por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 18 de agosto de 2011

CARIRI ROCK & BLUES



Um encontro de duas grandes expressões musicais do Cariri: as bandas DE REPENTE BLUES e a NIGHTLIFE. Dois estilos que se completam em uma noite que promete ser a sensação desse friozinho gostoso que faz no nosso querido Cariri. A presença de pessoas bonitas, de encontros de corações, de mentes e de muitas alegrias. Momento para amar, beijar, divertir-se com uma música boa, contagiante, gostosa de ouvir e de dançar. Sons, imagens, vozes, olhares e a magia do bem-viver. Assim será sua noite. Assim será o Cariri Rock & Blues: Viver a vida. Deleite-se. Espero estarmos juntos nessa noite.

AGRADECIMENTO:

Aos nossos estimados patrocinadores, empresas e empresários que nos ajuda a tornar essa cena alternativa ainda em voga no Cariri. Então amigos, valorizemos as empresas que são parte super importante dos nossos eventos. São eles:

- PÃO & COMPANHIA - Lojas em Crato e Juazeiro do Norte
- FS INFORMÁTICA - Juazeiro do Norte
- CGL CORRETORA DE IMÓVEIS - de Crato
- SKYLER - Crato.
- CEVEMA - Juazeiro do Norte
- MARIA CABELEIREIRO - de Crato.

Foto de Nívia Uchôa



Meu olhar é sedento

Estou à mercê dos ventos ,

sem proventos.

Em todas as minhas encarnações

trabalhei os números...

Quero a redenção

Haverá tempo ?

Quem sabe eu furo o ciclo?

Pego carona na cauda dos poetas ,

e vou parar no céu que imagino :

Poesia , música, e um cineminha !
(socorro moreira)

Lua - A nutriz das Emoções - Por : Stela Siebra Brito


Como atender nossas necessidades emocionais? Como conviver com as flutuações de humor e os sentimentos de mágoa, frustração e ressentimento? Como entender o porquê de certos hábitos que temos?
Para trabalhar suas necessidades emocionais é preciso conhecer o signo ocupado pela lua no dia em que você nasceu. Você já deve ter se deparado muitas vezes com sentimentos de insatisfação, por se achar “vivendo em um mundo” que não alimenta seus anseios pessoais.
Quando há uma desconsideração pelas necessidades lunares, você pode perceber-se inseguro, distante dos seus sentimentos, separado da sua criança interior, incapaz de contatar com sua sensibilidade e sutileza.
Astrologicamente, a Lua descreve o modelo emocional da nossa alma, descreve como é nossa sensibilidade e receptividade e, também, como nos relacionamos com o feminino interior e exterior.
A busca de proteção, de intimidade, de aconchego, de segurança, o nosso modelo de família e a intensidade de ligação com o nosso passado pessoal são funções da Lua. É ela que mostra a nossa reação instintiva e irracional. Se estamos bem sintonizados com nossos sentimentos ou, se ao contrário, desenvolvemos uma instabilidade emocional, é a Lua quem indica, como também indica nossos hábitos pessoais, inclusive os hábitos alimentares.
É interessante que conheçamos a posição da Lua no dia do nosso nascimento para que possamos desenvolver as qualidades expressas pelo signo lunar. Porém, mais interessante é ter o mapa astrológico interpretado por um astrólogo, para que você tenha uma visão inteira da sua vida. Saber só a Lua, o Sol ou o Ascendente, não é suficiente para a compreensão total da nossa alma e para a realização dos propósitos que nos são colocados como missão de vida, para atingirmos o que nossa alma busca e precisa tão urgentemente realizar.
Se quando você nasceu a Lua estava em Áries você precisa de emoções fortes e de aventuras, você tem necessidade de muito movimento e, logicamente, a rotina é um tédio para você. Já se a Lua está no signo de Virgem, sua necessidade é de uma rotina diária bem organizada, de cuidar do corpo, de ter contato com a natureza.
Não devemos desconhecer nossa essência lunar e, ao conhecê–la, não podemos negligenciar o atendimento de suas prementes necessidades.
A negação da essência lunar pode acarretar doenças, tanto a nível físico quanto emocional. A pessoa que não nutre sua alma lunar pode, por exemplo, desenvolver quadro de depressão, de distúrbios de estômago ou do sistema reprodutivo, pode tornar-se uma gulosa compulsiva e ansiosa. Quando a pessoa está insatisfeita emocionalmente, dissociada do alimento essencial e instintivo da sua natureza interior, vai buscar fora um preenchimento inadequado para suprir sua necessidade. Daí se originam relacionamentos de dependência, neuroses, mágoas, ressentimentos. A tendência é ir buscar nos outros a compensação pelas necessidades não atendidas internamente, projetando uma imagem vista sob um foco e desejo das outras pessoas. E aí a coisa se complica, porque só a pessoa mesma pode reencontrar e curar sua criança interior, alimentando-a adequadamente. Há uma citação de C.Jung que traduz esse estado da alma: “O que quer que alguém tenha dentro de si mesmo, mas não vive, cresce contra si próprio... aquele que negligencia os instintos será emboscado por eles”.
Se você não ativa e desenvolve a sua expressão lunar, haverá uma distorção de funções: a espontaneidade e a criatividade desaparecerão e o lado sombrio e frustrado prevalecerá, complicando sua vida ainda mais, já que, mal atendido emocionalmente, sua tendência é cometer erro por cima de erro, agindo de modo infantil, inseguro ou sob extremo descontrole emocional.
Conscientize-se das suas emoções, instintos e necessidades, aprendendo a lidar com seus sentimentos e a expressar sua natureza emocional.
Alimente a criança interior que habita no seu santuário interno, dê-lhe a intimidade que ela precisa, abrace sua sensibilidade e aprenda com ela a poesia da vida. Aprenda também, e agora, com o poema de Cecília Meireles a ver a sua lua, e saber que ela está lá detrás das nuvens emocionais, esperando o alimento certo para que possa surgir com todo seu encanto, feminilidade, sensibilidade e esplendor. Gloriosa, como bem afirma Cecília no seu poema, que transcrevemos a seguir.

VIMOS A LUA

Vimos a LUA nascer, na tarde clara.

Orvalhavam diamantes, as tranças aéreas das ondas
e as janelas abriam-se para florestas cheias de cigarras.

Vimos também a nuvem nascer no fim do oeste.
Ninguém lhe dava importância.
Parece uma pessoa solta - diziam.
Uma flor desfolhada.

Vimos a lua nascer, na tarde clara.
Subia com seu diadema transparente,
vagarosa, suportando tanta glória.

Mas a nuvem pequena corria veloz pelo céu.
Reuniu exércitos de lã parda,
levantou por todos os lados o alvoroto da sombra.

Quando quisemos outra vez luar,
ouvimos a chuva precipitar-se nas vidraças,
e a floresta debater-se com o vento.

Por detrás das nuvens, porém,
sabíamos que durava, gloriosa e intacta, a Lua.

Stela Siebra Brito


Irmãs da Misericórdia - por José do Vale Pinheiro Feitosa




Leonard Cohen

Uma trilha. Alguma suspeita. Mas a revolução da juventude americana esteve entre a danação e a rebeldia. Enquanto expunham as vísceras da América, queimavam do inferno aos pecados. Amanheciam pedindo perdão aos deuses e anoiteciam em labaredas que os remetiam a restos acendrados.

Entre o progresso dos pós-guerra, a exuberância de uma vida de consumo e os napalms dos campos vietnamitas. Passando a escuta nos ruídos das revoluções sociais e políticas, em desabalado carnaval psicodélico. A conquista da lua e as batalhas campais das ruas. O perfeito estupor de um espírito pecador, ao remorso das frias águas dos mares do norte.

Afinal a revolução do rock foi uma revolta com as chagas do remorso. Aquelas almas sofridas judaico-cristãs. No folk, eletronics, tomando as rédeas dos ritmos negros. Não por acaso tantos se converteram aos exotismos religiosos, às disciplina produtiva ou ao mais careta espírito pequeno burguês.

Beathniks, Allen Ginsberg, Burroughs e Kerouac. On the Road, Neal Cassidy. Hippie e Punks. Marijuana, “The Door of Perceptions de Aldous Huxley. Taoísmo, Budismo, Marlon Brando e James Dean. A América culpada da rebeldia.

Beth Orton

Ao abrir o You Tube neste endereço http://www.youtube.com/watch?v=OV9V-kU621s&feature=related um trilha insinuante tomou conta da noite avançada. Beth Orton, uma jovem cantora inglesa entre o folk e o eletrônico. Nascida no início dos anos setenta canta como sem igual a bela canção SISTERS OF MARCEY de Leonard Cohen.

O canadense judeu, que começou na poesia, novela e romances. Só aos trinta anos veio para a música e teve o mesmo tratamento estético de Bob Dylan. Suas letras são a pura expressão daquela dicotomia entre a rebeldia e o pecado. Esta música do You Tube foi utilizada por Robert Altman no seu filme Mc Cabe & Mrs Miller.

Trechos da letra: Sim, você tem que deixar tudo / Que você não pode controlar; / Ela começa com a tua família, / Mas logo se volta para a tua alma. Leonard Cohen começa a vida morando numa ilha grega onde escreve os livros com os quais se tornariam com fama internacional. Depois vai para Nova York iniciar sua carreira musical, convive com toda aquela geração desbragada, especialmente Janis Joplin.

Entre altos e baixos, levanta fundos para ajudar Israel na guerra do Yom Kippur, desaparece do cenário artística, se torna budista e depois monge. Mas sempre se declarando que não se encontra em busca de uma religião diferente da judaica.

Pois é, entre o espírito da transformação e o pecado conservador.
 por José do Vale Pinheiro Feitosa

"Sensato Coração"-Por Socorro Moreira


Azul, claro,  não falar das novelas da Globo.Assisto-as! Esqueço também de assisti-las. Elas fazem parte do  ócio não criativo.
Os últimos capítulos são quase sempre imperdíveis. Alguns personagens, deverasmente nos tocam seja por qualquer detalhe... A integridade da beleza, no rosto complacente da Beth Mendes; o caráter iluminado da Louise Cardoso, no papel da Sueli; a doçura de Dayse...
Ah, insensato coração!
- O de quase todos, inclusive o meu, em tantos momentos. Quando escorregou e fugiu do canto. Quando voltou cansado, e já quis recomeço.
Vou morrer sem entender a química do amor.
Dulce, na novela das Sete, bem explica sentimentos como amor, paixão... Estes, que sempre nos confundem. (“O amor libera; a paixão escraviza”..., etc e tal).
Estou torcendo na tela e no real para que os afins se encontrem, não se percam, se harmonizem!
Cordel Encantado?
-Um caso á parte!
Acho o Capital Herculano, um homem lindo!
Nestas soltas considerações, espero sempre os próximos capítulos.
Dez anos atrás um amigo me alertou: mulher, para de se emocionar com romances de novela. Viva as suas histórias, no grau superior de intensidade!
Eu bem que tentei. De todas as experiências vividas, a mais difícil é a  do amor unilateral. E ele é só nosso! No fim da estrada é que chega a compreensão maior. Se o sentimento não passa, melhor deixá-lo alimentado dos silêncios.
Hoje, no Sem Censura ouvi um depoimento impressionante da viúva do músico Paulo Moura. Lançou livro a respeito ( recomendo!).
Fala de um amor que não está no passado, e vive no presente numa quase satisfeita, imensa saudade.
O amor não está atrelado á carne, nem à proximidade física. É brisa suave, música de riacho, raio de lua, cheiro de flor... Em todas as suas intrínsecas sutilezas.
O vazio do amor não é prerrogativa das distâncias. Ele é próximo de quem busca a saciedade amorosa, na quietude do seu potencial interior.
Aos 60 anos continuo sem saber o quanto amei, se fui amada... Meus oásis amorosos, no entanto, continuam sendo a sombra do deserto, que é pedaço de vida.



quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Pensamento para o Dia 17/08/2011


“A vida humana é cercada de altos e baixos, alegrias e tristezas. Essas experiências devem servir como marcos para o homem. A vida seria sem graça se não houvesse provas e dificuldades. São essas dificuldades que revelam os valores humanos no homem. Você não pode obter o suco da cana sem esmagá-la. Você não pode aumentar o brilho de um diamante sem cortá-lo e fazer muitas facetas. Deve-se descartar sua mesquinhez e desenvolver uma mente aberta através do cultivo do amor. Somente quando você sofrer várias dificuldades poderá experimentar a doce bem-aventurança da autorrealização. Portanto, as dificuldades devem ser bem-vindas e superadas. Quando você superar as dificuldades, terá certeza de experimentar a Divindade.”
Sathya Sai Baba

As lembranças bem guardadas - Emerson Monteiro

O meu amigo Tiago Duarte mora em Crato. Antes estudara e fora casado em Mossoró, no Rio Grande do Norte, onde deixara uma filha, Aline, que agora tem sete anos e vive junto da família da mãe, longe, pois, do pai, que este ano resolveu visitá-la na quinta-feira da semana que antecedia o segundo domingo de agosto, o Dia dos Pais.

Chegou à Cidade do Sal em tempo suficiente de participar da festinha anual do colégio que homenagearia os pais dos alunos. Passara rápido no hotel, tomara um banho e rumara ao local.

Às 16h, ocorreria a solenidade na quadra do colégio, sob os olhos animados de professores, alunos e familiares. Ao terminarem os pronunciamentos, apresentações artísticas e outras movimentações, os pais seguiram até as salas, no sentido de receberem algumas lembrancinhas dos filhos, como organizam os colégios em tais datas.

Nessa hora, Tiago observou que Aline recebera a sua lembrança das mãos da professora mas evitara lhe repassar na mesma ocasião, qual faziam os demais colegas. Cuidadosa, guardara na bolsa a prenda e dirigira-se ao pai convidando-o para descerem ao pátio do colégio.

Ali, num ponto reservado, de mãozinhas delicadas, abriu a pequena bolsa e disse ao genitor:

- Papai, nos anos em que o senhor não pode vim eu guardei as lembrancinhas para o senhor. – Nessa hora, Tiago, que já disfarçava algumas lágrimas, observou emocionado surgirem enfileirados os mimos que a menina carinhosa guardara ano a ano.

Eram elas um chaveiro de moto feito um cordão grande e a medalhinha de São José na extremidade. Outra, uma lanterna pequenina, já meio gasta pelo uso, o que decerto a criança usara nas suas brincadeiras. A terceira, moldurazinha de praia de uns 10cm de altura por uns 5 de largura, realçando fotografia de um pai pegado com o filho, levando-o ao alto, e a frase Pai, você é o meu herói. E, por fim, a lembrança atual, boné decorado pela inscrição do nome do colégio.

Em seguida, Aline também tiraria da bolsa desenho de seu próprio punho onde mostrava três figuras. A dela, Aline, e a palavra filha. De Gabriela, e a palavra irmã. Na outra, um homem e as palavras papai, Tiago. Todos felizes. Do lado, uma árvore bem delineada e o Sol risonho. Em cima do desenho, este pensamento: Agora a família está completa.

Caçarola Italiana



- 5 gemas
- 2 1/2  xícaras (chá) de açúcar
- 2 1/4  xícaras (chá) de leite
- 1 xícara (chá) de queijo meia-cura ralado
-8 colheres (sopa) de farinha de trigo
- 5 claras em neve
- 100 gr de coco ralado.



Em um liquidificador, bater as gemas, o açúcar e o leite. Em uma tigela, misturar o queijo e as claras batidas em neve. Acrescentar a mistura do liquidificador na tigela e misturar levemente. Despejar todo o conteúdo em uma forma caramelada e levar para assar em banho-maria por 35 minutos.

O VIOLINO DO PADRE CÍCERO


Padre Cícero Romão Batista trouxe dois violinos de Roma. Um deles para um sobrinho e o outro foi presenteado ao tabelião Antônio Machado, seu afilhado, por quem o sacerdote nutria grande afeto. Machadinho, como também era conhecido, foi tabelião no Crato por muitos anos. O instrumento, marca Maggini, modelo 1715, provavelmente foi adquirido de 2ª mão, uma vez que havia deixado de ser fabricado décadas antes.

No fundo do instrumento, embaixo do tampo, foi colado um papel e nele consta “Adquirido pelo pe. Cícero em Roma – Itália 1898, of a Antônio Machado em 26/03/1929 – Ceará – Juazeiro”.

Antônio Machado cedeu o violino ao músico Paulino Galvão que passava uma temporada em Fortaleza. Indo morar no Rio de Janeiro, Paulino Galvão foi colega de orquestra do violinista cratense Virgílio Arraes, spalla da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do RJ. Tocaram em outras orquestras e trabalharam juntos em muitas ocasiões, inclusive gravações de cantores da MPB de primeira linha. O dono do violino requereu aposentadoria e mudou-se para uma cidade do interior do Rio de Janeiro, deixando de tocar profissionalmente. Uma curiosidade: apesar de raro e do valor incalculável, a peça musical jamais foi comercializada após chegar ao Brasil, foi sucessivamente passada de mãos em mãos.

Passado alguns anos, Virgílio resolveu visitar o antigo colega na cidade onde estava morando e manifestou desejo de adquirir o violino que pertencera ao fundador de Juazeiro do Norte. O músico aposentado respondeu que o instrumento era valioso demais para ser vendido e por esta razão não vendia. Mas na hora da despedida pediu para o visitante aguardar um pouco, foi ao interior da casa e retornou com o instrumento raro, entregou ao amigo dizendo que era presente. Apenas pediu que cuidasse bem dele.

Assim, o violino único, que pertenceu ao Padre Cícero, foi parar nas mãos de um cratense, e está bem guardado e bem conservado.


VIRGÍLIO ARRAES FILHO

O proprietário do violino histórico, Virgílio Arraes Filho, merece capítulo à parte. Nascido no Crato, filho de Virgílio Arraes e de Marcionilia de Alencar Arraes, surpreendeu sua mãe quando, aos oito anos, afinou e tocou o bandolim a ela pertencente, sem nunca ter tido uma única aula de música. Diante do prodígio, seus pais procuraram o maestro da banda municipal para que lhe transmitisse noções da 1ª arte. Ainda criança, ouviu uma música no rádio e sentiu-se atraído pelo som do violino, que jamais havia visto. Comunicou aos pais que não queria mais tocar bandolim e sim violino. “Seu” Virgílio (proprietário da primeira sorveteria do Crato – Sorveteria Brasil - e ex-prefeito de Campos Sales, onde nasceu) mandou buscar o instrumento no Rio de Janeiro. Resolvido um problema, surgiu outro: não havia professor no Cariri. A família mudou-se para Fortaleza. Os mestres da capital cearense perceberam o enorme talento do aluno e aconselharam o aluno brilhante ir estudar na então capital brasileira, o Rio de Janeiro.

No Rio de Janeiro a carreira foi meteórica: primeiro lugar no vestibular na escola de música da UFRJ (1953), primeiro colocado no concurso público para a orquestra do Teatro Municipal, onde foi o primeiro violonista (“Spalla”) durante muitos anos. Músico da Orquestra Sinfônica Brasileira, da orquestra da TV Globo e muitos outros feitos. Único músico a tocar no cinqüentenário (1959) e centenário do Teatro Municipal do RJ. Em seu currículo constam performances nos mais importantes palcos do mundo, inclusive com a orquestra do Royal Ballet de Londres, onde foi aplaudido pela realeza Inglesa e recebeu cumprimentos pessoais da princesa Anne.

Participou de gravações com consagrados nomes da MPB, como Roberto Carlos, Chico Buarque de Holanda, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Simone, Fagner, Djavan, Dalva de Oliveira, Orlando Silva e muitos outros.

Candeia



Antônio Candeia Filho. mais conhecido como Candeia (Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1935 — Rio de Janeiro, 16 de novembro de 1978), foi um importante sambista, cantor e compositor brasileiro.


Minhas Madrugadas
Paulinho da Viola
Composição: Paulinho da Viola - Candeia

Vou pelas minhas madrugadas a cantar
Esquecer o que passou
Trago a face marcada
Cada ruga no meu rosto
Simboliza um desgosto

Quero encontrar em vão o que perdi
Só resta saudade
Não tenho paz
E a mocidade
Que não volta mais

Quantos lábios beijei
Quantas mãos afaguei
Só restou saudade no meu coração
Hoje fitando o espelho
Eu vi meus olhos vermelhos
Compreendi que a vida
Que eu vivi foi ilusão


Quem canta na noite, canta no banheiro, faça-me o favor: inclua "Minhas Madrugadas" no seu repertório...É linda demais!

Pérola da MPB

Azul musical


João Donato- Um dos maiores músicos brasileiros!


João Donato de Oliveira Neto (Rio Branco, 17 de agosto de 1934), mais conhecido apenas como João Donato, é um pianista, acordeonista, arranjador, cantor e compositor brasileiro.

Donato foi amigo de todos os expoentes do movimento bossanovista, como João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Johnny Alf, entre outros, mas nunca foi caracterizado unicamente como tal, e sim um músico muito criativo e que promove fusões musicais, de jazz e música latina, entre tantos outros. Na década década de 1950, João Donato se muda para os Estados Unidos onde permanece durante 13 anos e realiza o que nunca tinha conseguido no Brasil: reincorporar a musicalidade afro-cubana ao jazz. Grava o disco A Bad Donato e compõe músicas como "Amazonas", "A Rã" e "Cadê Jodel". Retorna ao Brasil, reencontra a música brasileira que estava sendo feita no país, mas não abandona sua paixão pela fusão entre o jazz e ritmos caribenhos. Como arranjador participou de discos de grandes nomes da MPB como Gal Costa e Gilberto Gil.

Entre as composições mais conhecidas do músico, estão: "Amazonas", "Lugar Comum", "Simples Carinho", "Até Quem Sabe" e "Nasci Para Bailar". Segundo o crítico musical Tárik de Souza: "Durante muito tempo, João Donato foi um mito das internas da MPB. Gênio, desligado, louco, de tudo um pouco.[1].



wikipédia

A lei do piso - Emerson Monteiro

As contradições de governo pedem sérias avaliações do senso crítico. A propósito, no dia 16 de agosto de 2011, enquanto o Executivo Federal anunciava a criação de mais de duas centenas de universidades e institutos de educação profissionalizante nas diversas regiões do País, os professores do Brasil inteiro decretavam um dia de greve para protestar contra o não cumprimento da lei nacional do piso salarial dos profissionais da educação por parte dos governos estaduais e municipais.

Criar leis avançadas e os próprios agentes públicos deixarem de cumpri-las significa, no mínimo, profunda contradição oficial de quem pede empenho aos setores da vida civil no estado democrático. O exemplo que deveria advir dos primeiros responsáveis representa fator essencial na boa ordem política. Querer que o cidadão médio obedecesse às determinações legais sem os mandatários apresentarem correspondente comportamento deixaria margem ao enfraquecimento das instituições em vigor.

A movimentação grevista dos professores, com isso, ganha o apoio da sociedade, porquanto reclama o justo e devido cumprimento legal do festejado diploma legislativo, conquista dos ingentes esforços coletivos de séculos, carência e meio de aperfeiçoamento do ensino, crescimento da escola e convergência dos anseios da juventude todo tempo.

Desta forma, os professores agem numa reação natural ao que pode ser considerado desrespeito aos avanços pretendidos pela padronização dos ganhos de quem se dedica ao ofício espinhoso de transmitir o conhecimento, importante fator do progresso e da civilização.

Diante, pois, das justas reivindicações dos professores ao cumprimento, pelas autoridades, da lei do piso salarial que haja firmeza e resultados favoráveis, a produzirem melhor educação graças ao empenho continuado de muitas conquistas em vias da realização plena. A lei existe. Agora chega o momento de praticar os atos administrativos que ele impõe com sabedoria.

terça-feira, 16 de agosto de 2011


16/08/2011 11h51 - Atualizado em 16/08/2011 12h04

Governo anuncia a criação de
quatro novas universidades federais

Serão abertos ainda 47 campi e 120 unidades de institutos de educação.
Novas universidades serão instaladas no Pará, Bahia e Ceará.

Nathalia Passarinho Do G1, em Brasília
O governo federal anunciou nesta terça-feira (16) a criação até 2012 de quatro novas universidades federais, no Pará, Bahia e Ceará. Além disso, serão abertos 47 novos campi universitários e 120 unidades dos institutos federais de educação, ciência e tecnologia distribuídos por todo o país. O anúncio foi feito em cerimônia em Brasília com a presença da presidente Dilma Rousseff e do ministro da Educação, Fernando Haddad.
Presidente Dilma Rousseff  durante cerimônia de anúncio da expansão da Rede Federal de Educação Superior (Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência)Presidente Dilma Rousseff durante cerimônia de anúncio da expansão da Rede Federal de Educação Superior (Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência)
De acordo com o Ministério da Educação, a Universidade Federal Sul e Sudeste do Pará terá sede na cidade de Marabá, onde atualmente funciona o campus Marabá da Universidade Federal do Pará. A Universidade Federal da Região do Cariri, no Ceará, terá sede em Juazeiro do Norte. Já a Bahia ganhará duas instituições de ensino superior: a Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufoba), com sede em Barreiras, e a Universidade Federal do Sul da Bahia (Ufesba), em Itabuna.
No total, as quatro novas universidades terão 17 campi, dos quais 12 serão criados. Os outros cinco serão transferidos de outras universidades já existentes. Ainda segundo o MEC, outras 12 universidades federais de 11 estados ganharão 15 novos campi.

De Isabel Virgínia, o café - por Everardo Norões



talvez apenas um café
um pires de doce de leite
ou simplesmente o repouso
do discurso na xícara
sabor que adormece o vencido
talvezn o linho a clarear a sala
na afasia dos espelhos
ou o verso a caber na terrina
seu perfume
talvez à soleira da porta
barulho de passos
a consumir o nome
nas exéquias do possuído
talvez nada apenas isso
um pires de doce de leite
a pequena xícara de café
bálsamo
a ressuscitar a cidade
com todos os seus mortos

Rilke Rainer Maria


Do eco sem fim de tua dor
nasce o Verbo, aflora o espinho
de uma morte a recender suave rosal.
Vieste ao mundo para orquestrar
a fúria de um Deus selvagem.
Nasceste para pacificar a violência
de um silêncio indomável.
Do escombro de cada momento
eriges o teu rosto, o teu louvor,
suavizando na angústia extrema
a violência das feras famintas.
Em cada instante escreves
a fatalidade de um anjo áspero,
o fascínio de um peregrino
a caminhar pela luz de um poema
em que tudo é santificado.
Às margens do Adriático
uma epifania conclama-te
no existir fulminante,
na loucura dos profetas,
na morte jamais desfeita em cinzas.
E tudo em nós ressuscita o intacto
silêncio das sinfonias, tudo em nós
louva a sagração do vinho,
quando nos findamos
no pólen dos teus dons.
 Lupeu Lacerda!

sei da cor do silencio das palavras

de pedra, de couro esticado de lagartos ao sol

sei da inexistencia dos sons

melodramáticos, ecos mortos,

asas de um anjo tão real quanto.

sei de cor a palavra que diz do silencio

do martelo quebrando a pedra

a mão faca arrancando a pele, da alma

do lagarto rei

os sons, quebram os sons

regurgitam gritos

e seguem em direção ao matadouro.



Por Lupeu Lacerda



A poesia de Marcos Leonel
Dos grifos

Assinalar como inconfundível
A trapaça da presença camuflada
Das gruas ante o pulo dos desesperados

Assinalar como irrefutável
A carcaça da ausência alimentícia
Do microondas bipolar posto na sucata

Assinalar como imensurável
A velha rua que sobrevive ao eterno
Apenas com verdades banais

Assinalar como praticável
Tudo aquilo que se destitui facilmente
Das qualidades essenciais

Assinalar como insuportável
A falta de subversão na resistência
E no formol da organização cultural

Não esquecer jamais
Que a verdade é a maior entre
As maiores sabotagens da ciência



Por Marcos Leonel

Relacionamentos - Rubem Alves




Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os relacionamentos são de dois tipos: há os do tipo 'tênis' e há os do tipo 'frescobol'. Os relacionamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa. Explico: para começar, uma afirmação de Nietzche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: 'Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: 'Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?

Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.' Scherazade sabia disso. Sabia que os relacionamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, e terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente.

Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: 'Eu te amo...'. Barthes advertia: 'Passada a primeira confissão, 'eu te amo' não quer dizer mais nada.
É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: 'Erótica é a alma'.

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua cortada - palavra muito sugestiva - que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra, pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é jogar pra sempre... E, o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado.

Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos. A bola: são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho prá lá, sonho prá cá. Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde. Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração.

O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor. Ninguém ganha, para que os dois ganhem. E se deseja, então, que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim.
Rubem Alves

Amanhecer cantando ...

Mimi
Carlos Galhardo
Composição: Uriel Lourival

Dentro d'alma dolorida
Eu tenho um riso teu
Meu amor
Teu sorriso é um lindo albor
Uma existência um céu
Tens na boca embelecida
Pérolas de luz
Rubra ilusão do austral
Perolário a iluminar
Um eclipse do sol com o luar
Num portento de alegria
Deus teve uma idéia um dia
E pediu com santa pena
Que eu te trocasse amor
Por Santa Madalena oh não
Ah! Eu respondi chorando
Deus, Senhor, estou pecando
Mas, doce Pai não trocarei
Sem Mimi sem Mimi
Morrerei
Ah não fosse esse teu riso
Eu morreria então
Quanta dor
Ris, eu gozo
Eu sinto amor
É denisada unção
Estais de mim fugindo agora
Mas que importa a dor
Se me deixares de a luz
Breviário inspirador
Dos poemas da bíblia do amor



Oscarito - por Norma Hauer


Foi lá, bem distante, na cidade de Málaga , na Espanha que ele nasceu no dia 16 de agosto de 1906 recebendo o pomposo nome de Oscar Lourenço Jacinto de la Imaculada Concepcion Teresa Diaz. Mas foi com o reduzido apelido de OSCARITO que se tornou conhecido em todo o Brasil, onde chegou com apenas 2 anos de idade.
Ele sempre dizia que poderia ter nascido na China ou no Polo Norte, por ser filho de uma família circense. Que nessa qualidade vivia feito nômade. Mas o mais lógico é ter nascido na Espanha, visto que sua família podia ser nômade mas era de origem espanhola.
Lembrar de Oscarito, é o mesmo que lembrar sua presença no cinema nacional. É pena que muita coisa foi perdida, mas sua atuação ao lado de Grande Otelo é algo que não se "perdeu" na memória de quem viveu aquela época.
Os críticos ("intelectuais") sempre davam as menores cotações para aqueles filmes puros, sem violência, mas com algumas malícias sutis.
O POVÃO O AMAVA !!! e isso era bom.
As paródias de filmes americanos, como "Sansão e Dalila", "Gilda" ou "Matar ou Morrer", eram de "matar" de rir. As "caretas" que Oscarito fazia...
Penso que Oscacrito podia ser comparado a Cantinflas, com nota 1000 para o nosso comediante maior.
Que bom seria se fizessem agora, 38 anos após sua morte, uma retrospectiva de seus filmes. As gerações que o conheceram iriam adorar e as novas ( de bom gosto), provavelmente também adorariam.
Do muito que ele deixou no cinema , no teatro e em nossa música, colocarei aqui a letra da

MARCHA DO GAGO

Tá tá tá tá na hora
Va va vale tudo agora
Sou mo mole pra fa falar
Mas sou um Pintacuda pra beijar...

Eu fico ga ga ga ga gago dentro do salão
E até pa pa pa pa pago pra não ver "canhão"
Mas se se se se a dona é "boa"
A minha língua se destrava atoa...

Lembro-me de Pintacuda, um corredor italiano que venceu o então importante "Circuito da Gávea". É bom saber que naquela época ( metade dos anos 30) quando estrangeiros vinham participar do famoso "Circuito da Gávea", viajava-se da Europa para aqui de navio. E em navios vinham as "baratinhas" como eram conhecidas. Eram vários dias de viagem.
Os mais famosos foram Pintacuda, que venceu duas vezes; Von Stuck (alemão) que venceu uma vez e Helen Nice, a única mulher (não venceu nenhuma) mas foi quem apelidou aquele Circuito de "Trampolim do Diabo", por causa de suas curvas perigosas na Estrada da Gávea, local hoje completamente ocupado pela Rocinha.

Tomou parte de vários filmes, mas aqueles em que atuou com Grande Otelo foram os que mais marcaram sua carreira, como “Céu Azul”, ;”Tristezas não Pagam Dívidas”; “Não Adianta Chorar”;”Fantasma por Acaso” e, principalmente as paródias de filmes americanos, como “Nem Sansão, Nem Dalila” e “Matar ou Correr” .

Do total de 48 filmes, não se pode esquecer de “Este Milhão é Meu”; “O Homem do Sputinik, “Barnabé, Tu és Meu”; “Papai Fanfarrão”ou “Aviso Aos Navegantes”, para citar só alguns.
Para falar de OSCARITO seriam necessárias muitas paginas, mas este pequeno resumo dá para fazer uma idéia do que foi sua presença em nosso meio artístico.
Oscarito faleceu no dia 4 de agosto de 1970 ( em seu “inferno zodiacal”) sem completar 64 anos quando ainda tinha muito talento para nos oferecer.



Norma

Colaboração de Altina Siebra


A poesia passeia
e eu espero a sua volta
na prosa silenciosa


O PASSEIO DA POESIA - por Ulisses Germano


O PASSEIO DA POESIA
(Dedicado a Dona Maria Mirian Teles de Santa Fé do Crato)

A poesia saiu pra passear
Vestida de candura
Sem nenhuma pedra no caminho
Sem nenhuma vírgula
Seguindo a direção das ventas
Sem saber do destino
Dos seus versos ternos
Expostos aos delírios
Do encantamento

Aheia a qualquer leitura
Indecifrável em seus passos
Esparsos e sem rastros
Suportava a amargura
Exalando a ternura
E a benevolência
Amiga da mansidão
Adjetivada na amorosidade
Das palavras saborosas

Sem dono ou abandono
Esquecida de si mesma
Sentou-se num banco
Cruzou as pernas
E sorriu para o leitor
Que decorava a sua face
Sentindo a grandeza
Do seu anonimato!

Ulisses Germano
Crato-CE.