por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 1 de junho de 2022

“AUSCHWITZ”... SE REPETIU AQUI – José Nílton Mariano Saraiva


A vasta literatura pertinente, o testemunho inconteste e sofrido dos que conseguiram o "milagre" de sobreviver, de par com a reprodução pormenorizada e realista (aqui, com atores) dessa mesma literatura para as telonas (cinema), nos mostra com fidedignidade que, dentre os diversos campos de extermínio nazista, o de “AUSCHWITZ” foi o que serviu de palco para os mais tenebrosos e macabros experimentos, os mais sombrios atos de tortura contra o ser humano, ali representando pelo povo judeu.

Tanto que, decorridos quase 80 anos do que se convencionou batizar como holocausto (aniquilamento sumário e cruel de mais de seis milhões deles), ainda hoje não se consegue entender como um ser humano é capaz de praticar tanta atrocidade com um seu igual.

Eis que, nos dias atuais, no país continental chamado Brasil, estimulados por um confesso psicopata, reconhecidamente adepto incondicional da tortura e do desprezo absoluto ao ser humano (mas que mesmo assim equivocadamente foi eleito para dirigi-lo), alguns dos seus bovinos seguidores, ungidos à condição de “autoridades policiais”, teimam em trafegar à margem da lei, daí a prática de métodos abjetos de tratamento àqueles que deveriam defender e proteger.

Como a tecnologia (videomonitoramento) tem servido para captar imagens (e às vezes até o áudio) do dia-a-dia, a verdade é que atualmente a sociedade vive sob a vigilância de câmeras de segurança em ruas, lojas, shoppings, bem como em telas de celulares, tablets e computadores (algo como as “teletelas”, descritas no livro “1984”, do profético britânico George Orwell, publicado no longínquo 1949).

Pois foi exatamente do flagra de uma dessas câmeras de rua que surgiu algo impensável: abordado por policiais rodoviários federais em razão de trafegar de moto, sem capacete, o cidadão Genivaldo de Jesus Santos, ao invés de receber a multa devida e ser orientado sobre a necessidade do uso do utensílio a partir de então, foi jogado ao chão, chutado, imobilizado, algemado e colocado no porta-malas da viatura policial.

E aí, quase 80 anos depois, o horripilante modus operandi “AUSCHWITZ” (dos nazistas) ressurgiu entre nós com todo o seu potencial macabro: imobilizado por algemas num espaço restrito que mal cabia o seu próprio corpo, o cidadão Genivaldo de Jesus Santos recebeu como “presente” dos “magnânimos e caridosos” policiais militares que deveriam protege-lo, uma bomba de gás lacrimogênio, devidamente acionada, que de pronto inundou o local com o seu gás letal.

Após decorrido o tempo necessáiroio para que o gás fizesse efeito, de forma sarcástica e desumana conduziram-no a um hospital, talvez para terem certeza do que pretendiam: Genivaldo já era, não mais teria condição de lhes perturbar.

E muito embora seja horrorosamente doloroso relembrar “AUSCHWITZ” neste momento, é preciso que o façamos a fim de que não mais se repita nos dias atuais tamanha barbárie.

Em assim sendo, que os policiais que participaram desse momento dantesco - JÁ DEVIDAMENTE IDENTIFICADOS (pelas mesmas câmeras) sejam rigorosa e exemplarmente penalizados.

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terça-feira, 24 de maio de 2022

JÁ VAI TARDE - José Nílton Mariano Saraiva

A corrupta e venal imprensa esportiva brasileira não cansa de tecer elogios à Seleção Brasileira de Futebol em razão de ser a única que nunca deixou de participar de uma Copa do Mundo, patrocinada pela FIFA.

Se, entretanto, usasse de uma nesga de honestidade e seriedade, seria fácil expor algo cristalino e inquestionável: na América do Sul, em termos futebolísticos, apenas Brasil e Argentina (mesmo que nos piores momentos) são os que têm algo a mostrar no tocante; o resto é tudo japonês (ou seja, são iguais e... não jogam nada).

E, como são reservadas cinco vagas para a América do Sul no citado torneio, sendo dez os disputantes, não há como nossa seleção não abiscoitar uma delas, secundada pelos “hermanos” (que ficaram de fora nas Copas de 1950 e 1954, por questões políticas da associação de futebol local – AFA - e em 1970, quando foi eliminada dentro de casa pela seleção peruana, numa “zebra” sem precedentes).

Mas, e isso é inquestionável, se participássemos de eliminatórias iguais às europeias, onde, em cada grupo times de qualidade e terrivelmente competitivos participam, a história certamente seria bem diferente e, consequentemente, não haveria espaço para tanto oba-oba ou rasgação de seda.

Como, na Copa do Mundo de 2014, realizada aqui mesmo no Brasil, fracassamos retumbantemente, quando levamos inacreditáveis 7 x 1 da Alemanha (que mais à frente iria sagrar-se campeã vencendo os “hermanos” na final), a troca de treinador foi imediata, saindo o ultrapassado Felipão e entrando o Tite, um defensivista ao extremo, conservador em atos e atitudes, adepto do futebol jogado para os lados ou para trás, além de devotar uma fidelidade canina a um mesmo grupo de jogadores, conhecidos “amarelões” em jogos decisivos.

Assim, na Copa do Mundo da Rússia, sob seu comando, mesmo enfrentando seleções inexpressivas e sem qualquer tradição, jogando um futebol horroroso entramos solenemente pelo cano no momento que que tivemos que enfrentar uma seleção europeia apenas razoável (Bélgica).

E quando se pensava que na volta o Tite perderia o emprego, eis que, inexplicavelmente apoiado pela mídia, o “perdedor” transmutou-se em “vencedor”, já que não só renovou o contrato, mas teve substancial aumento (ou seja, perdeu, mas... ganhou).

Agora, às vésperas da Copa do Mundo a ser disputada no Catar, no final do ano, sem coragem de mudar, e por consequência já sabedor do rotundo fracasso do time por ele dirigido, preventivamente o técnico Tite já anunciou que irá “se mandar” após o torneio, independentemente do resultado (depois de “mamar” por anos nas tetas da CBF).

O grupo já está formado e terá por base o time que fracassou na Rússia e, assim, vamos ter que suportar Gabriel Jesus (que não fez um mísero gol naquele torneio), Philipe Coutinho (que se encontra “bichado” faz é tempo, tanto que reserva no time inglês onde joga) e outras mediocridades, além da recorrente “brincadeira de mau gosto” de se nomear o Zé Cai-Cai (Neimar) o grande “líder” do grupo, claramente por imposição do patrocinador (enquanto isso um jogador como o Huck fica de fora).

Como os adversários da primeira fase são “garapa-com-açúcar” (Suíça, Sérvia e Camarões) claro que “mesmo não querendo” vamos passar de fase, quando então seremos mandados de volta, sem choro nem vela, no primeiro ou segundo jogos seguintes (repeteco da Copa da Rússia).

A pergunta é: com a saída do Tite, após um segundo fracasso em Copa do Mundo, o seu “agregado” (filho Matheus) perderá a boquinha de “auxiliar técnico” (possivelmente uns 80 a 100 mil por mês), uma exigência aética do próprio Tite quando assinou contrato ???

Aliás, mereceria um estudo mais detalhado ou minucioso o fato de, no meio futebolístico brasileiro (e só por aqui mesmo) técnicos, narradores e comentaristas sempre imporem como condição “sine qua non” (locução adjetiva, do latim, que significa “sem a qual, não”) à assinatura de um contrato, que o rebento querido seja incluso no “pacote”, mesmo que não tenha o que fazer (mas, apenas, receber a grana ao final do mês).

segunda-feira, 23 de maio de 2022

 

COMO DEVE SER TRISTE SER O CIRO GOMES (Carlos D’Incao – Historiador) – 22 DE MAIO DE 2022

De forma incrédula tomei de assalto com a notícia de que Ciro Gomes estava esfumando de ódio contra o inteligente humorista Gregório Duvivier, mais especificamente com seu programa, “Greg News” da HBO. 

Comecei por onde deve começar uma análise: do começo. Assisti o programa da “Greg News” que tratava especialmente sobre Ciro. Sempre com bom humor e inteligência, Gregório começou a fazer uma síntese da História desse político e chegou, enfim, a duas conclusões centrais: 

1- Ciro Gomes derreteu e continua a derreter com seu antipetismo dentro do seleto grupo de seus apoiadores, o que o coloca em quase pleno isolamento político;

.2- Caso desistisse de sua candidatura em apoio à Lula poderia aumentar a chance de dar a vitória ao ex-presidente com os seus 5% a 8% de eleitores. Com isso afogava o golpe, porque Bolsonaro se isolaria ao tentar anular as eleições de todo o país (algo muito mais difícil do que anular apenas o segundo turno).

Bom… são duas teses válidas e muito difícil de serem refutadas. O problema dela é que a mesma pressupõe que Ciro Gomes seja do campo da esquerda. Ele nunca foi e nunca será. A História há de provar um dia que essa “persona non grata” inclusive recebia as mesmas moedas de judas dos setores mais reacionários do país que elegeram Bolsonaro.

Ele não vai abandonar sua candidatura. Vai usá-la a serviço de Bolsonaro ressuscitando da forma mais eloquente possível o antipetismo e o antilulismo. Vai ser a voz da grande imprensa de 2018, somada ao lava-jatismo e aos truculentos ataques fascistas que, já agora só se encontram em duas bocas: a do próprio Bolsonaro e a de Ciro.

Desesperado com as teses de Duvivier que, sem intenção, caminhava para desmascará-lo, partiu para um sórdido ataque antes, durante e depois de um debate onde ele mostrou bem claramente porque ninguém vota nele: Ciro simplesmente não é gente. É um animal selvagem da política. 

Autoritário e montado em uma estrutura de força máxima com luzes, maquiagem e assessores para orientá-lo… tudo isso para debater com um simpatizante, uma pessoa tranquila, um artista… sem nenhum aparato, como foi revelado por Duvivier com sua câmera, quando aos brandos Ciro ordenava que o humorista “demitisse seus assessores” e que duvidava que ele não tinha gente escrevendo respostas e argumentos para o debate. 

O pobre coitado estava nervoso e surtado o que demonstra enorme fraqueza política e de caráter. Foi pego por alguém que sem querer, o desmascarava. 

Ciro provava ser uma pessoa desprovida de qualidades… Repete de forma doentia que é o político mais experiente e que tem 40 anos de vida pública. Quer se colocar como superior à Lula por isso. 

Acontece que Ciro nunca foi presidente do país e Lula e seu Partido governaram por 3 mandatos e meio. Lula sozinho teve dois mandatos e com certeza governar um país como o Brasil e todas as suas contradições é um pouquinho mais difícil do que ser o governador do Ceará. Assim como ser o mais bem aprovado governador do Ceará me parece ser um pouquinho mais fácil do que ser o presidente mais bem aprovado da História da República. 

Ciro passou 40 anos dirigindo bicicletas e pulando de galho em galho por vários partidos. Lula dirigiu um Boeing intercontinental sendo o fundador do maior partido de esquerda da América. 

Lula pode ter vários defeitos e cometidos diversos erros, mas ele é gente… e o povo gosta de gente. 

Restaria dizer que pelo menos Ciro é um intelectual que escreveu um livro recentemente. É a sua pérola mais preciosa a qual ele sempre anuncia como um trunfo: “Sou o único candidato que escreveu um livro para delinear o que se fazer no país”. 

Quem comprou e leu geralmente é a molecada que o apoia. Mas quem já o leu e não é moleque, que sabe muito mais que ele sobre história, filosofia, sociologia, educação e sobretudo economia, não tem essa visão de um “Ciro intelectual”. Muito pelo contrário…

Seu livro é uma junção de ideias neokeynesianas sem coesão e fora do contexto da realidade política, social e econômica do Brasil. Carrega um oceano de palavras de ordem sem qualquer desenvolvimento mínimo do tipo: “Temos que taxar as grandes fortunas!” e “O Brasil tem tudo para ser uma grande nação!”

Junta-se em sua obra uma criminosa ignorância sobre educação, sobre o sistema judiciário, sobre a questão de infraestrutura em setores sociais como saúde e moradia além de ausências gigantescas sobre quase tudo. 

Escreveu “mal assessorado”… 

Enfim, Ciro inteligente e intelectual… nunca vi, nunca existiu…

Por essas razões, mas principalmente por ter sido desmascarado por um sagaz humorista agora Ciro não terá nem 1% de votos. Duvivier tem razão. O melhor é vencer Bolsonaro no 1° turno tornando impossível qualquer aventura golpista. 

Ciro não é dono da razão e nem de seus eleitores que em breve se tornarão em ex-eleitores. Do lado progressista tem que malhar e ter ódio desse braço do fascismo. 

Esse ano se encerrará muitas coisas: o bolsonarismo, o golpismo e esse entulho eleitoral chamado Ciro. Aliás, como deve ser triste ser ele…

sábado, 7 de maio de 2022

UMA VERDADE INQUESTIONÁVEL

O recado de Lula da Silva ao miliciano Bozo e seus milicos golpistas:


“Não somos a terra do faroeste, onde cada um impõe a sua própria lei. Não. Temos a Constituição, a nossa lei maior, que rege a nossa convivência. E ninguém, absolutamente ninguém, está acima dela. Ninguém tem o direito de ignorá-la ou de afrontá-la. A normalidade democrática está consagrada na Constituição e é ela que estabelece os direitos e obrigações da cada Poder, de cada instituição, de cada um de nós. É imperioso que cada um volte a tratar dos assuntos de sua competência, sem exorbitar, sem extrapolar, nem interferir nas atribuições alheias. Chega de ameaças, chega de suspeições absurdas, chega de chantagens verbais, chega tensões artificiais. O país precisa de calma e tranquilidade para trabalhar e vencer suas dificuldades atuais, e decidirá livremente, no momento em que a lei determina, quem deve governá-lo.”

quarta-feira, 20 de abril de 2022

 AFINAL, PORQUE O AVIÃO NÃO CAI ?

Um avião só é capaz de voar horas e horas em absoluta estabilidade porque as quatro forças que o mantém se contrapõem em perfeito equilíbrio. No eixo vertical é o peso total da aeronave que é equilibrado pela sustentação proporcionada pelas asas. No plano horizontal é a força das turbinas que precisa vencer a resistência do ar ao deslocamento do próprio avião.
O peso total, composto pela soma do avião vazio, do combustível, dos passageiros e da carga, concentrado no centro de gravidade, é neutralizado pela sustentação total proporcionada pelas asas, gerada pelo ar que circula SOBRE e SOB elas. Cerca de dois terços vêm da parte superior, onde se cria uma pressão menor. Assim como o peso se concentra no centro de gravidade, a sustentação tem seu ponto de aplicação no centro da pressão.
O centro de gravidade fica à frente do centro de pressão, o que normalmente faria a frente do avião baixar. Mas aí entra o efeito de equilíbrio estabilizador, na parte traseira da aeronave, que dá uma sustentação negativa, fazendo a parte traseira da aeronave baixar.
Com essas forças em equilíbrio, o avião como que voa sozinho, mantendo a mesma altitude, sem aumentar ou diminuir a velocidade. O equilíbrio só é alterado momentaneamente para a realização de alguma manobra, como uma curva, por exemplo.
Existe apenas uma exceção que confirma a regra da estabilidade do voo: a correção exigida pela constante movimentação dos passageiros e comissários ao longo dos corredores, deslocando o peso total do avião para a frente e para trás do centro de gravidade normal. É novamente da cauda que vem a correção automática e contínua.
E assim o voo prossegue sereno, estável, com todas as forças harmoniosamente equilibradas.

AFINAL, PORQUE OS NAVIOS NÃO AFUNDAM ?
01) Porque é oco e sua densidade média (considerando a parte de aço e a parte cheia de ar) é menor que a densidade da água. 02) Porque ele encontra-se em equilíbrio, parcialmente imerso e sujeito a ação de duas forças de mesmo módulo e contrárias, o peso (P) e o empuxo (E), exercido pela água.
Conhecendo o princípio de Arquimedes (“todo corpo mergulhado num fluido (líquido ou gás) sofre, por parte do fluido, uma força vertical para cima, cuja intensidade é igual ao peso do fluido deslocado pelo corpo.”) podemos explicar porque os navios não afundam.
Primeiramente se fosse possível amassar o navio em forma de uma bola de ferro, com certeza ele afundaria e, ao fazê-lo deslocaria certa quantidade de água. Como já sabemos, o peso da água deslocada é igual ao empuxo sofrido pela bola de ferro. Como seu peso é muito maior que o da água deslocada, então ele afunda!
Mas os navios não são bolas de ferro. Eles são construídos em um formato especial, para que ocupem bastante espaço dentro da água e que a maior quantidade dela seja deslocada. Assim, o peso da água deslocada pelo navio será maior do que o peso do próprio navio, ou seja, a força peso do navio fica menor que a força de empuxo, fazendo o navio boiar ou flutuar sobre a água.

(Dados colhidos na Internet)

terça-feira, 19 de abril de 2022

E eis que o Facebook nos premia com um texto do Leonardo Boff, que publicamos anos atrás. Confiram, vale a pena.

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Suas lembranças no Facebook
Jose Nilton, nós pensamos em você e nas lembranças que compartilha aqui. Achamos que você gostaria de relembrar esta publicação de 1 ano atrás.

“OFICIALMENTE” VELHO (Leonardo Boff)

Neste mês de dezembro, completo 70 anos. Pelas condições brasileiras, me torno oficialmente velho. Isso não significa que estou próximo da morte, porque esta pode ocorrer já no primeiro momento da vida.

Mas é uma outra etapa da vida, a derradeira. Esta possui uma dimensão biológica, pois, irrefreavelmente, o capital vital se esgota, nos debilitamos, perdemos o vigor dos sentidos e nos despedimos lentamente de todas as coisas. De fato, ficamos mais esquecidos, quem sabe, impacientes e sensíveis a gestos de bondade que nos levam facilmente às lágrimas.

Mas há um outro lado, mais instigante. A velhice é a última etapa do crescimento humano. Nós nascemos inteiros. Mas nunca estamos prontos. Temos que completar nosso nascimento ao construir a existência, ao abrir caminhos, ao superar dificuldades e ao moldar o nosso destino. Estamos sempre em gênese.

Começamos a nascer, vamos nascendo em prestações ao longo da vida até acabar de nascer. Então, entramos no silêncio. E morremos.

A velhice é a última chance que a vida nos oferece para acabar de crescer, madurar e, finalmente, terminar de nascer. Neste contexto, é iluminadora a palavra de São Paulo: "Na medida em que definha o homem exterior, nesta mesma medida rejuvenesce o homem interior"(2Cor 4,16).

A velhice é uma exigência do homem interior. Que é o homem interior ? É o nosso eu profundo, o nosso modo singular de ser e de agir, a nossa marca registrada, a nossa identidade mais radical. Essa identidade devemos encará-la face a face.

Ela é pessoalíssima e se esconde atrás de muitas máscaras que a vida nos impõe. Pois a vida é um teatro no qual desempenhamos muitos papéis. Eu, por exemplo, fui franciscano, padre, agora leigo, teólogo, filósofo, professor, conferencista, escritor, editor, redator de algumas revistas, inquirido pelas autoridades doutrinais do Vaticano, submetido ao "silêncio obsequioso" e outros papéis mais.

Mas há um momento em que tudo isso é relativizado e vira pura palha. Então, deixamos o palco, tiramos as máscaras e nos perguntamos: afinal, quem sou eu? Que sonhos me movem? Que anjos me habitam? Que demônios me atormentam? Qual é o meu lugar no desígnio do Mistério? À medida que tentamos, com temor e tremor, responder a essas indagações, vem a lume o homem interior. A resposta nunca é conclusiva; perde-se para dentro do inefável.

Este é o desafio para a etapa da velhice. Então, nos damos conta de que precisaríamos muitos anos de velhice para encontrar a palavra essencial que nos defina. Surpresos, descobrimos que não vivemos porque simplesmente não morremos, mas vivemos para pensar, meditar, rasgar novos horizontes e criar sentidos de vida.

Especialmente para tentar fazer uma síntese final, integrando as sombras, realimentando os sonhos que nos sustentaram por toda uma vida, reconciliando-nos com os fracassos e buscando sabedoria. É ilusão pensar que esta vem com a velhice. Ela vem do espírito com o qual vivenciamos a velhice como a etapa final do crescimento e de nosso verdadeiro Natal.

Por fim, importa preparar o grande encontro. A vida não é estruturada para terminar na morte, mas para se transfigurar através da morte. Morremos para viver mais e melhor, para mergulhar na eternidade e encontrar a última realidade, feita de amor e de misericórdia. Aí, saberemos, finalmente, quem somos e qual é o nosso verdadeiro nome. Nutro o mesmo sentimento que o sábio do Antigo Testamento: "Contemplo os dias passados e tenho os olhos voltados para a eternidade".

Alimento dois sonhos, sonhos de um jovem ancião: o primeiro é escrever um livro só para Deus, se possível com o próprio sangue; e o segundo, impossível, mas bem expresso por Herzer, menina de rua e poetisa:

"EU SÓ QUEIRA NASCER DE NOVO, PARA ME ENSINAR A VIVER”.
Mas como isso é irrealizável, só me resta aprender na escola de Deus.

Parafraseando Camões, completo: mais vivera se não fora, para tão longo ideal, tão curta a vida.

sexta-feira, 15 de abril de 2022

“ESTRANHAS” COMPRAS – José Nílton Mariano Saraiva


Com referência ao medicamento Viagra, na bula do fabricante Pfizer (bem como nas dos demais laboratórios), o item sobre “Para que Este Medicamento é Indicado” contém uma única e bem clara recomendação: “Viagra (citrato de sildenafila) está indicado para o tratamento da disfunção erétil, que se entende como sendo a incapacidade de obter uma ereção (rigidez do pênis) suficiente para um desempenho sexual satisfatório”.

Partindo-se de tal asseveração, é estranho que o Governo Federal, através do Ministério da Defesa, ao reconhecer e tentar justificar a "estranha" compra (com dinheiro público), de 35.320 comprimidos do Viagra, haja alegado que... “a aquisição de sildenafila visa ao tratamento de pacientes com Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP), que é recomendado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)” e que... “por oportuno, os processos de compras das Forças Armadas são transparentes e obedecem aos princípios constitucionais” (há, no entanto, a suspeita de acréscimo de mais de 100,0% num dos lotes adquiridos).

OBS: a “hipertensão arterial pulmonar” é uma doença rara que faz com que a pressão arterial nos pulmões seja mais alta, e É MAIS COMUM EM MULHERES; mas, na bula do Viagra não consta nada sobre).

Estranhamente, no caso em comento os 35.320 comprimidos do Viagra tiveram uma destinação contraditória entre as tropas, já que à Marinha foram destinados 28.320 comprimidos (80,18%) para um contingente de 76.000 elementos, ao Exército foram endereçados 5.000 comprimidos (14,16%) para um universo de 215.000 integrantes e à Aeronáutica 2.000 comprimidos (5,66%) para ser usado por 65.000 servidores. Como explicar tal desproporcionalidade ???

Também foram adquiridas, com dinheiro público, 60 (sessenta) próteses penianas infláveis, ao preço médio de 50.000/60.000 reais cada, perfazendo um total de R$ 3,5 milhões de reais.

Na primeira compra foram 10 próteses, ao preço de R$ 50 mil cada, destinadas ao Hospital Militar da Área de São Paulo. Na segunda compra, adquiridas outras 20 unidades, cada uma custando aproximadamente R$ 57 mil, que foram enviadas para o Hospital Militar da Área de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. O último pregão acumulou outras 30 próteses, ao preço de R$ R$ 60 mil por unidade e foram novamente destinadas ao Hospital Militar da Área de São Paulo.

É evidente que, pelo estratosférico e absurdo valor unitário, tais “utensílios domésticos” não contemplaram a “arraia miúda” da tropa (cabos e soldados), mas tão somente o oficialato das três forças (entre os quais alguns aparentemente “superdotados”, já que o tamanho das referidas próteses varia entre 10 e INCRÍVEIS 25 CENTÍMETROS).

Alfim, há que se ressaltar que... “as próteses penianas são utilizadas principalmente no tratamento de disfunção erétil e que há dois tipos: maleáveis e infláveis, com a segunda simulando melhor a fisiologia da ereção normal, por meio da implantação de dois cilindros, uma bomba e um reservatório, daí ser mais cara que a maleável”.

A saber, quais foram os “felizes” (ou seriam “infelizes” ???), contemplados com uma ajuda de valor tão expressivo.

sábado, 9 de abril de 2022

PREMIAÇÃO QUESTIONÁVEL - José Nílton Mariano Saraiva

Dias atrás, a mídia brasileira teve a coragem de repercutir com certo estardalhaço uma frase proferida pela cantora (???) Anita, que numa troca de farpas com o ex-ministro Ricardo Salles, asseverou... “só não vale falar do meu cu, porque este serve mais à sociedade que você” (ipsis litteris).

Um silêncio sepulcral se verificou, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo e se tratasse mesmo de uma afirmação politicamente correta, em razão de um suposto empoderamento da mulher, nos dias atuais.

Meses após, numa prova inconteste do declínio moral que a humanidade está a atravessar, a TV brasileira foi pródiga em anunciar e exibir, em horário nobre, a “premiação” de uma música/vídeo da própria (de cunho eminentemente sexual), como a mais exibida em todo o mundo.

Eis que hoje, finalmente, uma sua igual (mulher) tem a coragem de vir a público colocar os devidos pingos nos “is”. E de forma contundente e categórica, sem espaço para tergiversações (vide abaixo).
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PARABÉNS ANITA, MAS NÃO, OBRIGADA (Tatiana Poroger)
Parabéns para Anita por chegar ao topo do Spotify. Sabemos que ela é uma mulher extremamente batalhadora, com ótimo faro para o sucesso comercial. Minha admiração começa e termina aí.

Não consigo gostar das suas músicas (???). Também não consigo bater no peito e dizer “nossa que orgulho, ela é brasileira como eu”, pois não vejo valor no conteúdo (???) que ela produz, por mais sucesso que faça. Tampouco consigo comemorar que Anita seja a inspiração das meninas adolescentes de hoje. Pelo contrário, acho que seja um péssimo exemplo a essa geração.

A música e o clip em questão são de uma vulgaridade sem tamanho. O vídeo se resume a 3 minutos da rainha (???) feminista demonstrando como excitar um homem, utilizando-se de suas nádegas, que ficam amplamente expostas a quem quiser conhece-las no detalhe.

Não tenho filha mulher, mas se tivesse tentaria ensinar-lhe a se valorizar, física e intelectualmente, impor respeito e saber ser sensual quando quiser, sem ser vulgar. Mas tenho 3 filhos homens.

Tento lhes ensinar que respeitem e valorizem as mulheres e que o envolvimento quando inclui corpo, alma e mente é muito mais significativo e prazeroso para ambos. Músicas como a de Anita, onde as mulheres se tratam como mero objeto de prazer tornam minha mensagem um tanto quanto conflitante.

Em outras palavras, como dizem os meninos dessa geração, estamos “bugando” a cabeça deles, que deve está girando mais ou menos assim: meus pais me dizem para tratar as mulheres com respeito, e valorizá-las. Enquanto isso, as meninas estão rebolando a bunda na minha cara ao som de “me chama de vagabunda”, “me dá um tapa” e “te faço gozar em 5 minutos”.

Na prática, as que se dizem feministas hoje estão dificultando a vida de quem quer educar a atual geração de forma que as meninas se deem o devido valor e rapazes as tratem com mais respeito do que tratavam em gerações anteriores.

Desculpe Anita, mas não consigo te agradecer por isso.

Também não jogarei a culpa toda em cima de Anita. Ela é esperta, viu uma oportunidade e não tem o menor pudor em se expor de forma vulgar, assim como tantas outras artistas no Brasil e no mundo.

Não tenhamos síndrome de vira-lata, desdenhando de um produto ou pessoa só porque é “made in Brasil”. O assunto da Anita veio à tona por aqui agora pelo motivo óbvio dela ser brasileira, mas a vulgaridade e objetificação da mulher na música não é nem de longe exclusividade de artistas brasileiras.

Por fim, há milhões de mulheres que realmente estão sendo maltratadas mundo afora e precisando desesperadamente de alguém que lute por elas, mulheres de todo tipo. Exemplos não faltam: na Arábia Saudita mulheres não podem abrir uma conta bancária ou obter passaporte sem um responsável homem, na Somália, meninas ainda sofrem mutilação genital, na Índia o tráfego e escravização de mulheres vem crescendo ano a ano e no Brasil uma mulher é estuprada a cada 10 minutos.

Enquanto isso, o movimento feminista parece estar em busca do “direito” das mulheres de se vulgarizarem. Posso ser antiquada, mas isso não me parece uma grande conquista dessa geração.

Então, mais uma vez, parabéns Anita, pelo sucesso, mas não, obrigada.

Tatiana Poroger.