhol,
...
mas também a sábia paciência sem reclamos
e o sorriso manso e bom de homem forte,
levando nos ombros, não importa quão frágeis fossem,
o peso invisível de um sonho inconcluso.
Não te ví pela última vez
pela razão aparente de uma chuva desatada
que o céu chorou desde a madrugada nessa triste manhã,
fechando os caminhos a me levarem onde estavas, por enquanto.
Entendo tua morte como trajetória da libertação definitiva
de um morrer devagarinho, em sofrimento atravessado com estoicismo e esperança.
Fica no entanto em mim
a sensação de viagem inacabada,
precisando de prazo maior para vencer a dor e retomar o que se tinha a fazer.
Finalmente, irmãozinho de minhas amigas, dormes em quietude plena
sem que te venham despertar procedimentos agora felizmente descartados.
Teu inimaginável despertar além desta curta vida cujo sentido tantas vezes nos escapa
dá-nos o consolo nunca entendido de que a Morte é via condutora para horizontes largos,
livrando-nos desse contorcionismo de trilhar a passagem estreita, inaprendível e difícil do ato de morrer.

Francilda Costa.
 
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quinta-feira, 5 de março de 2015

Duas covas

J. Flávio Vieira

“A justiça é a vingança do homem em sociedade,
 como a vingança é a justiça do homem
 em estado selvagem.”
Epicuro       
            
                                               Nestes dias que antecederam o Carnaval, um fato algo inusitado preencheu os nossos noticiários locais. Um dentista e estudante de Medicina aqui em Juazeiro, após ser assaltado próximo a um bar na Lagoa Seca, por dois motoqueiros, acelerou sua Hylux e, pouco mais à frente, atropelou e matou os dois pretensos assaltantes. Feito o que, calmamente, esperou a chegada da polícia e explicou, sem nenhum constrangimento aparente, o ato heroico que terminara de executar. Foi preso, imediatamente, em fragrante delito, por duplo homicídio confessadamente doloso.
                                
   Até aí, a história parece não ter muitas circunvoluções. Qualquer um de nós, posto em situação similar, seria capaz, por impulso,  de providenciar uma ação parecida. Há, em todos , aquele instinto de defesa, quase reflexo, e é sempre impossível a gente saber como se comportaria se colocado em iguais condições de temperatura e pressão. O mais impressionante e sintomático foi a imediata reação da população nas Redes Sociais, apoiando abertamente a coragem do estudante e o alçando à categoria de herói. “É dessa maneira que se deve proceder com bandido!”, gritavam alguns. “Bandido bom é bandido morto”, teclavam outros. “Agora só falta mesmo vir aquela turminha dos direitos humanos que só defende salafrários”, sussurravam muitos. Organizou-se até uma passeata em defesa do dentista detido e o certo é que, mesmo diante do fragrante, ele terminou solto, poucos dias depois,  e vai responder em liberdade.
                                   O caso, não de todo estranho e talvez até perfeitamente esperado nos seus desdobramentos, nos impulsiona para algumas reflexões de final de semana. Depreendemos dele, claramente, uma total    desconfiança do populacho para com a Justiça do seu país. As penas parecem sempre brandas e com progressão vergonhosa; a morosidade nos julgamentos e penalidades é de fazer sorrirem as tartarugas; cadeia é sempre dependência de pobres , negros e mulatos; a boa condição econômica torna malfeitores totalmente blindados para o Código Penal. Basta ver a tranquilidade do estudante depois do atropelamento e morte dos dois assaltantes. Ficou ali impassível, certo que havia cometido um ato épico , esperando os encômios de todos, que, aliás,  não tardaram de pulular na imprensa e Redes Sociais. Contou à polícia tudo , informando que depois do assalto perseguira os criminosos e os atropelara intencionalmente. Acreditou, piamente, que a justiça, por fim, havia sido feita; o que não teria acontecido se esperasse os policiais, os investigadores e o juiz. Quando lhe deram ordem de prisão, com certeza ficou confuso, não entendendo aquela inversão de valores absurda.
                                   Não sou advogado , mas percebo a enrascada jurídica em que nosso estudante se meteu ao confessar um duplo homicídio doloso  com confessa  intenção de matar. Além de tudo, como revanche de um assalto anterior cometido pelas vítimas que ele relata, mas de que não há aparentemente testemunhas e nem foi registrado Boletim de Ocorrência. Por conta de algum dinheiro e objetos afanados, vai ser achacado por ações penais sérias e de danos morais, de defesa complicada- quem viver, verá !
                                   Entendo o desencanto da população com os sempre morosos caminhos da justiça. Mas, em pleno Século XXI, é impossível  defender que as pessoas saiam no meio da rua fazendo justiça com as próprias mãos. A luta da Sociedade, se desolada com a ineficiência do judiciário, deve ser no sentido de aperfeiçoá-lo e não retornar às Cavernas, deixando que os Códigos Civil e Penal sejam escritos e reescritos dia a dia por cada um que se queira arvorar de juiz.
                                   Por outro lado, imaginem o risco que, estatisticamente, o estudante correu, ao reagir ao assalto. A probabilidade de êxito, tem se mostrado, a todo momento, é mínima. Depois, em se tornando esta prática uma regra dos cidadãos a partir daqui, como estimulam os internautas nos seus comentários, a reação previsível dos bandidos, nas próximas “paradas”, será de roubar e matar logo, para não sofrerem perseguições. Vacilão bom, vai ser vacilão morto. As pessoas que defendem os Direitos Humanos querem , tão-somente, que todos sejam julgados à luz da lei e que era seja igualitária para todos independentemente de cor, sexo, influência política, poderio econômico.   
                                   Podemos todos achar que a Justiça além de cega, está com os pratos da balança tortos e o fio da espada também cego, como dizia Millôr.  Temos, ao menos, por onde começar. Nossa função é providenciar-lhe a cirurgia de catarata , mandar aferir-lhe a balança e amolar o fio da espada. Quem toma para si a missão única de combater monstros deve cuidar para não se tornar um deles . Alerta a sabedoria chinesa   que quem embarcar para a vingança deve cavar duas covas.

Crato, 05/03/15
                                           PARA MEUS AMIGOS DO AZUL SONHADO

Esotérico