por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
terça-feira, 11 de março de 2014
domingo, 9 de março de 2014
Postagem antiga, mas... atual - José Nilton Mariano Saraiva
UMA “ODISSÉIA NO ESPAÇO” – José Nilton Mariano Saraiva.
Nos
confins do universo, navegando a uma velocidade supersônica na imensidão
infinita do cosmos, no interior daquele insignificante artefato construído pela
raça humana desenrolava-se um drama inimaginável: é que, através do recurso
conhecido como leitura labial, “HAL” houvera descoberto que os até então fiéis
companheiros de viagem tencionavam eliminá-lo da missão, silenciá-lo de vez,
descartá-lo como um dos responsáveis pelo sucesso da empreitada, seguindo
viagem sozinhos. A partir daí, então, depois de infrutíferas tentativas, ciente
de que não poderia dissuadi-los a desistir de uma viagem que considerava
inviável, “HAL” arquitetou e pôs em prática, paulatinamente, seu fulminante
contra-ataque, que culminou por levar o homem (um único sobrevivente) a romper
sua dimensão temporal, transportando-o a uma outra galáxia, uma outra dimensão,
onde ele, homem, morre e, paradoxalmente, renasce para a vida, começando tudo
de novo, só que longe do seu habitat natural.
Sem
qualquer pretensão literária, este é um resumo enxuto de uma das maiores obras
de ficção científica já produzidas pelo homem, o filme “2001-Uma Odisséia no
Espaço”, narrativa premonitória das dificuldades que, no futuro, o homem
(tripulantes de aviões ou uma nave espacial) teriam que enfrentar quando
tivessem que “bater de frente” com sua própria criação: a máquina inteligente,
o computador “HAL”. Enfim, o célebre conflito criador X criatura.
Produzido
numa época em que ainda não existiam os famosos “efeitos especiais”, onde o
aparato e instrumental tecnológico era uma brincadeira de criança em comparação
ao existente nos dias atuais, onde a limitação orçamentária era uma realidade,
e sem contar em seu “cast” com nenhum ator famoso capaz de chamar bilheteria,
“2001-Uma Odisséia no Espaço” nos mostrava, lá atrás, no hoje distante 1968, a
tenebrosa perspectiva de que um dia a “criatura” enfim se rebelasse contra o
“criador”, quer que por mero “ciúme” ou, então, pela não aceitação de manter-se
“subjugado” a uma “mente inferior”.
A
reflexão acima vem a propósito da recente tragédia aérea com a portentosa
máquina voadora Airbus, da Air France, dotada com o que há de mais moderno em
termos tecnológicos, e em duplicidade (numa tentativa de prevenir qualquer
surpresa desagradável), mas que, desaparecida misteriosamente de uma hora para
outra, quando empreendia a corriqueira travessia (considerando-se os padrões
atuais), do Oceano Atlântico, na ligação entre o continente sul-americano e a
Europa.
Estupefatos
com a ocorrência e a real perspectiva só agora confirmada da morte dos seus 228
ocupantes, especialistas do mundo inteiro se debruçaram sobre pranchetas, mapas
e a vasta literatura pertinente e se puseram, num primeiro momento, a aventar
as mais diversas versões na tentativa de justificar a tragédia: turbulência
pesada no interior de uma nuvem “cumulus nimbus, de extensão e resistência
invulgares, trazendo por conseqüência descargas elétricas assustadoras, ventos
com velocidade inimagináveis e capazes de desestabilizar a máquina,
congelamento de sensores vitais da aeronave e por aí vai.
Refeitos
do impacto, descobriu-se que a própria máquina, teoricamente preparada para
“agüentar o tranco”, sem que houvesse qualquer interferência humana houvera
emitido mensagens diversas ao centro de controle, dando conta da ocorrência de
uma possível “pane” em um dos seus três principais computadores centrais,
gerando conflito de dados e informações e fazendo com que o sistema elétrico
entrasse em absoluto processo de falência, comprometendo a navegação automática;
como os painéis de orientação simplesmente “pifaram (ou se apagaram), o comando
manual tornou-se impraticável, já que sem saberem da velocidade, altura,
temperatura externa e outras varáveis absolutamente necessárias, piloto e
co-piloto se viram diante da tétrica e assustadora realidade de um vôo
absolutamente cego, na escuridão da noite cósmica e tendo abaixo a imensidão do
Oceano Atlântico. Algo simplesmente apavorante, de arrepiar.
Agora,
ante a perspectiva real de a aeronave ter se desintegrado (por “EXCESSO” de
velocidade, que comprometeria sua estrutura) ou simplesmente ter despencado lá
de cima de encontro ao oceano (por “INSUFICIÊNCIA” de velocidade, que a
desestabilizaria em termos de sustentação), o fato é que talvez nunca venhamos
a saber realmente o que aconteceu naqueles momentos aterrorizantes vivenciados
por nossos irmãos de mais de trinta nacionalidades, já que as famosas “caixas
pretas” (de aproximadamente 50 centímetros de comprimento) dificilmente serão
localizadas no fundo do mar.
As
perguntas que se impõem são: se, lá atrás (1968), já se ventilava, embora por
mera ficção, a perspectiva de falha ou “rebeldia” do computador e, agora,
existe a quase certeza que a ficção tornou-se uma dolorida e cruel realidade
(um dos computadores “discordou” dos demais e forneceu dados que “baratinaram”
todo o sistema de navegação), será que viajar de avião ainda é mesmo o meio
mais seguro ???
Quantos
“vôos cegos” são realizados, diuturnamente, sem que saibamos se as empresas
proprietárias guardam algum sigilo sobre uma possível iminente catástrofe, em
razão do componente econômico, como se está a duvidar que a Air France disponha
de tais (informações) e jamais as divulgará por mera conveniência mercadológica
???
Post
Scriptum
"777" - José Nilton Mariano Saraiva
O “777-200” não é um
aviãozinho qualquer. Com capacidade para 400 passageiros e pesando milhares de
toneladas, atinge a estupenda velocidade de 950 km horários e é dotado do que
há de mais moderno e revolucionário em termos tecnológicos. Difícil imaginar,
pois, que uma máquina tão portentosa desapareça assim, sem mais nem menos, no
trajeto “Malásia-China”, com 239 pessoas a bordo.
E, no entanto, a
infausta notícia oriunda da Ásia é de que essa maravilha tecnológica, depois de
apenas duas horas de vôo e, evidentemente, já em velocidade de cruzeiro,
simplesmente haja desaparecido dos radares e, provavelmente, despencado lá de
cima e mergulhado nas profundezas do Oceano.
O que teria acontecido:
falha humana, defeito técnico ou atentado terrorista ??? Afinal, essas são as
únicas opções de um acidente aéreo e, somente se encontrarem a “caixa-preta” da
aeronave no fundo do Oceano se terá ciência do ocorrido (lembremo-nos do
acidente do voo Rio-Paris, meses atrás, quando conseguiram resgatar a
“caixa-preta” do fundo do mar, possibilitando a constatação de que, além da
falha técnica, houve erro grotesco do piloto e co-piloto ao levarem o avião
para o centro de uma tormenta meteorológica de proporções alarmantes).
Fato é que, embora o transporte
aéreo ainda se nos apresente como o que oferece mais segurança, comodidade e
rapidez, quando uma tragédia de tamanha proporção acontece, ceifando a vida de
tanta gente, é que entendemos da nossa insignificância.
Pessoalmente, já
passamos por uma experiência um tanto quanto desagradável e traumática, no
tocante a viagens aéreas, quando o avião que faz a rota Fortaleza-Juazeiro,
depois de tocar o solo, “arremeteu” de forma abrupta e violenta. E, durante
aproximadamente cinco minutos, depois de um silêncio sepulcral, onde só se
ouvia o chororô de alguns e as preces de outros, finalmente o pouso se fez. Na
saída, como ninguém se manifestou, indagamos dos “simpáticos” componentes da
tripulação, postados à porta, o que houvera ocorrido. A resposta: “uma lufada
de vento muito forte, daí o comandante preferir arremeter”. Como não
“deglutimos” aquele argumento, dia seguinte ligamos para o “0800” da empresa
Avianca e, para nossa surpresa, a desculpa foi a mesma.
Agora, aqui pra nós:
vento no interior do Ceará, em dia de sol brabo, sem nuvens, capaz de desestabilizar uma aeronave pesando
toneladas ??? Claro que o comandante jamais colocaria em seu relatório que
falhou feio, colocando a vida de dezenas de pessoas em perigo. Mas foi isso o
que aconteceu.
sábado, 8 de março de 2014
"SE..." - José Nilton Mariano Saraiva
“Hilária” (mas se alguém optar
por considerá-la “patética”, sinta-se à vontade), a manifestação de um adepto
de Cícero Romão Batista quando, inconformado em razão da Infraero haver
suspendido a liberação de determinada verba para a ampliação do aeroporto da
cidade, saiu-se com essa pérola (realmente digna de um almanaque humorístico)
num dos blogs do Cariri: (ipsis
litteris) “...se Padre Cícero ainda fosse o prefeito de Juazeiro esta cidade
teria sido escolhida como sede de jogos da Copa, ganharia um novo e luxuoso
Romeirão e o nosso aeroporto seria internacional e já estaria concluído. Ah,
Como Padre Cícero faz falta”. Como se vê, autentico supra-sumo do “fanatismo”
puro e desbragado, beirando às raias da insanidade e da estupidez.
Sim, porque a verdade é que se
aquele “mitômano” (Cícero Romão Batista) vivesse na atualidade e adotasse o
mesmo “modus operandi” de sua época, de uma coisa tenhamos certeza: teria de
enfrentar um Ministério Público Federal e uma Polícia Federal atuantes e
expeditos, que decerto o deteriam por improbidade administrativa,
enriquecimento ilícito, corrupção ativa, corrupção passiva, formação de
quadrilha e outras irregularidades (e não precisaria nem ser julgado sob a
égide da teoria “domínio do fato”).
Aliás, o próprio “testamento” do
referido o põe a nu, incriminando-o, porquanto nos expõe um patrimônio generoso
e exuberante, incompatível com o seu “statu quo” (fontes de renda ou origem dos
recursos).
Há que se atentar, ainda, que
quando usou e abusou da coitada da Maria de Araújo, debilitada e
assustadoramente doente (expelia sangue pela boca recorrentemente), “obrigando-a”
a participar na capela do Socorro da encenação que ficou conhecida como o
“milagre da hóstia” (foram 93 “apresentações” no espaço de 02 anos, ou 04 vezes
por mês, ou mais precisamente, 01 vez por semana – vide jornal O POVO, de
19.01.14, página 38), outro não era seu objetivo senão beneficiar-se
pessoalmente (na tentativa de cristalização de uma farsa grotesca). Só que, em
assim procedendo, implicitamente assumiu a responsabilidade de levá-la a óbito
prematuro, como de fato aconteceu, aos 51 anos de idade.
Sugestão para reflexão no
próximo seminário sobre o dito-cujo: deixar de lengalenga e conversa fiada,
examinando, à luz do Direito, se teria havido “dolo eventual” em tal
procedimento.
terça-feira, 4 de março de 2014
FUCK U.E* (Vitória Nuland - Subsecretária de Estado Americana) - José do Vale Pinheiro Feitosa
“Não os temais, pois
não há nada encoberto que não venha a ser revelado e nem oculto que não venha a
ser conhecido. Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meu
discípulo, e a verdade vos libertará.”
Evangelho de São Mateus e São João.
“Em um mundo de engano
universal, dizer a verdade é um ato revolucionário.”
George Orwell.
Cada pequena vela
acende um canto do escuro.
Roger Waters
O momento é muito grave. O que acontece na Ucrânia, na
Síria, na Venezuela, no Egito e em muitos outros lugares acontecidos, em
acontecimento e por ainda acontecer tem um denominador comum: a mão dos Estados
Unidos da América. E, principalmente, os Estados Unidos não atendem mais aos
interesses do seu povo: são apenas as marionetes das grandes transnacionais,
bancos e corporações.
Quando Snowden revelou toda a trama de espionagem daquela
máquina de estratégias, sabotagens e perseguições estava marcado um poder antipopular
que atende aos interesses somente de uma minoria (os famosos 1%). Logo o
território mais livre que se conseguiu em termos de debate se mostrou um grande
embuste manipulado e vigiado por forças que desejam dominar a liberdade de
todos.
Esta contradição permanente entre o livre pensar e o controle
totalitário (ao estilo big brother) é um móvel dramático do início desse século
XXI e é uma longa herança do século passado. Acontece que os grandes e
universais meios como os livros, o teatro, o rádio, a televisão, o cinema e
agora a internet (que é uma telecomunicação) são instrumentos que facilitam a
promoção de controles, manipulações e poderes centrais totalitários.
Esses meios atingem muito rapidamente grandes massas
populares usando técnicas de psicologia social, levantando mitos culturais,
estimulando ódios antigos e trazendo para o presente aberrações anacrônicas
qual o antissemitismo, a perseguição de africanos na Europa, o ódio dos
ucraniano aos russos como é o último rastro de ódio e sangue.
Organizações políticas de direita se multiplicam pela
Europa, em grave crise econômica, desemprego e quebra dos direitos sociais. O
denominador comum destas organizações é o nacionalismo com forte ação de xenofobia.
A xenofobia é o denominador comum da direita europeia em seus vários matizes.
Acontece que temos desde uma direita democrática que aceita
o jogo das contradições até a extrema direita, violenta, do tipo fascista, que
não tem limites para a ação de causar danos ao que consideram o inimigo. Em
situações de descontentamento popular em relação aos governos esta direita
violenta se impõe sobre a maioria. Afasta os lideres moderados e ocupa a cena
principal.
Na Ucrânia quem venceu foi a extrema direita manipulada por
agentes estrangeiros e certamente pelo papel financiador e estimulador dos EUA
que pretendem causar prejuízos à Rússia. Criar uma inquietação na fronteira da
sua velha inimiga. A única nação que ainda se contrapõe ao jogo da política
externa americana, como no caso da Síria. Este é o jogo político internacional
de extrema gravidade.
Muita gente não sabe. Mas quem venceu a segunda guerra
mundial foram os Russos. Os americanos fizeram corpo mole sem entrarem na
Europa até quando o grande exército russo estava na fronteira da Alemanha. Eles
apostaram no desgaste humano e de materiais da União Soviética para que
restasse aos EUA, ao final da guerra, uma hegemonia inquestionável.
Não foi o que aconteceu até os anos 90. Mas adveio a crise
econômica, a União Soviética destroçada, a União Europeia se compondo e a China
crescendo. Esse é o quadro que desemboca nesse ano de 2014, com uma farsa de
guerra fria e uma tragédia de terceira guerra mundial que ninguém mais
imaginava.
* Tradução: FODA-SE UNIÃO EUROPEIA
segunda-feira, 3 de março de 2014
domingo, 2 de março de 2014
Revista "VEJA!"
‘Preferiria não’: a resposta da socióloga Silvia Viana ao pedido de
entrevista da Revista Veja
Veja a resposta da socióloga Silvia
Viana, autora de “Rituais de sofrimento” à revista Veja.
Ao final ela conclui ao estilo do personagem de
Bartleby (o Escrivão), do escritor Herman Melville: “prefiriria
não”.
Procurada pela segunda vez pela revista semanal
‘Veja’ para uma entrevista sobre o BBB14, a socióloga Silvia Viana, disse ao
jornalista:
“Respondo ao seu e-mail pelo respeito que tenho por sua
profissão, bem como pela compreensão das condições precárias às quais o
trabalho do jornalista está submetido. Contudo, considero a ‘VEJA’ uma revista
muito mais que tendenciosa, considero-a torpe. Trata-se de uma publicação que
estimula o reacionarismo ressentido, paranóico e feroz que temos visto se
alastrar pela sociedade; uma revista que aplaude o estado de exceção
permanente, cada vez mais escancarado em nossa “democracia”; uma revista que
mente, distorce, inverte, omite, acusa, julga, condena e pune quem não
compartilha de suas infâmias – e faz tudo isso descaradamente; por fim, uma
revista que desestimula o próprio pensamento ao ignorar a argumentação,
baseando suas suposições delirantes em meras ofensas.
Sendo
assim, qualquer forma de participação nessa publicação significa a eliminação
do debate (nesse caso, nem se poderia falar em empobrecimento do debate, pois
na ‘VEJA’ a linguagem nasce morta) – e isso ainda que a revista respeitasse a
integridade das palavras de seus entrevistados e opositores, coisa que não faz,
exceto quando tais palavras já tem a forma do vírus.
Dito
isso, minha resposta é: Preferiria não”.
Atenciosamente,
Silvia Viana
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
O PODER REAL E O PODER FORMAL
Aquela velha estória de manda quem
pode obedece quem tem juízo continua valendo, apenas não fica claro qual poder
o mandante ou o obediente dispõe. Às vezes o poder aparente de uma arma de fogo
é neutralizado pela coragem do desarmado ou pelo preço a pagar se realmente o
feito for realizado. Como por exemplo, no fato ocorrido ao final de uma festa
nos anos 60 do século passado em frente ao Clube Internacional do Recife. Em
disputa por uma bela moça, um dos pretendentes sacou um revólver, o outro
imediatamente se aproximou e gritou: Eu compro! Revólver que atira sozinho eu
compro! O valentão armado não atirou, desmoralizado foi tirado dali pelos
amigos. (não vou citar nomes). Nos
macros acontecimentos da história, talvez sem o humor, algo parecido acontece.
Do ponto de vista estritamente militar, fica claro que os vietnamitas não eram
páreo para os Estados Unidos, no entanto, os vietnamitas ganharam a guerra. Que
houve então? Os norte-americanos perderam a guerra politicamente. Os
vietnamitas, cientes de suas carências militares, apelaram para a guerra de
guerrilhas, de cansaço e desgaste. Para começar, inverteram o conceito de tempo
nas guerras. Quase sempre, premidos pelos ministérios da economia de seus
países, os generais contam com a pressa para a conquista da vitória. No caso
vietnamita, eles de fato dispunham de tempo. Até a saída do último norte-americano
em 1976, os vietnamitas já tinham experiência de quase mil anos de guerras. Guerras
contra vizinhos e invasores. Os invasores mais perigosos e famosos foram os
japoneses, franceses e norte americanos. Com tempo à disposição, os vietnamitas
iniciaram a longa campanha internacional de divulgação dos horrores da guerra, principalmente denúncia dos crimes praticados em seu
território. O número oficial de 58.000 norte-americanos mortos podia ser maior,
pois existia por parte do comando de guerra vietnamita uma diretriz que
orientava seus combatentes a não matar o inimigo e sim feri-los. De forma que
foram cerca de 150.000 feridos levados de volta para casa. Foram mais de 200.000
famílias com alguma vítima direta do conflito. Era questão de tempo o início do
questionamento da necessidade da guerra. Os vietnamitas praticamente ganharam a
guerra dentro do território americano. A partir daí os americanos impuseram
feroz censura em todos os conflitos que participam. Nem a solenidade da volta
dos mortos é divulgada, como era antes. No caso das regiões produtoras de
petróleo, a partir do final da 2ª segunda guerra mundial todos os ditadores, reis etc. foram entronizados
pelas grandes potências, o poder estava firme nas mãos das grandes refinarias
de petróleo, estas quase sempre longe das fontes produtoras. Precisavam de
representantes locais para fazer o serviço sujo. Com o passar do tempo, os antigos
amigos começam a questionar a obediência cega às matrizes, tornam-se
inconvenientes, precisam ser substituídos. A fonte de poder (petróleo) continua
dentro desses países, daí a necessidade de armas e guerras para controlar a
situação. No caso do Brasil, a situação é semelhante, como nos tornamos grandes
produtores de commodities e matérias primas (algumas perecíveis) quase que
unicamente para exportação, a fonte de poder está longe daqui, está no controle
das bolsas de valores dessas commodities (açúcar – Londres; cereais – Chicago; ferro
– Nova Iorque etc). É suficiente uma pequena alteração (artificial ou não) nas
cotações dos preços para desestabilizar economicamente qualquer país que não
esteja preparado para esses contratempos. Um dos motivos da onda de golpes
militares no mundo patrocinados pelos EUA nos anos 50 e posteriores do século
passado era exatamente montar a política de dependência econômica desses países,
o máximo permitido seria um desenvolvimento industrial secundário. No Brasil a
meta foi alcançada no final dos anos 70 do século passado, não havia mais
necessidade da presença de militares amigos no governo. O Brasil passa por um momento de afirmação,
com a produção do pré-sal, o jogo do poder pode mudar, a fonte de poder voltando,
pelo menos em parte, para dentro das nossas fronteiras. Do ponto de vista dos
EUA, isso seria muito desagradável. Daí talvez, toda essa campanha mundial de
desestabilização, não só no Brasil como de governos potencialmente capazes de
pensar um pouco diferente e procurar caminhos próprios. Afinal colocar vassalos
para tagarelar contra o governo e financiar desordens é barato e fácil de
operar, nisso a CIA têm muita experiência e parece que está aplicando no
momento.
Escrito por José Almino A. A. Pinheiro
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Recuerdos de Ypacarai - José do Vale Pinheiro Feitosa
A narrativa da composição de Recuerdos de Ypacarai foi retirada do Portal Guarani a partir da qual veio o texto, a música e a montagem. Aumentar a tela ajuda a ler. Aproveitem.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Anahi - José do Vale Pinheiro Feitosa
No espírito da postagem de ontem segue esta montagem de uma música-lenda muito conhecida e que tem o sabor das lendas tupi-guaranis.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
SÓ EXISTIREMOS SE TIVERMOS TERRA - José do Vale Pinheiro Feitosa
O parque Nacional Indígena do Xingu foi criado em 1961 pelo
Presidente Jânio Quadros. Tem 27 mil quilômetros quadrados, na área de
influência dos rios formadores da bacia do Xingu, fica na região norte de Mato
Grosso numa zona de transição entre o Planalto Central e a Amazônia. O parque
foi o resultado da luta dos irmãos Villas Boas (Orlando e Claudio) que viajavam
para a região desde os anos 40. Quem redigiu o projeto foi Darcy Ribeiro, então
funcionário do Serviço de Proteção ao Índio. E recebeu o apoio de figuras de
uma grandeza humana que são ricas pela narrativa e um espelho para estimular a
juventude a ser ousada e humana muito além desse individualismo consumista.
Falo do Marechal Rondon e do Noel Nutels.
O Marechal Rondon é herói na acepção da palavra. Um herói da
transformação e ocupação humana e econômica do vastíssimo território do oeste
brasileiro. Até então o Brasil era tão somente uma tripa litorânea que ia de
Belém a Porto Alegre (sei não são bem à beira mar). Existe uma vastíssima
literatura sobre Rondon. Noel Nutels, o chamado índio Cor de Rosa (Orígenes
Lessa escreveu um livro com este nome evocando Noel.)
Quero dizer que tenho histórias fantásticas do Noel Nutels.
Trabalhei num setor do Ministério da Saúde junto com a equipe do Noel. Mas vou
apresentar breves traços de sua história: nasceu na Ucrânia, membro de uma
família judia que migrou para Recife. Lá ele completa a infância, forma-se em
medicina e vai morar em São Paulo e é o médico da primeira expedição
Roncador-Xingu em 1943. Enfim: aproveita a expansão do Correio Nacional
(serviço da aeronáutica para transporte de postagens) o dirige para as selvas,
onde em clareiras era deixado com uma equipe e passava meses cuidando dos
índios que eram dizimados por doenças de brancos.
Terra quando pela primeira vez examinou as fotografias daquela, agora, pequena bola azul,
tão solitária no infinito e o poeta saudoso do seu exílio então atrás das grades de uma prisão
O que restou do povo Juruna (no século XIX eram dois mil) vive
em sete aldeias, próximas à Br-80 no baixo Xingu. Em 2001 o que haviam sido se
reduzira a 241 pessoas mas isso já era uma recuperação demográfica (no final da
década de 60 eles eram 50 membros, a maioria jovens). A língua deles pertence
ao tronco tupi e existe uma denominação que a chama de yudjá (significa dono do
rio) mas é dada por outros povos. A palavra juruna é um termo nheengatu dada ao
povo há vários séculos, que se traduz como “boca preta” que era uma tatuagem
perene na face. Essa tatuagem foi registrada há 150 anos, mas deixou de ser
usada e o povo juruna desconhece que existiu um dia.
Antes de seguir adiante: o nheengatu foi a segunda língua
geral criada no Brasil e era mais amazônica, a outra foi a paulista. Quando os
europeus penetraram o interior e foram criando uma economia sedentária, foi-se
criando a partir do tupi-guarani uma língua que pelo isolamento em relação à
Europa foi tomando corpo e se tornando a língua nacional (como vivos foram
duas). O Marquês de Pombal recriando as estruturas coloniais obrigou o ensino
do português. Mas era pelas línguas gerais que as diversas etnias se
comunicavam.
No anos 70 um índio da etnia Xavante se denominando Mário
Juruna, assim como o menino que disse que o rei estava nu, expôs as ditadura e
seus líderes. E foi de uma simplicidade fantástica. Com um gravador. Dos primeiros
gravadores portáteis e à pilha. Juruna desmentiu todas as falsidades dos
membros do governo apenas usando como instrumento o gravador.
Ele ia a Brasília para reivindicar coisas para o seu povo. Chegava
ao gabinete e gravava a conversa com a autoridade. Então falava com os
repórteres sobre o que haviam prometido e dito. Resultado o gravador do Juruna
passou a ser o desmascaramento da mentira oficial. Os jornalista para provocarem, perguntavam a
razão do gravador e ele respondia: “Para
registrar tudo o que o homem branco diz.” A repercussão foi tal que o
jornal O Pasquim chegou a entrevista-lo. E foi uma boa entrevista ele era muito
inteligente, com respostas rápidas e de muito bom humor.
Um Índio - música de Caetano Veloso aqui cantada por Milton Nascimento
Em próximas postagens pretendo falar mais do que ouvi sobre
Noel Nutels e relatar um dia inteiro em que passeie com Juruna pelo Rio, com
direito a almoço aqui em casa. Mas antes vou deixar mais uma frase do Juruna
para adoçar a amargura desses deslumbrados com o Agronegócio.
“ANTES DE TUDO, O ÍNDIO PRECISA DE TERRAS. ÍNDIO É O DONO DA TERRA. ENTÃO,
O BRANCO DEVE RESPEITAR A TERRA DO ÍNDIO”.
domingo, 23 de fevereiro de 2014
De "plantões" e "prendas" - José Nilton Mariano Saraiva
A notícia, inserta no
jornal O POVO, de 23.02.14, apenas confirma publicamente aquilo que todo mundo
sabe, mas tem medo de exteriorizar: no Poder Judiciário, que deveria constituir-se
um poder acima de qualquer suspeita, a corrupção também se faz presente. E em seus
escalões superiores, usando expedientes suspeitos.
É que determinadas bancas de renomados advogados de
Fortaleza espertamente optam por impetrar “habeas corpus” junto ao Tribunal de
Justiça do Estado, em favor de bandidos de alta periculosidade (já presos), só e
exclusivamente só, quando dos plantões judiciários de finais de semana (no fim do
ano passado, houve a tentativa de liberar pelo menos três criminosos de uma
quadrilha especializada em assaltos, seqüestro e tráfico de drogas, reincidentes
no mundo do crime e que já haviam sido condenados em pelo menos um processo).
E tem mais: 01) na busca para tentar evitar a liberação
“legal”, os advogados dos bandidos apresentaram mais de um pedido de habeas
corpus para o mesmo criminoso numa tentativa de confundir o sistema de
distribuição eletrônica e chegar ao “desembargador do acerto”; 02) em um dos
casos, três advogados diferentes (contratados pelo mesmo escritório) repetem a
solicitação em datas distintas; 03) apurou-se também que alguns escritórios de
advocacia esperam por plantões específicos de determinados desembargadores - a
lista dos escalados para cada plantão passou a ser pública, por determinação do
Conselho Nacional de Justiça.
Para tanto, sabem
quanto era a “prenda” de Sua Excelência o Desembargador de plantão ??? De
apenas e tão somente "irrisórios" R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais) por cada “habeas
corpus” deferido (em um mesmo plantão do TJCE, nada menos que 64 recursos foram
apresentados).
Descoberta a maracutaia, pelo menos
duas investigações estão em curso no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e
outras para serem encaminhadas. O desembargador Gerardo Brígido, presidente do
TJCE não quis comentar o assunto. Limitou-se apenas a dizer que os fatos estão no
CNJ.
sábado, 22 de fevereiro de 2014
"Cunhado generoso" - José Nilton Mariano Saraiva
Lembram de Patrícia Saboya Gomes, ex-mulher de
Ciro Gomes e cunhada do Governador Cid Gomes ??? Pois bem, sem nenhuma experiência
na área, foi nomeada recentemente “reitora” da Universidade do Parlamento (deve
ter alguma remuneração);
Mesmo desprovida do “douto saber”, necessário e exigido,
será nomeada (na próxima semana) pelo cunhado, governador Cid Gomes,
conselheira do Tribunal de Contas do Estado, cargo vitalício e que paga algo em
torno de R$ 25 mil mensais; para tanto, os “cordeirinhos” da Assembléia
Legislativa (deputados aliados) já garantiram a aprovação da mensagem
governamental.
Não esquecer que, quando Senadora da
República, notabilizou-se porque fez tanta traquinagem num voo internacional
(junto com uma amiga) que o comandante da aeronave, lá de cima, pediu à policia
de Roma, aqui embaixo, para recepcioná-las quando pousasse. Ficou retida até
que a diplomacia resolvesse o problema.
Com relação à sua vida parlamentar, como vereadora, deputada e
senadora, sempre foi de uma nulidade a toda prova, autentico zero à esquerda.
Tentou a prefeitura de Fortaleza em mais de uma oportunidade, mas o povo não permitiu.
Dedução disso tudo: nada mais legal do que ter um cunhado
generoso. Né não ???
Ação entre amigos - José do Vale Pinheiro Feitosa
Estamos
lendo, por meio de uma grande revista, a condenação de uma prática. Aquela
porta giratória em que o sujeito e o predicado trocam de lugar o tempo todo.
Terminam pelo que se chama de ação entre amigos. Um grupo se organiza para
dominar uma área do Estado e dele extrair vantagens financeiras. Este fenômeno
foi largamente identificado pelos americanos quando criaram as Agências
Reguladoras. O nome técnico foi de captura do agente regulador. É isso que se
encontra há muitos anos no corpo da burocracia estatal, seus programas e
atividades (ouvi longos relatos sobre Sebastião Camargo e contratos com a
Aeronáutica ainda no princípio do anos 50 do século passado).
Existe uma
proteção fenomenal da prática. Ela acontece dentro de partidos políticos que
permeiam vários governos e pela alternância de poder podem ter acesso à famosa
caneta que assina. Um dos parafusos desta prática é o financiamento privado de
campanhas eleitorais (que estão cada vez mais caras. Um vereador de município
com menos de 40 mil habitantes do interior do Ceará pode gastar até duzentos
mil reais para se eleger.
E no campo da
sociedade a prática adquire um valor simbólico, que a legitima de alguma
maneira, pela denúncia que estimula a alternância. A denúncia é uma das medidas
mais adequadas justamente para o sistema funcionar sempre, mesmo com outros
atores. Salvo denúncias surgidas das áreas de controle externo ou dos tribunais
de conta, o que funciona mesmo é quando um agente privado se sente prejudicado
nesse jogo, usa a imprensa para gerar o escândalo. Que tem repercussão política
sobre candidaturas, mas nem sempre contra o partido, força as peças para que o
jogo continue a funcionar. Continuar com os negócios proveitosos com o Estado.
Esse caso mesmo
que Carta Capital tão bem demonstra, que irá gerar acusações contra o PSDB,
inclusive com o viés de revanche, dado que este partido se tornou uma UDN a
denunciar nos outros as práticas que o movem. Mas movem também grandes partidos
e inclusive o PT que se dizia tão diferente. O PT usou tanto o expediente que
Darcy Ribeiro chegou a denominá-lo de "UDN de macacão." E agora o que
estamos falando?
Que a "ação
entre amigos" é comum em todos os governos, em obras públicas, serviços de
manutenção, serviços de propaganda e marketing (que na verdade é a chamada
comunicação), serviços de informática, serviços terceirizados de toda ordem e
nas ONGs e OS. Estas duas últimas modalidades chegam a ser fatiadas entre
aliados para que gerem recursos para a continuidade do "partido" a
ocupar o poder.
É nessa
questão que a política, a verdadeira política, deveria agir. Encontrar
mecanismos que economizem recursos e com os quais os ralos sejam vedados. E,
claramente, isso não é pós-fato, a vociferação de tribunais, o denuncismo, a
escaramuça para tirar vantagens e gerar manchetes. A revisão da lei de
licitações é uma grande questão. Não só a transparência é necessária, como a
participação no processo mesmo é necessário. Há que se reduzir a burocracia que
serve para esconder os malfeitos. Entre outras medidas que reduzam a
"captura da verbas públicas" pela "ação organizada entre
amigos". Acrescentando evidentemente o fim do financiamento privado de
campanhas eleitorais.
Vejamos um
paralelo com o que citado sobre os governos do PSDB e o desperdício da água. Quando
o atual Ministro da Saúde foi nomeado, setores do PSDB denunciaram esta porta
giratória entre ele com agente público e sua empresa privada de consultoria.
Qual a resposta principal do Ministro? Transferir a empresa para a esposa. Nada
mais cínico. Mesmo que ele não receba grandes volumes de dinheiro pelas
consultorias que presta aos governos, que sejam migalhas frente a essas
denunciadas pela Carta Capital, o que se verifica é a universalidade da prática
nos agentes públicos dos governos de muitos partidos.
Inclusive do PSDB e do PT, mas não só deles. Apenas se
destacam por serem os principais partidos em disputa no país.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Chá Chá Chá da vida - José do Vale Pinheiro Feitosa
Que importam as eras. Uma criança sempre chega à sua por
memórias que se condensam em símbolos. Em símbolos que se misturam ao ser, que
dão sentido a ele ao dispô-lo num plano, nem sempre uma linha de tempo, mas
meteoros que riscam o céu.
O velho Cine Moderno. A porta que dava para os banheiros
vazava luz nas sessões matinais e a plateia gritava: feche aí. Lembro como se
fosse uma extensão de mim. Aquela plateia da sessão de uma hora, muito chegada
a uma série, a um cowboy preto e branco. Aos gritos, vaias e piadas.
E de repente uma cena no meio de um tumulto sem fim. Todas a
gafes de doer a barriga de tanto riso. E
aconteceu destas raras sessões, que abriam o universo do século XX para o
menino que vivia num tempo de passagem entre o século XVII e XIX. Se bem que
com inúmeros símbolos a lhes rodear a vida: máquina a vapor do engenho, o
trator, os automóveis e caminhões e até os restos do que fora no passado uma
iluminação elétrica.
O cena era uma tumulto qualquer, de filme que marcou-se como
Mexicano, mas poderia ser de qualquer outro país e a música devia ser Chá Chá
Chá de La Segretaria. Ou então não foi no cinema foi no rádio. Mas o símbolo
que se marcou foram as sessões das 10 e 13 horas no Cine Moderna.
Fui a muito poucas. Assim era a vida de um menino de sítio.
Mas foram suficientes para serem muitas. E o Chá Chá cuja cena lembro com muito
riso é uma canção de Renato Carosone.
Chá Chá Chá de la Segretaria - Renzo Arbore - composição Renato Carosone.
Renato Carosone é o encontro entre as culturas pela
divulgação do disco e rádios. Renato Carosone compõe um cha cha. Ele um
napolitano típico. Um dos mais reconhecidos músicos italianos na metade do
século XX. Formado em Conservatório de Música, Carosone viveu a migração italiana
que foi para o chifre da África. Especialmente com aventura de Mussolini na
Etiópia. E Carosone ficou por lá. Só voltou à Itália após o fim da guerra. Formou
grupos musicais de grande sucesso.
Um dos sucessos mundiais de Renato Carosone foi este que segue abaixo:
Tu vuo fa L´Americano - Renato Carosone com vemos uma letra em puro dialeto.
Aqui a mesma canção num filme americano em que aparece Sofia Loren.
O chá-chá-chá é uma variação do Mambo. É cubana da gema.
Como é típico daquela cultura é uma música e uma dança. Assim como o mambo, o
merengue e outros ritmos cubanos. Quem a lançou foi o músico cubano Enrique
Jorrin. A música fundadora do ritmo seria La Engañadora.
La Engañadora - Orquestra Americana - Enrique Jorrin.
O nome chá-chá-chá vem do ruído do reco-reco que em Cuba
chama-se güiro juntando-se ao ruído do dançarino arrastando os pés no chão.
Renzo Arbore é um artista multi-disciplinar. Conduziu
grandes programas na televisão, especialmente humorísticos, que lançou
grandes nomes da cultura italiana, incluindo Isabela Rosselini. Um showman de
primeira. Domina o palco como poucos. Diretor de cinema. Músico. Cantor. E fundou
a orquestra italiana com 15 músicos para divulgar a canção napolitana. Aqui novamente a abertura musical do povo italiano, com uma melodia que um samba brasileiro sem defeito algum. Além do mais bem humorado pondo o som da sílaba final da cacau em todas as palavras.
Cacao Meravigliao - Renzo Arbore
As chancas de Alphonsus
J. FLÁVIO VIEIRA
Alphonsus Publius Catarinus Maximus !
Esse nome, carregado de um latinório
trava-línguas, poderia fazer parte da Mitologia Romana. Como diabos teria
aterrissado em Matozinho ? Primeiro, é importante lembrar que o nosso
Alphonsus não trouxe esse epíteto da pia
batismal. Nascera, sem sangue azul, molhando fraldas esfarrapadas, como muitos
dos seus conterrâneos. Ainda adolescente, enfurnara-se num Seminário, na capital, e por muito pouco escapou da ordenação. Fora
aluno exemplar e seus superiores vaticinavam-lhe uma brilhante carreira
religiosa, coisa para arcebispo ou cardeal. Apaixonou-se, no entanto, por um rabo de saia , filha de uma das
copeiras do Seminário , e ela terminou arrancando-lhe a batina e ele, em compensação, assungou-lhe a saia . Partiu, então, nosso Catarinus para
a dura vida de chefe de família, como comerciário. Nunca, no entanto, abandonou
aquela mania de sacristia, falava apenas em latim vulgar e irritava-se por não
ter interlocutores fora das hostes sacerdotais. Foi aí que resolveu, num penoso
processo, mudar, em cartório, o nome de
matuto, Afonso Possidônio , de Catarina ( sua mãe) , para o pomposo : Alphonsus Publius Catarinus
Maximus. E foi de posse desse novo registro civil que um dia aportou em
Matozinho, carregando já uma récua de filhos. Com o dinheiro juntado, por
muitos anos, estabeleceu-se por lá com um pequeno Armarinho e, já madurão,
mudou-se para uma fazendola que adquiriu
e renomeou-a de “Parnaso”.
Em
Matozinho, teve que abandonar o
latinório, pois ninguém ali estava à
altura da sua sapiência lingüística. No
Seminário versara-se em autores clássicos portugueses como Herculano e Castilho
e sabia todo o “Eu” do nosso Augusto dos Anjos de cor. Negava-se, assim,
terminantemente, a falar em linguajar
reles, fugia dos galicismos e anglicismos como o capeta de água benta. Erros de
português, se legislasse, seriam punidos com prisão perpétua, salvo os de
concordância verbal onde deveria se aplicar, sem remorso, a pena capital. Publius mostrava-se, ainda,
totalmente a favor da redução da maioridade penal: a partir de 12 anos, se
desferir golpe de morte no vernáculo: galés perpétuas ! Ademais , nada de se
resumir a uma centena de verbetes apenas, num idioma tão rico como o português:
-- O ” Caldas
Aulete” tem trezentos mil verbetes é pra se usar ! --- Costumava
dizer Catarinus .
Até
na emissão quase que automática de palavrões , nosso vernaculista se policiava. “Filho da Puta” ,
virava “Rebento de uma deusa de lupanar”
; “Maricas” , dizia “Pederasta sub-reperício “; “Vá para PQP !” tornava-se nos lábios de Catarinus :
“Diriga-se à Messalina que vos concebeu!” . Personagens famosos de Matozinho,
também, ganharam denominações menos rasteiras : “Jojó Fubuia” terminou
rebatizado por Johann Etanol; Janjão da Botica transformou-se em Jonh Pseudo-
Esculápio.
Dias
atrás correu por toda Matozinho o ocorrido na Barbearia de Barba de Gato.
Alphonsus lá chegou tentando encomendar um corte de cabelo. Dirigiu-se para
nosso barbeiro, semi-analfabeto, com o seguinte palavreado :
---
Ó Fígaro ! Quanto queres de remuneração pecuniária para desbastar estas
excrescências córneas que se avolumam por sobre minha calota craniana ?
Barba
de Gato, mais perdido que cachorro em noite de São João, diante de tamanha
catilinária, interrogou-o:
---
Kumas ? Oxente , O homem endoidou ou
veio das estranjas !
Contrariado,
Alphonsus, raivoso, ameaçou :
---
Se dizes por insipiência, perdoar-to-ei ! Se,
no entanto, pretendes zombar da
minha alta prosopopéia, desferir-te-ei um golpe com este instrumento perfuro-contuso que o vulgo
o denomina “bengala” , no frontispício da tua caixa craniana, com tamanha impetuosidade, que ela há de metamoforsear-se , em iníquos
instantes, em meras cinzas cadavéricas !
Registra
ainda o folclore de Matozinho uma outra
epopéia do nosso vernaculista. Pela
manhã , ele despertou o filho caçula ,Dioclecianus Tertius, pedindo-o para ir
até ao mercado público a fim de comprar uns cuscuzes para o café da manhã. Convocou-o com este
petardo:
--
Tertius, prólio meu ! Levanta-te deste leito adormecente e caminha até àquele
aglomerado humano que o povo denomina de mercado e compra-me massas côncavas a
que o vulgo rotula de cuscuz, para que possamos saborear no nosso jantar
matinal !
Semana
passada, a praça da matriz parou diante de uma cena inusitada. Alphonsus buscou um engraxate, no intuito dar um trato
nos seus pisantes. O problema é que se
tratava de uma figura popularíssima em Matozinho e que carregava um apelido hilário : “Cu de Apito” . Imaginaram todos a
dificuldade que teria nosso emérito vernaculista em tipificar o engraxate de
forma mais erudita. Em alto e bom som, Publius aproximou-se e , com sua inconfundível voz tonitruante, encomendou
o serviço:
--- Insigne polidor de
pantufas ! Poderias genufletir-te ante mim e tornar luzidias estas minhas
pré-históricas chancas ! Vinde, ó Óstio anal chilreador !
Crato,
21/02/14
ANTOLHOS - José do Vale Pinheiro Feitosa
Antolhos. Aquele anteparo que cega a visão lateral. Pode ser
este o sentimento de alguém que leu a notícia da apreensão policial de um menor
de idade, tentando roubar um casal de turistas em Copacabana.
Acontece que o caso ainda arde na chapa quente do
noticiário. Este mesmo menor foi alvo de intenso debate nacional. Ele fora
espancado e acorrentado a um poste por um grupo de vingadores que circulam
pelas ruas do Bairro do Flamengo.
Em primeiro lugar a repercussão no Rio foi imediata. Yvone
Bezerra, que se tornou uma referência em defesa das crianças assassinadas na
Candelária no anos 90, foi quem desacorrentou o menor e denunciou o ato.
Depois uma apresentadora do SBT cometeu a burrice de, usando
um serviço concedido, estimular o ato de espancamento e tripudiar em torno do
menor. Aí o debate virou nacional. Muita gente não aceita este tipo de estímulo
à violência com o uso de serviços públicos.
Agora o menor foi apreendido numa tentativa de roubo e foi
encaminhado para um desses órgãos formais de recuperação por meio da justiça.
Aí vem a história dos antolhos. Quem não consegue visualizar a lateralidade do
mundo, imediatamente vai vociferar contra quem defendeu o direito humano.
Vai usar a reincidência ou comprovar que o menor era ladrão
e merecedor do que sofreu. Efetivamente justificando a justiça pelas próprias
mãos. As mãos mais fortes que inclusive podem ser pagas como os pistoleiros.
A apresentadora do SBT se não der a notícia por satisfação,
irá dar um jeito de mostrar que ela tinha razão. Afinal o debate é público. E a
vingança é uma das mais antigas ações do drama humano.
Mas aí vamos para a lateralidade. Um mesmo ator (o menor) recebendo
dois tratamentos distintos. No primeiro ele foi agredido em seu direito humano
(escrito na lei). E no segundo ele vai se submeter à normas sociais em razão do
seu ato.
Isso faz toda a diferença.
Por que é golpe? - José do Vale Pinheiro Feitosa
A instabilidade social e as manifestações populares, aliadas
a grupos políticos organizados militarmente, deixam no ar a ação de ruptura dos
regimes que hoje funcionam baseados no sufrágio de candidatos. A questão está
mais ou menos assim: um grupo deseja romper as políticas de renda, falta de proteção
social, desemprego, despejo por dívidas e se manifesta. Grupos distintos, com
outros propósitos políticos, aproveitam a ocupação das ruas e vão para o
confronto militar franco.
Na Síria, na Ucrânia isso é bem visto. (Claro que por fora,
acirrando posições países fortes tomam partido financiando um lado ou outro e
até os dois). A Ucrânia é mais grave porque há um problema crônico básico de
setores étnicos em relação à Rússia (imperial ou soviética). Estes setores
ocuparam o campo da extrema direita política, são organizados, perduram há
muitos anos de tal modo que aderiram ao Exército Nazista durante a invasão da
União Soviética na Segunda Guerra.
A situação na Ucrânia é de tal modo um retorno ao nazi-fascismo
original que judeus já são perseguidos por lá. Este Jam Koum, um dos
bilionários do WhatsSpp vendido para o Facebook, migrou há alguns anos para os
EUA em razão das perseguições feitas contra judeus. E isso foi no final da União
Soviética, em 1989, e no ano de 2004 aconteceu na Ucrânia a tal Revolução Laranja
que foi comemorada como um grande ato político pela mídia ocidental.
A revolução laranja, dez anos atrás, se deu com uma revolta
popular em razão de uma fraude eleitoral em que o segundo lugar Viktor
Yanucovych (esse mesmo atual presidente) foi confirmado no lugar do que teria
sido o primeiro colocado que é Viktor Yushchenko. A eleição foi anulada,
Yushchenko disputou e venceu. Acontece que o paraíso não chegou e Yuschenko se
desgastou e quem está no poder é o outro Viktor.
Mais do que uma insurgência contra o Governo, o que se tem
por trás é a ruptura do processo em que a maioria vence a eleição. No caso da
Venezuela isso é nítido e mesmo quem torce contra Maduro, deve imaginar que no
mínimo o país tem uma grande divisão e que por eleições vão fazendo projetos de
seguir adiante. O mesmo processo que elegeu Maduro, poderá eleger Capriles nas
próximas eleições.
O que deseja esse López? Provocar ruptura para ele mesmo ser
o autor e aí Capriles e companhia vai para o espaço. A oposição na Venezuela
nunca se uniu e por isso perde tantas eleições. É preciso compreender um pouco
a formação social da Venezuela. Por muitos anos uma parcela da população foi
privilegiada com o Petróleo do país. Tinha uma vida de classe média até
superior a de outros países latino-americanos.
Essa parcela educava os filhos nos EUA, tratava a família e
tinha casas por lá onde passava as férias. Essa parcela se alienou do seu
próprio país e do seu povo. O Leopoldo López fez a maior parte de seu ensino
básico e de sua formação universitária nos EUA. Isso significa que parte da
identidade e das ligações dele são com aquele país.
O que ele propõe nas ruas é a ruptura dos resultados das
eleições no curso do mandato do eleito. Além do mais ele tem usado táticas de
movimentação que recordam o ocorrido em 2002 no golpe contra Chávez. Por
exemplo o aparecimento de mortes por balas perdidas em manifestações para
depois gerar mais tensão social.
Leopoldo López não só participou do golpe de 2002 como,
nesse momento, se diz orgulhoso do fato. Ou seja defende abertamente um golpe.
A BBC Brasil o classifica assim: popular, carismático, imprevisível, arrogante
e sedento de poder.
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