por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Um Anjo chamado Edilson

Foi numa manhã de quinta-feira. O céu bem aberto e pintado de azul abria as suas portas para receber o seu mais novo morador. O céu estava em festa. Dentro de nós, o choro e o vazio. Mas naquela manhã de intenso sofrimento, você meu cunhado, não suportando tamanha dor, como um anjo de asas brancas e largas, deu um adeus e alçou vôo em direção aos céus. Intimamente, todos nós imaginávamos que isso pudesse acontecer. O seu peito já não mais suportava tamanha dor. A sua respiração curta já não mais atendia o seu comando. O seu corpo frágil impedia os seus movimentos mais festivos. E neste dia, 07/10/2010 às 06h00min da manhã, você partiu. Partiu deixando uma forte e dolorosa saudade. Partiu deixando-nos sem rumo e sem norte. Partiu deixando a melhor essência da sua alma. Partiu deixando o seu maior e melhor perfume e o seu maior tesouro: a sua bondade, generosidade, a sua honradez, a sua candura, o seu jeito silencioso e correto. Um homem íntegro como nenhum outro. Um pai dedicado e atencioso, um marido fiel, um avô atento, um amigo de todas as horas. Partiu despedindo-se dia a dia, noite após noite… Seja no toque das mãos, seja no seu olhar triste e sereno, quando, os seus olhos falavam de uma forma tão clara, mesmo sem emitir uma única palavra. Mas não queríamos enxergar. Não queríamos aceitar. Procurávamos uma fórmula mágica que pudesse reverter aquele quadro. Procurávamos uma luz no final do túnel. Mas o momento havia chegado. Deus o chamou. E você, aliviado, descansou.
Você é um anjo, meu cunhado. Um anjo brilhante! Você sempre foi um grande amigo e um grande irmão do coração de muitos que cruzaram o seu caminho. Obrigada pela sua alegria e carinho. Obrigada pelos tantos e tantos dias festivos em que, em família, convivemos.
Existem pessoas que são anjos. Anjos disfarçados de gente. E você Edilson, é um anjo que Deus nos enviou, para sempre estar abençoando as nossas vidas.
Sua Cunhada,

Mara Thiers
10/10/2010

O SOL ESTÁ NO SIGNO DE AQUÁRIO


Estrelar AQUÁRIO é sair de um quadro de referências essencialmente subjetivo e pessoal, para olhar a vida com uma perspectiva objetiva, social, solidária e ampla. Vamos olhar bem para o futuro, com esperança e, sintonizados com idéias inovadoras, desenvolver uma sociedade mais justa e igualitária. Os ideais aquarianos estimulam consciência e interações sociais. Não podemos ficar de braços cruzados, olhando para nosso próprio umbigo, quando as mudanças e revoluções estão acontecendo. Vamos participar, cooperar e desenvolver nosso espírito de solidariedade. Vamos estrelar Aquário buscando a matriz primordial das coisas. Quando sairmos de um tipo de vida comum – centrados na nossa auto-imagem – para buscar o modelo original, estaremos nos repotencializando, nos libertando e oficializando nosso encontro com o Sagrado. Aí começamos a realizar e estrelar PEIXES.

StelaSiebraBrito












Por de sol ao som de Bolero de Ravel

Ontem eu vi o sol se deitar diferente do que vejo todo dia. Foi de um jeito muito especial: o sol foi se deitar ao som do Bolero de Ravel. O homem vestido de branco, em pé dentro de um barco remado por um pescador, tocava no sax aquela música bela, tornando o momento mais grandioso. A música, o sol, as águas do rio, a vegetação, estavam unidos na doce harmonia do universo, reverenciando o Sagrado.
Ao som da melodia o sol se despedia, espalhando nas águas do rio seu brilho dourado. O céu também estava dourado. E aquela luz amarela tão especial era mensageira da luz divina maior, de amor, de cura, de fé, do brilho que aquece e que banha, que dá nova cor ao céu, às águas e aos corações contemplativos.
Quando o sol se deita no poente, levando sua luz e seu calor, a terra vai aos pouquinhos mudando de cor. As águas refletem novos tons, a luz se vai aos poucos, o crepúsculo matiza o mundo com nova cara. As cores vão escurecendo para dar lugar à senhora das sombras. A noite pede passagem com seu manto de escuridão. É hora de silenciar, aquietar o coração, contemplar, apenas contemplar. Unir-se a este momento de sagrada beleza e deixar que o silêncio se faça na alma, que assim, calada, escutará a voz interior, para que a ausência da luz externa acenda nossa luz interna, possibilitando ouvirmos outra canção. O silêncio e as sombras são caminhos para dentro da alma. Ela precisa silenciar, contemplar, receber a dádiva divina da beleza curativa do por do sol. É o momento de guardar a luz dentro de nós, para que no silêncio ele retorne no outro dia com um brilho maior, mais intenso, irradiando o amor que alimentamos no silêncio do recolhimento.
Momento de silêncio, momento de reverência, momento de gratidão.


Olinda, 08/12/03

Um filme, uma música ...- "HAIR"- por Socorro Moreira




Recife (Pe)- 1979

Hair, em cartaz no Cine Veneza. Lá estava com minha caftan, cabelos ouriçados, e brincos de apartar ao meio os lóbulos das orelhas.Assisti de mãos entrelaçadas, apaixonadas...Provavelmente, por este sentimento, foi uma película inesquecível. Fecho os olhos e ainda sinto-me "pós-woodstoquiana". Era tão fácil e ao mesmo tempo tão difícil ser a menina romântica e aquela mulher liberada...! Eu conseguia arregalar os olhos e deixar que o outro me adentrasse, possuísse a minha alma num olhar, onde tudo lá dentro parecia dourado e respingava luzes de felicidade. Era fácil ser feliz num segundo, e profundamente infeliz, quando a separação acontecia.
Doía, mas doía tanto, que o mar passava a morar na gente com a salubridade do sofrimento.

Deixar passar a alegria... Deixar que o avião levasse de volta, quem nos seduzia. Depois usávamos outro cabelo, passávamos um novo batom, novos saltos, e aguardávamos um próximo e grande amor, diferente de tudo que já nos acontecera. Sofrido amor. Sempre a repetência da dor.
Um dia meu coração desistiu de sofrer. Fez pirraça e avisou-me: cansei!
Cuidei daquele músculo expirado, sem validade, e o resgatei. Agora é ele que me ordena pra amar de novo, e caçoando da minha grande idade, solta um desafio: volte a acreditar, você já sabe amar!
De repente , mesmo irreverente, sinto-me no tempo da obediência.


Sob o Signo de Aquário





Aquário: O dom da Liberdade


Trata-se da liberdade de pensamento.
O signo da originalidade, da inventividade, da moderinidade - do olhar voltado para o futuro, para o que pode vir a ser.

Aquário é aquele amigo, super inteligente, que vive criando projetos para uma situação que irá ocorrer láaa no futuro.
Entre outros é conhecido como "o buscador da verdade".

A personalidade de Aquário, é essencialmente contraditória.
É rebelde e conservador, reservado e excêntrico, sereno e nervoso.

Agora, com certeza, entre os seus traços mais marcantes temos a sinceridade, a generosidade e a postura inconvencional. Ah - ia esquecendo : são imprevisíveis.
Sua vida anda monótona ? Traga um Aquáriano para sua casa.. eles não param nunca.
Sempre estão revolucionando, inventando novidade, efetuando reformas ou mudanças no meio social.

São essencialmente pensadores, a mente sempre funcionando em ritmo acelerado.
Daí que com frequência são estabanados.
Precisam andar pelos ambientes de mãos para trás - quebram copos, derrubam objetos - e ficam desconsolados com isto.

Livres, leves e soltos - o Aquariano faz amizade com todo mundo.

Têm a capacidade de descobrir o foco interessante de qualquer ser humano.
Do mais humilde ao poderoso - a quem irá tratar sem cerimônias.
Eles adoram derrubar máscaras de personalidade.

Amizade para o Aquariano é um prazer natural sem compromissos .
Têm a capacidade de unir grupos os mais heterogêneos.

Festas em casa de Aquarianos unirão boêmios intelectuais, políticos contestadores, empresários conservadores, místicos e pais-de-santo.
E tudo na maior harmonia - em prol do enriquecimento ideativo.

Aquarianos se sentem atraídos por pessoas de vivacidade intelectual.
Gostam mesmo é de amizades coloridas, onde o enroscar amoroso faça parte da gostosa aventura de conhecer pessoas novas.

Quando querem seduzir, eles são fantásticos com as palavras.
Irão lhe dizer tudo que deseja ouvir.
Mas lembre-se: não passa de gostosa brincadeira descompromissada.

Aquário quando tomado pela paixão - quer casar. Simples assim.
Casar, juntar - é tudo igual.

A frase de nosso famoso poeta e compositor Vinícius de Moraes : "O amor é eterno enquanto dura" se encaixa harmoniosamente com o pensamento do signo.

Respeite a liberdade de Aquário e terá uma pessoa leal ao seu lado.


http://www.fazfacil.com.br/astrologia/signo_aquario.html

Homenagem ao meu pai – Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Quero fazer uma singela homenagem ao meu pai, Aníbal Viana de Figueiredo, que faleceu há quatro anos e cinco meses. Ele foi um cratense de privilegiada inteligência que estudou em Fortaleza, mas como amava muito o Crato, preferiu montar o seu consultório de dentista nesta cidade. Casou com minha mãe, Maria Eneida de Figueiredo em 29 de dezembro de 1945 e viveram juntos sessenta anos de casados. Dessa união nasceram oito filhos. Foi um exemplo de marido e de pai. A saudade é grande, mas fica a certeza de que ele cumpriu a sua missão na terra. E pela minha fé, acredito que está contemplando a face de Deus, pois passou sua vida fazendo o bem aos outros. Um homem digno que plantou nos filhos a semente da honestidade, da responsabilidade, do respeito ao ser humano e do amor ao próximo. Meu pai era uma pessoa que tinha muito amor e entusiasmo pela vida e valorizava a amizade. Lembro-me com muita gratidão que recebi dele muito carinho, amor e apoio em todos os momentos da minha vida, tudo que um ser humano precisa para crescer de maneira saudável. Embora sentindo muita falta da sua presença física, ele continuará nos guiando com o exemplo de vida e os ensinamentos que deixou para nós, seus filhos, para vivermos no caminho da retidão. Com a sua profissão, conseguiu formar todos os filhos. Jamais se preocupou em acumular riquezas e ter poder, pois era uma pessoa simples e sem vaidade. Sinto que meu pai nos deixou a melhor herança, os valores “que nem a traça e a ferrugem corroem, nem os ladrões assaltam e roubam.” (Mt, 6-19). Agradeço a Deus por ter me dado um pai tão maravilhoso, presente em todos os momentos da minha vida. A educação que recebi dele era baseada no seu testemunho de vida. Muitas vezes eu presenciei cenas importantes, para o meu crescimento como pessoa humana nas atitudes de meu pai. Na sua profissão, nunca agiu com egoísmo, sempre tratou bem a todos os seus clientes sem fazer nenhuma distinção com os que podiam pagar ou com os que não podiam pagar. Era solidário com os novos dentistas que se instalavam na nossa cidade, ajudando-os em tudo que fosse possível, sem nenhum temor de sofrer concorrência. São essas e outras qualidades que admiro no meu pai e foram passadas para todos os filhos ao longo da vida, que me fizeram decidir escrever essas palavras de respeito, amor, orgulho e agradecimento por esse pai que fez tudo que pode para fazer de seus filhos pessoas dignas.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Ida a Varzea Alegre. Curtas.

Passando por essas paragens
Encontrei Varzea Alegre, asfalto,
chuva e amor.
Amor que veio de longe,
longe um lugar que existe.
Nos olhos duas faíscas
brilhando de alegria e esplendor.


Sombra e água fresca - por Socorro Moreira



Sou das estradas
Mesmo quando finco o pé em casa
Tenho nos olhos um novo horizonte
Asfalto, barro.
Nuvens, e um pé de pau.
Se cair uma fruta
Eu sacudo a terra
E provo o mel.
Cato o cheiro das coisas
Faço escolhas
Aspiro e espirro
O que mal, bem me faz.
Minhas mãos vazias
Ligam a massa
Acendem o fogo
E alimentam a fome
Dos carinhos que sumiram
Depois, amaciadas...
Aguardam um próximo toque
E tremem de arrepio.

foto: Nívia Uchôa

Dois de Fevereiro...



Dois de Fevereiro
Gal Costa
Composição: Dorival Caymmi

Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
Pra salvar Yemanjá

Eu mandei um bilhete pra ela
Pedindo para ela me ajudar
Ela então me respondeu
Que eu tivesse paciência de esperar
O presente que eu mandei pra ela
De cravos e rosas vingou

Chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou...

José Calazans Neto Callou !




"José Calazans Callou Neto, mais precisamente, Calazans Callou.
Callou vem desenvolvendo um trabalho autoral árido, mas cultivável. Nascido no Crato-Ce na década de sessenta, época de transição social, onde surgiu no mundo, uma nova ordem, o formato universal na arte musical. Cresceu ouvindo rádio, como as AM Educadora e Araripe, no Crato. Surge a vontade de um dia fazer música, ter suas próprias composições.
Já nos meados da década de oitenta, integrou a pioneira banda de rock autoral do cariri cearense, a banda Fator Rh, como baixista, depois transformando-se em Lerfa-Mu, lançando a primeira fita demo da região. No começo da década de noventa, mudou-se para o Recife. Logo engajou-se aos movimentos musicais alternativos, como guitarrista da banda Gnomos da Metrópole, ganhou em 1996 o prêmio de melhor banda de rock do circuito universitário promovido pelo Centro de Artes da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. Nesse mesmo ano surge a banda Nacacunda no Crato-Ce, onde veio a participar da etapa Norte/Nordeste do SKOL ROCK, no Recife. Junta-se aos caras da Nacacunda e passa a fazer inúmeros shows por diversas cidades do cariri cearense.
Em 2005, começou uma nova fase como produtor musical, produzindo o CD ao Rei da banda Astro Reggae, no ano seguinte, produziu o primeiro cd da banda Nacacunda, Na Lata. Em 2007, já em trabalho solo, produziu o seu primeiro cd Estação Urano, ainda não lançado. São 11 músicas em parceria com o poeta maior Geraldo Urano. A partir daí começou a tocar em diversos locais da capital pernambucana. Com esse trabalho, inscreveu-se no Festival Cariri da Canção, 2008, ficando em quarto lugar e ganhou em parceria com o compositor Luiz Carlos Salatiel o prêmio de melhor intérprete, com a música Girassóis (Calazans Callou/Geraldo urano).
Atualmente, está com o show Estação Urano, onde mescla o trabalho autoral com compositores já consagrados da música pop brasileira. Dentre eles: ( Walter Franco, Karnak, Zeca Baleiro, Abidoral Jamacarú, Pachelly Jamacarú, Los Hermanos, etc.)."

* Neto de Seu Calazans e Dona Mariquinha, pais dos meus amigos de infância e adolescência.
Filho de Chico Callou e Dona Severina ( minha querida professora primária).
Calazans circulava , nos bosques de eucaliptos dos anos 80 ( Parque Municipal do Crato). Lá onde uma tribo criativa e amiga, vivia se reunindo. Nunca fomos íntimos, mas sempre fomos próximos.
Tenho-lhe um verdadeiro afeto , e velada admiração.
Desejo-lhe sucesso, e plena realização como músico sensível de valioso talento. Todos que o conhecem podem testemunhar !

Bem-vindos ao "Azul Sonhado"!

O dia de hoje nos trouxe mais dois importantes colaboradores:

Mara Thiers e Calazans Callou.

Mara, amante da poesia.Moça sensível, figura amiga!

Calazans, músico e compositor, filho do casal Francisco e Severina Callou.

Tenho uma história afetiva, sentimental e linda, ligada às suas raízes.

Sempre catei esse menino, no mundo virtual. Para minha alegria hoje ele marca presença, e me faz feliz! Cratense da gema reside em Recife, onde tem um trabalho reconhecido, no meio artístico.

Vamos conhecê-los, a partir das suas artes!

Abraçamos vocês

Felicidade é assim...


Socorro... Agradeço o convite.
Nesse universo azul, mais um catador de letras para compor alguns versos...
Já estou por aqui...
Hoje, 01/02/2011
Mara
***
FELICIDADE É ASSIM...

São encontros desejáveis; são sorrisos e risos.
São olhos brilhantes de muita emoção. É o pulsar do coração.
São palavras ditas e sentidas; Verdadeiramente.
Sem meios-termos.
São abraços, são cartas escritas, presentes inesperados.
São lembranças de um bom tempo; de um tempo muito bom!
Felicidade é o perfume das rosas; é o orvalho da noite, luar do sertão...
Felicidade é uma bela conversa no meio da noite;
ou durante o dia, ou nas madrugadas... Não se sabe.
Não importa a hora; importa o tema e a sintonia com quem se fala.
Felicidade é ter amigos por perto; não importa onde estejam.
É saber tê-los. É saber por inteiro, completo. E não, incompleto.
É aconchego de irmão, é paz no coração. É cantiga de viola;
É fechar os olhos embalados pelos sonhos;
É cochicho no ouvido, é cheiro no cangote...
É um olhar que diz tudo. Felicidade é assim;
É Paz de espírito.
É procurar borboletas no bosque de manhã cedinho;
É pés descalço no meio do mato. É sentir um cheiro...
É amar, e ser amada. É sentir-se respeitada.
É ler poesia e viajar no mundo dos sonhos...
É escrever também.
Felicidade é acordar; Simplesmente.
É olhar o dia elaborando idéias, construindo novos rumos e ponderando o inusitado.
Felicidade é aproveitar os grandes momentos. Literalmente!
Felicidade é assim...
É esse momento de agora;
É ver, sentir, ouvir, falar... E muitas vezes saber silenciar.
Isso aí é felicidade.
Assim, é Felicidade.

Mara
Escrito em: 12/06/2009

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

"Água pra que te quero!"- Foto Nívia Uchôa

ruído

            a jorge luis borges

aqui um poeta cego
não como tu
que vias na escuridão
o misterioso passo do poema


aqui um poeta cego
afogado na luz
de um mundo de tonturas
olhos vermelhos de saber-te
em poucos poemas


escuta!


do escuro onde 
plantou seu corpo
sua boca
sua alma
um poeta lá do crato te saúda


e silencia...

Gene Kelly



Eugene "Gene" Curran Kelly (Pittsburgh, 23 de agosto de 1912 — Beverly Hills, 2 de fevereiro de 1996) foi um dançarino, ator, cantor, diretor, produtor e coreógrafo norte-americano.

Stan Getz



Stan Getz, de seu nome Stanley Gayetsky (Filadélfia, 2 de fevereiro de 1927 — Malibu, Califórnia, 6 de junho de 1991) foi um saxofonista norte-americano de jazz. Fez parcerias com João Gilberto e Antonio Carlos Jobim, tornando-se um dos principais responsáveis em difundir o movimento musical brasileiro conhecido como bossa nova pelo mundo.

Elisa Lucinda



Elisa Lucinda dos Campos Gomes (Vitória, 2 de fevereiro de 1958), é uma poetisa, jornalista, cantora, e atriz brasileira.


Da chegada do amor


Sempre quis um amor
que falasse
que soubesse o que sentisse.

Sempre quis uma amor que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarão da amanhecice.

Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.

Sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
do macho
quanto a sabedoria do sabedor.

Sempre quis um amor cujo
BOM DIA!
morasse na eternidade de encadear os tempos:
passado presente futuro
coisa da mesma embocadura
sabor da mesma golada.

Sempre quis um amor de goleadas
cuja rede complexa
do pano de fundo dos seres
não assustasse.

Sempre quis um amor
que não se incomodasse
quando a poesia da cama me levasse.

Sempre quis uma amor
que não se chateasse
diante das diferenças.

Agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade é o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,
é observar
o desenho
do invólucro e compará-lo
com a calma da alma
o seu conteúdo.

Contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulto
que ora eu fosse o fácil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
ultra-sonografia do furor,
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-de ocorresse.

Sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.

Sempre quis um amor
de abafar,
(não o caso)
mas cuja demora de ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mãos.

Sem senãos.

Sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.

Eu sempre disse não
à constituição dos séculos
que diz que o "garantido" amor
é a sua negação.

Sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes
de chegar a esse céu
se anunciasse.

Sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.

Sempre quis um amor não omisso
e que suas estórias me contasse.

Ah, eu sempre quis uma amor que amasse.


Poesia extraída do livro "Euteamo e suas estréias", Editora Record - Rio de Janeiro, 1999,

A estrutura familiar - Emerson Monteiro

Os seres humanos reclamam cuidados imensos quando chegam ao mundo e superam os demais seres no esforço inicial de formação e sobrevivência, até dispor dos meios necessários a seguir com as próprias pernas a jornada de habitar este mundo. Antes dos sete anos, os filhos do bicho gente exigem, dos pais e da sociedade, extremos arranjos, a ponto de depender, em caráter quase absoluto, dos outros para limpeza, alimentação, vacinas, alojamento, vestimenta, primeiros passos, fala, pensamentos, repouso, formação moral, intelectual, etc.
Esse grau de dependência da nossa raça representa o empenho da família em dirigir suas baterias na sobrevivência e no zelo dos filhos, salvaguarda e herança cultural da sociedade. Ninguém foge dos valores trazidos pela família e que lá adiante não venha a defrontar dificuldades e traumas de adaptação perante o desconhecido, nas dobras do caminho.
Por isso, os sábios dão importância inestimável à saúde dos laços familiares, para considerar a célula doméstica a mãe das comunidades e resposta aos desafios de todo tempo. Desorganizada a família, as outras instituições perdem o prumo e a paz perde a razão. Os abalos nesta fonte original implicam nos desmanches que a história registra, no caos das guerras medonhas verificadas em turnos diversos, custando preço astronômico de sofrimento, desespero e trabalho.
A bandeirada desses primeiros passos humanos, dada pelos pais já na infância, reserva sobremodo a esperança possível dos adultos e das suas circunstâncias posteriores, vindas desde a escola filial, nos sentimentos, lembranças e emoções que lhe marcam o modelo de personalidade depois vivenciado no decorrer das gerações.
Conhecimento de padrões fundamentais vindos no começo apresenta frutos na humanidade, o que demonstra as ameaças constantes de que é vítima a família, nesse jogo de dor e prazer da sua experiência. O mal e o bem, que organizam os porões e a bagagem, nessa viagem de seres humanos, na sombra e na luz das situações, trabalham os tais valores de formação das pessoas em movimento, nos grupos sociais.
Tiradas, pois, essas e algumas conclusões mais, a razão do abalo nos países vem do descaso para com os atores do drama ainda na gravação dos letreiros iniciais das consciências, no berço de vilões e mocinhos junto dos responsáveis pela sua formação. Nisso, entra em cena a família para constituir cidadãos com a mesma face dos tempos sonhados e vividos que irão acontecer logo ali adiante, num futuro imediato.

Pedro Caetano- Por Norma Hauer




MAIS UM CENTENÁRIO = PEDRO CAETANO

Estou aqui para relembrar um grande compositor, que nasceu no dia primeiro de fevereiro de 1911.
Sendo assim, hoje é dia de seu Centenário.

Trata-se de PEDRO CAETANO , nascido no interior de São Paulo, em uma fazenda na cidade de Bananal, de uma família de 12 filhos
.
Ainda criança, perdeu seus 4 irmãos (homens) sendo criado ao lado de suas 7 irmãs. Estas, chegando à adolescência pediram aos pais que saíssem do interior e procurassem uma cidade maior.

Assim sua família veio para Niterói, aqui no Estado do Rio de Janeiro.

Tendo aprendido as primeiras letras com sua mãe (professora) já aos 12 anos ,largou os estudos e foi trabalhar em uma loja de calçados e, nas horas de folga, brincava de cantar e fazer músicas, descobrindo sua verdadeira vocação: compor, embora se mantivesse no comércio de calçados, até o fim de sua vida. Essa loja funcionou em um sobrado da Rua Sete de Setembro, recebendo o nome de Casa Pedro.

Descobrindo sua principal vocação, passou a freqüentar as proximidades do Largo do Marananã onde travou conhecimento com um primo de Sílvio Caldas, que lhe facilitou o ingresso no meio dos bambas da música de então. Isso em 1934.

Sílvio não fez fé em seu primeiro samba ("Juramento Falso"). Como já havia uma música com esse nome (gravada por Orlando Silva) Pedro Caetano o mudou para "Foi Uma Pedra que Rolou", cantada, mas não gravada.
De qualquer forma,estavam abertas as portas que levaram Pedro Caetano ao sucesso. Sua música o fez conhecer Claudionor Cruz, que se tornou seu parceiro em inúmeras composições.
Em 1935 um samba de nome "Tocador de Violão"foi sua primeira gravação. Não aconteceu, mas Pedro,ao lado de Claudionor não esmoreceu e, na voz de Orlando Silva, conheceu seu primeiro sucesso: a valsa "Caprichos do Destino". Estourou!

"Se Deus um dia, olhasse a Terra e visse meu estado,
Na certa compreenderia o meu viver desesperado
E tendo ele, em suas mãos, o leme dos destinos
Não deixar-me-ia assim a cometer desatinos"...

É intreressante observar o uso correto do verbo DEIXAR em mesóclise, no então modp Condicional, hoje intitulado Futuro do Pretérito (uma bobagem, essa mudança).
Alguém, que não seja literato ou professor, saberia usar hoje a forma mesóclise ?

A partir daí, foram muitos os parceiros de Pedro Caetano e as músicas foram desfilando.

Compôs , dentre outras músicas, Nova Ilusão", "Sandália de Prata", "Botões de Laranjeira", "Duas Vidas", "Eu Brinco", "Disse Me Disse", "Onde Estão Os Tamborins?", "É Com Esse Que Eu Vou" - esta foi sucesso em uma novela das oito na voz de Elis Regina.

Só para citar algumas.

Com "Disse Me Disse", gravação original de Carlos Galhardo, aconteceu algo que o deixou muito aborrecido. Visitando Madri, uma cantora portuguesa cantou esse samba como se fosse da autoria dela e, algum tempo depois, vindo ao Brasil, atuou na Rádio Tupi, voltando a cantá-lo.
Pedro apresentou-se como autor e a tal cantora simplesmente sumiu.

A morte de Pedro Caetano, no dia 27 de julho de 1991, foi trágica: atravessando, à noite, a Avenida Marechal Rondon, foi atropelado, ficando seu corpo durante três dias no IML, como indigente. Estava sem documentos.
Foi reconhecido por um amigo, que providenciou seu enterro.

E assim, mais um grande nome de nossa música partiu para a viagem sem volta.


NOTA:
Hoje, usando o título de Pedro Caetano, está-se realizando um "show", só de sambas carnavalescos dos anos 30, 40 e 50, exatamente com o nome do samba de Pedro Caetano: "É Com Esse Que Eu Vou".

Norma




Notícias do Crato- Por Socorro Moreira




Enquando andava pela cidade , mentalmente cantarolei esta canção, ao tempo em que pensava : vou postá-la !
O comércio do Crato voltou ao normal. Vi buracos, barro, pessoas trabalhando , inclusive na limpeza das calçadas. A vida continua ,com a energia da valentia humana. Poderia ter sido pior. Graças a Deus , nenhuma morte !
Olho pro céu e o sol me sorri.
- Um dia, tudo voltará ao normal.
"O pior da tempestade já passou"... E se os homens quiserem, a prevenção de novas ocorrências será implantada. Ainda escutei na despedida:
Faça a sua parte !