por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
O acordo ou a corda
J. Flávio Vieira
Nas últimas semanas, o
Crato se viu assaltado por uma onda de seguidos suicídios. Alguns deles em
pessoas jovens que deviam carregar nos olhos o dourado sonho da existência. Este ato extremo, que leva pessoas a fugirem
pela porta dos fundos, põem toda a cidade em polvorosa. Parentes e amigos
jamais tirarão da mente um certo sentimento de culpa : -- Eu poderia ter
pressentido os primeiros sintomas e , quem sabe, evitado a catástrofe ! Os
conhecidos e transeuntes embebem-se num certo blues, como se perguntassem : o
que há de errado neste mundo que ninguém o suporta sem algum tipo de anestesia
?
Longe de ser
um questão meramente doméstica, os suicídios alcançam, no mundo, segundo a
Organização Mundial de Saúde, quase 900.000 mortes ao ano. Este valor numérico
, pasmem vocês, ultrapassa as mortes por guerras, os homicídios e desastres
naturais somados ! E, o pior de tudo, desde a década de 70, os suicídios cresceram
mais de 60 % e, ultimamente, têm tomado um vulto totalmente inesperado.
Acredita-se que a crise econômica global possa ter contribuído para o aumento.
O desemprego, o arrocho salarial, principalmente em países europeus, a instabilidade
da economia em nações outrora prósperas, impulsionam o desencanto junto à
juventude. Acredita a OMS que a urbanização desenfreada , certamente, tem
exposto a população às agruras e estresse das cidades e megalópoles. Desde 2010,
pela primeira vez, a maior parte da humanidade vive em zonas urbanas e não nas
rurais. Deixamos o campo e sua plácida
tranquilidade,’ para a violência da rua, do trânsito, a competição terrível no
mercado de trabalho. E mais que tudo, perdemos a identidade e passamos, na
cidade grande, a ser apenas um número, no meio da manada, com a clara sensação
de que corremos em disparada para o abismo logo à frente.
Estudos
têm demostrado que os laços sociais são fortes aliados na prevenção dos
suicídios. Amigos, namorados e namoradas, parentes, esposas, maridos, filhos, companheiros de trabalho e de
farra são os liames imprescindíveis que nos prendem à vida e lhes dão algum
significado. Estudos feitos nos EUA demonstram que quase metade dos adultos se
consideram solitários e este preocupante percentual é exatamente o dobro da
década de 80. Este isolamento proporcionado pela urbe , certamente, estaria impulsionando os casos de depressão
responsável esta por mais da metade de
todos os suicídios.
Basta
refletir sobre os destinos da modernidade , para se perceber que nós mesmos
destilamos nossa própria cicuta. As pessoas fogem dos relacionamentos sérios,
como o trombadinha da polícia. As relações passaram ser na sua maioria
transitórias e eventuais : amizades coloridas, rolos, ficas. Mulher ou homem
que consiga uma certa ascensão econômica prefere a cueca ou calcinha do
parceiro na cadeira, nunca no guarda roupa. Casamentos se dissolvem como gelo
em Teresina: a primeira cara feia, o primeiro bate-boca ou arranca –rabo é
motivo para o divórcio. Já há incontáveis casais que simplesmente optam por não
ter filhos, sob a alegação de que atrapalha demais e dá muita dor de cabeça. A
explosão da comunidade global fez com que a comunicação ficasse, aparentemente,
mais fácil, mais rápida com o
Smartphone, a Internet, o WhatZapp, as Redes Sociais. A tecnologia aproximou
absurdamente os distantes, mas afastou terrivelmente os próximos. Nas rodas de
bar , já não se conversa: se tecla. Passamos a ter incontáveis amigos virtuais,
mas praticamente deletamos os amigos reais. O Curtir substituiu o bate papo, o
olho no olho, o toque, o abraço. Não bastasse isso, a vida profissional se
tornou um verdadeiro campo de guerra. Já não temos companheiros mas competidores.
O objetivo de todos é o mesmo do Flamengo : vencer, vencer, vencer. Como em toda maratona
poucos vão ao pódio e muitos são os derrotados. Viver é consumir e aí daqueles que ferirem esse
mandamento básico. De repente, uma grande turba percebe-se só no mundo
aniquilada : sem família, sem amigos, sem agregados, sem companheiros. O parto atravessado da vida não se suporta sem
anestesia: álcool, lexotan, tabagismo, cocaína, fanatismo, religião, moralismo... A solidão no meio da turba talvez seja a mais
cruciante solidão. Vale a pena continuar a jornada ?
Há
algo errado na viagem, quando tantos desembarcam antes da estação final. É preciso mudar o roteiro, aproximar o grupo
de viajantes para que possam dividir a estafa do caminho e desfrutar juntos a
paisagem que passa definitiva na janela. Como o trem segue
sempre para o descarrilamento inevitável,
o companheirismo, a solidariedade, a
amizade , no final, serão a única atração verdadeira do nosso roteiro
turístico. Não dá para viver sozinho, nem existe felicidade individual. São as
nossas relações interpessoais que nos atam ao vazio da existência. Só temos
duas opções neste mundo : o acordo ou a corda.
Crato, 08/10/14
O RUMO NORTE É O NOSSO DESATINO - José do Vale Pinheiro Feitosa
Quando nos apontam o
rumo norte para o nosso destino, a morte abre as suas asas sobre o nosso
desatino. Esta frase deveria ser um eco de razão a toda vez que um
político, um líder ou um cidadão nos aponta os EUA como o nosso modelo de
civilização.
Mesmo que o sonho do sucesso, a segunda chance, o mérito da
conquista, o imenso prazer do consumir e pertencer a uma sociedade em que se
agradece pelos empreendedores privados esteja a alavancar um desejo como compreensão
da liberdade. Mesmo que seja isso, sempre imagine que o Brasil é grande, somos
uma sociedade de mais de 200 milhões, temos uma cultura própria e capacidade de
viver os nossos próprios sonhos e através da liberdade de nos realizarmos pelo nosso
próprio conhecimento e arte.
Já temos problemas demais a enfrentar para desejarmos ser o
gasoduto a alimentar a energia dos problemas dos outros. Os EUA formam um grande
povo, a humanidade deve muito às suas instituições, à sua ciência e cultura.
Mas o mundo tem sido vítima do imperialismo americano com suas agressões,
golpes políticos, usurpação das riquezas, atraso e exploração dos povos e nem
por isso os EUA têm a melhor sociedade. Nem muito inferior aos nossos
problemas.
Os EUA inventaram, FHC e o PSDB embarcaram em seu ideário, a
maneira mais soft de implantar seu “estilo” através do enriquecimento das suas empresas
sobre a economia dos povos como o Brasil. As empresas vêm com toda a
concorrência, mas com o estilo americano de ser (lobbys, holdings, oligopólio
etc.) e para garantir um mercado fluído e sem conflito: inventaram as Agências
Reguladoras. O papel delas é “controlar” o desejo dos consumidores por melhores
serviços e menores preços. Dar um colchão de apoio ao “mercado”.
Leia o primor como os EUA defendem suas empresas através de
trechos de um documento de empresas de fracking de gás de xisto para Ucrânia
(aí toda briga com a Rússia): “Empresas norte-americanas podem investir
diretamente na Ucrânia, levando com elas sua
tecnologia. Empresas ucranianas podem contratar perfuradores norte-americanos com experiência, podem licenciar perfuradoras norte-americanas e
empresas de tecnologia de sondagem sísmica por imagem, e podem importar equipamento norte-americano sofisticado
de perfuração. O governo dos EUA pode estimular este desenvolvimento com
programas patrocinados pelo Estado, como o Programa para Engajamento Técnico
Não Convencional para Gás do Departamento de Estado.
É até óbvio, mas o Governo financia com impostos do povo dos
Estados Unidos as suas empresas para que explorem as riquezas e a economia dos
outros países. E fazem isso por cima de pau e pedra, por isso toda a briga na
Ucrânia. Por isso eles bombardeiam países pelo mundo todo e acusam a Rússia
pela anexação da Criméia como vestais numa noite sem lua. Na verdade toda esta
guerra é que os EUA querem substituir o papel da Rússia como fornecedora de gás
natural para a Europa,pela hegemonia da produção de gás de xisto por fracking.
Nesta altura da nossa história a nossa principal reflexão,
crítica e construção do futuro tem por base a nossa própria história. Não vamos
seguir os passos de ninguém, os nossos problemas precisam ser resolvidos e não
vamos adotar políticas que aumentem estes problemas ou então, retardem as suas
soluções.
Os EUA não servem de espelho para nós os brasileiros. Vejam
alguns dados do seu modelo de ser em alguns tópicos. A) Dois terços da
população de Detroit não pode pagar as suas necessidades básicas e 46 milhões
de americanos estão na pobreza; B) a taxa de mortalidade infantil dos EUA é a quarta
mais alta entre 29 países mais desenvolvidos; C) a taxa de analfabetismo nos
EUA entre adultos é de 14%, 21% dos americanos têm um nível de leitura inferior
à 5ª série de estudo e 19% do diplomados do ensino médio não sabem ler; D) o
sistema de saúde americano ocupa o último lugar em eficiência entre os 10
países mais desenvolvidos e tem o maior gasto per capita entre eles ($8.508).
Ora os EUA são um país bem sucedido e rico. Qual a sua
questão? O modelo político, social e econômico com base puramente no
liberalismo de mercado. Os números que lemos parecem até enganosos pois jamais
imaginaríamos que eles fossem assim, mas são. São pelo excesso de
individualismo, de exploração privada, de acesso por renda, de negócios
lucrativos, de intermediações onerosas como advocacia, segurança e guerras
geopolíticas.
Este modelo, por exemplo, transformou a educação numa mera
fábrica de performance, sem preparar o ser humano e levando a que mães em
desespero usem medicamentos nos filhos abaixo de 10 anos de idade apenas porque
as professoras não encontram a performance que esperam. Isso sem contar a
inúmeras fórmulas para atrair “consumidores”. E como consumidores os americanos
ficam fora do ensino e tem tanta gente crítica ao governo brasileiro pelos
nossos baixos níveis de educação.
O sistema de saúde americano, baseado em planos de saúde, é
uma verdadeira esteira da era fordista, como as faculdades de medicina
preparando especialistas, os laboratórios organizando o ensino, congressos e
sociedades e as operadoras criando fundos que financiam a farra de médicos
ultra-especializados. O grande problema, por exemplo, comparando-se com o
sistema estatal inglês como gasto per capita de $3.405, é que não existem
cuidados primário de saúde, não existe atenção básica, prevenção e promoção da
saúde.
O Brasil precisa de um caminho próprio, especialmente longe
de modelos que se mostram errados. Se não evoluímos para o modelo totalitário
da União Soviética, igualmente, não precisamos adotar este capitalismo do Deus
Mercado. Precisamos de uma união forte e de preparar lideranças que compreendam
esta união e não se torne apenas meros empregas dos grandes negócios americanos.
Uma visão da política do governo Obama, dos presidentes de
vários países por ai, incluindo ex-mandatários é de um salve-se quem puder onde
todos se vendem para os grandes negócios e não atendem às verdadeiras decisões
das sociedades. A posição dura da Polônia contra a Rússia na questão da Ucrânia
é porque todo mundo estava “comprado” para empurrar o negócio do fracking de
xisto. O filho de Joe Binden, vice-presidente dos EUA que lutou muito para a “democratização”
da Ucrânia é diretor da principal empresa ucraniana de energia.
Esse é o mundo da decadência da sociedade de mercado.
COMUNIDADE DE EXTERMÍNIO VESTINDO BRANCO - José do Vale Pinheiro Feitosa
Generais e líderes nazistas no tribunal internacional de
Nuremberg foram condenados por suas ações de guerra e extermínio. Ultrapassaram
qualquer marca de humanidade mesmo no papel que lhes cabe que é a guerra. O
mesmo pode ser dito a militares brasileiros que participaram de tortura a
presos (nem sempre políticos ou militantes de esquerda) durante a ditadura
militar. Eram soldados, guerreiros treinados para matar, mas mesmo assim
cometeram crimes pois matar e torturar não é a missão específica mesmo parecendo
ser.
Agora peguem um médico, ou outro profissional de saúde e o
ponha na mesma função de um Mengele ou de assistente de tortura nas selas dos
porões dos quartéis para acompanhar o limite e atestar com laudos falsos as
causas da morte. Este é criminoso contra a humanidade e fere essencialmente a
função quase divina de sua razão de ser: que é curar.
Médicos como Mengele são piores que a perversidade do
guerreiro. Eles são traidores da função, da humanidade e praticam um ato que
ultrapassa qualquer apresentação digna que possa ter. A respeito de que isso
tudo?
Uma comunidade no facebook, com mais de cem mil seguidores,
chamada “Dignidade Médica” acumpliciou-se aos porões da ditadura e aos
banheiros dos campos de extermínio com Auschwitz na manifestação de alguns dos
seus. Ao Conselho Federal de Medicina não basta responder com notas condenatórias,
precisa buscar autores e punir exemplarmente. O MPF precisa agir com o mandato
do direito.
O que manifestaram nesta comunidade do Face? Postaram frases
como: “70% de votos para Dilma no nordeste! Médicos do nordeste causem um
holocausto por aí! Temos que mudar esta realidade.” “Meus amigos, infelizmente temos
de ser terroristas e nos colocarmos no nível de conversa que pobre entende!” “Colegas
que votaram em Marina nesse primeiro turno, podemos contar com o apoio dos
senhores para o segundo turno votando no Aécio.”
No dia em que grupos médicos chegaram a termos como estes, a
profissão com um todo foi enlameada no fosso do maior nível de desinformação,
analfabetismo e absoluto desprendimento da realidade. Aí temos a prova que
mesmo a formação científica superior não é suficiente a promover humanidades
como já sabíamos desde a Alemanha Nazista.
terça-feira, 7 de outubro de 2014
DILMA DEVE PROMETER O BOLSA INFORMAÇÃO - José do Vale Pinheiro Feitosa
Fora um ou outro troll que frequenta os comentários, este
blog tem opinião. Tem informação e, claro, pluralidade de pensamento. Nem
sempre as pessoas se estapeiam porque pensam diferentes e isso pode estimular
ainda mais o senso crítico de todo mundo.
Já nas denominadas “redes sociais” o pau come. As pessoas extravasam
ódios, preconceitos e acusam nordestinos de não terem informação, serem pobres
e comporem os bolsões de miséria que votam em que lhes dar esmola. Aí a questão
central é o Programa Bolsa Família.
Junto com as malditas palavras de FHC, os jornais das
famílias oligarcas também acusaram o nordeste e no resto um bando de paulistas
idiotas diziam que trabalhavam enquanto os nordestinos passavam a vida deitados
na rede só recebendo a grana para votar no PT.
Eis aqui alguns dados do Bolsa que não é a Bolsa que sobe e
desce conforme as pesquisas eleitorais: o Estado de São Paulo (1,2 milhão) é o
segundo estado em número de benefícios, perde para a Bahia (1,8 milhão) e está
à frente de Minas, Pernambuco e Ceará cada um com 1,1 milhão. Outro dado: 49%
dos benefícios são para pessoas com menos de 18 anos, portanto 42% tem menos de
16 anos e nem vota. Tira a criança do trabalho infantil.
E sobre receber a grana para manter a preguiça? 75% daqueles
com mais de 18 anos trabalham e quem não trabalha é por falta de oportunidade.
E tem mais, cara pálida: o valor médio do Bolsa Família é de R$ 168,00, isso
qualquer preconceituoso gasta numa balada bebendo e comendo coisas caras. Isso
não permite ninguém parar de trabalhar. R$ 5,6 por dia é ruim de viver sem
outros ganhos.
Agora é preciso que
se faça uma denúncia grave. É necessário, para uma boa condução do futuro do
país, para que tenhamos um progresso verdadeiro, que o negligente governo Dilma
crie um programa para melhorar o nível de informação de pessoas como FHC e toda
a marola preconceituosa das “redes sociais”. Dos jornais das grandes famílias
não é necessário a adesão ao programa, basta que eles paguem o imposto que devem
ao país.
Números em profusão - José Nilton Mariano Saraiva
Mesmo com a vitória
insofismável da presidente Dilma Rousseff no primeiro turno (vantagem de
8.370.242 votos), os analistas globais já “decretaram” que os votos da
candidata Marina Silva, no primeiro turno (22,1 milhões) deverão migrar para o
candidato Aécio Neves e, assim a eleição será decidida a favor do tucano, no
segundo turno (como se Marina Silva tivesse carisma ou poder de transferir tudo
para quem decidir apoiar).
Se houvesse a
preocupação de pelo menos analisar e comparar com imparcialidade os números atuais
com as da eleição passada, veriam que naquela oportunidade os 19.6 milhões de votos
da mesma Marina Silva não foram agregados na totalidade aos votos obtidos pelo
candidato José Serra, no segundo turno, e que decidia a eleição com Dilma
Rousseff.
Assim, enquanto Serra
subiu de 33,1 milhões de votos para 43,7 milhões (10,6 milhões), quase que na
mesma proporção a candidata Dilma Rousseff saltou de 47,6 milhões para 55,7
milhões (8,1 milhões), gerando uma diferença de 12,04 milhões para a candidata
Dilma, ao final da contenda (ante os 14.5 milhões do primeiro turno).
Observa-se que a votação
de Aécio, agora no primeiro turno (34,8 milhões ou 33,55%), praticamente se
assemelha à votação de Serra naquela oportunidade (33,1 milhões ou 32,61%),
embora caiba destacar que a votação de Dilma Rousseff, na época, foi de 47,6
milhões (46,1%) e, agora, tenha sido 43,2 milhões (41,59%), resultando que a
diferença pró-Dilma no primeiro turno tenha oscilado negativamente de cerca de 14,5 milhões
para 8,3 milhões, agora (em razão da votação paulistana).
No mais, Dilma Rousseff
venceu em 15 estados da federação (inclusive na terra de Aécio Neves, Minas
Gerais, no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul), Aécio Neves em 10 estados e Marina
Silva em 02.
Há que se destacar,
ainda, que tivemos a omissão de impressionantes 38.797.556 eleitores ou 29,03%,
a saber: se abstiveram de votar (27.698.475 ou 19,39%), anularam o voto
(6.678.592 ou 5,80%) ou o deixaram em branco (4.420.489 ou 3,84%). Segundo os
famigerados institutos de pesquisa, aqui a candidata Dilma Roussef foi a mais
prejudicada, e se houver um retorno de parte deles ela colherá dividendos.
Enfim, se não surgir
alguma novidade capaz de produzir efeitos devastadores, nada que um ajuste bem
dado e uma maior participação da militância (principalmente em São Paulo) garantirão
a permanência da atual ocupante do Planalto. Afinal, no cara-a-cara (debate) entre os dois
candidatos, não poderá ser olvidado a comparação entre os dois modelos de
governo em confronto: o do desenvolvimento inclusivo, onde se prioriza a
redistribuição de renda, via inclusão social e a remoção das desigualdades
sociais (Dilma Rousseff) e aquele excludente, que entrega de mão beijada ao
mercado, via capital financeiro, o gerir da economia (Aécio Neves).
Restaria a pergunta: pelos
grosseiros e clamorosos erros cometidos (inclusive na “boca de urna”), os diversos
institutos de pesquisa (que já anunciam novos dados a partir de amanhã),
merecerão alguma credibilidade ou capazes serão de induzir o voto do eleitorado,
a partir de agora ???
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Completando a postagem abaixo, reproduz uma postagem do jornalista Mário Magalhães em seu blog antes mesmo de FHC iniciar a campanha contra o marmiteiro
Um breve preâmbulo, sem intenção professoral: com o fim da ditadura do Estado Novo (1937-1945), sobreveio a eleição presidencial direta, em 2 de dezembro 1945. Os dois candidatos mais fortes eram altos oficiais das Forças Armadas: Eurico Dutra, do Exército, e Eduardo Gomes, da Aeronáutica. Deposto, o ditador Getulio Vargas apoiou Dutra. Sem traquejo político, o brigadeiro falou com desprezo da malta getulista que sufragaria o marechal. Um acólito de Vargas copidescou com malícia a declaração, espalhando que Eduardo Gomes zombara dos “marmiteiros''. Isto é, maldissera o povo simples, que levava comida em marmita para o trabalho.
A versão pegou, e ajudou Dutra a jantar Eduardo Gomes nas urnas.
Desde então, embora a expressão marmiteiros tenha caído no esquecimento, em todas as eleições os eleitores mais pobres são menosprezados como ignorantes que, como diria o Pelé, não sabem votar.
Isso vai acontecer de novo agora. Muitos sabichões tripudiarão sobre cidadãos _sem muitos direitos da cidadania, mas cidadãos_ como aqueles que ganham até dois salários mínimos, sejam eles eleitores da presidente Dilma Rousseff, que vai ganhar fácil o primeiro turno (mas provavelmente com menos de 50%), ou do governador Geraldo Alckmin, que em proporção terá ainda mais votos.
Para certos ditos bem esclarecidos, o povão inculto não sabe escolher.
Não imaginam esses demofóbicos, para empregar a sacada do jornalista Elio Gaspari, que os brasileiros mais pobres provavelmente têm mais consciência ao votar.
Porque da sua decisão pode depender um prato de comida, a escola para o filho e a chance de transformar em realidade o sonho de uma casa.
Nem o tempo apaga a intolerância: determinada intelligentsia vai continuar detonando os marmiteiros, que como sempre sabem o que fazem e querem ao digitar os números nas urnas.
FHC (Faculdade Harmônica de Confundir) - José do Vale Pinheiro Feitosa
A integridade é uma das coisas mais difíceis no ser humano.
Falando em integridade como a capacidade até de mudar de opinião, mas tendo a
capacidade de demonstrar que esta mudança faz parte da ordem geral e não do
arranjo individual e oportunista.
Fernando Henrique Cardoso foi eleito Presidente da República
por duas vezes em razão do plano de estabilização econômica do país. FHC foi
eleito duas vezes no primeiro turno. Quem deu a vitória a ele foi o povão, o
povo do nordeste, do norte, o povo das camadas sociais mais sofridas que se
viam beneficiados com o fim a terrível inflação que corroía seus ganhos antes
mesmo deles começarem a comprar as suas necessidades.
Mas FHC tem dois defeitos fatais. Um de personalidade: é um
oportunista na raiz da medula. O outro é intelectual: pertence à cátedra do “paulistanismo”
adversário mortal de um projeto nacional, preconceituoso, que tem horror a
nordestino migrante e tudo que é crescimento e distribuição de renda é populismo.
É a ideologia que defende a “meritocracia” e que voto em Aécio Neves cuja
carreira é produto de sua família, incluindo o avô.
Como diz Carlos Orsi num jornal da Unicamp: “A Semana de
Arte Moderna de 1922 foi, no plano ideológico, a iniciativa de uma “oligarquia
racista, reacionária e ao mesmo tempo modernista”, para servir aos interesses
de classe da elite cafeicultora e a um projeto de hegemonia paulista, que via o
Brasil como uma colônia a ser explorada pela metrópole de Piratininga.”
Eis a declaração do prestidigitador no blog do Josias de
Souza, portal do UOL: “O PT está fincado nos menos informados, que coincide de ser
os mais pobres. Não é porque são mais pobres que apoiam o PT, é porque são
menos informados.” De uma tacada só o Príncipe dos Sociólogos tenta separar o
inseparável, uma vez que informação (midiática é o que ele quer dizer) é acesso
e acesso é riqueza monetária.
Além de tentar uma frase que não irrite os pobres, ele
também comete outro erro sociológico: informação não depende apenas do Jornal
Nacional, da Folha ou do portal UOL. O povo do nordeste tem seus métodos para
se informar, tem capacidade para analisar e sobretudo sente o imediato de suas
vidas com mais agudeza do que a crônica de um sociólogo rico que ganha fortunas
dando palestras a empresários com horror a uma ordem social que os comprometam
além dos seus negócios.
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
O DEBATE QUE O TRABALHADOR NÃO PÔDE VER - José do Vale Pinheiro Feitosa
Comecemos pelo principal. Desde a segunda metade dos anos 60
do século XX a Rede Globo de Televisão é a “mídia” nacional. A mediação dos
fatos, fenômenos e ideias que acontecem e norteiam a sociedade brasileira. O
jornalismo, especialmente o Jornal Nacional, as novelas e programas de
auditórios deram a base para uma “identidade” nacional sujeita ao capitalismo
industrial e financeiro e aliada aos EUA nos conflitos subjacentes à política
internacional.
Existem muitas análises que demonstram que, agora já no
andamento da segunda dezena do século XXI, a Rede Globo esteja em baixa em
razão da mudança de paradigma do próprio papel das mídias. A rede mundial de
computadores faz mais do que o telefone fez em termos de diálogos entre as
pessoas. O telefone era ponto a ponto enquanto a rede de computadores se
dissemina, viraliza como é do jargão.
Quando as empresas de mídia faziam a mediação da comunicação
social e do conhecimento público fatalmente atendiam a uma sociedade de massa
carreando-a ideologicamente num determinado rumo. Quando a rede de comunicação
interpessoal surgiu o primeiro fato foi a diversidade de rumos, de interpretações
e de entendimentos ideológicos.
Numa sociedade em crise econômica o fenômeno da rede é mais
agudizado, existem mais análises, interpretações do que nos cursos acalmados da
história. Como consequência desta crise já observamos perigosamente um quadro
de aglutinações e alianças bélicas que prometem grandes conflitos, muita morte,
doença e miséria. Basta observar a grande aliança “ocidental” para atacar o
território do Oriente Médio onde grupos em desespero lutam. Acrescente a forte tensão
ente EUA/União Europeia e a Rússia vazando tensões no rumo da China.
E agora o que me interessa nesta postagem. Alguém entre nós
pode compreender o motivo que levou a rede Globo de Televisão a realizar um
debate entre candidatos à Presidência da República depois das onze horas da
noite e terminando depois de uma hora da madrugada? Haveria aí a necessidade de
apenas ela ser detentora do fato para que pudesse, sozinha, fazer a mediação
entre os candidatos já ausentes e a sociedade?
Nos dias seguintes, na ausência dos candidatos a rede Globo
em seu jornalismo e na sua programação dramática (Hollywood é a grande escola
ideológica do pensamento dominante) poderá “repercutir” o debate que ninguém
viu? Deseja ela continuar tendo o bastão da mediação do conhecimento público?
Pode ser isso mesmo, como não pode. Pode apenas ser uma
decadência que já não consegue mediar a própria grade de programação. Afinal a
rede mundial de computadores se encontra ativa até o minuto final da apuração
dos votos.
BACEN - Autonomia X Independência - José Nilton Mariano Saraiva
Embora alguns teimem em ignorar, existe uma diferença abissal entre um Banco
Central “autônomo” e um Banco Central “independente”. Não se trata apenas e tão
somente de mera questão semântica. Foi o que, no debate da Globo, quis mostrar
a Presidenta Dilma Rousseff à atarantada candidata Marina Silva, quando lhe
questionou a proposta de, caso eleita, tornar o Banco Central “independente”.
É que essa tal
“independência” do Banco Central configuraria, na prática, uma espécie de
“nascimento-indesejado” de um pleno poder, um poder paralelo ou um quarto
poder, porquanto sem ter de prestar contas ou dar satisfação a quem quer que
seja.
E o primeiro
entrave seria sua constitucionalidade. Como a nossa Carta Maior só reconhece
três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – seria o caso de se aprovar
uma emenda constitucional incluindo um certo poder “Central”, que cuidaria de
elaborar e gerir tudo que se refere às políticas micro e macroeconômicas de um
novo governo ???
Mas, e se os “novos inquilinos” de um Banco Central independente
resolvessem exercer na plenitude a prerrogativa de independência, indo de
encontro ao próprio planejamento governamental, não estaria caracterizada a
total submissão do poder executivo ao novo poder vigente ???
Já um Banco Central
“autônomo”, embora detenha a prerrogativa de elaborar e implementar planos e
metas na condução da política econômica do Governo, há de, antes, sugerir,
submeter ou obter o “aval” do Poder Executivo, que chancelará (ou não) o que
for apresentado (como o é na atualidade). Tanto que, no organograma do
Planalto, o Banco Central é o primeiro na linha de subordinação direta à
Presidência da República.
Além do mais, não
se pode esquecer o “detalhe” de que a política econômica do programa Marina
Silva tem na sua linha de frente uma das herdeiras de um dos maiores Bancos do
país, o Banco Itaú. Que certamente ficaria exultante em compor os quadros de um
Banco Central independente.
Seria como se
colocar uma raposa dentro do galinheiro.
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
A EPIDEMIA DO CAPITALISMO - José do Vale Pinheiro Feitosa
Agosto de
1976. Até agora são 38 anos. Vivia-se a ditadura de Mobutu Sese Seko e o Zaire
(que já fora Congo Belga) era um meio termo entre a velha estrutura da aldeia
africana e as estruturas herdadas do colonialismo. Com a ditadura um desastre
social e econômico.
No mesmo ano
o Sudão também era um racha entre norte e sul. O norte muçulmano mais populoso
e o sul tribal e com a religiosidade africana, toda baseada na espiritualidade
dos eventos e fatos naturais. O sul do povo Banto o mesmo que também predomina
em Angola.
Mabalo
Lokela volta à sua casa e feliz com a incursão ao norte do Zaire, num
Land-Rover na companhia do Padre Augustin da missão belga na aldeia Yambuku no
noroeste do Zaire. Mabalo, também chamado de Antoine, tinha febre e febre era
sinal de malária. Tomou uma injeção de cloroquina no hospital da missão belga e
foi esperar a melhora em sua casa.
N´Zara
aldeia do Sudão a pouco mais de cem quilômetros da fronteira do Zaire. Ugawa o
homem mais rico da aldeia era dono de um clube de Jazz e ali os empregados de
uma fábrica de algodão costumavam gastar parte do pequeno salário em bebidas e
com as mulheres da casa. Ugawa adoeceu e como tinha grana foi para um hospital
na cidade de Maridi cem quilômetros depois.
Mabalo
comprara carne fresca de antílope para presentear a mulher. A partir desta
compra uma tragédia acontece. A OMS se apavora, todos os laboratórios da Europa
e o CDC americano tomam conhecimento de uma nova doença mortal que mata mais de
90% das pessoas em poucos dias.
Empregados
da fábrica de algodão no Sudão adoecem com a mesma doença do dono do clube em
que se divertiam. Seus familiares também adoecem, parentes são acometidos e num
surto epidêmico toda a aldeia de N´Zara se encontra apavorada.
O hospital
da missão em Yambuku espalha a doença em mais de uma centena de aldeias da Zona
Bumba cujas pessoas recorriam a ele para se curar. As freiras, o padre, o
pessoal auxiliar, atendentes são acometidas pela misteriosa epidemia e morrem
um após o outro. Ugawa chega à cidade Maridi no Sudão e logo depois quase todo
o pessoal do hospital morre assim como seus familiares. Maridi é sede da
epidemia.
A região de
Bumba fica perto do rio congo e de seu afluente, o rio ebola. Quando
encontraram o vírus responsável deram a ele o nome de ebola e à doença
igualmente. É esta que hoje, 38 anos após, continua sem prevenção, sem um soro,
um quimioterápico ou uma vacina que proteja as pessoas. O Ebola se encontra
ainda se espalhando nos hospitais miseráveis, os povos submetidos a quarentenas
cruéis e a letalidade atingindo mais de 40% das pessoas que adoecem.
As razões
sociais havidas no tempo de Mobutu persistiram, mas a “sustentabilidade” da doença
e seu espalhado modo de se manifestar reproduz a larga exploração de minas,
madeira e plantação para servir aos mercados estrangeiros. Os povos são
expulsos das terras e o impacto ambiental é devastador para as condições
naturais das florestas equatoriais da região.
A expulsão
de suas terras ancestrais, a devastação das florestas, as levas populacionais
em torno do agronegócio estão aproximando o ambiente natural e seus vírus das
populações humanas urbanizadas. Hoje sabe-se que o mais provável reservatório
natural do vírus ebola são os morcegos frugívoros que daí atingem mamíferos e
depois o homem que manipula seu sangue e carnes.
Então
recordando o tripé virtuoso do capitalismo: as grandes corporações continuam
exaurindo a natureza na África, os laboratórios privados estão sujeitos aos
capitais em bolsa de valores e ao sistema financeiro e os velhos e heroicos epidemiologistas,
médicos, virologistas, entomologistas e outros profissionais que fizeram
histórica até o final dos anos 70 todos estão como dizia Cazuza sobre seus
heróis: mortos de overdose. A overdose do emprego e interesse dos grandes
laboratórios que não têm interesse nos doentes de ebola.
Nove anos
após a descoberta da epidemia de ebola, no dia de hoje, em 1985 morria em
decorrência de uma infecção pelo vírus HIV um dos maiores mitos da beleza de
Hollywood. Morria Rock Hudson que era grande amigo do papa do neoliberalismo:
Ronald Reagan. Quando funcionários públicos, cientistas e movimentos sociais
pediram recursos para enfrentar a doença, Ronald Reagan solenemente ignorou.
Mas aí a morte chegou a um deles.
Don Francis,
grande virologista, epidemiologista que viveu a maior parte de sua vida no
campo combatendo epidemias, foi um dos técnicos mobilizados pela OMS para
estudar a epidemia de ebola no Sudão. Don Francis foi afastado do governo por
George Bush Júnior e hoje se dedica a trabalhar na produção de vacina para uma
empresa comercial. Como aliás a partir de Reagan todas as verbas para manter os
grandes laboratórios públicos, inclusive o CDC foram minguadas naquele ímpeto
ideológico do Estado Mínimo.
O "precursor" do mensalão (II) - José Nilton Mariano Saraiva
Em adendo à nossa postagem anterior (A
fala do “precursor” do mensalão), vide transcrição abaixo.
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DEBAIXO DO TAPETE – Em 8 anos de
governo PSDB, mais de 4.000 processos engavetados pelo Procurador Geral da
República.
O que é mais vergonhoso para um
presidente da República? Ter as ações de seu governo investigadas e os responsáveis,
punidos, ou varrer tudo para debaixo do tapete? Eis a diferença entre Fernando
Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva: durante o governo do primeiro,
nenhuma denúncia – e foram muitas – foi investigada; ninguém foi punido. O
segundo está tendo que cortar agora na própria carne por seus erros e de seu
governo simplesmente porque deu autonomia aos órgãos de investigação, como a
Polícia Federal e o Ministério Público. O que é mais republicano? Descobrir
malfeitos ou encobri-los?
FHC, durante os oito anos de mandato,
foi beneficiado, sim, ao contrário de Lula, pelo olhar condescendente dos
órgãos públicos investigadores. Seu procurador-geral da República, Geraldo
Brindeiro, era conhecido pela alcunha vexaminosa de “engavetador-geral da
República”. O caso mais gritante de corrupção do governo FHC, em tudo similar
ao “mensalão”, a compra de votos para a emenda da reeleição, nunca chegou ao
Supremo Tribunal Federal nem seus responsáveis foram punidos porque o
procurador-geral simplesmente arquivou o caso. Arquivou! Um escândalo.
Durante a sabatina de recondução de
Brindeiro ao cargo, em 2001, vários parlamentares questionaram as atitudes do
envagetador, ops, procurador. A senadora Heloísa Helena, ainda no PT, citou um
levantamento do próprio MP segundo o qual havia mais de 4.000 (quatro mil) processos
parados no gabinete do procurador-geral. Brindeiro foi questionado sobre o fato
de ter sido preterido pelos colegas numa eleição feita para indicar ao
presidente FHC quem deveria ser o procurador-geral da República.
Lula, não. Atendeu ao pedido dos
procuradores de nomear Claudio Fonteles, primeiro colocado na lista tríplice
feita pela classe, em 2003 e, em 2005, ao escolher Antonio Fernando de Souza,
autor da denúncia do mensalão. Detalhe: em 2007, mesmo após o procurador-geral
fazer a denúncia, Lula reconduziu-o ao cargo. Na época, o presidente lembrou
que escolheu procuradores nomeados por seus pares, e garantiu a Antonio
Fernando: “Você pode ser chamado por mim para tomar café, mas nunca será
procurado pelo presidente da República para pedir que engavete um processo
contra quem quer que seja neste país.”
E assim foi.
Privatizações, Proer, Sivam… Pesquisem
na internet. Nada, nenhum escândalo do governo FHC foi investigado. Nenhum. O
pior: após o seu governo, o ex-presidente passou a ser tratado pela imprensa
com condescendência tal que nenhum jornalista lhe faz perguntas sobre a
impunidade em seu governo. Novamente, pesquisem na internet: encontrem alguma
entrevista em que FHC foi confrontado com o fato de a compra de votos à
reeleição ter sido engavetada por seu procurador-geral. Depois pesquisem quantas
vezes Lula teve de ouvir perguntas sobre o “mensalão”. FHC, exatamente como
Lula, disse que “não sabia” da compra de votos para a reeleição. Alguém
questiona o príncipe?
Esta semana, o ministro Gilberto
Carvalho, secretário-geral da presidência, colocou o dedo na ferida: “Os órgãos
todos de vigilância e fiscalização estão autorizados e com toda liberdade
garantida pelo governo. Eu quero insistir nisso, não é uma autonomia que nasceu
do nada, porque antes não havia essa autonomia, nos governos Fernando Henrique
não havia autonomia, agora há autonomia, inclusive quando cortam na nossa
própria carne”, disse Carvalho. É verdade.
Imediatamente FHC foi acionado pelos
jornais para rebater o ministro. “Tenho 81 anos, mas tenho memória”, disse o
ex-presidente. Nenhum jornalista foi capaz de refrescar suas lembranças
seletivas e falar do “engavetador-geral” e da compra de votos à reeleição. Pois
eu refresco: nunca antes neste País se investigou tanto e com tanta
independência. A ponto de o ministro da Justiça ser “acusado” de não ter sido
informado da operação da PF que revirou a vida de uma mulher íntima do
ex-presidente Lula. Imagina se isso iria acontecer na época de FHC e do seu
engavetador-geral.
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
A RAZÃO DO VOTO - José do Vale Pinheiro Feitosa
Enquanto falo de Boulangerie em plena semana que antecede o
próximo pleito eleitoral, o leitor tem todo o direito de pensar em certo “escapismo”.
Não tanto ao céu e nem tanto a terra. Viver é abraçar a temática que se
aproxima de nós em todos os sentidos. De dentro para fora e de fora para
dentro.
No Ceará se aí votasse juro por Sant´Ana que para governador
já sei em quem votaria. Na senatoria, teria muitas dúvidas se me resta alguma
alternativa além de praticar o que nunca faço que é não me expressar. Para deputado
nos dois níveis aí não teria dificuldades de bater a tecla.
E para presidente? Votaria pensando num discurso pronunciado
por Getúlio Vargas no primeiro de maio de 1954 quando mais acirrada estava a
luta política. A essência deste discurso era o anúncio de um aumento
substancial do Salário Mínimo. A questão do Salário Mínimo é um dos maiores
avanços do Direito Social do Trabalhadores, pois associa a remuneração do seu
trabalho com aS condições básicas de sua sobrevivência com dignidade. Quando
muitos se queixam hoje de seus valores não podem jamais esquecer que o problema
não é a existência dele, mas sim a atribuição do seu valor e, claro, as
fundamentações econômicas para lhe valorizar.
No discurso, Getúlio Vargas, ao defender o valor do salário
mínimo contra a UDN, militares de direita e empresários, firma princípios dos
quais um cidadão consciente não pode se eximir. Seleciono alguns trechos:
“Não me perdoam os que
me queriam ver insensível diante dos fracos e injusto com os humildes. Continuo,
entretanto, ao vosso lado. E continua Getúlio: “Tendes de prosseguir na vossa luta para que não seja malbaratado o
nosso esforço comum de mais de 20 anos no sentido da reforma social, mas, ao
contrário, para que esta seja consolidada e aperfeiçoada.”
E Getúlio radicaliza ainda mais ao transferir a luta pelos
direitos sociais para os verdadeiros atores: “Para isso não cabe nenhuma hesitação na escolha do caminho que se abre
à vossa frente. Não tendes armas, nem tesouros, nem contais com as influências
ocultas que movem os grandes interesses. Para vencer os obstáculos e reduzir as
resistências, é preciso unir-vos e organizar-vos. União e Organização devem ser
o vosso lema.”
E termina com o instrumento para tal localizando onde o
poder deve se localizar: “Há um direito de
que ninguém vos pode privar, o direito do voto. E pelo voto podeis não só
defender os vossos interesses como influir nos próprios destinos da nação. Como
cidadãos, a vossa vontade pesará nas urnas. Como classe, podeis imprimir ao
vosso sufrágio a força decisória do número. Constituís a maioria. Hoje estais
como o governo. Amanhã sereis o governo.
E Getúlio arremata dizendo com quem se pode e com quem não se
pode contar: “Não deveis esperar que os
mais afortunados se compadeçam de vós, que sois os mais necessitados. Deveis
apertar a mão da solidariedade, e não estender a mão à caridade. Trabalhadores,
meus amigos, com a consciência da vossa força, com a união das vossas vontades
e com a justiça da vossa causa, nada vos poderá deter.”
A fala do "precursor" do mensalão - José Nilton Mariano Saraiva
No Congresso
Nacional, o “baixo clero” representa aquela parcela significativa de parlamentares
que, sem poder de influência e/ou brilho próprio, se dispõem a “negociar” o
voto a fim de aprovar medidas de interesse dos parlamentares “graduados”.
O exemplo
emblemático de tal situação deu-se na gestão Fernando Henrique Cardoso (FHC), quando
os parlamentares corruptos integrantes do “baixo clero” foram acionados para
aprovar uma emenda à Constituição Federal instituindo a reeleição para a Presidência
da República (espécie de precursor do “mensalão”, só que pluripartidário). O
preço pago foi de R$ 200 mil per capita, conforme depoimento dos deputados
acreanos Ronivon Santiago e João Maia, dois dos felizardos agraciados.
Ainda à época de FHC,
comprovado restou terem as empreiteiras e os grandes bancos exercido papel
decisivo no apoio financeiro ao seu projeto de manter-se mais quatro anos no
poder, através de doações vultosas àquele projeto.
A reflexão acima
tem a ver com a recente passagem de FHC por nossa capital, a fim de participar
de um evento político, quando, fiando-se na famosa “memória curta” do povo
brasileiro, afirmou sem qualquer constrangimento: a) que eleição no país hoje é
“compra de voto”; b) que no financiamento da campanha “quem dá para um, não
pode dar para outro”; c) que “a democracia hoje é financiada por empreiteiras,
pelos bancos e por quatro ou cinco empresas”. Ou seja, exatamente o que houvera praticado lá
atrás (pena que a nossa mídia não o tenha inquirido sobre o ocorrido em seu
governo); d) de sobra, afirmou que a presidenta Dilma Rousseff "merece um Nobel por arrebentar o setor de petróleo, do etanol e da energia" (esqueceu de que no seu (des)governo a "Petrobras" quase vira "Petrobrax", a fim de tornar-se palatável aos ouvidos gringos)
Agora, o mais
incrível nisso tudo é que ainda exista alguém que se disponha a “pagar” caro para
ouvir uma figura reconhecidamente corrupta, já que além da compra de votos para
a reeleição, entregou a “preço de banana em fim de feira” a determinados grupos,
boa parte do patrimônio nacional (Daniel Dantas está aí mesmo pra comprovar
isso), sem que se saiba até hoje onde foi parar a grana arrecadada.
Lamentável ainda é tomar conhecimento de que “a fala de FHC
contra Dilma foi bastante aplaudida pela platéia” (conforme depoimento de quem
esteve presente ao citado evento).
terça-feira, 30 de setembro de 2014
E por falar em Boulanger - José do Vale Pinheiro Feitosa
E por falar no General Boulanger lembrei-me de Jacques Boulanger apresentador de rádio e televisão, cantor de Quebec no Canadá. Boulanger em francês é o mesmo que padeiro. E seguindo a rota, busquei a música Le Sable et la Mer de 1969. Esta música gravada por Jacques Boulanger e Ginette Reno que é compositora, cantora e atriz canadense. Não sei vocês, mas esta é uma destas canções bonitinhas que me dar uma vontade de ouvir várias vezes.
E por falar em La Mer, passado pelo compositor dela Charles Trenet, belíssima voz e por tanta gente que já a interpretou fui cair no popular Ray Connif numa interpretação especial que me levanta a saudade da fazenda Riacho do Meio, na cidade do Barro, junto aos meus tios e primos, no meio do sertão, numa radiola a pilhas ouvindo sem parar La Mer.
L´AMOUR EST MORT - José do Vale Pinheiro Feitosa
Acabando de
ler estas letras tudo pode acontecer, mesmo que o tédio da repetição nos
garanta o “controle do tempo e dos acontecimentos”. Na cultura popular a dúvida
é permanente especialmente quando se tenta marcar encontros no futuro, o nosso
povo responde: “se Deus quiser”. Demonstrando que algo pode acontecer e o
encontro não se realizar.
Não apenas
os traços pessoais, mas as circunstâncias históricas são determinantes do
comportamento na ocasião do acontecer. Assim como admirar a rapidez, a coragem,
a sagacidade e lucidez de um ato no tumulto do acontecimento. Sempre é muito
difícil separar o momento cultural da postura pessoal. São tão interpenetrados
que não se separam as atitudes pessoais da coletiva. O valente, o grande líder
é apenas o ponto do movimento geral de grandes momentos. Do comportamento geral
e coletivo.
Napoleão sem
a revolução burguesa, Lenin sem a revolução russa, Padre Cícero sem a crise
popular, Moisés sem o retorno do povo judeu e assim por diante sem a
denominação histórica não seriam o que foram. Observemos que o caminho é do
povo, o indivíduo que se distingue é apenas uma forma simbólica de fabular o
acontecimento.
Em 30 de
setembro de 1891, há 123 anos o General Georges Boulanger, militar francês,
chamado por Cleménceau (Georges Cleménceau líder político francês no final do
século XIX e durante a primeira guerra mundial) de aquele que “morreu como
sempre viveu, como um subtenente”, suicidou-se sobre o túmulo de sua amante
numa cidade perto de Bruxelas. E qual a fábula de Boulanger?
Boulanger
era ministro da guerra no governo Cleménceau num período em que a França
passava por uma baixa na sua moral em razão da derrota na guerra
Franco-Prussiana e em que a burguesia nacional vivia a mais bela ilusão de
classe eterna: a Belle Époque. A acomodação era a tônica da burguesia.
Mas
Boulanger era popular e a crise econômica que se desencadeou a partir da década
de 80 do século XIX, terminou por ampliar ainda mais o feitiço político pelo
general. Ele foi incensado e por isso mesmo demitido pelo Presidente da
República. Mas isso elevou a temperatura social e o povo partiu para colocar
Boulanger na sede da República, mesmo que numa ditadura de cunho bonapartista.
Acontece que
Boulanger ficou numa corda bamba e mesmo com os mandatários tendo abandonado o
poder da República ele não teve coragem ou a fé de ocupar o vácuo. Terminou
sendo ocupado por Pierre Tirard que pelo seu ministro do interior divulgou a
iminente prisão do General que se refugiou em Londres e depois na Bélgica.
Em Bruxelas
reencontrou-se com sua amada que passava pelos últimos momentos sofrendo de uma
tuberculose. Ela morreu nos braços do General em 16 julho de 1891. Dois meses
depois o General Georges Boulanger, a esperança da França, dá o último suspiro
sobre o túmulo do amor impossível.
Sem "substância" - José Nilton Mariano Saraiva
Não é de todo verdade a
versão de que, com a proximidade da eleição presidencial, os adversário-concorrentes
estejam tentando “desconstruir” a candidata Marina Silva. Ela, sim, é que, por
despreparo, por falta de firmeza e consistência político-ideológica e por recorrentemente
desdizer o que houvera afirmado lá atrás, a cada debate mete os pés pelas mãos,
a cada intervenção “ao vivo” se enrola nas próprias artimanhas e contradições,
a cada desculpa apresentada mostra sua verdadeira face.
Já vimos, por exemplo, que
mudou de posição da noite pro dia no tocante à questão da homofobia (constante
do seu programa de governo), após o pastor Silas Malafaia dar-lhe um ultimato (puxão
de orelhas) e ameaçar abandonar seu barco se não se retratasse e se não mudasse
a versão original imediatamente (o que foi feito, de pronto).
Mais à frente, descobriu-se
que nas diretrizes constantes do seu programa de governo (sempre ele), no
tocante à questão tecnológica parte do texto fora simplesmente “copiada” de uma
revista da USP e “colada” àquele documento, sem que sequer os verdadeiros
autores tenham sido consultados e/ou creditados (e isso findou por causar um generalizado
mau estar entre os integrantes da “academia”).
Depois, Marina Silva chegou a
“descredenciar” o mentor da sua política econômica, que houvera afirmado de
forma contundente que o ajuste das contas do governo teria que necessariamente passar
por um corte profundo das verbas destinadas aos programas sociais do governo. E
aí, como o discurso não guardava um mínimo de conformidade com o contido no seu
programa de governo, Marina Silva preferiu sair pela tangente, ao afirmar que “não
era bem isso” o que o seu mentor econômico escrevera (só não traduziu o que ali
constava).
Já no tocante à atuação dos
bancos públicos, o programa de governo da candidata prega a necessidade de uma profunda
diminuição ou encolhimento da sua atuação. Questionada sobre se os bancos
privados estariam dispostos a praticar uma taxa de juros subsidiada e no longo
prazo nos grandes projetos estruturantes (como o fazem os bancos públicos), de
novo tratou de negar o contido no seu programa de governo (onde consta, sim,
que os bancos públicos terão sua atuação diminuída). Afirmou que a sua fala houvera
sido desvirtuada (de novo, não explicou).
Alfim, no mais recente debate
na TV (Rede Record), foi questionada pela atual presidente Dilma Rousseff com relação
ao seu voto quando da votação da CPMF. É que afirmara lá atrás ter votado
favoravelmente à criação da mesma. E bastou uma “consulta” protocolar à
documentação pertinente (ata da sessão) onde consta a posição de cada um dos
parlamentares votantes - favorável (SIM) ou desfavorável (NÃO) - para restar
constatado que o voto da parlamentar Marina Silva, registrado para a
posteridade, é por demais claro e cristalino: em votações distintas, optou pelo
NÃO (pega na mentira, tentou, sem sucesso, enrolar mais uma vez).
Fato é que Marina Silva “desconstrói” a si própria, ao mostrar que
entre a teoria (seu plano de governo) e a prática (seu discurso, sua fala)
existe uma oceânica distância, absolutamente conflitante e dispare.
A pergunta é: não seria por demais arriscado levar alguém tão “sem
substância” ao cargo maior da nação ???
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