por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A cólera, um shopping sobre gás explosivo e a indústria têxtil com lixo hospitalar - José do Vale Pinheiro Feitosa

Por volta de 1991 entrou pela calha do Amazonas, vinda do Peru, uma epidemia de cólera que, rapidamente, atingiu o nordeste e aí provocou enormes prejuízos e ceifou vidas. Uma das grandes tragédias da epidemia foi uma trombada da notícia sobre o turismo nordestino. Que era uma das principais fontes econômicas da região.

A trombada da notícia foi pior do que os fatos tipicamente epidêmicos. De alguma forma o país estava despreparado para a epidemia. Há anos que não se verificava ocorrência do vibrião colérico em nosso meio. As autoridades não tinham medidas imediatas e, claro, a mídia também estava perplexa em como tratar a notícia. Além de tudo havia e ainda há um enorme problema de saneamento básico no país, especialmente no nordeste, sobretudo por precária oferta de água tratada. A epidemia jamais atingiu o Sudeste e o Sul e a diferença foi a água tratada. Lembro daquela tragédia em Fortaleza num ano de seca e quando foi aberto o Canal do Trabalhador. Sem os olhos dos eleitores os políticos dançavam para botar a culpa no outro: se no Ciro Governador ou no Juraci Magalhães Prefeito (com agente federal tive que chegar junto do nosso Raimundo Bezerra então Secretário Municipal).

Mas certamente algo além do desconhecimento acontecia para promover a trombada noticiosa em rede nacional. A notícia que tirava dos nordestinos sua fonte: os peixes e as praias. Foi um Deus nos acuda, mas o pior sobre bases falsas do comportamento do agente infeccioso da cólera. A mídia começava a sangrar o Collor de Mello e a epidemia era um bom extravasamento de energia governamental

Aconteceu que as autoridades locais, especialmente no Maranhão e em Pernambuco tomaram providências exageradas que atingia o turismo irreversivelmente. A epidemia pulou (por um fato que tem paralelo com hoje que é Santa Rita do Capibaribe) do norte para o nordeste na rota do pólo de roupas pernambucano, Foi aí que fui testemunho do que ocorreu. Adib Jatene acabara de assumir o Ministério da Saúde e eu fazia parte Comissão Nacional Contra a Cólera, presidida por Dr. Claudio Amaral quando foi estancada a hemorragia no turismo nordestino.

Não tinha sentido algum proibir o banho de mar e nem pedir para a população não comer peixe. Fizemos tudo para reverter a situação, inclusive após uma reunião com o Ex-Governador de Pernambuco, Joaquim Francisco, que inclusive comeu peixe e tomou um belo banho de mar em Boa Viagem. O Ministério da Saúde começava a desmontar a trombada na notícia. Um adendo: em guerras comerciais as agressões são o móvel da interpretação e não os fatos que analisem o embate. Pois foi aí que vi gente comemorando a cólera na praia dos outros e estava na Paraíba quando comemoraram um assalto a um ônibus de turistas no Rio de Janeiro. Imaginem só: logo o Rio de Janeiro que era a porta de entrada, então, para o turismo estrangeiro no país.

Vou aproveitar para ponderar sobre duas possíveis trombadas da notícia em guerras comerciais. Em primeiro lugar foi o episódio do fechamento daquele shopping em São Paulo. Aquilo queimou a imagem do pólo comercial, causou prejuízo direto sobre centenas de lojistas. E agora vem a evidência da trombada: igualmente não retiraram a população do Conjunto Cingapura (feito por Maluf e Pitta) que se encontra em risco maior e após poucas horas a interdição do shopping acabou com medidas tão rápidas que não justificariam os anos em que ele funcionou sem tais medidas aos olhos das autoridades municipais e estaduais.

A outra trombada é desta semana: os tais tecidos hospitalares que alimentam os negócios sujos de uma empresa de confecção de roupas. Isso virou uma denúncia geral que vai atingir em cheio o pólo de roupas Pernambucano. Existe um crime evidente de uma empresa e todas em conjunto pagarão como se os lençóis e jalecos dos hospitais americanos fossem a base da indústria de confecção pernambucana.






Espetáculo "A cor Rosa"segunda, 17 de outubro · 18:00 - 21:00
Localização
SESC - Crato

Luiz Bonfá


Luiz Floriano Bonfá (Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1922 — Rio de Janeiro, 12 de janeiro de 2001) foi um cantor, violonista, compositor brasileiro.

Manhã de Carnaval
Luiz Bonfa

Manhã, tão bonita manhã
Na vida, uma nova canção
Cantando só teus olhos
Teu riso, tuas mãos
Pois há de haver um dia
Em que virás

Das cordas do meu violão
Que só teu amor procurou
Vem uma voz
Falar dos beijos perdidos
Nos lábios teus

Canta o meu coração
Alegria voltou
Tão feliz a manhã
Deste amor
Composição: Música: Luiz Bonfá - Letra: Antonio Maria

Frédéric Chopin



Frédéric François Chopin também chamado Fryderyk Franciszek Chopin (Żelazowa Wola, 1 de Março de 1810 — Paris, 17 de Outubro de 1849) foi um pianista polaco[2] e compositor para piano da era romântica. É amplamente conhecido como um dos maiores compositores para piano e um dos pianistas mais importantes da história.[3] Sua técnica refinada e sua elaboração harmônica vêm sendo comparadas historicamente com as de outros gênios da música, como Mozart e Beethoven, assim como sua duradoura influência na música até os dias de hoje.

wikipédia

CHIQUINHA GONZAGA- por Norma Hauer


Foi há 164 anos que ela nasceu, recebendo o nome de Francisca Maria Edwiges Gonzaga. Era o dia 17 de outubro de 1847. Foi aqui mesmo, no Rio de Janeiro, filha de José Basileu e uma mestiça de nome Maria. Apenas isso: Maria. Pois foi essa Maria que trouxe ao mundo um talento conhecido como CHIQUINHA GONZAGA.

Uma mulher maravilhosa que não deu “bola” aos preconceitos da época e abriu as portas para um mundo abençoado por suas músicas e peças teatrais.
Casaram-na aos 16 anos , como era hábito então , mas ela não nascera para o casamento; mesmo assim teve três filhos (ainda não se inventara a pílula). Como não era a vida que desejava, abandonou seus filhos, ficando com o mais velho, de nome João Gualberto. Este, em 1920, embora não fosse músico, mas sendo filho de quem era, criou a gravadora “Popular”, para concorrer com os “Discos da Casa Edson-Rio de Janeiro” , que dominavam o mercado da época. Nessa gravadora, Francisco Alves, então iniciando sua carreira , gravou seus primeiros discos.

Tentando ingressar no meio teatral, Chiquinha produziu duas peças:”Penhasco" e "Festa de São João”. Foram rejeitadas, por terem sido escritas por uma mulher. Só que era uma mulher de fibra e não se intimidou. Assim, em 1885, com uma nova peça de nome “A Corte na Roça” estreou no meio antes hostil, especialmente masculino, mas que reconheceu seu talento.

As “dondocas” hipócritas de seu tempo, provavelmente as invejavam por sua coragem, mas não se misturavam com uma mulher separada e que
depois teve amantes.
Foi com Antônio Calado e seus “chorões” que ela se relacionava profissionalmente.

Essa mulher maravilhosa escreveu um bonito tango brasileiro (como eram comuns) de nome “Lua Branca”, que não é nada mais que uma seresta que, posteriormente, recebeu uma letra de Luiz Peixoto e ainda hoje é um dos hinos de nossos seresteiros.
Luiz Peixoto foi também seu patrono em uma “burleta” de nome “Forrobodó”, escrita em 1912.


Norma

domingo, 16 de outubro de 2011

Amores Possíveis -Pe Fabio‏- Colaboração de Fátima Figueirêdo



Ninguém merece ser sozinho...
O seu coração sabe disso, porque certamente já experimentou o amargo sabor da solidão. É no encontro com o outro que o eu se afirma e se constrói existencialmente. O outro é o espelho onde o eu se solidifica, se preenche, se encontra e se fortalece para ser o que é. O processo contrário também é verdadeiro, pois nem sempre as pessoas se encontram a partir desta responsabilidade que deveria perpassar as relações humanas.
Você, em sua pouca idade, vive um dos momentos mais belos da vida. Você está experimentando o ponto alto dos relacionamentos humanos, porque a juventude nos possibilita ensaiar o futuro no exercício do presente. Já me explico. Tudo o que você vive hoje será muito importante e determinante para a sua forma de ser amanhã.
Neste momento da vida, você tem a possibilidade de estabelecer vínculos muito diversificados. Família, amigos, grupos de objetivos diversos, namorados e namoradas. Principalmente esses últimos, que não são poucos. Namora-se muito nos dias de hoje, porque as relações humanas estão cada vez mais instáveis e, por isso, menos duradouras.
Parece que o amor eterno está em crise.

Que o seu amor não seja único
Quando paramos para pensar um pouco, chegamos à conclusão de que o problema está justamente na forma como estabelecemos os nossos relacionamentos.
O grande problema é que geralmente investimos todas as nossas cartas naquela pessoa nova que chegou. Ela passa a centralizar a nossa vida, consumindo nosso tempo, nossos afetos, nossos pensamentos e nossas energias. Tudo passa a convergir para ela e, com isso, vamos reduzindo o nosso círculo de relações. O outro vai tomando tanto nossa atenção que, aos poucos, até mesmo a família vai sendo esquecida.
Porém, quando esquecemos de cultivar estes vínculos que até então faziam parte de nós, vamos criando lacunas afetivas dentro do nosso coração. É nesse momento que a confusão acontece, pois todas as necessidades começam a ser preenchidas pela pessoa enamorada.
Com o passar do tempo, ela começa a carregar um fardo muito pesado, pois passou a exercer a função de pai, mãe, irmão e amigo, quando na verdade ela é apenas um namorado, ou namorada.

Cada forma de amor no seu lugar
Essa relação começará ser muito pesada para ambos. Será fortemente marcada pela dependência, pelas cobranças e pelo ciúme. Ambos passam a viver uma insegurança muito grande, pois nunca sabem ao certo o papel que exercem na vida um do outro. O amor deixa de ser amor e passa a ser sentimento de posse, como se o outro fosse uma propriedade adquirida, pronta para atender todos nossos desejos.
Quando o coração humano identifica esse sentimento de posse, ele tende a se esconder de si mesmo e, conseqüentemente, dos outros. Teme que alguém venha quebrar o encanto, mostrando que não existe nenhuma história de amor e que ambos viraram sapos. E, o pior, acorrentados.
Mas a mudança é sempre possível. Só é preciso que sejamos honestos. Se por acaso você se identificou com esta possessiva e conturbada forma de amar, vale à pena buscar uma ajuda. Comece a canalizar melhor os seus afetos. Não os direcione a uma única pessoa. Tenha amigos, cultive-os. Redescubra sua casa, seus pais, seus irmãos, mesmo que existam problemas entre vocês. Deixe aflorar os afetos que ficaram adormecidos dentro de você. Não coloque sobre a pessoa que você diz amar a responsabilidade de ser o centro do seu mundo, nem se sinta deixado de lado o dia em que ela disser que não vai lhe ver, porque precisa ficar com a família. É que existem momentos que o colo da mãe é muito mais necessário do que o seu.
É duro de ouvir isso? Pois é, muito mais duro é não compreender!

Um pouco de Padre Fábio.

Marco Pereira e Rogério Caetano, na TV CÂMARA- Apaixonante!

Pra quem tem um violão de 7 cordas, no coração!






Verdade que posto vídeos por demais, mas nada existe que nos ligue tanto aos afins, quanto a música. É meu jeito de encontrar a melodia, além da palavra... De me arrepiar e permitir, que todos percebam o rosa da minha cara... Despudorada, emocionada!

Hoje estivemos  no Restaurante " Zabelê". A cozinha é maravilhosa. Não consegui, virginianamente, pôr nenhum defeito! Vale à pena conferir!Parabéns à Administração!


Espero que o amigo Nicodemos nos presenteie com fotos que expressam a primavera da nossa Chapada.

Uma excelente semana para todos !

do outro lado do jardim

Deve ter morrido aquela rosa lilás
no canteiro perto da garagem.

Nunca mais desci a escada e tratei do seu ferimento.
Tinha ela na orelha esquerda uma mordida
de gafanhoto e outra de borboleta.

As rosas cruelmente são esquecidas
quando os poetas só têm olhos
pras suas botas.

As rosas não entendem
que a etérea beleza das suas pétalas
é um insulto à ressaca do solado das botas -

tampas de cerveja
pregadas em chicletes.

Alimentação - Por José de Arimatéa dos Santos


Foto: José de Arimatéa dos Santos

O combustível de qualquer ser humano é a alimentação, a comida. Parte da população mundial não tem esse sagrado direito de comer. A grande concentração de renda de poucos faz com que muita gente passe fome.
Oportunidades e emprego são direitos de todo cidadão e aqui no Brasil a luta dos trabalhadores deve ser pela justiça em que todos possam ter seu trabalho e salários justos. Acredito que todo cidadão quer trabalhar e ganhar o "pão de cada dia" com o suor do trabalho.
Tomar café, almoçar e jantar, além do lanche são direitos. Eu disse direitos de todo nós. E isso é possível através do emprego para todos e  uma melhor distribuição de renda para todos, indistintamente.
Quanto a comida o Brasil é um dos maiores celeiros mundiais na produção de alimentos. E terra o país tem muita pronta para a agricultura e pecuária. Falta uma melhor organização dos espaços para o plantio e apoio para quem vive e produz no campo.
Acredito que há espaço para a agricultura de exportação e a agricultura familiar. Para a economia do Brasil as duas tem sua importância. Com uma melhor organização é possível a produção de alimentos para todos os brasileiros, mas vale destacar com o devido respeito ao meio ambiente. 
Uma reforma agrária de verdade é posível e que contemple todos os que queiram produzir e viver do campo. Espaço para se fazer a reforma agrária existe. Falta somente a implementação da lei e consequentemente a produção de mais alimento. 

Para que servem os desafios - Emerson Monteiro


Nas condições dos momentos, à frente das portas de sempre, em qualquer lugar, ou diante das ordens do espaço de viver, ninguém passa pela vida longe de enfrentar limites e desafios. Porteiras abertas da criatividade, transações de aproveitar o tempo, cabe aos indivíduos a epopéia das horas ligeiras de experimentar as oportunidades e conhecer os meandros da natureza mãe que morar em si.

O que parece filosofia, na realidade anda um pouco mais. Mostra, sim, que encarar a viagem através das pedras do desconhecido servirá de orientação a fim de observar o mistério espalhado na paisagem da chamada existência. Ninguém representa só passageiro inútil desfilando nas malhas de impunidade... Os mínimos aspectos dessa estrada abrem-se aos seres fantásticos que habitam nossa espécie, desde mulas sem cabeça a sacis impertinentes, a título da imaginação inesgotável e aos pedidos de compreender o enigma dessas ocasiões sucessivas.

Um olhar fixo dentro da gente, a luz da Consciência, demonstra responsabilidades imensas diante dos caminhos da salvação trazidos nesse território. Há sentido nas visões da janela do trem, que desenvolve velocidade quase acima das nossas forças, enquanto o conhecimento de aproveitar ao máximo o percurso desliza no vento. Invés de querer definir para dominar, deixar entrar, nos cômodos da alma, o hálito rico do inesperado, das boas práticas da liberdade, no sonho intenso de manter abertos os olhos de enxergar as maravilhas.

Isto com a paciência das crianças e dos santos... Saber suportar o calor de lutas, às algumas vezes inglórias, no furor das tempestades, lições necessárias ao desapego de valores inúteis, na poeira que esvoaça e dobra nas curvas do destino.

Bom, falar de paciência e infinitude jamais esgota o assunto, senão perder-se-ia dos próprios nomes. Saber ler nas entrelinhas das palavras que querem dizer coragem. Paciência inesgotável, pois.

E, nisso, amar acima de tudo... Amar todos, independente de credo ou cor... Amar, na simplicidade incondicional dos sábios, ao Sol das religiões e das vivências da esperança.

Para, depois, lembrar com alegria os instantes do roteiro quando assistíamos aos melhores filmes na sala surpreendente das histórias coletivas, ao sabor do eterno. Aceitar as imposições e os bloqueios quais respostas às ações do que produziu em face desses desafios. Preparar, no instante atual, o que as leis do bem querer ofertam logo em seguida aos praticados. A quem quer bondade, que plante a semente no coração das pessoas que, juntas de nós, andam na perene estrada do Infinito, nisto se acha o resumo das escolas do saber.

MOAGEM - Marcos Barreto de Melo

Passado o mês de São João
Começava a inquietação
Porque a gente já sabia
Que muito em breve viria
A moagem no Caboclo

De manhã, muito cedinho
Encostava um caminhão
Era João de Anunciada
Anunciando a chegada
De um tempo de animação

Na Chevrolet meia dois
Uma carrada de menino
Uma caixa de brinquedo
Gaiola de passarinho
E o resto, ia depois

Entre curvas e ladeiras
Unha de gato e jurema
Lambendo a carroceria
Uma friagem na barriga
Fazia a nossa alegria

Numa madrugada fria
Aquele ronco sonoro
Do motorzão National
Fazia a gente acordar
Transbordando de euforia

Era o início da moagem
E quem é que não se lembra
Que não guardou na lembrança
O ronco desse motor
Embalando o nosso sono

No quarto da casa grande
Menino mijando em penico
Com pijama de flanela
Espera o leite mugido
No batente da janela

Encostado ao oitão
Um curral grande de vara
Onde a vaca “ouro branco”
Ruminando a noite inteira
Badalava o seu chocalho

Uma junta de boi gordo
Puxando um carro de boi
Pela estrada apitando
Mané Pedro carreando
Tudo isso, já se foi

Seu Zeca, cacheador
Zé Costa fazendo cerca
A pipoca de Olegário
Zé Carneiro com tomate
Sá Rosa lavando roupa

Compadre Chico no eito
Zé Nunes na bagaceira
Sá Nanô com catolé
Teresa Doida, sem tino
Fazendo medo a menino

No domingo ensolarado
Seu Geraldo na labuta
Meninada a passear
Visita Maria Luta
Medonha, sem se banhar

Menino chupando cana
Com o bucho sujo de lama
Montava cavalo de pau
Caçava de baladeira
Tomava banho de rio

Num palhiço queimado
Carcará fazendo a festa
Gavião peneirador
Procurando a sua caça
Encantando a meninada

Entre a casa e o engenho
A bagaceira era um tapete
O gado solto a pastar
Uma cana de alfenim
E a rapadura no bagaço

Numa noite enluarada
Gente grande a conversar
Menino brincando ao léu
Com Lúcia e Nina a cantar
“Olhando para o céu”

Hoje não tem mais engenho
Acabou-se a moagem
Foi-se a doçura da cana
Ficando em mim a lembrança
Desse tempo de criança

Ficou comigo também
A saudade, a imagem
Da mais doce alegria
Que hoje, o engenho do tempo
Vai moendo dia a dia



Marcos Barreto de Melo

Amanhecendo com Guinga!




Choro Pro Zé
Guinga

Ai, por que choras, sax, tanto assim?
Conta pra mim o que te faz sofrer
Sou teu amigo, fiz por merecer:
Sempre junto a ti
Sou o coração que faz você viver
Ai, por que choras, sax, tanto assim?
Não há motivo pra se arrepender
Confia em mim
Que em minha vida
Alegrias, horas tristes e vazias
Passo com você
A emoção que seduz
Solando um choro ou um blues
Me faz lembrar de outras noites muito azuis
Ouvindo o sax murmurar
Num baile ao luar
Frases pra sofisticada lady
Existe um sax em mim
Chorando baixinho assim
E é tão bonito uma lágrima cantar...
Um saxofone num bar
Me faz respirar
Sempre que o amor
Provocar em mim falta de ar
Catavento E Girassol
Composição: Guinga E Aldir Blanc

Meu catavento tem dentro
O que há do lado de fora do teu girassol
Entre o escancaro e o contido
Eu te pedi sustenido
E você riu bemol
Você só pensa no espaço
Eu exigi duração
Eu sou um gato de subúrbio
Você é litorânea
Quando eu respeito os sinais
Vejo você de patins
Vindo na contra-mão
Mas, quando ataco de macho
Você se faz de capacho
E não quer confusão
Nenhum dos dois se entrega
Nós não ouvimos conselho:
Eu sou você que se vai
No sumidouro do espelho
Eu sou do Engenho de Dentro
E você vive no vento do Arpoador
Eu tenho um jeito arredio
E você é expansiva
(o inseto e a flor)
Um torce pra Mia Farrow
O outro é Woody Allen...
Quando assovio uma seresta
Você dança, havaiana
Eu vou de tênis e jeans
Encontro você demais:
Scarpin, soirée
Quando o pau quebra na esquina
Você ataca de fina
E me oferece em inglês:
É fuck you, bate-bronha
E ninguém mete o bedelho:
Você sou eu que me vou
No sumidouro do espelho
A paz é feita no motel
De alma lavada e passada
Pra descobrir logo depois
Que não serviu pra nada
Nos dias de carnaval
Aumentam os desenganos:
Você vai pra Parati
E eu pro Cacique de Ramos
Meu catavento tem dentro
O vento escancarado do Arpoador
Teu girassol tem de fora
O escondido do Engenho de Dentro da flor
Eu sinto muita saudade
Você é contemporânea
Eu penso em tudo quanto faço
Você é tão espontânea!
Sei que um depende do outro
Só pra ser diferente
Pra se completar
Sei que um se afasta do outro
No sufoco somente pra se aproximar
Cê tem um jeito verde de ser
E eu sou mais vermelho
Mas os dois juntos se vão
No sumidouro do espelho



Pérola da MPB

Bons Amigos
Composição: Toninho Horta e Ronaldo Bastos

Diz que vai sumir
Finge não me ouvir
Briga por brigar
O amor passou
O melhor passou
Fala por falar
Diz que vai morrer
Louca pra me ver chorar
Faz que se enganou
Perto de me perdoar

Mas se o tempo muda
Ela se faz mulher
Vem a saudade do que a gente é
Vem a vontade de estar junto e ser
O caso mais antigo
Mais que bons amigos somos
Muito mais que bons amigos

Paixão Descalça
Guinga

Choro. A paixão é mansão
Onde eu vivo e não moro...
Rememoro toda a vida
Ida, volta.
A paixão só se amarra
Se a gente se solta:
A paixão é um bicho cruel
De asas feito gaivota
Por nós dois eu não juro
No futuro há pestanas
Em olhares escuros
Entre as venezianas
De um chalé de avenida...
Volta, ida
A paixão se suicida
Se a razão se intromete:
A paixão é uma freira descalça
Em vison de vedete
Juro, se é preciso:
Meu amor enlouquece
Ao tomar juízo

TV Brasil às 5;51 h- Guinga e Toininho Horta_ Maravilha!"




Guinga, carioca, Toninho Horta, mineiro. Ambos embarcaram
no universo da música intuitivamente quando adolescentes,
um mais tocado pelo jazz, o outro pelo clássico. Se os
rios eram distintos, no fim, foi o mar da música popular
brasileira que os abraçou. Ambos violonistas e
compositores gravados por muita gente importante da música
popular. Toninho morou no Rio nos anos 70 e consolidou uma
carreira internacional nos anos 90, quando quase não parou
no Brasil. Guinga consolidou sua carreira no Brasil nos
anos 90, teve elogios apaixonados da crítica musical
brasileira nestes anos e começou então sua performance
internacional. Guinga, como instrumentista, acompanhou
Clara Nunes, Beth Carvalho e Cartola. Toninho acompanhou
Gal Costa, Nana Caymmi e Milton nascimento, citando apenas
alguns. Um apresenta mais sua face de compositor e o outro
a de instrumentista. Um é admirador do trabalho do outro.

http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cance

Loucos e Santos - Oscar Wilde




Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

"Os verdes campos da minha terra..."- por- Socorro Moreira


1967, 1968... E os estudantes do meu tempo começaram a seguir rumos diversos.
Foi o tempo de ficar ou partir. Eu fiquei depois parti, e um dia voltei.
Os reencontros agora se concretizam... Tempos felizes voltando com as pessoas, que de novo cantam!
1967- Colégio Estadual Wilson Gonçalves. Segundo ano científico com Vieirinha, na Língua Portuguesa; Alderico ensinando História; João de Borba, Desenho; Laerti, Física... E os Grêmios, os Grupos Teatrais: Zé do Vale, Leni Coriolano, Josimar Lionel, Nildo Ferreira Cassundé, Aline Luna...: "O Auto da Compadecida”!
Agnaldo Temóteo fazendo sucesso. Nildo, e o repertório de Agnaldo. Nildo, meu vizinho, cantando na Escola e no banheiro de casa... "Meu Grito".
Hoje é o aniversário do Agnaldo, e eu já voltei pros verdes campos da minha terra natal. Cheguei pelos ares; malota sem cadeado; não corro como em criança, mas ando por aí, despreocupada, resgatando com o olhar o que ainda existe, e com a imaginação, o que deixou de existir.
Retornando a um ponto dos sentimentos: herança maior, na passagem do tempo.

Eterno Crato - Composição de Hildelito Parente



Crato cidade formosa
com seus matinais
Teus fins de semana já são tradicionais
Crato tu és princesinha do meu Cariri
Refúgio ideal da mocidade, eterno porvir
Crato ninguém te esquece, Crato divinal
Eterna lembrança que anda no meu coração
Crato cidade adorada dos namorados
Distante de ti não podemos viver separados
.
E quando é noite passeiam tuas lindas morenas
na tua praçinha nem sei quem é que não vai
Tua serra Araripe te abraça e embeleza ainda mais
Dos banhos na Nascente
a gente esquece jamais
Oh! Crato das noites de lua
de encantos mil
Sob um lindo céu azul primaveril
Crato cidade adorada dos namorados
Distantes de ti não podemos viver separados.
.
* Hildelito Parente , grande músico e compositor cratense !