por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



terça-feira, 7 de junho de 2016

PHODEU !!! E AGORA, JOSE ???

DESDE 2001, PEDRO PARENTE É RÉU EM AÇÃO SOBRE PREJUÍZO À PETROBRAS


Jornal GGN - Pedro Parente, novo presidente da Petrobras, é réu em ação popular civil desde 2001, juntamente com outros diretores e conselheiros da estatal, incluindo Maria Silva Bastos, nova presidente do BNDES. A ação foi movida por petroleiros em razão de uma operação na qual a Petrobras trocou ativos desvalorizados da Repsol-YPF na Argentina por ativos brasileiros valorizados, causando um prejuízo de R$ 790 milhões, oficialmente registrado no balanço da empresa de 2001. Corrigido, esse prejuízo chega a mais de R$ 2 bilhões.
Além de Parente e Maria Silva, também são réus na ação popular José Jorge de Vasconcelos Lima, que foi senador, ministro de FHC e também do TCU - e relator do caso Pasadena), Delcídio do Amaral, ex-senador e ex-diretor da Petrobras no governo FHC, entre outros. 
Na época, Pedro Parente era ministro da Casa Civil de Fernando Henrique Cardoso e fazia parte do Conselho de Administração da Petrobras. Em 2002, foi promovido a presidente do Conselho, quando a empresa realizou a compra da Perez Companc, negociação que foi alvo de ao menos duas delações premiadas na operação Lava Jato. Segundo Nestor Cerveró,  o negócio rendeu US$ 100 milhões em propinas para integrantes do governo FHC. 
Leia mais abaixo, em matéria de Helena Sthephanowitz para a Rede Brasil Atual:
Da Rede Brasil Atual

Helena Sthephanowitz

O novo presidente da Petrobras, Pedro Parente, tem pelo menos um esqueleto no armário do "petrolão" tucano ainda escondido. É réu em ação popular civil desde 2001, em plena era FHC, junto com vários outros diretores e conselheiros da Petrobras, entre eles a nova presidenta do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques.
Mas, mesmo sendo réu e aguardando julgamento pela Ação Popular Nº 2001.71.12.002583-5 (leia abaixo), foi escolhido pelo governo interino de Michel Temer para presidir a empresa a maior e mais importante empresa pública do país.
A ação, que corre na 2ª Vara Federal de Canoas (RS), do Tribunal Regional Federal da 4ª região, foi movida por petroleiros contra um mau negócio feito pela Petrobras, quando a empresa trocou ativos desvalorizados da multinacional Repsol-YPF na Argentina por ativos brasileiros valorizados. A operação causou um prejuízo – oficialmente registrado no balanço de 2001 – de R$ 790 milhões da subsidiária criada para realizar o negócio, conforme já abordamos aqui na Rede Brasil Atual. Corrigido para valores de hoje, esse prejuízo atinge a casa dos R$ 2,3 bilhões.
O valor da causa na ação popular é de R$ 5 bilhões e são réus, além de Pedro Parente e Maria Silvia, José Jorge de Vasconcelos Lima (ex-senador pelo PFL, ex-ministro de FHC, ex-ministro do TCU – ironicamente relator do caso Pasadena), Delcídio do Amaral (ex-diretor da Petrobras no governo FHC, ex-senador pelo PT), Henri Philippe Reichtsul, Luiz Antônio Correa Nunes Viana de Oliveira, Hildo Francisco Henz, Moacir Megiolaro, Hamilton Romanato Ribeiro, Roberto Nagão, Peter Brenner, Albano de Souza Gonçalves, Jorge Marques Toledo de Carmargo, José Coutinho Barbosa, Ronnie Vaz Moreira, Francisco Roberto Andre Gross, Gerald Dinu Reiss, Jaime Rotstein, Zenildo Gonzaga Zoroastro de Lucena. Além das pessoas jurídicas envolvidas.
À época do negócio, Pedro Parente era ministro da Casa Civil de Fernando Henrique Cardoso e compunha o Conselho de Administração da Petrobras. Conselheiros nem sempre podem ser responsabilizados, pois decidem de acordo com o plano de investimento, pareceres e com recomendações da diretoria executiva. O problema desse negócio é que nem leigos trocariam o risco menor no Brasil pelo risco maior na Argentina naquele ano de 2001, quando o país vizinho vivia uma profunda crise cambial, com moratória e fuga de capitais. O prejuízo era anunciado para qualquer um que lesse o noticiário econômico, e pouco meses depois estava consumado no balanço.
O negócio ficou tão mal explicado que o TRF-4 pediu à Petrobras uma perícia para avaliar os ativos trocados. Os réus recorreram ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para não ter de apresentar a perícia requerida. Depois de cinco anos de tramitação, só do recurso, este foi julgado e negado. A sentença determinando a realização de perícia finalmente foi publicada no último dia 15 de fevereiro.
Em março de 2002, ao mesmo tempo em que o balanço registrava o prejuízo na Argentina, Parente foi promovido a presidente do Conselho de Administração da Petrobras. E outro negócio ruinoso foi feito no país vizinho. Foi a compra da Perez Companc, alvo de pelo menos duas delações premiadas na operação Lava Jato. Ainda em março de 2014, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa disse: “Essa compra foi tão desastrada quanto a compra (da refinaria) de Pasadena (Estados Unidos)”. Na verdade, foi muito pior.
O ambiente econômico na Argentina tinha se deteriorado mais ainda em 2002 e o próprio mercado financeiro reprovou a compra na época, fazendo as ações da Petrobras caírem 7% na Bolsa de Valores. No caso de Pasadena, não houve reação negativa do mercado. O negócio foi considerado normal na época e somente anos depois veio a trazer prejuízos por causa de disputas judiciais e da crise do subprime nos Estados Unidos, a partir de 2008.
Mas o mais grave foi a recente delação de Nestor Cerveró. Segundo ele, o negócio rendeu US$ 100 milhões (cerca de R$ 360 milhões) em propinas para integrantes do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Se a presidenta Dilma Rousseff, por ser presidenta do Conselho de Administração da Petrobras na época da compra de Pasadena, teve de provar sua inocência exibindo os documentos que omitiram informações, por que Pedro Parente não deve ser cobrado a fazer o mesmo no caso da compra da Perez Companc, se ocupava cargo similar?





Assim, Parente e Maria Sílvia Bastos são mais dois que engrossam o complicado time de nomeados por Michel Temer com processos na Justiça e esqueletos no armário de escândalos do passado.





domingo, 5 de junho de 2016

UM VELHO COMUNISTA

Um velho comunista
(Demóstenes Ribeiro – Médico Cardiologista)
Envelhecido e cansado, era difícil acreditar que na mocidade aquele senhor tenha atraído tanto ódio. Anos cinquenta e filho de maçom, a perseguição vinha de longe. E ele jamais perdoou quem o expulsou do colégio sob a alegação de indisciplina: - um monsenhor canalha e dedo-duro, disse com rancor.
Adolescente, abraçou as ilusões libertárias na Juventude Comunista do Crato, a campanha do petróleo é nosso e uma fé profunda no socialismo democrático. Em sessenta e um, participou da campanha da legalidade e, no PCB, sempre esteve com Jango pelas reformas de base. A essa altura, era do sindicato dos bancários.
Veio o golpe militar, ele foi preso e desempregado. Em liberdade, a direção do partido decidiu que mudasse para Recife e ingressasse na medicina – seus dotes de agitador seriam importantes na revolta estudantil da época.
Conviveu com Humberto Câmara Neto e o AI-5 o pegou na contramão. Abandonou a faculdade, fugiu com a família e viveu tempos difíceis. Com a anistia, voltou ao Banco do Brasil, formou-se em direito e hoje está aposentado.
Sequela de AVC, bengala e andando com dificuldade, a sua história parecia inverossímil. Pela camisa entreaberta, eu vi uma cicatriz cirúrgica - tempos atrás, ele fora safenado. Também tinha uma prótese ocular. Conta que levara um tiro numa confusão com o capataz de um fazendeiro durante a invasão de um engenho no início de sessenta e quatro.
Se era tudo verdade, valera a pena viver? Ele olhou nos meus olhos e respondeu com firmeza: nós perdemos, mas o capitalismo não venceu. Veja os refugiados na Europa, as drogas, as favelas, a violência urbana, a miséria rural... Eu nunca me arrependi: viva a utopia, vale a pena sonhar! E até hoje, eles não sossegam. Agora, nem o Papa, Obama ou os Rolling Stones deixam Cuba em paz.
E o que aconteceu ao pistoleiro que lhe ceifara o olho? O velho cerrou a fronte e encerrou a conversa: isso, eu ainda não posso revelar!
(publicado com cortes no Diário do Nordeste, pg. 2, 5.6.16)







CONGRESSO BRASILEIRO É CIRCO QUE TEM ATÉ SEU PRÓPRIO PALHAÇO

(Matéria do New York Times expõe os meandros do golpe para o público internacional e diz que o PMDB 'se tornou uma fonte particular de ultraje no Brasil').

New York Times (via UOL) Um dos espetáculos há mais tempo em exibição no Brasil conta com um número desconcertante de personagens cuja teatralidade aparece em milhões de televisores quase toda noite. O elenco em constante mudança de 594 integrantes e inclui suspeitos de homicídio e tráfico de drogas, ex-­jogadores de futebol, um campeão de judô, um astro sertanejo e uma coleção de homens barbados que adotaram papéis como líderes do movimento das mulheres. O elenco até mesmo inclui um palhaço cujo nome significa "Zangado". Mas eles não são atores. Eles são os homens e mulheres que servem no Congresso nacional. 

A democracia pode causar perplexidade e confusão, mas no mundo há pouco que se iguala ao Congresso brasileiro. Enquanto a nação enfrenta sua pior crise política em uma geração, os legisladores que orquestraram a remoção da presidente Dilma Rousseff (que foi suspensa na quinta ­feira e enfrenta um processo de impeachment sob acusação de manipulação do orçamento) estão sob novo escrutínio. Mais da metade dos membros do Congresso enfrenta processos na Justiça, de casos envolvendo auditoria de contratos públicos até crimes sérios como sequestro ou homicídio, segundo o Transparência Brasil, um grupo que monitora a corrupção. As figuras sob investigação incluem o presidente do Senado e o novo presidente da Câmara. Neste mês, o presidente anterior da Câmara, um comentarista de rádio evangélica que gosta de postar versos bíblicos no Twitter, foi afastado para ser julgado pela acusação de esconder até US$ 40 milhões em propinas em contas bancárias na Suíça. Muitos dos problemas do Legislativo derivam das generosas recompensas proporcionadas pelo sistema partidário brasileiro de múltiplas cabeças como de uma hidra, uma coleção desajeitada de dezenas de partidos políticos cujos nomes e agendas com frequência deixam os brasileiros coçando suas cabeças. Há o Partido da Mulher Brasileira, por exemplo, um grupo cujos membros eleitos no Congresso são todos homens. "O processo eleitoral permite muitas distorções", disse Suêd Haidar, a fundadora e presidente do partido. Ela suspirou, reconhecendo que muitos dos homens que ingressam têm pouco interesse em promover os direitos da mulher.

Um dos que se juntaram ao partido, o senador Hélio José da Silva Lima, foi acusado de abusar sexualmente de uma sobrinha menor de idade no ano passado, apesar das acusações terem sido posteriormente retiradas. "O que seria de nós, homens, se não fosse uma mulher ao nosso lado para nos trazer alegria e prazer?" ele foi citado como tendo dito à imprensa brasileira, quando perguntado sobre sua decisão de ingressar no partido das mulheres. A mesma fúria pública com a corrupção endêmica e má gestão governamental que ajudou a retirar Dilma Rousseff do poder há muito é direcionado à cabala de políticos, a maioria homens brancos, cuja inclinação por acordos escusos e enriquecimento próprio já faz parte do folclore brasileiro. "A reputação da classe política no Brasil realmente não tem como piorar", disse Timothy J. Power, um professor de estudos brasileiros da Universidade de Oxford. "As pessoas comparam o Legislativo à 'House of Cards'", ele disse, referindo­-se à série política da Netflix, "mas eu discordo. 'House of Cards' é, na verdade, muito mais crível". Com 28 partidos ocupando cadeiras, o Congresso brasileiro é o mais dividido do mundo, segundo Power. O que fica em segundo lugar, o da Indonésia, tem um terço a menos de partidos. "O Brasil não é atípico, é uma aberração", disse Gregory Michener, diretor do programa de transparência pública da Fundação Getúlio Vargas, uma universidade no Rio de Janeiro. Pesquisas mostram que mais de 70% dos brasileiros não conseguem se recordar a qual partido os candidatos que elegeram pertencem, e que dois terços do eleitorado não têm preferência por qualquer partido. Mais importante, dizem os especialistas, é que a maioria dos partidos não abraça nenhuma ideologia ou agenda, e são simplesmente veículos para clientelismo e propina. Em um mandato típico de quatro anos, um entre três legisladores federais trocará de partido, alguns mais de uma vez, segundo um levantamento por Marcus André Melo, um cientista político da Universidade Federal de Pernambuco. 

Os legisladores brasileiros estão entre aqueles com remuneração mais alta do mundo, dizem estudiosos, com quantias que vão além do salário mensal. Eles também recebem moradia e atendimento de saúde gratuitos, verbas para um grande número de funcionários de gabinete e foro privilegiado em caso de processos. Apenas o sobrecarregado Supremo Tribunal Federal pode julgá-­los em processos criminais, algo que pode levar anos. "A única coisa melhor do que ser um partido político no Brasil é ser uma igreja", disse Heni Ozi Cukier, um cientista política da Escola Superior de Propaganda e Marketing, em São Paulo. "São oportunistas à procura de algo que lhes dê poder, influência e proteção." Formar um partido requer a coleta de 500 mil assinaturas. Cukier disse que 62 partidos estão à procura de reconhecimento oficial, inclusive um que leva o nome de um time de futebol. Apesar do presidente do Brasil liderar um dos maiores países do mundo, ele ou ela deve formar coalizões com até uma dúzia de partidos para conseguir que legislações sejam aprovadas no Congresso. O preço da lealdade com frequência é uma cadeira de ministro, ou três, dependendo de quantos votos o partido puder oferecer. Em alguns casos, a cooperação envolve a troca ilícita de dinheiro. Em 2005, um escândalo conhecido como mensalão revelou o quanto esses arranjos eram comuns. Para obter votos no Congresso, o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o mentor de Dilma Rousseff e porta-­bandeira do Partido dos Trabalhadores, pagava aos legisladores obedientes um valor mensal equivalente a US$ 12 mil. O mais recente escândalo de corrupção, conhecido como Operação Lava Jato, provou ser ainda maior, com bilhões de dólares em propinas destinados a partidos políticos pela companhia estatal de petróleo, a Petrobras. Mais de 200 pessoas, de magnatas empresariais a líderes partidários, foram implicados no escândalo, e a expectativa é de que o número deles crescerá. O furor público com o esquema teve papel chave na remoção de Dilma Rousseff, que foi diretora da Petrobras quando o arranjo de propina foi armado, apesar de ela não ter sido acusada diretamente de qualquer crime. Em seu julgamento de impeachment, ela é acusada de uma manipulação orçamentária, em um esforço para esconder os problemas econômicos do Brasil e vencer a reeleição em 2014, não de roubar para enriquecer a si mesma. 

A necessidade de formação de alianças de conveniência no Congresso pode levar ao caos legislativo, especialmente quando partidos descontentes abandonam a coalizão do presidente. Dilma Rousseff, que antes contava com ampla maioria na Câmara, acabou abatida pelo agora deposto presidente da Câmara, Eduardo Cunha, um ex­-aliado que enfrenta julgamento por corrupção. O partido de Cunha, o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), se tornou uma fonte particular de ultraje no Brasil. Os críticos dizem que o partido, fundado há cinco décadas como partido de oposição, mas tolerado pela ditadura militar do Brasil, se tornou um vasto canal de clientelismo para seus membros, que abraçam um amplo espectro de ideologias. O trunfo do partido é seu tamanho, o que significa que os presidentes precisam entrar em acordo com ele, o que envolve a concessão de cargos ministeriais cobiçados. Dilma Rousseff escolheu Michel Temer do PMDB para ser seu vice-­presidente. Neste ano, ele se voltou contra ela e retirou seu partido da coalizão, abrindo caminho para o processo de impeachment de Dilma. Temer, que já foi condenado por violar os limites de financiamento de campanha, agora é o presidente do país. A reforma política pode ser difícil, já que os legisladores teriam que aprovar o fim do sistema que os protege. Ocorreram algumas mudanças, incluindo uma lei recente que impede que candidatos cassados ou com condenação concorram a qualquer cargo eletivo por até oito anos, e uma lei de financiamento de campanha, que deverá entrar em vigor neste ano, que limita a influência de dinheiro de empresas. 

O grande número de partidos no Brasil tende a favorecer celebridades, cujo reconhecimento do nome ajuda a fazer com que se destaquem nas campanhas eleitorais. O exemplo mais curioso é o do palhaço Tiririca. Em 2010, ele concorreu à Câmara dos Deputados com o slogan "Pior que tá não fica", e sua literatura de campanha incluía "Você sabe o que faz um deputado federal? Eu também não. Vote em mim que eu te conto". Ele acabou obtendo mais de 1,3 milhão de votos, quase o dobro do segundo candidato mais votado. Em uma entrevista, Tiririca, cujo nome real é Francisco Everardo Oliveira Silva, apesar de deputado Tiririca ser o nome no site da Câmara, disse ficar com frequência decepcionado com a desordem no Congresso. "No início era uma piada", ele disse sobre sua candidatura. "Então decidi que, se tantas pessoas acreditam em mim, eu teria que dar meu melhor, e é o que estou fazendo." 

sexta-feira, 3 de junho de 2016

FALTA AO PODER JUDICIÁRIO BRASILEIRO O SENTIMENTO DE NAÇÃO - MARTÔNIO MONT'ALVERNE BARRETO LIMA

A história não se pode fazer com hipocrisias e mentiras. (...) Foi esse órgão (Supremo Tribunal Federal) que, pela maioria de seus membros, mais falhou à República, e em todos os momentos de sua angústia, de (1892 até 1937)”. As palavras de João Mangabeira guardam vigorosa atualidade.

Sim, porque hoje o STF acha-se tomado pela omissão na sua falha à República. Composto por ministros abertamente parciais contra o governo; obedientes às amizades; receosos das manchetes agressivas da imprensa televisiva; demorados em proferirem decisões urgentes; complacentes com inequívocos desvios de julgados das instâncias inferiores a atingirem direitos fundamentais; recorrentes ao moralismo despolitizado e abstrato — onde cabe qualquer argumento emotivo, ”com quem se o néscio povo engana” em plateias lotadas em eventos ditos acadêmicos — acabam por permitir o que Baruch de Espinoza tanto temia e advertia: a subida de homens e mulheres justos ao cadafalso: “Porque os que sabem que são honestos não têm, como os criminosos, medo de morrer nem imploram clemência; na medida em que não os angustia o remorso de nenhum feito vergonhoso".

A crise política brasileira arrasta-se desde 2014, quando a oposição e o poder midiático não aceitaram uma quarta vitória consecutiva do Partido dos Trabalhadores. Esta não aceitação inclui a recusa clara à política externa brasileira, ao tratamento da riqueza natural do petróleo, ao protagonismo dos setores baixos e médios da sociedade, e à ampliação do acesso a todos os níveis de educação dos setores baixos e médios da população, além do que seu humano esforço poderia prometer.


Mais uma vez, confirma-se a tese de que, no Brasil, o Poder Executivo é que transforma o Estado brasileiro nos momentos de mudança política e econômica. O golpe de 2016 apenas confirmou que o Poder Judiciário e o STF continuam faltando à República. Pouco aprenderam com a história, e não há sinais de que aprenderão desta vez; todos a confirmarem, com Montaigne, que “a covardia é a mãe da crueldade”. 

sábado, 28 de maio de 2016

A "IRMÃ SIAMESA" - José Nilton Mariano Saraiva

A “IRMÃ-SIAMESA” - José Nilton Mariano Saraiva

A hoje famosa e temida “Lava Jato” nada mais é que um “genérico” da operação “Mani Pulite”, desenvolvida na Itália ao alvorecer dos anos 90, que exterminou tradicionais agremiações partidárias, levou a nocaute os mais influentes políticos da nação, desorganizou de forma inexorável a economia e jogou o país numa convulsão social sem precedentes (mortes, assaltos e abusos de toda ordem) que ainda hoje é lembrada, mas que, ao final, ante o sumiço ou vazio de lideranças políticas, fez ascender ao poder o mafioso Sílvio Berlusconi.

Pois é bom saber que a Mani Pulite foi a “musa inspiradora” do juiz de primeira instância Sérgio Moro para “adotar” (deflagrar) por aqui uma sua “irmã siamesa”, a operação “Lava Jato”, depois do fracasso rotundo de que se revestiu o rumoroso caso das “contas C5”, onde os dois principais atores eram os mesmos dos dias atuais: Sérgio Moro e Alberto Youssef e que ao final deixou o Brasil com um rombo monumental em suas finanças e os criminosos livres, leves e soltos.

Mesmo assim (e até por isso mesmo), frustrado e ressabiado, à época Moro foi premonitório, conforme nos mostra na peça de sua autoria “Considerações Sobre a Operação Mani Pulite”, a saber (ipsis litteris): “No Brasil, encontram-se presentes várias das condições institucionais necessárias para a realização de ação judicial semelhante à Mani Pulite; como na Itália, a classe política não goza de grande prestígio junto à população, sendo grande a frustração pelas promessas não-cumpridas após a restauração democrática”.

Para tanto, preparou cuidadosamente uma espécie de “catecismo”, a ser seguido a posteriori (hoje), que basicamente contemplaria (contempla) os seguintes pontos: 01) adeslegitimação”, de cabo a rabo, da classe política tradicional (essencial para o sucesso da operação) que compreendia detonar os partidos e exterminar as suas principais lideranças; 02) cooptar e fazer largo uso da imprensa (a fim de vazar para o público informações tidas como “segredo de justiça”), garantindo o apoio da população às ações judiciais); 03) prender suspeitos, sem necessidade de provas, mantendo-os isolados no fundo de uma cela, ad eternum, espalhando a suspeita que outros já teriam confessado, até que se dispusessem a “dedurar” quem a polícia desconfiasse (delação premiada); 04) mandar às favas essa tal “presunção de inocência” na perspectiva de que a prisão prejulgamento é uma forma de destacar a seriedade do crime e evidenciar a eficácia da ação judicial (segundo Moro, não haveria nenhum óbice moral em submeter o investigado a ela).

Certamente que o próprio Sérgio Moro não esperava contar com uma espécie de “bônus” especial ao introduzir tais métodos por essas bandas: a anuência, chancelamento ou aprovação de métodos tão heterodoxos por parte do Supremo Tribunal Federal, que esquecendo sua condição de “guardião da sociedade” permitiu que a Constituição Federal fosse estuprada diuturnamente, já que desrespeitada em princípios básicos (assim, Sérgio Moro sentiu-se à vontade para transgredir e avançar como um rolo compressor sobre o constitucionalmente estabelecido; ou seja, transformou a nossa Carta Maior em letra morta).

Sabe-se, por exemplo, que após mais de um ano fiel aos seus até então inabaláveis princípios morais e éticos, Marcelo Odebrecht (jogado no fundo de uma cela há mais de um ano) capitulou irremediavelmente e prepara-se para fazer aquilo que anunciou pela televisão que jamais faria: “dedurar” alguém (delação premiada); e que Sérgio Machado, mesmo antes de ser preso, sem nenhum escrúpulo assumiu de vez sua porção mau-caráter e já botou a boca no trombone entregando meio mundo de gente, na tentativa de “não descer” pra Curitiba (numa outra postagem trataremos sobre). Ou seja, a perspectiva de “mofar na cadeia” (e ficar louco) tem um efeito devastador sobre o ser humano, levando-o até mesmo a passar por cima da própria mãe, se se tornar necessário.

A propósito, independentemente de como se veja a coisa, há algo de positivo nas delações (envolvendo Romero Jucá, Renan Calheiros e José Sarney) de Sérgio Machado: escancarou de vez a hipocrisia e a safadeza reinante na arena política (que todos nós imaginávamos, mas não tínhamos como comprovar); assim é que, enquanto teciam loas à Operação Lava Jato em declarações à imprensa (a fim de sinalizar para a sociedade seu irrestrito apoio àquela operação), entre quatro paredes e na calada da noite os políticos referidos conspiravam e tramavam para abolir de vez a Lava Jato, na perspectiva de que pudessem manter o status quo e continuar usando o mesmo modus operandi corrupto.

E aqui, desnuda-se de vez o “golpe” travestido de “impeachment” da Presidenta Dilma Rousseff: em nenhum momento houve qualquer preocupação dos políticos com supostas irregularidades (até porque inexistentes) nas tais pedaladas fiscais, decretos orçamentários ou com o fim da corrupção; o afastamento da Presidenta objetivava exatamente colocar em seu lugar alguém que não apoiasse a Lava Jato e, consequentemente, obstasse as investigações sobre o duto corruptor então vigente e do qual se serviam. E a Presidenta Dilma Rousseff era a “pedra no caminho” a ser removida. Como o foi.

Fato é que, embora não saibamos o que acontecerá daqui pra frente (em novo trecho da delação Sérgio Machado afirma categoricamente ter beneficiado um certo político paulista “a pedido” de Michel Temer), não se pode descartar a possibilidade que venhamos a cair numa nova ditadura, só que muito mais perigosa, nefasta e apavorante que a militar: a “ditadura das togas”.

E, se lá na Itália a “Mani Pulite” resultou em um Sílvio Berlusconi da vida, com tudo de trágico que isso acarreta, aqui no Brasil restarão Sérgio Moro e Gilmar Mendes. Estará o Brasil preparado pra isso ??? Merecemos tamanho castigo ???


Alfim, pra você, aí do outro lado da telinha, um mote para reflexão: qual a “forma” ou “método” de tortura mais eficaz e eficiente - a “física”, tal qual a perpetrada pelos nazistas de Hitler na Alemanha contra os pobres judeus, ou a “psíquica”, adotada por Moro e a República de Curitiba, contra quem tiver o infortúnio de “descer” praquelas bandas ??? 

quinta-feira, 26 de maio de 2016

REVELAÇÕES "INDISCRETAS" - José Nilton Mariano Saraiva

Se “cagando de medo” e já visando uma possível diminuição de pena quando da sua quase certa detenção, o bandido Sérgio Machado, que passou doze anos à frente da Transpetro (indicado por Renan Calheiros) resolveu “detonar” todo o mundo político corrupto ao seu redor, a partir do próprio padrinho; tanto é que também foram “agraciados” integrantes da cúpula do PMDB e mais uma “ruma” de políticos de partidos outros (PSDB, DEM, PT e por aí vai). Foi como se um terremoto de dimensões oceânicas se abatesse sobre Brasília. Tanto que os comentários são de que ali o que tem de político se valendo de antidepressivos e medicação tarja preta não está no gibi.

Particularmente, não nos surpreendeu a repentina enxurrada de denúncias contemplando políticos das mais variadas agremiações partidárias, atolados até a medula em ações corruptas. Afinal, em mais de uma postagem denunciamos, aqui mesmo, nesse espaço, que a atividade política no Brasil faz muito que transformou-se tão somente num rentável “meio-de-vida”, promotora de facilidades mil e que, dos atuais 594 integrantes do Congresso Nacional (Câmara e Senado), com muito, muito esforço, poderíamos livrar 10,0% desse universo como realmente imbuídos de espírito público, de batalhadores das causas sociais (o resto entrou pra “se fazer”, se “locupletar”, “traficar influência”).

O exemplo é exatamente Sérgio Machado. Empresário, rico, bem situado na vida (embora a fortuna do pai seja questionada), viu-se lançado na arena política anos atrás pelo íntimo “amigo-irmão” Tasso Jereissati, que bancou sua candidatura ao Senado Federal, pelo PSDB, após servi-lo como Secretário de Estado. Após o término do mandato e graças as amizades angariadas lá dentro, deu uma solene banana para o “padrinho político” (a quem hoje acusa de participar dessa sujeirada toda), largou o PSDB e mudou-se de mala e cuia para o PMDB, onde conseguiu chegar à posição por muitos desejada: chefiar a poderosa Transpetro, por indicação do também todo poderoso líder do partido e atual Presidente do Senado, Renan Calheiros.

Após doze anos “mamando” e distribuindo favores mil, recentemente foi citado em delações diversas e, na perspectiva real de “ir em cana” em razão dos crimes perpetrados, resolveu “botar a boca do mundo”, através de gravações secretas de diálogos com os caciques do PMDB (Renan, Sarney, Jucá, por enquanto).

Ousado (ou aqui seria realista), ao referir-se às “Excelências” do Supremo Tribunal Federal, disse o que muitos de nós gostaríamos de dizer: “Eu nunca vi um 'Supremo' tão merda”; também “carimbou” o Procurador Geral da República como um “mau-caráter” que não vale um “cibazol” e ironizou o juiz Sérgio Moro como sendo um ser “todo poderoso”; aproveitou a oportunidade para (aqui com conhecimento de causa, já que com eles conviveu por anos) detonar Aécio Neves, José Agripino, Pauderney Avelino e por aí vai, já que participantes de “esquemas” mafiosos.

Fato é que, dessa briga entre “mafiosos prepotentes”, finalmente muita coisa da qual desconfiávamos virá à tona. Que continuem, ad eternum, a se digladiar.






terça-feira, 24 de maio de 2016

BYE BYE, "PLAYBOY DO LEBLON" - José Nilton Mariano Saraiva

Os que sonham com o “playboy do Leblon” (Aécio Neves) como candidato do PSDB à Presidência da República, em 2018, é bom que contenham o ímpeto e tratem de arranjar um outro enganador. Vejam, abaixo, parte do diálogo entre Sérgio Machado e Romero Jucá, na mais recente transcriação telefônica disponibilizada ao conhecimento público e que pode ser determinante para o encerramento da carreira do próprio.

Sérgio Machado: O que a gente fez junto, Romero (Jucá), naquela eleição, para eleger os deputados, para ele (Aécio Neves) ser presidente da Câmara?”, declara. Posteriormente, Machado volta a se referir ao tucano: “O Aécio não tem condição, a gente sabe disso. Quem não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei da campanha do PSDB…”. Jucá responde: “É, a gente viveu tudo”.

Já no tocante ao corrupto Romero Jucá (escolhido por Temer para ser o "homem forte" do seu governo),  John Danilovich, então embaixador dos EUA no Brasil, escreveu um pequeno perfil de Jucá, nos seguintes termos: ...“tem sido alvo de diversas acusações de corrupção ao longo dos anos” e narra que Jucá... "desviou verba de um fundo de assistência social de Roraima, retirou recursos públicos destinados a projetos de construção civil no mesmo estado e permitiu desmatamento em terras indígenas enquanto presidente da Funai".

De outra parte, o relatório da Comissão Nacional da Verdade diz que Jucá é... “responsável pelo massacre de centenas de yanomanis” em consequência das epidemias levadas pelos garimpeiros que entraram em terras indígenas com a autorização do então presidente da Funai. Recentemente o senador também apresentou projetos de lei flexibilizando o licenciamento ambiental e abrindo as terras indígenas à exploração econômica.