por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



domingo, 13 de outubro de 2024

 A PROPÓSITO DA POSSIVEL VOLTA (QUE PERSPECTIVA TERRÍVEL) DA “CAPITÃ CLOROQUINA” À CENA POLÍTICA CEARENSE, ATRAVÉS DO ANDRÉ FERNANDES, NÃO CUSTA LEMBRAR QUE

“O BRASIL DEMOROU DÉCADAS PRA CONSTRUIR UM DOS MELHORES PROGRAMAS DE VACINAÇÃO DO MUNDO, E FAZER UMA POPULAÇÃO INTEIRA CONFIAR NELA.
VIDA INTEIRA DE PROFISSIONAIS SÉRIOS E DEDICADOS À SAUDE, ATUANDO NOS BASTIDORES E NA LINHA DE FRENTE. MILHARES DE “ZE GOTINHAS” SUARAM NA FANTASIA EM INÚMERAS CAMPANHAS.
É UM ORGULHO NOSSO, SOMOS EXEMPLO PARA O MUNDO; PORTANTO, NÃO DEIXEM JOGAR ISSO FORA POR POLÍTICA E POR PESSOAS COM PÉSSIMA ÍNDOLE E INSTRUÇÃO PESSOAL, COM FORMAÇÃO SEVERAMENTE DEFEITUOSA DE MENTE, ALMA E CARÁTER”.
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A VOLTA DA “CAPITÃ CLOROQUINA” ??? - José Nilton Mariano Saraiva

Anos atrás, depois de fracassar na sua tentativa de chegar ao Senado Federal, mesmo com o apoio do então poderoso padrinho Tasso Jereissati, a médica pediatra cearense Mayra Pinheiro arranjou uma “boquinha” em Brasília e foi nomeada pelo então ministro Luiz Mandetta para um cargo comissionado no Ministério da Saúde (possivelmente por indicação do “gabinete do ódio”), já que bolsonarista de primeira hora.

Conhecida por sua intransigente defesa da cloroquina no combate ao uso da Covic 19, do tratamento precoce, da tese da imunização do rebanho, e por não ligar nem um pouco para o distanciamento social (bandeiras do “chefe”, o Bozo), logo recebeu a alcunha de “capitã cloroquina”.

Inimiga de primeira hora do PT, de Lula da Silva e Dilma Rousseff e seus seguidores, há diversas gravações e documentos onde a “capitã cloroquina” promove o “kit covid” e uma em que ataca os próprios colegas, além de  acusar a respeitável Fiocruz de ser um QG de esquerdismo e de “políticas LGBTI” na Saúde; também de ter a réplica de “um pênis” gigante em sua entrada e de financiar a ida de médicos e pesquisadores a Brasília para “andarem nus e fazerem cocô em crucifixos”.

Lá atrás, a Capitã Cloroquina também participou de deseducadas e barulhentas manifestações contra os médicos cubanos que, contratados pelo Governo Federal do PT para irem servir em áreas remotas do Brasil, não aceitas pelos médicos brasileiros (cerca de 800 localidades), se prestavam a isso.

Mais tarde, chamada a depor como testemunha na CPI da Covid, “amarelou” vergonhosamente ao apelar ao Supremo Tribunal Federal para que lhe concedesse uma habeas corpus desobrigando-a de ser responder às muitas perguntas que decerto lhe seriam feitas; não só conseguiu, assim como teve o direito de se fazer acompanhar por um advogado (o também cearense Djalma Pinto).

Como se previa, enrolou, gaguejou, embromou e só respondeu às perguntas que lhe eram convenientes, fugindo do essencial, além de negar a informação dada pelo próprio ministro de que fora ela responsável por um certo aplicativo, de resultados direcionados e únicos (tanto que quando descoberta a fraude logo foi retirado do ar).

Em 2008, ao participar do processo seletivo para professora de Neonatologia da Universidade de Fortaleza (Unifor), foi desclassificada ainda na primeira fase, por incluir no seu “Currículo Lattes”, como se fosse de sua autoria, um artigo de uma colega médica (na oportunidade, covardemente culpou um servidor da instituição, que teria cometido um banal e simplório... “erro de digitação”).

É bom recordar tudo isso, nos dias atuais, já que o candidato à Prefeitura de Fortaleza, André Fernandes, anunciou, quando ainda era pré-candidato à Prefeitura que, se eleito, a CAPITÃ CLOROQUINA será a Secretária de Saúde da nossa capital.

Alfim, uma revelação chocante: a médica Mayra Pinheiro tomou a vacina, sim (assim como seu “chefe”, o Bozo), embora não a recomendasse aos mortais comuns.   

domingo, 8 de setembro de 2024

 ALGUÉM PODE CONFIRMAR SE É ISSO MESMO ???


Isso me lembrou de quando tive a infelicidade de me casar com uma viúva. Ela tinha uma filha, e meu pai, para piorar a situação, era viúvo. Ele se apaixonou e casou com a filha da minha esposa, então minha esposa era sogra do sogro dela, minha enteada virou minha mãe e meu pai ao mesmo tempo foi meu genro. Pouco depois, minha madrasta trouxe ao mundo um menino, que era meu irmão, mas ele era neto da minha esposa, então eu era avô do meu irmão. Com o passar do tempo, minha esposa trouxe ao mundo um homem que, por ser irmão de minha mãe, era cunhado de meu pai e tio de seus filhos. Minha esposa era sogra de sua filha. Eu, porém, sou o pai da minha mãe, e meu pai e sua esposa são meus filhos. Além disso, sou meu próprio avô.

(Fonte: INTERNET)

domingo, 25 de agosto de 2024

JOSÉ (Dr. Demóstenes Ribeiro)

O tio Afonso, atendendo ao pedido da minha mãe, acolheu-me ainda quase-menino em sua casa. Eram os anos quarenta, começara a fuga do campo e se tornara evidente que naquela região a vida rural não mais conduziria a nada. 

Embora vindo da roça, vi que eu era diferente. Tornei-me balconista da loja de tecidos e, com a doença do tio, logo passei a gerente. Daí, a inveja e a hostilidade que não pararam mais. 

“Cumpade” era uma preta velha corcunda e miúda, que morava nos fundos da casa do meu tio. Independente do gênero, a todos ela chamava assim, por isso esse apelido inevitável. Vestia marrom, era neta de escravos e agregada da família. Gostava de mim, me dava atenção e aliviava as minhas dificuldades. Muitos anos depois, quando ela morreu, com eterna gratidão e à beira do túmulo, lhe fiz a oração do adeus. Quase não havia ninguém no cemitério.

Certo dia, com a morte do tio Afonso, o clima tornou-se insuportável. Então, numa ousadia tremenda, me desliguei da empresa e, em sociedade com um primo, iniciei uma pequena loja. O "Armazém do Povo" ia bem e trouxe para a cidade um irmão mais novo que também prosperou no comércio. Restava o irmão caçula, ao qual eu também teria o dever de ajudar.  

José, moço bonito e boa prosa, era chegado a uma cachaça e com ele as coisas nunca iam bem. A sua lojinha faliu e ele tentou o Rio de Janeiro. Achou que o parente importante facilitaria a sua vida na capital federal. Ledo engano. Logo estaria de volta e a dizer que o cearense só é feliz na sua terra.

Mudou-se para Juazeiro e logo se apaixonou por Silvana, uma filha do “Chico Boneco”, certo romeiro alagoano devoto do Padre Cícero, e que apresentava marionetes. O romance terminou em casamento. Na fotografia formavam um casal bonito, mas a vida real era só dificuldade. Zaira, a minha mulher, não gostava dela. 

Então, meses depois – eu não sei como -, ele se elegeu vereador.  As brigas e os porres eram constantes. Com o meu aval e um golpe de sorte, conseguira ser viajante de uma grande firma de tecidos do Recife – “Queiroz Campos Tecidos S.A.” Num Jeep Willis, percorria todo o estado. 

Um dia, levemente embriagado, veio nos visitar e levou meus filhos para tomar sorvete. As crianças nunca haviam provado essa delícia e hoje ainda guardam aquela lembrança inesquecível da infância. 

Até que, numa dessas viagens, virou o carro. A capota de aço salvou-lhe a vida, mas foi demitido, perdeu o jeep e passou a viver de biscates. Ganhava uns trocados vendendo discos e muitas vezes o ajudei comprando “Nelson Gonçalves, Ivanido, Zé Calixto” e outros mais que ouvíamos na radiola “Telefunken”, da qual eu era muito enciumado.

Ele também se virava exibindo filmes em pequenos cinemas do interior. Eram chanchadas ou faroestes. Trazia alegria com Oscarito e Grande Otelo, tiros e emoções com Audie Murphy e Randolph Scott. Certo dia, embriagado, convenceu o padre de um lugarejo a exibir "E Deus criou a mulher", com Brigitte Bardot, no salão paroquial. Seria um filme diferente sobre a criação do mundo., convenceu o vigário. Quando a loura apareceu nuinha, Ambrósia gritou É Satanás; as beatas afogaram o projetor em água benta e ele saiu fugido, excomungado e nunca mais pode mostrar qualquer filme em toda a  Diocese.

O tempo nos afastou, porém, sabendo-o muito doente, resolvi visitá-lo. Trocamos reminiscências, sempre com o seu filho ao lado. Orgulhoso, na saída, encarou-me sério e falou: ele está se formando, logo teremos um médico. Muito obrigado por tudo. Como você vê, a minha vida não foi uma completa inutilidade.


Dr. Demóstenes Ribeiro é médico cardiologista, natural de Missão Velha-CE, atuante e residente em Fortaleza-CE


domingo, 18 de agosto de 2024

 

Alain Delon, lenda do cinema francês, morre aos 88 anos

Ator ficou mundialmente conhecido por sua atuação no filme "O sol por testemunha".

18/08/2024 04h33  Atualizado há 2 horas

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Alain Delon morre aos 88 anos

O ator francês Alain Delon morreu aos 88 anos neste domingo (18). De acordo com a agência de notícias AFP, a família de Delon informou que ele faleceu em sua casa em Douchy-Montcorbon, na França. A causa da morte não foi divulgada.

Ícone do cinema francês, o artista conquistou os corações de milhões de fãs com suas interpretações icônicas de assassinos, bandidos e matadores de aluguel no auge do pós-guerra.

Delon é descrito por especialistas e artistas como um "gigante da cultura francesa". Esteve à frente de filmes como O Sol por Testemunha, Rocco e Seus Irmãos e O Leopardo. Apesar do sucesso em seu país, ele nunca alcançou o mesmo nível de fama em Hollywood.

Sua última grande aparição foi para receber uma Palma de Ouro honorária no Festival de Cinema de Cannes, em maio de 2019. Após sofrer um AVC no mesmo ano, Delon passou a viver recluso em sua propriedade, e sua família chegou a declarar que ele manifestou o desejo de se submeter ao suicídio assistido.

Nas redes sociais, o presidente da França, Emmanuel Macron, lamentou a morte de Delon:

"Alain Delon interpretou papéis lendários e fez o mundo sonhar. Emprestando seu rosto inesquecível para sacudir nossas vidas. Melancólico, popular, reservado, ele era mais do que uma estrela: era um monumento francês", postou Macron no X (antigo Twitter).

A marca Dior também lamentou a morte do ator, que não era apenas um ícone nas telas, mas uma referência fashion, sendo o rosto da marca durante décadas.

Ele foi um ator notável e, acima de tudo, um amigo da Casa Dior por muitos anos; nossos pensamentos estão com sua família e amigos.

O auge nos anos 60 e 70

Antes de se tornar uma estrela de cinema, Delon, nascido Alain Fabien Maurice Marcel Delon em 8 de novembro de 1935, em Sceaux, Hauts-de-Seine, França, começou sua vida profissional como aprendiz de açougueiro, trabalhando ao lado do pai.

Mais tarde, alistou-se como fuzileiro naval e, em 1953, foi enviado ao sudeste asiático. Após ser dispensado em 1955, Delon fez vários trabalhos temporários e tornou-se amigo de alguns atores de cinema, com os quais compareceu ao festival de cinema de Cannes em 1957.

Durante o festival, Delon chamou a atenção de um caçador de talentos do produtor americano David Selznick, que lhe ofereceu um contrato com a condição de aprender inglês. No entanto, após conhecer o diretor francês Yves Allégret, Delon decidiu seguir carreira na França.

Considerado um dos grandes galãs do cinema entre as décadas de 1960 e 1970, Delon estrelou mais de 80 produções cinematográficas, incluindo clássicos como "O Sol por Testemunha" (1959) e "Cidadão Klein" (1976).

Em fevereiro deste ano, a polícia apreendeu 72 armas de fogo e mais de 3 mil munições na casa do ator. Ele não tinha licença para possuir armas de fogo.

A decisão do suicídio assistido

decisão de recorrer ao suicídio assistido foi um desdobramento de seu estado de saúde. Em 25 de março, o perfil oficial de Alain Delon no Instagram publicou o que muitos fãs interpretaram como uma mensagem de despedida.

"Gostaria de agradecer a todos que me acompanharam ao longo dos anos e me deram grande apoio. Espero que os futuros atores possam ver em mim um exemplo, não apenas no trabalho, mas na vida cotidiana, com suas vitórias e derrotas. Obrigado, Alain Delon."

Pouco tempo depois, a conta foi apagada. Delon, que sofreu um AVC em 2019, mencionou várias vezes a possibilidade de recorrer ao suicídio assistido, especialmente após presenciar o sofrimento de sua esposa, Nathalie Delon. Ela também tinha a intenção de optar por essa prática, mas faleceu em 2021 devido a um câncer de pâncreas, antes de conseguir as autorizações necessárias.

terça-feira, 13 de agosto de 2024

A “FORÇAÇÃO DE BARRA” QUE VIROU LEI - José Nilton Mariano Saraiva

A rua Ana Bilhar, aqui em Fortaleza, localiza-se a duas quadras da Av. Beira Mar, área nobre da capital cearense, onde o preço do metro quadrado de terreno custa os olhos da cara, quase atingindo a estratosfera. Portanto, só mora naquela área quem tem “bala na agulha” (grana, muita grana).

Mas, além da grana, tudo indica que os que ali residem também gozam de certo prestígio junto às autoridades do município, talvez em função do “status” da moradia. Assim é que, estribados nessa condição privilegiada, POR CONTA PRÓPRIA resolveram criar na via pública uma “ciclofaixa” (via de trânsito para uso exclusivo de bicicletas), a fim de não correram nenhum risco de serem atropelados quando se exercitam pelas manhãs e à noite. Dito e feito: cotizaram-se e providenciaram a pintura de uma faixa, numa extensão de dois quilômetros, na lateral da citada rua.

Acionada por motoristas que por lá trafegam, e que se sentiram incomodados em razão da diminuição do espaço de manobra, a AMC (autarquia que cuida do trânsito na cidade) compareceu ao local e, num primeiro momento, face não ter havido nenhuma consulta ou autorização oficial, ameaçou obstar tal intento, apagando a tal faixa no asfalto.

Conversa vai conversa vem, a AMC resolveu por assumir a “maternidade” (já que uma instituição) do serviço feito pelos moradores, não só alargando a citada faixa, mas dando-lhe contornos definitivos e oficiais; além do que, proibiu os carros de estacionar durante os dois quilômetros sinalizados e, a partir de certa data, passou a cobrar uma multa salgada do proprietário de carro que se aventurar a trafegar por ali, além de lhe “premiar” com 07 pontos na carteira (infração gravíssima).

Poderíamos entender isso tudo como uma vitória da cidadania, porquanto uma iniciativa dos moradores, posteriormente chancelada pela autoridade competente (e, pois, merecedora de aplausos). Mas, eis que, quando os moradores de uma rua do “miserável” Bom Jardim, bairro periférico da capital, resolveram criar uma ciclofaixa idêntica (espelhando-se no que fizeram os moradores da “nobre’ rua Ana Bilhar), a AMC logo logo pintou no pedaço e, de pronto, não só apagou a faixa pintada, como, também, ameaçou com represálias que ousasse tomar qualquer providência em contrário.

Quais as razões pra tamanha discriminação ??? Por que, não, um tratamento isonômico ??? Todos não são iguais perante a lei ??? Ou, aqui, os fracos não têm vez ???

Fato é que, querendo ou não, o “pioneirismo ilegal” dos moradores da rua Ana Bilhar (daquela época) findou por literalmente obrigar a AMC a estender aquele “privilégio” por toda a Fortaleza, de modo que hoje até os bairros periféricos da capital contam com a sua “ciclofaixa” (devidamente regulamentada). 

 

O “BRINDE INDESEJADO” – José Nilton Mariano Saraiva

Quando chegou a Fortaleza, já lá se vão anos, a primeira loja da rede americana McDonald’s se constituía em autêntico objeto de desejo de meio mundo de gente.

Na cultura popular, adentrá-la e lá permanecer, mesmo que por alguns instantes, era como que transpor a sonhada porta do céu (existe isso ???), já que não era pra qualquer um; consumir seus produtos, então, era motivo de regozijo para os que tinham tal privilégio e, certamente, objeto de conversas e mais conversas ao longo dos dias seguintes.

Mas, aí, em face de receptividade de uma solitária loja, que rendia um transatlântico de grana, a rede cresceu os olhos e resolveu estender seus tentáculos pra todas as direções; assim, hoje qualquer bairro de Fortaleza tem uma McDonald’s estalando de nova, tal a agressividade mercadológica (até em cidades do interior já se encontram).

Pois foi exatamente na loja “pioneira”, instalada na borbulhante Av. Beira Mar, com seus turistas e nativos em profusão, que anos atrás se deu um fato inusitado: uma senhora, acompanhada do filho menor, que aniversariava, resolveu presenteá-lo levando-o para “deglutir um sanduba” conhecido por “quarteirão”, na McDonald’s; imenso, cheiroso e visualmente atraente, dizem que não há quem resista a um “quarteirão”.

Pois bem, tudo ia nos “trinques”, com mãe e filho se refestelando no consumo do “bichão” quando de repente, ela, mais experiente, sentiu um gosto um tanto quanto esquisito na boca, já depois de ter “botado pra dentro” metade do “quarteirão”; curiosa, aproximou a outra metade do danado do sanduba do seu campo de visão e aí seu deu conta de que haviam colocado um “brinde” dentro de um dos sandubas, talvez – quem sabe ? - para homenagear o filho aniversariante: assim, uma imensa “voadora” (barata), já pela metade, jazia inerte entre pão, queijo, hambúrguer, maionese, ovo, catchup e por aí vai.

Ante aquela visão dantesca, o estômago de pronto revirou de uma maneira tal que, na frente do filho apavorado, ela quase bota os bofes pra fora, tal a intensidade do vômito (dizem que vomitava a metros de distância). Dali mesmo foi levada de imediato pra um hospital próximo, onde uma lavagem estomacal acabou por expelir a metade da barata “deglutida”.

Depois, já em casa, entendeu que o constrangimento dela e do filho só podiam ser reparados com uma atitude mais séria, via exercício da cidadania: entrou com uma ação na Justiça, que lhe deu ganho de causa, de forma que a rede McDonald’s, a indenizou com R$ 15.000,00 (quinze mil reais).

Como lá no Crato já houve problema com o “sushi” estragado do Mercadinho São Luiz, que levou um exército de consumidores aos hospitais, a impressão que fica é que os franqueadores das respectivas marcas não estão tendo o necessário cuidado em orientar quem prepara os quarteirões e suchis da vida, daí a progressiva perda de qualidade e conceito da mercadoria ofertada.

Apelar pra quem, pro argentino que se tornou o Papa Chico ???    

     

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

O OLHAR DE MEU PAI  ( Luís Nassif )

Antes dos 13 anos, declarei guerra a meu pai. Eu passara para o terceiro ano do ginásio, mudou o “irmão Marista” titular da classe, e tive a oportunidade de tirar o primeiro lugar, algo que não conseguira nos dois anos anteriores.                             

Fui para casa de boletim na mala e peito estufado, e o velho nem ligou. À noite, no encontro de pais e alunos no Marista, um pai chegou perto de nós, saudou o meu feito e indagou se manteria a colocação. Seu Oscar respondeu irritado: “Problema dele”. Anos depois, Chafik, seu melhor amigo, me contou que ele não se conformara com minha decisão de, aos 12 anos, me tornar jornalista, e não seu sucessor na Farmácia Central.                                                                                                                            

Desde aquela noite de 1963 um muro ergueu-se entre nós. No mês seguinte caí para 7º da classe, no terceiro mês para 15º, do quarto mês em diante fui o último para o todo e sempre. Puni o seu Oscar a cada prova mal feita, a cada gazeta engendrada, a cada rebelião contra os irmãos. Mas nos momentos cruciais, consegui o seu apoio, especialmente no dia em que o reitor Lino Teódulo foi à minha casa com acusações falsas, em represália à minha militância estudantil. Disse-lhe na cara que ele estava mentindo, e meu pai me apoiou.                                                                                        

Nem isso quebrou as nossas barreiras. Eu chegava em casa antes de meu pai chegar, refugiava-me na tia Rosita na hora do jantar, depois, quando ele descia de novo para fechar a farmácia corria para casa, para dormir antes que ele voltasse de vez. Mas de manhã bebia cada som que ele emitia, cada gesto de ansiedade, andando para lá e para cá no corredor de casa, os gemidos de quem carrega os fardos do mundo. E me punia por não poder ajudá-lo.                                                                                                           

Ao longo da vida, guardei em frascos de cristal os poucos momentos de emoção que consegui compartilhar com ele, como o garimpeiro que procura a pepita na bateia. Registrei seu choro na morte da tia Marta, as lágrimas na missa de sétimo dia do vô Issa, seu sogro, a última ida a Poços de Caldas, para ser comunicado da morte de seu melhor amigo, e seu olhar quando divisou a cidade ao longe. Mais tarde, acompanhei seu silêncio quando tia Rosita morreu. Não contamos nada para ele, e ele nunca mais perguntou dela, para não ouvir a resposta que temia.

E me lembrei para sempre do dia em que o critiquei na casa do vô Issa por ter comprado um bilhete de loteria enquanto estávamos acampados por lá, procurando casa para alugar em São Paulo. Ele saiu para a rua, fui atrás e pedi a Deus as palavras que me permitissem explicar o que sentia. Abracei-o, aquele homem alto, chorando, e falei, falei e falei, disse-lhe que ele continuava o centro da família e que minha preocupação era apenas para que não demonstrasse desespero indo atrás de miragens. E só serenei quando ele se acalmou e me olhou com olhar de pai agradecido.

O segundo derrame chegou doze anos depois do primeiro. Só depois de morto e enterrado comecei minha longa caminhada atrás de meu pai. Passei a buscá-lo em cada contemporâneo, em cada amigo. Com as velhas senhoras de Poços descobri o galanteador, com os fregueses mais humildes da farmácia, uma generosidade que nunca pressenti. Com os amigos, a pessoa aberta e alegre que submergiu com a crise da farmácia, mas que continuou sendo o mais gentil dos poçoscaldenses.

E quanto mais o buscava passava a descobrir o inverso, a busca que ele fazia de mim. Diariamente meu pai levava minhas irmãs ao Colégio São Domingos, e, na volta, pegava um amigo meu para almoçar e saber notícias minhas de São Paulo. Antonio Cândido me falou do orgulho com que ele relatava minhas primeiras reportagens. O padre Trajano me contava das notas que levava ao “Diário de Poços” relatando cada vitória em festival, em concurso literário. E minha mãe me contou que, no auge da minha crise de adolescência, ela perdeu a fé no meu futuro, e ele acreditou.                                            

Às vezes sinto o travo da última conversa que não houve, dos beijos que não lhe dei. Mas em algumas noites o sinto ao meu lado, daquele modo silencioso com que ficava com a tia Rosita, sem nada falar, porque palavras eram desnecessárias. Apenas me olhando com aquele olhar de quem finalmente se fez entender.


domingo, 28 de julho de 2024

 

AS ESQUECIDAS LIÇÕES DE “BRANXU” – José Nílton Mariano Saraiva

Desde tempos imemoriais, o velho e tarimbado filósofo “Branxu” (lá da Grécia) já enunciava, dentre várias outras profecias, que “aos inimigos não se mandam flores, mas, sim, bananas..... de dinamite” (preferencialmente acionadas à distância).

Os ilustres membros do nosso Supremo Tribunal Federal (STF) presumivelmente não tomaram conhecimento de tal assertiva, ou, se tomaram, incompreensivelmente  relevaram; é o que se pode depreender do tratamento extremamente dócil, magnânimo e suave como, de lá até cá, tratam o conspirador-mor do golpe de 08.01.23, o miliciano Jair Messias Bolsonaro.

Tanto é verdade que, após traçar e arquitetar (junto com seus “generais/zinhos de estimação”) referido golpe, de maneira frouxa e covarde o próprio se mandou para os Estados Unidos, onde assistiu de camarote, ao vivo e a cores, sua corja de alucinados meliantes patrocinarem a quebradeira generalizada nas sedes dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), com repercussão mundial.

Desconfiado e observando de longe se haveria alguma reação, ao constatar que nenhuma providência contra ele seria tomada pelos luminares com assento no STF, depois de 90 dias “pintou no pedaço” com a cara mais lisa do mundo, e passou a conspirar ainda mais e ostensivamente contra o regime democrático.

Fato é que, atualmente, a coisa tá em “banho-maria” e já se começa a duvidar que efetivas medidas sejam contra ele acionadas, embora exista um caminhão de provas que o condenam, em mais de um crime (o fato de ter seus direitos políticos suspensos por 08 anos é medida das mais benevolentes, porquanto além do atentado contra o regime democrático, os próprios membros do STF foram achincalhados e desafiados por ele publicamente).

Se realmente isso acontecer e, consequentemente, sua prisão não for decretada, teremos a desmoralização completa do Supremo Tribunal Federal e pairará a indolente suspeita de um possível jogo de conveniências não republicanas entre os integrantes da mais alta Corte do país e a bandidagem miliciana.

Chegaremos a isso ???

quarta-feira, 17 de julho de 2024

O QUE FOI O “GRANDE IMPACTO” ???


O "grande impacto" é uma teoria amplamente aceita que explica a formação da Lua. Segundo essa teoria, há aproximadamente 4,5 bilhões de anos, quando o sistema solar ainda era jovem, a Terra foi atingida por um objeto celeste do tamanho aproximado de Marte, conhecido como Theia. O impacto foi extremamente violento, e a colisão resultante expeliu uma grande quantidade de detritos para o espaço.

A partir desses detritos, formou-se um disco ao redor da Terra que eventualmente se consolidou para formar a Lua. Essa teoria explica várias características da Lua e da Terra, incluindo a composição química semelhante entre os dois corpos, a órbita sincronizada da Lua em torno da Terra, e a falta de uma densa atmosfera na Lua.

A evidência para essa teoria vem de várias fontes, incluindo a composição isotópica semelhante entre a Terra e a Lua, bem como modelos computacionais que mostram como um impacto do tamanho sugerido poderia ter resultado na formação da Lua.

Embora haja algumas questões em aberto e debates contínuos sobre os detalhes exatos do evento e suas consequências, a teoria do "grande impacto" é amplamente considerada como a explicação mais plausível para a origem da Lua.

Fonte: Internet

sábado, 6 de julho de 2024

E SE O SER HUMANO TIVESSE “PRAZO DE VALIDADE” ??? – José Nílton Mariano Saraiva

Nesses últimos dias, as manchetes dos principais jornais do mundo anunciaram com estardalhaço a verdadeira catástrofe que foi a participação do atual presidente dos Estado Unidos, Joe Biden, no debate televisivo contra o exótico e fanfarrão ex-presidente Donald Trump, já visando a próxima eleição presidencial americana, em novembro próximo.

Claramente “fora de tempo”, retardado, de raciocínio lento e com flagrantes lapsos de memória, sem condição nenhuma de pôr as ideias em ordem, o agora “demente” Joe Biden era o retrato doído, emblemático e cruel do desgaste físico e mental do ser humano com a passagem do tempo (ele está prestes a completar 82 anos). Lucidez e agilidade mental mandaram lembranças. A coisa foi tão vergonhosa e vexatória (e com transmissão para todo o mundo), que os próprios integrantes do partido democrata já se movimentam pra substituí-lo por um outro candidato que tenha pelo menos condições de antepor-se ao adversário.

Ainda a propósito, meses atrás causou estupefação e deixou muita gente perplexa, a imagem ao vivo, na TV, do senhor Calos Alberto Parreira, ex-treinador da seleção de futebol do Brasil, quando do velório do amigo Zagalo.

Olhar perdido, cadavérico, lento e balbuciante, aquele ex-falante poliglota e ex-atlético senhor era a imagem perfeita e acabada da sofreguidão experimentada pelo ser humano com o passar dos anos (e aí nos lembramos de uma nossa conhecida, “religiosa-raiz” daquelas de rezar o terço todos os dias, assim como diuturnamente frequentar a Igreja que, ao contrair um câncer super agressivo no  pâncreas, ao ponto de ter que receber morfina todos os dias, literalmente urrava de dor no leito hospitalar e perguntava por qual razão o Deus que ela tanto venerara, que ela tanto difundira, em quem ela depositara tanta fé e tanto confiara, lhe impunha agora tamanho sofrimento, impedindo-a, inclusive, de acompanhar o desenvolvimento dos filhos menores).

Após os dois exemplos encimados, dentre tantos outros, não há como não questionar: por qual razão, lá nos primórdios da vida, quando tudo começou do zero, o misericordioso e poderoso “criador” de tudo não contemplou o ser humano com um “prazo de validade”, definitivo e improrrogável (a fim de evitar tanto sofrimento, a posteriori, já que podia antever o futuro ???). 

Por qual razão submeter sua própria criatura a penosos e, aí sim, prorrogáveis martírios (Alzheimer, câncer, Parkinson, demência, impotência, depressão, encurtamento da visão, dificuldade de locomoção, perda a audição, e por aí vai) fazendo-o, em meio à dor e ao sofrimento, perder paulatinamente o próprio sentido da vida e, até descrer de tudo que praticara ao longo da existência (e aqui, o ator francês Alain Delon é a “bola da vez”, porquanto mudou-se da França para a Suíça com o firme intuito de pôr fim à própria vida, quando quiser – lá é permitido por lei – já que cansou de viver e não ver mais sentido em continuar sofrendo).

É evidente que a “morte” é uma parte inevitável da condição humana, pelos padrões estabelecidos lá no alvorecer da vida (já que contempla a questão biológica) mas, e se houvesse a certeza que o fim definitivo seria num dia determinado (por exemplo, na data que completasse 85 anos, que presumivelmente é a partir de quando as mazelas se fazem recorrentes), não seria mais racional e aceitável, já que nesse interregno o vivente aproveitaria a plenitude da vida, porquanto sabedor da extinção do seu “prazo de validade” e, portanto, dali não passaria ???

Afinal, qual o sentido de se viver literalmente em “estado vegetativo” ou tornar-se um inútil “zumbi”, em sendo um ser humano semimorto ???  No decorrer da própria vida, já não terá passado por agruras mil, capazes de pagar todos os pecados certamente cometidos ???

No mais, entendemos não passar de mera masturbação sociológica ou pseudo exibicionismo intelectual (fajuto, evidentemente) a manifestação extemporânea de alguns poucos, ao afirmarem (acreditamos que muito mais na base da gozação), que a velhice é o melhor período da vida e o apogeu da existência; quanto despropósito, quanto cinismo, quanta desfaçatez, quanta hipocrisia, quanta lengalenga.

 

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Post Scriptum:

Dada a complexidade do tema, e em contraponto a tudo que está exposto acima (sobre a origem do homem), em 1871 o respeitado naturalista/cientista britânico Charles Darwin publicou sua teoria sobre “A Descendência do Homem e Seleção em Relação ao Sexo”, onde revolucionou a compreensão cientifica da vida na Terra ao contundentemente  argumentar que... “os humanos compartilham um ancestral comum com outras espécies de primatas”; para tanto, baseou-se nas evidências anatômicas e embriológicas, como semelhanças na estrutura do corpo e no desenvolvimento do embriões.

Daí, em razão da credibilidade do dito-cujo, caberia a pertinente e oportuna indagação: seria o homem, em verdade, um “melhorado/marombado” descendente do macaco ???

Será ???

  


terça-feira, 2 de julho de 2024

 E eis que o tal facebook nos brinda (re)postando um nosso texto de meses atrás, que compartilhamos com vocês aí do outro lado da telinha.


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“LA BELLE” (o filme) – José Nílton Mariano Saraiva

Esquecida pelo poder público, nos confins do território americano a pequenina cidade de “LA BELLE” vivia quase que exclusivamente em função de uma mina de prata que garantia sua própria sobrevivência.

Tanto, que todos os homens em condição de trabalho viviam o dia mergulhados em suas profundezas (só retornando à noite), enquanto as mulheres cuidavam dos afazeres domésticos e das crianças.

Mas, de repente, tudo mudou radicalmente, em função de uma tragédia inimaginável: uma explosão no interior da mina soterrou todos os homens da cidade (à época no total de 83). A partir de então, LA BELLE, passou a ser conhecida como a “cidade das mulheres”.

Eis que, na perspectiva de tomar de conta da mina, e vindo de um outro extremo do país, senhores falantes e teoricamente persuasivos, acompanhados da “casca grossa” (bandidos violentos) se apresentam como capazes de desenvolver a cidade, desde que lhes permitam explorar a mina; para tanto, 90,0% do lucro ficariam com eles retidos e 10,0% seriam destinados às mulheres. Claro que não tiveram receptividade, mas, mesmo assim tomaram de conta da cidade, na marra.

Paralelamente, uma viúva não muito querida pelas demais mulheres, que vivia num rancho isolado, contíguo à cidade (junto com o filho e a sogra, uma índia sorumbática), na madrugada é acordada por um barulho suspeito; sai e, de rifle em punho, dispara na escuridão e fere alguém que viera à procura de ajuda. À base da luz de candeeiro, sensibilizada acolhe o forasteiro (que já chegara ferido à bala) e na manhã seguinte encarrega a sogra a dele cuidar.

Durante a convalescença e após recuperar-se, o estranho mostra ser um exímio domador de cavalos selvagens; é que, como no curral do rancho existem vários, ele começa à paciente tarefa de domesticá-los. Aproveita e ensina o filho da viúva, de maneira persistente e insistente (monte de novo, monte de novo), a não só montar como também domar os quadrúpedes; de longe, a viúva e a sogra (a índia sorumbática) embora não verbalizem, mostram extremo contentamento.

E aí começa a “pintar um clima”, quando ele manifesta o desejo de aprender a ler e escrever (era zerado em tudo); assim, enquanto ensina o filho da viúva a domar os cavalos, ele aprende com ela a arte das letras e de gostar das pessoas (a essa altura já houvera posto as fichas na mesa ao identificar-se como um famoso pistoleiro procurado pela Lei).

Entrega-se ao “xerife” da cidade, que voltara de uma perseguição infrutífera a bandidos, mas logo é solto pela própria viúva, que sentira sua falta.

Fato é que, ao ter-se transformado num famoso pistoleiro, fora capaz de romper com aquele que, num passado não tão distante o houvera lhe criado e ensinado tudo; tanto que foi capaz de arrancar-lhe o braço com um tiro de fuzil e roubar-lhe o produto milionário de um assalto a um trem-pagador; e, por essa razão, agora era incessantemente caçado pelo próprio e sua quadrilha, que já descobrira seu paradeiro.

E assim, as mulheres de LE BELLE se organizam e travam um confronto de proporções épicas com aquela bandidagem selvagem; derrotados inexoravelmente, o chefe da quadrilha, que viera se vingar do filho-adotivo (agora um famoso pistoleiro) e recuperar a grana, foge e é perseguido por ele; alcançado, travam um duelo de titãs, que é vencido pelo filho.

Alfim e como o duelo fora assistido pelo filho da viúva, este o traz de volta, onde ele se despede do garoto e daquela que poderia ter sido sua para sempre.

Antes, pede ao delegado (de volta à cidade e que o cientifica que houvera comunicado às autoridades que ele houvera sido morto no duelo), pois bem, ele o orienta a recomendar à viúva a ajeitar uma estaca da cerca de sua propriedade que estaria por cair; e quando ela lá chega e começa a escavar, dá de cara com um alforge de cavalo repleto de dinheiro, muito dinheiro (produto do roubo ao trem-pagador).

E num singelo bilhete, que ele houvera aprendido a escrever com ela, simplesmente um “THANK YOU” (OBRIGADO).