por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sexta-feira, 13 de junho de 2014

Na Liberdade: uma mocinha com uma orquídea

Recendia  um frescor que se lhe escapava por todos poros. Aquele mesmo que se pressente no primeiro desabrochar do lírio na primavera ou no  amadurecer do fruto opimo no pomar. Como se a vida explodisse em toda sua fúria, naquele interlúdio único: entre a promessa do passado e  a perspectiva evanescente   do futuro.  A mocinha ali estava  na Feirinha da Liberdade e vestia-se do seu despojamento e do seu frescor. Os demais adereços e penduricalhos, naquela idade, pareciam todos perfeitamente supérfluos. Um shortinho jeans , um tênis All Star, uma blusinha curta, deixando antever a barriga tanquinho. O cabelo liso, algo revolto, caía-lhe, por sobre os ombros, delicadamente, como uma cascata. Os olhos vivíssimos, negros, observavam, inquietamente, ao derredor, sem se demorarem muito em qualquer foco, cobrindo, avidamente, os  cento e oitenta graus. A mocinha carregava consigo aquele bulício típico da idade, como um  pássaro , na árvore, tremeluzindo entre os galhos, arisco, temendo o caçador.

                        Na mão esquerda, em concha, estendida  na altura da coxa, a mocinha sustentava um jarrinho com uma orquídea que acabara de comprar. Com  flores de quatro pétalas brancas, fortemente  chamuscadas de lilás e um tubérculo central rubro, em formato de fechadura, a orquídea enchia os olhos de quem a visse, olhos já meio  transbordantes  pelo frescor da menina.  Havia um pacto tácito entre as duas imagens que se somavam, tal dois viços que se fundissem e pipocassem:  como a fusão  dos dois núcleos de hidrogênio na Bomba H. E resplandeciam na certeza de que o ciclo natural da vida ali se iniciava com todo no seu fragor. Aquela visão fazia-se única atemporal e eterna.  Depois , também para a mocinha e a orquídea, viriam o verão , o outono , o inverno. As pétalas murchariam, ressecariam e tombariam pelo solo, prontas para um novo renascimento, para a sucessão de vibrações regulares e  infinitas de um   mesmo pêndulo.    Até que um dia, por fim, a ferrugem do tempo emperraria o pêndulo e subsistirá  apenas a lembrança da mocinha, da orquídea que, como num alinhamento de planetas, um dia se reuniram na Liberdade e passaram a ser apenas uma entidade  una e resplandecente, imune às traças das horas e à oxidação, aparentemente inexorável , dos segundos.

J. Flávio Vieira

quinta-feira, 12 de junho de 2014

As palavras atraem? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Mais uma Copa do Mundo! Desta vez no Brasil, fato que não ocorria há 64 anos. No ano de 1950, a nossa seleção teve excelente desempenho, tendo sido vice-campeã mundial, derrotada na final pelo Uruguai, em pleno Maracanã, construído para aquela copa. Um simples empate lhe traria o título, conforme previa o regulamento da  época. Segundo declaração do extraordinário Zizinho, um dos melhores jogadores daquela copa e do Brasil, a nossa seleção perdeu simplesmente porque o Uruguai possuía um time melhor.

No intervalo de tempo decorrido entre 1950 até nossos dias, a Alemanha já promoveu duas copas, o México outras duas; Argentina, Chile, África do Sul, uma copa cada um. Esses três últimos países que se encontram no mesmo nível econômico e de desenvolvimento do Brasil nos provaram que tal competição promovida e organizada pela FIFA não quebrou suas economias. Portanto eu vejo com muita preocupação a ligação dessa copa com o momento político em que estamos vivendo. Como se o resultado da Copa do Mundo tivesse influência direta com o resultado da eleição.

Outro dia, ouvi de uma médica que ela iria torcer contra o Brasil, pois se a nossa seleção for campeã do mundo, ela não suportará mais quatro anos sendo governada pelo PT. E assim, deve ser o pensamento de muitos da nossa elite econômica. E parece que subliminarmente* está havendo um incentivo para que se proteste contra a realização da presente copa. Sendo assim, como explicar o tal de "não vai ter copa!", campanha de cunho puramente fascista? Para pensamentos assim, convém lembrar que as palavras atraem. Entretanto, quando o Brasil perdeu a copa de 1950, e aquela doutora provavelmente não havia ainda nascido, Getúlio Vargas, representante da classe trabalhadora foi eleito, sem nenhuma interferência do resultado da Copa do Mundo.

A nossa seleção participou de todas as copas, desde a primeira realizada em 1930, tendo sido campeã do mundo cinco vezes, sendo até agora a equipe que mais vezes ergueu a taça! Foi a única seleção não européia a ser  campeã em solo europeu, enquanto nenhuma seleção européia ganhou no continente americano.  

Em 1958 o jogo mais difícil para o Brasil foi aquele contra o Pais de Gales, vencido pela "canarinho" por um a zero, gol de um menino de 18 anos incompletos que assombrou o mundo. Registrou a crônica esportiva da época que o goleiro Gilmar, ao entrar em campo nesse jogo, disse para o seu companheiro Nilton di Sordi:
- "Hoje eu morro, mas não perco esse jogo!" - Ao que Di Sordi completou:
- "E eu morrerei junto com você.

Gilmar faleceu no dia 25 de agosto de 2013, às 18h15min, pouco mais de vinte quatro horas depois de Nilton di Sordi que faleceu às 16h15min. do dia 24 de agosto de 2013. Será mesmo que as palavras atraem?


Por Carlos Eduardo Esmeraldo   

Notas:
* subliminar é um tipo de mensagem que não pode ser detectável conscientemente. É rigorosamente proibida de ser veiculada pelos meios de comunicação social.
1)  Dos vice-campeões de 1950 todos os jogadores são falecidos.
2) Dos 22 jogadores campeões do mundo de 1958, apenas sete jogadores ainda estão vivos: Zito, Dino Sani, Moacir, Pelé, Mazola, Pepe e Zagalo.
3) Dos 22 jogadores campeões do mundo de 1962 dez ainda  estão vivos: Jair Marinho, Altair, Zito, Mengálvio, Jair da Costa, Zagalo, Coutinho, Pelé, Amarildo, e Pepe

"PRA FRENTE, BRASIL" !!! - José Nilton Mariano Saraiva

Fora de campo, já começamos ganhando. Basta atentar para a “falação” dos “gringos” a respeito do nosso Brasil: “país enorme, bonito, com boa comida e mulheres lindas”, reverberam literalmente extasiados. Estranharam, e muito (ainda bem) o clima de paz e concórdia que encontraram nas nossas ruas, porquanto haviam sido alertados sobre a insegurança nelas reinante, não confirmada ou constatada por eles. Mas, principalmente, chega a ser comovente o depoimento deles a respeito da contagiante “simpatia, doação e receptividade” do nosso povo, diferente de “todos os povos do mundo”, asseguram, visivelmente impressionados.

E se alguém tinha alguma dúvida sobre algum legado que esta Copa deixará, é bom colocar o pessimismo de lado e anunciar em alto e bom som essa irrecorrível certeza: independentemente das obras inacabadas, da corrupção (que se faz presente em qualquer parte do mundo, quando da realização de um evento de tamanho porte), da dificuldade de comunicação por conta da diversidade de povos que nos visitam, adquirimos, sim, desde já, o “status” de candidato a “destino preferencial” de milhões de turistas, num futuro bem próximo. E, isso, claro, gera divisas.

Já em relação ao futebol propriamente dito, claro que existem sobejas condições de conquistarmos o “HEXA”. Temos um bom, experiente e competitivo time, uma torcida apaixonada e disposta a incentivar e carregar a seleção nas costas (se necessário) e, principalmente um “comandante” exigente e já testado e aprovado nessa mesma competição, quando nos sagramos pentacampeões, em 2002. E com um adendo importante: espécie de “psicólogo informal”, Felipão já mostrou ser capaz de fazer com que seus jogadores produzam mais do que são capazes (o tal do Neimar (cai-cai), por exemplo, jogou como “gente grande”, ano passado, na Copa das Confederações; particularmente, vamos torcer, de verdade, para que agora repita a dose, embora não o tenhamos na conta de um craque excepcional, como a mídia insufla).

Alfim, 64 anos depois da frustração pelo fracasso da primeira Copa do Mundo que patrocinamos, e das 05 monumentais conquistas posteriores (todas fora de casa), agora é chegada a hora de, dentro de casa, reafirmarmos ser o Brasil o mais gabaritado na arte de jogar futebol. A bola vai começar a rolar daqui a pouco. Que os “deuses do futebol” estejam do nosso lado.


PRA FRENTE, BRASIL !!!   

Tempo reencontrado

João Pereira Coutinho


Envelhecer não é apenas um fato biológico. É também estético. Segundo os ensinamentos do dr. Coutinho, envelhecer significa rever certos filmes ou reler certos livros que a nossa ignorância juvenil considerava obras-primas —e depois pular do sofá, sustendo o vômito e gritando de pasmo: “Mas como foi possível eu ter gostado de uma bosta dessas?”.
Recentemente, em mudanças, resolvi fazer uma tosquia na biblioteca. Mas, antes da tosquia, resolvi avaliar a qualidade do rebanho, começando pelos espécimes que ocupavam o panteão das paixões adolescentes.
Henry Miller estava no topo da lista, e a sua trilogia (“Sexus”, “Plexus”, “Nexus”), complementada pelos “Trópicos” (de Câncer e de Capricórnio), tinha deixado gratas memórias na memória da criança.
A criança, hoje a caminho da meia-idade, sentou e releu as páginas sublinhadas. E ficou abismada com a mediocridade da prosa e o priapismo repetitivo, sem sombra de humor, com que Miller polvilhava as suas fantasias parisienses. Como foi possível ter dado abrigo a Henry Miller durante tanto tempo?
Aliás, não apenas a ele: com os romances de Umberco Eco; a filosofia de Baudrillard; a poesia de Sylvia Plath foi precisamente a mesma coisa. Tudo para o balde.
E no cinema? Aqui, a minha vergonha é ainda maior: vinte anos atrás, eu acreditava genuinamente que Oliver Stone era um diretor de cinema. Fui acumulando os filmes do homem —”Nascido em 4 de Julho”, “The Doors”, o repelente “Assassinos por Natureza”— com gratidão cinéfila sincera.
Hoje, assistindo a qualquer um deles, é legítimo questionar que substâncias ilícitas eu consumia na década de 1990.
Pior: filmes declaradamente “sérios” e “dramáticos”, como “Nascido em 4 de Julho”, são impossíveis de engolir com cara séria. Acreditar em Tom Cruise como “marine” estropiado no Vietnã não é apenas “suspender a descrença”. É suspender qualquer atividade cerebral significativa.
E quem fala em Stone, fala dos exercícios nulos de Jonathan Demme (“Filadélfia” em primeiro lugar); nos filmes de Mike Nichols (começando logo em “A Primeira Noite de um Homem”); e, obviamente, nesse caso perdido que dá pelo nome de Ridley Scott. Se “Thelma & Louise” não é o pior filme dos últimos largos anos, eu desafio o leitor a apresentar uma alternativa.
Mas nem tudo é necessariamente mau. O que jogamos no balde com alívio e repulsa é compensado por tudo o que resgatamos dele.
Falei de Ridley Scott. Mas, 20 anos depois, eu desconhecia que o talento da família estava com o irmão Tony. Sim, a filmografia do senhor é majoritariamente pavorosa. Mas depois existem uns milagres lá pelo meio -os filmes com Denzel Washington, como “Chamas da Vingança”- que redimem todas as falhas e todas as pirotecnias escusadas.
Ressurreições são também devidas a diretores entretanto desaparecidos em combate, como Steven Kloves (que nos deu “Susie e os Baker Boys”, um filme etílico —em vários sentidos da palavra— e que envelheceu bem como os melhores vinhos) ou Lawrence Kasdan (que em “O Turista Acidental” dirigiu uma obra-prima do cinema americano moderno).
E, nos livros, uma confissão: a arte do conto foi destronando a ilusória grandiosidade do Romance (com maiúscula). Claro que os russos (como Dostoiévski), os ingleses (como Evelyn Waugh) ou os franceses (como Céline) permanecem intocáveis.
Mas sei hoje que, comparando colegas de geração, prefiro os contos de Richard Ford a qualquer romance de Don DeLillo; os contos de William Trevor a qualquer romance de Iris Murdoch; os contos de Hanif Kureishi a qualquer romance de Ian McEwan.
Lições para o futuro? Apenas uma: não confiar demasiado no passado. Como diria o velho Darwin, só sobrevive quem se adapta melhor aos desafios da evolução. O que significa que, evoluindo nós, os livros ou os filmes que ficam são aqueles que se adaptam aos dilemas, às alegrias e às tristezas que só chegam mais tarde nas nossas vidas.
O que jogamos no balde não é tempo perdido. É tempo reencontrado.

Fonte: Folha de São Paulo

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Uma Ingratidão? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Nesta quarta-feira, dia 11 de junho, Dom Vicente de Araújo Matos estaria aniversariando se  vivo fosse , também completando anos de sua sagração como Bispo da Diocese do Crato.

Dom Vicente foi um grande benfeitor da cidade do Crato, tendo carreado para nossa terra uma grande relação de benefícios. Graças a ele fomos pioneiros do ensino superior no interior do Estado do Ceará, com a implantação da Faculdade de Filosofia do Crato, que possibilitou anos mais tarde a viabilização da Universidade Regional do Cariri - URCA, com sede na nossa cidade. São ainda iniciativas de Dom Vicente a Rádio Educadora do Cariri, a expansão do Hospital São Francisco, o desenvolvimento estrutural da Fundação Padre Ibiapina, a construção do Centro de Expansão da Diocese, único centro do gênero nas dioceses do Estado e quiçá do Nordeste, a Vila Jubilar no bairro Pimenta, além de tantas outras realizações, impossíveis de resumi-las em poucas palavras.

Infelizmente o Crato, através de sua representação política tem demonstrado uma incompreensível falta de reconhecimento à ação desenvolvida por Dom Vicente, não somente no Crato, mas em toda a área da Diocese. Precisamos urgentemente corrigir essa ingratidão!  Por que não dar o nome de Dom Vicente Matos a uma rua do Crato? É uma proposta para qual nossos vereadores continuam insensíveis.

Gostaria de lembrar o argumento de uma senhora cratense que apelou aos vereadores para mudar o nome da rua em que ela reside de Machado de Assis para o nome do seu falecido sogro. Em seus argumentos aos vereadores ela assegurou que aquele escritor jamais tomou conhecimento da existência do Crato, e que portanto nenhum beneficio fizera para receber tal homenagem.

Com o mesmo raciocínio daquela senhora apelo aos nossos vereadores refletiram o que representou para o Crato João Pessoa, Santos Dumont, Senador Pompeu e tantos outros vultos que não sabemos quais os benefícios trazidos por eles à cidade? Por que não encontrar uma ampla avenida para denominá-la de Dom Vicente Matos. Ele merece a principal rua do Crato! Faz-se necessário uma urgente urbanização do bairro onde se situa a imagem de nossa senhora de Fátima recentemente inaugurada. E poderia ser construída uma ampla avenida de acesso com o nome de Dom Vicente Matos. Pensem nisso para corrigir uma grande ingratidão!
 
Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Passaporte pra "bagunçar" e, até... "matar" - José Nilton Mariano Saraiva

Os que têm um mínimo de consciência e discernimento de que a “cabeça humana” não é apenas e tão somente um órgão para separar as duas orelhas, sabem (ou deveriam sabê-lo) porque os viram atuar com desassombro ao vivo e a cores, na telinha, que os tais “black-blocs” são bandidos de alta periculosidade, vermes capazes de contaminar legiões de desavisados, elementos sectários e radicais, mas essencialmente covardes na acepção plena do termo, porquanto providencialmente usuários de um adorno que impossibilita serem reconhecidos: a máscara (se fossem bravos, corajosos, destemidos e responsáveis pelos seus atos, como se julgam, não se esconderiam atrás de).

Assim, protegidos por tão infame instrumento, exacerbam em suas manifestações e, tal qual uma epidemia incontrolável, um rolo compressor humano ensandecido, se danam a quebrar, depredar, agredir, desrespeitar e, até... matar (lembram do repórter cinematográfico, Santiago Andrade, da Rede Bandeirantes, covardemente morto por um rojão disparado por um desses marginais ???).

Só que, na hora do “pega pra capar”, da repressão à altura (incrivelmente condenada por alguns), sempre encontram uma maneira de evadir-se, de se mandar, deixando para trás um rastro de estrago e destruição, facilmente detectável.

Pois, agora, surgiu uma novidade, a respeito, só que um tanto quanto inverossímil: é que o Ministério Público do Ceará, ignorando tão mafioso modus operandi sancionou, publicizou na mídia em geral e instruiu a polícia militar, a permitir que esses marginais usem e abusem do uso das tais máscaras, nas citadas manifestações, sem que haja necessidade de importuná-los. A ordem é: só agir e eventualmente reagir se notar que os “coitadinhos” demonstram alguma atitude hostil (ou seja, eles seriam antecipadamente consultados do porquê de estarem usando a máscara, bem como se pretendem fazer algum tipo de baderna).

A justificativa, hilária se não fosse potencialmente trágica, é de que, como no nosso “carnaval” os brincantes podem usar a máscara livremente, sem serem importunados, por qual razão nessas manifestações seus integrantes não o podem fazê-lo, igualmente ??? Como se vê, numa aberração sem tamanho e estapafúrdia, em todos os sentidos, os ilustres e letrados componentes do Ministério Público do Ceará igualam uma festa tradicional, um momento do mais puro lazer e diversão de famílias inteiras (como o é o nosso carnaval), com um aglomerado hostil e disposto a tudo que não seja legal (black-blocs).

A conclusão, minimamente racional, só pode ser uma: a bandidagem acaba de receber, das ditas autoridades constituídas, um autentico “passaporte para bagunçar e, até... matar”.  Impunemente (sem ser molestada).

Preparemo-nos, mas torcendo para que tal não aconteça.

"Culpa" em cartório ??? - José Nilton Mariano Saraiva

Hoje, quando no Brasil se almoça, se janta, se dorme, se sonha e se respira futebol todo dia e o dia todo, uma briga periférica, mas braba, na arena política, chama a atenção dos mais atentos.

É que, em resposta ao senhor Ciro Gomes, que o acusara de ser "chefe de uma milícia ligada ao narcotráfico”, o Capitão Wágner, da Polícia Militar do Ceará, hoje exercendo o mandato de vereador de Fortaleza, não titubeou e, partindo para o contra-ataque (mas sem citar nomes, num primeiro momento) soltou a seguinte pérola: “nós temos relatos na crônica policial de vários políticos envolvidos em orgias regadas a cocaína, bebidas, prostitutas e meu nome não aparece em nenhum desses relatos”.

Foi o bastante e suficiente para o chefe do clã Ferreira Gomes, mesmo sem ter sido nominado, se mostrar visivelmente incomodado, a ponto de replicar: “nunca usei drogas na vida, a não ser álcool moderadamente e nos fins de semana”. 

Na tréplica, o "capitão-vereador" foi contundente e, agora citando-o nominalmente, afirmar que, caso o Ceará não tivesse uma Assembléia Legislativa tão submissa, o senhor Ciro Gomes estaria trancafiado em um presídio. Os dois prometem acionar a justiça e levar o caso aos tribunais.

Agora, aqui pra nós, meros mortais comuns, uma pergunta inocente insiste em aflorar: se o senhor Ciro Gomes “se queimou” com tanta facilidade ante o caustico (embora genérico, já que sem citar nomes) comentário do vereador em relação ao uso de drogas por políticos, terá alguma culpa em cartório ??? 



terça-feira, 10 de junho de 2014

ACABOU ??? - José Nilton Mariano Saraiva

Nesses dias, o compreensível envolvimento “full time” do povo brasileiro com a Copa do Mundo de Futebol acabou por obscurecer a atuação dos nossos craques num outro esporte que de há muito tornou-se, também, “paixão nacional”, tanto que hoje é a segunda modalidade esportiva preferida do brasileiro: o “vôlei”.

Como se sabe nossas seleções, masculina e feminina de vôlei, mercê de campanhas memoráveis, já abiscoitaram campeonatos mundiais, ligas mundiais, olimpíadas e o que pintou pela frente. Daí o respeito e a admiração que conseguiram granjear aqui e alhures, acolá e mais adiante (tem gente que treme quando nos enfrenta).

Em razão disso, desde já intimamente alimentamos a quase certeza de que nas próximas Olimpíadas, que também teremos a honra de patrocinar (com brilho), essas duas medalhas de ouro já estão “no papo” (ninguém nos tira).

Pois bem, como dito no primeiro parágrafo, coincidindo com a realização da Copa do Mundo de Futebol em nosso país, já há cerca de duas semanas a nossa seleção brasileira masculina de vôlei participa de mais uma Liga Mundial da modalidade, sob o comando do mesmo surrado, batido e abusado técnico Bernardinho.

Mas, aqui pra nós, a coisa tá “ruça” e nos deixa com uma pulga atrás da orelha. É que nos 06 (seis) primeiros jogos realizados (aqui na “terra brasilis”), a nossa outrora imbatível seleção ganhou apenas duas (02) e fracassou feio quatro (04) vezes, a saber: Brasil 1 x 3 Itália, Brasil 1 x 3 Itália, Brasil 3 x 0 Polônia, Brasil 0 x 3 Polônia, Brasil 3 x 2 Irã e Brasil 0 x 3 Irã.

A preocupação é maior quando se constata que conseguimos a “proeza” (acreditem porque é vero) de perder para a inexistente seleção iraniana por 3 x 0. Alguém aí do outro lado da telinha por acaso sabia que no Irã eles jogam vôlei ???

Além do que, deu pra notar que os nossos jogadores não têm mais a mesma alegria, a mesma garra, a mesma disposição, disputando o jogo de forma burocrática e, até, irresponsável (parecem ter abusado e não mais ligar para as caretas e exigências do ranzinza Bernardinho).

Agora, vamos saír pra cumprir a segunda volta, lá fora: no Irã, na Polônia e na Itália, nos três próximos finais de semana. E aí vamos poder constatar se o que aconteceu aqui foi só uma “nuvem passageira” ou se o “encanto” se desfez, acabou, emudeceu.

Com a “panela de pressão” em sua “temperatura máxima” em termos futebolísticos, vamos ter de encontrar uma "nesguinha' de tempo pra torcer por uma reação do nosso vôlei.   

sexta-feira, 6 de junho de 2014

"Snowden" - José Nilton Mariano Saraiva

Independentemente da manifestação de “juízos de valor” dispares que há de gerar sobre, a verdade é que a decisão do jovem, tímido e discreto americano Edward Snowden (31 anos) em “vazar” segredos de Estado e conseqüentes abusos cometidos pelos governos americano e britânico no tocante à invasão da privacidade (via controle irrestrito da Internet, inclusive telefone), acabou por prestar um relevante serviço à humanidade.

Fato é que, gênio da computação (e até por isso mesmo), mesmo sem possuir curso superior Snowden conseguiu ascender à condição de graduado “espião-senior” da NSA (Agência de Segurança Nacional, dos Estados Unidos, que atuava conjuntamente com a britânica GCHQ), tendo acesso, pois, a informações ultra-secretas e de largo poder de destruição.

No entanto, a partir de um certo instante, ao constatar que os superiores (inclusive o presidente Barack Obama) mentiam desbragadamente sobre o que ali se passava, visando obter do Legislativo americano e inglês facilidades, e possuído por uma repentina conscientização sobre os malefícios que estaria a provocar à humanidade (na constatação que a “coisa” era bem maior do que imaginava, mesmo que para um espião), surpreendentemente acabou por “virar a casaca”.

E aí se deu o ato metamorfósico: após copiar e abrigar em pen-drives fortemente criptografados milhões e milhões de documentos e informações ultra-secretas resolveu fugir para Hong Kong, na China, onde, valendo-se de jornalistas do britânico The Guardian (devidamente selecionados), “botou a boca no mundo”.

Foi um Deus nos acuda, principalmente porque até aquela data as duas agências governamentais não tinham a menor idéia de quem teria tido acesso e houvera vazado aquilo que até então se considerava ultra-secreto. E aí mais uma prova de destemor de Snowden: mesmo sabendo que estava a assinar o próprio “atestado de óbito”, resolveu mostrar a cara publicamente, gravando uma entrevista esclarecedora a respeito do “porque” ter agido daquela forma. 

Para se ter idéia da ESTRATOSFÉRICA E ABSURDA DIMENSÃO da “coisa”, basta um só dado: num dia apenas, as informações obtidas pela NSA e GCHQ, via grampeamento dos cabos de fibra ótica que perpassam EUA e Inglaterra, chegaram a 39 BILHÕES de dados coletados - isso mesmo, com “B”, de bola - contemplando não só o cidadão-comum, mas, principalmente, líderes de todo o mundo (o próprio Barack Obama,  David Cameron, Angela Merkel, Dilma Roussef, e os presidentes da França e da Indonésia, dentre outros, tiveram suas conversas e e-mail gravadas e copiadas).

Sem poder contestar as bombásticas revelações, em razão de a farta documentação ter sido exposta nos jornais e TV, os governos americano e britânico tiveram que admitir a ilegalidade do modus operandi utilizado, ao tempo em que usaram a justificativa de tratar-se de uma preocupação permanente com o terrorismo, após o atentado às “tôrres gêmeas”, em 2001.

Hoje, após um período recluso, sabe-se que Snowden se acha exilado na Rússia, com visto de permanência provisório (que expirará em agosto/2014). Voltar ao seio da família nos Estados Unidos jamais, já que no mínimo pegaria uma prisão perpétua, porquanto considerado um “traidor”. Daí a busca desesperada por algum país que aceite conceder-lhe asilo. O Brasil foi sondado.


Você, aí do outro lado da telinha, o que acha disso: o Brasil deve abrigá-lo permanentemente ??? Ou isso representaria uma ameaça à nossa segurança interna e à própria soberania nacional ???

O presente - Por Carlos Eduardo esmeraldo


Em fins de 2012, instalou-se aqui em Fortaleza uma filial de uma grande loja com sede em São Paulo, dessas que colocam suas filiais pelo país afora, até em Capim Grosso de Santo Onofre. Coincidindo com a inauguração dessa filial, recebi pelo correio um bonito pacote, cujo remetente foi a tal loja recém instalada. No interior do pacote um mouse sem fio. E nada mais a acrescentar. Pronto, eles faziam a festa e nós pobres e explorados consumidores recebíamos o presente! Procurando  uma justificativa, comentei com Magali que eu recebera aquele presente do tal magazine, por que na certa o comércio possuía dados que poderiam estar me colocando entre os "clientes em potencial". Coitadinho deles, se dependessem de gente como eu, suas lojas estariam todas quebradas...

Alguns dias depois, precisávamos passar um vídeo de alta definição e para tanto tivemos de comprar um tal de "blu-ray disc". Desculpem a expressão, mas é como chamam um novo tipo de videocassete. Após pesquisarmos em algumas lojas, entre as quais o tal magazine, disse a Magali que iríamos comprar nessa nova loja, pois além do preço ter sido menor alguns míseros centavos, tivemos por lá uma recepção um pouquinho mais acalorada. E além do mais, havia recebido dessa loja um presente, fator que mais pesou na decisão de compra.

Três dias depois, meu primeiro filho veio com sua família passar o Natal conosco. Logo ao chegar perguntou se eu havia gostado do presente que ele havia mandado para mim.
- Qual foi? Perguntei
- Um mouse sem fio que comprei pela internet e pedi que fosse remetido diretamente para o seu endereço.

Todos aqui em casa fizeram a festa com a minha "boa fé". Bem feito! Onde já se viu grandes capitalistas se preocuparem com a existência de pessoas tão desprovidas de importância como eu? Mas como a esperança é a última a morrer, quem sabe se eu não ganharei o edifício que essa loja alardeia em seus anúncios que vai ofertar aos seus fregueses?

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

O Nosso Sansão - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

No Sítio Pau Seco, aí pelo final dos anos quarenta e nas décadas seguintes, surgiu um homem extraordinário. Era conhecido por Zé Moreira e tido por muitas pessoas como um novo Sansão, posto que dotado de uma força descomunal. Filho de um humilde leiteiro, Zé Moreira trabalhava no Engenho do Pau Seco. Era uma verdadeira máquina! Imaginem que ele alimentava a caldeira do engenho, tirando água de um cacimbão, através de um balde atado a uma corda, que por ele era puxada. Essa operação era refeita várias vezes ao dia. Em seguida, ele transportava essa água para uma pequena caixa d’água que abastecia a caldeira. Para isso, utilizava-se de seis latas, dessas usadas como vasilhame de querosene, cada uma com capacidade estimada de uns 20 litros. As latas eram presas por uma corda a uma pequena travessa de madeira, denominada pelos rurícolas de galão e suspensas sobre o pescoço do Moreira, três latas de cada lado do seu corpo. Um trabalho desses já era demais para um homem normal. Porém Zé Moreira, além disso, tratava do gado leiteiro, ajudava a tirar o leite pela manhã, preparava a ração das vacas e bezerros e abastecia de água os serviços domésticos da casa grande. Tamanha atividade física exigia uma boa alimentação. Lembro-me que o almoço do Zé Moreira não cabia num prato comum. Assim sendo, ele comia numa bacia de folha-de-flandres quase do mesmo tamanho daquelas bacias brancas para o asseio das mãos, ainda existentes nas salas de jantar das casas do nosso sertão. Desnecessário afirmar que esta refeição, realizada três vezes ao dia, era composta de arroz, feijão, carne, farinha de milho e pequi, tudo dosado numa boa quantidade.

Até hoje se mantém gravada na minha memória uma incrível cena que presenciei. No lusco-fusco do final de tarde de outubro, uma grande boiada passava pela estrada do Pau Seco em direção ao Juazeiro. Um dos vaqueiros parou, disse a quem pertencia aquele gado e pediu pousada por aquela noite. Imediatamente obteve autorização para que a boiada fosse colocada na bagaceira do engenho, junto com outros animais que ali passavam a noite bebericando tiborna e comendo bagaço verde e palhas da cana. No dia seguinte, acordei mais ou menos às cinco horas da manhã, com a voz do meu pai perguntando por que o engenho ainda estava parado àquela hora. Os trabalhadores responderam que havia um touro brabo no meio do gado, botando todo mundo para correr. Naturalmente, aquele boi ficara bêbado por exceder-se na tiborna, um rescaldo da destilação do alambique, que deixa enfurecido qualquer animal que não tenha o hábito de bebê-la com freqüência dos bois acostumados com a bagaceira. Levantei-me a tempo de ver o touro escavando o chão, formando em torno dele uma enorme nuvem de poeira escura. Os próprios vaqueiros que conduziam a boiada sentiam-se desencorajados para prender aquele valente boi. Quando Zé Moreira avistou aquela cena, ignorando os protestos dos seus companheiros de trabalho, que temiam por sua sorte, entrou firme na bagaceira e esperou o boi partir para cima dele. Com a rapidez de um praticante de luta livre segurou os chifres daquele touro enfurecido e deu um giro de aproximadamente 90° na cabeça do paquiderme. A fera caiu de uma vez só, provocando um surdo ruído ao bater com o corpo no chão. Um choque de cinqüenta arrobas contra o solo seco. Os vaqueiros depressa se encheram de coragem e laçaram o boi. Ajudados pelo Sansão do Cariri conduziram-no para o meio da boiada que esperava no caminho, um pouco mais adiante.
  
A família do Zé Moreira era composta por uma mulher cega e dois de seus cinco filhos também cegos. A cegueira não impedia sua mulher de fazer os serviços domésticos, além de realizar pequenos consertos de costura. Era admirável como ela conseguia enfiar a linha pelo buraquinho estreito da agulha. Não sei se devido a esse infortúnio, Zé Moreira gostava de beber uma “branquinha” e espairecer um pouco nos seus dias de folga. Então, largava-se para o Crato ou Juazeiro, onde quer que houvesse um forrobodó. Certa vez estava num “samba” que se realizava próximo à estação ferroviária do Juazeiro. Convidou uma jovem para dançar e ela respondeu que não dançava com velhos. O sangue juntamente com a cachaça subiu-lhe à cabeça. Segurou a moça pelo vestido, à altura dos seios e deu um forte sacolejo para o alto, que a jovem subiu alguns centímetros acima do nível do mar, de modo que, o seu vestido ficou preso nas mãos do Zé Moreira. O tempo fechou nesse “samba” e o sarrafo comeu solto. Era Zé Moreira contra uns dez homens que não conseguiram domá-lo. Dois policiais que estavam na estação, viram a confusão, rapidamente chegaram ao local da festa e agarraram nosso Sansão. E ele, com a serenidade que lhe era peculiar, começou a pedir calma aos dois policiais, enquanto apertava o braço de cada um deles com tanta força, que eles o soltaram; desistiram de prendê-lo e saíram imediatamente do local. A coisa serenou e o Moreira pedia que o tocador voltasse com a música. De repente, chegou um caminhão carregado de policiais. Era demais! O nosso herói vendo que seria preso e espancado por aquele batalhão, correu pela linha do trem em busca do São José. A polícia seguiu em seu encalce até a saída do Juazeiro. Quando Zé Moreira ia chegando próximo do São José, extenuado pela correria de mais de seis quilômetros, tropeçou num dormente da ferrovia, caiu e exclamou como se reconhecesse uma derrota: “filhos de uma égua, ainda vêem atrás de mim esse tempo todo!”

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

O Mascarado - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Jogador de futebol mascarado era um termo usado há mais de 50 anos, quando se desejava classificar um atleta que jogava exclusivamente por dinheiro, não por amor à camisa, como se dizia então. Além do salário recebido, tal jogador exigia um pagamento extra para entrar em campo, principalmente em jogos decisivos. Hoje esse termo está em desuso. Talvez porque num futebol em que milhões de dólares são reles quinquilharias, não ser mascarado, tornou-se uma grande exceção. Até início dos anos setenta, os clubes de futebol rejeitavam jogadores com essa fama. E não se ouvia falar que qualquer grande clube brasileiro tivesse um jogador mascarado. Quantos craques deixaram de vestir a camisa da seleção brasileira, aspiração máxima de qualquer jogador, por causa da maldita fama de mascarado! Naquela época, os jogadores eram retratos das organizações cujas cores defendiam com muito amor, suor e sangue. Passavam mais de vinte anos numa mesma equipe. Não havia este troca-troca de camisas que se vê atualmente. Quando se falava em Ademir da Guia, lembrávamos logo do Palmeiras; Pelé era a encarnação do Santos, assim como Dida e Zico, Ademir Menezes e Roberto Dinamite foram sinônimos de Flamengo e Vasco. 

O futebol do Crato de ontem também teve seus casos de jogadores mascarados. No meado dos anos sessenta, quando Anduiá ainda reinava absoluto no velho campo do Sport, surgiu um menino franzino, baixinho, de futebol muito vistoso. Imediatamente recebeu o batismo de Chico Curto. Do campo do Sport para a quadra bi-centenário foi uma ascensão rápida. Era um craque nas duas modalidades do futebol: salão e campo. Daí para nossa seleção que iria disputar o Campeonato Intermunicipal foi um piscar de olhos. Sem ele no time, as vitórias se tornariam muito mais difíceis. De repente, a fama do nosso craque ganhou as manchetes dos jornais de Fortaleza. Era a revelação do Intermunicipal. A nossa seleção estava classificada para semifinal contra a seleção de Maranguape. O jogo era no Estádio Presidente Vargas.

Conforme me contou o saudoso médico Valdir Oliveira, que presidia a delegação cratense de futebol que fora a Fortaleza, Chico Curto foi para ele motivo de grandes aborrecimentos. Por questões de custos, ele hospedou nossos atletas no Hotel Passeio, localizado à Rua Dr. João Moreira, bem defronte ao Passeio Público, conhecido ponto de encontro de prostitutas. A área, portanto, não era muito adequada para concentração de jogadores de futebol e, por isso, a vigilância deveria ser redobrada. No sábado, véspera do jogo, dirigentes do Ceará e do Fortaleza acorreram ao Hotel Passeio na busca de contratarem Chico Curto, a nossa revelação. O nosso Chico Curto se encheu de “pose” por saber que estava tão valorizado. No domingo pela manhã, o café dos atletas estava servido. Mesa farta, como nunca acontecera antes naquele hotel: mamão, melancia, laranja, cuscuz, tapioca, carne assada, leite, coalhada, bolos, sucos diversos e café. Verdadeiro banquete! Serviço cinco estrelas, longe dos padrões habituais do Hotel Passeio. Ao sentar-se à mesa, o nosso craque pediu maçã. O proprietário do hotel lhe informou que infelizmente não tinha maçã. Naquela época, até em Fortaleza era difícil encontrar maçã. Fruta que ainda não era cultivada no Brasil, vinha da Argentina, e devido às muitas restrições impostas aos produtos importados, poucas lojas de Fortaleza dispunham de maçãs à venda. Então Chico Curto se dirigiu ao Dr. Valdir e falou decidido: “Só jogo hoje se tiver maçã!” Foi um Deus nos acuda! Correria por todos os mercados de Fortaleza e nada de se encontrar uma maçã sequer. Já próximo do meio-dia, o dr. Valdir lembrou-se de que na Cooperativa dos Bancários do Crato tinha maçã, então, pensou ele, na de Fortaleza deveria ter também. Procurou um amigo bancário e junto com este foram atrás do gerente da Cooperativa para conseguir as maçãs exigidas pelo craque Chico Curto. Desejo atendido, às quatro horas da tarde em ponto, a nossa esperança entrava em campo. Tamanho sacrifício, entretanto, foi inútil. Nossa seleção foi humilhantemente eliminada. E o craque Chico Curto se arrastava em campo com o futebol do seu tamanho, provavelmente acometido de insidiosa indigestão, pois comeu maçãs até se fartar. Quanto ao meu saudoso amigo Valdir Oliveira, acredito que depois dessa experiência, não mais passou por perto de um campo de futebol.  

OBS.: Minhas homenagens ao saudoso amigo e médico Valdir Oliveira. Quanta falta faz sua alegria irradiante!

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

terça-feira, 3 de junho de 2014

Todo poder aos sovietes petistas

Escrito por Alexandre Borges


 Mais um mandato presidencial para o PT e esse país estará irreconhecível em 2018.


Esse país de vocês ganhou um decreto realmente peculiar semana passada, o de nº 8243. Ele institui a “Política Nacional de Participação Social – PNPS” que tem como objetivo “consolidar a participação social como método de governo”.

A linguagem sinuosa e dissimulada do decreto é proposital, mas vamos traduzir: se você é um militante ou é um membro do Agitprop petista aboletado em algum agrupamento apelidado de “movimento social”, você passará a ter, oficialmente, poder político acima do cidadão comum e poderá influenciar diretamente, sem intermediários, (leia-se Congresso Nacional, por exemplo) a gestão do país.

A idéia é antiga e remonta ao paleolítico do comunismo. Desde a Primeira Internacional e da Comuna de Paris, em meados do séc. XIX, os comunistas desdenham do sistema republicano, com representantes eleitos, a tal democracia burguesa. As idéias de separação de poder de Montesquieu e da democracia representativa sempre foram consideradas empecilhos para a “democracia direta” ou plebiscitária, uma excrescência jacobina que sempre termina em barbárie.

A Atenas do séc. IV a.C. tentou uma forma de democracia direta, em que os julgamentos eram realizados por 500 “juízes” sorteados entre os seis mil cidadãos com plenos direitos políticos, que decidiam por maioria simples os casos do dia-a-dia. O resultado era uma cidade em que todos acusavam todos pelos motivos mais banais, com julgamentos realizados de maneira açodada e emocional, com vereditos diretamente influenciados mais pela eloquencia do orador do que pelo mérito da questão. A experiência ateniense e seus resultados desastrosos já deveriam ser suficientes para enterrar de vez a idéia jacobina de governar por plebiscitos. Mesmo o atual regime suíço, que muitos consideram um tipo de democracia direta, é uma experiência totalmente distinta e com diversas salvaguardas para que leis não sejam aprovadas no calor das emoções (e estamos falando de suíços, não necessariamente o povo mais emotivo do mundo).

A experiência mais emblemática desse tipo de grupamento não-eleito com poderes políticos são os “sovietes” ou conselhos operários, que ajudaram a criar as condições para a revolução russa em 1917. Instituídos em 1905 e festejados por Lênin como “expressão da criação do povo”, os sovietes chegaram a criar uma corrente do comunismo chamada “conselhismo”, uma oposição ao comunismo de estado, que acreditava serem os conselhos operários formas superiores de participação popular na política.

Com a revolução de 1917, os bolcheviques lançaram o lema “Todo poder aos Sovietes” e até a dissolução da URSS os sovietes eram considerados pilares essenciais do regime comunista.

Não se enganem, esse pessoal sabe o que está fazendo. Mais um mandato presidencial para o PT e esse país estará irreconhecível em 2018, podem anotar.


- Decreto nº 8242: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Decreto/D8243.htm

Publicado na Reaçonaria.
Alexandre Borges é diretor do Instituto Liberal.

domingo, 1 de junho de 2014

Colaboração de Rejane Gonçalves

À NOITE
"Afundado na noite. Como alguém que às vezes baixa a cabeça para meditar, totalmente afundado na noite. Em torno as pessoas dormem. Uma pequena encenação, um inocente auto-engano de que dormem em casas, em camas firmes, sob o teto sólido, estirados ou encolhidos sobre colchões, em lençóis, sob cobertas, na realidade reuniram-se como outrora e mais tarde, em região deserta, um acampamento ao ar livre, um número incalculável de pessoas, um exército, um povo, sob o céu f...rio, na terra fria, estendidos onde antes estavam em pé, a testa premida sobre o braço, o rosto voltado para o chão, respirando tranquilamente. E você vigia, é um dos vigias, descobre o mais próximo pela agitação da madeira em brasa no monte de galhos secos ao seu lado. Por que você vigia? Alguém precisa vigiar, é o que dizem. Alguém precisa estar aí."
(FRANZ KAFKA)

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sábado, 31 de maio de 2014

A hora e vez do... "PIB-marombado" - José Nilton Mariano Saraiva

País desenvolvido é outra coisa. Da Europa, nos chega à notícia (via GloboNews) de que os dirigentes de alguns países do velho continente estudam a possibilidade de considerar os “rendimentos da prostituição e do tráfico de drogas” no cálculo do PIB (Produto Interno Bruto). Teríamos, pois, uma espécie de “PIB-marombado”.

Como não explicaram o “como” proceder para levantar tais valores, num “bate-bola” aqui com os nossos botões pomo-nos a imaginar: no caso da prostituta profissional (a “pebinha” ou aquela de “alto nível”), será que terá direito a uma “maquininha” (naturalmente que fornecida pelo Estado e que levaria acondicionada num estojo específico) a fim de, toda vez que necessitar “trabalhar”, acioná-la e, conseqüentemente, gerar o “comprovante fiscal” respectivo, repassando-o posteriormente à Secretária da Fazenda (fisco), a fim que o “arrecadado” seja incluso como “atividade produtiva” do país ??? Como e em que rubrica será contabilizada a “venda” de tal produto ??? Sobre tal “produção”, cada “trabalhadora” envolvida terá que pagar algum percentual de imposto diariamente ??? Ou tal “recolhimento” será feito mensalmente e de responsabilidade do cafetão ???

Já no tocante ao tráfico de drogas, o acerto seria formalizado através de documento específico (mesmo que “de gaveta”), onde o poder público garantiria a livre atuação da quadrilha (em qualquer lugar), contanto que os seus componentes, a cada “repasse” feito, emitissem o competente comprovante, especificando quantidade e valores envolvidos ??? Qual seria, então, a “taxa” ou “contribuição” a ser repassada ao Estado ??? Mas, se tal ocorrer (o acordo), não teríamos aí uma espécie de “legalização branca” (já que não reconhecida oficialmente) da atividade ???  Como poderíamos rotular os integrantes do exército de repassadores, hoje conhecidos como “aviões” ???

Fato é que por lá (Europa) o assunto já foi ventilado, sim, ao nível de cúpula, e não nos surpreendamos se já já algum parlamentar tupiniquim se arvorar de “progressista” e levantar tal bandeira.


Afinal, somos ou não um “país emergente”, que deve seguir “pari-passu” tudo que é feito pelos “desenvolvidos” ???   Se não o fizermos, como nos  igualaremos a eles ???


por Everardo Norões

Três urubus conversam
sobre a água-furtada.
Comentam o descaso das casas,
o vazio dos quintais.
Divagam sobre a ausência...
da podridão,
o cheiro que rege
o percurso dos abutres.
Lá estão eles,
sobre telhas,
a afiarem as garras,
a deglutirem vísceras.
Ao erguer de asas
declinam
verbos, adjetivos.
Tentam decifrar,
do alto,
de que forma
morre o Recife.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Saída de cena - José Nilton Mariano Saraiva

59 anos, idolatrado por uns e (literalmente) odiado por outros, o ministro Joaquim Barbosa (vulgo Joaquinzão) anuncia sua aposentadoria para o final de junho próximo, embora ainda pudesse ficar por mais 11 anos atanazando a vida de muita gente, como integrante do Supremo Tribunal Federal. Desapego ao poder ???

Acusado de complexado (por ser negro), preconceituoso, autoritário e arrogante, a verdade é que Joaquinzão caiu nas graças de muita gente em razão da disposição em “peitar de frente” quem se julgava inatingível. Nem que (no caso do tal mensalão”), a fim de atingir os fins colimados tenha tido que “importar” uma literatura jurídica (alemã) que, na essência, ia de encontro à própria Constituição Federal, no tocante à “desnecessidade” de provas para condenar alguém (bastariam as evidencias e suposições, para tal). Que o digam José Dirceu, José Genuíno e outros peixes menores, atualmente trancafiados na prisão da Papuda, em Brasília, em razão da ação conhecida por “mensalão”, cujo relator foi o próprio.

Tal desempenho acabou guindando-o à condição de autentico “pop star”, com aparições diárias na TV, jornais e revistas, tanto que, mesmo sem nunca ter incursionado pela seara política, conseguiu ser lembrado por cerca de 10% da população, quando perguntada sobre em quem votaria para Presidente da República.

De temperamento forte e sem paciência para “alisar” quem quer que seja (como se fora, sim, o “dono da verdade”), não admitia sequer que os próprios colegas do Supremo discordassem das suas posições, por mais sectárias e radicais que fossem, daí o costumeiro “quebra-pau” com muitos dos integrantes da suprema corte (que o digam os ministros Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello). Além do mais, tornaram-se contumazes suas brigas e extremadas acusações com advogados outros e com as entidades representativas dos magistrados.

Como não explicou as razões para “se mandar” tão cedo, já começam a circular rumores de que tão prematura decisão teria  a ver com a futura  votação de um recurso sobre o “mensalão” (no tocante à duração das penas), onde a derrota era certa, daí sua insatisfação e decisão final.

Parece pouco, tal justificativa. 

quinta-feira, 29 de maio de 2014

"Abobrinhas" - José Nilton Mariano Saraiva

Começou. Tanto que, na noite de ontem, a seleção da Austrália já pintou no pedaço. E nesses 15 dias que faltam para o início da Copa do Mundo de Futebol, aqui no Brasil, vamos ter que conviver, sim, com as “abobrinhas” e conversas fiadas da vida. Quem não quiser se sujeitar a tanta babaquice, o jeito é se enclausurar em algum desses conventos da vida e tentar se isolar do mundo (sem acesso à Internet, televisão, rádio e coisas parecidas, o que é um tanto quanto difícil).

Afinal, como pode um dos mais conceituados banco de investimentos do mundo querer momentaneamente se transfigurar numa espécie de “pitonisa” e, daí, se danar a prever resultados de jogos de futebol, usando para tanto “modelos econométricos” de rara precisão (porquanto baseados em 14 mil observações, contemplando os últimos 54 anos) ???

Pois é, para o banco americano Goldman Sachs, o Brasil não só será o campeão do mundo, como seus resultados serão: na primeira fase, Brasil 4 x 1 Croácia; Brasil 4 x 1 México; Brasil 4 x 1 Camarões; classificando-se em primeiro lugar no Grupo A, em seguida, de acordo com a projeção, a seleção brasileira enfrentará a Holanda nas oitavas de final, vencendo por 3 a 1. Nas quartas de final, triunfo sobre o Uruguai por 3 a 1. Já a vítima nas semifinais será a Alemanha, que será derrotada por 2 a 1. E, enfim – aleluia, aleluia, aleluia - o título será conquistado sobre a Argentina, também com uma vitória por 3 a 1. Portanto, nos sete jogos, 23 gols a favor e 7 contra (ou seja, a meta do Brasil será vazada em um gol a cada jogo e sua média de gols será de 3,3 por partida).

Torcendo desesperadamente para que tal “abobrinha” se transforme em realidade, não custa lembrar que, na Copa do Mundo de 1958, na Suécia, o desacreditado selecionado do Brasil enfrentaria a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, ou simplesmente Rússia) já então disputando com os Estados Unidos a supremacia mundial em todos os setores da vida. A rivalidade era tão acirrada que a simples menção à Rússia já apavorava Deus e o mundo (dizia-se até que eles, os “comunistas” russos, eram dados a “comer criancinhas”). E a Copa do Mundo seria uma rara oportunidade da Rússia mostrar a todos, afinal, “quem era quem”. Pois bem, tempestivamente acionados, os até então infalíveis computadores soviéticos e seus modelos econométricos previram que a partida com o Brasil seria um “passeio” e que a Rússia chegaria à final, sagrando-se campeã do mundo.

Esqueceram, no entanto, de perguntar a um mulato de pernas tortas, nascido em Pau Grande, subúrbio do Rio de Janeiro, e que faria sua estréia na seleção brasileira naquela data, qual a sua opinião a respeito. Resultado: Garrincha estraçalhou e enlouqueceu a defesa russa com seus dribles desconcertantes (deixando sempre, a cada jogada, uma “ruma” de jogadores adversários sentados e grogues no gramado) e, assim, com dois gols de Vavá o Brasil despachou a Rússia do torneio, pavimentando a estrada rumo à final. Quando venceu os donos da casa por 5 x 2 sagrando-se campeão do mundo (e a defesa sueca, tal qual a da Rússia, suava frio e entrava em polvorosa quando o tal mulato das pernas tortas pegava na bola).


Era a desmoralização, completa e acabada, da pseudo-influência da informática no futebol. E a confirmação mundial do nascimento de um gênio na arte de jogar bola – Garrincha, ou simplesmente Mané, para os íntimos. Pena que, mais tarde, haja Garrincha sucumbido ao alcoolismo.

Parabéns, Ana Cecília!

anaceciliabastos@gmail.com

De: Ana Cecília Bastos (anaceciliabastos@gmail.com) Este remetente está na lista de contatos.
Enviada: terça-feira, 27 de maio de 2014 18:27:32
Para:

Queridas Pessoas,

estou me dando de presente de aniversário (60 anos) dividir com vocês este livro, Andanças, que acaba de sair, em formato eletrônico, pela Pharol Editora. Espero que vocês não o considerem um presente de grego! É um pouco extenso, mas tem muitas fotos.

O livro está hospedado no ISSUU, e aninhado no meu blog, Casulo Temporário (em cima, à direita), no seguinte endereço:


Pode também ser acessado diretamente pelo link: https://issuu.com/acecil/docs/andancas_by_ana_cecilia_de_sousa_ba

Espero que vocês curtam a aventura!

abraços,
Ana Cecília

Para os não afeitos a ler na tela, seguem algumas dicas para otimizar a leitura. 

1.Existe uma barra preta na parte superior central, acima do livro. Rolar a bolinha para a direita para aumentar o tamanho da página. Se esta barra não aparecer imediatamente, veja uma barra na página inferior, à direita, e clique uma seta dupla (na diagonal) para que a imagem apareça na tela inteira.

2. Na barra central superior, é possível escolher - clicando no ícone que parece um livro aberto (ou fechado) - ler como um livro aberto (duas páginas) ou visualizar somente uma página. No primeiro caso, use as setinhas laterais (ou da barra); no segundo, você vai descendo, usando as setinhas na vertical.