por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 18 de julho de 2012

Essa é demais!






Não Tem Tradução
Noel Rosa

O cinema falado é o grande culpado da transformação
Dessa gente que sente que um barracão prende mais que o xadrez
Lá no morro, seu eu fizer uma falseta
A Risoleta desiste logo do francês e do Inglês
A gíria que o nosso morro criou
Bem cedo a cidade aceitou e usou
Mais tarde o malandro deixou de sambar, dando pinote
Na gafieira dançar o Fox-Trote
Essa gente hoje em dia que tem a mania da exibição
Não entende que o samba não tem tradução no idioma francês
Tudo aquilo que o malandro pronuncia
Com voz macia é brasileiro, já passou de português
Amor lá no morro é amor pra chuchu
As rimas do samba não são I love you
E esse negócio de alô, alô boy e alô Johnny
Só pode ser conversa de telefone..

CONVERSA DE BOTEQUIM!



Já estamos nos articulando para o show de Abidoral Jamacaru que homenageará Noel Rosa.

Dia 16 de agosto será apresentado no SESC CRATO ( um sempre grande parceiro!), e dia 18 de agosto no Terraçus (espaço maravilhoso comandado pelo mago das produções culturais: Kaika!)

Logo, logo vocês já poderão comprar ou reservar ingressos. A renda beneficiará os músicos participantes, e o tratamento ótico do nosso amigo e grande artista Abidoral Jamacaru.

O espetáculo trará de volta os clássicos de um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos.

Não percam!

CONVERSA DR BOTEQUIM!




Sonhos coloridos


Ontem chegou um pacote junto com o meu sono. Estava numa cidade de artistas e um mutirão organizava a casa de alguns. Lembro com nitidez as casas de Abidoral Jamacaru e João do Crato. Qualquer criança se deliciaria com os brinquedos em madeira, tecidos estampados e guloseimas nas prateleiras. Não sei onde meu subconsciente foi buscar tanta informação, detalhes...
A nossa cidade bem que podia ter um bairro de artistas com feira de artesanatos, palco, cafés.
Os convivas exigem tabaco, bebidas alcoólicas, mas elas nem deveriam existir. A arte tem o seu próprio êxtase!
Eu queria um mundo zen. A paz comporta o vazio que instiga o processo criativo. Vamos tomar chá e beliscar biscoitinhos integrais. Vamos cultuar um lugar sagrado onde a arte seja consumida, expandida, valorizada. Eu queria aquele sonho num pedaço de terra do Crato.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Gilberto Freyre



Gilberto de Mello Freyre (Recife, 15 de março de 1900 — Recife, 18 de julho de 1987) foi um sociólogo, antropólogo, historiador, escritor e pintor brasileiro, considerado um dos mais importantes sociólogos do século XX

Billie Holiday


Billie Holiday (Filadélfia, 7 de Abril de 1915 — Nova Iorque, 17 de Julho de 1959), por vezes, mais conhecida como Lady Day, é por muitos considerada a maior de todas as cantoras do jazz.



segunda-feira, 16 de julho de 2012

Colaboração deZélia Moreira





Para Woody Allen, com amor


MARTHA MEDEIROS

Tinham me dito que seu novo filme era meio bobinho, com piadas requentadas e que não acrescentava grande coisa à sua carreira. Querido cineasta, quem o julga com severidade o faz por amor também – admira tanto sua obra que não se contenta com menos do que um Match Point ou um Meia Noite em Paris –, porém ganharíamos mais se julgássemos você pelo seu estado de espírito, que tem sido transparente e inspirador. Espero não estar sendo pretensiosa, mas percebo que, depois de muitos anos procurando entender e diagnosticar as neuroses humanas – as suas, inclusive –, você deu o serviço como feito e agora está apenas se divertindo enquanto seu lobo não vem.

Não vejo maneira mais inteligente de envelhecer. Deixar de lado a obsessão por originalidade e dar seu recado com as ferramentas que domina é uma forma de se libertar, e a liberdade é um dom para poucos. Você sabe que um dos assuntos do seu novo filme, a de que as pessoas perderam a noção do ridículo ao valorizarem a vida íntima dos “famosos” (e os “famosos” mais ainda ao se deixarem seduzir por essa falácia), já está datado. No entanto, filmando em Roma, terra dos paparazzi, como não aproveitar a piada?

Acreditar-se especial nos torna patéticos. Somos todos uns pobres diabos tentando enfrentar a morte iminente com alguma ilusão tirada da cartola. Você é um homem talentoso com uma extensa folha de serviços prestados ao cinema mundial, mas o fato de se reconhecer comum o torna ainda maior.

Outro dia ouvi do grande Gilberto Gil, ao completar 70 anos: “Me dou cada vez menos importância”. Ah, que presente para si mesmo. Somos todos geniais cantando no chuveiro – quando passamos a acreditar seriamente que merecemos veneração, lá se vai um pouco da nossa essência.

Como diz o personagem de Alec Baldwin, maturidade talvez não seja sinônimo de sabedoria, e sim de exaustão. Quanto mais o tempo passa, mais se torna necessário simplificar a vida. O que não impede de estarmos abertos para algumas surpresas. Escutar mais do que falar, aprender mais do que ensinar, enxergar mais do que aparecer – não seria o ideal? Lutar contra o próprio ego não é fácil, mas é o único jeito de mantermos uma certa sanidade e paz de espírito.

Caro Woody, minha admiração segue gigantesca. Não só por todos os filmes brilhantes já realizados, mas também por você ter alcançado essa visão desestressada e zombeteira da vida maluca que levamos todos.

Por você conseguir, a despeito de todos os elogios e prêmios recebidos, ter a dimensão exata do seu tamanho no mundo. De não trocar seus prazeres pessoais pela ânsia de ter mais visibilidade. Por filmar em diferentes cidades do planeta, extraindo delas sua beleza genuína, mas sem deixar de unificar as fraquezas e grandezas humanas, que são iguais em qualquer lugar.

O resto é gordura desnecessária. Longa vida aos que conseguem se desapegar do ego e ver a graça da coisa.


Zero Hora
11/07/2012

Por Vera Barbosa




Minha intensidade lhe incomoda porque tem a medida exata da sua indiferença. O inverso das reações são razões diretamente proporcionais. A questão é que sou transparente e não demonstro apatia ao que me intriga nem ao que me incomoda; penso demais, gosto de profundidade, questiono; não sou do oba-oba, não conduzo minhas relações com desinteresse; e considero a superficialidade o grande mal das relações modernas.

Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és

domingo, 15 de julho de 2012

Prazeres hediondos


             Pedro saiu cedo de casa e cedo chegou ao trabalho. Cigarro no bico digitou por horas na redação do jornal. Detestava chavões e por isso evitava beber café por ali embora gostasse. Era uma vaidade besta, uma tentativa de ser diferente entre os diferentes. De poucas amizades pouca falava e era conhecido como um idiota arrogante.
                Ao fim do dia passou na praça da luz. Fumava ali ao som da brisa do mar vendo os coqueiros vergar-se ao vento. Não sabia explicar por qual motivo os prazeres da vida eram tão rápidos. Logo daria à hora de voltar para casa ou pegaria um trânsito infernal pela avenida Anita Garibaldi.  Ao virar-se da praça para frente do boteco que estava viu Amanda, sua esposa passar de carro com um homem as gargalhadas. A angústia, o medo e a raiva apareceram-lhe pressionar os globos oculares. Não poderia ser verdade.
                Em poucos segundos viu todos os defeitos de sua esposa e toda uma retórica de Cícero emperrar em sua garganta comprometendo-lhe a respiração. Pagou e não esperou o troco. Em uma tragada a vermelhidão do fumo resumia o estado de seu cérebro. Narinas dilatadas entra no carro e arranca. Ainda sabia fazer as irresponsabilidades que há anos recusava-se, como homem responsável, a fazer.
                Passou dois faróis vermelhos e acompanhava o carro dela de vista. Quase atropelou um ciclista que, com o susto jogou-se para o lado de um posto de gasolina. Indiferente como um cego prosseguiu. Nesse instante já estava mais calmo, já tinha a situação sobre controle e a traição sofrida já lhe era quase um prazer. Sorria dentro do carro e olhava-se pelo retrovisor sorrindo e dizendo: - Putinha barata. Aliás, nem tão barata. O seu caso transa contigo de graça e eu quem te pago comida, roupa lavada e viagens. Enfatizava com ódio: Viagens!
                Na esquina, próximo a um retorno o carro para e estaciona em uma galera e descem os dois. Ela nunca parecera tão alegre. Os cabelos ao vento lembram uma propaganda de xampu.  Isso o indignava ainda mais. Entraram em uma perfumaria e Pedro em uma floricultura ao lado. De lá ouvia as gargalhadas e palavras entrecortadas:
                - Amor olha este.
                Pensava Pedro: - Ele está sentindo algum perfume que ela sugere.
                A morena baixa de seios pequenos da floricultura atalha:
                - Senhor, posso ajudar?
                -Sim sim! Hortências por favor!
                Hortências eram as preferidas de Amanda. Lembra quando aos vinte anos pintara um quadro dela com um ramo delas ao colo. Achava aquilo meio brega, mas cedera embriagado de amor. Pensava com ódio quantas vezes cedera por amor. Uma promoção na Europa recusada, viagens não feitas, diversões amputadas em troca de quê?

                Apanhou a compra medíocre e ainda conseguiu ouvir a última frase deles na botica:
                - Não posso chegar com um perfume desses em casa. Isso é caríssimo, meu... – Baixou a voz e sussurrou no ouvido do amante: - Ele ia notar. É caro demais. Teria que dar satisfações.
                Nesta frase ele gozou de um prazer estranho. Embora sofresse pela traição era mínimo tudo isso. Iria tripudiar de seus sentimentos de um modo que lhe chamariam de mostro. Correu para a botica e comprou o presente recusado pelo cálculo dela. Ainda seguiu-os e viu quando pararam em um restaurante.
                Sorriam em uma alegria que era uma afronta. Ela tinha os olhos reluzentes e ele, este estranho canalha de unhas bem feitas. Devia ter menos de trinta e cinco anos. Ela bebia um vinho branco e depois algo que ele não conseguia identificar de longe. Achou por bem ir para casa.
                Abriu a porta do guarda roupas e no maleiro colheu a câmera nova que nunca usara. Ligou-a escondida em uma tralha de livros e bonecas de pano em uma estante sobre a TV. Ás seis e meia ela chegara. Tinha uma mesa feita, lindíssima. As velas brilhavam nos castiçais e casa cheirava, no ar uma fronteira entre um incenso de acácias e as ervas finas do molho carne. Ela entra surpresa com olhos arregalados e um sorriso preso no canto da boca. A palavra amor arrasta-se no ar:
                - Amor? O que isso tudo?
                Ele quase feliz com o teatro armado fala cínico:
                - Já respondeste meu anjo! É amor.
                Pedro falava a palavra amor em um sadismo inacreditável. Ele mesmo dizia para si: - Estou um espetáculo!
                Ele a arrastou para sua cadeira e pediu:
                - Não diga nada meu anjo. Apenas prove.
                Ela feliz com a surpresa obedeceu. Provaste a carne que quase derretia em sua boca:
                - Delícia. Mas amor por que tudo isso?
                Ele olhando em seus olhos apenas repetia:
                - Coma coma!
                A sua frente pôs-lhe o presente. O perfume que não comprou ele a dera. Estava ali, encaixado e com fitas verdes. Ele sabia que ela adorava verde. Ela de imediato apanhou o presente e abriu como uma criança. Olhava-o e sorria. Nem desconfiava. Deu a volta na mesa e o beijou. As palmas das mãos postavam-se em seu rosto.
                Ele sorria ao vê-la feliz. Pensou: - É muita felicidade para uma prostituta não? Imagina seu pai Amanda. Seu Leopoldo. Trabalhou feito um remador de Bem-Hur para te educar e você se mostrar uma prostituta.
                Ao dizer isso ele sorria e diz olhando nos olhos dela:
                - Eu te amo!
                Sabia que declarações assim ditas logo após tê-lo enganado talvez a angustiasse. Isto é, caso ela ainda tivesse um senso moral mínimo. Quando já estava alta do vinho e gargalhando entre conversas diversas ele perguntou sóbrio:
                - Amanda meu anjo. Mulher dos meus filhos...
                Ela, como quem se deixasse levar por um roteiro implícito conduzido por ele falava:
                - Diga Pedro, meu eterno amor!
                E ele disse:                                                                                            
                - Por que escolheu a si como puta?
                Após dizer isso ele sorriu. Cravou o garfo em um pedaço de carne e esfregou-o na porcelana branca manchada de molho. Era o seu último pedaço. Agora queria comê-la viva.
                - Que palhaçada é esse Pedro? Está bebendo?
                Ele que era só sorriso mostrava sua taça límpida. Não gotejou nada na mesma e ela por sua vez estava já tomada pelo calor do álcool do vinho. Pensou consigo: - Dominei-a. Idiota.
                - Não meu anjo – insistia na palavra anjo como quem usasse um cálculo preciso – não estou bebendo como pode ver. Diga-me, por qual motivo você, educada em escolas de freiras escolhei essa nobre profissão de... – parou para por o vinho em sua taça. Ergueu-a de encontro à luz e soltou as sílabas como música no ar: Pros-ti-tu-ta!
                Sentiu a cabeça pesar repentinamente. Parecia que as palavras de Pedro, soletradas assim era cada sílaba uma rajada de metralhadora. Sentia lâminas nas palmas das mãos. Os olhos turvos viam a imagem de Pedro mais jovem, quando trocaram os primeiros olhares, o crucifixo em cima da TV. Via o Cristo sangrando e a lembrança do padre Adalto, em sua missa crisma pregando: - Leiam em Crônicas, capítulo dois, 23: 13! Ela lembrava as últimas palavras frescas em sua mente: Traição, traição!
                - Pedro eu não fiz nada. Eu te juro!
                - Você não me traiu anjinho caído! Você traiu a Deus, os seus pais, os nossos... Ou melhor, meus, pois você não tem e nem os liga, amigos!
                - Não vou ficar aqui ouvindo suas lições de moral! Quem é você? Já não estou me sentindo bem.
                Ela entrou no banheiro e chorou copiosamente. Agarrada ao vaso soluçava e sentir a fermentação do vinho com a carne vibrar em seu estômago. Sentia de fato uma meretriz. Nunca havia sido tão humilhada, mas ao mesmo tempo percebia que Pedro é quem era vítima de tudo. Ele não a humilhara. O que fizera ela de sua vida. Uma vida de mentiras e hipocrisia. De prostituição em cada ato, em cada vez que cedia a um prazer barato em troca da obrigação, em cada deslize em troca da edificação da própria alma. Lembrava dos livros que seu pai comprara desde a infância, dos cursos pagos, das missas intermináveis, e como tudo isso não passava de um teatro barato. Ela era de fato uma prostituta tão barata quanto às das boates noturnas.
                Pedro colheu a fita no gravador e foi ao escritório. Era de fato uma obra de arte. Mas tudo aquilo era muito sujo. Era imunda a face de sua esposa, assim como era indizível seu ato, seu teatro. Pensou que bem melhor poderia ter sido uma surra. Ela choraria calada, mas, uma surra não emenda um caráter perverso. Além disso, ele perderia sua razão, seria um bárbaro, e não mais uma vítima. Pensou no amor que ainda sentia por Amanda. Em cada gesto que ela lhe dedicara e ele a ela. Como podia aquilo. A mesma mulher que lhe cortava o cabelo aos domingos, que lhe comprava passagens, que lhe tirava aborrecimentos, era a mesma pessoa que lhe traíra. A palavra traíra sova-lhe nos ouvidos como um cantochão de barítonos. Chorou. Chorou e via os cabelos dela ao vento. O sorriso límpido, que era sua posse, sua conquista mais satisfatória, era mera ilusão. Não a possuía senão por empréstimo, por algumas horas fugidias tinha em suas mãos seu corpo. Mas o corpo é uma miséria, pensava. Um corpo tão somente é tão somente um pecado.
                Voltou para cansado. Parecia que tinha a alma pisoteada por elefantes. Abriu o portão que dava para o jardim. A ferrugem nas dobradiças rangeu.  Subiu os degraus e ao abrir a porta, de frente à escada viu o sangue escorrer pela escada. Subiu e a achou no chão com os pulsos cortados. Olhou-a e sentiu dó, não queria que tudo terminasse assim. Há poucas horas estava feliz sentindo a brisa do mar, mas, a vida tinha disso, tinha do livre arbítrio quando por fraqueza a alma torpe fala para si: - Eu quero o pecado. O gozo nos erros. Será que Amanda tivera prazer naquele teatro todo?
                Ao seu lado um bilhete ensangüentado. Teve a esperança de ser um pedido de desculpas. Certamente se arrependera e não suportava a culpa. As mãos calmas puseram-se trêmulas quando leu:
                - Pequei. Traí e não foi a primeira vez, porém foi a última. Espero que esteja feliz, pois no pecado eu fui feliz.
                Olhava pela janela que dava para o porto. O sol parecia-lhe maravilhoso.

sábado, 14 de julho de 2012


Paulo Moura



Paulo Moura (São José do Rio Preto, 15 de julho de 1932 [1] - Rio de Janeiro, 12 de Julho de 2010) foi um compositor, arranjador, saxofonista e clarinetista brasileiro de choro, samba e jazz.

Moura era considerado um dos principais nomes da música instrumental do Brasil



"Conversa de Botequim"


 
16 de agosto, no SESC Crato
ABIDORAL JAMACARUcanta NOEL ROSA
Agendem e aguardem maiores informações!

Por Leninha Linard

Leninha Linard,



"Leninha Linard festeja o centenário de Luiz Gonzaga, saudando todos os visitante da Expocrato 2012, familiares e amigos que moram em Crato e em todo Carirí, como também aos que vem matar a saudade do Cratinho de Açucar e beber da água das nossas fontes cristalinas."


Desliguei-me do clima de festa. Desejo aos produtores e criadores da nossa região, excelentes negócios. Quanto à parte social/cultural  melhor nem questionar.Nada vai mudar!
Tenham  todos um alegre final de semana!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

ALMINA ARRAES NOVAMENTE NA IMPRENSA

Minha mãe, Almina Arraes (88 anos), mais uma vez chamou a atenção da imprensa. Desta vez foi a Revista Continente, editada pela Cia Editora de Pernambuco – CEPE, número 139 – mês de julho/2012, na matéria “Redes – Ótimas para descanso”. Antes de D. Almina, a revista transcreve declarações do Médico e Escritor Ronaldo Correia de Brito, que viveu a infância e adolescência no Crato e dormiu exclusivamente em redes até os 19 anos.  Sobre D. Almina, a reportagem, informa: “...Aos 86 anos, Almina Arraes de Alencar, residente em Crato, é uma incentivadora do trabalho das artesãs estaduais, descrito por conhecedores como um dos mais requintados e elaborados entre os produzidos no Brasil.  Além de ser dona de uma coleção com dezenas de redes, uma delas centenária, herdada de sua mãe; e outra, parte do seu enxoval de casamento, ocorrido há 66 anos – Almina é responsável pela realização de  um inusitado consórcio: o de redes bordadas em ponto cruz, ponto estrela, amor perfeito, Brito Alves (assim batizada em homenagem ao advogado que defendeu o governador Miguel Arraes durante o golpe de 164) e outras preciosidades produzidas por artesãs do Sertão dos Inhamuns, de Várzea Alegre e de cidades vizinhas ao Crato.”Muitas destas redes levam até 6 meses para serem produzidas”, diz Almina, que não ganha um centavo na comercialização, apenas faz o papel de intermediária para ajudar as artistas populares. Desse consórcio, participam mulheres que muitas vezes esperam anos para receber um exemplar.”
 É assinada por Danielle Romani, que vem a ser neta do Manuel de Siqueira Campos, e fotos de Roberta Guimarães.   

Eu por mim (Linha tênue) por Vera Barbosa


Sou dengosa, até dramática, lírica, e exagerada na mesma proporção, fiel, apaixonada, invocada, mas alegre, intensa, muitas vezes tensa, mas leve como uma bolha de sabão, cúmplice, mas crítica, exigente, mas sei ser condescendente, implicante, mas carinhosa, nostágica, também trágica, melancólica, mas feliz, interessada, mas não menos interessante, carente, mas muito amada, impulsiva, compulsiva, mas tento me equilibrar, transparente, dizem que sou inteligente, errante, sou vermelha, sou quente, mas também sou divertida, ousada, atrevida, detesto despedida, sou chata muitas vezes, noutras indecente, louca, inocente?, chorona, mas também um tanto má, perversa se preciso, ingênua, mas não burra, criativa, e até por isso impaciente, provocante, chego a ser mesmo irritante, mas sei pedir desculpa, coerente, tenho argumentação, sou influente, justa, sigo meu coração, ciumenta, dedicada, vivo na contramão, sou mutante, mas não inconstante, controversa, mas sou ética, densa, dizem que não compensa, mas é assim que eu sou.

"Ou você me odeia descaradamente,
ou disfarçadamente me tem amor."

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Fernando Pessoa, a Era da Gnose, e o problema da modernidade

Escrito por Orlando Braga | 10 Julho 2012

A capacidade do homem comum e vulgar, em geral, de discernir o futuro mais próximo por intermédio da intuição de “probabilidades pesadas”, não existe no gnóstico devido a uma fé metastática que o possui e controla.

Ao estudar os textos em prosa publicados de Fernando Pessoa — porque eu não os li, apenas: estudei-os, literalmente —, cheguei à conclusão de que não concordo com a mundividência dele em mais de 50%, embora também reconheça que ele foi mudando substancialmente de opinião à medida que avançava na idade, e não posso deixar de lhe reconhecer muita originalidade e mesmo genialidade na forma como construiu o seus raciocínios, mesmo que, a espaços, ideologicamente opostos entre si.
E mesmo com a formação do partido de Hitler na década de 1920, e com a sua ascensão ao poder a partir do início da década de 1930, Fernando Pessoa — que faleceu em 1935 — não conseguiu prever ou intuir o horror da II Guerra Mundial que teve o seu início em 1939 [apenas quatro anos após a sua morte]. E mais: Fernando Pessoa, que criticou duramente D. Manuel I pela expulsão dos judeus, e sendo ele próprio descendente de judeus, sempre foi um germanófilo de boa cepa, defendendo por exemplo a posição dos alemães na I Guerra Mundial. O que diria Fernando Pessoa dos seus ilustres alemães se pudesse ter assistido ao horror do holocausto nazi?

O caso de Fernando Pessoa e a sua relação próxima com os alemães é sintomático da dificuldade de alguém, vivendo as circunstâncias do seu presente, poder prever sequer o futuro mais imediato. Karl Popper fala-nos nas “possibilidades pesadas” de acontecimentos futuros, comparando-as com a probabilidade quase certa de nos sair um determinado número em um jogo de dados viciado: se o peso de um dos lados dos dados estiver viciado com chumbo, a “probabilidade pesada” é a que o número viciado nos calhe sistematicamente em sorte.
Mas Fernando Pessoa não conseguiu intuir qualquer “probabilidade pesada” em relação à capacidade dos seus admiráveis alemães em exterminar os seus queridos judeus: morreu convencido de que o partido nazi alemão seria apenas uma insignificante corruptela germânica de Mussolini. E a razão pela qual Fernando Pessoa não conseguiu intuir um futuro tão próximo do seu presente, prende-se com a sua fé metastática gnóstica — a Gnose. Fernando Pessoa era um gnóstico.
Um gnóstico não é alguém que não tenha um senso firme da realidade. Pelo contrário, no caso de Pessoa, ele tinha um conhecimento imenso da História, e fazia análises políticas do seu presente muito bem fundamentadas e com um raro sentido crítico. O problema de Fernando Pessoa não era o passado e o presente, que ele conhecia muito bem: o problema dele era o futuro e a sua obsessão com o futuro.
E é com o futuro que os gnósticos se enredam e se vêem com “os burros na água”, porque perderam o sentido do senso-comum do homem vulgar. A capacidade do homem comum e vulgar, em geral, de discernir o futuro mais próximo por intermédio da intuição de “probabilidades pesadas”, não existe no gnóstico devido a uma fé metastática que o possui e controla.
Com o advento da revolução francesa e do Positivismo, entramos todos na Era da Gnose, o tempo de predomino cultural e social dos novos gnósticos, em que se misturou a Gnose da antiguidade tardia, com a nova Gnose cientificista. É assim, por exemplo, que Fernando Pessoa consegue ser um acérrimo defensor da ciência positivista e, simultaneamente, anunciar o seu místico apoio à maçonaria, por um lado, e por outro lado defender a veracidade absoluta das profecias do Bandarra e de Nostradamus — para além de se dizer, ele próprio, membro da Ordem dos Templários que, como sabemos, foi o esteio medieval da maçonaria operativa.
Portanto, a Gnose é no presente, como foi no passado, a confirmação absoluta do poder que Prometeu concedeu ao Homem.
No plano da ciência moderna, a Gnose passa pela afirmação da validade do cientismo. E na tipologia da religião moderna, a Gnose passa, por um lado, pela preponderância quase absoluta da imanência [seja nas religiões políticas, como por exemplo o marxismo, seja na imanência da Cabala ou do ocultismo, teosófico ou outro], herdada da tradição gnóstica antiga ou adotada pelos Templários; e, por outro lado, passa pela validação de uma visão maniqueísta do mundo — maniqueísmo entendido no sentido da religião de Mani, em que o Bem e o Mal são duas forças equivalentes — que adoptou de Heraclito a complementaridade dos opostos. Tudo isto se pode verificar, com uma cristalina clareza, nos textos em prosa de Fernando Pessoa.
A partir do momento em que o gnóstico moderno — seja ele cientista ou um místico imanente [o que em termos da Gnose vai dar no mesmo] — encara o futuro a partir de uma perspectiva prometeica — segundo o conceito de Protágoras do “homem como medida de todas as coisas” — e imanente — na medida em que prepondera nele o determinismo absoluto em relação à realidade, ou o absolutismo tirânico do Destino segundo Fernando Pessoa —, a sua capacidade natural de intuir o futuro próximo das “probabilidades pesadas” fica altamente comprometida. E esta é uma das razões, por exemplo, por que a maçonaria [imanência] tem falhado rotundamente em quase todas as “apostas de futuro” que fez no século XX.
O século XX pode ser classificado como a Era em que as apostas dos gnósticos modernos no futuro redundaram em hecatombes humanitárias indizíveis. Tentando “forçar” o futuro em determinado sentido, os eventos entraram em retroacção, e a imprevisibilidade que é característica do futuro traiu os sonhos e as utopias traduzidos pela fé metastática dos novos gnósticos, com consequências catastróficas para a humanidade.
Corolário: o problema do nosso tempo, e da nossa crise, não é só de 2008: o problema vem de trás, dos Idos do século XVII. E enquanto não tivermos todos, embora obviamente uns mais do que outros, consciência do problema complexo que nos trouxe a Nova Gnose, não iremos sair do delírio interpretativo colectivo que obnubila o espírito do Homem moderno.


Orlando Braga
edita o blog Espectivas.
UMA BOA IMAGEM PARA GUIAR SUA AUTOMASSAGEM NAS MÃOS




OS BENEFÍCIOS DA YOGA

 Existem dois tipos de estresse, um que faz bem, chamado de eustresse e o outro que faz mal a saúde, o distresse. O primeiro é sentido quando se passa por alguma situação que deixa a pessoa ansiosa ou com grande expectativa, como uma apresentação em público ou uma competição. Isso seria, digamos, um nervosismo salutar. Nesse nível, a excitação é necessária, pois aguça motivações importantes para fazer uma pessoa se sentir viva.

Já o maléfico é aquele que interfere na estima da pessoa. Ela perde a autoconfiança, suas extremidades (como as mãos) ficam frias, come demasiadamente, começa a roncar, apresenta dificuldade para dormir ou levantar da cama e há presença de suor na hora do descanso à noite, por exemplo. O causador disto pode ser uma demissão, a perda de um ente querido, divórcio; enfim, algo grave que aconteceu.
Nesta fase, percebe-se a diminuição da variedade cardíaca do indivíduo, o coração fica incoerente e bate de forma fixa (o que não é o ideal). À medida em que se envelhece ou fica estressado, essa variabilidade de frequência vai caindo e há uma predisposição a se ter infarto, derrame, câncer, arritmia, entre outras doenças. A Organização Mundial de Saúde declara que mais de 90% de todas as enfermidades crônicas possuem um componente de estresse associado.
“Todas as vezes em que há uma alteração o corpo sabe, então libera o hormônio cortisol, produzido pela suprarrenal, para facilitar a vida da pessoa. Ela vai levar açúcar, dando mais energia a esse indivíduo que está sob tensão. Mas quando o distresse é acentuado e com frequência, esta glândula não “aguenta” mais a produção elevada de cortisol para deixar o individuo bem e entra em exaustão”, explica o cardiologista Lair Ribeiro.
Daí, então, quando o cortisol acaba, o indivíduo chega ao estresse máximo, mudando o andamento de sua vida. Por exemplo, pede demissão do trabalho e tem um burn out, síndrome que em português é entendida como “chutar o pau da barraca”. A pessoa fica sem energia, não quer fazer nada e nem ver ninguém. Segundo o especialista, muitos psiquiatras confundem a reação com depressão e os medicam com antidepressivos, o que pode piorar o quadro. Logo, ele recomenda levar o doente, inicialmente, a um endocrinologista.
Para prevenir a doença é preciso encontrar maneiras de fazer o que gosta. Essas são peculiares a cada indivíduo. Podem ser atos como rezar, escutar música, praticar esportes, entre muitas outras atitudes. A secretária Eliane Alves escolheu a yoga para relaxar. Ela diz que seu nível de estresse é alto e aumentou bastante quando perdeu a sogra e, também, quando precisou se mudar para a casa do sogro, onde não se adaptou por um tempo. “Eu me preocupava demais, reclamava de tudo e somatizei de tal forma que sentia dores no corpo. Cheguei a desenvolver um tumor benigno no crânio” ,revela.

Segundo a instrutora Leopoldina Alencar, do Espaço Quintessência, a prática de exercícios físicos libera hormônios como a endorfina, dopamina e serotonina, proporcionando uma sensação de prazer. “A yoga ensina a pessoa a relaxar e possibilita um desaceleramento do corpo. Assim, descansamos a mente, o que é fundamental para o combate ao estresse”, afirma.

            (Folha de Pernambuco - Pesquisa na internet)




quarta-feira, 11 de julho de 2012

Agostinho dos Santos



Agostinho dos Santos (São Paulo, 25 de abril de 1932 — Paris, 12 de julho de 1973) foi um cantor e compositor brasileiro. Seu maior sucesso foi cantando músicas da peça e depois do filme Orfeu Negro, como Manhã de Carnaval e Felicidade. Participou da apresentação de Bossa Nova no Carnegie Hall, em Nova Iorque (1962). Faleceu, em 1973, em trágico desastre aéreo nas imediações do Aeroporto de Orly em Paris, no Voo Varig 820.