por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Lero, lero...- Socorro Moreira



Angústia de me disponibilizar pra cooperar com o Outro, e  o meu silêncio imperar, no momento do grito.
Repasso a vida, em blocos incontínuos.
Roubaram-me de ti, nos anos 70, e a partir de então, passei a te procurar no tempo, nos lugares, em pessoas, no céu, e nas  canções.
"Menino do Rio"- melodia tão linda!
-”... Toma esta canção como um beijo”...
Vejo a reprise da novela de mais de 30 anos atrás. Observo a beleza das adolescentes, Glória Pires, Lucélia Santos, Maria Padilha, Ângela Leal, Maria Zilda, Natália do Vale... A meninice de Isabela Garcia
; a maturidade bela de Tônia Carrero, além da saudosa lembrança de Raul Cortês, José  Lewgoy, e outros.
Acho que me procuro num tempo mal ou bem vivido para juntar meus pedaços  e me reintegrar num presente  sombrio.
Roubou-me a poesia, o amor incrédulo: a emoção de arrumar e desarrumar malas, ou de me preparar para dançar a noite toda, num baile.
Acabei de fazer uma maquiagem em mim. Perdi o frescor, mas alguma coisa no meu rosto ainda me faz lembrar antigos contornos.
Estou antenada com tudo que ocorre no mundo, tão bem colocado por  Zé Nilton Mariano. Leio com gula e encanto os textos de Zé Flávio, escritor inesgotável em criatividade, humor, espírito crítico. Sinto saudades do nosso "valium", que prometeu voltar, mas ainda está  sumido na estrada. Quem sabe esperando uma carona, ou tirando fotografias da vida, nos mares de Paracuru?
Sinto saudades de todos os nossos escritores e poetas que compunham uma literatura diversificada, poética e amiga.
Cadê Nicodemos ,Ulisses, Carlos, Magali ,Joaquim ,Stela, Marcos Barreto, e tantos outros?
Na última postagem do blog, um convite sinistro!
A Mostra de Arte do SESC/2013 está moribunda ou faleceu?
Triste, isso!
Morre com ela  nossa corrida para visualizar  a plástica de todas as falas, cores, sons pra todos os nossos gostos. Agora o alimento é nihil, ou quase...
Tenho encontrado cada vez menos os meus amigos. Estamos parando de fumar, comer, beber, e de amar?
O saldo positivo é a depuração da compreensão e sentimentos .Eles deveras se conectam do virtual para o real, e nos mostram que a vida é um claro/escuro, dentro de um universo infinito. 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

ADEUS !

MOSTRA SESC / CRATO

CONVITE ENTERRO 

* 1998     + 2013  



O "babaca" - José Nilton Mariano Saraiva

Falastrão e flagrantemente desequilibrado emocionalmente quando sob pressão, o senhor Ciro Gomes viu-se rejeitado pelo povo em mais de uma oportunidade em suas tentativas de ascender politicamente ao cargo majoritário da nação, claro que por achá-lo inabilitado e despreparado para tal mister (já pensou uma figura dessas num foro internacional, discutindo algum tema delicado de interesse da nação).

Assim, retornou ao Ceará, onde o irmão, mandatário maior do Estado e presidente do PSB, arranjou-lhe uma “boquinha” ao nomeá-lo “assessor especial” do partido (sem que até hoje se saiba quais as atribuições pertinentes e o salário pago). Tanto é que, irrequieto por não ter o que fazer e por ter sido relegado ao ostracismo (decerto uma situação dolorida para quem houvera se acostumado às manchetes), forçou a barra e conseguiu ser designado Secretário de Saúde do governo, aonde já chegou fazendo barulho, como se fora o salvador da pátria. Só que, acostumado a mandar e desmandar por onde andou, vem se constituindo uma incômoda pedra no sapato do Governador-irmão, por conta da descabidas interferências que dia-a-dia patrocina, tanto que já há quem questione quem realmente manda no governo, se ele ou o mano querido.

Sua mais recente “travessura” deu-se na cidade do Iguatu, quando o irmão teve a infeliz idéia de incluí-lo na comitiva governamental que cumpriria uma série de compromissos naquela urbe. É que, chegando à cidade antes do governador, deparou-se com uma manifestação de estudantes da Universidade Regional do Cariri-URCA, protestando contra o estado caótico em que se encontra a educação não só naquela universidade como também em todo o estado do Ceará (enquanto vultosas verbas são destinadas a projetos de utilidade duvidosa).

E aí (claro que na tentativa de voltar às manchetes por cima de pau e pedra), o senhor Ciro Gomes deu um jeito de armar seu circo particular: cercado pelos áulicos de plantão e de parrudos seguranças (e eles nunca desgrudam do próprio, estão sempre lá na cola, dispostos a até baixar o sarrafo) bateu boca com os estudantes, chamou-os de “babacas”, investiu contra um deles, tomou-lhe o cartaz que portava e rasgou-o acintosamente, como se fora o “valentão do pedaço”.

Pergunta que se impõe: quem é mesmo o “babaca” dessa história, aquele que de forma democrática exerce seu direito de lutar por melhorias que contemplem todo o universo de uma atividade essencial (como a educação), ou essa figura menor, recorrentemente desequilibrada, que se julga o “messias” do mundo contemporâneo???

Quem é o “babaca” ???

sábado, 2 de novembro de 2013

O "berço" - José Nilton Mariano Saraiva

Inserta lá no meio dos versos de Joaquim Osório Duque Estrada, que alfim compõe o Hino Nacional Brasileiro, a frase aparentemente inocente e comodista - “deitado eternamente em berço esplêndido” - durante muito tempo serviu para que os pessimistas de plantão tratassem de afinar o discurso negativista, tentando ridicularizar e achincalhar o próprio país, porquanto retrataria com fidelidade uma espécie de “estado de espírito” omisso e acomodado dos seus dirigentes. Daí a perspectiva de um futuro desalentador e sombrio, profetizavam. Só que, ao longo dos anos, trabalhando com denodo e em silencio, nos bastidores, o Governo Federal paulatinamente conseguiu inserir o país no tabuleiro desenvolvimentista, via projetos bem estruturados, criteriosos e consistentes (inclusive apoiando de forma decisiva a iniciativa privada), daí o Brasil figurar, hoje, como um dos cinco emergentes que no futuro (que tá logo ali na esquina) se firmará, sim, como uma potência mundial. Pois bem, nessa bendita arrancada que já iniciamos rumo ao primeiro mundo, um dos insumos basilares que faz a “roda girar” é, sem sombra de dúvida o petróleo (apropriadamente cognominado “ouro negro”) em razão da miscelânea de utilidades que incorpora, daí sua conseqüente e necessária presença em tudo que represente alavancagem, progresso, desenvolvimento. Em qualquer idioma e rincão do planeta Terra. E então, “fiat lux”: por obra e graça do petróleo, no Brasil houve como que um despertar repentino, de sorte que o “deitado eternamente em berço esplêndido”, tão criticado e achincalhado pelos negativistas, se transfigura e nos apresenta uma outra conotação, um outro horizonte, uma outra faceta: sim, senhores, nosso país literalmente repousa, desde tempos imemoriais, num portentoso reservatório de petróleo, que poderá transformá-lo num dos maiores produtores-exportadores do produto, com tudo de bom que isso representa. É que a competente estatal brasileira Petrobrás, expertise na exploração em águas profundas, depois da descoberta de imensas reservas petrolíferas nas profundezas oceânicas do pré-sal (Bacia de Campos), agora anuncia um outro feito capaz de nos catapultar rumo ao primeiro mundo, verdadeiro passaporte para se adentrar no seleto grupo de países preferenciais: o recém-descoberto campo de Libra guarda algo em torno de impressionantes 15 bilhões de barris de petróleo (como se não bastasse, logo após a descoberta de Libra, aquela estatal e o governo de Sergipe anunciaram a descoberta de uma monumental nova reserva do mineral, no litoral de Sergipe-Alagoas, ainda maior em termos de área (2.418,77 Km²) do que a de Libra (cerca de 1.500 km ²). Claro que a extração de toda essa riqueza do fundo do oceano é por demais complicada e onerosa, mas não faltarão parceiros dispostos a alocarem os recursos necessários, via aceitação da “partilha” proposta pelo governo brasileiro (que ficará com 75% do que for extraído) daí a tendência a que nos tornemos um dos mais produtores-exportadores de petróleo. E inquestionáveis serão os reflexos na alavancagem desenvolvimentista e sustentável, propiciada. Fato é que, se vivíamos “deitado eternamente em berço esplendido” (mesmo tendo como colchão um mar de petróleo), agora o gigante não só despertou, mas levantou, e tende a ocupar lugar de destaque no conceito das nações. Evidentemente nossa geração não alcançará o apogeu disso tudo, mas, olhando em termos macros, nos conforta saber que nossos descendentes (filhos, netos) hão de usufruir das benesses de um país que o mundo há de respeitar. Alguém duvida ???

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Tá Russo !




                             

J. FLÁVIO VIEIRA
 
                               Jonathan Swift ( 1667-1745)  , escritor irlandês, viveu naquele período que antecedeu, diretamente à Revolução Industrial.  Vivendo em Londres, testemunhou a cidade se apinhando de pobres diabos , em meio às profundas migrações do meio rural para uma ainda nascente metrópole. Juntos se avolumavam  todos os problemas de ordem sanitária, habitacional, econômica  que, inclusive, tinham dizimado grande parte da população , na Grande Peste de Londres, um ano antes do nascimento do escritor. Swift foi, certamente, um dos maiores sátiros da Literatura Universal. Em 1729, ele escreveu uma das suas pérolas : Uma modesta proposta para prevenir que, na Irlanda, as crianças dos pobres sejam um fardo para os pais ou para o país e, para as tornar benéficas para a República”. No folhetim, Swift propunha, vendo a terrível situação de mendicância das crianças dos humildes  no Reino Unido,  que elas fossem vendidas a peso, por volta de uma ano de idade, e transformadas em carne para consumo humano. Segundo sua tese , os benefícios seriam enormes : a tenra carne de criança, teria grande aceitação; os rendeiros mais pobres, cheios de filhos, teriam um grande capital a negociar; pela grande quantidade de pequerruchos a serem postos no mercado, haveria uma grande injeção de capital, no país; seria ainda um grande incentivo ao casamento, já que os filhos vindouros renderiam grana; aumentaria o cuidado das mães pelos filhos, antevendo o lucro; os homens passariam a gostar tanto de suas mulheres na gravidez, quanto das suas éguas prenhes e , muitas outras vantagens são citadas, corroborando a tese aparentemente estapafúrdia do autor. Swift, de forma drástica, queria denunciar a terrível situação social  numa Londres e Irlanda  com olhos fitos , diretamente, no capital e no seu lucro. Deixar os bebês morrerem de moléstias, fome e inanição, seria menos perverso do que fazer valer sua Proposta ?
                               Lembrei Swift, amigos, justamente porque, justamente 284 anos após sua autodenominada “Modesta Proposta”, apareceu, no Brasil, um discípulo do mestre Irlandês. Em Piraí, Rio de Janeiro, o vereador Paulo Carvalho de Oliveira, conhecido popularmente por “Russo”, apresentou um projeto polêmico na Câmara. Propõe, abertamente, cassar o voto dos moradores de rua. Em discurso inflamado na tribuna defendeu sua teoria, com veemência :                                         
   -- "Mendigo não tem que votar. Mendigo não faz nada. Ele não tem que tomar atitude nenhuma. Eu não dou nada para mendigo. Não adianta me pedir que eu não dou. Se quiser, vai trabalhar”.  
                               Em seguida, olhos esbugalhados, babando pelos cantos da boca,  citou o texto que, como por encanto, o pôs numa máquina do tempo e o aproximou de Swift que dorme , há três séculos na Capela de São Patrício em Dublin :
                               ---  “Aliás, acho que mendigo deveria virar comida para peixe !”
                               Definitivamente, as nossas Câmaras de Vereadores andam passando por momentos difíceis. A de Juazeiro mereceria ser barrida do mapa e a de Crato poderia, sem grandes problemas, ser transformada numa Casa de Leilões. Quem dá mais ?
                               Na visão do Russo , mendigo não é gente, enfeia a cidade, não quer trabalha, e não pode exercer seu direito de cidadão, mesmo de última classe. E ele, inclusive, tem uma espécie de Solução Final para o problema, inspirado mesmo de viés, no grande escritor irlandês. Na verdade, Paulo Carvalho tem, pasmem todos, uma visão que não é muito diferente de muitos e muitos meninos de classe média alta deste país e que já se haviam  antecipado na resolução desta crítica mancha  urbana, quando tocam fogo nos pedintes que dormem nas praças públicas  e  criaram um prato especial : o indigesto  “Churrasco de Mendigo”.
                               Observando bem, Paulo de  Carvalho e Swift estão separados não só por três séculos. A proposta do vereador de Piraí , por incrível e absurda que possa parecer, é real, saiu da sua cabeça como verdade e necessidade insofismáveis. E mais, ele não está sozinho, ele representa um enorme segmento da nossa mais refinada sociedade. Este grupo entende os mendigos como a borra , a lama da sociedade e que só servem para poluir visualmente as cidades. Os eleitores de Carvalho defendem pena de morte e, para eles,  a pobreza é sinônimo de preguiça e de furto. Swift, como todo grande artista, montou sua sátira para alertar uma Sociedade adormecida das profundas injustiças sociais que pululavam à sua frente. Paulo de Carvalho apresenta uma tese que orgulharia Eichmann , Mengele e Hitler.
                               O vereador poderia, muito bem, se preocupar com os terríveis e milenares problemas que continuam devastando a humanidade. Este outro, Paulo, já está resolvido. Todos nós, Russo,  eu,  você e os mendigos que você pretende dizimar, temos um banquete marcado prá daqui a pouquinho. E seremos servidos  todos como prato principal, não aos peixes, meu amigo, mas aos vermes.

Crato, 01/11/13

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

"A hora é agora" - José Nilton Mariano Saraiva

Tão brincando com fogo. E a experiência ensina que quem brinca com fogo tende a queimar-se (cedo ou tarde). Principalmente quando impera a falta de cuidados, os excessos, a afobação, enfim, o desrespeito ao bom senso e às leis. A reflexão acima tem a ver com as tais manifestações que se espraiam pelo país desde junho passado. Manifestações que, se pacíficas, ordeiras e com objetivos definidos, encontram respaldo no próprio texto constitucional (tanto que o Governo tem, via polícia militar dos Estados, na medida do possível, se limitado a proteger seus integrantes ao longo das caminhadas). Mas que perdem tal respaldo a partir do momento em que seus integrantes confundem liberdade com libertinagem, democracia com anarquia. Afinal, esconder-se atrás de uma máscara objetivando atentar contra o patrimônio público e privado (depredando a torto e a direito), impedir o ir e vir das pessoas, agredir os que tentam manter a ordem, bloquear vias importantes por onde escoa a produção nacional e por aí vai, não é bem um “ato democrático”. Exemplificancdo: a rodovia Raposo Tavares é uma das principais do estado de São Paulo, por onde trafegam milhares de veículos diariamente; não só automóveis particulares e o transporte público, mas, principalmente, caminhões e carretas que transportam cargas para os mais diversos rincões do país. Ou seja, a Raposo Tavares é um dos importantes corredores por onde se processa o “giro da roda” - a movimentação da economia do país. Eis que, de repente (e a televisão mostrou ao vivo), a Raposo Tavares literalmente parou em razão de um quilométrico e monumental congestionamento, em pleno dia útil. É que, mais à frente, obstruindo-a e provocando tal confusão, doze (12) pessoas (sim, senhores, apenas doze solitários “manifestantes”) se acharam no direito de parar a maior cidade do país, via protestos contra a falta de moradia. Já na rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte, cerca de 90 pessoas impediam o ir e vir de quem quer que seja, ao tempo em que incendiavam caminhões e ônibus, em protesto pela morte de um adolescente de 17 anos por um policial militar. Fato é que, se agora o Governo Federal não tomar uma decisão dura o suficiente para se fazer respeitar (tolerância zero, via intervenção da Força de Segurança Nacional), os tais manifestantes sentir-se-ão à vontade para deflagrarem um movimento anárquico de inimagináveis proporções. E o objetivo maior, sabemos todos nós, é levar a anarquia até o ano 2014, quando o Brasil estará na mídia mundial em razão da realização da Copa do Mundo e das eleições presidenciais. E aí, as manifestações de junho de 2013 serão consideradas “fichinha”, “café pequeno”, ante os estragos que pretendem implantar, já que desmoralizando o Governo e o próprio país ante a comunidade internacional. Urge, pois, que o Governo Federal entre pra valer no embate, antes da chegada definitiva do caos. A hora é agora.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

"Ronda" - José Nilton Mariano Saraiva

A partir do momento em que o Governo do Estado do Ceará se decidiu pela criação do programa “Ronda do Quarteirão” (espécie de tropa de elite da polícia militar) visando combater com mais eficiência a bandidagem (segundo a propaganda oficial), uma medida causou estranheza: sob o pífio argumento de que as prováveis perseguições de marginais deveriam ser feitas por carros potentes e rápidos, os veículos a serem utilizados pelos policiais seriam de uma só marca, com tração 4 x 4 e cilindrada 2,7. E aí se descobriu a cereja no bolo: a Toyota era a única marca que atendia àqueles requisitos e a Newland, revendedora de tal marca em Fortaleza a beneficiada, a quem também caberia a manutenção (caríssima) de toda a frota, por tempo indeterminado. Hoje o programa “Ronda do Quarteirão”, se constitui numa espécie de calcanhar de Aquiles do Governo do Ceará, porquanto criticado por gregos e troianos, além do que seus integrantes não teriam recebido o tratamento adequado para manobrar equipamento tão sofisticado, daí as constantes quebras e, conseqüentemente, em constante manutenção nas oficinas da Newland (afinal, única beneficiária). Ainda assim, independentemente das críticas e do pífio resultado alcançado, o Governo do Estado do Ceará houve por bem abrir licitação para a compra de nada menos que 400 (quatrocentos) novos carros, a serem incorporados à frota. E aí surgiu um problema: desta vez, a General Motors (Chevrolet), que houvera fabricado um carro com as mesmas qualificações da Toyota, foi a montadora vencedora da licitação, já que com um melhor preço. E aí, estranhamente, usando de um artifício capaz de suscitar dúvidas, o Governo do Estado do Ceará houve por bem desclassificá-la, sob a alegativa de que os novos carros deveriam ter a cilindrada de 3,0 e não mais 2,8, como na licitação anterior. Isto posto, o carro escolhido foi o mesmo (Toyota), a revendedora a mesma (Newland), que ficará responsável pela manutenção da frota. O prejuízo para os cofres público será da ordem de R$ 10,0 milhões (o suficiente para comprar 63 carros a mais), daí o Tribunal de Contas do Estado já ter sido acionado pelo aguerrido Deputado Heitor Ferrer. Mas, como naquela corte o Governo manda e desmanda o contribuinte não deve alimentar expectativa de que a coisa seja mudada. Agora, aqui pra nós, bem que poderiam nos informar qual o percentual da comissão que a Newland tá disponibilizando para ter tantos privilégios.

sábado, 26 de outubro de 2013

"Biografias" - José Nilton Mariano Saraiva

Mas...afinal, biografias devem ou não ser autorizadas ???

O bafafá a respeito nos remete a uma entrevista concedida pelo jornalista Lira Neto, depois que colocou no mercado, em 2009, a volumosa (e cara) biografia que produziu enfocando Cícero Romão Batista (são mais de 500 páginas).

Pois bem, após narrar o conceito “objetivo” da Igreja Católica a respeito (tanto que na prática redundou na expulsão do sacerdote das suas hostes), bem como as “subjetividades” dos fanáticos adeptos (tanto que sem nenhuma comprovação dos pretensos milagres), aquele jornalista foi instado a pronunciar-se se acreditava realmente na ocorrência do tal “milagre da hóstia”.
Depois de tergiversar, gaguejar, pigarrear, Lira Neto diplomaticamente tirou o braço da seringa ao afirmar que àquela época, lá (em Juazeiro) houvera acontecido “alguma coisa”, mas que não poderia precisar o quê. Ou seja, até o biógrafo levanta dúvidas a respeito da veracidade da informação que acabara de divulgar.

Sem dúvida, uma ducha de água fria nos adeptos de Cícero Romão Batista, que aguardavam um depoimento incisivo e contundente de sua parte, confirmando a sua convicção a respeito, afinal não manifestada.

Assim, o houvera acontecido “alguma coisa”, do biógrafo Lira Neto, deixa a porta entreaberta para que livremente trafegue versões outras e mais consistentes, inclusive e principalmente a da própria Igreja Católica, segundo a qual o tal “milagre da hóstia” não passou de uma grotesca farsa, desbragado charlatanismo (tanto que seu “arquiteto-idealizador” foi sumariamente desautorizado, excomungado e expulso da instituição).

Particularmente, entendemos que ancorados no generoso e amplo sentido embutido no conceito “liberdade de expressão”, ninguém tem o direito de sair por aí devassando a vida de outrem, sem prévia autorização, já que objetivando puramente fins mercantilistas.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A mala e a alça



J. Flávio Vieira

                               Tardezinha. Beira de praia. O sol sangra distante ao som rítmico das ondas que se espedaçam na areia . Preamar. De quando em vez,  o chuá-chuá mântrico é entrecortado pelo agudo grito das garças riscando os céus. A moça sentara-se num banco e observava tudo, atentamente, como testemunha privilegiada,  o espetáculo. A paz e a beleza do mundo como que se transportavam para dentro dela: arrefeciam um pouco seus muitos conflitos interiores, como se lançassem água fria na fervura. De repente, um menino se aproxima da mocinha. Carregava lá seus dez anos distribuídos num corpo franzino, bronzeado,  vigiados por olhos vivíssimos. Trazia , embaixo do braço, uma pequena tabuleta onde prendera um pedaço de cartolina e, na outra mão, um crayon. Ela percebeu, claramente, pela conversa que se seguiu, que a necessidade o havia apeado cedo da inocência e das fantasias infantis. Parecia uma fruta que se tivesse colocado no carbureto pra antecipar o amadurecimento.
                               --- Moça, você não quer que eu pinte seu retrato ? São só dez reais e vai ficar muito bonito !
                               Por baixo da cartolina branca, trazia , então,  vários modelos já pintados anteriormente e que usava como publicidade. Apresentou-os pausadamente à cliente. A mocinha, de início, resistiu à investida, mas o menino carregava muitas artimanhas e técnicas de sedução.
                               -- Dez reais não é nada!  A senhora é tão bonita  que eu devia era fazer de graça !  Juro que pintaria,  se não estivesse precisando pagar uma continha na barraca  ali de seu Anfrízio!
                               De alguma maneira,  o garoto sabia que a beleza da paisagem, àquela hora,  imantava  todos de um sentimento de permanência, de eternidade. Como se o crayon tivesse a capacidade de tornar sólido,  o etéreo daqueles instantes,  fossilizar a efemeridade daquele momento mágico. Talvez, por tudo isso, a mocinha tenha acedido.
                               --- Tá certo ! Mas quero sair linda, viu ?
                               O pintor sentou-se no chão,  diante da moça refestelada no banco e, rápido, começou a esboçar os contornos do rosto, tendo no segundo plano:   algumas nuvens e um projeto de lua cheia.  Usava os dedos e o dorso da mão para espalhar, aqui e ali,  a tinta e uma borracha para eventuais correções. Conhecia os mistérios da profissão e percebia que toda mulher, nesse mundo, se acha mais bela do que aparenta. Entendia, pois, na sua psicologia pictórica, que a interatividade com a modelo é, sempre,  essencial no  resultado final.
                               --- Moça, seu rostinho é meio redondo, você não prefere que eu alongue um pouco ?  Acho que fica mais bonito!
                               --- Alongue, meu filho, tenho um complexo danado dessa cara de lua cheia...
                               O pintor , freneticamente, como um Pollock tupiniquim, esparramava a tinta na cartolina enquanto , meticulosamente, ia indicando possíveis correções que podiam melhorar a arte final.
                               --- Essa cicatrizinha no queixo, não é bom tirar ?
                               --- Tire, isso foi de um acidente que quero esquecer!
                               --- Se eu aumentar um pouco o busto, você vai ficar mais sensual !
                               --- Pois aumente !
                               --- Seu narizinho é charmoso, mas é um pouco chato. Posso arrebitar ?
                               --- Arrebite, vá lá ! Você presta atenção em tudo, né ?
                               --- Seu cabelo tá curtinho, acho que ficava mais legal se a gente botasse um pouco mais de volume, cobriria  mais suas orelhas que são um pouco cabanas...
                               --- Pois avolume,  eu quero é ficar melhor ! Já que não posso fazer  plástica, ao menos no retrato é possível, né ?
                               Em poucos minutos , com movimentos cada vez mais rápidos e sincronizados, o menino finalizou a obra. Assinou num cantinho : “Juvenal” e, logo abaixo, datou: “2013”. A menina observou, detalhadamente,  o quadro e gostou do que viu. Ali estava  justamente como gostaria de ser, sem um defeito sequer: linda, deslumbrante, poderosa, com um sorriso pendendo nos lábios. Pagou, elogiou o trabalho do artista e saiu para casa levando sua relíquia debaixo do braço. No outro dia,  mandou botar no quadro , com uma moldura antiga e dourada  e um passe-partout  bege.  Afixou  na sala de jantar,   logo acima do divã azul.  
                               Os dias se passaram e a menina começou a encafifar. O retrato lá estava lindo e deslumbrante, todo visitante admirava-se da beleza da obra, mas ,invariavelmente, seguia-se a pergunta fatídica;
                               --- Quem é ? Sua irmã? Uma prima ? Sua tia ?
                               De tanto responder e explicar, cansou. Resolveu tirar o quadro da parede. Chegou à conclusão que nós somos nós , não só por nossas qualidades, mas também por nossos defeitos.  Sem a alça,  a mala poderia  ser até mais bonita  e simétrica, mas seria apenas uma caixa. As pretensas deformações que nos tornam mais feios são , justamente, aquelas que nos dão a identidade , que terminam nos fazendo diferentes e únicos.

Crato, 24/10/13
                              

terça-feira, 22 de outubro de 2013

VISITA À NASCENTE DO SÃO FRANCISCO

Conhecia a nascente do Rio São Francisco em 2007. Vejam como então descrevi a paisagem especial que conheci e que agora revisito:

http://poesiacronica.blogspot.com.br/2007/10/viagem-nascente-do-rio-so-francisco.html