Não procure algo por aqui, tudo se encontra no vídeo acima, mesmo que a música e o texto der no saco suporte-os até o fim. Quando setembro vier estaremos aqui novamente.
por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Lupeu Lacerda - O corpo é um equipamento absolutamente artístico
Poeta e artista visual, atrevido e bem humorado, Lupeu Lacerda é
um dos remanescentes da arte no Cariri da década de 80 do século passado, que
antes era fanzineiro e hoje blogueiro. O escritor que fala de sexo nos seus
trabalhos diz que “exploro a sexualidade
em meu trabalho por saber que isso sempre causará estranhamento. As pessoas,
por incrível que pareça, ainda tem pudores em ler um texto que vem recheado de
palavras como: boceta, pica, cú”.
Alexandre
Lucas - Quem é Lupeu Lacerda?
Lupeu
Lacerda - De todas as perguntas que me fazem, essa é sempre a mais
escrota de responder... vamos lá: Lupeu é meu apelido. Antigo. Dos tempos de
menino. Odiava o apelido, mas ele foi se tornando tão forte que dominou o meu
nome: Paulo Luiz Matos de Lacerda. Incorporei-o. Por não haver mais o que
fazer. Daí comecei a assinar as coisas que escrevia e desenhava com esse nome Lupeu, o sobrenome é da minha família
cariri. Lacerda. E Lupeu Lacerda é um homem do sexo masculino, nascido no ano
da graça de 1965 em São Paulo, com 46 anos no costado, criado quando menino em
Santana do Cariri, depois em Juazeiro do Norte, que adotou o Crato como cidade
do coração, e que depois de morar em um monte de lugares aportou em Juazeiro da
Bahia, nos beiços do Rio São Francisco. Aprendiz de escritor, aprendiz de
artesão, apaixonado por todas as formas e manifestações artísticas. Pai de duas
filhas, escritor de dois livros publicados (Entre o Alho e o Sal / Caos
Technicolor), participação em algumas coletâneas, um blog meio desativado
chamado “Séquiço Sacro” (mesmo nome do fanzine que inaugurou a era de fanzines
no cariri nos anos 80), uma página meia boca na internet www.lupeulacerda.com.br , ainda cheio de sonhos, ainda
apaixonado, ainda achando que sempre dará tempo de fazer e mudar alguma coisa.
Lupeu
Lacerda - Meu
contato com a arte se deu através de gigantes! Conheci ainda adolescente
algumas pessoas que mudaram o prumo da minha visão de arte: começo com Stênio
Diniz, que já barbarizava com uma arte absolutamente “nova” na “velha” mídia da
xilogravura. Na casa dele conheci Luis Karimai (um mestre do desenho) e
Gilberto Morimitsu (um mestre da fotografia), os japas liam coisas diferentes,
olhavam coisas diferentes, gostavam de musicas diferentes. Depois enveredei nos
caminhos de Craterdã, e aprendi muito com Luis Carlos Salatiel, Normando,
Nicodemos, Carlos Rafael... enfim, tive um aprendizado absolutamente eclético.
Lia Dostoievski no sebo de Manel, conversava sobre Carlos Castaneda com Rafael,
via os desenhos de Normando, a poesia cristal de Nicodemos, bebia cerveja e
sonhos com Stenio e fui assim, aprendendo e as vezes acho que até ensinando
(pelo menos uma outra forma de olhar). Ainda hoje é assim. Meu contato com a
arte sempre foi e sempre será o contato com as pessoas que me cercam.
Lupeu
Lacerda - Bom,
eu escrevo desde que eu me entendo por coisa, bicho e gente. Mas a coisa de
publicar e ser lido vem de meados dos anos 80, com a criação do Séquiço Sacro.
Naquela época era foda escrever e ser lido. Bem foda... o único jornal
alternativo já era extinto, o “Folha de Pequi”, e partimos pra guerrilha, eu,
Uberdan e Gledson. Depois foram incorporados Hamurabi, Sidney e o grande Junior
R., rei das colagens perfeitas. Passou-se o tempo, participei de uma coletânea
de poesia organizada pelo Stênio Diniz, uma coisa bem bacana, um livro em cartões
postais. Não lembro o nome. Participei como vocalista da banda Fator RH/Lerfa
Mu (tempo melhor da minha vida). Em 2006
Sidney Rocha pegou um material meu e transformou em livro, lançado em 2007 pela
Kabalah Editora. Em 2009 participei de uma coletânea de contos chamada “tempo
bom”, que saiu pela Iluminuras. Este ano estou lançando o “Caos Technicolor”, o
que talvez seja meu último esparro poético. Nunca fui um poeta de verdade, essa
é a verdade. Sou mais um fotógrafo de palavras. Influencia Beat talvez.
Alexandre
Lucas - Como você caracteriza a
sua produção literária?
Lupeu
Lacerda - Minha
produção? Estudo. Muito estudo. Ler pra caralho. Escrever pra caralho. Apagar
pra caralho. Sei que tenho coisas a dizer. Mas ainda estou no processo de
aprender “como dizer”. Se tiver tempo, ainda quero escrever um puta livro de
contos. Ou um romance desses de guardar na estante com respeito e carinho.
Alexandre
Lucas – Como ocorre o seu processo criativo?
Lupeu
Lacerda - Gosto de escrever à mão. Em cadernos pautados. Usando barras
em vez de pontuação, pra não perder a velocidade do pensamento saca? Gosto de
escrever de noite, tomando café, depois que a casa se acalma. As vezes começo a
escrever com raiva de alguma coisa, as vezes é uma notícia que li, as vezes
forço. E me obrigo a escrever pelo menos duas páginas de rabiscos por dia.
Passo uns dias e volto pra ler a parada. Daí começo a aproveitar o que é de
aproveitar e jogar fora o que não serve. Acredito que cada pessoa que lida com
arte tem um processo, eu acho que em todos eles uma coisa é comum: trabalho
duro. E inspiração, pra ajudar a engolir o comprimido.
Alexandre
Lucas - A sexualidade é
algo notório na sua produção visual e literária. Qual a relação entra arte e
sexualidade?
Lupeu
Lacerda - O
corpo é um equipamento absolutamente artístico. Exploro a sexualidade em meu trabalho
por saber que isso sempre causará estranhamento. As pessoas, por incrível que
pareça, ainda tem pudores em ler um texto que vem recheado de palavras como:
boceta, pica, cú. Mesmo alguns que se dizem “mezzo” modernos acham bonito ver
um casal de lésbicas trepando, mas acham nojento um casal de gays. Lembro da
Dercy Gonçalves falando que na época dela, toda “artista” era puta. Acredito
sempre que arte é liberdade, que sexualidade é liberdade. E tanto uma como
outra, são mecanismos lúdicos pra trazer alegria. E a alegria meu amigo, ainda
é a prova dos nove. Tem também a influencia do que li, lógico: Miller, Anais
Nin, Ginsberg, Sade, Gide, entre tantos outros gigantes que exploraram essa seara.
Sexo é criação. Arte é recriação. No fim das contas tudo vai desaguar no mar da
arte.
Alexandre
Lucas – O que é um poeta
marginal na contemporaneidade?
Lupeu
Lacerda - À
margem como antigamente? Nada. Até porque hoje a internet bombardeia com um
zilhão de blogs de poesia, contos, micro contos, romances, receitas de bolo,
como ser um terrorista em 10 lições, enfim... não acredito que haverá a
qualidade dos “anos de ouro” 1970. Existia ali uma “coisa” fazendo a poesia
fervilhar. Uma ditadura dos milicos. Dezenas de bons escritores desesperados e
desesperançados. Dificuldade de publicar. Acho que a dureza serviu de peneira.
Difícil imaginar nessa “contemporaneidade” o surgimento de Ana Cristina Cesar,
Chacal, Cacaso, Chico Alvim... existem caras bons? Lógico que sim! Mas são mais
difíceis de encontrar, porque hoje, todo mundo anda de jeans. Rsrsrsrsrs.
Alexandre
Lucas - Como você
caracteriza seu trabalho?
Lupeu
Lacerda - Meu
trabalho é o de um aprendiz. Será sempre assim, porque quero que seja assim.
Quando escrevo eu entro todo ali. Sou onisciente ali dentro. Onipresente.
Talvez seja esse viés que faz com que alguns dos meus amigos achem que existe
algo ainda não dito, ou não feito, por mim. Gosto de escrever pra caralho! Me
faz bem, me desentala. Então, mesmo sabendo que em literatura provavelmente
“tudo” já tenha sido dito, enquanto tiver tesão de fazer isso, vou continuar
escrevendo. Persistência? Pode ser. Caracterizaria meu trabalho sim. Catarse
também. E dor. Porque escrever dói.
Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seus trabalho?
Lupeu
Lacerda - Não
acredito que a arte, seja ela qual for, tenha esse papel de “salvadora”. As
pessoas mudam, “ou não”, de vida a partir de uma leitura de um livro. Como
haverá alguns que mudem depois de ter perdido um avião, ou comido uma comida
estragada, ou escutado uma música. Artistas são apêndices de uma sociedade que
sempre os aturou a uma certa distancia, mas que nunca os engoliu bem de perto.
Aqui em Juazeiro da Bahia e Petrolina nós soltamos livros pelas ruas em um
projeto intitulado “Livros Andarilhos”, eu espero sinceramente que as pessoas
que encontrem esses livros façam bom proveito deles, e que depois de lidos eles
sejam de novo largados ad infinitum. As pessoas que lêem podem continuar
tristes, amarguradas e infelizes, mas nunca estarão sozinhas em companhia da
porra de um livro. Ensinar arte, compartilhar arte, levar a arte pra todos é a
vontade maior. Eu nunca faço nada pensando em atingir público A, B, ou C. eu só
quero ser lido. O resto vem por inércia. Quem lê, cobra, exige, grita, pede,
vota nulo. A contribuição social que quero não só do meu trabalho, mas do de
cada pessoa que escreve, é que os livros (todos, de qualquer gênero) deveriam
fazer parte do cotidiano das pessoas assim como o sexo, as novelas, as drogas,
a música, enfim...
Alexandre
Lucas - Quais
os próximos trabalhos?
Lupeu
Lacerda - Estou
em ritmo de finalização de meu primeiro livro de contos, que se chamará “o
trigésimo segundo dia”. Tem sido uma experiência muito prazerosa, cheia de
dúvidas e certezas, de comemorações e desesperos, de delírios de grandeza e
certeza de inutilidade. Enfim, uma gestação. Como pai e mãe espero ansioso pelo
nascimento, que deve se dar ainda este ano, caso a porra do mundo não acabe. Se
o mundo acabar, bom, vou procurar um kardecista. Sai psicografado em algum
outro planeta, que essa porra me deu muito trabalho.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Por Socorro Moreira
O tempo trouxe de volta o inacabado
Peça artesanal sem arremate final
Pano amarelado
Lavanda aninhada no linho
Faltou o amor?
Sobrou o que não ficou...
Meu coração minado
Insiste na canção
Que as vezes toca no rádio
Sem censura- por Socorro Moreira
Depois de algumas décadas consegui manter uma secretária doméstica. O espaço criado, meu ócio, é um convite compulsório pra contar em linhas tortas, a vida na terceira idade.
As horas se arrastam como na infância, atenta às badaladas. O leiteiro é motoqueiro, e me parece engraçado. Vende-se cheiro verde e bananas, na bodega aqui do lado.
As modistas perderam o glamour. Delas corro léguas. São raras e quase despreparadas. Difícil porém é achar roupas baratas.Mas pra que tanta vaidade, se já não assisto missa aos domingos?
Sem saudosismo... Mas até a galinha caipira perdeu seu gostinho mágico. As mãos de avó e mãe, hoje desencarnadas, deixaram de plantar florzinhas nos canteiros desta casa.
Casas sem pilão, e sem mão. Nos últimos tempos corremos atrás de receitas que incluíam enlatados. Chega!
A simplicidade voltou ..Arroz, feijão, uma poeira de farinha, tudo no fogo brando, e um pedaço de carne assada. Desligo a TV, mas as calçadas vaziam desprezam a primeira estrela.
Tenho uma proposta de amor ausente. Realidades solitárias – eis a questão! Mas não tem nada não!
Os correios não entregam cartinhas de amor, nem telegramas. Era tão bonitinho no tempo em que, ao invés de faturas dos cartões, recebíamos envelopes aéreos com letras bem desenhadas.Rasgava o envelope de qualquer jeito e lia do fim pro começo...” do seu...Querida!”..E assim ia.Ia um sonho de amor, noite afora, noite e dia.
Nestes tempos de junho era de praxe um vestido romântico com rendas e estampados.A boca ficava mais vermelha e o cangote mais perfumado.Cabia fita ou rosa no cabelo, brinco na orelha pendurado.Sapatos de saltos, nem que as pernas entortassem.
Quadrilhas!
E o cavalheiro? Tinha lenço no pescoço, um bigode bem charmoso, uma pegada aprumada.Saltavam os olhos; abriam sorrisos...
- Me dá um beijo na boca, moça do meu gosto...Se me negares, eu roubo!
- Paguei penitência... Suave, doce Ave-Maria!
- Me dá um beijo na boca, moça do meu gosto...Se me negares, eu roubo!
- Paguei penitência... Suave, doce Ave-Maria!
• Queria muito aliança de brinquedo. O dourado e o bombom. O papel de celofane verde, amarelo ou azul.
• Àquela no bolso não pesa, nem obriga juramento, que se debate como o vento, na folha da macaúba.
• Anoitece. Fiz bolo em homenagem à Walda.Desde menina comemoro esta data.Ela tem o nome da minha mãe, além de ser uma colega e amiga, que nunca perdeu lugar especial, no meu coração.
Pra você, minha notinha amorosa- por socorro moreira
Fátima Guedes
Ah, meu amor, estamos condenados
Nós já podemos dizer que somos umNós somos um
E nessa fase do amor em que se é um
É que perdemos a metade cada um
Ah, meu amor, estamos mais safadosHoje tiramos mais proveito do prazer
E somos um
Quando dormimos juntos, sonhos separados
Que nós não vamos confessar de modo algum
Ah, meu amor, ah, meu amor
Quantas pequenas traições
Pobres mentiras diplomáticas de puras intenções
Estamos condenados
Ah, meu amor, de discretos pecados
Formamos esse ser tão uno divisível
Parece incrível
Que nós tentemos que ele dure eternamente
Nessas metades incompletas
Mas decentes
Hoje amanheci com esta música na cabeça.Ela é pouco divulgada, e a gente só consegue aprendê-la pela metade.
Mas existem versos geniais, ou parecidos demais com tudo que desejamos do amor: que ele seja eterno, não enquanto dure , mas enquanto a gente vive.Respeito os amores que se firmam. A melhor e mais admirável qualidade humana é saber relaxar, no amor da sua vida.
Tive um amigo que dizia: " sou mau marido".Quem tem minha parte namorado tem a melhor parte. Mas a gente deseja o sonho separado, na mesma cama. A gente deseja o trivial café da manhã...Que besteira!
O amor é um material intacto. Quando acontece é luxo e lixo pra eternidade.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
A "argola saltitante" - José Nilton Mariano Saraiva
Basta um click no controle e lá estão elas: simpáticas, normalmente bem afeiçoadas, impecavelmente “produzidas”, sorriso no rosto e dicção perfeita; são as apresentadoras dos telejornais de certa emissora de TV, aqui de Fortaleza.
De princípio um tanto quanto tímidas, aos poucos vão pegando os macetes da profissão e começam a se soltar, findando, em pouco tempo, por nos apresentar um trabalho de boa qualidade (uma delas, recentemente, numa reportagem sobre o circo, se meteu dentro de um daqueles “globo da morte” e ficou ali, estática, enquanto duas possantes motos zanzavam a toda velocidade em torno dela).
Um detalhe, no entanto, as caracteriza (pelo menos parte delas) e não é preciso ser tão observador pra constatar: apesar de todo o treinamento e técnica que adquiriram a fim de se habilitarem a se postar diante das câmaras, que inclui obrigatoriamente até a forma como se deve empunhar um microfone, com a diária exposição midiática o “fenômeno” acontece; não mais que de repente, elas não se seguram ou “esquecem” momentaneamente tudo que aprenderam e fazem questão de orgulhosamente nos mostrar a “argola”, normalmente grossa o suficiente pra ser visualizada a quilômetros de distância, enfiada no dedo anular da mão direita (a que segura o microfone), como se nos dissesse: “aqui, bicho, tô noiva, viu” ??? (recentemente, uma delas chegou a convencer o “chefe” a comparecer ao programa esportivo que apresenta, a fim que o próprio anunciasse ao vivo e a cores que a subordinada estava noiva).
O que impressiona, ainda, é a VELOCIDADE com que a tal “argola” transmuta-se da mão direita pra a mão esquerda da jovem e a “OBRIGATORIEDADE” que elas sentem de – mesmo destras – empunharem o tal do microfone agora com a mão esquerda, como a nos anunciar: “olha aí, casei, sacou” ???
Mas, como o número de fãs é expressivo e o assédio certamente que idem, de repente lá estão elas no vídeo trocando, até de forma acintosa, o microfone incessantemente de mãos, como se fizessem questão de mostrá-las agora sem nenhuma “argola”, só nos faltando confidenciar: “e aí, cara, tô livre, pode chegar junto”. E como a vida continua, dentro de pouco tempo a história recomeçará... a “argola” na mão direita, transferência para a mão esquerda e, de repente... tomou doril, a “argola” sumiu.
Ô “argolazinha saltitante”.
domingo, 17 de junho de 2012
Oriente - por Everardo Norões
a luz se esquece
sobre o corpo
nem oprime nem aquece
palpita a pele
suburbana papoula
no jarro
e no muro o musgo
a conjurar as pedras
o coração a maldizer
as setas
a indicarem retas
e eu
....... só desvios
Você não sabe amar - por José do Vale Pinheiro Feitosa
E já começou afirmando, “Você não sabe amar meu bem”, que ela não sabia conjugar o verbo amar. Nem conjugar e nem dominar o conceito: “Não sabe o que é o amor”.
E eles sabiam, Dorival Caymmi, Carlos Guinle e Hugo Lima, não apenas o conceito como tudo aquilo que se desdobra nos tempos, modos e pessoas do verbo amar. Não apenas singrar os mares do verbo, seja com seus símbolos e metáforas. Eles, quem sabe sentados na pérgula do Copacabana Palace, um violão, frases soltas e notas arrumando as idéias. Ou, talvez, no piano do bar, entre um copo e outro de uma boa bebida no entardecer da cidade.
A verdade é que eles sentiam que ela não sabia amar pois “Nunca sofreu, nunca viveu” e tão jovem diante de tantos anos vividos “E quer saber mais que eu”.
E neste abismo de tempo de sofrer e viver, já havia uma senha para o desfecho: "O nosso amor parou aqui. E foi melhor assim. Eu esperava e você também. Que fosse esse o seu fim."
O amor, de sofrer e viver, é, também, o recipiente das coisas boas da vida, é ação e móvel da ação, é conteúdo e recipiente ao mesmo tempo e sendo assim, é um todo indistinto, cuja identificação apenas se dar por sentimentos e nos sentidos do corpo. Tua presença, teu odor, esta distância impreterível a nos separar como o sol à lua.
E quando se explica o que tudo aconteceu eis que "O nosso amor não teve querida, as coisas boas da vida. E foi melhor para você. E bem melhor pra mim. "Claro que mais uma vez a distância da idade entre ela e ele.
Vocês sabem ? - por Socorro Moreira
Nasci aprendendo coisas com o instinto e com a razão.Com ou sem razão, internalizei o que criei ou copiei.De tudo e todas , o que mais me interessou por encanto , foi a vivência do amor, em todas as suas formas, em todos os seus cantos.
Nos anos flores a gente arrisca, cai do pau pra ver o tamanho da queda , petisca, condor ou sem dor..Nos anos frutos , a gente colhe o que plantou , mas também é cansativo reunir o nosso amor.Ele já se espalhou, se desintegrou ... Enfim , nosso quebra-cabeça amoroso , tem pedras de todos os tamanhos, formas e cores.
Quando , no tempo das sementes , desejo semear o carinho, o faço sem alardes , e entre trovoadas ... Se retornar eu guardo, pra depois (re)espalhar !
Eu vivi intensamente meu potencial afetivo. Hoje ele é da paz, mas nunca foi desistente de um sentimento maior , curado de todos os defeitos que contrataram perdas e contraíram mágoas.
Hoje sem amargura, descubro que o meu amor está inteirinho, como se nunca tivesse sido exercitado, pronto pra passar pro lado de lá , e continuar do lado de cá , sem posse e com destino !
Não sei o que é o amor... Vocês sabem ?
Não respondam com palavras !
Milágrimas
Música: Itamar Assumpção
Letra: Alice Ruiz
Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre
Caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa coma somente a cereja
Jogue para cima faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre
Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal do sal do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas três dez cem mil lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre
Bolo Pé-de-Moleque
Ingredientes:
3 xícaras de chá de castanha de caju torrada e triturada
2 1/2 xícaras de chá de água
2 xícaras de chá de leite de coco
1/2 xícara de chá de manteiga
1/2 colher de sopa de café solúvel
1/2 colher de sopa de canela em pó
1/2 colher de sopa de cravo triturado
1/2 colher de sopa de erva-doce triturada
1/2 colher de chá de sal
1kg de massa de mandioca úmida e peneirada
500g de rapadura escura em pedaços
4 ovos
Preparo:
Bata no liquidificador a rapadura com a água até dissolver. Leve ao fogo até ferver, desligue e acrescente a manteiga, a erva-doce, o cravo, a canela e o café. Misture bem, deixe esfriar e reserve. Bata os ovos e o sal até espumar. Com a batedeira desligada, coloque a massa de mandioca e misture com uma colher de pau. Com a batedeira ligada, junte aos poucos o leite de coco, até ficar homogêneo. Desligue a batedeira e acrescente a rapadura já fria. Misture bem. Volte à batedeira, em velocidade baixa, e acrescente a castanha triturada. Bata até obter uma mistura homogênea. Aqueça o forno em temperatura média. Unte a fôrma com manteiga e, se desejar, coloque um pouco de leite de coco nos lados da fôrma, sobre a manteiga. Ponha a massa. Leve ao forno médio, por 1 hora e 40 minutos ou até que, ao espetar um palito, ele saia quase limpo. Retire do forno e deixe esfriar. Desenforme sobre um prato e decore com as castanhas.
Fonte: Ariadna's Site
E CALOU-SE A VOZ DE ALTEMAR...
UMA VOZ COMOVENTE, PLANGENTE
QUE FEZ TANTA GENTE SONHAR
...........................
QUE IRONIA ATROZ DO DESTINO
ESSE HOMEM- MENINO MORREU AO CANTAR
E AO CANTAR FEZ UM MUNDO MELHOR
ONDE A GENTE ACREDITA,QUE EXISTA AMOR
SUA VOZ SE CALOU, MAS O ECO FICOU
NÃO MORREU ALTEMAR!
BASTINHA JOB
PARA GRACILIANO RAMOS ESCREVER DEVE SER IGUAL A BATER ROUPA
O escritor alagoano Graciliano Ramos recomendava que o ofício da escrita devia ser feito da mesma maneira como as lavadeiras lavavam roupa em Alagoas. Eis o texto de Graciliano Ramos:
"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxaguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer."
PARA GUIMARÃES ROSA ESCREVER É FERVER, FILTRAR E PURGAR A PALAVRA
A lição que nos vem de Guimarães Rosa não é diferente. Para o escritor mineiro escrever era um exercício de alquimia: a palavra fervida e filtrada, purgada e rezada. Ele afirmava que escrevia para tentar “desvendar o mistério cósmico.”
“Sou incorrigivelmente pelo melhorar e aperfeiçoar, sem descaso, em ação repetida, dorida, feroz, sem cessar, a todo custo. Faço isso com meus livros. Neles, não há nem um momento de inércia. Nenhuma preguiça! Tudo é retrabalhado, repensado, calculado, rezado, refiltrado, refervido, recongelado, descongelado, purgado e reengrossado, outra vez filtrado. Agora, por exemplo, estou refazendo, pela 23ª vez, uma noveleta. A gente tem que escrever para 700 anos. Para o Juízo Final.”
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