por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Curimã


Zé Curimã, matuto do pé rachado, começou a sentir umas coisas estranhas quando ia para roça. Pelo olho direito via a imagem duplicada. No início, até brincava, apontando para o órgão defeituoso: “Este olho aqui é para cubar moça bonita e receber o apurado do patrão no fim de semana”. Com o passar dos dias, no entanto, começou a se preocupar: a vista começou a ficar meio borrada e depois de umas três topadas em bico do toco, no roçado, resolveu procurar ajuda. Morava nos canfundós do Judas, numa cidadezinha do Rio Grande do Norte, de nome poético e voluptuoso : Caiçara do Rio do Vento. Dirigiu-se ao boticário Filismino, homem versado nos mistérios das raízes de pau e contou suas queixas. O homem lhe receitou uma garrafada que englobava um sem número de meizinhas : malva, jalapa, boldo, carqueja, jurubeba,alecrim, alfavaca,arnica, babosa, capim santo, marcela, meio litro de aguardente, tudo isso colocado junto em uma garrafa e enterrado no chão por quatro dias. Depois de exumada a beberagem foi tomado parcimoniosamente em jejum: uma colherinha no primeiro dia, duas no segundo, três no terceiro, indo num crescendo até o nono dia, quando deveria fazer o movimento contrário pelo mesmo período, subtraindo uma medida do medicamento a cada tomada. Curimã assim o fez, mas ao final, sabe-se lá porque, não teve melhora. Valeu-se, então, de um sobrinho que trabalhava em Recife e para lá partiu, pegando carona em caminhões, até que, uns cinco dias depois, chegou à Veneza Brasileira. Quase não encontra a casa do parente que se escondia em Brasília Teimosa.

Valderedo, o sobrinho, já vivia há mais de dez anos por lá e era fiteiro com uma pequena banquinha próximo ao Mercado São José. Versado nos ínvios caminhos da pobreza, encaminhou Curimã ao Hospital Pedro II que , na época, era o hospital escola da Universidade Federal de Pernambuco. Zé , talvez por conta do estranho da sua doença, teve um atendimento muito humanizado. Os estudantes o internaram e começaram a fazer uma quantidade enorme de exames, até chegar ao diagnóstico. Um tumor benigno que comprimia o nervo óptico do lado direito e que precisava ser operado. Zé teve a sorte de ter como neurocirurgião a sumidade nordestina da época : Dr. Manoel Caetano de Barros. Recuperou-se bem e uns dois meses depois Valderedo o encaminhou de volta à sua Caiçara.

Lá chegou um pouco mais magro e mais falante, com o cocuruto ainda pelado, mas já empenando. Cidadezinha sem meios de comunicação, rapidamente Curimã se transformou na celebridade do lugar : uma espécie de Neymar na Vila Belmiro. Recolheu-se um pouco, fez mistério, mas à noite, não pode resistir à tietagem. Reuniu uma centena de curiosos no oitão da casa e começou a narrar sua peregrinação às terras de Manuel Bandeira. Botou um pouco de tempero na história, exagerou daqui, esticou dacolá. Às duas horas da manhã não tinha chegado nem em Recife ainda. A seção foi então suspensa e, no dia seguinte, reabriram-se os trabalhos, com a mesma audiência. Como não temos a intenção de fazer um romance, vamos resumir a história de Curimã, centrando no mais interessante do relato: os detalhes da investigação diagnóstica e do tratamento.

Curimã necessitou fazer vários exames especializados. Dentre eles, uma punção na coluna para recolher e estudar o líquido que por ali existe e que tem o nome complicado de Céfalo-Raquidiano. Assim descreveu Zé , suas agruras naquele dia, para uma platéia volumosa e boquiaberta.

--- Me botaram dobrado dentro de uma cumbuca. Aí chegou um carcará com uma suvela e começou a enfiar no meu cangote, sem pena, meu sinhô!Parecia que enviava a gaita em saco de milho. Vuco-vuco-vuco ! Só não caguei porque não tinha merda pronta! Quando ele parou, pensei que tinha acabado , mas nada ! Começou a chupar um negócio do meu Tum-tum, tanto, tanto que até os cabelos arrepiados se pentearam em procura do xunxo! Quando terminou parece que eu tinha botado Brilhantina Glostora na cabeleira !

No dia seguinte, Curimã foi encaminhado a uma Clínica Radiológica especializada em exames neurológicos. Fico na sala de espera, meio cabreiro, observando a clientela: um com a boca torta, outro com a banda morta, aquele cego, este mouco, aquele tresvariando. Pelo carrego dos companheiros imaginou que sua situação não era das melhores. Lá para as tantas, saiu uma mocinha numa maca, da sala de radiologia, toda se contorcendo, em plena crise convulsiva. Zé, espantado, fez a pergunta que lhe pareceu mais cabível naquelas horas:

--- Espere ! Todo que entra lá dentro, sai assim ?

Curimã teceu loas intermináveis ao Dr. Manoel Caetano. Aquilo sim é que era um médico ! Salvou minha vida, sem qualquer pagamento! Deus te dê fartura e felicidade e te livre do mal vizinho! Perguntado como estava pela multidão de curiosos, disse que estava muito bem, graças a Deus e ao Dr. Manoel Caetano. Precisava agora só pagar a promessa que havia feito com os Nove Reis Magros. Algum dos circunstantes achou aquilo estranho :

--- Ainda bem que você se recuperou, Zé ! Devia ser muito chato aquilo de tá vendo tudo duplicado. Mas você não tá enganado, rapaz ? Os Reis Magros são apenas três !

--- Três ? Mas rapazes , é mesmo ? Pois acho que foi isso! Eu tava vendo tudo dobrado, pois depois da cirurgia do Dr. Manoel Caetano , curei : comecei a ver tudo triplicado !

J. Flávio Vieira

Junto com Kadhafi quem mais morrerá? José do Vale Pinheiro Feitosa

De todas as conveniências e soluções que o assassinato de Muammar Kadhafi resultar, uma é inegável. Existe uma população armada pelas potências ocidentais, Europa, mais a Inglaterra e os EUA. A morte de Kadhafi foi uma ação de intervenção estrangeira na Líbia.

A intervenção estrangeira foi executada pelos povos mais envolvidos neste tipo de ação desde o século XV. A base do colonialismo é Européia e a estrutura do imperialismo é da junção pós-segunda guerra dos EUA com a Europa ocidental, até o fim da União Soviética.

A destruição física da Líbia promovida pela OTAN e com o armamento entregue aos rebeldes por ela não é um capítulo terminal de uma ditadura. Pelo contrário é o capítulo mais evidente do princípio de guerras em consequência da crise do capitalismo. Quem acompanhou o fim das colônias na África e os movimentos de libertação da Ásia bem sabe o quanto são processos destrutivos e pendulares. Situações políticas contraditórias se sucedem em hegemonia em questão de horas.

A morte de Kadhafi já deu o réquiem deste momento: o assassinato dos inimigos políticos do império. Só em 2011 os EUA e a Europa estiveram envolvidos em três grandes e evidentes assassinatos. Esta prática pode se ampliar de modo a tornar a política algo parecido com as máfias em luta. Nada impede, por exemplo, que um presidente americano ou europeu sofra atentado.

O outro lado é o cinismo que todo assassinato “mafioso” traz e o quanto afasta a sociedade da democracia e da construção de síntese nos ambientes contraditórios. Ora a morte comemorada do inimigo é a mesma comemorada pelo inimigo sobre nossos mortos. Quem não tem medida para evitar tais assassinatos, sabe disso tudo, resta-lhe o cinismo.

Querem observar algo cínico? A Arábia Saudita e o Marrocos, alguém tem visto alguma catilinária televisiva ou jornalista contra tais regimes? Está bem podem alegar que o povo não se encontra nas ruas, mas o Yemen? Qual a razão da sobrevivência do regime? Há uma aliança entre EUA e o regime, tai a morte eleitoral daquele líder da Al Qaeda. As imagens na televisão são absolutamente cínicas: a multidão na rua e o presidente restabelecido dos tiros levados, cercado por uma enorme assembléia de membros do regime.

Retornando ao efeito pendular e instável desta ordem. Como ficam os interesses da China, do Brasil e de muitos outros países que foram estimulados a investir na unidade territorial e produtiva da Líbia? Vão ter que pagar pedágio para Europeus e Americanos? E aí todo mundo vai aceitar barato tais medidas?

Quem acompanhou toda emergência do fim destes regimes fechados e a longo prazo, especialmente em populações ávidas por uma boa qualidade de consumo, sabe o quanto são instáveis. Existe em todo o norte da África, a rondar as forças em luta, a possibilidade que desta primavera logo surja um outono, com o crescimento de regimes religiosos fundamentalistas. A possibilidade de regimes autoritários de viés fascista aumenta muito nestes momentos. Além, é claro, uma desagregação nacional como ocorreu na Somália, por exemplo.

Começando um dia chuvoso...


François Truffaut



François Truffaut (Paris, 6 de Fevereiro de 1932 — Neuilly-sur-Seine, 21 de Outubro de 1984) foi um cineasta francês. Um dos fundadores do movimento cinematográfico conhecido como Nouvelle Vague[1] e um dos maiores ícones da história do cinema do século XX, em quase 25 anos de carreira como diretor Truffaut dirigiu 26 filmes, conseguindo conciliar um grande sucesso de público e de crítica na maior parte deles. Os temas principais de sua obra foram as mulheres, a paixão e a infância. Além da direção cinematográfica, ele foi também roteirista, produtor e ator.

Junto com Jean-Luc Godard, Truffaut foi uma das mais influentes figuras do novo cinema francês e inspirou cineastas como Steven Spielberg, Quentin Tarantino, Brian De Palma e Martin Scorsese.

[esco

Por motivos técnicos estive desconectada por muito tempo.
Surpreendi-me ,alegremente, com a beleza das novas últimas postagens.
Viva Lídia Batista, Nicodemos, Emerson, Rosemary Borges, Zé do Vale, Domingos Sávio, Ulisses, Liduína...!
- Vocês fizeram a festa , e os leitores também!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

CURTA REDUNDÂNCIA


Cada um é cada um
Na única unidade
Que somente cabe um

uLISSES


Farinhada na Serra dos Bois - José do Vale Pinheiro Feitosa

Sou Pataxó, sou Xavante, Cariri....José do Vale Pinheiro Feitosa

Melquíades Pinto Paiva - Emerson Monteiro


Neste dia 21 de outubro de 2011, sexta-feira, às 20h, será a vez do agrônomo cearense Melquíades Pinto Paiva preencher uma das cadeiras do Instituto Cultural do Cariri, em sessão solene que ocorrerá na sede da agremiação em Crato, de portas abertas ao público.

Natural de Lavras da Mangabeira, filho de José Rodrigues Tavares Paiva e Creusa Pinto Paiva, Melquíades nasceu em 06 de março de 1930. Pertence ao clã dos Augustos, núcleo familiar originário da matriarca sertaneja Fideralina Augusto Lima.

Nos anos 1957 e 1958, ele estagiou no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, especializando-se em Ictiologia. Cientista respeitado, obteve o título de doutor em Ciências, através do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. Na Universidade Federal do Ceará, foi o diretor-fundador do atual Instituto de Ciências do Mar (1961 a 1976) - Labomar, e o primeiro chefe do Departamento de Engenharia de Pesca (1973 a 1976), havendo contribuído para a implantação do curso de Engenharia de Pesca da UFC. Agora, é diretor-emérito do Instituto de Ciências do Mar (desde 2003).

Outros títulos de sua vida acadêmica: Professor visitante na Universidade Federal do Rio de Janeiro, lotado no Departamento de Biologia Marinha (1992 a 1998); pesquisador bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (1993 a 2003); e coordenador da equipe responsável pelo levantamento dos dados pretéritos referentes a recursos pesqueiros, estuarinos e marinhos do Brasil, junto ao Programa de Recursos Vivos da Zona Econômica Exclusiva, conduzido pelo Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal (1996). Permanece desenvolvendo atividades de natureza científica e técnica.

No ano de 1944, Melquíades Paiva estudou no Cariri, sendo aluno do então Ginásio Diocesano do Crato.

Intelectual e escritor de largo prestígio, são de sua autoria centenas de artigos científicos e obras quais: Nordeste do Brasil, Terra e Gente; Ecologia do Cangaço; Conservação da Fauna Brasileira; Administração Pesqueira do Brasil; Represas e os Peixes Nativos do Rio Grande; As Bacias do Paraná – Brasil; Breves Memórias do Espaço e do Tempo; A Contribuição Portuguesa para o Estudo das Ciências Naturais do Brasil Colonial; Fauna do Nordeste do Brasil; Grandes Represas do Brasil; Os Naturalistas e o Ceará; e Trabalhos Esparsos, Agora Reunidos; isto para citar apenas algumas das publicações desse autor destacado, que representou o País em 19 missões científicas internacionais e desempenhou importantes delegações junto a órgãos da comunidade mundial em nome da Ciência brasileira.

Melquíades Pinto Paiva ocupa cadeira também no Instituto do Ceará e na Academia Lavrense de Letras, dentre outras instituições culturais.
"PREOCUPAR-SE UNICAMENTE COM A PRÓPRIA FELICIDADE É EGOÍSMO. PREOCUPAR-SE APENAS COM A FELICIDADE DO OUTRO É HIPOCRISIA. A VERDADEIRA FELICIDADE É TORNAR-SE FELIZ JUNTO COM OS OUTROS."

"PORQUE HÁ SOFRIMENTO HÁ ALEGRIA. É IMPOSSÍVEL EXPERIMENTAR SOMENTE ALEGRIA NA VIDA"

NITIREN DAISHONIN


TRILHA 

Subindo a Chapada do Araripe
Na calada da boca do escuro
Perto da calmaria da lua da meia noite
O silêncio do piscar das estrelas
Cintilavam cores almejantes


O espírito da floresta, entre cigarras
E galhos, indicava a trilha sonora
De um filme de exibição instantânea...
...a água boa que jorra
Engarrafada pelos canos
Sem se importar com os danos
Dos donos que não são donos

Língua de Tamanduá
Na dança do acasamento
Informa que ali (o)corre
Um riacho de água doce

(...)

Do sopé ao joelho da serra
Até a cabeça da cruz mais alta
A cidade embaixo faz barulho
Não há como estabelcer
Uma "área de silêncio"...
O som se espalha feito água
Pegando carona no vento
E mostrando o advento
Da indústria cultural
(...)
Garrafas PET
Copos descartáveis
Presença do predador
(...)

Ulisses Germano

Por João Nicodemos


Sentimento Poético.


O mundo é como é ... mas como é o mundo?

O mundo é como Raimundo de Drummond...

vasto vasto mundo...

Que fazer? ”Nossas réguas são curtas...

nossos relógios são lentos...”

“Olhar o mundo com os olhos de borboleta”

Olhar o mundo com olhos de poeta

(Mais vasto será o mundo)

O poeta vê o mundo, a cada piscada, um novo mundo...

O poeta vê o mundo no futuro do futuro

(tempo verbal que só o poeta conjuga)

O poeta vê o mundo no tempo presente

Sempre presente...

e pressente o presente eterno (no futuro)

O poeta vê o mundo por uma janela

Que só ele conhece...

não vê pela vala comum da televisão...

A visão do poeta está no centro de uma esfera

E vê todos os pontos de sua superfície

E entre tais pontos, milhões de realidades possíveis

E não vê apenas uma superfície

Superposições de superfícies compõem

a esfera do poeta...

(que alguns chamam de mundo)

PS: bom lembrar (É permitido dar comida aos poetas).

DIA DO POETA Colaboração Lídia Maria Lima Batista







20 DE OUTUBRO

DIA DO POETA



Gosto muito, muito, de poesia. Admiro profundamente os poetas. Eles sabem intuir palavras que representam todo um sentir. A partir disso, compõem versos, as expressões articuladas são tecidas como a renda nos bilros das rendeiras. Precisão, beleza, habilidade, sobressaem-se causando encantamento e emoção.
Na vida, são tantos os percalços, Deus nos livre de um mundo sem poetas, não suportaríamos tamanha aridez!
Felizmente, sempre tivemos e continuamos a ter uma gama enorme de nomes que faz a arte poética; aqui, ali, acolá... Acredito na universalidade da poesia. Todos nós podemos ser agraciados, com os trabalhos mágicos desses tecelões de poemas.
Aqui, uma pequena amostra:


Robert Louis Stevenson

A minha cama é um veleiro;
nela me sinto seguro;
minha roupa de marinheiro,
vou navegando pelo escuro.
De noite embarco e sacudo a mão
para os amigos no cais;
fecho os olhos e pego o timão;
não ouço nem vejo mais.
Cauto marujo levo em segredo
para a cama uma fatia de bolo e também algum brinquedo,
pois é longa a travessia.
Corremos de noite o mundo inteiro;
mas quando chega a alvorada,
eis-me a salvo em meu quarto
e o veleiro de proa bem amarrada.


ALERTA
(Flávio Villa-Lobos)

Amortecidos pela rotina diária da vida,
meus cinco sentidos relaxam a prontidão.
Perdem vagarosamente a noção do perigo,
que aparece sempre de forma repentina.
De que me vale o intenso preparo,
o arsenal de armas sofisticadas,
as táticas de guerra planejadas,
se eu não estiver, de modo claro,
atento às mudanças do vento,
ao voo rasante das águias,
a alternância das marés,
ao som das tropas inimigas em movimento?
Eu preciso resgatar a vigilância máxima,
o total envolvimento físico na batalha
que se avizinha breve, mágica.
Em vão construirei trincheiras rasas
incapazes de conter um ataque sorrateiro:
teus olhos negros, surgindo na calada
da noite, mísseis teleguiados,
atingindo em cheio meu coração indefeso.


Epitáfio para o Séc. XX In: SANT'ANNA,
Affonso Romano de. A poesia possível. Rio de Janeiro: Rocco, 1987. Poema integrante da série Aprendizagem de História


1.Aqui jaz um século
onde houve duas ou três guerras
mundiais e milhares
de outras pequenas
e igualmente bestiais.

2. Aqui jaz um século
onde se acreditou
que estar à esquerda
ou à direita
eram questões centrais.

3. Aqui jaz um século
que quase se esvaiu
na nuvem atômica.
Salvaram-no o acaso
e os pacifistas
com sua homeopática atitude
— nux-vômica.

4. Aqui jaz o século
que um muro dividiu.
Um século de concreto
armado, canceroso,
drogado, empestado,
que enfim sobreviveu
às bactérias que pariu.

5. Aqui jaz um século
que se abismou
com as estrelas
nas telas
e que o suicídio
de supernovas
contemplou. Um século filmado
que o vento levou.

6.Aqui jaz um século
semiótico e despótico,
que se pensou dialético
foi patético e aidético. um século que decretou a morte de Deus,
a morte da história,
a morte do homem,
em que se pisou na Lua
e se morreu de fome.

7.Aqui jaz um século
que opondo classe a classe
quase se desclassificou.
Século cheio de anátemas
e antenas, sibérias e gestapos
e ideológicas safenas;
século tecnicolor
que tudo transplantou e o branco, do negro,
a custo aproximou.

8. Aqui jaz um século
que se deitou no divã.
Século narciso & esquizo,
que não pôde computar
seus neologismos.
Século vanguardista,
marxista, guerrilheiro,
terrorista, freudiano,
proustiano, joyciano,
borges-kafkiano.
Século de utopias e hippies
que caberiam num chip.

9. Aqui jaz um século
que se chamou moderno
e olhando presunçoso
o passsado e o futuro
julgou-se eterno;
século que de si
fez tanto alarde
e, no entanto,
— já vai tarde.


De Aroldo Pereira um recado para todos nós:

Poeta

Desmistifica o tédio...
escreve – constrói
arquiteta a vida
como quem entende.

Para um bom entendedor

Nem toda dor quer dizer amor
Nem toda ilusão está no coração
Nem todo aroma vem de uma flor
Nem todo bem trás um outro também
Nem tudo foi começado
Nem tudo está acabado
Rosemary Borges Xavier

05 de novembro!


Convite !


A2 CIA. DE DANÇA apresenta SANGUE PRATA - 21, 22 e 23/OUT - 20:30h
Teatro Raquel de Queirós-Crato(Ce)

Dia do Poeta. Liduina Vilar.

Dia 20 de outubro
Dia do humano Poeta
Eu curvo minha cabeça
e ergo uma estatueta.

Espécie humana da maior sensibilidade
Escreve sobre o belo, sobre a vida, sobre o amor
Fico eu enternecida, quando a existência
me põe de frente com este ser sonhador.

E para terminar minha homenagem
peço à Deus por todos eles
vida linda, longa sem clonagem...
Paz, iluminação e bênção àqueles.

Viva o dia de hoje, dedicado aos poetas.

Lançamento duplo de Assis Lima


O poeta cratense Assis Lima lança em São Paulo, de uma só fornada, dois livros: CHÃO E SONHO e MARCO MISTERIOSO. Poesia com "P" maiúsculo!

Marcadores: Assis Lima, Teatro Escola Brincante

Meu primeiro amor - Por : Rosa Guerrera



Para falar sobre o meu primeiro amor ...
precisaria existir ainda tanta coisa
dentro de mim !!!

Seria necessário
o encanto da aurora,
a pureza dos meus verdes anos,
o chilrear dos pássaros,
e a doce ternura
de um beijo roubado...

A culpa eu sei,
não é do vento ,nem do tempo,
nem da chuva...
É que a gente vai crescendo !
Aquela poesia aos poucos
morrendo,
e outros sonhos
tomando o seu lugar .

O meu primeiro amor
teve um gosto ameno,
sereno,meigo e angelical.
Teve a doçura dos brinquedos
das crianças...
Era eu menina de tranças
e ele um loirinho tímido
sem igual !

Era suave como o cair da noite
num céu estrelado...
Risonho , alegre,
despreocupado .
O meu primeiro amor
teve gosto de fruta,
teve aroma de flor !

Ah ! Meu primeiro amor !
Faz tanto tempo
que ele aconteceu ...
Que as vezes pensativa
me pergunto :
" Terá morrido ele
ou morrido eu ? "

ROS@

Waldemar Lopes - poeta pernambucano


Soneto da insônia


Na emanação da noite o leve peso
das sombras ancestrais. Vozes tardias
em vago marulhar, talvez desprezo
às turvas ambições, seiva dos dias.

E sobre o ser profundo, vivo-aceso,
o lume das vigílias. (Nas sombrias
urnas do tempo há de ficar defeso
o enigma das mortais mitologias

imunes à esperança.) Agora é essa
onipresença onírica, ou apenas
a ácida indiferença à vã promessa:

em seu ambíguo reino indefinido
a consciência noturna sofre as penas
da vida, o rude esforço sem sentido.

Por Socorro moreira


Tenho memória fotográfica .
Sinto saudades dos buracos,
e das sombras das árvores
Sinto a solidão das minhas mãos
nas andanças solitárias
Antigas ccompanhias criaram asas
voaram da rua, e de mim
Mas a rua permanece

Tem a mesma posição
quando a confiro com o céu.

Não consigo andar distraída...
Meu olhar rebusca , e pressente
as almas das muriçocas,
de vidas tão rejeitadas e breves

Cadê a moça da janela ?
Cadê o assobio do leiteiro?
O grito do verdureiro?
Tudo gravado , nos ares,
que eu ainda respiro.
Rua , ruas,
És as nossas passarelas !


Socorro Moreira

O rio e o mar- por Rosa Guerrera


Você foi para mim como um rio
que contornando obstáculos desaguou
no mar dos meus braços...
E juntos velejamos por entre
ondas plácidas na mistura de águas tão diferentes...
Sentimos juntos o calor do sol nas auroras de paixão ,
e nos espelhamos na luz do luar em promessas de ternura.
Nos embalamos em espumas brancas de paz
após tempestades de loucuras
no cansaço das nossas mãos entrelaçadas .
E não vimos que o marchar das águas de um rio
é um continuo seguir sem olhar para trás .

Hoje ,daquele encontro de águas apenas ondas de lágrimas
espalhadas nas areias de uma praia deserta...

Rosa Guerrera

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Lentes do encanto - por Socorro Moreira




Um falava
A outra escutava de olhos arregalados,
completamente encantados.
Os amores nascentes entravam
por todos os buracos.

Tempos depois, esbarraram-se,
numa das esquinas da vida.
Os dois ainda, pessoas apaixonadas !

Falam do mar, do amor, e
do vento acariciando a alma.

Possuem silenciadores
mas preferem amplificar sentimentos...
Reencontro pra viver tudo aquilo que faltou.


- Mentem !
Faltou um beijo...
E agora querem os juros e as juras...
Querem muitos beijos juntos !

Retrato de um poeta!



Vocês o reconhecem ?

Poema de Rimbaud

Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.

Minha alma imortal,
Cumpre a tua jura
Seja o sol estival
Ou a noite pura.

Pois tu me liberas
Das humanas quimeras,
Dos anseios vãos!
Tu voas então...

— Jamais a esperança.
Sem movimento.
Ciência e paciência,
O suplício é lento.

Que venha a manhã,
Com brasas de satã,
O dever
É vosso ardor.

Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.

Arthur Rimbaud


A poesia de Lupeu, no dia do poeta




Noite quente de poucas luzes
No céu turvo
Meia dúzia de nuvens de um tom mais escuro
Algumas estrelas
Um garçom entediado
Um cantor de bar que acrescenta letra a letra da música
Noite quente
Uma pontada no peito. Infarto?
Gazes, talvez
Fecho os olhos por um instante
Não é esse bar
Não é esse o dia
Não é essa a cidade onde perdi meus sapatos
Onde a dengue me derrubou uma semana entre a vida e o tédio
Noite quente
Amanhã o relógio vai me acordar
E o por do sol vai estar passando em slow motion na retina do tempo
Tempo nenhum
Mais uma cerveja
Um gole a mais sem gosto
O cantor recria mais uma canção de ninar vampiros
A mágica da noite não amadurece as frutas compradas sem cheiro
Em prateleiras coloridas de supermercado
A fome
A noite é pura fome
E a fome vomita ânsia
Que come a noite
O garçom
E o cantor compositor de um dia que não virá.


por lupeu lacerda

Por José do Vale Feitosa



Surpreende que a seiva,
Se habite de tantos.
Carreando no caule,
Todas as sílabas do seu nome.

E que a solidão,
Se agasalhe sob a copa das árvores,
Uma cantoria de pássaros,
O choramingar de um riacho.

Surpreende teu ódio de pedreira,
Tornando rochas em volumes britados,
Fragmentando o caminho da evolução,
Com teu instinto de pedregulho.

E que versejes como fogos de artifício,
Uma deslumbrante luz no céu,
Que encanta pelo efeito,
Só para lembrar a escuridão.

Surpreende o sol que se põe,
Amiudando a luz em complexidade,
Detalhando o invisível da plena luz,
Nuances do mesmo, fusões dos diferentes.

E que a poesia seja apenas sons,
Mas uma canção também o é,
Ela nos diz do plural de cada um,
Da unidade na distinção.

Surpreende que o amor seja apenas um,
E que sua prática seja uma cena,
De tantos atores, muitos sentimentos,
Esperança, tédio e quebras.

O que não surpreende,
É o tempo me desconstruindo,
Enquanto o evoca na permanência,
A saudade que preserva é matéria do tempo.

Paulo Tapajós - Por Norma Hauer


Foi a 20 de outubro de 1913 que nasceu, aqui no Rio, aquele que seria um dos maiores nomes da radiofonia nacional: PAULO TAPAJÓS.

Com seus irmãos Haroldo e Oswaldo iniciou sua carreira na pioneira Rádio Sociedade, em 1927. Seu irmão Oswaldo logo abandonou o conjunto e Paulo continuou fazendo dupla com Haroldo, quando gravaram a primeira composição de Vinicius de Moraes, então um nome pouco conhecido, embora sobrinho de Melo Moraes, também compositor, apesar de Delegado de Polícia.

Essa primeira gravação foi o samba "Loura e Morena".

Paulo Tapajós e Vinicius de Moraes nasceram apenas com um dia de diferença, ambos em 1913. Paulo gostava de dizer que eles "se encontravam" à meia-noite, para um abraço de parabéns recíproco.

Paulo Tapajós continuou sua carreira com o irmão Haroldo, ingressando na Rádio Mayrink Veiga.

Posteriormente, já sozinho, passou à Rádio Nacional(entre 1942 e 1946) , fez uma pequena temporada na Rádio Tupi, regressando à Nacional onde apresentava, no fim
da noite, o"Musica em Surdina".

Com Albertinho Fortuna e outro cantor cujo nome não me recordo, formou o "Trio
Melodia", ainda na Rádio Nacional.

Nessa época gravou várias serestas, a maioria de Catulo, como "Os Olhos Dela";"Tu
Passaste por este Jardim":"Recorda-te de Mim"; "Ao Luar"; Clélia" e várias outras.

Como sua voz era "pequena", mas muito bem colocada, ele foi considerado "modinheiro" ao invés de seresteiro.

Quando a Rádio Nacional praticamente acabou, Paulo Tapajós conseguiu salvar seu acervo que iria ser sucateado. Hoje, programas da Nacional, como "Rádio Memória",
de Gerdal dos Santos ou "História da MPB", de Osmar Frazão, costumam inserir
partes de programas famosos salvos por Paulo Tapajós.

Paulo Tapajós dirigiu o Museu da Imagem e do Som, depois que Almirante o deixou e
ali ouviu e gravou depoimentos de compositores e cantores que passaram por
nossa música e foi a ele que Pixinguinha revelou o nome de Octavio de Souza como
o autor da letra da belíssima composição "ROSA.

No disco original de ROSA, gravado por Orlando Silva, só consta o nome de Pixinguinha, grande músico, mas que não fazia letras.

Em 1990 Paulo Tapajós, como grande pesquisador que ia "fundo" buscar material para seus programas, apresentou, durante cinco terças-feiras, no Teatro do BNDES
a "História do Carnaval no Brasil", desde os primórdios, quando havia muita influência estrangeira, principalmente lembrando o carnaval de Veneza, passando pela primeira música feita para o carnaval , o "Abre Alas" de Chiquinha Gonzaga, até o apogeu das Escolas de Samba.

Vários cantores ali se apresentaram, dando voz e vida aos programas.

Paulo Tapajó estava preparando outra programação para aquele teatro, quando apresentaria a obra de Ataúlfo Alves, mas faleceu em 29 de dezembro daquele mesmo ano (1990) e o projeto não aconteceu.

Paulo Tapajóis teve três filhos, todos ligados à música:Maurício, Dorinha e Paulinho. Apenas este está vivo.
Som, depois que Almirante o deixou e
ali ouviu e gravou depoimentos de compositores e cantores que passaram por
nossa música e foi a ele que Pixinguinha revelou o nome de Octavio de Souza como
o autor da letra da belíssima composição "ROSA.
No disco original de ROSA, gravado por Orlando Silva, só consta o nome de Pixinguinha, grande músico, mas que não fazia letras.

Em 1990 Paulo Tapajós, como grande pesquisador que ia "fundo" buscar material para seus programas, apresentou, durante cinco terças-feiras, no Teatro do BNDES
a "História do Carnaval no Brasil", desde os primórdios, quando havia muita influência estrangeira, principalmente lembrando o carnaval de Veneza, passando pela primeira música feita para o carnaval , o "Abre Alas" de Chiquinha Gonzaga, até o apogeu das Escolas de Samba.

Vários cantores ali se apresentaram, dando voz e vida aos programas.

Paulo Tapajós estava preparando outra programação para aquele teatro, quando apresentaria a obra de Ataúlfo Alves, mas faleceu em 29 de dezembro daquele mesmo ano (1990) e o projeto não aconteceu.

Paulo Tapajós teve três filhos, todos ligados à música : Maurício, Dorinha e Paulinho. Apenas este está vivo.

Norma

ABOBRINHAS DOS BR BROS - por Ulisses Germano

 
CRENDICE DE CREDOR

Pindura a conta de novo
Que dever é meu dever:
-Devo não nego e só pago
No dia em que eu não lhe ver
CANTOR
O canto é feito do vento
Na voz de quem revela
Que anuncia o momento
Moldado na goela

 TOCADOR (que toca a dor)
Tocador que toca bem / No tanger notas sutis / Bem sabe de onde o som vem / O timbre que é sua matiz
RIMA - TANTO FAZ
A rabeca e a beca / Sairam pra passear / Beca danada da breca / Fez a rabeca chorar

Reencontro - por Socorro Moreira



Paixão

Um olhar profundo,

descolado da multidão,

aporta no mesmo plano .

Alice morava ali

Naquela varanda vazia...


Entrei no cheiro do cigarro

e na cor do campari

Gelo derretido , tremido ...

Sou onda !

Salgo a minha alma

Salvo o meu amor


Num álbum guardado

eu rasgo o teu olhar,

e me apaixono !

"Est(r)ilo Nico"- por Socorro Moreira




Lente e mente
Coração quente
.não mente
 fria mente

Des(compasso)
 o samba
canção
dos meus
ou vi(n)dos
 de alguém.

Vibra (a)ções
Sons e tons
 Peito agonizaamor tecido
 Hospeda,
a(dona) sentidos

por Socorro Moreira

Cenário de um sonho - por Socorro Moreira



Uma vez escutei de um amigo, que tem talentos múltiplos:
"Quero ser poeta. Poeta não envelhece!"
Pode adoecer, ficar barrigudo, e ser o maior coração do mundo.
Naquela hora, entendi superficialmente. Um dançarino se ficar fora de forma, o corpo já não acompanhará os seus movimentos. Poeta não pára de se depurar. Aliás, a poesia só deixa o poeta, se o poeta dispensá-la.
Então descobri que eu gostaria de ser a poesia.
Mas esqueci, o quanto é difícil ser poesia. Em frações de segundos, a varinha de condão corta o encanto. A poesia é fugaz... Constante é a prosa.
Acho que prefiro ser a prosa. Uma prosa ora romântica, ora realista. Ora machucada, ora livre. A vida é prosa, com passagens poéticas, que ficam impressas, no álbum das memórias. Chamo esse álbum poético de oásis. A prosa é um deserto repleto de oásis, com espaços em claro para novas construções. Primeiro a gente mira, imagina... Depois a gente chega perto, toma água na fonte, e adormece, numa sombra pródiga, e sonha, e sonha, e sonha!
Quero o sonho, em cada noite do meu dia.
Neles encontro pessoas intangíveis, como doces; executo tarefas, que a realidade limita. Nos sonhos a gente tudo pode... Pena, que a gente acorde...
Morrer é não acordar de um sonho? Meu pai achava que sim.
É bom pensar que o mundo onírico, um dia, fatalmente tornar-se-á realidade eterna.
A morte pode ser um sono eterno sem sonhos... Aí seria terrível, se a gente sofresse por consciência. Mas não... A morte é o fim do sofrimento, ou a vida de sonhos sem fim!

"Alguém como tu"- Por Socorro Moreira


Eu torcia muito pelos amores, no mundo do cinema.No mundo que me cercava os casamentos eram para sempre , e o amor inevitável... Triste ou feliz !
Em todos os tempos a vida coloria o nosso dia a dia.
Música, Cinema, Leitura ( fosse ou não sub-literatura), viagens para as capitais ( ver o mar , e assistir um filme no S.Luiz era um prémio!), voltear na Siqueira Campos aos domingos, arriscar uma fugida nas tertúlias e dançar uma música ;os passeios da escola ...Um dia tomando sol; banho de piscina era o máximo!
As festas litúrgicas com parques e quermesses, as quadrilhas de S.João, os blocos nos carnavais...Entrar no corso, num jeep sem capota era demais !
Mas o melhor desse tempo era passar férias numa cidade pequena , em relação ao Crato.A gente era paquerada pelos meninos mais interessantes. Danado era você escolher, não entregar seu coração, e ficar fiel durante todo tempo àquela ilusão. Hoje sei que era ilusão...Mas eu me sentia tão apaixonada, e chorava tanto, quando as férias terminavam!
E dessas partidas, vivi minhas primeiras dores de amor. Depois entendi que elas representavam apenas arranhões no coração. As grandes feridas ficaram pra depois... Hoje, cicatrizes , imperceptíveis ! .
O amor na maturidade tem tantas caras :
a cara dos netos, dos filhos, dos amigos...
a cara dos encantos sem paixão
a cara da serenidade do coração
Queria que o meu coração
pulasse do peito outra vez
só pra ver a confusão...Mas não !
Ele fica quietinho, querendo alimentos leves, e com pouco sal. Ele faz caminhadas, pra aguentar a vida e as suas saudades... Ou verdades?
Em qualquer estação , ainda é possível viver a ilusão. Às vezes ela bate na porta, outras aparece num e-mai. Nos sentimos tocados com cenas amorosas de filmes e novelas.
Não quero me emocionar com personagens da ficção.Quero um nome , um apelido pra minha ilusão .O importante é que esse amor não implique em desencanto. A gente constroi o sonho.

Amanhã, dia 20 de Outubro é o dia do POETA. Vamos fazer festa ?



Quem é o poeta?

"Um poeta é um mundo encerrado num homem". Victor Hugo
"Para o poeta a maior tragédia é se o admiram porque não o entendem". Jean Cocteau
"O poeta é como o príncipe das nuvens. As suas asas de gigante não o deixam caminhar". Charles Baudelaire
"O homem de ação é antes de tudo um poeta". André Maurois
"À pergunta habitual: ''Por que é que escreve?'', a resposta do poeta será sempre a mais curta: ''para viver melhor." Saint-Jonh Perse
"O poeta faz-se vidente através de um longo, imenso e sensato desregramento de todos os sentidos". Aerhur Rimbaud
"As palavras do poeta volteiam incessantemente em redor das portas do paraíso e batem implorando a imortalidade". Johann Goethe
"O historiador e o poeta não se distinguem um do outro pelo facto de o primeiro escrever em prosa e o segundo em verso. Diferem entre si, porque um escreveu o que aconteceu e o outro o que poderia ter acontecido". Aristóteles
"O poeta deve ter um só modelo, a Natureza; um só guia, a verdade". Victor Hugo
"O louco, o amoroso e o poeta estão recheados de imaginação". William Shakespeare
"O que distingue um grande poeta é o fato dele nos dizer algo que ninguém ainda disse, mas que não é novo para nós".
José Ortega y Gasset
"A arte apenas faz versos, só o coração é poeta". André Chénier

"Ser misterioso e triste, é ser poeta:
Mesmo a luz que palpita nos teus cantos.
É uma imagem heroica dos teus prantos.
Percorre o teu caminho até ao fundo,
E com os versos que achaste, aumenta o mundo.
Não sejas um escritor, mas um profeta".
Antônio Quadros

Fonte das citações: http://www.citador.pt/
Fonte da imagem: letrapequena
Degrau Cultural

Convidamos :
João Marni, Zé Flávio, Zé do Vale, Liduína, Rosa, Corujinha, , Domingos, Roberto, Pachelly, Brandão, Everardo, Isabella,  Dedê, Edmar, Lídia, Mara, Carlos e Magali, Emerson, Nicodemos, Assis Lima, Marcos, Aloísio, Stella,Rejane, Lupeu, Leonel,, Joaquim, Tetê,, Mariano,  Thiago Araripe, Melgaço, enfim, todos os demais  colaboradores !

Bom dia


As chuvas do pequi inauguraram o inverno cratense. Tempo abafado e quente. Chove nas madrugadas. Encharcam as flores do pequi que atapetavam a Chapada. Cada flor era um fruto... Mais ainda sobraram muitos!
Escuto “Tu, mi delírio”- bela canção pra começar o dia.


Já me deliciei com a poesia de Brandão e Domingos.
Vou comprar coco para o peixe do almoço.
Que todos tenham um excelente dia !

GRANDE OTELO- por Norma Hauer


Quero hoje registrar o aniversário de SEBASTIÃO PRATA nascido a 18 de outubro de 1915, segundo alguns biógrafos ou 18 de agosto, desse ano, segundo outros. Seu nome artístico : GRANDE OTELO.
Na realidade, Grande Otelo, sempre dizia que não sabia quando nascera, pois foi criado por uma família de Uberlândia, adotando o nome de Sebastião Prata. Ele não sabia direito a data de seu nascimento, mas isso é o menos importante, quando se sabe da importância de Grande Otelo em nosso meio artístico.
Acompanhando um circo mambembe, deixou sua terra e foi para São Paulo, vindo mais tarde para o Rio de Janeiro.
Aqui, apresentou-se em circos, em cassinos e, como era de pequena estatura, começou a ser conhecido como "Pequeno Otelo", em consonância com a ópera Otelo. Com muita personalidade, já que era Otelo, seria GRANDE e não pequeno. A partir daí adotou o nome de GRANDE OTELO, com o qual se tornou conhecido em todo o Brasil e até fora dele.
Embora ficasse conhecido pelos vários filmes que, como comediante, fez com OSCARITO ( todos grandes sucessos, que só nos traziam alegrias) também foi ator dramático, sendo "Macunaína" seu maior papel nesse setor.
Trabalhou ainda em Rio-Zona Norte e "Lúcio Flávio- Passageiro da Agonia", cujo papel principal foi de Reginaldo Farias.
Lembro-me de um grande drama real que ele passou, quando sua mulher matou seu filho de seis anos e suicidou-se. Foi difícil para ele suplantar essa tragédia. Mas grande artista que era, "deu a volta por cima".
Além de fazer cinema e teatro, Grande Otelo fez um papel importante na novela "Uma Rosa com Amor", na TV Globo, com Marília Pera.
Na TV Educativa, fez papel de entrevistador, sendo uma de suas últimas apresentações entrevistando CARLOS GALHARDO em um palco aberto, no Largo do Boticário.

Grande Otelo faleceu em Paris, ainda no Aeroporto, para onde havia viajado para receber um prêmio no Festival de Nantes.
Data: 26 de novembro de 1993. Estava com 78 anos. 

Norma

A FONTE DO ITORORÓ


        Fui beber água na fonte do Itororó
aos pés
de Nossa Senhora de Monte Serrat lá no alto
entre o verde e o azul.

A fonte nem sabe que é histórica
e envelhece
(sem música).

Uma prostituta sorri numa casa triste.
Um cachorro abana o rabo,
um jumento abana o rabo,
as moscas zunem alvoroçadas.

Estou suando com o sol forte.
A água dorme com as pedras
em silêncio.
A sombra úmida mal se move no chão.

            A Muricy Domingues

________________

O Muricy lembrou-me a história da canção do Itororó e perguntou-me: Dá poesia?
Ele nasceu em Santos; eu morei lá uns 15 anos, conheci a fonte... Estranho: a música tem mais de cem anos, e já fala na falta d’água. Não, não é bem assim. Mas há uns trinta anos (quando eu estava lá) a água da fonte foi declarada imprópria para beber. Houve um Jardim do Itororó, muito antigamente. Houve uma Companhia de Águas no local. Houve o tempo implacável, com o progresso – seus benefícios e malefícios. De tudo, resta uma fonte mal conservada. Resta uma ou outra palmeira. Resta um pouco de pobreza, de tristeza. Resta uma canção...
Fui no Itororó
beber água não achei
achei bela morena
que no Itororó deixei

Aproveite, minha gente,
que uma noite não é nada
Se não dormir agora,
dormirá de madrugada

Ó dona Maria,
Ó Mariazinha,
entrarás na roda
e dançarás sozinha

Sozinha eu não danço
nem hei de dançar
porque eu tenho o fulano
para ser meu par


       J. C. Brandão