“MONUMENTOS À INSENSATEZ” - José Nilton Mariano Saraiva
por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
terça-feira, 22 de março de 2022
domingo, 20 de março de 2022
“FUGINDO DO INFERNO” – José Nílton Mariano Saraiva
sábado, 19 de março de 2022
ADEUS... "MANTOS SAGRADOS" - José Nílton Mariano Saraiva
E eis que o facebook nos premia ao republicar um nosso texto de tempos atrás, que fazemos questão de compartilhar com todos.
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Suas lembranças no Facebook
Jose Nilton, nós pensamos em você e nas lembranças que compartilha aqui. Achamos que você gostaria de relembrar esta publicação de 1 ano atrás.
ADEUS... “MANTOS-SAGRADOS” - José Nilton Mariano Saraiva
Confeccionados em edições limitadas, virgens, intocados e inocentes, assim eram os uniformes dos nossos principais clubes de futebol, até bem pouco tempo. E tais predicados serviam para realçar a beleza, o esplendor e a magia de cada um deles. Havia até uma certa timidez, um certo receio, um excessivo respeito que nos impedia de maculá-lo, acessá-lo, tocá-lo sequer. Como se fora algo... “sagrado”.
O símbolo do clube, e só ele, soberano e galhardo, pontificava e realçava à altura do peito esquerdo, sobreposto às cores respectivas. A camisa de um Vasco da Gama, um São Paulo, um Flamengo, um Fluminense ou um Palmeiras se nos apresentava sóbria, elegante, indevassável, imaculadamente soberana em sua pureza. Nada capaz de nodoá-las.
Além do "símbolo emblema" à frente, apenas a numeração às costas. Era, pois, motivo de orgulho pra todos nós, torcedores. Pode-se inferir que foi ali, via imaginário popular, que se materializou seu batismo como “manto sagrado” ou “segunda pele”.
Mas, aí, adentrou no campo de futebol um parceiro que mais tarde se revelaria por demais “guloso”, a televisão, já que trazendo a reboque um avassalador e temível rolo-compressor: os “patrocinadores”.
Extremamente profissionais, poderosos, fortes, exigentes e cheios da grana, comendo pelas “beiradas”, começaram o processo de demolição progressiva do romantismo imiscuído numa atividade até então praticamente amadora.
Assim é que, num primeiro momento, as bordas do próprio campo de futebol (laterais) outrora vazias, solitárias, desprezadas e sem qualquer valor mercantil, repentinamente se viram povoadas ou “premiadas” com dezenas de placas, anúncios, propagandas diversas; estáticas, em formatos variáveis e multicoloridos, tais instrumentos anunciavam desde bebidas alcoólicas a peças íntimas femininas, do másculo aparelho de barbear ao suave desodorante direcionado à mulher.
Tudo isso veiculado pela televisão, para milhões de telespectadores, tornou muita gente milionária (o Kleber Leite, à época repórter de campo da Rádio Globo e hoje poderoso empresário futebolístico no Rio de Janeiro, começou a “se fazer”, ficar milionário, via negociação das respectivas placas).
Estava dado o primeiro passo para a “profissionalização” definitiva das nossas principais equipes. E então, mais que rapidamente, foi dado o passo seguinte: “vapt-vupt”, sem que sequer nos déssemos conta, das bordas do campo o insaciável e esperto “patrocinador” resolveu pular adiante, alçar voo rumo a um espaço mais visível, generoso, abrangente e em permanente exposição: e dessa forma, agindo sem quaisquer concessões ou escrúpulos, foi que os “mantos sagrados” das nossas principais agremiações foram fria e calculadamente desvirginados, violentados, estuprados. Irreconhecíveis ficaram.
Ainda insatisfeitos, a partir de então os jogadores de futebol foram literalmente obrigados a funcionar como eficientes “outdoors ambulantes”, a anunciar um produto qualquer. Para tanto, os novos “donos do futebol” trataram de instruí-los e catequiza-los a trocarem as camisas entre si, ao final de cada pugna, ou mesmo as arremessaram para a torcida, objetivando, evidentemente, difundir a “marca”, fazê-la circular, se tornar conhecida além do campo de jogo ou do próprio estádio.
E tem mais: se antes os nossos craques se notabilizavam pelo belo sentimento amadorístico do “amor à camisa” (pela qual só faltavam se matar em campo) ou pela siderúrgica fidelidade ao clube de origem a ponto de dificilmente se transferirem para um outro, chegando mesmo a serem confundidos com a própria instituição (Pelé, no Santos, Roberto Dinamite, no Vasco e Zico, no Flamengo são exemplos emblemáticos), pois bem, como se não bastasse isso, repentinamente o patrocínio se individualiza na figura do próprio craque, avança sobre o esportista, peita e corrompe inexoravelmente o homem.
E haja “direito de imagem” pra cá, “direito de imagem pra lá”, que implica em usar um boné de uma determinada marca, uma chuteira de uma cor tal, uma prosaica “fitinha” (com a marca estampada) a prender o cabelo e por aí vai, em troca de montanhas de dinheiro (você já notou que certos jogadores, antes do início da partida, se agacham para amarrar as chuteiras, quando poderiam ter tomado tal providência no vestuário ??? pois é, trata-se de uma ação previamente ensaiada com a emissora de TV).
Resumo desse capitalismo selvagem ??? A TV transformou o futebol num rendoso, inesgotável e próspero negócio, com dirigentes e jogadores “nadando” em dinheiro. E haja propina. Nem que para isso o torcedor seja dia-a-dia desrespeitado, ignorado, relegado a ser um mero objeto de consumo, simplório coadjuvante, sem nenhum poder de escolha ou decisão; assim, os jogos tanto podem começar ao sol inclemente do meio-dia, como avançar pela madrugada e terminar no dia seguinte; o calendário vai de segunda a domingo e quem não achar correto, que se exploda.
Quanto ao nosso querido “manto sagrado”, foi pro beleléu, voou pro espaço, escafedeu-se, sumiu; é mais fácil encontrar uma agulha no palheiro que localizar, mesmo com uma possante lupa, o “símbolo do clube” em camisas repletas de propagandas às mais diversas (e normalmente de um tremendo mau gosto). Até a seleção nacional se rendeu ao mercantilismo do patrocínio e a “amarelinha” já ostenta as tais “marcas”.
O torcedor não gosta do que está vendo ??? Que vá reclamar ao papa. E estamos conversados.
PT saudações: o patrocinador.
quinta-feira, 17 de março de 2022
CARTA A CECÍLIA FLESCH - Benedito Costa
quarta-feira, 16 de março de 2022
“LULA LIVRE” REQUER SEGURANÇA MÁXIMA - José Nilton Mariano Saraiva
sexta-feira, 11 de março de 2022
DESISTIR DO BRASIL ??? - José Nílton Mariano Saraiva
sexta-feira, 4 de março de 2022
DECISÃO UNÂNIME - José Nílton Mariano Saraiva
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022
UM "ESTRANHO NO NINHO" - José Nílton Mariano Saraiva
UM "ESTRANHO NO NINHO"
- José Nílton Mariano Saraiva
Em substituição a Collor de Mello, defenestrado da Presidência da República (via impeachment, o primeiro no Brasil), em razão de malversação do dinheiro público (através do seu “braço direito”, PC Farias), assumiu o mineiro Itamar Franco, que houvera sido indicado à vaga de vice teoricamente apenas pra cumprir uma formalidade institucional (a partir dali, no entanto, o tempo restante para o cumprimento do mandato, como titular, seria de 02 anos e 2 dias – de 29.12.92 a 01.01.95).
Com cara de “avoado” (aquele que está ou vive distraído, ou “nas nuvens”) o despreparo e dificuldade gerencial de Itamar Franco se pôde avaliar pela constância com que mexeu na parte mais sensível do governo durante esses 02 anos: o Ministério da Fazenda (afinal, foram seis -06- os que atuaram na pasta em tal interregno, entre os quais Ciro Gomes).
Dentre esses seis -06- quem bem aproveitou o tempo que esteve ministro foi o tucano Fernando Henrique Cardoso, que juntou uma “penca” de economistas de primeira linha e começou a alinhavar um “plano de estabilização econômica”, que mais à frente seria denominado “Plano Real”, até porque já tencionava concorrer à sucessão de Itamar Franco (para tanto, teria que desimcompatibizar-se a tempo).
Na oportunidade, Rubens Ricúpero, ex-embaixador brasileiro nos Estados Unidos o sucedeu, “caindo do cavalo” pouco tempo depois ao, inadvertidamente, ter uma conversa confidencial por demais comprometedora captada por antenas parabólicas (“o que é bom a gente fatura, o que é ruim, esconde”).
E só aí o “avoado” lembrou de Ciro Gomes, que foi empossado após renunciar ao Governo do Ceará (que houvera assumido meses antes), mas não levou, porquanto os verdadeiros “pais do real” (os economistas lá atrás convocados por FHC) não admitiam intrusos em seu trabalho.
Não é verdade, pois, a até hoje recorrente afirmação de Ciro Gomes, de que... “ajudei a fazer o Plano Real sob a liderança do Presidente Itamar Franco” (na verdade, era um “estranho no ninho”, tanto que passou apenas 03 meses e 25 dias como ministro).
Até porque o “Real” fora adotado e implementado em duas fases distintas: primeiro, através da adoção de uma “moeda escritural”, a URV (Unidade Real de Valor), em 28.02.94, e que foi substituída definitivamente pelo “Real” em 01.07.94, E Ciro Gomes só lá chegou em 06.09.94 (portanto, já encontrou o “prato feito”, sem que tivesse direito a acrescer algum condimento).
Na sequência, foi “mandado embora” tão logo Fernando Henrique Cardoso
assumiu a Presidência da República, sendo substituído por Pedro Malan, daí a
birra que até hoje mantém com o próprio (FHC).
Alfim, um lembrete não esquecível: oficialmente, na papelada atinente à criação do Real, as assinaturas lá constantes são de Itamar Franco (Presidente da República) e Rubens Ricúpero (Ministro da Fazenda).
O resto, é conversa fiada, pra boi dormir.
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Post Scriptum:
-Também não é verdadeira a afirmação de Ciro Gomes de que... “eu peguei a inflação com 3% ao mês e entreguei com zero". Afinal, no mês de setembro de 1994, quando ele assumiu a Fazenda, o IPCA – indicador que mede a inflação oficial do país – estava em 1,53% e em seu último mês no cargo a inflação foi de 1,71%. Outrossim, os preços dos produtos ainda subiram 2,62% e 2,81% em outubro e novembro, respectivamente. Os dados são do IBGE.
-Os economistas que teriam sido os grandes responsáveis pela formulação
do Plano Real foram: Pérsio Arida, André Lara Resende, Gustavo Franco, Pedro
Malan, Edmar Bach e Winston Fritsch.