por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



terça-feira, 19 de julho de 2011

JAIR AMORIM- Norma Hauer


Foi no dia 18 de julho de 1915 que nasceu no Espírito Santo o locutor jornalista e e compositor Jair Pedrita de Carvalho Amorim, que ficou conhecido como JAIR AMORIM.
Começou a trabalhar muito cedo primeiro como jornalista em sua terra e em 1940 , recebeu convite para dirigir a Rádio Clube do Espírito Santo, onde produziu vários programas e lançou-se como locutor de noticiários.
Em 1941, já no Rio de Janeiro, passou a escrever nas revistas “Carioca” e “Vamos Ler”, sendo em seguida contratado pela Rádio Clube do Brasil como locutor, onde conheceu o pianista e compositor José Maria de Abreu. Este, havia perdido seu parceiro mais constante (Francisco Matoso) e estava desinteressado em fazer novas composições.
Jair Amorim ofereceu-se como letrista para fazer parceria com José Maria de Abreu que não estava muito interessado, mas acabou cedendo, quando viu Jair Amorim fazer a versão do bolero Maria Helena, que acabou sendo gravado por Arnaldo Amaral.
". Em 1945, teve a primeira composição com José Maria de Abreu gravada: o fox canção "Brigamos outra vez", na voz de Orlando Silva na Odeon.
A partir daí vários foram os sucessos da dupla.,
Em 1948, depois de sair da Rádio Clube do Brasil, foi contratado pela Rádio Mayrink Veiga. Quatro anos depois, retornou à Rádio Clube, onde passou a apresentar o programa "Discos na Vitrina".
Em 1949, teve gravados os sambas "Ponto final", por Dick Farney,"Não me pergunte", por Sílvio Caldas, e "Um cantinho e você", por Radamés Gnatalli ao piano, todos parceria com José Maria de Abreu,
. Em 1951, teve outra de suas parcerias com José Maria de Abreu gravada por Dick Farney, o samba "Sonhar". Ainda em 1952, compôs a valsa canção "Se ela perguntar", com Dilermando Reis, gravada por Carlos Galhardo.

Em 1956, teve gravadas, entre outras composições, os sambas "Hino ao samba", parceria com José Maria de Abreu, por Francisco Carlos e, "Conceição", parceria com Valdemar de Abreu, o Dunga, pelo Conjunto Farroupilha. Este último samba receberia ainda regravações de Dircinha Batista e Cauby Peixoto.
E foi com Cauby Peixoto que “estourou” em todas as paradas, sendo até hoje o “carro-chefe” de Cauby..
CONCEIÇÃO

Conceição
Eu me lembro muito bem
Vivia no morro a sonhar
Com coisas que o morro não tem
Foi então
Que lá em cima apareceu
Alguém que lhe disse a sorrir
Que, descendo à cidade, ela iria subir

Se subiu
Ninguém sabe, ninguém viu
Pois hoje o seu nome mudou
E estranhos caminhos pisou
Só eu sei
Que tentando a subida, desceu
E agora daria um milhão
Para ser outra vez
Conceição .
Em 1958 conheceu Evaldo Gouveia, na sede da UBC. No mesmo dia compuseram a primeira composição, "Conversa" de uma série de parcerias. A música foi gravada por Alaíde Costa, pela RCA Victor naquele mesmo ano.
Em 1959, com o mesmo parceiro compôs o bolero "Só Deus", gravado por Maysa na RGE. Em 1960, compôs com Evaldo Gouveia o samba-canção "Cantiga de quem está só", gravada por Agostinho dos Santos. Em 1962, a dupla compôs "Poema do olhar", que o cantor Miltinho gravou.;
Daí foram muitos os sucessos com seu novo parceiro:Evaldo Gouveia.
Em 1975 uma música marcou a carreira de Ângela Maria, como um de seus grandes sucesso até hoje: “Tango p’ra Tereza”, da parceria com Evaldo Gouveia.
JAIR AMORIM faleceu em 15 de outubro de 1993, em São Paulo, aos 78 anos.

Norma

O AFOGADO




















     O afogado

O mar trouxe o corpo à praia.
Era um estrangeiro, jovem e belo.
A boca aberta deixava ouvir, como se viessem
do outro mundo,
as vagas do mar e os gritos brancos das gaivotas.
Eu lhe fechei os olhos, azuis como o céu
através das órbitas de uma caveira.
A sua nudez lhe tornava a pele mais pálida.
Sorria perplexo, como se reconhecesse num espelho
a nossa estranheza.
Olhando-o, nós sabíamos:
também temos, em vida, o céu nas órbitas
e a morte nas pálpebras.



Um primor da MPB! Aposto que Aloísio vai gostar...





Aula de Matemática
Marino Pinto e Tom Jobin


Pra que dividir sem raciocinar
Na vida é sempre bom multiplicar
E por A mais B
Eu quero demonstrar
Que gosto imensamente de você
Por uma fração infinitesimal,
Você criou um caso de cálculo integral
E para resolver este problema
Eu tenho um teorema banal
Quando dois meios se encontram desaparece a fração
E se achamos a unidade
Está resolvida a questão
Prá finalizar, vamos recordar
Que menos por menos dá mais amor
Se vão as paralelas
Ao infinito se encontrar
Por que demoram tanto os corações a se integrar?
Se infinitamente, incomensuravelmente,
Eu estou perdidamente apaixonado por você.

MARINO PINTO- Por Norma Hauer


Foi aqui no Rio de Janeiro que ele nasceu em 18 de julho de 1916. Seu nome: MARINO PINTO, um compositor que obteve grandes sucessos em nosso cancioneiro.
Começou compondo em 1938 com Ataúlfo Alves, sendo que sua primeira gravação, na voz de Aracy de Almeida, já "estourou" . Foi o samba "Fale Mal, Mas Fale de Mim".

No ano seguinte,conheceu Wilson Batista e com ele compôs um dos sucessos, no ano seguinte, de Carlos Galhardo:"Deus no Céu e Ela na Terra".

Já um nome consagrado, passou a conhecer vários sucessos, com parceiros e cantores diversos.

Com Alberto Ribeiro, em 1941, compôs para Orlando Silva, o samba "Preconceito". Também com Alberto Ribeiro, um grande sucesso no carnaval de 1941, nas vozes dos "Anjos do Inferno":"Nós os Carecas"...

"Nós,nós os carecas,
Com as mulheres somos maiorais,
pois na hora do aperto
É dos carecas que elas gostam mais".

Foi um carnaval que os carecas ADORARAM.

No ano seguinte, em uma excursão pelo Norte e Nordeste, Orlando Silva lançou um samba de Zé da Zilda, com Marino Pinto, até hoje regravado por vários cantores:"Aos Pés da Cruz".

Luiz Vieira, quando comenta esse samba, gosta de dizer que a cruz não tem "pés"e sim um único pé.

Nesse mesmo ano, Isaurinha Garcia gravou "Teleco-Teco" e Carlos Galhardo, o samba "Largo da Lapa".

"Foi na Lapa, que eu nasci
Foi na Lapa que eu aprendi a ler.
Foi na Lapa que eu cresci
E na Lapa eu quero morrer".


Nos anos seguintes, novamente Carlos Galhardo gravava Marino Pinto, com "Seis Meses Depois" e "Desacordo", ambos Marino teve Waldemar Gomes como parceiro.

Mais uma vez com Wilson Batista, agora na voz de Déo "O Ditador de Sucessos", como foi designado por César Ladeira, gravou "A Morena que eu Gosto". Este samba projetou bem o nome de Déo.

Um grande sucesso de Dalva de Oliveira, foi composto por Marino Pinto ( tendo Herivelto Martins como parceiro) de nome "Segredo". Este samba foi explorado por Dalva durante seu "affaire" com Herivelto, apesar deste ser co-autor da composição.

Nessa época da separação de Dalva e Herivelto, os compositores apoiaram um ou outro. David Nasser, por exemplo, apoiou Herivelto e foi cruel com Dalva, em uma coluna que escrevia no "Diário da Noite".

Já Marino Pinto ficou ao lado de Dalva e, com Paulo Soledade, compôs outro grande sucesso, que também marcou o "affaire" : "Calúnia".

Este foi "forte"..."deixe a calúnia de lado se de fato és poeta...". Mais outro, este com Mário Rossi: "Que Será?", que também foi sucesso na voz de Dalva.

Em 1951 Getúlio Vargas regressou ao poder eleito que fora no final de 50 e Marino Pinto, seguindo a onda, compôs para Francisco Alves gravar, o samba "O Retrato do Velho"

"Bota o retrato do velho outra vez
Bota no mesmo lugar..."

Marino Pinto ainda fez parceria com Haroldo Lobo e Dalva gravou "Foi Bom"; com Tom Jobim "Aula de Matemática", gravação de Carlos José; outra com Paulo Soledade "Cidade de São Sebastião", gravação dos Anjos do Inferno e com Mário Rossi, gravação de Jorge Goulart, "Quem ainda não Pecou" e "Decisão".

Em 1959, João Gilberto "redescobriu" e regravou "Aos Pés da Cruz".

Encerrando, com chave de ouro, sua carreira, em 1965, Marino Pinto compôs uma obra-prima "Valsa de Uma Cidade", em mais uma parceria com Mário Rossi.

Nesse mesmo ano faleceu, no dia 28 de novembro, deixando uma grande bagagem musical. 

Norma

JECONIAS- por José do Vale Feitosa



- Quando nascer registro com o nome de Jeconias.

- Jeconias? De onde vem isso?

- De onde não tem Zé, Antonio, Manoel e Ananias.

- E isso é nome dos tempos de hoje?

- E interessa? Não quero é nome que todo mundo já tem.

- E sabes quem foi Jeconias?

- Nem quero saber. Eu quero é um nome diferente para meu filho.

- Mas poderia ser outro: Wolfgang, Setembrino, Giusepe, tudo isso é nome diferente.

- E daí? Eu quero é Jeconias e pronto. Está determinado.

- Mas Jeconias de que meu camarada? Qual o sobrenome?

- O meu e o da mãe dele!

- Jeconias Maria de Jesus?

- Ora se é o sobrenome dela e o meu!

- Mas é uma salada bíblica este nome.

- O quê?

- Uma mistura do velho e novo testamento.

- E daí. Não pode não?

- Pode, mas é esquisito para caralho.

- Então, vai ser Jeconias de Nada. Se for para agradar, vai ser assim.

- E o teu filho já começa com um nada de futuro?

- Ora porra e não é do nada que a vida de pobre começa mesmo?

- Mas o sujeito já levar um nome desse para cima e para baixo, isso já é demais. Aí as pessoas vão dizer "Qual é teu sobrenome?" Ele vai responder: "De Nada". Quem fez a pergunta fica confuso e diz "Não quero saber se teu sobrenome é importante ou não, eu só quero saber é como fica na tua certidão de nascimento". Escrito assim mesmo: "Jeconias de Nada". E então vão dizer " Ô fulano mando o de Nada para falar com beltrano".

- Esse argumento é fuga. Tu estás fugindo do que comecei falando. Eu disse que não quero é que o meu filho tenha nome comum: José Maria de Jesus, Antonio Maria de Jesus, Ananias Maria de Jesus. Eu quero um nome que se alguém chamar só tenha ele na sala em que estiver. Quando disserem: "Jeconias!". Será ele e pronto.

- Mas isso é nome arcaico. Ninguém mais usa isso. Então faz como todo mundo por aqui, junta sílabas do teu nome com o da tua mulher que vai ficar diferente do mesmo modo.

- Aí é que te enganas. Os evangélicos vivem agarrados na leitura da bíblia e o que tem de nome retirado dela não é sopa. Está cheio por aí de: Izaías, Melquesedeque, Ageu, Baltasar, Jessé e vai de lista adiante.

- Não tarda a aparecer Jeconias. Então junta teu nome com o da tua mulher.

- Meu nome é Tobias e o da mulher Ana, isso é bom para juntar nome feminino, mas masculino não dar. Se fosse mulher poderia ser Tobiana, Biana, Asana, Anabias. Nome de homem só dava Anato e isso eu não quero para meu filho. Vai ser é Jeconias mesmo.

- Mas que visgo é esse com este nome?

- E o que tu tem contra ele afinal de conta. Tudo que tu atacou dele eu já respondi e tu não larga a situação.
- Mas Jeconias? Não dar.

por José do Vale Pinheiro Feitosa

Vladimir Maiakovski


Vladimir Vladimirovitch Mayakovsky (em russo: Влади́мир Влади́мирович Маяко́вский; Bagdadi, 7 de julho (calendário juliano) / 19 de julho (calendário gregoriano) de 1893 – Moscou, 14 de abril de 1930) foi um poeta, dramaturgo e teórico russo, frequentemente citado como um dos maiores poetas do século XX, ao lado de Ezra Pound e T.S. Eliot, bem como "o maior poeta do futurismo".

wikipédia

Edgar Degas



Edgar Hilaire Germain Degas (Paris, 19 de julho de 1834 — Paris, 27 de Setembro, 1917) foi um gravurista, pintor e escultor francês. Embora seja muito conhecido pelas suas pinturas, majoritariamente de carisma impressionista, é igualmente relembrado como gravurista. Muitos dos seus trabalhos se conservam hoje no Museu de Orsay, na cidade de Paris, onde o artista nasceu e faleceu.

Archibald Joseph Cronin



Archibald Joseph Cronin (Cardross, 19 de Julho de 1896 — Montreux, 6 de Janeiro de 1981) foi um escritor escocês.

Era formado em Medicina. Escreveu romances idealistas de crítica social, traduzidos em vários idiomas, e alguns deles adptados ao cinema e à televisão, como The Citadel (1937) e The Minstrel Boy (1975)

Dercy Gonçalves


Dolores Gonçalves Costa, mais conhecida como Dercy Gonçalves (Santa Maria Madalena, 23 de junho de 1907 — Rio de Janeiro, 19 de julho de 2008), foi uma atriz, humorista e cantora brasileira, oriunda do teatro de revista, notória por suas participações na produção cinematográfica brasileira das décadas de 1950 e 1960.

Celebrada por suas entrevistas irreverentes, bom humor e emprego constante de palavras de baixo calão, foi uma das maiores expoentes do teatro de improviso no Brasil

Clementina de Jesus


Clementina de Jesus da Silva (Valença, 7 de fevereiro de 1901 — Rio de Janeiro, 19 de julho de 1987) foi uma cantora brasileira de samba. Também era conhecida como Tina ou Quelé.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Uma boa notícia!

O livro saiu do forno, e eu já comecei a preparar as postagens dos autores distantes- aqueles que enviaram os seus endereços.
Os demais, entendo, que se farão presentes!
Tudo em cima para nosso evento: lançamento do livro "No Azul Sonhado" !
É um livro modesto, mas bem legal!

Grande e carinhoso abraço!

A Arte Segundo Picasso



Dia da trova!

Deixe a sua trova!

Blogger Aloísio disse...

Trova é sempre improviso
Por isso não tergiverso
Pra completar este verso
Buscar sonhos foi preciso


Blogger Liduina Belchior disse...

Cheguei correndo de viagem
Para no Cratinho chegar
Vim curtir nossa estiagem
Pois Recife estava de alagar.

Corujinha Baiana

Fazer trova é um desafio
Que exige muito talento
E sempre a qualquer momento
Estar disposto a fazer arte

 Socorro Moreira

O talismã construído
Fruto/arte dos poetas
Será bem  distribuído
- Azul de portas abertas !



TUDO É MAIS SIMPLES DO QUE PARECE-José do Vale Pinheiro Feitosa



VERDADE E CIÊNCIA
Frente ao inevitável, a lição se conformava. Se o que estiver para acontecer fosse imponderável, a lição era de fé. As rochas tão sólidas e indestrutíveis contam a história de poderosas transformações. As águas tão incertas e tempestuosas: brotam a agricultura, abundam a pescaria e saciam os rebanhos.
Ao contrário do que muitos imaginam ainda hoje, a ciência nunca foi a voz da verdade. A verdade última das coisas. Isso é um atributo das religiões. Elas não precisam provar o que dizem, foram anunciadas pelas entidades superiores de sua crença. Só para as religiões, ideologias, ferramentas ou outros instrumentos para os quais se pretendam usos permanentes é possível anunciar a verdade última. Não para a ciência.
O discurso da ciência é no condicional É como um futuro condicional que não existe na língua portuguesa. Se isso e aquilo acontecer, é bem provável que o enunciado seja assim. Essa é a linguagem da ciência. Sempre poderá existir uma observação futura em que a verdade de hoje se colocará em questão.
Mas se o domínio de si e do mundo dependia das verdades de si mesmo e deste mundo, o que aconteceu para que a ciência, que não busca verdades definitivas, promovesse tantos impactos reais sobre a humanidade? A verdade congela a realidade de um mundo em transformação. Durante algum tempo determinada verdade é até válida para a sociedade, mas logo a seguir começa a desmilingüir-se. A condicionante para que determinada coisa seja válida é a matriz que nos permitiu reequilibrar o enunciado das coisas inevitáveis, imponderáveis ou contraditórias.
REPUTAÇÕES: CRIAÇÃO E DESTRUIÇÃO
O conceito que gozamos entre os outros humanos passou por enormes transformações. Primeiramente com a queda dos sistemas monárquicos e hierarquizados, a reputação se democratizou. Antes a reputação das pessoas de modo geral atingia sua vila, sua rua, a família e a parentela. Enquanto a reputação de reis, imperadores, papas, cardeais e bispos tinha por base milhares ou milhões de pessoas.
Com o advento da sociedade de consumo, das grandes nações modernas, dos meios de comunicação a reputação atingiu artistas, políticos burgueses, operários, esportistas, empresários, gente em geral da cultura. Aí a equação da reputação também mudou de patamar, deixou de ser o conceito da própria pessoa e passou a ser o conceito de uma super pessoa.
Nisso os conhecimentos científicos da psicologia social passaram a ter grande importância. A reputação não sendo mais das próprias pessoas, passou a ser propriedade dos meios que usam a psicologia social para criar a própria. Nisso a chamada mídia tem grande importância. Ela cria e destrói reputações.
Independe da pessoa. Elas até continua como zumbis em vida, pois a reputação pública nos tempos atuais transforma as pessoas em sombras da reputação. Em sombra de um enredo que pretendia ser a própria pessoa, mas que está muito além delas mesmas e costuma ser reflexiva como purpurina.

por José do Vale Pinheiro Feitosa

Nas águas do Cariri - socorro moreira

foto de Pachelly

São pássaros que aqui pousam
No verde de folhagens rosa
Vale serrano
Das imagens
Poesia da luz.
De Bel chiar,
Lima, graúna.
Ali mais terra
Severamente há

Ardo,
Num sentimento múltiplo.
Lupas e Demos
Iluminando o mundo
Bradam
No monteiro sacro

No melaço dos nossos nós
Uma flauta em dó menor
Maga sorte
Esmeralda estrela
Nos olhos
Do menestrel
- Irmão de tantos nossos

Imaginem o Cariri,
Se não fossem os nós,
Entre o doce da cana...!

Isso ainda é pouco ...
Se faltam tantos
É porque são muitos!

BARBOSA LIMA SOBRINHO - por Norma Hauer



No dia 18 de julho de 2000 faleceu um grande jornalista: BARBOSA LIMA SOBRINHO,
cabeça MARAVILHOSA, aos 102 anos.

No dia em que faleceu saiu seu último trabalho no Jornal do Brasil.

Ele escrevia as matérias às 5ªs feiras e as publicava aos domingos.

Mas, nessa 5ª, ele passou mal, foi internado e no domingo faleceu.

Enquanto líamos seu último trabalho (que arquivamos,como alguns outros) tivemos notícia de seu falecimento.
Foi ele o primeiro a pedir o "impeachment" de Collor.

Velado na Academia Brasileira de Letras, seu corpo foi levado à ABI para a última homenagem de seus colegas jornalistas.

É claro que lá estava um bando de puxa-sacos.

Homem igual a esse ainda está para nascer.

Para ele, meu preito de saudade.

MINHA APOSENTADORIA - por Rosa Guerrera



Dei entrada hoje na documentação para a minha aposentadoria , pendurei chuteiras ! Parece no entanto que foi ontem que iniciei minha carreira jornalística Fui uma grande vibradora , não nego , dentro da profissão que escolhi para amar. São tantas as lembranças das reportagens que fiz não apenas em jornais , mas em noticiários de tv , e em várias rádios da capital.Foi uma longa jornada é verdade , mas apaixonante para mim. Amei todos os instantes em que fui uma atuante “ repórter de rua “. Tive contato com personagens marcantes da política , astros de novelas , cantores famosos , e percorri muitas noites reportando nas delegacias os dramas terríveis que a vida também nos oferece .Muitos colegas de outrora chegavam mesmo a me considerar uma pessoa “fria” quando meu rosto mantinha a expressão serena ao levar para o publico uma noticia chocante , fosse um latrocínio , um homicídio , um desastre com óbitos, um incêndio que ceifara vidas ,ou um relato sobre crianças alegres num circo ou num parque de diversões . Sempre tive em mente que era minha missão levar para o leitor, o ouvinte ou espectador a noticia , e como porta voz dela ,no momento em que eu a enviava , o importante era o meu relato , e não a emoção que mesmo existindo dentro de mim , não se fazia necessário ser transparecida ...

Pendurei chuteiras, é verdade ! Para todos nós existe realmente o momento do ‘basta”.
Mas são tantas as emoções que vivi , tantas as histórias que participei , tantas as alegrias sentidas que relembra-las me parece vive-las hoje . E com que carinho irei guardar esses 35 anos de profissão ! É como se tivesse escrito um grande livro, preenchido página por página , cada minuto , cada instante vivido nesse imenso mundo jornalístico.
Esse será o meu livro de cabeceira a partir de agora ... E quando a saudade apertar, abrirei uma página qualquer , e dentro das lembranças irei saborear e reviver com o mesmo amor todo o meu trilhar nessa missão que um dia escolhi para ser a maior parte da minha vida .

Ros@

domingo, 17 de julho de 2011

O Livro "No Azul Sonhado !"




Está chegando a hora... Faltam apenas três dias. Este livro foi como a construção de um talismã. Pensado e construído, dia a dia. O resultado é um presente para todos os envolvidos.



Eu diria que é fácil materializar um livro...
Tínhamos o material humano, prontinho, e a nossa  boa vontade.
Tínhamos voluntários com Stela Siebra e Luiz Pereira.
Sobretudo,tínhamos o incentivo de muitos, como Tiago Araripe ( responsável pela dedicatória à Patativa e J.de Figueiredo Filho); o prefácio de Zé Flávio; a orelha de José do Vale Feitosa; contracapa de Emerson Monteiro, e a cumplicidade de 42 escritores : Carlos Esmeraldo, Magali, Leonel, Aloísio, Lupeu, Marcos Barreto, Tetê Barreto, Telma Brilhante, Roberto Jamacaru, João Marni, Nilo,  Geraldo Ananias, Assis Lima, Everardo Norões,  Joaquim Pinheiro,Isabela,Chagas,Wilton Dedê, Bernardo, Corujinha, Edmar, Rejane, Mara, Liduína, Domingos, Rosa, Severo, Cristina, Brandão, Pedro, Mariano, (músicos, cronistas, poetas...) sem contar com o apoio artístico de figuras como Salatiel Alencar, João do Crato, Nicodemos,Ulisses, Abidoral,Pachelly, Nívia Uchôa... 
É fácil fazer um livro sem patrocínios, sem muita grana ...Mas é impossível fazer qualquer coisa ,sem a solidariedade e o talento humano.
Sou agradecida a todos que tornaram este trabalho possível. Que ele fique entre os nossos livros, como registro das nossas emoções.
E não esqueçam!

Dia 20.07.2011, na sede do Instituto Cultural do Cariri, às 19h, confraternização entre escritores, autores, e amigos.

Nossa compreensão ,irrestrita ,aos autores ausentes, que não deixaram de participar na realização desse evento.
Boas vindas aos autores presentes – anfitriões da próxima grande noite!

Grande abraço!
Socorro Moreira

* Autores

Poema do Nicodemos

Meu último poema
será feito de silêncio.
Profundo e contrito
silêncio...
Sem palavra de adeus
nem aos seus
nem aos meus...
Dobrarei a esquina do tempo
sem saudade, sem dor
sem vontade de ficar.
certo que fiz o que pude
e o que não pude, tentei!

Desertos e mares, são desertos.
Hoje, desperto um pouco mais.
Fecho os olhos.Vejo melhor.
Longe longe passa um navio.
Espero chegar a tempo...

18 de julho - Dia do Trovador



São Francisco de Assis
Padroeiro dos Trovadores

O dia 18 de julho é o dia consagrado aos trovadores do Brasil. A data foi fixada por leis estaduais e municipais, onde quer que haja um cultor da Trova, em homenagem ao Trovador LUIZ OTÁVIO, o responsável pelo insuperável movimento literário brasileiro, que é o movimento trovadoresco nacional.
No dia do Trovador, todas as Seções da União Brasileira de Trovadores – UBT e Delegacias espalhadas por centenas de municípios brasileiros comemoram a data com almoços festivos, reuniões, com as chamadas chuvas de trovas, (centenas de trovas impressas) jogadas das janelas dos trovadores, para que os transeuntes se deliciem com as trovas que vão caindo ao sabor do vento. São realizadas palestras, enfim, cada seção ou delegacia comemora da melhor forma que pode a passagem do dia legalmente dedicado ao trovador.

“ A trova tomou-me inteiro !
tão amada e repetida,
que agora traça o roteiro
das horas de minha vida. “

“ Trovador, grande que seja
tem esta mágoa a esconder :
a trova que mais deseja
jamais consegue escrever ... “

“ Por estar na solidão
tu de mim não tenhas dó.
Com trovas no coração,
eu nunca me sinto só.”

"O mar nos deu a receita
de um viver sábio. Fecundo...
sendo salgado, ele aceita
as águas doces do mundo !"

João Nicodemos - A fusão do tradicional e o contemporâneo




É típico das artistas na contemporaneidade mesclarem seus trabalhos entre o novo e o antigo, entre o tido como popular e o erudito e com João Nicodemos não é diferente. Poeta, músico, blogueiro, artista visual que fervilha arte nas mais diversas linguagens.

Alexandre Lucas - Quem é João Nicodemos?



João Nicodemos - Um ser humano comum, com necessidades comuns a todo ser humano. Habitação, alimentação, procriação, amor e comunicação com outros seres, humanos ou não.



Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?




João Nicodemos - Quando a expressão artística é movida por uma necessidade inerente ao ser, ela se desenvolve com o próprio desenvolvimento deste ser, desde a mais tenra idade. É a própria razão de existir. Lembro de desenhar letras quando não sabia escrever; de tocar guitarra na tranca de madeira da janela; dançar numa peça infantil da escolinha e dizer o poema do sapo cururu que aprendi aos 7 anos e sei até hoje. Lembro de ver filmes do Chaplin, no colégio Dom Bosco e me encantar... Acho que tudo começou na infância mesmo.



Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?



João Nicodemos - udo o que vi e senti, tudo o que vejo sinto e percebo, me influencia; seja um som, um raio de luz, um aroma, uma palavra, um lapso de memória. Creio que a Poesia seja assim como uma energia que perpassa tudo que há; e pessoas com sensibilidade podem traduzi-la em obras artísticas, nas mais variadas linguagens. Assim, nas pinturas rupestres, na pintura de Leonardo, Picasso, Renoir, Portinari; na música de Vivaldi, Bach, Vila lobos, Irmãos Aniceto e Luis Gonzaga; Em Camões, Shakespeare, Machado de Assis, nos Cordéis; no Rock, no Blues, Jazz, Samba, Chorinho, em tudo isso vejo a presença da Poesia, e em meu trabalho busco sempre a Poesia. Mas, sem aprofundar o assunto... Quero dizer que busco me influenciar pela Beleza e pela Verdade o que já me dá trabalho suficiente...



Alexandre Lucas - Fale da sua trajetória?





João Nicodemos - Em termos históricos, sou nascido em 1960, então vivi sob uma ditadura militar toda a infância e adolescência (e isso é marcante); ouvi “Beatles”,” Renato e seus Blue Caps”, música sertaneja (quando era feita no sertão e não era um produto da indústria cultural), tive a sorte de não ir à guerra do Vietnam (nunca entendi porque tem este nome se foi o tio San quem invadiu e fez a guerra) mas quase fui expulso da escola pela ditadura por defender idéias de liberdade – aos 11 anos... Vi o Tri-campeonato brasileiro com a melhor seleção que o Brasil já teve sob o jugo do pior governo que tivemos (Médici era o ditador de plantão). Vi, ainda menino, o início da tropicália, a poesia de Chico Buarque, o surgimento de Raul Seixas (que me impressionou de pronto) as pinturas de Portinari, Leonardo da Vinci (foi o meu herói de infância), vi surgir a “matéria plástica” mesmo assim continuei fabricando meus carrinhos de madeira e espadas e flechas de bambu; estudei em escola pública e particular (como bolsista) no tempo em que Educação não era um “negócio”. Li e aprendi sobre a história da Arte, história da Música, competições de atletismo (realizei alguns torneios de atletismo na infância); comecei a tocar batucando nas panelas, nas mesas de casa, influenciado pelo rádio e pela bela voz de minha mãe que cantava o dia inteiro. Sou autodidata por natureza, o que não sei eu invento, mas reconheço o valor de todas as pessoas com quem pude aprender, e são incontáveis... Toco alguns instrumentos e quero ainda tocar outros... Considero os instrumentos, como o nome diz instrumentos para captar e traduzir a música que já existe no universo...



Alexandre Lucas – Como a música surgiu na sua vida?



João Nicodemos - Minha mãe cantava o dia inteiro e foi locutora de rádio, meu pai foi seresteiro e tinha uma bela voz de tenor... Ouvi muito rádio, eu também vivia cantando... tudo que ouvia eu cantava... Imagine um menino cantando em cima de uma mangueira... Era assim... Depois comecei a trabalhar e comprei uma “Clarina” que era um instrumento de brinquedo com uma escala maior de dó. Então “tirava” de ouvido ou memória auditiva todas as melodias que conhecia (mas nem tudo é possível numa oitava da escala maior...). Assim, consegui um violão, depois um cavaquinho, e nunca mais parei... tantos outros instrumentos me chegaram às mãos e sempre aprendi me expressar com eles... Minha maior “surra” musical, levei de um “pé-de-bode” (oito baixos)... passei um tempão com ele no colo e não consegui entender o mecanismo... desiti por enquanto...(rs). Mas gosto muito de tocar chorinho no saxofone e no cavaquinho, modas antigas de viola (10 cordas) e me encanto com o timbre melancólico da rabeca (fiz uma recentemente). Creio que se o mundo se acabar, vai me pegar de surpresa tocando um instrumento, tranquilamente, sem nenhuma preocupação apocalíptica... (rs)





Alexandre Lucas - Como você vê a relação entre arte e política?



João Nicodemos - O que une estes dois universos é o ser humano que é quem os constrói. A Arte é uma ferramenta de desenvolvimento individual e coletivo que tirou o homem de dentro das cavernas... A política pode ser uma ferramenta de desenvolvimento coletivo. Creio que a Arte possa melhorar o ser humano com mais eficiência que a Política... As grandes revoluções da humanidade foram feitas pela Arte... Veja, por exemplo, o efeito que a Valsa teve sobre os costumes no século XIX, ou o Rock nos anos 50 do sec. XX. Foram mudanças que alteraram o destino da humanidade... Reconheço o valor dos ideais político-revolucionários e, se eu tivesse nascido dez anos antes, certamente teria pego em armas contra a ditadura. Mas acho que foi melhor assim... Hoje, creio que a grande revolução, é uma questão interior e mais metafísica que materialista... estou fazendo a minha revolução há longos anos... e quer saber? Eu venci o Capitalismo! Mas isso é tema pra um livro que pretendo escrever...



Alexandre Lucas - Você faz poesia visual?



João Nicodemos - Faço poemas que buscam à Poesia e me utilizo de todas as ferramentas de que disponho. O que hoje se denomina “poesia visual” é uma conquista dos concretistas, herdeiros de Maiakóvski. Utilizavam o espaço branco do papel e desenhavam as letras e as palavras, buscando transcender o limite da palavra escrita. Gosto disso e utilizo em meus poemas... mas também faço sonetos clássicos, sonetilhos, setilhas e cordel. Penso, com Drumonnd, que o verso livre não é mais fácil que as formas clássicas... pelo contrário; é mais difícil ser trapezista sem redes de proteção (me valho de Mário Quintana, para tanto).

Alexandre Lucas – Quando começou a fazer esse tipo de poesia?



João Nicodemos - Sempre gostei da concisão. Ocupar pouco espaço, fazer silêncio... Quem me autorizou a escrever pouco, expressando o máximo possível, foi o Mário Quintana, que conheci pessoalmente e me disse: “Bebemos na mesma fonte!” Quase caí da cadeira, mas entendi poeticamente. Tenho o Mário Quintana como um dos maiores poetas brasileiros... Hoje as pessoas têm muita pressa e em geral, não conseguem sustentar um raciocínio por mais de 30 segundos... É preciso ser rápido, pegar o leitor desprevenido... testar e instigar a inteligência. Gosto de trabalhar assim com a Poesia... (isso nem sempre me ajuda a fazer amigos, mas consigo identificar minha tribo).



Alexandre Lucas - No seu trabalho você costuma utilizar várias linguagens para intervir esteticamente e artisticamente?



João Nicodemos - Sim, uso todas as ferramentas de que disponho e consigo manejar...




Alexandre Lucas – Você é um artista ligado as inovações tecnológicas?



João Nicodemos - Levei muitos anos para aceitar o computador como instrumento de trabalho. Dizia que “é uma tecnologia muito atrasada e ainda precisa de dedos...”. Mas depois que comecei, me dediquei a aprender com grande afinco e hoje eu faço edição de imagens, de vídeos, de som, gravo, faço masterização, crio imagens e poemas... enfim, perdi totalmente o preconceito. Sei que muitas ferramentas que o homem fabrica podem ser bem usadas e com objetivos nobres... Então, procuro fazer minha parte de beija flor, neste grande incêndio da contemporaneidade. Desde a xilogravura chinesa, que possibilitou o tipo móvel de Gutenberg e a grande revolução dos livros na idade média, até o microchip e a tecnologia atual, o homem parece ser o mesmo... Pode ser que a tecnologia não melhore essencialmente o homem... Mas o sentimento poético, a Beleza e a Verdade não dependem da tecnologia.



Alexandre Lucas – você é uma artista blogueiro. Fale sobre isso.



João Nicodemos - Tenho um blog o www.poemasdonicodemos.blogspot.com e o http://artedenicodemos.blogspot.com/ onde faço postagens dos meus poemas, trabalhos em artes visuais e exposições virtuais; criei outro em homenagem ao José Normando, grande artista e meu irmão nas artes e nas idéias... (http://aartedejosenormando.blogspot.com/) além de contribuir em blogs de amigos. Acho muito interessante esta forma de comunicação e divulgação dos nossos trabalhos. No início tive um certo receio quanto a questão dos direitos autorais, mas isso passou.



Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?



João Nicodemos - Esta é uma boa pergunta que já me fiz algumas vezes... Na condição de filósofo amador, sou mais amigo das perguntas que das respostas. Então não cheguei a uma resposta definitiva. Gostaria que meu trabalho tivesse uma grande importância social e, na juventude, chegamos a sonhar que mudaríamos o mundo com nossos versos, mas o mundo continua aí mudando sozinho... Depende do que entendemos como “social”, se for a torcida do flamengo, meu trabalho não tem importância nenhuma, se for a grande parcela mundial de excluídos dos poderes do consumo, acho que também não tem importância nenhuma. Mas se dentre as pessoas que têm acesso ao meu trabalho (e nem são tantas assim) algumas se identificam, se emocionam, se reconhecem e sentem algum conforto, ou desenvolvem um bom pensamento, uma boa influência, então está justificado o trabalho e, por sequência, minha vida... Já escrevi alguns livros, tenho um filho e plantei uma boa quantidade de árvores. Isso, há um tempo, era suficiente para se justificar a vida de um homem. Hoje isso mudou muito! Parece que basta ter um grande poder de consumo!
Mesmo assim, espero que meu trabalho possa transformar alguém, além de mim...




Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos?



João Nicodesmo - Não tenho planos específicos, apenas continuar trabalhando, aprendendo e ensinando o que puder, compartilhando alegria e conhecimento por meio da Arte que é minha ferramenta de transcendência. Quero produzir uns vídeos (estou gostando desta linguagem), publicar meus poemas. Temos o lançamento de dois livros nos próximos meses. (Coletivo de autores PROSA E VERSO, NO AZUL SONHADO; e SEGREDOS DA NATUREZA, com a grande cordelista Josenir Lacerda). Participei do CD com músicas infantis do livro que José Flávio, tenho uma exposição virtual de desenhos que está perto de 3 mil visitas; uns poemas expostos em São Paulo num evento do SESC; o lançamento de um texto para Rádio teatro “AMAR É DESARMAR” – disponível em www.teatromaracaju.blogspot.com/ , um e-book de poemas que será lançado pelo portal CRONOPIOS enfim não tenho feito planos, apenas vou fazendo o que posso.

Elegância - Por Roberto Jamacaru


A elegância pode ser vista como o objeto de desejo do ser humano que procura ter, na essência e não só na aparência, uma distinção elevada das suas atitudes.
E fica a pergunta: quem tem e quem não tem elegância?
Parece incrível, mas ainda existem pessoas que associam a elegância de alguém tão somente ao seu grau aprimorado e harmonioso aplicado nas suas maneiras de se vestir e andar. Embora esses apelos façam parte desse apuro, eles, sozinhos, nem de longe determinam a elegância ideal de um ser humano.
Aliás, você pode até não ter nenhum desses requisitos e ainda assim ser considerada uma pessoa extremamente elegante. E isto se denota, principalmente, nas adequações sutis de seus atos de delicadeza de expressão e de distinção de maneiras.
Como a elegância é algo que não se compra, mas se nasce com ela ou se adquire na formação do caráter, podemos dizer que somos elegantes quando conseguimos dispensar, sem afetações ou interesses outros, atos de cortesias, respeito e amabilidade para com as pessoas com as quais convivemos no nosso dia a dia.
Quando, no silêncio, conseguimos demonstrar as nossas mais sinceras emoções, isso significa elegância de sentimento. Saber dizer não ou sim nas ocasiões que se propiciem, esse detalhe, além de honesto e corajoso, configura-se também como uma postura elegante.
Ainda demonstramos nossa elegância quando praticamos, de forma espontânea, atos de civilidade, caridade e finura. A elegância pode ser encontrada, inclusive, na nossa honestidade, pontualidade, simplicidade e ética.
Olhar nos olhos de alguém e lhe dizer obrigado, por favor, com licença, bom dia, sinto muito; pedir desculpa, assim como procurar, falar, calar e ouvir na hora certa, principalmente diante das pessoas humildes, tudo isso denota refinos de elegância.
Saber portar-se com discrição nos momentos sociais de todas as naturezas, mesmos nas situações opostas de festas ou condolências, por exemplo, não tenhamos dúvida de que isso se configura ato de elegância em um de seus graus mais elevados, pois, segundo Paul Valéry, “A elegância é a arte de não se fazer notar, aliada ao cuidado sutil de se deixar distinguir!”.
A crítica construtiva, desinteressada e sem deboche, que não vise demonstrar a superioridade do crítico sobre o criticado, é uma elegância de conhecimento e participação.
Num cometimento de gafe, a pessoa elegante não se desespera um só segundo. Se for o caso, ela pede desculpas pela involuntariedade do acontecido e, numa volta por cima, retoma, com elevação, naturalidade e classe, seus procedimentos de antes.
Os vestuários (roupas, calçados, jóias e demais adereços) só passam a ser referências de elegância em alguém quando chegam a proporcionar a essa pessoa conforto, leveza, segurança, graciosidade, harmoniosidade e liberdade, pois não vem a ser o caro e o luxuoso que irão torná-la mais elegante e feliz. A propósito, já dizia Machado de Assis: “Há pessoas elegantes e pessoas enfeitadas!”.
Anote isto: na sua elegância, o destaque tem que ser você, pois o traje deve servir apenas como um detalhe alinhado e realçante no seu conjunto. Isto porque muitas vezes somos surpreendidos por pessoas que, não obstante suas elegâncias visuais, no porte e no trajar, ao se manifestarem fazem desmoronar, com suas inconveniências, todas suas estruturas aparentes de garbo, graça e respeito, denunciando, com isto, um desajuste nas suas elegâncias extrínseca e intrínseca.
Outras são deselegantes, para não dizer insuportáveis ao extremo, quando, em meio a uma conversação entre duas ou mais pessoas, só elas falam, só elas dizem entender do assunto e só elas determinam sobre o que vão falar deixando seus interlocutores sem chances mínimas de abrirem a boca, imagine emitirem suas opiniões.
Considerada também como elemento de sedução e referência, a elegância tem, como uns de seus maiores opositores, a grosseria, o pedantismo, a presunção, a falsidade, o mau caratismo, a arrogância, a ganância, o orgulho, a mentira, o esnobismo e os narizes empinados.
Ser elegante é viver em meio aos ditames dos modismos, das pressões sociais e das imposições culturais sem, no entanto, deixar-se ser levado por aquilo que não lhes diz respeito, que não lhes faz bem e que não lhes parece ser ético, pois, a elegância, tem muito a ver com personalidade, liberdade, respeito e amor-próprio.
O “elegante” pateta: é insuportável mantermos conversa com uma pessoa que, de forma desairosa, só sabe falar de o seu alto poder aquisitivo, dos seus inúmeros títulos de formação e pós-graduação, das suas incontáveis viagens feitas ao exterior, das suas intimidades fáceis com as pessoas ricas, importantes e célebres; de seus bens incalculáveis e das coisas que a gente sabe perfeitamente que ela não tem, não sabe, não fez e não é.
E volta a pergunta: diante de tantos conceitos, padrões e regras, como fazer com que se ache presente nos nossos atos e aparências essa distinção rica e nobre de comportamento chamada de elegância? Precisaríamos ter o muito de riqueza material? Haveria a necessidade imperiosa de sermos cultos? Teríamos que possuir elevado status social? A própria educação, nas suas versões doméstica e pública, ela seria pré-requisito indispensável? A etiqueta, seria a ferramenta de maior destaque?
Frustro vocês em não aprofundar-me mais no assunto pelo simples fato de não ter uma formação técnica, profissional e científica para tal, como também de ser, vez por outra, vítima, hipocritamente, da minha própria deselegância. Mas, como recado final, valo-me de uma definição simples que li em uma frase, de autoria desconhecida, na qual, para mim, o autor encerra todo o julgamento do que venha a ser elegância de uma pessoa na sua forma ideal.
Em síntese, ele diz:

“A maior elegância do ser humano é a sua própria simplicidade!”. 

*Texto extraído do livro "No Azul Sonhado"



por Lupeu Lacerda

um dia a tristeza chegou com suas malas e sua cara triste nas portas do borba gato. ninguém falou com ela. ela tampouco falou com ninguém. em seu ombro direito um urubu metafísico, no esquerdo, uma borboleta de chumbo. abriu uma pequena tenda do lado do jardim. o jardim secou imediatamente. olhou em direção ao vendedor de abanos. e ele começou a cantar uma ópera deprimente e sem fim. todos querem que ela vá embora. ela diz que não tem nada a dizer.


 por lupeu lacerda


Lobos? São muitos.

Mas tu podes ainda

A palavra na língua

Aquietá-los.

Mortos? O mundo.

Mas podes acordá-lo

Sortilégio de vida

Na palavra escrita.

Lúcidos? São poucos.

Mas se farão milhares

Se à lucidez dos poucos

Te juntares.

Raros? Teus preclaros amigos.

E tu mesmo, raro.

Se nas coisas que digo

Acreditares.



Hilda Hilst

Maria Alice !

John Coltrane




John William Coltrane (kōl'trān) - (Hamlet, Carolina do Norte, 23 de setembro de 1926 — Long Island, Nova Iorque, 17 de julho de 1967) foi um saxofonista e compositor de jazz norte-americano, habitualmente considerado pela crítica especializada como o maior sax tenor do jazz e um dos maiores jazzistas e compositores deste gênero de todos os tempos. Sua influência no mundo da música ultrapassa os limites do jazz, indo desde o rock até a música erudita.


No Caminho, com Maiakóvski Eduardo Alves da Costa



Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de me quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas manhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!

Por Alice Ruiz

Se

se por acaso
a gente se cruzasse
ia ser um caso sério
você ia rir até amanhecer
eu ia ir até acontecer
de dia um improviso
de noite uma farra
a gente ia viver
com garra

eu ia tirar de ouvido
todos os sentidos
ia ser tão divertido
tocar um solo em dueto

ia ser um riso
ia ser um gozo
ia ser todo dia
a mesma folia
até deixar de ser poesia
e virar tédio
e nem o meu melhor vestido
era remédio

daí vá ficando por aí
eu vou ficando por aqui
evitando
desviando
sempre pensando
se por acaso
a gente se cruzasse...

Por Artur Gomes

Flor do Pampa

essa flor aqui em minha boca
vermelha rosa que floriu nos pampas
traz a seiva de uma terra santa
que todo mês
fazendo sol ou chuva
floresce em vinho a uva
e tudo mais
que o amor fizer

esta rosa aqui agora
que espelha fina estampa
entre os meus dentes
pele e presente de uma musa
que traz nos belos seios
um poema em tua blusa
e na flor da pele
um nome de mulher