por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
sábado, 24 de setembro de 2011
Camelô - por Socorro Moreira
Você já foi vendedor
de tudo que a gente paga ?
Eu também já fiz a lista
dos produtos bem vendidos
e também dos não comprados.
Vendi Avon pras meninas
Vendi roupas femininas
Ouro do Juazeiro
e Seguros em geral
Vendi até uns florais
pra curar umas mazelas
que a intuição adivinha.
Vendi sonhos pra mim mesma
fora e dentro da medida
mas o que faz vender de um tudo
é a prosa convincente
e o carisma de quem luta !
Não dispenso uma prosa
Até a prosa que cala
ensina que nesse mundo
os mal ouvidos
se arrasam
e não aprendem com os outros
a rota ds bons achados.
Gaveta da alma - Por Rosa Guerrera
Gilda Abreu- por Norma Hauer
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
seu pedro
Juro que a minha jangada
se não estivesse com o bico enterrado
correria pro mar e me largaria sozinho.
Conhecedor dessa sua natureza impetuosa
afundei-lhe o bico na areia e a parte detrás
amarrei aos meus cabelos.
Só se mexe se balanço o pescoço.
E se vou à cozinha preparar um cafezinho
levo-a junto cruzando o quarto e a área de serviço.
Há cinco dias não vejo meus irmãos golfinhos
nem abraço as minhas amigas baleias.
Na verdade só vou pro alto mar
pra me sentir bem acompanhado.
Conversar com as estrelas,
paquerar a lua que hoje,
grávida de quíntuplos,
suspira lembrando-me
que há cinco dias
não me vê.
Libra: O dom do Amor
Hannibal em Matozinho

Assilon Cananéia tremeu do topete ao dedão do pé. De repente, ante as invectivas de D. Soledade, percebeu : tinha sido pego com as cilhas da cangalha frouxas. Ficou de um lado para outro, como galinha procurando canto para pôr o ovo. Parecia que ensaiava os passos cadenciados do Raggae, feito papagaio em areia quente. E agora? Soledade tinha sido categórica, firme, definitiva: amanhã você tem que se confessar, Si-Si, senão não vai poder comungar no casamento de Zuleika! Naquele exatíssimo momento se tinha interposto a última bola que lhe formatara a sinuca de bico. Ainda tentou contra-argumentar com a mulher. Já tinha tanta gente para a fila da hóstia, carecia lá mais um pecador no pé do padre? Soledade enfureceu, fez cara de cachorro pé-duro quando sente cheiro de onça maracajá. Aquilo seria uma desfeita sem tamanho! Onde já se viu? A filha no pé do altar e o pai esborrotando de pecado, se recusando a ajustar as contas com o Salvador? Pois bem, ameaçou a esposa: Zuleika já disse, seu miserável, se o pai não se confessar, ela se recusa a entrar na igreja, prefere viver junta com Senevaldo. Filha de pecador, tem que seguir os rastros do pai. A arapuca estava armada.
Assilon saiu meio capiongo para o trabalho. Cobrador de ônibus por longos anos, atualmente esquentava o banco no escritório da “Viação Rola Cachecha”. Não lembrava a data da última confissão. Ficou pensando na ruma de pecado que ia ter que fazer desfilar nos pés do padre. Alguns cabeludos como jumento novo. Cidade pequena, todo mundo conhecia todo mundo, ficou pensando no constrangimento que iria passar. Primeiro relacionado com o tempo da entrevista que já assustaria todos da fila da confissão e depois com o tamanho da penitência que o rigoroso Padre Arcelino lhe sapecaria. Preocupava-se, sobremaneira, com um namorico escondidíssimo que entabulara com uma beata da igreja, D. Zulena, que, por uma coincidência terrível, era sobrinha logo de quem ? Do vigário da cidade: o brabíssimo Arcelino. Convenhamos que Si-Si estava carregado de muitas razões para entrar no trabalho daquele jeito: mais prá baixo que diferencial de cururu. Os colegas perceberam o carrego , mas ignoraram, não tinham intimidade suficiente para escarafunchar aquele maribondo de chapéu. Havia, no entanto, um amigo mais chegado . Pois bem, Deusamém , montado numa confidencialidade de muitos e muitos anos, cutucou o vespeiro, sem medo das ferroadas. Si-Si , então, com os problemas já vazando pelo ladrão, contou tudo. Estava preocupado com a tarefa inadiável do dia seguinte e temendo a repercussão. Deusamém, macaco velho, saltou de lá com uma idéia brilhante. Lembrou que estava na cidade, visitando o pároco, um Padre alemão, recém chegado ao Brasil. Ainda não falava direito o português, mas teimava em confessar os fiéis. Deusamém acreditava que o Padre Nossinger Radikoff seria uma ótima saída, pois se não falava bem o português, imaginem o Matozinês, um dialeto dos mais intrincados e difíceis do mundo ! Assilon respirou aliviado e voltou para casa mais tranqüilo. Deusamém arranjara uma saída genial. Primeiro a demora seria facilmente compreendida pelo choque lingüístico entre confessor e confessado, depois havia a possibilidade de absolvição plena , sem demais protocolos e burocracias.
No dia seguinte, um contrito Assilon tomou piedosamente lugar na fila da confissão. Quando chegou sua vez, ajoelhou-se candidamente e esperou o palavrório de Nossinger que não demorou a ser escarrado da goela, com aquele sotaque forte de quem se entalou com farinha seca:
--- Meurr Filhorrr , digarr seusrr pecadorrrss!
--- Seu padre eu botei um “gato” na água lá de casa e no trabalho como cobrador, carrego um monte de “cabrito”no ônibus!
--- Meurr filhorrr, deixe de marvadezarrr com os bichinhosrrr de Deusrrr. Não derrr banhorr em gatorr não, viuuu? Agora carregarrr cabritooorr, meu filhoorrr, não serrr pecado não! Querr mais ?
--- Seu padre, quando eu vou para a roça, vez por outra eu como uma cabrinha que eu crio por lá.
--- Meurr filhorrr, isso não serrr pecadorrrrr, carne de vacarr, de boderrr, de porcorrr só serrr pecado na Semanarr Santarrr... Querr mais, meurrr filhorrr?
--- Quando não é a cabra seu padre, gosto de pelar uma sabiazinha...
--- Marvadezarrrr com os bichinhorrr de Deus, seu Assilonrrrr, de novorrr? Querr mais ?
--- Seu padre, eu tô comendo uma beata, é pecado?
--- o quêrrr ? Vocêrrr é caniballll, hein?
--- Não seu padre, eu tô fazendo um calamengau com ela toda noite!
--- Com elarrr quem ???
--- O calamengau é com Zulena !
--- Mingaurrr de Maizenarrr não é pecadorrr não seu Assilonrrr !
--- Mas seu padre, eu tenho feito com ela é por trás...
---- Porrr trássss? Arrrrr seurrr Assilonrrr ! Pois o senhorrr é um sujeitorrr traiçoeiroorrrr, não errrr ?...
No dia seguinte, devidamente purificado,ante os olhares de gratidão de D. Soeldade, o ex-traiçoeiro, ex-canibal, ex-judiador de gatos e sabiás , o ainda traiçoeiro Assilon lá estava pronto para papar a hóstia sagrada no casamento de Zuleika e Sonevaldo .
J. Flávio Vieira
P.S. – De uma idéia original de Armando Rafael , este texto é dedicado ao Capitão Ariovaldo Carvalho, Cidadão Matozense.
A CÍCERO DIAS
Pablo Neruda
Pablo Neruda (Parral, 12 de Julho de 1904 — Santiago, 23 de Setembro de 1973) foi um poeta chileno, bem como um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX e cônsul do Chile na Espanha (1934 — 1938) e no México.
Romy Schneider
Romy Schneider, nome artístico de Rosemarie Magdalena Albach (Viena, 23 de setembro de 1938 — Paris, 29 de maio de 1982) foi uma atriz austríaca que atuou no cinema europeu, especialmente no francês.
Ray Charles
Calor. Por Liduina Vilar.

o sol nasceu brincando
mandando dizer que
o dia vai esquentar os corpos,
os campos, as casas...
O âmago agradece, pois tempo
gélido, sem um calorzinho
nos remete ao limbo do coração.
E coração é coisa séria, ele pára
quando não se sente bem. Cuidemos
dele com carinho.
Ganhamos neste dia,de presente, uma
calorosa sexta-feira de setembro.
Agradeçamos. A vida está dentro de
nós a toda hora...
Lembremos da nossa pequena criança
interior, que saltita feliz e agitada, pois
pode debruçar na janela, olhar para o
mundo e gritar: VIVA!
SONHO DE AMOR
A história do genial pianista húngaro Franz Liszt
Título Original: Song Without End
Elenco : Dirk Bogarde, Genevieve Page, Capucine
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Lá - por João Marni
A idade e a mudança - Lya Luft
Cabeça, centro do pensamento
Onde guardo sentimentos
Que às vezes me acorrentam
Às lembranças do passado
Outras vezes me deixando
Voar pela imensidão
Muito maior que a distância
Entre a Terra e Plutão
Distância- por Socorro Moreira
Intransponível distância
Entre a terra e o céu
Sem o teu endereço
Não alcanço o teu segredo
Distância
Entre o que se deseja
E o que se pode ter
O ser é mais próximo
O ter é mais árduo
Distância
Entre o amor e a paixão
Entre o certo e o carecido
Distância incalculável
Entre a vida e a morte
Entre o teu pensamento
E o meu
Entre a tua vida e a minha
Proximidade absoluta
Entre a vontade de viver
E a paz de ser feliz
Distância imponderável
Em conseguir!





