por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 17 de setembro de 2014

AS DUAS VEZES QUE TIVE CERTEZA QUE IRIA PARA O INFERNO - por José Almino Pinheiro


Por duas vezes, durante boa parte da minha adolescência, convivi com a certeza que estava condenado, de que iria diretamente para o inferno, não tinha direito nem a uma pequena parada no purgatório, seria uma viagem sem escala, direto para o fogo eterno.
A razão disso não era os pecados por ventura cometidos, esses pecados eram resolvidos nas confissões semanais. O grande problema se devia a minha incapacidade de compreender alguns mistérios da religião, principalmente os Dogmas de Fé: A Santíssima Trindade, A virgindade de Maria, Imaculada conceição de Maria, a Infalibilidade da Igreja etc. São muitos os dogmas, apesar de ter problemas para compreendê-los, tinha, e ainda tenho, simpatia pelo Dogma do Juízo Final. Lá tudo será passado a limpo, e me deleitava em imaginar alguns conhecidos pecadores tentando justificar a São Pedro o que estavam fazendo no cabaré de Glorinha, após comungarem na missa dominical.
Algumas vezes cobrava a meus pais e tias, ou à nossa professora de religião uma explicação sobre os dogmas, mas as respostas eram sempre vagas e repetidas, de que eram Dogmas de Fé e que para ser bom cristão, era necessário acreditar. Não compreendia como era possível que meus irmãos, primos e muitos da família, não demonstrassem preocupação a respeito dos dogmas. De forma que comecei a suspeitar que a incapacidade de compreendê-los era falha minha, só podia ser castigo, era prova da falta de religiosidade, portanto o merecido passaporte para o inferno.
Quando criei coragem e expliquei o problema da minha incapacidade de compreender os dogmas ao padre Frederico, vigário da Paróquia São Vicente, o qual me batizou e, portanto, me salvou de um dos Dogmas, o do Pecado Original. Podia confiar no padre, era um dos poucos em quem podia externar esse tipo de dúvidas. Não brincava, simplesmente disse, para acalmar meu juízo, que esses eram assuntos complicados e que só seria entendido quando chegasse na idade adulta, que tivesse paciência, pois Deus estava tomando conta do assunto. Com o problema entregue a Deus, tive segurança de que, pelos dogmas, não mais iria para o inferno.                                                                                        

A segunda vez que estive a beira de seguir viagem diretamente para o inferno, mesmo antes de morrer, foi quando chegou da Alemanha uma pequena estátua de uma santa muito bonita e que foi instalada em um dos altares laterais da Igreja São Vicente. Foi paixão instantânea, a santa com seu manto de pano azul, transmitia muito bondade, meiguice e beleza. Era admirada por todos, o que me causava preocupação de ciúme. Junto com a paixão, a paranóia ia aumentando quando cismei de ver as intimidades da santa. Sabia que dessa vez tinha exagerado, As portas do inferno estavam abertas, faltava apenas o deslize final, que era levantar a saia da santa. Se assim fizesse, imediatamente se abriria um buraco e eu seria tragado para as profundezas do inferno. 
Foram meses de dúvida, se olhava ou não as pernas da santa. Até que um dia, vencido pala curiosidade, conformado que iria para o inferno, o coração aos pulos e todo suado, criei coragem a levantei o manto da santa. O buraco não se abriu, e qual não foi minha surpresa e decepção quando vi que não existia corpo algum, a santa se resumia a uma estrutura de madeira onde foram fixadas a cabeça e as mãozinhas o resto era completado pelo arranjo do manto. Apesar do fiasco como voyeur de santa, sentia que tinha cometido um grave pecado, e deveria ajustar contas me confessando de tamanha falta de respeito. Mais calmo, depois de alguns dias procurei o padre Frederico e contei toda a história. Ele muito sério ouviu tudo, levantou-se calmamente, levando junto a minha orelha e disse que a coisa era grave, que iria pensar e orar, teria comigo uma conversa muito séria para o dia seguinte. Largou minha orelha e saiu rapidamente da sacristia, mas ainda deu para ouvir uma sonora gargalhada. Como a tal conversa nunca houve, deduzi que estava salvo. 

Cartas na Mesa - José Nilton Mariano Saraiva

Já afirmamos aqui, em mais de uma oportunidade, que temos verdadeira aversão a “muro”, que não somos filiados a nenhum partido político e que votamos naquelas pessoas que entendemos tenham condição de realizar algo pelo “social”.

Assim sendo, faltando menos de três semanas para as eleições, tomamos a liberdade de listar os candidatos que sufragaremos, a saber:

-Presidência da República – DILMA ROUSSEFF (PT - 13)
-Senado Federal – GEOVANA CARTAXO (PSB – 400)
-Deputado Federal – ARIOSTO HOLANDA (PROS - 9011)
-Deputado Estadual – HEITOR FERRER (PDT - 12350)
-Governador do Estado: EUNÍCIO OLIVEIRA (PMDB – 15)

Como se observa, a “sopinha de letras” (PT, PSB, PROS, PDT e PMDB) sinaliza exatamente o que acima afirmamos: não temos predileção nenhuma por nenhum partido e votamos em pessoas que acreditamos sejam bem intencionadas. 

Claro que já “quebramos a cara” com algumas, que após eleitas fugiram léguas do que prometeram, dentre os quais: Inácio Arruda, Nelson Martins, Chico Lopes, José Pimentel, dentre outros. Jamais terão o nosso voto novamente.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A "marina(morfose) ambulante" - José Nilton Mariano Saraiva

Tida e havida como uma pessoa tímida, recatada e prudente, Marina Silva transfigurou-se numa espécie de “metamorfose ambulante”, por conta da pressão pela qual passam os que se submetem à disputa do cargo maior da nação – a Presidência da República.

Assim é que, dias atrás, sabatinada pelos matreiros e comprovadamente antigovernistas jornalistas das Organizações Globo, ao referir-se às denúncias que envolvem a Petrobrás foi de uma infelicidade a toda prova, quando acusou formalmente a agremiação partidária que a projetou nacionalmente (o PT) de ter agido de má-fé, já que... “um partido que coloca por 12 anos um Diretor para assaltar os cofres da Petrobrás”.

Ora, todos que acompanham o imbróglio desde o princípio sabem que o senhor Paulo Roberto Costa é funcionário de carreira da Petrobrás e que sua ascensão na empresa deu-se exatamente durante os oito anos do governo FHC, quando foi nomeado para sucessivos postos ou funções relevantes. Portanto, ele lá já estava quando o PT assumiu o governo. Se os seus malfeitos não vieram a lume naquela oportunidade, credite-se à existência de um tal “engavetador geral da república”, (Geraldo Brindeiro) subordinado diretamente à Presidência da República.

Agora, querer imputar a outrem um crime tão grave, somente por ouvir falar, sem que tenha condição de representar em juízo (por absoluta falta de provas), denota leviandade, despreparo e irresponsabilidade. Afinal, o ultraje e a mentira nunca foram boas companhias. Mas...

Como Marina Silva afirmou taxativamente que quando se defronta com questões relevantes costuma consultar a Bíblia a fim de decidir o que fazer, se lhe sobra uma nesga de honestidade deveria exercitar uma das recomendações contidas em tal livrinho: pedir perdão àqueles que denegriu e humilhou (seus ex-companheiros de partido). Quem sabe, assim garantirá seu passaporte para o reino dos céus.   
  

No mais, essas recorrentes contradições, equívocos e incoerências que a candidata expressa quando questionada “ao vivo” caracteriza, sim, uma prova contundente e insofismável de que não se acha preparada para ascender à chefia da nação, porquanto lhe faltam sensatez  e equilíbrio em momentos de tensão.

sábado, 13 de setembro de 2014

Foto: É dia 18 de setembro na Quinta Musical da Adega Riemma e MC2 Produtora! Início de uma grande parceria.



A nova opção gastronômica da cidade. Lugar especial!
E como se não bastasse  tem excelência musical e atendimento diferenciado.
Parabenizo  a administração  da "ADEGA RIEMMA"!
 

A "retificadora" - José Nilton Mariano Saraiva


Qualquer brasileiro tem garantido constitucionalmente o direito de se cacifar ao cargo de mandatário maior da nação, via voto popular, bastando para tanto que atenda à legislação pertinente. Além do que, recomenda o bom senso, há que se ter uma vida pregressa que não comporte dúvidas e/ou despida seja de nódoas comportamentais.

Tal reflexão é só pra lembrar que, na atual corrida sucessória, bastou o comitê da concorrente (Dilma Rousseff) protocolar um simplório pedido de investigação junto ao órgão competente (Procuradoria Geral da República) objetivando saber sobre a renda obtida com as palestras que proferira, eis que a candidata Marina Silva de pronto se lembrou de “retificar” as informações originalmente encaminhadas àquele órgão.

É que ela “esquecera” (talvez por considerar irrelevante) de listar dois investimentos mantidos no banco HSBC: uma aplicação em renda fixa no valor de R$ 30.000,00 e uma caderneta de poupança de R$ 15.612,94. Feita as correções devidas, o patrimônio da candidata subiu de R$ 135.401,38 para R$ 181.014,32, representando um acréscimo nada desprezível de 37,0%.


Constatar que alguém que se disponha a candidatar-se à Presidência da República não tenha o mínimo de cuidado com o que divulga e propaga (quer via programa de governo e/ou dados pessoais à Justiça Eleitoral), advindo daí a necessidade de freqüentes e apressadas "retificações" daquilo que fora originalmente veiculado (como restou comprovado), é no mínimo constrangedor.

No mais, as recorrentes “trapalhadas” cometidas pela candidata e seu comitê nos últimos dias (o plano de governo já foi alterado várias vezes), revelam um irresponsável descontrole com o que se passa à sua volta, daí sermos tentados a imaginar quão arriscado seria se a ela delegássemos a tarefa de cuidar de um organograma muito mais complexo e de estrutura muito mais pesada, como o é o da Presidência da República.


Definitivamente, amadores não deveriam ser habilitados a tal mister.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

E CHEGOU AO "BAILE" VESTIDO DE MENSALÃO 2 - José do Vale Pinheiro Feitosa

A bala de prata, que mata o lobisomem, mais uma vez disparada pela Camarilha dos Quatro (Veja-Folha-Estadão-Globo) às vésperas de eleições, deu munição à esquálida campanha do PSDB. Adendo: que já é uma ave em extinção.

A Camarilha que conseguiu colar no PT o rótulo da corrupção com a seletiva ação do Ministro Joaquim Barbosa, agora pega o rótulo “mensalão” e imagina aplicar-lhe o número 2 para expulsar da política a Dilma e o PT juntos. Não é isso que algumas pessoas estão fazendo nos vidros de carros? Apenas escondendo quem, afinal, quer pôr no lugar?

Ontem no Terra Magazine, o seu editor Bob Fernandes diz: “Teve início há semanas – e prossegue com vindas e idas – uma revoada de executivos, e mesmo donos de algumas das empresas citadas em investigações da Operação Lava Jato. Aquela do escândalo da Petrobras.” Quer dizer aqueles “empreendedores” que cegam a menina dos olhos da miuçalha neoliberal da classe média reacionária dos vários rincões.  

Num filme americano sobre as “falcatruas” dos “empreendedores” com petróleo Árabe há um diálogo em que alguém, em conversa, denuncia a corrupção e tem por resposta que a corrupção é a energia do capitalismo. Alguns dados de Bob Fernandes: o processo da era Collor envolveu mais de 100 empresários de 400 empresas e tudo prescrito. Nos últimos 12 anos 4.928 funcionários públicos foram expulsos ou perderam a aposentadoria. Olhem só: 700 políticos (desde vereadores até o topo) perderam o mandato e tiveram direitos políticos cassados desde meados dos anos 90 e final destes.

Chega de estatística pois isso passa pela larga rede de corrupção de sonegação de impostos (inclusive do grande membro da Camarilha dos Quatro a Rede Globo de Televisão), pelas manobras de enganação dos consumidores, sem contar achacadores e outras mumunhas mais feito tipo o “por fora”, o “cafezinho do guarda”, ultrapassar a fila e por aí vão os “pecadilhos” desta gente bronzeada que sabe mostrar o seu “valor”.

Acontece que o lema “o povo não é bobo, abaixo a rede globo” funciona quando se trata da prática da ação política. De modo que o povo desconfia pois o jogo da Camarilha já está ficando óbvio. Vejam que a Camarilha tem um caminho único e tem a hegemonia de reacionários e da direita democratofóbica. Basta a Veja oferecer sua capa e os blogueiros a “serviço” assumirem a tarefa para que a massa, em correia de transmissão, corra para a trolagem.

Não é que aquilo que seria apenas o Mensalão 2 também foi dirigido para Marina Silva e para a memória de Eduardo Campos! E não foram os petistas não. Foi a “mídia” articulada da Camarilha. Mas a Marina é a grande esperança de “expulsar os petralhas”! E esta “gente” aí como é que fica, hein? Como é que vai jogar lama na Marina?

Afinal vamos ter disputa como sempre tivemos. Disputa democrática e com teses divergentes. Vamos ter vitoriosos e não vamos ter derrotados. Afinal é da natureza do processo que os resultados elejam dois tipos legítimos de mandatos: a situação e a oposição. Mas é preciso ter em conta que a regra é duradoura e passível de debate de mudança. Só após o debate e o processo eletivo é possível a mudança.

Não vamos esquecer de uma coisa. Foi a aliança PSDB e PFL (DEM) que instituiu o jogo de elite representado pela chamada “reeleição” que se diz e se tem até convicção foi comprada em notas volumosas para dar mais um mandato ao “príncipe do neoliberalismo”. Pois bem as regras do “príncipe” afinal não são bem reeleição. Se trata, a rigor, de um mandato de 8 anos e confirmação na metade do mandato. Falar em reeleição com a máquina na mão é, como sabemos, jogo de elite.

É preciso amor pra poder pulsar. É preciso paz pra poder sorrir. É preciso a chuva pra poder florir.”   


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Qual a direção, candidata ??? - José Nilton Mariano Saraiva

À medida que se aproxima o tão esperado “dia D”, as trapalhadas se sucedem no comitê de campanha da candidata Marina Silva, num eloqüente atestado de que, tal qual “biruta” de aeroporto, não há uma direção a ser seguida; assim, há, sim, prenúncio de chuvas e trovoadas à frente, já que tudo dependendo de momentâneas conveniências “político-climáticas”.
Primeiro, tivemos aquela história envolvendo os integrantes da LGBTs que, sentindo-se ofendidos com o contido no programa de governo da candidata a respeito da comunidade, exigiram e conseguiram que a própria viesse de público “desdizer”, “desautorizar” e “modificar” apressadamente o que ali houvera sido publicado sobre, mesmo que sob a ridícula alegativa de que tudo não passara de uma “falha processual na editoração”. Houve, pois, falta de firmeza e sobraram conveniências.
Depois, a comprovar que o seu programa de governo não passa de uma colcha de retalhos, onde tudo cabe e tudo é permitido, bastando para tanto que se “copie”, se “cole” e se “assuma” como próprias, idéias e opiniões de outrem, a inserção naquele “documento oficial” de textos completos (ipsis litteris), publicados na Revista da USP nº 89, de autoria do professor Luiz Davidovich, sem que os respectivos créditos lhes fossem atribuídos; ou seja, mesmo com o  “flagra” registrado, para todos os efeitos ali se achavam insertas idéias exaustivamente debatidas pela candidata e seu comitê de campanha. Houve, pois, desonestidade.
Pois bem, agora mais uma “peraltice”: é que, quando registrou sua candidatura à Presidência da República, o senhor Eduardo Campos houvera declarado formalmente possuir um patrimônio de R$ 546 mil. Eis que hoje se descobre que um dia após a sua morte, o senhor Eduardo Campos teria feito uma “doação” de R$ 2,5 milhões para o partido, o PSB. Mesmo sem levar em conta o “inusitado” de uma “doação” ter sido feita um dia após a morte do doador, a pergunta é: se o seu patrimônio total era de R$ 546 mil, como explicar uma “doação” que corresponde a quase 5 (cinco) vezes tal patrimônio ???  Caixa dois ??? Sobras de campanha ??? Dinheiro não contabilizado ??? E a Marina, sabia disso ???

Diante de tanto amadorismo, despreparo (ou seria má-fé ???), cabe questionar: a) é com essa turma tão “preparada” que a candidata pretende gerenciar um país complexo como o é o Brasil, num presumível governo do PSB ??? b) vamos aceitar isso tudo passivamente ??? c) somos tão ingênuos ???


Do Youtube

         
Letra - O Circo - Sidney Miller(1)

Vai, vai, vai começar a brincadeira
Tem charanga tocando a noite inteira
Vem, vem, vem ver o circo de verdade
Tem, tem, tem picadeiro de qualidade
Corre, corre, minha gente que é preciso ser esperto
Quem quiser que vá na frente, vê melhor quem vê de perto
Mas no meio da folia, noite alta, céu aberto
Sopra o vento que protesta, cai no teto, rompe a lona
Pra que a lua de carona também possa ver a festa
...
Bem me lembro o trapezista que mortal era seu salto
Balançando lá no alto parecia de brinquedo
Mas fazia tanto medo que o Zezinho do Trombone
De renome consagrado esquecia o próprio nome
E abraçava o microfone pra tocar o seu dobrado
...
Faço versos pro palhaço que na vida já foi tudo
Foi soldado, carpinteiro, seresteiro e vagabundo
Sem juízo e sem juízo fez feliz a todo mundo
Mas no fundo não sabia que em seu rosto coloria
Todo encanto do sorriso que seu povo não sorria
...
De chicote e cara feia domador fica mais forte
Meia volta, volta e meia, meia vida, meia morte
Terminando seu batente de repente a fera some
Domador que era valente noutras feras se consome
Seu amor indiferente, sua vida e sua fome
...
Fala o fole da sanfona, fala a flauta pequenina
Que o melhor vai vir agora que desponta a bailarina
Que o seu corpo é de senhora, que seu rosto é de menina
Quem chorava já não chora, quem cantava desafina
Porque a dança só termina quando a noite for embora
Vai, vai, vai terminar a brincadeira
Que a charanga tocou a noite inteira
Morre o circo, renasce na lembrança
Foi-se embora e eu ainda era criança




(1) Sidney Álvaro Miller Filho (Rio de Janeiro, 18 de abril de 1945 — Rio de Janeiro, 16 de julho de 1980) foi um compositor brasileiro.
O carioca de Santa Teresa Sidney Miller despontou como compositor no cenário musical brasileiro durante a década de 1960, e assim como outros artistas que também estavam começando participou com algum destaque em diversos festivais de música, bastante populares nesse período. Cursou Sociologia e Economia, porém sem concluir nenhum dos cursos. No início da carreira chegou a ser comparado com o também estreante Chico Buarque, uma vez que tinham em comum, além da timidez, a temática urbana e um especial cuidado na construção das letras. Além disso, a cantora Nara Leão, famosa por revelar novos compositores, teve grande importância na estréia dos dois - inclusive gravando, em 1967, o disco Vento de Maio, no qual dividiam quase todo o repertório: Chico Buarque assinou 4 canções, enquanto Sidney Miller era o autor de outras cinco. O primeiro registro importante como compositor foi em 1965 no I Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior (SP), obtendo o 4º lugar com a música Queixa, composta em parceria com Paulo Thiago e Zé Keti, interpretada por Cyro Monteiro. Em 1967 pelo famoso selo Elenco de Aloísio de Oliveira lançou o primeiro disco, na qual se destaca por re-trabalhar temas populares e cantigas de roda como O Circo, Passa Passa Gavião, Marré-de-Cy e Menina da Agulha. Sidney Miller compôs juntamente com Théo de Barros, Caetano Veloso e Gilberto Gil a trilha sonora para a peça Arena conta Tiradentes, dos dramaturgos Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri. Nesse mesmo ano, ao lado de Nara Leão interpretou a música A Estrada e o Violeiro no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record (SP), conquistando o prêmio de melhor letra. Em 1968, também pelo selo Elenco lançou o Lp Brasil, do Guarani ao Guaraná, que contou com as participações especiais de diversos artistas como Paulinho da Viola, Gal Costa, Nara Leão, MPB-4, Gracinha Leporace, Jards Macalé, entre outros. O maior destaque do disco ficou por conta toada Pois é, Pra Quê. A partir de então Sidney Miller intensificou a carreira na área de produção. Juntamente com Paulo Afonso Grisolli organizou no Teatro Casa Grande (RJ) o espetáculo Yes, Nós Temos Braguinha, com o compositor João de Barro. Também com Grisolli, relançou a cantora Marlene, no show Carnavália, que fez bastante sucesso. Em 1969 produziu e criou os arranjos do Lp de Nara Leão Coisas do Mundo. Ainda em 69, ao lado de Paulo Afonso Grisolli, Tite de Lemos, Luís Carlos Maciel, Sueli Costa, Marcos Flaksmann e Marlene organizou o espetáculo Alice no País do Divino Maravilhoso, além de compor a trilha sonora do filme Os Senhores da Terra, do cineasta Paulo Thiago. Também para cinema, Sidney Miller foi o autor da trilha dos filmes Vida de Artista (1971) e Ovelha Negra (1974), ambos dirigidos por Haroldo Marinho Barbosa. Sidney Miller foi autor da trilha sonora das peças Por mares nunca dantes navegados (1972), de Orlando Miranda, na qual musicou alguns sonetos de Camões, e do espetáculo a A torre em concurso (1974), de Joaquim Manuel de Macedo. Em 1974 lançou pela Som Livre o último disco de carreira o Lp Línguas de Fogo.
  •  

Sidney Miller! Deixou uma obra maravilhosa, e é tão pouco lembrada...



quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Farol


                                                     J. Flávio Vieira
Eram os gloriosos Anos 60, aqui em Crato. Vivíamos a época de ouro do futebol na nossa cidade. Campos se multiplicavam pelos subúrbios. Toda uma geração de garotos  se imantava na conquista das Copas do Mundo de 1958 e 1962. Times de Futebol Association como o “Sport”, o “Satélite”, o “Rebelde” e craques como Anduiá, Charuto, Chico Curto, Antonio e Luiz Pé de Pato, Fruta-Pão , Netinho, Pinto, Enoque levavam a torcida a superlotar o precário Campo do Sport. Paralelamente, os nossos times de Futebol de Salão ganharam renome em todo estado pela combatividade e efetividade do seu jogo. Ainda menino, encantava-me com as disputas gloriosas e acirradas entre o Votoran, o Volkswagen, a AABB e o Crato Tênis Clube e com as jogadas de craques como Gledson, Reginaldo, Dote, Luciano, Pernambuco, Zé Vicente, Paulo Cézar, Gilton. Desses times, periodicamente, se convocava a aguerrida Seleção Cratense de Futebol.
                                   Com tantos embates empedernidos e fabulosos, surgiu a necessidade imperiosa do seu registro midiático e foi justamente neste período que floresceu o jornalismo esportivo da região, em Crato polarizado entre as duas Rádios : a pioneira Araripe e a jovem e recém-inaugurada Educadora. Foi neste cenário e com alguns célebres personagens que aconteceu, nessa época, o mais monumental acontecimento da história radiofônica caririense.
                                   A Seleção Cratense de Futebol de Salão , multivitoriosa, viajou para um embate duríssimo com a Seleção de Iguatu que jogava em casa. A transmissão naqueles tempos áureos era dificílima. Iguatu encontrava-se numa zona silenciosa de radiodifusão e só existiam duas maneiras de executar a tarefa. Conectar a rede diretamente no fio do telégrafo ou na linha do trem, captando, depois, por fios, diretamente aqui, os sons possíveis e múltiplos que viessem. A qualidade era péssima, cheia de ruídos e sons adventícios, principalmente quando se utilizava a modalidade linha do trem. E mais, sem possibilidade de comunicação direta com a Rádio local, nunca se sabia se a transmissão estava sendo possível. Era  sempre um tiro no escuro. Pois bem, a Rádio Educadora adiantou-se e, em ofício, solicitou a linha aos “Correios e Telégrafos”. A Araripe ficou no olha-e-veja, tarde despertou para o fato de ter sido sobrepassada pela concorrência . Restava-lhe, tão somente, optar pelo péssimo recurso da linha do trem e a incerteza da possibilidade de retransmissão ou a certeza de perder a audiência para a Educadora por conta da baixa qualidade sonora. Um jovem locutor esportivo, então, teve uma ideia inusitada. Ouvir no estúdio da Araripe em Crato, a transmissão da concorrente e , através dela, fazer a própria veiculação da partida, como se lá estivessem. O comentarista esportivo, mais tarimbado, temeu pela dificuldade quase intransponível do feito, mas, sem opção, acedeu. A equipe cedo se trancou no estúdio da Araripe, para que todos pensassem que haviam viajado para Iguatu e, de lá, sorrateiramente, ouvindo a emissão defeituosa e cheia de ruídos da Educadora, retransmitiram, como se lá estivessem, todo o jogo. Até mesmo o segundo gol do time do Crato , gritaram antes . Como foi possível ? O jovem locutor, atento, em meio a propaganda da Araripe, percebeu quando a torcida do Crato berrou : Gol de Gledson ! E, antes da adversária, sapecou : -- Gollll da Seleção Cratense ! Gledson ! O comentarista, anos depois, contava que o mais terrível era ter que comentar os lances sem ver e, mais, no intervalo do jogo, ver-se na imperiosa necessidade de fazer considerações minuciosas por mais de quinze minutos sobre a partida. Nem é preciso dizer que todo Cariri optou pela transmissão da Rádio Araripe, limpíssima e sem quaisquer barulhos estranhos. Quando a Educadora descobriu o blefe , estabeleceu-se uma celeuma danada, protestos e mais protestos, editoriais no noticiário. Nem sequer perceberam que haviam presenciado a mais extraordinária façanha do Rádio caririense em todos os tempos, protagonizada por um jovem locutor esportivo, ainda pouco conhecido, chamado Heron Aquino e um comentarista já mais taludo e que se tornaria, depois, um dos nomes mais queridos do jornalismo cearense : Elói Teles.
                                   Pois bem, amigos, rápido, cinquenta anos se foram desfolhando, como por encanto, na Folinha da parede. O nosso querido comentarista já hoje flutua nas ondas celestiais. Neste  dez de setembro, o Dia da Imprensa , o Cariri emudece um pouco mais, quando seu companheiro,  o jovem locutor de outrora, resolveu dependurar o microfone.
          Neste interlúdio de meio século, Heron Aquino se tornou o mais completo nome do Rádio Caririense. Locutor, Narrador Esportivo, Noticiarista, Disk-Jóquei, Cerimonialista, Assessor de Imprensa, Produtor, Publicitário, Diretor de Emissoras de Rádio, Redator e Repórter, desempenhou as mais variadas e díspares funções com galhardia, competência e simplicidade. Trabalhou ainda em Fortaleza,  na Ceará Rádio Clube e na TV Ceará e poderia ter tido uma fulgurante e próspera carreira nas terras alencarinas se  a saudade do pé-da-serra não tivesse vencido aos doces prazeres da beira-mar.  Aqui retornou e fez sua voz brilhante e característica se transformar na voz oficial da nossa cidade. Ético,  nunca fez da sua atividade um balcão de tramoias e negociatas, não precisou por qualidades em quem não tem, nem pespegar virtudes em salafrários. Equilibrado sempre propagou a notícia como um mote para que o ouvinte , do outro lado, desenvolvesse sua própria glosa.
            Sem Heron, o Rádio perde uma voz importante e isenta e um técnico de uma completude  quase que insubstituível.     Ele     seguiu, intuitivamente,  os preceitos de Pulitzer do bom jornalismo : foi sempre breve para que fosse ouvido; claro para que lhe apreciassem; original para que nunca o esquecessem e , acima de tudo, preciso para que , como um farol, muitos viessem a ser guiados por sua luz.

Crato, 10/10/14

                                     

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

MILTINHO - José do Vale Pinheiro Feitosa

Apesar da imanência de alguns trolls, é agradável publicar em blogs. Definitivamente este é um dos componentes da comunicação via internet que mais me agrada. Por isso faço uma segunda postagem neste dia.

Para falar em Milton Santos de Almeida. O famoso cantor Miltinho que faleceu hoje no Rio. Aos 86 anos de idade de pleno ritmo. No meu horizonte, junto com Jackson do Pandeiro, está entre aqueles que melhor exploraram o ritmo da MPB em suas interpretações.

Fez um disco memorável com Elza Soares e em disco solo Miltinho infiltrou-se no tecido cultural do Crato ali pelos anos 65 a 68. Quando se ia para os bailes, com nossos conjuntos, os seus crooners seguiam o estilo. E o perfume das meninas sambava com Miltinho.

Em 1970 ou 1971 estava tirando uma segunda via do certificado de Serviço Militar na Décima Região Militar em Fortaleza quando aconteceu algo interessante. No final de semana o Miltinho fora a um programa de televisão com muita audiência, era do Flávio Cavalcanti, e anunciara que retirara o bigode como uma espécie de protesto contra as dificuldades financeiras pelas quais passava.

Os tenentes e capitães ficaram danados da vida. Queriam o sacrifício do cantor diante do regime que nos quartéis aprenderam a respeitar. Mas a verdade é Miltinho era um homem da Zona Norte do Rio.

Morreu no Hospital do Amparo no Rio Comprido. Este hospital pertence a uma ordem de freiras descendentes de alemães, a maioria originária do sul do Brasil. Até quando por lá estive as freiras ainda tinham forte sotaque ao falar, apesar de já serem da segunda ou terceira geração nascida no Brasil.


Seu velório será no Memorial do Carmo no complexo de cemitérios do Caju. Em princípio e ao cabo, Miltinho foi um carioca da gema. Do mais intenso que é ser carioca.   

PRAIA DA PEDRA RACHADA - José do Vale Pinheiro Feitosa

Todo o horizonte da existência desfaz-se em espuma de maré, entre a linha que delimita o invisível e a beira mar onde as ondas se escumam. O desmanchar-se da superfície móvel do mar prende meu olhar já nos instantes da despedida das luzes do Ceará. E, no restaurante do meu amigo João de Gabriel, enquanto Raimundo Cabirote dava vida à melodia brasileira, desfazia-me em espumas do mar.

Desfeito, sílabas soltas, letras desgarradas, conceitos perdendo forma, a síntese daquele mundo a dominar a mente tão plena de luz agora como depois filamento partido de uma lâmpada queimada. Mas eis que entre a inação das espumas igual ponto branco se firmou. Coalhou no olhar.  

E do fundo do olho, entre as espumas do mar, aquele ponto branco não se desfez e mais ainda, com pouco moveu-se no espaço. Moveu-se e cresceu. Num viajar em direção à praia. O recorte de uma vela latina, branca como as espumas, negou a negativa do feito. Um novo feito acontecia no centro das águas desfeitas.   

E de repente a rua Bárbara de Alencar, sem nenhuma semelhança com o que encontra, quem por ela caminha ou passa de automóvel, é uma vela latina branca. Branca como as espumas da desova dos girinos destas lembranças anfíbias. E nem preciso mais que um quarteirão, entre a João Pessoa e a Santos Dumont.

E nem preciso da Confeitaria Glória e nem das asas do 14 Bis. Apenas entro no Salão ABC ouvindo o cric crac do movimento manual da máquina de cortar cabelos e o inerente ar perfumado da Aqua Velva. Passos em ambas as calçadas da rua estreita onde o comércio faz seu desfile de ofertas e preços.

E são tantas lojas, armarinhos, mercearias, bares, salões, farmácias que coisas mais ainda se esquece como retalhos de uma peça colorida e desenhada nas prateleiras quando a roupa não se vendia feita. E mais ainda: os nomes de fantasia das placas, que tanto anunciam, eram menores que os próprios donos.

Ora quem há de pensar noutra denominação que não seja seu José Eurico, com seu corpo magro e o modo educado. Abidoral absolutamente patrimonial com seus herdeiros talentosos do nome e após o comércio no cair da tarde solando um violão na brisa da calçada. Ora está escrito. Anotado. Pronto para conferência.

A caderneta de compras na mercearia de Ciço Beija Flor pode haver nome mais belo entre a fantasia de uma placa de comércio e o próprio que assim se nomeou? Pode. Mas como a vela latina vem em minha direção, vou afirmando que não há.

O Bar de Jan Jão. É assim mesmo que minha lembrança oral traduz em letras? Não me tome por desatento, mas nem quero nomear os frequentadores, assim como esqueci do anátema que alguém um dia aplicou a Yô Yô apenas por que ele abria as portas para cessar os tremores do delirium tremens do amanhecer. Atento, Yô Yô, fica em outro quarteirão.

Moacir quem há de esquecer. Ontem tomei um gole de alegria por sabe-lo longevo. Há pouco se fez espuma quando por mais de noventa anos se fez uma vela latina. Em busca de fregueses. Sempre o poder sedutor da venda. Da negociação. Do baixar o preço no final da conversa após a alta do início.


Do chegar mais ainda a vela latina. Chegar à beira mar. Aportar. Descer o jangadeiro com o peixe e firme plantar os pés no chão iluminado com tantas luzes. Destas luzes sem filamentos em risco de partir-se. Uma luz permanente, digamos assim. Mesmo que a permanência seja a afluência de novas gerações.       

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Cadê a "ÉTICA", Marina ??? - José Nilton Mariano Saraiva

Em tempos de “facilidades” propiciadas pela Internet, é necessário que as pessoas, instituições, partidos políticos e/ou outros atores tenham cuidado com o que expõem como se fosse da própria lavra, sob pena de desmoralizar-se publicamente. Afinal, isso é ilegal, além de constituir "falta de ética" e despreparo, já que pura “enrolação” objetivando enganar os incautos, em benefício próprio. 
A reflexão é só pra lembrar que, à medida que vai sendo paulatinamente “destrinchado” por gregos e troianos, comprovado está que o tão badalado plano de governo da candidata Marina Silva não passa de uma “colcha de retalhos”, onde tudo cabe e todo mundo agrega algo, só que com um detalhezinho sorrateiro e aparentemente vulgar: a freqüência com que a combinação informática “Crtl+C + Crtl+V” é utilizada.

Para quem não “manja” nada de informática ou simplesmente tem dificuldade em manusear o “bicho” chamado computador, o “Crtl+C” é a combinação prosaica de duas teclas que, acionadas conjuntamente, “COPIAM” qualquer texto que você deseje manter em arquivo; já o “Crtl+V” é uma espécie de “complemento”, já que com a função de “COLAR” o que foi copiado, gerando um documento à parte.

Pois bem, dias atrás o candidato Aécio Neves “botou a boca no mundo” para acusar a candidata-concorrente Marina Silva de “plagiar” parte do Programa Nacional de Direitos Humanos lançado por FHC em 2002, já que nem as vírgulas foram suprimidas. Indignado, cobrou-lhe pelo menos o “crédito” da matéria (citação da fonte originária). Marina Silva ignorou.
Mas, se alguém acha que a acusação do Aécio Neves é mera picuinha e não merece credibilidade, é bom que saiba que no programa de Marina Silva, na parte que trata sobre “Educação, Cultura e Ciência, Tecnologia e Inovação” foi copiado na íntegra (ipsis líttteris) um artigo publicado na edição nº 89 da Revista da USP (março/maio 2011), sem que fossem citados fonte (a tal revista) e o autor (professor Luiz Davidovich). Como não poderia deixar de ser, tal método de Marina Silva e comandados foi duramente rechaçado pela comunidade acadêmica (não só da USP), que acusou a candidata e sua equipe de “falta de ética”.
Como são muitos os trechos (não caberiam no espaço) em que Marina Silva & Cia fizeram uso da combinação “Crtl+C + Crtl+V” (copiar/colar), abaixo apenas um deles:
TRECHO CONSTANTE DO ARTIGO DA “REVISTA DA USP” (original):
• Fortalecer o Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária e as políticas de CT&I e agrícola com vistas a avançar na sustentabilidade da agricultura brasileira, desenvolvendo, aperfeiçoando e difundindo de forma ampla tecnologias eficientes de produção que conservem o solo, usem de forma eficiente a água, sejam compatíveis com a preservação do meio ambiente e da biodiversidade, e que permitam o aumento da produção sem expansão significativa da área ocupada.
TRECHO CONSTANTE DO “PLANO DE GOVERNO” DA CANDIDATA MARIA SILVA:
Fortalecer o Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária e as políticas de CT&I e agrícola com vistas a avançar na sustentabilidade da agricultura brasileira, desenvolvendo, aperfeiçoando e difundindo de forma ampla tecnologias eficientes de produção que conservem o solo, usem de forma eficiente a água, sejam compatíveis com a preservação do meio ambiente e da biodiversidade e permitam o aumento da produção sem expansão significativa da área ocupada.

E aí, encontrou alguma divergência ???
Perguntas que se impõem: a) cadê a “ÉTICA”, Marina ??? b) se “apropriar” do que é de terceiros, sem a devida permissão, é correto ??? c) uma candidata cujo “Programa de Governo” não passa de um “ajuntamento” de textos de autores variados, sem que se lhes imputem pelo menos os “créditos” devidos, merece mesmo alguma credibilidade por parte dos seus presumíveis eleitores ???  d) se alguém “importa” um texto “ipsis lítteris”, será que terá condição de operacionalizá-lo mais à frente, se porventura chegar lá ??? e) será que a “falta de conteúdo” (ou comprovada “embromação”) da candidata Marina Silva nos debates e entrevistas, tem a ver com o fato de desconhecer o que consta do próprio Plano de Governo ??? f) ou, tal qual aconteceu com o texto sobre a comunidade LGBTs, aqui também houve apenas e tão somente mais uma banal “falha processual na editoração” ???
Alfim, essa é mesmo, de verdade, a pessoa mais credenciada para cuidar de um país complexo como o é o nosso Brasil ???





quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Desculpe, Marina, mas eu tô de mal...

                
J. FLÁVIO VIEIRA

                                               Tinha-me prometido, nestes tempos eleitoreiros, em que todos os ânimos ficam exacerbados ao extremo,  não meter minha colher de pau nesta papa fervente. Até mesmo porque todos sabem, de cor e salteado, minhas posições políticas e sempre parecerá que, catapultado por elas, não terei o equilíbrio suficiente para discernir o milho da pipoca e acabarei puxando a brasa para meu piau. Como sei  que sempre, seja quem for, partirá de suas próprias convicções , para tentar entender e interpretar os cenários que se vão configurando, não tenho pruridos e resolvi entrar no jogo. Resistir quem há-de?
                                               Nas últimas semanas, então, com o prematuro desaparecimento do Eduardo Campos e a entrada de Marina Silva, numa partida até então morna e sem maiores atrações, a Maratona ganhou múltiplos atrativos. As pesquisas têm mostrado um aumento significativo nas intenções de votos da candidata do PSB  que tem ameaçado a reeleição da presidente Dilma e praticamente aniquilou a escalada titubeante de Aécio Neves , demonstrando a curva em descendente do outrora fogoso PSDB, hoje uma espécie em vias de extinção. O clima no país, com mudanças tão rápidas no tabuleiro de xadrez, é de perplexidade. A Direitona ,que apostava as cartas todas em Aécio, de repente, descobriu que tudo era um blefe e, rápido, lançou os trunfos  na canastra de Marina, atitude que já vem sendo tomada, inclusive,  por vários membros do próprio PSDB. O grande problema é que , relutantes, não acreditam nos posicionamentos também relutantes e mais filosóficos que pragmáticos de Marina. Sabem da sua história, da sua militância sempre mais à  esquerda, inclusive como Ministra de Lula e andam mais desconfiados que cachorros em Noite de São João. Mas que opções outras teriam ? Os Petistas, por outro lado, andam tontos com a súbita mudança de cenário. De repente, a avalanche há apenas quarenta dias do primeiro turno e os necessários correções e ajustes que precisarão ser feitos de forma emergencial no curso da campanha.
                                               Por que Marina parece tão palatável para a população ? Primeiro é importante lembrar que ela encarna, um pouco, aquela saga de Lula : uma pobre, da pobre região Norte, alfabetizada apenas aos 12 anos, crescida dentro das Lutas Sociais e que sonha em um dia ser a maior mandatária do país e corrigir todas as distorções e deformidades que tão bem conhece pois viveu-as toda na própria pele. Depois, Marina surge como uma alternativa viável à alternância de poder, à polarização de mais de vinte anos, com os desgastes esperados,  PT-PSDB. Além de tudo, Marina Silva transparece além de simplicidade, honradez: sua história política tem poucas máculas até mesmo porque não exerceu muitos cargos executivos. Além de humilde, despojada, transpira dignidade, eu compraria, de olhos fechados um carro dela e ficaria feliz se fosse minha vizinha.
                                               A Candidatura do PSB, no entanto, carrega consigo dubiedades sérias , arestas difíceis de se apararem. O Programa de Governo, por exemplo, prega a Disseminação dos Conselhos Sociais, alternativa já em franco desenvolvimento na Saúde, na Educação, na Cultura, na Justiça, desde a Constituição de 1989. A Direita, no entanto, torce o nariz, acreditando que é uma tentativa  de venezuelizar ou cubanizar o Brasil. Por outro lado, reza bônus salariais para professores e funcionários públicos por desempenho, uma iniciativa francamente neoliberal, chamada de Meritocracia e que dá engulhos na Esquerda. Deseja ainda priorizar o Agronegócio, com preservação do Meio Ambiente algo parecido com fazer o omelete sem quebrar os ovos. Pretende por sua vez reduzir o consumo de combustíveis fósseis e incrementar a Energia Solar e a produção do Álcool,  sem dizer claramente o que fará com a Petrobrás e com a Energia Hidroelétrica. Propõe ainda uma Reforma Tributária, necessária mas dificílima de se articular por conta dos díspares interesses da União, dos Estados e Municípios. Quer ainda aumentar em R$ 40 bilhões as verbas destinadas à Saúde, atitude louvável, mas sem muito lastro : de onde virão os recursos ? Por outro lado,  titubeia em questões já superadas pela Sociedade, que nos remete à idade das trevas,  por mero viés religioso,  como o Casamento Gay já resolvido pela justiça e pela jurisprudência e a pesquisa com células tronco-embrionárias. Marina Silva , como cidadã, tem todo o direito de escolher e exercer a religião que lhe aprouver, o presidente do Brasil, no entanto, tem que ser necessariamente laico como determina a nossa Constituição.
                                               O mais sério, no entanto, é que se eleita, com a pequena bancada que possui o PSB, haverá a imperiosa necessidade de arrematar apoio nos partidos do Congresso. Sem suporte amplo, não se governa, lembrem de Jânio e de Collor. Apoio, significa, necessariamente, cargos que serão rateados pelos muitos partidos da base de sustentação. O governo, assim, não será do PSB, mas  de coalizão. As velhas raposas de sempre voltarão famintas ao galinheiro. O leitor me dirá, qual o problema ? Os outros não fizeram igual : O PSDB e o PT ? Claro, isso , inclusive faz parte do jogo democrático, pode ser até uma deformidade da Democracia, mas está nas regras estabelecidas. A grande questão é que o discurso de Marina fala numa “Nova Política” que vem para sepultar a “ Velha Política”. Essa “Nova Política” é indefinível, ninguém até hoje soube de que se trata, quais as novas regras e os novos instrumentos.  Que diabos de “Nova Política “ é  essa que utiliza os mesmos métodos arcaicos da anterior?
                                               Boas intenções, infelizmente, não bastam. Os bordéis, os cemitérios, as câmaras estão cheinhas de bem intencionados. Marina carrega consigo aquela carinha messiânica de beata, de irmã de caridade e promete milagres e curas miraculosas como tantos de seus pares. A mim, não basta. Já cansei de pseudo-Messias e bezerros de ouro. Sua ambiguidade crônica, tergiversando, sempre, nas questões mais importantes, me remetem àquele soldado americano da Guerra da Secessão. Temendo ser atingido,  resolveu vestir-se com a camisa do exército confederado do Sul  e a calça do exército do Norte. Imaginava que assim estaria salvo no conflito. Na batalha o que aconteceu foi que os soldados do Norte atiraram na parte de cima   e os recrutas do Sul na parte de baixo . Virar tábua de pirulito é o destino político dos hesitantes. O campo de batalha está pronto e os soldados a postos.


Crato, 03/09/14

Marina e a cédula de R$ 3,00 - José Nilton Mariano Saraiva

O eufemismo “falha processual na editoração” serviu de mote para que a candidata Marina Silva tentasse justificar modificações apressadas no seu programa de governo, recém-saído do forno. Só que, sabe-se agora,  a “verdade verdadeira” é que tal decisão foi resultado do “puxão de orelhas” que um dos seus influentes apoiadores, o pastor Silas Malafaia lhe aplicou, ao exigir, com prazo definido, que tratasse de retratar-se publicamente no tocante à questão da comunidade LGBTs, modificando o que fora divulgado: “Aguardo até segunda-feira uma posição de Marina. Se isso não acontecer, na terça será a mais dura fala que já dei até hoje sobre um presidenciável.” (Coluna Elio Gaspari – O Velho na novidade de Marina). E assim, às pressas, e sem se importar com a (falta de) coerência, tudo foi refeito “vapt-vupt”, de sexta-feira para o sábado, de modo a que os ânimos serenassem.

A reflexão é só para demonstrar que inexistem “coerência” e “firmeza” na tal “nova” política da candidata Marina Silva, porquanto os métodos não diferem um milímetro dos aplicados na “velha” e tradicional política do “é dando que se recebe”. Afinal, a simples perspectiva de perder os votos das lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transgêneros e transexuais (LGBTs), foi determinante para que logo logo à tona emergisse a “velha” política da conveniência e da oportunidade. Afinal, que “nova” política é essa que obriga a candidata a tentar, sem sucesso, equilibrar-se no fio de navalha, com receio de desagradar alguns (poucos) prováveis eleitores ???
E se alguém imagina que se trata de uma questão menor e sem importância, é bom que tire o cavalo da chuva, porque se houve tal “abertura” numa questão pontual, uma pergunta básica se impõe: como Marina Silva negociará com o “banco de reserva” do  Congresso, quando as grandes questões da República forem postas, porquanto já disse e repetiu “ad nauseam” que não aceitará  conversar com os "titulares", adeptos da “velha” política ???
Já na questão tida como a mais relevante, a economia, não é preciso se ser nenhum “expert” para constatar que uma possível vitória da ex-verde Marina Silva significará um imediato retorno ao modelo econômico vigente à época do governo FHC, com tudo de deletério que representou aquele sombrio período (os juros chegaram a 45%, lembram). É que o seu principal ideólogo-formulador é o economista Eduardo Giannetti, ligado historicamente ao PSDB, que tem repetido para quem quiser ouvir que o projeto econômico de Marina é basicamente o mesmo que o projeto de Aécio Neves,
Lá, dito está, com todas as letras, que haverá um radical corte de gastos na área social, que a política do salário mínimo não mais contemplará ganhos reais, que a exploração do pré-sal não terá a relevância que tem hoje, que a redução do papel do Estado na economia será implementada de pronto (e aí, como conseqüência, medidas recessivas, desemprego e recessão) e por aí vai.

Alfim, o que se pode aferir do exposto no programa da candidata Marina Silva, é que a “nova” política anunciada por ela é tão verdadeira quanto uma nota de três reais (R$ 3,00). Valerá a pena pagar pra ver ??? Não se trata de um risco tão desnecessário quanto inoportuno ???

Post Scriptum:

A propósito: merece um "picolé de xuxu" aquele que tenha ouvido da candidata Marina Silva “respostas objetivas” sobre o que lhe é perguntado, nos debates ou entrevistas nos telejornais. É um “enchimento de lingüiça” sem fim.  

terça-feira, 2 de setembro de 2014

SUPERAR AS CLASSES SOCIAIS - José do Vale Pinheiro Feitosa

Eleições concentram ideias. Aquilo que individualmente se pensa, de repente se junta e se organiza em grandes ilhas que tendem a se aglutinar de modo continental. É preciso imaginar que forças de atração e repulsão agem nesse processo de fusões e organização.

A principal força é a que sustenta a vida do ser humano e seus modus operandi político, cultural e econômico no mundo. Sustentação da vida traduz-se como sabedoria e a causa maior de toda inteligência humana.

Mesmo quando a destruição e a violência se alastram como guerras ou conflitos civis, há por trás uma busca extrema pela sustentação da vida. Assemelha-se a uma contradição ontológica, mas na verdade a contradição é externa ao ser da sustentação vital.

São as classes sociais com seus modelos específicos e hegemônicos de definir a sua sustentação como a prioridade sobre a sustentação das outras classes sociais. Até por uma resposta imediata, que se imagine até primária, a superação das classes sociais é uma questão central e histórica. E pode ocorrer justamente porque externa à sustentação de se estar no mundo.

Eliminar as contradições sobre a essência do ser no mundo é livre arbítrio humano. É libertar-se das regras de pensamento totalitárias que cristalizam dominâncias e sufocam o exercício do ser no mundo. É ir além de toda as dependências escravas de uma visão que naturaliza as regras das classes dominantes como a explicação mais ampla para justificar o quão são irremovíveis as contradições.

Não é incomum nos espaços de debate, como estes privilegiados em blogs e nas redes sociais, uma argumentação caleidoscópica de clichês das sucessivas e apressadas leituras monolíticas e pouco afeta à pluralidade. Por isso se provoca tanto. Às ideias as substituem por chavões, à leitura do divergente vem xingamentos, fora isso, fora aquilo. E assim se naturaliza o linguajar psicopático quando alguma racionalidade se encontra sempre ao lado e ao alcance.

Agora estamos em mais um processo eleitoral. Mesmo as ideias que nos aborrecem precisam ser consideradas. Mesmo que alguém imagine que sua agressividade vai ajudar seu candidato é sempre possível que este compreenda que agressividade é uma energia que pode ser usada ontologicamente no sentido de estar no mundo.

Logo em seguida tenha por regra que a agressividade que apenas se põe como correia de transmissão para sustentar posições de classes sociais é motor real da luta histórica. Não se pode esquecer que os senhores de escravos sabiam do ódio eterno que a escravidão despertava mesmo gerações após as outras.

Continuavam porque possuíam os meios econômicos para afrontar o estar no mundo do outro. Até que as fontes destes meios se tornavam insuficientes para conter os efeitos da afronta. E assim vai continuar até que se encontrem sistemas que superem as classes sociais e suas contradições.


Isso é socialismo como se pensou nos últimos trezentos anos. Não é religião. Não é um catecismo e nem um mero código de comportamento. É uma consciência de como se estar no mundo e que este estar é um processo histórico decorrente das relações humanas no contexto do planeta. É um mero arranjo externo ao ser.  

domingo, 31 de agosto de 2014


Poema do desmantelo azul
"Então, pintei de azul os meus sapatos
Por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos...
e colori as minhas mãos e as tuas.

Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas,
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.
E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.
E perdidos de azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul."
(Carlos Pena Filho)
BAILARINAS EM AZUL - DE EDGAR DEGAS
Ver mais