por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sexta-feira, 15 de abril de 2011

Círculo - Aloísio



Círculo


As mãos se dão
E formam um círculo
Que se abre
Num verão

No verão
Havendo chuva
E semeando
Brota o grão

Do grão brotado
A esperança
De alimento
Pras crianças

E as crianças
Unindo as mãos
Um novo círculo
Formarão


Texto: Aloísio

Imagem: Internet

Sombras- por rosa guerrera





Eram duas sombras

Que se abraçavam sob o mesmo teto.

Eram duas vozes

Que entoavam a mesma canção.,

E duas bocas que silenciavam

Num só beijo..


Hoje o vento fustiga

As arvores despidas

E a casa responde num gemido rouco...


Apenas uma sombra a passear

Pelos corredores vazios!

PENSAMENTOS ( MESA DE BAR ).- por rosa guerrera



As vezes fico pensando e refletindo , que não há nada em seu devido lugar nesse mundinho chamado Terra.

O céu é longe ! A espera cansativa !

A dor próxima ! A lágrima vizinha !E a alegria passageira ...

Homens e mulheres se acotovelam buscando sonhos nas mesas de bares , e findam vazios diante de copos repletos de bebidas. ...

Parece existir uma espécie de solidão dialogada dentro de cada um ., numa busca eterna de amor, de dividir sentimentos, tentativa continua de ressuscitar alguma coisa que morreu.

Sorrisos se confundem, mãos se entrelaçam, bocas se unem e corações continuam sozinhos .

De repente algum conhecido se aproxima de mim e pergunta : " Tudo bem"?E eu respondo com um sorriso brejeiro : " Tudo ótimo " !

O coração gargalha no meu peito !

Disfarço , acendo um cigarro , olho ao redor ... e as coisas e as pessoas continuam fora de seus respectivos lugares .

Por João Nicodemos


UM AVIÃO NO ESPAÇO AZUL.- por Rosa Guerrera




Um avião passeia pelo espaço saudando com o seu ronco os homens que passam indiferentes pelas ruas. Algumas crianças levantam os olhos para o alto e gritam bobagens que se perdem também no vento.
E o avião continua o seu rumo, ignorando o que se passa aqui embaixo...enquanto eu vou sentindo uma vontade imensa de ser também esse pássaro metálico , que voando no espaço azul segue um caminho apenas por ele conhecido. È curioso como as vezes sentimos uma vontade enorme de sermos outra coisa que não seja nós mesmos.Lembro minha infância de menina de subúrbio que quando escutava o ronco de um avião , saía correndo e apontando para o alto gritava bem alto : “ Lá vai um avião “... “lá vai um avião” !
E o avião passava no seu balé modulado , rasgando o espaço vaidoso, sem imaginar que uma boba menina batia palmas de alegria para ele.
Hoje seria ridículo se ao vê-lo , eu saísse à rua gritando : “ Lá vai um avião”. ( No mínimo diriam : “ coitada é uma louca !”)
Como sofrem os adultos por não poderem ser espontâneos ! Como as coisas mudam com o passar vertiginoso do tempo ! Só o avião continua indiferente as trilhas dos anos e dos destinos !
Talvez seja justamente por essa indiferença que eu o invejo nesse instante.
Rasgar os céus , conhecer de perto o sabor das núvens , atravessar mundos , ignorar os problemas dos que caminham em campos minados de dor, adejar livre, completamente livre por sobre casas, homens, ambições e sofrimentos . Totalmente liberto, isento de leis, de ritos ... um avião apenas.
Acredito que poucas pessoas irão entender esse meu texto ! Afinal , todo poeta tem seu lado louco !E hoje dentro dessa insanidade poética ou ridícula eu cismei de ser um avião .

Não Creio em Deus - José do Vale Pinheiro Feitosa



“Sinceramente não creio em Deus pai, criador do céu e da terra, julgador de todas as coisas, que virá para resgatar vivos e mortos. Não creio não vida eterna amém.”

E quando digo amém, sei que repito o “assim seja”, mas não creio no meu poder e nem no de ninguém de assim proclamar. É que não creio no império que tudo pode, tudo vê e tudo fez, faz e fará.

Mas creio em ti. Na tua dor solitária que precisa da adição de um pedaço da minha vida. E doarei meu tempo sem me preocupar em viver outras invenções, pois não existe invenção maior que a tua própria existência.

E aceito tua fé, tua esperança, teu devir inclusive na forma de uma ordem celestial que ti acalma, alarga as paredes deste mundo opressor e ultrapassa o arame farpado desta vida material de mercancia.

Como creio na cura das feridas que procuras sarar. Levo fé em tua capacidade de superar a rejeição, compreender a descontinuidade de discursos sublimes, pois o maior crente é aquele que duvida de sua própria crença.

Não desconsidero tua oração, a necessidade do teu verbo se comunicar, manifestar-se, reclamar, pedir, explicar, concluir e até mesmo seduzir para que sejas inteiramente aceita. O maior erro não é o teu. O maior erro é se imaginar um mundo sem erros.

Creio no teu lugar no mundo. No teu brilho e nas tuas manchas. Nas tuas posses e naquilo pelo qual és possuída. O maior e o melhor são apenas escalas comparativas aos outros, e isso não basta, pois no mundo és singular.

Não desconsidero tuas crises de individualismo. Os fardos dos preconceitos, os conceitos ainda não sabidos, a ignorância do teu olhar perplexo. É que o mundo e nós não somos objeto do conhecimento em si. Somos apenas o conhecimento sem intenção.

Creio que teu vínculo de fé com o além dos tempos é um passo para reinventares o modo como inventas o teu tempo. Como doas este em adição ao fluxo do outro, também inventas a ti própria como matéria do tempo geral.

Considero que a vida não é um demolir-se eterno e nem um reconstruir-se permanente, é, sobretudo, um transformar-se independente dos materiais de construção. Não que os materiais inexistam, é que a força motriz da transformação se encontra no tempo geral. E o tempo geral é o tempo da humanidade, dos seres vivos e do planeta terra.

A Jorge Luis Borges




JORGE LUIS BORGES

O espelho a minha frente é coisa muda,
Mas de sua mudez ele me fala:
A imagem alheia do outro lado
Me contempla longínqua e interrogante,

Parte de mim, em mim multiplicada,
E posta fora do que sou, textura
De outra pessoa, de outro sonho e forma
(No largo sono de um deus tranqüilo,

A voz se cala e deixa que o cristal
A memória de um vago ser recrie)
Ilusória assim como qualquer cifra.

Existimos, inúteis, refletidos.
Um teatro de sombras, sigiloso:
O que somos, em nosso alto crepúsculo.

José Carlos Mendes Brandão, Exílio, 1983. 
 
 

quinta-feira, 14 de abril de 2011

AMAR SEM CONDIÇÕES- por Rosa Guerrera




Gosto de frear, o veloz carro da vida
numa qualquer contra-mão
do destino.
E romper as ridículas sinalizações
que existem , impostas por pseudos críticos , aos nossos passos, as nossas opiniões , as nossas falas e até aos nossos sentimentos .


Gosto de destruir no espaço,
as imposições, as cobranças
que a própria vida teima em nos oferecer.
E soltar num grito a liberdade de amar.


Amar sem reticências ou interrogações.
isenta de horas, sem pinturas,
retoques ou molduras no rosto.


Amar!
Amar, no sol, na chuva, no vento,
na praia ou na noite fria...
E encontrar nessa liberdade,
a forma maravilhosa de uma conquista,
que só o amar sem condições
é capaz de oferecer.

SIDERAL - por Stela Siebra

ASCENDENTE ESCORPIÃO:
Entre em sintonia com sua profundidade

A pessoa que tem Ascendente Escorpião se expressa na vida com uma marcante intensidade de sentimentos, que a faz intuitiva, passional, enigmática, impulsiva e profunda. Tem uma grande e turbulenta energia fervilhando no seu íntimo e precisa aprender como canalizar tal força.

Saiba como orientar-se pelos mistérios profundos de Escorpião, cuja sinalização indica ir além da forma aparente das coisas, ou seja, é preciso transformar, ir mais além. Portanto, não se contente com a superficialidade, pois Escorpião exige que um poço seja cavado e que você penetre nele para conhecer e aceitar os seus sentimentos ali guardados.

Sabe por que muitas vezes você se sente tão sem perspectiva e totalmente desorientado? É simplesmente porque você não está atento para a sinalização escorpiana, que fará você encontrar seu ponto de orientação e conseqüente renovação.

E isso significa mudanças na sua vida. Sinta que é preciso eliminar/matar certas coisas em você para poder começar do zero. Quando você aceita a perda e vivencia a dor, a raiva, o ciúme ou inveja, está penetrando no mundo desses sentimentos turbulentos e secretos, aceitando-os e tendo, assim, uma chance de transformá-los. Lembre que se você não remover os entulhos, não vai ter espaço livre e limpo para novos sentimentos e novas possibilidades em sua vida.

Não se esgote tanto com suas paixões! Não acumule e não reprima velhos e fortes sentimentos em sua alma. À medida que se apresentem, vá logo tentando canalizá-los de forma construtiva, liberando-os e dando-lhes novas formas.

Outra coisa: já que você é, também, tão perspicaz para captar os sentimentos das outras pessoas, ocupe-se com elas de vez em quando, ajudando-as a enfrentarem as surpresas, as crises e as dores da vida. Você sabe que é possível superar as perdas, porque sempre haverá um renascimento. Canalize, cada vez mais, sua energia nessa direção de vida que pode ser renovada e regenerada: é o milagre e o mistério de Escorpião.

No mapa astrológico o Ascendente é considerado o impulso de orientação, porque é o signo que está subindo no horizonte oriental no momento do nascimento. Por isso é ele quem inicia o percurso do Mapa astrológico pelas 12 Casas. É a ponta da Casa I, a casa da nossa identidade, aquela que mostra nossa fachada, nosso temperamento e comportamento. Daí a importância do Ascendente, porque o princípio desse signo é quem vai dar o horizonte de nossa vida, simbolizando nossa forma de expressão imediata e espontânea. O Ascendente é como nos mostramos como somos vistos, como inauguramos a vida.

lembrando Jorge Veiga ...



por socorro moreira


Às vezes nos apaixonamos pela história, e não pelo personagem da história. Importante enxergar a diferença, e colocar os pingos nos is.A história é algo em construção...Pode ser atualizada sempre, e pertencer a um futuro distante ou próximo;pode ser passado remoto, nublado, em exercício findo...
Quando o tempo não consegue dissolver um sentimento, e consegue rejuvenescê-lo com qualquer brisa da lembrança, não dá pra ignorar o que sentimos. Esta assunção faz festa, traz alegria pro nosso coração.
Lembrei uma música , que gosto muito:

Amigos novos e antigos

Composição: Aldir Blanc - João Bosco


As frases e as manhãs
são espontâneas
Levantam do escuro
e ninguém pode evitar
Eu tento apenas
mostrar cantando
O lado oculto do meu coração
Eu tenho às vezes
no olhar tardes de chuva
E sons percorrendo
alamedas na memória
Eu tento apenas
mostrar cantando
O que há nos lagos
do meu coração
"Quando para mucho
me amore de felice corazon
Mundo paparazzi me amore
chika ferdy para sol
Questo obrigado tanta mucho
que can eat it carrosel"
Alguém entrou no
meu peito agora
Mas só depois
vou saber quem é.

*O insustentável preconceito do ser! Por Rosana Jatobá- Colaboração de Wilton Dedê



Era o admirável mundo novo! Recém-chegada de Salvador, vinha a convite de uma emissora de TV, para a qual já trabalhava como repórter. Solícitos, os colegas da redação paulistana se empenhavam em promover e indicar os melhores programas de lazer e cultura, onde eu abastecia a alma de prazer e o intelecto de novos conhecimentos.
Era o admirável mundo civilizado! Mentes abertas com alto nível de educação formal. No entanto, logo percebi o ruído no discurso:
- Recomendo um passeio pelo nosso "Central Park", disse um repórter. Mas evite ir ao Ibirapuera nos domingos, porque é uma baianada só!
-Então estarei em casa, repliquei ironicamente.
-Ai, desculpa, não quis te ofender. É força de expressão. Tô falando de um
tipo de gente.
-A gente que ajudou a construir as ruas e pontes, e a levantar os prédios da
capital paulista?
-Sim, quer dizer, não! Me refiro às pessoas mal-educadas, que falam alto e fazem "farofa" no parque.
-Desculpe, mas outro dia vi um paulistano que, silenciosamente, abriu a
janela do carro e atirou uma caixa de sapatos.
-Não me leve a mal, não tenho preconceitos contra os baianos. Aliás, adoro a sua terra, seu jeito de falar....
De fato, percebo que não existe a intenção de magoar. São palavras ou
expressões que , de tão arraigadas, passam despercebidas, mas carregam o flagelo do preconceito. Preconceito velado, o que é pior, porque não mostra a cara, não se assume como tal. Difícil combater um inimigo disfarçado.
Descobri que no Rio de Janeiro, a pecha recai sobre os "Paraíba", que,
aliás, podem ser qualquer nordestino. Com ou sem a "Cabeça chata", outra denominação usada no Sudeste para quem nasce no Nordeste.
Na Bahia, a herança escravocrata até hoje reproduz gestos e palavras que
segregam. Já testemunhei pessoas esfregando o dedo indicador no braço, para se referir a um negro, como se a cor do sujeito explicasse uma atitude censurável.
Numa das conversas que tive com a jornalista Miriam Leitão, ela comentava:
-O Brasil gosta de se imaginar como uma democracia racial, mas isso é uma ilusão. Nós temos uma marcha de carnaval, feita há 40 anos, cantada até hoje. E ela é terrível. Os brancos nunca pensam no que estão cantando. A letra diz o seguinte:
"O teu cabelo não nega, mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega, mulata
Mulata, quero o teu amor".
"É ofensivo", diz Miriam. Como a cor de alguém poderia contaminar, como se fosse doença? E as pessoas nunca percebem.
A expressão "pé na cozinha", para designar a ascendência africana, é a mais comum de todas, e também dita sem o menor constragimento. É o retorno à mentalidade escravocrata, reproduzindo as mazelas da senzala.
O cronista Rubem Alves publicou esta semana na Folha de São Paulo um artigo no qual ressalta:
"Palavras não são inocentes, elas são armas que os poderosos usam para ferir e dominar os fracos. Os brancos norte-americanos inventaram a palavra 'niger' para humilhar os negros. Criaram uma brincadeira que tinha um versinho assim:
'Eeny, meeny, miny, moe, catch a niger by the toe'...que quer dizer, agarre
um crioulo pelo dedão do pé (aqui no Brasil, quando se quer diminuir um
negro, usa-se a palavra crioulo).
Em denúncia a esse uso ofensivo da palavra , os negros cunharam o slogan 'black is beautiful'. Daí surgiu a linguagem politicamente correta. A regra fundamental dessa linguagem é nunca usar uma palavra que humilhe, discrimine ou zombe de alguém".
Será que na era Obama vão inventar "Pé na Presidência", para se referir aos negros e mulatos americanos de hoje?
A origem social é outro fator que gera comentários tidos como "inofensivos" , mas cruéis. A Nação que deveria se orgulhar de sua mobilidade social, é a mesma que o picha o próprio Presidente de torneiro mecânico, semi-analfabeto. Com relação aos empregados domésticos, já cheguei a ouvir:
- A minha "criadagem" não entra pelo elevador social !
E a complacência com relação aos chamamentos, insultos, por vezes
humilhantes, dirigidos aos homossexuais ? Os termos bicha, bichona,
frutinha, biba, "viado", maricona, boiola e uma infinidade de apelidos,
despertam risadas. Quem se importa com o potencial ofensivo?
Mulher é rainha no dia oito de março. Quando se atreve a encarar o trânsito, e desagrada o código masculino, ouve frequentemente:
- Só podia ser mulher! Ei, dona Maria, seu lugar é no tanque!
Dependendo do tom do cabelo, demonstrações de desinformação ou falta de inteligência, são imediatamente imputadas a um certo tipo feminino:
-Só podia ser loira!
Se a forma de administrar o próprio dinheiro é poupar muito e gastar pouco:
- Só podia ser judeu!
A mesma superficialidade em abordar as características de um povo se aplica aos árabes. Aqui, todos eles viram turcos. Quem acumula quilos extras é motivo de chacota do tipo: rolha de poço, polpeta, almôndega, baleia ...
Gosto muito do provérbio bíblico, legado do Cristianismo: "O mal não é o que entra, mas o que sai da boca do homem".
Invoco também a doutrina da Física Quântica, que confere às palavras o poder de ratificar ou transformar a realidade. São partículas de energia tecendo as teias do comportamento humano.
A liberdade de escolha e a tolerância das diferenças resumem o Princípio da Igualdade, sem o qual nenhuma sociedade pode ser Sustentável.
O preconceito nas entrelinhas é perigoso, porque , em doses homeopáticas, reforça os estigmas e aprofunda os abismos entre os cidadãos. Revela a ignorancia e alimenta o monstro da maldade.
Até que um dia um trabalhador perde o emprego, se torna um alcóolatra, passa a viver nas ruas e amanhece carbonizado:
-Só podia ser mendigo!
No outro dia, o motim toma conta da prisão, a polícia invade, mata 111
detentos, e nem a canção do Caetano Veloso é capaz de comover:
-Só podia ser bandido!
Somos nós os responsáveis pela construção do ideal de civilidade aqui em São Paulo, no Rio, na Bahia, em qualquer lugar do mundo. É a consciência do valor de cada pessoa que eleva a raça humana e aflora o que temos de melhor para dizer uns aos outros.
PS: Fui ao Ibirapuera num domingo e encontrei vários conterrâneos. ..


Rosana Jatobá*
Rosana Jatobá é jornalista, graduada em Direito e Jornalismo pela
Universidade Federal da Bahia, e mestranda em gestão e tecnologias
ambientais da Universidade de São Paulo. Também apresenta a Previsão do Tempo no Jornal Nacional, da Rede Globo. **
Esse texto é parte da série de crônicas sobre Sustentabilidade publicada na CBN*

SAUDADE DENTRO DO PEITO
É COMO FOGO DE MUNTURO
POR FORA É TUDO PERFEITO
POR DENTRO FAZENDO FURO
Patativa do Assaré

VOCÊ

Você será sempre aquela frase que eu não disse, Aquela música que eu não consegui compor... Aquela lágrima que secou nos meus olhos... Aquele silêncio que fez ruído no meu coração.. Você será sempre o lago tranqüilo das minhas emoções, Os pingos da chuva que formam imagens na vidraça da janela . Firmamento pontilhado de estrelas que iluminam meus passos, E mar gigante que na sua cor verde me acena esperanças. Você é sonho real e realidade concreta de um sonho apetecido... É voz que canta uma melodia de fé e verdade. É ternura que o tempo não apaga e os anos não conseguem destruir. .. Você ....é apenas você na minha vida .

Nem tudo a um simples click - Emerson Monteiro

Nos tempos eletrônicos desta hora, para onde estirar a vista, distâncias imensas deixaram de limitar as estradas humanas. Querem claridade, haja claridade no primeiro botão detrás da porta. Ambiente climatizado, só estirar o braço e acionar a chave. Saber das horas, e enterrar as unhas no teclado para acender o celular. Emergência, acionar o telefone. Uma música feliz, façam-se os sucessos do momento. Notícias quentes, o plantão da televisão. Segue, assim, o esplendor das maravilhosas máquinas, a ponto quase de virar sonho eletroeletrônico de noite querer ir ao banheiro e mover o clone virtual para atender às necessidades. Carros, máquinas, comunicações, diversões, viagens, compromissos, encomendas, saúde, clima, educação, amizades, família, gama infinita de ordens cumpridas nos apelos da técnica.
O aperfeiçoamento tecnológico causa espanto às gerações que agora buscam apressadas novidades do progresso em passeios de fim de tarde. Automóveis falam. Deficientes dirigem. Casas obedecem. Palestrantes ensinam à distância. Médicos operam na tela do computador. Crianças brincam de engenharia antes mesmo de falar. Pais recorrem aos filhos na compra de seus instrumentos de consumo quais clientes procuram monitores para tirar quantias financeiras. Aviões desbravam estratosferas como rotineira pesquisa. Resultado das mudanças, por debaixo da aparência, norteando o futuro, corre todo tempo um rio de fenômenos inimagináveis pelas artérias da sociedade.
Ninguém alimenta desejos de retornar ao período em que não existiam as facilidades modernas. Banho quente no inverno era de cuia, e lembrar que os imperadores, na Idade Média, por exemplo, nada sabiam do que revelou a ciência desta fase atual. Visões do paraíso nunca chegaram tão perto, prazerosas, quanto nestes dias dos circuitos elétricos utilizados.
No andar do comentário, bem aqui, afloram as conclusões dos argumentos em duas alternativas. Ou querer interpretar a ingratidão das pessoas que dispõem de tudo e ainda reclamam de barriga cheia. Ou agir qual criança a quem o triste vira festa, no açúcar do presente.
Corretos da política, no entanto, veem poucos motivos de euforia nos aparelhos carregados nos fios da parede, porquanto exigem melhoria no sistema geral. A saúde pública precisa cumprir o seu papel e servir melhor a população. As ruas andam carcomidas de buracos e valas arriscadas. Uma injustiça social crônica insiste dividir as populações, também nos países ditos ricos. O ensino discrimina e realimenta exclusões sociais, invés de resolver o vazio da conscientização das massas. Poucos têm muito e muitos têm quase nada. Violência, drogas, prostituição infantil, trânsito caótico, angústia, eis algumas das mazelas de solução precária por parte da técnica, a depender do desenvolvimento da mentalidade dos seus usuários, sinal do quanto resta para realizar neste chão comum, tarefa que cabe a todos nós, sem nenhuma exceção.

"...DO CARIRI" - José Nilton Mariano Saraiva

Desnecessário forçar a memória pra lembrar que, meses atrás, quando da “farsa” que foi a plenária solene de criação da Região Metropolitana do Cariri, no recinto da Assembléia Legislativa do Estado, alguns dos Deputados Estaduais (que inclusive foram votados no Crato) se postaram peremptória e radicalmente contrários a tal denominação, já que, asseveravam convictos, desde o batismo oficial a denominação mais “apropriada” para aquela área seria Região Metropolitana de Juazeiro. Como não houve unanimidade e objetivando aparar arestas, os “bombeiros de plantão”, por conveniências momentâneas, decidiram pela manutenção da primeira denominação – Região Metropolitana do Cariri. Puro jogo de cena, conversa pra boi dormir, cinismo absoluto, hipocrisia em estado latente, já que a questão substantiva, a da localização dos empreendimentos que viriam para a Região Sul do Ceará e a conseqüente alocação dos necessários recursos para tal mister, de antemão já estavam garantidos pra Juazeiro do Norte.
Na oportunidade, registramos aqui mesmo o nosso protesto, e profetizamos que, em razão do “componente político”, na prática a teoria seria outra, já que havia e estava clara a predisposição governamental de privilegiar as cidades de Sobral, ao norte, e Juazeiro do Norte, ao Sul, em termos de interiorização desenvolvimentista do interland alencarino; às demais cidades seriam destinadas as sobras, os refugos, as migalhas, aquilo que não fosse de interesse da “metrópole” (o lixão, por exemplo), já que meros satélites a vagarem na órbita das urbes acima citadas. O tempo literalmente “fechou”, já que fomos “premiados” com alguns adjetivos de cunho eminentemente preconceituosos e depreciativos, tais quais: conservador, bairrista, ultrapassado, anacrônico e por aí vai.
Fato é que, de lá pra cá (e lamentavelmente), o que houvéramos previsto se tornou uma dolorida realidade (principalmente para os cratenses), além do que revestido e acompanhado de um componente sarcástico e provocativo: em todos os grandes principais investimentos implementados em Juazeiro do Norte (principalmente na esfera governamental), há de se expressar e constar em “caixa alta e cores diferenciadas”, tanto na fachada da obra civil como em documentos atinentes, a denominação complementar “...DO CARIRI” (assim, temos o Aeroporto Regional do Cariri, o Hospital Regional do Cariri e por aí vai), como se, a partir de então, nenhuma obra similar ou de características idênticas se torne necessária (Juazeiro do Norte deterá o privilégio de ser o primeiro e único em termos de Cariri, ad eternum).
E, só pra chatear (ou jogar a última pá de cal num corpo insepulto e putrefato), maus cratenses (adeptos do puxasaquismo e de conveniências momentâneas) trataram de difundir um slogan tão cretino quanto derrotista - “somos um só povo, uma só nação Cariri” - que apenas denota a falta de compromisso, o desamor ao Crato, o pouco caso com o futuro da cidade, o conformismo com o catastrófico status atual, a impotência de se conseguir algum projeto de porte gerador de emprego e renda, a inapetência política caracterizada pela falta de parcerias capaz de alavancar o desenvolvimento da urbe; e o pior é que tão estapafúrdio conceito foi imediatamente absorvido e difundido, inclusive e principalmente pelas autoridades do município, numa clara sinalização de que não devemos nos preocupar se nada vem para o Crato, não devemos reclamar se nos falta emprego e renda, não devemos se importar se a nossa cidade dia-a-dia se degrada, afunda e se transforma numa cidade fantasma, porque, afinal de contas... “Juazeiro é bem ali” (assim, até um simples BO policial terá que ser obtido lá).
Também, esperar o que de um prefeito que publicamente proclamou que “...o Crato é final de linha, só vai ao Crato quem tem negócios lá” ??? O que esperar de um prefeito que é tão “afinado” com o Governador do Estado que este, em visita à cidade, fez questão de ignorá-lo solenemente e às claras ???
Ta na hora, pois, do povo do Crato encarar com mais seriedade e responsabilidade uma eleição, colocando à frente do município pessoas que tenham compromissos com a cidade, que se disponham a catapulta-la do pântano movediço em que a meteram (já há décadas).

Curtas. Por Liduina Belchior.

Sexualidade e vida:

Sim a respiração,

não a omissão,

sim a intensa paixão.

Por Lupeu Lacerda



Meu amor e meu ódio se
encontram nos corredores
sempre mal iluminados da
minha cabeça posta a venda.
Tratam-se como velhos amigos,
depois,
como inimigos juramentados.
Marcam, a depender do dia,
uma cerveja no final da tarde ou
um duelo ao por do sol baiano.

JORGE VEIGA - Por Norma Hauer


O CARICATURISTA DO SAMBA

Foi no bairro do Engenho de Dentro, aqui no Rio de Janeiro, que ele nasceu no dia 14 de abril de 1910. Recebeu o nome de Jorge de Oliveira Veiga, mas ficou conhecido JORGE VEIGA e venceu como cantor e compositor , ficando com um nome famoso durante vários anos , sendo hoje uma grande saudade, que marcou nossa música popular.
Como todo menino pobre, exerceu profissões modestas e, na de pintor de paredes, enquanto píntava, cantava o repertório de Sílvio Caldas..Assim, o dono de uma loja que ele estava trabalhando, ouviu-o e o levou para se apresentar na Rádio Educadora do Brasil.
Daí para fazer sua primeira gravação não foi difícil; gravou seu primeiro disco com Antenógenes Silva e. da autoria deste. o samba “Adeus João”, que não fez sucesso, mas abriu-lhe as portas para ingressar definitivamente na vida artística.
Em 1942 ingressou na Rádio Guanabara, onde conheceu Paulo Gracindo, que lhe deu apoio , ajudando-o a cantar frente a um microfone. Foi Paulo que lhe deu o título de “Caricaturista do Samba”.
Em 1944 conheceu seu primeiro grande sucesso: o samba “Iracema”, de Raul Marques.
“Oh Iracema, logo vamos ao cinema,.
Por sua causa, hoje não fui trabalhar
Não me dê o bolo.
Oh Iracema, você é o meu consolo...

Estamos combinados,
Nós nos vamos encontrar
Naquele ponto de bonde
Na Praça Mauá
Não quero perder a primeira sessão.
Vamos ver aquele filme
“Sempre no meu coração”

Aqui, mais uma vez, o bonde “entrou” em nossa música popular e um grande filme estava fazendo sucesso:”Sempre no meu Coração”.

Com as portas abertas, vieram outras gravações para receber outros sucessos, como “”Rosalina”; “Fui um Louco”; ou “Cabo Laurindo”,
Cabo Laurindo ficou um personagem fictício, como o herói da 2ª Guerra, logo que esta terminou.

No carnaval de 1947 ele gravou um samba de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira de nome “Eu Quero é Rosetá”. Não é que a censura cismou com esse samba, proibiu-o, mas depois o libertou ?
Afinal o que queriam dizer com a palavra “rosetá”? Até hoje é um enigma, mas o samba afinal foi libertado e obteve grande sucesso.
Em 1951, Jorge Veiga realizou o sonho de todos os artistas de sua época: foi contratado pela Rádio Nacional e, ao microfone dessa rádio lançou um recado para os aviadores:
“Alô, alô, senhores aviadores que cruzam os céus do Brasil:”aqui fala Jorge Veiga da Rádio Nacional . Estações do interior, queiram dar seus prefixos para guia de nossas aeronaves.” Será que isso ajudava ou atrapalhava?

Em 1953 gravou sua primeira composição, o samba “Boêmia”.

Torcedor do Flamengo, gravou o samba “Flamengo” e o “Hino da Torcida do Flamengo”.
Em 1959 gravou um samba de breque que. anos antes, fora sucesso com Moreira da Silva: “Acertei no Milhar”, de Wilson Batista e Geraldo Pereira. O samba voltou a ser sucesso.
Em 1955 gravou, de Miguel Gustavo, uma crítica aos então cronistas sociais: “Café Soçaite”, onde cita o nome de Ibraim Sued, então em grande evidência.

Nesse mesmo ano, obteve outro êxito:”Bigorrilho”, de Paquito e Romeu Gentil.
Em 1979 foi lançado um LP de nome “O Eterno Jorge Veiga”, com os maiores sucessos de sua carreia, que nesse mesmo ano terminaria com seu falecimento no dia 29 de junho, aos 69 anos.

Norma

O Livro "No Azul Sonhado"!

Coletânea em prosa e verso
Organização: www.catadoradeversos.blogspot.com

Dedicatória ( homenagem a J.de Figueredo Filho e Patativa do Assaré) - por Tiago Araripe
Contracapa- por Emerson Monteiro
Prefácio - por José Flávio Vieira
Orelha - por José do Vale Feitosa
Revisão : por Stela Siebra Brito e Luís Eduardo
Diagramação e capa- Por Luiz  Pereira

45 autores


180 páginas.

Tiragerm: 500 exemplares

225( 5 para cada autor)
75- reservados por  autores
200- em disponibilidade até 31 .05.2011

Contato através do e-mails:
sauska_8@hotmail.com ( socorro moreira) ou moreirasocorro@gmail.com




Do livro "POESIAS" - de João Nicodemos de A.Neto


UM LAMPEJO PARA RAULAMPIÃO - por Ulisses Germano


RauLampião do Crato

                  RauLampião, no seu incomum lampejar filosófico, afirmou para mim numa conversa na Praça da Sé que "é possível através, primeiro da inteligência e segundo do querer, adquiririr sucesso na vida sem precisar depender da vulgaridade". Ele me pediu que fizesse uns versos sobre este assunto tão polêmico que diz respeito  as letras de algumas bandas de forró que extrapolam na avacalhação "poética"  desembocando na pornofonia. Sem falso moralismo, creio que nossa música contempla uma vastidão imensa de assuntos, mas que o ouvido de nossas crianças merecem respeito! Um país que não respeita suas crianças está fadado ao castigo de Sísifo. Que tipo de gente a gente está criando para o futuro? As crianças repetem os discursos dos pais! Isto é natural, a imitação faz parte do processo de aprendizagem. Ouso até em afirmar que o  tratactus filosoficus do Brasil está escrito nas letras de nossas canções. Cazuza foi um desses poetas-profetas que na letra de O TEMPO NÃO PARA afirmou: "transformam o país inteiro num puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro".

Aquilo que a gente escuta
Pode nos deixar doente
A música funde a cuca
Quando expressa o indecente
É uma graça sem graça
O forró se fez desgraça
Na boca de muita gente

Ulisses
Praça da Sé, Crato: 12/04/11

Aluísio Azevedo



Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo (São Luís, 14 de abril de 1857 — Buenos Aires, 21 de janeiro de 1913) foi um romancista, contista, cronista, diplomata, caricaturista e jornalista brasileiro; além de bom desenhista e discreto pintor.


Pobre Amor
de Aluísio Azevedo

Calcula, minha amiga, que tortura!
Amo-te muito e muito, e, todavia,
Preferira morrer a ver-te um dia
Merecer o labéu de esposa impura!

Que te não enterneça esta loucura,
Que te não mova nunca esta agonia,
Que eu muito sofra porque és casta e pura,
Que, se o não foras, quanto eu sofreria!

Ah! Quanto eu sofreria se alegrasses
Com teus beijos de amor, meus lábios tristes,
Com teus beijos de amor, as minhas faces!

Persiste na moral em que persistes.
Ah! Quanto eu sofreria se pecasses,
Mas quanto sofro mais porque resistes!

Georg Friedrich Händel



Georg Friedrich Händel (Halle an der Saale, 23 de Fevereiro de 1685 — Londres, 14 de Abril de 1759) foi um célebre compositor da Alemanha, naturalizado cidadão britânico em 1726.

Zuzu Angel


Zuleika Angel Jones, conhecida como Zuzu Angel, (Curvelo, 5 de junho de 1923 — Rio de Janeiro, 14 de abril de 1976) foi uma estilista brasileira, mãe do militante político Stuart Angel Jones e da jornalista Hildegard Angel.

Carta de Stuart para sua Mãe

"Mãe, você me pergunta se eu acredito em Deus.

Eu te pergunto: Que Deus? Tem sido minha missão te mostrar Deus no Homem, pois, somente no homem ele pode existir. Não há homem pobre ou insignificante que pareça ser, que não tenha uma missão.

Todo homem por si só influencia a natureza do seu futuro. Através de nossas vidas nós criamos ações que resultam na multiplicação de reações. Esse poder que todos nós possuímos, esse poder de mudar o curso da história, é o poder de Deus. Confrontado com essa responsabilidade divina, eu me curvo diante do Deus dentro de mim." Stuart Edgard Angel Jones".

Victor Assis Brasil



Victor Assis Brasil (Rio de Janeiro, 28 de agosto de 1945 — Rio de Janeiro, 14 de abril de 1981), foi um saxofonista brasileiro e um dos mais aclamados instrumentistas do jazz nacional

Sociologia Familiar - Ulisses Germano


A
função social 
dos avós
é
"estragar"
os netos!

Ulicis
14abril11

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Don't let it die - Por José do Vale Pinheiro Feitosa







Teve um tempo que a vida era tão suprida por esta cidade que uma simples canção popular como “sentado à beira do caminho” me dava uma solidão de abandonado como se nunca mais houvesse uma porta de casa para retornar.

Algum tempo passado, já noutra cidade, minha companheira da vida atendeu uma avó e sua neta que iria vacinar-se. Cumpria o calendário infantil obrigatório. Ao anotar o nome da criança, a atenção dela voltou-se para avó: se ao invés de atendê-la fosse meu marido ele estaria aqui feliz da vida. A avó iluminou-se desde sua linda cabeleira até o mais distante de seu ser. Queria saber quem era aquele fã, de onde viera, como vivia. Ao contar-me, o sucedido lembrei-me da música “beijinho doce” na voz da célebre atriz da chanchada Eliane em dupla com aquela avó no acordeom: Adelaide Chiozzo.

Os americanos deram sucesso a cantores de vozes suaves, que interpretavam músicas românticas como um violoncelo. Entre eles Perry Como, em dupla com Chet Atkins, cantando “and i love you so”. Os brasileiros tiveram muitos iguais, a lembrar um cantor que brincou e não gravou tanta coisa romântica, mas surpreendia com aquelas canções de chacota com uma voz tão suave, feito “joão bobo”, “farinhada” na voz de Ivon Cury. Tempos depois, ali na Rua Constante Ramos, onde morávamos em Copacabana, sempre o encontrava na porta de sua casa noturna: Sambão e Sinhá. Ele nos cumprimentava com um sorriso tão amplo e simpático que lembrava o antigo presidente do Brasil: JK.

Igual pareceu-me a noite passada que jamais ouviria composições novas com o mesmo conteúdo daquelas canções. São outros tempos, os artistas já não têm importância, agora tudo é um produto de mercado como Lady Gaga, completo por uma empresa produtora, em que o papel principal, quando existe, apenas é uma peça.

“I am so hurt” tão puxado nos fluxos de ar das cordas vocais que a voz aguda de mulher se debulha em grãos de tons graves e um tanto roucos, como se existissem apenas para seduzir os homens. Timi Yuro com este nome oriental e uma voz de cantora de jazz negra.

Igual a voz rascada, quase debochada, não sei se era ou apenas o era por que assim existia, de Hurricane Smith. Este nome de cowboy que nasceu nos idos da década de vinte do século passado e evaporou-se do mundo por volta de 2008. E foi no remoto ano de 1971, quando a consciência ecológica explodiu igual ao feminismo e ao comportamento sexual livre que ele gravou esta canção: “D´ont let it die”.

Ao lado da montanha,
A flor a crescer.

À margem do rio,
Onde a água flui para sempre.

O mistério da vida na floresta
A longa e graciosa história da vida na terra.

Não deixe isso morrer.
Não deixe isso morrer.

A liberdade do tigre,
Do canguru,

Depende de mim,
E depende de você.

O que vemos é o que escolhemos,
O que mantemos ou perdemos para sempre

O mundo é nosso para chorar por ele
Mas, e se é tarde demais para recomeçar?

Não deixe isso morrer
Não deixe isso morrer

Ou dia adeus, amém.
Ou dia adeus no fim.


 por José do Vale Pinheiro Feitosa

Fotos de Nívia Uchôa


O LAGAR DO MEU AVÔ- Por Barbosa Tavares





Lá estão. Os resquícios do que fora outrora um lagar. A dorna desmantelada, arcos enferrujados num canto distendidos, a trave de carvalho encastoada na parede de granito e a enorme pedra ovular que fazia gemer o bagaço , espremendo-lhe todas as gotículas do néctar de Baco.

As teias de aranha enoveladas nas frinchas das telhas, as traves enegrecidas e carcomidas, testemunhavam, inequívocas, a voracidade aniquilante dos anos transcorridos sobre duas gerações.

O tempo na sua desolação , tragou parte do legado vinícola dos avoengos. O lagar onde noutros tempos se celebrara o contentamento do mosto a fermentar, a coroação da vindi- ma, a alegria de haver vinho novo, revejo-o na constatação inequívoca da decrepitude impediosamente lavrada nos utensílios do lagar—as telhas partidas, as traves carcomidas, os novelos urdidos pelas teias de aranha, reacendem a efemeridade de nossos dias.

Revisito os homens de pés espalmados e pedregosos, as luzidias uvas negras esmagadas num estalido seco, o movimento cadenciado das pernas--músculos retesados--as calças arregaçadas ate à virilha.

Finda a tarefa, o vermelho-sangue do mosto, escorrido pelas pernas , as graínhas e pele das uvas, empastavam-se na cabeladura das pernas e, os pisadores assemelhavam-se a lutadores acabados de sair da mais sangrenta peleja.

Na parede de granito havia uma candeia mortiça, assente sobre um pedaço de chapa encastoada numa frincha, pela qual trepava um caprichoso fio de fumo que se impregnava nos refegos da pedra e sugeria a ideia de arte espontânea.

Naquela penumbra, com a noite serenada de estrelas e sinfonia dos grilos, ressoava a alegria dos pisa-uvas, enquanto contavam historietas, com gracejos e a alegria rufava com a sonoridade de estrepitosas gargalhadas.

No final, aguardava-os um bacia de esmalte, esboicelada, o sabonete da veia azul-- era assim que minha avó lhe chamava-- um jarra e a mais macia das toalhas, para enxugar pés doridos de tanto esmagar uvas e seus cadraços

Para cumular de glória campestre aquela azáfama vinícola, celebrava-se uma fraterna bacalhoada, tragada à luz da candeia, com uma travessa comum e a malga escorria fios de vinho pelos bordos a circular de boca em boca, que se limpava com as costas das mãos rugosas em terra talhadas.

Na lareira, estralejavam resinosos ramos de pinheiro e casca de eucalipto.O meu avô arrancava um minúsculo graveto de lume e atiçava o pavio duma centenária candeia negra que nem tição , que tresandava petróleo e, seria hoje, uma honrosa relíquia de museu.

Desciamos umas escadas de pedra, toscas , pré-históricas. Com uma mão em forma de concha sobre a candeia , eu apaziguava as sopradelas do vento que faziam da chama um bailado.

O meu avó, trôpego de lentidão , eu , com a malga encochada nas mãos , seguia-lhe os passos. Com uma sovela, desventrava um pedação de estopa do ventre de uma ancestral e bojuda pipa, e o vinho jorrava em arco , cachoando na malga.

Ainda ouço as invectivas de meu avô:" rapazinho, essa luz pra riba, alumia mais pra baixo, pró outro lado, assim". Eu, perante aquelas barbas grisalhas de patriaca, limitava-me respeitosamente a obedecer e sustia, como convinha ,a minha infantil crispação a remoer-me em silêncio vertido no interior da alma: "o diabo do velho é mesmo chatarrâo"

Entravamos na loja, que é para as bandas da serra o local de arrecadação do vinho e da salgadeira. Assomava as narinas a frescura húmida do térreo chão, o bafio da salmoura , o aroma das cebolas em madeixas pendentes de toscas e denegridas traves de carvalho e as incontáveis teias de aranha que repousavam em novelos suspensos, na quietude ba-fienta daquele penumbroso frescor.

Havia uma bexiga de porco defumada, amarelecida, torrada pelo tempo, pendente duma trave. Nunca soubera da sua utilidade, enquanto criança. Há tempos dei comigo ensarilhado a cogitar, afinal, para que serviria a tal bexiga? Num relance, imaginei que seria para esquentar a água com que se apaziguavam as dores de ventre e outras mazelas da vida aldeão arredada do convívio dos alópatas.

Que não restem dúvidas, tudo se esvanece no tempo, até alguns nacos das miticas recordações da infância, que julgavamos imorredoiros, fenecem nas olvidáveis teias , urdidas, na descompaixão do tempo inclemente.

E logo, me assomou à mente, aquela tirada, arguta e cruel do filósofo ,lida não sei quando e onde, de um rigor imperecível: "poderás perdoar tudo o que quiseres, mas o tempo não perdoa a ninguém"



Brampton, Ont. Canada

Novembro de 1998



DIANA, A VERDADE DO MITO- Barbosa Tavares





Não foi simplesmente a morte de uma princesa. Diana, aquela rapariguinha tímida, de olhos enrramados em ternura, adulada pela imprensa que humanizara a coroa com um sorriso cativante e coração aberto para os padecimentos do mundo , descerrando portões de esperança num mundo crivado de indiferença pelos dramas alheios.

Mais rebelde e obstinada que a sua imagem sugeria, não seria apenas a menina inconformada com a rigidez dos preceitos reais—que culminara no divórcio—mas conquistaria os corações sobretudo, pela graciosidade e afecto com que quebrou a frieza altaneira da monarquia, relegando-a para um plano subalterno.

Deixou-se tocar e tocou mãos deformadas, destituídas de esperança, concedendo rosto humano ao mito da princesa encantada em actos da mais profunda ternura. Personificou a beleza do espirito na ternura da sua compaixão pelos dramas de gente com rosto.

Esta magia, firmou-lhe desde já, um lugar no panteão da imortalidade. Tal como afirmaria um jornalista inglês, num rasgo visionário: " a vida além-túmulo da princesa, ja comecou".

Soube beneficiar da imprensa para os seus propósitos humanitários e viria a ser vitimada pela mesma na versão mais cruenta que esta pode apresentar: a implacável perseguição de obstinados "paparazzi", sedentos de captar os notáveis e famosos em actos--puramente comezinhos--para o vulgaríssimo cidadão.

Tal como pretendia, tornou-se a "princesa dos corações", por gestos e palavras ao serviço de missões devotamente filantrópicas.

A sua personalidade cristalizou-se no apogeu da sua beleza física e espiritual, razão porque já figura na galeria dos mitos que ainda perduramn e perdurarão: John Kennedy, Jack Onassis e irmã Teresa—outra gigante da compaixão humana sucumbida.

Pese a quem afirme que a sua filantropia se deveu, parcialmente a uma espécie de combate com o príncipe Carlos na disputa de projecção política—após o seu destronar palaciano—não deixa de impressionar que uma princesa cumprimente um leproso, uma vítima da Sida ou abrace uma criança desventurada com a maior e genuína candura deste mundo.

Sabe-se agora que houve casos, não revelados em que Diana se preocupou em realojar destituídos de abrigo e manteve contactos com pais de crianças vitimadas por implacáveis doenças.

Certamente terá cometido erros amorosos. Por exemplo: deixar-se conduzir para o matrimónio real por um príncipe cuja capacidade emocional era visivelmente limitada e seguramente comprometida com outro (a) alguém.

Admitira com impressionante candura que caira em relação adúltera. Se o acto não é de louvar, louve-se-lhe a coragem. O mundo perdoa-lhe. Para um coração magnâmino, haverá sempre condescêndia. Deixou-se enredar em nova paixao, mas a felicidade amorosa, estava-lhe vedada.

Por isso Diana, sonhadora do amor que não desfrutou e desvelada arquitecta da justiça humana, dispõe de toda a Eternidade para ser amada.

Brampton, Ont,Canada

Setembro de 1997



Horas Rubras





Horas profundas, lentas e caladas
Feitas de beijos rubros e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas...

Oiço olaias em flor às gargalhadas...
Tombam astros em fogo, astros dementes,
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata p'las estradas...

Os meus lábios são brancos como lagos...
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras...

Sou chama e neve e branca e mist'riosa...
E sou, talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!

Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"


BEIJO NA BOCA Martha Medeiros



Uma vez a atriz e cineasta Carla Camuratti declarou, numa entrevista, que um bom beijo é melhor do que uma transa insossa. Quando a escutei dizendo isso, pensei: "então não sou só eu". Estou com Carla: o beijo é a parte mais importante da relação física entre duas pessoas, e se ele não funcionar, pode desistir do resto.

A Editora Mandarim lançou um livro que reúne ensaios de diversos intelectuais a respeito do assunto. O nome do livro é O Beijo - Primeiras Lições de Amor, História, Arte e Erotismo. Os autores discutem o beijo materno, o beijo nos contos-de-fadas, o beijo traiçoeiro de Judas, os primeiros beijos impressos em cartazes, o beijo na propaganda, o mais longo beijo do cinema e todas as suas simbologias. Às vezes o livro fica prolixo demais, mas ainda assim é um assunto tentador. Procure-o nas melhores casas do ramo. O livro, porque beijo não está à venda.

Todo mundo sonha com aquele beijo made in Hollywood, que tira o fôlego e dá início a um romance incandescente. Pena que nem sempre isso aconteça na vida real. O primeiro beijo entre um casal costuma ser suave, investigativo, decente. Aos pouquinhos, no entanto, acende-se a labareda e as bocas dizem a que vieram. Existe um prazo para isso acontecer: entre cinco minutos depois do primeiro roçar de lábios até, no máximo, cinco dias. Neste espaço de tempo, ainda compreende-se que os beijos sejam vacilantes: tratam-se de duas pessoas criando um vínculo e testando suas reações. Mas se a decência persistir, não espere ver estrelinhas na etapa seguinte. A química não aconteceu.

Beijo é maravilhoso porque você interage com o corpo do outro sem deixar vestígios, é um mergulho no escuro, uma viagem sem volta. Beijo é uma maneira de compartilhar intimidades, de sentir o sabor de quem se gosta, de dizer mil coisas em silêncio. Beijo é gostoso porque não cansa, não engravida, não transmite o HIV. Beijo é prático porque não precisa tirar a roupa, não precisa sair da festa, não precisa ligar no dia seguinte. E sem essa de que beijo é insalubre porque troca-se até 9 miligramas de água, 0,7 grama de albumia, 0,18 de substâncias orgânicas, 0,711 miligrama de matérias gordurosas e 0,45 miligrama de sais, sem contar os vírus e as bactérias. Quem está preocupado com isso? Insalubre é não amar.

UM NOVO VERSO- Por Rosa Guerrera



APAGUEI MAIS UMA PAISAGEM DA MINHA JANELA DE VIDA ( NEM SEI QUANTAS JÁ APAGUEI ) .

MINHAS PEGADAS VÃO FICANDO PERDIDAS NUM TEMPO QUE SE FOI...

ENQUANTO AS VERDADES ABERTAS TEIMAM EM ME FAZER CONTINUAR .


A ALEGRIA DO POETA FOI E SERÁ SEMPRE A ESPUMA DE UMA DOCE BEBIDA QUE DEIXA NO FIM UM SABOR DIFERENTE NA BOCA.


ENXUGO A LÁGRIMA E DIVISO NOVA PAISAGEM NO VASTO HORIZONTE ...

PRECISO IR EM FRENTE ...SEGUIR!

ESQUECER TALVEZ DE LEMBRAR, OU ATÉ LEMBRAR VEZ EM QUANDO O QUE DEVE SER ESQUECIDO...

NÃO IMPORTA!

UM SORRISO PARA O QUE SE FOI... E UM SORRISO PARA O QUE VIER.

NASCE ASSIM UM NOVO VERSO...
por rosa guerrera

Eu, Modo de Usar:- Por Martha medeiros



Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor mas ... permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sózinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. ( Então fique comigo quando eu chorar, combinado?). Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.

Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ... Goste de música e de sexo. goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua familia... isso a gente vê depois ... se calhar ... Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos ... me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar ... experimente me amar!

Rosa Passos






Rosa Maria Farias Passos (Salvador, 13 de abril de 1952), mais conhecida como Rosa Passos, é uma cantora, violonista e compositora brasileira.


BEM TE VI - Teresa Barreto de Melo Peretti


Bem-te-vi.
Bem-te-vi, pássaro do meu bem querer.
Bem quem te vê.
Bem que te quero
povoando o jardim do meu Recanto,
regando os arvoredos de alegria,
bebendo do orvalho e do perfume da natureza,
adoçando a vida com o mel das flores.
De papo amarelo, bico longo e forte, agudo é o teu canto.
Bem- te- vi, bem - te- vi, o teu canto soa o teu nome.
O teu cantar embala os meus sonhos.
O teu cantar me traz felicidade e recordações de tempos de outrora,
onde esse cantar soava em outros jardins; no jardim da minha infância.
A saltitar entre as árvores do meu jardim,
um canto escolheste para construir o teu refúgio. Sabiamente, entre as folhagens secas e pequenos cipós, arquitetaste o teu ninho, para, comodamente, abrigar a sua cria.
Atento, acalenta e alimenta os seus filhotes, protegendo-os dos predadores, até o momento de libertá-los para o mundo.
E, assim, a tua vida continua. Voando, suavemente, entre campos e campinas, entrando e saindo dos quintais e jardins, sem pedir licença, tão grande é a tua liberdade.
No meu Recanto, fico a imaginar quantas belezas tu avistas
e o quanto tu encantas o meu coração.
Na leveza de tuas asas, sentimentos de paz.
Voa, voa, bem-te-vi.
Voa na velocidade dos meus pensamentos.
Com os teus vôos rasantes, povoas outros jardins, levando a tua pureza e o teu encantamento,
mas, não esqueças que o jardim do Recanto do meu peito é o canto do teu cantar.
Bem-te-vi , pássaro do meu querer.
Fica feliz quem bem te vê, oh, pássaro feliz!

Maria Teresa Barreto de M. Peretti – (Tetê)

Um filme, uma música


Um filme, uma música


Um filme, uma música



Chico Anísio - Por Norma Hauer


ELE TAMBÉM É COMPOSITOR
Ele nasceu em Maranguape, no dia 12 de abril de 1931, recebendo o nome de Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, mas ficou conhecido com o nome que o revelou para a arte: CHICO ANÍSIO.
É humorista, ator, escritor, compositor e pintor brasileiro, notório por seus inúmeros programas humorísticos na Rede Globo, onde possui contrato até 2012.
Ao lado de Chacrinha, Chico é considerado um dos maiores nomes de todos os tempos da televisão brasileira.
Sua família veio para o Rio de Janeiro quando ele tinha seis anos de idade. Iniciou no rádio, na Rádio Guanabara, onde exerceu várias funções: radioator, comentarista de futebol, etc.
Participou do programa Papel carbono de Renato Murce. Trabalhou, na década de 1950, nas rádios "Mayrink Veiga", "Clube de Pernambuco e Clube do Brasil.
Nas chanchadas da década de 50, Chico passou a escrever diálogos e, eventualmente, atuava como ator em filmes da Atlântida Cinematográfica.
Na televisão, sua estréia foi na TV Rio no programa “ Noite de Gala”
. Em 1959, estreou o programa Só Tem Tantã, lançado por Joaquim Silvério de Castro Barbosa, ou simplesmente Castro Barbosa, mais tarde denominado de Chico Total.
Uma de suas primeiras composições foi o “Hino ao Músico”, gravado por Chocolate, que imediatamente obteve grande sucesso.
Em 1965 no ano do 4° centenário do Rio de janeiro,uma música sua, em parceria com João Roberto Kelly fez grande sucesso na voz de Dalva de Oliveira:”O Rancho da Praça 1 1”.
Desde 1968, `tem contrato com a Rede Globo, onde conseguiu o status de estrela num "cast" que contava com os artistas mais famosos do Brasil; e graças também a relação de mútua admiração e respeito que estabeleceu com o executivo Boni.
Após a saída de Boni da Globo nos anos 90, Chico perdeu paulatinamente espaço na programação, situação agravada em 1996 por um acidente em que fraturou a mandíbula.

É irmão da também atriz Lupe Gigliotti, com quem já contracenou em vários trabalhos na televisão; do cineasta Zelito Viana; e do industrial, compositor e ex-produtor de rádio Elano de Paula. Também é tio do ator Marcos Palmeira
Alguns de seus filhos também são artistas.
Citar tudo que Chico Anísio fez na TV é estender demais este assunto, assim, cito apenas Chico City, seu primeiro trabalho na Rede Globo; Chico Anysio Show; “Escolinha do Professor Raymundo”; Chico e Amigos e Zorra Tiotal.
Chico também participou de várias novelas, sendo seu mais recente trabalho na novela “Caminho das Índias”.
Para terminar quero colocar aqui a letra daquela que é para mim sua mais bonita composição:” Rio Antigo”, gravação de Alcione

RIO ANTIGO
Quero um bate-papo na esquina
Eu quero o Rio antigo
Com crianças na calçada
Brincando sem perigo
Sem metrô e sem frescão
O ontem no amanhã
Eu que pego o bonde 12 de Ipanema
Pra ver o Oscarito e o Grande Otelo no cinema
Domingo no Rian
Me deixa eu querer mais, mais paz

Quero um pregão de garrafeiro
Zizinho no gramado
Eu quero um samba sincopado
taioba, bagageiro
E o desafinado que o Jobim sacou

Quero o programa de calouros
Com Ary Barroso
O Lamartine me ensinando
Um lá, lá, lá, lá, lá, gostoso
Quero o Café Nice
De onde o samba vem

Quero a Cinelândia estreando "E o Vento Levou"
Um velho samba do Ataulfo
Que ninguém jamais gravou
PRK 30 que valia 100
Como nos velhos tempos

Quero o carnaval com serpentinas
Eu quero a Copa Roca de Brasil e Argentina
Os Anjos do Inferno, 4 Ases e Um Coringa
Eu quero, eu quero porque é bom
É que pego no meu rádio uma novela
Depois eu vou à Lapa, faço um lanche no Capela
Mais tarde eu e ela, nos lados do Hotel Leblon

Quero um som de fossa da Dolores
Uma valsa do Orestes,zum-zum-zum dos Cafajestes
Um bife lá no Lamas

Cidade sem Aterro, como Deus criou
Quero o chá dançante lá no clube
Com Waldir Calmon
Trio de Ouro com a Dalva
Estrela Dalva do Brasil

Quero o Sérgio Porto
E o seu bom humor
Eu quero ver o show do Walter Pinto
Com mulheres mil
O Rio aceso em lampiões
E violões que quem não viu
Não pode entender
O que é paz e amor

Chico esteve recentemente muito doente, ficando vários dias na UTI, ligado a inúmeros aparelhos para sobreviver, mas está de volta a sua residência e, brevemente, a seu trabalho.
Completa hoje 80 anos.

Norma

A nossa identidade antropológica - por José do Vale Pinheiro Feitosa



Os historiadores não são isentos de sua própria história. Nem o matemático ou o físico. E a própria história além de eventos vividos é também a narrativa (explicativa) das gerações que antecederam tais eventos. Por tal, como exemplo, o cearense acha que é um unidade narrativa, com seus mitos fundadores (mesmo que literário em Iracema) e toda a “odisséia” até os dias atuais. Todos acham assim?

Os Estados Nacionais, que se formaram de fragmentos díspares e contraditórios num passado não tão remoto assim têm a sua narrativa feita por mitos fundadores e pensam sua formação como uma unidade étnica e de origem comum. Isso já foi derrubado há muito tempo, mesmo um país que exagerou no tema como a Alemanha ariana, se descobre tão fluido em sua origem quase que igual a estes das Américas com etnias de todos os continentes.

Estamos o tempo todo tentando descobrir uma “identidade” como povo e a cada vez caímos no denominador comum da humanidade. Isso não foi sempre assim, uma religião poderia criar um senso de identidade, um território também, ou uma atividade produtiva ou cultural, mas tudo foi se transformando numa unidade planetária, ainda inconclusa, mas cada vez mais evidente nas comunicações e nas percepções de produtos e até mesmo do meio físico como o clima.

Esta questão da dissolução do antigo modo de enxergar fratias, procurar a ordem monárquica, o eixo divino, a linearidade da formação dos povos pode bem ser vista na análise do povo Judeu. Façamos um esforço de analisá-lo na perspectiva sionista que é a visão que melhor identifica a sua linearidade bíblica e que se manteve intacta por mais de dois mil anos. Qual a visão histórica dos judeus sob o ponto de vista do sionismo?

Segundo esta visão o povo judeu existe desde a entrega da Torá no monte Sinai e hoje são os descendentes diretos e exclusivos. Saíram do Egito com Moisés para a Terra Prometida, edificaram o reino de Davi e Salomão, que originou a Judéia e Israel. O judeu manteve-se o mesmo apesar dos dois exílios que experimentaram: depois da destruição do Primeiro Templo, no século VI a.C., e após o fim do Segundo Templo, em 70 d.C. Esta última diáspora durou 2 mil anos e eles se dispersaram pelo Iêmen, Marrocos, Espanha, Alemanha, Polônia e ao mais remoto da Rússia. No entanto eles preservaram os laços de sangue e mantiveram sua unicidade.

Enquanto isso a Palestina era a mesma Terra Prometida à espera do seu povo original. Ela pertencia aos judeus, e “não àquela minoria desprovida de história que chegou lá por acaso”. “Por isso, as guerras realizadas a partir de 1948 pelo povo errante para recuperar a posse de sua terra foram justas. A oposição da população local é que era criminosa”. (1)

Acontece que esta narrativa do povo judeu é um mito religioso, de uma religião que foi poderosa em muitos continentes antes mesmo do cristianismo ou do islamismo. Religiões que tinha a linearidade étnica como formulação divina, mas não como prática biológica, antropológica e até mesmo social. Como todas as religiões modernas tenderam para o denominador comum da humanidade, em muitos continentes, em muitos povos e muitas realidades sociais diferentes.

Os judeus modernos pertencem a origens sanguíneas diferentes, mesmo com práticas de consanguinidade em casamentos, seria impossível se manter a etnicidade semita em tão largo espaço do planeta e em tanto tempo. Os judeus da Europa central são europeus centrais, os ibéricos vieram com berberes e outros povos e assim por diante. Quando tentamos localizar as nossas origens familiares estamos falando de antepassados numa escala geométrica.

A verdade é que a humanidade que nos une cada vez mais será a nossa identidade, que continuará fluindo para outras formas de cultuar a identidade. Não sejamos infelizes por isso, mas ao contrário, muito mais ciente qual seja o nosso mundo.

(1) – trecho retirado do artigo “Como surgiu o povo Judeu” de Shlomo Sand, historiador da Universidade de Telavive.

De Nicodemos para Everardo Norões


Que café gostoso
que poema saboroso
sorvi as palavras
no calor da xícara
meu tetrabisavô
se arrepiou de saudade

salamaleikam! poeta!