por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



segunda-feira, 18 de maio de 2015

(in)delicadeza

por Vera Barbosa




E foi assim...
Pousaste.

Quando notei, era tarde.

Quando me vi, tinhas ido.

Partiste.

Sem perceber, sem sentido.
- porque sempre foste a primavera em minha vida -
(clique e ouça Canto triste - Edu Lobo)

domingo, 17 de maio de 2015

Escutem...




Porque aquele órgão encantador mais embriagava a dose de Cuba Libre. Entretanto tuas emanações inebriantes a todas as minhas fibras tremiam na angústia da urgência. Aquele momento único não podia se perder.

E teu silêncio denso, como a mais dura rocha, deixava aquele momento grave como o irrealizado que é renúncia. O pingo de perfume na ponta de tua orelha, a fornalha que molda uma vontade no malho do ferreiro.

E aquele órgão se desdobrava em canção. Numa língua que eu não traduzia, mas compreendia. O fervor do teu corpo era o enigma em decifração.  Jogava-me um feito único e toda a iniciativa a mim cabia.

Na timidez ameaçada por um escândalo no salão. Um tapa na cara que move todas as humilhações do mundo. E a tua rocha de silêncio era um lajedo quente no pleno do meio dia.

E os dedos do organista ocupando todo os teclados implodiu o silêncio. Nada mais se escutava, apenas nossos corpos quentes ligados por um cabo rijo e um anteparo que promete o encaixe.

Mas nada havia entre nós. Uma fusão organista, uma concentração no mesmo ponto de fusão. Um momento que não diz nada, mas revela todo o universo. Eis o salto qualitativo do momento de urgência da timidez e do sólido silêncio de espera.

A iniciativa fora disparada. Um pleno orgástico ao som do órgão de A Whiter Sade of Pale.




Co-autores: Gary Brooker e Keit Reid, do grupo Procol Harum. O arranjo de órgão é de Mathew Fisher. Reid numa festa ouviu um rapaz falando para uma moça: você se tornou a mais branca máscara pálida. Uma exótica letra que traduz toda a leitura da educação inglesa do letrista. Parece, no estilo rock progressivo, traduzir a  sedução a dois embriagados, que termina numa relação sexual

A canção e o arranjo são derivados do Bach e isso traduz bem a erudição e a tecnicidade dos músicos do rock progressivo. O órgão introduz, reaparece ao final de cada estrofe e varia durante toda a canção.
No disco apenas estas duas primeiras estrofes foram cantadas. As demais apareceram em DVD e performances do Grupo de Rock inglês Procol Harum.


A mais branca máscara pálida

Nós girávamos a luz do fandango,
Carroça tombada cruzando o piso,
Eu me sentia um tanto enjoado,
Mas a desordem gritou por mais,
O quarto zumbia forte,
E o teto flutuou além,
Quando chamado para mais uma dose,
E o garçom trouxe uma bandeja.

E foi então, que mais tarde,
Como o moleiro disse em seu conto,
A face dela a princípio fantasmagórica,
Virou uma a mais branca máscara pálida.

Não há nenhuma razão, disse ela,
E a verdade é simples de ver,
Mas eu misturava meu jogo de cartas
E não a deixaria ser,
Uma das dezesseis virgens vestais
Que saiam para a costa do litoral,
Embora de olhos plenamente abertos,
Eles estariam sendo bem fechados.

Se a música for o alimento do amor,
Então o riso é a sua rainha,
Da mesma forma se atrás é a frente,
Então a sujeira é o limpo,
Minha boca igual a um cartão,
Parecia deslizar em linha reta ao meu coração
Então submergimos rapidamente,

E atacamos o leito do oceano.

UM DESERTO A SER DECIFRADO - José do Vale Pinheiro Feitosa

E foi por carregar uma criança de colo que caminharam longe pelo deserto. Montados num jumento iam porque o assassinato dos diferentes era a regra do governante.

Balançando no andar do muar, seguia aquele que explicitou que todos somos iguais. Ao invés de uma coisa ou animal de trabalho, somos humanos, pertencemos à mesma família, derivada de igual natalidade.

E aquele que seguia no deserto árido sabia que esta terra estava lá como potência de fertilidade. Sabia que gosmas que se amoldam aos contornos sólidos, lhes daria o beijo da traição.

Mas a questão não se encontra na gosma, nem nas rochas onde se ergue a avareza que tudo deseja apenas para si. A questão se encontra na humanidade traduzida em pessoas humanas que brilham num determinado natal com todo o deserto à frente, pronto para se revelar um potencial fértil.

Mas há que somos iguais e tantos se corrompem na ilusão da superioridade onde tudo que imaginam é um mérito a explorar os outros em diferenças. Há aqueles que decoram sua história com frases da mensagem e sob essa decoração luminosa, tentam ludibriar os demais com merecimentos que dividem, discriminam.

Dois mil anos após, o deserto continua lá pronto para ser entendido. Os chacais ainda o ronda em busca de corpos vivos. Os traficantes do trabalho, em orações de maldita fé, continuam fazendo escravos. Os execráveis continuam com suas vestes ornamentais a pregar anátemas aos demais, condenando-os só para arrancar-lhes o alimento que faz humanos às suas vítimas.

O deserto é para ser atravessado, pois é nele que o relevado se encontra. Ali onde os pilares das instituições nunca se ergueram, onde as bibliotecas da avidez medieval e burguesa nunca foram impressas.

No deserto viverá suando junto ao suor dos demais. Sombras para conservar os escusos que operam a ilusão do progresso não há. Assim como não há a divisão da terra, os livros da mais avalia que acumula, os bytes que fogem com a riqueza coletiva para entocá-las nas ruínas do livre mercado.

O deserto, dois mil anos após, diz tudo ao contrário destes alicerces eclesiais sobre os quais se ergue a acumulação que desfaz a pessoa humana.


A pessoa humana, nós que somos iguais em natalidade.


Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.
Drummond

P.S Obrigada, amigo Jackson.Drummond é demais!

sexta-feira, 15 de maio de 2015

NADA ALÉM - José do Vale Pinheiro Feitosa




Um em Laranjeiras, outro na Lapa e o terceiro no Engenho de Dentro. Três cariocas de origens sociais diferentes. Nasceram em anos próximos e viveram o mundo desta civilização como ela é: necessária e ilusória.

E por primazia a necessidade se põe à frente das ilusões que reconhecemos vãs. Porém quando se procura as coisas primeiras que são as essenciais, imprescindíveis, indispensáveis ao final e ao cabo há um vazio preenchido pela ilusão.

E ficamos em frente a écrans luminosos estimulados por quimeras e devaneios. Uma maçã envenenada de doses sub-letais que me faz matar por um mero objeto e me faz morrer pelo correr para pegar o bólido da fugacidade.


Por isso o amor, mesmo reconhecido como uma grande ilusão me faz querer a ilusão. Afinal Custódio Mesquita e Mário Lago, bem posicionados socialmente, deram à voz de Orlando silva esta frase magistral: “Eu não quero e não peço, para o meu coração, nada além de uma linda ilusão”.  

"APROPRIAÇÃO INDÉBITA" - José Nilton Mariano Saraiva


Com o título “Apropriação Indébita”, eis artigo do economista José Nilton Mariano Saraiva. Ele critica decisão da Prefeitura de Fortaleza que, na reforma feita no Parque Parreão I, situado no bairro de Fátima, deu sumiço na placa que registrava o local como obra do prefeito falecido Juraci Magalhães. Confira:
“Nas administrações Juraci Magalhães e Antônio Cambraia a cidade de Fortaleza experimentou um surto de desenvolvimento inquestionável; e para corroborar isso, à época a muito bem bolada propaganda oficial anunciava que para se constatar o progresso vigente na cidade bastava “abrir a janela”; lá estavam viadutos, parques, novas ruas, praças, etc.
Uma dessas obras e de grande utilidade foi o Parque Parreão I, localizado no Bairro de Fátima (vizinho à Rodoviária, entre as avenidas Borges de Melo e Eduardo Girão), porquanto um local destinado a pratica de caminhadas, atividades físicas, reencontro de amigos e por aí vai; enfim, um agradável e aprazível local sócio-recreativo-esportivo para onde acorriam os moradores de diversos bairros, principalmente nas manhãs e finais do dia.
Compreensivelmente, a fim de registrar para a posteridade sua marca, a administração de então fincou numa das laterais do parque um modesto pedestal encimado por uma placa onde registrado estavam os nomes do prefeito e secretário responsável (Juraci/Cambraia), data da inauguração (03 de Setembro de 1993) e outras informações básicas.
De lá para cá, entretanto, o Parque Parreão I, por descaso e falta de manutenção, enfrentou um desgastante e corrosivo processo de degradação, com o consequente afastamento daqueles que o frequentavam, tendo em vista a “invasão da área” por parte de desocupados e marginais de alta periculosidade.
Eis que, na atual administração da cidade, houve a “recuperação” do Parque Parreão I, só que com um detalhe ESTARRECEDOR e de uma DESONESTIDADE a toda prova: mantido o pedestal original, a placa com os nomes de Juraci Magalhães e Antônio Cambraia foi substituída por uma outra onde os frequentadores tomam conhecimento que o Parque Parreão I foi “INAUGURADO” em 16.setembro.2014, na administração do prefeito Roberto Cláudio Rodrigues Bezerra, tendo como secretário da prefeitura um tal Samuel Antônio Silva Dias e chefe da regional IV o senhor Francisco Airton Morais Mourão.
Além do desrespeito patente a um dos maiores prefeitos de Fortaleza (já falecido), tal atitude simboliza uma irresponsável e abusada tentativa de APROPRIAÇÃO INDÉBITA, porquanto os fortalezenses que usam o Parque Parreão I (já há décadas) sabem que o próprio foi idealizado e inaugurado pela dupla Juraci Magalhães/Antônio Cambraia (no dia 03 de Setembro de 1993, é necessário que se repita).
Conclusão: como do jeito que está temos configurada uma situação ilegal, imoral e amoral, ou verdadeira excrescência, se restar uma nesga de honestidade ao atual prefeito da cidade a placa original (com os dados corretos) será reposta e, ao seu lado, aí sim, um outro pedestal e uma outra placa informarão da REINAUGURAÇÃO (e não “INAUGURAÇÃO”) do Parque Parreão I, na atual administração.
É o mínimo que se pode esperar de pessoas com um átimo de sensatez e clarividência”.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Elton John - José do Vale Pinheiro Feitosa


GUERRA - PORQUE TE QUERO MORTE! - José do Vale Pinheiro Feitosa

Atrasado. Reconheço. Refiro-me às comemorações pelos 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. Seus mitos, mentiras e verdades.

Os mitos. O mito da Alemanha Nazista invencível. Surpreendente, vingativa e dominadora. O mito que a ferocidade com uma boa base de tecnologia, organização e disciplina vence a ordem o do mundo. Um mito vencedor.

O mito dos Deuses Caídos. Derrotados. Até o roer os ossos que deuses não deveriam ter. A enorme derrota da Alemanha Nazista e da Itália Fascista. Onde Hitler (o covarde supremo) suicidou-se logo após estimular seus soldados morrerem lutando. Onde Mussolini foi preso e morto tentando fugir para a Suíça.

Mentiras sob os raios luminosos de feiticeiros do cinema. Onde os EUA, Inglaterra e França se tornam OS ALIADOS e sozinhos vencem a guerra. Mentiras para esconder vergonhas do amor a Hitler.

Onde nos EUA Chaplin foi perseguido por ridicularizar o líder nazista. Onde os chanceleres Ingleses e Franceses operaram francamente para jogar Hitler para cima da União Soviética. E vergonhosamente cederam os sudetos num no acordo de Munique.

Onde os EUA, a Inglaterra e outros aliados atacaram os alemães na África, mas não na Europa e deixaram a União Soviética lutar sozinha até quase chegar às fronteiras da Alemanha ao mesmo tempo que ocupava todo o Leste Europeu. Onde já com a Alemanha quase batida em seu próprio território finalmente chegaram as cenas da Normandia cuja gloria é cantada em filmes e no resgate do Soldado Ryan que presta loas a uma família de vítimas da guerra.

Mas não falam de 20 a 27 milhões de russos mortos na guerra. Enquanto na Alemanha morreram 8 milhões, onde ingleses morreram menos, franceses numa divisão de cooperação à Alemanha e guerra no final. Onde italianos, brasileiros, holandeses e tantos morreram.

Onde os EUA fizeram enorme economia de vida e materiais para no final, no campo esgotado da guerra, levar o botim e consolidar-se como um Império diferente de todos os outros. Todos os demais eram saqueadores, mas também civilizadores. Os EUA não têm contribuição original nenhuma, com frequência até aprendem, mas saqueiam até a medula.



A verdade se encontra nas imagens tiradas em 2 de maio de 1945 pelos russos na Berlim arrasada, quando empunharam a bandeira Soviética no alto do prédio do Reichstag. Verdade porque brotada do maior sentimento de vitória sobre o povo que tanto lhes fizera sofrer e morrer.

Verdade porque mostra a miséria da guerra. Quando se examina o ato heroico dos soviéticos no cimo do prédio semidestruído embaixo é tudo terra arrasada. Fumaça. Lama. Morte. Soldados se matando. O povo perdido em ruas que não são mais cidades, sem linhas de abastecimento e sem redes de proteção.


A guerra é isso: mitos, mentiras e verdades.   

Uma seresta...


"
"...Onde o til das sobrancelhas é o til da palavra não.."

Ceará tem disso, sim!