por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sábado, 29 de janeiro de 2011

Renúncia -


Roberto Martins- Por Norma Hauer

ROBERT0 MARTINS
No dia 29 de janeiro de 1909 (há 102 anos) nascia, aqui no Rio de Janeiro o grande compositor ROBERTO MARTINS.
Dos compositores que engrandeceram nossa música popular, Roberto Martins foi dos mais expressivos.
Compôs,´preferencialmente, sambas e marchas, mas também engendrou por outros ritmos.
Um de seus grandes sucessos correu mundo, levado por Carmen Miranda para os Estados Unidos: a batucada “Cai,Cai”, inicialmente gravada aqui pela dupla Joel e Gaúcho, para o carnaval de 1940.
Ao conhecer o poeta e letrista Jorge Faraj, compôs sua primeira valsa: “Apenas Tu”, gravada por Carlos Galhardo em 1936,
seguida por “Aliança Partida”, gravação de Orlando Silva no ano seguinte.
Os cantores que mais gravaram Roberto Martins foram Carlos Galhardo, Gilberto Alves e Nelson Gonçalves, cujo primeiro sucesso foi o fox “Renúncia”, feito em parceria com Mário Rossi, seu mais constante parceiro.
Enumerar tudo que Roberto fez é impossível.
Sucessos constantes são “Beija-me”, gravação original de Ciro Monteiro em 1943, recentemente regravado por Zeca Pagodinho ; “Bodas de Prata”, “Apenas Tu”; “Cadê Zazá?”, “23 de Abril; “Dentro da Lua”; “De Quem é Essa Boquinha? algumas das gravações originais de Carlos Galhardo...
“Meu Consolo é você”; ”Dá-me Tuas Mãos” (co-autoria de Mário Lago) gravações originais de Orlando Silva; ”Renúncia; ”Dorme, que eu Velo por Ti”; gravações originais de Nelson Gonçalves; ”Cecília”; “Um Sonho Para Dois”; “Pertinho do Céu”; gravações de Gilberto Alves

“Quem mora em Santa Teresa,
Está pertinho do céu...”

Com os "Anjos do Ingerno" gravou:

"E o cordão dos puxa-sacos
Cada vez aumenta mais

Todos os cantores que passaram por nossa música até o fim dos anos 50 do século passado gravaram Roberto Martins.

Isso é uma pequena amostra dentre as mais de 500 músicas que Roberto Martins compôs ao longo de 4 décadas.

Roberto Martins faleceu em 14 de março de 1992, aos 83 anos, deixando uma lacuna em nosso meio musical.
E eu perdi um grande amigo.

Norma

"A Gruta Azul " da Ilha de Capri



A Gruta Azul ( Grotta Azzurra ), situada na Ilha de Capri, perto de Nápoles ( Itália ), foi “descoberta” no XIX século, e tornou-se famosa através das inumeráveis descrições feitas por artistas, poetas e escritores que a visitaram.

A gruta tem uma abertura parcialmente submergida no mar, como em muitas outras grutas, que existem ao redor da ilha.

Os guias pedem que as pessoas se abaixem, enquanto a barca entra na gruta,também mostram o eco e a sonoridade da gruta natural.

Dentro da gruta, um imenso salão esculpido.É pela abertura submersa na parede da rocha que a luz entra na caverna, iluminada de baixo para cima.É a "filtragem" da claridade que deixa a gruta com um azul intenso, o que deu nome de Gruta Azul.

Os imperadores Romanos,pelo que contam, sempre descansavam na Ilha de Capri, ao que parece usavam a "Gruta Azul" como banho privado.


Fontes:
http://www.initalytoday.com/pt/campania/capri/
http://vamojuntos.blogspot.com/2010/06/grotta-azzurra-gruta-azul.html
http://www.panoramio.com/photo/3807685



The Blue Diamonds -( 1961 ) Isle of Capri ( Ray Noble -1934 )


Colaboração de Edmar Cordeiro





- O 13º Salário NUNCA Existiu !!!

Você sabia que os Ingleses recebem os ordenados semanalmente ? Eles NÃO FAZEM ISSO POR ACASO. Saiba porquê.
Fala-se que o governo quer acabar com o 13º salário. Se o fizer, é uma roubalheira sobre outra roubalheira.
Porquê ?
Porque o 13º salário não existe.
O 13º salário é uma das mais escandalosas mentiras do sistema capitalista.
Abaixo temos uma modesta demonstração aritmética de como foi fácil enganar os trabalhadores.
Suponha que você ganha R$ 700,00 por mês.
Multiplicando-se esse salário por 12 meses, você recebe um total de R$ 8.400,00 num ano.
Ou seja : R$ 700 X 12 = R$ 8.400,00

Em Dezembro, o generoso patrão lhe paga o conhecido 13º salário. É lei.
Então, R$ 8.400,00 + 13º salário = R$ 9.100,00.

Agora faça uma simples conta com o que aprendeu no Ensino Fundamental.

Se você recebe R$ 700,00 mês e o mês tem quatro semanas, significa que ganha por semana R$ 175,00.

R$ 700,00 (Salário mensal) / 4 (semanas do mês) = R$ 175,00 (Salário semanal)

Como o ano tem 52 semanas, se multiplicarmos R$ 175,00 (Salário semanal) por 52 (número de semanas anuais) o resultado será R$ 9.100,00.

O resultado acima é o mesmo valor do Salário anual mais o 13º salário.

Surpreso, surpresa? Onde está portanto o 13º Salário?

A explicação é simples.
Acontece que o patrão lhe tira uma parte do salário durante todo o ano, pela simples razão de que há meses com 30 dias, outros com 31 e também meses com quatro ou cinco semanas (apesar de cinco semanas o patrão só paga quatro semanas). O salário é o mesmo, tenha o mês 30 ou 31 dias, quatro ou cinco semanas.
No final do ano o "generoso" patrão presenteia você com um 13º salário, cujo dinheiro saiu do seu próprio bolso.
Se o governo retirar o 13º salário dos trabalhadores o roubo é duplo.
Daí que não existe nenhum 13º salário. O patrão apenas devolve o que sorrateiramente lhe surrupiou do salário anual.

Conclusão: os trabalhadores recebem o que já trabalharam e não um adicional.

Hoje é dia de lembrar Jerry Adriani. Hoje é dia de lembrar a década de 60, quando os sonhos cantavam nas nossas janelas... E ainda cantam !


Rua Ramalhete de Tavito é uma daquelas musiquinhas inesquecíveis , que embalam lembranças. Ela diz tudo, e tanto, que nem se importa onde mora quem lembra, e o que faz agora. Importa é o que foi, e se foi, mesmo continuando perto , com o mesmo nome, mas um olhar diferente.O coração não amadurece, mas envelhecemos... Ou envelhecemos?
Esqueçamos os fios brancos, e sejamos garotos ,outra vez , nem que seja por um momento !
Puxei o repertório do Jerry e constatei que conheço todas as músicas. Rádio cabeça, rádio coração as gravaram em mim. Depois fui infiel ou parti para viver outros sons. Hoje eles se misturam e fazem festa, quando quero ouvi-los. Hoje é dia de Jerry, e eu lembro que já comprei, pelo menos um, dos seus discos. Afirmo também que, por muitas razões ele é inesquecível !


. A namoradinha de um amigo meu
. Al Di La - Il Mondo
. Ama-me Por Favor
. Amore Scusamise
. Anema e Core
. Canzone per te - Io che Amo solo te, etc,etc.
Escolhi uma delas , a que me faz lembrar um encontro debaixo de um pé de cajá( o meu pessegueiro!)...Quem sabe o primeiro beijo, a primeira lágrima, a primeira despedida ???

Só ficou o adeus
Jerry Adriani

Eu tentei fazer você feliz
Eu tentei mas foi em vão
O destino ajudar não quis
Eu falhei
Você gosta de alguém
Que não sabe o que é amor
E por isso seu coração
Sofre também
Não se pode mudar a vida de alguém
Quando eu vejo o pessegueiro em flor
Eu recordo os beijos seus
Dos momentos de sincero amor
Só ficou o adeus
Você julga que todo mundo
Quer fazer você sofrer
E tem medo de gostar
De outro alguém
Não se pode mudar a vida de ninguém
Algum dia encontrarei alguém
Que me ame com fervor
E eu então serei feliz
Pois lhe darei meu amor
Não se pode mudar a vida de ninguém




Jerry Adriani nasceuy no dia 29 de Janeiro de 1947, em São Paulo.

29 de janeiro - Dia do Jornalista !


"Jornalismo é a atividade profissional que consiste em lidar com notícias, dados factuais e divulgação de informações. Também define-se o Jornalismo como a prática de coletar, redigir, editar e publicar informações sobre eventos atuais. Jornalismo é uma atividade de Comunicação.

Ao profissional desta área dá-se o nome de jornalista. O jornalista pode atuar em várias áreas ou veículos de imprensa, como jornais, revistas, televisão, rádio, websites, weblogs, assessorias de imprensa, entre muitos outros."

Parabéns a todos que se sentem , em um dado momnento, Jornalista !

Barbosa Tavares - Um dos nossos colaboradores !






António Barbosa Tavares nasceu em Julho de 1948. Viveu na França de 1966 a 1968. Emigrou para o Canadá em 1968. Presentemente, reside em Brampton, na província do Ontário. Tem colaboração espalhada por diversos jornais e revistas de Portugal, Estados Unidos e Canadá, nomeadamente no 'Sol Português " de Toronto, no "Portuguese Times" de New Bedford e na revista "Gávea-Brown" de Providence. Foi co-fundador do extinto semanário "Voice of Portugal". Tem em preparação um livro de prosa.

Outras páginas sobre o autor:
ESCRIVIVÊNCIAS
CRÓNICAS FRANCESAS

A escolha do caminho, desconsidera o destino? - Por Socorro Moreira


Li o texto do Antonio Barbosa e, movida pela empatia, lembrei o quanto infinitas vezes senti-me estrangeira, no meu único País.
Morei em tantos lugares...Chegava com a mala, informava-me de uma pousada, enquanto me familiarizava com uma nova vida.Caras embutidas, novos culinários, novos comportamentos, novos lares. Doíam-me as saudades dos lugares do passado, mas trabalhava, sobretudo, o desprendimento afetivo. Isso não significa deixar de gostar, mas viver sem a interdependência emocional. Quem viveu em muitos lugares é como se tivesse vivido muitas vidas, e em cada uma, um salto evolutivo, pela riqueza das aprendizagens.
Estou de volta ao Crato há 11 anos, e é como se ainda estivesse com as malas arrumadas.Na realidade o voltar pra casa dispensa as malas.
Lembro uma música nossa, que diz bem das largadas para novas aventuras:
“Só deixo o meu Cariri, no último pau-de-arara”. O êxodo é dolorido, sim!
“Pedra que muito se muda não cria limbo...”, mas nós desejamos escolher o caminho. As escolhas são múltiplas, e não precisam ser definitivas, a não ser que nos sejam confortáveis, inclusive no costume das saudades.
“Saudade maltrata, mas não mata”. A sobrevida é difícil em qualquer parada, assim como a felicidade. Vale a pena arriscar, nem que seja pra concluir, que não valeu a pena... Que estamos sozinhos e amargurados.
Nada é para sempre, nem conclusivo. Ainda há tempo, pra quase tudo na vida, quando estamos vivos.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Dolorosamente Português- Por Antonio Tavares Barbosa


Sabereis que um emigrante não deverá bendizer o destino. Em seu genético canteiro deserdado, orfão da pátria, viúvo da sorte, vai um homem mundo fora na aventura de côdea menos dorida. A outra, não menor e invisível oculta dor da saudade, cravou-se-lhe na alma e será sua indefectível companheira, até ao dia em que haverá (?) de regressar ao canteiro da aldeia ou vilória onde vagueiam as capitais memórias do imorredouro tempo de infância.

Ao certo, ninguém sabe porque pactua um homem tão irmamente com a terra de onde brotou para o mundo. Dizem alguns, ser da língua, outros do modo de ser de um povo, outros ainda, do sol, das romarias, dos cafés, dos adros das igrejas, do rosto dos velhos, das tabernas, do cheiro a tomilho, da rama de pinheiro, do alecrim, da maresia, finalmente, e porventura, a mais certeira: porque os olhos se afeiçoaram ao mundo primeiro na alma esculpido.

Sei, no cerne do espírito, que Portugal me faz uma falta danada, costumo até dizer entre gracejo e dor--mais dor que gracejo--que tenho na alma uma brecha do tamanho de Portugal. Também ouvi dizer a senhor muitíssimo letrado, peregrinante pelo mundo, que isto de emigrar é como perder um membro: cicatriza a chaga, mas a ausência, estará para sempre presente.

Um expatriado nunca imaginaria que, trocar promessas de farto pé de meia, pelo espinho da saudade, seria dilacerante negócio. Alma inominada--não se diz ter sido a terra e os personagens de infância que filiaram o ser? De si apartado, vai um emigrante em busca de aventura tornada pão, e a vida consuma-se num silente gemicar de saudade, nesta apátrida exclusão tecida.

Um país, são fragâncias de mar, rosmaninho, alecrim, foguetes, fontes, vermelhos-telha, vielas, sonância de uma língua que dedilha as cordas da alma, solenes cantigas de um povo, rostos--sobretudo rostos--que povoaram a infância e nela permanecem especados e são os inamovíveis marcos do tempo em que, sem o sabermos, sabêmo-lo agora, eramos felizes na inocência.

A maior condenação de um emigrante é viver de si próprio ausente, porque, tatuada de recordações, a alma anseia retornar aos locais onde repousa o arquivo das memórias-chave num tempo em que os olhos de tudo se enamoravam.

Um homem, desemparado do seu passado, é um ser irremediavelmente solitário, navegante sem história, nem referências viventes, a braços com um mundo estranho diluindo fonemas mal arremedados, porque a história de uma vida construiu-se na própria história de um país, acompanhada das ruelas, dos peculiares olfactos, da ressonância da língua, que é tão melódica como a alegria refulgida na alma, com que aprendi os primeiros ditongos e, embevecidos, desenhava com aparo e tinta as primeiras letras.

Ora, sabemos de fonte pura, que os angustiados não se quotizam em clubes, para minguar seus padecimentos pátrios, porque a angústia quer-se só, e os magoados, detestam convívio.

E de um ser dorido, sem a glória do triunfo no seu país, emudecido no silêncio apátrida, semeado pelas arestas do mundo emigrado que vos falo.

Li algures, não sei onde, sei que por verídica se me alojou na alma esta sentença: " quem da pátria se aparta de si se aparta".

Um homem não faz o mundo, mas conserva intacta e fiel no bojo da alma, a terra onde nele foi talhado para a vida.

Firmadas as cruciais memórias do outro lado do mar, de si ausente, finam-se os dias e o destino incumprido de português lá vai coabitando com fonemas arremedados. A vida cumpre-se em sobrevivência. E assim: sabemos que estamos vivos mas não vivemos.

Poucos actos se assemelham em tristeza à solidão do emigrante. Um homem leva um país no cerne da alma, mil memórias à terra grudada no canteirinho genesíaco. Para contrapor à penúria espiritual da sua exclusão pátria: mesa recheada e duas patacas para a incerteza da inglória velhice.

Tempos houve, em que os dias emigrados não detinham resquícios de memória, de forma que me afligia com o consumir das horas sem outras reminescências, para além de testemunhar apavorado a roda do tempo.

Arquivei da vida a fisiologia dos dias. Se alguma vezes me lamúrio deste pão de exílio, digerido com avantajadas fatias de saudade, logo me retruquem que não blasfeme, tenho o pãozinho sobre a mesa, que mais pretendo eu?

Fiquei a saber um dia, que ao emigrante não lhe é consentido edificar sonhos, prolongados além dos alicerces do pão. Que a fartura de côdea com miolo nunca emigraram meu caro. Um país nunca exporta a sua burgesia. Por mais engulhos que te cause vai digerindo de mansinho. Com os ouvidos limpidos e desempoeirados, escuta: emigrar é fatal e dolorosamente uma aventura em trapos tecida.

Dizia-me um dos raros sábios, por este portugalinho emigrandado, que por aqui outra espiritualidade se não conhece que não seja a materializacão do espírito que consiste em acumular para justificar esta ausência de nós, ou seja suprir o espírito do enlevo da matéria. Vive-se por aqui, hipotecado ao futuro, porque o presente circunscreve-se em torno do sonho do regresso.

Regozijaria ao ver redimida esta materialização absoluta. Alguns curas que por aqui demandaram em busca da alma do cifrão, possessos da valia centuplicante do dólar, iniciaram o processo de santificação da vil pataca. De uma madre Teresa, de um filantrópo ou mecenas por aqui arribado, para minorar os padecimentos desta gente a esbracejar, perdida numa lingua crivada de arestas e hábitos libertinos que anatematizam os sacrossantos valores da aldeola ou vilória onde se talhou a mente, não há sequer indícios.

Toda a poesia por aqui existente, bebe a sua despudorada lirica dos tentáculos do cifrão. Ou muito me engano, ou grande parte dos destronados da pátria perdeu a nobre virtude da compaixão e não se vislubram os mínimos vestígios de solidariedade.

Sobreviva sem padecer, aconselhava-me um dos desventurados pátrios, e será um herói. Esqueça-se de si, pense simplesmente no futuro dos seus filhos, que o futuro deles seja canadiano ou francês pouco inporta, importa que sejam homens que não tenham de ficar eternamente divididos como eu e o meu amigo.

Rendi-me, mas logo a alma me ficou anuviada, quando pensei que o meu elo de portugalidade era ali mesmo truncado. É assim uma morte dupla, esta de sabermos que as nossas raízes não se perpetuam na fidelidade da terra que as talhou.

Quando procurava no tempo uma explicação para trinta anos de vida esvaída no calvário emigratório, os dias eram de aflição, onde colocara eu esta grossa fatia da vida?

Sabia que existira, mas não conservava memória do tempos, para além da familia, portugueses e canadianos, que vão tentando reconcilar, nem sempre pacificamente, os valores lusitanos com as algumas incongruências canadianas. Duplamente negado no silêncio amargo dum viver arremedado, sou este ser desventrado do espírito das coisas e pessoas que moldaram o meu olhar para o mundo.

Estrangeirado lá, no meu querido portugalório, estrangeiro aqui, assim vou interpetrando a (sobre)vivência destes dias sem história, nesta heróica exclusão em que marginalmente vivo.

Por um naco de pão menos torturado (será?) a amargura de ser infiel ao próprio viver, ao desígnio da minha portugalidade.

Emigrar. Tempo parado no exacto dia em que demandei o promissor reino da pataca.Fonemas mal arremedados, gente que não compreende o alecrim, nem o cheiro a jarro, nem os foguetes, nem as colchas, debroadas a esmero, pendentes das janelas que vibram de santificação em dia de festa.

Quando a ressureição consistia no regresso, ainda havia uns fios de crença, agora que o pão me condenou perpetuamente a alimentar-me de estranhas espigas, por dívida para com os meus filhos, reconheço que nunca tive o beneplácito dos deuses.

Sou este ser deambulante pelo mundo, recheado de sonhos de pão farto e regresso, sem outra esperança que não sejam os próprios braços, mais a solidão emigratória de nunca pertencer. Nao me venham pois falar de sorte que vos esconjuro. Ai, António, que é feito da tua fé?

Oh, ruelas tortuosas e empedradas na minha história. Oh, rostos que povoaram o mundo da infância, como vos sinto a sufocante lonjura. Emigrar. Consciência dorida de não ser parte. Exclusão dolorosa do próprio viver. Uma língua, uma cultura, mil jeitos de ser, permanecerão tatuados na alma emigrada. Para sempre.

Por uma côdea, um exílio dourado que nenhum sonho, por mais aurífera, redimirá.Na alma um passado cerceado. O presente é um acto de mera sobrevivência. Com mais farturinha, é certo. Ora uma codêa a nortear toda uma vida... Oh, tamanha desventura subjugada a um destino no pão alheio traçado.

Sou homem de vida enleada nas teias da saudade. Nunca o malfadado pão deste exilado viver, deveria ter o inefável custo desta vivência.

Emigrante, vivente, de mim estranho, aguardando reencontro com o pé de meia a prometer velhice farta. Portugalidade incumprida. Ninguém mais carente de sonho, da ilusão, de esperança para sobreviver que eu senhor de duas pátrias, sem mundo.

Transpor fronteiras, galgar oceanos, pelo sonho que redunda em exclusão. Navego no bojo de alheia terra, tendo por bússola o sempre adiado regresso. Renunciei à autenticidade de um viver português que me fora destinado. Um destino pátrio não se finta, incólume, porque é condição humana ser-se fiel à língua a à terra que moldaram o ser para o mundo. No dia em que emigrei, deixei de celebrar a vida, e aprisionei-me nas malhas, pelos meus filhos tecidas, na prometida terra da abundância.

Agora, eles são canadianos puros. Enquanto eu viver, manter-lhes-ei, a memória gastronómica da pátria, com rojões, sopa de feijão, morcela e torresmos. Eu, com fidelidade absoluta, olho-me, sinto-me e penso-me, irremediável e dolorosamente português. Português amargo, para o resto de meus dias.

Luz, no azul ! - Pensamento de Corujinha Baiana pinçado nos bastidores.



Ética - atitude fundamental no relacionamento do ser humano, seja na profissão (não criticando os colegas, não falando de ex-Chefes ou ex-Empresas...), no consultório médico, (não criticando o colega do outro), e até nesse imenso e traiçoeiro mundo virtual que é a Internet.


Atrás do azul, tem luz estelar !




Por Stela Siebra, comentando um texto de Carlos Esmeraldo

"Confiar nas pessoas era uma virtude natural e espontânea."

Infelizmente os valores mudaram muito, ou pior, não existem. É muito duro constatar isso, parece sempre que estamos dizendo que o tempo presente não presta, tudo é supérfluo,imediato, sem ética, sem respeito. É, mas tem exceções.

Eu sempre acredito no lado bom das pessoas, quem quiser que me chame de "romântica, ingênua, fora do tempo". É que pra mim, pensar de forma positiva é o melhor caminho para construir um mundo melhor, onde reine um pouco de harmonia e de confiança no futuro.
A vida no planeta tá cheia de mazelas e desequilíbrios? Tá sim.
Mas um jeito de minorar a feiura, é pensar que existe beleza escondida por aí, e que existe bondade, e que podemos plantar confiança no coração das pessoas.

* Stela esta foto é maravilhosa. Quem é o autor?

DO BAÚ DE STELA

Presentes do Pai

Todo dia recebo presentes de Deus. Simples ou grandiosos, comuns ou inusitados me chegam como dádivas que Ele me manda.
Ontem eu recebi de presente um belo por de sol, que se despedia ao som do bolero de Ravel, banhando de dourado as águas do rio Paraíba, numa comunhão de harmonia sagrada entre céu e terra.
Hoje Ele me mandou mangas espada, através de Madalena.

Madalena tem quase 77 anos, sorriso de menina, olhos de ternura.
Caminha na beira-mar todas as manhãs, arrastando as chinelas enquanto assobia, sabe-se lá que canções, o olhar nadando em riso abençoa os que cruzam com ela. Fala mansa, suave. Carinhosa, deseja Bom dia. E segue com seu passinho miúdo.
Coração cheio de bondade, Madalena semeia ternura no seu caminhar.
O vento feliz faz um agrado nos seus cabelos. O mar joga uma onda para brincar nos seus pés.
E Madalena mergulha nas águas mornas. O mar lhe dá banho, o vento penteia seus cabelos e enxuga seu corpo. Iemanjá lhe traz conchinhas e algas marinhas. Cochicha-lhe segredos de novas canções. Madalena sorri agradecida. E volta pra casa, vai cuidar das plantas, vai cozinhar seu feijão.

Encontro Madalena voltando do seu banho de mar. Me oferece mangas, diz que vá pegar na sua casa quando eu voltar da minha caminhada.
E assim eu fiz.
Bato na porta da casa humilde. A cachorra anuncia minha chegada. E lá vem Madalena com a sacola de mangas do seu quintal.
Linda. Serena. Simples, Pura. Veste apenas um velho maiô, desbotado, folgado no seu corpinho já enrugado. Um maiô azul claro, com enfeite branco.
Homenagem a Nossa Senhora da Conceição? Pedido de proteção a Iemanjá?
É uma visão enternecedora: aquela velhinha de maiô azul e branco na porta de casa, numa manhã de 8 de dezembro, carregando uma sacola com mangas espada para dá-las a uma amiga.
Existe uma beleza tão puramente divina no seu gesto, no seu corpo, na sua alma!
Madalena é linda!
Basta olhá-la com os olhos do coração. E agradecer ao Senhor a beleza desse momento.
Uma anciã cheia de ternura, vestindo maiô surrado, me ofertando mangas na porta da sua casa.
Como a vida me tem dados presentes!

Olinda, 8 de dezembro de 2003

Stela Siebra Brito

" Rumba Azul "

Composição de Armando Oréfiche, e gravação de sucesso internacional de 1934, dos "Lecuona Cuban's Boys".





Poema sobre pipocas - Colaboração de Edmar Cordeiro

Por Francisco Azevedo


Ouço os grãos que rebentam

feito gente

sementes germinadas

no alumínio

fundo escuro

da panela.



Flores brancas

súbitas

de perfume quente

pelo fio sinuoso

da fumaça.



Flores doces

salgadas

servidas na hora

(não em buquês

mas em punhados).



Flores atômicas

nascidas do fogo

numa explosão

sem haste.



(New York, 1982)
Em: A casa dos arcos, Francisco Azevedo, Paz e Terra: 1984, Rio de Janeiro
Francisco Azevedo, (Rio de Janeiro, RJ , 23/2/1951) – formado em direito, diplomata, escritor, roteirista, cinematógrafo e poeta

Tromba d´água em Crato - Emerson Monteiro


Após manhã e tarde de sol intenso, a noite de 27 de janeiro de 2011 também se mostrou de tempo aberto e estrelas no céu. É tanto que, às 20h15, estávamos, Igor e eu, nas arquibancadas do Estádio Mirandão assistindo à partida de futebol entre o Crato e o Ceará, pelo Campeonato Cearense. Durante o jogo, no entanto, abriam alguns relâmpagos baixos para os lados do Nascente e do Norte. Ao final, o time cratense saia derrotado pelo placar mínimo.
Recolhera-me às 22h20, observando a preparação de chuva nos sinais do vento e nos relâmpagos por cima da serra, para as bandas de Pernambuco, donde, conforme minhas experiências pessoais de poucos anos, vêm ao vale chuvas de mais intensidade.
Assim, durante a madrugada desse dia 28 de janeiro, acordaria por cinco vezes, considerando relâmpagos e trovões em larga quantidade, mantidos na pancada constante de fortes precipitações, qual ainda não se deu na presente quadra invernosa.
Choveu a madrugada inteira, chuva grossa e persistente. Algumas vezes cortou a corrente elétrica, o que de comum acontece nas situações de muitos raios.
Pela manhã, ao sair para levar as meninas ao colégio, apenas neblinava pouco, no entanto o chão encharcado transparecia o quanto chovera além da conta na madrugada.
Pelos estragos que encontraríamos no percurso da descida, imaginamos as consequências logo em seguida presenciadas às margens do canal do Rio Grangeiro, dentro da cidade.
De máquina em punho, sai fotografando desde a ponte da Integração, próxima à igreja de Nossa Senhora da Conceição, até o término do Canal, imediações do Presídio, num rastro de destruição que jamais verificara nesses 50 anos.
Postes arrancados pelo tronco, carros arrastados na correnteza e jogados contra muros e calçadas, casas invadidas, asfalto eliminado ou levantado, portões de ferro arrombados, prédios em ruínas, móveis encharcados, pontes de ferro destroçadas, pontes de cimento e ferro abaladas nas estruturas, ou com varandas zeradas e substituídas de entulhos, árvores inteiras trazidas na força das águas, e, à medida que desci com lama nos tornozelos, num exercício de equilíbrio e paciência, após a Prefeitura, entrei na Rua Monsenhor Esmeraldo, onde funcionam armazéns de estivas e cereais e outras casas de comércio, testemunhando sempre os danos provocados pela violenta enchente. Houve comércios que registraram por volta de um metro e meio d´água dentro dos estabelecimentos a dezenas de metros do rio. Devido aos riscos da cheia no interior do Presídio, os detentos foram deslocados para Juazeiro do Norte.
A intensidade das chuvas da madrugada chegou a 163mm no centro de Crato, porém escoaram pelo Rio Grangeiro inclusive as chuvas das encostas da Serra, onde estimam-se maiores as precipitações, acima de 200mm, isto para um curto tempo de quatro horas, na ação do fenômeno atípico.

Sonho - Por Rosa Guerrera



SONHO

UMA CHUVA FININHA MOLHA A MADRUGADA.
MEUS SONHOS TAMBÉM MOLHADOS
VAGUEIAM NO SILÊNCIO DO VAZIO ...

ATRAVESSO AS RUAS DOS TEMPOS VIVIDOS
E ESCUTO VOZES JÁ ESQUECIDAS NA MINHA MENTE .

E A INFÂNCIA HOJE DISTANTE
SENTA AO MEU LADO
ME FAZENDO ACREDITAR MAIS UMA VEZ
QUE EXISTE UM SÃO JORGE A CAVALGAR NA LUA .


ROS@
* poema inédito de Rosa Maria Guerrera Pimentel, autorizada a publicação por e-mail.






Juazeiro do Norte- As chuvas que ocasionaram o transbordamento do canal do Rio Granjeiro em Crato começaram a chegar no rio Salgadinho por volta das 8 horas em Juazeiro do Norte, causando destruições em várias localidades. No bairro do Socorro o rio saiu do leito e invadiu algumas casas.
Fonte: Site Miséria

O céu do Crato- por Tânia Peixoto

A pedra da memória

Rio Tietê, com olarias ao fundo, visto da Ponte Campos Salles, a "Ponte Velha"
ou "Ponte de Ferro", entre Barra Bonita e Igaraçu do Tietê, SP.




                               
A PEDRA DA MEMÓRIA


Plantei a pedra da memória na montanha.
Passei por aqui, neste lugar morreram
os meus pais, meus irmãos, meus avós.
Este é o tempo do infortúnio.
Jejuei na gruta do abandono
com os morcegos e as traças.

Os meus pés amassavam a argila de Deus.
Os meus dedos iriam, um dia, moldar a argila
em forma de cântaros preciosos.
Os meus lábios lhe iriam dar vida
com o sopro do verbo.
O verbo de Deus sopraria dos meus lábios
e os cântaros cantariam a música do eterno.

As cidades miseráveis do homem.
Os labirintos de cifras das cidades do homem
edificadas sobre o farelo dos desejos.
As palavras são intermináveis e não dizem nada.
Os lábios não beijam,
as línguas estão secas da saliva do espírito.
Os corações não têm sangue, mas números.
Os livros contêm resultados, são a tumba do olvido.

Eu sou o filho pródigo, retorno à casa do Pai.
Os jornais recolhem os excrementos das moscas,
eu retorno à casa do Pai.
O povo delira sob a fuligem do céu,
sob os tetos de vidro e aço,
exposto ao sol negro, que queima a alma.
Eu volto derrotado à casa do Pai,
mas ainda tenho o verbo de Deus nos lábios.

Os espinhos perfuram os meus pés.
A urtiga dilacera a minha face.
Somente o verbo fala comigo.
Ouço, no vento que passa, a voz de Deus.
Não entendo o mistério, mas sei que ouço a voz de Deus.

Um pássaro voou da árvore de fogo,
pousou no meu ombro com as garras vermelhas,
cantou as sílabas do verbo, impronunciáveis.
Amei a beleza desse canto, decifrei seu enigma:
é a rosa, a essência da rosa, a face de Deus.

Prostrei-me diante do altar.
Voltei as costas aos ratos insaciáveis.
Sigo a estrela. A porta está aberta.
Carrego nos ombros os cântaros do verbo,
com a água límpida do espírito.



Notícias do Crato







Fotos da destruição causada pelas chuvas no município do Crato
Agência bancária, lojas e casas alagadas. Depois das águas, comerciantes tentaram recuperar os produtos.

Por: Márcio Dornelles

As chuvas, que alcançaram o volume de 162 milímetros no Crato, segundo a Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme), causaram muita destruição no município. Para os moradores, é praticamente impossível transitar pelo Centro, onde comércios e ruas estão cobertos de lama.

Confira imagens da situação da cidade. Fotos da correspondente Jaqueline Freitas.