por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



domingo, 2 de janeiro de 2011

Tempo



O choro esgota a tristeza

Brota na lembrança
das águas passadas !

O outro
colhe a poesia na boca ;
Os outros , a colhem ,
na tecla da nossa alma.
Ela nasce tímida , desamparada ...
Por simbiose , encontra fertilidade !

O tom de voz é inesquecível ...
Doce , rouco ou irritado ...

E o riso ?
É a nódoa da saudade ...
Cantinela que se gasta
pelas vezes já tocada !


Depois da paixão ...
Egoísmo
Dor
Cinismo
Esquecimento ...
E só depois , o perdão !
Amar é entender o desamor ,
e ser feliz novamente !
Entre todas as fases , haja tempo !

"La vie en rose"




Lembrar - viver!
Repetir - aprender!
Lembrar repetindo...É morrer !
Só quis amar...
Acendi luzes,e encontrei
agulha no palheiro!

Manhã cor-de-rosa
Doce aurora !
Da janela,o mundo parece foto...
Inanimado !
Se não fossem os latidos dos cães,
só ouviria o som do teclado !
O rádio na madrugada,revive carnaval passado...
"Loirinha, loirinha...dos olhos claros de cristal...
"E na minha memória,um som na vitrola,
soluça "Anaí"...

Pirilampos



Lua nova
noite escura
estrelas do solo
piscam pro destino
Beiram nas estradas
que nunca terminam
brincam no asfalto
sem pensar na sina
desconhecem o sol,
dele fragmentos...
desconhecem cores
mas respiram verde
e azul petróleo
mata e céu...
É por lá que morrem!

Caçando luzes
eu me perco sempre
sempre me dispersa
este vôo ausente...
Pouso breve,
como um beijo tímido
Pouso leve,
com a alma ,voa!

Saudades de amar




Leseira vesperal
desci correndo as escadas
procurei mãe,
pai, irmãos,
marido , filhos ....
E a casa estava calada !

Vivos e mortos se misturam
Ficam as velas
os poemas , o perfume,
e a canção !

Convoco loucos e poetas
Eles fazem a festa
brincam e saltitam
como crianças ...

Saudades do mar
do verde que me deixa vermelha
Das areias escorregadias
Saudades de amar ...
Saudades do mar !

Um dia em Bela Vista-MS


De Campo Grande para Bela Vista a estrada era de barro.Pareceu-me o fim do mundo ... e era !
Hera aqui , hera acolá ... cheguei lá !
Na boquinha da noite , com três filhos , uma ruma de malas, uma missão a cumprir e uma grande saudade ...Sacrifício voluntário ! Ficamos no único hotel da cidade. Depois , nos alojamos provisoriamente , numa casa para militares.


Foi um tempo de vinho , frio e poeira !
O Apa como um Deus , dividindo terras .
Achei amigos de verdade,
vivi romance de novela ...
Fui feliz entre um terêrê e um afago ...
roda de amigos , por-do-sol,
noite estrelada !
Dois anos depois , parti como cheguei ...


A boca ,viciada no carinho
de um bem amado ...


Desgrudamos mãos
separamos sonhos
Mas no coração ,
tudo foi colado !


Escuto aquele tempo ,
num alegre sonho
Um amor que fica ,
sempre deixa o pranto !

Gérbera





(Para um casal de amigos)


Um dia nos chegamos
assustados, hesitantes ...
dançamos todas as valsas
afora , o tempo e as lembranças.

Sem dizer, e sem fazer ...
casávamos em pensamento
Bilhete de amor guardado
soneto de amor molhado
nas plumas do travesseiro.

Um dia a carta era verso
e o anverso foi distante
perdeu-se numa estrada,
incendiou-se num canto...

Estrada de muitas curvas ,
com montes e matagais...
cresceram flores e ervas
cresceram dores,quimeras
mas no enlevo do amor ...
É a gérbera que floresce !

Lunática



Eu não quero nem saber a cor dos olhos
Se são de amar !
Se é paraíso ou limbo ,
tanto faz.
Que venham cá !
O Rio tem um peito verde
A cruz é o bico !
Hoje tenho a lua ,
decorada em mim !

Voando solta


Ainda não dormi

Também não rolei na cama

Vivo a quietude dessa

madrugada azul e fria.

Estrelas escondidas

nas nuvens ,

namoram entre si

cortinas cerradas

parceiras encantadas

E eu aqui ...

Sustos, suspiros

Amasso como folha

esse sonhar

Despetalo a flor da noite

voando solta

voando solta

voando solta ...

Hachurados





Vale pichar , "falar mal, que não faz mal" ...

Mas não vale deformar , denegrir, ridicularizar.

Não tenho da vida , senão a própria vida...

E dela, nem sou guardiá.

Tenho afetos tantos ...

E um potencial de amor no coração.


A dor passou,

e não quis ficar ...

Achou o terreno encharcado

de alegria ...

Ela rejeita o bem-estar.

Mas sempre volta ,

esperando lugar pra sentar ...

Tem sua cadeira cativa ,

mas uma cadeira vazia ,

como a canção de Lupicínio.


Se existe pecado em desejar e fomentar

delicadezas...

Em ser sensível às almas benfazejas ...

Quero pecar , pecar, pecar !

Casa de sapé






Essa casinha , parece que acabou de sair do cabelereiro. Foi pregada na terra sem quebrar a beleza do céu , nem a bizarrice da flora. Ainda não sei se nasci pros lugares ermos ... Entre escadas e terreiros , o que mais declino são as possibilidades de descansar o corpo , pros pensamentos circundarem , em torno daquilo , que de belo existe !Ando pensando no Eremita ...No seu jeitão de ser conduzido por uma simples lanterna , ao longo do caminho.Como ele, estou acendendo e apagando meu fogo...Varrendo as cinzas , e lavando o pano que enxugou suores e dores. Ah , se o dia não mancasse... ah se o dia não tivesse esse aleijo no sonho , que cochicharam pra mim. Ser eremita é dispensar de vez , aquelas moscas , baratas e serpentes , que rodeavam a nossa vida . Controlo enfim , a poeira do que sobra... nem velha , nem nobre.... Janelas abertas , e lanternas acesas pra receber e ler , a poesia que chega !

Retrato Falado





Cabelo molhado , batom nos lábios.
Meu sorriso não sabe gargalhar, mas não é triste ...

Raramente uso maquiagem pesada.
Gosto de roupas leves .Vestidos sem mangas e golas .
Com essa cara , tentamos iluminar o astral de uma quase sexagenária.
Às vezes ativo cachos , o brilho dos olhos e sorriso. (as rugas fazem parte).
Acho lindo o pescoço da Audrey Hepburn ... Provavelmente por não tê-lo , em nenhuma das minhas idades. Mas , o meu pescoço de cearense nunca impediu o movimento do meu rosto.
Sou exageradamente tímida. Mas mostro ainda o colo , sem nenhum pudor. Por puro amor ao conforto.
De dois em dois meses vou ao cabelereiro. Justo nesse dia , faço uma escova , e eles ficam lisinhos por algumas horas.
Não estranho o resultado , embora prefira cabelos ao natural .
Tenho uma expressão viva. Lanterna nos olhos e na boca.
Gosto das minhas rugas : reveladoras do meu caminho através da vida..
Mão no queixo é uma pose confortável, em qualquer idade... Hoje ela suavisa o contorno do rosto.
Tenho leveza e suavidade . Afasto o calor do meu rosto com os dedos e um bom ventilador.
Silencio , quando observo o mundo. Na busca do entendimento aprendo a ler os sinais externos e internos... Sou assim: interrogo , e compreendo antes de achar a resposta.
Minha  cara lavada , marotamente me diz : Batom ! E assim ela se protege de qualquer tipo de ressecamento, inclusive aquele provocado pela ausência do beijo.

Nasci filha primeira de uma mulher belíssima. Beleza grega – romana. Meu pai tinha traços de índio, e eu herdei uma mistura exótica: nem feia, nem bonita. Testa enorme, cabelos finos e cacheados, boca e nariz pequenos, cara redonda, olhos grandes e expressivos.
A beleza não é estável , em nenhuma época das nossas vidas.
Aos nove anos eu usava óculos que corrigiam a minha miopia. Era gorduchinha, não tinha cintura, nem cabelos lisos e compridos... Nem tão pouco olho claro.
Aos 12 anos eu já tinha corpo de moça feita. A cintura não era de pilão, os cabelos continuavam me dando muito trabalho. Quando comecei a freqüentar algumas festinhas, passava o dia inteiro com ele nos bobies... Aí eu me transformava numa figura “bonitinha”.
Depois da década de 70, assumi os meus cachos, aprendi a ressaltar os traços harmoniosos do meu rosto. Tinha belas panturrilhas, e uma boa altura. Pele sem marcas de espinhas e cravos.
Mas a testa ainda incomodava-me. Com o passar dos anos assumi minha testa , as rugas que foram aparecendo , e o cabelo natural.
Hoje tenho 57 anos. Gosto da minha imagem. Não enfrentaria uma plástica rejuvenescedora (até porque não tenho dinheiro sobrando para as “futilidades). Não sou escrava de ginásticas, dietas, cremes rejuvenescedores, bloqueadores solares. Envelheci com simplicidade e dignidade. Não tenho fotogenia. Nunca tive. Não gosto de ser fotografada, nem gosto de fotografar. Mas gosto de FOTOGRAFIA. Não gosto de todas...
Quando uma foto evidencia e deforma (tornando mais feio) o que temos de verdadeiro na aparência...É arte descartável. Não é arte generosa. É arte que ridiculariza. Não gosto que me mostrem ao mundo como serei aos 90 anos. Espero ter o prazer de caminhar devagar, até chegar lá.

Prelúdio para encontrar gente grande





"Filósofo é ingrato como todo ser humano ".
O poeta canta a dor que o filósofo assanha ...
O poeta cala , quando sente a dor ...
O poeta fala , quando a dor se cansa ...
O poeta só conta , depois que a banda passa ...
Aí , resta a lembrança da dor ...
O poeta pode ser nostálgico ?
Poesia , matemática e filosofia ...
bem romanceadas ... retrata ,
literalmente , a vida ...
Se soprar -me com força ou levemente ,
eu me disperso ,
e fico na companhia de muita gente !
Precisamos nos encontrar num noturno ...
E num prelúdio ,
dançar a valsa do encantamento !

Águas cristalinas



Em um cantinho natural de águas cristalinas

um certo duende adorava banhar-se.

Com o sorriso brilhando na pele,

estendia-se de faces coloridas para o céu.

Mas dolorosamente o tempo nublou.

Cadê o sol?

Cadê os reflexos no córrego?

O duende sumiu levando consigo o silêncio.

Os outros entes da floresta - mesmo que não bradassem

sentiam que a floresta não era a mesma:

sementes no chão, uivos atrás da lua, som de flauta.

Mas como todos também tinham mágica no coração

entenderam que a ausência é um devaneio.

Que bastaria um sonho, uma lembrança,

um sorriso inesperado.

Pronto.

Novamente a floresta se encantara.

O sol já vem! O sol já vem!

Gritavam todos em direção da trilha

traçada pelos pezinhos do nosso querido duende.

Não sei ao certo se de fato faz sol,

ou se é apenas um truque amoroso

dos outros entes da floresta

para que nosso amigo olhe para o alto.

Sim, há uma nuvem que dá sombra

bem em cima do seu cantinho natural de águas cristalinas...


Minha tia Auri



Ela é como um cacho de florzinhas azuis...
Personalidade forte, e ao mesmo tempo, a mais doce de todas as criaturas.
Hoje é dia de falar em mãe. Falo da minha mãe, todos os dias. Falo com a minha mãe, quase toda hora. Ela sempre será meu tudo... Um tudo que eu divido com a metade do mundo... Dos que nasceram antes, e depois de mim.
Tia Auri está na mesma circunferência dos meus afetos filiais. É a imagem da única tia, ainda viva, com todas "as lamparinas acesas ", na alma e no juízo!
Tão parecida com a minha avó Dadinha... ( Sou parecida com ela, quando estou sensível à vida!)
Acolhia-nos em Mauriti, nas férias das nossas infâncias e adolescência. Vigiava-nos, ensinava-nos, e nos cobria de mimos.
Fazia merenda para os nossos namorados, comprava discos de Roberto Carlos, e conosco cantava a trilha dos apaixonados.
Tinha um sexto sentido que o tempo não deve ter gasto... Muito pelo contrário, continua aprimorado!
Adivinhava o que nos faria feliz, e tentava expurgar na raiz, o que poderia nos machucar no presente, e no futuro... Obedecíamos-lhe!
Pra essa mulher amorosa, romântica e, absolutamente maternal, eu entrego flores de carinho, lembrando-lhe o quanto é importante como filha, tia, mãe, avó, bisavó, irmã, sogra e cunhada.
Tia Auri e seu doce de goiaba; suas receitas de lasanha; seu doce de leite, no tacho; seus sequilhos, pamonhas, canjica... E a cesta de frutas comprada, na feira do sábado.
As lembrancinhas nos nossos natais e aniversários... E o entendimento maior dos nossos corações
Encantados. Ainda hoje sinto vontade de visitá-la para confidenciar minhas paixões sempre infantis... Pelo menino da esquina; pelo seminarista que ficava no banco da praça; pelo colegial fardado, que ganhava os meus suspiros, quando eu estava acordada.
Tenho a mais maravilhosa de todas as mães... Dona Valda!
Tenho a sorte de ter uma tia... Como tia Auri!
Que Deus abençoe, nesse segundo domingo de maio, todas as mães do Planeta!

Aurora Boreal



Céu Estrelado
Alguém viu o nosso céu, na noite de ontem, quando faltou energia na cidade?
Em todos os meus anos de vida foi o mais estrelado que já vi. Fiquei preocupada com os meus olhos, que entraram em pane.Vi sobrevoar dois pássaros brancos, e achei que tinha deixado o céu da minha terra.Agarrei-me às grades da varanda, querendo voltar à nossa materialidade.Ferro frio, matando a paisagem.
A escuridão foi ficando constante.Fui me deixando ficar calma, e adormeci.
Agora é manhã do dia 4 de Fevereiro de 2011.Já estamos no segundo mês do ano, e a vida respira em mim.
Manhã molhada, pedindo desculpas por ter lavado as estrelas , sem rastros , pra receber o sol do nosso dia.
Estou com saudades do calor das ideias, de fazer almoço para uma porção de gente, de sujar meu avental com calda de chocolate quente.
Tenham o melhor dos seus dias. Liguem o som , e percebam que ver estrelinhas não é apenas uma mera enxaqueca... É a natureza que nos brinda !

Aurora Boreal


Noite úmida. Moita empestada de insetos. Flora verde. Cheiro de mato, terra molhada, copas, paus, espada de ouro... Excalibur!
Cansada das redes. Caindo no seco, e arranhando o corpo de ócio. Espremendo do cérebro o suco das lembranças, e comendo nas beiradas, o presente. Vivendo e revivendo na ponta do lápis. Tudo com muita preguiça: o molho e a massa. Natural e vicioso: coca, café e cigarro. Estou na borda do poço. No fundo do poço é o passado?
Ou o coquetel de todos os tempos?
Futuro é água das nuvens É chuva criada no mar... Alga, alfa!
Sereias aposentadas cantam de lá para cá. E eu escuto nos meus laços, avisos de Iemanjá!
Chego ao terreiro e olho para o céu, todo ponteado de estrelas. Manchinhas luminosas, chuviscosas, num azul fechado, e ao mesmo tempo enluarado. O ar é frio. Pessoas ao longe, pessoas de longe... Meu pensamento e vistas alcançam. Escuto Nana, acompanhada por Wagner Tiso. Quem conhece os dois, pode adivinhar meu estado de espírito: jazista, patético, e essencialmente nostálgico.

Meu poeta domingueiro envia-me por e-mails telepáticos, um engraçado recado:
- Hei mulher
Que fauna te ronda?
Preciso urgente de uma lagartixa sonâmbula
Pra vigiar meu luar,
Que teima em sair daqui...

Alguém desenha o seu mais novo poema, com temperos de sálvia.
Outro amigo fotografa o amor - a sempre estrela da noite. Mas ele é sideral, é expert em aproveitar as luzes do Universo, com toda propriedade.
O povo do S.José, sorri sensatamente dos seus, e dos nossos “causos”...
São casados e abençoados. Felicidade generosa, repassada à humanidade!
Alguns amigos leitores, anônimos, questionaram o silêncio dos meus escritos por esses dias...
Estavam em retiro... Respondo...Tentando melhorar a alma.
Alguém anda devagar pela casa... Enquanto a ferida cicatriza. Só dói quando a gente ri... Diz a mentira!
E o nosso Baudelaire?
Rio ou Paracuru, ou numa incursão imaginária, sobre a chapada da sua infância?
Quem sabe, escutando La Vie em Rose, interpretada pela Calíope, que agora é Mimi.

Moços das águas doces e salgadas... Pra vocês entrego meu kit de carinho:
Abraço, beijo, e olhar!
Sem mais, assino iluminada por lampiões de saudades.

Socorro Moreira

Revivendo o passado





Revivendo o passado
O princípio ativo foi a música
- A cura da saudade !
Brincadeiras , encantos,
cumplicidade ...
Tudo resgatado !
Hugo no acordeon ...
Peixoto...
- A voz das serenatas !
Bebemos todas as músicas
do presente e do passado...
Nilo deu uma palhinha...
registrou sonoridade
E eu a saltitar...
Esqueci a dor no braço ...
Sorri pros vivos e fantasmas...
desejei ficar aqui e lá...
A madrugada nos encontrou ,
sem nos separar ...
Articulados pelas canções ,
que como a gente,
Brincam de ficar !

Profânica




Fui fácil , mulher fácil
Não joguei , perdi
Cai de boca , nas emoções
quando fluiam, bebia !


Sou cara, sou alma
brilho incomum, joia antiga
pedra incrustada
num corpo , que ainda fala !

foram-se todos , outros chegaram
E assim , a vida passa ...
Cumpro o darma
Amor em cada passo !

Um de cada vez
Um de vez em quando
Sempre um ...
Dois é conta rara ,
sempre cara
pérola, rubi ...

Tarde passa
noite chega
Toda dia , uma surpresa ...
Alegria não tem fim


tristeza se desfolha
Não planta, não colhe
deixa voar
nas asas do pranto.

Futuro?
presente passa adiante
Dinâmico ...
Com ele conto , meu canto !


Amor atual é sempre um sonho
Fica no mental
transpira no astral
transmutação profânica

Letra de música



Todo romance tem prefixo e sufixo musical.
Viva os clássicos
que dispensam a imposição da poesia
Mania danada
essa minha...
De mandar recados pra vida
através das letras
Respingar o superficial.

A dor grita
no silêncio
que ninguém escuta
Mora no coração
e se espalha
por todos os nervos
Reside nas rugas
na cor dos cabelos
nas olheiras
no corpo encurvado
nos pés arrastados
na secura de um rio
que já brotou lágrimas.

Cada qual
com sua dor
Mas o riso
ainda espelha
a vontade de ser feliz
De respirar a paz
e pulsar , estremecer
de amor.

Previdência



Passa o tempo
Como o vento
como o olhar na janela
que acompanha o passante
Que vai
E não volta mais.

O passatempo
Brincadeira
Na beira de casa
na calçada do templo
Vendo o tempo passar.
Vendo o crente rezar

Vem a idade
Sem vaidades
Uma ruga aqui
Outras acolá
Me ponho a pensar
Onde quero chegar.
No fim da estrada
Vou ter que parar

Recordo outros tempos
Dou uma volta na vida
O passado confirma
E volto pra lida.
Com o fator previdência
O aposento, nem pensar !

É no trabalho
Que pego no malho
Pois com ferro frio
Não tem desafio.
E o voto decide
O nosso destino
Resta acreditar
No poder divino

Invisível



Ele não me via
Uma parede nos separava
e vozes confusas
nos limitavam

Ele era um líder
Ele e uma turma , que pensava e sonhava:
Marcondes, Leonel, Alfredo,
Leni, Nildo, Wagner, Terto, Zé Rodrigues...
Um professor saia de lá,
e entrava cá...
Ora , Dr. Laerti ( Física),
Vieirinha (Português), Edivan ( Química)
Gutemberg(Inglês)
Jaime (Matemática)
Ivone ( Biologia)
João de Borba ( Desenho)
Alderico (História ),..
e eu nem sei quem mais entrava,
e saía...

Eram tempos festivos
Vivíamos os últimos momentos ,
nos bancos do Ensino Científico...
Mais uns dias,
todos seguiriam seus caminhos.

Pensei em tudo,
menos na fugacidade do presente.
Ouvia teus risos, tua voz esperta,
sugerindo e persuadindo...
E a festa acontecendo !

Todos ligados na música,
política, poesia , teatro
e literatura.
Alguém seria médico
Advogado,
engenheiro,
Ou professor de alguma matéria.

Voltassem os mestres...
Abraços em João de Borba
E uma saudade enorme dos colegas...

Mesmo curso, em salas vizinhas !