por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
sábado, 16 de junho de 2012
Modos de macho, modinhas de fêmea & outros chabadabadás
Aos desiludidos do amor, com carinho
Vamos recapitular: este cronista dançou, na semana que antecedeu esta fatídica data dos pombinhos, no ritmo do dois pra lá, dois pra cá.
Um olho alvejando o romantismo de vitrine que humilha as damas e os cavalheiros solitários; outro olho no band-aid no calcanhar da moça ainda ferida da última dança.
Agora é hora do encorajamento, como acabei de reaprender aqui com o camarada Henry Miller, no singelo “O mundo do sexo” (José Olympio Editora).
“Tão certo como nasce o dia, fica claro demais que poucos são os que merecem o título: HOMEM”, diz o cara do Sexus, Plexus e Nexus. Ele conclama, desafia, é hora de honrar as saias e as calças.
No amor romântico, no amor erótico ou no pacote completo.
É por isso que eu repito em mais uma oração subordinada às moças:
Triste de quem fica desiludido(a) e evita outro amor de novo, cai no conto, blasfema, diz “tô fora”, já era, tira onda, ri de quem ama, pragueja e nunca mais se encontra dentro das próprias vestes.
Como se o amor fosse um quiosque de lucros, a bolsa de mercadorias e futuro, um fiado só amanhã, um comércio.
Como se dele fosse possível sair vivo, como nunca tivesse ouvido aquela parada de Camões, a do fogo que arde e não se sente, a da ferida, aquela sampleada por Renato Russo.
Triste de quem nem sabe se vingar do baque, sequer cantarola, no banheiro ou no botequim, “só vingança, vingança, vingança!”, o clássico de Lupicínio, o inventor da dor-de-cotovelo, a esquina dos ossos úmero com os ossos ulna (antigo cúbito) e rádio, claro, lição da anatomia e da espera no balcão da vida.
Tudo bem não querer repetir, com a mesma maldita pessoa, os mesmos erros, barracos e infernos avulsos e particularíssimos.
Triste de quem encerra o afeto de vez, como se aquela mulher e/ou aquele homem “x” fossem fumar o king size -duvidoso e sem filtro- lá fora e representassem o último dos humanos.
Chega do mané-clichê: todos os homens ou mulheres são iguais. Argh.
São, mas não são, senhoras e senhores. Cada vez que uma folha se mexe no universo a vida é diferente – acho que roubei isso da arte zen de consertar motocicleta.
Todos os machos e todas as fêmeas são novidades. Podem até ser piores, uns mais do que os outros, porém dependem de vários fatores. Não adianta chamar o garçom-do-amor e passar a régua para sempre por causa de apenas um traste. Como se esta miserável criatura representasse a parte pelo todo da panelinha do mundo.
Já pensou quantos amores possíveis você estaria dispensando por essa causa errada?
E quem disse que amor é para dar certo?
Amor é uma viagem. De ácido.
E tem mais: a única vacina para um amor perdido é um novo amor achado. Vai nessa, aconselho! Só cura mesmo com outro. Mesmo que um placebo.
Muitas vezes não temos o amor da vida, mas temos um belo amor da semana, da quinzena, que de tão intenso e quente logo derrete. Foi bonita a festa, pá e pronto.
Vale tudo, só não vale o fastio e a descrença. Levanta desta ressaca amorosa, meus Lázaros e minhas Lázaras.
Cúpula dos Povos - Por José de Arimatéa dos Santos
A grande mídia, como sempre, só noticia a Rio +
20 que é um evento de cunho elitista em que só representantes dos governos do
mundo inteiro discutem o meio ambiente. E pelo que escutei ontem nos telejornais
as grandes potências econômicas e capitalistas só estão preocupadas com a grande
crise que estão a passar e simplesmente "baratinadas" e somente preocupadas com
o consumismo. É tanto que a conclusão do evento no Rio de Janeiro é preocupante
quanto às decisões de como conciliar o desenvolvimento capitalista e a
sustentabilidade do planeta. Cientistas se antecipam e chegam a conclusão que a
seguir esse modelo que aí está o futuro do nosso planeta é simplesmente
catastrófico.
E nisso, a Cúpula dos Povos contrapõe a Rio +20
e segue ao mesmo tempo a debater as grandes questões do mundo. A Cúpula dos
Povos é organizada pela sociedade civil e tem a função de pressionar os governos
para a resolução dos grandes problemas da humanidade.
E esses problemas são de natureza econômica,
sociais, religiosos, raciais e ambientais, além das minorias. Sem sombra de
dúvidas representam 99% da população e tem uma representatividade bem maior que
os da Rio + 20. Esperar que o sentido de liberdade e mais democracia sejam temas
discutidos e implementados no mundo inteiro onde o respeito as individualidades
e a busca da resolução dos problemas no conjunto estejam na pauta todos os
dias.
Quanto ao Brasil vale ressaltar a grande
participação na Cúpula dos Povos dos quilombolas, religiosos(de todas as
matizes), estudantes, pequenos agricultores, mulheres na busca de um país de
mais liberdade e mais participação da sociedade nas decisões
governamentais.
Portanto, acredito que a discussão e
participação de cada um de nós pode e deve modificar esse quadro e vislumbrar um
outro mundo em que a democracia se radicalize e possamos viver num mundo de
equilíbrio realmente entre a produção e o respeito a ecologia. Esse, acredito, é
o norte que a humanidade deve seguir.
Kaika, convida!
Prepare-se para viver um verdadeiro clima de festa junina. O TERRAÇUS é uma chácara, portanto tem todo um ar de São João. E assim será essa festa que promete marcar mais uma no calendário da Sertão Pop Produções. Venha viver e reviver esse momento maravilhoso do São João. Venha vestido à caráter, assim a festa fica mais colorida e bonita.
SÃO JOÃO DA SAUDADE - Festa na Casa Grande
sexta, 22 de Junho às 22:00 em TERRAÇUS - Bar e Petiscaria
ETERNO REI DO BAIÃO - Marcos Barreto de Melo
A identidade de Luiz Gonzaga com o
Nordeste e, principalmente, com a terra que o viu nascer, o torna
indubitavelmente o maior símbolo do sertão. Luiz Gonzaga é a expressão mais
viva e autêntica do homem sertanejo, de sua vida e de seus costumes. A sua obra
é um patrimônio que transcende as fronteiras de Exu, no sertão de Pernambuco,
para atingir toda uma Nação, além de constituir-se num documento histórico de
significado inconteste, no momento em que registra os sentimentos e a alma
dessa gente simples e sofrida da terra nordestina. Luiz Gonzaga é o sertão em
corpo e alma. Como já disse o renomado mestre e folclorista Luis da Câmara
Cascudo, "Luiz Gonzaga é um documento da cultura popular. Autoridade da
lembrança e idoneidade da convivência. A paisagem pernambucana, águas, matos,
caminhos, silêncio, gente viva e morta. Tempos idos nas povoações sentimentais
voltam a viver, cantar e sofrer quando ele põe os dedos no teclado da sanfona
de feitiço e de recordação". Luiz é uma bandeira do sertão nordestino que
tremula no Brasil inteiro, no momento em que ele faz gemer os 120 baixos de sua
sanfona branca. Uma sanfona mágica, de esperanças e recordações.
Luiz Gonzaga é a imagem do retirante nordestino, que foge da terra seca e
exaurida pelo sol causticante da caatinga, deixando para sempre o seu tão pobre
e querido torrão natal. Do retirante que vende tudo o que tem, que joga a
família em um pau-de-arara e parte rumo ao Sul na busca ilusória de melhores
dias. Luiz é o sertanejo que planta, replanta e não perde as esperanças de um
bom Inverno. É o nortista forte e valente, mas que, chegada a hora de partir,
esquece a sua rudeza nativa e se deixa levar pela emoção. É o caboclo que
chora, quando se sente condenado a deixar o seu pedaço de chão.
Luiz Gonzaga é o vaqueiro das caatingas do Nordeste, de chapéu de couro,
gibão e perneiras, destemido e forte como uma aroeira, que anda no coice da
boiada e corre no carrasco, no marmeleiro fechado ou entre espinhos de
mandacaru no encalço de uma rês desgarrada. É o vaqueiro que laça, derruba e
domina uma rês enfezada. É o vaqueiro afamado e bom de campo que arranca
aplausos da multidão nas festas de vaquejada quando, ligeiro como um corisco,
derruba o boi mandingueiro e cobre a pista de poeira. Que acorda antes do sol e
sai para o campo ainda de madrugada, que almoça farinha com rapadura, que bebe
da água represada nas lagoas e que toma cachaça no chocalho. Luiz Gonzaga é o
vaqueiro que, no cansaço da luta, descansa à sombra de uma barriguda e que, no
fim do dia, junta o gado, sacode o pó do marmeleiro e vai para junto do seu
bem.
Luiz Gonzaga é o caboclo da roça, homem simples e trabalhador, que
acredita no canto agourento da acauã chamando a seca, no canto triste do
vim-vim e na profecia do pássaro carão, que quando solta o seu canto é sinal de
muita chuva no sertão. É o caboclo esquecido, de mãos grossas e calejadas e que
traz o rosto marcado pela vida árdua do campo. É o roceiro que faz experiências
com as pedras de sal, que espera ansioso pela barra do sol no dia de Natal e
que só se convence da seca quando vê passar sem chover o dia de São José, o
santo de sua devoção.
Luiz Gonzaga é o sertanejo de fé, que reza por uma chuva e pede a Deus
pra não ter seca, que faz promessa ao Padim Ciço pra se curar de uma doença e
que vai para as missões pedir uma bênção a frei Damião. É o caboclo que nasceu
na caatinga e que dali não quer sair, porque para ele não existe lugar melhor.
É ali que está enterrado o seu umbigo e é neste mesmo chão que ele quer morrer.
Ser enterrado à sombra de um velho umbuzeiro, vestido de vaqueiro e com uma
cruz de madeira amarrada com cipó, no meio da caatinga onde tanto aboiou e
onde, infelizmente, o seu grito de aboio ficará para sempre esquecido.
Luiz Gonzaga é o morador de pé-de-serra, que trabalha de sol a sol
durante toda a semana, mas que não abre mão de um samba de latada com o chão de
barro batido e a luz mortiça do candeeiro, onde triângulo, zabumba e uma
sanfona de oito baixos comandam a alegria. Um forrozinho onde a cabroeira
brinca, dança e se diverte, enquanto a poeira sobe e o tocador, animado, vai
castigando a sua concertina.
É o caboclo reimoso, esperto, brincalhão e prosista, com muitas estórias
engraçadas para nos contar, com aquela maneira que lhe é particular.
Luiz Gonzaga é o caminho que nos traz de volta aos pés-de-serra do sertão
nordestino através de xotes, baiões e toadas que tão bem retratam a nossa
terra. Luiz é a energia que mantém viva em cada retirante a lembrança do seu
longínquo sertão e a esperança derradeira de um dia ainda voltar para ele.
Luiz Gonzaga é tudo aquilo que emana do sertão. É a expressão de uma
terra pobre e sofrida, ora seca e triste, ora verde e alegre. De uma terra
esquecida e castigada, mas infinitamente bonita pela pureza de sua gente.
Luiz Gonzaga é a Asa Branca que volta correndo para o sertão quando ouve
o ronco das primeiras trovoadas; é o cheiro gostoso da terra molhada; é o
juazeiro com o seu eterno verde esperança; a peitica que, na copa do umbuzeiro,
canta alegre com a chegada do inverno; é o riacho que corre vorazmente,
arrastando árvores com as águas da primeira chuva; é o açude que sangra após
anos de seca; é um fole velho gemendo numa palhoça, alegrando o São João na
roça; é a rama verde da gitirana que, quando nasce, faz renascer o sertão.
Luiz Gonzaga é o filho de Januário que nasceu em Exu, em pleno sertão
pernambucano, nas terras dos Alencar, e que aprendeu com o pai a puxada da
sanfona. Luiz é aquele moleque que fugiu de casa em 1930, para tornar-se, um
dia, o grande e insuperável Rei do Baião. Luiz Gonzaga é o sanfoneiro do Riacho
da Brígida, de rosto redondo e riso largo, que deixou o sertão do Araripe para
ser o dono de um reinado que não tem fim, posto que, o seu canto é eterno.
Voa, passarinho, voa !!! - José Nilton Mariano Saraiva
Mesmo sabendo que a montanha de reais que o remunera (15 milhões) é dinheiro sujo, fruto da contravenção e da atuação desassombrada de uma quadrilha da mais alta periculosidade, Márcio Thomaz Bastos (ex Ministro da Justiça do Governo Federal) alegando já ter cumprido a quarentena exigida e, portanto, habilitado pra atuar profissionalmente (como advogado), não tá nem aí pra quem dele exige um mínimo de escrúpulo ou coerência (lembremo-nos que lá atrás ele houvera dado um parecer contundente contra o atual cliente): assim, primeiro conseguiu com que o Juiz Federal Tourinho Neto, membro do Tribunal Regional Federal da 1ª Zona, (teria “rachado” a grana com o próprio ???) em tempo recorde transferisse (sem qualquer justificativa convincente) seu cliente, Carlos Cachoeira, da prisão de segurança máxima de Mossoró-RN para o presídio da Papuda, em Brasília-DF. Agora, pouco mais de três meses da detenção, com uma agilidade não muito usual em casos da espécie, o mesmo Tourinho Neto, em decisão individual, houve por bem conceder um habeas corpus determinando que o marginal fosse posto em liberdade imediatamente (por inacreditável que pareça). O incrível argumento usado é que, como o esquema criminoso que o “coitadinho” do Cachoeira chefiava foi desfeito com a sua prisão e as casas de jogos de azar fechadas “...não há mais a potencialidade, dita no decreto da prisão preventiva, que traga perturbação à ordem pública” (quanta cretinice). Ou seja, toda a “sujeirada” que tomamos conhecimento através das gravações legais autorizadas pela Justiça, onde o senhor Carlos Cachoeira casa e batiza, faz e desfaz, manda e desmanda (e contemplando os três poderes da República), chegando a sugerir inclusive uma possível derrubada do Presidenta da República, tudo isso não vale nada, tudo isso se desmorona, tudo isso cai por terra, em razão do uso de um simples artifício, uma brecha jurídica providencialmente deixada no texto legal para casos da espécie: o ato inicial do processo teria sido proferido por um Juiz não habilitado pra tal. De outra parte, como os demais envolvidos (bem remunerados executivos da quadrilha) se escudam na própria Constituição Federal pra não abrirem o bico e como os Governadores envolvidos e convocados a depor não fazem a menor cerimônia em “gozar” com a cara dos integrantes da CPMI (o de Goiás não conseguiu explicar sobre a transação e compra de uma mansão, enquanto que o de Brasília simplesmente alegou não ser “corretor” pra saber o preço de imóvel que comprara subfaturado), a tendência é que o senhor Carlos Cachoeira, livre como um pássaro se sinta estimulado a passar umas férias longe do país, comandando sua quadrilha via celular de última geração, sem que ninguém lhe aporrinhe.
Voa, passarinho, voa !!! Desmoralize de uma vez por todas esse nosso corrupto Poder Judiciário.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Gabo esquecendo o mundo para que lembremos dele - José do Vale Pinheiro Feitosa
Gabo não podia mais dar respostas claras e acuradas a perguntas diretas e inesperadas, e era capaz de esquecer o que acabara de dizer cinco minutos antes. Eu não era especialista sobre as diferentes formas e progressões da perda da memória, mas minha impressão foi de que sua condição progredia com bastante constância. Era duro ver um homem que havia feito da memória o foco central de toda a sua existência assediado por tal infortúnio. Gabo era “um recordador profissional”, como sempre se chamou...
Com dicas adequadas podia lembrar-se de mais coisas do passado remoto – embora nem sempre os títulos de suas obras – e travar uma conversa razoavelmente normal e até bem-humorada. Mas sua memória imediata estava fragilizada, e Gabo se mostrava claramente angustiado com isso e sobre a fase em que parecia ter entrado. Depois que conversamos sobre seu trabalho e seus planos por algum tempo, declarou que não tinha certeza se voltaria a escrever. Então ele disse, quase melancólico: “Escrevi bastante, não escrevi? As pessoas não podem ficar frustradas, e não podem esperar mais nada de mim, não é?”
Estávamos sentados em imensas poltronas azuis, numa saleta íntima do hotel, de onde se via o anel rodoviário do sul da Cidade do México. Lá fora estava o século XXI, voando. Oito pistas de tráfego incessante.
Ele me olhou e disse:
- Sabe, algumas vezes fico deprimido.
- Como? Você, Gabo, depois de tudo que realizou? Não acredito. Por quê?
Ele gesticulou para o mundo além da janela – a grande artéria de tráfego intenso, a intensidade silenciosa de todas aquelas pessoas comuns vivendo a vida num mundo que não era mais seu - depois voltou o olhar para mim e murmurou:
- Porque percebo que tudo isso está chegando ao fim.
Estávamos sentados em imensas poltronas azuis, numa saleta íntima do hotel, de onde se via o anel rodoviário do sul da Cidade do México. Lá fora estava o século XXI, voando. Oito pistas de tráfego incessante.
Ele me olhou e disse:
- Sabe, algumas vezes fico deprimido.
- Como? Você, Gabo, depois de tudo que realizou? Não acredito. Por quê?
Ele gesticulou para o mundo além da janela – a grande artéria de tráfego intenso, a intensidade silenciosa de todas aquelas pessoas comuns vivendo a vida num mundo que não era mais seu - depois voltou o olhar para mim e murmurou:
- Porque percebo que tudo isso está chegando ao fim.
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Sertão de Aço
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(José Marcolino e Luiz Gonzaga )
Lá lá lá rá rá
Se você visse
Como é o meu sertão
Aí você diria
Que eu falo com razão
Lavoura lá
Dá só com o cheiro de chuva
Tem resistência
O milho e o feijão
Com uma chuva
Em cada mês
A coisa aumenta
Que a lavoura lá aguenta
Trinta dias de verão
Trá lá lálá ai...
Tem ano lá
Que o inverno é variado
Lucro e remessa
Num canto e outro não
O sertanejo ainda num desespera
Com coragem ainda espera
Pela safra de algodão
Havendo safra
Nem é bom falar
Meu Deus do céu
E com tanto samba que há
O sertanejo
Esquece logo o tempo ruim
Finca o pé na dança
Sem sentir cansaço
No outro dia
Cuida da obrigação
Digo por esta razão
Que meu sertão é de aço
Ô VÉIO MACHO; 1962; RCA VICTOR
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Precisa-se de um (a) cozinheiro (a)!- socorro moreira
Perdi todos os meus pontos. Fiz arroz sem sal, farofa torrada demais, feijão com caldo fino e carne sem suculência. Até a musse de chocolate ficou doce demais.
Face aos destemperos, aposento o meu avental, ou começo tudo do zero?
È desse jeito o bem viver... Recomeço!
Lições de tolerância, modulação da voz, delicadeza e amorosidade. Humor é fundamental!
Quando convivo com um casal que gargalha, aposto na relação.
Na falta do modelo próprio recorro à poesia. Solução pra solidão. Ela é a “outra” de todos os homens: perfumada, colorida e vadia!
“Quero a vida sempre assim...” Reaprendendo as letras que esqueci; absorvendo o novo que se apresenta, e lhe dando boas vindas.
2012 - CENTENÁRIO DE LUIZ GONZAGA
ASA BRANCA (Luiz Gonzaga – Humberto Teixeira) – Toada-Baião lançado em 03/1947
quando oiei a terra ardeno
quá fogueira de são João
eu preguntei a Deus do céu, ai
pru que tamanha judiação
qui brasero, qui fornáia!
nem um pé de prantação
por farta dágua perdi meu gado
morreu de sede meu alazão!
inté mesmo a asa branca
bateu asas do sertão
entonce eu disse: adeus Rosinha
guarda contigo, meu coração!
hoje londe muitas légua
numa triste solidão
espero a chuva cair de novo
pra mim vortá pro meu sertão!
quando o verde dos teus óio
se espaiá na prantação
eu te asseguro, num chore não, viu
que eu vortarei, viu, meu coração!
quinta-feira, 14 de junho de 2012
A Bola e a Bóia
Há quem
considere a Crônica um gênero literário menor. Talvez, comparando com o Conto,
o Romance, o Ensaio, a Poesia, não tenha ela o mesmo charme e a mesma fama . Desconfio, no entanto, que esta opinião advém
da volatilidade maior do estilo: ligada geralmente aos fatos mais corriqueiros
e cotidianos , possui uma permanência mais etérea. O texto publicado no jornal,
hoje, amanhã já está, muito
provavelmente, limpando as vidraças da sala. Trabalhar com esta impermanência ,
tecendo o bordado numa ponta, enquanto o tempo desfaz o fio do outro lado,
parece-me uma coisa mágica e remete
quase que imediatamente à efemeridade da vida: matéria prima de todos os
gêneros literários. E não são poucos os grandes escritores que soçobram ante os
mistérios da Crônica; faltam-lhes, tantas vezes, leveza, despojamento, humildade para enfrentar
o profundo abismo que é escrever acossado pelo grande e implacável apagador das horas. Machado de Assis, meu
escritor predileto, talvez o maior que o país já produziu, não me parece um
grande cronista. Humberto de Campos, o
mais produtivo da sua época, hoje é totalmente esquecido. Lembro da grande
coleção azul, dele, de mais de trinta livros , na biblioteca imensa do Tio
Sávio Pinheiro. Devorei-a, na adolescência, com voracidade. Talvez os textos
fossem datados demais e tenham perdido o glamour com o advento das novas
gerações. Rubem Braga, certamente ,mantém-se distanciado como o mais importante escritor do gênero, em língua portuguesa, possivelmente
porque é profundamente poético e poesia
não tem idade : banha-se na fonte da eterna juventude.
O
certo é que me apetece esse encanto de garimpar nossa doce história cotidiana. Fatos
aparentemente sem importância, gestos leves, movimentos fortuitos, personagens tidos
como menores e que cairiam rapidamente
na lixeira da memória não fosse o olhar atento do cronista. E mais: tentar
perenizá-los usando a mesma argamassa amorfa, frágil e etérea com que são constituídos.
Querem
um exemplo ? Esta semana publicou-se uma
notícia trivial na televisão. Foram devolvidos a alguns japoneses, alguns
objetos tragados no terrível Tsunami do ano passado. As marés os carregaram até
o Alaska, na outra extremidade do mundo. Algumas pessoas os recolheram e
identificando alguns deles os devolveram aos seus donos no Japão. Sakiro Miura,
uma japonezinha simpática, recebeu uma bóia que emoldurava a porta da sua loja
de mergulho: nela estava escrito, em caracteres japoneses, o nome do esposo,
falecido há 30 anos. Um rapaz recebeu uma bola de futebol onde gravara o próprio
nome e estampava várias assinaturas dos
seus colegas de escola. A bola e a bóia não possuíam qualquer valor monetário e
a notícia, tirando-se o inusitado, não carrega maior importância. Debite-se na
conta ainda a gentileza dos moradores do
Alaska : perceberam que , de alguma maneira, junto com os objetos, devolviam à
Sakiro e ao rapazinho um pouco daquilo que a tragédia havia arrancado das suas
mãos. A bola e a bóia restituíam junto a esperança: o combustível de toda nossa
jornada nesta terra.
Atrás
da notícia, escondia-se uma verdade só perceptível ao cronista. O preço real
das coisas não pode ser avaliado apenas por seu valor venal: de troca,
de venda , de escambo. Existe tantas vezes um valor sentimental que imanta os
objetos e que não pode ser mensurado por trena , nem pesado com balança Fillizola.
Sakiro não negociaria sua bóia por qualquer dinheiro desse mundo. E mais : só
ela consegue dimensionar este custo, ninguém mais desse mundo. Seu tesouro está
assim, biblicamente, imune às traças, aos ladrões e ao caruncho.
Quando
os tsunamis por fim devastarem as praias da nossa existência, estes serão os
únicos bens que boiarão e que um dia , quem sabe, o destino devolverá à nossa
porta, para nosso gáudio, como a bóia de Sakiro Miura : uma florzinha que
desabrocha em meio ás ruínas que
restaram.
J. Flávio Vieira
O Banhado do Taim, a fundação do Movimento Verde e a Rio +20 - José do Vale Pinheiro Feitosa
Vínhamos pela BR-471 de Chuí para Pelotas quando avistamos, na
estrada quase vazia de automóveis, placas indicando um trecho cuja velocidade
mínima seria de 40 km por hora. Perigo de animais selvagens atravessando a
pista. Estávamos na região da Reserva Ecológica do Taim, uma estreita faixa de
terra entre o Oceano Atlântico e a Lagoa Mirim, nos municípios de Rio Grande e
Santa Vitória do Palmar.
Rio de Janeiro, junho de 2012, as ruas cheias como o seu
dia-a-dia de veículos explodindo fumaça pelo escapamento. O noticiário
igualmente tomado de notícias da Rio +20. Pelas ruas da cidade, a cada esquina,
encontro da espécie humana grunhindo suas cordas vocais em múltiplos idiomas.
A consciência ecológica, verde, conservacionista,
sustentável ou que nome venha a ter é ampla nesta Conferência das Nações. E
pensar que tudo começou no turbilhão que jogou o mundo entre os anos 60 e 70.
Quando a consciência planetária se imiscuiu na cultura e na política. A
consciência que igualmente esteve no movimento hippie, no Rock and Roll, na
Guerra do Vietnã e a resistência a ela, nos movimentos estudantis pelo mundo
inclusive o Paris de 68 e além das guerras de libertação colonial na África e
na Ásia.
A Reserva Ecológica do Taim faz parte da planície costeira
que caracteriza o extremo sul do Brasil. Os banhados do Taim, como é seu nome
original se compõem por praias lagunares, marinhas, lagoas, campinas, pântanos
e dunas. Ali vive e se formou um rico ecossistema composto por animais e
plantas. João de Barros, Tuco-Tuco, Tartarugas, Capivaras, Jacaré-do-Papo-Amarelo,
Ratão-do-Banhado, Orquídeas, Bromélias, Cactos, Figueiras, Juncos e Água Pés.
No Forte de Copacabana se montou uma estrutura enorme onde os
militantes ecológicos, visitantes, curiosos e representações populares e do
mundo científico engajado se mistura como uma Torre de Babel de línguas. No RioCentro
as delegações penam em discordâncias e concordâncias com um longo texto que
será retificado pelos Chefes de Estado.
A primeira vez que se tomou uma consciência ecológica do
ponto de vista político e como uma consciência na cultural mundial, aconteceu
por fatos cumulativos e com a Conferência de Estocolmo, ou Conferência da ONU
sobre Meio Ambiente Humano começando em 5 de junho de 1972 (apenas 40 anos). O
mundo estava perplexo com os efeitos da contaminação por venenos no solo, nas
águas e nos animais oriundos de processos industriais e da agricultura. Os testes
com bombas atômicas deixavam uma rastro letal de Estrôncio-90 no meio ambiente.
A Baleia Azul tinha sido tão perseguida que estava à beira da extinção.
Entramos na velocidade indicada nas placas sobre um aterro
que atravessa aproximadamente 20 Km da reserva do Taim e se descortina uma
paisagem belíssima ladeada pelos pampas, a criação de gado e grandes grupos de
capivaras de um lado e outro do banhado. Enquanto o motor do carro nos
transportava vinha-me a lembrança da grita do Pasquim e do Coojornal do Rio
Grande do Sul denunciando a construção da BR-471 sobre a reserva do Taim,
expondo suas obras e uso ao desastre ecológico.
O Presidente Obama, a Chanceler Merkel e David Camerom não
se farão presentes à cúpula dos Chefes de Estado da Rio +20. Num desânimo estrutural
e na contramão da necessidade de se repensar a marcha da humanidade, estes
líderes das nações mais intensas em consumo do planeta, não virão, permanecerão
onde estão. Numa atitude sempre evasiva nestes fóruns mundiais, mas quando se
trata de defender o meramente econômico com base em moeda pura, as grandes
nações nunca se escondem. Estão lá para fazer os acordos entre si, à margem da
maioria da humanidade.
Na Primeira Conferência a de Estocolmo de 1972, aquela que
funda o movimento verde, o atual formato já estava pronto: a sociedade civil, cientistas
e chefes de estado. Indira Ghandi, premier da Índia disse: “A minha percepção é de que pessoas que não
se entendem com a natureza são cínicas em relação à humanidade e não estão
confortáveis consigo mesmas”. A partir dali o assunto entrou na agenda da
humanidade e o Brasil, por sua cidade Rio de Janeiro, se tornou uma referência
fundamental nas principais conferências até aqui.
Enquanto o nosso carro avançava no aterro sobre o banhado do
Taim, aquelas frases de efeito na grita contra a truculência da ditadura que
apontara o dedo no mapa para aquela região e ali plantara a estrada que
violentava a natureza. Tudo que lera no Pasquim e no Coojornal fazia sentido:
um, dois, três, quatro, mais outro, outro e outros mais corpos de capivaras
jaziam esmagados a se confundir com o asfalto da rodovia.
Hoje pela manhã o Rio amanheceu azul após tantos dias de
chuvas. Amanheceu azul com uma matriz da floresta da tijuca a ladear o
intrincado de ruas. Tudo de ruim que disseram das cidades aqui acontece.
Aconteceu e acontecerá. Mas não existe esperança que não sejam sobre os eventos
em acontecimento e por isso pode-se mudar o rumo da história. Pelo fato pura e
simples do que acontece continuamente é de onde se transforma.
Antes de terminar é impossível esquecer do livro “Primavera
Silenciosa” de Rachel Carson, sistematizando os efeitos do desenvolvimento e do
progresso sobre o meio ambiente. Assim como José Lutzemberg a abrir a
consciência ecológica no Brasil após anos de trabalho na BASF quando sentiu os
efeitos danosos dos agrotóxicos sobre os agricultores. E aqui uma frase dele de
1972 a primeira vez que li sobre o assunto numa entrevista que ele deu acho que
para o Pasquim ou outro jornal alternativo da época feito O Movimento ou
Opinião: “Se não conseguirmos, em pouco
tempo vencer a piromania nacional, estará nosso país a transformar-se, durante
a vida dos jovens e crianças de hoje, em deserto e serão indescritíveis as
calamidades que sofreremos. A provável e talvez já desencadeada inversão
climática tornará impossível a recuperação, mesmo a longo prazo.” Lutezemberg
foi um dos primeiros a falar no aquecimento global com esta frase.
VIVA GONZAGÃO
No centenário do nosso grande Luiz Gonzaga, o registro de um encontro memorável que tive com o Rei do Baião em Crato.
O ANO ELEITORAL EM CRATO - José do Vale Pinheiro Feitosa
“Quando um empresário se candidata, se elege
e assume um cargo público ele vive um dilema, mas um dilema a priori resolvido:
entre o interesse público e o seu ele fica com o seu.”
Wilson Fadul, Prefeito de Campo Grande, Deputado Federal,
Ministro da Saúde, Editor, Presidente de Banco.
Todos sonhamos e desejamos a retomada da vocação da cidade
de Crato para que a região do Cariri tenha melhores chances de desenvolvimento.
Sem o Crato ou com a Política da cidade funcionando de modo subalterno e
confuso, a região ficará empacada numa eterna perda de autonomia, apenas
absorvendo as sobras das políticas ditadas pelo Governo Estadual e suas
alianças regionais.
A rigor ninguém tem a fórmula para a retomada desta vocação,
mas algumas tradições históricas, educacionais e culturais dão algumas pistas
como bem explicitou Dr. José Flávio Pinheiro Vieira em postagem recente. E não
se tem uma pista completa por que antes é preciso ouvir a sociedade, fazê-la se
manifestar sobre o tema, incluindo desde as associações de bairros, passando
por organizações da sociedade civil, do comércio e indústria, a URCA e
setorialmente todas as instâncias municipais: câmara de vereadores e conselhos
municipais e os funcionários dos diversos setores da administração municipal.
É preciso ter este objetivo de construir coletivamente a
vocação da cidade para que as políticas públicas se orientem por ela. E este
coletivamente só pode existir no povo do Crato, ele não vem de fora, é a partir
do seu conceito próprio que a cidade pode apresentar a sua contribuição para a
região e reivindicar políticas estaduais e federais para dar curso às políticas
locais.
Por isso mesmo, alguns parâmetros políticos precisam ser
evitados a todo custo para que a cidade retome seu destino e exerça o papel de
liderança que lhe cabe. Quais são estes parâmetros de natureza conjuntural e
estrutural:
a a ) Do
ponto de vista conjuntural: o Crato não pode ficar nestas eleições a reboque dos
desejos políticos do Governador do Estado. Não pode por dois motivos muito
simples: o Governador tem mais dois anos de mandato e trabalha nesta altura apenas
para a sua própria sobrevivência política o que não trás vantagem alguma para o
Crato além do atual Governo estadual ser fruto de uma aliança entre forças
politicas da região metropolitana de Fortaleza e da região norte para as quais
os interesses do Cariri são secundários.
b b) Ainda
na lógica conjuntural: seria um erro histórico o Crato eleger um prefeito por
força de um ou dois políticos regionais, cujos interesses se resumem ao próprio
domínio político. Sejam estes políticos senadores ou deputados da região não é
pelo desejo deles que a cidade conquistará autonomia, pois o desejo deles quase
que se insere apenas no espectro do poder pessoal.
c c) Do
ponto de vista estrutural: o Crato precisa superar a velha política local,
feita por conchavos entre famílias, que se prendem a um saudosismo eterno e uma
inveja doentia do sucesso de outras cidades. Esta estrutura precisa ser
superada até para que os filhos e netos destas famílias possam ter progresso e
amplie a capacidade de liderança para o bem comum.
O modo de superação da cidade, como dissemos, é pela
construção coletiva de um plano de identidade local, com a inserção de novos
atores sociais e econômicos que não tiveram, não têm e nunca terão vez uma vez
não se supere aquelas conjunturas e estrutura citadas. Para isso é preciso um
núcleo político popular e democrático que promova a inserção destas novas
forças. E isso não se mostra impossível no quadro econômico, social e político
do país, quando se vive um momento especial de crescimento econômico com
distribuição de renda e um novo paradigma do Estado de Direito Democrático.
O núcleo popular e democrático não tem donos, mas tem um
norte que são as políticas nacionais de desenvolvimento com inserção social. O
núcleo é dinâmico, inclusivo e distributivo, convocando todos os bairros para a
construção coletiva. O núcleo popular e democrático terá algumas questões que
estão na raiz daquilo que o Dr. José Flávio apontou: o meio ambiente, a educação
pública, a saúde pública, a cultura popular e universal, saneamento básico e
proteção social.
Por último o núcleo político e popular precisa ser estendido
rapidamente, convocado e aberto para a construção. Seria um erro se fazer
política apenas repetindo as fórmulas clássicas de programas de rádio, panfletos
e palanques. É preciso multiplicar rapidamente estes núcleos nos bairros e
partir para o entusiasmo popular não como objeto de promessas eleitoreiras, mas
como a construção do possível e do necessário. Desenvolver o espírito crítico
na população para denunciar todas as manobras que quebram o espírito
democrático das eleições como cabos eleitorais assalariados, compra de votos e
outras coisas que a legislação eleitoral veta.
Em palavras finais: o núcleo popular e democrático é popular
e democrático e vai abandonar todas as velhas formas de fazer política com as
quais a cidade se acostumou e se acomodou. É preciso ir para a rua como diz a
canção: “é preciso ir aonde o povo está, se foi assim, assim será.”
" FUTEBOL" - A Verdadeira Copa - José Nilton Mariano Saraiva
Com sede Suíça, a FIFA-Fédération Internationale de Football Association, abriga em seus quadros mais países que a própria ONU-Organização das Nações Unidas, já que com cerca de 215 afiliados. Trata-se, pois, de uma das maiores e mais rentáveis multinacionais do planeta.
Mas foi justamente aí, na ânsia desmedida em cooptar filiados através da politicagem rasteira do quantificar independentemente do qualificar, que aquela Federação Internacional acabou por transformar a sua principal mercadoria, a Copa do Mundo de Futebol, num torneio sem o charme, a atração e a credibilidade de outrora.
Se você aí do outro lado da telinha desconhece, saiba que quando o Brasil ganhou sua primeira Copa do Mundo, em 1958, o torneio se restringia a 16 seleções nacionais, normalmente fortes e competitivas.
Mas, a partir de certo momento, a televisão, antevendo o preenchimento da sua grade com uma atração com poder de atrair anunciantes com “bala na agulha”, firmou parceria com a FIFA e a “porteira” foi escancarada: o aumento das vagas pulou pra 24 e posteriormente para 32 seleções, sob uma justificativa não lá tão convincente: os povos dos continentes africanos, da Oceania e de outros países (sem nenhuma tradição no esporte), também eram filho de Deus e, portanto, não poderiam ficar de fora da “maior festa do futebol” (a questão do "patrocínio" foi estrategicamente "esquecida") .
E foi assim, através dessa tal globalização (um tanto quanto enviesada), que a Copa do Mundo de Futebol se transformou na xaropada que é hoje: insossa, previsível, sem atrativos, com “peladas monumentais” à espera de uma “zebra” qualquer aqui e acolá e, principalmente, com jogos em horários que se amoldem ao espaço disponível na grade televisiva e ao fuso-horario, mesmo que o distinto público não tenha condição de comparecer aos estádios (meio-dia ou tarde da noite). Daí a substituição do torcedor de arquibancada pelo torcedor de poltrona.
Ainda bem que para se contrapor a essa “zorra” toda, a UEFA (União das Federações Européias de Futebol) patrocina uma competição que, se contasse com o Brasil e a Argentina poderia perfeitamente ser rotulada com o “verdadeiro” Campeonato Mundial de Futebol: a Eurocopa, que é disputada nos mesmos moldes da antiga Copa do Mundo da Fifa - 16 clubes, divididos em 4 chaves, com 4 clubes cada, classificando-se dois de cada grupo até se chegar ao funil onde só sobram os dois finalistas (claro que, pra não fugir à regra, aqui e acolá temos que digerir algum “purgante” brabo, algum jogo chocho).
E aí, paradoxalmente, só temos que agradecer à televisão por nos permitir assistir (na poltrona, é claro) a embates virtuosos entre times de inquestionável gabarito, tais quais: Alemanha, Espanha, Rússia, Polônia, Portugal, República Tcheca, Dinamarca, Holanda, Itália, França, Inglaterra, Suécia, Croácia, Ucrânia e, um pouco menos, Irlanda e Grécia.
Alguém dúvida que se fosse possível incluir Brasil e Argentina em tal competição teríamos a verdadeira Copa do Mundo de Futebol, já que mais qualificada ???
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