por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 8 de março de 2012

"De conversa em conversa" com Hugo Linard- por Socorro Moreira


Catadores de versos:(CV)
Hugo, você é referência musical da nossa infância, adolescência, e contemporaneidade. Apesar desta viva realidade conhecemos pouco das suas origens e construção artística...

Hugo Linard:(HL) 

Nasci no dia 16 de abril de 1947, no Hospital São Francisco de Assis, na cidade do Crato, assistido pelo memorável Dr.Macário de Brito.
Fui batizado, e vivi a primeira infância com meus pais, Irineu Sisnando de Alencar e  Helena Gomes Alencar  Linard , na cidade vizinha de Santana do Cariri.

CV
Quando aconteceu seu amor pela música? Quando descobriu seu potencial artístico?

HL
Ganhei minha primeira sanfona aos cinco anos de idade. Presente do tio Vicente Gomes Linard.
Em 1953 fiz a minha primeira apresentação pública, por ocasião da festa do centenário do Crato, ladeado pelos insignes músicos: Luiz Gonzaga e Hildelito Parente. Na ocasião tocamos e cantamos “Baião da Penha”, música até hoje solicitada e cantada por todos.

CV

Além dos músicos citados você teve orientação técnica de algum mestre?

HL
Sim. Estudei teclado( acordeom e piano) com o ilustre prof. Arnaldo Saupeter (polonês), fundador da Escola Branca Bilhar. Naquele templo fui contemporâneo de figuras conhecidas da nossa comunidade, como a maestrina Divani Cabral, Neide Barreto, Ana Cristina Barreto., Diana Pierre, Lúcia Cabral, entre outros.. Esse período de estudo prolongou-se até os meus 12 anos  , quando atingi certa autonomia, e destreza necessária para iniciar minha vida profissional.

CV
Estamos curiosos em saber o seu percurso artístico, após um aprendizado de sete anos.

HL

Participei do Clube do "Cezinho", no palco/auditório da Rádio Araripe, na época, situada na Rua Nelson Alencar. Em 1957 fundamos o primeiro grupo: “Ritmistas Cratenses” (eu, meu pai e  Geraldo Pereira).
Em 1959 conheci Auceli Sobreira, radialista de Juazeiro do Norte, que trabalhava na Rádio Educadora, em fase experimental. Foi justo este cara, que rebatizou o nosso grupo de “Azes do Rítmo”!
A primeira formação tinha como gestor o meu pai(Irineu) e os músicos:
Walderi Linard- contrabaixo
Seu Chiquinho- baterista
Mozart Benício( irmão de Hidelgardo)- pistom
Cosminho- saxofone
José Birau- percussão
Luiz Soares- cantor
Esse grupo apresentou-se na inauguração da Rádio Educadora do Cariri.
Nos anos 60 aconteceram várias substituições. Ganhamos outras formações que incluem talentos como: Nena (baterista); Fanca, Jairo Starkey, Peixoto (cantores) Bach Freire( guitarrista) Izânio( contrabaixista); Cleivan Paiva(guitarrista);Joãozinho Barbicha(cantor);Paulo Hosback( baterista);Mano de Campina Grande(guitarrista e cantor);José de Heleno( saxofone);Xavier( contrabaixo); Castelo(bateria);José Augusto Maropo( guitarra), Jairo Starkey( percussão); Cacá Malaquias( saxofone);Joãozinho e Fanca(voclistas). 

CV

Somos testemunhas de um tempo, em que você tocou no Conjunto do grande maestro Hidelgardo Benício. Conte-nos sobre esta experiência, motivo de nossas lembranças e saudades.

HL

Quando em 1959 Hildelito Parente ingressou no Banco do Brasil, Hidelgardo convidou-me para substituí-lo. Aí convivi com novos e antigos companheiros, como os cantores Peixoto e José Flávio Teles, Haroldo (pistom); Wandir (contrabaixo); José dos Prazeres (ritmista); Tonico (bateria); o saudoso e talentoso Nélio Clayton Falcão (guitarrista).
Tenho fotos desta época. Fico lhes devendo!

CV

Durante a década de 60 e 70, você por vezes ausentou-se do Crato?

HL
Tive uma breve mais significativa passagem pela Banda UM, em Fortaleza (1980), e uma época em Maceió (86/87.) . Em 1988 voltei para o Crato, e aqui estou até os dias de hoje.

CV
Além de “Azes do Ritmo” e Hidelgardo e seu Conjunto, existiu alguma outra banda da qual você foi fundador e/ou participante?

HL

Em 1986 fundamos a Banda Magazine, de Juazeiro do Norte.Nesta oportunidade trabalhei com músicos talentosos,que ainda circulam entre nós, como Demontier( baterista)Toinho Pereira(contrabaixo); Paulo Lobo( trombone); Cabelo(pistom);Nivando(saxofone);Jairo Starkey(percussão) Aurílio , Leninha Sobreira e Célia( cantores).

CV

A data 14 de abril marcará historicamente sua vida de músico- Reconhecido talento!
Já pensou na formação da banda que fará agitar corpo e coração?
Será um encontro de gerações. Um repertório eclético e de fino gosto. Os caririenses estão com saudades de dançar, de ouvir a boa música de todos os tempos. O que nos diz desta programação?

HL

O Cariri merece um espaço para os músicos e amantes da música. É tão raro um evento aberto, quando os casais poderão voltar a dançar soltos, livremente, ou de “feição colada”(como nos velhos tempos...!).Faremos isso acontecer.
Fico no teclado/acordeom; Robson, Cleudo Soares e Neném (saxofone); Ítalo (pistom); Paulo Lobo e Ivanildo ( trombone); Jarbas(guitarra); Marcelo Randemarck( contrabaixo);Cássio(bateria); Toinho(percussão); Leninha,minha filha ,e Álvaro( cantores.)
Conto com algumas participações especiais que figuram como surpresa...!

CV

Algum agradecimento especial?

HL

Mestres musicais são todos meus companheiros de trabalho. Com todos aprendi muito!
Mestre, escola vida: meus pais, minha esposa, e alguns dos muitos professores. Estudei em quase todos os educandários do Crato... Era peralta!
Devo muito aos inesquecíveis:
Mons.Montenegro, PE.David Moreira, Alderico, José do Vale Feitosa, Hermógenes, Dr.José Newton, Dr.José Nilo, Vieirinha, Dona Maria Nilza, Ivone Pequeno, Lurdinha Esmeraldo, Dona Rute, Djacir, Anilda Arraes, Chiquinha Piancó, PE Gomes, Lúcia Madeira,Auzir, entre outros.

CV

Um apelido que deixou de ser público...

Um sonho a realizar...

HL
Apelido? "Hugo da macaca". Alguns colegas de escola lembram dessa história...
 
Compor uma orquestra com sustentabilidade.
O- orquestra
R- de ritmos
L- latinos
A-americanos
C- do Crato

ORLAC

CV

Hugo, conte com o nosso apoio e a nossa alegria.
Sucesso!
Que o seu sonho encontre os caminhos da realização!
Grande abraço, no Azul dos nossos sonhos!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Fotos do acervo de Evandro Peixoto




O Império Terceirizando a Morte - José do Vale Pinheiro Feitosa

O quê explica a repetição de certos fenômenos a ponto de torná-los previsíveis? O tempo, o espaço e a estrutura dos mesmos resultando em funções com resultados assemelhados. Muitos levam em conta a seguinte frase: A história se repete, a primeira como tragédia a segunda como farsa. Na verdade isso é parte daquelas famosas manias burguesas de pinçar frases de um autor para comumente construir outro tipo de farsa: a farsa da sabedoria de mesa de bar.

Na verdade a frase foi pinçada do 18 Brumário de Napoleão escrito por Karl Marx que diz o seguinte: “Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa. Caussidière por Danton, Luís Blanc por Robespierre, a Montanha de 1845-1851 pela Montanha de 1793-1795, o sobrinho pelo tio. E a mesma caricatura ocorre nas circunstâncias que acompanham a segunda edição do Dezoito Brumário! Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. E justamente quando parecem empenhados em revolucionar-se a si e às coisas, em criar algo que jamais existiu, precisamente nesses períodos de crise revolucionária, os homens conjuram ansiosamente em seu auxilio os espíritos do passado, tomando-lhes emprestado os nomes, os gritos de guerra e as roupagens, a fim de apresentar e nessa linguagem emprestada. Assim, Lutero adotou a máscara do apóstolo Paulo, a Revolução de 1789-1814 vestiu-se alternadamente como a república romana e como o império romano, e a Revolução de 1848 não soube fazer nada melhor do que parodiar ora 1789, ora a tradição revolucionária de 1793-1795. De maneira idêntica, o principiante que aprende um novo idioma, traduz sempre as palavras deste idioma para sua língua natal; mas só quando puder manejá-lo sem apelar para o passado e esquecer sua própria língua no emprego da nova, terá assimilado o espírito desta última e poderá produzir livremente nela.”

Repeti a história de Marx para fazer um paralelo entre a decadência dos impérios (especialmente o romano) em comparação com um dos maiores impérios da história: o Império Americano. A Folha de São Paulo traduziu e publicou um artigo escrito por Rod Nordland diretamente de Cabul para o The New York Times que diz o seguinte: “Esta é uma guerra em que os empregos militares tradicionais, de cozinheiros a guardas de base e motoristas de comboios são cada vez mais transferidos para o setor privado. Muitos generais e diplomatas americanos têm guarda-costas empregados de empresas terceirizadas. E junto com os riscos vieram as conseqüências: no ano passado, pela primeira vez, mais funcionários civis de empresas americanas do que soldados morreram no Afeganistão.”

Nordland apresenta uma série de números e confirma que a mesma coisa está ocorrendo no Iraque. Mais “funcionários terceirizados” estão morrendo do que soldados do efetivo para a guerra. Em outras palavras estamos vivendo dois momentos: em primeiro lugar empresas se organizaram para terceirizar a guerra e segundo, isso é o velho e conhecido mercenário. Que guerreia por dinheiro, sem espírito maior do verdadeiro significado da defesa de sua tribo, seu povo ou sua nação.

O mais grave desta farsa americana é que como se observa a terceirização implica em mais mortes para as pessoas em ação. Em outras palavras, estão terceirizando a morte de jovens pobres recrutados por empresas que lucram com isso.

Tudo anda à frente - Emerson Monteiro

Ouvia a indicação de Eurides Dantas quando já resolvia primorar esse tema de tocar à frente no colégio deste mundo imenso que circula no espaço sideral. Olhar com leveza desenrolarem os dias seus cresceres na alma das formas e das imagens agradáveis de firmamentos inexplorados ao sabor dos infinitos sentimentos, amores e sonhos. Pisar maneiro as folhas secas dos caminhos e abrir portas transcendentais; pedir às circunstâncias novas figurações de cada tempo. Às dúvidas que somem fatores de trabalho, o ser da existência quase importantes interrogações.

Estirar a mão e colher os frutos maravilhosos da existência, que esperam de todos melhores atitudes para serem colhidos em sabores doces inesperados. Acreditar, realizar, eis o modelo da transformação decantado ao fluir das caravanas silenciosas da geração infinita. A dor que ensina gemer. Nada há sem o esforço da luta. A resposta aos empenhos responde com sobra o suor que se derrama, às lágrimas com que se lavam a face...

Na missão de cada um o gosto dos hemisférios, o exemplo, a coerência e disponibilidade para as respostas.

Agora, que reveja esta conversa e tire dela o sabor da sua jornada. Aqueça os músculos e colha os frutos da existência que esperam ser colhidos. Acredite e realize, eis o modelo da transformação decantado ao fluir das caravanas silenciosas da geração mais infinita.

Saber de aspectos mínimos de recontar palavras em teclados de luxo e deixar escorrer no casco das horas tão só o silêncio de vozes caladas em noites mornas, pois dizer a quem sabe também conta. Porquanto os conceitos desfilam rápidos nas janelas de sóis imensos que gritam aos que falam, aos corações que abrem o senso e mudam para melhor, sempre, sempre melhor. Os vagões circulam nas linhas das letras e rasgam caligrafias no peito da emoção. Avisam, pedem, indicam e imploram o gosto do prazer de andar no caminho das maravilhas. O espírito da sinceridade, que olha os olhos da gente e celebra a divina consagração dos seres enquanto metas de si mesmos dos portais da felicidade plena.

Tarde Caririense - Por José Newton Alves de Sousa





Esse ouro que desce e, trêmulo, envolve a serra, essa luz liquefeita, óleo fulvo que alaga, esse claror em adeus, esse final de tarde...
Aqui o monte cisma, o gesto é de silêncio e os olhos, de todas as belezas saciados, bebem o sol, a paisagem, o infinito.
Oh luz do Cariri! Oh clara tarde! Oh sol!
O bater de asas sobre o vale em claridade!
Oh poentes de aurora!
A guerra não existe. O ódio eliminou-se.
Um do outro é irmão...


Por José Newton Alves de Sousa

Por Hilda Hilst


Porque tu sabes que é de poesia

Minha vida secreta. Tu sabes, Dionísio,

Que a teu lado te amando,

Antes de ser mulher sou inteira poeta.

E que o teu corpo existe porque o meu

Sempre existiu cantando. Meu corpo, Dionísio,

É que move o grande corpo teu

Ainda que tu me vejas extrema e suplicante

Quando amanhece e me dizes adeus.


Hilda Hilst

Colada à tua boca a minha desordem.

O meu vasto querer.

O incompossível se fazendo ordem.

Colada à tua boca, mas descomedida

Árdua

Construtor de ilusões examino-te sôfrega

Como se fosses morrer colado à minha boca.

Como se fosse nascer

E tu fosses o dia magnânimo

Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer.

Hilda


A minha Casa é gurdiã do meu corpo

E protetora de todas minhas ardências.

E transmuta em palavra

Paixão e veemência

E minha boca se faz fonte de prata

Ainda que eu grite à Casa que só existo

Para sorver a água da tua boca.

A minha Casa, Dionísio, te lamenta

E manda que eu te pergunte assim de frente:

À uma mulher que canta ensolarada

E que é sonora, múltipla, argonauta

Por que recusas amor e permanência?

Hilda Hilst

Pampas - por Everardo Norões



para Hildebrando Pérez Grande

São sempre linhas
as paisagens,
a cortarem geometricamente
nossas rotinas.
As curvas senoidais
das serras,
as retas dormentes
das planícies.
E nós:
pequenos pontos
num papel rasgado.

Rainer Maria Rilke


O mundo estava no rosto da amada -

O mundo estava no rosto da amada -
e logo converteu-se em nada, em
mundo fora do alcance, mundo-além.

Por que não o bebi quando o encontrei
no rosto amado, um mundo à mão, ali,
aroma em minha boca, eu só seu rei?

Ah, eu bebi. Com que sede eu bebi.
Mas eu também estava pleno de
mundo e, bebendo, eu mesmo transbordei.

(Tradução: Augusto de Campos)

por socorro moreira



Com pretensões coloridas
Aguardo um presente do tempo
que prepara um papel
pra enrolar minha vida !
......................................
Quando aberto está um caminho
é bom soltar flores
Nele ser vento
Ser passarinho.

A paz das coisas esquecidas ...

Domingo molhado, fresquinho, pedindo comida fumejante, como um baião de dois com pequi.A preguiça dos dias de domingo ainda vive comigo... Ligo o som, e em cada música viajo no tempo, e reencontro muitos rostos dos meus afetos , passantes, ficantes, que mesmo distante, ainda estão incluídos. Abri uma caixa de fotos , e captei da memória muitas histórias de amor.
Bom mesmo é espreguiçar o corpo, relaxar, e não contar as horas, nem cumprir nenhum compromisso. Hoje é domingo, e eu só quero a paz das coisas esquecidas !

Nosso primeiro beijo - por Socorro Moreira



Não aconteceu.
Nem pode acontecer,
apesar dos olhos fechados,
do coração batendo,
e a sensação do que pode ser.
Como acontecer ?
Nos sonhos,
na forte intenção,no doido desejo?
Eu sonhei tanto
com o primeiro beijo ...!
O peito resvala um suspiro
A boca úmida engole o motivo
E eu solto um bocejo,
na procura de um beijo...
e os teus olhos piscam !

Ninguém vive sem saudades
A saudade inquieta é a que mais maltrata.
Saudade confortável
é quando ela me deixa em calma
Nem triste, nem alegre ...
Apenas ela,
num sumidouro com porta dianteira.
.
Amar em segredo, mata !
Amor é Vida, e gostamos dela !

 por socorro moreira

HINO AO CARIRI - José Augusto Siebra

VISÃO DA JANELA DO PADRE ÁGIO-por Ulisses Germano



No Cariri tudo é belo
Tudo é galas e primores
É belo no sítio ameno
... Ver-se flores multicores.

É belo o cantar das águas
Que vem de encontro à pedreira
A brisa a gemer nas folhas
Da majestosa mangueira.

Soluça a patativa
Na folha da bananeira
A juriti tão saudosa
Chamando a companheira.

Vê-se a beleza que tem
Os grandes canaviais
O canto dos passarinhos
Na fronde dos laranjais.

Ouve-se o rumor nas folhas
Do coqueiro pelo vento
Fitar os círios eternos
Que habitam no firmamento.

Que primavera meu Deus
Desponta no mês de abril
Maio, um altar a Maria
Coberto de flores mil.

Eu como sou filho desta
Terra cheia de delícias,
Quero viver no seu seio
Gozando suas carícias.

HINO AO CARIRI - José Augusto Siebra

terça-feira, 6 de março de 2012


Por Chico Buarque

Soneto

Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono

Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo

Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída

Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio

Chico Buarque

O beijo que ficou ... por Rosa Guerrera


O beijo mais marcante de toda a minha vida ,
foi aquele que ficou no desejo ,
e que nunca conseguí dar...
Mas até hoje sinto no coração
o seu sabor !

O GANSO DE ANNA






O GANSO DE ANNA

 
Anna é dona do único ganso da cidade.
Ele não tem serventia nenhuma,
exceto para trepar com as gansas.
A população inteira traz as gansas para trepar
com o ganso de Anna.
Mas ele só trepa nadando no lago,
que fica gelado no inverno.
Então Anna joga baldes e mais baldes
de água quente
no lago
para o ganso conseguir trepar.
 
 
 
 

NIGHTLIFE



Há 9 anos na estrada, a banda sul cearense NIGHTLIFE vem fazendo a diferença por onde tem andado. Tocando e encantando uma galera sem limites de idade, passeia pelo rock e pelo pop com um estilo único, transformando qualquer evento em uma verdadeira festa, onde a alegria e a descontração são a tônica.

Em sua mais recente fase, dessa vez em parceria com a Sertão Pop Produções, está preparando o seu primeiro disco de músicas autorais, e já vem com um grande sucesso que está fazendo a cabeça da moçada. "THE PASSION", é a música de trabalho do CD que promete estourar na região do Cariri e certamente por esse Brasil afora. Está sendo lançado também um clip com a música e outras mudanças para melhor estarão acontecendo ao longo dessa nova fase da banda.

Em breve disponibilizaremos todo esse material aqui para vocês.

Estamos à sua disposição para contratos e fazer acontecer um grande evento, seja em seu bar, sua casa, clubes, teatros, aniversários, casamentos, etc.

Nossos contatos:
SERTÃO POP PRODUÇÕES:
Rua Araripe 163 - Centro - Crato-Ceará. - CEP: 63.100-380
Telefones: (88) 3521.5398
9666.9666 - TIM
8824.2131 - OI
8102.4051 - VIVO
9231.0991 - CLARO
De: Sertão Pop Cariri



Feliz começo de semana!

Finalmente o calor passou. O clima foi ficando ameno, e a umidade voltou com todas as nossas alergias. Eu espirro, tu espirras, ele espirra... Um mundo de rosas! Tô assim, agora. O coração se aperta nas auguras do mundo, e depois se alarga, se expande e vira-mundo!


Pensamento do Dia. Liduina Vilar.


Uma chuvarada depois de noites e dias calorosos, traz-nos a alegria dos respingos, a vontade de pegar no trovão, de conversar com o relâmpago e saltitar ladeira abaixo, num verdadeiro encontro entre a água e o corpo. Corpo vestido de pano, que se torna transparente diante do banho de chuva caída do céu. Esse céu que imaginamos ser nossa futura morada, onde encontraremos caras pessoas, como também desafetos, que partiram para tal plano misterioso. Chuva, frio, vento, neblina, são elementos da natureza que às vezes esquecemos de vivenciar. Assim, deixamos a vida um pouco para trás. Por outro lado, se curtirmos tudo isso, um a um desses fatores, estaremos fazendo de nossa existência um festival de sorrisos, de mãos dadas com a alegria. Pensemos e reflitamos sobre isso e a vida de repente, poderá se tornar uma enorme ciranda de felicidade.

JOUBERT DE CARVALHO- por Norma Hauer


Foi no dia 6 de março de 1900 que nasceu em Uberaba, MG Joubert Gontijo de Carvalho, que ficou conhecido, nos meios musicais, como JOUBERT DE CARVALHO.

Felizmente, para Joubert, seu pai gostava de música e isso o ajudou em seu aprendizado .

Talvez já sonhando com a Medicina, compôs sua primeira valsa, dando-lhe o nome de "Cruz Vermelha”.

Seu pai, porém, não o apoiou porque queria vê-lo estudando Medicina, fato que o fez transferir-se, em 1920, para o Rio de Janeiro.

. Foi bom aluno na Faculdade e, terminando seu curso, defendeu sua tese dando-lhe o nome de "Sopros Musicais do Coração".

A música estava em seu sangue, e conseguiu sua primeira gravação com Pedro Celestino, em 1926; era um tango de nome "Agonia".

Em 1928 musicou um poema de Olegário Mariano de nome "Cai,Cai,Balão". Tornaram-se amigos e, da dupla, surgiram as músicas "Hula", "Zíngara" e "De Papo P'ro Ar", todas gravadas por Gastão Formenti.

Nessa mesma época, Carmen Miranda, que tivera sua primeira gravação com uma música de nome “Triste Jandaia”, gravou, de Joubert de Carvalho, “Tai”, que a consagrou como grande intérprete.

Para uma peça de Paschoal Carlos Magno", escreveu "Pierrô" e "Arlequim", gravadas por Jorge Fernandes. A peça não foi montada;" Arlequim" sumiu e "Pierrô" transformou-se em grande sucesso anos mais tarde, quando foi regravada por Sílvio Caldas.

É impossível recordar tudo que Joubert de Carvalho compôs, mas há obras que marcaram nosso cancioneiro nas vozes de todos os grandes cantores daquela época.

Assim tivemos:" Em Pleno Luar"; "Maria, Maria"; "O Silêncio do Cantor";"Volta para o meu Amor"; “Que Bom que Estava”...gravações de Orlando Silva, Francisco Alves, Sílvio Caldas, Aurora Miranda...

Mas e CARLOS GALHARDO ficou de fora? Claro que não! Além de regravar "Maringá", lançou, em 1965, um LP de nome "Jóias Musicais de Joubert de Carvalho", com algumas regravações e cinco músicas inéditas.

Uma, com letra de Mário Rossi, intitulada "Desde Sempre" é das mais belas composições de nosso cancioneiro. Quem a conhece?

Em fins dos anos 60, os festivais "fervilhavam". Não eram para Joubert de Carvalho. Mas... e um festival de serestas?

Em 1969 , no Clube Municipal foi realizado o "1º Festival Brasileiro de Serestas". E quem o venceu? Joubert de Carvalho, com "Sol de Estrada", defendido por Antonio João, um cantor que estava se destacando na época.

Um 2º Festival foi realizado, mas não teve a repercussão do 1º. Ainda assim, Joubert de Carvalho o venceu com "A Flor e a Vida".

Gostaria de relembrar aqui dois fatos que Joubert sempre gostava de contar referentes a "Maringá":

Através de um amigo foi apresentado ao então Ministro José Américo de Almeida, que apreciava suas músicas. Este propôs que fizesse algo que falasse numa seca e na leva de pessoas que deixam suas terras no Nordeste, em busca de melhores condições no Sul.

O Ministro José Américo era de Areias e seu amigo de Pombal. E a seca, nesse ano, foi pior em Ingá. Pronto: veio a inspiração e "nasceu" a "Maria do Ingá", que numa leva deixou sua cidade de Pombal. E "Maria do Ingá" se transformou em "Maringá".

"Foi numa leva que a cabocla Maringá,

Ficou sendo a retirante

Que mais dava o que falar.

E junto dela veio alguém que suplicou,

P’ra que nunca se esquecesse do caboclo que ficou”...

"Maringá" foi logo gravada por Gastão Formenti, tornando-se um grande sucesso.

E que aconteceu depois?

O segundo fato ocorreu anos mais tarde, quando a Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, ficou encarregada de lotear e construir uma cidade na região. Concluído o trabalho, não sabiam que nome dar à cidade. Foi quando a esposa do Diretor da firma sugeriu o nome da canção entoada pelos operários enquanto trabalhavam. "Maringá".

E assim surgiu a CIDADE QUE NASCEU DE UMA CANÇÃO.

No dia 2 de abril de 1957 a principal rua de Maringá teve seu nome mudado de Bandeirantes, para Joubert de Carvalho, a cujo ato inaugural o compositor compareceu. Foi uma glória em vida.

Alguns meses antes de seu falecimento em uma entrevista ao Programa Sala de Visita, que Raul Maramaldo apresentava na Rádio Rio de Janeiro, Joubert de Carvalho contou a dupla história de “Maringá” (como canção e como cidade) e apresentou uma nova composição sobre “Maringá” (cidade) de nome “A Cidade que Nasceu de Uma Canção”, que nunca foi gravada.

No dia 20 de setembro de 1977 ele partiu. Tinha 77 anos, pois nascera em março de 1900.

Norma

BIDU REIS- por Norma Hauer



Ela nasceu em 5 de março de 1920, recebendo o nome de Edila Luisa Reis, ficando conhecida com o nome artístico de BIDU REIS, começou cantando em trio, depois em dupla com Emilinha Borba (também em início de carreira). Esta, seguindo seu caminho só, fez com que Bidu se dedicasse mais à composição, ao piano e à poesia.

E isso ela o fez até aos 90 anos.

Não compôs muito, mas quase tudo que produziu obteve sucesso, como “Bar da Noite” (parceria de Haroldo Barbosa e grande sucesso na voz de Nora Nei) “Caminhos Diversos “; “É Natal” co-autoria de Arsênio de Carvalho; “Quatro Histórias Diferentes”, parceria com Dora Lopes e por esta gravada; “Festa de Luz” e “Interesseira” ambos com Mário Latini... sendo a mais recente composta em parceira com Osmar Frazão, de nome “Fernanda”, gravada primeiramente por Paulo Barcelos e depois por Alberto Gino.

“Interesseira” foi um dos maiores sucessos do cantor Anísio Silva, mas vejamos a letra de .



BAR DA NOITE



Garçom, apague esta luz
Que eu quero ficar sozinha
Garçom, me deixe comigo
Que a mágoa que eu tenho é minha...


Quantos estão pelas mesas
Bebendo tristezas
Querendo ocultar
O que se afoga no copo
Renasce na alma
Desponta no olhar


Garçom, se o telefone bater
E se for pra mim
Garçom, repita pra ele
Que eu sou mais feliz assim


Você sabe bem que é mentira
Mentira noturna de bar
Bar, tristonho sindicato
De sócios da mesma dor
Bar que é o refúgio barato
Dos fracassados do amor

Tive o prazer de fazer parte de seu círculo de amigos e, assistia a suas apresentações “ao vivo” no programa “Onde Canta o Sabiá”, que Gerdal dos Santos apresenta todos os sábados na Rádio Nacional.

Bidu lá comparecia no primeiro sábado de cada mês e o fez até o de fevereiro de 2011. Afastou-se e, por motivo de doença, não compareceu em seu 91° aniversário, em 5 de março do mesmo ano. Não se recuperou da doença e no domingo, dia 26 de junho de 2011 veio a falecer.

Alguma nota em jornal ?... Nada !!!, afinal ela não nasceu naquele país do Norte, caso em seria manchete entre nós.

A Bidu, que do outro lado da vida, reencontre seu grande amor são meus votos.
Adeus.

Norma



Michelangelo



Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni (Caprese, 6 de Março de 1475 — Roma, 18 de Fevereiro de 1564), mais conhecido simplesmente como Miguel Ângelo (português europeu) ou Michelangelo (português brasileiro), foi um pintor, escultor, poeta e arquiteto italiano, considerado um dos maiores criadores da história da arte do ocidente.

wikipédia

Se for pra falar de amor eu me calo
Esqueci a palavra tão acariciada
Esqueço a hora de lembrar
E lembro, no primeiro raio
No sonho que espera
De olhos fechados

Fico a imaginar...
Mesmo céu, mesma linha
Silêncioso canto
Ou(vindo) sem pranto.

(socorro moreira)

segunda-feira, 5 de março de 2012

"Amizade e amor têm a mesma raiz. 
(...)
mas o perfume do amor exala sem que o olfato o busque."

(José do Vale)

Antes do sonho...


A postura fidagal que deslembra o amor - José do Vale Pinheiro Feitosa




Nem tímido e nem atrevido. Não era de multidões, fazia diferença em pequenos grupos. Durante a segunda guerra mundial acompanhara a fantástica evolução da medicina em todos os sentidos. Estudando com um professor cuja formação era européia sendo discípulo do famoso médico alemão Sauerbruch, saíra da faculdade atualizadíssimo com a revolução tecnologia trazida pelas urgências da guerra.

Por isso quando chegou àquela cidade retirada no Brasil Central em menos de um ano já tinha a maior clínica da cidade. Trabalhando sem parar até as onze horas da noite, sem hora certa para dormir e acordar, se tornou uma referência em contenção social. Pelo prestígio social, econômico e técnico, jovem e recém-chegado não podia se expor a namoricos até por que não tinha tempo e havia um certo compromisso com uma conterrânea de logo se casarem.

Mas como diz a canção: o coração tem razões que a própria razão desconhece. Um dia o pai da moça mais bonita e desejada da cidade chega ao consultório e pede para assistir à filha que estava acamada com uma brutal crise de asma. Estava no princípio da tecnologia e ele indica que sejam feitas vacinas subcutâneas com o próprio material dela na tentativa de dessensibilizar a sua reação asmática.

Resultado ela passou a tomar, no consultório dele, uma dose da vacina, duas vezes por semana. Logo a maledicência da cidade tramou um namoro: a moça mais bonita com o médico solteiro. Mas ele efetivamente não aceitou o zum zum e tocou a vida. A moça praticamente deixou de ter crise de asma e ambos desenvolveram uma grande amizade.

Ora, acontece que amizade e amor têm a mesma raiz. Para ele a sua posição isenta e profissional estava solucionada, mas o perfume do amor exala sem que o olfato o busque. A cidade era cheia de quartéis e um oficial apaixonou-se pela moça, só que ela tinha horror a ele. E a toda investida para ir a um baile ou assistir a um cinema, ela vinha com a desculpa que já tinha compromisso com o doutor.

E mesmo o doutor não a buscando, a desculpa o fisgava. E olha que ela jogava vôlei muito bem e era uma deusa morena, elegante e sedutora nos movimentos para lançar a bola. A desculpa do doutor era de que não tinha tempo para assistir a jogo de vôlei, e esta desculpa repetida setenta anos após, era a prova de que vê-la jogando era o encanto do qual fugia.

E ia aos bailes para protegê-la da sedução do oficial militar. E dançava como se cumprisse a obrigação social com a cidade, sem saber que dançava subjugado pela beleza que se abrigava no ritmo dos braços dele. Este platonismo desvairado que atormentou tantas histórias de amores não realizados, tem uma intensidade semelhante ao magma em busca de uma cratera de vulcão.

E o doutor passou a acompanhá-la. E uma vez no cinema, ambos estavam num camarote, ele diz que era apenas amizade, mas lembra dos detalhes como se fosse possível alguém lembrar fortuitamente de uma fração de tempo quando uma maré faz determinado movimento e aquilo congelasse em sua memória. E as marés são tão buliçosas iguais aos corações em encontro.

Cinema é movimento. A cinética da energia entre a tela e os dois aparentemente sentados acontecia embora estivessem em posição estática. Qual cena se desenrolava com maior rapidez na tela ou no camarote isso nunca se saberá. Apenas que eram extremamente dinâmicas. E foi por isso mesmo que o desfecho lá se acompanhou de desfecho cá.

O doutor quis chamar a atenção dela para uma cena. E no afã de expressar-se põe a mão sobre os joelhos dela. Ele nunca compreendeu o que o levou a tal mímica do que se passava em suas emoções. Para ele fora apenas um gesto para chamar a atenção dela para a cena na tela. Mesmo setenta passados, não compreendera que o gesto expressava outra coisa. Ela parou perplexa. Vermelhinha como uma brasa solar. E aquele fogo se tornou uma narrativa de uma amizade de uma interpretação que termina nesta palavra.

Hugo Linard faz ,junto a tantos outros artistas, a história musical do Cariri.

Dia 14 de abril de 2012, anunciamos a festa dos músicos, a festa da música, a festa de HUGO LINARD!





Com Leninha: filha, cantora e compositora




"Meu inesquecível pai Irineu Sisnando de Alencar e minha querida mãe Helena Gomes de Alencar Linard com meu primeiro neto, Gabriel."

Com muita alegria confirmamos a presença dos músicos  Abidoral Jamacaru, Hildelito Parente, João Nicodemos, Ulisses Germano, Marcelo Randemarck,Luiz Carlos Salatiel,e muitos outros!
Depois do show, 4 h de baile, vivendo a emoção de todos os rítmos!

Fiquem atentos.Aguardem boas novas!



Linda madrugada!



limpar as unhas


limpar as unhas
manchadas de riscar o tempo
onde todos os nomes escritos
aguardam, calmamente aguardam,
o sorriso de seus homens
e mulheres no entorno da casa

limpar as unhas
da ferrugem de ontem
roubada aos dentes
todos eles doentes
do velho e mesmo desejo
por coisas como frutas
que essa terra não dá

limpar
limpar calmamente as unhas
sem esmalte
sem o reflexo do pássaro
que passa sobre a cumeeira
e desdenha as cores das roupas
os nomes nos muros
todos os signos do nosso amor
pelo que se apaga
por ser de sua natureza
apagar-se sempre sempre

limpar as unhas do que foi
além da pele
da memória da luz tatuada no horizonte
marcada no gesto de adeus
queimando a ponta dos dedos

Pier Paolo Pasolini



Pier Paolo Pasolini (Bolonha, 5 de março de 1922 — Óstia, 2 de novembro de 1975) foi um cineasta italiano.

Patativa do Assaré

Memorial- Patativa do Assaré

Uma das principais figuras da música nordestina do século XX. Segundo filho de uma família pobre que vivia da agricultura de subsistência, cedo ficou cego de um olho por causa de uma doença. Com a morte de seu pai, quando tinha oito anos de idade, passou a ajudar sua família no cultivo das terras. Aos doze anos, frequentava a escola local, em qual foi alfabetizado, por apenas alguns meses. A partir dessa época, começou a fazer repentes e a se apresentar em festas e ocasiões importantes. Por volta dos vinte anos recebeu o pseudônimo de Patativa, por ser sua poesia comparável à beleza do canto dessa ave.

Indo constantemente à Feira do Crato onde participava do programa da Rádio Araripe, declamando seus poemas. Numa destas ocasiões é ouvido por José Arraes de Alencar que, convencido de seu potencial, lhe dá o apoio e o incentivo para a publicação de seu primeiro livro, Inspiração Nordestina, de 1956.

Este livro teria uma segunda edição com acréscimos em 1967, passando a se chamar Cantos do Patativa. Em 1970 é lançada nova coletânea de poemas, Patativa do Assaré: novos poemas comentados, e em 1978 foi lançado Cante lá que eu canto cá. Os outros dois livros, Ispinho e Fulô e Aqui tem coisa, foram lançados respectivamente nos anos de 1988 e 1994. Foi casado com Belinha, com quem teve nove filhos. Faleceu na mesma cidade onde nasceu.

Obteve popularidade a nível nacional, possuindo diversas premiações, títulos e homenagens (tendo sido nomeado por cinco vezes Doutor Honoris Causa). No entanto, afirmava nunca ter buscado a fama, bem como nunca ter tido a intenção de fazer profissão de seus versos. Patativa nunca deixou de ser agricultor e de morar na mesma região onde se criou (Cariri) no interior do Ceará. Seu trabalho se distingue pela marcante característica da oralidade. Seus poemas eram feitos e guardados na memória, para depois serem recitados. Daí o impressionante poder de memória de Patativa, capaz de recitar qualquer um de seus poemas, mesmo após os noventa anos de idade.

A transcrição de sua obra para os meios gráficos perde boa parte da significação expressa por meios não-verbais (voz, entonação, pausas, ritmo, pigarro e a linguagem corporal através de expressões faciais, gestos) que realçam características expressas somente no ato performático (como ironia, veemência, hesitação, etc.). A complexidade da obra de Patativa é evidente também pela sua capacidade de criar versos tanto nos moldes camonianos (inclusive sonetos na forma clássica), como poesia de rima e métrica populares (por exemplo, a décima e a sextilha nordestina). Ele próprio diferenciava seus versos feitos em linguagem culta daqueles em linguagem do dia-a-dia (denominada por ele de poesia "matuta").


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Rosa Luxemburgo



Rosa Luxemburgo, em polonês Róża Luksemburg (Zamość, 5 de março de 1871 — Berlim, 15 de janeiro de 1919), foi uma filósofa e economista marxista polonesa e judia,naturalizada alemã. Tornou-se mundialmente conhecida pela militância revolucionária ligada à Social-Democracia do Reino da Polônia e Lituânia (SDKP), ao Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) e ao Partido Social-Democrata Independente da Alemanha (USPD). Participou da fundação do grupo de tendência marxista do SPD, que viria a se tornar mais tarde o Partido Comunista da Alemanha (KPD).

Em 1914, após o SPD apoiar a participação alemã na Primeira Guerra Mundial, Luxemburgo fundou, ao lado de Karl Liebknecht, a Liga Espartaquista. Em 1° de janeiro de 1919, a Liga transformou-se no KPD. Em novembro de 1918, durante a Revolução Espartaquista, ela fundou o jornal Die Rote Fahne (A Bandeira Vermelha), para dar suporte aos ideais da Liga.

Luxemburgo considerou o levante espartaquista de janeiro de 1919 em Berlim como um grande erro. Entretanto, ela apoiaria a insurreição que Liebknecht iniciou sem seu conhecimento. Quando a revolta foi esmagada pelas Freikorps, milícias de direita composta por veteranos da Primeira Guerra que defendiam a República de Weimar, Luxemburgo, Liebknecht e centenas de seus adeptos foram presos, espancados e assassinados sem direito a julgamento. Desde suas mortes, Luxemburgo e Liebknecht atingiram o status de mártires tanto para marxistas quanto para social-democratas.

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Heitor Villa-Lobos- Dia da Música Clássica!



Heitor Villa-Lobos (Rio de Janeiro, 5 de março de 1887 – Rio de Janeiro, 17 de novembro de 1959) foi um maestro e compositor brasileiro
Destaca-se por ter sido o principal responsável pela descoberta de uma linguagem peculiarmente brasileira em música, sendo considerado o maior expoente da música do modernismo no Brasil, compondo obras que enaltecem o espírito nacionalista, ao qual incorpora elementos das canções folclóricas, populares e indígenas

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A Alma do Negócio - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Dá gosto a gente vê uma propaganda bem feita, cheia de criatividade e até com um leve toque de humor. Não essas que irritam nossos ouvidos com gritarias e imposições descabidas. Porém aquelas sutis, cheias de bossa, como a que a coca-cola fez há cerca de vinte anos, mostrando um exagerado chefe de família abrindo a geladeira cheia de coca-cola e indagando: "Será que vai dar? O namorado da minha filha vem esta noite aqui em casa. E ele bebe uma coca-cola!...." Ou como umas que surgiram mais recentemente, como a de uma marca de cerveja mostrando um grupo de rapazes num apartamento, preparando-se para saírem para mais uma noitada, quando uma vizinha toca a campainha perguntando ao dono da casa se ele vai sair. Imediatamente ele cheio de segundas intenções responde que vai ficar em casa e que os amigos já estavam de saída. A moça então diz: "Ótimo, eu preciso sair e gostaria de saber se você pode ficar com a minha cachorrinha?" A outra apresenta um grupo de turistas procurando uma boa praia e o guia mostrando por uma pequena fresta no meio do mato, uma praia, à primeira vista deserta, acompanhada da pergunta: "Só tem essa, pode ser?" Quando os turistas respondiam que sim, então surgia uma extensa área de nudismo. Em seguida uma bonita voz anunciava que tal refrigerante poderia ser bom demais.

Eu creio que nesse aspecto de propaganda, nossas empresas de publicidade não ficam nada a dever aos americanos, reis absolutos na arte de enganação. Sim, por que a propaganda existe para criar necessidades e desejos nas pessoas. Claro que necessidades nem sempre fundamentais para nossa sobrevivência.

A força da propaganda é tão grande, que a marca de muitos produtos passaram a ser sinônimos dos bens de consumo que eles representam. A aspirina significa comprimido do ácido acetilsalicílico, a gillette é qualquer lâmina de barbear, ou a Brahma como símbolo de cerveja. A propósito, numa comemoração pela conquista de um campeonato paulista, Vicente Matheus, o folclórico presidente do Corinthians, assim finalizou o seu emocionado discurso: "Gostaria de agradecer a antártica por haver nos enviado umas brahmas para nossa festa."

O apelo que a propagada faz é algo impressionante. Vigora até no reino dos animais ditos irracionais. Dizem que o ovo da pata é tão nutritivo quanto o ovo da galinha. Entretanto ninguém consome ovo de pata, pois ela põe e fica caladinha, não tomamos conhecimento disso, enquanto a galinha ao por o ovo, anuncia para todo o mundo. É por isso que se fala que "a propaganda é a alma do negócio".

Certa vez, eu participei de um treinamento em marketing, quando um especialista em propaganda nos pediu para que relacionássemos dez marcas de pasta de dente. Ninguém conseguiu marcar mais de cinco. Todas elas as mais badaladas pela propaganda. Então ele nos revelou existir mais de trinta marcas do produto, todas elas desconhecidas do público, por não fazerem propaganda.

Lembrei-me que nos anos sessenta, éramos invadidos por maciça propaganda de sabão em pó. Alguns já desaparecidos. Havia o "viva", "lux", "pox", "rinso", "minerva", "omo" e tantos outros. Com tanta propaganda de sabão zoando em nossos ouvidos, o cratense, cheio de criatividade cunhou uma declaração de amor digna de um Romeu apaixonado pela sua Julieta. : "Viva, eu te omo, teu rinso minerva, apague essa lux e vamos dançar um pox."

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

domingo, 4 de março de 2012


A CANÇÃO QUE NÃO FICOU PERDIDA...

Composição : Dolores Duran

Ai, leva-me contigo pela noite eterna da tua amargura
Deixa que eu te ofereça, todo este carinho
Toda esta ternura
Não me deixe chorar novamente
No tormento desta solidão
Não me deixe entre todas as coisas
Que foram tão nossas
Dá-me a tua mão
Ai, leva-me contigo e perde a minha vida
Quando te perderes
Deixa que eu te dê meus olhos
Para que tu chores sempre que sofreres
Segue o teu sonho impossível
Não tentes fugir
O que eu quero é ficar a teu lado
E te amar sempre, sempre, sem nada pedir

QUEM TEM MAIS DE 50 ANOS, FECHE OS OLHOS...


ISAURINHA GARCIA- por Norma Hauer



No dia 26 de fevereiro de 1919, nasceu, no bairro do Brás, em São Paulo, Isaura Garcia, que ficou conhecida, artisticamente, como a cantora ISAURINHA GARCIA.

Ela foi uma das poucas artistas que, em sua época, fizeram sucesso em todo o Brasil, sem nunca deixar sua cidade natal. Naquele tempo, artistas vinham morar no Rio de Janeiro, então Capital da República, para se tornarem conhecidos em todo o país. Isaurinha Garcia jamais residiu fora de São Paulo.

Isaurinha começou sua carreira na Rádio Record em 1941. Tornou-se conhecida através do rádio e, já no mesmo ano, gravou, na Colúmbia: “Chega de Tanto Amor" (Mário Lago), "Pode Ser” (Ataúlfo Alves) e "Eu Não Sou Pano de Prato", de Roberto Martins e Mário Lago, música esta que lhe "abriu as portas" para o sucesso e a tornou conhecida aqui no Rio de Janeiro.

Em 1941 lançou "Teleco Teco", ainda na Colúmbia.

No ano seguinte passou à gravadora RCA Victor, quando firmou seu nome gravando "Quem Paga o Pato Sou Eu"; "Duas Mulheres e um Homem" (esta foi uma resposta aos sambas "Amigo Leal" e "Amigo Infiel", gravados por Orlando Silva).
Regravou, de Noel Rosa, "Último Desejo" e "Século do Progresso" (1946).

Neste mesmo ano, lançou seu maior sucesso a música de Aldo Cabral e Cícero Nunes: "Mensagem".

Esta composição recebeu inúmeras regravações, mas foi Isaurinha Garcia a primeira a espalhá-la por todo o Brasil, assim:


"Quando o carteiro chegou,
E meu nome chamou,
Com uma carta na mão...
Ante franqueza tão rude,
Não sei como pude
Chegar ao portão..."

Marcou, ainda depois, outros grandes sucessos:"De Conversa em Conversa" e "O Sorriso do Paulinho".

Quando vinha ao Rio apresentava-se no então famoso programa César de Alencar, que "abriu as portas" para muitos cantores que se tornaram famosos.

Foi eleita a primeira e única "Rainha do Rádio Paulista", sem ninguém para sucedê-la.

Faleceu em 30 de julho de 1993.

10 anos depois, em 2003, foi homenageada com um espetáculo de nome "Isaurinha-a Personalíssima", estrelado por Rosa Maria Murtinho.

Norma

A nota dos oficiais de pijama - José do Vale Pinheiro Feitosa

As assinaturas de oficiais reformados em manifesto contra o Ministro da Defesa e a Presidenta da República em razão da Comissão da Verdade tem todas as características das coisas pequenas. Em primeiro lugar a Comissão da Verdade apenas vai expor para a Nação os nomes e métodos de quem praticou tortura, mas não vai punir ninguém, conservando assim a lei da Anistia. Mas sem dúvida, abrirá a oportunidade para no campo do direito individual as famílias tentem, na justiça, ações contra torturadores contumazes. Por isso a Veja entrevistou um já testando os limites da consciência e da tolerância nacional. Acontece que muitos torturados talvez não tenham mais ânimo para punir estas práticas monstruosas. E em segundo lugar embora estas assinaturas vindas dos Clubes Militares, vão demonstrar o nível de rebaixamento político de tais clubes outrora tão ligados às questões nacionais. Com estas assinaturas se tornaram um clube corporativo, em defesa de uma geração de militares que se associaram a uma ditadura e à tortura.

O jornalista Jânio de Freitas numa coluna na Folha de São Paulo põe claridade política na nota da corporação em defesa de seus antigos atos:

Já anda por algumas centenas, mas quanto mais assinaturas tenha o manifesto dos militares desativados contra a presidente da República, sua comandante suprema, e contra o ministro da Defesa, melhor para todos. Eles e nós.

Os comandantes do Exército, Enzo Martins Peri, da Aeronáutica, Juniti Saito, e da Marinha, Julio Soares de Moura Neto, transpostos do governo passado ao atual, têm conduta exemplar, profissional e pessoal. Não se sabe que esforço lhes custa, se custa algum, projetar sua conduta sobre a dos comandados. Seja qual for, têm êxito e nisso dão contribuição essencial à árdua construção da democracia -lenta, gradual e, ainda, restrita.

Os que assinam o manifesto, todos da reserva ou reformados, eram a própria ditadura. Foram parte do seu sustentáculo e de tudo o que nela foi feito e eles temem ver exposto plenamente e julgado. Eram a ditadura ontem, são hoje a voz da ditadura. Não é mal que façam o país ouvir a voz roufenha, velada e já trêmula da ditadura.

Também é assim que somos forçados a não perder a consciência de nossa própria história. O mesmo acontece com eles: não se esquecem do que foram -e, logo, são. E nós outros formamos a consciência de que serão necessárias duas, talvez três gerações, se tudo correr como necessário ao processo de democratização, para que não haja mais resquícios venenosos no profissionalismo militar brasileiro.

A história militar no Brasil, desde a conspiração para o golpe da República, é uma história de indisciplina. Muitos dos que viveram em indisciplina não podem compreender outra conduta.

Mundo - Por José de Arimatéa dos Santos


Foto: José de Arimatéa dos Santos
Mundo de beleza incomensurável
Com dias com o sol ou chuva
Sempre a nascer,
A trazer luz,
Esperança de melhores dias
Sempre presentes no nosso cotidiano
E que mesmo na correria
É importante contemplar
E agradecer a vida
A pulsar a todo momento
Nesse mundo
Tão radiante de boniteza infinita