por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sexta-feira, 15 de abril de 2022

“ESTRANHAS” COMPRAS – José Nílton Mariano Saraiva


Com referência ao medicamento Viagra, na bula do fabricante Pfizer (bem como nas dos demais laboratórios), o item sobre “Para que Este Medicamento é Indicado” contém uma única e bem clara recomendação: “Viagra (citrato de sildenafila) está indicado para o tratamento da disfunção erétil, que se entende como sendo a incapacidade de obter uma ereção (rigidez do pênis) suficiente para um desempenho sexual satisfatório”.

Partindo-se de tal asseveração, é estranho que o Governo Federal, através do Ministério da Defesa, ao reconhecer e tentar justificar a "estranha" compra (com dinheiro público), de 35.320 comprimidos do Viagra, haja alegado que... “a aquisição de sildenafila visa ao tratamento de pacientes com Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP), que é recomendado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)” e que... “por oportuno, os processos de compras das Forças Armadas são transparentes e obedecem aos princípios constitucionais” (há, no entanto, a suspeita de acréscimo de mais de 100,0% num dos lotes adquiridos).

OBS: a “hipertensão arterial pulmonar” é uma doença rara que faz com que a pressão arterial nos pulmões seja mais alta, e É MAIS COMUM EM MULHERES; mas, na bula do Viagra não consta nada sobre).

Estranhamente, no caso em comento os 35.320 comprimidos do Viagra tiveram uma destinação contraditória entre as tropas, já que à Marinha foram destinados 28.320 comprimidos (80,18%) para um contingente de 76.000 elementos, ao Exército foram endereçados 5.000 comprimidos (14,16%) para um universo de 215.000 integrantes e à Aeronáutica 2.000 comprimidos (5,66%) para ser usado por 65.000 servidores. Como explicar tal desproporcionalidade ???

Também foram adquiridas, com dinheiro público, 60 (sessenta) próteses penianas infláveis, ao preço médio de 50.000/60.000 reais cada, perfazendo um total de R$ 3,5 milhões de reais.

Na primeira compra foram 10 próteses, ao preço de R$ 50 mil cada, destinadas ao Hospital Militar da Área de São Paulo. Na segunda compra, adquiridas outras 20 unidades, cada uma custando aproximadamente R$ 57 mil, que foram enviadas para o Hospital Militar da Área de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. O último pregão acumulou outras 30 próteses, ao preço de R$ R$ 60 mil por unidade e foram novamente destinadas ao Hospital Militar da Área de São Paulo.

É evidente que, pelo estratosférico e absurdo valor unitário, tais “utensílios domésticos” não contemplaram a “arraia miúda” da tropa (cabos e soldados), mas tão somente o oficialato das três forças (entre os quais alguns aparentemente “superdotados”, já que o tamanho das referidas próteses varia entre 10 e INCRÍVEIS 25 CENTÍMETROS).

Alfim, há que se ressaltar que... “as próteses penianas são utilizadas principalmente no tratamento de disfunção erétil e que há dois tipos: maleáveis e infláveis, com a segunda simulando melhor a fisiologia da ereção normal, por meio da implantação de dois cilindros, uma bomba e um reservatório, daí ser mais cara que a maleável”.

A saber, quais foram os “felizes” (ou seriam “infelizes” ???), contemplados com uma ajuda de valor tão expressivo.

sábado, 9 de abril de 2022

PREMIAÇÃO QUESTIONÁVEL - José Nílton Mariano Saraiva

Dias atrás, a mídia brasileira teve a coragem de repercutir com certo estardalhaço uma frase proferida pela cantora (???) Anita, que numa troca de farpas com o ex-ministro Ricardo Salles, asseverou... “só não vale falar do meu cu, porque este serve mais à sociedade que você” (ipsis litteris).

Um silêncio sepulcral se verificou, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo e se tratasse mesmo de uma afirmação politicamente correta, em razão de um suposto empoderamento da mulher, nos dias atuais.

Meses após, numa prova inconteste do declínio moral que a humanidade está a atravessar, a TV brasileira foi pródiga em anunciar e exibir, em horário nobre, a “premiação” de uma música/vídeo da própria (de cunho eminentemente sexual), como a mais exibida em todo o mundo.

Eis que hoje, finalmente, uma sua igual (mulher) tem a coragem de vir a público colocar os devidos pingos nos “is”. E de forma contundente e categórica, sem espaço para tergiversações (vide abaixo).
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PARABÉNS ANITA, MAS NÃO, OBRIGADA (Tatiana Poroger)
Parabéns para Anita por chegar ao topo do Spotify. Sabemos que ela é uma mulher extremamente batalhadora, com ótimo faro para o sucesso comercial. Minha admiração começa e termina aí.

Não consigo gostar das suas músicas (???). Também não consigo bater no peito e dizer “nossa que orgulho, ela é brasileira como eu”, pois não vejo valor no conteúdo (???) que ela produz, por mais sucesso que faça. Tampouco consigo comemorar que Anita seja a inspiração das meninas adolescentes de hoje. Pelo contrário, acho que seja um péssimo exemplo a essa geração.

A música e o clip em questão são de uma vulgaridade sem tamanho. O vídeo se resume a 3 minutos da rainha (???) feminista demonstrando como excitar um homem, utilizando-se de suas nádegas, que ficam amplamente expostas a quem quiser conhece-las no detalhe.

Não tenho filha mulher, mas se tivesse tentaria ensinar-lhe a se valorizar, física e intelectualmente, impor respeito e saber ser sensual quando quiser, sem ser vulgar. Mas tenho 3 filhos homens.

Tento lhes ensinar que respeitem e valorizem as mulheres e que o envolvimento quando inclui corpo, alma e mente é muito mais significativo e prazeroso para ambos. Músicas como a de Anita, onde as mulheres se tratam como mero objeto de prazer tornam minha mensagem um tanto quanto conflitante.

Em outras palavras, como dizem os meninos dessa geração, estamos “bugando” a cabeça deles, que deve está girando mais ou menos assim: meus pais me dizem para tratar as mulheres com respeito, e valorizá-las. Enquanto isso, as meninas estão rebolando a bunda na minha cara ao som de “me chama de vagabunda”, “me dá um tapa” e “te faço gozar em 5 minutos”.

Na prática, as que se dizem feministas hoje estão dificultando a vida de quem quer educar a atual geração de forma que as meninas se deem o devido valor e rapazes as tratem com mais respeito do que tratavam em gerações anteriores.

Desculpe Anita, mas não consigo te agradecer por isso.

Também não jogarei a culpa toda em cima de Anita. Ela é esperta, viu uma oportunidade e não tem o menor pudor em se expor de forma vulgar, assim como tantas outras artistas no Brasil e no mundo.

Não tenhamos síndrome de vira-lata, desdenhando de um produto ou pessoa só porque é “made in Brasil”. O assunto da Anita veio à tona por aqui agora pelo motivo óbvio dela ser brasileira, mas a vulgaridade e objetificação da mulher na música não é nem de longe exclusividade de artistas brasileiras.

Por fim, há milhões de mulheres que realmente estão sendo maltratadas mundo afora e precisando desesperadamente de alguém que lute por elas, mulheres de todo tipo. Exemplos não faltam: na Arábia Saudita mulheres não podem abrir uma conta bancária ou obter passaporte sem um responsável homem, na Somália, meninas ainda sofrem mutilação genital, na Índia o tráfego e escravização de mulheres vem crescendo ano a ano e no Brasil uma mulher é estuprada a cada 10 minutos.

Enquanto isso, o movimento feminista parece estar em busca do “direito” das mulheres de se vulgarizarem. Posso ser antiquada, mas isso não me parece uma grande conquista dessa geração.

Então, mais uma vez, parabéns Anita, pelo sucesso, mas não, obrigada.

Tatiana Poroger.

 

“A VELHICE É UMA MERDA” – José Nílton Mariano Saraiva

E o Alain Delon, belo e fabuloso ator francês que, no auge da fama, “baratinou” a cabeça de muitas e belíssimas mulheres por esse mundo afora (nas décadas 60/70 ficou conhecido por símbolo sexual), resolveu que não quer mais viver, que a vida não tem mais sentido, tendo em vista que... “a velhice é uma merda”.

Em sendo assim, deverá submeter-se à “morte assistida” e, para tanto, bem antes já houvera decidido residir em um país onde tal procedimento é permitido por lei (Suiça).

De comum acordo, aqui o próprio filho (Anthoni Delon) foi o escolhido para ministrar-lhe o “remédio” adequado, no dia e hora em que ele assim o desejar (espécie de extrema-unção adotada entre os católicos).

Evidentemente que tão radical decisão do Delon, hoje com 87 anos, deverá provocar debates e teses sociológicas às mais variadas e complexas, podendo até mesmo enfocar uma questão intrigante: para que não se considere que “a velhice é uma merda”, não seria melhor que o ser humano já nascesse com um “prazo de validade” estipulado ???

Como, anos atrás, redigimos e publicamos um texto sobre um “sósia” do Alain Delon, residente em nossa capital, que quase chegou às raias da loucura no sentido de não só parecer fisicamente, mas, também, nas atitudes e trejeitos do ídolo famoso, resta saber se seguirá pari passu o script traçado pelo ídolo maior (teria prova maior de amor ???).

Assim, em razão do “fato novo”, permitimo-nos republicar tal texto.

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“MANUEL SIMPLÍCIO” - José Nilton Mariano Saraiva

Abstraindo-se aquela máxima preconceituosa de que “homem que é homem não acha homem bonito” (porquanto corre o risco de ser tachado de veado, bicha, gay e por aí vai), a verdade é que o laureado ator francês Alain Delon (Alain Fabien Maurice Marcel Delon), além do dom natural de representar com extrema competência, era, sim, um homem bonito e charmoso e que   “destroçou” corações femininos mundo afora (tanto que, à época, uma de suas esposas foi a atriz austríaca Romy Schneider, uma mulher belíssima, desejada e disputada por meio mundo de homens, e que se tornou famosa após o filme “Sissi, a Imperatriz” e quando protagonizou com Delon o filme “A Piscina”).

Hoje, já na faixa dos 85 anos de idade (e valendo-se do prestígio obtido nas telonas), Alain Delon abandonou o cinema e virou empresário de sucesso, possuindo vários produtos com seu nome, entre os quais roupas, perfumes, óculos e cigarros.

Pois bem, aqui em Fortaleza Alain Delon serviu de referência (ou modelo) para um “cabeça-chata” autêntico, oriundo lá dos grotões do interiorzão brabo.

De estatura elevada como o francês (1,90 cm ou coisa parecida), vasta cabeleira e esbelto, nosso conterrâneo, estimulado pelos irmãos mais novos (que sabiam da sua adoração pelo artista francês), meteu na cabeça que seria por essas bandas a cópia fiel do ídolo famoso, embora não tivesse nenhum pendor para a arte de representar. Além do que, o nome de batismo (onde estavam os pais quando escolheram nome tão horroroso ???). não ajudava nem um pouco: MANUEL SIMPLÍCIO.

Mas, eis que, não mais que de repente, Manuel Simplício conseguiu se engajar numa atividade que jamais imaginara e de grande visibilidade: integrar a equipe esportiva de um conceituado jornal da capital, onde ficou responsável por uma coluna diária. E então, mesmo que por linhas tortas, realizou o sonho da vida: em homenagem ao ídolo maior, adotou o pseudônimo Alan… (sem o “i”, a fim de tornar-se mais “deglutível”).

Fato é que, hoje, Manuel Simplício já nem lembra do seu nome original (aquele escolhido com tanto esmero e carinho pelos pais), e só atende (todo gabola) pelo nome com o qual homenageia e lembra o ídolo maior: Alan...

Quando lhe indagam sobre Manuel Simplício, a resposta é:

Que diabo é isso ???

segunda-feira, 4 de abril de 2022

 “SINECURAS” DO CIRÃO – José Nílton Mariano Saraiva


Aos que desconhecem, SINECURA é... “o emprego ou cargo rendoso que exige pouco trabalho”, ou, ainda... “qualquer função ou situação que assegura uma remuneração sem que seja exigido trabalho” (vide Dicionário Houaiss).

Diante do exposto, alguém aí do outro lado da telinha saberia informar por qual razão o Ciro Ferreira Gomes nada fala sobre ter participado dos Conselhos de Administração da Acesita e da Itaipu Binacional, mesmo na condição de Ministro de Estado ??? E se é verdade que tais sinecuras lhe propiciavam um "acréscimo" entre 12 a 15 mil reais em sua remuneração mensal ??? E se não seria "aético" receber tal remuneração extra ???

Ante o exposto, a pergunta que não quer calar e que se impõe: por qual razão não te manifestas sobre, Ciro Gomes ???

sábado, 26 de março de 2022

 

A “TERRA PROMETIDA” - José Nílton Mariano Saraiva

No decorrer da Segunda Grande Guerra Mundial, quando os nazistas, sob ordens de Hitler, invadiram a Polônia, esta se tornou uma das principais protagonistas da hediondez que estaria por vir adiante, já que escolhida pra abrigar os principais campos de extermínio dos humanos apreendidos pelas tropas alemãs, a saber:  Auschwitz, Belzec, Chelmno, Majdanek, Sobibor e Treblinka.

E em plena zona urbana, o “Gueto de Varsóvia” era a própria antessala do inferno: separados por um muro que o isolavam da civilização, milhares de judeus padeciam à espera de trem que os levaria aos campos de extermínio. E quem tivesse o “privilégio” de embarcar num deles, de uma coisa tinha certeza: seria uma viagem sem volta.

Eis que agora, com a invasão da Ucrânia pela Rússia, a Polônia outra vez se encontra sob a luz dos holofotes, em razão de ter se tornado numa espécie de “terra prometida”, já que preferencial destino dos que tentam escapar da morte iminente se de lá não se mandarem.

E os poloneses têm se portado e se mostrado conscientes do papel que só um povo que conheceu na pele os horrores da guerra pode demonstrar: assim, os ucranianos são recebidos com todo carinho e gentilezas mil, com a certeza de que estarão abrigados até que possam retornar à terra natal algum dia, a fim de reconstruí-la.

Afinal, trata-se da "terra mãe". 

      

 

terça-feira, 22 de março de 2022

“MONUMENTOS À INSENSATEZ” - José Nilton Mariano Saraiva


Quando o “agente público” se dispõe a contratar, a peso de ouro, uma grande construtora para a realização de obras estruturais de porte (hidroelétricas, rodovias, usinas, ferrovias, metrôs e por aí vai), implícita e explicitamente se pactua a responsabilidade da contratada em prover não só os recursos humanos especializados, mas, principalmente, todo o equipamento pesado e necessário para a consecução do planejado (o pacote vem completo, e firmado o preto no branco). É assim (ou deveria ser) em todo lugar do mundo.

No Estado do Ceará, no entanto, quando da gestão dos megalomaníacos irmãos Ferreira Gomes, a coisa não funcionou bem assim. E a prova da irresponsabilidade nos foi dada quando tomamos conhecimento da herança maldita deixada pelo ex-governador Cid Ferreira Gomes para o seu afilhado político e sucessor Camilo Santana: o “rico” Estado do Ceará “torrou” incríveis e exorbitantes R$ 135.000.000,00 (cento e trinta e cinco milhões de reais) com a COMPRA (repetimos, COMPRA) de dois “tatuzões”, tipo de maquinário usado na perfuração/ construção de metrôs (na ocasião, denúncia foi apresentada na Assembleia Legislativa por um dos deputados da oposição, sem que haja progredido, ante o “rolo compressor” (maioria) do governo).

Há que se levar em conta, a fim que tenhamos condição de imaginar a dimensão da verdadeira “insanidade” perpetrada pelo então governador do Estado, que, à época, além do “preço galático” de tão sofisticado equipamento, estranhamente “pequenos-grandes” detalhes foram “esquecidos” ou desconsiderados, a saber:

01) para manobrar/operacionalizar tais equipamentos, obrigatoriamente serão necessários “técnicos especializados” e, consequentemente, hiper bem remunerados, onerando sobremaneira o já combalido orçamento estadual (comenta-se, inclusive, que no mercado interno não existe disponível tal profissional, tornando-se necessário buscá-los lá fora);

02) até a “vovozinha de Taubaté" sabe que, à época, o Estado do Ceará não tinha a mínima condição de suprir a energia elétrica (e até a própria “voltagem”) a ser usada para acionar referidas máquinas, o que, em termos práticos, significa que o tal maquinário simplesmente não poderia sequer ser “plugado na tomada”; e, finalmente,

03) se algum dia, num futuro distante, tal equipamento tiver condição de ser utilizado, mesmo que por breve período, é perfeitamente factível questionar qual a destinação que lhe será dada “a posteriori”, na perspectiva de que Fortaleza não terá tão cedo condição (econômico-financeira) de comportar/construir linhas de metrô a torto e a direito.

Alfim, embora saibamos seja o senhor Cid Ferreira Gomes graduado em Engenharia Civil (embora nunca tenha projetado ou sequer erguido uma banal choupana de taipa), é perfeitamente admissível deduzirmos que o então governador, ante tão esdrúxula decisão e gasto, haja incorrido e praticado grave ato de “improbidade administrativa”, porquanto comprovadamente perdulário no uso do dinheiro público, já que desconsiderando a “inoportunidade” e “desnecessidade” de adquirir equipamento tão sofisticado e de uso temporal, num Estado onde recorrente e persistentemente grassa a fome, a sede e a miséria.

Assim, face à deficitária (ou inexistente) relação “custo-benefício” implícita em sua aquisição, os onerosos e inoperantes “tatuzões” do Cid Gomes tenderão a se tornar, ao longo do tempo, símbolos frios, imóveis, desgastados, e emblemáticos do descaso e desrespeito para com a seriedade e à sociedade.

Verdadeiros MONUMENTOS À INSENSATEZ.

domingo, 20 de março de 2022

FUGINDO DO INFERNO” – José Nílton Mariano Saraiva


Às impensáveis e criminosas “atrocidades” cometidas pelos nazistas 80 anos atrás, no decorrer da Segunda Grande Guerra Mundial, nós, os sessentões/setentões da vida, só pudemos ter acesso através de relatos dos poucos que conseguiram a “façanha de sobreviver” e de filmes épicos que reconstituíram aquele negro período.

Eis que agora, em pleno século XXI, atônitos e estupefatos temos o “desprazer” de assistir em tempo real, via telinha, a monstruosidade do que é uma guerra, principalmente quando as vítimas preferencias são mulheres indefesas e crianças inocentes, submetidas a tanta dor e a tanto sofrimento, por decisão de arrogantes e insensíveis engravatados instalados em redomas refrigeradas, longe do inferno em que se transformou a bela Ucrânia.

E assim, embora já passados “na casca do alho” em termos de vivência humana, as cenas horripilantes nos causam estupor e incredulidade.

Como entender que, com os pais compulsoriamente detidos para “defender a liberdade da terra natal” (embora muitos tenham se voluntariado antes), adolescentes femininas, mães e filhos menores de idade sejam obrigados a deixar tudo pra trás, levando uma só mala ou mochila com alguma coisa útil e se mandem, a pé, por dezenas de quilômetros, literalmente “fugindo do inferno”, numa caminhada rumo ao desconhecido (isso sob um frio intenso, com temperatura abaixo de zero, sem comida e sem água) antes que os temíveis invasores cheguem destruindo tudo; que futuro os aguardará em novas terras, onde praticamente terão que recomeçar do zero e dependerão da caridade alheia (a começar do novo idioma, emprego e por aí vai).

E pelo que se viu até aqui (já se passaram mais de 20 dias), enquanto a lengalenga da diplomacia não leva a lugar nenhum (a exigência de uma das partes para se chegar a algum acordo é que todas as condições apresentadas sejam aceitas pelo oponente), a ordem do comando invasor é não deixar pedra sobre pedra; tem que demolir, arrasar, fazer desaparecer definitivamente cidades que levaram anos para serem erigidas com tanta luta e dedicação.
Tanto que, numa mudança recente, os já poderosos e potentes mísseis convencionais até então usados para atingir edifícios residenciais, substituídos foram por misseis hipersônicos, de maior poder de destruição e eficiência (lançados de caças MiF-31, têm capacidade de atingir alvos a 2 mil quilômetros de distância, atingem velocidade dez vezes maior que a do som e viajam a 6 mil quilômetros por hora, são capazes de realizar manobras e desafiam todos os sistemas de defesa antiaérea).

Fato é que, pelo andar da carruagem, a apavorante perspectiva de que as "portas do inferno" sejam definitivamente escancaradas através da entrada de novos atores (armados até os dentes) deve ser considerada, sim, lamentavelmente.

Chegaremos ao ARMAGEDOM ??? (grande guerra final ou confrontação decisiva).

sábado, 19 de março de 2022

ADEUS... "MANTOS SAGRADOS" - José Nílton Mariano Saraiva

 E eis que o facebook nos premia ao republicar um nosso texto de tempos atrás, que fazemos questão de compartilhar com todos. 

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 Suas lembranças no Facebook

Jose Nilton, nós pensamos em você e nas lembranças que compartilha aqui. Achamos que você gostaria de relembrar esta publicação de 1 ano atrás.

 

ADEUS... “MANTOS-SAGRADOS” - José Nilton Mariano Saraiva

 Confeccionados em edições limitadas, virgens, intocados e inocentes, assim eram os uniformes dos nossos principais clubes de futebol, até bem pouco tempo. E tais predicados serviam para realçar a beleza, o esplendor e a magia de cada um deles. Havia até uma certa timidez, um certo receio, um excessivo respeito que nos impedia de maculá-lo, acessá-lo, tocá-lo sequer. Como se fora algo... “sagrado”. 

O símbolo do clube, e só ele, soberano e galhardo, pontificava e realçava à altura do peito esquerdo, sobreposto às cores respectivas. A camisa de um Vasco da Gama, um São Paulo, um Flamengo, um Fluminense ou um Palmeiras se nos apresentava sóbria, elegante, indevassável, imaculadamente soberana em sua pureza. Nada capaz de nodoá-las. 

Além do "símbolo emblema" à frente, apenas a numeração às costas. Era, pois, motivo de orgulho pra todos nós, torcedores. Pode-se inferir que foi ali, via imaginário popular, que se materializou seu batismo como “manto sagrado” ou “segunda pele”. 

Mas, aí, adentrou no campo de futebol um parceiro que mais tarde se revelaria por demais “guloso”, a televisão, já que trazendo a reboque um avassalador e temível rolo-compressor: os “patrocinadores”. 

Extremamente profissionais, poderosos, fortes, exigentes e cheios da grana, comendo pelas “beiradas”, começaram o processo de demolição progressiva do romantismo imiscuído numa atividade até então praticamente amadora. 

Assim é que, num primeiro momento, as bordas do próprio campo de futebol (laterais) outrora vazias, solitárias, desprezadas e sem qualquer valor mercantil, repentinamente se viram povoadas ou “premiadas” com dezenas de placas, anúncios, propagandas diversas; estáticas, em formatos variáveis e multicoloridos, tais instrumentos anunciavam desde bebidas alcoólicas a peças íntimas femininas, do másculo aparelho de barbear ao suave desodorante direcionado à mulher. 

Tudo isso veiculado pela televisão, para milhões de telespectadores, tornou muita gente milionária (o Kleber Leite, à época repórter de campo da Rádio Globo e hoje poderoso empresário futebolístico no Rio de Janeiro, começou a “se fazer”, ficar milionário, via negociação das respectivas placas). 

Estava dado o primeiro passo para a “profissionalização” definitiva das nossas principais equipes. E então, mais que rapidamente, foi dado o passo seguinte: “vapt-vupt”, sem que sequer nos déssemos conta, das bordas do campo o insaciável e esperto “patrocinador” resolveu pular adiante, alçar voo rumo a um espaço mais visível, generoso, abrangente e em permanente exposição: e dessa forma, agindo sem quaisquer concessões ou escrúpulos, foi que os “mantos sagrados” das nossas principais agremiações foram fria e calculadamente desvirginados, violentados, estuprados. Irreconhecíveis ficaram. 

Ainda insatisfeitos, a partir de então os jogadores de futebol foram literalmente obrigados a funcionar como eficientes “outdoors ambulantes”, a anunciar um produto qualquer. Para tanto, os novos “donos do futebol” trataram de instruí-los e catequiza-los a trocarem as camisas entre si, ao final de cada pugna, ou mesmo as arremessaram para a torcida, objetivando, evidentemente, difundir a “marca”, fazê-la circular, se tornar conhecida além do campo de jogo ou do próprio estádio. 

E tem mais: se antes os nossos craques se notabilizavam pelo belo sentimento amadorístico do “amor à camisa” (pela qual só faltavam se matar em campo) ou pela siderúrgica fidelidade ao clube de origem a ponto de dificilmente se transferirem para um outro, chegando mesmo a serem confundidos com a própria instituição (Pelé, no Santos, Roberto Dinamite, no Vasco e Zico, no Flamengo são exemplos emblemáticos), pois bem, como se não bastasse isso, repentinamente o patrocínio se individualiza na figura do próprio craque, avança sobre o esportista, peita e corrompe inexoravelmente o homem. 

E haja “direito de imagem” pra cá, “direito de imagem pra lá”, que implica em usar um boné de uma determinada marca, uma chuteira de uma cor tal, uma prosaica “fitinha” (com a marca estampada) a prender o cabelo e por aí vai, em troca de montanhas de dinheiro (você já notou que certos jogadores, antes do início da partida, se agacham para amarrar as chuteiras, quando poderiam ter tomado tal providência no vestuário ??? pois é, trata-se de uma ação previamente ensaiada com a emissora de TV). 

Resumo desse capitalismo selvagem ??? A TV transformou o futebol num rendoso, inesgotável e próspero negócio, com dirigentes e jogadores “nadando” em dinheiro. E haja propina. Nem que para isso o torcedor seja dia-a-dia desrespeitado, ignorado, relegado a ser um mero objeto de consumo, simplório coadjuvante, sem nenhum poder de escolha ou decisão; assim, os jogos tanto podem começar ao sol inclemente do meio-dia, como avançar pela madrugada e terminar no dia seguinte; o calendário vai de segunda a domingo e quem não achar correto, que se exploda. 

Quanto ao nosso querido “manto sagrado”, foi pro beleléu, voou pro espaço, escafedeu-se, sumiu; é mais fácil encontrar uma agulha no palheiro que localizar, mesmo com uma possante lupa, o “símbolo do clube” em camisas repletas de propagandas às mais diversas (e normalmente de um tremendo mau gosto). Até a seleção nacional se rendeu ao mercantilismo do patrocínio e a “amarelinha” já ostenta as tais “marcas”. 

O torcedor não gosta do que está vendo ??? Que vá reclamar ao papa. E estamos conversados. 

PT saudações: o patrocinador.


quinta-feira, 17 de março de 2022

CARTA A CECÍLIA FLESCH - Benedito Costa


A apresentadora e repórter da GloboNews, Cecília Flesch, cometeu a estupidez de zombar no Twitter da fala de Lula, que pronunciou "adevogado". Quebrou a cara. Internautas mais cultos, linguistas, se manifestaram criticando o preconceito linguístico.

"A Carta a Cecília Flesch", da autoria de Benedito Costa, é muito mais que uma aula de etiqueta. E revela toda a extensão da ignorância, não de Lula, e sim da jornalista da GloboNews que “corrigiu” rindo o termo adEvogado pronunciado pelo presidente Lula em seu brilhante discurso.

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Segue o texto:

"Carta a Cecília Flesch"

Prezada jornalista,

Trabalhei vinte anos para essa empresa em que você está agora. Centenas de jornalistas “passaram pelas minhas mãos”, expressão não muito feliz, mas verdadeira. Vai que você não a entende e faz leituras indevidas dela. Isso não é legal, viu?

A maioria deles, em estado de indigência com os entendimentos da realidade da língua materna. Assim como você. Isso é uma pena.
Um jornalista tem a língua como principal ferramenta -- e entendê-la deve ser um dever, antes mesmo de um direito. Ou há um paralelo: direito e dever. Mas essas palavras confundem algumas cabecinhas, não é?

Seus colegas andam confusos e perdidos em outras áreas também.
A questão não é o fato de os jornalistas saberem o que é uma epêntese, ou uma vogal epentética, pois isso foge ao escopo do curso de jornalismo. A questão é o jornalista, que tem a língua como principal ferramenta, como eu disse, não entender seu funcionamento.
Grande parte dos falantes do Sul usam a epêntese no caso de “advogado”, assim como em grande parte do país se fala “peneu”. Incluindo você.

Aliás, você tem outros vícios de linguagem, que não são da minha preocupação.

Seus bandidos de estimação sulistas também usam epênteses, assim como vogais finais sem abrandamento, o que é inclusive uma piada local. Aliás, as pessoas não sulistas riem do nosso "pente" e não "pentchi" -- e isso é uma piada do nível do tio do pavê, que nos faz revirar os olhos. Afinal, tanta gente diz "treis" em vez de "três" porque isso é natural da língua.

Grande parte dos seus colegas têm vergonha do "r" retroflexo e isso dá uma dor de cabeça danada para as fonoaudiólogas da sua empresa, que também não estão muito interessadas com a naturalidade da língua e sim com o preconceito mesmo.

Preconceito vende mais que os produtos duvidosos que vocês colocam no ar, porque o preconceito é mais fácil de entender e é mais palatável.

Em paralelo, o preconceito é um tipo de arma dos fracos e despreparados, que não têm algo mais profundo a dizer.

São pessoas ignorantes mesmo. Pseudo intelectuais, pedantes, vazias. Creem que um corte Chanel ou um scarpin de bico fino sejam suficientes para se fazer um trabalho bem feito.

Até o dia em que a empresa os joga na sarjeta, como tem ocorrido repetidamente na Globo -- e a sociedade, na lata de lixo da história, afinal a contribuição deles -- e a sua -- para o jornalismo, a ética, a "verdade" é nula, nada, nadica de nada.

Mas o mais grave para um jornalista, além de ser jagunço dos donos da empresa para a qual trabalha, é a vaidade e a ideia de superioridade, mesmo. Tratar as pessoas de cima para baixo.

Não sei se você tem doutorado na área. Creio que não. Quase nenhum de seus colegas têm. No máximo, as pós e os cursos in Company que a Globo oferece, geralmente têm conteúdo de gestão... e de autoajuda.

E a pessoa de quem você debocha tem 16 ou mais doutorados "honoris causa", algo que você, certamente, não imagina o que é. Até porque, no máximo, seria a paraninfa paga de uma faculdade de esquina.

O mais engraçado para você é o seguinte. Eu esquecerei você amanhã. Mas outros, não. A cada frase que você pronunciar agora haverá um sujeito disposto a procurar descompassos entre o que a língua é e o que vc pensa que ela seja.

Sinto que você contribua para o empobrecimento das discussões linguísticas. Nós levamos séculos de observação e estudo para entender o que é uma epêntese e outros metaplasmos.

Sinto também que, dentre tantas coisas importantes ditas pelo sujeito de quem você debocha, você tenha escolhido isso, uma epêntese.

Matar as aulas de edição e produção na faculdade parece não ter sido um bom negócio.