por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



segunda-feira, 12 de novembro de 2012

É assim...- socorro moreira


Alexandre Lucas, inegavelmente, é um articulador incansável da cultura regional. Trabalha quase sozinho. A gente aplaude, ,se omite,assiste de camarote, às vezes, sua sempre postura ativista. A verdade é que pertencemos a uma geração já desencantada, e às voltas com problemas naturais, inerentes  ao nosso estágio de vida,
Aos pouco começamos a nos adequar a um ritmo de vida sem circo, trampolins, picadeiro. A lona parece abandonada num terreno baldio.
Falta sangue novo?
Falta engajamento da nossa tribo em atividades de retaguarda, com aplicações das lições de vida apreendidas?
Começo a desgostar de TV, fastia-me a net, perdi o interesse pelo próximo capítulo das novelas. A gente vai perdendo a graça, e ganhando tolerância, limitando açúcar, sal, gordura e o que delicia os sentidos.
Stela referiu-se, com propriedade, à magia que encerra as  pequenas coisas. Que elas nos salvem!
Reciclar os ânimos, no convívio infanto-juvenil, pode ser uma... Precisamos ser avós!?
O mais esquisito é quando perdemos o interesse em consumir cheiros, panos, brilhos, balangandãs... O Shopping é cansativo, ocasional, quando desistimos de deixar a panela chiar.
O dinheiro começa a esticar um pouco, sabendo que se transformará em cápsulas ou gotas amargas.
Precisamos de forças solidárias para mudar o encanto da casa, com novas cores e flores.
Neste início de mês sofremos perdas afetivas: a mãe de Nicodemos, o pai de Emerson, e outros conhecidos, ainda jovens, da nossa comunidade.
Estamos na fila da hora certa, tão incerta!
Minha voz desafina, no chuveiro, e interrompe a canção: “eu pensei em lhe falar/quase fui lhe procurar...”
É assim vida e melodia. Para de encantar e começa a ficar esquecida!

"Arvoredo"socorro moreira


O tempo tinge os nossos fios, enaltece as lembranças, pra depois arrefecê-las. Equilibra os arroubos sentimentais, como deixar de se apaixonar fosse um indicativo do amor perfeito. O ser humano são como flores, plantas... Se não for cuidado, seca, não frutifica, perde o viço, não verdeja... Morre, fica a semente, que perpetua a vida. Lembro a música de Paulinho da Viola, que fala um pouco disso...

"Pragmatismo" na "Governabilidade" - José Nilton Mariano Saraiva

Em sã consciência é difícil acreditar que as convenientes “composições políticas” hoje arquitetadas sejam do agrado de alguns que a elas sejam obrigados a recorrer (como os presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff). Assim, recomenda o bom-senso que deixemos de lado a hipocrisia e encaremos a coisa de frente, olho no olho, verbalizando-a em português claro e cristalino: no Brasil, enquanto as regras do jogo não forem radicalmente alteradas, não só a palavra “governabilidade”, mas, principalmente, sua “operacionalização” será sempre associada à pragmática e famigerada “composição”. Sim, porque o nosso arcaico e viciado sistema político assim o determina ao, literalmente, por de joelhos o Chefe do Poder Executivo (ninguém menos que o Presidente da República) ante os integrantes do Poder Legislativo (Deputados e Senadores com assento no Congresso Nacional), se quiser obter a tão almejada maioria de votos visando realizar alguma coisa em favor do povo. Portanto, por mais reprovável que se nos apresente tal prática (e é triste constatar isso), não entrar no “esquema”, envergar a camisa do bloco do eu sozinho, não se compor, comprar briga com essa raça de mafiosos que transformou a atividade política num desonesto e rendoso meio de vida, traz como conseqüência a imobilidade, a estagnação, o próprio caos, a ingovernabilidade. Querem um exemplo ??? Quem não lembra que, eleito Presidente da República (pelo minúsculo PMN), o “caçador de marajás” Fernando Affonso Collor de Mello “dançou solenemente” ao se “fechar em copas”, negando-se terminantemente a fazer qualquer tipo de composição com outras agremiações, sob a alegativa de que delas não precisaria pra governar. Deu no que deu: logo, ligeirinho, mais que depressa, arranjaram um “impeachment” para o homem (e até hoje não apareceram quaisquer provas dos supostos crimes praticados pelo distinto). A reflexão acima é só pra lembrar que muito se tem reclamado, com inteira razão, sobre o verdadeiro “absurdo” de certas “composições políticas” na quadra atual. Quem imaginaria, por exemplo, que um dia o outrora ético, puro e singelo PT fosse procurar um escroque como o Paulo Maluf com o objetivo (enfim alcançado) de desbancar o PSDB do comando da política na prefeitura de São Paulo e já de olho no governo do Estado mais poderoso na nação ??? Ou que esse mesmo PT se tornasse aliado, sob pena de não conseguir governar, de figuras asquerosas e repulsivas, da estirpe de um José Sarney, Renan Calheiros, Jáder Barbalho e outros menos votados, aos quais rotulava até outro dia, com inteira razão, de “desonestos” ??? O que dizer da atitude (aqui no Ceará) da família sobralense Ferreira Gomes (Ciro, Cid & Cia) que, alçados ao poder, às suas mordomias e aos holofotes pelo “amigo-irmão” (como o tratavam) Tasso Jereissati, findou por traí-lo miseravelmente, ao apoiar e ter papel determinante na eleição de um simplório “bancário” (José Pimentel) que com ele concorria para uma única vaga no Senado Federal ??? É tanto que, de tão decepcionado e apoplético com o ocorrido, o arrogante e prepotente ex-governador resolveu encerrar a carreira. Agora mesmo, na recente briga pela prefeitura de Fortaleza, a coisa chegou às raias do absurdo e do grotesco quando, objetivando prioritariamente derrotar o candidato do PT, sob o comando dos Ferreira Gomes (sempre eles) se acomodaram num verdadeiro “balaio de gatos” (não necessariamente todos pardos), os partidos: PSB, PMDB, DEM, PDT, PSDB, PPS, PPL, PRTB, PTdoB, PSD, PRP, PSB, PTC, PMN, PHS, PSDC, PSL, PTB, PP, PRB. Raciocinemos juntos: teria essa exótica e heterogênea miscelânea de siglas, no total de vinte (20) agremiações, alguma identidade programático/ideológica entre elas, capaz de alçá-las a um mesmo palanque, bradarem um mesmo discurso, entoarem um mesmo refrão, apoiarem um mesmo candidato ??? Claro que não. O que tem a ver, por exemplo, o PSB com os comunistas do PCdoB, ou o PSDB com o PPS, ou o PMDB com o DEM, ou o PDT com o PHS, e por aí vai ??? Qual o preço a ser pago a cada uma delas na viabilização de tão multifacetado condomínio-político ??? Diante de tão esdrúxulo acordo, cabe o questionamento: quem, afinal, dará as cartas na Prefeitura de Fortaleza, a partir de 2013 ??? (pra refrescar sua memória, um lembrete: faz tempo que o senhor Ciro Gomes de acha desempregado). Agora, como não se pode acabar com isso via medida provisória e/ou decreto-executivo, já que vivenciamos uma democracia plena, torna-se necessário que o próprio Congresso Nacional se disponha a mudar as leis atinentes. Terão os seus integrantes interesse em “matar a galinha dos ovos de ouro” ??? Fixemo-nos no PMDB, partido detentor da maior bancada em cargos proporcionais (Deputados, Senadores, Vereadores): por qual razão sua direção jamais manifestou qualquer preocupação em concorrer à chefia do Poder Executivo Federal (Presidência da República) ??? A resposta é simplória: do jeito que a coisa está, será sempre e sempre o PMDB o “fiel da balança” já que, independentemente de quem leve (ganhe a eleição), necessitará do seu apoio para exercer a tal “governabilidade”. Como se vê, o problema é mais sério do que se possa imaginar. E se partirmos para globalizar tal raciocínio, a coisa não muda muito de figura, não. Senão, vejamos que paradoxo: na atualidade, qual é o maior país “SOCIALISTA” do mundo ??? A República Popular da China. E qual é o maior país “CAPITALISTA” do mundo ??? A República Popular da China. Algum dia você havia imaginado que no futuro o socialismo e o capitalismo juntar-se-iam pragmaticamente pra conseguir resultados tão expressivos, apesar de todo o oceânico-antagonismo ideológico que os caracterizam (será mesmo que a validade de uma doutrina é determinado pelo seu bom êxito prático ???).

Sobre o "NIÓBIO"

domingo, 11 de novembro de 2012

Porque hoje é domingo...- socorro moreira


Para um aposentado a frase de Vinícius deixou de justificar a expectativa da noite mais livre da semana...
Para os boêmios, notadamente os músicos, a segunda-feira é à noite!
Quando a gente tem energia mudana todas as noites revelam mistérios. A música é trilha dos encontros. O "papo-cabeça" (veja que besteira) estimulava mais um copo, mais uma beliscada num petisco. O dia ir clareando, o mar se mostrando, o sol revelando a pintura já marcada por um cansaço inútil, em pele viçosa... Nada disso, que importa?
Passa a vontade de cair fora dos lençóis; conhecer pessoas novas, dançar ciranda com gente estranha... Cantar com todos... Sorrir do, e com o espirituoso.
Sinto saudades de todos os dias da semana...
Porque hoje é domingo, perdi a praça, e o filme no Cassino... Perdi a matinal do Tênis, e a macarronada da minha mãe; perdi o ressonar satisfeito do meu pai na sesta do almoço...
Assisti o Fluminense ser campeão, e fiquei feliz, ou quase...
Gosto tanto de Vinícius, que vou seguir a deixa.




sábado, 10 de novembro de 2012

Porque hoje é sábado - José do Vale Pinheiro Feitosa


Nas cidades praianas os dias ensolarados azougam a preguiça das manhãs. Mas aos sábados quando o sol começa a curvar-se no horizonte surge um desejo de sair. De acontecer algo fora da rotina. De sair de casa ao encontro de grandes acontecimentos. Grandes acontecimentos lúdicos.

Vinícius de Moraes em seu Dia da Criação dá ao sábado o sentido de ordenação do trabalho e de modo distinto dos judeus e cristãos sabatistas, ele é o sexto dia e o domingo o último. O seu famoso refrão “porque hoje é sábado” neste poema extrai todas as consequências do sábado ao sexto dia da criação quando Deus cria a humanidade. A humanidade é o redemoinho que gira o trabalho e por isso o sábado.

Todos os dias da semana são dias de encontro pelo estudo, pelo trabalho ou por necessidades culturais. Mas no dia de sábado é como se fosse a celebração de um encontro diferente das obrigações, das rotinas e rituais. Os sábados não apenas são um novo redivivo como é o cessar do mesmo cotidiano.

Atrair ou ser atraído para encontros. Para ouvir música. Ir ao Shopping. Dançar forró. Tomar umas e comer outras. Sair pelas estradas em busca do vizinho. Aos restaurantes de Juazeiro, reviver a tradição imperceptível de encontrar algo diferente nas moças de Barbalha.

Mesmo quando tudo que resta é um filme solitário no DVD ou um livro envolto em silêncio, mas saliente em mundos incrivelmente ruidosos. O sábado continua, mesmo que marginal, sendo o pano de fundo em que a cena da vida desenvolve o seu entrecho.

E o sábado é mais raiz quando a vida já repetiu mais de três mil destas criaturas do enredo da gênese. Os sábados da nossa cidade. O brilho das roupas de sábado, os penteados de sábado e aquele olhar indiferente só para demonstrar a diferença dele em relação aos outros.

Os sábados estrelados no firmamento e as luzes de ânimo das doses de Cuba Libre ou do fermento inebriante destas louras geladas. E nosso corpo, por efeito paradoxal toma-se de calor de tal modo abrasador que derrete todas as conveniências sociais. E como um ferreiro molda-se uma espada suplicante por uma bainha.

Ao som de um bolero. Um samba canção. Uma dor de cotovelo, no lado oculto da lua, aonde os olhares moralista nunca chegam, uma fusão quase total, uma vez suspensa neste quase por estes implacáveis tecidos de roupas. Mas os odores de ambos se misturam num silêncio anterior ao dia da criação.

A noite já passou da estação das 22 horas aí neste horário normal e das 23 horas aqui no horário de verão e tudo isso porque hoje é sábado. E amanhã é domingo.    

Dia da Criação - Vinícius de Moraes. 



Leilões

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Na novela “Gabriela”, recém reapresentada na TV brasileira, numa adaptação do Romance do nosso centenário Jorge Amado, há uma cena típica da época retratada : a Ilhéus dos anos 20.   Ina, uma quenga novinha, cheirando a cueiro, tem sua estréia de gala no Bataclã, quando sua virgindade é posta em leilão pela cafetina Maria Machadão, expondo-a aos esfaimados coronéis baianos do ciclo do cacau. Pareciam imagens típicas de um período pretérito, aqueles tempos em que o casamento era uma mera instituição burocrática, uma fábrica de fazer herdeiros e manter o patrimônio das famílias mais abastadas; sem nenhuma ligação com os prazeres de alcova, geralmente procurados pelos homens, nos cabarés,  junto às profissionais do ramo. Hímen, então, era apêndice de luxo, guardado e velado a sete chaves; passível de, roto, impelir pessoas aos crimes mais hediondos. A preservação quase que doentia desta película, inclusive, precede ao cristianismo e à pretensa virgindade de Maria. Gregos, Fenícios e Romanos  vigiavam as fronteiras sexuais das suas moças, mais que os muros dos seus castelos.
                                               Nas últimas décadas, no entanto, aparentemente, a virgindade viu esvair-se   sua importância. A iniciação sexual dos jovens tem começado cada dia mais precocemente e ninguém mais se preocupa com essa história de selo. Os meninos se queixam , inclusive, que é um saco, que dá trabalho, que atrapalha. E , mais, deixou de ser condição sine qua non no casamento, ninguém se encuca mais com a inauguração, com o invicto, com quem primeiro passou pela porta da loja, mas sim com o conteúdo do estabelecimento. Virgindade,  de virtude,  passou a ser démodé, brega, a cheirar a mofo e a cafonice.
                                               A  notícia que invadiu a imprensa, nos últimos meses, pois, parece , no mínimo, estranha.  Catarina Magliorine , uma linda catarinense de vinte anos, resolveu leiloar sua virgindade, na internet. Existe, inclusive, um site especializado neste leilão eletrônico e se chama “Virgins Wanted”. Na última quarta –feira , um japonês ( o Coronel Jesuíno do momento ) viu o martelo bater e arrematou a prenda por , nada mais-nada menos ,que um e meio milhões de reais. O Bataclã do Século XXI será instalado em um avião e a lua de mel acontecerá num vôo entre a Austrália e os Estados Unidos.
                                               Nesta semana, ainda, noticiou-se, Brasil a fora,  uma outra calamidade. No município de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, na fronteira com a Colômbia, a virgindade de meninas índias é comprada por um Celular, uma peça de roupa, uma caixa de chocolate ou por R$ 20,00. Existe todo um esquema criminoso envolvendo comerciantes locais, militares, motoristas  e até políticos no aliciamento de menores.
                                               Reflitamos um pouco sobre estas questões. Os casos do Amazonas não são tão diferentes do Bataclã do nosso Jorge Amado. Crianças são levadas à prostituição por mero instinto de sobrevivência . Já a nossa Catarina expõe-se, publicamente,  num leilão,  na busca desvairada pelo sangri-lá do consumo, inseto que já ferroou, inclusive, as nossas indiazinhas que se entregam , às vezes, por roupas de marca. A virgindade, talvez, pela raridade nos dias de hoje, volta a encantar . Se ontem mantinha seu infinito valor por conta da dificuldade em ser defenestrada, hoje reassume os valores de outrora, pouco a pouco, por vir se tornando um objeto em franco processo de extinção. O japonês e os meliantes do Amazonas compram-na , a preço de mercado, com a mesma sanha de um colecionador que adquire um Renoir para exibi-lo como parte da sua coleção. Nenhum dos dois tem qualquer amor à arte, fazem-no com a simples intenção de se mostrar para outros membros da sociedade, de pousar de bacana. Só. 
                               Como se vê, a história dos nossos costumes parece  andar em círculos. De repente, a virgindade volta a entrar em foco, a prostituição que se pensava seriamente ameaçada pela liberalidade sexual, reacende seu vigor; claro que com nuances e tonalidades diferentes. O imutável é apenas a Lei Internacional da Supremacia dos Poderosos sobre os Desafortunados. Continuamos numa mesma sociedade de castas, onde tudo está posto num balcão de negociação, tudo !  Dinheiro e poder compram tudo : amor verdadeiro, como dizia Nélson Rodrigues; beleza; santidade; reputação; saúde. Por enquanto,  apenas a morte ainda não entrou no processo de licitação, mas seu adiamento, sim.  A honra , neste mercado, vale alguma coisa entre o meio milhão de Catarina à caixa de chocolate das indiazinhas do Amazonas. 

J. Flávio Vieira

Apresento-lhes O SILÊNCIO DE DEUS em e-book!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

"American Way of Death" - José do Vale Pinheiro Feitosa


Antes que me imagine um “anti-americanista” de carteirinha, volte-se para si mesmo e compreenda o quanto a ideologia política, o estilo de vida e a cultura americana são fortes sobre a formação brasileira da geração pós-guerra. Muitos entre nós tivemos a oportunidade de sermos crítico em relação ao American Way of Life, afinal a URSS, a Social Democracia Europeia, além dos movimentos de libertação colonial, nos ofertaram esta oportunidade sem par.

O modelo americano de “desenvolvimento humano” é cada vez mais questionado pelo grau de pobreza e violência que produz, associado a uma dependência consumista que parece viver para si mesma, com enorme reação por esgotamento e corrupção da natureza que o modelo tem provocado sem qualquer parâmetro sustentável. Acho que ficou evidente que os EUA, por exemplo, parecem muito despreparados para desastres ambientes como furacões e tempestades tropicais. Primeiro foi Nova Orleans, mas isso  parece ter ficado às custas do atraso relativo, mas agora o impacto foi em Nova York e aí já não dar para esconder a marca de batom na cueca.  

O American Way of Life que começa com uma ideia generosa de liberdade e vontade de crescer individual, vai se transformando num caos progressivo não em razão do individualismo exacerbado, mas face a face com a concentração da renda e o poder absoluto do capital e das grandes corporações na área de energia, guerra, alta tecnologia e assim por diante. Por isso ele vai tomando uma série de faces de clivagem que mais e mais demonstram seus problemas.

Vou tomar quatro destas faces que existem quase em parelhas, uma a depender da outra. A primeira é expressa sistematicamente nos filmes como algo do tipo “é meu trabalho”. Isso para se referir tanto ao orgulho e de um plantador de frutas da Califórnia, quanto a um assassino pago para perseguir migrantes ilegais destas ditas plantações. “É o meu trabalho” e naquele mundo livre para viver, matar é um meio de vida. A face gêmea é de esperança frente ao espanto destrutivo e “animal” do sistema: “uma segunda chance”. Quantas vezes não a ouvimos em diálogos e até mesmo no argumento de um filme esta frase que parece dizer que o sistema pode oferecer outra chance. Em todos os ciclos de depressão econômica a segunda chance nunca aparece, mas se existe, certamente é para os mercenários a serviço do poder absoluto.

As outras duas faces são filhas diretas do neoliberalismo econômico: “cada um por si” e “a culpa é somente sua”. As duas faces de clivagem no bloco do American Way of Life parte do princípio que nem Adam Smith parecia acreditar: que o mercado seja perfeito. Teria oportunidades iguais para todos e se a pessoa não as buscou é culpa puramente delas. Coisas do tipo você tentou e não conseguiu, não precisa regulamentar práticas monopolistas e nem controlar juros, nem qualquer outro artificio para tirar você da concorrência através de práticas de sabotagem. O problema é que você não teve competência e espírito para se estabelecer.

A segunda é o do tipo: a culpa é do seu pai que não criou um patrimônio por herança. Quem mandou você não estudar o que deveria ter estudado? Por qual motivo não trabalhou mais horas do que as longas jornadas da vida? É esse o argumento do “a culpa é somente sua”.

E agora que o Obama ganhou que tal repetir uma frase que cai bem: um outro mundo é possível. Ou a de Hemingway: o mundo é um bom lugar e vale a pena lutar por ele.      

Para Stela


Para Stela


Para Stela


Hoje é o dia dela: Stela Siebra!

Um brinde a esta mulher amiga, tão especial para mim e para muitos!

quinta-feira, 8 de novembro de 2012



Feliz aniversário, Caio!


Hoje meu primogênito completa 42 anos.
São muitas as lembranças. Uma delas, seu primeiro dia de aula, no Pequeno Príncipe, antes dos 3 anos de idade.No final do expediente informou-me: tenho uma coleguinha  chamada Diana ( filha de Zé do Vale Arraes Feitosa e Maria do Carmo).Acho que, naquele dia, começou sua atração natural pelas meninas loirinhas.Casou aos 21 anos com Carla Valéria Sobreira, e ainda hoje são felizes. Encontrou o amor verdadeiro muito cedo... Que Deus os abençoe, sempre!
Que estes próximos anos tragam-lhes muitas realizações, saúde, paz e alegrias.
Com todo amor, meu grande abraço!




Tome Pílulas Amargas - José do Vale Pinheiro Feitosa


A Constituição Federal define quatro princípios para a administração pública: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Focando o assunto: a administração das leis submete-se a tais princípios constitucionais. No caso do processo do Mensalão trata-se de um caso típico de administração da lei, não estamos discutindo constitucionalidade de assuntos litigantes. No caso o foco da constitucionalidade é o STF e seus ministros, pois são eles a aplicar a lei.

Ontem o Ministro Relator do Processo do Mensalão, Joaquim Barbosa e por extensão o STF, ao meu entender, andou arranhando três desses princípios: impessoalidade, moralidade e eficiência. Chega da Europa onde foi fazer um tratamento com a medicina da sua confiança e se comporta como uma estrela de mídia, fazendo piadas com alívios de dores. Em seguida faz um discurso para as televisões em transmissão direta criticando réus que manifestaram desacordo com as sentenças que o Ministro deseja aplicar-lhe, depois manda prender o passaporte de todo mundo, pretende ampliar as condenações e ataca o comportamento moral dos seus pares, especialmente do Revisor com o qual se sente contrariado.

Não vou cansá-los com os detalhes desses princípios, pois estão disponíveis na internet, mas há uma vasta análise do julgamento que põe dúvidas imensas sobre inclusive o princípio da legalidade em razão de que a jurisprudência é inovadora ao caso e por outro lado existem outras jurisprudências a favor e contra ao que se aplica ao caso. Mas há uma vasta discussão sobre a quebra geral de todos os princípios: a diferença de tratamento a fatos idênticos acontecidos na base pelos mesmos autores que é o chamado Mensalão do PSDB igualmente com raízes em Minas Gerais.

Esta história exprime muito bem a sociedade que queremos e qual a democracia que se espera nela. Uma parcela enorme da população brasileira sabe muito bem que além de princípios políticos e ideológicos se necessita raciocinar e extrair conhecimentos com a realidade. É claro que o julgamento no STF é um confronto entre partidos políticos assim como é cristalina a posição das grandes corporações de mídia de cunho nacional com o resultado do julgamento.

Envolvendo um STF em base questionável politicamente e uma mídia corporativa que faz um discurso de absoluta liberdade comercial como a se confundir com o interesse público e a expressar uma liberdade de crítica que não aceita para si, requer de todos nós certo arranjo interno fora das paixões. A questão de uma sociedade plural na qual um partido como o PT seja objeto de crítica e punições é a medida para igualmente pensar-se nas Organizações Globo, Abril, Folha, Estado de São Paulo apenas para falar aquele eixo corporativo mais evidente.

Gustavo Gindre no Observatório do Direito à Comunicação exprime um jogo empresarial das Organizações Globo que expões toda a contradição do discurso de combate ao estatismo e apoio incondicional ao liberalismo e as práticas empresarias da mesma na mesma pauta cínica. As Organizações defendem mesmo é o controle da família Marinho sobre a Holding; não conseguiu dar um pulo internacional tornando-se algo global como até mesmo empresas mexicanas; fez pressão pela Lei 12.845 que ampliaria a participação das teles no mercado de mídia; apoiaram o máximo de 30% de participação estrangeira no mercado de produtoras e programadoras; proibiu a contratação de eventos nacionais por produtores estrangeiros como campeonatos de futebol e até mesmo de talentos brasileiros; ao mesmo tempo aquele Telecine é uma mera associação com a Universal, Paramount, Fox entre outras e com a Sony-Columbia naquele canal chamado Megapix. Em outras palavras as Organizações querem ser um ponto de passagem dos estrangeiros ao mesmo tempo em que usando o Estado dificulta-lhe o ingresso no mercado nacional. É o pedágio amplo e universal da cultura nacional.

Sentiram o quanto é preciso pensar sobre o que vemos e ouvimos?